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Prêmio FCW 2012

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os

vencedores

do Prêmio Conrado

e Cultura 2012 e s P e C ial

fcw prêmio

Fundação Conrado Wessel

Wessel de arte, Ciência

coordenação desta edição

José Moscogliatto caricatti

Fundação conrado Wessel

rua Pará, 50 - 15º andar

Higienópolis - 01243-020

são Paulo, sP - Brasil

tel./fax: 11 3237-2590

www.fcw.org.br

diretoria@fcw.org.br

Índice

4

FCW inicia nova década de patrocínio a benefícios sociais

8

Premiação leva em consideração, além do talento profissional, a contribuição à sociedade dada pelos ganhadores

14

Sergio Rezende concilia produção em física com a prática política de uma visão nacionalista da ciência

20

O cirurgião Marcos Moraes usa a legislação e cria estratégias de controle para combater o câncer

26

Conhecido como exemplo de superação, o maestro João Carlos Martins gosta mesmo é de ensinar música e tocar Bach

32

Veja os três ensaios fotográficos ganhadores em Arte de 2012

46

Conheça os premiados de Arte de anos anteriores de todas as edições do Prêmio FCW

Um fU tU ro ainda melhor

Fundação Conrado Wessel inicia nova década de patrocínio a benefícios sociais

Quando Ubaldo Conrado Wessel retornou ao Brasil em 1913, ao final do estágio realizado na Casa Beissner & Gootlieb de Viena para concluir o curso de fotoquímica e clicheria iniciado em 1911, trouxe consigo uma gravura em clichê (imagem fotográfica negativa) de um jardim vienense. Esse exemplar, reproduzido ao lado, é mantido nos arquivos da Fundação Conrado Wessel. Feita por ele há 100 anos em papel Velox, produzido pela empresa de George Eastman, o melhor papel fotográfico da época segundo o próprio Wessel.

Não foi por mera recordação de um emprego de sucesso na Áustria que Wessel trouxe a gravura para o Brasil. Desde quando chegou a Viena para se especializar no ramo da fotografia e clicheria, ele acalentava a ideia de criar nova fórmula para produzir papel fotográfico. Na época os papéis eram de qualidade inferior – Velox era o único aceitável – e o objetivo era produzir um melhor. Ele trouxe o modelo como uma referência ao que conseguisse inventar no Brasil. Aqui, após seis anos de pesquisa, no final de 1918, conseguiu definir a fórmula que encaminhou para ser patenteada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

A patente foi obtida por Conrado e por seu pai, Guilherme, em 1921 e, por ironia, por ele vendida posteriormente, em 1954, à empresa de Eastman, o mesmo proprietário do papel Velox, como se vê na foto da embalagem do “Papel fotográfico Kodak-Wessel”, que Conrado tem às mãos em 1949, ano em que construiu nova fábrica em São Paulo em parceria com a Kodak, cedendo a ela a opção de compra da patente, o que se formalizou em 1954. O traço histórico revelador dessas imagens é a busca, sempre, do melhor. Conrado o conseguiu, pois sua

Acima, a foto feita por Conrado Wessel em 1911, quando estagiava em Viena. Ao lado, ele mostra o papel desenvolvido já em parceria com a Kodak, em 1949

Neste ano, seis novos nomes ingressam na galeria de laureados com o Prêmio FCW

{Prêmios FCW

patente gerou a Fundação Conrado Wessel (FCW), o maior fenômeno nacional de apoio à arte, à ciência e à cultura. Sua presença no cenário acadêmico brasileiro é aclamada, desde quando, há 11 anos, foi lançado o Prêmio FCW de Arte, Ciência e Cultura em eventos na Bienal, na Casa da Cultura Brasileira e na Sala São Paulo.

Agora a FCW inicia uma nova década de outorga dos maiores prêmios para a arte, a ciência e a cultura no Brasil. Neste ano, seis novos nomes ingressam na galeria de laureados em evento na Sala São Paulo, na capital paulista, com a apresentação do maestro João Carlos Martins, por mera coincidência o vencedor do prêmio de Cultura de 2012.

A FCW continua a patrocinar publicações e eventos de algumas de suas parceiras como os Anais da Academia Brasileira de Ciências , a revista Journal of Aerospace Technology and Management (JATM) , do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), a Pes-

total de ganhadores em todas as categorias

quisa Naval, da Marinha do Brasil, e esta edição anual com os ganhadores dos Prêmios FCW, que circula juntamente com Pesquisa FAPESP. Também banca três bolsas complementares das Grandes Teses Capes e o prêmio Almirante Álvaro Alberto, este último em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

aFCW premia na categoria Arte os três ensaios fotográficos vencedores de um conjunto expressivo de mais de 450 inscritos. Nas categorias Medicina, Cultura e Ciência são escolhidos grandes nomes, figuras cujo currículo revela uma exponencial dedicação à sociedade, além de indiscutível competência, conhecimento e valor acadêmico consagrado internacionalmente. A fundação considera, entretanto, que o grande beneficiário dos prêmios é o país, por não se deixar esquecer quem luta para fazê-lo melhor. O mesmo ocorre com as demais atividades da FCW, especialmente as doações, todas voltadas para entidades cujos fins sociais não se discutem: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Fundação Antonio Prudente, Associação Benjamin Constant, Serviço Social do Exército de Salvação, Aldeias Infantis SOS Brasil e mais 27 outras entidades ligadas a atividades educacionais, com superlativo benefício social.

Exemplo bastante expressivo dos objetivos dessas doações e demonstração do quanto elas de fato promovem a busca do apoio educacional dos beneficiados é o que ocorre com a cota destinada ao Corpo de Bombeiros. Entre os dias 6 e 14 de julho, sete integrantes da corporação estarão se aperfeiçoando no College Station do Texas, Estados Unidos, para trazer aos demais componentes informações, tecnologia e métodos para a melhoria permanente de atendimento à população. Depois deles, outros 30 bombeiros seguirão para a Irlanda do Norte e Londres, a fim de participar em Belfast dos Jogos Mundiais de Polícia e Bombeiros 2013. A cada ano, de 35 a 60 bombeiros participam de simpósios, encontros, jogos e cursos no exterior, sob o patrocínio da FCW.

Outra doação anual muito significativa é a atribuída à Fundação Antonio Prudente. Embora seja uma fração pequena dos recursos que ela destina às suas atividades, contribui de forma segura e sistemática para o esforço hoje despendido no intuito de dotar o país do maior centro de pesquisas oncológicas, em nível e padrão que rivalizam com os mais avançados do mundo. Ainda no plano de influência educacional, relevante é a contribuição anual à Associação Benjamin Constant, mantenedora do Colégio Benjamin Constant, onde Conrado Wessel estudou e se projetou ainda jovem no cenário da fotografia, vencendo em 1906 dois concursos oficiais de fotografia promovidos pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

n o caso da assistência social, merece referência o trabalho feito pela FCW em parceria com o Ministério Púbico, distribuindo a crianças e famílias carentes grandes cestas natalinas. Desde 2005, quando se iniciou esse programa,

foram atendidas 21.379 famílias. Aliam-se a esse programa, pelo prisma de assistência a carentes ou abandonados, os programas executados pelo Serviço Social do Exército de Salvação e pelas Aldeias Infantis SOS do Brasil, ambas as instituições donatárias de uma expressiva cota anual da fundação.

Com todas essas ações, nesta nova década consolidam-se os resultados já obtidos pela presença nacional da fundação. A tendência é também de expansão porque, da gestão patrimonial que assumiu o legado de Conrado Wessel em 2000, um patrimônio que representava 18.727 metros quadrados de área construída, e o ampliou com novas unidades e projetos, deve-se esperar metas mais ambiciosas de imobilização, resultados mais consistentes, uma estimativa de agregar outros 100% de área construída, para mais oferecer em prol dos objetivos estatutários: incentivo à educação, incremento à arte, à ciência, à medicina e à cultura, caminhos do futuro para o Brasil. n

João Carlos Martins rege a filarmônica Bachiana no teatro Positivo, em Curitiba (2009): dupla presença na festa de premiação da fCW

Os valOres de cada um

Premiação leva em consideração, além do talento profissional, a contribuição à sociedade dada pelos ganhadores

Os Prêmios FCW já contemplaram quase uma centena de personalidades que fazem ciência, medicina, cultura e arte. Em 11 anos, foram concedidos 88 esculturas de Vlavianos, símbolo do prêmio, além de valores em dinheiro que vêm crescendo desde a primeira edição, realizada em 2002. Atualmente são distribuídos R$ 1,1 milhão: R$ 300 mil para cada um dos ganhadores nas categorias Ciência, Medicina e Cultura e R$ 200 mil a serem divididos entre os três primeiros lugares da categoria Ensaio Fotográfico. Em Ciência, Medicina e Cultura são sempre escolhidos personagens com um currículo de realizações que não se limitam a sua área de atividade. Os júris reunidos pela FCW são orientados a analisar não apenas a obra acadêmica, científica ou cultural dos profissionais indicados pelas instituições parceiras da fundação (conheça todas na página 48), mas também para as realizações que tenham a ver com benefícios trazidos à sociedade em qualquer âmbito.

A área mais fácil para enxergar essa qualidade dos ganhadores é a de Medicina. Todos, sem exceção, deram contribuições que redundaram em ganhos concretos para a sociedade – o que não é pouco em se tratando de um setor responsável pela saúde do brasileiro. Basta ler o perfil de Marcos Moraes na presente edição (página 20) para se ter uma ideia da importância do trabalho desses profissionais.

A contribuição social dos pesquisadores na categoria Ciência é menos óbvia pela própria natureza de sua atividade. Trata-se de trabalhos de pesquisa, que visam ampliar o conhecimento humano em todas as áreas do conhecimento, feitos por alguns dos principais cientistas brasileiros, como comprova a reportagem sobre o físico Sergio Rezende (página 14).

2012

ciência

Sergio rezende

medicina m arcoS m orae S

cultura

João carloS m artin S

São sempre

escolhidos

personagens com vasto currículo de realizações em mais de uma área

{No primeiro ano em que foram escolhidos os primeiros seis ganhadores, em 2003, havia cinco subcategorias dentro de Ciência: Ciência Geral, Ciência Aplicada ao Campo, Ciência Aplicada ao Mar, Ciência Aplicada ao Meio Ambiente e Medicina. Em 2007, o número de subcategorias diminuiu para três (Ciência Geral, Ciência Aplicada e Medicina) e em 2010 e 2011 para duas (Ciência, que engloba todas as outras, e Medicina). Essa mudança veio em decorrência do aperfeiçoamento natural dos critérios que regem os Prêmios FCW, a cargo da administração da fundação com a colaboração de seus parceiros.

A categoria Cultura premiou apenas escritores e poetas até 2007 e começou a diversificar-se nas edições seguintes, escolhendo talentos da música, do cinema, da dança e do teatro. O maestro João Carlos Martins, com sua rica história de vida dedicada à música erudita, ganhou em 2012 (página 26).

Por fim, a categoria Arte também sofreu mudanças. No começo, apenas as fotos publicitárias eram premiadas. Desde 2011, o foco está dirigido aos ensaios fotográficos (página 32). As inscrições para Arte são feitas via internet pelo endereço eletrônico www.fcw.org.br e despertam o interesse de fotógrafos de todo o Brasil. Sempre no segundo semestre do ano de outorga dos prêmios a FCW edita seu tradicional livro com as fotos de todos os finalistas. Nas páginas seguintes pode-se conferir a lista com os ganhadores em todas as edições dos Prêmios FCW. n

ciência g eral

Jairton dupont

Químico

medicina angelita Habr- gama Coloproctologista

cultura n elson Pereira dos Santos Cineasta

c iência Jorge Kalil Imunologista
medicina m iguel Srougi Urologista
c ultura
Paulo Vanzolini
Compositor e zoólogo

c iência g eral

Jerson lima da Silva

Bioquímico

c iência g eral

leopoldo de m eis

Bioquímico

c iência g eral iván

izquierdo n eurocientista

c iência aP licada

m edicina r icardo

Pasquini

Hematologista

João g omes de o liveira e ngenheiro mecânico c ultura a ntonio n óbrega m úsico e dançarino

c iência aP licada e rnesto

Paterniani g eneticista de plantas

c iência aP licada

Hisako Higashi Bioquímica

m edicina fulvio

Pileggi

Cardiologista

m edicina ivo

Pitanguy Cirurgião plástico

c ultura a riano

Suassuna d ramaturgo

c ultura affonso Ávila

Poeta e ensaísta 2009

2007

c iência g eral Sérgio m ascarenhas físico

c iência aP licada ao m eio a mbiente c arlos n obre Climatologista

c iência aP licada à Água a ldo rebouças g eólogo

m edicina r icardo b rentani o ncologista

c iência g eral Wanderley de Souza Parasitologista

c iência aP licada ao c am P o

m agno r amalho g eneticista de plantas

c ultura ruth rocha e scritora

m edicina adib Jatene Cardiologista

c iência aP licada ao m eio a mbiente a ziz a b’Sáber g eógrafo

c iência aP licada à Água g alizia tundisi Biólogo

c iência aP licada ao c am P o luiz c . f azuoli agrônomo

c ultura f ábio lucas

Crítico e ensaísta

c iência geral i saias r aw Bioquímico

m edicina cesar Victora e pidemiologista

c iência g eral c arlos Henrique de b rito cruz físico

c iência aP licada ao m eio a mbiente m useu Paraense e mílio g oeldi

c iência aP licada à Água a lberto franco o ceanógrafo

c iência aP licada ao c am P o i nstituto a gronômico

c ultura ferreira g ullar Poeta

c iência aP licada ao m eio a mbiente

Philip fearnside Biólogo 2004

c iência aP licada ao m ar dieter m uehe g eógrafo

m edicina m aria i nês Schmidt e pidemiologista

c iência aP licada ao c am P o

Jairo Vieira agrônomo

c ultura lya luft e scritora

O físicO integral

Sergio Rezende concilia sua produção científica com a prática política de uma visão nacionalista da ciência brasileira

Sergio Machado Rezende está feliz. “Estou no auge de minha carreira científica”, ele contou no dia 15 de maio em sua sala – ou gabinete, como ele chama – no segundo andar do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife. “Posso ser pesquisador em tempo integral, como nunca antes tinha conseguido ser no Brasil, e tenho a satisfação de ter feito muita coisa.” Ele não parou de fazer pesquisa e escrever artigos científicos mesmo quando ocupava cargos administrativos: com responsabilidades crescentes, foi chefe do Departamento de Física, que ajudou a formar, na década de 1970, diretor do Centro de Ciências Exatas e Naturais da UFPE, primeiro diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Pernambuco (Facepe), secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e ministro da Ciência e Tecnologia.

Quando era ministro, de 2005 a 2010, Rezende publicou 26 artigos em respeitadas revistas de física – uma média de cinco por ano ou um a cada dois meses. Seis deles ele assinou sozinho, como autor único. “Em 2007 vi alguns estudos experimentais e achei que poderia encontrar as explicações para os resultados”, ele diz. Como conseguia trabalhar em Brasília e ao mesmo tempo se deixar levar pelas equações matemáticas sobre o comportamento dos elétrons em materiais condutores?

“Organizando o tempo e a cabeça para manter a motivação para a pesquisa. E o que é pesquisa? É fazer o que ninguém fez! Quando sai algo bacana em uma revista, é a mesma satisfação de fazer um gol de bicicleta!”

Um quadro em sua sala é uma fotografia em que Rezende está entre o presidente Lula e Pelé, com uma dedicatória

Rezende: “Agora posso ser pesquisador em tempo integral”

“Lembro-me da primeira vez em que subi a escada

do MIT:

‘Será que vou conseguir?’”

{de Pelé: “Gol é alegria!”. “Até o ginásio, o que eu mais gostava era jogar futebol”, conta Rezende. Duas semanas depois de chegar a Recife, em 1972, ele e um bedel montaram um campo de futebol em frente à Escola de Engenharia, então um dos únicos prédios da universidade, e durante anos os estudantes e professores do Departamento de Física se reuniam toda quarta­feira à tarde para jogar. “Voltávamos zerados no dia seguinte”, recorda­ se o botafoguense que armava o jogo e também fazia gols – ele só deixou o gramado aos 54 anos por causa de um problema no joelho. Sem solenidade, atencioso e gentil, Rezende tem 72 anos. Não parece ter mais de 60. “Disfarço bem. A explicação é genética. Meu pai, Leo, morreu com 92 anos e minha mãe, Elsa, tem 100 anos.”

Nascido no Rio, Rezende trabalha em física há quase 50 anos. Há quase 10 ele se dedica à spintrônica, uma área da microeletrônica fundamentada na perspectiva de propagação de informações por meio do spin, o movimento de um elétron ao redor de si mesmo. Por meio de trabalhos teóricos e experimentais feitos com seus estudantes e colegas, ele procura entender e ampliar a interação de spins de materiais condutores como ferro, níquel, manganês e cobalto. Foi um professor do Colégio de Aplicação da Universidade do Brasil, Luiz Eduardo Machado, astrônomo do Observatório Nacional, que o fez começar a gostar de física. “Aquele professor valorizava o raciocínio como forma de resolver os problemas”, lembra­se. A contragosto do pai, um advogado que queria que ele fosse médico, Rezende foi estudar engenharia eletrônica, a área que lhe parecia mais próxima da física, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Logo ele se destacou como um dos melhores da turma.

Jornal do Brasil de 27 de dezembro de 1967: notícia do retorno

Um dos professores, Luiz Carlos Bahiana, incentivou ­ o a ir para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde ele próprio tinha feito o doutorado. O rapaz hesitou: “Mas será que vou ser aceito?”. O professor garantiu: “Claro que vai!”. Rezende se inscreveu e, com base no currículo e em uma carta de recomendação de Bahiana, o MIT o aceitou, levando ­ o a outro problema: não tinha como se manter lá. Ele havia perdido o prazo para pedir bolsa de estudos para uma agência federal e outra não lhe deu, argumentando que só apoiava estudantes de universidades públicas. Em seguida ele viu em um jornal um anúncio da Fundação Fullbright para estudantes brasileiros, inscreveu­se e foi o único do Brasil a conseguir. “Lembro de quando subi a escadaria do MIT pela primeira vez”, ele recorda, “sentindo o peso da responsabilidade. ‘Será que vou conseguir?’”

Aos poucos ele acertou o passo com seu trabalho sobre as propriedades magnéticas de ferrites, um material usado em eletrônica, e tirou nota máxima em várias disciplinas, até mesmo em uma conduzida por um professor que havia se recusado a orientá­lo quando chegou: foi o único

10 da turma, que o deixou mais confiante. Ele terminou o mestrado e emendou com o doutorado, dessa vez com uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Quase quatro anos depois, já casado e com duas filhas pequenas, achou que era hora de retornar ao Brasil. Nessa época o Itamaraty reuniu estudantes e pesquisadores brasileiros nos Estados Unidos, motivando­os a voltar. Rezende recebeu um convite para ir a uma dessas reuniões, não pôde, mas já tinha decidido: “Além da pressão familiar”, ele conta, “eu achava que voltar era uma obrigação minha”. Em 1967 o Jornal do Brasil o entrevistou e noticiou: “O primeiro que veio do Norte”.

“Op Ortunidade histórica” Rezende lecionou no Departamento de Física da PUC durante três anos, depois se mudou com a família para Campinas, como professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Seis meses depois

mudaram­se outra vez, agora para Recife, com a missão de ajudar a formar o Departamento de Física da UFPE. “Vim para ficar três anos e fiquei, porque as coisas começaram a dar certo”, conta Rezende. Ele guarda até hoje um bilhete em que o físico Sérgio Marcarenhas, professor da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, lhe escreveu em 1970: “Estamos vibrando que você possa aceitar esta oportunidade histórica”. Depois de convencer o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CNPq) a apoiar o novo grupo em Recife, Mascarenhas argumentou que Rezende faria o meio de campo entre os outros cinco professores mais jovens e físicos mais experientes, que trabalhavam nos Estados Unidos e, Mascarenhas apostava, aceitariam se mudar para Recife. Rezende entrevistou cinco dos seis supostos interessados, mas nenhum aceitou o convite. Durante alguns anos ele foi o único doutor do grupo que ocupava o terceiro andar do prédio da engenharia e havia se organizado para dar aulas pela manhã e fazer pesquisa à tarde.

“Aprendemos a fazer barulho, comemoramos quando saiu o primeiro paper do grupo, mas também passamos por muitos embates”, Rezende relata. “Diziam que nós nos julgávamos elitistas e PhDeuses.” A credibilidade científica facilitou a aprovação de um financiamento para construir o prédio atual, inaugurado em 1982. Do atual corpo de 40 professores, três outros do grupo inicial – Cid Araújo, José Rios Leite e Maurício Coutinho Filho – continuam no departamento.

Em novembro de 1947, na primeira comunhão, com os pais, Léo e Elsa, e a irmã mais velha, Eliza. Ao lado, em 1967, com David Bullock, no MIT. Acima, em 1972, no laboratório do então nascente Departamento de Física da UFPE, Rezende (o terceiro, da esq. para a dir. ), Maurício Coutinho e Cid Araújo

Em 1998, Rezende com Arraes (acima à esq.) e Mascarenhas (acima à dir.), em campo em 1982 ( primeiro agachado à direita) e em 2013, no lababoratório

O Departamento de Física da UFPE, um dos melhores do país, se expandiu para além do magnetismo, a área inicial, e hoje abriga equipes em outros campos, como óptica, supercondutividade, polímeros, semicondutores e ressonância magnética; cada grupo expõe as primeiras páginas dos artigos mais recentes em murais na entrada dos respectivos territórios, o que não é muito comum em universidades e institutos brasileiros.

“Sergio Rezende foi um pioneiro em levar a ciência brasileira para o Nordeste”, comenta Sérgio Mascarenhas. O Departamento de Física foi o núcleo a partir do qual se fez o Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), que reúne também os departamentos de Química, Matemática e Estatística. Como terceiro diretor do centro, Rezende exercitou sua habilidade de conciliador, bastante valorizada por quem o conhece: “O CCEN é o resultado de um processo de convencimento de lideranças potenciais, para formarmos um grupo com objetivos semelhantes. Se

não trabalharmos de modo coletivo, não conseguiremos fazer um bom trabalho”. Em 1987 Rezende tentou ser reitor, não foi eleito, mas descobriu algo importante: não poderia ser político nem concorrer a cargos eletivos. “Não sei fazer promessas e depois não cumprir. Prefiro dizer não quando necessário, explicando por que não.” Em 1989, o governador Miguel Arraes o convidou para assumir a diretoria científica da recém­ criada Facepe, instalada em três salas do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), em frente à UFPE.

coube a ele a tarefa de elaborar as modalidades e os formulários de pedidos de apoio financeiro para pesquisadores e estudantes, com base no que havia visto nas fundações de São Paulo (FAPESP) e do Rio de Janeiro (Faperj). Em julho de 1990, no auditório do Itep, Rezende apresentou os formulários e as modalidades de apoio, agradeceu aos políticos de Pernambuco, que haviam incentivado a criação da fundação, e lembrou que qualquer pedido seria

julgado por especialistas com base no mérito das propostas, “não por bilhetinhos de pessoas influentes”, ele ressaltou. Arraes o procurou em seguida para dizer que os colegas haviam se surpreendido com tamanha franqueza e que ele próprio jamais pediria uma bolsa para quem quer que fosse.

planO d O gOvernO

Rezende conheceu o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 1998, em Natal. Rezende o ajudou a elaborar o plano de governo, Lula gostou de sua visão nacionalista sobre ciência e tecnologia, que implicava a valorização e integração das instituições de ensino e pesquisa, e o convidou para ser ministro assim que assumiu a Presidência. Rezende disse que ainda não estava preparado para um cargo tão alto, mas não escapou inteiramente: em 2003 ele assumiu a presidência da Finep, o que lhe permitiu, diz ele, “ver o ministério por dentro, não por cima, e interagir com os institutos de pesquisa”. Em 2005 ele foi para o ministério e começou a trabalhar com sua equipe em um plano de ação de ciência e tecnologia. “Eu dizia: ‘Se não fizermos, alguém vai fazer’. Desde o início eu dizia que era para ser um plano do governo, não do MCT, com a participação indispensável dos outros ministérios. Lula falou com os outros ministros e fizemos tudo sem dizer que era do MCT.” Anunciado em 2007, o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação –Pacti 2007­2010 previa investimentos de

R$ 41 bilhões e promovia a integração entre as ações do governo federal em cooperação com os governos municipais e estaduais. Uma das iniciativas mais visíveis foram os 122 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), criados dentro do CNPq. Rezende acredita que os INCTs contribuíram para descentralizar a produção científica nacional. “Cinco INCTs estão no Amazonas”, ele diz. “O maior gargalo ainda são empresas. A maioria ainda não acredita que podemos inovar e que a inovação pode mudar a vida delas.”

“É um cientista que encara como obrigação moral a necessidade de tirar o país de nosso atraso centenário”, diz Mascarenhas

“Acompanhei a criação do ministério, conheci todos os ministros e posso afirmar, por experiência própria, que Sergio Rezende mudou a ciência e tecnologia no país”, diz Mascarenhas. “Sergio Rezende é um exemplo que merece ser mostrado não só à juventude como aos políticos, por ser um cientista que encara como obrigação social a necessidade de tirar o país de nosso atraso centenário.” Pouco antes de sair do ministério, Rezende reuniu seus artigos e reflexões sobre política científica e tecnológica, publicados desde 1970, no livro Momentos da ciência e tecnologia no Brasil – Uma caminhada de 40 anos pela C&T (Vieira e Lent, 2010). Em 2010, ao retomar a vida de pesquisador em tempo integral, ele chegava às oito da manhã à universidade. “Hoje minha inquietação está voltada inteiramente para a ciência. Quero fazer mais coisas novas.” n

Em 2013, com a família no Rio: em pé, as filhas Cláudia, Isabel e Marta, Adélia, a mulher, e Elsa, a mãe; sentados, os netos Sebastião, Francisco, Julieta (no colo), olívia, Pedro e João. Abaixo, de férias com Adélia no Laos

Combate em duas frentes

Marcos Moraes extirpa tumores na sala de cirurgia e luta para diminuir o número de casos de câncer usando a legislação e criando estratégias de controle

Durante uma das numerosas homenagens que recebeu, o médico-cirurgião Marcos Moraes discursou sobre as dificuldades enfrentadas pelos hospitais filantrópicos, que tratam mais de um terço de todos os casos de câncer do país. Sugeriu que eles deveriam ter uma lei de renúncia fiscal própria, similar à Lei Rouanet para cultura. Lançada em 2010, a ideia germinou rapidamente e em 2012, por meio de medida provisória, foi instituído o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) com o objetivo de captar e canalizar recursos para prevenção e combate ao câncer. Em abril de 2013 a lei foi regulamentada por decreto presidencial.

Marcos Moraes é atualmente presidente da Fundação do Câncer, da Academia Nacional de Medicina e coordenador do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A homenagem descrita acima ocorreu em agosto de 2010 durante a primeira edição do prêmio Octavio Frias de Oliveira, concedido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) a personalidades de destaque no combate à doença no Brasil. O prêmio foi entregue pelo então vice-presidente, José de Alencar, que travava uma luta contra o câncer havia 13 anos. “Depois da cerimônia, ele me disse: ‘Quero ser o padrinho dessa história’”, conta Moraes.

O cirurgião uniu-se então a Paulo Hoff, professor titular de oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor-geral do Icesp – além de médico de Dilma Rousseff –, e a Aristides Maltez Filho, da Associação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer, e encomendou ao advogado Sérgio de Andréa, redator da Lei Rouanet, um projeto nos mesmos moldes para conseguir recursos con-

Moraes: amplo histórico de sucesso na gestão de instituições

“Conseguimos aprovar a primeira lei que contempla a saúde por meio da renúncia fiscal”, diz Moraes

{Com as quatro irmãs e um irmão ainda em Palmeira dos Índios, Alagoas, onde nasceu, e na formatura do ginásio, em 1953

tra o câncer. Depois que Dilma foi eleita, os três conseguiram uma audiência e a presidente se dispôs a apoiar a iniciativa – por ser uma lei que envolve renúncia fiscal, ela tem de partir do Poder Executivo. Quando chegou ao Congresso, a lei recebeu algumas mudanças e Moraes, Hoff e Maltez se envolveram no corpo a corpo com deputados e senadores para convencê-los da necessidade de a medida ser publicada sem muitas modificações. Foram bem-sucedidos. Batizada de Lei José de Alencar, ela permitirá a pessoas jurídicas e físicas fazer doações a projetos de pesquisa de combate ao câncer e abater do imposto de renda. “É a primeira lei que contempla a saúde através da renúncia fiscal”, diz Moraes, ainda surpreso diante da rapidez com que tudo aconteceu. Essa foi a última conquista que Marcos Fernando Oliveira Moraes, de 77 anos, se tornou protagonista. A primeira talvez tenha sido quando saiu adolescente da alagoana Palmeira dos Índios para estudar no que era considerada a melhor escola do país, o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. “Meu pai viu um anúncio no jornal informando que a escola oferecia bolsa integral para dois estudantes de ca-

da estado brasileiro, por meio de uma seleção rigorosa”, conta. “Muito inteligente, ele me propôs o desafio de tentar estudar lá.” Moraes topou, estudou e passou. Foi para a capital da República em 1950 e cursou o colegial (atual ensino médio) como aluno interno.

nos dois anos seguintes continuou no Pedro II, mas como inspetor de alunos. “Tinha cama e comida, o suficiente para me ajudar durante os primeiros anos do curso de medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)”, relata. Aquele foi um bom período para o jovem universitário. Quando já não tinha mais o colégio para abrigá-lo, Moraes dividiu um conjugado com Oduvaldo Viana Filho e Luiz Eça – respectivamente, dramaturgo e pianista, ambos de grande talento –, no início dos anos 1960, que ele conheceu no Centro Popular de Cultura (CPC). “Vianinha e Luizinho Eça me apresentaram à rica e boêmia vida cultural da cidade”, escreveu o médico por ocasião de sua posse como professor honorário da UFRJ, em 2012. “Tempos da bossa nova, do Beco das Garrafas, da Fiorentina, do Zum-Zum e do meu lindo Rio explodindo de felicidade.” À alegria dos tempos de estudante seguiu-se a dura vida de médico procurando se afirmar na profissão no Hospital Silves-

tre e no Hospital Ipanema. “Nos anos 1970 voltei a trabalhar no Ipanema, que era o melhor centro de cirurgia gastroenterológica do país”, conta. Antes de partir para sua primeira experiência em instituições no exterior, ele ainda passou três anos no Hospital Santa Rita de Palmeira dos Índios. “Era uma experiência pela qual eu achava que tinha de passar.”

Do Rio e do interior de Alagoas, Moraes saltou para a Universidade de Illinois, em Chicago, Estados Unidos, onde ficou entre 1975 e 1977. Foi um período fundamental na sua vida profissional ao trabalhar com dois grandes cirurgiões, Lloyd Nyhus e Tapas Das Gupta, e aliar a pesquisa científica à formação em cirurgia oncológica. Suas principais áreas de atuação como cirurgião são: tubo digestivo, mama, sarcoma, pélvis e melanoma. Hoje ele ainda interna e opera seus pacientes no Hospital Samaritano. Quem o conhece um pouco mais não mede elogios. “Ele foi um dos pioneiros na cirurgia oncológica moderna no Brasil, ajudou a internacionalizar a medicina do país e é extremamente capaz”, diz Paulo Hoff.

controle de câncer

Quando voltou dos Estados Unidos chefiou o Departamento de Cirurgia do Hospital Universitário da Universidade Gama Filho e reuniu um bom time de cirurgiões, como Armando de Oliveira e Silva, José Reinan Ramos e Florentino Cardoso. Certa noite de dezembro de 1989, o telefone tocou em sua casa às 23 horas. Do outro lado, o recém-eleito Fernando Collor de Mello, que ele não conhecia, disse que tinha boas informações sobre ele e o convidou a escrever o Programa Nacional de Controle de Câncer do governo. “Aceitei e por dois meses trabalhei no edifício Bolo de Noiva em Brasília”, conta.

No programa foi especificado que a política de controle da doença deveria ser feita pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), que, segundo Moraes, não passava de um hospital comum na praça da Cruz Vermelha. Graças ao programa o instituto se tornou um departamento do Ministério da Saúde e passou a orientar a política de combate ao câncer no Brasil. Moraes foi nomeado seu diretor e ficou no cargo por

nove anos, tempo suficiente para implementar as mudanças necessárias.

A Fundação do Câncer surgiu por sua iniciativa, em 1991, para dar suporte financeiro ao Inca. Era preciso contratar médicos, técnicos e equipar melhor o prédio. Os programas já em andamento foram ampliados e outros criados, como o de detecção precoce do câncer e o de combate ao tabagismo. Alguns hospitais, como de

Contra o fumo

Maratonista amador até os 59 anos, aqui Moraes aparece com o Rio ao fundo, vestido com a camiseta de sua última maratona, realizada em Boston

Alguns avanços do Programa Nacional de Controle do Tabagismo

Número de fumantes

Estados com leis antifumo

Oncologia, o Luíza Gomes de Lemos e o Pro-Onco, foram incorporados ao Inca. Em 20 anos, a fundação investiu mais de R$ 1,5 bilhão no instituto.

“O mais importante de minha gestão foi a implantação de uma política obstinada de combate ao tabagismo”, orgulha-se. De fato, os números impressionam. Em 1989, 32% da população acima dos 15 anos fumava; em 2008, 17%. Pelo menos sete estados brasileiros adotaram leis antifumo que proíbem o cigarro em ambientes coletivos, além de outras medidas que desestimulam o hábito de fumar (ver quadro na página 25). A revista médica britânica The Lancet publicou estudo em junho de 2011 indicando uma redução das doenças crônicas degenerativas no Brasil e relacionando essa queda ao controle do tabagismo nos últimos anos.

O trabalho de Moraes – ex-maratonista amador e pai de Marcelo e Marcos – tem relação com dois outros temas de extrema importância para ele: a pesquisa científica e os cuidados paliativos. Como diretor do Inca e presidente da Fundação do Câncer, apoiou a pesquisa no hospital, concedeu bolsas para pesquisadores e recursos para estudos, além de criar mecanismos para

formalizar contratos com a indústria farmacêutica e receber doações. “Sem a fundação, não haveria pesquisa laboratorial consistente nem a parte translacional”, diz Jerson Lima da Silva, professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). “O Marcos foi importantíssimo nesse processo”, corrobora Paulo Hoff.

acoordenação do Programa de Oncobiologia da UFRJ também é parte das atribuições de Moraes. Criado em 2000 para agregar grupos de pesquisa em câncer de várias universidades e centros científicos, começou com 13 cientistas e hoje reúne 27 grupos de pesquisa, com cerca de 300 integrantes. A dotação orçamentária vem da Fundação do Câncer. “Ele estimula a cooperação entre os grupos e tem um efeito catalisador enorme”, testemunha Jerson Lima.

Hoje Moraes também ocupa a presidência da Academia Nacional de Medicina (ANM) pela segunda vez e trabalha para torná-la sustentável. “Estamos terminando o retrofit do prédio antigo

No Hospital Samaritano, no Rio, em 2011. É lá onde ele ainda interna e opera seus pacientes

e concluímos um edifício novo, para dar amparo econômico à instituição”, conta ele. “E recentemente estabelecemos o planejamento estratégico para a ANM com o auxílio da Fundação Dom Cabral.” As intervenções certamente ajudam a mudar o futuro da academia.

uma preocupação que vem dos primeiros tempos de Moraes no Inca é com os cuidados paliativos dos doentes terminais. Quando começou a trabalhar no Plano Nacional de Controle de Câncer, ele recrutou profissionais da área para ajudá-lo. Entre os integrantes estava a oncologista Magda Rezende, então responsável pelo Grupo Especial de Suporte Terapêutico Oncológico (Gesto), organização criada em 1986 e registrada em cartório para poder se organizar, arrecadar fundos e trabalhar com menos burocracia. Ao assumir a direção do Inca, Moraes colocou o Gesto para prestar serviços ao instituto.

“O princípio do cuidado paliativo da organização é dar conforto psicológico, material e toda assistência ao doente no final da vida. Ele não precisa passar suas últimas semanas ou meses entubado e sedado em uma Unidade de Terapia Intensiva, sem nenhum poder de decisão”, explica Magda. Pelo contrário: o ideal é que fique perto da família, vivendo seus últimos momentos em um lugar acolhedor. Hoje o Inca atende 300 doentes em casa com direito a oxigênio, remédios e treinamento das pessoas próximas. Os mais carentes recebem assistência extra, como cestas básicas.

“Quando não há mais nada a fazer, sempre há alguma coisa a fazer”, é uma

Ajuda da legislação

Restrições legais ao cigarro no Brasil conseguidas nos últimos anos

1 fixação dos limites máximos de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono para cigarros vendidos no país

2 Proibição do uso de descritores de produtos como light , ultralight , suave, baixos teores etc., que dão a falsa impressão de serem mais “saudáveis”

3 Proibição da propaganda de cigarro na mídia

4 Proibição do patrocínio de eventos culturais e esportivos pela indústria do tabaco

5 Proibição do fumo em ambientes coletivos fechados

6 i nclusão de imagens e mensagens de advertência sobre os malefícios do fumo nos maços dos produtos derivados do tabaco vendidos no Brasil

7 A criação de taxa anual de registro de todos os produtos derivados do tabaco vendidos no Brasil, com a obrigatoriedade da informação por parte da indústria do fumo sobre a composição deles

frase que Marcos Moraes repete várias vezes quando fala dos cuidados paliativos. A Fundação do Câncer investe, no momento, na construção de um prédio térreo para onde os pacientes terminais sem recursos poderão ir de modo a aproveitar o resto da vida. É o conceito de hospice, como é chamado no exterior, palavra que significa acolhida, hospedagem. “É um local com 300 mil metros quadrados no bairro de Vargem Pequena, no Rio, que deverá ser bonito, com portas e janelas voltadas para jardins floridos onde o paciente com pouco tempo de vida deverá estar integrado à família e não isolado na UTI”, diz Moraes. Um jeito, enfim, de partir com dignidade. n

Moraes entre Tapas

Das Gupta (esq.) e l loyd Nyhus, em 1998. Ambos foram seus chefes em Chicago. Abaixo, com as irmãs Maria Aparecida (esq.) e Maria de oliveira e os filhos Marcelo e Marcos, ainda jovens, em 1990

João, um pianista

Hoje mais conhecido como exemplo de superação, João Carlos Martins gosta mesmo é de ensinar a paixão pela música aos jovens e de tocar Bach

Na Bíblia, Jó perde os filhos, a fortuna e os bens. E aguentou firme. Deus permitiu ainda que Satanás o ferisse de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Ele continuou em frente. Após suportar tudo, enfim Jó foi premiado pelo Criador. Hoje, porém, ninguém se lembra de que, antes de tudo isso, ele era um homem único pela sua integridade. Só falam da sua superação. O pianista e regente João Carlos Martins, longe da retidão da figura bíblica, é humano, demasiado humano, como todos nós. O seu maior terror é justamente ser conhecido, como Jó, apenas pelas mazelas de sua vida, que são muitas, e não pelas conquistas como artista.

“Eu recebi um talento de Deus e várias vezes não soube dar valor a esse presente. Há, porém, muita gente que fala que eu quero me dar bem com a minha história de superação, com o fato de ter aparecido no final da novela Viver a vida e dar autógrafos nos aeroportos e tirar foto com as pessoas”, conta João, cujo nome, curiosamente, lembra o de Jó. “Na verdade, a história de superação só me serve para eu poder espalhar a música pelos brasileiros. É um crime tocar a Quinta sinfonia, de Beethoven, no Domingão do Faustão se consigo, com isso, alcançar 10 milhões de pessoas ao vivo?”, pergunta o maestro. Martins faz cálculos rápidos das apresentações da sua orquestra, a Bachiana Filarmônica, que fundou em 2004: são 2 milhões de pessoas nos concertos fechados, 3 milhões em apresentações abertas e 5 milhões de espectadores nos megaeventos, como no show do réveillon de São Paulo no final de 2012. “Onde no Brasil há um público desse para música clássica?”

Para além dos números de pessoas que ouvem música, Martins é responsável por um grupo crescente de crianças que apren-

João Carlos Martins: “Nasci pianista e quero morrer pianista”
“Você consegue mudar a vida de toda uma comunidade por meio da música”, fala o maestro

{de a tocar música. “Temos 4 mil crianças que são introduzidas nesse universo pela Fundação Bachiana. Temos núcleos de estudo com o método ‘à la corda’, que trabalha, num primeiro momento, a formação de grupos de cordas, já que, nas orquestras, 60% dos instrumentistas são desse naipe. Quero formar mil orquestras até fazer 80 anos”, fala.

“Você consegue mudar a vida de toda uma comunidade por meio da música. Um exemplo: se você está vendo um jogo de futebol e o Messi faz um gol pela Argentina, a vontade é de matar os argentinos. Mas, na mesma noite, se você ouvir um tango a sensação é de pura beleza. A música serve, justamente, para reunir as pessoas”, acredita o maestro. Por isso, no dia 24 de dezembro, Martins planeja tocar Jesus, alegria dos homens, da cantata de Bach, com 70 orquestras espalhadas pelo Brasil que seriam reunidas pela internet, com ele regendo de algum monumento, talvez, sonha, o Cristo Redentor. “Sou adepto de uma sabedoria chinesa que diz que para multiplicar você precisa dividir”, observa Martins. “Villa-Lobos queria fechar o Brasil em forma de coração em torno da música. Imagine o que ele faria hoje com a internet e a televisão.”

Esse entusiasmo acompanha o músico desde criança, quando, aos 8 anos, o pai o inscreveu num concurso para tocar Bach e ele venceu seu primeiro desafio. O autor do Cravo bem temperado virou a obsessão de Martins, que já gravou toda a sua obra para teclado, pelo selo americano Concord, em 19 CDs, numa leitura que foi comparada, pela originalidade, às versões radicais do canadense Glenn Gould. “Com Bach, eu procurei ter a relação de um compositor europeu que pegou uma caravela e veio conhecer o Brasil. Respeito o texto original, mas dou a visão de um brasileiro sobre a obra de Bach. E para isso você precisa ter uma coragem danada. A concepção rítmica e melódica de um pianista brasileiro certamente não é a de um europeu”, explica. Para Martins, Bach foi a síntese e a profecia de tudo e ele continua caminhando através dos séculos. Qual seria o Bach de hoje? “Primeiro, ele se encontraria com o Bill Gates e diria: ‘Bill, não adianta você tentar fazer um computador com alma. O único fui eu e Deus guardou essa fórmula para outro sistema planetário, não para a Terra’. Bach foi um computador – e um computador com alma. A música de hoje seria feita com todas as alternativas musicais de hoje, combinando a matemática precisa e a alma”, acredita o pianista e regente. “Quando Bach escrevia nova

Com Heitor
Villa-Lobos (abaixo, à esq.) e com a pianista Guiomar Novaes

música, ou quando Beethoven, mesmo surdo, fazia música, no consciente eles se julgavam menores do que eram. No subconsciente, tenho certeza de que eles sabiam estar deixando um legado para a humanidade. Eles sabiam que eram melhores. Mas todo cara que é muito bom tem uma certa timidez.”

conselho de dalí

Reza a lenda que, há muitos anos, durante um jantar com a atriz Mia Farrow, Martins ouviu um conselho maroto de Salvador Dalí: “Comece a dizer que você é o maior intérprete de Bach, e em 30 anos o mundo vai acreditar em você”. Mas músicos sérios afirmam que ele sabe o que toca. “A identificação, a compreensão e o amor de João por Bach é inquestionável, comovente e autêntico. E ele não parou por aí. Sua exploração do repertório revela inteligência, originalidade e dedicação. A arte dele é consequência direta de sua imensa humanidade”, elogia o colega pianista Jean-Louis Steuerman. “Ele traz uma mensagem muito bonita, em especial para aqueles que enxergam além do óbvio”, concorda o também pianista Nelson Freire. Aos 12 anos, após um concerto, recebeu um bilhete de uma admiradora especial: Guiomar Novaes. “Raramente no

curso de um século aparece uma pessoa tão predestinada como você, João Carlos.”

Mas o “talento que ganhou de Deus” foi submetido a muitas provas. Numa partida de futebol feriu-se e, como diz, não teve a maturidade para ficar na música e se afastou. Quando resolveu voltar, o segundo baque: uma lesão por esforço repetitivo o tirou novamente da música e ele, mais uma vez, confessa que lhe faltou a maturidade para ficar. Vendeu todos os pianos e chegou a virar empresário de boxe. Na terceira vez, ao tentar um retorno ao teclado, foi espancado durante um assalto na Bulgária, onde estava gravando um disco, o que tirou dele novamente parte do movimento das mãos. “Aí eu vi que precisava lutar com todas as forças para permanecer na música.” Lutando contra dores fortes, precisou fazer uma reprogramação cerebral e tentou tocar só com a mão esquerda. Sonhou uma noite com o maestro Eleazar de Carvalho, seu velho amigo, e decidiu, aos 64 anos, se transformar em regente. Teve apenas poucas aulas e, em oito anos, passou da marca dos mil concertos. “Foi uma mudança na minha vida: procurar a excelência musical com responsabilidade social. Vi que era hora de retribuir o fato de ter conseguido permanecer na música ainda que pela regência”,

João Carlos Martins, de frente, toca Bach em dueto com o colega jazzista Dave Brubeck no Lincoln Center, em Nova York

diz Martins. Apesar de ter penado como Jó, ao contrário do personagem bíblico, o pianista reconhece seus muitos erros. “Nunca deveria ter entrado para a política. Vejo, agora, que um artista não pode se envolver nessas coisas quando recebe um dom divino”, fala.

Por isso também fala sem rodeios que não se arrepende de ter colocado sua orquestra para tocar com sertanejos, para ele uma estratégia para atingir um bem maior. “Eu queria que o público do sertanejo entendesse a força da música clássica. Se tocamos Beethoven com Chitãozinho e Xororó foi para que, hoje, pudéssemos fazer o que bem entendêssemos. A orquestra ficou conhecida e estou radicalizando a programação”, revela. O maestro diz que, dos mil concertos, apenas 30 foram nessa direção mais pop, o que representaria, segundo ele, menos de 2% do total de apresentações. A sua nova solista, numa apresentação em São Paulo, em novembro, também é polêmica: a secretária de Estado do governo Bush, Condoleezza Rice, que tocará o Concerto para piano, de Schumann, com a Bachiana

nada mais natural para um grupo que já fez dupla com a bateria da escola de samba paulista Vai-Vai, que, em 2011, homenageou o regente com o enredo A música venceu, levando o estandarte do Carnaval daquele ano com a história de Martins. “Foi a vitória da música clássica, do nome de Bach do Sambódromo. Eu tive uma vida cheia de altos e baixos e é um reconhecimento da seriedade dos meus trabalhos, tanto na música quanto na parte social”, avalia o pianista.

Martins gosta de lembrar que faz concertos para crianças da periferia na “inatingível” Sala São Paulo. “Levei quase 2 mil crianças num concerto outro dia. Quando perguntei quem teve vontade de chorar, quase 80% da garotada levantou a mão. Ter acesso à boa música é um direito de todos os segmentos da sociedade.” Em reconhecimento a essa atenção dispensada às crianças, o cartunista Mauricio de Sousa criou o Maestrinho Joca, personagem inspirado em João Carlos Martins que, até o final do ano, irá incentivar as crianças a ouvir “boa música”. “Quem mexe com música sabe. Criança adora música clás-

João Carlos quer voltar a tocar com as duas mãos em 2015 num concerto de Mozart

sica, os pais é que geralmente não gostam tanto. Se deixar, ela vai embora ouvindo”, afirma Mauricio, seu amigo de longa data.

Além disso, está programado um filme em sua homenagem, em que o ator Marcelo Serrado irá interpretá-lo. Milagre das mãos, com direção de Bruno Barreto, começa a produção em dezembro e está previsto para circular em 82 países. “O Marcelo Serrado irá emagrecer alguns quilos. Ele tem a vantagem de tocar piano. Eu li o roteiro e garanto que, depois de seis minutos de filme, vai ter muita gente com lágrimas nos olhos”, acredita o pianista. Após amargar um ostracismo forçado, Martins está de volta com toda a força. “A pessoa quando nasce é como uma flecha, ela tem que alcançar o seu destino. Ela pode ter desvios, mas ela vai alcançar o seu destino. Na vida você pode ter erros e acertos, os erros você corrige e os acertos você procura aprimorar”, avisa.

“Ele é um símbolo de que foi programado para não desistir, como ensinava o nosso pai. Se todos tivessem 10% da visão social que ele tem, talvez o Brasil tivesse menos problemas com seus jovens. Eu sou o irmão mais velho, ele, o caçula, mas sempre vou admirar a grandeza e energia em criar talentos e ajudar as pessoas”, diz o jurista Ives Gandra Martins. Apesar desse entusiasmo, Martins não se conforma em ter parado de tocar piano, uma dor que não o abandona. Suas histórias com o piano são sempre memoráveis, como quando tocava no Alasca, em 1970, as partitas de Bach e alguém lhe avisou que o pianista Dave Brubeck es-

tava na plateia. Em homenagem ao jazzista, Martins tocou como bis Thank you, tributo a Chopin composto por Brubeck, que foi dar o seu “thank you” no camarim do brasileiro. “O seu Bach é tão enérgico que tive de mandar meus filhos pararem de bater os pés no chão para acompanhar você como se fosse jazz”, elogiou o colega americano.

“Não nego que a regência tenha me dado muita coisa boa, mas nasci pianista e quero morrer pianista. Acordo todos os dias pensando nisso”, revela. Em novembro, ele vai tocar o Concerto para mão esquerda, de Ravel, com Roberto Minczuk à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Se tudo continuar bem, em 2015 quer se submeter a uma nova cirurgia para retirar um tendão da perna e implantar na mão direita e, enfim, tocar novamente um concerto, de Mozart, com as duas mãos. Infelizmente, basta uma busca rápida pela internet para perceber que há poucas referências ao seu nome como grande intérprete de Bach e muitas como um “exemplo de superação”. No passado, era o oposto: além de matéria de muitas críticas elogiosas e entrevistas, Martins foi assunto de três páginas do prestigiado jornal americano The New York Times Aplaudir apenas a sua força de vontade não é a melhor forma de elogiá-lo, pedindo a ele que tenha uma “paciência de Jó” até que o público volte a falar apenas do talento de João, um artista. n

“A pessoa quando nasce é como uma flecha que tem que alcançar o seu destino”, diz Martins
regendo a Bachiana e, abaixo, à frente da escola de samba
Vai-Vai como enredo vencedor de 2011

O sufOcO das espécies nativas

Oensaio Sufocamento é a mais pura expressão de um sentimento guardado há muito tempo por Pedro David. O fotógrafo natural de Santos Dumont, município de Minas Gerais, nunca se conformou com os reflorestamentos feitos exclusivamente com eucaliptos para alimentar os fornos de siderúrgicas. Ao deparar com raríssimos exemplares de outras espécies de árvores nativas em meio a grandes extensões de plantações de eucaliptos ele conseguiu dar concretude àquela sensação de sufoco provocada pelo predomínio de uma única espécie. O ensaio feito em janeiro de 2012 ganhou o prêmio de Arte 2012.

O segundo lugar ficou com o paulista de São José do Rio Pardo Mauro Restiffe, com Planos de fuga, e o terceiro com o paulistano Bob Wolfenson, com Belvedere. Os três receberão R$ 200 mil: o primeiro colocado ganhará R$ 114,3 mil e o segundo e o terceiro R$ 42,8 mil cada um. Eles serão presenteados também com a já tradicional escultura representando o prêmio, de autoria do artista plástico Vlavianos.

Em 2012 o prêmio de Arte recebeu trabalhos de 468 fotógrafos, um número recorde. Foram cerca de 7 mil imagens de ensaios fotográficos inéditos e publicados de 21 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Os ganhadores foram escolhidos por um júri de nove professores de universidade e fotógrafos, presidido por Rubens Fernandes Junior, curador de fotografia da FCW e diretor da Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

finalistas

a na Carolina fernandes

Claudia Jaguaribe

Daniel Moreira

Dirceu Maués

Gilvan Barreto

José Diniz

Marcelo a rgolo

Marcos Muniz da s ilva

Mazzo n ilmar l age

Roberto Wagner

Valdemir Cunha

1º lugar
Sufocamento, de Pedro David ensaio foto GR áfi C o

Árvores solitárias completamente envolvidas pela floresta de eucaliptos inspiraram Pedro David a fazer o ensaio como uma denúncia. “O eucalipto cobra um alto preço para realizar seu milagre desenvolvimentista: esgota a água e os nutrientes do solo, seca nascentes próximas e espanta totalmente a fauna, que não suporta seu odor”, diz ele, que realizou o trabalho em janeiro de 2012

2º lugar
Planos de fuga , de Mauro Restiffe

As fotos da série retratam o entorno do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no centro financeiro de São Paulo. Os personagens daquele espaço são os trabalhadores dos bancos e instituições similares. “As imagens foram feitas em meados de 2012 como proposta para a exposição do mesmo nome que aconteceu no CCBB, que questionava os parâmetros da instituição como espaço expositivo”, conta Mauro Restiffe

3º lugar
Belvedere , de Bob Wolfenson

“ Belvedere é um posto de observação privilegiado. Dele enxergo vultos do passado e do presente fundidos numa atmosfera de baixa temporada, tão comum ao turismo de certa fatia da classe média na qual fui gerado e cresci”, escreve Bob Wolfenson. O projeto de ensaio nasceu quando o fotógrafo viajava entre as cidades mineiras de Caxambu e Tiradentes, em 2011. “Foi esse sentimento evocativo –embaralhado à fotogenia dos ambientes vazios e/ou decadentes – que norteou a organização desta sequência de fotografias”

ens A io foto G ráfi C o

1º lugar

Albinos , de Gustavo Lacerda

2º lugar

Negros paroxismos , de Lucio Adeodato

3º lugar

Panoramas , de Cassio Vasconcellos

foto G r A fi A pub L i C itári A

1º lugar

Ousadia ímpar, de denise

Wichmann

ens A io

foto G ráfi C o pub L i CA do

foto G r A fi A pub L i C itári A

1º lugar

Cantora de ópera , de José Luiz pederneiras

foto G r A fi A pub L i C itári A

1º lugar

Caminhos do coração, de Alexandre s algado

ens A io foto G ráfi C o

1º lugar

TV P&B , de tadeu Vilani

2º lugar

Drom, o caminho cigano, de Gui Mohallem

3º lugar

Índios contemporâneos , de Kenji Arimura

1º lugar

O sol no céu de nossa casa , de Marcio rodrigues e Marco Mendes

2º lugar

Imagens humanas , de João roberto r ipper

ens A io

foto G ráfi C o inédito

3º lugar

Sem título, de r icardo b arcellos

ens A io foto G ráfi C o pub L i CA do

1º lugar

A curva e o caminho, de André françois

2º lugar

120 razões para ser cliente completo, de Gustavo Lacerda

2º lugar

Vi elas , de francilins

Castilho Leal

ens A io foto G ráfi C o inédito

1º lugar

Cidadão X , de Júlio b ittencourt

ens A io foto G ráfi C o

1º lugar

Redemunho , de João Castilho

2º lugar

O homem e a terra , de Lalo de Almeida

2011

2010

2009

2008

2007

foto G r A fi A

pub L i C itári A

1º lugar

Tim: viver sem fronteiras , de Gustavo Lacerda

2º lugar

Abraço, de r icardo de Vicq

foto G r A fi A

pub L i C itári A

1º lugar

Existem chances de cura... , de Maurício n ahas

2º lugar

Gol. Sempre fiel a você... , de Andreas Heiniger

3º lugar

Lonas Alpargatas: o superpoder do caminhoneiro, de Gustavo Lacerda

e ns A io

foto G ráfi C o

1º lugar

O chão de Graciliano, de tiago s antana

2º lugar

Numa janela do edifício

Prestes Maia, 911, de Julio b ittencourt

2006

foto G r A fi A

pub L i C itári A

1º lugar

Irado, de ricardo Cunha

2º lugar

Borboleta, de paulo Vainer

3º lugar

Gordinha , de felipe

Hellmeister

foto G r A fi A

pub L i C itári A

1º lugar

Campanha do produto giz, de b ob Wolfenson

2º lugar

Píer, de Leonardo Martins

Vilela, para G’ staff

3º lugar

Menino com bola , de Márcia r amalho

foto G r A fi A

pub L i C itári A

1º lugar

Colorama , de Klaus Mitteldorf

2º lugar

AXE , de Maurício n ahas

3º lugar

ISA - Projeto Água Viva , de Allard

2005 2004 2003 2002

INSTITu Içõe S PArC e Ir AS DA FCW

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP Ligada à Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica. Desde 1962 concede auxílio à pesquisa e bolsas em todas as áreas do conhecimento, financiando atividades de apoio à investigação, ao intercâmbio e à divulgação da ciência e tecnologia em São Paulo.

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes Vinculada ao Ministério da Educação, promove o desenvolvimento da pós-graduação nacional e a formação de pessoal de alto nível, no Brasil e no exterior. Subsidia a formação de recursos humanos altamente qualificados para a docência de grau superior, a pesquisa e o atendimento da demanda dos setores públicos e privados.

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq Fundação vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia para apoio à pesquisa brasileira, que contribui diretamente para a formação de pesquisadores (mestres, doutores e especialistas em várias áreas do conhecimento). É uma das mais sólidas estruturas públicas de apoio à ciência, tecnologia e inovação dos países em desenvolvimento.

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC Fundada há mais de 50 anos, é uma entidade civil, sem fins lucrativos, voltada principalmente para a defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

Academia Brasileira de Ciências – ABC Sociedade civil sem fins lucrativos, tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, da educação e do bem-estar social do país. Reúne seus membros em 10 áreas das Ciências: Matemáticas, Físicas, Químicas, da Terra, Biológicas, Biomédicas, da Saúde, Agrárias, da Engenharia e Humanas.

Academia Brasileira de Letras – ABL Fundada em 20 de julho de 1897 por Machado de Assis, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua nacional. É composta por 40 membros efetivos e perpétuos e 20 membros correspondentes estrangeiros.

Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial Criado na década de 1950, é uma organização do Comando da Aeronáutica que tem como missão o ensino, a pesquisa e o desenvolvimento de atividades aeronáuticas, espaciais e de defesa, nos setores da ciência e da tecnologia.

Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa

Organização sem fins lucrativos que tem por objetivo maior articular os interesses das agências estaduais de fomento à pesquisa em todo o país. Criado oficialmente em 2007, o conselho já agrega fundações de 22 estados mais o Distrito Federal.

Marinha do Brasil

Integrante do Ministério da Defesa. Contribui para a defesa do país e atua na garantia dos poderes constitucionais e em apoio à política externa do país.

Júri dos prêmios FCW de 2012

C iênC ia

parC eira que indiCou

Jacob palis Jr. / presidente abC

arnaldo niskier abL

Carlos a. Vogt FCW

erney plessmann de Camargo FCW

Glaucius oliva Cnpq

Jorge almeida Guimarães Capes

José roberto drugowich de Felício FCW

marco antonio sala minucci FCW

mario neto borges Confap

regina pekelmann markus sbpC

Vilson rosa de almeida dCTa

Walter Colli Fapesp

Wilson barbosa Guerra marinha do brasil

Cu LTura

Celita procopio de Carvalho / presidente FCW ana Lucia almeida Gazzola Capes ana mae Tavares bastos barbosa FCW

Carlos a. Vogt FCW

Celso Lafer Fapesp

domício proença Filho abL

Guilherme sales soares de azevedo melo Cnpq

José murilo de Carvalho abC

odenildo Teixeira sena Confap rute maria Gonçalves de andrade sbpC

mediC ina

renata Caruso Fialdini / presidente FCW andy petroianu Confap

eduardo moacyr Krieger Fapesp

erney plessmann de Camargo FCW

Guilherme suarez Kurtz Capes ivo pitanguy abL

José Luiz de medeiros amarante Júnior marinha do brasil

José osmar medina pestana sbpC

marcelo andré barcinski FCW

marco antonio Zago FCW

manoel barral netto Cnpq

rubens belfort mattos Júnior abC

arTe / ensaio FoToG ráF iCo

rubens Fernandes Junior / presidente FCW

Cláudia Guilmar Linhares sanz unb eugênio sávio Lessa baptista Festival de Fotografia de Tiradentes / puC-mG

Helouise Costa maC-usp

Joaquim marçal Ferreira de andrade puC-rio

José afonso da silva Júnior uFpe

Juan esteves revista Fotografe Melhor ricardo de Leone Chaves Fotógrafo e colaborador do jornal Zero Hora ronaldo entler Facom-Faap

silas José de paula Fotógrafo e professor da uFCe

Cronogr AmA dA PrE miAção 2013

Prazo para recebimento das indicações (Ciência e Cultura)

11 de novembro de 2013

Preparação dos dossiês dos indicados (Ciência e Cultura)

11 a 22 de novembro de 2013

Julgamento e escolha dos premiados (Ciência e Cultura)

27 e 28 de novembro de 2013

Prazo para recebimento das inscrições (Arte)

2 de dezembro de 2013 a 10 de março de 2014

Escolha dos premiados (Arte)

Cerimônia de premiação

24 a 28 de março de 2014

Fundação Conrado Wessel | www.fcw.org.br

9 de junho de 2014

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