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LV 1454

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30 anos LV

DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES

INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA No 1454 - 23 DE MAIO DE 2019

V

POSTURA ANTISSINDICAL DA ELETROBRAS PREJUDICA ACT

Trabalhadores de todo o Brasil rejeitam proposta em Assembleias


ELETROBRAS

CELESC

POSTURA ANTISSINDICAL DA ELETROBRAS PREJUDICA NEGOCIAÇÕES DO ACT

OUVIR OS TRABALHADORES É FUNDAMENTAL PARA A GESTÃO PARTICIPATIVA

Trabalhadores de todo o Brasil rejeitam proposta em Assembleias

Seminários Regionais abrem espaço para o debate da gestão participativa

Após a rodada de negociações do ACT do dia 9/05, diante de uma proposta péssima por parte da Eletrobras, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) realizou assembleias em todo o país, entre 13 e 16 de maio. Os trabalhadores rejeitaram de forma acachapante a proposta. Para a nova rodada de negociações que se realizou ontem, dia 22/05, até o fechamento desta edição do Jornal Linha Viva, não haviam por parte dos sindicatos, grandes expectativas de avanço nas negociações, visto que a postura da Eletrobras ao longo de todo o processo tem sido sempre na linha da retirada de direitos, e ataques às organizações sindicais.

Os dirigentes sindicais do CNE avaliam como grande a possibilidade de que as negociações tenham que sofrer nova intervenção do Tribunal Superior do Trabalho (TST), já sendo estudadas medidas como um pedido de mediação das negociações no TST. Prevendo as dificuldades na negociação, o CNE também encaminhou e as assembleias aprovaram o Indicativo de Greve de 72 horas a partir de 03/06/2019, caso a rodada desta semana não indique avanços. Para novas informações sobre negociação e encaminhamentos acompanhe os informes e boletins da Intersul no decorrer do dia de hoje.

O direito à voz é fundamental em um processo de gestão participativa. Na Celesc, este direito sempre foi garantido pelos sindicatos da Intercel, que idealizaram e organizaram, em conjunto com os representantes dos empregados no Conselho de Administração da empresa, os Congressos e Seminários Regionais. Estes espaços foram conquistados numa proposta de aproximar do dia a dia dos celesquianos os debates sobre os rumos da maior estatal catarinense, dando voz àqueles que constróem a Celesc Pública. Mais do que abrir espaço para a manifestação dos trabalhadores, os Seminários Regionais, que ocorrem entre os dias 03 e 27 de junho, proporcionam à gestão da empresa uma visão que, geralmente, ela não tem. As manifestações, críticas, elogios e propostas dos celesquianos contribuem para a construção de uma Celesc Pública cada vez mais forte. Inserindo os trabalhadores neste debate, a gestão da empresa ganha um excelente retrato da realidade da Celesc para contribuir com uma gestão cada vez mais eficiente. É nesse compromisso conjunto que o lema dos trabalhadores vira realidade: Celesc Pública, bom para todo mundo!

ELETROSUL

ELETROSUL DESAFIA MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL Empresa não responde ao Ministério Público no prazo estipulado pelo Procurador A diretoria da Eletrosul ignorou o prazo dado pelo Ministério Público Federal para explicações sobre a incorporação da empresa pela CGTEE. A denúncia foi feita pela Deputada Luciane Carminatti (PT), coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Eletro-

sul Pública. O pedido feito pelo procurador Marcelo da Mota é decorrente de representação dos sindicatos da Intersul junto ao MPF pedindo a suspenção do processo e abertura de Ação Civil Pública (ACP) para investigar a incorporação.

ELETROSUL

EXTINÇÃO DO PLANO DE SAÚDE AUTOGESTIONADO É QUESTIONADA JUDICIALMENTE Sem conciliação em audiência, Ação Civil Pública da Intersul Aguarda Sentença Teve sua primeira audiência na 6ª Vara do Trabalho de Florianópolis, na semana passada, dia 14/05, a Ação Civil Pública impetrada pelos Sindicatos da Intersul requerendo Antecipação de Tutela e a condenação da Empresa na obrigação de garantir a existência do plano de saúde “Autogestionado pela Eletrosul”. Conciliação recusada, a Eletrosul apresentou defesa por escrito onde sem meias palavras, alegou a falta de legitimidade dos sindicatos e associações da Intersul para representar os trabalhadores nesta ação coletiva e ainda pediu a extinção do processo, bem como solicitou que fosse negado o pedido de antecipação de tutela reforçado pelos sindicatos na audiência. Entre outras alegações utilizadas pela Eletrosul em sua defesa, o argumento principal é que , a escolha ou alteração da operadora do plano de saúde da empresa se insere no poder diretivo do empregador, não

configurando necessariamente alteração de direito ou do contrato de trabalho do empregado. Além disso, a Empresa alegou ainda que o registro de Plano de Saúde Autogestionado será cancelado pela Agencia Nacional de Saúde, de acordo com a Resolução Normativa n° 100/2005, da ANS em seu Art.24 que prevê o cancelamento do registro nos casos de incorporação, fusão ou cisão da empresa. O Juiz do Trabalho determinou um prazo de 5 dias úteis para que a Intersul manifeste-se, também por escrito, sobre a defesa apresentada pela Eletrosul. Informou ainda que não devem ocorrer novas audiências e que deverá proferir sentença ao final deste prazo. A manifestação da Intersul preparada pela Assessoria Jurídica especialmente contratada para este processo, foi protocolada ontem, dia 22/05. Divulgaremos mais informações assim que for proferida a sentença.

ERRATA Na última edição do Linha Viva, na matéria Audiência Pública: Intersul mobiliza classe política catarinense contra a extinção da Eletrosul, participou também da Audiência, defendendo a Eletrosul Pública e a permanência da empresa em Santa Catarina a Deputada Federal Caroline de Toni (PSL).

SINDICATO

NOVA DIRETORIA DO SINTRESC TOMA POSSE Companheiros assumem a direção, dando continuidade à luta em defesa dos trabalhadores Tomou posse nesta segunda-feira, dia 20, a nova Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústira de Energia Elétrica do Sul do Estado de Santa Catarina (Sintresc). Eleita pelos empregados das empresas: ELETROSUL Centrais Elétricas S/A, Engie Energia S/A, CELESC Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, Cooperativas de Eletrificação Rural, Cooperativas de Eletricidade, Empresas de Força e Luz, FECOERUSC e a GERACOOP Central de Cooperativas Geradoras de Energia Elétrica de Santa Catarina, a diretoria assume um mandato de povo brasileiro. Os demais sindicatos que com3 anos em um momento de acirramento das disputas trabalhistas e põem a Intercel e a Intersul saúde ataques aos direitos sociais do dam os companheiros, reafirmando

a disposição de luta conjunta em defesa das empresas públicas e dos direitos de todos os trabalhadores eletricitários.

TRIBUNA LIVRE DA MÍSTICA AO MITO por Dino Gilioli, escritor e poeta

Nunca na história do Brasil um presidente foi eleito usando em demasia a mística religiosa, utilizando até a exaustão um discurso moralista que proclamava os “homens de bem deste país”. Esse engodo, aliado à demonização da esquerda, ao exorcismo do PT; entre outras questões, com o apoio da direita, da grande mídia, da classe dominante incrustada em todos os poderes da nossa frágil República, ajudou elevar um dos políticos mais medíocres à principal mandatário do Brasil. E, agora José? O que fazer com esse rabo de foguete? Se parte da esquerda, abatida pela derrota eleitoral, ainda tateia, imagine a direita conservadora que viu em Jair Messias Bolsonaro a possibilidade de voltar ao poder e continuar comendo bem e pelas beiradas. E, agora José? De um lado os civis mais retrógrados; de outro, os militares mais reacionários. Quem levará esta? Sim, porque parte do povo, embora cansado, desanimado, não desistiu de caminhar. Não é pouca coisa, ainda que insuficiente, ver milhares nas ruas, ouvir o grito – ainda que tímido, de uma nação que não tolera mais os algozes de ontem e de hoje. Sim, porque àqueles que apoiaram explicitamente ou por debaixo dos panos a ascensão da intolerância, do atraso,

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agora torcem o nariz e fazem de conta que também estão preocupados com os rumos do país. Que nada, interesses intraburgueses não estão sendo atendidos por Bolsonaro. Daí parte da rica elite tenta fazer coro com o povo, como se estivesse do mesmo lado. Lembram do fora Collor? A história parece se repetir. Não nos iludamos, o povo só conta com o povo! O que quero dizer com isto, que a luta não vale a pena? Que voltar às ruas não vai adiantar? Mil vezes é preciso repetir o que disse o poeta Fernando Pessoa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Ou seja, se estamos verdadeiramente imbuídos de um sentimento de solidariedade, de senso crítico, de um amor transformador não há o que temer. Mas, alerto, dar as mãos uns aos outros não será suficiente, é necessário estarmos irmanados numa perspectiva visionária: a de que é possível, de fato, mudar os rumos do Brasil em benefício de seu povo! Não sei se é chegada a hora, se vamos conseguir. A única certeza é que as reais mudanças que o Brasil precisa não acontecerão por um suposto mito. Rumo a greve geral, caminhemos. Mesmo que, ainda, não vislumbremos a triunfal chegada! EXPEDIENTE

Linha Viva é uma publicação da INTERCEL e da INTERSUL Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) | Conselho Editorial: Patrícia Mendes Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.


A CRISE EXISTENCIAL DO CINQUENTÃO Rodrigo Galvão

Um belo dia, o cara amanhece tiozão. Vem a crise da meia idade e a turma legal é a outra - faz tempo. O que na antiguidade era privilégio de poucas pessoas, agora, na pós-modernidade, até algumas empresas são longevas e tem comportamento de cinquentão, na idade do lobo. Para Shakespeare, os atos de um homem se distribuem por sete idades, essa é aquela em que o indivíduo é: “cheio de aforismos sábios e argumentos modernos”, faz limite com a idade do “velho bobo de chinelos, com óculos no nariz”. Depois, só a segunda infância e fim. O cinquentão é o único da turma que não percebe seu enquadramento etário. O idioma alemão tem duas palavras para corpo: Leib (o biológico) e Körper (o corpo que considero ser o meu). É como se o tio daquela propaganda de refrigerante (se lembrou, já sabe né: enquadrou)* ainda não aceitasse esse descompasso e, ofegante, visse um corpo se distanciar do outro. Então, aparece a insegurança, ansiedade e baixa autoestima. Algumas empresas - e pessoas dessa faixa etária, ficam subitamente obcecadas pela aparência e tentam mudar o visual. Olham para o que consideram sua nova identidade e não entendem, aquilo não tem significado, mas o aspecto do logotipo é novo, e isso é o que importa, é modernoso. Chamam atenção, mas não sabem o motivo, nem se a imagem representa o que imaginam. E não é só a inadequação temporal da aparência (tênis com meia social, pochetes, bigode e boné com a aba para trás na mesma cabeça, essas bizarrices) que identificam o cinquentão. Seu humor é enigmático, as pessoas riem dele e para ele simultaneamente. Algumas por indulgência mesmo, constrangidas pela vergonha alheia. O tiozão do pavê* é uma figura. Tenta estar em pé de igualdade com quem considera seus pares, os mais jovens, mas “putz grila” como é difícil. Seria seu passado carioca que o torna bonachão? Quem sabe ser de capricórnio com a personalidade de virgem seja mais uma piada pronta. O cinquentão é conhecido por suas confraternizações, mesmo quando está no sufoco, afinal o churrasquinho no fundo de quintal é sagrado. Pelo menos no fim de ano reúne a patota* para celebrar e contar suas anedotas infames. Sua energia é da boa e o puxadinho do churras é sempre estiloso. O tiozão tem a marca da inovação em seu DNA, faz muitos anos. Para atenuar a crise da meia idade, muda algumas coisas de lugar dentro de casa. Gasta tempo e dinheiro só para se sentir ativo de novo, como quando tinha 22 anos de idade. “Se é que cê me entende?!”, justifica. Essas atitudes aventureiras são típicas dessa fase. Com entusiasmo pueril, nem pensa nas consequências, acha que tem o espírito livre. E isso é entendido como inovador e radical. Um dia qualquer se considera muito pesado, quer ficar leve, daí descarta o que considera velho para se sentir jovial novamente – um pão*. Faz dietas, contenção de gastos, fica arrependido, ansioso. Quando olha para a “gordurinha” que circula seu umbigo é invadido por uma sensação de estar perdido, sem saber o que fazer, nem para onde ir. O regime não vinga, mas a fome aumenta. Seu serviço já não tem a mesma eletricidade que tinha, agora é uma coisa básica, até

pobre tem! Aquela energia não tem a mesma importância. O cinquentão tem que se reinventar, busca fontes alternativas e novas referencias, mas o futuro continua angustiante. Sente-se apagado, precisa reverter isso. Seria o climatério corporativo que esfria o ímpeto empresarial? Do nada o tiozão conclui que não é cativo de uma condição preestabelecida, que precisa voltar a ser atraente. Nessa faixa etária esses indivíduos transformam-se em "lobos vorazes", saindo à caça de presas, de amores impossíveis, que satisfaçam sua auto-afirmação masculina e cobiça. Por isso, passa a ter ideias mirabolantes, começa a flertar com “outros mercados”. Tenta de tudo para ter uma nova parceira – fantasia: “quem sabe eu tenha sorte, sei lá, com uma gata asiática?” E, mesmo tendo perdido a prática há muito tempo sente-se tinindo*, e tenta. Considera seu estilo desajeitado um charme irresistível, obviamente dá tudo errado. As situações constrangedoras se perfilam, porque nessa fase da vida, inesperadamente, o órgão sexual passa a ser o presidente do tiozão, que passa a exigir um desempenho púbere. O coitado do tiozão, esforçado, encolhe a barriga, melhora a postura, mas não pega ninguém, nem aqui, nem na China. A crise existencial acentua, agora, com um rancor fálico e uma hostilidade vertical. O middle aged man deveria estar se dedicando a sua saúde, mas aumenta o período de manutenção e, só de birra, demora mais para fazer seus exames periódicos. Quer ser tecnológico, pop, entrar no Orkut para ser mais descolado, insiste em usar sistemas informatizados que entende patavinas*, só para dar aquela impressão de bacana*. De repente, tem um comportamento mais impulsivo. Daí inventa de ser sócio de seu jovem amigo gaúcho. Em uma empreitada megalomaníaca, acha que, finalmente, vai ficar rico, voltar a ser valorizado. Não explica como vai ser isso, talvez nem saiba, é tudo muito obscuro, para dar adrenalina mesmo. Sim, já disseram que o cinquentão é o verdadeiro adolescente. É a fase de enfrentamento com suas limitações, com a restrição de possibilidades. Daí, com medo do fim que se aproxima, decide acabar com tudo logo, antecipando o que considera ser inevitável. Acha que os fogachos que o sequestram são sinais divinos, indicando um novo tipo de iluminação “é o calor da luz no fim do túnel !”, conclui. O cinquentão age assim porque acha que a vida perdeu a energia. E faz tentativas drásticas de criar novas perspectivas, independente do impacto negativo que cause nas pessoas ao seu redor. Se o tiozão sobreviver à crise de meia idade vai entender que todos envelhecem e que cada fase da vida possui suas dificuldades e benefícios. Se antecipar a sabedoria que se espera ter na terceira idade, vai passar a investir seus recursos naqueles que sempre o apoiaram: sua família e velhos amigos. E, assim, de bem com a vida, do jeito que ela se apresenta, poderá adequar o passo da caminhada, e ao se dedicar em consolidar uma visão realista, voltar a entender seu posicionamento fundamental, social e sua importância histórica na sua área de atuação. *Rodrigo Galvão é trabalhador da Eletrosul


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