Como aumentar a produção de energia elétrica sem novos investimentos
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Um novo teste para diagnóstico da cisticercose humana
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Propostas para a educação em sociedades indígenas
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Como aumentar a produção de energia elétrica sem novos investimentos
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Um novo teste para diagnóstico da cisticercose humana
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Propostas para a educação em sociedades indígenas
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Projeto Genoma Cana . .. . va1 sequenc1ar genes relacionados com o metabolismo da sacarose e com a resistência da planta
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A boa ciência e a tecnologia criativa têm sempre um fim social - mais imediato ou mais longínquo , mais claro ou mais encoberto, o que importa é que elas o têm. E entre outras leituras possíveis do material reunido nesta edição do Notícias FAPESP, ele certamente nos sugere essa da finalidade social das pesquisas científicas e tecnológicas e, por conseqüência, dos investimentos que lhes são destinados.
Tomemos por exemplo, a matéria de capa sobre o lançamento do Projeto Genoma Cana , no qual estão previstos investimentos de R$ 8 milhões. O relato dessa nova iniciativa da FAPESP, com apoio da Copersucar, mostra que o Brasil está entrando uma vez mais em uma área de ponta , e estratégica , da pesquisa científica internacional - a de genoma de plantas. E o faz ocupando , de saída , uma posição de liderança em relação às pesquisas de cana-de-açúcar, dados o porte de seu projeto e a sofisticação da tecnologia (ESTs) que está utilizando. Registrese que essa liderança foi enfatizada pelos especialistas estrangeiros da área , que se reuniram na FAPESP, nos dias 12 e 13 de abril , e revelaram de pronto seu interesse em estabelecer parcerias com os pesquisadores de São Paulo
Mas o projeto Genoma Cana , a par dessa espécie de internacionalidade científica que lhe confere um charme adicional , tem uma outra característica fundamental : seu profundo enraizamento na economia nacional. Como se sabe, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar, responsável por 25% da produção mundial , dos quais 60 % saem de São Paulo. Nesse Estado , a agroindústria da cana movimenta R$ 8 bilhões por ano e gera 600 mil empregos diretos.
Ora, são precisamente dados dessa natureza que demonstram que aumentar substancialmente o conhecimento sobre a cana-de-açúcar- até então não há genes identificados dessa planta -, descobrindo , por exemplo , genes responsáveis pelo metabolismo da sacarose ou pela resist ência dessa gramínea a
Notícias FAPESP é uma publicação mensal da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
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doenças e pragas , tem notórios efeitos sociais. Porque esse conhecimento pode permitir saltos incalculáveis nos programas de melhoramento genético da cana , nos quais o país já tem uma tradição de três décadas , capazes de levar a variedades com teor de sacarose muito mais alto e muito mais resistentes , com poderoso impacto direto sobre a renda do setor. E sabemos todos que um tal aumento de renda pode beneficiar não só empresários e trabalhadores desse setor mas in·igar a economia do país como um todo , que , se politicamente bem administrada , resulta sempre em indiscutíveis benefícios sociais.
Tomemos outro exemplo de pesquisa apresentada no material desta edição : o projeto temático sobre planejam ento da operação de sistema s de energia hidrelétrica. As conclu sõe s desse estudo apontam para uma possibilidade real de aumento da produção nacional de energia sem investimentos pesado s em grandes obras de engenharia e sem problemas para o meio ambiente. Entendemos que , particulannente num momento em que o país se mostra carente de recursos , mesmo para investimentos essenciais , o patente significado económico e social dessa pesquisa chega a dispensar maiores considerações.
Vale a pena perceber o sentido social do investimento em pesquisa também na matéri a sobre um novo teste para detecção da cisticercose humana. Simples , prático , barato e eficiente , ele substitui um caro teste importado ou métodos muito mais complexos de diagnóstico , inacessíveis à população de baixa rend a - justamente a mais atingida por essa doença transmitida pela carne de porco contaminada E para concluir, sentido social , sentido de construção verdadeira e necessária da cidadania neste país , é o que s·e percebe como pano de fundo do projeto sobre educação dos povos indígenas que estamos noticiando
Exemplos assim é que têm dado à FAPESP a tranqüilidade de reafinnar que aplicar dinheiro em ciência e tecnologia não é gasto , é investimento. É fonnação de PIB
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Jacques Marcovitch

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo está comemorando cem anos de existência. Nascido em 1899, no âmbito da Escola Politécnica, inicia uma caminhada rumo ao segundo centenário, ajustando-se à expectativa de que o século XXI será o "século da inovação". Forja, em seus 72 laboratórios, mais de 3 mil ensaios, testes e análises voltados fundamentalmente para mudanças de rumo na área privada e no setor público.
O !PT está no caminho certo. A inovação é a palavra-chave que abre as portas do futuro. Estudo recente divulgado pela revista The Economist mostra-a como a melhor alternativa para a expansão dos negócios. O inovador despreza o investimento especulativo e não faz isso apenas porque é um bom sujeito. Além do gesto construtivo , ele adota uma opção inteligente: as inovações geram muito mais lucro do que meras especulações comerciais. A taxa média de retorno de 17 inovações de sucesso nos Estados Unidos , durante uma década, foi de 56 % , enquanto a de todos os investimentos da economia norte-americana, nos últimos 30 anos , ficou em 16%
Os inovadores japoneses, de olho no consumo doméstico , diminuíram o tamanho do videocassete lançado em 1974 . Eles encolheram tudo: o preço, a embalagem e a fita , que se reduziu a três quartos de polegada Este videocassete compacto entrou para a história do mercado. É, juntamente com o telefone celular, o produto mais comprado no mundo.
Os Estados Unidos vivem um extraordinário momento de prosperidade e a inovação jogará um papel decisivo no prolongamento desta fase auspiciosa. Mais de 50% do crescimento norte-americano vem de indústrias novas , com pouco mais de dez anos de existência, que reformularam seus processos.
Embora a inovação possa verificarse em qualquer área de atividade, ela está mais acentuadamente vinculada à dimensão tecnológica. A tecnologia exige não apenas atenção das empresas, mas também das nossas universidades, dos institutos de pesquisas e principalmente dos governos. As recentes notícias sobre o setor de cítricos, que não só se tornou competitivo aqui no Brasil e no mercado internacional, mas a conquista do setor produtivo norte -americano por empreendedores brasileiros na região da Flórida, mostra bem como a inovação determina
o êxito empresarial e setorial. Hoje, boa parte da capacidade produtiva de cítricos no sul dos Estados Unidos é de propriedade de empresários brasileiros. Em nosso tempo, quando os meios tecnológicos tornam-se obsoletos de um dia para outro , nenhum projeto de governo pode deixar de acompanhá-los no mesmo ritmo veloz Trata-se de uma variável política indispensável, pois envolve o destino e a soberania dos Estados A comemoração do primeiro centenário do !PT é uma ocasião propícia para reiterar observações neste sentido, que tenho feito de várias formas, em ocasiões diversas , pois este é o procedimento imperativo para quem dirige uma universidade.
Abandonar os cientistas à própria sorte é um erro que pode até afetar a estabilidade democrática Nos países em desenvolvimento, não havendo uma prioridade estratégica a programas de Ciência e Tecnologia, o retrocesso é inevitável. Se o Brasil não agir hoje para construir o seu futuro , simplesmente não haverá futuro. Não me refiro ao futuro apenas como o tempo que sucede ao presente, mas como o tempo em que a ciência de hoje vai finalmente produzir seus frutos.
A América Latina e o Brasil foram atingidos pelos vendavais que abalam quase todas as economias do mundo O governo central empenha-se numa inadiável tarefa de ajustar as contas públic<JS Percebe-se, porém , que esta iniciativa, embora justa, comete dois desvios perigosos : corta recursos de programas sociais já limitados e diminui drasticamente verbas já escassas na área de Ciência e Tecnologia. Uma exceção e um paradigma de consciência estratégica é a FAPESP, em São Paulo, que a despeito de todas as crises vem zelando exemplarmente pelo progresso da ciência.
Quando questionam políticas restritivas e opostas àquela implementada pela FAPESP, as universidades e institutos de pesquisa não agem em causa própria, mas como braços do Estado. Atuam como núcleos onde Ciência e Tecnologia interagem diuturnamente para a construção da modernidade. Têm o dever de empreender esforços, inclusive na área política. Os políticos de qualidade serão os interlocutores certos para dialogar com a comunidade científica, em busca dos meios adequados de traba lho comum e dos recursos indispensáveis a um projeto nacional de Ciência e Tecnologia inse-
rido e plenamente relacionado com a comunidade internacional. É ilusão supor que as causas triunfam por si mesmas e que basta ser justas para alcançar os melhores resultados.
A matéria da The Economist registra que o professor Gregory Daines , da Universidade de Cambridge, aponta a inovação como a religião emergente no se to r industrial deste final de século Ela começa a ser uma espécie de teologia unificadora das políticas de centro , de esquerda e de direita Cumpre-se a profecia do economista francês Jean-Baptiste Say, que , por volta de 1800, cunhou a palavra empreendedor, hoje tão em moda. Ele dizia que o empreendedor "transfere os recursos econômicos de uma área de baixa produtividade para uma área onde ela é maior e oferece maior rentabilidade".
Cambridge , com mais de 700 anos de existência, tem hoje a maior concentração de alta tecnologia entre as universidades da Europa. O seu Reitor, sir Alec Broers , esteve recentemente na USP e observou que esta posição foi alcançada porque a inovação passou a ser sua prioridade número um. Toda universidade moderna deve agir assim para criar novas fontes de financiamento, manter o ritmo das pesquisas e garantir seus objetivos no milênio vindouro.
Jacques Marcovitch é reitor da Universidade de São Pau lo (US P) eautor do livro A Universidade (lm)possível
A ciência na América Latina foi objeto de um suplemento especial da Nature de 1o de abril, do qual o Notícias FAPESP publicará um excerto em uma de suas próximas edições. O suplemento foi destacado no editorial da revista , com um recado especial para pesquisadores e gestores da política de ciência e tecnologia na América Latina: é preciso que se faça um esforço de cooperação científica entre os países da região para tornar sua produção científica competitiva.
Segundo o editorial, apesar das recentes dificuldades econômicas do Brasil, a América Latina está em condições de ampliar sua já crescente contribuição para a ciência mundial. Observa-se ali que as circunstâncias do dia-a-dia continuam dificeis para os pesquisadores da região, que seu progresso,

por vezes, parece vacilante, com os governos sempre introduzindo novos esquemas de apoio a ciência, e não encontrando, depois, recursos para mantê-los.
A despeito disso, afirma o editorial, a influência internacional de cientistas latino-americanos está em franco crescimento e todos os indícios são de que continuará assim.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie criou uma comissão especial, a Mackpesquisa , para organizar um sistema de pesquisa. Dirigida pelo reverendo Nilson de Oliveira, a comissão está propondo a constituição de um fundo próprio, formado por 2% do orçamento da Universidade, destinado exclusivamente às ati vi-
dades de pesquisa. A idéia é que essa reserva inicial sirva para alavancar novas fontes de recursos.
No dia 28 de abril, o diretor presidente da FAPESP, Francisco Romeu Landi, fez uma palestra na Universidade, sobre o funcionamento da Fundação, seus di versos programas e como deles participar.
Depois do SciELO, a nova investida da FAPESP em relação a acesso eletrônico de periódicos científicos é o Programa Biblioteca Eletrônica - ProBE, que será lançado em 18 de maio próximo, às 11 horas, na sede da Fundação. Durante a solenidade, serão assinados os dois contratos que formalizam o programa: o primeiro, estabelece um consórcio entre USP, UNESP, UNICAMP, UFSCar, UNIFESP e BIREME, que será a base operativa do programa; o segundo, assinado entre aFAPESPe a Elsevier Science Inc., propicia a disponibilização dos 606 títulos desta editora holandesa, através da RedeANSP, aos pesquisado-
Em seguida, vem o recado direto da publicação inglesa: diz ele que, enquanto pesquisadores de países amplamente desiguais da região se empurram para competir e colaborar com seus pares melhor financiados dos Estados Unidos e da Europa , torna-se cada vez mais importante que reconheçam o quanto podem aprender com a experiência de seus vizinhos. O editorial admite que, na verdade , a maioria gostaria de trabalhar mais estreitamente com seus pares de países vizinhos , mas, acrescenta, há pouco incentivo atualmente nesse sentido. Afinal, é muito mais fácil trabalhar dentro de uma colaboração internacional se pelo menos uma ponta dessa colaboração é adequadamente financiada - leia-se Estados Unidos e Europa.
A Nature destaca que em-
bora haja muitos exemplos isolados de colaboração científica entre os países da região, não há, no momento , qualquer estratégia geral para combinar recursos de modo a fortalecer a base científica da região. Lembra que a colaboração na pesquisa entre norte e sul é inevitavelmente assimétrica , com limites em sua utilidade para a parte mais fraca , lembra que na Europa a cooperação científica desempenhou um papel significativo no desenvolvimento de capacitações científicas nacionais e sentencia: "a América Latina enfrenta agora um desafio semelhante". Por fim, aposta que se quiserem construir economias competitivas, as principais potências da região - Brasil, Argentina e México - terão de enfrentar a necessidade de uma cooperação pan regional.
res ligados às instituições consorciadas. Isto representa adisponibilização desses periódicos para cerca de I 0.500 pesquisadores.
O ProBE não ficará restrito, no entanto, apenas aos periódicos científicos da Elsevier - este é seu primeiro passo. Segundo Rosaly Fávero, coordenadora operacional do programa, acordos com outras editoras de publicações científicas já estão sendo estudados, e poderão elevar a base do ProBE a uns poucos milhares de títulos.
AAdesão das demais bibliotecas do Estado de São Paulo ao programa está prevista e vai ser analizada pelo consórcio.
Apenas 6% dos fisicos, nos Estados Unidos, são mulheres. Ainda assim , sua ascensão na carreira tem se revelado dolorosamente lenta. Por quê? , pergunta um editorial da Nature de 25 de março passado. A resposta, pelo menos em parte, consta do relatório de uma·pesquisa realizada para a Comissão sobre a Situação de Mulheres na Física da American Physical Society e apresentada naquela semana na reunião anual da sociedade, em Atlanta, Georgia.
Segundo o estudo, coordenadoporLaurieMcNeil,da Universidade da Carolina do Norte, e Marc Sher, do College ofWilliam and Mary, na Virgínia, ser parte de um casal de fisicos pode representar um obstáculo crítico aoprogressodamulhernacarreira. E há um grande número de fisicas casadas com fisicos, ou seja, 45% delas, enquanto apenas 6% dos fisicos são casados com colegas de profissão. Isso ascoloca com freqüência na delicada situação de ter de procurar emprego junto com o marido, numa área onde a disponibilidade de vagas não é das melhores. E o resultado é que sua situação pro-
fissional tennina sendo afetada. Em levantamento feito no ano passado junto a 620 casais de cientistas, sendo sempre um dos parceiros um fisico , nada menos que 60% dos entrevistados disseram que um dos parceiros foi obrigado a aceitar um emprego científico de nível mais baixo, um emprego fora da área científica ou a ficar sem emprego, dada a dificuldade que tiveram para encontrar dois postos científicos no mesmo local.
Parte dos casais relatou que havia sido menos considerado ou absolutamente desconsiderado para postos de trabalho, quando tomava-se claro que constituía wn casal de cientistas da mesma área. As normas contra nepotismo são, freqüente e incorretamente, invocadas como motivo para wna instituição não se dispor a ajudar os cônjuges a encontrarem prego ali.
Chamou particularmente a atenção das pesquisadoras algumas atitudes sexistas que lhes foram relatadas e que elas acreditavam já haver desaparecido. Por exemplo, um empregador em potencial disse a um candidato que sua parceira "não devia estar mesmo trabalhando"
Es pec iali stas dos Esta dos Unid os, Méx ic o e Bras il es ti veram reunid os na FAPESP, de 6 a 8 de abril, di sc uti nd o crit éri os de ava li ação e seleção de rev istas cie ntíficas para sua inclu são em bi bli otecas eletrônicas e os impactos desses periód icos nos estu dos so bre a produção cie ntífica . A co ncl usão principa l do enco ntro foi que qualida de e possibi lid ade de aprimoramento contínu o de conteú do devem ser, no Bras il, os pré -requisitos para a inclusão e a permanência das revis tas em bibl iotecas eletrô nicas. O wo rks hop foi promov id o pelo Proje to Sc iELO - Scientijic Eletron ic Library Online, coorden ado pelo Ce ntro LatinoAmeri cano e do Cari be de Informação em Ciênc ias da Saúd eBireme, co m apo io da FAP ESP. Inici ado em fin s de 19 96 , o SeiELO hoj e di sponib iliza 27 revista s cient íficas nac ionai s pela Intern et, segund o a ori ginalidade e mérito cie ntífico de se u co nteú-
do, a periodici dade ade qu ada para cada área da ciê ncia e a po ntu alid ade co m qu e é publi ca da. Mas, de acordo com Abel Packer, coordenador operac ional do projeto, "em situações críticas ou que mereçam uma análise mais deta lhada", as revistas passarão a ser submetidas a um comitê nacional de avaliação, que começará a atuar no segundo semestre , e cuja tarefa será assessorar o projeto exatamente na aplica-

Já foram selecionados os laboratórios que vão integrar a rede do Projeto Genoma Cana. Vale observar que alguns deles vão trabalhar simultaneamente em seqüenciamento e em anotação de dados Alista completa dos laboratórios - que estamos puque já estavam fechadas as páginas da reportagem sobre o Genoma Cana quando saiu o resultado da seleção -é a seguinte : Coordenador de DNA :
Paulo Arruda- Centro de Biologia Molecular e de Engenharia Genética da Unicamp .
Cooperação Internacional :
William Lee Bumqui st - Centro de Tecnologia Copersucar
LaboratóriodeBioinformática :
João Meidanis e João Carlos Setúbal - Instituto de Computação daUnicamp
Laboratórios de Anotação de Dados:
Adilson Leite -Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética, Unicamp
ção dos critérios va lidados no workshop
O SciELO ta mb ém prete nde dese nvo lver e adotar um sof tware de apoio ao processo de ava li ação, simil ar ao RevMex, apresentado pela represe nta nte do Centro Nac ional de Informação e Doc umentação do México , Gladys Faba. "Um sistema como este auxi li a o especia lista a verificar ponto por ponto, à medi da em qu e lê ca da artigo, tudo o que
se refere à normal ização qu anto ao co nteú do, atribuindo , ao fi nal, um peso à revi sta com o um to do ", di z Packer.
O SciELO , segundo James Te sta, diretorde de senvo lvim ento editorial do Insti tu te for Scie ntific Inform ation -ISI , adota o mes mo padrão básico da insti tuição em que ele trabalha - a qualidade da publica ção - , emb ora não comercialize seu banco de dados. No cas o do ISI , exige -se qu e a rev ista sej a pub licada há pelo meno s um an o ou esteja na te rce ira ou quarta edi ção. Quando surgem periódicos diri gido s a áreas nova s da ci ênc ia, co m corpo editorial reconh eci do pela comunidade científica, fl exibiliza- se a aplicação do s critéri os, se m abrir mão, contudo, do neces sário ineditismo da contribuição Limitaçõe s de caráter econômico também de vem orientar a seleção. Segundo Te sta , "a base de dados não pod e cre scer indefinidamente"
Antonio Vargas de Oliveira Figueira - Centro de EnergiaNuclearnaAgricultura, USP
Carlos Frederico Martins Menck - Departamento de Microbiologia, Instituto de Ciências Biomédicas, USP
Eiko Eurya Kuramae-IziokaDefesa Fitossanitária, Unesp/ Botucatu
Eugênio César Ulian- Centro de Tecnologia da Copersucar
Francisco Gorgonio da Nóbrega -Instituto de Pesquisa e Desen- · volvimento , Univap
Helaine Carrer - Departamento de Biologia, Esalq, USP
Luís Eduardo Aranha CamargoDepartamento de Entomologia
Agrícola , Patologia Vegetal e Zoologia, Esalq, USP
Luiz Lehman Coutinho - Departamento de Produção Animal, Esalq,USP
Marie-Anne Van Sluys - Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, USP
Paulo Cavalcanti Gomes Ferreira- Departamento de Bioquímica Médica, Instituto de Ciências Biomédicas, UFRJ
SuzeleideCastroFrança - Depar-
tamento de Biotecnologia Vegetal, Unaerp
Laboratórios de Seqüenciamento
Celso Luís Marino - Departamento de Genétiéa, Instituto de Biociências, Unesp
Éder Antonio Giglioti- Departamento de Biologia Vegetal, Centro de CiênciasAgrárias, UFSCar
Eiko Eurya Kuramae-IziokaDefesaFitossanitária, Unesp/Botucatu
Flavio Henrique da Silva- Departamento de Genética e Evolução, Unifesp
Francisco Gorgonio da Nóbrega - Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, Univap
Helaine Carrer - Departamento de Biologia, Esalq, USP
Luís EduardoAranhaCamargoDepartamento de Entomologia Agrícola, Patologia Vegetal e Zoologia, Esalq, USP
Luiz Lehman Coutinho - Departamento de Produção Animal, Esalq, USP
Luís Roberto Nunes - Núcleo Integrado de Biotecnologia, Universidade de Mogi das Cruzes
Manoel Victor Franco LemosBiologia Aplicada àAgropecuária, Unesp
Maria Helena de Souza Goldman - Departamento de Biologia, USP!Ribeirão Preto
Maria Inês Tiraboschi FerroDepartamento de Tecnologia, UNESP/Jaboticabal
Maria Luísa Penteado Natividade Targon- Centro de Citricultura "Sylvio Moreira", IAC
Marie-Anne Van Sluys- Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, USP
Maurício Bacci Jr.- Centro de EstudosdelnsetosSociais,Institutode Biociências, Unesp!Rio Claro
Otavio Henrique Thieman- Instituto de Física, USP/São Carlos
Roberto Vicente Santelli - Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, USP
Suely Lopes Gomes, Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, USP
Suzelei de Castro França- Departamento de Biotecnologia
Vegetal, Unaerp
Walter José Siqueira-Centrode Genética, Biologia Molecular e Fitoquírnica, IAC
as para ganhar novos mercados dentro e fora do país.
A Secretaria tem dois principais universos de ação. O primeiro inclui ações para atrair novos investimentos, ampliar os já existentes e so lu cionar os prob lemas que possam, eventualmente, levar empresas estabelecidas em São Pau lo a sair do Estado. Nesse sentido , o secretário afirma que se dedicará menos à elaboração de planos, para trabalhar mais fortemente sobre os já existentes.
O segundo universo , que engloba a integração competitiva das pequenas e médias empresas através da incorporação de tecnologia ao processo produtivo , vai mais além.

José Aníbal: uma das metas é a integração pequenas empresas por meio da incorporação de tecnologia
A articulação entre a pesquisa científica e o desenvolvimento econômico de São Paulo deve ser intensificada com a transferência de tecnologia , abertura de linhas de crédito e ampliação de mercados, principalmente para a pequena e média empresa. Para o secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolv imento Econômico do Estado de São Paulo (SCTDE), José Aníbal, este é o grande desafio de sua gestão. Segundo ele, São Paulo tem uma enorme capacidade empreendedora e uma massa crítica de excelente qualidade para casar a tecnologia que gera com os diferentes setores da economia, beneficiando diretamente o cidadão através da melhor relação qualidade /preço. "A pesquisa básica não deve ser abandonada, mas queremos acoplar muito mais do que é produzido hoje por nossa Ciência e Tecnologia ao processo produtivo", resume.
Na sua opinião, para atingir esse objetivo , programas de estímulo à inovação tecnológica, como os que a FAPESP já vem incrementando, devem ser melhor explorados à medida em que os diagnósticos da Secretaria evoluírem. "Precisamos identificar os nós para poder desatá-los e, para isso, iremos disponibilizar uma informação ampla sobre o setor de Ciência e Tecnologia do Estado a todos os interessados. " De acordo com o secretário, há uma cultura que não aproxima as universidades e os centros de pesquisa pau-
listas do setor produtivo e é necessário promover ações específicas para infonnar pequenos e médios empresários sobre os recursos de que eles podem dispor nas universidades estaduais e institutos de pesquisa paulistas Isso pode fortalecer a imagem dessas instituições e colocá-las em posição mais privilegiada para discutir seus problemas atuais mais importantes. "O efeito multiplicador dessa medida deve ser muito grande. O conta to com as empresas também poderá habilitar a universidade para estabelecer novas parcerias , prestar serviços e obter resultados financeiros dis so", conclui José Aníbal. Um exemplo de bons resultados quando esta rede de infonnações funciona com eficiência, segundo o secretário, é o projeto Prumo - Projeto de Unidades Móveis de Atendimento Tecnológico às Pequenas Empresas do Setor Plástico, financiado pela FAPESP no âmbito do Programa de Inovação Tecnológica em Parceria e desenvolvido em parceria entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Sebrae - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo e o Instituto Nacional do Plástico (INP). Desde o dia I5 de março o Prumo começou a operar veículos utilitários dotados de equipamentos de ensaio e uma equipe formada por um engenheiro e um técnico. O objetivo do projeto é levar tecnologia às pequenas empresas transformadoras de plástico , preparando-
A Secretaria pretende agir diretamente na obtenção de crédito dirigido ao investimento, capital de giro e comercialização pararevitalizar essas empresas. Para isso , de acordo com o secretário,a Nossa Caixa Nosso Banco já está credenciada junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e o Banco do Brasil já demonstrou interesse em criar uma linha especial de fmanciamento voltada exclusivamente para setores como os de calçados, plásticos , têxtil, metalmecânica e cerâmica . Outra frente de atuação envolve o desenvolvimento de mercados, principalmente externos. Nesse ponto , são as exportações que preocupam o secretário. Para ele, essa atividade não pode ser entendida como secundária , mas como condição fundamental para uma integração ativa, e não subalterna, ao mercado globalizado.
Apesar de ter superado em mais de 100% as expectativas na primeira gestão do governador Mário Covas, José Aníbal acredita que o Estado tem todas as condições de atrair ainda mais recursos da iniciativa privada, mas prefere não quantificá-los. "O investimento virá. Só precisamos criar um ambiente propício para isso. São Paulo tem mercado, recursos humanos , infra-estrutura e uma enorme disposição do governo para disputar esse investimento. Não vamos entrar na guerra fiscal, mas também não ficaremos contemplati vos. Vamos agir", conclui.
No futuro, o secretário acredita que São Paulo vai se tomar a capital de serviços do hemisfério sul - uma vocação que deve gerar muitos empregos. Para isso, técnicos da SCTDE já estudam alternativas. E uma delas , informa José Aníbal, deve ser posta em prática ainda este ano: um convênio com a Agência Nacional do Petróleo para criar uma extensão, na área química , da Escola Politécnica da USP na região do ABC paulista "Essa estrutura consolidará o pólo petroquímica do ABC ", prevê o secretário.
O Fó rum das Fund ações de Amp aro à Pesquisa (FAPs) re uniu -se em Br as íli a, no dia 26 de abri l, retoman do as artic ul ações, inic iadas no ano passa do, visa nd o o for talecimento e maior partici pação desses órgãos nos sistemas esta du ais e nacio na l de Ciênc ia e Tec nolog ia. Na pauta da re uni ão, pe la ma nh ã, estava a di sc ussão so br e as novas pro pos tas do Mini sté ri o da Ciência e Tec nologia para o se tor. À tard e, as FA Ps reun ira m- se co m o Fó ru m Nac ional de Secre tár ios Es tadu ais para Ass untos de Ciência e Tec nolog ia e toma ra m co nh ec im ent o de sua ca rta-d oc um ento , diri gid a ao mini stro Lu ís Car los Bresser Pereira, pos icionando -se so bre as pr opos ições do Mini stéri o, aprese nta das pelo sec retári o exec uti vo do ministério, Carl os Am éri co Pac heco (veja ao lado a íntegra do docume nto).
No enco ntr o das FA Ps, um dos vicepres id ent es do Co nse lh o Nac ional de Des envo lvi mento Científi co e Tec nológ ico (CN Pq ), Denis Lerrer Rose nfi eld , falou da divisão operac ional do órgão em tr ês grandes áreas - Exa la s, Hum anas e Bi ológ icas -, cada um a de res ponsa bilid ade de um vice -presi den te. A ca da se is meses, um dos vice -p reside ntes assu mi ria a coor denador iagera l das três áreas. Apreoc up ação das FAPs com relação a essa nova es tru tur a é qu anto à possi bilidade de desco ntinu idade adm ini strativa.
Mas um dos te mas mais disc utid os no enco ntro fo i a relação das FAPs co m o CNP q. Para os diri ge ntes das Fund ações, o Siste ma Nacio nal de Ciência e Tec nolog ia va i rea lmen te se forta lecer quand o as FAPs es ti verem forta lec idas Isto pressu põe a sua auto nom ia - prob lema da esfe ra dos governa dos es taduais - e um diálogo mais amp lo e democrático com o CNPq, de modo a fazer com que as Fundações participem das decisões de política científica e tecnológica
Essa questão se tomou mais evidente , a partir da proposta anunciada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia de transferir para as FAPs a responsabilidade pelo repasse de parte dos recursos destinados a projetos contratados no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT). Além da crítica por não participarem da análise dos projetos e da decisão de sua contratação, os dirigentes das FAPs receiam que as Fundações tenham de arcar com investimentos tradiciona lmente feitos pelo governo federal e inviáveis para amaioria delas, que sofrem com a fa lta de recur -
sos. E as di fere nt es situações viv id as pelas FA Ps podem aca bar por deteri orar o sis tema nac iona l. O mesmo rece io fo i ma nifes tado pe los secretários estad uais de Ciê ncia e Tecnolog ia.
Na re união do Fó ru m dos Secretários, Ca rl os Amér ico Pac heco fa lou so bre os cinco obj etivos do Min is tér io: co nso lid ação e ampli ação do aparato de Ciência e Tec nolog ia do país; in sti tu ição de um siste ma nac ional de inovação; se leção de áreas es tratég icas para o país; melh ori a da qu alidad e de vida e pre paração do país para a soc iedad e de inform ação. A fo nna de impl ementar esses obj eti vos passaria por um a nova age nd a de ges tão apoi ada
princi palm ente em análi se de res ultados, um novo padrão de alocação de recursos orçamentários e pe lo desenvo lvime nto regio nal. Apróxi ma reun ião do Fórum das FAPs fo i age nd ada para os dias 15 e 16 de j ulho próx imo, em Por to Alegre, por ocasião da rea li zação da 5 1' Reunião Anu a l da Soc iedade Bras il e ira para o Progresso da Ciênc ia (S BP C), te nd o co mo tema "A Ava li ação das Pesq ui sas" . As FA Ps decidiram, tamb ém, co nstitui r fo rm alme nte o seu Fórum . Até julh o pr óx im o deve rá es tar elabora do o es tatut o da nova entid ade. A pr imeira dir etori a se rá eleit a na re uni ão de Porto Aleg re.
Senhor Ministro:
Ao mesmo tempo em que cumprimenta Vossa Excelência ,oFórum Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência eTecnologia solicita asua atenção, em nome de todos os secretários presentes na reunião ordinária de26de abril de 1999, realizada em Brasília, para oque segue:
1) Os Secretários manifestam a sua satisfação em saber que oMinistério da Ciência eTecnologia pretende definira nova política de C&"T para opaís. Nesse sentido, o Fórum se propõe a, junto com oMCT, envidar todos os esforços, nos Estados, no sentido de construir uma política nacional de C&T que tenha como centralidade essa articulação, atraindo aparticipação de todos os atores relevantes.
2) Para sistematizar aparticipação dos Secretários de C&T na construção da nova política ,oFórum decidiu criar 3comissões operacionais, segundo as agenaas já definidas pelo MCT para formular anova política (ecomunicadas ao Fórum pelo Secretário Executivo do Ministério): a) Gestão de C&T, b) Financiamento de C&T e c) C&Tpara o Desenvolvimento Regional. Decidiu-se também criar uma comissão especial para acompanhar arenovação dos incentivos da Lei de Informática (Lei 8248).
3) Em função da decisão anterior,as comissões estão compostas conforme descrito abaixo,com os seus respectivos coordenadores No momento oportuno , os coordenado res escol hidos no Fórum estarão procurando o M inisté rio pa raobter mais informações sobre oandam en todos tra ba lhos daformulaç ãoda polít ica,seg undoas lin has eas age nd as propo sta spe lo MC T,para que os Secretários poss am coo rdena rações co nj untas co m esse objet ivo.
Ascomissõessão as segu intes:
Com issão deGestão de C&T: MG (coordenadora Margareth S And rade , Secretária de C&T), SC , PE Comissão de C&Tpa raoDesen volvi mento Reg ional: CE (c oordenador : Ariosto Hol anda , Se cretário de C&T) ,AM , PA, PE , MT, SC , PB , PI , MS, RO ,AL. Comissão de Financiamento de C&T: RS (coordenador: Adão Villaverde ), PR, RO, RJ , SP, DF, CE, MS. Comissão da Lei de Informática de C&T: SP (coordenador. José Aníbal Pde Pontes) , PR, RJ , PE ,BA, DF. 4) Durante a reunião, foram discutidas também as últimas propostas do MCT para que os Estados eregi-

ões assumam encargos e responsabilidades que, historicamente , sempre foram atributos do Governo Federal. Essas propostas podem significar uma mudança que não seja meramente conjuntural no Sistema Federal de C&T, podendo atingi-lo em seu conjunto, com repercussões nos Sistemas Estaduais aele associados. Os secratários se referiam particularmente às propostas materializadas na posição expressa pelo MCT relativamente aos projetas já contratados com as agências federais de fomento para o ano de 1999, conforme apresentado em reunião com as FAPs.
5) As medidas podem implicar na fragmentação do Sistema Federal de C&T, impedindo aviabilização do desenvolvimento económico, social eauto-sustentável do país. Mais ainda, podem caracterizar um processo de mudança estrutural que implicaria numa paulatina desobrigação do Estado Nacional com aformulação eofinanciamento das ações relacionadas àCiência eTecnologia no país
6) Além da fragmentação, também caberia ser destacado que aadoção da política de repasses para os estados, acarretaria uma sobrecarga às instituições de fomento regionais (FAPs), na medida em que elas passam aarcar com investimentos tradicionalmente demandados ao Governo Federal.
7) Neste contexto , o Fórum de Secretários de C&Tposiciona-se contrário aos repasses de encargos e responsabilidades ,entendendo que os estados não têm cond ições de suportar tais condições , bem como entende serimportante que oGovern oFede ral cumpraoscomprom issos já as sumidos Ao me smo te mpo , o Fóru mirá sediri giratoda acomunidade científica ete cnológicados estados propondo que amesma inici e,deformaurgente , em cada região,um amplodebate sob re apolíticaproposta Entende ser neces sári oque oconjuntodasoc iedade bras ileira part icipe desteprocesso, afim deque seja retomado, de forma amp lae democrática , odebate sobre a necessidade objetiva de uma política nacional de C&T.
8) Por fim , é nece ssário um amplo esforço no sentido de mostrar e pressionar a área económica do Governo Federal, visando viab ilizar de forma efetiva alocação de mais recursos financeiros às agências de fomento do Ministério da Ciência eTecnologia.
Fórum Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência eTecnologia
Com a presença de pesquisadores bras ileiros e do exterior, do ministro da Ciência e Tecnologia, Luíz Carlos Bresser Pereira , do Coordenador de Pesquisa Agro pecuária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Lourival Carmo de Mônaco, do presidente da Copersucar- Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, Homero Correa de Arruda Filho e do presidente da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, a FAPESP lançou oficialmente, nos dias 12 e 13 de abril, o Projeto Genoma Cana. Uma iniciativa conjunta com a Copersucar, o projeto prevê o seqüenciamento de genes de grande significado para a agro indústria da cana-de-açúcar, especialmente aqueles relacionados com o metabolismo da sacarose e com a resistência da planta a pragas e doenças. O lançamento foi feito durante um workshop internacional, organizado pelo Dr. William Burnquist, pesquisador da Copersucar, que reuniu os maiores especialistas em genoma de cana -de -açúcar.
Num dos lados do auditório daFAPESP, Paulo Arruda, coordenador de DNA do Projeto Genoma Cana, olhou os especialistas de várias partes do mun do reunidos em São Paulo e comentou: "Para nós, isso é muito bom, pois podemos ti rar proveito de outras tecnologias, que eles já dominam, e atingir mais
facilmente nossos objetivos". Em outro lado , quem falava era Barbara Huckett, do centro de pesquisas da SouthAfrican Sugar Association, a associação dos produtores sul-africanos de cana-de-açúcar. "O convite que recébi para estar aqui demonstra uma intenção de compartilhar experiências desde o início", afirmou. "Esta é uma maneira muito especial de fazer um bom projeto", acrescentou.
A doutora Huckett não estava sozinha em sua apreciação. Todos os especialistas que participaram do workshop de apresentação do Projeto Genoma Cana à comunidade científica internacional , no auditório da Fundação, consideraram tímidos seus programas com relação ao brasileiro. E mais. Reconheceram que a verba de US$ 8 milhões destinada ao projeto e a competência já instalada da rede virtual de laboratórios Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos (ONSA - de Organizationfor Nucleotide Sequencing andAnalysis)) colocam o grupo de São Paulo na liderança mundial da pesquisa do genoma da cana-de-açúcar.
Os resultados do workshop já estão começando a aparecer. No fim de abril, de acordo com Arruda, estavam bem adiantados os entendimentos para uma parceria com Jean CristofGlaszmann, pesquisador do CIRAD, o instituto francês de pesquisas sobre agricul -

tura tropical e subtropical, para um mapeamento conjunto de elementos identificados pelos pesquisadores de São Paulo; e também com Andrew Paterson, da Universidade da Geórgia, dos Estados Unidos, que acaba de receber uma verba deUS$ 3,5 milhões para fazer o seqüenciamento genético do sorgo. O sorgo e a cana-de-açúcar são geneticamente

parentes muito próximos e a cooperação entre as equipes de pesquisa dos dois projetas pode resultar em descobertas decisivas, não só para essas plantas mas para as gramíneas em geral. "Com os demais estrangeiros, também deverá haver interação, em maior ou menor escala, mas ela ainda se está definindo " , informou o coordenador.
"Certamente, há possibilidade de colaboração entre o CIRAD e o projeto brasileiro , que trará um volume enorme de informações para a comunidade científica envolvida com a cana" , afirmou Laurent Grivet, do instituto francês, que participou do workshop. "Os Estados Unidos e o Brasil teriam muitos benefícios se coordenassem os programas do sorgo desenvolvidos por nós e o Genoma Cana da FAPESP" , declarou Andrew Paterson, da Universidade da Geórgia. "Juntos, poderíamos aprender como usar melhor os resultados desses importantes projetas. Como líder do projeto do sorgo, fico muito entusiasmado com essa possibilidade" , completou.
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O interesse dos especialistas da Africa do Sul , Austrália , Estados Unidos e França presentes ao workshop se justifica. O domínio do conhecimento do genomade plantas e das tecnologias relacionadas com a genética vegetal é atualmente um dos maiores interesses de cientistas de todas as partes do mundo. Trata-se de uma área tão estratégica que a Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF) e várias agências de fomento à pesquisa norte-americanas se uniram para realizar o Plant Genome lnitiative, um projeto que propõe o seqüenciamento genético de todas as plantas de grande importância económica A NSF, aliás , investiu somente em 1998 nada menos de US$ 85 milhões em seu programa de pesquisas de genoma de plantas
Para o Brasil , ampliar o conhecimento genético sobre cana-de-açúcar é fundamental para sua economia - o que justifica o empenho e as iniciativas da FAPESP na área. O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar,
responsável por 25% da produção mundial , e, desse total, 60% saem do Estado de São Paulo. Só nesse Estado , a cana movimenta negócios da ordem de R$ 8 bilhões por ano e é responsável por 600 mil empregos diretos. São Paulo é líder mundial em produtividade da cana-de-açúcar, obtendo o menor custo de produção do mundo, e importante exportador de açúcar. Era natural que um projeto relacionado com a cana se seguisse ao sucesso do Projeto Genoma-Xylella , relacionado com a produção de laranja.
"O desafio do próximo século para a humanidade é a ampliação da produção de alimentos e fibras de forma amigável com o meio ambiente" , declarou o diretor científico da FAPESP, José Fernando Perez . "Isso vai depender da nossa capacidade de fazer biotecnologia ", acrescentou. Perez lembrou ainda que a idéia de fazer um projeto genomados genes expressos da cana de açúcar surgiu na Copersucar e foi trazida à FAPESP pelo Carlos Vogt, diretor executivo do UniempFórum Permanente das Relações Universidade e Empresa "A proposta foi analisada pela nossa assessoria, que nos garantiu que o projeto não só era viável como respondia a uma
atualidade" , disse o diretor científico da FAPESP, assinalando, ainda , que o Projeto Genoma Cana tem uma vocação nacional.
Falando na cerimônia de lançamento do projeto, o ministro da Ciência e Tecnologia , Luís Carlos Bresser Pereira , pediu que os cientistas defendam as plantas transgênicas , atualmente sob ataque de grupos ambientalistas. De acordo com o ministro, projetas para mapear os genes de um organismo, quando são lançados, recebem o apoio de toda a comunidade científica . Mas, quando os conhecimentos obtidos são postos em prática e se avizinham das plantas transgênicas , surgem os protestos. O ministro citou especialmente as exigências do completo conhecimento das conseqüências das modificações de um organismo antes de seu uso , o chamadofull knowledge.
"Estamos entre cientistas e sabemos que , pelo menos depois de Karl Popper, uma exigência dessas é absolutamente ridícula" , disse Bresser Pereira. "Existe conhecimento provável , falseável , mas exigir full knowledg e é voltar ao tempo das cavernas" , acrescentou. Popper, um filósofo da ciência britânico de origem austríaca, morto em 1994 , defendia a idéia de que a atitude científica, diante de uma hipótese, não é procurar casos particulares que a confirmem , mas procurar casos que a tomariam falsa A ciência progrediria por conjeturas e refutações, num processo que tende ao conhecimento objetivo.
De qualquer maneira, a FAPESP não está sozinha no Projeto Genoma Cana . Ele tem a participação da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) , inclusive no financiamento do programa. Não é pouca coisa A Copersucar pesquisa o melhoramento da cana-de-açúcar há mais de 30 anos. Os conhecimentos adquiridos nessas pesquisas estarão à disposição do projeto . "O melhoramento genético da canade-açúcar foi um dos primeiros projetas do Centro de Tecnologia da Copersucar, em 1969 , e continua até hoje como o programa que detém a maior parcela do nosso esforço", disse o presidente da Copersucar, Homero
Co rrea de Arrud a Filh o, ac resce nt and o: "Hoj e, os co nhec im ento s em ge néti ca molecul ar passara m a ser apli cados em ca na-d eaç úca r O co mpl exo sistema bio quími co qu e a pl anta util iza para produ zir aç úcar j á não é mais um a ca ixa preta, mas es tamos longe de co nh ece r os 50 mil genes da pl ant a. O Proj eto Ge noma Ca na da FAPES P ve io de enco ntro aos nossos obj et ivos e necess id ades" .
Em prin cípio, um proj eto ge noma se destinar ia a descreve r e definir to dos os genes de uma pl anta. Não é o que vai aco ntecer no Genoma Ca na. A prio ridade é ide ntificar ge nes re laciona dos co m o meta boli smo da sacarose no interior da planta, a res istê ncia da pJanta a pragas e doenças e a to lerância a condições adversas de clima e so lo. Para isso, será usado o método das Expressed Sequence Tags (EST), uma tec nologia de seqüenc iamento mais rápida e baseada apenas nas porções dos genes expressos, que co dificam proteínas. Do genoma tota l de uma planta , apenas entre I% e 5% se referem a genes expressos. Os outros genes são classificados como junk (l ixo), ou seja, genes que aparen temente não têm função , ou estão re lacio nados apenas com a sobrevivência e a manute nção das células. O mesmo método está sendo usado no Brasil pelo Projeto Genoma Humano do Câncer, financiado pela FAPESP e Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, e , nos Estados Unidos, pelos projetos dos genomas do rato, da soja e do milho
A estratégia de execução do Genoma Cana é idéia do coordenador de DNA do projeto, Paulo Arruda, professor do Departamento de Genética do Instituto de Biologia e diretor do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética(CBMEG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Arruda optou por realizar a anotação do genoma à medida que as ESTs vão sendo geradas. Isto é, ao mesmo tempo em que os genes da canade-açúcar forem conhecidos, doze grupos estarão realizando o chamado data mining (mineração de dados) , ou seja , buscando em bancos de dados de todo o mundo genes semelhantes, ou já descritos, que possam estar re lacionados com o metabo lismo da cana-de -açúcar ou sua resistência a patógenos ou fatores de estresse , como secas e geadas.
O Projeto Genoma Cana deverá seqüenciar pelo menos 50 mil genes, ou 300 mi l ESTs . Cerca de duas mil seqüências já foram geradas e a intenção é chegar a20 mi l até o fim deste ano. Cada seqüência tem SOO nucleotídeos ou 0,5 KB , a ki lobase, unidade de med ida dos nucleotídeos É importante destacar que a utili dade do projeto não pára na canade -açúcar. "Já enco ntramos seq üências do genoma da cana que são prati ca mente homólogas às do câncer de mama", disse o pr ofessor Arru da "A pro teí na indut ora da prol ac tin a ta mb ém es tá lá. Va mos carac teri zá-l a, ver o
qu e ela faz e, qu em sabe , enriqu ece r um alimento co m essa proteína", co mpl etou.
A fun ção de Arruda é gerar as bibli otecas de cDNA, di stribuir os cl ones para seqü enciamento e coo rd enar o flu xo de info rma-

ções entre os laborató ri os e o se tord e bi oin fo rmática. João Ca rl os Se túb al e João Me id ani s, do La bora tóri o de Bioin fo rm áti ca da Unica mp , ve teranos do Proj eto Ge nomaXy lell a, vão co mand ar a parte de bi oi nfo rm ática do
O workshop de abril reuniu no auditório da FAPESP representantes de alguns dos mais importantes institutos do mundo ligados a pesquisas com a cana-de-açúcar. Entre os representantes estrangeiros, estavam:
*Stevens Brumbley, pesquisador do Bureau of Sugar Experiment Station , em Queensland , na Austrália. Trabalha com dois projetas genoma , um relativo à própria cana-de-açúcar eoutro a uma bactéria que produz uma doença na planta. Também investiga fatores não-biológicos que causam estresse na cana.
* Laurent Grivet, do Centre de Cooperation lnternationale en Recherche Agronomique Pour le Development (CIRAD) , centro de pesquisas sobre agricultura tropical e subtropical financiado pelo governo francês. Estuda a contribuição das diversas espécies do gênero Saccharum para aformação do Saccharum officinarum, acana-de-açucar comercial.
* Barbara Huckett, da estação experimental da South African Sugar Association , entidade dos produtores sul -africanos. Pesquisa desde 1995 o DNA da cana-de-açúcar, mas com um projeto muito tímido quando comparado ao brasileiro. Tem apenas uma máquina , capaz de gerar oito seqüências por dia.
* John Manners, do Centro de Pesqu isas de Patologia de Plantas Tropicais , do CSIRO , órgão de pesquisas do governo australiano, eda Universidade de Queensland em Brisbane. Trabalha na identificação dos genes que controlam aformação de sacarose nos talos da planta da cana-de-açúcar
* Blake Meyers, pesquisador do Departamento de Biotecnologia da empresa DuPont , nos Estados Unidos. Estuda ESTs de milho earroz. Sua empresa tem um banco de dados maior que o Genebank, osite da Internet que dá acesso às seqüências de projetas genoma feitos por institui ções públicas
* Erik Mirkov, virologista de plantas do Departamento de Patologia e Microbiologia de Plantas da Estação Agrícola Experimental da Universidade Texas A&M, do Texas , Estados Unidos Trabalha com seqüências de vírus , tentando obter plantas transgênicas resistentes a vírus e insetos Um dos seus objetivos é conseguir novas variedades comerciais resistentes de cana.
* Paul Moore , pesquisador-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para frutas tropicais ecana-de-açúcar, pesquisador do Centro de Pesquisas Agrícolas do Hawai eco-fundador do Consórcio Internacional para a Biotecnologia da Cana-de-Açúcar Trabalha há 30 anos com cana OConsórcio já tem um projeto de cooperação com a Copersucar
*Andrew Paterson, pesquisador do Centro de Pesquisas Riverbend, da Universidade da Geórgia, chefe do projeto genoma do sorgo , financiado pela Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos Estados Unidos Estuda as entre os cromossomas de diversas plantas , especialmente entre acana , o sorgo eo arroz
* Jeffrey Tomkins , pesquisador associado eprofessor assistente do Genomics lnstitute da Universidade Clemson, da Carolina do Sul, Estados Unidos. Seu instituto tem a maior biblioteca de BACs (Bacterial Artificial Chromossomes) , vetares que carregam grandes pedaços de DNA , usados para clonar porções não expressas dos genes, de animais eplantas do mundo.

projeto. Nos laboratórios da CBMEG , também na Unicamp, os biólogos Edson Kemper e André Luiz Vettore estão preparando as bibliotecas , ou seja , as coleções de clones do DNA da cana-de-açúcar.
A seleção dos grupos inscritos para participar do projeto , já foi feita (veja seção NOTAS, página 5) . "Participar de projetas como este é levar a infra-estrutura e a competência metodológica dos laboratórios para um nível de competição internacional", afirmou MarieAnne Van Sluys, do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP) , um dos inscritos para participar do projeto . Participarão do seqüenciamento quinze laboratórios, que serão equipados com aparelhos Perkin Elmer ABI 37796 , de 96 canaletas , capazes de produzir 200 seqüências por dia . Calcula-se que 100 pesquisadores serão envolvidos no projeto. As descobertas do Genoma Cana só serão divulgadas quando os pesquisadores esgotarem as possibilidades de patentes Depois disso , serão colocadas num banco de dados público internacional, o Genebank.
Oprojeto precursor da FAPESP na área dos genomas,oGenoma Xylella ,para oseqüenciamentoda bactéria Xylel/a fastidiosa ,causadora da Cioro seVariegada dos Citros ,adoença do amarel inho , está um ano adiantado com relação ao programa previsto. Os cientistas ,atualmente ,analisam as seqüências ge radasdo genoma eas comparam com out ras já descritas earquivadas embancos de dadosinternac ionais eidentificam as próprias descobertas Ocoordenador de DNA do projeto ,Andrew Simpson , já enviou um pedido de patente para os Estados Unidos . Oesforço final éfechar os gaps, ou buracos na seqüência de bases do DNA , do genoma da bactéria. Os cientistas costumam comparar os gaps apeças que faltam num quebra-cabeças. Para seqüencia r o DNA , foi prec iso quebrá-lo em pequenos pedaços , distribuídos pelos 331aboratórios da rede Onsa. Na montagem final do quebra -cabeças , descobriu-se que o genoma da Xylella era pelo menos 20%maior do que se esperava Até agora , foram seqüenciados 2,3MB. AXylella já éaquinta maior bactéria seqüenciada no mundo OGenoma Humano do Câncer, um acordo de cooperação firmado em março entre aFAPESP eo Inst ituto Ludw ig de Pesquisa sobre o Câncer, se destina adescobrir novos genes , apartir da investigação do material genético de tumores cancer ígenos Deverá,assim ,entrar em regiões codificadoras ainda não exploradas do genoma humano Acoordenação está exam inando os grupos que se cand idataram para participar do projeto,com oobjetivo de montar arede de laboratórios
Mais dois projetosestãoacam inho.Um éoGenoma Funciona ldaXylella ,averificação das funções dos genes identificados no seqüenciamento eas prote ínasqueeles codificam. Outro éogenoma daXantomonas campestris, a bactéria causadora do cancro cítrico , uma das doenças quecausam os maiores prejuízos aos laranjais bras ileiros. CONVÊNIOS
Os projetas temáticos financiados pela FAPESPagorapoderãocontarcomacolaboração de jovens doutores franceses com destacado desempenho científico ou tecnológico. Acordo nesse sentido foi finnado entre a Fundação e o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (COFECUB) , durante visita do ministro da Educação Nacional , Pesquisa e Tecnologia da França, ClaudeAllégre , a São Paulo, em abril.
A preferência à participação nesses projetos será dada a candidatos franceses que tenham concluído o doutorado até cinco anos antes da solicitação da bolsa Os selecionados receberão bolsa mensal no valor de R$ 2.570,00.As bolsas serão concedidas por um período de um ano , com a possibilidade de prorrogação anual por até três anos. Será exigido do candidato bons conhecimentos de inglês. Apesar de desejável, a proficiência em português não será pré -requisito. As passagens de ida e volta serão de responsabilidade doCOFECUB.
OCOFECUBdivulgarájuntoàsuniversidades e instituições de pesquisa francesas a relação de coordenadores dos projetas temáticos em andamento interessados em receber bolsistas para pós-doutoramento em São Paulo . O candidato encaminhará a documentação simultaneamente ao coordenador do projeto e ao COFECUB. Caberá ao coordenador encaminhar a solicitação de bolsa à FAPESP, que decidirá sobre a concessão·ou não num prazo de três meses.
Na mesma ocasião foi assinado um acordo entre o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD) , da França, e a FAPESP, com o objetivo de intensificar a colaboração na área da pesquisa agronômica e ciências conexas aplicadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação.
As modalidades de cooperação previstas são: intercâmbio de pesquisadores envolvidos em projetos conjuntos; realização de programas e projetos conjuntos de pesquisa e de desenvolvimento; realização de conferências , cursos, seminários e simpósios; difusão e valorização dos resultados, métodos e técnicas desenvolvidos e obtidos em conjunto. A implementação dessas atividades ocorrerá através de acordos específicos.
O CIRAD e a FAPESP poderão convidar outras instituições de cooperação técnica ou de apoio financeiro , comunidades científicas, acadêmicas ou comerciais para participar das iniciativas prev istas O Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da Fran-
ça poderá ser incluído como parceiro no acordo.
A visita da delegação de Claude Allégre no dia 16 de abril a São Paulo possibilitou a assinatura de diversos acordos de cooperação científica, tecnológica, educacional e cultural entre instituições francesas e brasileiras, além de compromissos firmados diretamente entre os governos francês e brasileiro. Na USP, foi estabelecido acordo entre o Conservatoire National des Arts e Métiers (CNAM) e a Escola Politécnica , para cooperação na área de materiais po Iiméricos, sobretudo A USP também assinou um protocolo de intenções com a Fundação Nacional de Ciências Políticas da França para o estabelecimento de convênio nas áreas de ensino , pesquisa ou extensão de serviços à comunidade. Ainda na USP, Allégre, que é um geoquímico de renome internacional, fez a conferênciaA Formação da Terra, assistida por mais de 400 pessoas, no Auditório da Escola Politécnica.
No mesmo dia , na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp ), Allégre e dirigentes de instituições de pesquisa francesas reuniram -se com a diretoria da FAPESP, quando foram firmados os acordos de cooperação. Na ocasião , o presidente do Conselho Superior da Fundação , Carlos Henrique de Brito Cruz, fez uma apresentação da agência paulista e o diretor científico , José Fernando Perez, discorreu sobre os diversos programas da FAPESP. Foi observado que as prioridades francesas citadas pelo ministroinovação tecnológica, genoma e incentivo à formação de jovens pesquisadores - são muito semelhantes às adotadas pelaFAPESP. Em seguida, houve uma conferênciadebate sobre formação tecnológica, no Salão Nobre da Fiesp, com a participação do ministro francês, do ministro de Ciência e Tecnologia brasileiro, Luiz Carlos Bresser Pereira, do secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico doEstado de São Paulo, José Aníbal, do presidente da Fiesp, Horácio Piva, do diretor de Desenvolvimento Tecnológico da Fiesp , Osíris Silva , e do presidente do Senai , FábioAidar.
Allégre também esteve na Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron em Campinas Sua visita se estendeu ainda ao Rio de Janeiro, Brasília - onde firmou protocolos de cooperação com o governo brasileiro - e a Manaus.

O Instituto de Estudos Avançados (IEAUSP), a Academia de Ciências do Estado de São Paulo e a FAPESP promoveram, no dia 15 de abril, no auditório da Fundação, o seminário A Tecnologia e a Retomada do Desenvolvimento, marcando o início das comemorações em homenagem ao centenário do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Na pauta do seminário, o passado - a história do IPT e a sua contribuição pioneira para o desenvolvimento tecnológico do Estado de São Paulo- e o futuro, ou como modernizar sua estrutura e atuação, numa sociedade cada vez mais exigente de competência tecnológica. A homenagem ao Instituto , presenteado pela FAPESP com uma placa de prata, estendeu-se a dois de seus ilustres pesquisadores, já falecidos: Adriano Marchini e João Luiz Meiller, responsáveis pela inclusão, na Constituição Estadual de 194 7, do artigo que previu a criação da FAPESP e tomou possível o início de seus trabalhos a partir de 1962
O evento contou com a presença do reitor da Universidade de São Paulo, Jacques Marcovitch, do presidente e do superintendente do !PT, respectivamente Alberto Pereira de Castro e Plínio Assmann, do presidente da Academia de Ciências de São Paulo, Walter Colli, do diretor presidente da FAPESP, Francisco Romeu Landi, do ex-presidente da FAPESP e pesquisador emérito do IEA, Alberto Carvalho da Silva, do secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Hélio Mattar, e do superintendente da área de operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Gastaldoni. Criado em 1899 , com o nome de Gabinete de Resistência de Materiais, o IPT, além
de servir para o estudo prático dos estudantes da Escola Politécnica de São Paulo, prestava serviços a empresas, especialmente na área de construção civil, e ao governo, em projetas de infra-estrutura, como transporte e energia. Em 1926 , foi reorganizado como Laboratório de Ensaios de Materiais e, em 1934, depois de anexado à USP, transformou-se no Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Dez anos depois, tomou-se uma autarquia. Ao longo desses cem anos, o Instituto esteve à frente da pesquisa tecnológica no Estado, nas mais diversas áreas, colocando a sua competência e o seu acervo à disposição da indústria paul iSta. Hoje, segundo seu presidente, Alberto Pereira de Castro, o IPT está empenhado no estabelecimento de parcerias entre equipes técnicas e a indústria para acompanhar as mudanças em curso. "Essa é uma nova estratégia do Instituto, que veio se somar às antigas, que continuam válidas. A cada mês, o número de casos de êxito está crescendo. Estamos fazendo um movimento de ascensão, que consiste em focar os problemas da indústria em parceria íntima com suas equipes técnicas."
Francisco Romeu Landi, diretor presidente da FAPESP, assinalou que os desafios do próximo século exigem não apenas a reciclagem técnica, com a permanente formação de novos profissionais, mas também uma nova forma organizacional para o IPT. "A exportação e o suporte à pequena e média empresa são vitais para a busca de maior competitividade. E para isso é necessária uma nova forma jurídica, maior flexibilidade para realização de trabalhos e uma postura de pesquisadores sintonizada com a modernidade que aí está", disse.
Para o reitor Jacques Marcovitch, da
USP, esse processo deve serrápido. "Em nosso tempo, quando os meios tecnológicos tornam-se obsoletos de um dia para o outro, nenhum projeto de governo pode deixar de acompanhá-los no mesmo ritmo veloz Trata-se de uma variável política indispensável , pois envolve o destino e a soberania dos estados", afirmou. Abandonar os cientistas à própria sorte, de acordo com Marcovitch , é um erro que pode afetar até a estabilidade democrática. "Se o Brasil não pensar seu futuro da mesma fonna como os pioneiros o fizeram, simplesmente não haverá futuro" , disse , referindo-se aos frutos que a ciência pode produzir. Sobre a política federal, Marcovitch assinalou que, embora empenhado corretamente na tarefa de ajustar as contas públicas , o governo central comete dois desvios perigosos: "corta recursos de programas sociais já limitados e diminui drasticamente verbas já escassas na área de ciência e tecnologia, comprometidas na gestão anterior do mesmo governo". Para o reitor da USP, "uma exceção e um paradigma de consciência estratégica é a FAPESP, que, a despeito de todas as crises, vem zelando exemplannente pelo progresso da ciência no âmbito do Estado de São Paulo, com repercussões para o Brasil".
Para continuar a ampliaras fronteiras da tecnologia, o diretor técnico do IPT, Vicente Mazzarella, concorda que o exemplo dos desbravadores do passado deve ser seguido. "Temos que mudar, percebendo ou mesmo adivinhando a direção e o sentido das mudanças
do mercado, da economia, do mundo, da sociedade , nos antecipando a elas", acrescentou. Lembrando a contribuição do IPT na indústria aeronáutica para a construção e experimentação de planadores e aviões, na década de 30 , ele afirmou que o momento atual aponta a direção para onde o Instituto deve ousar e voar mais alto "em grandes temas e em formas de atuação inovadoras, dinâmicas, eficazes eco-responsáveis nos resultados". O Prumo - Projeto de Unidades Móveis de Atendimento Tecnológico às Pequenas Empres as do Setor Plástico, recém- iniciado por meio de uma parceria entre o IPT, o Serviço de Apoio às Micros e Pequena s Empresas de São Paulo (Sebrae) e o Instituto Nacional do Plástico (INP), com aporte financeiro da FAPESP, ilustra, seg undo Maz za rella , esta nova maneira de trabalhar.
O diretor superintendente do Instituto , PlínioA ss mann , lembrou que , para desenvolver a sociedade, o IPT abriu caminhos no domínio de tecnologias e, hoje , o conjunto de se us 72laboratórios proporciona uma amplitude de atuação muito diversificada para atender a esse desafio. Nessa direção, ele informa que o Instituto pretende participar da organização de um complexo de competência tecnológica em conjunto com a USP, começando pela implantação de cursos de mestrado profissional para promover outras associações que permitam interação em todos os campos da tecnologia "Mestres e alunos são um acervo importante demais para ficar distantes do maior e mais diversificado parque de laboratório s do país", completou.
Para Hélio Mattar, secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a competência tecnológica alicerçada na produção e na infra-estrutura é a base para ambicionar uma participação maior nos mercados globalizados. "Embora exportar mais seja muitíssimo importante , a questão é participar de redes e alianças internacionais , aprender a participar do novo jogo da globalização. Para o Brasil acompanhar esse processo, é preciso acelerar a transição da etapa de pesquisa e tecnologia para a etapa do conhecimento e da inovação. Só redes integradas que pennitam uma convergência crescente nos interesses e ações do es tablishment acadêmico-científico , dos institutos de pesquisa , dos usuários finais da tecnologia com apoio financeiro significativo poderão propiciar tal processo. " Mattar acredita que , para oferecer maior eficiência ao cidadão, é preciso priorizar o funcionamento integrado em redes que envolvam o setor produtivo, as universidades, os institutos e o governo, voltadas para estratégias convergentes e baseadas em conhecimentos e inovação. "O IPT tem um papel importante nesse esforço , como parceiro de empresas em projetas de desenvolvimento, fornecedor de serviços tecnológicos, centro de referência de informação tecnológica e participante indutor do processo de normalização nacional", concluiu.

FÍSICA
Na década de 1930 , muitos cientistas ainda acreditavam que o silício era um metal, devido às suas propriedades elétricas. Estavam errados, porque o material que eles tinham à mão era impuro e eles não sabiam. Só depois da caracterização do material , que levou à produção de um silício puro, sedescobriu que ele era um semicondutor. As suas propriedades semicondutoras tomaram po·ssível a abertura de portas que conduziram aos chips e aos modernos computadores. "Isso mostra como é importante a caracterização dos materiais", diz o fisico George Kleiman , que , com outro fisico , Richard Landers , coordena o Grupo de Física de Superficies do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp ) Caracterizar materiais faz parte do trabalho de Landers e Kleiman. Há mais de 20 anos , seu grupo estuda as propriedades fisicas das superficies dos materiais A superficie é a "pele" do material , com apenas uma ou duas camadas de átomos e com uma espessura de poucos angstroms (um angtrom é um décimo de milionésimo de milímetro), com as quais os materiais interagem com seu meio ambiente. As suas propriedades podem ser muito diferentes daquelas do interior da amostra Algumas ligas metálicas , por exemplo , se formam apenas na superficie e não existem na forma massiva. "E um trabalho típico de pesquisa básica, que pode ser a base, no futuro, de materiais inteiramente novos ", informa Landers.
Em julho de 1997 , o trabalho do grupo ganhou novas perspectivas com a entrada em funcionamento, na mesma cidade de Campinas , do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Passou a ser possível fazer, aqui mesmo no Brasil, experiências que envolvem feixes potentes, mas finíssimos , de raios X ou ultravioletas , e descobrir não só como os elétrons ficam distribuídos nos átomos do material, isto é, a sua estrutura eletrônica , mas também a sua estrutura cristalográfica geométrica, ou seja, a maneira como seus átomos estão distribuídos no espayo
Para desenvolver melhor suas pesquisas , porém, o grupo da Unicamp precisava desenvolver um equipamento especial, uma estação de ciências da superficie, para trabalhar acop lada às linhas de luz do LNLS. Foi onde entrou a FAPESP. Um projeto temático Estudo da Estrutura Eletrônica de Ligas Metálicas por Lu z Síncrotron coordenado pelo professor Landers e aprovado pela Fundação , colaborou decisivamente para tomar possível a construção do aparelho . Com essa base , o grupo partiu para o trabalho Aproveitou componentes usados em outros equipamentos e comprou alguns novos . Conseguiu, também, recursos do Programa Nacional de Grupos de Excelência (Pronex) , da Financiadora de Estudos e Projetas (FINEP) e da própria Unicamp. Ao todo , juntou recursos de aproximadamente US$ 500 mil.

A estação de ciências da superficie já está em uso em Campinas. Ela traba lha com um espectrômetro de elétrons de alta resolução e um difratômetro de elétrons de baixa energia. Juntos, esses dispositivos permitem a realização de observações bastante deta lhadas das propriedades dos elétrons dos átomos da superficie estudada. Para evitar impurezas que inviabilizariam as experiências, as amostras ficam numa câmara de ultra -alto-vácuo.
O equipamento fica sob responsabilidade do grupo da Unicamp, mas já foi usado no LNLS por outros grupos, da mesma Unicamp, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e por equipes argentinas. Adecisão de partilhar o equipamento com outros grupos permite que os recursos financeiros aplicados pelas agências de fomento alcancem objetivos ainda mais amplos.
O equipamento, porém, ajuda a fazer do Grupo de Física das Superficies um dos usuários mais freqüentes do LNLS. Seu trabalho segue duas linhas fundamentais. Um é o de que na superficie de um material podem for-
Os cientistas usam cinco técnicas para fazer experiências com o objetivo de entender as superfícies de materiais. São elas:
Espectroscopia de totoelétrons excitados por Raios X- Permite analisar os fotoelétrons (ou seja, elétrons produzidos pela absorção de luz, ou fótons) arrancados dos níveis de caroço (elétrons mais próximos do núcleo). Dá informações sobre a composição química da superfície e da região imediatamente abaixo da superfície, dependendo da energia dos fótons excitadores Também dá informações sobre a estrutura eletrônica e o ambiente químico dos átomos pesquisados.
Espectroscopia de fotoelétrons excitados por Ultravioleta- Coloca em evidência abanda de valência (ou seja ,elétrons que contribuem para as ligações químicas) e os níveis rasos de caroço (elétrons pouco ligados) dos átomos da superfície do material estudado.
Difração de fotoelétrons- Permite saber a posição geométrica dos átomos de uma superfície , incluindo a distância e os ângulos entre átomos
Difração de elétrons de baixa energia- Éessencial para esclarecer a estrutura cristalográfica da superfície de monocristais, que pode ser bem diferente do arranjo dos átomos das camadas do interior do material. É útil também para saber como os átomos adsorvidos se posicionam numa superfície.
Espectroscopia de elétrons Auge r- Émuito útil para controlar a limpeza da amostra do material em estudo. Pode ser utilizada para diminuir ambigüidades na identificação das ligações químicas de átomos superficiais.
mar-se ligas de natureza às vezes diferentes do resto do material, abrindo a possibilidade de surgirem materiais inteiramente novos, com propriedades desconhecidas. Outro é que as propriedades superficiais de diversas ligas são fundamentais como catalisadores, ou seja, agentes de reações químicas
"É uma área de pesquisa muito importante, pois entre 80% e 90% dos processos industriais exigem algum tipo de reação catalítica", diz o professor Kleiman. Os químicos em catálise e os engenheiros químicos vêm fazendo enormes progressos no desenvolvimento de processos catalíticas para aplicações industriais. Mas boa parte do entendimento dos processos de catálise heterogênea ainda é empírico. Mesmo em reações bem caracterizadas, ainda não se conhece comp letamente o papel catalítico de várias superficies.
O professor Kleiman acredita que, num futuro ainda distante, será possível preparar um manual de catálises, com base no entendimento dos conceitos fundamentais do papel dos catalisadores nos processos químicos. Assim, será possível otimizar cada reação, sabendo -se com certeza quais as substâncias mais convenientes e mais econômicas que se deve juntar para formar o catalisador. "É ufn futuro distante, mas o problema é muito importante", afirma.
As experiências do grupo seguem um ciclo complexo. Começa com a preparação das amostras a ser analisadas .As amostras de ligas metálicas poli cristalinas, ou seja, compostas de pequenos cristais com orientação aleatória, são fabricadas num laboratório existente no próprio Instituto de Física Gleb Wataghin. Para isso, usam-se técnicas meta lúrgicas convencionais e equipamentos como um fomo de arco e fusão por meio de feixes de elétrons.
Outros tipos de amostras são modificações das superficies de substratos monocristalinos, como de cobre, ouro ou paládio, com o objetivo de produz ir ligas superficiais. Essas modificações são feitas no próprio equipamento. O passo inicial é limpar todas as impurezas de superficie por erosão iônica. Para mantê-las limpas, a câmara na qual é feito o processo opera com ultra-alto vácuo. A amostra, então, é aquecida, para reorganizar e recristalizar a superficie. Em seguida,
com o uso de um evaporador, um pequeno número de átomos é incorporado à superficie, seguindo a orientação cristalográfica da superficie do material.
Todo o processo é acompanhado com cuidado, medindo-se a estrutura eletrônica e o arranjo atômico. Os pesquisadores acompanham o estado da superficie da amostra e verificam se a superficie fonnada corresponde mesmo à desejada. Só depois é que começa a experiência propriamente dita, quando a câmara que contém o material é acoplada a uma das linhas de luz síncrotron do LNLS. Os pesquisadores usam principalmente as linhas SGM (Espectroscopia de Raios X moles), SXS (Espectroscopia de Raios X Moles II) e TGM (Espectroscopia de Ultravioleta).
A estação de ciências da superficie facilita muito o processo Ela tem mecanismos destinados ao preparo de amostras e para o manuseio dos materiais durante as experiências, como trasladares, dispositivos que mudam o ângulo da amostra com relação ao feixe de raios vindo da fonte de luz síncrotron Mesmo assim, a equipe da Unicamp já está pensando em modificações e atualizações tecnológicas. "Pesquisamos numa área muito competitiva da Física", diz o professor Kleiman. "Não queremos ficar defasados com relação aos nossos concorrentes". No projeto temático coordenado por Landers, participam, ainda, outros fisicos do Instituto de Física da Unicamp, o fisico Pedro Nascente, do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos , o tisico pesquisador de Pós- Doutorado Jonder Morais, e o doutorando Abner de Siervo, além de outros estudantes e técnicos do Instituto. Juntos, eles tentam decifrar os enigmas presentes na "pele" dos materiais.
Perfil : Richard Landers, 53 anos, éfísico formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Fez doutora mento sobre mecan is mos de crescimento de cristais (Univ ers id ade de Marse lha e nicamp) e pósdoutorado no Labm atório Mau rial Lefort (CN RS), Nancy, França. Nos ul ti os 3 anos te se dedicado ao estudo dos fenômenos que ocorrem em superfícies sóli das e ao desenvolvimento de inst rumentação científica relacionada com aná lise pores ectroscopia de elétrons. Éprofessor do Instituto de F1sica Gleb Wataghin, da Unicamp.
O Brasil pode aumentar em 3% a produção nacional de energia elétrica , sem grandes obras de engenharia ou problemas para o meio ambiente, como o alagamento dos vales de rios. Parece pouco? Esses 3% correspondem à produção média de uma usina de 2 mil megawatts, mais do que gera a usina de Porto Primavera, inaugurada em fevereiro no Rio Paraná . Ou ao consumo de 7,3 milhões de consumidores residenciais de classe média Pois saiba : esse aumento muito necessário de produção pode vir de uma simples mudança de conceito .
Trabalhando num projeto temático financiado pela FAPESP, uma equipe coordenada pelo professor Secundino Soare s Filho , da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp ), desenvolveu um programa de computador que promete esse aumento de produção e ainda mais Ainda não se fez , por exemplo , um cálculo preciso das economias resultantes da aplicação do projeto. Mas elas podem ser significativas.
A base do projeto está numa mudança de conceito. O Brasil tira 95% da energia elétrica que consome das usinas hidrelétricas. Mas a quantidade de água existente nas represas que alimentam essas usinas segue o curso da natureza , aumentando ou diminuindo devolume conforme as chuvas e o fluxo dos afluentes dos grandes rios. O que a equipe do professor Soares sugere é a coordenação dessas

águas. As represas perto das cabeceiras dos rios controlariam o fluxo da água de maneira que as situadas mais adiante , perto da foz , ficariam sempre cheias . Com reservatórios mais cheios, essas usinas poderiam produzir mais energia. Ou seja, trata-se de uma questão de gerenciamento.
Há ainda um fato r estratégico. "O gerenciamento mais cuidadoso dos reservatórios contribuiria para reduzir o risco de racionamento de energia , previsto para os próximos anos , se os investimentos no setor continuarem a ser postergados" , lembra o pesquisador. Para atender a um crescimento médio no consumo de 5% ao ano , serão necessários investimentos deUS$ 8 bilhões por ano , até 2007. A proposta da equipe da Unicamp levaria a um aumento de produção equivalente a investimentos deUS$ 3,6 bilhões em novas usinas e linhas de transmissão, reduzindo a necessidade de novas obras
A tecnologia nesse campo tem, quase que obrigatoriamente, de ser desenvolvida no Brasil. "Não é uma área em que se possa basear exclusivamente em tecnologia externa" , afirma o professor Soares. O país, dependente em 95% da energia hidrelétrica, é um caso raro no mundo. Em quase todos os lugares, a eletricidade vem principa lmente de usinas termelétricas, funcionando a petróleo, gás ou carvão e, em alguns casos, como na França,
de usinas atômicas Numa usina termelétrica, é relativamente fácil relacionar o combustível e a geração de energia. Calcula-se quanto a usina vai consumir, encomenda-se o combustível necessário e o problema está re solvido.
Não é o que acontece com a energia hidrelétrica. O volume de águaquechega à usina varia bastante ao longo do ano e pode oscilar muito , inclusive de um ano para outro Isso faz com que os responsáveis pelas usinas sejam extremamente cautelosos Se a usina gastar toda a água que tem agora para produziromáximodeenergia , podeviruma sec a daqui a pouco e a represa não terá água para atender ao consumo. " Se , por outro lado ", comenta o pesquisador, "se guardar a água e vier uma cheia , a energia hidráulica que poderia ter sido usada para gerar eletricidade será desperdiçada."
Atualmente , o planejamento do uso da água é feito a longo, médio e curto prazos pela Centrais Elétricas Brasileiras S. A. - Eletrobrás , a holding do governo federal que cuida do setor. AEletrobrás controla as empresas federais de geração de energia , como a Fumas Centrais Elétricas , a Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco (CHESF) e a Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte). Além disso, tem participações acionárias nas empresas estaduais de geração de energia elétrica, como a CESP, em São Paulo, e a Copel , no Paraná.
O planejamento de longo prazo traçado pela Eletrobrás tem caráter estratégico e trabalha com estimativas de produção para os cinco anos seguintes. Aanálise de médio prazo, com uma abordagem tática, enfoca o comportamento do sistema cinco semanas à frente. Já o estudo de curto prazo, essencialmente operacional, estabelece o modo de operação das usinas na semana ou mesmo no dia seguinte "O Brasil não está atrasado nessa área, mas nem sempre as questões técnicas prevalecem", observa o pesquisador da Unicamp. As usinas brasileiras , lembra ele, ftmcionam de modo homogêneo, de acordo com a regra de operação "paralela", como um único e imenso pulmão. Todas se esvaziam juntas na época de menos chuva, geralmente entre maio e outubro, no Sudeste, e se enchem juntas na época da cheia, entre novembro e abril.
A idéia do professor Soares é romper com essa uniformidade no tratamento das usinas e criar novos métodos para otimizar o aproveitamento da água. Essa é a base do projeto temático, Planejamento da Operação de Sistemas de Energia Etétrica Predominantemente Hidrelétricos, que ele coordenou. Esse trabalho, de quatro anos, contou com um apoio financeiro da FAPESP no

O programa desenvolvido pelos pesqu isadores perm ite selecionar usinas cu jas opera ções se deseja planejar Como exemplo , foram escolhidas três grandes usinas do Sistema Sudeste : Fumas e Marimbando (de Fumas Centrais Elétricas ) e Água Vermelha (CESP) , que se encontram uma após a outra , no Rio Grande (em destaque). O conjunto gerador de energia func iona como se existissem apenas as três. Para um horizonte de 60 meses, são tomadas cinco repetições de uma seqüência de vazões de doze meses (a média do histórico de vazões para as três usinas ). Veja os resultados dos exemplos nos gráficos abaixo
O gráfico acima mostra o comportamento dos reservatórios das três usinas para atender à demanda de energia elétrica Água Vermelha e Marimbando permanecem cheias durante os 60 meses , enquanto Fumas diminui seu nível de armazenamento em alguns períodos e seu reservatório encontra·se cheio no final de cada ano. Embora a operação tenha utilizado água de seu reservatório , o volume se recuperou antes do início do período de seca do ano seguinte.
Trajetória de Volumes- Otimizador 110 •oo !10 !!: !lO 70 .s !lO j so 40 30 - fuma s 20 - Marimbando •o - A V ermelha o o , 2 60
Trajetória de Volumes- Operação em Paralelo 110,.----------------------, 100
Os reservatórios são esvaziados em uma proporção única de seu volume útil: se uma das usinas deles perde 10% de seu volume útil, as demais também devem perder 10% Como o volume é medido em porcentagem , reservatórios maiores perdem volumes maiores de seus armazenamentos. O gráfico ao lado apresenta somente uma curva porque , operando em paralelo , os reservatórios de Fumas, Marimbando e o de 0 Água Verme lha obedecem ao mesmo ritmo o 12 " 36 •a so de esvaziamento e de enchimento.
A operação em paralelo consome mais água dos reservatórios do que a operação otimizada , para uma mesma demanda No final dos 60 meses, funcionando em paralelo, os reservatórios não conseguem recuperar-se inteiramente e acabam com menos de 55 % do volume útil disponível. A operação otimizada gera o mesmo valor de energia e deixa os reservatórios cheios no final , em condições mais favoráveis para atender a futuras demandas de energia
valor de R$ 250 mil para cada um dos dois períodos em que foi dividido , empregados sobretudo na aquisição de estações de trabalho , microcomputadores e outros equipamentos de informática. O laboratório com os equipamentos encontra-se na Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp , mas a pesquisa também teve a colaboração de pesquisadores da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp e da Escola de Engenharia e do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos.
Em conjunto , os especialistas criaram , testaram e aprimoraram o chamado Sistema de Apoio ao Planejamento Estratégico (Sape), um programa que permite planejar a operação das usinas a longo , médio e curto prazos. Ele está em uso já há dois anos, pelos pesquisadores e por engenheiros de empresas do setor elétrico que passam por cursos de aperfeiçoamento no laboratório da Unicamp. O Sape trata cada hidrelétrica individualmente, de acordo com uma regra de operação não paralela , e não de modo homogêneo , como nos programas adotados pela Eletrobrás Assim , em épocas de seca ou de cheia, as usinas em cascata, ou situadas no mesmo rio , não enchem e esvaziam seus reservatórios ao mesmo tempo, mas da melhor maneira possível para o conjunto.
As implicações são mais di retas para as chamadas usinas de montante, situadas mais próximas das nascentes dos rios, como Em-
Secundino Soares Filho, que criou um novo borcação, no Rio Para naíb a, na di visa dos Estados de Minas Ge rais e de Go iás, ou Furnas , no Rio Grande, perto da fro nte ira en-
Apesqu isa desenvolvida na Unicamp já ofereceu apl icações imediatas Oengenheiro elétrico Clóvi s Tadeu Salmazo , que fez um curso de especi alização no laboratóriodo professor Soares ,aplicou os conhecimentos adquiridos no projeto na otimização da ope ração das turb inas das usinas da Copel , a empresa estadual de geração de eletricidade do Paraná , onde trabalha Como parte da sua tese de mestrado , que concluiu em 1996 , Salmazo ana li sou um dia de operação do sistema hidrelétrico paranaense , formado por três usinas hidrelétricas e 631 inhas de transmissão Em seguida, refez a prog rama ção do funcionamento das turbinas , pro curando reduzi r as perdas de produção e de transm issão de energia . Comparou os resultados obt ido s na prát ica , de acordo com as metodologias convenc ionais da empresa , e verificou que seri a poss ível obter um ganho de 2,5%no rendimentodas turb inas
"Na prática , as expectativas de ganho de rendimento das turbinas se confirmaram ", diz Salmazo Omodelo , em uso há dois anos na Copel, teve outra vantagem , a redução dos gastos com manutenção das máquinas , segundo ele. Apesquisa de otimização das turbinas , prem iada em 1995 no 13' SeminárioNacional de Produção eTransmissão de Energia Elétrica , realizado em Camboriú , no Estado de Santa Catarina, provoca um comentário do professor Soares . "As perdas no sistemas hidrelétricos são muito maiores na produção do que na transmissão da energia , mas osetor elétrico ainda não se deu conta disso", afirma .

tr e São Paul o e Min as. No projeto, se us reserva tórios trabalh am mais do qu e os das u sin as de j usante, mais próximas da foz, para reg ul ar a vazão do rio. Contin uam a prod uzir energ ia, mas ao longo do ano permanece m com o rese rva tório me nos cheio do que as outras. Como contro lam a vazão da ág ua, mantêm che ios os reservatórios das u sinas de jusa nte, que p odem ass im produzir energia elétrica com mais eficiência . Vale lembrar: quanto mais cheio oreserva tório, maior a energia produzida para um mesmo volume de água que passa pelas turbinas , pois , quanto maior a queda da usina, maior a pressão da coluna de água sobre as turbinas.
A equipe da Unicamp sabe que não será fácil transformar a idéia em realidade. "A melhor solução para o conjunto nem sempre é melhor para as partes, pois pode favorecer uma usina e prejudicar outra", diz ele A Fumas Centrais Elétricas, por exemplo, que possui mais usinas de montante, de acordo com as regras da Unicamp produziria menos, para beneficiar as usinas da Cesp, predominantemente de jusante. Mas, como diz o professor Soares, "com o modelo em vigor, as usinas de montante, as de jusante e o próprio país estão perdendo". Ele acredita que as novas idéias possam ser mais bem recebidas conforme for avançando o processo de privatização das empresas de geração de energia elétrica , já em anda mento.
Um dos marcos das transformações institucio nais do se tor elét ri co ocorreu em março, d uas semanas ant es do apagão que deixo u às esc ur as mais da meta de do país, qu and o a Eletro brás transferi u a coo rd enação nacio na l do seto r para uma em presa
Uma das telas iniciais do Sape mostra um esquema com o conjunto das usinas hidrelétricas brasileiras em seus respectivos rios. Fica claro, assim, que no Rio Grande, por exemplo, há dez usinas seguidas Cada uma interfere uma no comportamento da outra. Cada usina possui uma base de dados, que incluem suas características físicas, o potencial de produção de energia e o histórico das vazões mensais desde 1930. É possível selecionar uma , duas ou até mesmo todas as usinas mostradas no esquema inicial e a seguir solicitar ao programa a forma ótima de operação de cada uma delas. Essas informações abastecem o módulo de otimização do Sape , que elabora gráficos mostrando a melhor forma de operar as usinas, a quantidade de energia a ser gerada e a eventual necessidade de participação das usinas termelétricas, mês a mês Em seguida, o módulo de simulação indica as conseqüências do planejamento das usinas, segundo diversas formas de visualização de resultados , como o volume do reservatório , a energia gerada e a vazão tanto da usina como do rio. "Testamos alguns modelos de simulação e conseguimos resultados mais favoráveis do que os apresentados pelos modelos da Eletrobrás ", diz Marcelo Augusto Cicogna , engenheiro civil e um dos autores do programa. Sua pesquisa de doutoramento consiste na elaboração de uma nova versão de um simulador, que ele pretende concluir em dois anos , capaz de comparar os diversos modelos propostos para osistema brasileiro. Por enquanto , os programas da Eletrobrás e os da Unicamp não conversam entre si. "Aí , sim , vamos poder confirmar o quanto a nossa política de operação é a melhor", diz Cicogna.
privada, a Operadora Nacional do Sistema (ONS), formada pelas companhias estatais e particulares do setor elétrico. A essa coordenação nacional, que estabelece as diretrizes sobre as formas de operação das usinas, com ênfase na eficiência do aproveitamento dos recursos hídricos e energéticos, caberia também compartilhar osganhos gerados com a nova regra da Unicamp , equilibrando os ganhos e as perdas das usinas de modo a compensar o prejuízo de operadoras isoladas que proporcionaram o beneficio co letivo.
Perfil:
O professor Secundino Soares Filho , 49 anos, é engenheiro mecânico, graduado pelo Instituto Tecnológ ico da Aero náu tica em 1972. Fez mestrado e doutora me()J o na área de Engenharia Elétrica na Universidade Esta dual de Campinas (Unicam p) e P,ós -doutoramen to em sis emas de potência n Universí ade McG ill , no Ca nadá, em 1989 e 1990 É professor titula r e chefe do depa rt amento de En ge nh aria de Sistemas da Faculdade de Enge nh aria Elé tr ica e de Compu tação da Un ica mp
Grande parte das pessoas associa os ftmgos imediatamente ao mofo de paredes úmidas ou a alimentos estragados, como o pão embolorado. Poucos se dão conta da importância dos fungos para o equilíbrio dos ecossistemas ou mesmo como indicadores das alterações produzidas pelo ser humano no meio ambiente.
De acordo com a bióloga Iracema Helena Schoenlein-Crusius, pesquisadora da Seção de Micologia e Liquenologia do Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo , as escolhas de locais para conservação da biodiversidade jamais levam em conta as comunidades microbianas: "Isso pode fazer com que importantes espécies de fungos sejam perdidas, com conseqüências desconhecidas para a manutenção da vida nos ambientes terrestre e aquático" . O projeto temático Estudo de Fungos em Ambientes Terrestre e Aquático : Uma Contribuição para Avaliação e Conservação da Biodiversidade, coordenado pela bióloga , é o tipo de trabalho que preenche parte dessa lacuna
O projeto está identificando fungos de dois ecossistemas : a Represa de Guarapiranga , na Zona Sul de São Paulo , e o Rio Manjolinho , em São Carlos, a 300 km da Capital. O estudo da represa está concentrado no Instituto de Botânica , onde Schoenlein-Crusius conta com a assistência do mestrando Christian Wellbaum (Unesp) e da estagiária Marilene Domingues O trabalho no Rio Monjalinho é desenvolvido por MimaJanuário Leal Godinho, professora da Universidade Federal de São Carlos , com a colaboração da mestranda Elaine Malosso. O projeto estuda os fungos no ambiente terrestre (solo e folhedo)

e no ambiente aquático (folhedo submerso), comparando a diversidade das micotas (populações de fungos) das duas regiões, que sofreram interferência humana diversa.
Schoenlein-Crusius cita a cientista inglesa Marta Christensen, que relacionou cerca de vinte fimções principais exercidas pelos fungos na natureza,. Entre elas estão as de decompor a matéria orgânica, mineralizar e imobilizar nutrientes , reservando-os para o ambiente. "Os fungos são importantes para os vegetais, pois transportam nutrientes, promovem o intercâmbio de íons e alteram o n'lovimento de água e elementos químicos através das partes aéreas das plantas. Nas raízes das plantas, podem formar associações simbióticas, as micorrizas, dinamizando o fluxo
de nutrientes. Também podem estimular a germinação de sementes, por meio da ruptura do tegument?, (camada protetora de algumas sementes).
Mas esses organismos exercem importantes funções também com relação ao solo. Ali , os fungos podem acumular materiais tóxicos e atuar sobre a pem1eabilidade- uma vez que retêm a umidade- e agregação da terra. E mais. Sua participação na cadeia alimentar pode ser direta, pois são consumidos por organismos como os ácaros , e indireta , já que elevam a "palatabilidade" dos substratos para seres que se alimentam de detritos , principalmente nos ecossistemas aquáticos. A importância dos fungos para os animais também se revela no seu papel como predadores (fun-
gos nematófago s e insectícolas) e mutualistas (fungos cultivados em de fonnigas ). Os fun gos apresentam interaçõe s complexas entre si, acrescenta Schoenlein-Crusiu s: "Os mecanismos de competição entre as espécies envolvem a produção de antibióticos, ocupação de es paço por meio do crescimento de hifas (filame nto s) e sí nte se de enzi mas específicas para metabolização de diversos sub stra tos" .
No âmbito do projeto, foram feitas coletas bimestrais de amostras de solo, fo lh edo e água dos ambientes entre agosto de 1997 e agosto de 19 98. No caso da represa, isso foi feito em seis pontos , que co in cidem com pontos de coleta de amostras da Sabesp. Atualmente o projeto encontra-se na fase de identificação dos fungos presentes nas amostras . Essa fase deve tenninar em julho/agosto deste ano. Depois , será preciso correlacionar os dados de fungo s com as variáveis levantadas. Até abril , foram identificadas 45 espécies de fungos presentes no solo e 40 encontrada s no folhedo submerso da região da represa Nos riosMonjolinhoeJacaré-Guaçú foram identificadas 20 espécies de fungos aquáticos. Uma surpresa dessa fase do projeto foi a existência de diversas linhagens do gênero Penicillium no ambiente terrestre da represa. "Talvez essa constatação recomende um estudo mais específico sobre as potencialidades desses fungos para , por exemp lo, a produção de algum antibiótico ou depuração de efluentes. "
O gênero Penicillium é extremamente comum no solo e abrange espécies cosmopolitas (aq uel as que estão presentes em muitos ecoss istema s) . Entre as utilizações das es pécies de sse gênero na indústria, destacam- se a produç ão de antibi ót ico s e de queijos (ca men-
bert , brie , gorgonzola e outros). "Para compreender a elevada incidência deP enici llium no ambiente terrestre e aquático da Represa de Guarapiranga estamos confrontando a ocorrência das suas espécies com as variáveis ambientais que foram determinadas no projeto Com isso poderemos evidenciar melhor que condições favorecem a presença desse fungo no ambiente ", explica Schoenlein-Crusius. Isso significa que os pesquisadores em busca de diversas espécies de Penicilliumquem sabe com potencialidades interessantes, saberão como e onde encontrá-las com maior facilidade.
É sabido que há fungos comuns a praticamente todos os sistemas ; outros são raros e a lguns são típicos de um determinado sistema. Todavia, a diversidade de fungos no solo, na água e no substrato vegetal da represa foi mais uma surpresa para os pesquisadores : " Das 45 espécies de fungos identificados no so lo das marge ns da represa, 32 espécies foram iso ladas pela primeira vez na região do manancial "
Um subproduto do projeto está se ndo a quantificação de ergosterol - um esteróide produ zido pelo s fungo s - contido no folhedo submerso dos doi s ambientes aquáticos. "Dev ido às dificuldades técnicas para separar o fungo do substrato onde ele se encontra, pode-se quantificar a bioma ssa fúngica através da determinaç ão de molécul as es pecíficas produ zida s por esses organismos e a sua subseqüente relação com a ma ssa mice1ia! (fila mentos de fungos) seca ." Essa quantificação do ergostero l em biomassa de fungos filamentosos é pion eira no Brasil. Até o momento , a sub stância só havia si do quantificada na formação de assoc iação micorrízica (fungos e raízes) em eucalipto. "Iiá fa lta de dados no paí s para se conhecer, com
maior amplitude, a distribuição geográfica, as interações ecológicas e a diversidade dos fungos decompositores de substratos vegetais , tanto nos ambientes aquáticos quanto terrestres Essas informações são importantes para avaliar a capacidade desses organismos para o processamento da matéria orgânica e na dinâmica trófica (nutricional) do ecossistema."
Um dos estudos que derivam desse projeto é a avaliação específica so bre a capacidade de assimilação de certas substâncias pelo s fungos A represa é submetida à sulfatação toda vez que a Sabesp constata que o teor de clorofi la e número de algas excedeu o limite toler áve l. São lançado s sulfato de cobre e peróxido de hidrogênio com a preocupação de evitar que as algas produzam toxinas. "S upomos que esse tratamento interfere na diversidade dos fungos, porque é um fato r de seleção. Es tá sendo feito um estudo com enfoque mai s aplicado: alguns fungos estão se ndo testados quanto à tolerância ao cobre e ao peróxido e também quanto à sua capacidade de absorve r essas subst ância s. Se os fungos sobreviv erem a uma quantidade razoável da s substâncias e conseguirem retê-las, é recomendável um estudo aprofundado so br e a viabilidade de utili zação de ssa biomassa fúngica num sistema de filtro biológico , para tratamento de ág ua ou de efluentes industriais."
Perfil:
A professora Iracema Helena Schoenlein-Crusius , 37 anos, é bióloga , com pós-graduação (mestrado edoutorado) em Biologia Vegetal pela Unesp de Rio Claro.Aiém de pesquisadora científica da Seção de Micologia e Liquenologia do Instituto de Botâni ca desde 1987, é professora credenciada do curso de pós-graduação na área de Microbiologia Aplicada da Unesp de Rio Claro.
A Represa do Guarapiranga , responsável pelo abastecimento de água de 3 milhões de pessoas na Grande São Paulo, tem sofrido um processo de degradação há anos , em função de loteamentos clandest inos , desmatamento e lançamento de esgotos. "Alguns trechos das margens eas pequenas ilhas estão sofrendo rápido assoreamento, possivelmente em resposta às oscilações do volume de água contido no manancial eaos efeitos antrópicos sofridos pelo solo" , diz a bióloga Iracema Schoenlein-Crusius.
Medidas têm sido tomadas para reverter asituação ,como éocaso do recém-criado Parque Ecológico do Guarapiranga, com 260 hectares de área , às margens da represa eincorporando parte das várzeas dos rios Embu-Mirim e Piraporinha. Outras medidas, entretanto, segundo ela, devem ser adotadas com urgência para reflorestar e recuperar o solo da represa- inclusive das ilhas- erestabelecer oequilí-

brio ecológico do ambiente. "O perfil da fertilidade do solo, associado àbaixa umidade eàs características climáticas da região, podem levar àsalinização, erosão e, conseqüentemente, aeutrofização (acúmulo de fósforo enitrogénio) do manancial. "
Schoenlein-Crusius lembra que, num estudo preliminar realizado no Instituto de Botânica, descobriu-se que osolo do entorno da represa estava desmoronando.lsso foi constatado na Ilha dos Eucaliptos, onde os próprios eucaliptos estavam caindo na água, eutrofizando a represa egerando riscos para as pessoas que utilizam barcos no local. As constatações do projeto temático indicam a necessidade de um estudo urgente das propriedades físicas do solo das margens e das ilhas da represa por uma equipe de pedologistas (especialistas em solo) , para a recuperação ou melhoria das condições do terreno e, com isso, garantir a qualidade da água para abastecimento.
Uma das doenças mais traiçoeiras do sistema nervoso central é a neurocisticercose Difícil de ser diagnosticada, só é descoberta por um teste importado , muito caro , ou por métodos como a tomografia e a punção de líquido cefalorraquiano , complexos e de difícil acesso a pessoas de baixa renda E são justamente essas pessoas as mais atingidas pela doença. Causada pelas larvas da Taenia solium, a solitária, um parasita que vive no organismo humano, a neurocisticercose tem como intermediário o porco criado em más condições de higiene. No Brasil, estima-se que cerca de 140 mil pessoas sofrem dessa doença , que pode causar lesões cerebrais graves e a morte. É possível que o número de vítimas seja até maior. Como o controle é precário e os sintomas demoram para aparecer, muitas pessoas podem ter neurocisticercose sem saber.
Quadro negro? Nem tanto. Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) acaba de desenvolver um teste simples, prático, barato e eficiente para descobrir os portadores da doença. E feito com uma simples amostra de sangue da pessoa e o resultado está pronto em algumas horas. A pesquisa, Purificação e Caracteri zação de Antigenos de Cisticercos para o Desenvolvimento de Reagentes Diagnósticos para Cisticercose Humana, é o resultado de uma parceria da equipe com a FAPESP e com o laboratório francês Biolab-Mérieux. Após um ano de trabalho, o grupo da USP desenvolveu o teste, do tipo ELISA (EnzymeLinked Immuno Sorbent Assay). O teste está em fase de aperfeiçoamento. Dentro de um ano , deverá estar em fase de produto comercial.
" Nosso objetivo era desenvolver um teste que pudesse ser aplicado no soro, a parte do sangue onde estão os anticorpos, como uma alternativa à coleta de líquido cefalorraquiano , retirado por punção lombar" , explica a pesquisadora Adelaide José Vaz, professora de Imunologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e coordenadora do projeto. Segundo a professora , a grande vantagem do teste é que ele pode ser feito na clínica geral, na rede pública de atendimento , antes de o paciente ser encaminhado a um neurologista. Com isso, o diagnóstico será mais precoce e pode-se conhecer a real situação da doença no país.
A preocupação com a cisticercose vem acompanhando a pesquisadora desde 1987, quando ela trabalhava no Instituto Adolfo

Lutz, em São Paulo. Nos últimos 12 anos,juntamente com outros pesquisadores do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicinada USP, a professora Adelaide aprofundou-se no estudo da neurocisticercose, a forma mais grave da cisticercose , doença que se desenvolve em pessoas contaminadas com os ovos da Taenia solium, o parasita popularmente conhecido como solitária. Quando o sistema nervoso central é afetado, o paciente pode apresentar sintomas graves, como a meningite, e pode desenvolver epilepsia, o sintoma mais freqüente , distúrbios mentais e psíquicos, cefaléia e hipertensão intracraniana .
A doença está diretamente ligada às condições de higiene do ambiente . Geralmente, sua incidência é alta em áreas onde não há água tratada e rede de esgoto e atinge pessoas que não observam cuidados com a higiene, como lavar as mãos antes de manipular alimentos, por exemplo Isso significa que educação sanitária e investimentos em saneamento básico também são fatores muito importantes para o controle da doença
"O principal veto r é o próprio homem, que desenvolve a Taenia solium no intestino após ingerir carne de porco contaminada" , explica a pesquisadora. Até esse estágio, o problema pode ser tratado e eliminado sem problemas para o paciente Mas, uma vez instalada, a Taenia é uma fonte imensa de perigo. A cada dia, o hóspede indesejável põe entre30mil a 50 mil ovos microscópicos, que, expelidos com as fezes, invadem o meio ambiente. Se ingeridos por meio de água ou alimentos contaminados , os ovos vão transfor-
mar-se em cisticerco, ou larva, e provocar a doença. Atingindo o cérebro, o que era no primeiro momento um simples parasita provoca a neurocisticercose , completando o ciclo da doença (Veja no quadro o ciclo de contamina ção).
No meio do caminho, como hospedeiro intermediário, geralmente está o porco . Isso porque o animal, que também desenvolve cisticercose , é criado com freqüência em pequenas propriedades sem os cuidados de higiene necessários. Ele costuma ser alimentado com uma mistura de restos de comida , que pode facilmente conter fezes humanas. A carne de porcos criados nessas condições chega clandestinamente ao consumidor, sem passar pela fiscalização sanitária. Se estiver infectada , leva o parasita diretamente à mesa das pessoas Graças à parceria com a FAPESP e o Biolab-Mérieux , que financiaram meio a meio o projeto , num valor de cerca de R$ 80 mil , o novo ELISA para cisticerco já foi testado , com sucesso, em pacientes tratados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. "Até agora, só dispomos de um teste importado e caro , o Imunoblot , nem sempre disponível" , comenta a professora Adelaide.
Inicialmente, para conhecer melhor a neurocisticercose, os pesquisadores analisaram a resposta imunológica humoral, ou a produção de anticorpos, de 59 pacientes, em diferentes fases de evolução da doença, por meio de amostras do líquido cefalorraquiano ,
do plasma e da saliva "A partir de 1990 , decidimos então estudar o soro , separando-o por um processo de centrifugação ", explicou a coordenadora do projeto . Mas , então , na presença do parasita original , a Taenia solium , surgiu a primeira dificuldade : como no soro também havia anticorpos para outros tipos de parasitoses , as reaçõe s eram sempre cru zadas e, portanto , inespecíficas Esses primeiros resultados evidenciaram a necessidade de que os antígenos de cisticerco fossem purificados , para tornar possível o desenvolvimento dos reagentes diagnósticos.
Havia mais um complicador: para obter o reagente purificado , seria necessário um número bem maior de cisticercos . Até então , eles eram retirados diretamente da carne de porco contaminada , um processo lento , de pouco rendimento e de muito risco. " Reso lvemos o problema cultivando um outro parasita , a Ta enia crassiceps , simi lar à T solium , com a qua l tem antígenos comuns" , lembra a professoraAdelaide. Esses cisticercos, inoculados em camundongos , mul tip licam-se rapidamente no peritônio do animal. Em 90 dias , obtémse uma quantidade 100 vezes maior que aresultante do trabalho com a carne de porco.
O reagente purifica do é obtido por métodos im unoq uímicos. O parasita , em extrato bruto, passa por dois processos : a cro matografia de afinidade co m lectinas e a eletroforese em ge l de acril amida. No fim , obtê mse frações purificadas e específicas do cistice rco. Com elas, fica aberto o caminho para o teste imunoenzimático, um kit compos to po r reagentes , so luções e pelo ant ígeno específico para cis ticercose humana.
Para que o teste possa fu ncionar sat isfatoriamente em condições de ambul atório, ainda é preciso ape rfe içoa r a lgun s deta lh es, co mo as di lui ções ideais e o tem po de inc ubação Comp letado esse tra balh o, o Bio labMé ri eux pre tend e co meçar a prod uzir o kit em Ciclo biológico da teníase- cisticercose
Acisticercose humana é um a das in fecções do sistema nervoso central mais graves e freqüen tes Sua incidência relaciona-se principalmente com fatores sócio-econômico-culturais. Constitui um sério problema de saúde pública em regiões de condições sanitárias deficientes e em áreas desenvolvidas que recebem imigrantes de regiões onde a infecção é endémica.
No Brasil , uma análise dos dados publicados de 1915a 1995sobreadoençaconsideracomoárea endémica de neurocisticercose os Estados de São Paulo , Rio de Janeiro , Paraná , Minas Gerais e Espírito Santo e oDistrito Federal. Omesmo estudo classifica como áreas de casos ocasionais os Estados da Bahia, Maranhão, Pernambuco , Ceará ,Paraíba e Rio Grande do Norte.
esca la comercial. Isso deverá ocorrer ainda dentro de um ano.
Uma das conseq üências da aplicação do novo teste será conhecer melhor a situação real da doe nça. De acordo com dados recolhidos pela eq ui pe da USP, existe a possibi lidade de haver um doente para ca da 100 mil habitantes no Brasi l, com ín dice de letalidade bastante alto: entre 15% e 25% das pessoas que co ntraem a doença morre m em co nseqüê ncia dela.
A neurocisticercose tem uma evo lução crônica. Os sinto mas são brandos no começo da infecção e as seqüe las podem aparecer meses ou mesmo anos depois do início da doe nça Como não há sinto mas específicos, o tratame nto é feito de acordo com a doença desenvo lvida - cort icóides, no caso de mening ite, antico nvul sivos, se ocorre r epi lepsia , ant iinflamatórios e ana lgésicos Uma vez loca lizado o parasita, faz-se um aco mpan hame nto cons tante da doe nça até que ele se degenere , o que po de ocorrer só de pois de alguns
Os fatores que contribuem para a natureza endémica da doença são o consumo de carne de porco infectada, controle precário de fezes de indivíduos portadores do parasita e presença de hortas e pomares próximos a confinamentos de porcos ,especialmente quando irrigados com água contaminada ou fertilizados com fezes humanas.
Também oferecem risco de contaminação fontes de água próximas a pocilgas e sanitários , maus hábitos de higiene ambiental e pessoal, inspeção inadequada ou ausente de carnes e açougues e educação sanitária deficiente. Embora os suínos estejam associados freqüentemente ao problema ,é ohomem o único hospedeiro da forma adulta do parasita e o responsável pela manutenção do ciclo parasitário ,eliminando os ovos da Taenía nas fezes.
anos A cirurgia para remoção do parasita é uma alternativa raramente utilizada, devido aos riscos de uma intervenção desse tipo
O projeto de inovação tecnológica está sendo desenvolvido no Laboratório de Análises Clí nicas e Toxico lógicas da FCF/USP. Con ta com a participação dos pesquisadores Mauro Pera lta, professor tit ul ar de Microbiologia do Inst ituto de Microb iologia da UFRJ ; José Livramento e LuizMachado, professores do Departa mento de Neurologia da Fac uld ade de Medicina da USP ; Walter Ferreira , professor do In stituto de Me dicina Tropica l e diretor-cie ntífico do laboratório Biolab-Mé rie ux; da aluna pós -graduanda Alessandra Pard in i; e dos alunos em iniciação científica Thaís Barea e Wesley Correa.
Perfil :
Apesqu isadora Ade laid eJosé Vaz , de 41 anos , é professo rade Imunologiada Fac uld adedeCiências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, pelaqu al se formou Émestra e doutora em Ciênci as, na área de Imunologia , pe lo In stitu to de Ciências Biomédicas da USP Dura nt e sete anos , foi pes quisadora científi ca do In stituto Ad olfo Lutz. Des de essa época, estuda a cisti cercose hu mana

Causada pelas larva s da Taenia solium , a solit ária , um parasita que vi ve noorgan ism o humano , a neuroci stircercose tem como intermediárioo porco criado em más cond içõ es de hi gi en e
ANTROPOLOGIA

Já se passaram quase cinco séculos. Mas o Brasil ainda começa a aprender a lidar com a sua variedade étnica e cultural. Especialmente no caso dos povos que já estavam aqui antes de 1500. Despojados das suas terras e massacrados no tempo da Colônia e também da República , os índios somente foram reconhecidos como cidadãos brasileiros plenamente capazes pela Constituição de 1988. A fronteira entre a promulgação das leis e a transformação da realidade, no entanto, continua enorme. Entre os desafios a ser enfrentados , está a educação indígena.
"Essa proposta significa construir junto com os índios uma forma de educação que trabalhe tanto com a visão de mundo dos povos indígenas quanto com a realidade ao seu redor. Realidade agora ampliada pela globalização " É o que aponta a antropóloga Aracy Lopes da Silva , coordenadora do MariGrupo de Educação Indígena do Departamento deAntropologia da USP. "Isso significa um projeto de educação no qual o índio seja sujeito ativo, elaborando e transmitindo oconhecimento junto à sua comunidade", afirma a antropóloga.
O Mari ("conhecer", na Iíngua Kayapó) é uma das mais atuantes entidades nacionais preocupadas com a educação dos índios. Criado em 1988, o grupo foi formado por antropólogos e estudantes que abraçaram a causa indígena no final dos anos 70. Formado atualmente por 25 pesquisadores, além de colaboradores ligados a diferentes instituições, o Mari desenvolve projetos de estudos e assessorias. Com anos de experiência acumulada
em trabalhos de campo, o grupo é também responsável por um ambicioso programa de pesquisa na área da educação indígena.
Trata-se do projeto temático Antropologia, História e Educação: a Qu estão IndígenaeaEscola.lniciadoem 1995,comoapoio da FAPESP, seu objetivo é discutir as possibilidades de uma educação para a diversidade, dentro do universo da história e da antropologia. "O projeto surgiu do desafio de transformar a experiência da educação indígena em objeto de reflexão acadêmica" , dizAracy Lopes da Silva , que é professora da pós-graduação em Antropologia da USPe do Departamento de Antropologia da Unicamp .
As linhas de pesquisa do projeto compreendem assuntos como a produção e a transmissão do conhecimento nas aldeias. "Essa é uma pesquisa que investiga fonnas próprias de aprendizado da criança indígena , como as brincadeiras e os jogos de socialização", diz Aracy.
Outro campo de estudo trata da relação simbólica que os índios têm com a natureza, assim como o uso que seus diferentes povos fazem do meio ambiente . "Esse caminho de pesquisa permite uma discussão mais ampla sobre o conhecimento humano, além da sua contribuição para a questão ambiental, como em projetos de manejo sustentável", aponta a antropóloga.
Também são temas de investigação a organização política dos índios e o ensino da história indígena. "Esse é um pedaço da histó-
ria do Brasil muito pouco conhecido", diz a coordenadora do Mari. Por falar na falta de infonnação sobre a cultura indígena , uma das pesquisas que integram o projeto aponta justamente para a permanência de uma imagem estereotipada dos índios, mesmo com o aumento do noticiário da mídia sobre o assunto , depois da EC0-92 . "Muitos dos livros didáticos para o ensino fundamental ainda reincidem nos mesmos problemas de sempre, como a ocultação da presença contemporânea do indígena na sociedade ou o estranhamento da possibilidade de que ele possa sair da ' idade da pedra ' " , afinna Aracy Lopes da Silva. " Há casos em que o estereótipo tem um valor positivo , como o índio guardião da floresta Mas isso também tem um lado ruim, cujas conseqüências costumamos ver nos jornais. Se um índio corta uma árvore , ele é condenado por isso , não importa quais eram as circunstâncias em que o fato ocorreu" , diz a antropóloga Mariana Kawall Leal Ferreira , coordenadora do Marie autora de uma pesquisa sobre o ensino de matemática entre tribos indígenas
Muitas das pesquisas do Mari são diretamente ligadas ao trabalho de campo. O
destinado ao ensino de matemática em

que também gera novos desdobramentos no projeto. "O pesquisadornão visita uma aldeia apenas para recolher informações , indo depois embora" , diz a antropóloga Mariana Kawall Leal Ferreira , que faz pós-doutoramento no Departamento de Antropologia da USP. "É comum as comunidades indígenas oferecerem uma troca. Se você está real izando uma pesquisa na aldeia , então também deve dar aulas para aquela comunidade", conta Mariana Kawall. "Como nem todos os pesquisadores têm experiência pedagógica, resolvemos realizar oficinas internas no Mari voltadas para situações como essa" , diz a antropóloga.
Outra atividade importante desenvolvida pelo Mari é a prestação de assessoria para órgãos governamentais e comunidades indígenas. Muitas vezes , o grupo é procurado por representantes de aldeias interessados na elaboração de projetos específicos , como financiamento para programas de uso sustentável do meio ambiente ou sobre problemas de saúde. O trabalho de assessoria também tem interesse acadêmico. " São experiências importantes para a reflexão da antropologia política", afirma Aracy Lopes da Silva.
O interesse cada vez maior pela educação indígena vem ao encontro de uma nova realidade experimentada pelos povos indígenas brasileiros. Realidade que é conseqüência da crescente mobilização dessas populações desde os anos 70. Depois do reconhecimento constitucional do índio como um cidadão pleno, em 1991, a sua escolari-
zação tomou-se uma atribuição do Ministério da Educação. Mais do que uma operação burocrática, a medida abriu espaço para o desenvolvimento, pela primeira vez no Brasil, de uma política educacional voltada para a diversidade étnica e cultural dos povos indígenas. Afinal , desde a colonização , a educação indígena quase sempre foi um domínio exclusivo de missões religiosas.
"A grande vantagem dessa medida é a inclusão da educação indígena no sistema nacional de educação , forçando o governo a criar novos parâmetros curriculares para ás escolas indígenas", afirma Aracy Lopes da Silva. "Uma educação a favor do índio, e não contra ele", diz a antropóloga . "Essa leigarante a liberdade de construção de escolas diferenciadas, que atendam às necessidades de cada uma das comunidades, com a participação dos próprios índios " , destaca Aracy "O problema é que muitos quadros das secretarias de educação não estão preparados para lidar com a especificidade dessa nova demanda" , aponta a pesquisadora Assim, essa é uma equação que somente poderá ser resolvida com a participação di reta dos povos indígenas na tomada de decisões . "O exercício desses direitos depende da presença dos índios no comando do processo", afirma a antropóloga.
Os números indicam um aumento nessa participação. Depois da Constituição de 1988, as organizações indígenas se multiplicaram pelo País " Uma das pesquisas do grupo identificou quase 300 organizações e associações indígenas que nasceram nos últimos dez anos, muitas das quais formadas por professores índios" , aponta a pesquisadora.
Um dos frutos das assessorias prestadas pelo Marijunto a comunidades indígenas , assim como do trabalho de grupos de outras universidades e ONGs, é a publicação pelo Ministério da Educação de livros elaborados por professores índios.
O Grupo de Educação Indígena da USP também organiza exposições sobre o universo dos índios em escolas da rede pública , além de distribuir textos de divulgação científica. Entre os livros gerados pelas pesquisas do Mari , está um dos trabalhos de maior fôlego já realizados nessa área no Brasil. Trata-se da obra A Temática Indígena na Escola - novos subsídios para professores de 1 o e r graus , organizada por Aracy Lopes da Silva e Luís Donisete Benzi Grupioni e editada em conjunto com a Unesco e o Ministério da Educação.
As populações indígenas pesquisadas pelo Ma ri abrangem regiões do norte ao sul do País São povos como os Kaingang (do Rio Grande do Sul), Guarani (litoral de São Paulo) , Terena (interior de São Paulo) , Maxakali (Minas Gerais), Xavante (Mato Grosso) , Xerente (Tocantins) , índios do Uaça (norte do Amapá), Timbira (Maranhão) e Tukano (Amazonas).
"Esse é um conjunto diversificado, tendo cada povo as suas especificidades" , aponta Aracy Lopes da Silva. Algumas comunidades enfrentam situações dificeis , como os índios Guarani , no litoral de São Paulo "Nessa região, existe uma situação de miséria e fome crônica", afirma Mariana Kawall Leal Ferreira. "Pretendemos criarnúcleos de pesquisa voltados para questões específicas dentro da temática comum da educação indígena, como a área de saúde e educação" , diz Mariana.
O projeto temático desenvolvido pelo Mari também deverá ter outros desdobramentos. "Um campo importante que ainda tem muito para ser feito é o da sistematização de informações sobre a situação das escolas indígenas" , afirma Aracy Lopes da Silva. "Temos ainda a intenção de estudar as relações entre arte, estética, cultura material e a educação indígena", diz a antropóloga Por fim , o grupo também tem como proposta realizar uma análise da extensa bibliografia voltada para a educação, lingüística e antropologia que vem sendo produzida no Brasil.
Perfil: Aracy Lopes da Silva é doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, onde leciona desde 1974, com pós-doutorado na Universidade de Harvard. Estados Unidos. Foi presidente da Comissão Pró-Índio de São Paulo eatualmente é coordenadora do Mari- Grupo de Educação Indígena da USP Éautora do livro Nomes,e Amigos: da Prática Xavante a uma Reflexão sobre os Jê, eorganizadora dos livros AQuestão da Educação ln ígena Brasileira e A Questão Indígena na Sala de Aula: Subsídios para Professores de 1o e 2° Graus.
Olhamos para os jovens de hoje com cer- ciedades regeneram, através da juventude, seu ta complacência nostálgica. Este olharémoti- estilo de vida. Assim, o jovem deve ser comvado pela nossa memória do passado, porque preendido como um elo necessário do presenafmal ninguém resiste à tentação de compa- te com o passado , exatamente porque transita rara geração mais recente com a efervescente de um tempo para outro , encarnando a vacajuventude dos anos 60 e 70. O resu ltado é que, ção- transformadora ou conservadora- do nestacomparação,a juventude contemporânea seu próprio tempo. sempre perde, pois acaba sendo qualificada Na segunda parte do livro, temos uma pela "ausência da capacidade de reflexão", pela reavaliação da militância política dos j o"passividade com relação a valores" ou pela vens nos anos 90. Reve lando amplo "falta de empenho transformador". O vício domíniodotema,aautoraanalisatodas desse olhar saudosista está no apego à idéia as possibilidades de constituição da . preconcebida de que haveria uma essência da subjetividade jovem, tanto no perver"condição juvenil" como portadora de utopi- so cenário mundial, comandado pelaraas e de projetos de transformação social. Atra - cionalidade autoritária da modernidade, vés de uma rigorosa abordagem histórica das quanto no cenário brasileiro, na cultura do formas de militância política da juventude dos medo que caracterizou a "geraçãoAl-5 ", agueanos 90, Rei nvenções da Utopi a, a milit ân- la que viveu sua adolescência sob a ditadura cia política de jove ns nos anos 90, de Janice militar. Formados num momentodedesarticuTirelli Ponte de Souza, publicação da Hacker lação completa da sociedade civil brasileira , Editores e FAPESP, tem o mérito de desmisti - em que se conjugaram a busca da neutralizaficar e corrigir os vícios desse olhar compla- ção completa da capacidade crítica dos indicente que chegou até a contaminar os estudos víduos, o controle voltado para a ausência da sobre o tema. prática política e a consolidação defmitiva da Nos anos 60 e 70 a efervescência da ju- economia capital is ta de mercado , os indivíduventude foi tamanha que chegou mesmo a es- os desta geração sofreram uma dupla e grave timular uma farta produção acadêmica; pou- privação: de seus direitos e do conhecimento cos se lembram de que tínhamos até uma "so - da lógica desta privação O resultado consticiologia da juventude". Já há algum tempo que tu irá parte de pesada herança para as gerações o jovem não era objeto de estudo ou, seguintes- para recuperar a condição de supelo menos de pesquisas mais vas- jeitos, os jovens assumiram uma ideologia tas, que situassem a juventude - subjetivista, expressa em pautas indiviesta condição transitória da vida- duais de comportamentos, o que , em parcomo elo de ligação histórica entre o te, seguia a conversão geral da família às idepassado e o futuro das sociedades. Além ologiasdo bem-estardo corpo, do sexo e do pside um pesquisa concreta sobre o comporta- quismo, típicas das sociedades de consumo.A mentopolíticodosjovensnestadécadaqueen- vitória do princípio autoritário se expressaria cerra o século, Reinve nções da Utopia faz noprópriocotidianodosjovens ,co masubstiuma reavaliação completa do próprio concei- tuição do protesto pela apatia descompromisto de juventude. Há uma essência juvenil ? sada do "deixa prá Já " ou do "tudo bem ". Os estudos de diferentes áreas como a O que restou desta ideologia da privacipsicologia ou a sociologia caracterizaram a dade herdada pela atual geração? Há sinais de juventude como uma condição transitória, movimento político jovem no Brasil , na era da destacando quase sempre alguns de seus tra- globalização e da " modernidade-mundo "? A ços diferenciadores: transitoriedade , ambigüi- resposta está na pesquisa empírica- calcada dade, momento de suspensão da vida social, em amostragem e estudo realizado através do individuação, vivênciadeumacrisepotencial método das histórias de vida em Florianópoe, por fim, um intrínseco estado de revolta ou !is (SC) - e apresentada na parte final do li"mal-estar juvenil". Janice Tire IIi demonstra vro. A trajetória de jovens no Movimento Naque esses traços podem demarcar um certo cional de Meninos de Rua , na Pastoral da Ju"território" da juventude, mas, vistos como ventude, na União de Negros de SC, no movicomportamentos inatos , isolados das situações mento Sindical Bancário e até no movimento concretas vividas pelos jovens, não conse- Anarco-Punk é analisada, não apenas a partir guem explicarnada. Intenções , utopias , iconoclastias , projetos, rebeldias, transgressões, são elementos concretos nas relações vividas pe la juventude, mas não têm validade científica quando situados fora do tempo e da história. A juventude não é uma essência e sim uma construção sociocu ltural, ajuventude não é, ela se faz. A biografia do jovem cruza -se com a história e nela confinna sua identidade, ao mesmo tempo em que asso-
do seu impacto na sociedade ou, em ai guns casos, do seu reconhecimento pelo governo mas , sobretudo a partir da vivência concreta de gente como Beto , Ana, Eder, lone , Laia , Kiko , Gina, Caco, Téo, Beth, Teca e Bia - nomes fictícios de jovens reais que compõem o painel vivo de trajetórias militantes, na segunda parte do livro.
Distanciados das utopias revolucionárias, seus depoimentos e histórias mostram que eles são parte de uma geração individualista, pois só aceitam engajar-se numa causa coletiva que não interfira na sua autonomia individual. Mas nem por isso suas pautas reivindicatórias se confundem com o centralismo burocrático , com o dogmatismo sindical, com o assistencialismo institucional ou com as bandeiras do senso comum da classe média , no seu crônico projeto de ascensão social. Ao contrário do que ocorreu noutros tempos, a lógica desses jovens não é discursiva, mas visual, suas referências não são utopias revolucionárias e sua organização política é reinventada como uma nova espécie de tribalização. Militância, para eles, é dedicaçãoàelaboraçãodeprojetossociaisque acabam sendo parte de suas vidas. É uma concepção limitada , talvez a única possível nesta época de fim das utopias - mas atribui um papel social à juventude e dá sentido ao imediatismo apaixonado desses jovens. Possuem , finalmente , um discernimento ético que os diferencia e aproxima das gerações revolucionárias do passado, pois representam uma parcela de nossa juventude que ainda tem a coragem de se envergonhar diante da carência econômica, da discriminação hipócrita, da violência endêmica e da injustiça social.

SECRETARIA DA CIÊNCIA
TECNOLOGIA E
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Só o futuro dirá se esses personagens, brilhantemente revelados pelo livro Reinvenções da Utopia, serão os multiplicadores de uma nova ética social,já que eles claramente representam a transiçãoentreumcomportamento político superado e um outro, que nossa época ainda não se mostrou capaz de definir completamente. GOVERNO