EDITORIAL | PERTINENTE
SETEMBRO: UM NOVO OLHAR SOBRE OS TERRITÓRIOS Quando desenhe� este pro�eto, sab�a que não bastava dar voz aos terr�tór�os� Prec�sava de lá estar� Foi dessa vontade que nasceram os Encontros Pertinentes: ouvir quem está no terreno e perceber cada lugar para além da imagem que projeta. Esta é a minha forma de descobrir, e de vos trazer, aquilo que só a proximidade permite ver.
Porque se é Pert�nente, merece destaque.
Porque há coisas que nenhum relatório consegue contar. A forma como uma comunidade fala do seu lugar, o orgulho de quem nos recebe, a relação de quem lidera um município com as pessoas, com a história e com os desafios do território. Há detalhes, gestos e conversas que só existem quando estamos presentes. É isso que quero trazer para os Encontros Pertinentes. Não por acaso, esta nova rubrica nasce numa edição em que assinalamos também o Dia Mundial do Turismo, este ano dedicado à tecnologia e à inteligência artificial. Num momento em que os destinos têm cada vez mais ferramentas para conhecer quem os visita, comunicar melhor e tomar decisões mais informadas, acredito que existe algo que nenhuma tecnologia pode substituir: a identidade de um lugar. A inovação será cada vez mais importante, mas só faz sentido quando ajuda um território a afirmar o que já o torna diferente, quando aproxima pessoas, melhora experiências e permite decidir melhor. Talvez seja essa a ligação entre os dois temas desta edição: quanto mais o mundo se torna digital, mais importante se torna conhecer os territórios de perto. EUGÉNIA PINTO DE MAGALHÃES Diretora Executiva da Revista Pertinente
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Eugénia Pinto de Magalhães, Diretora Executiva da Revista Pertinente
ÍNDICE | PERTINENTE
ÍNDICE
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GONDOMAR Viver em...
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PICOTE O “Moderno Escondido”
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DIA MUNDIAL DO TURISMO
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TOMAR Dos Templários à era da IA
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CASCAIS Cascais para toda a vida
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ENCONTROS PERTINENTES DECO
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OEIRAS Novos programas de habitação
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AVIS Jovens em Movimento
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CENTRO DE PORTUGAL Turismo Centro de Portugal
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ENCONTROS PERTINENTES Rally Series “O Neveiro e a Lã”
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CASTANHEIRA DE PERA Parque Temático S. João da Mata
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GUARDA Turismo do Interior
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GÓIS Os sabores da serra e do rio
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PENAMACOR Património Histórico
Artigo por Pedro Machado
FICHA TÉCNICA Propriedade: Ortografia Paralela – Comunicação, Unipessoal Lda | LACS Porto, R. de Azevedo Coutinho 39, 4100-100, Porto | Diretora Executiva: Eugénia Pinto de Magalhães | Contactos: geral@pertinente.pt | +351 934 168 023 | Impressão: Lidergraf - Sustainable Printing | Rua do Galhano 15, 4480-089, Vila do Conde, Portugal | Periodicidade: Trimestral | Distribuição: Gratuita com o jornal Público | Design Gráfico e Conteúdo Editorial: Luna Digital | Depósito Legal: 566298/26 | Edição: Setembro 2026
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GONDOMAR | PERTINENTE
GONDOMAR INVESTE PARA ATRAIR MAIS FAMÍLIAS E EMPRESAS A poucos minutos do Porto e com uma identidade própria, Gondomar reforça as condições para viver, trabalhar e investir, criando novas oportunidades para quem escolhe o concelho para construir o seu futuro. Mais habitação, uma nova linha de metro, escolas e creches reforçadas e uma aposta clara na criação de emprego são algumas das frentes com que o presidente da Câmara Municipal, Luís Filipe Araújo, pretende tornar o município num dos mais procurados da Área Metropolitana do Porto para viver.
Vista Aérea da Cidade de Gondomar (Câmara Municipal de Gondomar)
Uma terra que se conhece de perto Luís Filipe Araújo nasceu em Rio Tinto e fez em Gondomar praticamente todo o seu percurso, do ensino primário à escola secundária. É dessa vivência que fala quando descreve a sua relação com o concelho: “ter crescido, estudado e vivido sempre em Gondomar faz com que a minha relação com o concelho seja também uma relação feita de pessoas, de lugares e de memórias que me acompanham desde sempre.” A essa relação pessoal soma-se uma vantagem prática. “Estamos muito próximos de um grande centro urbano, beneficiamos da dinâmica metropolitana, mas Gondomar mantém uma identidade muito própria e uma forma de viver que o distingue”, resume o autarca. O município conta hoje com um conjunto de equipamentos e serviços que permite às famílias resolver grande parte do seu dia a dia sem sair da terra, mantendo ao mesmo tempo uma relação próxima com o Porto e com os restantes municípios da região. 06 PERTINENTE
Casas, escolas e creches para quem quer construir um projeto de vida Entre as prioridades da autarquia está a resposta à habitação, uma das principais preocupações das famílias mais jovens. No âmbito da Estratégia Local de Habitação, as cerca de 150 habitações de iniciativa municipal previstas estão já todas em obra, um primeiro passo que o presidente da Câmara quer ver reforçado nos próximos anos. Mas, sublinha, a questão não se resolve apenas construindo casas. É preciso pensar em todas as condições de que as famílias precisam para se fixarem: “isso significa ter habitação, mas significa também ter escolas, creches, cuidados de saúde e os serviços essenciais para o quotidiano de uma família.” Do lado da rede escolar, Gondomar conta com cerca de 100 edifícios, num processo permanente de renovação desde que o município assumiu a descentralização de competências nesta área. Na saúde, os centros têm vindo a ser modernizados e está prevista uma nova unidade, reforçando os cuidados primários. Já ao nível da primeira infância, está a ser trabalhada uma rede municipal de creches, respondendo a uma dificuldade que, reconhece o autarca, “não é um problema exclusivo de Gondomar, é uma carência que existe a nível nacional, mas isso não significa que não tenhamos de procurar respostas”. Para uma família com crianças pequenas, o acesso a uma creche pode ser determinante na escolha do lugar onde decide viver.
GONDOMAR | PERTINENTE
O metro que vai mudar a vida de quem se desloca todos os dias Todos os dias, cerca de 25 mil pessoas saem de Gondomar para trabalhar ou estudar noutros pontos da Área Metropolitana. O território já é servido pelo Metro do Porto, pela STCP e pela UNIR, mas é a nova linha, que chegará ao centro da cidade de Gondomar, que ganha peso enquanto transformação estrutural. “O primeiro impacto será muito direto na vida das pessoas: a redução dos tempos de deslocação”, explica Luís Filipe Araújo, associando a essa redução um ganho concreto de tempo devolvido à vida pessoal e familiar de quem hoje passa longas horas em trânsito nos acessos ao Porto. O impacto, garante, estende-se para lá da mobilidade. Menos automóveis nas estradas significa também menos pressão ambiental, e uma ligação de metro reforça a atratividade do território, tanto para famílias como para empresas. “Quando uma empresa decide onde instalar uma unidade, uma das questões que coloca é se existe mão de obra disponível”, nota, defendendo que a proximidade entre habitação e local de trabalho é algo que a autarquia tem de continuar a promover. A expectativa é clara: com o metro, Gondomar deverá tornar-se mais atrativo tanto para quem procura casa como para quem procura instalar negócio.
Parque Urbano de Gondomar (Câmara Municipal de Gondomar)
Arte da Filigrana (Câmara Municipal de Gondomar)
Uma economia que se diversifica, sem perder as suas raízes Historicamente ligada à ourivesaria e à marcenaria, a economia gondomarense foi ganhando ao longo dos anos outras áreas de peso, como a metalomecânica e os serviços. Não há hoje uma única atividade predominante, e é precisamente essa diversificação que a autarquia quer aprofundar, com uma aposta declarada em atrair mais indústria e novas atividades ligadas à tecnologia, de forma a aumentar a oferta de emprego qualificado no concelho. A capacidade de reter e atrair jovens está diretamente ligada a essa estratégia. Muitos gondomarenses saem para estudar ou trabalhar fora, e o município trabalha em duas frentes complementares para inverter essa tendência: melhorar a mobilidade e o acesso ao emprego fora do concelho, e criar, dentro dele, novas áreas de localização empresarial competitivas no contexto metropolitano. A ourivesaria continua, ainda assim, a ocupar um lugar próprio na identidade da terra, conhecida como a Capital da Ourivesaria de Portugal. A filigrana foi reconhecida como Património Cultural Imaterial em 2023 e está em curso a candidatura conjunta de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso, os dois centros produtores do país, para inscrever a Filigrana de Portugal na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Perante a concorrência de produtos de menor qualidade num mercado globalizado, a estratégia municipal passa por estar ao lado dos empresários locais e valorizar aquilo que distingue Gondomar: “a autenticidade, a qualidade e o conhecimento acumulado ao longo de gerações.” PERTINENTE 07
GONDOMAR | PERTINENTE
Um concelho seguro Para além da vida económica e cultural, a qualidade de vida em Gondomar mede-se também pela segurança do quotidiano. Gondomar apresenta hoje níveis de criminalidade reduzidos, mesmo em comparação com o contexto da Área Metropolitana do Porto. Do lado da autarquia, a resposta tem passado por reforçar a Polícia Municipal, sobretudo na presença visível no espaço público, o que serve simultaneamente para fiscalizar, apoiar os cidadãos e dissuadir. É uma característica que o presidente da Câmara quer preservar, por saber que pesa na qualidade de vida de quem escolhe onde morar.
Entre o Douro e as Serras do Porto Quem visita encontra dois territórios bem distintos dentro da mesma fronteira. De um lado, o Douro, que Gondomar acompanha numa frente ribeirinha extensa, com passadiços, percursos e praias fluviais. Do outro, as serras, e um Gondomar mais rural, que se manteve apesar da proximidade da cidade. “É possível passar da frente ribeirinha do Douro para a paisagem das Serras do Porto e encontrar realidades muito diferentes dentro do mesmo concelho”, descreve o autarca. No Parque das Serras do Porto, onde o eucalipto tem hoje uma presença muito significativa, a recuperação e valorização da floresta é uma das prioridades. “Precisamos de inverter progressivamente esse caminho, dando mais espaço às nossas espécies e protegendo o património natural”, afirma Luís Filipe Araújo. Só no último ano foram plantadas 42 mil árvores e arbustos autóctones. O trabalho passa também pela limpeza e recuperação das margens das linhas de água e pela aquisição de terrenos, já que grande parte da área do parque é propriedade privada e a compra amplia a capacidade de intervenção do município. E passa, sobretudo, pela prevenção de incêndios, domínio em que Gondomar tem feito um investimento significativo e está, em algumas matérias, na linha da frente a nível nacional, com um sistema de videovigilância em reforço e o recurso a drones na vigilância do terreno.
Praia da Lomba | Vista Aérea (Câmara Municipal de Gondomar)
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GONDOMAR | PERTINENTE
Luís Filipe Araújo, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar
Uma comunidade que se encontra Gondomar distingue-se também por um tecido associativo particularmente forte, com centenas de associações e coletividades que funcionam como espaços de encontro, convívio e construção de relações. Muitas delas, sobretudo as ligadas à cultura e ao movimento associativo tradicional, são, para Luís Filipe Araújo, “verdadeiros repositórios da memória das nossas comunidades”, preservando tradições e contribuindo ativamente para a vida cultural do concelho. É essa força que se torna mais visível em setembro. A Noite Branca marca o início das Festas do Concelho, abrindo um período de celebração que inclui a Romaria de Nossa Senhora do Rosário, as festas de S. Cosme e S. Damião e a Feira das Nozes e que se prolonga até outubro. A Romaria continua a trazer muitos romeiros de fora, e a autarquia olha para estas semanas em três dimensões: a recreativa, com a programação cultural; a histórica, muito ligada à Confraria de São Cosme, São Damião e Nossa Senhora do Rosário; e a económica, pelo impacto que estes dias têm na atividade do centro de Gondomar.
Um concelho para viver e construir futuro Olhando para os próximos anos, Luís Filipe Araújo resume as prioridades para Gondomar: mais habitação, mais escolas e creches, mais emprego e condições para atrair novas empresas, mantendo também a aposta nos grandes eventos que marcam o calendário. “Queremos que as pessoas, e em particular as famílias mais jovens, encontrem em Gondomar condições para viver e construir aqui o seu futuro”, afirma. O objetivo é claro: afirmar Gondomar pela qualidade de vida, pelas oportunidades que cria e pela proximidade ao Porto, reforçando a sua posição como um dos melhores lugares para viver na Área Metropolitana do Porto.
Festas do Concelho de Gondomar (Câmara Municipal de Gondomar)
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PICOTE | PERTINENTE
DUAS REALIDADES, UMA SÓ HISTÓRIA Uma aldeia de granito com ruas em mirandês e um núcleo moderno dos anos 50: o conjunto que levou Picote à final das 7 Maravilhas. (Autor da Fotografia: Luís Almeida)
“Não queremos escolher entre a tradição e a modernidade. São ambas Picote.”
PICOTE | PERTINENTE
O “MODERNO ESCONDIDO” QUE LEVOU PICOTE À FINAL DAS NOVAS 7 MARAVILHAS DE PORTUGAL A poucos quilómetros de distância uma da outra, a freguesia de Picote junta duas realidades muito diferentes: a aldeia transmontana de granito, onde as ruas têm nomes em mirandês, e o Barrocal do Douro, erguido nos anos 50 para alojar quem construiu a barragem. Foi esse conjunto, batizado “Moderno Escondido”, que colocou a freguesia entre os finalistas nacionais, na categoria Século XX. Duas realidades, uma só freguesia De um lado, a aldeia de Picote, de identidade rural e transmontana, onde o mirandês convive com o português nas ruas, nas casas e na memória das pessoas. Do outro, a poucos quilómetros, o Barrocal do Douro, um núcleo urbano construído nos anos 50 para acolher as famílias que ergueram a Barragem de Picote, com uma arquitetura moderna pouco comum para a época. “Não queremos escolher entre a tradição e a modernidade. Queremos valorizar as duas, porque são ambas Picote”, resume António Jorge Jacoto Lourenço, presidente da Junta de Freguesia. A língua é um dos elos mais fortes dessa identidade. Há 30 anos, Picote foi a primeira freguesia do concelho a adotar a toponímia em mirandês, levando a língua para o espaço público. Hoje, o compromisso continua vivo em iniciativas como a Festa das Línguas, que chega este ano à sua quarta edição, entre 25 e 27 de setembro. Casas dos Engenheiros do Barrocal do Douro (Autor: F. Vaz das Neves)
Um património que se mostrou ao mundo O conjunto da Barragem de Picote, no Barrocal do Douro, reúne a Pousada, a Capela, as Casas dos Engenheiros, o Bairro Definitivo, o antigo Centro Comercial, a Estação de Tratamento de Águas, o antigo Cine Teatro, a Piscina e o próprio edifício da Barragem, imóveis classificados como Conjunto de Interesse Público. Os que são propriedade da EDP têm vindo a ser recuperados por fases desde 2011, num investimento que pode chegar aos 36 milhões de euros. Foi esse património, batizado “Moderno Escondido”, que representou Picote na final nacional das Novas 7 Maravilhas de Portugal, disputada a 12 de setembro. Ainda antes da final, o presidente da Junta dava o resultado por secundário face ao caminho percorrido. “Picote já ganhou”, afirmou, destacando sobretudo a mobilização da população, dentro e fora da freguesia, em torno da candidatura. O título seguiu outro caminho, mas a freguesia manteve a leitura. Em comunicado nas redes sociais depois de conhecido o resultado, a Junta sublinhou que a candidatura levou “o nome do Barrocal do Douro, Picote, Miranda do Douro e Trás-os-Montes a todo o país” e deixou um agradecimento “a todos os que acreditaram, votaram, partilharam e estiveram connosco nesta caminhada”, com uma palavra PERTINENTE 11
PICOTE | PERTINENTE
especial para a claque que acompanhou cada gala. O passo seguinte mantém-se: juntar as várias entidades ligadas ao território, da Junta ao Município, passando pela EDP, a MOVHERA, a ENGIE e a REN, para abrir cada vez mais este património a quem visita Picote. Um ecomuseu para juntar as memórias Também a Associação FRAUGA tem um papel de destaque nesta história, há trinta anos a trabalhar na preservação do património local. É dela o Ecomuseu Terra Mater, cujos vários núcleos, entre eles o próprio Moderno Escondido, juntam arqueologia, arquitetura, língua mirandesa e criação artística contemporânea, com residências de artistas que trazem novos olhares sobre a paisagem e as tradições da freguesia. A Loja do Ecomuseu e dos Produtos da Terra estende esse trabalho para fora das salas de exposição, dando visibilidade a quem continua a produzir e a preservar saberes locais. A essa memória junta-se ainda uma das expressões mais fortes da identidade mirandesa: os Beiladores de Picuote, herdeiros da tradição dos Pauliteiros de Miranda, que levam a dança, os trajes e a música a festas e celebrações, transmitidos de geração em geração. Natureza, mobilidade e o que falta fazer O património de Picote não se esgota no Barrocal. Reconstruído em madeira, aço e vidro depois do incêndio de 2017, o Miradouro da Fraga do Puio reabriu em 2019 e por ele terão passado mais de 150 mil pessoas, sobre as arribas do Douro. Também a Ribeira de Picote está a ser recuperada, ao longo de cerca de oito quilómetros dentro do Parque Natural do Douro Internacional, num projeto do Município e da Junta financiado pela Agência Portuguesa do Ambiente através do PRORIOS 2030. Para chegar a este território de outra forma, Picote integra ainda o Raia Norte Bikes, projeto transfronteiriço de bicicletas elétricas. Entre as prioridades para os próximos anos, o presidente da Junta destaca a necessidade de reforçar a cobertura de internet na freguesia. “Uma boa ligação à internet já não é um luxo, é essencial para estudar, trabalhar, criar negócios, comunicar e até para atrair novas famílias e empresas para o território”, sublinha, ligando a aposta digital à mesma prioridade que atravessa toda a entrevista: fixar quem já vive em Picote.
Pousada de Picote, localizada no Barrocal do Douro (Autor: Luís Almeida)
Uma terra para ficar Para quem visita, o convite vai além de uma tarde de passagem. A freguesia já conta com várias casas de turismo e unidades de alojamento local, pensadas para quem quer ficar mais do que umas horas: caminhar pelos trilhos das arribas, ouvir mirandês nas ruas, provar a gastronomia local e sentar-se à mesa com quem cá vive. É esse o convite que o presidente da Junta deixa a quem lê a Pertinente: conhecer devagar uma terra onde a pedra e o betão contam, lado a lado, a mesma história.
“Porque há terras que se visitam e há terras que se vivem. Picote é uma terra para viver.” Miradouro da Fraga do Puio (Autor: Luís Almeida)
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REDESENHAR O TURISMO: A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AO SERVIÇO DOS TERRITÓRIOS “Redesenhar” é um verbo exigente. Não por acaso, foi o verbo escolhido pelas Nações Unidas para o tema do Dia Mundial do Turismo de 2026: Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo. Trata-se de um desafio que nos convida a repensar a forma como planeamos, gerimos e promovemos os destinos turísticos, sem perder de vista aquilo que permanece inalterável e constitui a essência da nossa identidade: a paisagem, o património material e imaterial e a autenticidade da relação que estabelecemos com quem nos visita. No que respeita à inteligência artificial e ao seu impacto no turismo, Portugal reúne condições particularmente favoráveis para liderar esta transformação. O investimento consistente que o setor tem vindo a realizar na digitalização, o desenvolvimento de instrumentos de market intelligence e a crescente capacidade de recolha, tratamento e análise de dados sobre a atividade turística proporcionam hoje uma base sólida para
uma tomada de decisão mais informada, rigorosa e orientada por evidência. Tudo isto, associado aos ativos estratégicos do país, coloca-nos numa posição de clara vantagem para enfrentar este novo ciclo de inovação. Importa, contudo, reconhecer que a inteligência artificial introduz uma mudança qualitativa que ultrapassa a mera capacidade de processar informação. O seu verdadeiro potencial reside na capacidade de antecipação. Significa prever a pressão sobre um centro histórico num fim de semana de agosto antes de esta se materializar; gerir, em tempo real, a distribuição de visitantes por percursos alternativos; disponibilizar respostas imediatas, em múltiplos idiomas e a qualquer hora; ou interpretar, em poucos instantes, o conhecimento contido em milhares de comentários sobre um museu, um monumento ou um posto de turismo, identificando padrões, tendências e oportunidades de melhoria. PERTINENTE 13
DIA MUNDIAL DO TURISMO | PERTINENTE
Aquilo que, há poucos anos, poderia parecer um exercício de futurologia corresponde hoje a uma realidade operacional. A inteligência artificial permite transformar dados em conhecimento e conhecimento em decisões, conferindo aos gestores públicos e privados a capacidade de atuar de forma preventiva, fundamentada e atempada. Para os municípios, esta é a diferença entre uma atuação meramente reativa e uma visão estratégica, orientada para a antecipação e o planeamento. É igualmente à escala local que se torna mais evidente a forma como a tecnologia pode contribuir, de modo concreto e transformador, para o desenvolvimento sustentável dos territórios, quer através da valorização da experiência de quem os visita, quer da melhoria da qualidade de vida de quem neles reside. Importa, contudo, acautelar o risco de aprofundamento de assimetrias. Enquanto um município dotado de recursos técnicos, competências especializadas e capacidade de investimento consegue acelerar a sua transformação, outros, confrontados com limitações estruturais, poderão ver reduzida a sua capacidade de acompanhar esta evolução, comprometendo oportunidades de desenvolvimento e agravando desigualdades territoriais. Ora, o turismo deve constituir-se precisamente como um fator de coesão territorial, de equilíbrio e de criação de valor partilhado. Neste contexto, o desafio coletivo consiste em assegurar que esta transformação tecnológica seja verdadeiramente inclusiva, garantindo que nenhum território, nenhuma comunidade e nenhum município ficam para trás. Redesenhar o turismo à luz da inteligência artificial é, acima de tudo, uma questão de visão e de escolhas estratégicas. A primeira dessas escolhas passa por assumir uma atitude proativa na exploração do potencial deste novo paradigma tecnológico, colocando a inovação ao serviço dos municípios, das comunidades e das pessoas, para construir um turismo mais inteligente, logo, mais competitivo e mais sustentável.
Artigo assinado por
Pedro Machado Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços 14 PERTINENTE
TOMAR | PERTINENTE
DOS TEMPLÁRIOS À ERA DA IA Tomar não precisa de provar o valor da sua história, precisa de a aproximar de quem escolhe o seu destino online.
“O turismo e a cultura têm e terão sempre um peso muito forte”
TOMAR | PERTINENTE
O PLANO DE TOMAR PARA UNIR A TRADIÇÃO TEMPLÁRIA AO FUTURO DIGITAL No centro de Portugal, Tomar é um dos principais destinos de turismo histórico do país, com o Castelo e Convento de Cristo classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
Sob a presidência de Tiago Carrão, o município prepara agora uma transição digital que quer aproximar esse património de quem hoje planeia uma viagem através de motores de pesquisa e assistentes de inteligência artificial. Um património que pede mais do que história
Tomar não precisa de provar o valor do seu património: além do Convento de Cristo, aguarda o resultado da candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património da Humanidade. Mas ter um legado histórico acima da média, ressalva Tiago Carrão, não chega por si só. “É enganador pensarmos que isso só por si nos torna automaticamente num foco de atração. Implica um trabalho constante de renovação da nossa imagem e da sua adaptação aos novos públicos”, explica o presidente da Câmara. Esta é uma frase que ganha peso quando se conhece o percurso do autarca. Formado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, fundador de empresas de software e marketing digital e docente no Instituto Politécnico de Tomar, Tiago Carrão escolheu para si os pelouros do Investimento, do Turismo, da Cultura e da Informática e Comunicações, com o objetivo de criar uma dinâmica empresarial que não deixe a cidade dependente apenas do turismo, sensível a conjunturas internacionais.
Festa dos Tabuleiros em Tomar (Câmara Municipal de Tomar)
“O turismo e a cultura têm e terão sempre um peso muito forte na economia do concelho que implica uma atenção especial e um reforço do seu posicionamento. E isso passa muito pela utilização das ferramentas digitais e de comunicação, que são a minha área de experiência profissional.” Tiago Carrão, Presidente da Câmara Municipal de Tomar
Uma máquina autárquica mais ágil Municípios da dimensão de Tomar partem, muitas vezes, de uma base mais tradicional do que os grandes centros urbanos. O autarca reconhece o desafio, mas também a vantagem de já ter visto o que funciona noutros territórios. “As máquinas autárquicas ainda são muito pesadas e pouco ágeis, e nem sempre é fácil alterar procedimentos com a rapidez que desejaríamos, mas é um processo que tem de ser posto em prática começando pela base, de modo que o acesso aos serviços do município seja cada vez mais intuitivo e desburocratizado”, afirma, sublinhando ainda a importância de Tomar ter presença notória nos principais canais de informação, do cidadão ao investidor. 16 PERTINENTE
TOMAR | PERTINENTE
Essa presença disputa-se hoje num terreno novo: cada vez mais viajantes escolhem para onde vão através de motores de pesquisa e de assistentes de inteligência artificial, o primeiro filtro de decisão. É aí que a transição digital da cidade se cruza com o tema escolhido pela ONU Turismo para o Dia Mundial do Turismo 2026, “Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo”. Garantir que Tomar aparece a quem planeia a viagem por estas vias começou, explica o presidente da Câmara, por dentro: “Neste primeiro ano de mandato, começámos por reformular profundamente a estrutura orgânica, de modo a melhorar as respostas dadas pelos vários setores do município.” Seguem-se o reforço da qualidade dos eventos, já visível na Festa Templária deste ano, e uma comunicação mais dinâmica, com forte componente digital e audiovisual, sem abandonar os meios tradicionais.
Charola do Convento de Cristo (Câmara Municipal de Tomar)
Do portal do município a um percurso templário com certificado O portal do município já reúne mapas e roteiros do concelho, incluindo um percurso templário dividido em etapas e itinerários em várias línguas. Tiago Carrão, que passou anos a desenvolver plataformas digitais, quer dar-lhe um passo em frente: maior interatividade, “que permitisse ao potencial visitante criar a sua própria visita personalizada, com acesso a espaços públicos mas também a alojamentos, espaços de restauração ou outras experiências”. Tomar integra ainda a Rota dos Templários, cuja aplicação permite ao visitante carimbar digitalmente cada monumento e receber um certificado no final. O balanço é positivo, mas o caminho, defende, passa pela autenticidade e não pela escala: “teremos que valorizar a marca templária, não com a massificação dessa nomenclatura, mas com experiências relevantes, com qualidade e um cunho de autenticidade que ajudem a distinguir Tomar.”
Entre o Convento de Cristo, a Sinagoga e o Aqueduto dos Pegões, a cidade tem monumentos que contam sozinhos boa parte da história do país, e é aí que Tiago Carrão vê espaço para camadas digitais como storytelling ou realidade aumentada, sem tocar no que já lá está. “É um mundo muito vasto, que está à disposição de todos aqueles que tenham capacidade criativa e vontade de trabalhar”, diz, apontando também para a iniciativa privada como parceira nesse caminho, com o município a funcionar como alavanca. Olhando para os próximos anos, resume assim o que gostaria de ver para a relação entre património e inovação digital: “que Tomar possa ser apresentado como o exemplo de um território que soube aproveitar da melhor forma a simbiose entre essas duas áreas e que algumas das nossas ferramentas se tornem modelos a seguir por outros territórios.” PERTINENTE 17
CASCAIS | PERTINENTE
CASCAIS PARA TODA A VIDA: O CONCELHO QUE QUER CRESCER SEM PERDER A SUA IDENTIDADE 2026 está a confirmar-se como um ano de charneira para Cascais. Entre o prémio de “Top Destination” nos Prémios Líderes do Turismo e o estatuto de Capital Europeia da Democracia, o concelho reforça uma posição que já vinha a construir há anos.
O presidente da Câmara Municipal, Nuno Piteira Lopes, explica à Revista Pertinente como estes reconhecimentos se traduzem em projetos concretos, porque, para Cascais, o objetivo nunca foi apenas atrair mais visitantes, mas melhorar a qualidade de vida de quem cá vive.
Nuno Piteira Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Cascais
Um destino reconhecido, dentro e fora de portas Em maio, Cascais venceu a categoria “Top Destination” nos Prémios Líderes do Turismo 2026, um reconhecimento que Piteira Lopes lê como coletivo: “Cascais não é um destino construído apenas por uma Câmara Municipal. É construído diariamente pelos hotéis, restaurantes, comércio, trabalhadores, empresários, operadores turísticos, instituições culturais e desportivas e por todos aqueles que aqui vivem.” Mas o ano trouxe também um estatuto pouco comum entre destinos turísticos: o de Capital Europeia da Democracia, atribuído após um processo internacional que envolveu especialistas e mais de 4.500 cidadãos europeus. “Não queremos transformar a democracia num produto turístico”, esclarece o presidente. “Queremos mostrar ao mundo aquilo que Cascais é: um território aberto, internacional, onde as pessoas têm voz.” Vista aérea de Cascais/Estoril. (Foto Câmara Municipal de Cascais)
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CASCAIS | PERTINENTE
Tecnologia e inteligência artificial ao serviço do território No ano em que o Dia Mundial do Turismo, assinalado a 27 de setembro, tem como mote a “Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo”, Cascais chega com um percurso já consolidado. “Para nós, um território inteligente não é aquele que tem mais tecnologia, mas aquele que consegue utilizar melhor a informação para tomar melhores decisões e prestar melhores serviços”, explica Piteira Lopes. Essa lógica materializase, por exemplo, no MobiCascais, que junta numa só plataforma transportes públicos, estacionamento, bicicletas e carregamento elétrico, e que se soma à gratuitidade dos transportes públicos para residentes, estudantes e trabalhadores do concelho. “Uma decisão política muito importante”, sublinha o autarca, “porque entendemos que mobilidade é liberdade”. Do lado das empresas, a capacitação passa pela Academia Digital e pelos Bairros Digitais, desenvolvidos com a DNA Cascais, que aproximam a tecnologia do comércio local. E, com a inteligência artificial a abrir uma nova etapa, a mensagem do presidente é clara: “Não devemos olhar para a IA como uma tecnologia reservada às grandes empresas.” Um restaurante, um hotel ou um pequeno comerciante podem usá-la para conhecer melhor os seus clientes, gerir melhor a operação e ganhar presença digital, cabendo ao Município e à Associação Turismo de Cascais garantir que “ninguém fique para trás nesta transformação”.
Proteger a costa é proteger o destino Na frente marítima, avança a reabilitação estrutural do Paredão de Cascais, entre a vila e a Azarujinha, com um investimento superior a 16 milhões de euros. É uma obra “de segurança, resiliência e qualidade de utilização”, pensada para a erosão costeira e a utilização crescente de um espaço que os cascalenses percorrem todos os dias. A mesma preocupação está nos planos. O Plano Estratégico de Cascais face às Alterações Climáticas e o Plano de Ação Cascais 2030 antecipam a erosão e a pressão sobre os recursos naturais, e o Cascais for Tomorrow envolve quem visita na preservação do território. “Quando protegemos a nossa costa, os nossos recursos naturais, a biodiversidade e o espaço público, estamos também a proteger aquilo que torna Cascais um destino único”, resume Piteira Lopes. Uma agenda que não acaba no verão A Cascais Golf, nova marca apresentada pela Associação Turismo de Cascais no “Better Together”, surge como mais uma aposta na diversificação e no combate à sazonalidade. E o mesmo se lê na agenda. Das Festas do Mar à Semana do Município, Piteira Lopes descreve-as como “celebrações da nossa comunidade, das nossas tradições e da nossa identidade, que quem nos visita é convidado a viver por dentro”. A estas juntou-se, no verão, a parceria com o Millennium Estoril Open. E o ano está longe de terminar: o Ironman Portugal parte da Baía de Cascais a 17 de outubro, as Conferências do Estoril debatem a 29 e 30 o tema “Reignite Democracy”, e o Natal em Cascais anima a vila de novembro a janeiro.
Campo de Golf (Foto Turismo de Cascais)
Cascais para toda a vida Olhando para os próximos dois anos, a ambição de Piteira Lopes resume-se numa frase: “Queremos consolidar Cascais como a Capital da Qualidade de Vida em Portugal.” Um objetivo que, garante, vai além de qualquer ciclo turístico ou mandato autárquico: “É construir um Cascais para Toda a Vida”, onde crianças cresçam com qualidade, jovens encontrem oportunidades e as pessoas mais velhas continuem a envelhecer bem. “Chegar ao topo pode ser fácil”, remata o presidente. “O verdadeiro desafio é mantermo-nos no topo.” PERTINENTE 19
DECO | ENCONTROS PERTINENTES
DECO PREMEIA AS POLÍTICAS LOCAIS QUE ESTÃO A MUDAR A VIDA DOS PORTUGUESES Mais de cem candidaturas, um crescimento de 68% face à edição anterior e oito projetos vencedores: os números da terceira edição dos Prémios DECO | Municípios e Freguesias confirmam que o poder local está cada vez mais disposto a avaliar, demonstrar e partilhar o que funciona. André Regueiro, Coordenador da DECO Parcerias & Desenvolvimento, explica o que está por detrás desta iniciativa. A DECO decidiu ir mais além da defesa individual do consumidor: quis reconhecer, publicamente, as autarquias que trabalham todos os dias para melhorar a vida das pessoas. “É esse trabalho que nos permite identificar as preocupações e necessidades dos consumidores. O poder local conhece, melhor do que ninguém, as características e necessidades dos seus territórios”, explica André Regueiro. Habitação, acesso a serviços, sustentabilidade, mobilidade, inclusão ou literacia são, muitas vezes, respostas que nascem primeiro à escala municipal, e é esse conhecimento que os Prémios procuram reconhecer e, sobretudo, partilhar entre territórios. O crescimento desta edição confirma a tendência. “Mostra que os municípios e as freguesias percebem cada vez mais que não basta fazer: é importante avaliar, demonstrar o impacto e partilhar o conhecimento adquirido”, sublinha o responsável. Entre os exemplos distinguidos estão os catorze Novos Programas de Habitação de Oeiras, a renaturalização do Rio Este em Braga, o programa Coordenadas de São João da Madeira, a rede municipal de saúde mental de Barcelos, o projeto cultural “Um Teatro em Cada Bairro” e o sistema “CopoMais Lisboa”, ambos da capital, ou a Rede de Trilhos de Porto de Mós.
André Regueiro, Coordenador da DECO Parcerias & Desenvolvimento, e Eugénia Pinto de Magalhães, Diretora Executiva da Revista Pertinente
A avaliação é feita por um júri permanente multidisciplinar, reforçado por um especialista em cada área, e guia-se por uma pergunta central: “isto melhorou, ou pode melhorar, concretamente a qualidade de vida dos consumidores?” Para André Regueiro, o verdadeiro valor do prémio vai além do troféu: está no efeito multiplicador que pode gerar. “Não podemos copiar exatamente esta solução, porque o nosso território é diferente, mas podemos aprender com ela e adaptá-la.” No fundo, resume, os Prémios existem para que cada autarquia continue a fazer-se a si própria uma pergunta simples e exigente: o que está a fazer hoje para que a vida dos consumidores seja melhor no futuro?
Esta é uma questão que va� voltar a ser fe�ta� a quarta edição dos Prémios DECO | Municípios e Freguesias será apresentada em breve. Prémios DECO | Municípios e Freguesias
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OEIRAS | PERTINENTE
OEIRAS PREMIADA PELA DECO POR UM PLANO DE HABITAÇÃO DE 160 MILHÕES DE EUROS Em maio, o Município de Oeiras foi um dos sete distinguidos pela DECO na categoria Habitação e Espaço Público, pelos Novos Programas de Habitação (NPH).
Por trás do prémio está uma estratégia de 14 programas habitacionais e um investimento próximo dos 160 milhões de euros, pensada para responder a quem procura casa no concelho, das famílias mais carenciadas aos jovens e à classe média. Uma resposta pensada em camadas Para o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, esta distinção valida um percurso: “É gratificante porque representa a aposta que Oeiras tem feito no que à Habitação diz respeito.” Uma aposta que teve de ser robusta. “Para grandes problemas, grandes soluções”, resume, “porque temos consciência que a casa é fundamental. Sem casa, tudo pode ruir.” Para Oeiras, o problema da habitação não tem uma única cara. “Quem precisa não é apenas uma determinada franja com determinadas características sociais e económicas. São múltiplas necessidades”, explica. É esse raciocínio que sustenta os NPH: respostas para os mais carenciados, para os jovens, para os idosos, para vítimas de violência doméstica, para pessoas em situação de sem-abrigo que querem sair da rua e para famílias de classe média que também não conseguem aceder a uma habitação condigna.
Este ano, mais de 240 fogos já foram concluídos em empreendimentos como o Alto da Montanha, o Parque da Junça ou a Terra de Moinho, com dezenas de famílias a receber as chaves das suas casas nos últimos meses. Mas o trabalho não termina na entrega. Uma equipa de gestão acompanha de perto cada família, e é aí que o autarca coloca a ênfase: “Há um trabalho enorme que começa depois da entrega da casa. Perceber se precisam de apoio para mobilar a casa, se têm filhos em idade escolar e que apoios precisam.” A lista estende-se ao desemprego e à saúde, e a própria relação muda de natureza:
“Quando os munícipes passam a ser também nossos inquilinos, gostamos de ser um senhorio atento e presente.”
Alto da Montanha (Câmara Municipal de Oeiras)
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OEIRAS | PERTINENTE
Jovens, classe média e o equilíbrio entre perfis Entre os programas existentes, o de habitação jovem já entregou mais de cem apartamentos com rendas fixas atribuídas por sorteio público, e tem como meta chegar às 200 unidades, dirigido a jovens dos 18 aos 35 anos. Incidindo especificamente nos centros históricos, o programa tem uma dupla função: evitar que os jovens tenham de sair do concelho para encontrar casa e devolver dinamismo social a zonas historicamente envelhecidas. “Muitos dos jovens aproveitam o período em que estão sob este arrendamento para economizar para, mais tarde, comprarem uma casa”, nota o presidente. A par desta resposta, foi anunciado um novo concurso público para cerca de 2.000 habitações, vocacionadas para famílias de classe média, jovens profissionais e trabalhadores essenciais como professores ou médicos. O processo já arrancou e, no caso dos professores, a autarquia garante que a resposta se torna mais robusta a cada ano. O equilíbrio entre rendas apoiadas, ajustadas ao rendimento das famílias mais carenciadas, e rendas acessíveis para a classe média, como no recente concurso do Programa 1.º Direito, nasceu de um exercício de reflexão coletiva: o Congresso de Habitação promovido pelo município no ano passado, com mais de mil participantes, sob o mote “Oeiras a Construir Cidade”. “Temos, em muitos dos novos empreendimentos, famílias de renda apoiada vizinhas de famílias de renda acessível. E funciona muito bem porque cria coesão social”, descreve Isaltino Morais.
Aciprestes (Câmara Municipal de Oeiras)
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Terra de Moinho (Câmara Municipal de Oeiras)
Financiamento europeu e uma meta em aberto Parte deste investimento conta com fundos do PRR, como aconteceu na Terra de Moinho, um financiamento que o autarca considera decisivo para acelerar a resposta: “É a diferença entre se fazer o que se tem feito e não se conseguir ter uma resposta tão densa e efetivada como a que estamos a proporcionar.” Os NPH incluem ainda uma Unidade de Cuidados Continuados, um Centro Social e três Centros de Dia, equipamentos que dão continuidade a uma aposta iniciada em 2008 com a Unidade Residencial Madre Maria Clara, um modelo de coliving pioneiro em Portugal para idosos que querem manter a sua privacidade sem abdicar do apoio de que precisam. O reconhecimento da DECO, que qualifica Oeiras como referência para outros municípios, surge ainda acompanhado de uma Menção Honrosa em Tecnologia e Inovação, pela plataforma Oeiras Interativa, que reúne informação urbanística e dados abertos e cujo módulo “O Meu Bairro” registou mais de 13 mil ocorrências num ano. Mas é na construção que o município garante manter o foco: aos 700 fogos atualmente em obra, a autarquia quer somar mais 3.000. “Este é um caminho que ainda não tem fim à vista”, remata o presidente.
AVIS | PERTINENTE
AVIS DISTINGUIDO PELA DECO POR PROGRAMA QUE JÁ REUNIU MAIS DE 3.300 JOVENS Avis foi um dos municípios distinguidos este ano pelos Prémios DECO Municípios, na categoria Educação e Juventude, entre mais de cem candidaturas a nível nacional. O reconhecimento vai para o “Jovens em Movimento”, programa que desde 2005 já reuniu mais de 3.300 jovens e perto de 239 mil horas ao serviço da comunidade.
Jovens em Movimento na Biblioteca Municipal José Saramago (Câmara Municipal de Avis)
“É, naturalmente, motivo de grande satisfação e orgulho”, resume o presidente da Câmara de Avis, Manuel Coelho. “Este prémio representa o reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido com os jovens há mais de duas décadas e demonstra que um município de pequena dimensão, como Avis, pode desenvolver projetos consistentes, capazes de envolver sucessivas gerações de jovens e de serem reconhecidos a nível nacional.”
Numa altura em que a fixação dos jovens é um dos grandes desafios dos territórios do interior, o programa ajuda também a manter viva a ligação a Avis: muitos jovens que estudam fora regressam ao concelho durante o verão para participar, mantendo o vínculo à sua terra. “Não se trata apenas de criar uma ocupação para as férias”, sublinha Manuel Coelho. “Trata-se também de criar vínculos e de semear uma relação com o território que esperamos que se mantenha no futuro.” Para o futuro, a aposta é continuar a diversificar as atividades. O sinal mais forte do sucesso, nota o autarca, está nos próprios jovens: “muitos jovens do Concelho esperam ansiosamente por completar os 16 anos para poderem participar no ‘Jovens em Movimento’.”
O programa nasceu para dar aos jovens do concelho uma forma saudável e útil de ocupar as férias, aproximando-os da comunidade e dando-lhes um primeiro contacto com o mundo do trabalho. Ao longo de 21 anos, a essência manteve-se, mas a oferta foi-se diversificando: este ano, jovens entre os 16 e os 25 anos escolheram entre dez áreas de atividade, da arqueologia à proteção civil, passando pelo turismo ou pelos serviços urbanos, distribuídas por três períodos entre 15 de junho e 6 de setembro. Mais do que os números, o que mais valoriza o município é o sentimento de pertença que o programa cria. Há jovens que, em crianças, frequentaram as Ludotecas Municipais e regressam, mais tarde, como monitores desses mesmos espaços; outros passam de leitores da Biblioteca Municipal a dinamizadores das suas atividades. Muitos repetem a participação ano após ano, entre os 16 e os 25 anos, experimentando áreas diferentes a cada edição.
Jovens em Movimento (Câmara Municipal de Avis)
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TURISMO CENTRO DE PORTUGAL | PERTINENTE
CENTRO DE PORTUGAL: A ESCOLHA, NÃO A ALTERNATIVA Nem sempre é fácil resumir uma região em poucas linhas, sobretudo quando essa região se recusa a caber numa única etiqueta. Foi esse o desafio que Rui Ventura assumiu à frente da Turismo Centro de Portugal:
mostrar que a escala do território, longe de ser uma dificuldade, é precisamente aquilo que o torna um destino de pleno direito, e não uma opção secundária a outros. Numa das primeiras intervenções públicas como Presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura deixou uma frase que resume a visão desta região: “o Centro de Portugal não nasceu para ser alternativa, nasceu para ser escolha.” A afirmação nasce de um argumento simples: poucos territórios em Portugal reúnem tanta diversidade em tão pouco espaço. “Em poucas horas, é possível passar das ondas da Nazaré às paisagens da Serra da Estrela, descobrir aldeias históricas ou de xisto, percorrer vinhas, desfrutar das termas ou caminhar por alguns dos mais belos trilhos do país”, descreve. Cada uma das oito sub-regiões — Aveiro, Coimbra, Leiria, Oeste, Médio Tejo, Beira Baixa, Beiras e Serra da Estrela, e Viseu Dão Lafões — guarda uma identidade própria que torna cada viagem diferente da anterior. Todo o ano, à mesa e ao ar livre Essa amplitude é também a resposta ao problema que persegue o turismo português: a sazonalidade. Enquanto muitos destinos vivem concentrados em poucos meses, o Centro de Portugal tem procurado distribuir a procura ao longo do ano: a Serra da Estrela e as termas no inverno, o enoturismo e os percursos de natureza na primavera e no outono, o litoral e os festivais no verão. Em 2026, a marca MOVE Centro Portugal – The Sports Region reforçou essa aposta, com provas de atletismo, ciclismo, automobilismo e surf fora da época alta. À mesa, o leitão da Bairrada, o queijo Serra da Estrela, o pastel de Tentúgal e as carnes da Beira Alta são, nas palavras do presidente, “produtos absolutamente extraordinários”, tal como o peixe, marisco e doces conventuais de receita secreta. 24 PERTINENTE
Rui Ventura, Presidente do Turismo Centro de Portugal
A autent�c�dade como vantagem Mas se há um fator que Rui Ventura destaca acima de todos, é a autenticidade das comunidades. “Não há outro destino como o Centro de Portugal, nem sequer parecido. A autenticidade é um dos nossos maiores fatores de diferenciação”, afirma. Por isso, insiste, o crescimento tem de andar de mãos dadas com a preservação da identidade dos territórios, sobretudo nos mais intimistas, onde a genuinidade ainda está praticamente intacta. É precisamente esse mosaico de lugares, gentes e tradições que as próximas páginas desta edição convidam a percorrer. Cada município do Centro de Portugal tem uma história para contar, e é essa história, contada por quem a vive todos os dias, que aqui se dá a conhecer.
RALLY SERIES | ENCONTROS PERTINENTES
CASTANHEIRA DE PERA ARRANCA EM GRANDE: “O NEVEIRO E A LÔ JÁ É UMA APOSTA GANHA ATÉ 2029 Castanheira de Pera recebeu, a 5 e 6 de setembro, a primeira edição do Rally Series “O Neveiro e a Lã”, prova que nasce do acordo assinado na BTL e que vai manter o concelho no calendário do Castrol Portugal Rally Series até 2029. Passados os dois dias de competição, o balanço traçado pelo presidente da Câmara Municipal, António Henriques Antunes, não deixa margem para dúvidas: “é muito positivo. A primeira edição de ‘O Neveiro e a Lã’ confirmou que esta é uma aposta ganha e com futuro.” A estreia colocou Castanheira de Pera no centro do panorama nacional e internacional da modalidade, com Dani Sordo e Chris Ingram em prova e a vitória a sorrir ao português Pedro Lago Vieira. A arena junto à Praia das Rocas, as classificativas na serra e a programação complementar criaram uma experiência que foi além da competição, mas o que mais marcou o autarca foi outra coisa: “ver pilotos de escala mundial à conversa entre si e com uma abertura e proximidade enorme com os espectadores”.
O nome da prova não foi escolhido ao acaso “O Neveiro e a Lã” presta homenagem aos neveiros do S. António da Neve e à tradição têxtil que, durante décadas, marcou a economia e a identidade do concelho. “Não queríamos simplesmente trazer uma prova genérica de rali para Castanheira de Pera, queríamos que o evento tivesse um ADN nosso”, explica o presidente, para quem “um território não se promove apenas pelas paisagens que mostra, mas também pelas histórias que consegue contar.” Essa identidade sentiu-se nas ruas. Com a vila cheia durante os dois dias de prova, houve reflexos na restauração e no comércio, e os serviços e alojamentos locais estiveram lotados. Para a comunidade, foi um momento de orgulho: “Sentimos Castanheira de Pera mobilizada, dinâmica e a viver o evento”, diz o presidente.
Da esquerda para a direita: o piloto Dani Sordo, Eugénia Pinto de Magalhães, Diretora Executiva da Revista Pertinente, e António Henriques Antunes, presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera.
Com mais três edições garantidas, o concelho olha agora para “O Neveiro e a Lã” como um projeto de continuidade e não como um episódio isolado. O objetivo é transformar quem chega pelo rali em visitante que descobre a Praia das Rocas, a gastronomia, o património e a agenda que anima o território todo o ano. “Se conseguirmos transformar os milhares de pessoas que passam por Castanheira de Pera durante um fim de semana em visitantes que ficam, regressam e recomendam o território, então o impacto do rali ultrapassa largamente os dois dias de competição”, remata o presidente. Do S. António da Neve às classificativas da serra, Castanheira de Pera provou que um pequeno território pode contar uma grande história. E vai contá-la, edição após edição, pelo menos até 2029. PERTINENTE 25
CASTANHEIRA DE PERA | PERTINENTE
CASTANHEIRA DE PERA APOSTA 12 MILHÕES NUM PARQUE TEMÁTICO NA SERRA DA LOUSÃ Foi nas comemorações dos 112 anos do concelho que Castanheira de Pera anunciou o projeto mais ambicioso da sua história recente:
o Parque Temático São João da Mata, um investimento de 12 milhões de euros que vai transformar 45 hectares de encosta florestal num destino de desporto, aventura e natureza, pensado para atrair visitantes ao concelho ao longo de todo o ano. Castanheira de Pera já sabe o que é atrair quem vem de fora. A Praia das Rocas transformou este pequeno concelho, encaixado num vale estreito que a indústria têxtil dos lanifícios um dia sustentou, num destino de verão. Agora, o município quer repetir essa fórmula na encosta que sobe a partir da albufeira. “A ideia nasceu da necessidade estratégica de valorizar os ativos naturais ímpares do concelho, convertendo uma área florestal de cerca de 45 hectares, composta maioritariamente por terrenos municipais, num novo polo de atração turística estruturado à escala regional e nacional”, explica António Henriques Antunes, presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera. A força do projeto já foi reconhecida fora de portas: o Turismo Centro de Portugal declarou-o de interesse estratégico, e o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, esteve presente na apresentação. Da cota alta até à água No terreno, o parque vai desenhar-se em três frentes que se complementam. Na encosta, a adrenalina toma conta: uma pista de downhill com 1500 a 2000 metros desafia quem pedala de montanha, uma tirolesa de cerca de 600 metros corta o ar por cima das árvores, e um alpine coaster desce a toda a velocidade até perto da Praia das Rocas. Para chegar ao topo sem esforço, um teleférico de cerca de mil metros liga a vila à zona alta do parque, com vista aberta sobre o vale da Ribeira de Pera e as cumeeiras da Serra da Lousã. Mais abaixo, o Parque Aventura Multigeracional promete ter algo para cada idade: arborismo, paintball, escalada e saltos de adrenalina, mas também um crazy cart para os mais pequenos. Para quem prefere abrandar, há uma piscina de banhos quentes e percursos a pé, a cavalo, em quadriciclos 4x4, bicicletas ou trotinetes elétricas para percorrer a serra com calma. Junto à 26 PERTINENTE
Vista Aérea de Castanheira de Pera (Câmara Municipal de Castanheira de Pera)
CASTANHEIRA DE PERA | PERTINENTE
albufeira, a água convida à canoagem, ao paddle surf e ao cable wakeboard. E há ainda um terceiro compromisso, menos visível mas igualmente importante: devolver à serra espécies como o carvalho, o castanheiro, o freixo e o medronheiro, recriando zonas de sombra e recuperando a paisagem que dá nome ao projeto. Um projeto pensado para o ano inteiro A poucas horas de viagem de milhões de potenciais visitantes, com o concelho situado perto da A1, da A13 e do IC8 e a uma distância confortável de Espanha, o parque quer chegar
a quem procura adrenalina, a quem procura descanso, e a tudo o que fica entre os dois: o desporto de aventura para os mais jovens, o bem-estar para quem prefere um ritmo mais calmo, os passeios pedestres e a cavalo para grupos, e a piscina de ondas para as famílias que já conhecem a Praia das Rocas. Mesmo fora do verão, a promessa é que a serra continue viva. O teleférico, o alpine coaster, o arborismo, a pista de downhill, a escalada, os trilhos pedestres e a equitação vão manter-se abertos nas quatro estações, salvo dias de tempo mais extremo, juntando-se a iniciativas já enraizadas no território como os “12 Meses, 12 Caminhadas” e o Festival de Caminhadas da Serra da Lousã.
“Queremos que Castanheira de Pera possa ser procurada tanto por quem procura adrenalina e prática desportiva, como por famílias, grupos ou visitantes que privilegiam o contacto com a natureza, o descanso, o relaxamento e o bem-estar.” António Henriques Antunes, Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera
O que o parque traz a quem vive cá Para quem vive em Castanheira de Pera, o parque é também uma promessa de trabalho ao longo de todo o ano. A empresa municipal Prazilândia – Turismo e Ambiente, que já gere a Praia das Rocas, deve reforçar o seu quadro de colaboradores permanentes à medida que o projeto avança, com mais contratações nos meses de maior procura. O município espera ver crescer também os restaurantes e o alojamento, hoje muito dependentes do verão, e conta com o investimento privado para acompanhar o que está a construir, incluindo novos alojamentos municipais. O projeto de execução deve ficar pronto até ao final deste ano. Só depois arranca a procura das linhas de financiamento mais adequadas, ancoradas em fundos comunitários e sem comprometer o equilíbrio orçamental da autarquia. A meta é abrir as primeiras experiências do Parque Temático São João da Mata ao público em 2029. “O que torna a nossa experiência verdadeiramente única e irreplicável é a sua relação de simbiose com a paisagem”, remata o presidente da Câmara, recordando a vista sobre a Serra da Lousã, o vale da Ribeira de Pera e a albufeira da Praia das Rocas. “Só aqui, em Castanheira de Pera, e em mais nenhum lugar do mundo.” PERTINENTE 27
GÓIS | PERTINENTE
GÓIS: OS SABORES QUE NASCEM DA SERRA E DO RIO Entre a Serra da Lousã, a Serra do Açor e o rio Ceira, Góis construiu uma identidade que se sente também à mesa. As Aldeias do Xisto, a paisagem serrana e os cursos de água moldaram aquilo que se cozinha e se serve há gerações. À Revista Pertinente, o vice-presidente da Câmara Municipal de Góis, Nuno Bandeira, explica por que razão a gastronomia se tornou uma peça central na forma como o município quer ser conhecido e visitado. A Tibornada, feita com bacalhau, couve, batata e azeite produzido localmente, nasceu do trabalho dos lagares e da importância que o olival teve na vida das comunidades do Vale do Ceira. O Cabrito do Sinhel remete para as zonas serranas do concelho, e as trutas revelam a tradição de pesca no Rio Ceira e na Ribeira do Sinhel.
“A gastronomia de Góis não é apenas uma coleção de pratos típicos, é uma forma de preservar a memória e a identidade do território” Nuno Bandeira, Vice-presidente da Câmara Municipal de Góis
A aposta tem também impacto direto na economia local. Ao procurar uma experiência gastronómica única, o visitante “beneficia não só a restauração, mas toda uma cadeia de valor local”, que envolve produtores, agricultores e comércio. Para facilitar a presença em feiras e mercados, o município isenta de taxa os produtores agrícolas e os artesãos do concelho. Lá fora, Góis leva os seus sabores à BTL e à FITUR e integra o Taste Coimbra Region, com a Chanfana e a Tigelada no Menu Taste Góis.
Gamelinhas (Câmara Municipal de Góis)
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Cabrito (Câmara Municipal de Góis)
O receituário concelhio, que reúne os pratos mais representativos de Góis, cresce com iniciativas como as Gamelinhas, criadas em concurso municipal em 2012, e desafios como o Góis com Mel, que este ano distinguiu criações à base de mel de urze em restaurantes, padarias e associações do concelho. “Mais do que uma competição, o Góis com Mel deu maior visibilidade ao mel de urze e ao seu potencial como elemento diferenciador da gastronomia local”, afirma Nuno Bandeira. Essa aposta volta a ganhar palco nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, quando o Pavilhão Gimnodesportivo Municipal recebe a Feira dos Santos, do Mel e da Castanha, com mercado, artesanato, showcooking, magusto comunitário e música tradicional. Realizada desde 1957, a feira é hoje, nas palavras do vice-presidente, “pensada para diferentes gerações e para promover a participação da comunidade”. Entre a serra, o rio e o receituário que passa de mãos em mãos, Góis quer que quem chega encontre “um destino onde vale a pena ficar, comer, conhecer os produtos locais e conviver com as pessoas e as tradições”.
PENAMACOR | PERTINENTE
EM PENAMACOR, A HISTÓRIA TAMBÉM É DESTINO Depois da água, é a vez da história abrir portas em Penamacor. Um Castelo requalificado, um museu que atravessa cinco mil anos e um corredor que devolve nome a quem a Inquisição tentou apagar fazem da vila um destino de dupla vocação: natureza e património.
Zona Histórica de Penamacor (Câmara Municipal de Penamacor)
Para José Miguel Oliveira, Presidente da Câmara Municipal, a Estação Náutica “foi concebida desde o início como um projeto de turismo integrado, que vai muito além da oferta ligada à água, articulando os recursos naturais com o património histórico, cultural e paisagístico do concelho”. É essa lógica que sustenta a requalificação da Zona Histórica, concluída em dezembro de 2024 com um investimento de cerca de um milhão de euros: remodelação dos acessos e do interior do Castelo, recuperação da Domus Municipalis, da Torre do Relógio e da Torre de Menagem, hoje com um novo anfiteatro. “O Castelo deixou de ser apenas um local de contemplação para se afirmar como um espaço vivo e multifuncional, capaz de dinamizar o território e criar valor”, descreve o autarca, para quem a conjugação entre património, natureza e identidade local é “um dos maiores fatores de diferenciação do concelho”.
Casa da Memória da Medicina Sefardita – Ribeiro Sanches (Câmara Municipal de Penamacor)
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O Museu Municipal, com origem em 1916, cruza arqueologia, etnografia e património natural num só percurso. “O visitante surpreende-se precisamente com a sua diversidade. Num mesmo percurso, encontra a história do concelho desde a Pré-História até aos nossos dias”, nota André Oliveirinha, Técnico Superior do Município. Entre as peças, destaca-se uma sepultura de incineração romana achada na Arrochela, a par de coleções de numismática e arte sacra, e a ligação à Reserva Natural da Serra da Malcata, através do lince-ibérico. Na Casa da Memória da Medicina Sefardita – Ribeiro Sanches, o Corredor de Todos os Nomes reúne cerca de 500 nomes retirados dos processos inquisitoriais de Lisboa, Coimbra e Évora — médicos, boticários e famílias sefarditas obrigados a deixar Portugal. “A experiência é particularmente emotiva para muitos dos judeus que visitam o espaço, porque transforma estatísticas em pessoas”, afirma Oliveirinha, recordando António Nunes Ribeiro Sanches, natural de Penamacor. O espaço atrai investigadores, genealogistas e descendentes de famílias sefarditas de vários países, prova de que o Corredor “não pretende apenas recordar o passado. Procura restituir voz e dignidade a centenas de pessoas”.