30 anos LV
DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES
INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA No 1411 - 28 DE JUNHO DE 2018
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ASSEMBLEIAS APROVAM FECHAMENTO DO ACT
TRIBUNA LIVRE POTENCIALIDADES DO BRASIL E RISCOS DO GOLPE CONTINUADO por José Álvaro Cardoso, economista e Supervisor Técnico do Dieese/SC As políticas adotadas no Brasil até 2016 (que aliás foram, em boa parte, as motivações do golpe), mesmo que moderadas, foram muito importantes para a melhoria de vida da população. Os ganhos reais do salário mínimo, a melhoria da distribuição de renda, a expansão da rede de ensino público, a ampliação dos gastos com saúde e educação, a elevação do crédito público, a colocação da riqueza do pré-sal a serviço da população (lei de Partilha), a retirada do Brasil do Mapa da Fome, a geração de milhões de empregos, todas elas políticas realizadas nos marcos legais, tiveram enorme repercussão para o país e para a esmagadora maioria da população. Tais políticas, além de possibilitarem um apaziguamento social, em regra, tinham custo baixo no orçamento, em termos comparativos. Por exemplo, o que representa o gasto com o Programa Bolsa Família (0,4% do PIB), comparado com o custo elevadíssimo da dívida interna brasileira, de interesse de 10.000 famílias de super ricos? É uma fração absolutamente ridícula. Só se entende a interrupção do processo no Brasil, se levarmos em conta que hoje quem comanda as ações do empresariado é o capital financeiro, que, no mundo todo, é contra até mesmo pequenas melhorias para a maioria da sociedade. O projeto do capital financeiro é extremamente conservador, e contrário ao desenvolvimento e a distribuição de renda. E isso é assim no mundo todo, como se pode observar pelo processo atual de concentração de renda, verificado também nos países centrais do capitalismo. Com o golpe foi interrompido um processo de construção de um projeto nacional de desenvolvimento, ainda que com uma série de limitações, mas fundamental para o país. Por isso foi atropelado. Essa experiência recente do Brasil, de melhoria dos indicadores,
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apesar do desfecho extremamente amargo e de conclusão imprevisível, foi uma amostra de quanto o Brasil pode ser uma grande nação. A partir do momento em que desenvolver uma política soberana, voltada para os interesses da maioria da população, isso tende a acontecer, ainda que não seja algo que irá acontecer naturalmente. Está havendo reação ao golpe, mas ainda insuficiente. Este, aliás foi um dos aspectos que deu errado, eles imaginavam que a reação seria bem menor. Mas é importante considerar que o golpe não foi somente um problema de fraqueza dos trabalhadores. O inimigo é muito poderoso e esteve por trás dos golpes de Estado no Brasil, pelo menos desde o segundo pós-guerra. Estamos enfrentando o imperialismo norte-americano, em meio a maior crise da história do capitalismo. O império tem que tomar medidas arriscadas e extremas. É uma opção arriscada, claro, porque pode gerar inclusive um salto de qualidade no nível de consciência do povo. O imperialismo sabe disso, e por isso arrisca na América Latina e em outras partes do mundo. Na América do Sul, região que o imperialismo considera seu quintal geopolítico, a situação pode se agravar muito. Na próxima terça-feira, 26.06, está chegando ao Brasil o vice-presidente dos Estados, Mike Pence, que deve trazer para discussão com o governo golpista temas estratégicos, de toda ordem. Um dos assuntos, ao que tudo indica, é uma possível participação do Brasil a um futuro ataque à Venezuela. Por essas e por muitas outras, é muita ilusão imaginar que ações institucionais, via judiciário ou por meio de eleições, encaminhadas de forma isolada, irão dar conta de enfrentar o golpe continuado sob comando do imperialismo.
Está havendo uma reação ao golpe, mas ainda insuficiente. Este, aliás, foi um dos aspectos que deu errado, eles imaginavam que a reação seria bem menor. Mas é importante considerar que o golpe não foi só um problema de fraqueza dos trabalhadores. O inimigo é poderoso
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publicado originalmente no dia 25/06 em facebook.com/josealvaro.cardoso
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EXPEDIENTE
Linha Viva é uma publicação da INTERCEL e da INTERSUL Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) | Conselho Editorial: Wanderlei Lenartowicz Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
ELETROBRAS
ASSEMBLEIA
Trabalhadores valorizam negociação
Ao aprovarem o fechamento do ACT2018 na mai ria das assembleias dos sindicatos que compõem Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), os trab lhadores da Eletrobras demonstraram compreend que o Acordo Coletivo de Trabalho é sim uma im portante conquista e que não cabe ao Tribunal S perior do Trabalho arbitrar sentença normativa pa interferir nas relações de trabalho e, eventualment cassar direitos e benefícios conquistados, especia mente neste momento político, em tempos de “golpe onde nem mesmo as instituições como o TST estã isentas e o ataque aos trabalhadores vem de todo os setores. Ter um ACT negociado será sempre ma vantajoso para os trabalhadores, pois o documen firmado, enquanto vigente, deverá servir de referen cia ao próprio TST em tempos futuros, quando u acordo não for mais possível. Diante da conjuntu atual e das tendências atuais do judiciário, o result do da negociação e o fechamento do ACT2018 dev ser visto pelos eletricitários como uma importan vitória, pois a mobilização e disposição de luta d
CELESC
CARAVANA DA INTERC TRABALHADORES PARA
Intercel percorrerá locais de trabalho m A partir de 9 de julho os trabalhadores da Celesc terão a oportunidade de debater com dirigentes dos sindicatos da Intercel a conjuntura política e econômica em que será negociado o Acordo Coletivo de Trabalho dos celesquianos. Reeditando a tradicional caravana, os sindicalistas "trocarão de base", oportunizando um debate mais amplo em todo o estado. As dificuldades, os anseios e as necessidades dos trabalhadores são o motor da negociação coletiva, permeada por um cenário bastante conturbado. Os desdobramentos do golpe de 2016 afetam diretamente a vida dos trabalhadores. Esta será a primeira negociação após a aprovação da reforma trabalhista, que destruiu direitos e abriu as portas para a exploração dos trabalhadores. As eleições majoritárias também terão impacto sobre o processo negocial. Com uma guinada ideológica à direita, de retrocesso em retrocesso, o cenário se aproxima da realidade da década de 90,
AS APROVAM FECHAMENTO DO ACT
o do Acordo Coletivo de Trabalho e evitam interferência do Tribunal Superior do Trabalho
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categoria demoveu a Eletrobras de sua posição inicial, onde o reajuste proposto era “zero”, mas essencialmente, a empresa tinha a pretensão de destruir a espinha dorsal do Acordo Coletivo de Trabalho com a exclusão de clausulas fundamentais para os trabalhadores, especialmente as clausulas de garantia de que Normas de Recursos Humanos e que afetam relações de trabalho, não podem ser alteradas sem negociação coletiva. A única clausula suprimida pelo acordo, ficou sendo a clausula que propunha estudos para uma política de transferência entre empresas do setor, que a rigor nunca chegou a ser implementada, pois as transferências sempre foram realizadas de acordo com os interesses das empresas, por meio de cessão de empregados. Neste sentido, a exclusão da clausula terá repercussão insignificante para os trabalhadores. Por outro lado, ainda que o reajuste acordado não tenha contemplado integralmente as perdas inflacionárias, a concessão integral destas perdas pelo TST em eventual dissídio também é improvável, pois os últimos julgamentos vistos revelam
uma forte tendência de conceder reajustes contemplando apenas parte das perdas, sob o argumento da necessidade de controle dos gastos das Estatais. Aguardar julgamento de dissidio com interferência do TST, definitivamente consiste em risco desnecessário sem perspectiva de ganho significativo, ao passo que
a mobilização e a negociação tem se mostrado mais positiva para os trabalhadores. Além disso, a luta contra a Privatização, no momento, deve ser o foco das ações, onde os trabalhadores e suas entidades representativas devem continuar concentrando seus esforços e sua energia.
PRIVATIZAÇÃO
CEL MOBILIZA A O ACT 2018/19
mobilizando para Assembleia Estadual retomando privatizações e aprofundando o abismo da desigualdade. Neste cenário, candidaturas que se põe contra os trabalhadores e as empresas públicas, tanto na esfera Federal quanto na Estadual, se proliferam na disputa ao governo. Além dos cenários preocupantes, o contexto da negociação do ACT ainda passa pela necessidade de cumprir as metas impostas pela Aneel para a manutenção da concessão e do caráter público da empresa. Em momentos difíceis como os de hoje, a força dos trabalhadores é expressa na união da categoria em defesa de seus direitos e da empresa pública. Por isso, mais do que nunca, é hora de todos se reconhecerem como trabalhadores eletricitários e participarem ativamente desta data-base. É preciso respeito aos direitos dos eletricitários e reconhecimento do trabalho de excelência prestado à sociedade catarinense. É preciso união em busca de um ACT justo.
PRESSÃO DOS ELETRICITÁRIOS IMPEDE VOTAÇÃO DE PRIVATIZAÇÃO DE DISTRIBUIDORAS DA ELETROBRAS CNE trabalha junto aos deputados de oposição para impedir venda das empresas O Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) tem pressionado parlamentares e conseguido impedir a privatização das seis distribuidoras do grupo Eletrobras do Norte e Nordeste do país, localizadas nos estados de Acre, Alagoas, Amazonas, Roraima, Rondônia e Piauí. De acordo com informações da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), o Projeto de Lei 10.332/2018 estava na pauta da Câmara dos Deputados desta segunda-feira (25/6), mas devido à pressão dos trabalhadores somada ao trabalho dos deputados de oposição da Casa isso não ocorreu. Pautado novamente para apreciação dos deputados federais na terça-feira, o projeto foi barrado através da pressão dos representantes dos trabalhadores em conjunto com parlamentares de oposição aos golpistas, impedindo a privatização das distribuidoras. O projeto de lei 10.332/18 foi
enviado pelo governo Temer ao Congresso e altera a Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, que cria a Conta de Desenvolvimento Energético, a Lei nº 12.111, de 9 de dezembro de 2009, que dispõe sobre os serviços de energia elétrica nos
sistemas isolados, e a Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013, que dispõe sobre as concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, sobre a redução dos encargos setoriais e sobre a modicidade tarifária.
REMAR
CULTURA
Remar é mais do que a capacidade de sincronizar braços é mais do que a força que permeia todo o corpo Remar é olhar o rio que corre manso ou turbulento é observar o mar que não cabe em si mesmo Remar é perceber que não estamos sós ainda que poucos que não somos suficientes ainda que muitos Remar é ter sensibilidade para perceber estrelas consciência para sacudir o chão Remar é lutar cada dia exercitando a criatividade que nos anima para a vida Remar é praticar a solidariedade que nos torna mais humanos Remar é realimentar a esperança para transformar o áspero cotidiano Remar é acreditar que um novo mundo é possível! Por Dinovaldo Gilioli
Dinovaldo Gilioli é poeta, escritor e ex-empregado da Eletrosul