Skip to main content

Dia Nacional da Diaconia. Ano 14, 18 de abril de 2010

Page 1

Dia Nacional da Diaconia 18 de abril de 2010


Dia Nacional da Diaconia 18 de abril

Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia.

Caderno de Subsídios

2010


Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Secretaria Geral Secretaria da Ação Comunitária Coordenação de Diaconia Fone: (51) 3284.5400 . www.luteranos.com.br Coordenação e revisão: Diácona Leila Schwingel


Apresentação

D

esde 1997, o domingo Misericordias Domini tem sido a data em que se comemora, na IECLB, o Dia Nacional da Diaconia. Este ano, portanto, em 18 de abril, estaremos celebrando a 14ª edição. O Dia Nacional da Diaconia tem por objetivo promover a reflexão sobre diaconia nas instituições e comunidades da nossa Igreja. Diaconia é a resposta de fé em Jesus Cristo na forma de serviço em favor da humanidade e da criação. Diaconia faz parte essencial do ser igreja e é um dos eixos fundamentais do Plano de Ação Missionária da IECLB – PAMI 2008-2012. O caderno de subsídios que está em suas mãos tem como pano de fundo o lema da IECLB para 2010, “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia” (Mateus 6.11), que também é o tema central da 11ª Assembleia da Federação Luterana Mundial, a ser realizada em julho deste ano em Stuttgart, na Alemanha. Gostaria de motivar todas as comunidades para que celebrem e reflitam sobre Diaconia no culto do dia 18 de abril ou nos cultos daquela semana. A liturgia aqui apresentada também poderá ser adaptada para outras datas, a fim de que o tema “diaconia” possa ser abordado. O subsidio deste ano traz uma liturgia e uma mensagem. Além disto, mensalmente será divulgado no portal www.luteranos.com.br um relato de experiência de cuidado e uma proposta de liturgia de intercessão pelo dia mundial de oração pela Diaconia, dia 26 de cada mês. Agradecemos à Fundação Luterana de Diaconia pelo apoio na produção e distribuição deste material. Desejamos que ele seja bem utilizado e que conduza à reflexão e à ação, para que as comunidades da IECLB e as pessoas que as integram possam colocar cada vez mais sinais visíveis e concretos do reino de Deus na sociedade. Walter Altmann Pastor Presidente


4


Culto Eucarístico Dia Nacional da Diaconia

LITURGIA DE ENTRADA Prelúdio Acolhida L Estamos celebrando, hoje, o terceiro Domingo da Páscoa e o Dia Nacional da Diaconia em nossa igreja. Neste culto, onde Deus vem ao nosso encontro através da Palavra e da Ceia, gostaria de acolhê-los e acolhê-las com um verso escrito por um morador da Sociedade Evangélica Pella Bethânia, Senhor Carlos Zippel, que tem uma relação muito bonita com a terra e com o cuidado da mesma. Nasci para trabalhar, trabalhando me diverti com as belezas da natureza, que o Papai do Céu criou, apreciando a natureza que sempre me libertou. Lançando sementes na terra, opacas ou douradas, que, na lavoura do verde, brotam, o verde da esperança que alimenta a nossa gente e nosso gado. Se não é em forma de verde é em forma de semente para fazer o pão nosso de cada dia. Lançar a semente na terra é obra do Criador e abençoada por nosso Senhor. Com essas palavras simples e sensíveis, somos convidados/as a nos encontrar com Deus aqui, neste lugar. Sejam todos e todas bem-vindos a este culto. Canto Deus está aqui - 332 HPD2 Saudação Trinitária C Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, aqui, nos reunimos. Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui. Para louvar e adorar, para bendizer Teu Santo Nome, para agradecer e orar estamos aqui. Para louvar e adorar, para bendizer Teu Santo Nome, para agradecer e orar, estamos aqui. (em anexo) Confissão de Pecados L Bondoso e amado Deus, nos achegamos a Ti para confessar os nossos pecados e pedir-te perdão. Confessamos que estamos tão envolvidos com a nossa vida, com os nossos projetos, que não olhamos para além das nossas vidas. Perdão, 5


Senhor, por todas as vezes que sentamos ao redor da mesa da nossa casa e não paramos, por um momento, para agradecer por tudo que temos, por tudo que Tu nos dás. Perdoa, Senhor, nossa maneira egoísta de lidar com o pão, com o alimento. Muitas vezes, Senhor, nós desperdiçamos, exageramos e não partilhamos com todos aqueles que precisam buscar, no lixo, o seu sustento. Perdoa, Senhor, a nossa falta de generosidade na partilha! Anúncio da Graça: C Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (409 HPD2) L A nossa confissão, sempre que for sincera, receberá como resposta uma boa notícia e, a partir da boa notícia, cada um é animado a buscar mudanças nas suas atitudes. Por isso, ouçam, com alegria, o anúncio que faço a cada um, a cada uma de vocês como obreiro ordenado/obreira ordenada da Igreja: os seus pecados estão perdoados! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Kyrie Eleison L Como discípulos e discípulas de Jesus Cristo, nesse mundo que grita e chora por falta de pão, somos convidados a clamar por todas as pessoas que sofrem as consequências da falta de partilha. Clamemos por todos aqueles que, todos os dias, perdem a vida pela falta de solidariedade. C Pelas dores deste mundo, ó Senhor, imploramos piedade. A um só tempo geme a criação. / Teus ouvidos se inclinem ao clamor desta gente oprimida. Apressa-te com tua salvação. A tua paz, bendita e irmanada co'a justiça, abrace o mundo inteiro. Tem compaixão! O teu poder sustente o testemunho do teu povo. Teu Reino venha a nós! Kyrie eleison! (Rodolfo Gaede Neto) Glória L Nosso Deus sempre nos ouve! Nosso Deus sempre nos atende ainda que de um forma diferente da que queremos. Ele sempre nos busca, sempre vem ao nosso encontro. E é Ele quem toca os nossos corações para mudar nossas atitudes para que possamos ser instrumentos Dele nesse mundo que tanto sofre. Por isso, glorifiquemos o nome do nosso Deus, cantando: Glória a Deus nas alturas... C Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós. (346 HPD2) Oração do Dia L Querido e Bondoso Deus! Pedimos-Te que nos ajudes na tarefa de agradecer por tudo que temos e de partilhar os bens que recebemos de Ti. Que a Tua palavra nos desafie todos os dias a buscar possibilidades de vida para toda a Tua criação e que a Ceia, onde Tu Te entregas para 6


cada um e uma de nós, fortifique a nossa fé em Ti e fortaleça o nosso compromisso e o nosso cuidado com o próximo. Em nome de Jesus Cristo, oramos. Amém. LITURGIA DA PALAVRA Leituras Bíblicas: Canto A tua palavra - 380 HPD2 Mensagem: Confissão de fé Recolhimento das ofertas L Na mensagem deste culto fomos lembrados da generosidade de Deus para conosco. Assim, também podemos abrir nossos corações e nossas mãos para repartir o que nos foi dado. Uma forma de realizar a partilha é a oferta de gratidão. Nós ofertamos porque somos um corpo unido que se apóia mutuamente. Ofertar é praticar generosidade, partilha, comunhão e diaconia. É com este espírito que vamos recolher agora as ofertas que são destinadas para... Canto O pão nosso - 424 HPD2 Oração de Intercessão L Oremos L Amado Deus, chegamos em tua presença para interceder. Nós sabemos que a oração é um serviço que prestamos aos nossos irmãos e irmãs. L Assim, intercedemos por todos aqueles que são vítimas da nossa falta de generosidade, por todos aqueles que não têm o pão de cada dia para si e sua família. Ensina-nos, Senhor, a agradecer e a repartir. C Ouve nossa oração e atende as nossas súplicas. L Querido e Bondoso Deus, olha para a nossa comunidade e abençoe as nossas atitudes de partilha (incluir grupos de diaconia, assistência, que prestam ajuda a pessoas que necessitam). Faze, Senhor, com que cada vez mais tenhamos pessoas dispostas a colocar os seus dons a serviço do teu Reino para que, junto com nossos irmãos e irmãs, possamos construir um mundo mais justo e inclusivo. C Ouve nossa oração e atende as nossas súplicas. L Intercedemos por nossos governantes. Que as políticas públicas sejam de fato para a distribuição justa dos bens. Que a nossa comunidade possa se tornar parceira do município na discussão, na reflexão e na ação das políticas de assistência e que, assim, possamos unir forças e de fato contribuir na transformação da realidade das pessoas que hoje passam fome. 7


C Ouve nossa oração e atende as nossas súplicas. L Querido e bondoso Deus, também, no nosso silêncio, trazemos a Ti nossas intercessões. L Aceita e atende, a nossa oração. Amém. LITURGIA DA CEIA Preparo da Mesa L Enquanto cantamos, vamos trazer à mesa as ofertas recolhidas, o pão, o fruto da videira e os utensílio para a comunhão. Canto Nosso Pai nos põe a mesa - 358 HPD 2 Oração de ofertório L Agradecemos-te, Deus de bondade, por todo bem que nos confias. Abençoa estas ofertas e concede que, pela força do teu amor, te sirvamos por meio dos nossos gestos de solidariedade para com nossos irmãos e irmãs. L Deus amado, junto com este pão e o suco da videira, dádivas que vem de ti, nos colocamos a nós mesmos nas tuas mãos. Assim como usas o pão e o suco da videira para te dares a cada um de nós, usa a nós, nossos dons, nosso tempo e o que temos, para o teu serviço, em favor das pessoas e de toda a criação. Amém. Oração Eucarística L Deus! Tu nos ensinaste a partilhar. Ensinaste-nos que o verdadeiro milagre da multiplicação do pão é a generosidade. Por isto: C Recebe o nosso louvor e a nossa adoração! L Nós sabemos que a vida de Jesus esteve totalmente livre para dar, sua vida toda foi doação. Por isto: C Recebe o nosso louvor e adoração! L Senhor, nós te louvamos, adoramos e bendizemos, pois a tua palavra nos dá testemunho da doação, da partilha que devemos fazer em resposta e em gratidão a tudo que Tu já fizeste por nós. E, por isso, cantamos: Canto Santo é nosso Deus - 362 HPD2 L Deus, criador de tudo e todos. Nós sabemos da triste realidade ao nosso redor, realidade de fome e pobreza. Nós te agradecemos porque teu Filho Jesus Cristo nos ensinou a generosidade e a partilha e, na noite da sua traição, sentado à mesa com seus discípulos, tomou o pão... (narrativa pode ser cantada ou então lida na Bíblia com a comunidade). L Deus, envia teu Espírito de vida e de amor, de glória e de poder, intervém onde há fome e pobreza e faze, Senhor, que, assim como 8


somos, possamos ser instrumentos Teus. Canto Envia teu Espírito - 367 HPD2 L Deus, fonte de esperança, lembra-Te de todos que já partiram e que repousam em teu amor. Daqueles que não puderam sobreviver, pois faltou partilha, faltou distribuição justa de bens. Guia-nos, Senhor, com estas pessoas à festa que Tu tens preparado para todos nós. E nós, juntos, queremos anunciar o teu Reino, onde há espaço para todos, onde existe a verdadeira partilha. C Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a Ti, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre. Amém, amém, amém. (Coleção Miriã, p.31) L Querido Deus, nós como comunidade, como irmãos e irmãs, no Dia Nacional da Diaconia, sabemos e assumimos que temos muito por fazer e, por isso, oramos dando-nos as mãos como o Teu Filho Jesus Cristo nos ensinou: Pai Nosso... Gesto da Paz L Como um sinal visível do nosso compromisso de que a nossa comunidade e o nosso mundo tornem-se uma comunidade e um mundo de paz, desejemo-nos uns aos outros a Paz de Cristo, dizendo: A paz seja contigo! Fração L O cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo; o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo. C Nós, embora muitos, somos um só corpo. Comunhão L Venham, pois tudo já está preparado para que tenhamos comunhão com Deus e através dele, entre nós. Oração Pós-comunhão L Ó Deus, nós te agradecemos por esta Ceia, onde Tu vens ao nosso encontro. Permite, Senhor, que essa ceia nos fortaleça na fé em Ti e que, fortalecidos, possamos ser Teus instrumentos na partilha, na generosidade, no cuidado com aqueles que hoje passam fome, passam necessidade. Por Teu Filho Jesus Cristo é que oramos. Amém! LITURGIA DE DESPEDIDA Avisos Comunitários Canto Diaconia (em anexo) Bênção L Que o Senhor vos abençoe e vos guarde. Que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós. Que o 9


Senhor sobre vós levante a sua face e vos dê a sua paz. Amém! Envio L Vão na paz do Senhor! Partilhem, sejam generosos e generosas, pois, assim, estarão servindo ao Senhor. E façam isso com alegria! Liturgia moldada por: Diaconisa Arlete Adriana Prochnow, atua na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Bom Pastor e na Sociedade Evangélica Pella Bethania em Taquari – RS.

10


Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia

Introdução Na sua interpretação à quarta prece do Pai Nosso, Martim Lutero diz: Deus dá o pão de cada dia, também sem o nosso pedido, a todas as pessoas, inclusive às pessoas más. Mas pedimos nesta oração que Ele nos faça reconhecer isso e receber com gratidão o pão nosso de cada dia (Catecismo Menor).

Com outras palavras: Deus deixa crescer alimento em abundância para que cada pessoa no mundo tenha o suficiente para comer a cada dia. Quem seriam as pessoas más? Lutero quis dizer: Diante de Deus, ninguém é merecedor das suas ricas dádivas. Todos somos criaturas suas e Deus dá sem distinção, porque ama a sua criação. Se Jesus nos ensinou a pedir pelo pão diário, é porque importa lembrar-se de que toda a boa dádiva vem de Deus e, assim, aprendamos a recebê-la com gratidão. Com amor para Jaini Bi Cada dia, às 12 horas, no calor do meio-dia, Deus vem até mim na forma de 200 gramas de mingau de aveia. Sinto-O em cada grão, saboreio-O em cada colherada. Participo da Sua refeição quando engulo, porque Ele me mantém com vida com 200 gramas de mingau de aveia. Espero até o próximo meio-dia, e sei que Ele virá. Assim posso contar com mais um dia de vida, porque você fez com que Deus viesse até mim, na forma de 200 gramas de mingau de aveia. Agora sei que Deus me ama e isto devo só a você. Agora eu entendo o que você quer dizer quando fala que Deus ama tanto este mundo,


que dá seu amado Filho cada dia por intermédio de VOCÊ.1

1. Deus dá, mas nem todos têm 1.1 A fome no mundo Uma definição de fome e pobreza, conforme apresentação numa revista do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo: Fome: Têm fome aqueles cuja alimentação diária não aporta a energia requerida para a manutenção e funcionamento do organismo e para as atividades ordinárias do ser humano. Pobreza: São pobres aqueles que não têm assegurado o acesso a necessidades humanas elementares, como comida, abrigo, vestuário, educação, cuidados de saúde, etc. Pobreza e fome são duas realidades contrárias à vontade de Deus. Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição [...]”. Portanto, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e ativa”. A estatística da fome no mundo, segundo dados da FAO (Food and Agriculture Organization), 2002: l 814,6 milhões de famintos nos países em desenvolvimento (como China, Bolívia, Angola...) l 28,3 milhões de famintos em países de transição (como Rússia, Croácia, Ucrânia...) l 15,6 milhões de famintos no Brasil l 9 milhões de famintos nos países industrializados (como Alemanha, Estados Unidos, Austrália). Conforme o relator destes números (subdiretor da FAO, Hartwig de Haen, em 2004), houve avanços contra a fome em mais de 30 países, nos últimos dez anos, entre eles, China, Brasil, Nigéria, Cuba, Tailândia. Sabe-se, no entanto, que, em outros países, a situação piorou. Segundo dados recentes, a cada seis segundos, uma criança morre de fome, ou em virtude das consequências da fome, o que equivale a mais de 16.000 crianças a cada dia. Isto, considerando apenas as crianças entre 1 Poema da Índia: [In: Sybille Tritsch, Bärbel v. Warttemberg-Potter (Hrsg.) Gebete und Poesie von Frauen aus aller Welt; GTB Siebenstern, Gütersloh 1986] Observação: o texto a seguir foi escrito por uma moradora de Chitapur, região extremamente pobre da Índia, e publicado por “Brot für die Welt”

12


zero a cinco anos de idade. A triste realidade é que mais de 1 bilhão de pessoas, no mundo, sofre de fome crônica. Isto significa que uma pessoa, a cada sete, padece de fome. Outro dado alarmante é que 1,3 bilhão de pessoas não dispõem de água potável. Há quem fale em “silencioso homicídio em massa”. O que está se fazendo para mudar a situação? No ano de 2000, as Nações Unidas colocaram como meta a ser alcançada, até o ano 2015: reduzir a pobreza e a fome no mundo pela metade. Constata-se, porém, que o número de famintos ainda cresceu desde então. Qual seria o motivo deste fracasso? Existem algumas opiniões que não conferem com a verdade, como, por exemplo: 1. O mundo não pode produzir alimentos suficientes; 2. A fome é devido ao fato de que somos 'demais'; 3. No mundo, há poucas terras cultiváveis. Os verdadeiros motivos estão ligados às diferenças de oportunidade e ao poder de uns sobre os outros. Hartwig de Haen argumenta que é “incompreensível a escassez de esforços da comunidade internacional”, considerando que, “além do sofrimento humano, que é um escândalo, a fome tem como consequência também importantes perdas econômicas”. Diz ele: “É uma ironia que os recursos necessários para enfrentar o problema da fome sejam poucos em comparação com os benefícios que traria a sua erradicação. Cada dólar investido na luta contra a fome poderia se multiplicar por cinco e até por mais de vinte vezes em benefícios. A erradicação da fome teria um custo inicial de 30 bilhões de dólares. Mas este valor nem chega a 10% do orçamento militar anual dos Estados Unidos”.

1.2 A fome no Brasil A fome diminui Dados estatísticos que mostram uma redução da fome em nosso país, até o ano 2002: Período Número de pessoas famintas 1990-1992 18,5 milhões 1995-1997 16,5 milhões 2000-2002 5,6 milhões De acordo com um documento publicado, pela ONG antipobreza, “Action Aid”, no dia 15 de outubro de 2009, o Brasil é líder no combate à fome 13


entre os países emergentes. O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país, e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero. O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades que beneficiam famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$70 a R$140) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$70). Ela integra o programa Fome Zero e pretende não apenas transferir dinheiro, mas também dar um reforço ao exercício de direitos sociais básicos nas áreas da Saúde e Educação, além de oferecer programas complementares como a geração de trabalho e renda, alfabetização de adultos, fornecimento de registro civil. Mas a desigualdade social é enorme O Brasil não tem de que se gloriar se considerarmos que a desigualdade de renda na sociedade brasileira é uma das mais elevadas do mundo. Em 1995, o Brasil era o país de maior desigualdade social entre os países conhecidos. De 1997 a 2007, houve leve tendência de redução (conforme dados do IBGE, baseados no cálculo da renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres). Num texto para discussão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, Rio de Janeiro, 2001), lemos: l O Brasil não é mais um país pobre, mas um país extremamente injusto e desigual, com muitos pobres. l A desigualdade encontra-se na origem da pobreza e combatê-la torna-se um imperativo. l A desigualdade, em particular a desigualdade de renda, é tão parte da história brasileira que adquire fórum de coisa natural. l A luta contra a fome é, em primeiro lugar, uma luta contra a fome pela justiça social.

2. O que podemos fazer? Reflexão a partir de dois textos bíblicos 2.1 Cinco pães e dois peixes – o que é isto para tanta gente? (João 6.1-15) O texto de João 6 conta como uma multidão de pessoas ficou saciada a partir de apenas cinco pães e dois peixinhos. Foi o milagre da multiplicação do pão que Jesus operou. Em outra ocasião, Jesus havia se negado a transformar pedras em pão (Mateus 4.3+4). Qual é a diferença? A diferença consiste na intenção de Jesus. Ele não é o milagreiro que, com um toque de mágica, “produz” pão, e, quem sabe, todo tipo de bens materiais. A produção de pão exige esforço humano, como lemos em 14


Gênesis 3.19. Quando algumas pessoas, após terem visto o sinal da multiplicação, queriam proclamar Jesus o seu rei, Este se retirou. Ele quis saciar os famintos, mas se opôs ao sensacionalismo. A busca por sensações é sempre muito grande. Mas uma sensação não dura, pois desaparece tão logo surge uma nova sensação. Diferente é com o milagre que Deus opera. Este é sempre um sinal da onipotência e bondade de Deus. Pode ser algo muito corriqueiro, como, por exemplo, o brotar de um raminho verde de um tronco seco de árvore. Quando eu parar diante deste broto, admirando a força da vida que ali se manifesta, estou diante de um milagre da criação de Deus. Sinto alegria e gratidão. A próxima pessoa que passar ali pode experimentar a mesma coisa. E, assim, formamos uma comunidade que louva a Deus. Jesus não quis ser rei e, sim, pão. Pois, como pão, é o sinal do inesgotável amor de Deus que se importa com suas criaturas. E quando este é repartido, todos ficam satisfeitos. O verdadeiro milagre da multiplicação do pão é a generosidade. Jesus esteve totalmente livre para dar. Na verdade, Sua vida toda foi doação. E quando, na noite em que foi traído, partiu o pão, o gesto já apontava para a total doação de Sua pessoa na cruz. Ele disse: Quando vocês partirem o pão e tomarem do mesmo cálice, lembrem-se de Mim e do Meu amor por vocês. Quando nos lembrarmos com gratidão da generosidade de Deus, abrimosr nossos corações e nossas mãos para repartir o que nos foi dado. É muito pouco o que temos para oferecer, pensando nas multidões de famintos? Deus pode multiplicar o que lhe oferecermos de coração.

2.2 O que fazer com a abundância? (Lucas 12.13-21) Neste texto, Jesus censura a avareza e o apego aos bens materiais. Um homem quer que Jesus interfira no conflito que tem com seu irmão referente à herança. Jesus se nega a fazer isto, mas chama a atenção para o que de fato importa na vida. Para isso, conta a parábola do homem que fez uma boa colheita e se pergunta o que fazer com o excedente da colheita. Podemos supor que o homem que veio falar com Jesus conhecia as leis referentes aos dízimos. Estas deixavam claro que Deus se alegra quando seus filhos vão bem, mas que também não quer que alguém passe necessidade. Pois, assim, lemos em Deuteronômio 26,11 e 12, por exemplo: Alegrar-te-ás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e a tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti. Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades, e se fartem. Jesus não criticou a atitude do homem de construir celeiros maiores para abrigar sua colheita. O que Ele critica é a opinião de que os celeiros maiores 15


lhe dariam a certeza de ter segurança e felicidade para sempre. Estava esquecendo que o acúmulo de bens não faz feliz e que a vida inclui imprevistos e pode haver um fim súbito. Podemos nos alegrar com boas “colheitas”, sejam elas em forma de alimentos, dinheiro, ou outros bens. Mas é preciso reconhecer que são dádivas de Deus. E se as recebermos com gratidão das suas mãos, também estaremos livres para dar a quem tem menos do que nós. A raiz da avareza está em cada coração e também pode crescer no coração daqueles que não têm grandes posses. Jesus recomenda investir no banco celeste, exercitando a generosidade. As prescrições do Antigo Testamento referente aos dízimos parecem estar longe de nossa realidade atual. Mas ofertar a décima parte da renda a Deus, para aproveitamento de quem necessita, continua fazendo muito sentido. Escreve Luiz A.P. Carneiro na revista “Veja” do dia 23.12.2009: Se todos os seres humanos tivessem um padrão de consumo semelhante ao dos países desenvolvidos, os alimentos produzidos hoje não seriam suficientes para todos. Os níveis de poluição seriam insustentáveis. Isto certamente é verdade. Por isso, repartir o pão com os famintos significa, para os bem situados: adotar um estilo de vida mais simples. A superação da fome no mundo só será possível se os povos ricos frearem sua vontade de desenvolver e consumir cada vez mais. Também, em termos de mundo, vale repartir, para que todos tenham.

Dinâmica: Poder-se-ia encenar uma entrevista com uma pessoa que ganhou na loteria. O homem (também pode ser uma mulher) não quer ser reconhecido, por isso usa um capuz. Ele justifica porque não quer ser reconhecido: o medo de que todos queiram um pedaço da sua fortuna. Diz que vai se mudar para um lugar onde ninguém o conheça. Diz que é feliz por não precisar mais trabalhar, nem se preocupar com o seu sustento. O entrevistador pergunta se já comemorou com os amigos. Ele diz que não, porque os convidados iriam notar que ele tem muito dinheiro. Na continuação do diálogo, o entrevistado revela que já teve desavenças com a esposa e os filhos porque têm outras ideias sobre como gastar o dinheiro. Ele mesmo quer decidir sobre isto. A esposa quer, pelo menos, a metade da fortuna, mas ele não vai permitir isto. O relacionamento com ela tornou-se difícil. Ele diz que não se importa se vai haver uma separação, porque tem mulheres suficientes que vão gostar de ter um marido rico. 16


O entrevistador ainda pergunta se já pensou em fazer uma doação para a Igreja ou pessoas pobres. Ele diz que os pobres são mesmo culpados de sua desgraça. Por enquanto, ele mesmo quer usufruir daquilo que o céu lhe deu.

Perguntas para reflexão: 1) A que conclusões chegamos a partir dos dois textos bíblicos? 2) É suficiente o que o governo brasileiro faz para diminuir a fome e a desigualdade social? 3) O que cabe aos cristãos fazerem? 4) O que é mais fácil (ou mais difícil): dar ou receber? 5) Já nos sentimos, alguma vez, felizes depois que presenteamos pessoas que precisavam de nossa solidariedade? Diaconisa Ruthild Brakemeier Mestre em Teologia - História da Igreja pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdades EST em São Leopoldo/RS

17


Em nome do Pai Autor desconhecido

/: Em nome do Pai, em nome do Filho Em nome do EspĂ­rito Santo estamos aqui. :/ Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, estamos aqui, Senhor, a teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, te aclamar, Deus trino de amor. 18


Diaconia Erli Mansk Rodolfo Gaede Neto


1. Aprendamos com Maria a ouvir com devoção, ter de Marta a energia, pressa e dedicação. Acontece diaconia na ação com oração. Ser uma Marta Maria: que bonita vocação. Vamos juntos trabalhar, na Seara do Senhor Pois o povo está a vagar qual ovelhas sem pastor. Libertados pela graça nos dispomos a servir Sirvamos com alegria exaltando o Deus do amor.

20

2. Do pequeno ser amigo ao faminto dar o pão; com o nu buscar abrigo, com o doente comunhão. Acolher o forasteiro. ao sedento saciar; libertar o prisioneiro e os mortos sepultar. 3. Todos nós somos chamados para este mutirão. Venham, pois, muito animados integrar a comunhão! Vivenciar diaconia Co'os mais pobres deste chão: resgatar cidadania, superar a escravidão!


Ore pela Diaconia Dia 26 de cada mês é o dia de interceder pela ação diaconal no mundo.

Mensalmente será publicado no portal www.luteranos.com.br um relato de experiência de cuidado e uma proposta litúrgica de intercessão. Faça parte desta corrente de oração!


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Dia Nacional da Diaconia. Ano 14, 18 de abril de 2010 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu