12 FEV. - 15 MAR. DE 2020 ESPAÇO ARTES - POLITÉCNICO DE LISBOA ESTRADA DE BENFICA, 529, 1549-020 LISBOA Consulte esta e outras iniciativas culturais na Agenda Cultural do Politécnico de Lisboa em: agendacultural.ipl.pt
POLITÉCNICO DE LISBOA
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ROMA - ATMOSPHAERA ET POETICA «[…] a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginávamos silêncios, e súbitos regressos quando pensávamos que não voltaríamos a encontrar-nos.» José Saramago – A Viagem do Elefante Talvez um dos mais belos poemas sobre Lisboa tenha sido escrito por um diseur de poesia, João Villaret, o célebre “Recado a Lisboa” que depois foi musicado por Armando da Câmara Rodrigues e que fala de um português que está longe e explana a sua maravilhosa saudade por Lisboa. Mas pergunta o leitor mais incauto, apanhado de surpresa, o que terá a saudade de Lisboa, com uma exposição de pintura sobre a cidade de Roma? Esse português poderia estar a estudar Arte em Roma e poderia perfeitamente ter sido Luís de Matos, que aí passou parte do seu período de aprendizagem das Artes e que, agora, muitos anos depois regista aquela cidade exatamente com o mesmo sentimento de quase êxtase perante o Belo, mas desta feita, não através da letra de um poema, antes recorrendo à linguagem da pintura embora, também, de alguma forma, através da poesia, neste caso de uma poesia não falada, mas pintada. Luís de Matos relembra as suas peregrinações àquela urbe, porque de uma verdadeira peregrinação se trata quando se fala e quando se viaja para a cidade de Roma. Aí esteve, aí aprendeu, aí viveu, aí sentiu, aí está exposta uma sua obra, em permanência, no cortile da Chiesa di Sant’Antonio in Campo Marzio, mais conhecida por Chiesa di Sant’Antonio dei Portoghesi, um dos mais belos segredos de Roma. Aqui voltou, uma e outra vez, fisicamente, como o fez recentemente para inaugurar uma exposição da sua obra, mas também através do que projeta nas suas telas, reorganizando a cidade que viveu e vive na sua mente, a seu bel prazer, quase como se de um puzzle cenográfico se tratasse. Nas suas “saudades” de Roma, pinta, não só os monumentos mais emblemáticos de cidade, como obviamente o Coliseu, o Arco de Constantino, o Panteão, a Bocca della Veritá, mas também do primeiro mundo cristão, de onde depois derivará a fabulosa igreja de Santa Maria de Schola Graeca, a cidade medieva que teve também um papa português, o papa João XXI que curiosamente aí não viveu, o urbanismo tardo-renascentista representado pela Piazza del Campidoglio de Miguel Ângelo, tudo em conjugação com a urbe do presente, porque
foi essa a Roma onde viveu e desenvolveu a sua apetência pela arte contemporânea, que cultiva, sem jamais esquecer a componente estética intimamente ligada ao solo italiano. Todas estas atmosferas ecléticas são captadas numa sequência de painéis de proporções relevantes onde a pintura é de enorme riqueza e complexidade, mas onde, por oposição, há uma total contenção cromática, o que, por contraste, ainda confere mais força ao imponente painel “Roma”, o único policrome. Tudo efetivamente se consubstancia para numa obra de carácter absolutamente monumental, o painel “Roma”, onde encontramos uma extraordinária síntese da cidade que passou pela História e que fez essa mesma História. Impõe-se olhar para este painel onde a cada momento encontramos reflexos da Roma antiga, mas também da Roma cidade dos papas; a Roma que viu a célebre embaixada de el-rei Dom Manuel I ao papa Leão X chefiada por Tristão da Cunha, com o célebre cortejo do elefante Annone, não o imortalizado por José Saramago, esse já do tempo de Dom João III, mas também a Roma da Embaixada de Dom João, o Quinto do seu nome, o cortejo liderado pelo 3.º marquês de Fontes, onde desfilaram os mais belos de todos os coches; a também Roma dessa Paolina Borghese née Bonaparte, a Roma oitocentista do Risorgimento, a Roma romântica e, por fim, a Roma dos Futuristas, a Roma da Modernidade, a Roma que Frederico Fellini retratou no mais fabuloso dos seus filmes, La Dolce Vita. Não se busque, no entanto, na pintura de Luís de Matos uma vertente nostálgica de um passado, procure-se e encontrar-se-á antes uma cidade que está bem viva, que ainda impressiona, que tem um espaço próprio, uma atmosfera única. Veja-se a este respeito, por exemplo, ainda neste painel a representação espacial absolutamente moderna, os seus elementos mais emblemáticos e também uma espantosa árvore caducifólia de enormes raízes, que nos lembra também uma frase de José Saramago: «Às árvores pintadas não lhes caem as folhas», o que remete, sem dúvida para o efémero das nossas existências e vivências, mas, também, para a perenidade da Arte, que poderemos designar pela palavra que mais comumente nomeia a cidade de Roma: Eterna. Paulo Morais-Alexandre Professor-adjunto da Escola Superior de Teatro e Cinema; Pró-presidente para as Artes do Politécnico de Lisboa; Investigador integrado do Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA) da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa; Doutor em Letras, especialidade de História da Arte pela Universidade de Coimbra; Sócio correspondente da Academia Nacional de Belas Artes.
LUÍS DE MATOS Luís de Matos, nasceu em Arada, Ovar, no ano de 1940. No início dos anos 60 iniciou os estudos artísticos na Escola Superior de Belas Artes do Porto mais especificamente o curso de Escultura, tendo tido como professores “pedagogos incomparáveis” os escultores Barata Feio e Lagoa Henriques, o pintor Júlio Resende e o arquiteto Carlos Ramos. Em 1962, realizou os primeiros trabalhos de escultura em bronze para as cidades do Porto, Vila do Conde e Braga. Entre 1963 e 1965, frequentou a Academia de Belas Artes de Roma, com o Prof. Pericle Fazzini, terminando o curso de Escultura com a classificação máxima e apresentando a tese de licenciatura subordinada ao tema “António Francisco Lisboa - Aleijadinho - o artista, a obra e o seu tempo”. Na mesma altura, frequentou ainda o Círculo Romano de Cultura, com o pintor Gino Cílio e participou em dezenas de exposições, em várias cidades italianas, das quais se distingue as XV e XVI Mostra de Arte de via Margutta, Primeira Exposição Coletiva do Círculo Romano de Cultura-Prémio Lauro d’Oro, Prémio Sulmona deli’Arti - Cenáculo de Cultura “Publius Ovidius Naso”, Extemporânea Nacional de Pintura - Rieti, 1.° Prémio Internacional de Pintura extemporânea - Tivoli, V Mostra de Arte Juvenil, IV Mostra Universitária Internacional de Artes Figurativas - Galeria de Arte do Palácio das Exposições de Roma, tendo ainda realizado uma exposição individual no Museu de Ovar. Entre 1966 e 1967 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Roma, frequentando a Escola de Mármore da Academia, sob a orientação do Prof. Biagio Poidimani e trabalhou no atelier do IPSAR, sob a orientação do escultor Pericle Fazzini. Em 1968, frequentou o curso de Pintura da Academia de Belas Artes de Roma, sob a regência do Prof. Franco Gentilini. Estagiou na RAI - radiotelevisão Italiana, na área da Cenografia, participou na 1.ª Mostra Internacional de Pintura e Escultura do Club Attico de Roma.
Em 1969, com Manuel Freire, fundou o “atelier de Ovar” que marcou um período relevante na criação musical e artística e alterou a vida social e política. Entre 1970 e 1972 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura para prosseguir no ateliê do IPSAR, o estudo da escultura em cera, sob a orientação de Pericle Fazzini, com quem continuava a colaborar. Ganhou ainda a bolsa de estudos do Rotary Internacional para frequentar a Universidade de New Bedford, Conn, EUA. Em 1973 entrou para os quadros técnicos da RTP - Radiotelevisão Portuguesa e frequentou cursos/estágios no Creative Studio de Croydon e na BBC/Televisão - Londres. Em 1974 foi convidado a integrar o quadro de professores do Conservatório Nacional de Lisboa, posteriormente Escola Superior de Teatro e Cinema. Trabalhou em televisão, cinema, teatro, ópera e bailado. Foi colaborador artístico do Teatro Nacional de São Carlos, na década de 90, tendo assinado mais de 500 espetáculos de ópera lírica, em Portugal, França, Itália, Bélgica e Macau. Foi, ainda, consultor de imagem e formador dos quadros de jornalistas e apresentadores dos canais de televisão RTP, SIC, TVI, TDM/Macau, CNL/ SIC Notícias, ETV/Económico, CMtv/Correio da Manhã e professor na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, Conservatório/Escola das Artes do Funchal, Chapitô e Universidade Independente. Tem trabalhos públicos de escultura em ferro, bronze, pedra, vidro, madeira e cimento, dos quais se destaca o monumento nacional a São João Bosco, em Lisboa e os painéis de pintura da sede da “Urbanos”, na estação ferroviária do Rossio/Lisboa e “Reencontro” no cortile da igreja de Santo António dos Portugueses em Roma. Tem ateliê nas Caldas da Rainha em Portugal e é colaborador das organizações artísticas do Museu Municipal António Duarte, nomeadamente dos Simpósios Escultura em Pedra e das Bienais de Artes Plásticas. Entre outros averbou as seguintes medalhas e prémios: Medalha de bronze da Câmara de Roma; Prémio de escultura da XV Mostra de Arte de via Margutta, Roma; Prémio de Escultura na VI Mostra de Arte do Estudante Universitário, Roma; Prémio de desenho da Bienal das Regiões de Itália, Ancona Prémio “Unesco” de escultura, Roma.
OBRAS
Porquê fiz os PAINEIS de ROMA LUIGI FELIZIANI, um velho amigo meu, romano, que publicou um belíssimo livro de fotografias ”ROMA CAMBIATA” escreveu: “dediquei-me a este projecto por muitos motivos: queria que fosse e foi, uma viagem dentro Roma, mas no fundo fi-lo mais para divertir-me, para desafiar-me … e enquanto o fazia, percebi que estava fazendo tudo isto para partilhar com os amigos, e com os que amam Roma, contar histórias e vivências da sua cidade e dar-lhe um pequeno , espero agradável, presente.” É quanto digo sobre os meus painéis “ROMA 2021” que agora vos apresento. Obrigado Luigi, caríssimo amigo LUIS F. de MATOS
POLITÉCNICO DE LISBOA ROMA - ATMOSPHAERA ET POETICA Exposição de Luís de Matos 12 de fevereiro 2020 Apoio: Alfredo Casimiro (Transportes e Logística) Bárbara Santos Silva (curadoria) Gabinete de Comunicação e Imagem do IPL DesignLab4u Angelo Ramiro Miguel Serra
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