30 anos LV
DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES
INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA No 1428 - 25 DE OUTUBRO DE 2018
V FOTO: RUBENS LOPES
TRIBUNA LIVRE CARTA ABERTA DA DIREÇÃO DO DIEESE Repudiar o fascismo nas urnas e nas ruas, fortalecer as resistências e preparar-nos para enfrentar os ataques que teremos pela frente Em função da dramaticidade dos acontecimentos, e das dificuldades de se fazer análises mais precisas dos cenários econômicos, boa parte da população está depositando quase todas as suas fichas na “magia” das eleições. É como se as eleições, por um processo de encantamento, fossem interromper todos os ataques que os trabalhadores estão sofrendo, e começar imediatamente após o pleito, a reverter a situação de desemprego, queda da renda, e precarização, que acomete boa parte da população. Para essa interpretação da conjuntura, um presidente eleito “todo poderoso”, do campo progressista, irá resgatar a CLT, devolver o Pré-sal ao povo brasileiro, recuperar a Petrobrás, revogar a Emenda 95, reestruturar as políticas sociais do governo e interromper as negociações para entregar as reservas do Aquífero Guarani. Tudo isso de forma rápida, e mágica, devolvendo a alegria ao povo, surrupiada pelo golpe de 2016. A história mostra que, em política, sempre se prefere o caminho mais fácil. Para as pessoas que estão vivendo uma espécie de pesadelo no Brasil, seria muito mais fácil mudar a realidade através do simples ato de se dirigir às urnas e votar. Conforme se sabe – e os últimos anos têm mostrado isso com muita clareza – o caminho da mobilização, da luta, de remar contra a correnteza, é muito duro, muito difícil. É muito mais confortável ir votar do que participar de infindáveis manifestações, reuniões do sindicato, passeatas, as quais também não têm nenhuma garantia de que irão resolver os problemas no curto ou médio prazos. Porém, o fato é que a visão romântica, que prevê um final feliz sem muita luta, não se sustenta quando se analisa os acontecimentos de forma mais fria. A gravidade da situação, tanto no Brasil, quanto na vizinhança latino americana, exige muito mais cautela e senso de realidade. Os trabalhadores brasileiros vêm apanhando como nunca nos últimos anos, decorrência direta do golpe, que foi perpetrado para retirar direitos, entregar riquezas, e o que restou da soberania nacional.
É muita ingenuidade imaginar que esta operação continental, extremamente complexa e perigosa, será abandonada simplesmente em função de um suposto respeito ao desejo popular nas eleições. Este seria um enredo que destoaria do que aconteceu no Brasil nos últimos anos. O processo eleitoral está muito sob controle dos estrategistas do golpe, que tentam conduzir para os resultados que desejam, intento para o qual contam com muitos recursos (aparato legal, grande mídia, instituições). Além disso, por mais róseo que seja o resultado eleitoral para os trabalhadores (hipótese muito improvável), o presidente vai precisar governar. Quem garante que, eleito um presidente que queira desfazer o estrago que fizeram em dois anos, não irão repetir o roteiro que implementaram a partir do resultado eleitoral de 2014? Tudo indica que, passado o processo eleitoral, irão tentar aprofundar as medidas do golpe, terminando o “serviço” que ainda está incompleto (destruição da Previdência Social, privatização da Eletrobrás, dos Correios, Banco do Brasil e CEF, etc.). Dos candidatos que concorrem ao segundo turno das eleições, quem certamente faria o “serviço” é Jair Bolsonaro, conforme tem anunciado aos quatro ventos o candidato, e seu possível ministro da Economia, Paulo Guedes. Este último já afirmou que irão aplicar o programa de Temer, só que com muito maior velocidade. Por isso a hora é de denunciar e fazer campanha contra Jair Bolsonaro, candidato fascista, antipovo e antiBrasil, a serviço de potências estrangeiras. Mas não devemos achar que a eleição irá resolver a crise brasileira. Independentemente do resultado eleitoral, a crise e o ataque aos direitos irão continuar. Será fundamental o reforço da mobilização sindical, o debate permanente com os trabalhadores, as campanhas de sindicalização e o permanente trabalho de base. São essas ações e políticas que podem melhorar a correlação de forças em qualquer conjuntura. É hora de fortalecer as trincheiras, dobrar a resistência e nos prepararmos para os inevitáveis ataques que teremos pela frente.
ELETROBRAS
FERNANDO HADDAD ENVIA CARTA A TRABALHADORES DA ELETROBRAS Documento encaminhado à FNU reafirma compromisso de manutenção da Eletrobras Pública De acordo com a Federação Na- elétrico existente, com incorporacional do Urbanitários (FNU), o can- ção de novas tecnologias com visdidato a presidente da República, tas a aumentar a eficiência energéFernando Haddad, foi o único pre- tica em nosso país e promover uma sidenciável que assumiu por escrito mudança na matriz energética rumo compromisso contra a privatização a uma economia de baixo carbono”, da Eletrobras e suas empresas. diz trecho da carta. Em 19 de setembro Segundo Haddad, último, em passagem se eleito, a Eletro"Reafirmo meu por Manaus (AM), Ha- compromisso com seu bras irá retomar o ddad assinou carta seu papel estratégicompromisso com o fortalecimento, com a co no sistema enersetor elétrico e com melhora permanente gético brasileiro, as distribuidoras contribuindo, dessa de seus mecanismos para manter o sisinternos de gestão, forma, para garantir tema elétrico com a a expansão da geratransparência e Eletrobras. Ele tamção e transmissão de controle social, bem bém se comprometeu energia no país. “Por em fazer um referen- como com políticas de isso, reafirmo meu do revogatório para valorização de todo o compromisso com as distribuidoras já seu fortalecimencorpo de funcionários to, com a melhora privatizadas. da Empresa”. Agora, Haddad forpermanente de seus malizou seu compromecanismos internos misso em carta oficial da coligação de gestão, transparência e controle O Povo Feliz de Novo, encaminhado social, bem como com políticas de ao CNE – Coletivo Nacional dos Ele- valorização de todo o corpo de funtricitários, dirigindo-se diretamen- cionários da Empresa”. te aos funcionários das Eletrobras A carta pode ser lida, na íntegra, "Reafirmo nosso compromisso de in- no site da Federação Nacional dos vestir na modernização do sistema Urbanitários (www.fnucut.org.br).
CELESC
PESQUISA SOBRE O ACT 2018/19 Trabalhadores avaliarão processo negocial e resultados A partir da próxima segunda-feira, dia 29, os trabalhadores da Celesc poderão dar a sua opinião sobre o resultado das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2018/19. Idealizada pelos sindicatos que compõem a Intercel, a pesquisa de satisfação do ACT 2018/19 dará a oportunidade dos trabalhadores se manifestarem sobre o acordo, contribuindo na avaliação dos cenários e apontando os rumos para as próximas negociações. O link para a pesquisa será encaminhado pela coordenação da Intercel no email corporativo dos celesquianos. Para os dirigentes sindicais, a participação ampla da categoria nesta pesquisa é fundamental para a organização das entidade e para que a luta pela valorização e respeito aos trabalhadores e seus direitos reflita os anseios da categoria.
LV
EXPEDIENTE
Linha Viva é uma publicação da INTERCEL e da INTERSUL Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) Conselho Editorial: Amilca Colombo Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
POLÍTICA
TODOS NAS RUAS PELA DEMOCRACIA Manifestações em defesa da democracia acontecem em todo o país e mobilizam movimentos sociais FOTOS: RUBENS LOPES
Coletivos de mulheres, movimentos sociais e estudantis de todo o país foram às ruas em defesa da democracia, nesse sábado, dia 20. Em Florianópolis, a concentração começou às 10h em frente à Catedral Metropolitana e às 13h foi convocada uma marcha que percorreu algumas ruas do centro. Com música, palavras de ordem e cartazes as pessoas protestaram contra o fascismo, o racismo, a homofobia e a violência provocada pelo candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro. Os manifestantes também se posicionaram contra a ditadura civil-militar defendida pelo candidato do PSL, que já afirmou ser a favor da tortura e tem ameaçado opositores em seus discursos. Além disso, os coletivos reafirmaram a luta contra a destruição dos direitos sociais e trabalhistas e contra a privatização do patrimônio público, defendendo um projeto popular coletivo para o Brasil.
CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS A carta testamento de Getúlio Vargas é um documento endereçado ao povo brasileiro, escrito por Getúlio Vargas horas antes de seu suicídio, em 24 de Agosto de 1954. Existe uma nota manuscrita do suicídio, e um documento datilografado "Carta Testamento", da qual se conhecem três cópias, que foi lido em seu enterro por João Goulart. Porém, existe uma grande polêmica quanto à autenticidade do texto datilografado.
"Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa. Acrescente-se a fraqueza de amigos que não me defenderam nas posições que ocupavam, a felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês e a insensibilidade moral de sicários que entreguei à justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país, contra a minha pessoa. Se a simples renúncia ao posto a que fui elevado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranquilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria ensejo para com fúria, perseguirem-me e humilharem. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas. Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao senhor, não de crimes que contrariei ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue de um inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus. Agradeço aos que de perto ou de longe trouxeram-me o conforto de sua amizade. A resposta do povo virá mais tarde.... Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."