30 anos LV
DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES
INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA No 1425 - 04 DE OUTUBRO DE 2018
V FOTO: GASTÃO CASSEL
#ELENÃO
Mulheres lideram atos em todo o Brasil contra a intolerância e retrocesso que representa Bolsonaro
ELTROBRAS
ELEIÇÕES
INTERSUL PARTICIPA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA NO RIO GRANDE DE SUL
ELETRICITÁRIOS DIANTE DAS ELEIÇÕE
Frente parlamentar debate privatizações na Eletrobras
Dia 26 de setembro a Intersul, representada pela diretora do Sinergia Cecy Marimon Gonçalves esteve em Porto Alegre para participar de uma audiência pública, na sede do Senge gaúcho. O evento foi promovido pela Frente Parlamentar pela Renovação das Concessões do Setor Elétrico. Na pauta, entre outros assuntos, a entrega dos ativos da Eletrosul à iniciativa privada por meio do leilão das SPEs, que estava anunciado para o dia seguinte, 27 de setembro. Estão em andamento duas ações populares em São Paulo e uma reclamação constitucional no STF. A primeira ação tramita na 17ª Vara em São Pau-
lo, teve liminar indeferida. Aguarda-se desdobramentos das demais. Além disso o Senge RS entrou com uma denúncia no Ministério Público Federal em Porto Alegre e outra no Ministério Público Estadual. Cecy, que também representava os trabalhadores da Eletrobras, na sua intervenção incluiu algumas informações importantes com relação à caracterização das SPEs como empresas públicas, que foram acrescentadas aos argumentos da assessoria jurídica do Senge. O deputado federal Pompeo de Mattos, presidente da Frente Parlamentar, destacou a importância de manter os ativos públicos.
Mais uma vez trabalhadores vão optar entre dois projetos As eleições do próximo domingo tem lugar certo na história do nosso país. Estamos na semana decisiva do que pode ser chamado de uma encruzilhada histórica. O resultado que sairá das urnas definirá os destinos do país para os próximos vinte anos. Para todos os cargos em disputa, Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, apesar da profusão de candidatos, a disputa essencialmente está colocada em termos de apenas dois projetos. O povo brasileiro vai escolher entre a continuidade de um projeto de destruição dos direitos e conquistas pela diminuição do amparo social às populações menos favorecidas, ou a retomada de um projeto de soberania e desenvolvimento nacional, inclusivo, participativo e democrático. De um lado, aqueles que tomaram o poder através do golpe de 2016 e os que lhes deram sustentação ao longo de dois anos, com o único objetivo de retirar direitos, destruir a indústria em prol do financismo, gerar desemprego e pobreza, privatizar o patrimônio e as empresas públicas. Do outro lado, aqueles que acreditam que a imensa riqueza de nosso país deve ser utilizada a favor de nosso povo, no desenvolvimento de nossas capacidades e na melhoria de nossa sociedade, enfim, mais direitos, mais participação nas decisões, mais trabalho, mais dignidade. Em
resumo, a eterna luta de classes n confronto do qual deriva o destino trabalhadores, inclusive os eletricit O futuro do setor elétrico brasileiro em jogo nesta eleição. Na hora do voto, é preciso ter em m que a prática é a medida da verdade. que discursos e promessas, deve-s tar sempre atento e lembrar quem e ao lado dos trabalhadores na defes empresas na luta contra a privatiza em todas as votações que ocorrera Congresso recentemente para retira direitos. Não somente os candidatos também na postura dos partidos p cos, pois é das direções destes que v orientação dos votos dos deputados Os trabalhadores sabem muito quem votou e continuará votando c os interesses do povo brasileiro. E d se lembrar portanto daqueles que d apoio e guarida aos trabalhadores, n mara dos Deputados e nas Assemb Legislativas Estaduais enquanto a estava acontecendo. É somente com tes que os trabalhadores podem co E é nestes que os eletricitários d votar. Sobretudo, nenhum candidat partido empenhado na retirada dos tos trabalhistas, na entrega do pat nio público, e na destruição dos va democráticos, merecem o voto dos t lhadores. ELES NUNCA!
CELESC
ELETROBRAS
CELESC É ELEITA A SEGUNDA MELHOR DISTRIBUIDORA DE ENERGIA DA AMÉRICA LATINA
HADDAD ASSINA CARTA
Estatal catarinense foi premiada com base no índice de satisfação dos consumidores Depois de ser eleita a segunda melhor distribuidora de energia elétrica do Brasil pelos consumidores, o trabalho dos celesquianos foi novamente reconhecido pela sociedade, levando novamente a empresa ao pódio. Ao lado da empresa pública de Medelín, na Colômbia, a estatal catarinense foi eleita a segunda melhor distribuidora da América Latina pela Comissión de Integración Energética Regional (CIER). O prêmio é resultado da avaliação do Índice de Satisfação do Cliente com a Qualidade Percebida (ISCAL), resultante da pesquisa CIER de Satisfação de
Clientes – ERSC 2017. A entrega dividiu o primeiro lugar com a do prêmio acontecerá no dia 29 COPEL, Coelce, CPFL Paulista e de novembro. Eletrobras Distribuição Alagoas. Para os sindicatos da Intercel, "Para a Intercel, prêmio o reconhecimento da população é o reconhecimento a ao trabalho dos celesquianos é, um histórico de luta por na verdade, o reconhecimento de uma empresa pública de um histórico de luta por uma empresa pública de qualidade, resqualidade, responsável ponsável socialmente e motor do socialmente e motor do desenvolvimento social. Cada prêmio dado à Celesc é desenvolvimento social" prova de que a privatização de Este é o segundo ano conse- nossas instituições públicas não cutivo que a Celesc é premiada favorece a sociedade. E cada como uma das melhores distri- nova conquista reforça no nosbuidoras de energia da América so lema: CELESC PÚBLICA, BOM Latina. Ano passado a empresa PARA TODO MUNDO!
Candidato à presidência firma com
ES
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#ELENÃO
MULHERES LIDERAM ATOS CONTRA A INTOLERÂNCIA E RETROCESSO Manifestações realizadas por todo o Brasil repudiam discurso de ódio de Bolsonaro e de seus apoaiadores FOTOS: GASTÃO CASSEL
As ruas do Brasil foram tomadas pela luta nicamente, não foram destaque em nenhuma contra o ódio, a intolerância, o retrocesso, pre- emissora de televisão. Era de se esperar que conceito e facismo. Em atos liderados por cole- manifestações por todo o país em um período tivos de mulheres e organizados por centenas eleitoral tivessem noticiabilidade, que tivessem de de movimentos populares, o Brasil manifes- destaque dentro daquilo que é notícia. Entretou repúdio ao candidato à presidência pelo tanto, o que se vê é uma imprensa compromePartido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, tida com a manipulação da realidade, visando fazendo as manifestações apenas garantir um do #ELENÃO deixarem as "Identificado pelas posições projeto que mantenha redes sociais e tomarem a desigualdade e impediscriminatórias contra as ruas. De acordo com dir um projeto popular mulheres, homossexuais, levantamento do jornal e solidário de mudar o negros, indígenas e pobres, Brasil de Fato, foram conBrasil. Além de dar voz tabilizadas manifestações à luta contra o discurso Bolsonaro lidera a corrida em 260 cidades brasilei- presidencial. Para lutar contra de ódio, os atos realizaras. Além das manifesdos no dia 29 incluíram a pauta de retorcessos e tações nacionais, várias na pauta reivindicações manifestações foram re- opressão, mulheres iniciaram progressistas e sociais, gistradas em cidades ao uma série de mobilizações nas como a defesa da saúredor do mundo. de pública, o combate redes sociais" Identificado pelas poà violência constra as sições discriminatórias contra mulheres, mulheres, e a defesa das empresas pública e homossexuais, negros, indígenas e pobres, dos direitos trabalhistas, também atacados pelo Bolsonaro lidera a corrida presidencial. Para "coiso", como ficou conhecido o candidato do lutar contra a pauta de retrocessos e opres- PSL. Defensor de um suposto liberalismo econôsão, mulheres iniciaram uma série de mobili- mico, Bolsonaro pretende entregar o patrimônio zações nas redes sociais, fazendo com que a público e perpetuar a desigualdade, afirmando taxa de rejeição à Bolsonaro atinja o índice que fará um "governo para a maioria". de 46%, conforme pesquisa divulgada pelo Para os sindicatos da Intercel e Intersul este DataFolha na véspera dos atos. discurso de ódio, entreguista e discriminatório As mobilizações nacionais do #ELENÃO que não condiz com a luta popular por melhores uniram a revolta de todos contra o discurso de condições de vida e de trabalho e quem o apoia ódio e os constantes ataques às minorias, iro- não representa os trabalhadores brasileiros.
ELETROBRAS
A CONTRA PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS
mpromisso pela manutenção da Eletrobras Pública Fernando Haddad, candidato à presidência da República pela coligação “O Povo Feliz de Novo”, assinou no sábado (19/9), em Manaus (AM), carta compromisso com o setor elétrico e com as distribuidoras para manter o sistema elétrico com a Eletrobras. Ele também se comprometeu em fazer um referendo revogatório para as distribuidoras já privatizadas. O documento foi entregue pelo vice-presidente do Stiu-AM, Hirton Albuquerque, na passagem de Fernando Haddad pela cidade de Manaus e explicita: “firmo aqui o compromisso público de não privatizar e ser contra à privatização do sistema Eletrobras e suas controladas”. Em 20 de agosto último, no ato “Compromissos com o povo brasileiro para a soberania energética”, realizado em São Paulo, o candidato do PT já havia recebido da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia.
INTERSUL DENÚNCIA ATAQUE AO PLANO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES Entidades acionam Ministério Público Geral do Trabalho A Intersul junto a entidades que representam trabalhadores de outras estatais como: Petrobras, Caixa Económica Federal, Banco do Brasil, Correios, Embrapa, Eletronorte, etc; protocolou denúncia no Ministério Público Geral do Trabalho em Brasília em face das famigeradas resoluções CGPAR 22 e 23 do Ministério do Planejamento, que traz prejuízos imensuráveis aos trabalhadores ativos e aposentados dessas empresas em relação ao seu Plano de Saúde. A denúncia será distribuída para a 10ª região do MPT. As entidades signatárias do documento continuarão unidas na luta contra mais esta medida maldosa deste desgoverno contra os trabalhadores!
LV
EXPEDIENTE
Linha Viva é uma publicação da INTERCEL e da INTERSUL Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) Conselho Editorial: Wanderlei Lenartowicz Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC CEP 89216-000 E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
É O DINHEIRO QUEM CONTROLA O PROCESSO DEMOCRÁTICO, NÃO AS PESSOAS" ENTREVISTA COM DAVID HARVEY 1. O que é a “loucura da razão econômica”? Segundo a análise marxista, o capital é uma forma político-econômica contraditória: promete liberdade e entrega escravidão; promete crescimento e entrega crise e destruição. (Karl) Marx expôs essas contradições. A maioria dos economistas não gosta de contradições. Eles acreditam que a economia tende a um equilíbrio benéfico, embora forças externas possam perturbá-la. Marx afirma que a economia não tende ao equilíbrio, mas ao acirramento das contradições, o que produz as crises, que são momentos de reconfiguração do capitalismo. Marx fazia piada com os economistas: quando enfrentam uma crise, eles geralmente dizem que isso não aconteceria se a economia se comportasse de acordo com os manuais. 2. Como resolver essa “loucura racional” (ou “razão louca”) da economia dentro dos limites da democracia e do livre mercado? Não há solução possível dentro do capitalismo, porque o capital é uma contradição. E de que tipo de democracia você fala? Os Estados Unidos são uma democracia controlada pelo dinheiro. A Suprema Corte diz que o financiamento privado de campanhas eleitorais é liberdade de expressão. Isso significa que milionários podem comprar eleições. (O escritor) Mark Twain (1835-1910) disse que os EUA têm o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar. É o dinheiro quem controla o processo democrático, não as pessoas. É difícil ter uma democracia genuína se as eleições são tão caras. E, atualmente, vemos cada vez mais o dinheiro apoiando o autoritarismo, que esvazia as democracias parlamentares e concentra todo o poder no Executivo. 3. Qual a solução? Agora não há um Palácio de Inverno para invadirmos, mas podemos pensar um sistema em que os recursos econômicos sejam geridos democraticamente. O neoliberalismo transformou tudo em mercadoria — até o conhecimento! Estendemos os limites do mercado mais e mais, e enormes segmentos da população, que não têm recursos, não podem comprar educação, moradia digna, crédito, nada. Precisamos “desmercadorizar” a saúde, a educação, a moradia popular e a cesta básica. Uma sociedade decente garantiria saúde gratuita para todos. Moradia popular não pode ser uma mercadoria. Estamos falando de uma plataforma anticapitalista, o que, obviamente, não significa que vamos romper com a economia capitalista amanhã. É um processo de “desmercadorização”. 4. Por que o senhor critica as propostas de renda básica defendidas, nos EUA, pelo Black Lives Matter (movimento social de combate à violência contra negros) e pelo senador socialista Bernie Sanders? Há vários problemas com essas propostas. Alguns na direita querem a renda básica porque sabem que a automatização e a inteligência artificial reduziram as possibilidades de emprego e que, por isso, há um grande número de pessoas desempregadas que não participam do mercado consumidor. O pessoal do Vale do Silício sabe que a diminuição dos empregos vai encolher o mercado consumidor. A renda básica é a solução deles para preservar o mercado: dê dinheiro a todos para que eles possam ficar no sofá e assinar a Netflix. O problema com os progressistas que defendem a renda básica é que eles ignoram que as pessoas estão preocupadas em ter vidas significativas, trabalhos significativos. Não trabalhar pode ser extremamente negativo. Além do mais, se você dá dinheiro para as pessoas, os aluguéis vão subir. A renda extra vai ser imediatamente tomada pelos proprietários de apartamentos, pelo comércio e pelas empresas de cartão de crédito. 5. O senhor já defendeu o crescimento zero e que a prioridade deve ser a distribuição de renda, e não o crescimento da economia. Os candidatos à Presidência do Brasil defendem a retomada do crescimento econômico. Eles deveriam reavaliar suas prioridades? Sempre disseram que não há como distribuir renda sem crescimento econômico. Mas quanto do crescimento econômico dos últimos 30 anos serviu para distribuir renda? Reformas tributárias como a de Trump, que cortou impostos dos mais ricos e das empresas, e os programas de ajuste fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI) redistribuem renda dos pobres para os ricos. A crise das hipotecas em 2008 redistribuiu a renda da população para os bancos. Não adianta falar de crescimento, é preciso falar do tipo de crescimento. A transição para uma economia de crescimento zero se dará no longo prazo, porque há países que dependem de crescimento econômico. Mas para quem? Não sou favorável a esse desenvolvimento econômico que vemos hoje, baseado na construção de condomínios para os ricos.
Entrevista concedida a Ruan de Souza Gabriel publicada na revista Época em 18 de setembro que pode ser acessada na íntegra em https:// epoca.globo.com/david-harvey-o-dinheiroquem-controla-processo-democratico-nao-aspessoas-23076538#ixzz5Rqt4hLOa