

Mensagem celebrativa dos
50 anos do Dia da Juventude
Celebrar 50 anos do Dia Nacional da Juventude Evangélica (JE) é olhar para uma história escrita por mãos jovens que, desde o início, entenderam que ser Igreja é ser ação.
O Dia Nacional da JE se consolidou em 21 de abril a partir de um documento histórico enviado pela gestão da II Região Eclesiástica (II RE) e datado do contexto do V Congresso Nacional da JE (realizado em Panambi, de 25 a 30 de julho de 1978), com os seguintes assuntos: “O Dia da JE na II Região Eclesiástica” e “Analisar a viabilidade de institucionalização do Dia da JE em âmbito nacional”. Esse registro oficializa o que vivemos hoje, lembrando que o primeiro Dia Nacional da JE foi celebrado em 21 de abril de 1976, reunindo uma participação média de 1.300 pessoas jovens em diferentes locais. Desde aquele encontro histórico, o dia 21 de abril tornou-se o nosso marco para fortalecer o protagonismo, a comunhão e o testemunho da JE.
No documento vemos que o Dia Nacional da JE surge a partir de uma análise da participação da JE em atividades de formação, que buscam potencializar os dons dados por Deus à juventude. O documento cita: “Analisando as atividades em âmbito nacional da Juventude Evangélica observamos que quase todas elas objetivam um melhor aperfeiçoamento de talentos (...). Dentro dessa plataforma de ação e sempre querendo atender da melhor e mais completa forma as pessoas jovens, achamos justo que se programasse algo para marcar toda a juventude (jovens pertencentes à JE e confirmandas/os), sem que estas pessoas tivessem de se preocupar com ensaios, treinamentos e estudos bíblicos.”*
“O Dia da JE realmente se constituiu em momentos memoráveis. O dia 21 de abril era então o momento de encontro, louvor, convivência e estudo. Todo encontro sempre tinha um tema. Lembro que chegamos a reunir 1.500 pessoas jovens. Que maravilha. Fico feliz que esse dia chega a fazer 50 anos de existência e história. Cumprimentos para toda juventude” (Prof. Cat. Ivan Renner, Coordenador da Juventude Evangélica na Região Eclesiástica II - Gestão 1976)
Desde a sua criação e institucionalização, o Dia da JE, ou Dia Nacional da JE, tem objetivos claros que estão descritos no documento*:
Dar à pessoa jovem, através do tema, elementos básicos para a vida em comunhão no grupo da JE e na comunhão com pessoas de diversos setores sociais onde ela, a pessoa jovem, faz parte.
Integrar a Juventude Evangélica e proporcionar um dia especial, alegre e sadio, através do estudo, canto e recreação.
Crescimento no conhecimento da Palavra de Deus.
Incentivar a juventude no trabalho comunitário de nossa Igreja.
Proporcionar o compartilhamento de experiências, alegrias, problemas do cotidiano da JE que tem como centro Cristo, Senhor e Salvador.
O mesmo documento histórico oficialmente rege e referencia, em seu parágrafo 5º, que: “O Dia da JE realiza-se sempre no dia 21 de abril, não há uma explicação mais específica sobre o porquê dessa escolha.”
No mesmo parágrafo ainda são citados os temas, assessoria e número de participantes dos três primeiros Dias da JE:
21/04/1976
“Fui confirmado, e agora?”
Assessoria: Pastor Manfredo Siegle
Participantes: 1.300 pessoas jovens
(Atividades em Cascavel/PR; Pirabeiraba/SC; Blumenau/SC)
21/04/1977
“Quem sou? Para onde vou?”
Assessoria: Professor Catequista Ivan Renner
Participantes: 1.500 pessoas jovens
(Atividades em Cascavel/PR; Corupá/SC; Santa Isabel/SC; Timbó/SC; Canoinhas/PR)
21/04/1978
“Por que Cristo quer a mim?”
Assessoria: Pastor Dr. Lindolfo Weingaertner
Participantes: 1.500 pessoas jovens
(Atividades em Rio Negro/PR; Jaraguá do Sul/SC; Lontras/SC; Brusque/SC)
Na avaliação da época vemos palavras que marcam e impactam quem somos e o que celebramos hoje, no presente, como Juventude Evangélica da IECLB. As palavras de Marlene Stoltenberg incentivaram a institucionalização deste evento e citam o sonho de que este dia deveria existir para sempre: “O Dia da JE é um dia maravilhoso. Um dia em que as pessoas jovens evangélicas podem se reunir em suas regiões e aprender uma mensagem de Cristo. Reúnem–se também com muitos cantos e recreações. Uma coisa fabulosa. Este dia deveria existir sempre, inclusive em âmbito Nacional. Um trabalho com todos os grupos de JE em locais diferentes com um mesmo tema”.
Olhar para esses 50 anos de caminhada e execução do Dia Nacional da JE é perceber que a JE não é apenas um grupo, mas um espaço onde nossas vozes importam e são consideradas. Nossa história é feita de pessoas que buscam uma espiritualidade viva, que acolhe e caminha lado a lado com as transformações do mundo, tendo sempre Cristo como bússola. O Dia Nacional da JE um dia foi um sonho e hoje se realiza como parte crucial do trabalho das gestões do Conselho Nacional da Juventude, um momento que enriquece ainda mais a parceria com a Secretaria da Ação Comunitária, em especial, com a Coordenação de Juventudes.
Nesta edição especial, nossa celebração se une ao Tema do Ano da IECLB e resulta na temática Cultivar e Guardar a Criação. Entendemos que o nosso testemunho de fé hoje passa, obrigatoriamente, pelo zelo com a vida e com o mundo que nos cerca. Ser JE em 2026 é reconhecer que a natureza clama por cuidado e respeito e que somos convocadas e convocados a agir onde há falta de amor e de preservação. Somos a geração que honra o passado e vive o sonho realizado, desde 1976, cuidando do presente e garantindo o futuro da nossa casa comum, criação de Deus.
“O tema “Dons e Talentos” sempre era abordado, bem como a identidade e os propósitos. Por isso também surgiu na época o tema: “Quem Sou? Para onde vou?”, ele procura, ainda hoje, aguçar as mentes e os corações da juventude. Esse sempre foi o objetivo e certamente ainda é hoje em dia. Tenho muitas lembranças... Quantas amizades fecundas surgiram e permanecem até hoje” (Prof. Cat. Ivan Renner, Coordenador da Juventude Evangélica na Região Eclesiástica II - Gestão 1976)
Ao longo desses 50 anos, não celebramos apenas uma data, mas a continuidade de uma missão que nos convida a “sair do saleiro” para sermos, de fato, sal da terra e luz do mundo. Que possamos seguir sonhando e servindo a Deus com amor, compaixão e cuidado a toda a sua criação. Assim, mantemos viva a chama do Espírito Santo em nossos corações — a mesma que inspirou a juventude em 1976 e que ainda hoje brilha em cada pessoa jovem que se levanta para viver em comunhão e testemunhar a sua fé em comunidade.
Luiz Henrique Seidel Coordenador do Conselho Nacional da Juventude Evangélica
*Documentos: Arquivo Histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, adaptados para uso conforme orientações do Manual de Linguagem Inclusiva da IECLB
Feliz 50 anos do Dia Nacional da JE!
Nota de agradecimentos
É com imensa alegria que celebramos a construção deste material, fruto de um esforço coletivo repleto de significado. Expressamos nossa gratidão a cada pessoa jovem, ministro e ministra dos sínodos Centro-Campanha Sul, Espírito Santo a Belém e Vale do Itajaí, que compartilharam suas vivências, criatividade e dedicação nestas páginas. Agradecemos também ao Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE), especialmente à sua coordenação e orientação teológica, à Coordenação de Juventudes e à Secretaria de Ação Comunitária da IECLB, que conduziram este processo com cuidado e compromisso.
Olhamos para o passado com profunda gratidão às pessoas que, há 50 anos, realizaram o primeiro Dia Nacional da Juventude Evangélica, inicialmente chamado de Dia da JE. Agradecemos de modo especial a todas as pessoas que se dispuseram a dialogar conosco e partilhar suas memórias, com carinho especial ao Professor Catequista Ivan Renner. Reconhecemos e agradecemos também a colaboração da jovem Taís Voelkl, mestranda da Faculdades EST e pesquisadora do tema juventude, que identificou e compartilhou informações valiosas para honrarmos a memória deste cinquentenário.
Cada ideia, pesquisa e gesto de cuidado transformou este material em uma expressão viva da comunhão e do protagonismo jovem na IECLB. Por fim, estendemos nosso agradecimento a todas as pessoas e grupos que agora utilizarão este conteúdo, fazendo com que ele cumpra sua missão de fortalecer nossa caminhada. A todas as mãos, mentes e corações envolvidos, o nosso mais sincero muito obrigado.
Cuidar da Criação!
Tu és a fonte da vida, e, por causa da tua luz, nós vemos a luz.
Salmo 36.9
Mais uma vez chegamos ao mês de abril e, com ele, celebramos o Dia Nacional da Juventude Evangélica – 21 de abril de 2026. Este é sempre um tempo especial para recordar nossa identidade, renovar a fé e fortalecer os laços que nos unem como juventudes da IECLB espalhadas pelos sínodos, paróquias e comunidades.
Para este ano, somos convidadas e convidados a refletir e celebrar sob o tema Cuidar da Criação. Vivemos em um mundo criado por Deus com amor, beleza e propósito. Somos parte dessa Criação e, ao mesmo tempo, responsáveis por ela. Por isso, Deus nos chama a testemunhar nossa fé por meio de atitudes concretas de cuidado, proteção e valorização da vida em todas as suas formas.
Inspirados pelo Lema Bíblico da IECLB em 2026: Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3), lembramos que o cuidado com a Criação não é uma opção, mas um chamado espiritual. Cuidar da Criação é expressão de gratidão, responsabilidade e compromisso com o planeta que Deus nos confiou.
Este encontro foi preparado para que cada grupo, em seu sínodo, paróquia ou comunidade, possa refletir sobre como tem cuidado da Criação e como pode fortalecer esse compromisso no cotidiano. Nosso objetivo é, de forma leve, prática e participativa, demonstrar que cada pessoa é essencial na vida do seu grupo, assim como cada grupo é fundamental na caminhada da Juventude Evangélica (JE).
Apresentamos uma proposta de celebração sob o tema Cultivar e Guardar a Criação, acompanhada de dois subsídios.
Subsídio 01
(Passa-dia) propõe uma reflexão sobre o tema geral – Cuidar da Criação de Deus – destacando sua dimensão bíblica, espiritual e comunitária.
Então, vamos juntas e juntos?
Subsídio 02
Complementa o primeiro ao apresentar métodos e práticas que podem contribuir para a preservação da Criação no dia a dia, incentivando ações concretas dentro e fora da comunidade.
Vamos reunir nossos grupos de JE, celebrar o nosso dia 21 de abril, aprofundar nossa fé e renovar o compromisso com o cuidado da Criação?
Que este material acompanhe vocês como inspiração, motivação e convite para viver e testemunhar o amor de Deus no mundo que Ele nos confiou.
Tema geral:
Cuidar da Criação de Deus.
Lema bíblico:
Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3).
Celebração do Dia da Juventude 2026
Tema geral:
Cultivar e guardar a Criação.
Liturgia de Entrada
Lema bíblico:
Tomou, pois, o Senhor Deus ao ser humano e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gênesis 2.15).
Acolhida
Tomou, pois, o Senhor Deus ao ser humano e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar
Gênesis 2.15
Sejam muito bem-vindas e bem-vindos à casa do Senhor! Celebramos o Dia Nacional da JE, e hoje somos convidadas e convidados a refletir sobre a nossa primeira tarefa como seres humanos. Em Gênesis 2.15, lemos que Deus nos colocou no mundo não como donas e donos, mas como pessoas cuidadoras. Ele nos chamou para cultivar e guardar este “jardim” que é a vida, a nossa comunidade e a nossa Terra.
Cultivar significa fazer florescer; guardar significa proteger o que é precioso. Que este culto seja um tempo de renovarmos nosso compromisso com o cuidado – cuidado com as pessoas, com a Criação e com a nossa própria fé. Que a Palavra de Deus hoje desperte em nós a alegria de servir e o zelo pela vida que Ele nos confiou.
Saudação Trinitária
Celebramos em nome de Deus, que criou o mundo e tudo o que nele há; em nome de Jesus Cristo, que redimiu a Criação e nos ensina o caminho do cuidado; e em nome do Espírito Santo, que sustenta a vida e nos impulsiona à preservação da nossa Casa Comum.
Confissão de Pecados
Em humildade, confessemos os nossos pecados.
Oremos
Confessamos, ó Deus, criador de todas as coisas, que temos falhado em cuidar do jardim que nos entregaste. Senhor nosso Deus, vivemos atarefadas e atarefados com nossas atividades diárias e muitas vezes, esquecemos de cuidar da tua Criação. Pecamos por nossa ganância, que explora os recursos da Terra sem medida. Pecamos por nossa indiferença, ao ignorar o gemido da Criação e a dor das pessoas mais vulneráveis que sofrem com a destruição ambiental. Pecamos por nosso consumismo, que gera desperdício e polui o que criaste como puro e bom. Reconhecemos que somos parte desta teia da vida e que, ao feri-la, ferimos a Ti e a todas as pessoas. Pedimos perdão, pois sabemos da missão e do compromisso que nos confiaste. Tem piedade de nós, Senhor. Transforma nossa mente e nosso agir para que sejamos verdadeiras e verdadeiros cuidadores da tua Criação. Amém.
Absolvição
Ouvimos a ordem divina: Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3). Reconhecemos que muitas vezes falhamos nesse cuidado. Mas o mesmo Deus que faz “novas todas as coisas” perdoa o nosso descaso e nos chama para sermos parceiras e parceiros na preservação da sua obra. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, seus pecados estão perdoados. Amém.
Kyrie Eleison
Em um mundo que Deus criou com tanto amor, mas que teimamos em danificar, clamemos pela pelas dores deste mundo, pedindo a misericórdia de Deus.
Pelas florestas devastadas, pelos rios poluídos e pela biodiversidade que se perde, nós te pedimos:
/:Ouve, Senhor, eu estou clamando, tem piedade de mim e me responde.:/ LCI 63
Pelas espécies criadas que se extinguem, pela poluição do ar e do solo, e pelo nosso consumo desenfreado, nós te pedimos:
/:Ouve, Senhor, eu estou clamando, tem piedade de mim e me responde.:/ LCI 63
Pelas futuras gerações que herdarão uma terra ferida, e pela nossa falta de atitude em proteger a obra de tuas mãos, nós te pedimos:
/:Ouve, Senhor, eu estou clamando, tem piedade de mim e me responde.:/ LCI 63
Deus criador, capacita-nos, com teu Espírito Santo, a sermos parceiras e parceiros no cuidado e na preservação da Criação, honrando a ti e amando todas as pessoas.
Pelas dores deste mundo, ó Senhor!
Imploramos piedade. A um só tempo geme a Criação.
Teus ouvidos se inclinem ao clamor desta gente oprimida.
Apressa-te com a tua salvação!
A tua paz, bendita irmanada com a justiça.
Abrace o mundo inteiro. Tem compaixão!
O teu poder sustente o testemunho do teu povo.
Teu Reino venha a nós! Kyrie eleison!
Glória
Deus da Vida, nossos olhos se abrem para a beleza da tua obra. Louvamos-te porque cada semente que brota, cada rio que corre e cada criatura que respira anuncia a tua glória. Embora o mundo gema, nós celebramos a esperança de um novo tempo. Unimos nossas vozes para dizer: glória a Deus nas maiores alturas!
Oração do Dia
Oremos
Querido e amado Deus, nosso criador, permita-nos entender que precisamos cuidar melhor da tua Criação, pois confiaste a nós a missão de manter este mundo de tantas belezas naturais. Concede nos a capacidade de agir com responsabilidade, cultivar o respeito e assumir o compromisso com a vida. Que possamos ser instrumento de cuidado e esperança, hoje e sempre. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo, um só Deus, reina de eternidade a eternidade. Amém.
Liturgia da Palavra
Leitura do Antigo Testamento Gênesis 1.1-2.4,15
No começo Deus criou os céus e a Terra. A Terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o Espírito de Deus se movia por cima da água.
Então Deus disse:
– Que haja luz!
E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa e a separou da escuridão.
Essas luzes brilharão no céu para iluminar a terra. E assim aconteceu.
/.:É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa, tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal.:/
Proclamação do Evangelho
Aclamamos, de pé, o Evangelho, cantando: Canto 188 LCI Caribenho
Ale, ale, aleluia. Ale, ale, aleluia. Ale, ale, aleluia. Aleluia, aleluia.
Proclamação do Evangelho Conforme Mateus 5.13-16:
Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para
colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine as pessoas que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que todas e todos vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.
Palavra do Senhor.
Dizemos em conjunto: louvado sejas, Cristo.
Mensagem
Para o que nós fomos criadas e criados? Certamente, em algum momento de nossas vidas, já nos fizemos essa pergunta. Algumas pessoas levam esse questionamento mais a sério e tentam, de muitas formas, descobrir uma resposta. Outras encontram respostas simples e já se satisfazem. É bem comum, especialmente na juventude, nos perguntarmos para que fomos feitos. Qual nosso o propósito? Qual a nossa identidade? O que fazemos a partir disso?
Quando lemos Gênesis, encontramos uma resposta. Na tradução Nova Almeida Atualizada, o versículo 15 do Capítulo 2 diz: O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. Aí está a tarefa que Deus nos deu: cultivar e guardar a sua Criação. Nisso está a essência do nosso ser – cuidar.
Essa resposta parece boa para você?
Combinar previamente com algumas pessoas jovens para encenar: o plantio de uma árvore; uma pessoa cuidando de outra que está doente.
Essas cenas parecem tão comuns, não é? Tão corriqueiras que, às vezes, até nos esquecemos do quão importante são e da diferença que elas exercem no mundo.
Perceba como é intrínseco do nosso ser – cuidar.
Vivemos em um mundo compartilhado. É Casa Comum. Bem de todas as criaturas. Temos cumprido a tarefa? Temos exercido esse cuidado?
Para além da terra, das plantas, dos animais, Deus também nos chama a cultivar e guardar relações pessoais. Cuidarmos da natureza, mas também das pessoas ao nosso redor. É preciso dedicar-se, investir tempo. Mas, antes de tudo, é necessário que criemos laços, que entendamos a importância do vínculo que temos com quem está ao nosso redor e com o ambiente que desfrutamos.
Uma obra que traz lições valiosas sobre isso é a clássica fábula O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, que narra o encontro de um aviador, perdido no deserto do Saara, com um misterioso menino vindo de um asteroide distante, o B-612. A história se desenrola a partir das conversas entre os dois, revelando a jornada do pequeno viajante por vários planetas, onde ele
vivencia muitas situações. Uma das que mais chama atenção pela sabedoria que traz é o encontro do príncipe com uma raposa, que lhe ensina sobre cativar – palavra que se parece com cultivar, mas que, na verdade, é o início da relação, significa “criar laços”, um processo que exige também dedicação. A raposa diz ao príncipe que antes de serem cativados, são apenas dois seres entre milhares, mas ao criarem um vínculo, tornam-se únicos e essenciais um para o outro. É dessa lição que surge a célebre frase: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Queremos ser indiferentes a quem está ao nosso redor? Indiferentes a quem sofre de fome, indiferentes à poluição desenfreada, indiferentes às mudanças climáticas? É importante que abramos os nossos olhos para as injustiças deste mundo e que comecemos a cativar a nossa relação com a Criação de Deus. Somos responsáveis por ela. No princípio e ainda hoje, essa é a vontade de Deus – que sejamos responsáveis, cuidadosas e cuidadosos com a vida em todas as suas formas.
Na leitura do Evangelho, ouvimos sobre a essência dos elementos. A metáfora do “sal da terra” e “luz do mundo”, proferida por Jesus no Sermão da Montanha, define a essência da identidade cristã e a sua missão prática de cuidar.
Qual é a essência do sal?
A sua identidade está em seu sabor. De que serviria o sal se ele não pudesse trazer gosto à comida? Seria apenas mais um grão. O sal dá sabor aos alimentos. Isso representa o papel de quem é cristã e cristão: trazer vida, alegria, esperança e o “tempero” de Deus (paz, amor) ao mundo. O sal também possui a essência curativa e preventiva. Cuidar como sal significa dar sabor à vida das pessoas, curar feridas emocionais e espirituais e, principalmente, não perder sua identidade em Cristo (não se tornar “insípido”).
Qual é a essência da luz?
A sua identidade está em clarear um ambiente antes escuro. Ela nos ilumina, direciona, abre possibilidades. A essência do cuidar como luz é apontar a direção, ajudar outras pessoas a enxergar a verdade, a esperança e o caminho para Deus.
De que serve o ser humano se não estiver cuidando daquilo que está ao seu redor?
Quando fugimos dessa responsabilidade, estamos negando o propósito que foi intrinsecamente criado em nós. Estamos negligenciando a resposta para a pergunta que tantas vezes nos fazemos e que nos é oferecida logo nos primeiros capítulos da Bíblia: para o que fomos criadas e criados?
A partir disso, como podemos atender a esse chamado de Deus? Como cultivamos e guardamos a Criação de maneira correta? Como Deus nos ensina a fazer isso?
Uma nova encenação deve ser combinada com algumas e alguns jovens para demonstrar atitudes simples que podem ser colocadas em prática no nosso dia a dia.
Duas pessoas com uma jarra de água e dois copos. Uma derrama água com desperdício em seu copo; já a outra a coloca com precisão e cuidado.
Dois lixeiros identificados: um para lixo reciclável e outro para lixo comum. Uma ou um jovem com uma sacola de lixo misturado (com alguns papéis, garrafas, cascas de frutas) separa o que deve ir para cada tipo de lixo.
Uma ou um jovem utiliza itens descartáveis para se alimentar, enquanto outra usa prato/copo/ garrafa que pode ser reutilizada.
Essas ações são tão simples, não é mesmo? Facilmente podem ser realizadas. Mas por que não as fazemos?
Ah, mas é só um copo descartável, não vai fazer mal. É só um pouquinho de água que está indo embora, a torneira está longe e logo vou precisar ligar de novo… Alguém vai separar esse lixo depois do recolhimento…
Pensamentos que parecem inofensivos, mas são apenas uma tentativa de justificar nossa falta de cuidado com o mundo. Será que é assim, tão difícil mesmo, agir a partir da nossa identidade cuidadora e cultivar e guardar nosso meio ambiente e nossa sociedade?
Lembremos que temos um laço com a Terra. Assim como o Pequeno Príncipe aprendeu a responsabilidade sobre aquilo que cativa, nós também somos responsáveis pela nossa Casa Comum. Temos que trazer à tona nossa essência no cuidado com a Criação de Deus.
Confissão de Fé
Vamos confessar a nossa fé, reconhecendo o Trino Deus como criador e mantenedor de toda a vida, Salvador e Santificador: Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra…
Avisos
Coleta
Oração Geral da Igreja e Pai Nosso
Gratidão a Deus pela Criação, da qual nós fazemos parte. Ilumina-nos para permanecermos firmes nesse compromisso de cuidar da tua Criação. Saímos hoje daqui com a missão de colaborar com a preservação deste mundão que o Senhor nos confiou. Dá-nos disposição para fazer a nossa parte, mesmo nas pequenas coisas do dia a dia. Acompanha-nos em nossos caminhos e abençoa a nossa semana.
E tudo mais que queremos dizer e agradecer, entregamos a ti, ó Deus, na oração que o teu filho, Jesus Cristo, nos ensinou:
Pai nosso…
Benção
Que o Senhor Deus, que nos ordena proteger a terra, o mar e tudo o que existe, vos abençoe e guarde. Que Ele nos faça guardiãs e guardiões da esperança e da vida. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
Envio
Vão e cuidem com amor da Criação de Deus. Amém.
Toda e todos: Demos graças a Deus!
Elaborado por:
Bianca Berger Amorim, Paróquia de Santa Maria de Jetibá/ES, Coordenadora Sinodal da Juventude Evangélica (COSIJE), Sínodo Espírito Santo a Belém; Pastor Maicon Weber, Paróquia Unida, Santa Leopoldina/ES, Orientador Teológico Sinodal da Juventude Evangélica (COSIJE), Sínodo Espírito Santo a Belém; Meirlyane Peters, Paróquia de Baixo Guandu/ES, Sínodo Espírito Santo a Belém, representante no CONAJE.
Subsídio 01
Passa Dia da JE
Objetivos: mobilizar pensamentos e ações para o cuidado da Criação de Deus; oportunizar um momento de reflexão em grupo sobre a temática.
Materiais necessários: um vaso grande com terra, galho seco que simula uma árvore, papéis coloridos de aproximadamente 10 cm x 10 cm e um furinho para pendurar, barbante, tintas coloridas para pintar e carimbar o polegar, canetas, carvão, argila, jarro de água.
Introdução
O Tema do Ano da IECLB
Diante do lema bíblico proposto, Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3), … não danifique a terra, a água, o ar.
Desenvolvimento/Atividades Propostas
Estrutura
Boas-vindas
A árvore da Conferência do Clima (COP)
Dinâmica
Abertura Dinâmica de apresentação
Cantos à Criação
Juventudes & Identidade –nossa identidade também é cuidar da Criação
Estações com os quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo
à Criação
e envio
Cantos à Criação
Introdução ao Tema do Ano Cuidar da Criação de Deus
Boas-vindas
Sejam muito bem-vindas e bem-vindos!
É uma alegria receber vocês para este passa-dia, em que nos reunimos como JE para escutar, refletir e cuidar da Criação de Deus. Hoje caminharemos juntas e juntos pelos caminhos da água, da terra, do ar e do fogo, reconhecendo neles sinais de vida, de alerta e de esperança. Que este tempo fortaleça nossa fé, nosso compromisso e nossa responsabilidade comum com a Casa que Deus nos confiou para amar, proteger e transformar.
Abertura
Para iniciar este passa-dia, nos reunimos como JE para cuidar da Criação de Deus, caminhando pelos sinais da água, da terra, do ar e do fogo. No turno da manhã, vamos olhar para a COP, a Conferência do Clima, como uma grande árvore cheia de raízes e com uma copa ampla, que toca povos, territórios e o futuro do planeta. Conectada a essa reflexão, partilharemos a Campanha Juventudes & Identidade, uma mobilização nacional da JE que nos convida e convoca a reconhecer quem somos, de onde viemos e como nossa fé nos chama ao compromisso com a vida. À tarde, seguiremos pelas estações dos quatro elementos, deixando que a água, a terra, o ar e o fogo nos animem ainda mais a guardar e cuidar da Criação de Deus, com esperança, responsabilidade e alegria.
Cantos da Criação
Dinâmica de Apresentação
Possibilitar que as pessoas se sentem em círculo e que, com ele, a palavra circule. Assim, pergunte: se você fosse uma árvore, que árvore seria e por quê? Ao final, vocês compõem uma floresta de árvores frondosas que se complementam e se cultivam.
Oração Inicial
Deus de bondade e de amor, obrigada, porque tu criaste tudo que nos envolve com tanta sabedoria e cuidado, com tanta maestria e perfeição.
Faz com que possamos cuidar e guardar a Criação que nos presenteaste. Que, no dia de hoje, com nossas irmãs e irmãos em Cristo possamos refletir e mobilizar pensamentos e ações de cuidado para com a tua maravilhosa Criação. Em nome de Cristo, amém.
Cantos da Criação
Introdução ao Tema do Ano: Cuidar da Criação de Deus
Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3) ecoa como um chamado urgente e profundamente atual para o nosso tempo. O Tema do Ano de 2026 da IECLB convida a comunidade a reconhecer que o cuidado com a Criação de Deus não é algo acessório, mas parte central da fé cristã. A partir de uma leitura bíblica comprometida com a vida, o tema afirma que a Criação é dom de Deus confiado à humanidade para ser guardado, cultivado e partilhado com justiça. Isso implica reconhecer as feridas abertas pela crise climática, pela exploração predatória da Terra e pela desigualdade socioambiental, assumindo uma espiritualidade que une fé, responsabilidade ética e compromisso coletivo com a vida em todas as suas formas.
Nesse horizonte, o cuidado com a Criação aparece como vocação comunitária e prática cotidiana, que envolve escolhas pessoais, ações comunitárias e testemunho público. Assim, a IECLB e também a JE, por meio deste material e de ações e campanhas, convocam suas comunidades a fortalecer práticas de educação ambiental, justiça climática, solidariedade com as pessoas mais vulneráveis e esperança ativa, afirmando que cuidar da Criação é, ao mesmo tempo, cuidar da vida, da dignidade humana e do futuro comum.
Guardar a terra, o mar e as árvores é proteger a vida hoje e amanhã, é assumir uma espiritualidade que escuta o clamor da natureza e dos povos mais afetados, e que transforma esperança em ação, justiça em testemunho, confiando que Deus continua sustentando e renovando toda a Criação.
A Árvore da COP
Dispor de um vaso grande com terra, um galho seco que representa uma árvore, canetas e pequenos papéis coloridos com aproximadamente 10 cm x 10 cm e um furinho para pendurar, barbante e tintas coloridas para pintar e carimbar o polegar.
O cuidado com a Criação de Deus é análogo ao plantio de uma árvore. Tudo inicia com o preparo da terra, no afagar do solo enquanto se incorporam a ele os nutrientes necessários, o que remete à adequação do meio para que essa mensagem possa ser propagada; depois, a confecção da cova e o plantio lembram o início da caminhada de fé baseada no amor de Deus; ao irrigar a árvore, obtém-se o crescimento que transmite os ensinamentos; e, ao produzir flores e frutos, colhemos os benefícios e as soluções do cuidado. Contudo, nos caminhos que perpassam o plantio até os frutos, são necessários instrumentos que permitam que a luz seja irradiada e que as medidas sejam efetivadas. Nesse sentido, um mecanismo é a Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP, realizada no Brasil no ano de 2025, em Belém do Pará (COP30), da qual a JE também participou a partir da iniciativa “COP da JE”. De semelhante modo à analogia anterior, as e os jovens que lá estiveram foram as raízes que sustentam o caule da intermediação para a copa que abriga os frutos dos resultados que afloram esperança para o mundo.
A COP também pode ser compreendida como uma grande árvore viva, muito maior do que aparenta à primeira vista. Suas raízes são profundas e antigas: tratados internacionais, ciência climática acumulada por décadas, lutas dos povos indígenas, comunidades tradicionais, juventudes e movimentos sociais que, desde antes da primeira COP, em 1995, sustentam o debate sobre clima e justiça. O tronco representa o espaço oficial de negociação, onde governos se encontram para pactuar metas, responsabilidades e caminhos comuns. Já a copa, ampla e diversa, alcança muito além das salas de negociação: nela estão a sociedade civil, as Igrejas, universidades, cidades, empresas, juventudes e iniciativas locais que recebem, reinterpretam e colocam em prática o que ali é debatido. Assim como uma árvore só permanece viva se raízes, tronco e copa estiverem conectados, a COP só faz sentido quando decisões globais se ligam às realidades dos territórios, nutrindo ações concretas de cuidado com a terra, a água, o ar e o fogo, em favor da vida e do futuro comum.
Na COP, nem tudo o que plantamos nasce lá. São grandes negociadoras e negociadores que cuidam dos plantios; o tronco, por vezes, é firme demais, não aceitando a voz de quem realmente sofre, e os resultados, flexíveis demais. Ali, nossa influência pode fazer com que negociadoras e negociadores tomem decisões mais acertadas e podemos ter importantes frutos, mas é normalmente nas redes construídas nos corredores ou, melhor, na copa, com coletivos, com outras pessoas de fé, com cientistas, que ações do global podem germinar com muita força localmente.
Convidar as pessoas para que peguem um papel colorido como semente, escrevam algo que desejam semear que verdadeiramente promova Justiça Socioambiental e coloquem dentro da terra do vaso.
Uma ação em nível regional, importante de ser mencionada, é o Fórum de Justiça Climática da América Latina e Caribe, da Federação Luterana Mundial – da qual a IECLB faz parte –, que já inspirou a criação de dois outros fóruns, da África e da Ásia, para ações que promovam a justiça socioambiental nos territórios.


O projeto Sembrando el camino hacia la COP30 diversos países latino-americanos – México, Peru, Nicarágua, Colômbia, Argentina, Paraguai, El Salvador e Brasil –, sendo uma das ações que enraízam esse compromisso. O Brasil, que sediou a COP30 em Belém do Pará, encerrou a campanha no dia 19 de novembro de 2025, em um gesto simbólico e real de esperança. Esse plantio coletivo é também semeadura política: afirmamos que a transição climática deve ser feita com justiça e com os pés na terra. Veja mais em @forojusticiaclimatica, no Instagram.
Convidar as pessoas para que “colham” um papel colorido – de outra pessoa –, leiam em voz alta, coloquem com tinta o seu dedo indicador e o pendurem nos galhos da árvore que será disposta no vaso.
Ao colocar os frutos na árvore, convidar para que quem se sentir à vontade compartilhe mais iniciativas, campanhas e compromissos já existentes com a justiça socioambiental em suas comunidades.
Juventudes & Identidade – Nossa Identidade também é
Cuidar da Criação
Desde 2016, o Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) iniciou as campanhas Juventudes &, perpassando Juventudes & Diaconia, Juventudes & Pessoas Idosas, Juventudes & Justiça Ambiental, até que, em 2025, adentramos Juventudes & Identidade, que nasce desse encontro profundo entre singularidade e pertencimento. Já colocamos nossa digital nas sementes plantadas por outras pessoas, pois o cuidado com a Criação é parte da identidade luterana e é mais potente quando feito a muitas mãos.
Cada pessoa jovem é inteira, indivisível, corpo-terra, corpo-água, corpo-ar e corpo-fogo, natureza viva criada à imagem e semelhança de Deus. Ao mesmo tempo, ninguém caminha só: somos membros de um mesmo corpo em Cristo. Não existe cuidado com a Casa Comum sem o cuidado com as pessoas que a habitam, em sua dignidade, diversidade e história.
A justiça socioambiental se conecta diretamente com essa identidade jovem e luterana que se descobre natureza e comunidade ao mesmo tempo. Reconhecer-se como corpo feito de terra, água, ar e fogo é reconhecer que a destruição ambiental também é ferida no próprio corpo e no corpo coletivo. Assim como os dons são diferentes e complementares, também as responsabilidades no cuidado da Criação se distribuem de forma plural. A Diaconia vivida nos grupos de juventude se transforma em prática concreta de justiça quando se expressa em ações de cuidado, denúncia, resistência e reconstrução.
Por isso, a identidade coletiva da JE não se encerra nos encontros ou pertencimentos institucionais, mas se desdobra como testemunho no mundo. A cruz, com seus eixos vertical e horizontal, nos lembra que fé e justiça caminham juntas em direções não separáveis: relação com Deus e relação com a pessoa próxima, incluindo a Criação inteira. Quando cada pessoa jovem oferece seu dom, a JE se torna um espaço em que identidade, fé e justiça socioambiental se entrelaçam como vocação: ser sal da terra, luz do mundo e presença viva de esperança na Casa Comum.
Dinâmica: Nós
Material: pedaços de barbante de aproximadamente 60 cm, um para cada pessoa envolvida com a atividade (a qual deve ser realizada com as e os participantes em círculo).
Entrelaçar vocações é um dos nossos objetivos enquanto JE, colocando nossos dons a serviço de Deus. Para tanto, precisamos tomar consciência de que as vocações que compõem nossa identidade particular são mais fortes conjuntamente, constituindo a nossa identidade de JE, a partir dos laços que constituem o nós.
Quando se fala a palavra “nós”, não se está falando apenas de muitas pessoas juntas. Nós é vínculo. Nós é responsabilidade compartilhada. Nós é quando a vida de uma pessoa depende da outra, e esta depende da Terra. Na fé cristã, aprendemos a chamar Deus de Pai e Mãe da vida, mas às vezes esquecemos que isso nos torna irmãs e irmãos entre nós e parentes da Criação.
Vamos agora segurar o pedaço de barbante que nos foi dado e dizer uma palavra ou imagem que nos vem quando escutamos “Nós” (por exemplo, cuidado, confusão, laços, amizade, luta, rede, afeto, família, planeta etc.). Enquanto falamos, conectamos os fios no centro, criando uma teia, amarrando um fio ao outro (é interessante tentar conectar os fios com direções opostas, a fim de que não sejam dispostos de maneira linear, o que permitirá a formação de uma rede com mais conexões). Nenhum fio sustenta sozinho. O nó nasce do encontro. Ainda segurando os fios, refletimos: essa teia que formamos aqui é uma imagem bonita do que a Bíblia chama de “corpo” –muitos membros, mas um só corpo. Quando um sofre, todos sofrem. Com isso, vamos levantar-
nos e segurar os fios, cada qual em um ponto próximo ao nó que deu. Conforme cada verso é dito, uma ou duas pessoas podem puxar o barbante, esticando a rede:
Quando uma floresta queima, queima junto a ancestralidade;
Quando uma comunidade fica sem água potável, os rios já não correm nas suas veias;
Quando povos são expulsos de seus territórios, a Terra, que é casa, chora;
Quando jovens perdem a esperança, há que semear.
Perguntas para Reflexão
Quem sentiu o puxão?
Dá para alguém sair ileso?
É isso que a justiça socioambiental diz: nenhuma pessoa se salva sozinha.
A Amazônia, em 2024, teve o maior registro de queimadas: 15,6 milhões de hectares1
Em 2026, aproximadamente 33 milhões de brasileiras e brasileiros ainda vivem sem acesso regular à água potável2
Em 2024, foram registrados aproximadamente 2 mil conflitos por terra, dos quais quase 30% estavam relacionados a povos indígenas3. Pelo menos 22 territórios protegidos foram invadidos. No mesmo ano, no mundo, 123 milhões de pessoas foram deslocadas dos locais em que viviam à força4 .
Pois urge que a semente da esperança germine no coração de cada pessoa jovem, refletindo em força para puxar a rede que entrelaça todas e todos nós. As ações de cada uma e de cada um são importantes e exercem força sobre o sistema todo, sobre toda a rede que se forma a partir dos nós e de nós. Além disso, é essencial refletirmos que não apenas as coisas boas são propagadas pelos fios que nos unem, mas também as agressões à Criação de Deus refletem nesse sistema e tiram dele o equilíbrio ao qual deve tender. Pensemos nisso em cada atitude e em cada situação que vivenciamos. Puxar o nosso fio de maneira benéfica também faz com que as demais pessoas sintam esse “puxão” e sejam estimuladas a juntar-se aos nós e a nós – caminhando no sentido de um mundo melhor.
1 https://bit.ly/area-queimada-no-brasil-em-2024-supera-media-historica.
2 https://bit.ly/falta-de-acesso-agua-potavel-atinge-33-milhoes-de-pessoas-no-brasil
3 https://bit.ly/conflitos-campo-cpt-2024-segundo-ano-mais-violento
4 https://bit.ly/acnur-mundo-tem-mais-de-123-milhoes-de-pessoas-deslocadas-forca
Para Pensar
Onde o Nós está ferido hoje?
Onde ele já está sendo reconstruído?
Qual é o seu nó nessa rede?
Cantos à Criação
Agradecemos gentilmente:
Almoço/intervalo
Cantos à Criação
Estações
Caminhos
Caminhos de dentro, caminhos ao longe, caminhos tortos, retos e sinuosos, caminhos.
Os caminhos de ar que com as nuvens levam chuva lá onde precisa.
Os caminhos de terra que levam comunidades de longe para os cultos de domingo.
Caminhos de água que seguem o fluxo e se encontram lá no mar e depois voltam outra vez para o caminho.
Caminhos de fogo que espantam, mas aquecem quem senta ao redor dele para contar e ouvir histórias.
Leitura bíblica: Lucas 24.13-18
Meditação escrita pela Pastora Ana Isa dos Reis Costella, Coordenadora de Liturgia da IECLB, para o Seminário Nacional de Diaconia, adaptada por Natan Schumann e Savanna Sullivan para a COP da JE.
Naquele mesmo dia, dois dos seguidores de Jesus estavam indo para um povoado chamado Emaús, que fica a mais ou menos 10 quilômetros de Jerusalém. Eles estavam conversando a respeito de tudo o que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus chegou perto e começou a caminhar com eles, mas alguma coisa não deixou que o reconhecessem. Então Jesus perguntou:
– O que é que vocês estão conversando pelo caminho?
Eles pararam, com um jeito triste, e um deles, chamado Cleopas, disse:
– Será que você é o único morador de Jerusalém que não sabe o que aconteceu lá, nestes últimos dias?
Entre Jerusalém e Emaús há um caminho. Emaús era uma vila ou pequena cidade nos tempos de Jesus. Atualmente, existem duas vilas próximas, em ruínas, que disputam a exatidão do local, ainda que a maioria das pessoas estudiosas permaneça com certa localização como sendo a mais correta. Se assim for, conforme cálculos revelados pela arqueologia, Emaús ficava a uns 13 km de Jerusalém. Em sua geografia, o caminho se assemelhava a um deserto de seixos, caracterizado por uma superfície dura e pedregosa, onde a areia e a poeira mais finas foram removidas pelo vento, deixando para trás fragmentos de rocha do tamanho de seixos e blocos. A vegetação era pouca, conservando-se ciprestes, caatinga de cactos, espinheiros e oliveiras. Algumas pesquisas relatam vestígios arqueológicos em Emaús, incluindo uma fortaleza helenística e um balneário romano bem preservados.
Caminhos são metáforas da própria vida. Descrevem trajetos e trajetórias. Ajudam-nos a recontar histórias e nos impulsionam a caminhos de esperança, acolhimento e inclusão. Somos povo do caminho e a caminho. Confiamos em um Deus que se fez caminho.
Quando falamos de mudanças climáticas e de justiça climática, nós também nos encontramos em um caminho. Já não estamos mais no início desse caminho, mas tampouco chegamos ao seu final. Sabemos que a ciência tem uma estimativa bastante certeira sobre quando começaram as mudanças climáticas chamadas antropogênicas, geradas pelo ser humano: na Revolução Industrial e no início da exploração de combustíveis fósseis.
Hoje nos encontramos aqui, entre 150 e 200 anos depois da primeira Revolução Industrial, vivendo os resultados da exploração que veio junto com ela. Colhemos e vivemos diante das inovações resultantes desse processo, mas o que já perdemos nesse caminho? Quem tem mais facilidade de acessar o produto dessa revolução? Quem se beneficiou e quem foi prejudicado por isso?
Nós lembramos aqui das crianças que trabalharam nas primeiras fábricas em cargas horárias desumanas e de todas as trabalhadoras que já se sufocaram com o ar poluído. Lembramos dos povos que foram colonizados para que seus territórios pudessem ser explorados como fonte de matérias-primas e que, além das vidas devastadas, tiveram sua natureza corrompida. Lembramos dos povos indígenas forçados a submeter-se à dita civilização, que tiveram suas terras roubadas e, aos milhões, suas vidas ceifadas pela violência. Lembramos dos povos que sofrem no Brasil, na América Latina e no mundo os efeitos das mudanças climáticas e que sofrem catástrofes ambientais, que se tornam cada vez mais um risco conforme a mudança do clima não é freada. Lembramos das nossas irmãs e irmãos dos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina que sofreram, há poucos meses, os efeitos devastadores de um tornado; lembramos das vidas perdidas no Rio Grande do Sul nas grandes cheias de 2023 e 2024; lembramos das queimadas e secas severas na Amazônia e no Nordeste, muito influenciadas pelos fenômenos El Niño e La Niña. Lembramos sobretudo que clima e gente, que o planeta e as pessoas estão intrinsecamente conectados.
Quando falamos de mudanças climáticas e de justiça climática, o caminho pode parecer muitas vezes desperançoso. Sabemos que as estimativas não são positivas e sentimos que, muitas vezes, mesmo gritando, as pessoas que sofrem não são ouvidas. Ainda assim, insistimos, persistimos, resistimos e caminhamos por este caminho.
Refletindo sobre a trajetória pessoal em relação à justiça climática, pense: como eu descreveria o meu caminho até Emaús?
As primeiras pessoas cristãs eram chamadas de “as do caminho”. Ainda hoje, somos pessoas a caminho. Assim como essas duas pessoas do caminho de Emaús, em nossa caminhada da vida nós nos alegramos, nos encorajamos, experimentamos frustrações, tristezas, partilhas e arrependimentos. As duas pessoas de Emaús nem perceberam que alguém tinha chegado e caminhava ao lado, sabe-se lá há quanto tempo. Às vezes, para nós, em se tratando de muitas questões, também sobre a Igreja, parece que, ao invés de avançarmos, estamos retrocedendo. Tantas vezes não percebemos quem caminha conosco, não reconhecemos a presença do próprio Jesus enquanto percorremos os mais diferentes caminhos no cotidiano da vida pessoal e comunitária.
Nos caminhos que seguem, passaremos por volta de 40 minutos caminhando e refletindo, semeando e colhendo, sendo terra que sustenta, mas também água que movimenta, ar que inspira e fogo que aquece.
Caminhos de Terra
A Terra está aquecendo, sua biodiversidade está em declínio, seus sistemas naturais de carbono e água estão sobrecarregados e muitos limites ecológicos essenciais já foram ultrapassados. A temperatura média da superfície terrestre continua em níveis recordes, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, marcando um período de aquecimento contínuo que ultrapassou o simbólico limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais nos últimos três anos
(2023-2025). Esse aumento impulsiona eventos climáticos extremos, derretimento de gelo polar, elevação do nível do mar e estresse sobre ecossistemas naturais.
Até 1 milhão de espécies de plantas e animais enfrentam risco de extinção por causas humanas (como destruição de habitat, poluição, uso de agrotóxicos e mudanças climáticas), e estimativas indicam quedas severas em populações de fauna e flora globalmente5.
Sessenta por cento da área terrestre do mundo está em estado precário6 .
O relatório Planetary Health Check 2025, desenvolvido pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, confirma que a Terra ultrapassou sete dos nove limites planetários fundamentais para a estabilidade da vida, entre os quais estão7:
Mudanças no uso da terra do planeta: desmatamento e a conversão de ecossistemas naturais em áreas agrícolas ou urbanas, que estão destruindo habitats e afetando a regulação climática;
Mudanças climáticas: diretamente ligadas ao aumento da temperatura devido à poluição por gases do efeito estufa. Além dos níveis seguros, já atingem a zona de alto risco;
Biodiversidade: extinção de várias espécies, causada pela degradação dos habitats naturais e pela exploração excessiva dos recursos. Também em alto risco;
Ciclo do nitrogênio e do fósforo: uso excessivo de fertilizantes, que prejudica a qualidade da água e afeta os ecossistemas aquáticos. Igualmente em alto risco;
Uso de água doce: demanda crescente por água em várias regiões, que está se aproximando de níveis críticos;
Poluição química por compostos como microplásticos: acúmulo de produtos químicos tóxicos no ambiente, representando uma ameaça crescente à saúde humana e à biodiversidade;
Acidificação dos oceanos: relacionada ao aumento de CO₂ na atmosfera, que torna os oceanos mais ácidos, prejudicando a vida marinha e os recifes de corais.
Restam apenas dois limites: os aerossóis na atmosfera e a camada de ozônio, que já vinha sendo afetada, mas ações internacionais ajudaram a protegê-la.
Se os biomas do Brasil falassem da terra que os compõe, suas vozes viriam do chão, das raízes e dos microrganismos invisíveis. A Amazônia diria que seu solo é antigo, fino e vivo, que depende da floresta em pé para existir e que, quando as árvores caem, a terra se cansa, se lava nas chuvas e vira
5 https://bit.ly/area-queimada-no-brasil-em-2024-supera-media-historica.
6 https://bit.ly/area-queimada-no-brasil-em-2024-supera-media-historica.
7 https://bit.ly/area-queimada-no-brasil-em-2024-supera-media-historica.
poeira sem memória; o Cerrado falaria com firmeza, dizendo que guarda na profundidade do solo sua força, raízes longas, águas subterrâneas, sementes resistentes, mas que o veneno e o fogo frequente ferem sua pele e interrompem o ciclo que sustenta rios distantes; a Caatinga contaria que sua terra é dura só na aparência, que nela há vida adaptada à escassez e que a degradação e o uso excessivo transformam resistência em desertificação; a Mata Atlântica diria que sua terra foi partida, compactada e coberta de concreto e que, ainda assim, tenta nutrir florestas, alimentos e cidades; o Pantanal lembraria que sua terra precisa da água para respirar, que sem o pulso das cheias o solo racha, a matéria orgânica queima e a vida se perde em silêncio; e o Pampa diria que seus campos vivem de um solo frágil, moldado por gramíneas e ventos, e que, quando a terra é revolvida demais, ela escorre, empobrece e apaga paisagens inteiras. Juntas, essas vozes diriam que a terra não é chão morto nem mercadoria, é corpo vivo – e, quando é ferida, toda a vida que dela brota sangra junto.
Reflexão
Elaborado por:
Carine Josiéle Wendland, Paróquia de Ferraz/RS, Sínodo Centro-Campanha Sul, representante no CONAJE; Lorenz Nasário Wendland, agricultor e membro da paróquia de Ferraz, Sínodo Centro-Campanha Sul.
Música
(Acender a vela)
“Tomou, pois, o Senhor Deus o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.” É em nome desse Deus, que é Pai e Mãe, Filho e Espírito Santo que nos reunimos hoje aqui, amém.
(Enquanto se entrega a argila) É sobre esse cultivar que conversaremos um pouco hoje. Fiquem à vontade para manusear esta argila enquanto meditamos. Não somos nós que a moldamos, mas é ela que nos molda. Da mesma terra que viemos, voltaremos. E como diz o indígena Ailton Krenak, “o futuro é ancestral porque já estava aqui”. A água que hoje bebemos já estava aqui, participou de muitos ciclos, a terra também, não há um fora no planeta, por isso esse pedaço de argila é ancestral.
Lemos agora o Evangelho de Mateus 13.3-9. Que terra você é?
Você é caminho?
Você é rocha?
Você é espinho?
Você é terra boa?
O teólogo alemão Helmut Thielicke, no livro Mosaico de Deus, reflete que, na verdade, não somos um tipo de terra, mas somos todos os solos ou um pouquinho de cada terra. Nas suas palavras, “a verdade é que todos temos dentro de nós as quatro espécies de campo. Em certos períodos de nossa vida, em certas camadas do nosso ‘eu’, somos todos, ao mesmo tempo, caminho, terra rochosa, terra com espinhos e terra fértil”, porque, diz ele, “há pessoas superficiais por natureza” (primeiro tipo de terra), “outras são possuídas de vitalidade extraordinária”, segundo tipo, “as pessoas inconstantes”, como terceiro tipo, e, finalmente, o último, o solo fértil.
Assim, por vezes, ouvimos e não entendemos a Palavra, ouvimos com alegria, mas a falta de raiz, com angústias ou perseguição por causa da Palavra, também não faz germinar a semente. Outras vezes ouvimos, mas o mundo e seu brilho, as riquezas, logo a tiram de nós. Mas quando ouvimos e compreendemos, então, sim, é uma semente que frutifica.
A semente, é bom mencionar, é uma só: a boa semente, a Palavra (se distribui a semente).
Trabalhar. É a constatação do teólogo Helmut Thielicke: há que trabalhar. E lembra que Jesus diz: “arranquem os espinhos! Cuidem para que a semente não caia no caminho! Vejam se são pessoas com camada de terra fina demais, na qual a semente não pode criar raízes. Sejam terra fértil!” Há que trabalhar pela JE. Entendemos esse trabalhar como cultivar. Cultivar JE. Cultivar afetos, fé, esperança e amor, amor como ato concreto. Cultivar requer trabalho, mas um trabalho cuidadoso, tal como cuidar de um jardim florido.
Que terra nós queremos ser, afinal?
Em meio às dificuldades que se apresentam, durante os desafios do dia a dia, durante os dilemas de nossas vivências?
Que terra você quer ser?
Sigamos sendo terra fértil, e que a ação de cultivar cada dia nos leve a ser cada vez mais a terra boa.
No desafio de pensar em que terra você quer ser, de que terraS, de pensar nessa terra boa, pode moldar a sua própria identidade luterana nesse barro, com espaços que promovam paz e vida digna.
Que o processo de Cultivar JEs promova a paz.
O grupo troca entre si e conversa sobre a terra que quer ser para o cultivo da JE.
Caminhos de Água
As águas do Brasil, compostas por rios, lagos e aquíferos, hoje contam uma história preocupante de risco à vida: existem mais de 80 milhões de toneladas de plástico no mar, com um total de resíduos ainda maior8. Somente o Brasil, anualmente, despeja 1,3 milhão de toneladas nos caminhos de água9 . Cerca de 110.000 km de rios estão sufocados por carga orgânica de esgotos sem tratamento e, desse total, cerca de 83.450 km tornam-se impróprios para captação potável10. A isso se somam novos contaminantes químicos emergentes que escapam aos sistemas de tratamento tradicionais, toxinas silenciosas que atravessam peixes, plantas e tecidos humanos, os microplásticos e tantos outros que se mesclam ao que um dia era cristalino.
Somente 12% dos pontos monitorados de água no Brasil têm qualidade classificada como excelente, segundo o relatório mais recente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico11; 63% estão em condições boas, mas 13% são regulares, 9% ruins e 3% péssimas, com piora em áreas urbanizadas.
As águas já não cantam apenas seu fluxo natural; elas pedem socorro, dizem que não querem ser mais esgoto e veneno, que desejam voltar a correr límpidas e vivas por vales e cidades, para que cada gota seja um espelho da saúde da vida e não o contrário.
No caminho das águas, a Amazônia murmuraria que está turva de mercúrio do garimpo, de sedimentos do desmatamento e de esgoto que chega às cidades ribeirinhas, dizendo que seus peixes já não respiram como antes e que povos inteiros adoecem junto com os rios; o Cerrado sussurraria que suas nascentes, que são berço das grandes bacias do país, estão sendo envenenadas por agrotóxicos e assoreadas pelo solo exposto, avisando que, quando ele seca e se contamina, o país tem sede; a Caatinga falaria, com voz curta e quente, que cada poluição pesa mais onde a água já é pouca, que açudes e rios intermitentes carregam esgoto e salinização, tornando a sobrevivência mais dura para gente, plantas e animais; a Mata Atlântica lembraria que abriga uma intrincada rede de bacias hidrográficas formadas por grandes rios, que correm entre cidades e indústrias, recebendo diariamente esgoto, resíduos químicos e plásticos, e que, mesmo fragmentada, ainda tenta sustentar milhões de pessoas; o Pantanal diria que suas águas, quando chegam carregadas de cinzas, agrotóxicos e sedimentos, matam peixes em massa e quebram o ritmo ancestral das cheias e vazantes; e o Pampa contaria que seus arroios e banhados sofrem com fertilizantes, drenagens e perda de qualidade, apagando lentamente formas de vida pouco vistas, mas essenciais. Juntas, diriam que “não somos apenas recurso, somos corpo vivo do território, somos as veias do Brasil”.
8 https://bit.ly/existem-mais-de-80-milhoes-de-toneladas-de-plastico-no-mar
9 https://bit.ly/brasil-lanca-por-ano-13-milhao-de-toneladas-de-plastico-no-oceano
10 https://bit.ly/atlas-esgotos-revela-mais-de-110-mil-km-de-rios-com-comprometimento
11 https://bit.ly/relatorio-da-ana-apresenta-situacao-das-aguas-do-brasil
Leitura de Amós 9.6
Canção
Somos el barco
Somos el mar
Yo navego en ti
Tu navegas en mi
Reflexão
Reflexão do guia de devocionários da rede de Jovens da América Latina e Caribe, elaborado por Fernanda Zúñiga, jovem da Igreja Luterana do Chile.
O cuidado com a Criação é composto por diversas áreas, tais como o cuidado com as áreas verdes, os animais e as águas, entre outras. A água é um elemento vital, é o que permite que a Terra seja habitável. É um elemento que às vezes acreditamos ser inesgotável, já que a maior parte da superfície terrestre está coberta por ela. No entanto, não temos consciência de sua importância até começarmos a viver situações críticas: secas intermináveis, incêndios descontrolados por falta de chuvas, morte de animais, esterilidade da terra, queda na produção. Estas são apenas algumas das consequências da falta de água.
Ele construiu no céu a sua morada e estabeleceu a sua expansão sobre a terra; Ele chama as águas do mar e sobre a face da terra as derrama: Jeová é o seu nome.
Os rios são grandes protetores da biodiversidade, mas também são uma fonte de vida. Desde tempos imemoriais, o ser humano se estabeleceu em locais próximos a rios ou a locais com água. O Nilo, o Ganges, o Tigre e o Eufrates são apenas alguns exemplos. A água é um elemento vital não só para o ser humano, mas também para os animais e a vegetação que dela necessitam diariamente, além de ser utilizada como meio de transporte.
Mas a água também tem um significado espiritual: com água somos batizadas e batizados, na água renascemos.
Como pessoas de fé, damos uma importância especial à água, não apenas por seu valor espiritual, mas também porque sabemos de seu papel vital para manter viva a Criação.
Deus separou as águas sobre a superfície da terra; a partir da água tudo é abençoado. No entanto, como humanidade, contaminamos as águas, secamos rios e lagos e, onde antes havia verde, hoje há poeira.
Estamos conscientes de que Deus nos entregou a Criação para protegê-la? Que mundo queremos deixar para as gerações futuras? Estas são perguntas que devemos nos fazer como cristãs e cristãos, como seres humanos. A água é parte do que nos foi entregue em mordomia e um dos bens mais preciosos. Onde há água, brota a vida. Basta pensar que, para que uma planta cresça saudável e forte, devemos regá-la suficientemente. Por outro lado, se essa planta sofrer de sede, crescerá fraca e provavelmente morrerá.
Hoje quero convidar você a refletir sobre o uso que estamos dando a este recurso: está consciente da quantidade de água que utilizamos? Você está ciente de qual porcentagem dela você desperdiça ou se você realiza pequenas ações para evitar desperdiçá-la? Às vezes, pode parecer repetitivo ouvir que se deve fechar a torneira enquanto escova os dentes ou não deixar tanta água correndo enquanto toma banho.
Mas, além dessas, existem outras pequenas ações que podemos realizar para utilizar conscientemente esse recurso. Por exemplo, se você ferver legumes, pode deixar a água esfriar e regar as plantas, proporcionando-lhes vitaminas e minerais.
Sejamos conscientes do que estamos fazendo para cuidar da água, sejamos conscientes da importância que ela tem. A água dá vida, mas, ao ritmo em que vamos, a escassez ou perda de água pode causar a perda de vidas. Há países e lugares onde a escassez de água é tanta que os animais morrem e a vegetação já não existe. A desertificação é uma realidade.
Cuidemos dessa água que dá vida, desses rios em cujas margens cresce uma vegetação majestosa que abriga centenas de espécies de animais; desses lagos que são grandes reservas de água e que dia após dia diminuem devido à falta de chuvas.
Perguntas para debate
Qual é o significado da água para você?
Como a água faz parte da sua fé?
O que a passagem bíblica lhe diz sobre Deus e a água?
Com o que você contribuiria para o cuidado da água?
Que pequenas ações em sua comunidade poderiam ajudar a reduzir o gasto de água?
Canção
Somos el barco
Somos el mar
Yo navego en ti
Tu navegas en mi
Sugestão de Dinâmica
Material: folhas de papel.
Atividade: confeccionar barcos de papel.
Reflexão: Deus nos convida a pescar gente para auxiliar no cuidado com a Criação; que possamos atuar como barcos que atravessam os mares da vida, espalhando redes de esperança que não capturem, mas unam em amor e bondade.
Caminhos de Ar
Os dados atuais indicam que a poluição do ar segue como uma crise silenciosa e persistente: globalmente, apenas 17% das cidades atendem às diretrizes da Organização Mundial da Saúde para partículas finas (PM₂,₅), enquanto no Brasil a concentração média anual em 2024 foi de cerca de 14,9 µg/m³, quase três vezes acima do limite recomendado conforme o IQ Air12, com picos frequentes em áreas urbanas e regiões afetadas por queimadas.
Em termos de saúde pública, a exposição a esses poluentes, advindos principalmente do tráfego, da indústria, da queima de combustíveis fósseis e do fogo sobre florestas e campos, esteve associada a aproximadamente 95 mil mortes no Brasil em 2024, conforme o Ministério da Saúde (2025)13. Essa exposição afetou sobretudo crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares, o que revela que o ar que respiramos carrega não apenas partículas invisíveis, mas também profundas desigualdades socioambientais e um custo humano elevado.
Se os biomas falassem do ar que lhes perpassa, suas vozes seriam feitas de vento, fuligem e memória. A Amazônia diria que seu ar já não é só vapor de chuva e respiro verde, mas fumaça de queimadas e gases que adoecem folhas, animais e gente; o Cerrado contaria que respira poeira e fuligem por longos meses; a Caatinga falaria de um ar quente e seco, cada vez mais pesado; a Mata Atlântica suspiraria entre indústrias, dizendo que seu ar mistura maresia, poluentes e partículas finas que cobrem folhas e pulmões; o Pantanal lembraria que, quando o ar vem carregado de fumaça, os animais fogem ou sucumbem, e o ritmo das cheias perde o compasso; e o Pampa diria que ventos antes limpos agora levam fertilizantes, poeira e poluição. Juntos, os biomas diriam que o ar não é vazio, mas corpo comum e, quando ele se torna tóxico, todos respiram a mesma ferida.
Reflexão
Vivemos um tempo em que o mundo fala alto demais: a pressa, o consumo incessante, o barulho das cidades e das redes. Em meio a tantas vozes, a Terra, que também fala, quase não é escutada. A floresta clama quando arde em chamas, os rios se manifestam ao transbordar, os
12 https://www.iqair.com/mx-en/brazil
13 https://bit.ly/brasil-apresenta-avancos-na-vigilancia-de-populacoes-expostas-a-poluicao-do-ar
ventos chegam cada vez mais intensos, e a Criação inteira, como lembra o apóstolo Paulo, geme como em dores de parto (Romanos 8.22), aguardando redenção.
Ao som do ruído constante, faz-se importante escutar. Escute o som do vento e preste atenção no que ele diz.
Dinâmica: O Grande Vento Sopra
Em Gênesis 2.7 lemos: Então do pó da terra o Deus Eterno formou o ser humano. Ele soprou no seu nariz uma respiração de vida, e assim esse ser se tornou um ser vivo.
O ar, na Bíblia, é mais do que um elemento invisível: é sinal do sopro de Deus que gera, sustenta e renova a vida. Em Gênesis 2.7, Deus forma o ser humano do pó da terra e sopra em suas narinas o fôlego de vida (ruach), revelando que viver é, antes de tudo, respirar o dom divino. Esse mesmo ruach aparece como vento que paira sobre as águas na criação (Gênesis 1.2) e como Espírito que anima, consola e transforma.
O ar, portanto, não é neutro: ele carrega a memória da Criação e a presença de Deus que circula entre todos os seres. Quando o ar é contaminado, o que se fere não é apenas o corpo, mas o próprio dom compartilhado do sopro, que não pertence a ninguém em particular. Cuidar do ar é um ato de fé e justiça, pois significa preservar aquilo que Deus oferece igualmente a todas as criaturas, lembrando-nos de que cada respiração é oração silenciosa e compromisso com a vida comum.
No segundo dia, Deus criou o firmamento, chamando-o de “céu” ou ar, para separar as águas de baixo.
O sopro de Deus e o Espírito: a palavra hebraica ruach significa vento, sopro, ar ou espírito.
Caminhos de fogo
Ao olhar a série histórica, vemos que a média anual de área queimada no Brasil até 2023 girava em torno de 16 a 17 milhões de hectares por ano, equivalente à superfície de países inteiros, com muito do impacto recaindo sobre vegetação nativa, como florestas da Amazônia, savanas do Cerrado e campos naturais. Em 2024, esse número saltou para cerca de 30,8 milhões de hectares, muito acima da média histórica e marcado por megaincêndios que consumiram florestas e savanas, principalmente na Amazônia e no Cerrado, representando uma ameaça direta à biodiversidade, uma vez que esses biomas abrigam milhares de espécies endêmicas de plantas, animais e microrganismos. A Amazônia sozinha, um espaço global de biodiversidade com aves, mamíferos e insetos únicos, teve mais da metade da área total queimada naquele ano, um fogo que não só destrói árvores e vegetação, mas também mata espécies inteiras, reduz populações de onças-pintadas, araras e serpentes e fragmenta habitats essenciais à sobrevivência de inúmeras formas de vida. O ano de 2024 não foi somente alarmante no número de queimadas, mas mostrou-se o ano mais quente já registrado, com 1,55 ºC acima dos níveis pré-industriais 1850-190014.
14 https://bit.ly/onu-confirma-2024-como-o-ano-mais-quente-ja-registrado
Se as árvores falassem, o Cerrado diria que queima rápido porque é aberto, mas que cada fogo leva junto raízes profundas, insetos invisíveis e o solo que sustenta as águas do Brasil; a Amazônia sussurraria que não nasceu para arder e que cada chama rompe ciclos de chuva, mata árvores centenárias e silencia aves e povos; a Caatinga lembraria que, mesmo resistente, o fogo excessivo empobrece a terra e empurra comunidades humanas e não humanas para a escassez; a Mata Atlântica choraria, dizendo que cada foco elimina refúgios raros de biodiversidade já cercados por cidades; o Pantanal gritaria que o fogo mata em massa – jacarés, capivaras, onças, ninhos inteiros – quando chega fora do tempo da água; e o Pampa diria baixinho que suas gramíneas também guardam vida e que queimar demais é apagar paisagens culturais e ecológicas únicas. Juntas, essas vozes revelam que o fogo não é só número, mas biodiversidade queimada, relações rompidas e futuros encurtados.
Se as árvores falassem, diriam que o fogo não é apenas uma perda de área, mas é grito de vida silvestre silenciada, de raízes carbonizadas, de formigas que nunca mais marcharão, de frutos que não alimentarão pássaros e de rios que carregam cinzas em vez de água cristalina. O fogo consome indivíduos, mas também quebra relações ecológicas ancestrais entre espécies e seus ambientes, transformando mosaicos vibrantes de vida em cicatrizes silenciosas de carbono e saudade.
Dinâmica
Material: velas e um isqueiro ou fósforo.
Atividade: uma pessoa começa com sua vela acesa e depois acende a vela do próximo, sem apagar a sua, até que todas e todos tenham suas velas acesas.
Reflexão: Compartilhar a Palavra de Deus, ajudar a quem está próximo e cuidar da Criação de Deus não diminui o nosso brilho; ao contrário, aumenta a luz geral. O fogo de Deus foi feito para ser compartilhado, não para destruir, mas para arder no nosso interior a vontade de contribuir com o cuidado e fazer com que ele brilhe em ações positivas para a Terra, nossa Casa Comum.
Memórias de Uma Velha Árvore
Elaborado pela equipe de Coordenação Juvenil, Iglesia Evangélica del Río de la Plata, Argentina
Lembro-me daquele passado, quando era apenas uma criança. A natureza me dava comida e nutrientes para crescer forte e viver junto com minhas companheiras. Éramos muitas, uma comunidade de diferentes espécies e tipos, assim como eram muitos os pássaros que pousavam em nossos galhos, que faziam seus ninhos para se proteger e formar uma família.
Experimentávamos todos os climas. A primavera e o verão, quando desfrutávamos de nossas folhas e frutos; o outono, quando aos poucos elas caíam e formavam redemoinhos voando com o vento; e também vinha o frio. Não se engane, o inverno realmente nos deixava nuas!
Eu gostava do verão, porque tínhamos bastante água para beber e também porque vinham nossos amigos humanos, as crianças com quem brincávamos algumas tardes
Às vezes, eu era o esconderijo de uma menina ou um menino, para que ninguém o encontrasse; outras vezes, era a meta da corrida de uma e de outro. O que dizer, minha amiga, meu amigo? Aqueles eram tempos felizes.
Mas, de repente, começou a faltar um pouco de água; não chovia mais como antes e os verões se tornavam intermináveis. Havia também o outro extremo: tivemos uma época em que choveu tanto que sofremos muito. Não entendíamos nada; o clima estava louco. De repente, tudo parecia sombrio. Começaram a surgir momentos piores. As crianças não vinham mais brincar. Sentíamos que nunca mais recuperaríamos aqueles tempos.
Um dia aconteceu algo terrível. Vimos ao longe uma névoa escura que não nos permitia admirar a paisagem de sempre. Minhas amigas, as mais altas, tentavam se esticar para descobrir o que era, mas, quanto mais se aproximava, menos podíamos ver, e também não podíamos respirar. Naquele momento percebemos: era fumaça.
Todas cheias de terror, não tínhamos outra alternativa senão ficar onde estávamos, apoiandonos como companheiras. Foram muitos dias de fogo. Minhas velhas amigas ardiam em chamas, e eu me sentia muito impotente, porque não podia fazer nada.
O fogo se aproximava cada vez mais e queimou por vários dias. Você vê tudo o que há ali? São cinzas, carvão. Marcas que o fogo deixou para sempre. Depois do que foi um longo tempo para mim, as chamas se apagaram. E aqui estou eu, velha e triste, além de um pouco doente.
Meu maior desejo é que isso nunca aconteça com você. Que você possa viver muitos anos feliz ao lado de suas companheiras e companheiros, e que venham mais meninas e meninos, e que os pássaros voltem a pousar aqui. Que a Criação possa se recuperar e que voltemos a ser felizes.
Perguntas para Discussão
Após essa pequena história, convidamos você a pegar um pedaço de carvão em suas mãos (passa-se carvão para todas as pessoas presentes).
Sinta-o, cheire-o e observe o que o carvão produz ao tocá-lo.
A partir disso, reflitamos:
O que você vê em sua mão depois de ter tocado o carvão?
Que sensação isso lhe causa?
Atividade
Agora, propomos lavar nossas mãos em algum recipiente com água, sem sabão. A partir disso, perguntamos:
Você conseguiu limpar completamente suas mãos?
Como podemos relacionar isso com a contaminação em nosso ambiente e com a natureza?
Como pessoas jovens, de que maneira podemos contribuir para a construção de um mundo melhor para viver?
De acordo com a ONU, desde o século XIX, as atividades humanas têm sido o principal motor das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. Esses combustíveis fósseis geram emissões de gases de efeito estufa que retêm o calor do sol e elevam as temperaturas. As concentrações de gases de efeito estufa estão nos níveis mais altos dos últimos 2 milhões de anos. E as emissões continuam a aumentar. Como resultado, a Terra está agora aproximadamente 1,1 °C mais quente do que no final do século XIX.
A acumulação, a ganância e a busca pelo lucro tomaram conta do ser humano em detrimento dos ecossistemas naturais.
O barulho, a multidão, os carros em alta velocidade, a rotina, os milhares de cheiros misturados... corremos para não chegar atrasadas e atrasados, vivemos apressados, angustiados, somos como o carvão que deixa marcas em todos os lugares. Todo esse panorama violento e desordenado parece tão distante e afastado do paraíso. No início, Deus viu que tudo era bom; nossa missão como criaturas consistia em “cultivar e cuidar” (Gênesis 2.15).
Cantos à Criação
Oração pela Criação
Pedimos que se forme um círculo para orar.
Deus de bondade, Pai e Mãe de todos os povos e de toda a vida, olha tuas filhas e filhos aqui reunidos, ...
(neste momento, cada pessoa é convidada a dizer o nome de alguém-árvore da sua família ou círculo familiar, de estudos em quem se inspira a cuidar da Criação, como parte dos povos da Terra e de memórias da ancestralidade. Por exemplo, agradeço a Deus por [nome de alguém] que me inspirou a cuidar da Criação…)
(segue-se orando) ... derrama sobre o universo inteiro o dom generoso do teu Espírito, renova a face de toda a Terra que sofre e geme a dor da devastação e da destruição. Ilumina os corações de mulheres e homens e acende neles o fogo do teu amor, para que sejam defensoras e defensores da vida e façam germinar a Terra sem Males, o bem viver, que vem a cada manhã. Ilumina para que cuidemos da tua terra, das tuas águas. Sopra o ar do teu Espírito sobre nós. Te pedimos por teu filho Jesus que vive e reina contigo e conosco na unidade do Santo Espírito. Amém.
Dinâmica Final
Como forma de cativar todas e todos para o cuidado com a Criação de Deus, propomos o plantio de uma araucária, símbolo de vida, resistência e conexão ancestral para os povos indígenas, e que a enxerguemos também como nossa irmã - já que no início do dia, quando nos apresentamos fomos todas e todos árvores - como parte da Criação de Deus.
Bênção e envio
Que o caminho venha ao teu encontro.
Que o vento sempre sopre às tuas costas, e a chuva caia suave sobre teus campos.
E, até que voltemos a nos encontrar, que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.
Elaborado por:
Carine Josiéle Wendland, Paróquia de Ferraz/RS, Sínodo Centro-Campanha Sul, representante no CONAJE; Gabrielle Ücker Thum, Paróquia Emanuel de Cerrito Alegre, Pelotas/RS, Sínodo Sul-rio-grandense. Mateus Zilch Scheuermann, Paróquia de São Pedro do Sul/RS, Sínodo Centro-Campanha Sul; Carlos Vinicius Schaffel, Paróquia de Domingos Martins/ES, UP JUCU, Sínodo Espírito Santo a Belém; Lorenz Nasário Wendland, agricultor e membro da paróquia de Ferraz, Sínodo Centro-Campanha Sul;
Subsídio 02
Reconhecendo Nossas Atitudes
Em um mundo repleto de desafios, falar de meio ambiente se tornou muito necessário.
Aprender a identificar e saber agir quando uma atitude impacta o meio em que vivemos é a forma que encontramos para impactar os jovens a refletir sobre a Criação.
Pergunta de Abertura
A pessoa responsável pela condução pergunta ao grupo: “Que atitudes eu tive que prejudicaram a Criação/meio ambiente?”
Passos
As pessoas respondem espontaneamente.
Anotar as respostas em cartolina, papel grande ou no grupo de WhatsApp da JE (optar por métodos sustentáveis).
Ler algumas das respostas e refletir sobre como atitudes simples têm impacto real.
Conexão Bíblica
Ler o versículo: Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores (Apocalipse 7.3). 1. 2. 3.
Breve Reflexão Orientada
Deus nos chama a cuidar da Criação, e não a destruí-la.
Muitas atitudes prejudiciais são feitas por hábito, desconhecimento ou descuido.
Ao reconhecer nossas ações, Deus nos convida à mudança: arrependimento e transformação.
O cuidado com as pessoas próximas também se manifesta no cuidado com o mundo que habitamos.
Dinâmica Principal – Atitudes que Podemos Ter
Uma atividade interativa, divertida e educativa, centrada em mímicas guiadas e no efeito dominó dos impactos ambientais.
Preparação
Dividir o grupo em quatro grupos menores.
Escolher uma pessoa a ser vendada em cada grupo.
O grupo orienta a pessoa vendada, que não sabe qual mímica fará.
As mímicas podem ser adaptadas ao contexto local.
Sugestões de Mímicas
1ª Pessoa Vendada
Caminhar por uma calçada (fictícia).
Ficar indignada ao “ver” um saco plástico no chão.
Pegá-lo e colocá-lo no lixo mais próximo.
2ª Pessoa Vendada
“Passar” por uma torneira.
Orientar alguém a fechar a água enquanto não usa.
3ª Pessoa Vendada
Representar uma compra por impulso (comprando algo desnecessário).
4ª Pessoa Vendada
Pegar lixo e “queimá-lo”.
Como Conduzir
Fazer uma mímica por vez.
Após terminar, a pessoa vendada tenta adivinhar o que fez.
Quando acertar, deve dizer:
Qual consequência ambiental essa atitude gera?
O grupo então continua a lista de consequências:
Cada pessoa acrescenta uma nova consequência a partir da anterior;
Isso forma o efeito dominó dos impactos ambientais.
Pode ser feito como:
Competição (vence quem listar mais impactos); ou
Atividade colaborativa (criar o maior “ciclo de consequências”).
Exemplos de Efeitos Dominó
Jogar lixo no chão → poluição → entupimento de bueiros → enchentes → perdas materiais → risco à saúde.
Comprar por impulso → aumento de resíduos → maior produção industrial → mais emissão de CO₂ → aquecimento global.
Adaptações
As mímicas podem ser trocadas conforme a realidade da comunidade.
Caso não seja possível realizar mímicas, pode-se manter apenas o exercício do efeito dominó, que é elemento mais importante da proposta.
Compromisso Ambiental
Cada pessoa escreve no grupo de WhatsApp: “A partir de hoje, pelo meio ambiente, eu escolho…”
Exemplos
“Usar menos plástico.”
“Fechar a torneira enquanto escovo os dentes.”
“Separar o lixo corretamente.”
“Evitar compras desnecessárias.”
Essa etapa reforça responsabilidade pessoal, memória comunitária e continuidade do compromisso.
Oração final
Senhor da Criação, agradecemos por este encontro, pelas reflexões e pelos compromissos que assumimos hoje. Ensina-nos a cuidar da Terra com amor, responsabilidade e fé. Que possamos viver como parte da tua criação, respeitando e preservando tudo o que fizeste. Acompanha-nos em nosso caminho e fortalece nossa juventude em sua missão. Amém!”
Encerramento com o Pai Nosso
Elaborado por:
Luan Mateus Ewald, Paróquia de Benedito Novo, Benedito Novo/SC, Sínodo Vale do Itajaí, representante no CONAJE;
Leticia Dressel, Paróquia Bom Pastor, Brusque/SC, Sínodo Vale do Itajaí, representante suplente no CONAJE.
Expediente
Este material é uma publicação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), por meio da Secretaria da Ação Comunitária – Coordenação de Juventudes, em parceria com o Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE).
Elaboração
Bianca Berger Amorim, Paróquia de Santa Maria de Jetibá/ES, Coordenadora da COSIJE - Sínodo Espírito Santo a Belém.
Carine Josiéle Wendland, Paróquia de Ferraz/RS, Sínodo Centro-Campanha Sul, representante no CONAJE.
Carlos Vinicius Schaffel, Paróquia de Domingos Martins/ES, UP JUCU, Sínodo Espírito Santo a Belém.
Gabrielle Ücker Thum, Paróquia Emanuel de Cerrito Alegre, Pelotas/RS, Sínodo Sul-riograndense.
Leticia Dressel, Paróquia Bom Pastor, Brusque/SC, Sínodo Vale do Itajaí, representante suplente no CONAJE.
Revisão
Luan Mateus Ewald, Paróquia de Benedito Novo, Benedito Novo/SC, Sínodo Vale do Itajaí, representante no CONAJE.
Mateus Zilch Scheuermann, Paróquia de São Pedro do Sul/RS, Sínodo Centro-Campanha Sul.
Meirlyane Peters, Paróquia de Baixo Guandu/ES, Sínodo Espírito Santo a Belém, representante no CONAJE.
Pastor Maicon Weber, Paróquia Unida, Santa Leopoldina/ES, Orientador Teológico da COSIJESínodo Espírito Santo a Belém.
Professora e Teóloga Kátlin Franciele Dickel, Coordenadora das Juventudes, Secretaria da Ação Comunitária/IECLB.
Pastor Olmiro Ribeiro Junior e Professora e Teóloga Kátlin Franciele Dickel.
Projeto gráfico, capa e diagramação: Andrei Lysik Viega.
Revisão ortográfica: Susanne Buchweitz.
© Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2026 Rua Senhor dos Passos, 202, 4º andar 90020-180 – Porto Alegre – RS Fone: (51) 3284 5400 secretariageral@ieclb.org.br www.luterano.com.br
