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Bênção Matrimonial

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Manual de bênção matrimonial

2009


© Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2009 Rua Senhor dos Passos, 202 90020 -180 Porto Alegre/RS Tel.: (51) 3284-5400 – Fax: (51) 3284-5419 secretariageral@ieclb.org.br presidência@ieclb.org.br www.luteranos.com.br Organização e redação final: Erli Mansk Equipe de pesquisa e redação: Erli Mansk, Martin N. Dreher, Sissi Georg, Verner Hoeffelmann, Wilhelm Wachholz Revisão: Luís M. Sander Formatação das pautas musicais: Josimar Dias da Silva Capa/arte: Artur S. Nunes Publicação coordenada pelo Secretário de Formação da IECLB, P. Dr. Romeu R. Martini A IECLB agradece, sinceramente, ao GAW – Obra Gustavo Adolfo, da Alemanha – pela contribuição e apoio financeiro para esta publicação.

M294

Manual de bênção matrimonial / Organizado por Erli Mansk. – São Leopoldo : Sinodal ; Porto Alegre : IECLB, 2009. 15x22,5 cm. ; 114p. ISBN 978-85-62865-11-4 1. Benção matrimonial. 2. Teologia prática. I. Mansk, Erli. CDU 265.5

Catalogação na publicação: Leandro Augusto dos Santos Lima – CRB 10/1273


Apresentação O assunto bênção matrimonial tem sido objeto de muitas consultas e questionamentos por parte de obreiras, obreiros e comunidades da IECLB. Em que consiste a bênção matrimonial? Quem pode e quem não pode recebê-la? Onde se realiza? Qual a situação das pessoas divorciadas e das que vivem em união estável? Estas são algumas das perguntas mais frequentes. Tais questionamentos desencadearam um processo de estudo, reflexão e aprofundamento em várias instâncias, entre as quais os Sínodos, o Conselho de Liturgia, e até mesmo um grupo-tarefa constituído especialmente para este fim. Como resultado desse trabalho, a Presidência da IECLB, juntamente com Pastora e Pastores Sinodais, e com o aval do Conselho da Igreja, fez algumas alterações na redação do capítulo pertinente à bênção matrimonial no guia Nossa fé, Nossa vida, que serão submetidas ao próximo Concílio da Igreja. A IECLB não pode nem quer ficar indiferente às rápidas e substanciais mudanças que acontecem na sociedade. É uma Igreja atenta, disposta a dialogar e crescer. Não se trata, no entanto, de meramente conformar-se às mudanças, mas de auscultá-las, avaliá-las teológica e pastoralmente, e verificar quais práticas podem e devem ser admitidas para dentro da vida litúrgica da Igreja. Novos dispositivos na legislação proporcionados pelo Novo Código Civil de 2002 impulsionaram a busca por uma prática litúrgica mais coerente com a legislação brasileira. Além de significativas do ponto de vista teológico e pastoral, pretendemos que nossas atividades sejam corretas do ponto de vista jurídico. Assim, entregamos em suas mãos este Manual de bênção matrimonial. Ele contém fundamentos para uma reflexão sobre matrimônio e bênção matrimonial e apresenta propostas litúrgicas, além de recursos e 3


subsídios para o enriquecimento dos ofícios de bênção matrimonial. É nossa intenção que ele seja um auxílio sólido e consistente, para que a IECLB possa estar ao lado das pessoas em um dos momentos mais marcantes de suas vidas, quando elas se prostram diante de Deus e pedem sua bênção para a caminhada conjunta.

Walter Altmann Pastor Presidente (Outubro de 2009)

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Introdução O casamento é uma das passagens mais festejadas nas diversas culturas, sendo uma das festas mais alegres que temos na Igreja. A Igreja cristã foi cautelosa com a integração da liturgia da bênção matrimonial, deixando a maior parte da festa do lado de fora do templo. Como se refere White, “o ofício do matrimônio é um curioso amálgama de elementos cristãos e pagãos”1 . Quem casa efetivamente é o Estado. A IECLB possui um rito de bênção matrimonial, sendo este oferecido a pessoas que “comprovarem habilitação perante a lei civil”2 . Com este ofício, a IECLB possibilita ao casal colocar o seu matrimônio “sob a orientação da palavra e da bênção de Deus”3 . O casamento constitui um momento significativo da vida, pois acarreta mudanças tanto para o indivíduo quanto para a sua família. Casar significa formar um novo núcleo familiar e, ao mesmo tempo, envolver-se com uma família diferente da sua, a do seu parceiro, a da sua parceira. No casamento interagem, portanto, pessoas e grupos. Trata-se de um acontecimento de ordem pessoal e social. Qualquer mudança na vida de um indivíduo gera insegurança e medo, pois a entrada num novo e desconhecido mundo ou situação causa ansiedade e certa angústia. Também é assim com o matrimônio. Por isso, a festa do casamento, nas suas mais diversas formas rituais – culturais e religiosas –, é um momento importante, pois, em situações de mudança, os ritos de passagem são fundamentais.

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WHITE, James F. Introdução ao culto cristão. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 216. IGREJA Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Nossa fé, Nossa vida, 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2005. p. 34. IGREJA Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Nossa fé, Nossa vida, 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2005. p. 34.

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Os ritos de passagem se interpõem entre uma situação e outra e ajudam o ser humano a vivenciar uma mudança significativa da sua vida. Eles auxiliam os indivíduos e os grupos a enfrentarem e a superarem as tensões provocadas pelas passagens. Os ritos de passagem têm a importante função de confirmar uma mudança. No caso do matrimônio, o rito civil e religioso legitima uma união e a formação de um novo grupo sociofamiliar e confere ao casal uma nova forma identitária. A IECLB, ao realizar a bênção matrimonial, cumpre uma função pastoral e, ao mesmo tempo, antropológica. Ao prestar o serviço de bênção matrimonial aos seus membros, a Igreja ajuda-os a vivenciarem uma transição importante da sua vida, apoiando-os em um momento de instabilidade emocional. E, o que é mais importante, com o rito de bênção matrimonial a Igreja dá testemunho do amor de Deus que dá sustento, aos que nele confiam, em momentos de instabilidades causadas pelas transições da vida. Imbuída do propósito destacado acima, a IECLB, ao apresentar este Manual de bênção matrimonial, oferece subsídios litúrgicos com o intuito de auxiliar as suas comunidades a desenvolverem um rito que seja significativo para as pessoas que vivenciam uma passagem tão marcante da vida. O Manual de bênção matrimonial da IECLB está divido em três partes. A primeira apresenta os fundamentos que orientam a reflexão sobre os temas “matrimônio” e “bênção matrimonial”. A segunda traz propostas litúrgicas para a bênção matrimonial, bodas de jubileu e bênção para vida em comum. A terceira parte oferece recursos litúrgicos variados. Salienta-se que este Manual segue o princípio de moldar liturgia. Sendo assim, as liturgias apresentadas nele são modelos litúrgicos que podem ser adaptados ao contexto próprio ou à situação específica de sua aplicação. Para tanto, é necessário observar os elementos que compõem uma liturgia de bênção matrimonial e seus respectivos significados. A moldagem de qualquer liturgia leva em conta o motivo especial da celebração, o lugar onde ela se realiza, o tempo que se tem à disposição e as características da comunidade que participa do evento4 .

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Confira detalhes em: MARTINI, Romeu R. Livro de culto. São Leopoldo: Sinodal, 2003. p. 23.


Agradecemos a todas as pessoas que contribuíram com a pesquisa e redação deste Manual, as quais se encontram mencionadas na folha de rosto, sob equipe de pesquisa, e, em especial, a Sissi Georg, que deu início a este projeto, pesquisando e redigindo boa parte do texto.

A organizadora

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Sumário Parte I – O matrimônio e a bênção matrimonial Aspectos antropológicos 1. A vida humana é caracterizada por diversas passagens ...................... 14 2. A bênção matrimonial cristã é um rito de passagem .......................... 14 3. Símbolos e costumes marcam a cerimônia do casamento desde tempos antigos .................................................................................... 15 Aspectos históricos 4. Os ritos de matrimônio dos cristãos dos primeiros séculos não se distinguiam dos que aconteciam na sociedade .................................... 17 5. A comunidade cristã conferiu novos significados aos elementos simbólicos dos ritos matrimoniais praticados por seus fiéis ................. 18 6. O batismo foi um dos critérios fundamentais da Igreja dos primeiros séculos na reinterpretação dos ritos matrimoniais locais praticados por seus e suas fiéis ............................................................................ 19 7. A liturgia nupcial da Igreja foi elaborada após a paz constantiniana, no século IV, e, sobretudo, desde este século se fala de bênção para o matrimônio ............................................................................... 19 8. No século XI, o rito profano do matrimônio foi transformado em ato litúrgico, e este acontecia à porta da igreja, no lado exterior do templo .............................................................................................. 22 9. Ainda no tempo de Lutero, em 1529, o rito ocorria na porta da igreja, entrando-se, em seguida, para a leitura da Bíblia e bênção ................ 23 10. Lutero não considerou o casamento como sacramento, mas como um rito ou ofício eclesiástico ............................................................. 24 11. Alguns desdobramentos litúrgicos atuais ........................................... 25 Aspectos bíblicos sobre o matrimônio 12. Do ponto de vista bíblico, o matrimônio é boa criação de Deus ........ 26

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13. O matrimônio pode se corromper quando não é vivido sob a benéfica influência de Deus ........................................................... 27 14. O matrimônio pode ser uma fonte de alegria e bênção .................... 28 15. No Novo Testamento, o matrimônio continua sendo visto como bênção de Deus ................................................................................. 28 Aspectos confessionais: Lutero e o matrimônio 16. A influência da Reforma na valorização do matrimônio e da paternidade/maternidade ................................................................... 31 17. Nova concepção de matrimônio e redescoberta da corporalidade ... 32 18. A palavra de Deus é o fundamento de uma união matrimonial responsável ....................................................................................... 34 Aspectos do matrimônio nos tempos atuais 19. A bênção matrimonial e o desafio da realidade ................................ 36 20. Realizar e receber a bênção matrimonial significa testemunhar e crer que Deus ajuda a construir relações duradouras e a superar os fracassos ...................................................................................... 37 21. O ofício da bênção matrimonial na compreensão da IECLB ........... 38 22. A bênção matrimonial e a realidade do divórcio ............................... 38 23. Bênção para vida em comum ........................................................... 39 Aspectos pastorais e práticos 24. As primeiras providências para o encaminhamento da bênção matrimonial ........................................................................................ 40 25. Uma cerimônia bem organizada ajuda a evitar surpresas desagradáveis ................................................................................... 41 26. O diálogo pré-matrimonial é parte importante do serviço ministerial .......................................................................................... 42 27. O ensaio da cerimônia da bênção matrimonial ajuda a criar confiança entre as pessoas envolvidas ............................................. 43 28. Algumas recomendações litúrgicas para o ofício da bênção matrimonial ........................................................................................ 43 29. A bênção matrimonial para pessoas divorciadas ............................... 44 30. Bodas de jubileu: sugestões práticas para a celebração ................... 45 31. O significado da sequência do rito da bênção matrimonial ............... 46 32. Roteiro litúrgico para a bênção matrimonial ..................................... 46

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Parte II – Propostas litúrgicas Liturgia de bênção matrimonial com Ceia do Senhor ......................... 50 Liturgia de bênção matrimonial .......................................................... 58 Liturgia de bodas de jubileu ............................................................... 64 Liturgia de bênção para vida em comum ............................................ 71 Parte III – Recursos litúrgicos Oração do dia ................................................................................... 76 Textos bíblicos .................................................................................. 77 Promessas ......................................................................................... 78 Compromisso conjugal ...................................................................... 79 Compromisso das famílias e da comunidade ...................................... 80 Oração dos noivos ............................................................................ 80 Declaração conjugal, em especial para bodas de jubileu .................... 81 Símbolo ............................................................................................ 82 Intercessões (fragmentos) .................................................................. 82 Canto de bênção ............................................................................... 84 Bênção ............................................................................................. 85 Poemas ............................................................................................. 86 Votos a um casal pelas bodas ............................................................ 89 Textos avulsos ................................................................................... 89 Outras liturgias .................................................................................. 95 Bibliografia .......................................................................................... 106 Anexo 1 ............................................................................................... 108 Anexo 2 – Partituras ......................................................................... 109


Parte I

O matrimônio e a bênção matrimonial


Aspectos antropológicos 1. A vida humana é caracterizada por diversas passagens Do nascimento à morte, o ser humano experimenta continuamente novos começos. E para enfrentar o novo e o desconhecido em diferentes fases da vida, as sociedades de todos os tempos e lugares criaram os ritos de passagem. Os ritos matrimoniais são os que acompanham a formação de um novo lar. Em todas as civilizações há ritos de enlace, verdadeiras festas, que integram música (canto, música instrumental, dança), comida e elementos religiosos. Esses ritos são talvez os que mais diversidade apresentam por serem sempre influenciados pelos costumes da cultura em que ocorre o casamento. 2. A bênção matrimonial cristã é um rito de passagem O matrimônio é passagem para uma nova situação ou novo status social. Para celebrar esta passagem tão importante da vida humana, a comunidade cristã oferece um rito litúrgico que na IECLB é chamado de bênção matrimonial. Estudos antropológicos definem que todo rito de passagem possui três estágios, os quais podem ser denominados de ritos preliminares (marcados pela separação do grupo ou da situação anterior), ritos liminares (marcados pela transição de um grupo a outro ou de uma situação a outra) e ritos pós-liminares (marcados pela agregação ou incorporação ao novo grupo ou à nova situação). Cada passagem, embora possua ritos de separação, de transição e de agregação, dá ênfase a alguns desses ritos mais especificamente. O rito de casamento enfatiza, em especial, a separação e, mais nitidamente, a agregação. Vejamos: O matrimônio implica separação ou ruptura, de um lado, e adesão ou agregação, de outro lado. Quando duas pessoas se unem e formam um novo núcleo familiar, elas deixam o convívio estreito com pai, mãe, irmãos e/ou irmãs e estabelecem novos laços de convívio: entre si e com as famílias de seus cônjuges, com novos círculos de amizades e vizinhos. 14


Por isso, o rito matrimonial inclui ações e gestos que simbolizam separação, assim como também agregação. Por exemplo, no rito cristão de casamento ou bênção matrimonial, a procissão de entrada do noivo e da noiva na igreja, cada qual acompanhado de seus familiares, representa, em boa medida, um rito de separação (pai e mãe acompanham seu filho ou sua filha até o altar, onde, a partir dali, efetiva-se a formação de um grupo familiar independente). Enquanto isso, o gesto de dar as mãos e a troca de alianças, no ato de compromisso matrimonial, representam agregação. Entre outros significados, eles sinalizam a união do casal e a mudança de status social. Também o abraço e a recepção dados ao novo casal pelos participantes são gestos de adesão e agregação. Trata-se do reconhecimento social de um novo casal ou novo núcleo familiar.

3. Símbolos e costumes marcam a cerimônia do casamento desde tempos antigos Anel O costume de usar o anel é muito antigo. Surgiu entre os egípcios, que viam no círculo o símbolo de eternidade. Na tradição romana, já se tinha o anel, dado pelo noivo à noiva no dia do noivado, no século III. O anel, de ferro, era usado no quarto dedo da mão esquerda da noiva. Isso era feito assim porque se acreditava que um nervo ou uma veia ligava este dedo diretamente ao coração. Quando o gesto foi assumido no rito litúrgico cristão, na Idade Média, havia o costume de escorregar o anel sobre o polegar, o indicador, o terceiro dedo, com as palavras “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O “Amém” era dito quando o anel escorregava no quarto dedo. Dar presentes Fazia parte do rito romano que o noivo desse o dote e outros presentes como garantia da futura união.

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Beijo O beijo dado no noivado, acrescentado possivelmente no século III, acabou tendo valor jurídico no século seguinte, valendo como promessa de casamento. Vestes especiais da noiva e do noivo Segundo o costume da Grécia antiga, tanto a noiva quanto o noivo eram cuidadosamente vestidos e adornados para a cerimônia do casamento. Uma mulher designada pela família da noiva era incumbida de vestir a noiva e era assistida por parentes ou amigas. O casamento constituía um momento no qual as mulheres se perfumavam com óleos finos e eram adornadas ao máximo: penteados, roupas bordadas, colares, coroas e véu. Também o noivo se vestia de forma especial, com túnicas de lã fina, usava uma coroa trançada com folhas adequadas e se perfumava com óleo de mirra. Coroa da noiva e do noivo A coroa que a noiva usava, no contexto romano do século III, era de mirta (tipo de folhagem também conhecida como murta) ou de laranjeira. A coroa que o noivo usava na Grécia antiga era de folhas de gergelim (fertilidade) e de menta (afrodisíaca). Véu da noiva Na sociedade romana, o véu era amarelo, com reflexos vermelhos (flammeum), sinal que distinguia a mulher casada. O véu das mulheres cristãs diferia do flammeum. Para casar-se, dizia-se nubere, velar-se. Isto é confirmado pelo significado de “véu” na língua árabe. Hijab (véu) quer dizer, em árabe, “o que separa duas coisas”. O véu da noiva significa se separar da vida de solteira para entrar em uma nova vida: a de casada. Dama de honra A dama de honra era uma mulher casada que apresentava a noiva às pessoas e a entregava ao noivo após a assinatura do contrato nupcial no dia do casamento. Sabe-se também que na Europa setentrional havia o costume de vestir damas de honra de modo a confundir os espíritos que pudessem enfeitiçar a noiva. 16


Junção das mãos Era o gesto que acompanhava a entrega da noiva ao noivo. Esse gesto já se encontrava no judaísmo (cf. Tobias 7.13), mas, na Igreja cristã do século XI, seu significado foi transformado, sendo ele compreendido como símbolo do dom recíproco do esposo e da esposa, expresso nas palavras por eles pronunciadas. Ceia das núpcias Todo casamento inclui ceia festiva. Na Grécia antiga, por exemplo, havia refeições da família na casa da noiva e do noivo, e estas eram acompanhadas de música e dança. Uma refeição também acontecia após a assinatura do contrato nupcial e o sacrifício aos deuses familiares. Cortejo ao quarto nupcial Este rito envolvia as famílias e ocorria à noite. As famílias acompanhavam o casal até o quarto nupcial, onde, em seguida, era deixado a sós. Uso de grãos, uvas e de moedas sobre a noiva Esses elementos eram utilizados como voto de abundância e prosperidade. O atual costume de jogar arroz nos recém-casados remonta a uma tradição chinesa de mais de dois mil anos e simboliza fartura.

Aspectos históricos 4. Os ritos de matrimônio dos cristãos dos primeiros séculos não se distinguiam dos que aconteciam na sociedade Nos primeiros séculos da era cristã, o rito matrimonial se realizava na família, incluindo rituais na casa da noiva e do noivo, sucessivamente. Cristãos e cristãs seguiam os ritos matrimoniais de acordo com o costume de sua própria região ou cultura. O casamento era celebrado segundo as normas e os costumes da sociedade civil, embora fosse vivido sob o espírito da fé cristã, à luz do ensinamento de Cristo.

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Os ritos que ocorriam na sociedade romana foram os que mais influenciaram o rito de matrimônio dos povos. Eles se desenvolviam através de três momentos distintos: o primeiro, o do preparo da noiva com vestes especiais e o uso de uma coroa e um véu. No segundo, a noiva era apresentada por uma mulher casada, e eram realizadas a consulta aos adivinhos e a leitura do contrato na presença de testemunhas que o assinavam. Feito isto, uma mulher casada entregava a noiva ao marido pela junção das mãos. Depois disso, ocorria o sacrifício aos deuses da família, seguido da ceia nupcial. À noite, acontecia o terceiro e último momento: “um cortejo levava a esposa à casa do marido, este a introduzia no interior do domicílio de acordo com o cerimonial bem preciso e lhe apresentava, em seguida, água e fogo; depois, os jovens esposos eram levados ao quarto nupcial. O marido tirava o agasalho da esposa e todos se retiravam”5 . Para se ter um registro de que o casamento tinha acontecido, algumas famílias mais abastadas providenciavam a pintura de um retrato desse terceiro momento. É o caso do retrato de Giovanni Arnolfini e noiva, de Jan van Eick6 . 5. A comunidade cristã conferiu novos significados aos elementos simbólicos dos ritos matrimoniais praticados por seus fiéis Não havia ritos fixos na Igreja cristã até a paz constantiniana, no século IV. A comunidade cristã lançava mão de ritos seculares, reinterpretando-os a partir de critérios cristãos. Além de escolher com quem iriam se casar, os cristãos evitavam os elementos simbólicos da cultura local relacionados à idolatria, tais como consulta aos adivinhos, sacrifício, aspectos licenciosos do banquete de núpcias e do cortejo7 . Mas o divertimento era parte das festividades do casamento dos cristãos8 . Ritos como os do sacrifício foram imediatamente substituídos, tal-

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EVENOU, J. O matrimônio. In: MARTIMORT, Aimé Georges (Org.). A igreja em oração: introdução à liturgia, v. 3: Os sacramentos. Petrópolis: Vozes, 1991. p. 165. 6 WHITE, 2004, p. 217. 7 EVENOU, 1991, p. 165. 8 HAMMAN, A.-G. A vida cotidiana dos primeiros cristãos (95-197). São Paulo: Paulus, 1997. p. 198.

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vez pela eucaristia9 . Assim que o matrimônio era contraído, os noivos se apresentavam à comunidade, na igreja, participavam do rito eucarístico e se uniam às suas orações. Essa era a maneira de os cristãos e as cristãs tornarem público o seu casamento. Inácio de Antioquia, no século II, escreveu que seria desejável que as uniões tivessem o consentimento do bispo, “a fim de que o casamento se realizasse segundo o Senhor e não conforme a paixão”10 , tentando evitar, desta forma, o casamento com não cristãos. A permissão do bispo também era desejável no caso do casamento de clérigos, dos órfãos criados pela Igreja e dos casamentos não ratificados pela lei (de uma pessoa livre e um escravo, por exemplo). 6. O batismo foi um dos critérios fundamentais da Igreja dos primeiros séculos na reinterpretação dos ritos matrimoniais locais praticados por seus e suas fiéis Até o século IV, não se encontra prova da existência de uma bênção litúrgica ou de intervenção de um sacerdote nos ritos nupciais. Mas é muito antigo o entendimento de que a união matrimonial está associada ao batismo cristão. Enquanto o batismo efetua a integração da pessoa em Cristo, a união matrimonial, conforme Paulo, é sinal da união de Cristo com sua Igreja (Ef 5.32). Em sarcófagos, foram encontrados, em fundos de cálice, inscrições onde Cristo em pessoa coroa os dois esposos e preside à junção de suas mãos colocadas sobre o livro dos evangelhos. 7. A liturgia nupcial da Igreja foi elaborada após a paz constantiniana, no século IV, e, sobretudo, desde este século se fala de bênção para o matrimônio O matrimônio era regulado por normas civis, mas a Igreja, no curso dos primeiros séculos, tomou sempre mais consciência de que ele tem um

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HAMMAN, 1997, p. 199. Inácio de Antioquia, apud EVENOU, 1991, p. 165.

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significado cristão para as pessoas batizadas. Entre os séculos IV e X aconteceu o processo de “liturgização” do matrimônio. A Igreja, gradativamente, na pessoa do bispo e do sacerdote, assumiu a celebração do matrimônio, caracterizada como bênção ao esposo e à esposa. Na liturgia nupcial dos cristãos e das cristãs, elaborada a partir dos ritos familiares e dos usos profanos, a bênção dada pelo chefe da família, do bispo ou de um sacerdote convidado para as núpcias era a expressão exterior da bênção de Cristo. Isso acontecia ou com a entrega de um véu à jovem noiva ou pela coroação ou ainda com a entrada dos esposos no quarto nupcial. Essas práticas variavam de acordo com os costumes das regiões onde as diversas igrejas estavam localizadas. Ambrósio e o papa Sirício mencionam uma cerimônia de núpcias descrita por volta de 403. Nesta, o pai do jovem (um bispo) conduz os noivos até o altar, e o pai da jovem (também bispo) dá a bênção nupcial aos esposos, que, durante toda a oração, estão com suas cabeças cobertas com um véu11 . No início do século V, encontra-se a seguinte descrição de um rito litúrgico de matrimônio: “os noivos recebem na igreja a bênção do bispo, que une suas cabeças sob o vínculo conjugal e estende sobre eles o véu, santificando-os com oração”12 . Na Gália e nos países celtas, a forma mais difundida era a bênção aos esposos no quarto nupcial, dada pelo padre ou pelo bispo. Esse costume é mencionado no livro apócrifo de Atos de Tomé, e o texto da bênção faz menção às núpcias de Tobias e Sara (Tb 8.4-1013 ). 11

EVENOU, 1991, p. 166-167. TIBILETTI, C. Matrimônio: ritos litúrgicos. In: BERARDINO, Ângelo Di (Org.). Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Petrópolis / São Paulo: Vozes / Paulus, 2002. p. 909. 13 Disse Raquel a Tobias: “A minha filha vai lhe ser dada em casamento, conforme está determinado no Livro de Moisés, e como Deus mandou fazer. Receba então a sua irmã. Vocês, a partir de agora, são marido e mulher. Ela pertence a você de hoje para sempre. Que o Senhor do céu os ajude esta noite, e lhes conceda a sua misericórdia e a sua paz” Então Raquel chamou sua filha Sara, que se apresentou. Ele a tomou pela mão e a entregou a Tobias, dizendo: “Receba Sara. Conforme a Lei e a sentença que está escrita no Livro de Moisés, ela é dada a você como esposa. Receba-a e volte são e salvo para a casa do seu pai. Que o Deus do céu os acompanhe com a sua paz.” Então chamou a mãe da moça e mandou trazer uma folha de papiro. Escreveu o contrato de casamento, segundo o qual concedia a própria filha como esposa de Tobias, conforme a sentença da lei de Moisés. Depois disso começaram a comer e beber. (Tobias 7.12-14). Observação: essa passagem é de um livro deuterocanônico, do conjunto dos livros que, segundo Lutero, embora não sejam equivalentes aos livros canônicos, são úteis para a edificação da fé. 12

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Na Espanha, este rito foi enriquecido. Junto com a bênção do quarto nupcial, estabeleceram-se ofícios para vésperas e manhã das núpcias, seguindo-se a bênção aos noivos, na igreja, com participação dos dois na ceia eucarística14 . No Oriente, as igrejas adotaram como rito específico do casamento o ofício da coroação. Ambos os esposos eram coroados. Originalmente, esse rito se passava na casa. Cantavam-se salmos, dentre os quais se destaca o Salmo 127. O bispo ou padre presente na cerimônia era convidado para dar a bênção ao novo casal, acompanhada da colocação das coroas em suas cabeças. Essa bênção foi sendo compreendida cada vez mais como ato litúrgico, passando, naturalmente, da casa para a igreja. “Outros costumes, como a junção das mãos e a entrega da esposa ao esposo, foram sendo atribuições do sacerdote.”15 Na igreja, a coroação se dava no decorrer da liturgia eucarística. Entre os etíopes, isto ainda é assim. Mais tarde, a ceia eucarística, ministrada somente ao casal, era realizada com elementos preconsagrados, e no século XV ela desapareceu. Ainda se verificava a apresentação de um cálice com vinho, evocando as bodas de Caná e o cálice eucarístico. As igrejas sírias e armênias (estas, ainda hoje) acrescentaram a entrega de uma pequena cruz à noiva, que seria usada no pescoço. No rito bizantino, há uma dança sagrada do sacerdote e dos jovens esposos em torno do evangelho. O ritual caldeu estendeu esta festa até a casa do esposo. Em procissão, a esposa é conduzida à casa do esposo com muita solenidade, em meio a gritos de alegria. A noiva é revestida de adornos, coberta com um véu, e, em sinal de abundância e prosperidade, os membros da nova família se dirigiam a ela, na porta, jogando sobre ela uvas, grãos e moedinhas. O ato de retirada das coroas também seguia uma ritualização.

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EVENOU, 1991, p. 168. EVENOU, 1991, p. 170.

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8. No século XI, o rito profano do matrimônio foi transformado em ato litúrgico, e este acontecia à porta da igreja, no lado exterior do templo Ao final do século X, o matrimônio foi institucionalizado pela Igreja. No Oriente, conservou-se a liturgia nupcial praticada no século X. Entretanto, não foi isso que aconteceu com a liturgia medieval da Igreja do Ocidente. A Igreja tomou para si a responsabilidade pelas formalidades jurídicas do casamento e se tornou indispensável para a realização dos casamentos. Essa foi uma época marcada por anarquia e violência. Havia uma preocupação com casamentos clandestinos e com a imposição do casamento à mulher pelos pais. A Igreja exigiu o caráter público do casamento e a liberdade do consentimento da mulher. Ela insistiu que os casais recebessem a bênção nupcial, tornando o casamento um ato público. O compromisso assumido diante do bispo tinha mais chances de ser honrado. Além disso, o bispo era uma pessoa culta e alfabetizada, o que facilitava a feitura e assinatura do contrato nupcial. “Para proporcionar a máxima publicidade à troca do consentimento, ficou decidido que [este] não mais se realizaria na casa da noiva, mas na porta da igreja, in facie ecclesiae.”16 Uma das prescrições mais antigas do ordo17 do casamento que acontecia à porta da igreja, in facie ecclesiae, encontra-se descrito no texto que segue, do começo do século XII: Que, antes de tudo, o padre se dirija à porta da igreja, vestido de alva e de estola, com água benta. Tendo aspergido os esposos, interroga-os com discernimento para saber se querem casar-se conforme a lei. Informar-se-á se não são parentes e lhes ensinará como deverão viver juntos no Senhor. Depois, diz aos pais, segundo o costume, que entreguem sua filha ao esposo. O esposo entregará o dote. Todos os assistentes ouvirão a leitura do escrito do dote. Que o esposo entregue um anel abençoado em nome da Trindade Santa, que será colocado no dedo da esposa. Que faça também o dom de algumas moedas de ouro ou prata segundo seus recursos. O sacerdote dê então a bênção prevista nos livros. Uma vez terminada a bênção,

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EVENOU, 1991, p. 174. Ordo se refere aos elementos fundamentais que compõem determinado rito.

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todos entrarão na igreja e começará a missa. Nesse momento, o esposo e a esposa carregarão velas acesas que conservarão durante a missa e farão a oferta delas. Antes do Pax Domini os esposos haverão de se cobrir com um véu de acordo com o costume. Nesse momento receberão a bênção nupcial. No final, o esposo recebe a paz do sacerdote e depois vai dá-la à sua esposa.18

É interessante observar que os ritos executados no exterior do templo, ou à porta da igreja, representam os antigos ritos do noivado. São eles: troca de consentimento e entrega do anel (aliança) e das moedas (dote) diante de testemunhas. Esses ritos foram transformados em ritos de casamento. Somente a junção das mãos direitas pertencia ao antigo rito do casamento. Esse gesto, no entanto, no ato litúrgico, não possuía mais o significado de entrega da noiva ao noivo, conforme o costume antigo, mas era visto como “o símbolo do dom recíproco dos esposos, expresso nas palavras do consentimento por eles pronunciadas”19 . O consentimento poderia ser dado por um “Sim” como resposta às perguntas feitas pelo sacerdote ou por uma fórmula proferida pelo noivo à noiva. 9. Ainda no tempo de Lutero, em 1529, o rito ocorria na porta da igreja, entrando-se, em seguida, para a leitura da Bíblia e bênção A Reforma efetuou poucas mudanças no rito do matrimônio. Este foi apenas simplificado e passado para o vernáculo. A “Ordem de casamento” de Lutero incluiu na celebração o uso de Mateus 19.6, “O que Deus uniu, não o separe o homem”, frase esta já em uso na Alemanha, antes de Lutero. A afirmação “Eu os declaro unidos em casamento” também passou a fazer parte do rito. A “Ordem de casamento” de Lutero para pastores comuns (1529) seguia a de Wittenberg, mas nela também foram incorporadas formas do rito católico romano e as antigas tradições da Igreja. O rito tinha, então, três partes: 1) os “proclamas” (proclamação pública); 2) o contrato de casamento (à porta da igreja); 3) a bênção no interior do templo. Os “proclamas” tinham o objetivo de possibilitar o

18 19

EVENOU, 1991, p. 174. EVENOU, 1991, p. 174.

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acompanhamento ao casal em oração e descobrir eventuais impedimentos. O rito litúrgico ocorria presumivelmente no dia posterior ao contrato nupcial. O rito litúrgico seguia o seguinte roteiro: na porta da igreja, os noivos eram perguntados sobre a sua vontade de casar. Pedia-se que eles trocassem as alianças. Unindo as mãos do casal, o pastor dizia as palavras de Mateus 19.6 e os declarava casados. Em seguida, eles entravam na igreja para a leitura da Bíblia e a bênção. A primeira leitura era de Gênesis 2.18,2124, que servia como uma espécie de palavras de instituição do casamento. Eram feitas ainda outras três leituras, endereçadas ao casal: Efésios 5.2229 (sobre o mandamento de Deus), Gênesis 3.16-19 (sobre a cruz e as adversidades), Gênesis 1.27-28,31 (sobre o consolo, a graça e o apoio abundante de Deus). Provérbios 18.22 concluía as leituras. A bênção era uma oração proferida com as mãos estendidas sobre a noiva e o noivo. Várias ordens eclesiásticas adicionaram ao prontuário de Lutero outras leituras bíblicas, como Mateus 19.3-9 e João 2.1-11. 10. Lutero não considerou o casamento como sacramento, mas como um rito ou ofício eclesiástico Segundo Lutero, em nenhuma parte da Escritura se lê que o matrimônio tenha sido instituído por Deus para significar algo20 . Ou seja, o matrimônio não é um meio da graça que nos mostre e outorgue o amor de Deus. Não há na Bíblia uma ordem especial para o casamento, seguida de uma promessa de salvação específica. Sacramentos são atos-sinais instituídos por Jesus. O matrimônio é um estado especial, abençoado por Deus. Ele deve ser aceito como boa dádiva do Criador. Diz respeito à organização da vida humana, estando submetido à lei civil e existindo, de uma ou outra forma, entre todos os povos. Como disse Lutero, o matrimônio “é um assunto físico e exterior, como qualquer outro negócio secular”21 .

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21

LUTERO, Martinho. O matrimônio. In: Obras Selecionadas: o programa da Reforma: escritos de 1520. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1989. v. 2, p. 400. LUTERO, Martinho. Da vida matrimonial. In: Obras Selecionadas: Ética: fundamentos, oração, sexualidade, educação, economia. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1995. v. 5, p. 167.

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11. Alguns desdobramentos litúrgicos atuais Acentua-se, atualmente, o caráter de pacto matrimonial em vez de contrato. A ênfase no matrimônio como pacto é a mudança mais importante ocorrida nos últimos anos. Essa mudança representa uma volta para a perspectiva bíblica e protocristã, “segundo a qual Deus age como testemunha e garante de que um pacto seja fielmente cumprido”22. Diferentemente de um contrato legal, a relação de pacto se baseia numa ideia de amor recíproco que dure por toda a vida. Entre os protestantes, ocorreu uma nítida mudança no sentido de sugerir a eucaristia como parte do ofício para casais cristãos. Algumas agendas litúrgicas incluem também bênçãos para bodas (aniversários de casamento) e para a renovação dos votos matrimoniais. Outra característica é a ênfase na igualdade entre os cônjuges. As mulheres não mais prometem “obedecer-lhe e servi-lo”. O voto que declara a intenção vitalícia (“até que a morte os separe”) ainda faz parte do rito nas atuais agendas litúrgicas. A agenda litúrgica luterana dos Estados Unidos manteve a estrutura sermonária de Lutero: a) a ordem divina da união matrimonial, b) as adversidades no casamento, c) o apoio e presença constante de Deus. Talvez alguém ainda pergunte se a Igreja deve celebrar cerimônias de casamento, já que, na maior parte da sua história, ela deixou a sociedade fazê-lo. Como diz White, a Igreja, “enquanto comunidade de fé, tem uma preocupação bem própria de cercar de amor o casal cristão e de assisti-lo. Uma nova relação de amor se estabelece quando se entra no pacto do casamento, assim como se entra no pacto da igreja por meio da iniciação. A cerimônia de casamento é um sinal visível dessa nova relação de amor e conclama as outras pessoas a fomentar esse amor, da mesma forma como a igreja se incumbe em amor de fomentar a fé de uma criança ou adulto recém-batizado. Em ambos os casos a relação de amor é permanente.”23

22 23

WHITE, 2004, p. 222. WHITE, 2004, p. 223.

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Aspectos bíblicos sobre o matrimônio24 12. Do ponto de vista bíblico, o matrimônio é boa criação de Deus Na perspectiva bíblica, o matrimônio é parte constitutiva da criação de Deus. Assim como Deus criou o universo e preencheu a terra com água, vegetação e seres viventes, ele também criou o homem e a mulher e os destinou a viverem em parceria. Portanto, antes de ressaltar os traços históricos e culturais que a vivência do matrimônio assumiu na trajetória do povo de Deus, importa enxergá-lo como parte essencial da boa criação de Deus, como fica evidenciado nos dois relatos da criação (Gn 1.2631 e 2.18-25). Também Jesus, aliás, entendeu o matrimônio desta maneira (Mt 19.5-6). Os dois relatos da criação, cada qual a seu modo, falam sobre a vontade original de Deus em relação ao matrimônio. O primeiro ressalta que homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.27). Isso significa, provavelmente, entre várias interpretações possíveis, que ambos possuem a mesma capacidade de se relacionar e de estabelecer uma comunhão de propósitos. Consequentemente, possuem também a mesma dignidade e o mesmo valor. Não podem ser discriminados ou prejudicados por pertencerem ao gênero masculino ou feminino. Ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus. No contexto da criação e como parte da mesma, homem e mulher recebem de Deus a dupla tarefa de administrar de forma responsável a obra da criação e de propagar a espécie humana através da procriação, colaborando, de certa forma, com a continuidade da criação e zelando por ela (Gn 1.28). No segundo relato da criação, a união entre homem e mulher é concebida a partir do enfoque do companheirismo do casal. Diferentemente do primeiro relato, que repete no final de cada dia a boa condição das coisas criadas, aqui ele inicia com a constatação de que algo não está bem: não é bom que o homem esteja só e permaneça sozinho. O próprio Deus constata que o homem necessita de uma companheira (Gn 2.18).

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Agradecemos ao P. Ms. Verner HOEFFELMANN, professor de Novo Testamento, por sua colaboração na formulação desta seção.

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Que a mulher tenha sido criada de uma costela do homem não significa que este tenha algum privilégio especial ou seja senhor de sua mulher, e sim que ela possui a mesma natureza que ele. O próprio homem reconhece a dignidade e a igualdade da mulher ao dizer: ela é osso de meus ossos e carne de minha carne (Gn 2.23). Quando se diz que os dois formam uma só carne (Gn 2.24), pressupõe-se um casamento monogâmico. O relato proclama, portanto, que Deus tornou possível o matrimônio, que homem e mulher foram criados como seres relacionais, que se completam, que foram feitos para viver em comunhão e para tornar-se uma só carne (Gn 2.24). 13. O matrimônio pode se corromper quando não é vivido sob a benéfica influência de Deus Após descrever, nas primeiras páginas, a vontade primordial de Deus em relação a união entre homem e mulher, as Sagradas Escrituras mostram, em seguida, como ele pode ser vivido de forma deturpada pelos seres humanos. A imagem ideal não corresponde à prática real. Por que isso? Porque também o matrimônio foi comprometido e corrompido pelo pecado. É o que se encontra tipificado no relato da queda. Tanto o homem quanto a mulher são tentados pelo poder do mal, deixam-se influenciar por ele, em desobediência a Deus (Gn 3). Em consequência disso, o relacionamento entre homem e mulher passa a ser marcado por hierarquias (Gn 3.16). A comunhão de uma só carne se deteriora, quando muito, em mera cumplicidade, que afasta homem e mulher do seu Criador. Multiplicam-se nas Escrituras, a partir daí, os exemplos negativos do que acontece quando o matrimônio não é vivido sob a benéfica influência de Deus: rixas domésticas (Gn 16.3-6; 1Sm 1.4-6; 1Rs 11.1-4), violência (Gn 34; Dt 22.23-29; Jz 19.11-30; 2Sm 13.1-38), adultério (2Sm 11-12), prostituição (Jz 16.1-3; 1Rs 14.24). Essas experiências são recolhidas e formuladas de forma magistral nos provérbios. Apenas dois exemplos: “Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa” (Pv 25.24). Num contexto patriarcal, a frase é dita por um representante do gênero masculino. Mas é óbvio que também a mulher poderia dizer a mesma coisa a respeito do homem rixoso. Ou então, 27


de forma mais poética e menos patriarcal: “Melhor é um prato de hortaliças, onde há amor, do que o boi cevado e com ele o ódio” (Pv 15.17). 14. O matrimônio pode ser uma fonte de alegria e bênção Conforme o Antigo Testamento, o matrimônio é protegido através de regras sólidas e precisas. No contexto da aliança, essas regras devem ser entendidas como tentativas de preservar o matrimônio e a família e manter a sua integridade (Êx 20.14; Lv 18.1-18; Dt 7.3; 22.13-30; 25.510). Como veremos a seguir, algumas delas serão declaradas ultrapassadas pelo Novo Testamento. Mas já o antigo povo de Deus sabe que, quando vivido “à sombra do Altíssimo”, o matrimônio pode continuar sendo uma fonte de alegria e bênção. Também aqui os exemplos, agora positivos, poderiam ser multiplicados: o amor paciente e comovente de Jacó por Raquel (Gn 29), a caracterização da mulher de Ezequiel como “o objeto do seu orgulho, o seu júbilo, a sua glória, a delícia dos seus olhos e o anelo de sua alma” (Ez 24.25), os cânticos à mulher amada e ao homem amado no livro de Cantares, os elogios à mulher virtuosa e à boa convivência entre marido e mulher no livro dos Provérbios (Pv 5.18-20; 12.4; 14.1; 15.17; 31.10-31). 15. No Novo Testamento, o matrimônio continua sendo visto como bênção de Deus Vários traços acima descritos perpassam também o Novo Testamento. No período da nova aliança, obviamente, o matrimônio continua sendo visto como bênção de Deus. Por isso, o Novo Testamento caracteriza como apóstatas os que proíbem o casamento (1Tm 4.1-5). Jesus santificou com sua presença um casamento e nele deu início a seus milagres (Jo 2.1-12). Com naturalidade se constata que fiéis, ministros e apóstolos eram casados (At 5.1; 18.26; Rm 16.3; 1Tm 3.2,11; Cl 3.18-21; 1Co 9.5). Entretanto, como já foi mencionado, algumas das orientações antigas sobre o matrimônio foram suplantadas. Segundo Jesus, elas eram motivadas pela “dureza de coração” (Mc 10.4). Enumeramos algumas das principais. 28


a) Na antiga aliança, o matrimônio era visto como forma de contornar a morte e de sobreviver nos filhos. Por isso, a procriação era seu alvo primário, e a esterilidade era vista como motivo de desespero (Gn 30.1; 29.39). Era este também o sentido do levirato, o casamento entre cunhados, qual seja, suscitar uma descendência ao irmão falecido (Gn 38.8), para que seu nome não se apagasse em Israel (Dt 25.19). No Novo Testamento, com a perspectiva da ressurreição, o matrimônio deixa de ser visto como um meio de preservar a existência após a morte. Por isso também o celibato, ao lado do casamento, pode ser visto como um dom de Deus (1Co 7.7-9; cf. Mt 19.12; At 21.9). A comunidade pode se transformar em família para os celibatários (Ef 2.19). A sexualidade, por seu turno, não está somente vinculada à procriação (1Co 7.1-6). b) No período da antiga aliança se reconhecia a poligamia como prática lícita (Dt 21.15-17). Mesmo que a monogamia fosse a regra nas famílias israelitas, o homem podia se relacionar com várias mulheres, fossem concubinas ou esposas oficiais (Gn 16.1-2; 30.1-9; 36.1-5). O rei Herodes Magno, no início da era cristã, ainda possuía dez esposas. O Novo Testamento restaura a monogamia como a vontade original de Deus expressa nos relatos da criação (Ef 5.31; 1Tm 3.2). Um segundo casamento é possível apenas com a morte do primeiro consorte (Rm 7.2-3; 1Co 7.39). c) Conforme as leis antigas, o adultério só poderia ser cometido pela mulher contra seu próprio marido ou por um homem contra outro homem, cuja esposa ou noiva houvesse seduzido. A mulher era tida como posse de seu marido (Êx 20.17; Dt 5.21). O adultério, por isso, consistia em ferir um direito de propriedade, seja do próprio marido (caso da adúltera) ou de outro homem (caso do adúltero). No Novo Testamento, não apenas a transgressão do homem é caracterizada como adultério (Mc 10.11-12). O homem também é chamado a vencer o desejo que leva ao adultério (Mt 5.27-28). d) O Antigo Testamento previa a possibilidade do divórcio, mas apenas o homem tinha o direito de repudiar sua esposa, desde que encontrasse nela “algo indecente” (Dt 24.1). Os rigoristas viam aqui uma referência ao adultério, enquanto os liberais alargavam a interpretação, incluindo até coisas banais, como deixar queimar a comida. Jesus defende a união matrimonial como indissolúvel, dizendo que não se pode separar 29


o que Deus ajuntou e transformou em uma só carne (Mc 10.2-12; Mt 5.31-32). Num ambiente de relações patriarcais, essa posição de Jesus é uma clara manifestação de apoio à mulher que sofre as consequências da lei do divórcio. E assim agindo, Jesus vê o matrimônio como uma comunhão de duas pessoas que possuem a mesma dignidade e merecem o mesmo respeito. Nem a parceira, nem o parceiro são objetos descartáveis, pois ambos possuem a dignidade dada por Deus na criação. Na opinião de Jesus, o matrimônio foi instituído para ser uma união permanente. Cada vez que um homem redige um documento de divórcio, ele atesta para si mesmo a dureza de seu coração e o fato de não viver em conformidade com a vontade original de Deus expressa na criação. De acordo com Mt 5.32 e 19.9, o divórcio é permitido, mas apenas em situações de adultério, e, conforme 1Co 7.12-16, nos casos em que o consorte não cristão não queira manter o matrimônio. e) Num contexto patriarcal, inclusive no período neotestamentário, a mulher ocupava uma posição secundária na sociedade, na religião e na família. Era honrada, sim, por sua condição de procriadora. Mas devia cobrir o rosto para passar despercebida em público. Seu testemunho não era aceito nos tribunais. Não podia ler ou ensinar na sinagoga. Tinha acesso restrito ao templo. Seu espaço era o âmbito doméstico, onde devia se submeter ao marido como a um senhor e atender às necessidades do lar. Jesus, em contrapartida, defendeu as mulheres (Mc 10.2-12; 14.3-9; Lc 7.36-50; Jo 8.1-11), exaltou sua conduta ou fé (Mt 21.31; Mc 7.24-30; Lc 21.1-4), deu-lhes acesso ao saber (Lc 10.38-42), acolheu-as em seu ministério (Mc 15.40s; Lc 8.1-3), curou-as (Mc 1.28-31; 5.25-34; Lc 13.10-17), promoveu-as a testemunhas da ressurreição (Mt 28.9-10; Jo 20.11-18). Mesmo que nem sempre tais situações envolvessem a vida matrimonial, com certeza lançavam novas luzes sobre ela e contribuíam para a sua renovação. Mesmo que relações hierárquicas continuassem sendo reafirmadas nas primeiras comunidades (1Co 11.2-16; Ef 5.2233; Cl 3.18-21), elas eram atenuadas pelo exemplo do amor com o qual Cristo, como cabeça, amou a sua Igreja e se entregou por ela (Ef 5.25). Impressiona, nesse contexto, a palavra do apóstolo Paulo em 1Co 7.116, onde ele reafirma o matrimônio como um estado de reciprocidade entre homem e mulher, seja em relação aos direitos ou aos deveres que ambos possuem um para com o outro. 30


f) Finalmente, agora em consonância com a antiga aliança, o Novo Testamento reafirma a santidade do matrimônio. Mas com uma nova fundamentação: o corpo humano é templo do Espírito Santo (1Co 6.19). Eis o motivo pelo qual ele não pode ser entregue à devassidão (1Co 6.1220; Ef 4.25-5.21; Hb 13.4), entristecendo o Espírito de Deus (Ef 5.30). Pelo contrário, quem é templo do Espírito Santo também deve permitir que ele renove e dirija sua vida, produzindo os frutos dignos do Espírito (Gl 5.16-16; Cl 3.5-17). Entre eles se encontram o amor, a alegria, a paz, a bondade, a fidelidade e, sobretudo, o perdão, do qual o matrimônio sempre pode recomeçar.

Aspectos confessionais: Lutero e o matrimônio25 16. A influência da Reforma na valorização do matrimônio e da paternidade/maternidade No mundo da Reforma aconteceu uma mudança na avaliação das relações de gênero. A valorização do matrimônio e da paternidade/maternidade deve ser mencionada entre as mais destacadas influências da Reforma. A importância que a mulher e o matrimônio receberam na época da Reforma fica patente quando observamos a situação das mulheres na Igreja da Idade Média tardia. Neste período, a vida em celibato era vista como obra meritória que está a serviço da salvação. Tal concepção tem suas origens na introdução do celibato sacerdotal, tornado obrigatório com as reformas do papa Gregório VII (1073-1085). A sexualidade era vista como expressão do pecado original e, em consequência disto, promoviase o distanciamento sexual entre o homem e a mulher. Além disso, a Idade Média tardia experimentou uma revalorização do ideal da virgindade, que, por sua vez, levou a uma desvalorização do matrimônio. Estabeleceu-se uma série de proibições de matrimônios para leigos, a partir do 4º Concílio de Latrão (1215). Ponto culminante deste desenvolvimento, iniciado 25

Agradecemos ao P. Dr. Martin N. DREHER, professor de História da Igreja, por sua colaboração na formulação desta seção.

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com Gregório VII, seria a bula de Inocêncio VIII a respeito das bruxas, datada de 1484. Nela, o valor da sexualidade e a igualdade da mulher em relação ao homem são considerados doutrina herética. Nessa época, de maneira geral, a mulher era vista como especialmente propensa às atividades satânicas, necessitando, assim, de um caminho especial para alcançar a salvação: a virgindade. A doutrina do sacerdócio geral de todos os crentes, desenvolvida por Lutero a partir de 1 Pedro 2.9 e exposta no escrito “À nobreza cristã de nação alemã, acerca da melhoria do estamento cristão”, viu-se confrontada com uma Igreja na qual as mulheres eram discriminadas por causa de seu gênero e perseguidas por decênios com o consentimento dela. Além disso, a Igreja justificava teologicamente o papel secundário dado às mulheres. Lutero buscou se voltar contra essa situação, se bem que em muitas de suas formulações encontremos expressões que o mostram filho do seu tempo e traindo suas próprias intenções. Mesmo assim, a igualdade de todos os membros do corpo foi explicada por Lutero a partir de seu conceito de Deus: Deus é o Deus que se dá aos seres humanos quando uma mulher fica grávida e dá à luz o Filho de Deus. Quando Deus se torna ser humano, é dada a resposta definitiva à pergunta acerca do valor e da dignidade, da igualdade ou da desigualdade de homem e mulher. Deus envia seu Filho para fazer cair os muros de separação e para possibilitar uma vida nova dentro de um amor recíproco (Ef 2). Com essa constatação de Lutero fica eliminada a base teológica para a declaração da inferioridade da mulher, como podemos verificar especialmente na sua interpretação do Cântico de Maria (Lc 1.46-55), de 152126 . 17. Nova concepção de matrimônio e redescoberta da corporalidade Lutero parte do relato da criação (Gn 1.27ss): “ ‘Deus criou o ser humano, para que houvesse um homenzinho e uma mulherzinha’. Este enunciado nos dá a certeza de que Deus dividiu os seres humanos nestas duas partes, para que houvesse homem e mulher, ele e ela. E isso lhe agradou 26

LUTERO, Martinho. O Magnificat. In: Obras Selecionadas: Ética: fundamentação da ética política, governo, guerra dos camponeses, guerra contra os turcos, paz social. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1996. v. 6, p. 20-78.

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tanto que ele próprio o chamou uma boa criatura. (...) E Deus quer que essas boas criaturas sejam honradas e respeitadas como obra divina, e não permite que o homem despreze ou ridicularize a mulher ou a moça. Nem tampouco a mulher o homem, mas cada qual honre a pessoa e o corpo do outro como boa obra de Deus, que agrada ao próprio Deus.”27 A diferença entre homem e mulher e a inclinação de um em relação ao outro são, igualmente, parte de sua criação. Assim, cada qual deve honrar o outro como boa obra de Deus. A corporalidade e a sexualidade são dádivas de Deus, pelas quais devemos lhe agradecer. A vida responsável do ser humano também abarca sua corporalidade. Para Lutero, homem e mulher são criaturas de Deus, e ele criou o ser humano como mulher e homem porque sabe do que necessita o ser humano: “Não é bom que o ser humano esteja só.” Assim, a comunhão matrimonial é “obra e boa vontade de Deus”. Em que consiste, porém, essa boa obra e vontade de Deus? Diz Lutero que há uma diferença entre “estar casado” e “reconhecer a vida matrimonial”. Podemos reconhecer o bem no matrimônio quando cremos firmemente que o próprio Deus quiz o matrimônio. Foi ele quem uniu a mulher e o homem e lhes deu a capacidade de gerar filhos, criá-los e educá-los. Tudo isso é do agrado de Deus. Não é “tendo” um companheiro que demonstramos a vontade de Deus, mas “encontrando-nos”, isto é, respeitando-nos, amando-nos e reconhecendo um as peculiaridades do outro. O matrimônio significa trabalho, sofrimento de um em relação ao outro, mas também dá a possibilidade de companheirismo, de apoio mútuo em todas as situações. E isso é boa vontade de Deus. Lutero vê no cuidado comum da criança o que os cônjuges cristãos devem ser um em relação ao outro. No escrito “Da vida matrimonial”, de 1522, Lutero diz: “Que diz a fé cristã a esse respeito? Ela abre seus olhos e encara todas essas coisas insignificantes, incômodas e desprezíveis espiritualmente e percebe que, com a benevolência divina, todas elas são ornadas com o mais precioso ouro e pedras preciosas, e diz: ‘ó Deus, porque sei que tu me criaste como homem e geraste essa criança de meu corpo, também sei com certeza que isso te agrada da melhor maneira; confesso que não sou digno de embalar o bebê, nem de 27

LUTERO, 1995, p. 161s.

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lavar suas fraldas, nem de tomar conta dele e de sua mãe. Como foi que me tornei digno, sem qualquer mérito, de ter reconhecido que estou servindo a tua criatura e a tua boa vontade? Com que alegria irei abraçar a tarefa, mesmo que fosse a mais humilde e desprezível. De agora em diante, nem frio nem calor, nem incômodo nem trabalho me hão de desgostar, porque estou certo de que é isso que te agrada.’ ”28 Em outras passagens, Lutero critica a tradição que diz que o trabalho diário na família é somente coisa de mulher. Sua crítica vem da segurança de que Deus é o criador. A tradição que diz que as tarefas domésticas são coisas de mulher não é cristã. Lutero descreve tal opinião com as palavras: “Acaso deveria eu embalar o bebê, lavar as fraldas, arrumar camas, cheirar o fedor, vigiar à noite, atendê-lo quando chora, curar suas assaduras e pústulas? Depois atender a mulher, alimentá-la, trabalhar pelo sustento, preocupação aqui e preocupação ali, sofrer isso e aquilo, e todos os demais desgostos e incômodos inerentes ao estado matrimonial?”29 A fé cristã não pode se valer de tais palavras. Mulher e homem são companheiros no matrimônio, chamados a levar as cargas um do outro. Quando as tarefas “insignificantes” são entregues exclusivamente à mulher, a finalidade do ser humano está desvirtuada. O ser humano só pode ser humano em comunhão. Na maneira como homem e mulher se relacionam no desempenho diário de suas funções percebe-se se crêem no que confessam. 18. A palavra de Deus é o fundamento de uma união matrimonial responsável A palavra de Deus cria o amor mútuo que envolve todo o ser humano e capacita homem e mulher a serem conjuntamente responsáveis. Além disso, ambos são iguais diante de Deus, pois Deus criou homem e mulher à sua imagem e ambos são suas criaturas. Essa imagem de Deus, no entanto, sempre é negada por homem e mulher em virtude de seu comportamento. Lutero não conhecia apenas o “matrimônio perfeito”. Ele sabia muito bem que há pecado também no matrimônio. Em sua atividade pastoral, viu que os conflitos do matrimônio podem ser motivados 28 29

LUTERO, 1995, p. 176. LUTERO, 1995, p. 176.

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por problemas sexuais, por problemas de personalidade, por enfermidades crônicas dos cônjuges, por influências dos pais do jovem par, por adultério, por problemas econômicos, por falta de oração. Ele sabia que todos esses problemas e outros como: fome, sede, satisfação, trabalho, sono, têm significado espiritual. Se estas questões não forem resolvidas satisfatoriamente, elas podem provocar problemas na relação conjugal, e, assim, não haverá companheirismo no matrimônio. Deus se tornou humano em Cristo para reconciliar consigo o mundo, que se encontra sob o pecado e a morte. Para a comunidade cristã, essa reconciliação é vivenciada através do batismo. Batismo significa libertação do pecado e passagem para uma nova vida em Cristo. Pelo batismo, portanto, homens e mulheres estão libertos da culpa para assumir com alegria todos os aspectos de vida em comunhão. Através dele são concedidas ao homem e à mulher novas possibilidades de dar forma à sua vida em comum, pois em Cristo também o seu relacionamento é modificado (Gl 3.26-28). Passam a ser “amigos no Espírito”. Nesse novo relacionamento, podem servir um ao outro, pois sua vida tem um objetivo: participar da renovação de tudo o que foi criado (Ap 21.1). Essa obra de Deus, que ele quer concretizar em sua Igreja, é impedida por homens e mulheres enquanto continuam estabelecendo suas relações dentro das categorias do mundo caído. O Espírito de Deus quer modificar a homem e mulher, santificando-os para que se tornem “amigos”. A palavra “amizade” como característica da relação do casal é obtida por Lutero a partir da interpretação de Gálatas 3.28. Lutero não interpreta essa passagem no sentido de uma eliminação das características sexuais. Isso seria negação da “boa criação de Deus”. Ele a interpreta no sentido da colaboração de homem e mulher. Eles vivem de acordo com o evangelho: o masculino não quer mais subjugar o feminino, nem este procurará velada ou abertamente meios para dominar o masculino. Homem e mulher são amigos. A base do matrimônio de pessoas cristãs é a reconciliação, o respeito mútuo, o companheirismo30 .

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De fundamental importância é o estudo de SCHARFFENORTH, Gerta. Freunde in Christus: Die Beziehung von Mann und Frau bei Luther im Rahmen seines Kirchenverständnisses. In: SCHARFFENORTH, Gerta; THRAEDE, Klaus. Freunde in Christus werden.... Die Beziehung von Mann und Frau als Frage an Theologie und Kirche. Gelnhausen, Stein: Burckhardthaus, Laetare, 1977.

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Em Cristo, a vontade do Criador na criação se torna realidade. Lutero sempre constatou que cada geração tem que reaprender a viver segundo a vontade do Criador. Cada ser humano tem também a possibilidade de se fechar a essa mudança na relação de homem e mulher e se acomodar a uma situação que lhe é mais conveniente. Por isso diz que não há matrimônio cristão. Também o matrimônio é uma “coisa civil”. O que há são cristãos no matrimônio. Estes o recebem como dádiva, como oportunidade de se complementarem, como possibilidade de se tornarem “amigos em Cristo”. O matrimônio não conhece regras, mas deve ser vivido dentro da liberdade que Cristo nos conquistou.

Aspectos do matrimônio nos tempos atuais 19. A bênção matrimonial e o desafio da realidade Os enlaces matrimoniais do século XXI acontecem sob o impacto de muitas mudanças. Vivemos o confuso cenário de opções entre “viver juntos” informalmente ou unir-se sob a promessa “até que a morte nos separe”. Dados estatísticos revelam que o número de uniões consensuais – aquela em que as pessoas optam por viver juntas sem registro de casamento – aumentou significativamente. A tendência de casamentos informais cresce, principalmente, entre os jovens. Constata-se, além disso, o aumento gradativo de separações e divórcios. Mesmo assim, verifica-se, nos tempos atuais, uma procura significativa por casamentos regulamentados. A realidade dos tempos pós-modernos indica que muitas pessoas preferem morar com seus parceiros antes de um comprometimento definitivo na forma de um contrato de casamento. De um lado, numa época de maior liberdade sexual, os jovens desfrutam da possibilidade de experimentar um relacionamento mais próximo e íntimo, passando a morar juntos antes de se definirem por um relacionamento mais duradouro. O casamento passa, nesses casos, a efetivar ou coroar o resultado de um relacionamento bem-sucedido. Por outro lado, morar juntos também é resultado de uma situação social, sendo que, em diversos casos, a legalização do casamento não ocorre devido à dificuldade financeira. Mesmo que o código civil brasi36


leiro assegure o direito à gratuidade nas taxas exigidas pelos cartórios para o casamento civil a pessoas carentes, muitas delas não conseguem obter tal benefício e outras tantas desconhecem esse direito.

20. Realizar e receber a bênção matrimonial significa testemunhar e crer que Deus ajuda a construir relações duradouras e a superar os fracassos A realidade de individualismo e intolerância em que vivemos põe as relações pessoais em crise constante e denuncia uma fragilidade das uniões matrimoniais, as quais se tornam facilmente “descartáveis”. A convivência no dia a dia não é tarefa simples e nem sempre é fácil. Tensões, decepções, conflitos são parte da convivência humana e também marcam a vida de um casal. O dia a dia nos leva a descobrir as fraquezas próprias e as do companheiro ou da companheira, e nem sempre há disposição para aceitar o outro com seus erros e fracassos. Em meio a tal realidade, a Igreja cristã realiza bênçãos matrimoniais e, tendo em vista a indissolubilidade do casamento, utiliza, em suas liturgias, a expressão “até que a morte os separe”. Ao insistir em tal prática, a Igreja e, como tal, a IECLB dá testemunho de que, apesar da fraqueza humana, é possível criar e manter relacionamentos bons e duradouros entre as pessoas, com o auxílio de Deus. Entretanto, isso não significa que em casamentos onde há opressão e violência de um cônjuge sobre o outro, o compromisso matrimonial, assumido diante de Deus, deva forçosamente ser mantido. O relacionamento a dois exige entrega, apoio, compromisso, ajuda e cumplicidade. É no dia a dia que o amor entre duas pessoas se fortalece. É no cotidiano da vida, em meio aos sofrimentos, incertezas, alegrias e conquistas, entre os altos e baixos, que ele é verdadeiramente solidificado. Por isso, para as pessoas cristãs a fé em Deus é decisiva. Somente Deus ajuda a desenvolver o verdadeiro amor entre as pessoas, que aceita e perdoa, pois ele é a fonte do puro amor, do amor incondicional revelado na cruz de Cristo. Receber a bênção matrimonial é crer que Deus ajuda a construir relações duradouras e a superar os fracassos. 37


Realizar a bênção matrimonial no seio de uma comunidade cristã é anunciar publicamente a fé nesse Deus. Tanto o casal quanto a comunidade que celebra a bênção matrimonial dão testemunho dessa fé. Uma tarefa deveras significativa da comunidade é interceder pelo casal para que Deus o conserve na fé verdadeira, pois, ao acompanhar as pessoas em uma transição importante da vida, a comunidade cristã também se compromete a assisti-las e fomentar o amor expresso por elas no pacto de união matrimonial. 21. O ofício da bênção matrimonial na compreensão da IECLB A bênção matrimonial é dada a um casal, formado por um homem e uma mulher, que, tendo contraído matrimônio perante a lei civil, desejam colocar o seu casamento sob a bênção de Deus e sob a orientação da sua palavra, bem como sob a intercessão da comunidade. Com o ato da bênção matrimonial, “o casal manifesta publicamente ser de sua livre e espontânea vontade a intenção de levar uma vida matrimonial indissolúvel em fé, amor e compromisso recíproco conforme a vontade de Deus”31 . 22. A bênção matrimonial e a realidade do divórcio Afirmar que o matrimônio é boa ordem civil abençoada por Deus através da sua Igreja não exclui que, por vezes, os objetivos do matrimônio não sejam realizados. A Bíblia leva em conta a realidade de pecado em que vive o ser humano, e este pode falhar no cumprimento da vontade divina. Nos últimos tempos a Igreja tem encarado com maior intensidade a realidade do divórcio e das uniões matrimoniais contraídas por pessoas divorciadas. Há situações de conflitos matrimoniais em que todas as tentativas de reconciliação são esgotadas e a separação se torna inevitável. Para a IECLB, “conforme a vontade de Deus, o matrimônio é indissolúvel. Em caso de conflito matrimonial, é recomendável que haja

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Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009.

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acompanhamento visando à reconciliação.”32 Mas, ainda que o matrimônio seja realizado na perspectiva de sua indissolubilidade, nenhum cônjuge deve se submeter ao outro sob coação ou violência e tem o direito de separar-se. Admitir que uma relação matrimonial chegue ao seu limite também significa aceitar que Deus dá chances ao ser humano de construir um novo relacionamento. Uma nova união pode acontecer, e também esta é motivo de uma celebração da comunidade na presença de Deus. De acordo com a IECLB, “a realização da Bênção matrimonial pode ser concedida a pessoas divorciadas, assumidas as consequências do vínculo desfeito e quando constatada a seriedade de um novo compromisso matrimonial”33 . 23. Bênção para vida em comum Conforme “Nossa fé, Nossa vida”, o casal que recebe a bênção matrimonial deve estar habilitado pela lei civil. Entretanto, a Igreja é confrontada com novas situações de convivência matrimonial, também entre os membros de suas comunidades, que não podem ser ignoradas. De acordo com o Novo Código Civil brasileiro, há três tipos de união matrimonial: o casamento, a união estável e o concubinato34 . “Devido à fragilidade humana, a IECLB não quer deixar de considerar com amor a situação de um número crescente de pessoas que, por motivos justificados, não têm ou não podem assumir, perante o Estado, o compromisso formal de uma união civil, desejem sinceramente levar uma vida em comum em amor e compromisso. Nestes casos, a IECLB abre a possibilidade para a ‘Bênção para a vida em comum’.”35 A “Bênção para vida em comum” pode ser concedia a casais que vivem uma união estável, e o ato se rege por um rito litúrgico próprio.

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Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009. Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009. Confira definições de acordo com o Anexo 1, à página 108. Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009.

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Conforme o documento “Nossa fé, Nossa vida”, para a situação de concubinato não haverá “Bênção”.36 Antes de ser concedida a “Bênção para vida em comum”, é importante ouvir o presbitério e, através de diálogo pastoral com o casal, avaliar se os aspectos legais estão devidamente considerados e se o casal vive uma união estável nos termos da lei.

Aspectos pastorais e práticos 24. As primeiras providências para o encaminhamento da bênção matrimonial A IECLB possui orientações sobre a bênção matrimonial. O documento “Nossa fé, Nossa vida” esclarece questões importantes como: “O que é a bênção matrimonial?”, “Quem recebe a bênção matrimonial?”, “Qual a preparação necessária?”, “Onde se realiza a bênção matrimonial?”, “Quando pode ser negada a bênção matrimonial?”, “O que fazer quando um dos nubentes é de outra igreja cristã?”, “Como proceder quando um dos nubentes pertence a uma religião não-cristã?”, “Qual a situação de pessoas divorciadas?” e “Como tratar as questões especiais?”37 . É imprescindível que cada obreiro/a esteja ciente das orientações prescritas neste documento. Conforme o referido documento, a bênção matrimonial “deverá ser solicitada com a devida antecedência, sendo que, pelo menos, uma das partes deve ser membro da IECLB”. Sempre que ocorrer um pedido de bênção matrimonial, busca-se verificar se o casal encaminhou a documentação do casamento civil, pois a bênção matrimonial é dada somente aos casais que comprovem habilitação perante a lei civil. É aconselhável que a documentação do casamento civil seja apresentada com relativa antecedência.

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Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009. As perguntas aqui inseridas levam em conta o texto da Redação final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009.

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Há casos especiais em que a assinatura do casamento civil é realizada durante a cerimônia religiosa. A responsabilidade jurídica do casamento, no entanto, permanece sendo do Estado, que possui suas próprias normas. A Igreja abençoa a união matrimonial e orienta o casal a viver segundo a palavra de Deus. Mas, dependendo da situação, por exemplo, em regiões em que o acesso ao cartório é dificultado pela distância, a parte jurídica pode ser coordenada pelo/a obreiro/a, tendo sido devidamente combinada com o/a juiz/a do cartório responsável e previamente encaminhada, restando apenas a conclusão do ato mediante a assinatura do casal e das testemunhas. Esta parte, via de regra, é realizada no final do ato litúrgico, após o Envio, quando, então, o/a obreiro/a convida o casal e as testemunhas a assinarem o livro do registro civil. Sugere-se que seja colocada uma mesa na entrada da igreja, para que os noivos e as testemunhas assinem o documento quando da saída da procissão nupcial. Ao se realizar uma cerimônia matrimonial numa paróquia que não a própria, observa-se o devido respeito para com as pessoas responsáveis pela comunidade local. Com a devida antecedência, entra-se em contato com o/a obreiro/a local, para informá-lo/a a respeito e solicitar sua concordância. Após o evento, o/a obreiro/a local merece uma carta de agradecimento do/a obreiro/a visitante. 25. Uma cerimônia bem organizada ajuda a evitar surpresas desagradáveis Qualquer evento deve ser bem planejado, e o/a obreiro/a deveria ser consultado/a desde o início dos preparativos da cerimônia. É prudente realizar um encontro prévio entre o/a obreiro/a e as pessoas que organizam os cerimoniais (“cerimonialistas”) – muito comuns hoje em dia – para não ocorrerem atropelos durante a cerimônia. Um regimento interno da comunidade local pode auxiliar muito o/a obreiro/a no que tange a questões como música, fotógrafo, filmagens, decoração, entre outras. É mais fácil o/a obreiro/a apresentar as regras impressas aprovadas pelas instâncias competentes do que se basear apenas na autoridade própria.

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26. O diálogo pré-matrimonial é parte importante do serviço ministerial O serviço ministerial exige tempo e habilidade para o aconselhamento de casais, que já inicia antes mesmo do casamento. O diálogo pré-matrimonial envolve questões práticas da cerimônia, mas enfoca principalmente o próprio significado da bênção matrimonial. Esse diálogo é um momento oportuno para conversar, a partir da fé cristã, sobre valores e princípios importantes para o casamento, tão trivializado nos tempos atuais. Um ponto importante a ser refletido na conversa pré-matrimonial é a relação de igualdade [de direitos e deveres] entre o par. Numa sociedade ainda marcada pelo patriarcalismo e pela violência contra a mulher, o tema não pode deixar de ser tratado pelas Igrejas. Algumas vezes, será necessário dizer “Não” aos apressados que querem exigir a “bênção” sem se disporem a uma reflexão mais profunda sobre a seriedade de tal compromisso. Nesse diálogo, também se podem detectar falta de maturidade do casal e outras questões que exigem um maior acompanhamento por parte do/a obreiro/a, da família e da comunidade. Da mesma forma, podem ser constatados casos especiais em que a comunidade deva se envolver com ajuda material ao casal. Isto também é parte da tarefa e responsabilidade cristã. Em muitos casos, a bênção matrimonial é o momento em que membros afastados retornam à Igreja. O diálogo pré-matrimonial pode motiválos a um envolvimento maior com a vida comunitária. Torna-se oportuno informá-los sobre a existência dos diversos grupos de trabalho da comunidade, em especial o de casais. O diálogo pré-matrimonial é uma excelente chance para o/a obreiro/a conhecer melhor o casal, ouvir a sua história, seus planos e sonhos. Dessa conversa podem ser extraídos subsídios importantes para a celebração. A alocução, as intercessões e os hinos podem ser escolhidos e formulados levando-se em consideração a história do casal. Esse é também um espaço para se tirar dúvidas do casal e do/a oficiante sobre o ofício da bênção matrimonial.

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27. O ensaio da cerimônia de bênção matrimonial ajuda a criar confiança entre as pessoas envolvidas “Seria muita ousadia, para não dizer imprudência, tentar um casamento sem ensaio.”38 Às vezes, após realizar inúmeras bênçãos matrimoniais, o/a obreiro/a se sente tão familiarizado com a cerimônia que dispensa os ensaios com os noivos. Mas é importante lembrar que para cada casal a sua cerimônia é única. O ensaio com os nubentes é essencial. Evita improvisos, atropelos, mal-estar e ajuda a criar confiança entre as pessoas envolvidas. É bom ensaiar as partes mais problemáticas, como, por exemplo, o cortejo de entrada, a troca de alianças, os votos e a saída. É bom não se esquecer de providenciar a almofada sobre a qual o casal se ajoelhará. 28. Algumas recomendações litúrgicas para o ofício da bênção matrimonial Nas comunidades que têm por costume celebrar o tríduo pascal ou, pelo menos, a vigília pascal, o círio pascal39 é aceso nos cultos de bênção matrimonial, pois esta vela remete ao batismo, lembrando que a bênção matrimonial é dada a pessoas batizadas, membros do corpo de Cristo. Ao valorizar os símbolos batismais em celebrações como a bênção matrimonial, a Igreja dá testemunho de que está presente na vida dos filhos e das filhas de Deus, acompanhando-os em passagens importantes da sua vida. A fonte batismal também pode estar adornada e à vista da comunidade. Na hora da celebração, o casal se posiciona, preferencialmente, de maneira que ela fique à esquerda do noivo. Familiares, padrinhos ou madrinhas podem fazer uma das leituras bíblicas.

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WHITE, 1997, p. 225. Sobre o significado do círio pascal, confira as explicações contidas no Livro de Batismo da IECLB, conforme KIRST, Nelson (Org.). Livro de Batismo. São Leopoldo: Oikos, 2008. 2. ed. rev., p. 46-48.

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Deve se cuidar na celebração para não fazer comentários inadequados e desnecessários, que exponha o casal, como, por exemplo, o caso de uma gravidez. Também não é apropriado mencionar a necessidade de que o casal tenha filhos. Incluam-se na oração de intercessão possíveis aniversários de familiares e situações de doença. A Ceia do Senhor pode ser algo muito significativo num casamento, em especial para a comunidade que ali se congrega, pois há pessoas vindas de outras cidades, de outras comunidades. Essas pessoas, muitas vezes, raramente têm a oportunidade de comungar em conjunto numa ocasião como a de um casamento. Para o casal, a Ceia é um auxílio no fortalecimento da confiança em Deus que sustenta a união matrimonial e encoraja os cônjuges na responsabilidade mútua. Durante a Ceia, o casal pode se sentar junto à comunidade. Familiares e/ou testemunhas podem auxiliar na distribuição dos elementos da Ceia. Mas tudo deve ser combinado previamente. Em caso de recolhimento da oferta, siga-se o plano de ofertas da Igreja, mas, levando-se em conta o caráter diaconal da oferta, o ofício da bênção matrimonial é uma boa oportunidade para se recolher ofertas e outros donativos para serem doados a famílias e a recém-casados que vivem em situação de necessidade material. Neste caso, é importante envolver os nubentes na escolha do destino dos donativos. Quanto à cor litúrgica, use-se, preferencialmente, o branco, uma vez que o ofício da bênção matrimonial está estreitamente ligado ao batismo40 . 29. A bênção matrimonial para pessoas divorciadas Não há liturgia especial de bênção matrimonial para pessoas divorciadas. O casamento de pessoas divorciadas deve igualmente ser habilitado pela lei civil. Conceitualmente falando, um “segundo casamento” se assemelha ao “primeiro casamento”. Em ambos os casos, firma-se um pacto de amor e união duradouro. Entretanto, levando em conta a experiência de ambos ou de uma das partes, é importante conversar com o

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KIRST, 2008, p. 48.

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casal sobre o conteúdo e as palavras que eles querem expressar na parte do “compromisso mútuo” ou “promessa”. A preparação para a bênção matrimonial de pessoas divorciadas leva em conta que há mais pessoas envolvidas, além do casal. Quando for o caso, os/as filhos/as não podem ser ignorados. Eles também vivenciam uma nova passagem em suas vidas. Eles e elas também se enchem de expectativas quanto ao novo momento a ser vivido com seus pai ou mãe e sua nova parceira ou novo parceiro. Por isso, é muito importante conversar com o casal sobre a melhor forma de envolver os/as filhos/as na celebração da bênção matrimonial. Um pequeno gesto que inclua os/as filhos/as na celebração pode ser de grande valor para eles/as. 30. Bodas de jubileu: sugestões práticas para a celebração Combinar tudo com a família é um requisito muito importante na preparação da celebração. Na conversa de preparo, o/a obreiro/a recolhe fatos significativos da vida do casal, conhece detalhes de como foi o casamento, procura saber qual foi o lema do casamento, procura relembrar quem foram os padrinhos e as madrinhas para convidá-los e quem foi o/a obreiro/a que oficiou a bênção matrimonial. As informações são subsídios significativos para a alocução do ofício. É importante saber se há algum texto bíblico que se tornou referência para o casal ou hinos que poderão ser incluídos na liturgia, assim como um símbolo relevante que remeta à vida ou história do casal. O versículo que consta no documento “Lembrança do casamento” pode ser o tema para a celebração. A Ceia do Senhor também é algo especialmente significativo no caso de bodas de prata (25 anos de união matrimonial) e de ouro (50 anos). Trata-se de um encontro especial para a família. Há pessoas que poucas vezes se reúnem ou estão juntas. Além disso, algumas dessas pessoas já são idosas, e esta pode ser uma das últimas vezes em que estarão reunidas em culto. Fotos e/ou objetos significativos para o casal podem ser levados, durante a preparação da mesa da Ceia do Senhor, junto com a procissão dos elementos, representando os frutos de uma caminhada em conjunto. 45


Estes objetos e/ou fotos são colocados nas mãos de Deus, em oração, expressando gratidão pelas boas dádivas recebidas durante a vida. Na parte da Oração Eucarística referente aos mementos, podem ser lembrados nomes de pessoas da família que já faleceram. Fotos antigas e atuais do casal e sua família podem ser organizadas em um mural à entrada da igreja. 31. O significado da sequência do rito da bênção matrimonial A celebração da bênção matrimonial pode ser vista como um desdobramento de quatro momentos especiais: a) Nossa gratidão – trata-se do momento inicial em que os nubentes e toda a comunidade dão graças a Deus por tudo o que Ele fez até então. b) Nossa inspiração – refere-se ao momento em que são lidos os textos bíblicos e se faz a alocução, como inspiração e orientação para a vida a dois. c) Nosso compromisso – este acontece no momento em que os nubentes assumem o compromisso conjugal diante de Deus, da família, das testemunhas e da comunidade de fé. d) Nossas esperanças – são marcadas, em especial, no momento em que os nubentes recebem a bênção, suplicam e intercedem. 32. Roteiro litúrgico para a bênção matrimonial A bênção matrimonial tem caráter de culto. Sua estrutura litúrgica segue o padrão da liturgia do culto eucarístico, a saber, liturgia de entrada, liturgia da palavra, liturgia da ceia e liturgia de despedida. Cada uma dessas partes é formada por elementos litúrgicos comuns ao culto (por exemplo, acolhida, voto inicial, leitura bíblica, orações, bênção, etc.). Além disso, a bênção matrimonial possui elementos próprios, conforme se observa abaixo na parte intitulada “rito litúrgico matrimonial”. Como já mencionado na introdução, este Manual segue o princípio de moldar liturgia. Significa que as liturgias aqui apresentadas são “modelos” que podem ser adaptadas ao contexto próprio ou à situação específica de sua aplicação. Para tanto, é necessário observar os elementos que compõem a liturgia 46


de bênção matrimonial e seus respectivos significados. A moldagem de qualquer liturgia leva em conta o motivo especial da celebração, o lugar onde ela se realiza, o tempo que se tem à disposição e as características da comunidade que participa do evento41 . O significado de cada elemento do culto cristão pode ser conferido no Livro de culto da IECLB42 . Liturgia de entrada Procissão de entrada Acolhida Voto inicial ou saudação apostólica Hino Oração do dia Liturgia da Palavra Leituras bíblicas Alocução Credo Apostólico Hino Rito litúrgico matrimonial Saudação/palavras introdutórias Compromisso matrimonial Troca das alianças Declaração Bênção ao casal Oração geral Liturgia da Ceia A paz Preparação da mesa Oração eucarística

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Confira detalhes em: MARTINI, Romeu R. Livro de culto. São Leopoldo: Sinodal, 2003. p. 23. MARTINI, Romeu R. Livro de culto. São Leopoldo: Sinodal, 2003. p. 31-53.

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Pai-Nosso43 Fração Comunhão Liturgia de despedida Bênção à congregação Envio

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Nos casos onde não há Ceia, o Pai-Nosso se segue à oração geral, e continua-se com a Liturgia de despedida.

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P a r t e II

Propostas litĂşrgicas


Liturgia de bênção matrimonial com Ceia do Senhor Liturgia de entrada

Procissão de entrada A comunidade recebe a comitiva, de pé.

Acolhida O casal se põe de pé, à frente da comunidade, diante do/a oficiante. A comunidade continua de pé.

L. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou. (...) Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.27-28a,3a). L. Caros irmãos e irmãs. Estamos aqui neste dia para celebrar a união matrimonial deste casal e pedir a bênção de Deus para sua vida a dois. Assim como Jesus se fez presente no casamento que aconteceu em Caná da Galiléia e ali manifestou o seu poder, assim cremos que ele está aqui entre nós e deseja que este casal tenha seus vínculos fortalecidos por meio do compromisso que também nós, comunidade, assumimos de ajudá-los a crescer nesta união de amor. Saudação apostólica L. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com vocês (2 Co 13.13). C. E também com você. Oração do dia L. Deus da vida, te agradecemos porque no teu plano criador previdente incluíste a união entre duas pessoas pelo amor responsável. Concede que esta união que hoje presenciamos receba o sopro do

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teu Espírito e seja sustentada pelo teu amor. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive de eternidade a eternidade. C. Amém. (Sentar)

Liturgia da Palavra Leituras bíblicas Do Antigo Testamento e do Novo Testamento podem ser lidas uma ou duas leituras. Sugestões: Gn 1.26-28; 2.4-9;15-24; Rt 1.16-17; Ec 3.1-8; 4.9-13; Ct 2.10-13; 8.6-7; 1Co 12.31-13.13; Ef 5.1-2; Cl 3.12-17; 1Pe 4.10; 1Jo 4.7-16; Mt 5.1-10; 5.13-16; 7.21,24-29; 19.4-6; 22.35-40; Mc 10.6-9,13-16; Jo 2.1-10; 15.9-12; 17.17-19. Havendo mais de uma leitura, inclua-se um cântico intermediário adequado entre elas.

Alocução Incluir elementos da vida do casal (De pé)

Credo Apostólico (Sentar)

Hino Rito matrimonial Saudação / palavras introdutórias Os três parágrafos que seguem levam em conta os temas do sermão aos noivos previstos por Lutero

L. O ser humano não foi criado para ficar só. (Ler Gn 1.26-31). A realização do ser humano está intimamente ligada à convivência com outras pessoas. Deus criou a pessoa para se relacionar e ser feliz. O casamento, portanto, é um espaço de realização do ser humano e, como tal, está dentro do propósito divino. Ele é a mais simples e mais fundamental forma de convivência humana e gera a família. 51


Nesse contexto, também a sexualidade deve ser recebida como boa obra de Deus. Mas a boa e dadivosa vontade de Deus pode ser desviada do seu propósito original. Em nossa liberdade, interferimos na perfeita criação de Deus, e em nossa fraqueza, a pervertemos. Assim, muitos conflitos que enfrentamos no casamento não são vontade de Deus, mas conseqüências de nossa condição. No casamento também enfrentamos sofrimentos que são inerentes à vida humana como doença, perdas na família e no círculo de amigos. O amor mútuo pode ajudar substancialmente e se aprofundar diante das adversidades. Deus está presente neste momento de união, bem como o esteve quando esta união se iniciou e foi crescendo até chegar a este dia. Confiamos que Deus continuará a apoiar e abençoar esta união matrimonial (João 15.11-17 + Apocalipse 21.1-4), e isso por um só motivo: ele quer as pessoas felizes, alegres, realizadas em amor mútuo e união responsável. Compromisso L. N. e N., se é desejo do seu coração compartilhar mutuamente alegrias e tristezas e tudo quanto os anos lhes trouxerem, convidoos a dizer em voz alta e clara, diante de Deus e destas testemunhas cristãs, as suas promessas matrimoniais. L. convida o casal a unir suas mãos, e, de frente um ao outro, olhando-se nos olhos, dirão, alternadamente, palavras como as que seguem:

Noivo e noiva, alternadamente Eu, N., recebo a ti, N., meu legítimo esposo [minha legítima esposa], das mãos de Deus, para viver contigo de hoje em diante, em tempos de fartura ou de escassez, em tempos de bonança ou dias tumultuados, em tempos de enfermidade ou de saúde, para te amar e estar contigo enquanto eu viver, e aqui empenho minha palavra de que assim agirei, com a ajuda de Deus. Troca das alianças L. Recebam estas alianças como sinal do amor e da fidelidade que não têm fim. 52


L. entrega a aliança ao noivo, que a colocará no quarto dedo da mão esquerda da noiva e dirá as palavras abaixo. Em seguida, procede-se do mesmo modo em relação à noiva.

Noivo e noiva, alternadamente N., aceita esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade a ti. Declaração L. convida o casal a se ajoelhar e as testemunhas a se aproximarem do casal. O/a oficiante, então, unindo as mãos direitas do casal, diz:

N. e N., com estas promessas diante de Deus e das pessoas aqui presentes, declaramos que vocês estão unidos como esposo e esposa, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E o que está unido em nome de Deus, ninguém o separe. Bênção ao casal O/a oficiante coloca as mãos sobre as cabeças do esposo e da esposa e diz:

L. O Senhor Deus, que criou nossos pais e nossas mães e as pessoas que nos antecederam e estabeleceu o matrimônio para a nossa felicidade, abençoe e fortaleça vocês, a fim de que possam crescer em amor, gerar filhos – se for esta a vontade de vocês – e ajude-os a viver na presença de Deus a cada dia de suas vidas. Que assim seja, com a bênção do trino Deus (+). Amém. Beijo Os noivos se erguem e se beijam. (De pé)

Oração L. Oremos: Amado Deus, graças te damos por N. e N., que hoje fazem um pacto de união matrimonial diante de ti, sob a tua graça e a tua proteção. Ajuda-os para que possam construir a cada dia o verdadeiro amor, aquele que se alegra com o outro em suas conquistas, mas também o aceita e perdoa em suas fraquezas e limitações. Dá que eles experimentem em sua nova etapa de vida muitas alegrias e realizações e ampara-os nos dias tristes e difíceis. Dá que a justiça, 53


o respeito mútuo e a solidariedade orientem suas ações conjuntas e individuais. Intercedemos pelos pais e mães de N. e N., assim como por todos os seus familiares, para que possam apoiá-los em suas dúvidas e temores e auxiliá-los em seus passos. Cuida daqueles familiares que estão doentes ou sofrendo por alguma razão. Amado Deus, nós te pedimos: olha para cada casal desta comunidade. Orienta aqueles e aquelas que têm dificuldades no relacionamento. Dá-lhes serenidade e discernimento e ajuda-os a encontrar o caminho da paz e da reconciliação. Abençoa as famílias que aqui se encontram. Mantém unidos irmãos e irmãs, para que se amem e se ajudem mutuamente. Dá que pais e mães cuidem bem de seus filhos e filhas, com diálogo e amor. Dá que filhos e filhas, pais e mães, juntos, possam construir um relacionamento sadio e feliz. Abençoa, ó Deus, todas as famílias da terra e fortaleça-a em seus laços fraternos. Dá a todos e a todas nós fé, esperança, amor e paz. Fica conosco, ó Deus, hoje e sempre. Amém. (Sentar)

Liturgia da Ceia A paz L. No nosso cotidiano, muitas vezes magoamos pessoas, mesmo as mais próximas e as que mais amamos. Façamos deste momento da liturgia nosso gesto de reconciliação comunitária. Saudemo-nos com um aperto de mão, ou um abraço, desejando-nos a paz de Cristo. Esta paz nos ajudará a reencontrar a paz entre nós. Preparo da mesa L. Preparemos a mesa da comunhão. Trazemos para ela o pão e o fruto da videira, frutos do nosso trabalho. Mas também vamos trazer ofertas de gratidão em forma de alimentos, roupas usadas, que serão destinados a uma família (ou um casal recém-casado) que vive em dificuldade (explicar a situação). 54


L. Enquanto trazemos as ofertas para a mesa, cantemos: Canto (De pé)

Oração do ofertório L. Oremos: Bendito sejas, Deus, pela tua criação tão perfeita. Do chão da terra, fazes brotar o parreiral com uvas doces e saudáveis, e os trigais de grãos fartos. Por mãos humanas, na roça e na cidade, o trigo e a uva são transformados em pão e suco [ou vinho]. Graças, ó Deus, por termos frutos da tua generosa criação à nossa disposição mais esta vez, neste encontro contigo. Graças também pelas forças e pela saúde que temos para trabalhar e nos desenvolver. Recebe as ofertas de gratidão que aqui reunimos e abençoa as pessoas que delas usufruírem. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. C. Amém. Oração eucarística L. O Senhor esteja com vocês. C. E também com você. L. Vamos elevar os nossos corações a Deus. C. Ao Senhor os elevamos. L. Demos graças ao Senhor, nosso Deus. C. Isso é digno e justo. L. Sim, é digno e o nosso dever te enaltecer por teus planos tão perfeitos. Quiseste uma vida feliz para toda a tua criação; criaste o homem e a mulher à tua imagem e semelhança e os capacitaste para se unir e conviver em fidelidade e amor. Com a presença do teu Filho nas bodas de Caná da Galiléia, abençoaste o casamento como festa de alegria. Graças te damos, ó Deus, pela união das pessoas, pelo amor, e por esta festa da vida que tu nos preparaste e nos convidas. Amado Deus, viemos para este banquete contigo com os corações cheios de agradecimento, pois, aqui celebramos o teu grande amor por nós. Tu nos enviaste o teu Filho que nos reconciliou contigo, nos deu o teu perdão, a tua paz e a promessa da vida eterna. 55


Foi ele que nos deixou este memorial que agora recordamos: Jesus, antes de morrer, ressuscitar e se unir a ti, ceou com a sua comunidade de discípulos. Ele tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. De modo semelhante, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. L. Envia teu Espírito de comunhão e transforma-nos em um só corpo, uma só família que vive da fé, do perdão e do amor. L. Lembra-te das pessoas que nos são caras e que já não estão entre nós (podem ser citados nomes de pessoas falecidas na família). Reúne-nos com elas na festa do teu Reino, no banquete anunciado e prometido por Jesus. C. e Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a ti, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre. Amém, amém, amém.44 Pai-Nosso (Sentar)

Fração L. elevando o cálice O cálice da bênção pelo qual damos graças é a comunhão do sangue de Cristo. L. elevando o pão O pão que repartimos é a comunhão do corpo de Cristo. C. e Nós, embora muitos, somos um só corpo.45 Convite L. Venham, pois tudo está preparado. Quem convida é o próprio Cristo. Todas as pessoas batizadas são convidadas a participar da Ceia do Senhor.

44 45

A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 112. A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 111.

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Comunhão A forma de distribuição e de comunhão é combinada previamente com o casal. Cantos acompanham este momento.

Liturgia de despedida (De pé)

Bênção à congregação Estendendo as mãos à congregação

L. O Deus todo-poderoso, Pai (+), Filho e Espírito Santo, abençoe e guarde vocês em seu amor, agora e sempre. Amém. Envio L. Vão em paz e sirvam a Deus com alegria. C. Demos graças a Deus. Saída em procissão Cumprimentos

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Liturgia de bênção matrimonial Liturgia de entrada

Procissão de entrada A comunidade recebe a comitiva, de pé.

Acolhida O casal se põe de pé, à frente da comunidade, diante do/a oficiante. A comunidade continua de pé.

L. Irmãos e irmãs, reunimo-nos aqui, neste dia, como comunidade cristã, para celebrar a união matrimonial de N. e N. e pedir a bênção de Deus e a sua orientação para a vida deste casal. N. e N., acolhemos vocês com muito carinho, diante de Deus, e saudamos vocês, assim como a seus pais, mães, todos os familiares, amigos e amigas. Sejam bem-vindos e bem-vindas a esta casa de Deus. Estejam em paz, e celebremos com alegria este encontro de comunhão e de bênção. Saudação apostólica L. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com vocês. C. E também com você. Oração do dia L. Deus da graça e do amor: Rendemos-te louvores pela presença de N. e N., juntamente com seus familiares, amigos e amigas. Tu conduziste este casal em suas vidas, de modo que vieram a se conhecer, a aproximar-se, a estabelecer vínculos de amizade, de confiança, de comunhão e de amor. Rendemos-te graças por isto. Louvamos-te pelo cuidado que receberam de tuas mãos em toda a sua trajetória de vida. Agora te pedimos que estejas presente neste ato de bênção matrimonial, através do teu Espírito, e ilumina-nos com a luz da tua bondade. Assiste, neste momento, N. e N. para que experimentem serenidade e 58


paz. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive de eternidade a eternidade. C. Amém. (Sentar)

Canto Liturgia da Palavra Leitura bíblica Do Antigo Testamento e do Novo Testamento podem ser lidas uma ou duas leituras. Sugestões: Gn 1.26-28; 2.4-9; 15-24; Rt 1.16-17; Ec 3.1-8; 4.9-13; Ct 2.10-13; 8.6-7; 1Co 12.31-13.13; Ef 5.1-2; Cl 3.12-17; 1Pe 4.10; 1Jo 4.7-16; Mt 5.1-10; 5.13-16; 7.21,24-29; 19.4-6; 22.35-40; Mc 10.6-9,13-16; Jo 2.1-10; 15.9-12; 17.17-19.

Salmo 10046 L. Louvemos a Deus, por sua palavra, através do Salmo 100 (ou outro a ser escolhido).

Alocução Canto

Rito matrimonial Saudação e palavras introdutórias L. Caso as testemunhas estejam sentadas, o/a oficiante convida-as, neste momento, para se colocarem à frente, ao lado do casal.

Prezada N., prezado N., o matrimônio é um compromisso e um encontro entre duas pessoas que tem sua base no amor.

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O Salmo100 pode ser lido ou cantado. Ele também serve como canto intermediário, caso houver duas leituras bíblicas.

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Ao criar os seres humanos, Deus lhes deu o amor como o mais nobre dos sentimentos. Desta forma, Deus capacitou as pessoas a criarem e manterem relações profundas entre si. Tão profundas que um ser humano seja capaz de se entregar ao outro, em plena confiança; seja capaz de conviver, apesar das diferenças; seja capaz de perdoar sem exigir troca. Mas, para que os seres humanos possam se manter nesse amor, é fundamental que estejam em contato permanente com a fonte desse amor, aquela da qual possam se nutrir incessantemente: a fonte do amor inesgotável de Deus. Ouçamos o que diz a Bíblia no tocante ao amor: Amados, amemos-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus (1Jo 4.7). O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei (Jo 15.12). Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos (1Jo 3.16). O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade (1 Co 13. 4-6). Que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção (Fp 1.9). Compromisso matrimonial A pessoa que oficia dirige-se à comunidade dizendo:

L. Amados irmãos e amadas irmãs, reunimo-nos como comunidade de fé, como família, como amigos e amigas, para dar graças a

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Deus por seu amor e acompanhar N. N. em sua decisão de colocar a sua vida matrimonial sob a bênção e orientação de Deus. Dirigindo-se ao casal:

L. N. e N., vocês se uniram em matrimônio segundo as leis do nosso país e agora estão celebrando esta união diante de Deus. Como comunidade de fé, família, amigos e amigas, nos alegramos por acompanharmos vocês nas promessas que farão um ao outro diante de Deus. Rogamos a Deus que sustente vocês no compromisso mútuo que livremente querem agora proclamar. Compromisso mútuo e público do casal Os noivos tomam suas mãos e, de frente um ao outro, olhando-se nos olhos, dirão, alternadamente, palavras como as que seguem ou outras de conteúdo semelhante.

Noivo e noiva, alternadamente Eu, N., recebo a ti, N., meu legítimo esposo [minha legítima esposa], das mãos de Deus, para viver contigo, de hoje em diante, em tempos de fartura ou de escassez, em tempos de bonança ou dias tumultuados, em tempos de enfermidade ou de saúde, para te amar e te consolar até que a morte nos separe. E para cumprir este meu compromisso, peço a ajuda de Deus. Troca das alianças L. A aliança de casamento é o sinal exterior e visível de um vínculo interior e invisível que une dois corações em amor sincero. Queiram doar-se mutuamente as alianças, como sinal da união de amor entre vocês. L. entrega a aliança ao noivo que a colocará no quarto dedo da mão esquerda da noiva, e dirá as palavras abaixo. (Em seguida, procede-se do mesmo modo em relação à noiva).

Noivo e noiva, alternadamente N., aceita esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade a ti. Beijo Os noivos se beijam.

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Declaração L. N. e N. expressaram sua vontade e sua decisão de se unir em matrimônio diante de Deus e nos deram a conhecer os compromissos que assumiram mutuamente, confirmados pela entrega das alianças e pelas mãos dadas. Assim, nós declaramos que vocês estão unidos como esposo e esposa, em nome do trino Deus. E o que está unido em nome de Deus, ninguém o separe. (De pé)

Oração L. Para selar esta união matrimonial, oremos pelo casal e o abençoemos, em nome de Deus. A pessoa que preside convida o casal a se ajoelhar e a comunidade, a colocar-se de pé. Faz a oração, concluindo-a com a bênção. No momento da bênção, impõe as mãos sobre o casal.

L. Deus de amor, dá a N. e N. a tua mão e conduze a sua vida. Guia seus passos, para que caminhem com segurança. Sob as asas da tua misericórdia, sintam-se protegidos. No colo da tua bondade, encontrem descanso verdadeiro. Em dias de medo e angústia, abriga-os em teu poder. Em momentos de ansiedade, faze cair sobre eles a tua paz. Ao sentirem-se fragilizados, ajuda-os a ter esperança. Cuida de N. e de N e de todos os seus amados. Cuida do seu destino. Quando a culpa os acusar, acolhe-os em tua graça. Absolve-os do pecado e faze-os renascer do teu perdão. Se caírem, permite que caiam em tuas mãos. Se permanecerem caídos, dá-lhes a tua companhia. Seja como for, cobre-os com o manto do teu amor. Graças pelo cuidado com que os acompanhaste até aqui e graças pela salvação que lhes ofereces. Agora, dá-lhes a bênção que tanto anseiam47 . 47

Uma adaptação da Oração do cuidado, de autoria de Rodolfo Gaede Neto.

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Bênção ao casal Impondo as mãos sobre o casal A bênção de Deus, o todo-poderoso, do Pai e do Filho e do Espírito Santo, venha sobre vocês e permaneça com vocês agora e sempre (+). Amém. Convida o casal a levantar-se.

Pai-Nosso L. Olhando para a comunidade: Oremos, juntos, de mãos dadas, a oração do Senhor: C. Pai nosso, que estás no céu

Liturgia de despedida Bênção à congregação Estendendo as mãos em direção à comunidade.

L. O Senhor vos abençoe e vos guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós. O Senhor sobre vós levante a sua face e vos dê a paz. C. Amém. Envio L. Ide em paz e servi a Deus com alegria. C. Demos graças a Deus. Música para saída dos noivos Cumprimentos

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Liturgia de bodas de jubileu Liturgia de entrada Procissão de entrada A comunidade recebe a comitiva, de pé. O casal jubilar toma o seu lugar no primeiro banco, acompanhado das testemunhas e familiares.

Acolhida L. Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom. C. A sua misericórdia dura para sempre (Sl 106.1). L. Irmãos e irmãs, estamos reunidos na presença de Deus para celebrar com os irmãos N. e N. suas bodas de (prata/ouro). O tempo de vida em comum deste casal certamente foi um tempo de manifestação das bênçãos de Deus. Vamos, juntos, agradecer e louvar a Deus por tudo que Ele tem feito na vida de N. e N. em todos esses anos. Voto inicial L. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. C. Amém. (Sentar)

Hino Oração do dia L. Ó Deus de ilimitado amor, tu nos criaste para conviver e partilhar felicidade. Deste a homens e mulheres a graça de se conhecerem mais intimamente, de viverem unidos pelo casamento e construírem uma família. E hoje este casal chega diante de ti para renovar seus votos de união matrimonial com alegria e gratidão. Sê nosso convidado especial

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e dá-nos a alegria da tua presença. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive e reina de eternidade em eternidade. C. Amém.

Liturgia da Palavra Leituras bíblicas Do Antigo Testamento e do Novo Testamento podem ser lidas uma ou duas leituras. Sugestões: Gn 1.26-28; 2.4-9;15-24; Rt 1.16-17; Ec 3.1-8; 4.9-13; Ct 2.10-13; 8.6-7; 1Co 12.31-13.13; Ef 5.1-2; Cl 3.12-17; 1Pe 4.10; 1Jo 4.7-16; Mt 5.1-10; 5.13-16; 7.21,24-29; 19.4-6; 22.35-40; Mc 10.6-9,13-16; Jo 2.1-10; 15.9-12; 17.17-19. Havendo mais de uma leitura, pode-se cantar um cântico intermediário adequado entre elas.

Alocução (De pé)

Credo Apostólico (Sentar)

Hino Rito de renovação dos votos matrimoniais Saudação O casal e as testemunhas são convidados a se colocarem de pé, à frente da comunidade, diante do/a oficiante.

L. Queridos N. e N.! Há (...) anos vocês se casaram. No dia (data do casamento) (fazer destaques de fatos ocorridos na celebração, lembrar o lema da bênção matrimonial, entre outros).

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Compromisso L. Relembrando as promessas que fizeram há (...) anos, vocês, hoje, estão dispostos a renovar os votos e compromissos matrimoniais diante de Deus e desta comunidade? Se for esta a sua firme decisão, respondam: Sim, com a ajuda de Deus. Casal: Sim, com a ajuda de Deus. Esposo: N., novamente eu te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na pobreza, amandote e respeitando-te todos os dias da minha vida, com a ajuda de Deus. Esposa: N., novamente eu te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na pobreza, amandote e respeitando-te todos os dias da minha vida, com a ajuda de Deus. Troca das alianças L. Essas alianças querem lembrá-los deste compromisso recíproco aqui declarado, deste pacto de amor e de união renovados. (De pé)

Bênção ao casal L. Se possível, o casal se põe de joelhos. Filhos/as, netos/as, genros e noras vêm à frente e, juntamente com a comunidade, são convidados a estender as mãos na direção do casal.

Que o Senhor, que há (...) uniu vocês em matrimônio, abençoe e guarde vocês em suas bondosas mãos. Que ele conserve vocês unidos em amor e dispostos à reconciliação a cada novo dia. Que ele presenteie vocês com bênçãos e alegrias, junto com a família que vocês constituíram. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (+). Amém.

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Oração L. Em caso de bodas de ouro, convidar a comunidade a sentar-se Oremos. Bondoso Deus, intercedemos por N. e N. Graças por tudo que tens feito em suas vidas, pela força a cada novo dia, pelos vínculos fortalecidos através das dificuldades encontradas em tempos menos harmoniosos. Acompanha este casal em todos os seus caminhos, dando-lhes saúde, vigor e a alegria de serem dois a caminho. Deus, em tua bondade, C. Escuta nossa oração. L. (quando o casal não tiver filhos, excluir esta petição) Oramos pelos filhos do casal e toda a sua família. Mantém-nos unidos para que um possa ser força e bênção para o outro. Deus, em tua bondade, C. Escuta nossa oração. L. Intercedemos pelos casais que estão aqui neste dia e as famílias aqui representadas, para que também elas te percebam presente e ativo nas suas vidas. Concede que o amor floresça e cresça, sobretudo em tempos de adversidade, de desarmonia, de turbulência, de desesperança. Deus, em tua bondade, C. Escuta nossa oração. L. Ouve, ó Deus, nossa oração. É o que te pedimos, crendo, C. Amém. (Sentar)

Liturgia da Ceia A paz L. Alegramo-nos muito que esta comunidade esteja reunida neste dia festivo. Mesmo em meio às festas, há pessoas que, por motivos diversos, carregam pesos e tristezas em seus corações. Mas Cristo nos oferece o seu perdão e nos chama à reconciliação. Desejando uns aos outros a paz que vem de Cristo, vamos nos saudar com um abraço ou um aperto de mão. 67


Preparo da mesa L. Preparemos a mesa da comunhão, trazendo os elementos da Ceia, as ofertas que serão recolhidas e alguns símbolos que representam estações dos (...) anos de matrimônio de N. e N. Pedimos às pessoas que irão trazer os objetos representativos da vida do casal que nos expliquem o seu significado. Os objetos simbólicos serão colocados nesta mesa, nas mãos de Deus, com o propósito de, através deles, expressarmos o nosso agradecimento a Deus pelos (...) anos de vida matrimonial deste casal, pedindo confiantemente que Deus continue agindo graciosamente em suas vidas. A seguir, enquanto recolhemos a oferta e trazemos os elementos da Ceia e os objetos simbólicos para a mesa, cantemos: Hino C. Obrigado, Pai celeste (HPD, n. 186) Apresentação dos objetos simbólicos da vida do casal Após a apresentação de cada objeto, pode-se cantar o seguinte refrão:

Canto intermediário C. e Graças, Senhor, por tua bondade, teu poder, teu amor, graças, Senhor.48 (De pé)

Oração eucarística L. Graças te damos, Deus de bondade, pelas dádivas com que tu nos serves diariamente e, em especial, pela dádiva maior desta mesa, o teu Filho. Graças te damos porque experimentamos na prática o que é ter um Deus presente em nossa vida familiar e pessoal. Nós te rendemos graças, ó Deus, porque enviaste Jesus, verdadeiro ser humano e verdadeiro Deus, para reconciliar-nos contigo e para anunciar o teu amor pela humanidade. Sabemos que esta reconcili-

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A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 111.

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ação custou a vida do teu Filho, morto na cruz. Mas, por teu poder, ele venceu a morte e ressuscitou. L. Nós nos reunimos em torno desta mesa porque o teu Filho, na noite antes de morrer, reuniu-se para cear com sua comunidade amada. E, tomando o pão, deu graças, o partiu e o deu aos que estavam com ele, dizendo: Tomam e comam. Isto é meu corpo. Façam isto em minha memória. Por semelhante modo, depois do jantar, Jesus tomou o cálice e, tendo dado graças, o deu aos que cearam, dizendo: Tomam e bebam. Este cálice é a nova aliança no meu sangue que é dado em favor de vocês. Façam isso sempre e em minha memória. L. Envia, ó Deus, teu Espírito de amor, para que, por meio desta Ceia, nos tornemos um só corpo. Reúne-nos, com todos os que nos antecederam, no banquete por ti prometido e anunciado. C. e Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a ti, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre. Amém, amém, amém. Pai-Nosso (Sentar)

Fração L. elevando o cálice O cálice da bênção pelo qual damos graças é a comunhão do sangue de Cristo. L. elevando o pão O pão que repartimos é a comunhão do corpo de Cristo. C. e Nós, embora muitos, somos um só corpo. Convite L. Venham, pois tudo está preparado. Quem convida é o próprio Cristo. Todas as pessoas batizadas são convidadas a participar da Ceia do Senhor.

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Comunhão Liturgia de despedida (De pé)

Bênção à congregação Estendendo as mãos à congregação

L. Que a bênção do Deus todo-poderoso, Pai (+), Filho e Espírito Santo, desça sobre vocês e permaneça com vocês hoje e sempre. C. Amém. Envio L. Vão em paz e sirvam ao Senhor todos os dias de sua vida. C. Demos graças a Deus. Saída em procissão Cumprimentos

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Liturgia de bênção para vida em comum Essa liturgia pode ser realizada na casa ou na igreja, conforme combinado com o casal. O ambiente está preparado para a celebração: velas, flores, paramentos (caso seja na igreja), as alianças, a lembrança da celebração.

Liturgia de entrada Acolhida O casal que vai receber a bênção se encontra sentado à frente, no primeiro banco, acompanhado de suas testemunhas e de seus familiares.

L. Disse Jacó ao anjo: “Não te deixarei ir, se não me abençoares” (Gn 32.26). L. Caros irmãos e irmãs, estamos aqui neste dia para celebrar a união de amor deste casal e orar para que o compromisso que eles assumem um com o outro seja abençoado por Deus, a fonte do puro amor! N. e N. manifestaram o desejo de receber o presente da bênção de Deus e terem, através desta celebração, o seu vínculo de amor fortalecido por meio das orações e do apoio desta comunidade. Voto inicial L. Celebramos este encontro em nome de Deus, o Deus da criação, da salvação e da consolação. C. Amém. Hino Oração do dia L. Deus da vida, nós te rendemos graças porque no teu plano criador previdente incluíste a união entre duas pessoas pelo amor responsável. Concede que a união do casal N. e N. seja abençoada por ti, receba o sopro do teu Espírito e o acolhimento amoroso 71


desta comunidade. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive de eternidade a eternidade. C. Amém. Liturgia da Palavra Leituras bíblicas49 Alocução (De pé)

Credo Apostólico (Sentar)

Hino Rito de bênção para vida em comum Compromisso O casal e as testemunhas são convidados a se colocarem de pé, à frente da comunidade, diante do/a oficiante.

L. Se é desejo do seu coração compartilhar mutuamente alegrias e tristezas e tudo quanto a vida lhes trouxer, convido vocês a dizer em voz alta e clara, diante de Deus e destas testemunhas cristãs, as suas promessas para a vida em comum. De frente um ao outro, olhando-se nos olhos, o casal toma, cada qual, as mãos do/a parceiro/a, dizendo, alternadamente, palavras como as que seguem:

Eu, N., recebo a ti, N., das mãos de Deus, como meu/minha companheiro/a. Eu prometo viver contigo em tempos de fartura ou de escassez, em tempos de bonança ou dias tumultuados, em tempos de enfermidade ou de saúde. Prometo te amar e estar contigo até o fim dos nossos dias. E, para cumprir esta promessa, peço a ajuda de Deus.

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Gn 1.27-28,31; 2.18,21-24; 3.16-19; Pv 18.22; Ec 3.1-8; Mt 5.1-12; 1Co 13, entre outros.

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Troca das alianças Homem e mulher, alternadamente N., aceita esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade a ti. Proclamação do compromisso mútuo L. convida o casal a ajoelhar-se. O/a oficiante, então, unindo as mãos direitas do casal, diz:

N. e N., com estas promessas proferidas diante de Deus e das pessoas aqui presentes, vocês assumem o compromisso de viver uma vida em comum, com a ajuda de Deus. Recebam, agora, as bênçãos de Deus. (De pé)

Bênção ao casal L. O/a oficiante coloca suas mãos sobre as cabeças do casal, que está ajoelhado, e diz:

O Senhor Deus, que criou nossos pais e mães e todos os nossos ancestrais e estabeleceu a vida a dois para a nossa plena felicidade, abençoe e sustente vocês, a fim de que possam viver uma vida em comum em amor, em confiança, em fidelidade e na presença de Deus até o fim de suas vidas. Assim os abençoe o Pai, (+) o Filho e o Espírito Santo. Amém. Beijo O casal se ergue e se beija

Oração de intercessão L. Oremos: Amado Deus, graças te damos por N. e N., que hoje fazem um pacto de união comum sob a tua graça e a tua proteção. Pedimoste: ajuda-os para que possam construir a cada dia de suas vidas um relacionamento de amor verdadeiro, com sinceridade, respeito mútuo, partilha, compreensão, aceitação e perdão. Dá que este casal experimente nesta sua vida em comum muitas alegrias e realizações e ampara-os quando as tristezas e as dificuldades lhes sobrevierem. Dá que suas famílias e seus amigos os apoiem em suas 73


necessidades e em sua vontade de construir juntos uma nova vida. Intercedemos por esta comunidade, para que saiba acolher em seu meio as pessoas que vivem diferentes formas de união, comunhão e amor. Que esta comunidade também possa acompanhar e orientar este casal em sua vida matrimonial. Amado Deus, nós te pedimos: olha para cada casal desta comunidade. Ajuda aqueles e aquelas que estão com dificuldade no relacionamento. Cura as relações quebradas e sara os corações feridos. Abençoa as famílias que aqui estão. Mantém unidos irmãos e irmãs, para que se ajudem mutuamente. Dá que pais e mães cuidem bem de seus filhos e filhas, com diálogo e amor. Dá que filhos e filhas, pais e mães, juntos, possam construir um relacionamento sadio e feliz. Abençoa, ó Deus, todas as famílias da terra e fortaleçaa em seus laços fraternos. Dá a todos e a todas nós fé, esperança, amor e paz. Fica conosco, ó Deus, hoje e sempre. Amém. Pai-Nosso Se houver Ceia do Senhor, esta se inicia aqui e a oração do Pai-Nosso é transferida para logo após a Oração Eucarística.

Liturgia de despedida Bênção Estendendo as mãos à comunidade

L. O Senhor vos abençoe e vos guarde, o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós, o Senhor sobre vós levante a sua face e vos dê a sua paz. C. Amém. Envio L. Comunidade, apoie esta união de amor, seja casa aberta e mão estendida! Vá em paz e sirva a Deus com alegria. C. Demos graças a Deus.

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P a r t e III

Recursos litĂşrgicos


Oração do dia 1. Eterno Deus, da criação e da redenção: assim como alegraste as bodas de Caná da Galiléia com a presença de teu filho, traze agora, com tua presença, a tua alegria a este casamento. Olha com misericórdia para N. e N. e concede que, regozijando-se com todos os teus dons, possam finalmente celebrar com Cristo o banquete nupcial que não tem fim. Amém. (Traduzido de: ELCA. Libro de liturgia y cántico. Minneapolis: Augsburg Fortress, 1998. p. 121.)

2. Ó Deus eterno e bondoso, tu que criaste homem e mulher à tua própria imagem, contempla com misericórdia estes noivos que aqui vêm buscar tua bênção. Ajuda-os para que, em amor responsável e fidelidade, possam honrar e guardar o que prometerem aqui, diante desta comunidade. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo, na unidade do Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos. Amém. (Fonte: Livro de Oração Comum)

3. Amado Deus, damos-te graças pelo dom da vida e pelo amor que N. e N. professam um ao outro. Assim como nas bodas de Caná, pedimos que teu filho Jesus Cristo esteja presente em nosso meio para abençoar nossa alegria. Permite que teu Espírito Santo guie e sustente a decisão matrimonial deste nosso irmão e irmã, com os quais hoje nos regozijamos. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina de eternidade a eternidade. Amém. (Juan Gattinoni, Elizabeth Hernández Carrillo, Ana Isa dos Reis).

4. Querido e misericordioso Deus, nós te damos graças pela vida. Tu, que conduziste N. e N. para se encontrarem, se enamorarem e estarem juntos aqui neste dia, concede a eles, ó bom Deus, o que de ti esperam: companhia, bênção, presença e alento. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive e reina de eternidade a eternidade. Amém.

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5. Deus de bondade. Ao criares a humanidade e ao responsabilizares o ser humano pelo bem da criação, quiseste criar homem e mulher a fim de que vivessem em união e amor. Agradecemos-te pela vida de N. e N. e por tudo que já viveram até hoje. Tu conheces a história de ambos e os fatos que os uniram um ao outro. Pedimos-te que e estejas conosco nesta celebração como estiveste em Caná da Galiléia, e também aqui age em nosso favor. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive e reina de eternidade a eternidade. Amém. 6. Bondoso Deus, tu que acompanhaste Israel no caminho à terra prometida, acompanha-nos também nesta festa de júbilo e alegria que há muito esperávamos. Concede que esta celebração complete a alegria e vontade deste casal de tomar um caminho comum. Como comunidade, nós também desejamos contribuir com este casal, repartindo o amor e a sabedoria que a vida nos concedeu. Por Jesus Cristo, teu amado filho. Amém. Textos bíblicos Gn 1.26-28 (“... homem e mulher os criou...”) Gn 2.4-9,15-24 (“... o homem se une à sua mulher, tornando-se uma só carne”) Rt 1.16-17 (“... porque aonde quer que fores, irei eu, ...”) Ec 3.1-8 (“... tudo tem seu tempo determinado”) Ec 4.9-13 (“Melhor é serem dois do que um... ”) Ct 2.10-13 (“As muitas águas não poderiam apagar o amor”) Ct 8.6-7 (“... porque o amor é forte como a morte, ...”) Tb 8.4-10 (“... que cheguemos juntos a uma ditosa velhice”)50 Mt 5.1-10 (Bem-aventurados os misericordiosos, ...”) Mt 5.13-16 (“Vós sois a luz ... assim brilhe a vossa luz”) Mt 7.21,24-29 (“... homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha”) 50

Livro deuterocanônico. Confira acima a observação no final da nota de rodapé número 13.

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Mt 19.4-6 (“... deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, ...”) Mt 22.35-40 (“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, ...”) Mc 10.6-9,13-16 (“Já não sois dois, mas uma só carne”) Jo 2.1-10 (“... houve um casamento em Caná da Galiléia, ... ”) Jo 15.9-12 (“... que vos ameis uns aos outros...”) Jo 17.17-19 (“Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”) 1 Co 12.31-13.13 (“O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, ...”) Ef 5.1-2 (“... andai em amor como Cristo também vos amou...”) Cl 3.12-17 (“... o amor, que é o vínculo da perfeição”) 1 Pe 4.10 (“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, ...” 1 Jo 4.7-16 (“... amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus”) Salmos Sl 33 Sl 127 Sl 128 Sl 136 Sl 150 Promessas 1. N. e N., vocês estão unidos em matrimônio segundo as leis de nosso país e solicitaram a bênção de Deus no seio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Como comunidade de fé, queremos ser testemunhas das promessas que se farão mutuamente. Lembrem sempre que o amor e a fidelidade lhes servirão como fundamento para construir uma relação feliz e durável. Não há vínculos mais ternos nem juramentos mais sagrados que os que agora vocês vão assumir. (Juan Gattinoni, Elizabeth Hernández, Ana Isa dos Reis).

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Compromisso conjugal 1. L. Estimados N e N, vocês vieram até aqui porque se amam e desejam entrelaçar as suas vidas, formando assim um só corpo que se alegra nos momentos de felicidade e resiste nos momentos de tristeza. Por isso, de mãos dadas e de frente um para o outro, assumam este compromisso mútuo perante Deus e perante essa comunidade. Noivo e noiva, alternadamente N., eu entrelaço a minha vida à tua e, contigo, formo uma trança, para que juntos possamos experimentar a vida que Deus nos deu, alegrando-nos com as vitórias e conquistas, resistindo às tristezas e necessidades. Ao dizer as palavras de compromisso, o/a noivo/a apresenta, cada qual, um cordão.

L. Para que esta trança que vocês se comprometem a formar seja mais resistente, é importante que Deus faça parte dele. E é o compromisso com Deus que eu convido vocês a firmar agora, confessando a fé na qual vocês foram batizados. Ao fazer esta introdução, L. apresenta um terceiro cordão. Confissão de fé C. Creio em Deus Pai... Os noivos, com a ajuda de L., formam uma trança com os três cordões. (Marcos H. Fries, Ildemiro S. de Oliveira e Antônio Alberto de Souza Matos)

2. O casal diz em conjunto: Confiando na fidelidade infinita de Deus, nós nos aceitamos como esposo e esposa, sabendo que o Espírito divino está soprando sobre nós para que sejamos fiéis um ao outro e este matrimônio seja indissolúvel. Queremos, assim, aceitar este matrimônio com uma fé contínua em Deus, pois a sabedoria divina nos conduz e nos une em seu amor infinito. Queremos, com a força de Deus, ser fiéis um ao outro e apoiar-nos mutuamente, nas horas alegres e tristes, nos momentos de di-

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ficuldades e nos momentos inesquecíveis. E que a nossa separação aconteça unicamente no tempo determinado por Deus. Compromisso das famílias e da comunidade (Antes da troca dos anéis) 1.

Famílias L. Famílias N. e N., vocês dão a sua bênção a N. e N. e prometem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para apoiá-los em seu casamento? Famílias: Sim, prometemos. Comunidade L. E você, cara comunidade, que representa a Igreja de Cristo, promete apoiar e amparar N. e N. em tudo que estiver ao seu alcance? Congregação: Sim, prometemos. Oração dos noivos (feita pelos noivos ainda de joelhos) 1. Senhor, faze de nosso lar um recanto de teu amor. Que andar na tua direção seja nosso dia a dia. Que cada amanhecer seja mais um dia de entrega e de sacrifício. Que cada noite nos encontre com mais amor de esposos. Faze, ó Deus, de nossas vidas, que tu mesmo uniste, uma página cheia de boas recordações. Se, em tua misericórdia e graça, nos concederes filhos e filhas, ajuda-nos a educá-los e orientá-los por teu caminho. E quando amanhecer o grande dia de ir ao teu encontro,concede-nos que estejamos unidos em ti. (Juan Gattinoni, Elizabeth Hernández, Ana Isa dos Reis; adaptação: Sissi Georg).

2. O casal lê, cada qual, um trecho da oração

Deus de amor e fidelidade! Nós te agradecemos, especialmente, pelo fato de teres conduzido os nossos caminhos de maneira que os nossos corações se encontrassem. 80


Tu nos criaste através do teu infinito amor. Deste-nos o matrimônio para que, por meio dele, homem e mulher se unissem em fidelidade e amor. Agora, estamos diante de ti, prontos e confiantes para aceitar de ti esta boa dádiva. Queremos assumir o compromisso matrimonial na fé contínua em ti, pois estamos conscientes de que a fé em ti e no teu amor nos fortalece e nos mantém unidos. Esta fé e este amor nos comprometem mutuamente, contigo e com outras pessoas, como discípulos e discípulas de teu Filho Jesus. Assumimos este compromisso diante de ti, na liberdade e na espontaneidade que esta fé possibilita. De ti aprendemos a perdoar. Dá-nos a força para que saibamos reconhecer as nossas falhas e aceitar as fraquezas um do outro. De ti aprendemos a amar. Dá-nos a força para que o nosso amor não seja egoísta, que não vise benefícios pessoais, mas que exista em função do nosso cônjuge e que nos abra também aos nossos semelhantes. Ajudanos a amar como tu nos amas. De ti aprendemos a responsabilidade. Dá-nos a força para que assumamos responsavelmente o matrimônio. A fé em ti nos conduz para o matrimônio fundamentado em ti. Cremos, assim, que estamos edificando em solo de rocha firme. Amém. Declaração conjugal, em especial para bodas de jubileu 1. Eu lhe agradeço pelas vezes em que me perdi e você me achou; Pelos erros que cometi e você perdoou; Pelas vezes em que me entristeci e você me alegrou; Pelas lágrimas que derramei e você enxugou; Eu lhe agradeço pelas vezes em que me enfureci e você me acalmou; Pelas vezes em que eu lhe ofendi e você me perdoou; E pelos momentos em que eu me afastei e você me encontrou; Pelas vezes em que eu quase caí e você me salvou. Eu lhe agradeço pelas chances de ir em frente, de ser feliz.

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Humildemente eu agradeço a Deus por você estar vivo e por, neste instante, estarmos aqui. Símbolo 1. Após a troca de alianças, antes da proclamação com base em Mateus 19.6, podem-se oferecer ainda outros símbolos ao casal, como uma vela, acesa na vela do altar, representando a companhia de Deus no novo lar que ora se funda. Intercessões (fragmentos) 1. Ó Deus, dá sabedoria e dedicação a este jovem par, de modo que cada qual seja um para o outro fortaleza na necessidade, conselheiro nas dúvidas, consolo na tristeza e companhia na alegria. Amém. 2. Permite que suas vontades se entrelacem na tua vontade, e seus espíritos no teu Espírito, para que cresçam em amor todos os dias da sua vida. Amém. 3. Ó Deus, que quando se magoarem, reconheçam e aceitem suas faltas, perdoem-se mutuamente e busquem o teu perdão. Amém. 5. Deus da criação, concede que nosso lar seja fundamentado em pedras firmes, como rocha de humildade, rocha de compreensão, rocha de perdão e rocha de paz. Amém. 6. Ó Deus, tu que és grande em amor e fidelidade, concede que este casal tenha sempre o firme propósito de ser fiel um ao outro, dando testemunho 82


a um mundo que promove a infidelidade entre as pessoas; que eles possam honrar os votos realizados aqui neste dia, dando testemunho a um mundo onde os compromissos assumidos uns para com os outros são tratados com leviandade. Que os vínculos existentes neste casal se fortaleçam a cada dia de suas vidas. Amém. 7. Ó Deus, o amor é como uma pequena planta, que necessita de sol, ar, espaço e de água para sobreviver. Ajuda-nos, como família e comunidade, para que permitamos que o sol aqueça e faça crescer esta pequena planta; ajuda-nos para que reguemos esta planta na medida certa e demos a ela o espaço necessário para se desenvolver. Concede, ó Deus, que façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar este casal a viver feliz e crescer no amor responsável. Amém. 8. Que este casal aprenda a conjugar os verbos na primeira pessoa do plural – nós -, em vez de manter o singular – eu. Que a vida compartilhada os encha de alegria e de sentido, e que possam repartir as boas experiências que fizerem com outras pessoas. Amém. 9. Dá-nos o ouvido amoroso de quem deseja compreender; que nossas palavras sejam para edificar e jamais para ferir; concede-nos a graça da confiança mútua e da felicidade. Amém (Clodoaldo Kampe, Marcos Augusto Armange, Marcos Henrique Fries, Idacir Batschke)

10. Em tuas mãos depositamos nosso amor, nosso sonhos e este tempo que ora inicia. Ó Deus, o amor do qual nos fala a tua palavra é muito diferente daquele que nos é anunciado no mundo e ao nosso redor. O amor que vem de ti não busca seus próprios interesses, mas tudo sofre, tudo crê, tudo suporta. A sociedade tem outros valores, e sabemos que lutar contra eles, não

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é tarefa fácil. Ó Deus, dá que esta comunidade seja parceira deste casal no desejo de nadar contra a maré da infidelidade, do consumismo, do individualismo e da falta de consideração mútua. Sê nosso parceiro nesta caminhada que se estende por toda a nossa vida. Amém. 11. Ó Deus, em meio à escuridão do nosso mundo, a tua luz brilha, anunciando um tempo bom e feliz. Damos-te graças por este casal que diz “Sim” ao amor, ao compromisso, à reciprocidade em meio ao individualismo e egoísmo em que vivemos. Concede que a tua luz continue a guiar a vida deste casal para que não se atemorize diante das dificuldades. Dá a ele forças necessárias para resistir e crescer nos tempos de pesares, de temporais e turbulências. Por Jesus, teu amado Filho. Amém. 12. Deus da criação, se for de tua santa vontade, concede-lhes filhos e filhas, e a sabedoria de criá-los em amor, bondade e mansidão, a fim de que cresçam em estatura, graça e sabedoria. Amém. 13. Que o lar deste casal seja bênção para outros lares, pelo amor responsável e crescente, de modo que o desespero e a desolação sejam superados pela compreensão e pela esperança. Amém. 14. Permite, ó Deus, que todas as pessoas casadas que tenham sido testemunhas destas promessas solenes tenham suas vidas matrimoniais fortalecidas e suas lealdades reafirmadas. Estende a tua mão, ó Deus, aos casais em conflito que necessitam de fortalecimento, sabedoria e consolo. Amém. Canto de bênção 1. Bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor. Todos os povos da terra te temerão, pelo nome do Senhor. 84


Bendito serás ao entrares, bendito serás ao saíres. O Senhor abençoará o fruto do teu ventre, o fruto da tua terra, o Senhor abençoará.51 (Nilcéia Protázio)

Bênção 1. Ó Deus, que criaste o homem e a mulher à tua imagem e que em tua bondade uniste a N. e N., nós te pedimos: que o teu amor se expresse em suas vozes e repouse em seus silêncios. Que o teu amor passe pelos seus corações e percorra todos os seus movimentos. Que o teu amor, como as estrelas, brilhe na escuridão dos dias mais difíceis e anuncie a aurora de um novo tempo. Derrama a tua bênção sobre o N. e N. para que continuem levando uma vida de respeito, de amor e de fidelidade um para com o outro. Dá que sempre sejam sinceros e bondosos um para com o outro. E assim os abençoe Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. 2. Que o Senhor esteja na frente de vocês, para mostrar o caminho certo. Que o Senhor esteja ao lado de vocês, para abraçar e proteger vocês. Que o Senhor esteja atrás de vocês, para salvar vocês de pessoas falsas. Que o Senhor esteja abaixo de vocês, para amparar vocês quando caírem e tirar vocês das armadilhas. Que o Senhor esteja dentro de vocês, para consolar vocês quando estiverem tristes. Que o Senhor esteja ao redor de vocês para defendê-los quando outros os atacarem.

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A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 114.

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Que o Senhor esteja sobre vocês para os abençoar. Assim os abençoe o bondoso Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém! Poemas Além de hinos de enlace matrimonial (como HPD 285), poemas também podem ser usados na bênção matrimonial. 1. “Além da terra, além do céu, No trampolim do sem-fim das estrelas, No rastro dos astros, Na magnólia das nebulosas. Além, muito além do sistema solar, Até onde alcançam o pensamento e o coração, Vamos! Vamos conjugar O verbo fundamental, essencial, O verbo transcendente, acima das gramáticas E do medo e da moeda e da política, O verbo sempreamar, O verbo pluriamar, Razão de ser e de viver.” (Carlos Drummond de Andrade)

2. “É a sua vida que eu quero bordar na minha. Como se eu fosse o pano e você fosse a linha. E a agulha do real nas mãos da fantasia fosse bordando ponto a ponto nosso dia a dia. E fosse aparecendo aos poucos nosso amor... (...) Sua vida, meu caminho, nosso amor. Você a linha e eu o linho, nosso amor.

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(...) Reproduzidos no bordado: a casa, a estrada, a correnteza, o sol, a ave, a árvore. O ninho da beleza.” (Gilberto Gil)

3. Canção do amor talvez (Perhaps Love) O amor talvez é como o sol, nas trevas de alguém. O amor é dar abrigo, quando a tempestade vem. E quando tudo é escuro e a vida é solidão, O amor é que ilumina o coração! O amor talvez é a janela, que a luz do sol nos traz, Nos convida a olhar por ela e mostra muito mais: E mesmo quem não queira ver o sol com sua luz, O amor suavemente ao sol conduz. O amor quem sabe é como a flor, Talvez o mal me quer… Pra qualquer um, é gozo, é dor, É um jeito de querer… Tem gente que até mesmo diz que amou e é infeliz, E existe até quem se cansou e nunca mais tentou. O amor talvez se faça de conflitos e paixões, Ou das cinzas que eram palhas, resquícios, ilusões. Mas se eu viver mil anos e então recomeçar… Lutando pelo amor vais me encontrar! 4. Devia ter amado mais Ter chorado mais Ter visto o sol nascer Devia ter arriscado mais Até errado mais Ter feito o que eu queria fazer

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Queria ter aceitado as pessoas como elas são Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração O acaso vai me proteger Enquanto eu andar distraído O acaso vai me proteger Enquanto eu andar... Devia ter complicado menos Trabalhado menos ter visto o sol se pôr Devia ter me importado menos Com problemas pequenos Ter morrido de amor Queria ter aceitado a vida como ela é A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier O acaso vai me proteger Enquanto eu andar distraído O acaso vai me proteger Enquanto eu andar... Devia ter complicado menos Trabalhado menos Ter visto o sol se pôr (F. Epitáfio – Titãs, composição: Sérgio Britto)

5. Como duas pedras nos encontramos; Como dois seres da mesma espécie nos olhamos; Como duas criaturas humanas nos falamos; Como dois corações ávidos de afeto nos aproximamos; Como noivos concebemos um sonho de amor. 6. “Toda flor é um pedacinho que dá mais vida a um jardim.

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Todo verde ramo é um pedacinho de esperança . Todo tijolo um pedacinho que completa a construção. Tudo o que nos cerca é um pedacinho do nosso imenso universo, e tudo o que sentimos de bom são pedacinhos de amor... Amor que nasce com a vida, cresce com a gente e que não acaba. Amor que é eterno, assim como é eterno o seu Criador.” (Poema de Maria Lederer)

Votos a um casal pelas bodas Desejo-vos a calma, a tranquilidade, a serenidade, a naturalidade do verde: receber o orvalho, alegrar-se com os raios do sol, nutrir-se, movimentar-se ao sopro de uma leve brisa e viver serenamente, fortalecendo-se para os tempos escuros, vermelhos, roxos! (Sissi Georg, cartão para um casal amigo que completava um ano de casado)

Textos avulsos 1. Amar Amar é experimentar a plenitude do bem, misturada a um êxtase divino e humano. Amar é sentir que a terra e o céu formam um paraíso sem contradições. É acreditar que o sonho não é uma utopia distante, mas expressão 89


da verdade concreta que geramos no ventre da esperança. O amor não tem barreiras, invade qualquer limite humano para se manifestar. Estamos aqui para testemunhar que o amor é presente; é Deus se manifestando de forma humana e concreta. O amor é mistério que se revela. É força que se rende, é luz que se reflete. Hoje celebramos o amor em forma de entrega, doação, ternura e graça. 2. Promessas no casamento (Mário Quintana) “Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento, a igreja com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre”: “Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amandolhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?” Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões: – Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade? – Promete saber ser amiga (o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica? – Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar? – Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela? – Promete se deixar conhecer? – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor? – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará 90


para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda? – Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros? – Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina? – Promete que será tão você, mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja? – “Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros”. 3. O que, afinal, é o casamento? (Texto de Sissi Georg) Dorothea Wulfhorst definiria que “é Escola de Vida pela qual optamos”. Com cada pessoa diferente, seria uma Escola de Vida diferente. Mas uma delas certamente escolhemos. E é um processo. Uma formação com muitas “séries”: 1ª série, 2ª série,... O casamento inicia no namoro. Ali, ele já começou. O casamento, em si, é o momento da apresentação pública, é o assumir público e formal do compromisso já existente, o qual já passou por um processo de crescimento até ali... Não sei qual a “idade” de vossa caminhada a dois, mas sei que não se restringe a esta última meia hora. Pensei numa cor que pudesse representar o casamento. Das cores litúrgicas (as primeiras que me vieram à mente), ocorreu-me o seguinte: – não seria o roxo, pois este representa paixão, sofrimento, espera (Advento, Quaresma);

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– nem o vermelho, que representa luta, intensidade, dias de festa, (como Pentecostes, Reforma). Se assim fosse, em pouco tempo estaríamos exaustos, desgastados; – nem o preto, cor rara no Ano Litúrgico, usada somente na Sexta-feira da Paixão, representa luto, dor, o silêncio, o vazio diante da morte, do nada, da impotência, da impossibilidade... Mas, então, não haveria cor que pudesse combinar com o matrimônio? O verde, sim, o verde! O verde que acompanha um bocado de tempo no Ano Litúrgico. O período maior. O verde representa, no uso comum, a vida, a esperança. No Ano Cristão, representa o crescimento em silêncio! Que simbolismo lindo! Profundo, cândido, consistente: o crescimento silencioso! O relacionamento de duas pessoas, na condição de esposo e esposa, tem tudo a ver com este significado. Porque o crescimento se dá sob condições variáveis: necessita da luz do sol, mas também da escuridão da noite, necessita da brisa suave, mas também do vento forte que realiza a limpeza, espalha sementes. Necessita dos dias nublados e de chuva, necessita do frio e do calor, necessita das diferentes estações, necessita do ciclo lunar, necessita da terra, onde se fixa e retira seus nutrientes. Necessita das suas próprias raízes, folhas, talos, ductos de seiva... Necessita da Mão Zelosa Maior, que retira ervas daninhas, bichos, parasitas que ameaçam a planta, enroscando-se nela, estrangulando-a...

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(...) Isso tudo também mostra a dimensão social do casamento: precisamos dos nutrientes vindos da amizade com outros; necessitamos de formação e informação para continuarmos esse processo de crescimento... precisamos aprofundar raízes... Vocês até aqui tinham suas raízes individuais, e agora vão desenvolver suas raízes, mas em conjunto. Não acredito no casamento representado por uma planta híbrida única. É difícil representar, mas acho que o casamento é o entrelaçamento das raízes. Há raízes que ainda permanecerão individuais, buscarão nutrientes fora do âmbito de relacionamento do par. Há raízes anteriores a este relacionamento, que são até mais profundas e muito ramificadas, que continuam alimentando aquela planta. Assim somos nós, cada um de nós, pessoas. Nenhum símbolo é perfeito, e plenamente explicável. Deixem-me seguir ainda mais um pouco: Pensei ainda na importância da distância, até mais que a proximidade neste processo, nesta Escola da Vida. Distância no sentido de respeitar a individualidade da pessoa ao meu lado, seu jeito, suas necessidades, seus ímpetos, seus sonhos, seus ideais, suas premissas... Acho que o tempo inicial do namoro se caracteriza por esta distância saudável: quando ainda olhamos com atenção para o outro, a fim de conhecê-lo, percebê-lo nas suas manifestações, seu jeito; quando até quase o idolatramos, o contemplamos e somos seu fã (de seu sorriso, seus movimentos, suas reações...). É aquela distância que deixa o outro respirar, ser indivíduo, ser pessoa, ser autêntico, ter contato consigo mesmo; é aquela distância que dá espaço, e não sufoca, dá liberdade, e não domina, 93


que permite a diferença e não quer sempre ditar, manter e controlar a síntese. É aquela distância que permite que o outro nos surpreenda, diferente daquela posição que gera cansaço e rotina, aquela distância que permite ao outro ser uma estrela que brilha sozinha [não vou precisar tornar opaca essa luz natural, para que eu apareça mais], é aquela distância que responsabiliza cada um pelas suas ações [não preciso me envergonhar ou passar o tempo todo acobertando a verdadeira face do outro, estampada em sua fala, seus gestos, suas reações...]; distância que é permissiva, saudável. A falta dela causa a doença em ambos [eu me torno doente e adoeço o outro]. É a simbiose que deixa ambos defeituosos: nenhum dos dois é autêntico [lembro do símbolo de uma concha do mar, unida a um parasita. Ambos foram mudados, para sempre...]. O casamento tem um pouco de simbiose. Mas estou certa que é melhor falar em cumplicidade do que em simbiose. Porque a última muda as estruturas, a essência; impossibilita, para sempre, as possibilidades da distância.

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Outras liturgias Bodas de ouro52

Liturgia de entrada Sinos A comunidade está dentro da igreja. O/a oficiante recebe o casal e sua comitiva à porta de entrada. Após a acolhida, a comunidade canta o hino “Guia-nos, Jesus”, enquanto a comitiva entra na igreja.

Hino: Guia-nos, Jesus (HPD, 210) Acolhida Hino: Até aqui me trouxe Deus (HPD, 233) Invocação L. Estamos reunidos neste culto com a família (...) para celebrar os (50) anos de vida matrimonial do casal N. e N., em nome de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. C. Amém. L. Elevo os olhos para os montes. De onde virá o socorro? C. O nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra e tudo que neles existe. E Ele, por graça, ainda os mantém. Confissão dos pecados L. A Palavra do Senhor nos ensina: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se, porém, confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e

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Esta liturgia foi elaborada para uma situação específica. Na parte da “Bênção ao casal”, a oração “(proferida por uma filha)” leva em conta a história do casal. Portanto, esta oração deve ser adaptada a cada caso. Os hinos indicados também foram escolhidos pelo casal.

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justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.8-9). Confiantes nesta promessa, cheguemos perante o Senhor, confessando-lhe os nossos pecados: L. Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia! Somos pessoas pecadoras. Confessamos que cometemos pecados e injustiças com pensamentos, com palavras, com coisas que fizemos e que não corresponderam à tua vontade, e com coisas que deixamos de fazer e que tu esperavas de nós. Por isso, ó Deus, nós te pedimos: C. e Perdão, Senhor, perdão!53 L. Tornamo-nos culpados e culpadas diante de ti, ó Deus, quando em nossa convivência na família, na vizinhança e na comunidade deixamos de abrir os nossos olhos, os nossos ouvidos e o nosso coração para as pessoas que necessitam do nosso auxílio. Tornamonos culpados e culpadas diante de ti, ó Deus, quando nos desentendimentos com pessoas da nossa família, da nossa vizinhança e da nossa comunidade nós não reconhecemos o nosso erro e não buscamos a reconciliação. Por isso, ó Deus, nós te pedimos: C. e Perdão, Senhor, perdão! L. Todos estes pecados, que tu conheces um por um, pesam na nossa consciência, e nós nos arrependemos deles profundamente. Nós te pedimos, ó Deus, por causa da tua misericórdia que não tem fim e da inocente e amarga paixão e morte de teu Filho Jesus Cristo: perdoa-nos os nossos pecados e dá-nos a força do teu Espírito Santo, para reconstruir a nossa vida à luz do teu Evangelho. C. Amém!

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A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 110.

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Absolvição L. Diante dessa confissão, eu, como ministro/a ordenado/a da Igreja para o ministério da reconciliação, por ordem de nosso Senhor Jesus Cristo, lhes anuncio o perdão de seus pecados, em nome do Deus Pai, e do Filho e do Espírito Santo! (+). C. Amém! Hino: Graças dou por esta vida (HPD, 237) Kyrie L. Como comunidade cristã reunida, chegamos humildemente a Deus e clamamos: – pela paz no mundo inteiro; pela paz em nossa sociedade, em nossas cidades e em nossas famílias; – pelas pessoas que sofrem injustiças, nos lares, nas famílias e no matrimônio; no trabalho, nas ruas e nas escolas; entre nós e no mundo todo; – pelos casais que vivem dificuldades no relacionamento. Pelos filhos/as que sofrem com a falta de diálogo com pais e mães e pelas pessoas que sofrem a morte de um cônjuge; – pela juventude que vive de incertezas e busca orientação e valores firmes; – pelo testemunho evangélico da Igreja no mundo inteiro e da IECLB aqui em (nome da comunidade); – por esta casa santa e por todas e todos que aqui procuram abrigo e alimento saudável, clamamos a Deus cantando: C. e Pelas dores deste mundo, ó Senhor, imploramos piedade.54 Oração do dia L. Querido e amado Deus, que nos ajudas a construir uma casa e um matrimônio em base firme: chegamos diante de ti com os corações agradecidos porque tu nos trouxeste a este lugar para teste54

A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 109.

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munharmos o amor com que tens conduzido a vida do casal N. e N., teus amados filhos, nestes (50) anos de vida matrimonial. Também te agradecemos e te bendizemos por todas as pessoas desta comunidade que estão unidas pelo matrimônio em teu amor. Pedimos-te, ó Deus, vem iluminar a nossa vida com a tua santa Palavra e vem alimentar o nosso corpo com a Ceia da comunhão do teu Filho. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina de eternidade a eternidade. C. Amém!

Liturgia da Palavra Leituras bíblicas L. Preparando-nos para ouvir as leituras bíblicas, cantemos o Salmo 34. C. e Bendirei o Senhor em todo tempo (HPD, 263) Primeira leitura: Josué 24.14-17 Aclamação do Evangelho L. Aclamemos o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo cantando: C. e Aleluia. L. Leitura do Evangelho, conforme Mateus 7.24-25 L. ... Palavra do Senhor! C. e Louvado sejas, Cristo!

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Memória histórica da vida do casal

Alocução Hino: Graças, Senhor, eu rendo muitas graças (HPD, 249) Compromisso mútuo e bênção ao casal Convidar o casal, as testemunhas que assistiram à bênção matrimonial em (ano do casamento) e toda a família do casal para se colocarem diante do/a oficiante.

Breve acolhida e oração L. Queridos N. e N.! Vocês estão aqui diante de Deus, juntamente com a sua família, que é fruto da dedicação e do amor de vocês nestes (50) anos de vida partilhada. Vocês também estão acompanhados da comunidade com a qual conviveram em todos esses anos. E junto a todas essas pessoas queridas vocês vêm novamente receber as bênçãos de Deus para que as suas vidas continuem sendo amparadas e orientadas por Ele. Mas, acima de tudo, vocês estão aqui para agradecer a Deus por tudo o que receberam de suas mãos neste longo trajeto de vida matrimonial. Por isso, oremos a Deus: Oração proferida por uma filha55

Deus de bondade e de misericórdia! Como filha deste casal e em nome de nossa família, venho te agradecer pelos (50) anos de vida matrimonial de nosso pai e nossa mãe. Tu os abençoaste e foste o sustento deles nas horas difíceis. Tu assististe nossa mãe quando ela deu à luz os seus filhos/as. (Se este for o caso: Tu deste forças a eles para que suportassem a perda de filhos recém-nascidos.) Tu sustentaste nosso pai em seu trabalho árduo para que ele pudesse garantir o pão de cada dia na mesa

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Esta oração é específica para cada casal e família, respectivamente. Deve ser adaptada a cada situação.

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dos seus filhos. Tu deste sabedoria a eles para que educassem suas filhas e filhos de acordo com a orientação da tua palavra. Tu deste amor para que eles soubessem repartir a sua vida com os outros, ajudando vizinhos quando estes precisavam, auxiliando doentes quando estes necessitavam e lutando pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e pessoas aposentadas desta região. Tu, ó Deus, deste dons a este casal para que servisse a ti na tua Igreja, nesta comunidade. Tantos são os sinais da tua presença na vida de nosso pai e de nossa mãe! Por isso, ó Deus, nós te somos muito gratos e gratas. Pedimos-te: continua amparando-os nas horas difíceis, alegrando-os com a tua presença, fortalecendo-os na esperança e na fé. Por Jesus Cristo. Amém! Troca de alianças e compromisso mútuo L. Como sinal visível do amor que acompanhou vocês e foi sustentado por Deus em todos esses anos, desde o dia (dia do casamento), tomem essas alianças e renovem a promessa que vocês fizeram há (50) anos, um ao outro, diante de Deus. N. e N. (alternadamente): Oficiante diz e cada qual, na sua vez, repete. Esta aliança é o sinal visível do meu compromisso matrimonial contigo e do meu amor a ti, que duraram (50) anos e continuarão por toda a minha vida, com a ajuda de Deus. Graças a Deus, pois ele nos sustentou em seu amor. Bênção L. O misericordioso Deus que ajudou vocês até agora, acompanhou vocês nas horas difíceis e nas alegrias e cumpriu fielmente todas as suas promessas, os abençoe e acompanhe hoje e sempre. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (+). Amém. O casal recebe os cumprimentos do/a oficiante e é abraçado pela família. Todos retornam aos seus lugares.

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Recolhimento das ofertas (Convida para as ofertas e explica o destino)

Hino: Os que confiam no Senhor (HPD, 229) (Durante o hino, são recolhidas as ofertas e levadas à mesa)

Oração geral L. Oremos! Deus de amor e compaixão, criaste-nos à tua imagem e nos deste o amor como base de relacionamento entre nós. Gratos e gratas te somos por todos os casais desta comunidade que vivem em união matrimonial, dando exemplo de que é possível conviver em família, com respeito, solidariedade, confiança e amor. Gratos e gratas te somos porque nos dás forças para superar os conflitos e os sofrimentos que enfrentamos em nossos relacionamentos. E, mesmo quando não conseguimos mais conviver com nosso parceiro ou parceira como havíamos sonhado e planejado, tu não nos rejeitas, tu não nos condenas. Em nossa fraqueza, tu nos aceitas e nos permites recomeçar e reconstruir as nossas vidas, sob a tua graça e o teu perdão. Graças te damos, ó Deus de misericórdia. Pedimos-te: abençoa as pessoas aqui presentes, consola as que estão aflitas, cuida das que estão doentes e das que sofrem com a ausência de um ente querido. Fortalece a tua Igreja para que, por meio dela e do seu testemunho, as famílias desta terra encontrem abrigo, consolo e orientação. Por Jesus, teu Filho amado. Amém.

Liturgia da Ceia do Senhor Oração preparatória L. (Os elementos e os utensílios da Ceia, bem como as ofertas recolhidas, estão sobre a mesa) Tudo vem de ti, Senhor: o alimento para o nosso corpo, as forças para o trabalho e o sustento da família. De ti, em Jesus Cristo, vem o pão que dá vida e a bebida que traz salvação. Graças te damos, ó Deus, pelas ofertas em dinheiro que colocamos em tuas mãos. Usa-as em favor de (destino das ofertas). 101


Bendito sejas pelo pão e pelo fruto da videira que aqui estão. Usa estes alimentos como pão da vida e bebida da salvação para todas as pessoas que vierem a esta mesa. Bendito sejas, ó Deus, para sempre! C. Amém! Diálogo L. O Senhor esteja com vocês C. E também com você. L. Vamos elevar os nossos corações a Deus! C. Ao Senhor os elevamos. L. Demos graças ao Senhor, nosso Deus. C. Isso é digno e justo. Oração eucarística L. É digno, justo e de nosso dever render graças a ti, ó Deus, pois tu és o nosso amparo e proteção em todos os dias de nossa vida. Tu criaste o mundo e a nós, tuas criaturas. Cuidaste de nós desde o nosso nascimento. Deste-nos mandamentos que orientam a nossa vida. Guiaste-nos com tua mão pelos caminhos que andamos. Ofereceste-nos o teu colo quando necessitamos de ti. Grande és tu, Senhor! Santo, Santo é o teu nome. Por isso, nós te adoramos. Só tu és o nosso Deus, grande em misericórdia. Graças te damos, Deus amado, pois tu nos enviaste o teu Filho, Jesus Cristo, que revelou grande amor por nós, dando sua vida para a nossa salvação, entregando-se à morte, sendo crucificado, morto e sepultado. Graças te damos, pois ressuscitaste o teu Filho e o levaste para junto de ti, de onde virá outra vez em glória. Agora, como comunidade que ouve o teu chamado, reunimo-nos em torno desta mesa, ó Deus, pois o teu próprio Filho assim o ordenou. Ele, Jesus Cristo, antes de se entregar à morte, ceou com os discípulos. Na noite em que foi traído, Jesus tomou o pão e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, de-

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pois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Portanto, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Envia, ó Deus, o Espírito de comunhão e amor, o mesmo que teu Filho enviou aos seus discípulos, para que, partilhando o pão da vida e o cálice da salvação, nos tornemos, em Cristo, uma só família que vive da esperança. Lembra-te, ó Deus, das pessoas que viveram em tua presença e não estão mais entre nós. Reúne-nos com elas na festa do teu Reino. Unidos a elas, proclamamos teu louvor e anunciamos a felicidade do teu Reino, para o qual, em Cristo, nos convidaste. C. e Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a ti, Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre. Amém, amém, amém!56

Pai-Nosso Gesto da paz L. Entre nós e em nossas famílias nem sempre reina a paz. Na oração do Pai-Nosso pedimos que Deus perdoe as nossas dívidas assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. Como gesto concreto de que estamos mesmo dispostos a nos aceitar e a nos perdoar mutuamente, vamos agora ao encontro do nosso irmão e irmã e demos um aperto de mão ou um abraço, desejando que a paz de Cristo reine entre nós.

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A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 112.

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Fração L. Eleva o cálice O cálice da bênção pelo qual damos graças é a comunhão do sangue de Cristo. L. Eleva o pão O pão que partimos e repartimos é a comunhão do corpo de Cristo. C. Nós, embora muitos, somos um só corpo.57 Cordeiro de Deus L. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! C. e Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, tem piedade de nós. (HPD, 371) Convite L. Vinde, pois tudo está preparado! Comunhão Durante a comunhão, a comunidade canta hinos de sua escolha.

Oração pós-comunhão L. Oremos: Deus de amor, agradecemos-te porque nos recebeste em tua mesa e nos tornaste uma grande família. Restauraste-nos através da comunhão do corpo e do sangue de teu Filho. Concede, em tua bondade, que essa Ceia nos fortaleça na fé em ti e no amor ao próximo. Isto te pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor! C. Amém. Bênção L. O Deus que nos reuniu aqui, nos orientou com a sua palavra e nos alimentou com a Ceia da comunhão segue conosco no dia a dia, dando-nos a sua bênção:

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A partitura deste canto se encontra no Anexo 2, deste manual, à página 111.

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Estendendo as mãos à comunidade

Que o Senhor vos abençoe e vos guarde, que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós, que o Senhor sobre vós levante o seu rosto e vos dê a paz. Amém. Envio: L. Ide em paz e servi ao Senhor com alegria. C. Demos graças a Deus! Poslúdio Sinos

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Bibliografia A bênção matrimonial: material experimental de reformulação litúrgica: caderno 1. S.l. S.d. CENTRO DE ELABORAÇÃO DE MATERIAL DA IECLB. Cristãos no casamento: estudos sobre o matrimônio. São Leopoldo: CEM, 1982. (Temas atuais da IECLB, n. 10). CRL. Material de estudantes do MPL 2004. São Leopoldo: EST, 2005. (material não publicado). ___. Material de estudantes do SAT de 2003. São Leopoldo: EST, 2003. (material não publicado). ELCA. Libro de liturgia y cántico. Minneapolis: Augsburg Fortress, 1998. EVENOU, J. O matrimônio. In: MARTIMORT, Aimé Georges (Org.). A igreja em oração: introdução à liturgia: v. 3: os sacramentos. Petrópolis: Vozes, 1991. p. 163-181. GATTINONI, Juan Alberto. Culto de segunda bênção matrimonial: celebração de novo pacto entre pessoas divorciadas. Tear: Liturgia em Revista, São Leopoldo: Centro de Recursos Litúrgicos, n. 20, p. 3-8, ago. 2006. HAMMAN, A.-G. A vida cotidiana dos primeiros cristãos (95-197). São Paulo: Paulus, 1997. IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL. Livro de oração comum. Porto Alegre: Metrópole, 1999. IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL. Nossa fé, Nossa vida: guia da vida comunitária na IECLB. 4. ed. rev. e ampl. São Leopoldo: Sinodal, 2005. p. 34-38. KIRST, Nelson (Org.). Livro de Batismo. 2. ed. rev. São Leopoldo: Oikos, 2008. LUTERO, Martinho. Da vida matrimonial. In: Obras Selecionadas: Ética: fundamentos, oração, sexualidade, educação, economia. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1995. v. 5, p. 160-183. ___. O Magnificat. In: Obras Selecionadas: Ética: fundamentação da ética política, governo, guerra dos camponeses, guerra contra os turcos, paz social. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1996. v. 6, p. 20-78.

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___. O matrimônio. In: Obras Selecionadas: O programa da Reforma: escritos de 1520. São Leopoldo / Porto Alegre: Sinodal / Concórdia, 1989. v. 2, p. 400-410. MANSK, Erli. A ritualização das passagens da vida: desafios para a prática litúrgica da Igreja. São Leopoldo: EST / PPG, 2009. (Tese de doutorado). MARTINI, Romeu R. Livro de culto. São Leopoldo: Sinodal, 2003. PFATTEICHER, Marriage. In: PFATTEICHER, Philip H. Commentary on the Lutheran Book of Worship: Lutheran Liturgy in its Ecumenical Context. Minneapolis: Augsburg Fortress, 1990. p. 455471. REDAÇÃO final do capítulo sobre Bênção matrimonial do Guia Nossa fé, Nossa vida, aprovada na reunião da Presidência com Pastora e Pastores Sinodais, de 15 a 19 de setembro de 2009. (Documento da IECLB). SCHARFFENORTH, Gerta. Freunde in Christus: Die Beziehung von Mann und Frau bei Luther im Rahmen seines Kirchenverständnisses. In: SCHARFFENORTH, Gerta; THRAEDE, Klaus. Freunde in Christus werden...: Die Beziehung von Mann und Frau als Frage an Theologie und Kirche. Gelnhausen, Stein: Burckhardthaus, Laetare, 1977. TIBILETTI, C. Matrimônio: ritos litúrgicos. In: BERARDINO, Ângelo Di. (Org.). Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Petrópolis / São Paulo: Vozes / Paulus, 2002. p. 909. WHITE, James F. Introdução ao culto cristão. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 216-225.

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ANEXO 1 II – O matrimônio no Novo Código Civil (2002) – esclarecimento inicial58 A Lei reconhece três tipos de uniões: 1. O casamento Quando um homem e uma mulher solteiros, viúvos ou divorciados estabelecem o vínculo civil; 2. A união estável A união estável é definida – com base no capítulo VII da Constituição de 1988, que trata ‘Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso’ – pelo Código Civil 2002, Art. 1723: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura estabelecida com o objetivo de constituição de família.” 3. O concubinato O concubinato ocorre quando duas pessoas legalmente impedidas de casar vivem juntas. Diz o Código Civil, Art. 1521: Não podem casar: I – os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II – os afins em linha reta; III – o adotante com quem foi cônjuge do adotado, e o adotado com quem o foi do adotante; IV – os irmãos unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; [exceção: Decreto-Lei de 1941] V – o adotado com o filho do adotante; VI – as pessoas casadas [esse inciso, mesmo sendo impedimento para casamento, não constitui impedimento para a união estável, cf. Art. 1723, parágrafo 1]; VII – o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. De acordo com o Art. 1548, inciso I, do Código Civil, “É nulo o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil.” Quanto aos adolescentes antes de completarem 18 anos, é necessária a autorização de ambos os pais ou responsáveis ou a autorização judicial. 58

Conforme o Código Civil Brasileiro, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigos 1.511 a 1.727, sancionada em Brasília, aos 10 de janeiro de 2002, publicada no Diário Oficial da União dia 11 de janeiro de 2002. Consultas a essa lei podem ser realizadas em: http:www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm.

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ANEXO 2 – Partituras

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