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E-book Juventudes e Identidade - JE IECLB 2026

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JUVENTUDES E IDENTIDADE E-BOOK

1. INTRODUÇÃO

a) Um convite ao espaço seguro

b) Seminário Nacional da Campanha Juventudes e Identidade

2. IDENTIDADE VISUAL

3. ESTUDOS TEMÁTICOS

a) Quem sou eu? (identidade individual)

b) Quem somos nós? (identidade coletiva)

c) Em que cremos? (identidade de fé)

4. RECURSOS PARA ENCONTROS

a) Itinerários para encontros e oficinas

b) Identidade individual

c) Identidade coletiva

d) Identidade de fé e confessionalidade luterana

e) O que brilha nos olhos da Juventude Evangélica?

INTRODUÇÃO

Falar sobre juventude é falar de movimento, mudança e busca. A juventude é aquele momento da vida em que muitas perguntas aparecem:

Quem sou eu?

O que eu quero ser?

O que me faz feliz?

Onde é o meu lugar?

Essas perguntas não têm respostas prontas, fazem parte do processo de construção da identidade: um caminho desenhado pouco a pouco, com o jeito de falar, com as escolhas que fazemos, com os espaços em que convivemos, com os sonhos que abraçamos e até com os erros que nos ensinam.

Quando falamos sobre juventudes, usamos o plural de maneira proposital. Não existe apenas uma forma de ser jovem. Cada juventude é marcada por sua história, sua família, o lugar onde vive, sua cultura e suas experiências. Ao mesmo tempo em que utilizamos o plural para definir juventudes, poderíamos também utilizar o plural para referirmo-nos às diversas identidades que compõem a juventude. No entanto, optamos pelo uso do singular como forma de expressar a busca de uma identidade para a JE IECLB. Como Paulo escreve na carta aos Romanos 12.5: “assimtambémnós,emborasejamosmuitos, somosumsócorpoporestarmosunidoscomCristo”

Há pessoas jovens que crescem em grandes cidades e outras em pequenas comunidades do interior; há quem tenha muitas oportunidades e quem precise lutar dobrado para conquistar o seu espaço; há quem se expresse pela música, pela dança, pela arte, pela fé ou pelo engajamento social e político.

Essa diversidade é justamente a maior riqueza das juventudes. A identidade se constrói nesse encontro entre o que cada pessoa traz dentro de si e o que descobre no mundo. É como uma impressão digital: única, mas conectada a outras.

Vivemos em tempos em que as juventudes enfrentam muitas pressões: ser uma pessoa bem-sucedida, demonstrar perfeição, saber logo o que quer da vida e não falhar. Essa cobrança pode gerar insegurança e medo. Mas a juventude também é tempo de potência, de criar, sonhar e transformar. Inclusive, a juventude já é a sua vida acontecendo. Esperar pelo dia em que a vida vai “começar de verdade” é um equívoco.

A fé e a espiritualidade são essenciais nesse processo. As Escrituras Sagradas nos mostram, em diversos momentos, que Deus chama pessoas jovens para grandes missões, sinal de que esse tempo da vida é também tempo de ação e protagonismo, como nos lembra o profeta Joel: “OSENHORdizaoseu povo:Depoisdisso,euderramareiomeuEspíritosobretodasaspessoas:asfilhaseosfilhosdevocês anunciarãoaminhamensagem;osvelhossonharão,eosmoçosterãovisões” (Joel 2.28). A fé ajuda a afirmar que cada pessoa jovem tem valor para Deus e que não precisa se encaixar em padrões impostos pelo mundo para ser amada e respeitada.

O tema Juventudes e Identidade nos convida a reconhecer essa pluralidade e afirmar que cada jovem carrega uma marca única, formada pela sua história, cultura, fé e comunidade, compreendendo

que a identidade não é algo apenas interno, mas também construída nas relações e vivências. Reconhecer essa riqueza é abrir espaço para que todas as vozes sejam ouvidas e para que as pessoas jovens possam ser protagonistas da própria caminhada.

Desejamos que este material contribua para a reflexão sobre a identidade e que cada pessoa jovem possa reconhecer-se como parte da Criação divina, preciosa aos olhos de Deus. Que o tempo de estudo e multiplicação da campanha conduza à certeza de que sua história tem valor, propósito e faz parte da missão de Deus.

UM CONVITE AO ESPAÇO SEGURO

Para que este material cumpra seu propósito, a proposta é que ele seja lido e partilhado sob a ética de um espaço seguro. Como citado na introdução, a construção da identidade exige que as pressões e as cobranças por perfeição fiquem do lado de fora. Um espaço seguro é aquele onde a vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas de coragem.

Seja no silêncio de uma leitura individual ou nas conversas e encontros que este e-book possa motivar, o convite é para uma postura de acolhimento: ouvir a outra pessoa (e a si mesma) sem o peso do julgamento, respeitar o tempo de cada descoberta e guardar com zelo as histórias partilhadas. Quando garantimos que cada voz pode ser ouvida sem medo, transformamos a teoria destas páginas em uma prática de liberdade. Que estas reflexões sejam construídas e partilhadas em um espaço onde a autenticidade é a única regra.

SEMINÁRIO JUVENTUDES E IDENTIDADE

O Seminário Nacional Juventudes e Identidade ocorreu entre os dias 12 e 14 de março de 2025 no Lar Luterano Belém, em Campinas/SP, Sínodo Sudeste, e se consolidou como um passo importante para a Juventude Evangélica (JE). O evento reuniu 57 lideranças jovens, representantes dos sínodos da IECLB, com o objetivo central de ser um momento de formação para pessoas multiplicadoras.

Diferente de um encontro apenas contemplativo ou reflexivo, a programação focou em fornecer subsídios à juventude participante para que a campanha chegasse a todos os níveis da Igreja. Durante o seminário, as lideranças trabalharam diretamente na construção e na validação dos materiais que, neste ebook, servem de subsídio para reflexões, dinâmicas, propostas de encontro e leituras bíblicas para as comunidades, paróquias e sínodos.

A metodologia aplicada permitiu que cada jovem saísse do encontro com a missão de multiplicar o conteúdo em seus sínodos de origem. Coordenado pelo Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE), com auxílio da Coordenação de Juventudes da Secretaria da Ação Comunitária da IECLB, o evento garantiu que a temática da identidade fosse debatida de forma prática, transformando as reflexões teóricas em ferramentas de mobilização para oficinas e grupos de juventudes por todo o Brasil. Acompanhe alguns relatos das pessoas participantes no seminário.

Amanda Gabriele

Siebeneichler Feil

“O Seminário da Campanha Juventudes e Identidade foi uma vivência significativa para mim enquanto jovem. A partir dele, pude refletir sobre questões relacionadas à minha própria identidade e também à realidade de outras juventudes. Pude ampliar minha compreensão em relação à fé, vida comunitária e social, aprofundando esses assuntos com uma ampla dimensão. Além disso, o seminário proporcionou um espaço seguro e acolhedor para compartilharmos experiências, dúvidas e aprendizados, contribuindo para um amadurecimento pessoal e coletivo. Foi ótimo experienciar esse momento junto a pessoas jovens de toda a IECLB, e ainda mais bonito é ter a oportunidade de levar esses valiosos aprendizados para outras pessoas jovens de diferentes contextos e regiões, percebendo a pluralidade, mas também os valores comuns que existem dentro da nossa Igreja.”

“Participando do seminário, tive a oportunidade de conhecer jovens de todo o Brasil, fazer novas amizades e conviver com pessoas com o mesmo objetivo que eu e de outras culturas. Os dias lá fizeram com que eu visse certas coisas com outros olhos, mudando um pouco minha forma de lidar como liderança jovem. Aprendi muito com todo mundo e, ao longo dos encontros, vou partilhando minha experiência. Durante o Congresso Sinodal da Juventude Evangélica (CONGRESIJE), tivemos uma roda de conversa sobre o tema, onde foi possível falar um pouco da experiência e tirar dúvidas das demais pessoas jovens. Com isso, podemos ver que dentro dos nossos sínodos temos uma diversidade de pessoas e culturas.”

“Participar do Seminário Juventudes e Identidade, onde ouvimos e conversamos sobre a preocupação com as crises de identidade de fé, que vão surgindo cada vez mais entre jovens e também em nossas comunidades, foi um momento que despertou em mim ainda mais o desejo de fortalecer o trabalho com a juventude e ajudar outras pessoas jovens a refletirem sobre sua identidade de fé e seu lugar na comunidade. Após o seminário, tive a oportunidade de repassar esse tema no XXIII Seminário Sinodal de Lideranças da JE SESB, em setembro de 2025, convidando jovens do sínodo a refletir sobre a iden-

26 anos - Sínodo Espírito Santo a Belém, Paróquia de Santa Maria de Jetibá/ES
20 anos - Sínodo Norte Catarinense, Paróquia Apóstolo João de Jaraguá do Sul/SC
Bianca Berger Amorim
Júlia Faier Frühauf

tidade de fé e como vivê-la na prática, na vida em comunidade. O preparo e a partilha foram momentos de muito aprendizado, troca e aprofundamento, que contribuíram também para o meu crescimento como liderança jovem.

Essa experiência teve um impacto importante na minha caminhada, pois reforçou minha responsabilidade no serviço com a juventude e me motivou a continuar multiplicando essas reflexões em grupos, encontros e espaços de diálogo. Como jovem cristã luterana, pude fortalecer meus valores de fé e comunidade, além de levar novas ideias para o trabalho com a juventude.”

“Quanta alegria sinto em ter tido a oportunidade de participar do Seminário Juventudes e Identidade. Sem dúvida, foi uma experiência única e muito especial na minha vida. Cada momento, reflexões, aprendizados e as inúmeras trocas e experiências compartilhadas com cada pessoa jovem que estava lá vão ficar para sempre em minha memória!

Voltei desse seminário com os olhos brilhando de tanta felicidade e empolgação para viver ainda mais a JE e multiplicar essa campanha linda com as demais pessoas jovens do meu sínodo… momento que está sendo preparado com muito carinho para ser realizado em forma de oficinas sobre o tema durante o ano de 2026.”

20 anos - Sínodo Sul-RioGrandense, Paróquia Ascensão de Canguçu e Piratini/RS Thalia Radtke Machado

IDENTIDADE VISUAL

Falar de juventude é falar de uma fase cheia de descobertas, onde a pergunta “quem sou eu?” ganha cores e formas novas a cada dia. A Campanha Juventudes e Identidade nasce justamente para refletir este momento tão intenso e vibrante. A identidade visual da campanha foi criada para expressar, por meio da arte, os pilares que sustentam a caminhada das juventudes na IECLB: fé, convivência e individualidade. Queremos ressaltar a beleza da identidade individual, aquilo que torna cada pessoa única, mas também mostrar como essa identidade se fortalece quando se mistura com o coletivo e com a vivência da fé.

Conheça os detalhes de uma arte que foi pensada para espelhar a sua jornada e os pilares que sustentam o seu caminho, reconhecendo que cada pessoa jovem é uma peça essencial e viva no mosaico das nossas juventudes.

O conceito da digital nasce do encontro entre o singular e o coletivo, entre a impressão digital, que representa o que é único em cada pessoa jovem, e os caminhos entrelaçados, que simbolizam o viver em comunidade. Assim, cada traço da arte comunica movimento, diversidade e comunhão.

As formas arredondadas e texturas suaves remetem à ideia de cuidado e acolhimento. Elas refletem o caráter introspectivo e, ao mesmo tempo, dinâmico das juventudes, que buscam compreender quem são e como podem transformar o mundo com fé e esperança. Os balões de diálogo remetem à identidade coletiva. Os valores e costumes da nossa vida são formados em comunidade. Nos conectamos com outras pessoas que pensam de maneira igual ou diferente. Essas trocas de experiências são importantes para a formação da própria identidade. Assim, o diálogo deixa de ser apenas uma conversa para se tornar o espaço onde a nossa diversidade se transforma em unidade.

A paleta de cores combina tons modernos e limpos, trazendo leveza e profundidade. As cores se complementam de modo harmônico, traduzindo a pluralidade das experiências juvenis e a força que surge quando as diferenças se unem.

Tons laranjas: representam a energia, o entusiasmo e a vitalidade da juventude. É a cor do movimento e da criatividade, simbolizando o calor do acolhimento e a alegria de servir com esperança e otimismo.

Tons azuis: remetem à serenidade, à confiança e à profundidade da nossa fé. O azul traz o equilíbrio necessário para a reflexão, simbolizando a paz e a segurança que encontramos ao caminhar em comunidade.

Tons violeta: representam a espiritualidade e a introspecção do refletir. É uma cor que une a energia do vermelho com a calma do azul, representando a busca pelo autoconhecimento e a transformação que a fé promove em nossa identidade.

Tons cinzas: representam a solidez do nosso alicerce e o equilíbrio necessário para a caminhada. É a cor que remete à rocha que sustenta a nossa fé, simbolizando a estabilidade nos momentos de incerteza. O cinza nos convida ao silêncio e à escuta, sendo a base neutra onde todas as outras cores da nossa identidade podem brilhar com segurança.

A cruz, elemento central da arte, recorda que a identidade cristã é o eixo que sustenta toda a caminhada. Acrescentamos a interpretação da cruz da seguinte maneira: no eixo vertical, a relação com Deus; no eixo horizontal, o compromisso com as pessoas e com a Criação.

A tipografia foi escolhida para refletir lucidez, firmeza e contemporaneidade, unindo o vigor das juventudes com a tradição da fé luterana. O uso de letras retas e fortes reforça o sentimento de pertencimento e autenticidade.

FONTES PRINCIPAIS: Para títulos e destaques

SOCIAL GOTHIC ROUGH

ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

abcdefghijklmnopqrstuvwxz 1234567890

FONTES

OSWALD

BEBAS NEUE (CANVA)

ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ 1234567890

SECUNDÁRIA: Para subtítulos e textos longos

ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ abcdefghijklmnopqrstuvwxz 1234567890

Mais do que um conjunto de elementos, a identidade da visual campanha é um convite à reflexão: cada pessoa jovem carrega em si uma identidade única, tecida por dons, histórias, culturas e fé. Ela revela que ser JE na IECLB é participar de uma construção onde o “eu” e o “nós” não se anulam, mas se completam. Cada elemento gráfico, da digital à cruz, reafirma que a identidade não é um destino final, mas um caminho percorrido em conjunto. A arte deixa de ser apenas uma representação visual para se tornar o testemunho de uma juventude que, enraizada na fé e na tradição e aberta ao novo, encontra na união com a pessoa próxima a sua expressão mais autêntica e seu propósito mais profundo.

ESTUDOS TEMÁTICOS

QUEM SOU EU? (IDENTIDADE INDIVIDUAL)

A identidade individual é aquilo que faz cada pessoa ser única diante de Deus e do mundo. Vai muito além do nome, da aparência ou das funções que exercemos: é a soma viva da nossa história, dos nossos valores, dos nossos sonhos e também das marcas que carregamos. É o nosso jeito de olhar o mundo e de nos apresentarmos para ele, de sentir, de reagir, de expressar o amor e de buscar sentido na vida.

Reconhecer e valorizar a própria identidade é essencial para viver com liberdade e propósito. Quando uma pessoa sabe quem é, ou ao menos caminha nessa busca com honestidade, torna-se mais capaz de fazer escolhas conscientes, estabelecer limites, cuidar das próprias emoções e construir relações mais saudáveis. Ter consciência da identidade é aceitar-se como um ser em construção, com potencialidades e fragilidades, certezas e dúvidas, mas sempre com abertura ao crescimento e à transformação promovida pela graça de Deus.

A identidade individual é dinâmica

Ninguém nasce com a identidade pronta. Ela é construída e transformada ao longo da vida, nas experiências cotidianas, nas decisões tomadas, nos encontros e desencontros que marcam a caminhada. O ambiente em que crescemos, a família, as amizades, a escola, a comunidade, a cultura, a fé – tudo isso deixa impressões que ajudam a moldar o modo como nos enxergamos e o que acreditamos ser o nosso lugar no mundo.

Cada pessoa é uma obra em constante composição, um mosaico formado de luzes e sombras, de alegrias e feridas, de conquistas e aprendizados e, como todo mosaico, ganha beleza justamente na diversidade de suas partes. Assim, a identidade individual não é uma definição fixa, mas um processo contínuo de descobertas, transformações e renascimentos.

Como podemos entender a identidade?

Perspectivasdasociologiaedafilosofia*

Na obra EueTu(1923), o filósofo judeu Martin Buber estabelece que a vida autêntica é caracterizada pela capacidade de estabelecer relações Eu-Tu. O encontro Eu-Tu é um encontro direto, mútuo e genuíno, reconhecendo a totalidade da experiência da Outra pessoa, não a submetendo ao Eu nem a utilizando como um objeto, mas como uma Outra e Outro que me interpelam e me constituem. Para Buber, todo Tu é perpassado pelo Tu Eterno, indicando que a relação com Deus perpassa todas as relações humanas, de modo que o Eu (a identidade) se constitui simultaneamente em uma relação do Eu com as outras pessoas e com Deus.

Na filosofia antiga, Heráclito de Éfeso afirmava que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio”. Isso nos ensina sobre a identidade dinâmica: o rio mantém seu curso e sua essência, mas suas águas se renovam a cada instante. Da mesma forma, uma pessoa se renova com cada interação com outras pessoas, cada novo desafio que passa e cada nova solução que encontra, sem deixar de ser um “rio”.

*Encontre maiores informações nas referências.

Na perspectiva de Djamila Ribeiro, filósofa e ativista brasileira, o conceito de identidade não é estático ou essencialista, mas sim um processo político, histórico e relacional, profundamente marcado pela interseccionalidade e pelo lugar de fala, que reconhece que todo mundo fala a partir de algum lugar, contexto ou história de vida. Muitas vezes, a voz de um grupo dominante é tratada como universal, enquanto grupos marginalizados são silenciados e não têm seu lugar de fala reconhecido. Ela argumenta que a identidade não pode ser analisada de forma isolada, pois ela é moldada por experiências de poder e opressão, especialmente na intersecção entre raça e gênero. Raça, gênero e classe se interligam na experiência cotidiana, moldando como as pessoas são vistas e tratadas na sociedade.

O filósofo Ailton Krenak discorre sobre a identidade dos povos indígenas e afirma que ela está intrinsecamente ligada à terra e aos lugares onde vivem. Para ele, identidade é o modo como a vida se expressa em coletividade, resistente à exploração e conectada com a terra, sendo uma forma de “adiar o fim do mundo”. A destruição de uma paisagem (como rios e montanhas) é também a destruição de experiências e significados, afetando diretamente a identidade coletiva. A defesa da identidade por Krenak baseia-se na afirmação de direitos originários e de que povos indígenas são agentes do presente, criticando o senso comum que os relaciona apenas com o passado ou com o atraso.

Para Stuart Hall, a identidade é fragmentada, construída e transformada continuamente por meio da representação, história e cultura. O sujeito moderno possui múltiplas identidades que mudam conforme o contexto, influenciadas pela globalização e pelo hibridismo cultural. A identidade é um processo de “tornar-se” tanto quanto de “ser”. Ela é construída através da linguagem e da cultura, não existindo biologicamente.

O filósofo caribenho Frantz Fanon reflete sobre a identidade da pessoa colonizada, com enfoque na experiência das pessoas negras. Para ele, identidade não é algo essencial, mas algo construído social e historicamente. Isso nos recorda a importância de uma compreensão crítica sobre o processo de construção da identidade, lembrando que as pessoas sofrem em uma cultura colonial e racista na construção de suas próprias identidades.

Reconhecendo minha identidade diante de Deus

Reconhecer-se como filhas e filhos de Deus (João 1.12) é o primeiro passo para uma vida de confiança e de serviço, pois quem sabe quem é sabe o que tem a oferecer. Essa consciência também nos lembra que nenhuma pessoa se constrói sozinha: a identidade individual floresce e se fortalece na convivência, no diálogo e na comunhão com outras pessoas. Quando partilhamos quem somos, enriquecemos a vida comunitária e descobrimos que a diversidade não é ameaça, mas é dom de Deus.

Na juventude, o tema da identidade ganha uma intensidade especial. É tempo de muitas perguntas, de descobertas, de crises e de escolhas. É o momento de buscar referências, de experimentar, de questionar e de afirmar crenças. Em meio a tantas possibilidades, também surgem as pressões: padrões de beleza, sucesso financeiro, comportamento social e fé que muitas vezes geram insegurança.

A fé nos lembra que não precisamos nos encaixar em moldes para sermos aceitas e aceitos; já somos amadas e amados por Deus, exatamente como somos (Romanos 5.1-2). Essa verdade nos liberta do medo de não corresponder às expectativas e nos convida a viver com autenticidade, como lembra Paulo: Cristonoslibertouparaquenóssejamosrealmentelivres.Porisso,continuemfirmescomopessoas livres e não se tornem escravos novamente (Gálatas 5.1).

Em meio às comparações e cobranças da sociedade, reafirmar a própria identidade é um ato de amor e fé. É dizer: eu sou quem Deus me fez ser, com dons, limites e beleza própria. É reconhecer que o valor de uma pessoa não está em ser igual às outras, mas em viver com verdade, expressando a graça e a presença de Deus por meio da própria vida.

A juventude, com sua energia e criatividade, é também tempo de resistência, de dizer “sim” ao que é verdadeiro e “não” ao que aprisiona. Quando alguém vive com autenticidade, torna-se sinal da presença de Deus no mundo. A maneira como falamos, agimos, cuidamos e amamos pode revelar algo do Evangelho, não por palavras, mas pelo exemplo de uma vida coerente e aberta à graça.

Viver a própria identidade torna-se, assim, um ato de testemunho. E, como todo ato de testemunho, viver a identidade exige coragem para se olhar com sinceridade, para mudar e para permanecer fiel àquilo que se crê, PoisoEspíritoqueDeusnosdeunãonostornamedrosos;pelocontrário,oEspíritonosenchedepoderedeamor (2 Timóteo 1.7). Ser quem somos, com fé e coragem, é um modo de proclamar o amor de Deus: um amor que não impõe máscaras, mas revela rostos; que não exige perfeição, mas acolhe processos; que não apaga diferenças, mas faz delas pontes de comunhão.

Deus nos criou de modo especial e admirável (Salmo 139.14), e cada pessoa carrega em si a imagem do Criador (Gênesis 1.26-27), o que significa que cada vida é sagrada e tem valor inegociável. Cuidar da identidade individual é, dessa forma, cuidar da vida e da espiritualidade. É cultivar tempo para o autoconhecimento, a oração, a escuta e o silêncio. É permitir-se errar, recomeçar, crescer e perdoar a si mesma e a si mesmo. É saber que Deus está presente em cada fase da vida, mesmo naquelas em que não nos reconhecemos. E, acima de tudo, é viver com gratidão e esperança, confiando que, em cada passo, Deus continua nos formando e nos chamando pelo nome (Isaías 43.1).

A identidade individual se revela, por fim, como um presente e uma responsabilidade . Um presente, porque nos lembra que somos pessoas únicas e amadas; uma responsabilidade, porque nos chama a viver com autenticidade e disposição a servir. Que cada identidade floresça como testemunho do amor de Deus, fazendo da singularidade de cada uma e de cada um um reflexo da beleza do Criador no mundo.

QUEM SOMOS NÓS? (IDENTIDADE COLETIVA)

A identidade coletiva é o que une um grupo em torno de propósitos compartilhados, dando sentido à caminhada em comum. Diferente da identidade individual, que foca no que é único em cada ser, a coletiva revela o que nos aproxima e sustenta a alegria do pertencimento. Ela nasce e se fortalece na convivência, nas tradições, nas memórias partilhadas e nos valores da fé que escolhemos viver em comunidade.

O sentimento de pertencer

Quando alguém afirma “sou parte desta comunidade” ou “sou da JE”, expressa esse sentimento de que não caminhamos em solidão. Fazemos parte de algo maior: uma história que nos antecede e que continua sendo escrita por meio de nossas vidas. Isso nos lembra que a fé cristã é vivida em comunhão. Deus nos chama pelo nome, mas sempre para integrar um corpo, um povo e uma missão compartilhada, o que é, ao mesmo tempo, graça e compromisso (Isaías 43.1; 1 Coríntios 12).

Essa identidade compartilhada não apaga as diferenças individuais, mas as acolhe e valoriza. Em um grupo saudável, cada pessoa encontra espaço para ser quem é, com seus dons e limitações, reconhecendo-se como parte de um todo. A diversidade é justamente o que enriquece esse coletivo, tornando-o plural e vivo. Somos como os ramos de uma videira (João 15): cada qual com seu formato, mas todas e todos nutridos pela mesma seiva, caminhando na mesma direção e sustentados pela esperança em Cristo.

Símbolos e memórias que unem

Símbolos, gestos e tradições também cumprem um papel fundamental nessa formação. Uma canção entoada em conjunto, um abraço de paz ou uma oração tornam-se sinais concretos de quem somos. São essas memórias que fortalecem laços e reavivam o sentimento de comunhão, fazendo com que cada pessoa se sinta acolhida dentro do “nós”.

Uma identidade em movimento

No entanto, a identidade coletiva não é estática. Assim como a individual, ela se transforma com o tempo. Novas pessoas e novos desafios chegam e nos provocam a refletir sobre quem queremos ser como coletivo. Essa capacidade de renovação é fundamental para que a comunidade seja um espaço de comunhão viva, onde o protagonismo jovem seja valorizado sob o princípio do sacerdócio geral de todas as pessoas. Renovamos nossa forma de ser Igreja para que o testemunho do Evangelho continue relevante e acolhedor, servindo com fidelidade à missão de Deus por meio da escuta e do diálogo.

Preservar as raízes e abrir espaço para o novo é o que torna essa identidade duradoura. Para as juventudes, essa dimensão é especialmente poderosa: a identidade da JE nasce da fé, do serviço e da comunhão, alimentando-se da criatividade e da esperança de cada pessoa jovem. Ao perceber que suas histórias e sonhos estão entrelaçados, elas descobrem que pertencem a algo maior, gerando coragem para a transformação social e alegria em servir.

Força missionária e compromisso

Nesse sentido, a identidade coletiva é também uma força missionária que inspira o cuidado com a Criação e a promoção da justiça, agindo sempre em conjunto. Fazer parte disso é mais do que estar em um grupo, é construir comunidade, aprendendo a caminhar lado a lado e respeitando diferentes ritmos. Na fé cristã, esse “nós” é sagrado, pois é nele que o Espírito Santo age, fortalecendo-nos como corpo de Cristo no mundo. Como descrito em 1 Coríntios 12, somos um só corpo com muitas partes, onde cada dom é vital e onde o sofrimento ou a alegria de um membro é partilhado por todas e todos.

Ser parte dessa identidade é também assumir a responsabilidade de cuidar umas das outras e uns dos outros, zelar pela memória do grupo e transmitir a fé às novas gerações. É reconhecer que, assim como recebemos um legado, somos chamadas e chamados a deixar marcas para quem virá depois. A identidade da JE se constrói nos encontros, nas lutas por justiça e no acolhimento de quem chega. Somos um povo em movimento, guiado pela graça de Deus e unido pela diversidade. Que cada grupo de juventude continue sendo um espaço onde essa identidade floresça como lugar de pertencimento, fé e transformação.

E que, ao dizermos “somos JE”, saibamos que estamos afirmando algo profundo: somos parte da missão de Deus, chamadas e chamados a viver e testemunhar o amor que une e renova todas as coisas.

EM QUE CREMOS? (IDENTIDADE DE FÉ)

Nossa fé encontra seu fundamento no Batismo. O Batismo constitui a Igreja. É o que nos insere no corpo de Cristo. O Batismo é o que nos atribui a nova identidade cristã. Como afirma o apóstolo Paulo: QuemestáunidocomCristoéumanovapessoa;acabou-seoqueeravelho,ejáchegouoqueénovo (2 Coríntios 5.17). O Batismo é ato de Deus que derrama sua graça sobre as nossas vidas e nos constitui em uma nova relação: somos filhas e filhos de Deus, num novo relacionamento com Deus e, por meio dele, num novo relacionamento entre nós. O Batismo nos relembra a cada amanhecer que somos pessoas justificadas por graça,e por isso vivemos a fé.

Em virtude disso, a identidade de fé é aquela dimensão da nossa vida que nasce e cresce em uma nova relação com Deus, com a espiritualidade e com a comunidade de fé à qual pertencemos. Ela é como uma semente plantada no coração: precisa de tempo, de cuidado e de experiências para florescer, de modo que diariamente nos apropriamos do nosso próprio Batismo. Assim como a identidade individual e a coletiva, a identidade de fé não nasce pronta, é resultado de encontros, descobertas, perguntas e respostas que se revelam ao longo do caminho, ao vivermos o nosso Batismo cotidianamente.

A fé é a dimensão de nossa vida que nos ajuda a dar sentido à existência, nos fortalece na confiança ao enfrentarmos as dificuldades e nos leva a enxergarmos a esperança, mesmo quando tudo parece nos levar à desesperança. É a fé que sustenta o coração em meio às tempestades, lembrando-nos de que há uma presença amorosa e fiel que caminha conosco, pois se baseia na promessa do próprio Jesus, quando nos ordenou que batizássemos: Elembremdisto:euestoucomvocêstodososdias,atéofim dostempos (Mateus 28.20).

A identidade de fé que surge no Batismo não se limita a mera tradição, a apenas um rito ou a uma doutrina. Ela se constrói na forma como cada pessoa se relaciona com o sagrado e reconhece Deus agindo no cotidiano. Para algumas pessoas, essa relação se fortalece na oração silenciosa; para outras, na música, na leitura da palavra, nos cultos, nas celebrações ou nos encontros comunitários. Há quem encontre Deus no serviço às pessoas, nas ações de solidariedade e cuidado. Pois, como nos diz Jesus: Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus discípulos (João 13.35). Em todos os gestos de amor, a identidade de fé se manifesta como uma expressão viva de confiança e compromisso com o Evangelho.

Por isso, ter uma identidade de fé como a nossa é reconhecer que nossa vida não está solta no mundo, pois é sustentada por algo maior que nós. É compreender que fazemos parte de uma história que começou antes de nós e que continuará depois, a história que Deus escreve com amor e graça em meio ao seu povo. No entanto, essa identidade não nos afasta das dúvidas nem dos questionamentos; pelo contrário, muitas vezes é nas crises, nas demoras e nos silêncios que a fé amadurece. Perguntar, duvidar e buscar fazem parte do processo de crer no Trino Deus. Ou, como nos dizia Lutero, “a dúvida é irmã gêmea da fé, enquanto caminham juntas”.

Na juventude, a construção da identidade de fé ganha um significado especial. É um tempo de descobertas, de mudanças e de influências diversas, no qual surgem muitas perguntas sobre o sentido da

vida, sobre Deus e sobre o próprio papel no mundo. É necessário que a fé também seja revisitada, repensada e, em muitos casos, reinventada, acompanhando o rápido processo de mudanças na vida. Esse processo não enfraquece a espiritualidade; ao contrário, torna-a mais autêntica. A juventude tem a capacidade de renovar a vivência da fé, trazendo novos olhares, linguagens e expressões que enriquecem a vida da comunidade.

Juventudes e a identidade evangélica de confissão luterana

Dentro dessa caminhada, nossa identidade como Juventude Evangélica da IECLB é marcada por ampla diversidade nas formas de ser. Ser pessoa jovem luterana é partir da compreensão de que a nossa base de fé está na justificação pela graça de Deus, que nos aceita exatamente como somos, sem que precisemos “comprar” ou “fazer por merecer” o amor divino.

Como IECLB, compreendemos nossa forma de agir no mundo através dos princípios e valores dos quatro Solas, que expressam os pilares da confessionalidade luterana.

SolaScriptura(somente a escritura): a palavra de Deus é a base da nossa fé e prática.

SolaFide(somente a fé): somos justificadas e justificados unicamente pela fé em Cristo.

SolaGratia(somente a graça): a salvação é dom gratuito de Deus.

SolusChristus(somente Cristo): Jesus é o centro da nossa fé, é o único mediador entre Deus e as pessoas.

Ser herdeiras e herdeiros da Reforma é viver a fé com liberdade e compromisso, colocando o Evangelho no centro da vida. Entendemos que somos pessoas livres. Essa liberdade não serve para o isolamento, mas para o serviço amoroso às pessoas. Na IECLB, a juventude é convidada a viver sem o peso do perfeccionismo religioso, sabendo-se amada por Deus.

Sacerdócio geral de todas as pessoas que creem

Acreditamos que todas as pessoas têm voz. Na nossa Igreja, a juventude não é apenas o “futuro”, mas o presente. Temos plenos direitos ao espaço para liderar, participar e servir, reconhecendo que Deus capacita cada pessoa com diferentes dons.

Igreja e comunhão ecumênica

Nossa fé não é vivida sozinha. A identidade luterana valoriza o encontro, a comunhão, o abraço e a construção coletiva. Valorizamos a diversidade e o diálogo ecumênico, respeitando as diferenças. Essa identidade se fortalece quando é compartilhada, quando a experiência de fé se torna espaço de diálogo, escuta e acolhida. Em comunidade, aprendemos que a fé não é posse individual, mas dom que se multiplica. Cada pessoa, com sua história e seu modo de crer, acrescenta um tom único à grande melodia da fé cristã.

Fé e engajamento social

A fé e a vida caminham juntas; ser luterana e luterano é ter um olhar crítico e profético sobre a realidade, lutando por justiça, dignidade e pelo cuidado com a Criação da qual somos parte. Nossa fé é também um convite à ação. Ela nos inspira a viver com coerência, a praticar o amor e a justiça. Quando a juventude vive sua fé de forma engajada, testemunha o Evangelho em gestos concretos, seja na comunidade, na escola, no trabalho ou nas redes sociais.

Essa identidade cristã luterana deve ser nossa base para viver. Ela nos ensina que, mesmo em meio às dúvidas da juventude, estamos ancoradas e ancorados na palavra e na certeza de que somos Igreja Jovem, em constante reforma e renovação.

Assim, a identidade de fé se torna uma força que transforma e renova. Ela nos lembra que não estamos sozinhas e sozinhos: Deus caminha conosco, impulsionando-nos a caminhar juntas e juntos. Viver nossa identidade de fé é deixar-se moldar pela graça e ser sinal de esperança no mundo, com coragem, autenticidade e amor.

RECURSOS PARA ENCONTROS

IDENTIDADE? IDENTIDADE!

Isso se constrói de maneira individual, coletiva e a partir da fé. Propomos neste capítulo diversos recursos de estudo com conceituações, questionamentos e dinâmicas para contribuir para a compreensão do tema da campanha.

Fique à vontade para usar de forma literal ou complementar à sua organização para os encontros de multiplicação dos aprendizados sobre Juventudes e Identidade na sua comunidade, paróquia, sínodo ou até mesmo com outros grupos!

ITINERÁRIOS PARA

ENCONTROS

E OFICINAS

A identidade coletiva é o que une um grupo em torno de propósitos compartilhados, dando sentido à caminhada em comum. Diferente da identidade individual, que foca no que é único em cada ser, a coletiva revela o que nos aproxima e sustenta a alegria do pertencimento. Ela nasce e se fortalece na convivência, nas tradições, nas memórias partilhadas e nos valores da fé que escolhemos viver em comunidade.

Itinerário 1 – Passa Dia para grandes grupos

O Passa Dia para grandes grupos é uma proposta de encontro de um dia voltado às JEs dos sínodos, que pode ser facilmente adaptado para paróquias e comunidades, conforme o número de participantes e a realidade local.

O tema central é Vamos falar sobre identidade? e deve inspirar momentos de reflexão, integração, espiritualidade e construção coletiva. Recomenda-se que a temática seja apresentada por uma ou mais pessoas convidadas, podendo incluir reflexões sobre a identidade da JE, a vivência da fé e o que nos caracteriza como pessoas jovens cristãs, evangélicas e luteranas.

As oficinas temáticas podem ocorrer simultaneamente (em grupos maiores) ou de forma sequencial (em grupos menores).

SUGESTÃO DE PROGRAMAÇÃO

HORÁRIO

08:00 09:00

ATIVIDADE

Chegada, credenciamento e recepção com café

Abertura oficial, boas-vindas e Canta JE1

Tema: Vamos falar sobre identidade?

Coffee break

Canta JE e integração

Reflexão: QualéaidentidadedaJE?

Almoço e tempo livre

Retorno e Canta JE – apresentação das oficinas

Oficina 1

Coffee break

Oficina 2

Socialização dos aprendizados e encerramento

Envio e bênção final

1 Canta JE é um momento dedicado para músicas de integração e inspiração para o estudo do tema.

Itinerário 2 - Passa Noite para pequenos grupos

O Passa Noite é ideal para grupos menores (paroquiais ou comunitários). Segue a mesma proposta do Passa Dia, mas adaptada para um formato mais intimista e acolhedor, incluindo momentos de convivência noturna e espiritualidade.

SUGESTÃO DE PROGRAMAÇÃO

HORÁRIO ATIVIDADE

Chegada, credenciamento e recepção com lanche

Abertura e Canta JE

Tema: Vamos falar sobre identidade?

Janta

Jogos de integração e convivência

Tempo livre/convivência informal

Oração da noite

Silêncio

Café da manhã

Organização e preparação para o culto

Culto com a comunidade (ou culto jovem, conforme a realidade local)

Coffee break

Oficinas temáticas

Compartilhamento e fechamento das ideias

Almoço e encerramento

Proposta de oficinas

As oficinas a seguir foram pensadas como momentos vivenciais, conectando fé, identidade e comunidade, e podem ser realizadas em conjunto com a seção de dinâmicas e adaptadas conforme o perfil do grupo. Convidamos a pessoa responsável pela oficina a usar sua criatividade para elaborar uma meditação ou reflexão a partir dos ensinamentos propostos.

Moldando a sua identidade 1.

Objetivo: refletir sobre a identidade pessoal por meio da criatividade e expressão manual.

Descrição: cada participante molda, em argila, um objeto ou símbolo que represente sua identidade ou um aspecto importante de sua história.

Materiais: argila, água, pincéis, utensílios para a modelagem.

Ensinamento: a forma que criamos reflete o que carregamos dentro de nós. Assim como a argila nas mãos do oleiro, nossa identidade está em constante construção e transformação. Sugestão de música para a reflexão: Vaso novo (LCI 33).

Sugestão de música para a reflexão: Vaso novo (LCI 33).

Musicalidade e identidade

Objetivo: explorar a música como expressão da identidade individual e coletiva.

Descrição: o grupo é convidado a escolher músicas que representam a JE e suas vivências pessoais. Em pequenos grupos, podem criar paródias, danças ou composições curtas.

Criando seu RJ – Registro Jovem 2.

Ensinamento: a música é a linguagem da alma. Ela fala do que somos e une nossas vozes em uma só canção de fé e esperança.

Objetivo: estimular o autoconhecimento e o senso de pertencimento à JE.

Descrição: cada jovem cria seu Registro Jovem, um documento simbólico que representa sua identidade dentro da JE (foto, nome, dons, talentos, sonhos, versículo bíblico etc.).

Ensinamento: assim como o RG nos identifica como cidadãs e cidadãos, o RJ simboliza nosso pertencimento à comunidade de fé e à missão de Deus.

Máscaras e verdade 4.

Objetivo: refletir sobre a diferença entre o que mostramos e o que realmente somos.

Descrição: cada pessoa jovem recebe uma máscara para decorar representando sua “identidade pública”. No verso, escreve palavras que expressam sua verdadeira identidade interior.

Ensinamento: em um mundo de aparências, Deus nos convida à autenticidade. Somos amadas e amados por quem realmente somos.

Linha do tempo da vida 5.

Objetivo: reconhecer os marcos que moldaram a identidade de cada pessoa.

Descrição: cada pessoa desenha uma linha do tempo com momentos marcantes da vida (pessoais, familiares, de fé). Em pequenos grupos, compartilham o que aprenderam e como essas experiências formaram quem são hoje.

Ensinamento: nossa identidade é feita de histórias. Cada passo, alegria e dor nos ajudam a compreender quem somos e quem estamos nos tornando diante de Deus.

A identidade da JE é plural, viva e dinâmica. Ela se expressa em cada canto, gesto e partilha, refletindo o amor de Cristo que nos une. Que os encontros, oficinas e dinâmicas ajudem as juventudes a descobrir sua voz, afirmar sua fé e agir com esperança no mundo – lembrando sempre que somos muitas identidades reunidas em um só corpo, a serviço do Evangelho.

IDENTIDADE INDIVIDUAL

Perguntas e textos reflexivos

• Quem sou eu?

• Quem eu estou sendo no mundo?

• Sou apenas um número de Cadastro de Pessoa Física (CPF)?

Essas perguntas nos convidam a olhar para dentro, para aquilo que há em nós de singular, irrepetível e sagrado. Quem eu sou?

Sou um composto de elementos químicos, tecidos, órgãos e sistemas. Eu sou vida. Sou uma estrutura complexa, formada por trilhões de células que se unem e protegem as partes do meu ser. Eu sou corpo. Sou um emaranhado de neurônios que me permitem ver, escutar, tocar e sentir. Eu sou sentimento. Sou corpo, alma e espírito, indivisível e único. Eu sou casa. Sou um corpo de terra, com água, calor, ar e energia. Eu sou natureza.

Este sou eu, este é você, este somos nós, seres que se entrelaçam e formam um coletivo: Porque assimcomoemumcorpotemosmuitosmembros,enemtodososmembrostêmamesmaoperação, assimnós,quesomosmuitos,somosumsócorpoemCristo,masindividualmentesomosmembrosuns dos outros (Romanos 12.4-5).

• O que é identidade individual?

Em um mundo com mais de 8 bilhões de habitantes, cada pessoa carrega um jeito único de ser. Nosso modo de pensar, nossas marcas, dons, histórias e fragilidades nos tornam irrepetíveis. Fomos criadas e criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.31a) e, como Deus viu que tudo era “muito bom”, também nossa singularidade é boa e necessária: Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe (Salmo 139:13).

A identidade se constrói ao longo da vida, nas relações familiares, comunitárias, culturais e espirituais. Somos resultado de vivências, de alegrias e dores, conquistas e aprendizados. Cada uma e cada um é uma peça única no quebra-cabeça da criação divina.

• E quando deixamos de ser quem somos?

Como seres individuais, muitas vezes nos moldamos para caber em fôrmas sociais. Assumimos máscaras para sermos aceitas e aceitos e deixamos de expressar nossa verdade interior.

Carl Gustav Jung chamou o processo de autodescoberta de “individuação”, o caminho de reconectar-se ao próprio centro, ao self, imagem divina dentro de nós. É um processo de vida inteira: ser individual sem perder o vínculo com o coletivo. No Batismo, somos chamadas e chamados individualmente,

pelo nome, para fazer parte do corpo de Cristo. Reconhecer quem somos diante de Deus é libertador. Não precisamos competir, nem imitar, somos pessoas únicas e amadas.

A individualidade não é isolamento, é contribuição. Jesus nos chama para ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). Cada pessoa é um grão de sal, pequeno, mas essencial para temperar e conservar a vida. Juntas, formamos uma comunidade viva e diversa, uma comum-unidade.

Dinâmicas e atividades

Raízes e galhos a)

Objetivo: ajudar as pessoas participantes a refletirem sobre o que sustenta sua identidade (raízes) e o que dela brota (sonhos, dons, valores).

Descrição: cartolina grande com desenho de árvore (ou desenhar uma no quadro), papéis coloridos em forma de folhas e raízes, canetas.

Como fazer

Distribua folhas e raízes de papel.

2 3 4

Peça que escrevam nas raízes o que sustenta quem são (fé, família, amizades, experiências marcantes).

Nas folhas, escrevam o que desejam cultivar ou expressar em sua identidade (solidariedade, escuta, coragem, criatividade).

Depois, montem em conjunto a árvore em um mural.

Ensinamento: assim como uma árvore cresce a partir do que a sustenta, nossa identidade floresce quando reconhecemos de onde viemos e o que queremos frutificar. Eusouavideira, evocêssãoosramos.Quemestáunidocomigoeeucomele,essedámuitofrutoporquesem mimvocêsnãopodemfazernada (João 15.5).

O espelho interior b)

Materiais: pequenos espelhos ou pedaços de papel laminado (um por pessoa), folhas e canetas.

Como fazer

Entregue um espelho a cada pessoa participante.

Peça que olhem para si, seu “eu” interior, por alguns segundos e depois respondam, no papel: “três palavras que me descrevem”.

Divida o grupo em pequenos grupos, peça que respondam: “uma coisa que quero melhorar/um defeito; uma coisa em mim que gosto/uma qualidade”.

Indique ao grupo que partilhem entre si qual a sensação de encontrar algo a melhorar e de encontrar algo que já gostem (sem pressão, relembre do convite ao espaço seguro).

Ensinamento: às vezes é mais fácil enxergar as qualidades de outras pessoas do que as nossas próprias. Mas reconhecer quem somos, com nossas luzes e sombras, é um passo importante para crescer com autenticidade e fé. Você não precisa ser a “pessoa perfeita” para ser incrível, a sua marca única já é a sua maior potência. Que o espelho não seja um limite, mas uma janela para o infinito de possibilidades que existem dentro de você.

O retrato de mim c)

Objetivo: refletir sobre a autoimagem e a forma como cada pessoa se percebe e quer ser vista.

Materiais: papel A4, canetas, lápis de cor, espelhos (opcional).

Como fazer

Peça que cada pessoa participante desenhe um autorretrato simbólico – pode usar formas, cores ou palavras (não precisa ser artístico).

Dentro do desenho, escreva palavras que descrevem “quem sou hoje”.

Ao redor, escreva palavras que representam “quem desejo me tornar”.

Em círculo, compartilhem o que perceberam nesse processo.

Ensinamento: olhar para si com amor é reconhecer a beleza da Criação de Deus em nós. Somos obras em andamento, moldadas pela graça e pelo tempo. Assim Deus criou os seres humanos;eleoscriouparecidoscomDeus[...]EDeusviuquetudooquehaviafeitoeramuito bom (Gênesis 1.27,31).

Chamadas e chamados pelo nome d)

Objetivo: relembrar que cada pessoa é chamada por Deus individualmente.

Materiais: cartões coloridos, canetas, bíblia aberta em Isaías 43:1.

Como fazer

Entregue um cartão colorido ou pedaço de papel e peça que cada pessoa escreva uma palavra que deseja cultivar em sua identidade (por exemplo, coragem, fé, leveza, escuta, amor, autenticidade).

Coloque todos os cartões ao redor de uma vela ou da bíblia aberta.

Faça uma oração.

Por fim, repitam em conjunto: “a identidade é um dom e uma caminhada. Você não precisa ser igual a ninguém, Deus te criou com propósito, beleza e singularidade. Ser quem você é, com amor e fé, já é testemunho do Evangelho”.

Quem sou eu? e)

Objetivo: levar cada pessoa a refletir sobre quem realmente é, olhando para o seu interior e reconhecendo sua singularidade.

Materiais: caixa de som e música (sugestão: Metamorfose Ambulante , Raul Seixas).

Como fazer

Com o grupo em um espaço livre, a pessoa que coordena a atividade coloca a música e convida as e os jovens a caminharem dispersos.

Quando a música parar, cada pessoa faz dupla com quem estiver mais próximo.

O coordenador propõe a primeira pergunta: “Quem é você?”. Cada pessoa responde brevemente à outra.

O processo se repete com novas duplas e novas perguntas:

• Qual é a sua identidade?

• O que faz os seus olhos brilharem? (Importante lembrar as pessoas participantes que as respostas devem ser diferentes em cada rodada.).

Ensinamento: em roda, partilhem o que sentiram ao falar e ouvir sobre identidade.

Pergunte: Foi fácil se descrever?, O que descobrimos sobre nós mesmos?

Conclua com a mensagem: Deus nos convida a olhar para dentro e perceber que somos obra dele, pessoas únicas e preciosas.

IDENTIDADE COLETIVA

Introdução

Viver em comunidade faz parte da essência humana. Desde sempre, as pessoas se organizam em grupos, formando coletivos baseados em valores, objetivos e experiências em comum. Mas um coletivo vai além de simplesmente reunir partes individuais: ele cria uma identidade compartilhada, na qual cada pessoa se reconhece no grupo e é reconhecida por quem está de fora. Fazer parte de um coletivo significa perceber tanto o que nos une quanto o que nos torna únicos e únicas dentro desse grupo.

No contexto da JE e da IECLB, essa ideia se expande para além dos encontros e programações. A vivência da fé no cotidiano também fortalece essa identidade coletiva. Aqui, as diferenças não afastam, mas enriquecem, pois, assim como o corpo de Cristo é formado por diferentes membros, cada pessoa contribui com sua individualidade para um propósito maior (1 Coríntios 12.12-27).

Já a identidade é o que define quem somos. Ela é construída a partir das nossas vivências, individuais e coletivas, influenciada pela cultura, pela fé e pelas relações que cultivamos.

Pensar em identidade coletiva é entender o que faz um grupo se reconhecer como tal. Pode ser algo visível, como roupas, símbolos, hinos e bandeiras, ou algo mais subjetivo, como valores, afetos e compromissos compartilhados. Mas também é sobre reconhecer o que nos torna diferentes dentro do grupo, sem que essas diferenças nos afastem. Pelo contrário: elas fortalecem a identidade coletiva, pois mostram que é possível ser parte de algo maior sem perder a individualidade.

Fazer parte da JE da IECLB significa encontrar um espaço onde essa identidade se baseia no Evangelho de Jesus Cristo. Aqui, cada pessoa é chamada a viver sua fé em comunidade, partilhando dons e histórias, sem abrir mão do que a torna única. É um ambiente de crescimento espiritual, aprendizado mútuo e ação transformadora na sociedade.

A identidade coletiva na Juventude Evangélica

Quando pensamos na JE, algumas características ajudam a definir nossa identidade:

• a faixa etária jovem, marcada por energia, criatividade e busca de sentido;

• a confissão de fé luterana, que fundamenta nossa vida comunitária e compromisso com o Evangelho;

• o amor de Cristo, que nos une como irmãs e irmãos na fé;

• os símbolos da JE, como a cruz, o canto e a bíblia, expressões visíveis da nossa caminhada.

A cruz, por exemplo, é um símbolo central, pois nos lembra que nossa identidade tem dois eixos essenciais: o vertical, que representa nossa relação com Cristo, e o horizontal, que representa nossa relação com as outras pessoas e com a Criação.

Viver a fé na JE é transformar essa identidade em ação concreta, promovendo justiça, acolhimento e solidariedade. Na coletividade, aprendemos a respeitar e valorizar as diferenças e a enxergar nosso papel na construção do Reino de Deus. A identidade da JE não é apenas um conceito, mas uma vivência diária, que vai muito além dos encontros e se manifesta em todos os espaços onde estamos.

Identidade coletiva e diversidade

No mundo atual, culturalmente diverso e em constante transformação, as pessoas transitam entre diferentes identidades e grupos. Mas será que, ao viver nossa identidade coletiva na JE, precisamos deixar de lado as outras partes de quem somos? Pelo contrário!

Nossa identidade na JE dialoga com todas as outras: familiar, profissional, cultural, social e digital. Ela nos ajuda a integrar o Evangelho em todos os espaços da vida, levando valores cristãos para o trabalho, a escola, as redes sociais e os relacionamentos.

Cada grupo da JE, em cada paróquia e sínodo, tem também sua própria identidade, expressa nas músicas que canta, nas atividades que realiza e nas formas de se reunir. Essa diversidade é o que fortalece o movimento nacional, permitindo trocas valiosas e construindo uma comunidade plural, viva e acolhedora. Ser parte da JE é também levar essa vivência para o mundo, sendo presença transformadora onde quer que estejamos.

Estudo bíblico

Texto: 1 Coríntios 12.12–27.

Mensagem: Paulo nos lembra que a comunidade é como um corpo, em que cada parte é indispensável. Nenhuma parte é mais importante que a outra. Viver a identidade coletiva é compreender que somos corpo de Cristo, com dons diferentes, mas guiadas e guiados pelo mesmo Espírito. A unidade da fé se fortalece na diversidade dos dons.

Perguntas para reflexão

• Que dons e talentos cada pessoa traz para o grupo da JE?

• Como as diferenças fortalecem a nossa caminhada em comunidade?

• Que atitudes ajudam a manter o corpo unido e saudável?

Dinâmicas e atividades

Nosso mosaico a)

Objetivo: perceber como cada pessoa contribui de forma única para formar o coletivo.

Materiais: papéis coloridos, tesoura, cola, canetinhas e uma cartolina grande.

Como fazer

Cada pessoa participante recebe um pedaço de papel colorido e desenha ou escreve algo que a representa no grupo (um dom, uma palavra, um símbolo).

Depois, todo o grupo cola suas partes em uma grande cartolina, formando um mosaico coletivo.

Observem o resultado: cada cor, forma e palavra compõem algo maior e bonito.

Ensinamento: o mosaico só existe porque cada parte é diferente. Assim também é o grupo: somos pessoas muito únicas e diversas, mas, embora muitas, formamos um só corpo (1 Coríntios 12.12).

Nossa linha do tempo

Objetivo: reconhecer momentos marcantes em que a graça de Deus esteve presente durante a caminhada em grupo e perceber a importância de cada pessoa nessa história.

Materiais: barbante, pregadores, papéis coloridos, canetas e fita adesiva.

Como fazer

Estenda o barbante horizontalmente em uma parede (ou no chão).

Peça que cada pessoa participante escreva um momento importante vivido na JE (pode ser um encontro, viagem, culto, amizade, aprendizado).

Prendam os papéis na linha do tempo com os pregadores.

Leiam juntas e juntos a “linha da vida” da JE daquele grupo.

Ensinamento: nossa história é feita de muitas mãos, muitas vozes e muitos passos. Cada lembrança carrega um pouco de quem somos como comunidade, como coletivo (Mateus 18:20).

Como minha identidade transparece para as outras pessoas? c)

Objetivo: perceber como nossa identidade é compreendida pelas pessoas ao redor.

Materiais: uma folha e uma caneta por pessoa, fita adesiva e música de fundo.

Como fazer

Cada pessoa participante cola uma folha nas costas.

Ao som da música, caminham livremente e escrevem nas folhas das outras pessoas qualidades, dons e aspectos positivos que enxergam nelas.

Ao final, todas e todos retiram suas folhas e leem o que foi escrito.

Encerramento: peça que compartilhem sentimentos e surpresas: como é perceber a visão de outras pessoas sobre nós? Convide a guardar a folha em um lugar visível como lembrança de que a identidade também é construída em relação com as outras pessoas (Mateus 18.19).

Autoconfiança d)

Objetivo: fortalecer a confiança mútua e o cuidado dentro do grupo.

Materiais: vendas para os olhos.

Como fazer

Forme duplas. Uma pessoa de cada dupla será vendada, e a outra será sua guia.

A guia conduz a pessoa vendada por um pequeno percurso (pode incluir obstáculos simples).

Após alguns minutos, trocam de papéis.

Para encerrar a atividade, pergunte:

• Como foi ser conduzido?

• E conduzir alguém?

Ensinamento: confiar é entregar-se nas mãos de Deus, que nos guia com segurança mesmo quando não vemos o caminho (Mateus 14:27).

Nossa identidade em cores e)

Objetivo: expressar visualmente o que representa a identidade coletiva da JE.

Como fazer

Divida o grupo em pequenos times (3-5 pessoas).

Entregue cartolina, canetas, revistas e recortes.

Cada grupo deve criar um cartaz respondendo à pergunta: o que é ser parte da JE?

Depois, cada grupo apresenta seu cartaz em até 1 minuto, explicando os símbolos e palavras escolhidas.

Perguntas para reflexão

• O que aparece em comum entre os grupos?

• O que é único em cada representação?

• Como essas diferenças formam a riqueza da identidade coletiva?

Encerramento: compromisso coletivo.

Forme novamente o círculo inicial.

1. Convide cada pessoa a dizer uma palavra de compromisso para fortalecer a JE como coletivo (por exemplo, participação, acolhimento, fé, diálogo, escuta, amizade).

2. Leia em conjunto o lema de 1 Pedro 4.10

3. Finalize com uma oração ou bênção.

Ensinamento: ser juventude é caminhar juntas e juntos. Cada pessoa tem um dom, uma voz e um papel essencial. Nossa identidade coletiva é tecida pela comunhão e pela fé, e é nela que encontramos força para seguir, servir e transformar o mundo.

Materiais necessários: folhas A4 (uma por pessoa), canetas coloridas/lápis de cor, tesoura e fita adesiva, cartolina ou painel para colagem. Nas nossas mãos f)

Objetivo: refletir sobre como cada pessoa contribui para a identidade coletiva do grupo, valorizando a diversidade e o sentimento de unidade.

Como fazer

O molde da mão: Peça que cada pessoa desenhe o contorno da própria mão em uma folha.

Dentro dela, escreva ou desenhe:

• Na palma: uma palavra que representa o que mais valoriza no grupo (por exemplo, amizade, fé, confiança).

• Nos dedos: polegar → algo de que tem orgulho no grupo; indicador → algo que quer apontar como importante; médio → um desafio que o grupo enfrenta; anelar → um valor que une o grupo; mínimo → um gesto pequeno que faz diferença.

2 Partilha: Em roda, o grupo pode conversar:

Montagem do painel: Após escrever, cada pessoa corta o desenho de sua mão e cola na cartolina, formando um grande círculo de mãos unidas, como se estivessem dando as mãos.

No centro, escreva o nome do grupo ou a frase: “Juntas e juntos formamos quem somos.”

3

• O que mais aparece entre as palavras das mãos?

• O que isso diz sobre quem somos como grupo?

• O que queremos fortalecer na nossa identidade coletiva daqui para frente?

Reflexão

Depois da partilha, o grupo pode colocar as mãos reais sobre o painel e, em silêncio ou em oração, agradecer a Deus pela diversidade de dons e pela unidade construída.

“Cada mão traz uma história. Quando se unem, formam uma identidade que fala de comunhão, cuidado e serviço. Na diversidade, Deus nos chama a sermos um só corpo, com muitas mãos, mas um só coração (João 17.21).”

Conclusão

A identidade coletiva é o que dá sentido à caminhada da JE. Ela nos lembra que não somos pessoas isoladas, mas parte de um corpo vivo, que testemunha o amor de Cristo no mundo.

Pertencer à JE é viver em comunhão, celebrar a diversidade e construir, juntas e juntos, sinais do Reino de Deus.

Cadapessoacomodomquerecebeu,servindoumasàsoutrascomoboasadministradorasdamultiformegraçadeDeus (1 Pedro 4.10).

IDENTIDADE DE FÉ E CONFESSIONALIDADE LUTERANA

Introdução

Falar sobre identidade de fé é refletir sobre o que nos sustenta, orienta e move as pessoas cristãs. A fé é mais do que um sentimento ou uma crença, ela é uma forma de viver, uma resposta ao amor e à graça de Deus.

Como luteranas e luteranos, afirmamos que somos salvos pela graça, mediante a fé, e que nossa vida tem valor porque foi criada, redimida e santificada por Deus.

Essa certeza nos liberta para viver com gratidão, autenticidade e compromisso.

Nossa identidade de fé se expressa no modo como nos relacionamos com Deus, com as pessoas e com o mundo. É ela que nos lembra quem somos e a quem pertencemos.

Identidade de fé e confessionalidade luterana

A identidade de fé é construída a partir do encontro com Deus, da vivência comunitária e das experiências que fortalecem a espiritualidade. Ela é dinâmica, cresce, amadurece e se renova conforme caminhamos com Deus e com as pessoas próximas.

Criadas e criados à imagem e semelhança de Deus a)

Fomos criadas e criados à Sua imagem e semelhança, com valor, dignidade e propósito.

Deuscriouoserhumanoàsuaimagem,àimagemdeDeusocriou (Gênesis 1.27).

Reconhecer isso é afirmar que toda vida é preciosa e que somos chamadas e chamados a cuidar da Criação e umas das outras, uns dos outros. Mesmo o pecado não apaga essa imagem; pelo contrário, nos oferece a possibilidade de buscar reconciliação e restauração.

Justificação por graça b)

A salvação é um dom gratuito de Deus, recebido pela fé. Não depende das nossas obras, mas da graça de Cristo.

Porquepelagraçavocêssãosalvos,medianteafé;eistonãovemdevocês,édomdeDeus;nãode obras,paraqueninguémseglorie (Efésios 2.8-9).

Essa certeza liberta do medo e nos convida a viver com gratidão e amor. Sabemos que pertencemos a Deus e que nada pode nos separar do Seu amor.

Santificação pelo Espírito Santo c)

O Espírito Santo atua em nós e por meio de nós, fortalecendo nossa fé e conduzindo à prática do bem. Somos chamadas e chamados a agir não para receber algo em troca, mas porque já recebemos a graça de Deus.

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes e não se submetam, de novo,ajugodeescravidão (Gálatas 5.1).

A liberdade cristã é viver com responsabilidade, gratidão e fé viva, confiando na presença do Espírito em cada passo da caminhada.

Herdeiras e herdeiros da Reforma

Nossa identidade de fé tem raízes na Reforma Luterana, que reafirmou a centralidade da graça e da fé. Somos herdeiras e herdeiros de uma tradição que entende a fé como liberdade e serviço.

Os quatro Solas expressam os pilares dessa confessionalidade.

• SolaScriptura (somente a escritura): a palavra de Deus é a base da nossa fé e prática.

• Sola Fide (somente a fé): somos justificadas e justificados unicamente pela fé em Cristo.

• Sola Gratia (somente a graça): a salvação é dom gratuito de Deus.

• SolusChristus(somente Cristo): Jesus é o centro da nossa fé, é o único mediador entre Deus e as pessoas.

Ser herdeiras e herdeiros da Reforma é viver a fé com liberdade e compromisso, colocando o Evangelho no centro da vida.

O que é viver pela fé?

Viver pela fé é confiar em Deus mesmo quando não há certezas, é caminhar sabendo que a graça é maior do que nossos medos. A fé nos sustenta, nos impulsiona à ação e nos convida a ser testemunhas do amor de Deus no mundo.

Porque a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: A pessoa justa viverápelafé (Romanos 1.17).

Viver pela fé é também agir com gratidão, transformando a graça recebida em serviço, cuidado e compromisso com a vida.

Dinâmicas e atividades

Minha fé em cores a)

Objetivo: expressar a fé de forma simbólica e criativa.

Materiais: papéis coloridos, tesouras, cola, revistas para recorte, músicas suaves.

Como fazer

Cada pessoa cria um símbolo colorido (um coração, chama, cruz ou outro) que representa sua fé a partir de desenhos, recortes e colagens.

Todas as pessoas colocam seus símbolos em um mural coletivo chamado “Nossa Identidade de Fé”.

Fé que acende

Objetivo: expressar a fé de forma simbólica e criativa.

Materiais: velas pequenas, fósforos, música tranquila.

Como fazer

Apague as luzes e leia o texto de Mateus 5.14-16.

Em silêncio, cada pessoa acende sua vela, simbolizando o compromisso de viver e iluminar o mundo com sua fé.

Leia as perguntas para refletir em grupo. As respostas podem ser compartilhadas ou não.

• O que significa para mim viver pela fé no dia a dia?

• De que forma a fé luterana me dá liberdade?

• Como posso expressar minha identidade de fé na comunidade e fora dela?

• Que símbolos representam a fé da minha comunidade?

• Quais sinais da graça de Deus vejo na minha caminhada?

Encerre a reflexão com a seguinte mensagem:

A identidade de fé luterana é construída na relação com Deus e com a comunidade. Ela nasce da graça, cresce na liberdade e se manifesta na gratidão. Somos criação, salva e santificada para viver no amor de Deus e para partilhar esse amor com o mundo. Viver pela fé é reconhecer que Deus caminha conosco e que, em cada gesto de esperança e cuidado, o Evangelho se torna visível.

Tudooquefizerem,façamdetodoocoração,comoparaoSenhor (Colossenses 3.23).

Deixando sua identidade na cruz

Objetivo: reconhecer que ser cristã e ser cristão é parte essencial da identidade pessoal e comunitária.

Materiais: tinta, pincéis, papel ou tela.

Como fazer

Reflexão da leitura bíblica Gálatas 2.20.

Deixe preparado o contorno de uma cruz no papel ou tela.

Deixe uma música reflexiva tocando no momento da realização da atividade.

Cada pessoa pinta sua digital com tinta e depois a carimba dentro do contorno da cruz.

Encerre a reflexão com a seguinte mensagem: A digital representa o que é único em cada pessoa; a cruz, o que nos une em Cristo.

Prepare um local para expor o resultado na sala ou templo com o título: Cada pessoa tem sua marca,mastodaspertencemaocorpodeCristo

Luz que nos guia d)

Objetivo: refletir sobre a presença de Deus na vida cotidiana e fortalecer a espiritualidade pessoal e comunitária.

Materiais: velas pequenas, papel, canetas coloridas, música suave.

Como fazer

Encerre com a Leitura bíblica de João 8.12 1 2 3 4 5 6 7

Monte um círculo com as velas (uma para cada pessoa).

Deixe preparado papéis pequenos e canetas para todas as pessoas.

Convide o grupo para um momento de silêncio e reflita sobre onde cada pessoa tem sentido Deus presente ultimamente.

Peça que cada participante escreva em seu papel uma “luz”, uma situação ou pessoa que tem iluminado sua fé.

Cada pessoa vai ao centro e lê o que escreveu e deposita o papel ao centro das velas. Então acende uma das velas do círculo e retorna ao seu assento.

Faça uma oração pedindo a Deus por acolhimento, orientação e gratidão à todas as pessoas e situações que são sinais de Sua luz.

Minha casa sobre a rocha e)

Objetivo: nossa vida precisa de uma base sólida. Quando a fé é essa base, conseguimos enfrentar as tempestades da vida sem perder o sentido e o amor.

Materiais: papéis coloridos ou cartolina para recortes, canetas, fita adesiva, um cartaz grande com o desenho de uma casa (base, paredes, janelas e telhado).

Como fazer

Explique os significados de cada elemento feito de cartolina: a base representa a fé; as paredes são os valores que sustentam a vida; as janelas simbolizam o olhar para o mundo; o telhado é a proteção de Deus.

Cada pessoa escreve em um papel pequeno o que representa a base da sua fé (por exemplo, amor, oração, comunidade, esperança, Jesus, família etc.).

Cada pessoa fixa seu papel na base da casa desenhada no cartaz maior.

Para as paredes, escrevam seus valores e atitudes. Repita o processo de fixar no cartaz.

Para as janelas, escrevam seus sonhos ou desafios e fixem no cartaz.

Convide algumas pessoas para compartilhar suas respostas.

Encerre a dinâmica com a mensagem: A fé não é igual para todas as pessoas, mas é ela que dá estrutura à nossa história. Quando unimos nossas bases, formamos uma casa firme e acolhedora, onde Deus habita conosco.

Roda de conversa: minha fé tem rosto? f)

Objetivo: gerar o diálogo e debate saudável sobre fé, atitudes diárias e ações práticas.

Materiais: perguntas impressas ou em versão digital.

Perguntas para reflexão

• O que significa ter fé para mim?

• De que forma a fé aparece nas minhas atitudes diárias?

• Em quais momentos a fé foi força para seguir em frente?

• Como a comunidade ajuda (ou pode ajudar mais) a fortalecer minha fé?

• O que lhe ajuda a fortalecer sua fé no dia a dia?

• Em que momentos ela se torna desafiadora?

• O que significa, para você, ter uma identidade de fé?

• Como podemos viver nossa fé de modo que transforme o mundo ao redor?

Dica: crie um ambiente seguro e incentive respostas pessoais e sinceras. Se o grupo for grande, divida em subgrupos e depois compartilhe os conceitos principais.

Meu passo na fé g)

Objetivo: firmar um compromisso pessoal e comunitário de seguir servindo e testemunhando a fé.

Materiais: folhas, canetas, envelopes e fita.

Como fazer

Cada pessoa escreve uma carta para si mesma com o título “Meu passo de fé para os próximos meses”.

As cartas são guardadas, em envelopes identificados, com uma pessoa responsável, e define-se um prazo para abri-las. Sugerimos depois de 1 mês.

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S e quiser, faça um mural com as palavras-chave dos compromissos (por exemplo, esperança, acolhimento, diálogo).

Encerre com a leitura bíblica de Romanos 12.11-12.

Mapa da espiritualidade h)

Objetivo: criar uma visualização da sua espiritualidade ao longo da vida no estilo mood board.

Materiais: folhas A3 (se possível), revistas velhas, tesoura, cola, canetinhas, lápis colorido.

Como fazer

Entregue uma folha a cada participante.

Cada pessoa desenha, escreve e cria colagens que representam sua trajetória de fé. Pode incluir, por exemplo, momentos marcantes, símbolos, pessoas, lugares, dúvidas, músicas, palavras ou imagens que representem sua caminhada com Deus.

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Após o tempo de criação, convide alguém para partilhar brevemente o que colocou no mapa.

O QUE BRILHA NOS OLHOS DA JE?

Cada pessoa jovem pertencente à JE é parte essencial do grupo. É o movimento de cada uma e de cada um de nós que torna este um corpo vivo, com um coração que bate no mesmo compasso de Cristo. A partir desse ritmo, grupos se formam nos mais diversos contextos e locais, unidos pela fé, e ali traduzem a identidade de ser JE, através do acolhimento e da diaconia, a serviço de suas comunidades mediante os dons que receberam.

É nos grupos de juventude que encontramos espaço para ser quem somos. Ao valorizarmos as ideias, as culturas e estarmos dispostos a ouvir e sermos presentes para cada pessoa integrante, formamos um espaço de conexão verdadeira, de amizades que caminham lado a lado, nos dão força e nos permitem também ser a força de que precisam.

Nós, pessoas jovens, temos a capacidade de nos adaptar rapidamente às situações das quais escolhemos participar. Movidas pela vontade de fazer acontecer, buscamos formas de adequar as ações às diferentes realidades, reivindicamos espaços de fala e demonstramos disposição para servir e ser Igreja. Mesmo quando o reconhecimento não vem, seguimos presentes, comprometidas e atuantes.

Deus nos concede e nos capacita com diversos dons individuais, verdadeiros presentes recebidos (donum) e nos chama a compartilhá-los no coletivo. É na comunidade que temos a oportunidade de desenvolver essas dádivas para o bem daquelas e daqueles que estão à nossa volta, vivendo o verdadeiro sentido de ser Igreja.

Como os dons são presentes de Deus, oferecê-los ao serviço da próxima e do próximo nos alegra, porque é gratificante colocar em prática aquilo que recebemos com graça. Em Romanos 12.6, lemos que temos dons diferentes,segundoagraçaquenosfoidada . Deus nos permite ser diferentes, cada qual com sua particularidade, para que juntas e juntos possamos somar na diversidade. Quando reconhecemos e usamos esses dons, respondemos ao chamado de Deus, testemunhamos nossa fé e vivemos a diaconia.

Essa diaconia faz parte da nossa vivência cristã tanto dentro quanto fora da IECLB. Ela acontece quando servimos a pessoa próxima com amor, cuidado e responsabilidade, seja em ações comunitárias, projetos sociais, visitas, atividades de juventude ou simplesmente na forma como acolhemos e convivemos juntas e juntos no dia a dia. Esse chamado ao serviço está profundamente ligado ao evangelho, como vemos em Gálatas 5.13: Porémvocês,irmãos,foramchamadosparaseremlivres.Masnãodeixem que essa liberdade se torne uma desculpa para permitir que a natureza humana domine vocês. Pelo contrário,queoamorfaçacomquevocêssirvamunsaosoutros.

É esse movimento de fé que fortalece nossa identidade jovem luterana, quando participamos, nos envolvemos, nos importamos e colocamos nossa fé em prática através de gestos concretos.

Assim, a diaconia não é apenas um conceito, mas um jeito de viver nossa fé: com liberdade, responsabilidade e serviço. Como Paulo escreve em Romanos 12.10-11: Amem uns aos outros com o amor de irmãos em Cristo e se esforcem para tratar uns aos outros com respeito. Trabalhem com entusiasmo enãosejampreguiçosos.SirvamoSenhorcomocoraçãocheiodefervor , assim devemos usar nossos dons para servir com dedicação e amor, em diaconia efetiva.

Cada traço da nossa identidade é um desenho dos contextos que vemos, ouvimos e vivemos; traços diferentes, que se complementam e que formam uma digital única. O acolhimento, o engajamento, a amizade, a diversidade e a diaconia são partes desses traços que compõem a nossa identidade singular e plural e fazem nossos olhos brilharem como pessoas jovens pertencentes à JE da IECLB.

Osoltemoseuprópriobrilho;aluatemoutrobrilho;easestrelastêmoutro. E mesmo as estrelas brilham de modo diferente umas das outras (1 Coríntios 15.41).

O apóstolo Paulo, ao escrever à comunidade de Coríntios, usa a imagem do céu para nos mostrar que a diversidade não é um problema, mas a base da beleza da Criação.

Para a juventude, o “brilho nos olhos” se fortalece quando entendemos que não precisamos ser iguais. Há o brilho do sol (lideranças que guiam e aquecem o grupo de JE), o brilho da lua (pessoas-membro da juventude que acolhem e refletem a luz nos momentos de escuta) e o brilho de cada estrela (dons específicos como música, escrita, comunicação ou organização). Quando somamos essas intensidades diferentes, deixamos de ser pontos isolados para nos tornarmos uma comunidade-constelação.

Perguntas para reflexão

• Se você fosse se comparar a um corpo celeste (sol, lua ou uma estrela) no seu grupo de JE, qual seria? O que em você “brilha” de forma única?

• O subsídio nos diz que nossos dons somam na pluralidade. Como o seu grupo lida com dons que brilham “diferente” (ideias novas ou culturas distintas)?

• Às vezes, o desânimo ou a falta de reconhecimento agem como nuvens. O que tem impedido o seu brilho de aparecer ultimamente?

• De que forma o seu dom específico pode se transformar em diaconia para que outras pessoas também passem a brilhar?

Ser uma comunidade-constelação significa que nenhum brilho é pequeno demais que não possa ser visto, nem grande demais que deva ofuscar as outras pessoas. O “brilho nos olhos” da JE não é uma luz estática, é uma luz que se move, que se adapta e que se coloca à disposição para servir. É o reflexo de um coração que serve com alegria.

Somos constelações que, ao se conectarem, revelam o rosto de Deus na diversidade. Que nossa digital única, feita de amizade, fé e serviço, continue a colorir e brilhar na nossa Igreja e a testemunhar que, na IECLB, cada pessoa jovem tem um espaço seguro e uma comunidade que acredita e reforça o brilho no olhar da juventude.

O Que Faz Nossos Olhos Brilharem?

Andando no caminho, servindo em gratidão

Sendo testemunhas de Jesus, nosso Senhor

O que faz os nossos olhos brilharem?

Caminhar com fé em Cristo, o Salvador?

O que faz nossos olhos brilharem?

Partilhar nossa vida com amor

O exemplo de sua ação

No cuidado com a Criação, com amor eu vou seguir, Jesus Cristo estou aqui!

Dinâmicas e atividades

O mapa das estrelas a)

O que faz os nossos olhos brilharem?

Caminhar com fé em Cristo, o Salvador?

O que faz nossos olhos brilharem?

Partilhar nossa vida com amor

Objetivo: visualizar a comunidade-constelação e dar foco ao pertencimento.

Materiais: cartolina preta, adesivos ou canetas prateadas/douradas.

Como fazer

Cada pessoa recebe uma estrela e escreve nela seu nome e seu dom principal (aquilo que faz seu olho brilhar na JE). Em seguida, cola sua estrela em qualquer lugar do “céu” (a cartolina).

Quem estiver facilitando a dinâmica convida uma pessoa jovem para começar. Ela deve escolher uma estrela que não seja a sua e dizer a quem e porque sente uma conexão com aquela pessoa.

Após falar, ela usa a caneta para traçar uma linha unindo a sua estrela à estrela da pessoa citada.

A pessoa que acabou de ser citada é a próxima a falar, escolhendo alguém que ainda não recebeu uma linha, até que todo o grupo tenha sido conectado.

Ao final o grupo verá que o “céu” não tem mais estrelas isoladas, mas sim um desenho complexo e unido: uma constelação que só existe por causa daquelas conexões.

Tema do 3º Acampamento de Carnaval do Sínodo Nordeste Gaúcho. M e L: Henrique Souza da Silva e Wagner Müller

Ensinamento: observem como o mapa ficou mais bonito depois das conexões. Como vemos, a amizade e a diversidade formam nossa identidade. Sem essa disposição de “conectar-se” até outra pessoa, seríamos apenas pontos distantes na escuridão. Na JE, o brilho de uma estrela sustenta o brilho da outra.

Nossa paleta de cores única b)

Objetivo: refletir sobre a diversidade de cores e dons que dão vida à identidade luterana.

Materiais: lanternas (pode ser a do celular), pedaços de papel celofane de diferentes cores.

Como fazer

Em um ambiente com pouca luz, todo grupo liga suas lanternas e depois aponta para um mesmo ponto. A luz branca representa nossa disposição inicial de servir.

Cada pessoa participante coloca um pedaço de papel celofane colorido sobre a lente da lanterna, representando seu dom (por exemplo, música, acolhimento, liderança). 1

Em um primeiro momento, cada pessoa aponta sua luz para um lugar diferente, observando como cada tom brilha de forma isolada e única.

A pessoa facilitadora indica a todo grupo que apontem as lanternas para o mesmo ponto central, misturando todas as cores.

O grupo observa como o conjunto das cores gera uma nova iluminação, transformando os brilhos individuais em uma unidade diversa e poderosa. 3 4 5

Ensinamento: essa atividade mostra que as luzes no coletivo revelam uma unidade. Quando usamos nossos dons de maneira separada, cada um tem seu próprio tom e beleza. Porém, quando os juntamos em comunidade, eles geram um tom único, homogêneo e diverso ao mesmo tempo. É essa colaboração que torna o brilho nos olhos da JE capaz de abrilhantar contextos que uma lanterna sozinha não alcançaria.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Refletir sobre Juventudes e Identidade é reconhecer que cada pessoa jovem é portadora de uma marca única e preciosa, a graça de Deus que nos envolve. Identidades individuais, coletivas e de fé se entrelaçam, formando um tecido vivo e colorido de experiências, culturas, histórias e espiritualidades que expressam a multiforme graça de Deus.

Em cada rosto, há uma história; em cada caminhada, um testemunho de fé que se renova a cada dia. As juventudes trazem perguntas, sonhos, convicções e esperanças que desafiam a Igreja a continuar sendo espaço de escuta, acolhimento e partilha. Por isso, refletir sobre identidade é também um convite à comunhão, à descoberta de que somos parte de algo maior, de uma comunidade que caminha unida, sustentada pela fé e pelo amor de Cristo.

É missão das comunidades acolher, escutar e valorizar essas identidades, reconhecendo nelas expressões legítimas do agir de Deus no mundo. Quando a Igreja abre espaço para o diálogo, para o protagonismo e para a diversidade, ela se torna mais viva, mais plural e mais fiel ao Evangelho.

Que cada pessoa jovem possa descobrir, com alegria e coragem, quem é em Deus e, a partir dessa descoberta, viver e testemunhar com autenticidade, esperança e amor. Que a fé seja luz que guia, que a comunidade seja o lar que acolhe, e que a identidade cristã seja a força que transforma o mundo em um lugar de mais justiça, compaixão e paz.

NOTAS EDITORIAIS

Os conteúdos apresentados neste documento foram baseados nas assessorias proferidas durante o Seminário Nacional da Campanha Juventudes e Identidade já apresentado na introdução do e-book. Os capítulos tiveram contribuições das pessoas jovens representantes dos sínodos no seminário nacional e que serão multiplicadoras deste conteúdo em seus respectivos sínodos. Agradecemos a contribuição e inspiração das assessorias do seminário sob suas diferentes temáticas.

Prof. Dr. Júlio Cézar Adam

Doutor em Teologia (Universidade de Hamburgo – Alemanha) e pós-doutor em Filosofia (PUCRS).

Professor de Teologia Prática (Faculdades EST) e de Ciências da Religião (Universidade Federal da Paraíba – UFPB).

Diretor da empresa Beatitude Desenvolvimento Humano.

Pesquisador nas áreas de teologia prática, espiritualidade, religião vivida e juventudes.

Tema: Porquefalarsobreidentidade?(perspectivassociológica,psicológicaesociorreligiosa;crisede identidadeecontextobrasileiro).

Prof. Dr. Maurício Perondi

Formado em Filosofia, Mestre e Doutor em Educação.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Membro do Centro Interdisciplinar de Educação Social e Socioeducação (CIESS).

Tema: Porquefalarsobreidentidade?(perspectivassociológica,psicológicaesociorreligiosa;crisede identidadeecontextobrasileiro).

Prof. Dr. Marcelo R. Saldanha

Licenciado em Artes Visuais pela Claretiano e Bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia das Faculdades EST e licenciado em Artes visuais pela Claretiano

Mestre em Teologia pelo Programa de Pós-Graduação das Faculdades EST e Doutor em Filosofia pela Universidade da Beira Interior, em Portugal, tendo sido bolsista da CAPES, com validação pela Universidade Federal de Pelotas.

Tema: ABC Teológico – Identidade Luterana (retomada das questões básicas da fé e da identidade cristã,evangélicaeluterana).

Arthur Rocha (Sínodo Sudeste)

Líder jovem na União Paroquial de São Paulo e no Sínodo Sudeste. Estudante de Teologia (Faculdades EST) e professor de Educação Infantil.

Tema: Rodadeconversasobreajuventudeevangélica.

Cat. Cláudio G. Becker (Sínodo Sul-Rio-Grandense)

Graduado em Letras – Língua Portuguesa (UNISINOS) e em Teologia com ênfase em Educação Cristã (Faculdades EST).

Mestre em Teologia com ênfase em Educação Comunitária com Infância e Juventudes (Faculdades EST).

Estudante de Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness(Pós-graduação – PUC Campinas e PR) e Psicanálise. Ministro Catequista na IECLB.

Ex-presidente do CONAJE e ex-coordenador do Departamento Nacional de Acompanhamento à Juventude.

Tema: Rodadeconversasobreajuventudeevangélica.

Débora Ludwig (Sínodo Sudeste)

Artista visual, designer e programadora.

Graduada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e pós-graduada em História da Arte: Teoria e Crítica pela mesma instituição, com pesquisa focada na arte latino-americana moderna e contemporânea.

Ex-coordenadora do CONAJE (2007–2010) e CEO da Zwei Arts.

Tema: Rodadeconversasobreajuventudeevangélica.

Profª. Ms. Katilene Willms Labes (Sínodo Vale do Itajaí)

Professora no ensino fundamental e superior.

Vinculada ao Departamento de Ciências Sociais e Filosofia e coordenadora do curso de Ciências da Religião da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

Mestre em Teologia (Faculdades EST) e MBA em Gestão Escolar (USP).

Ex-coordenadora do CONAJE (2011–2012).

Tema: Rodadeconversasobreajuventudeevangélica.

REFERÊNCIAS

FRANZ, M. L. V. A busca do sentido: entrevistas radiofônicas. São Paulo: Paulus, 2018.

JUNG, C. G. O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2008.

HERÁCLITO DE ÉFESO. Os Pré-Socráticos: Heráclito. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de Fala. São Paulo: Pólen Livros, 2019. (Coleção Feminismos Plurais).

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HALL, Stuart. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Organização de Liv Sovik. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: UFBA, 2008.

FANON, Frantz. Os condenados da terra. Tradução de Enilce Albergaria Rocha e Lucy Magalhães. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005.

FICHA EDITORIAL

Este e-bookda Campanha Juventudes e Identidade é uma publicação do Conselho Nacional da Juventude

Evangélica (CONAJE) e da Coordenação de Juventudes da Secretaria da Ação Comunitária da Secretaria Geral da IECLB.

Equipe coordenadora da Campanha Juventudes e Identidade

Ana Carolina Boueres Everton (Sínodo Espírito Santo a Belém)

Ariane Loesch (Sínodo Norte Catarinense)

Gabrielle Ücker Thum (Sínodo Sul-Rio-Grandense)

Joelson Orlando Wruck (Sínodo Espírito Santo a Belém)

Kátlin Franciele Dickel (Coordenação de Juventudes – IECLB)

Luiz Henrique Seidel (Sínodo Nordeste Gaúcho)

Mateus Ramlow da Silva (Sínodo Vale do Itajaí)

Meirlyane Peters (Sínodo Espírito Santo a Belém)

Natália Berndt Perleberg (Sínodo Sul-Rio-Grandense)

Natan de Oliveira Schumann (Sínodo Rio dos Sinos)

P. Felipe Buttelli (Sínodo Rio dos Sinos)

Pa. Francinne de Oliveira Kerkhoff (Sínodo Nordeste Gaúcho)

Taís Voelkl (Sínodo Nordeste Gaúcho)

Equipe de elaboração do material

Equipe coordenadora da Campanha Juventudes e Identidade. Os recursos para encontros foram construídos em parceria com jovens representantes dos sínodos durante o Seminário Nacional da Campanha Juventudes e Identidade.

Itinerários para encontros e oficinas

Ariane Loesch Nogueira (Sínodo Norte Catarinense); Gabriela Reich Favarin Leal (Sínodo Paranapanema); Jorge Henrique Jacob de Abreu (Sínodo Espírito Santo a Belém); Júlia Faier Frühauf (Sínodo Norte Catarinense); Laís Roberta Genz (Sínodo Noroeste Riograndense); Matheus Mundoco Corrêa (Sínodo Brasil Central); Rebeca Jacobsen Osterberg (Sínodo Rio dos Sinos); Thamires Raquel Hinkel (Sínodo Rio dos Sinos).

Identidade individual

Amanda Gabriele Siebeneichler Feil (Sínodo Nordeste Gaúcho); Antônio Augusto Firmo Tietböhl (Sínodo Rio dos Sinos); Carine Josiéle Wendland (Sínodo Centro-Campanha Sul); Heloísa Baldus Gromann (Sínodo Norte Catarinense); Mithiely Nahara de Moura (Sínodo Planalto Rio-Grandense); Roniel Henk Siqueira (Sínodo Espírito Santo a Belém).

Identidade coletiva

Heilike Philippsen Mog (Sínodo Sudeste); Ana Carolina Boueres Everton (Sínodo Espírito Santo a Belém); Denerson Andrei Kirchheim (Sínodo Nordeste Gaúcho); Júlia Kepp Brandão (Sínodo Espírito Santo a Belém); Valmiré Martin Littig (Sínodo Espírito Santo a Belém); Luan Mateus Ewald (Sínodo Vale do Itajaí).

Identidade de fé e confessionalidade luterana

Luiz Henrique Seidel (Sínodo Nordeste Gaúcho); Gabriella Reimann Gnas (Sínodo Rio Paraná); Thalia Radtke Machado (Sínodo Sul-Rio-Grandense); Geovanna Maia Pottratz (Sínodo Mato Grosso); Natan de Oliveira Schumann (Sínodo Rio dos Sinos); Camila Lutzke Auer (Sínodo Espírito Santo a Belém); Juliana Reetz (Sínodo Espírito Santo a Belém); Clarice Schmidt (Sínodo da Amazônia).

O que brilha nos olhos da JE

Davi Janner Faller (Sínodo Centro-Campanha Sul); Emerson Littig Júnior (Sínodo da Amazônia); Enzo Urbanski Gerke (Sínodo Rio Paraná); Henry Stefan Pottratz (Sínodo Mato Grosso); Meirlyane Peters (Sínodo Espírito Santo a Belém); Natália dos Santos Buge (Sínodo Espírito Santo a Belém); Paola Teixeira (Sínodo Sul-Rio-Grandense); Taís Voelkl (Sínodo Nordeste Gaúcho).

Dinâmicas

Natália Berndt Perleberg (Sínodo Sul-Rio-Grandense); Lívia Koepp Höller (Sínodo Norte Catarinense); Vitor Binow (Sínodo da Amazônia); Felipe Fridoldo Benedix (Sínodo Noroeste Riograndense); Ana Maria Demarchi (Sínodo Rio Paraná); Augusto Rauch Grade (Sínodo Planalto Rio-Grandense).

Revisão geral

Coordenação da Campanha Juventudes e Identidade, Pastor Olmiro Ribeiro Junior e Professora e Teóloga Kátlin Franciele Dickel.

Revisão ortográfica

Susanne Buchweitz

Projeto gráfico, capa e diagramação

Andrei Lysik Viega

Apoio

Evangelisch-lutherisches Missionswerk in Niedersachsen - Hermannsburg (ELM) (Obra missionária Evangélico-Luterana da Baixa Saxônia em Hermannsburg) e Secretaria Geral da IECLB.

Disponível em versão digital: www.luterano.org.br

Contato

© Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2026 Rua Senhor dos Passos, 202, 4º andar 90020-180 – Porto Alegre – RS Fone: (51) 3284 5400 secretariageral@ieclb.org.br www.luterano.org.br

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