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LV 1405

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30 anos LV

DESDE 1988 AO LADO DOS TRABALHADORES

INTERCEL | INTERSUL | JORNAL LINHA VIVA N o 1405 - 09 DE MAIO DE 2018

V

PRIVATIZAÇÃO

"Pior do que os gringos que nos compram são os maus brasileiros que nos vendem"


CELESC

ELETROSUL

INTERCEL COBRA CHAMADAS DO CONCURSO PÚBLICO

ASSEMBLEIAS DELIBERARÃO SOBRE PARALISAÇÃO PELO ACT 2018/20

Recomposição do quadro de pessoal é urgente

Acordo Coletivo de Trabalho permanece conturbado

Em reunião realizada nesta terça-feira, dia 08, a Intercel cobrou da Diretoria da Celesc celeridade nas contratações de empregados aprovados no concurso público. Na avaliação dos sindicalistas, é urgente a chamada dos aprovados, principalmente dos eletricistas, uma vez que já existe hoje um déficit de trabalhadores em toda a empresa. Além disso, os dirigentes sindicais deixaram claro para o Presidente da Celesc, Cleverson Siewert, para o Diretor de Gestão Corporativa, Nelson Santiago, e para o Diretor de Distribuição, Vitor Lopes Guimarães que não aceitarão a prorrogação do contrato de terceirizadas que foi realizado para reforço das equipes e cumprimento do DEC/FEC da concessão. "O contrato realizado foi, exatamente, para não prejudicar o alcance das metas da concessão enquanto a empresa contratava e treinava trabalhadores próprios", afirmaram os sindicalistas. Outra preocupação levantada foi com a reposição dos eletricistas que estão inscritos no Plano de Demissão Incentivada (PDI). Estão inscritos mais de 300 trabalhadores e é preciso que a Celesc se prepare para chamar e treinar novos companheiros, não pondo em risco o atendimento à sociedade e a busca pela manutenção

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da concessão. O Presidente da Celesc, Cleverson Siewert afirmou que a postura da empresa é pela primarização dos serviços e que apenas detalhes com relação às exigências do Conselho de Administração precisam ser resolvidos. Um destes impasses é a aprovação do Plano CD pela Previc. De acordo com o Diretor de Gestão, Nelson Santiago, a Celesc fará a contratação de 108 eletricistas ainda este ano, em duas etapas, exatamente por dificuldades em treinar um grande número de trabalhadores. O representante dos empregados no Conselho de Administração, Leandro Nunes, reafirmou que as entidades sindicais não aceitarão a prorrogação da terceirização e cobrou da Diretoria soluções para viabilizar o treinamento de um número maior de eletricistas. Para a Intercel, os compromissos assumidos pela categoria foram todos cumpridos e, agora, é preciso que a Diretoria da Celesc cumpra com a sua parte, contratando e treinando novos trabalhadores com rapidez, para manter a busca pela manutenção da concessão, eliminando a terceirização e cumprindo com o papel da Celesc Pública de atender a sociedade com excelência.

É urgente a chamada dos aprovados no concurso, uma vez que já existe hoje um déficit de trabalhadores em toda a empresa

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A menos de um mês do encerramento da data-base, a negociação do ACT 18/20 continua indefinida. A quarta rodada de negociações está marcada para dia 17 de maio. Diante da falta de perspectivas de avanço no que foi apresentado até então pela Eletrobras, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) está realizando assembleias em todo o Brasil para definir os rumos da campanha. O calendário das assembleias vai de 7 a 11 de maio. A proposta do CNE para as assembleias é aprovar indicativo de paralisação de 72 horas a partir de 22 de maio, conforme já deliberaram os trabalhadores da Eletronorte e Furnas, em Brasilia, em assembleias realizadas dia 07/05. O CNE também não descarta a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado ainda no mês de maio, caso a rodada de negociação do dia 17 efetivamente não apresente avanços. Indiferente ao ACT dos trabalhadores, o Presidente da Eletrobras, não esqueceu de solicitar ao Ministério de Minas e Energia um aumento salarial médio de mais de 40% para ele próprio e para os demais diretores das empresas que compõem a Holding, conforme comunicado divulgado ao mercado no último dia 07/05. Para o CNE, com a proximidade do final do período de data-base que se encerra em 31/05, a campanha entra em sua fase decisiva e somente a pressão dos trabalhadores unidos pode garantir a renovação do ACT, preservando seus direitos e benefícios conquistados. Participe das assembleias dos sindicatos da Intersul, que serão realizadas até 11 de maio. Acompanhe a convocação do seu sindicato.

ELETROBRAS

PLR 2017 AINDA TRAVADA Impasse na negociação PLR mantém incertezas Paralelamente ao ACT, a negociação da PLR2017 também ocorre com morosidade. A comissão do CNE composta por representantes de todas as Intersindicais se reuniu com a Eletrobras no dia 03 de maio, quando foram apresentados pela Empresa os números relativos ao cumprimento das metas estabelecidas no termo de pactuação da PLR vigente. Na oportunidade, o CNE solicitou novas informações para averiguar possíveis inconsistências observadas na apuração das metas do CMDE. O CNE também não concordou com a posição da Eletrobras, de que a parcela de 30% da PLR a ser distribuída com base na lucratividade da Holding não tenha sido contemplada. Isto porque o Ebtida apurado foi positivo indicando a lucratividade das operações, apesar dos números finais do balanço determinarem prejuízo. A falta de acordo entre a Eletrobras e o CNE sobre o conceito de lucro ou lucratividade, faz com que 30% da PLR não seja paga para os trabalhadores, reduzindo o montante de duas folhas de pagamento para no máximo 1,4 folhas. Isto se todas as outras metas forem alcançadas, como no caso da Eletrosul, que apresentou lucro e chegou muito próxima a bater 100% das metas, podendo ter a maior PLR distribuída entre as empresas da Holding. Os representantes do CNE têm defendido em todas as reuniões que o pagamento da PLR é devido a todos os trabalhadores de todas as empresas, seja na geração, transmissão ou distribuição de energia, pois são estes trabalhadores que no dia a dia executam suas tarefas com afinco para fazer com que a Eletrobras seja uma empresa forte, capaz de enfrentar todos os desafios, inclusive o fogo amigo do próprio presidente, que trabalha pela sua privatização. Portanto, é preciso reconhecer todos os esforços dos trabalhadores. O CNE solicitou reunião da PLR para o dia 10 de maio, mas a Eletrobras rejeitou o pedido, marcando nova rodada apenas para o dia 17, quando também ocorre negociação do ACT.

LV

EXPEDIENTE

Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de Santa Catarina (INTERCEL) e da Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil (INTERSUL) Jornalista responsável: Paulo G. Horn (MTE 3489/SC) | Conselho Editorial: Mario Jorge Maia Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.


PRIVATIZAÇÃO

PIOR QUE OS GRINGOS QUE NOS COMPRAM SÃO OS MAUS BRASILEIROS QUE NOS VENDEM Audiência Pública realizada na ALESC debate impactos da privatização da Eletrobras para o povo brasileiro

Com o objetivo de levantar subsídios técnicos, teóricos e políticos para a resistência contra a privatização da Eletrobras/Eletrosul, aconteceu na noite de 7 de maio uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) promovida pela Intersul, pela Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços e Empresas Públicas de SC e pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Eletrosul. Outro objetivo do seminário que era construir a unidade entre movimentos sociais e sindicais também foi cumprido graças à forte representação de entidades como o MAB, a Via Campesina, o MST, o Sindipetro/FUP, Sintaema/SC, Sinte, CUT, CTB, FNU/CNE, Intercel, Sindisaude, UCE, UBES UJS entre outros. Resultante deste movimento foi a conclusão de que é imprescindível o diálogo com a sociedade, o alerta para os malefícios desta privatização. Como lembrou o coordenador da Frente Mista, deputado federal Pedro Uczai “precisamos de um projeto que proíba a venda de estatais sem a consulta direta à população. Por isso é importante reagir, resistir, impedir o projeto em curso. Estamos indo bem e penso que se resistirmos mais duas semanas não haverá privatização da Eletrobras”. Os participantes constataram ainda que neste momento não existe neutralidade: existe um golpe em curso que ataca os direitos e conquistas alcançados nos últimos anos e é preciso resistir para defender o patrimônio público e a soberania nacional. Maximiliano Garcez, presidente da Associação Brasileira de Advogados/as Sindicais, declarou que juridicamente o projeto de privatização deve ser combatido levantando sua inconstitucionalidade. “Ele prejudica não só os trabalhadores e a população como também as próximas gerações. Está na Constituição Federal: a energia é um bem essencial e o Estado não pode abdicar da sua soberania, entregar aos estrangeiros a ‘chave da luz’. Privatizar a Eletrobras é inconstitucional. Nelton Friedrich, ex-diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional e ex-deputado federal, lembrou que a Eletrobras surgiu no início dos anos 60 depois de quase uma década de luta na sociedade. Ela surgiu para realizar pesquisas, construir linhas de transmissão, hidrelétricas e subestações. “Hoje poucos países no mundo detêm a inteligência de hidroeletricidade desta empresa e, por isto, este apetite grande sobre ela. Devemos lembrar que ela não é só transmissão e geração, é também o Programa Nacional de Banda Larga, e ainda essencial na integração energética da América Latina.”. Concluiu com um ditado: “pior que o gringo que nos quer comprar é o brasileiro que nos vende”. O deputado Cesar Valduga (PCdo B), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços e Empresas Públicas de SC, também ressaltou que a soberania nacional está em jogo com a privatização da Eletrobras. Lembrou as últimas investidas

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que visam prejudicar a imagem da empresa para facilitar o processo de venda. “Não esqueçamos que é a Eletrobras que garante a modicidade tarifária, energia mais barata no Brasil. Ela tem a gestão de 47 usinas/ barragens que ficariam nas mãos da iniciativa privada. Nos últimos 10 anos ela pagou ao governo federal R$ 13 bilhões, contribuindo para o resultado primário do país. Privatizar é uma violência que o governo Temer quer fazer com o patrimônio nacional. Cabe a nós resistir”. Leandro Nunes, eleito pelos trabalhadores para o Conselho de Administração da Celesc e integrante da Intercel, prestou solidariedade aos trabalhadores da Eletrobras/Eletrosul e lembrou que os efeitos de uma possível privatização atingiriam também a Celesc. “A Eletrobras é o terceiro maior acionista da Celesc e a pressão para privatizar também a distribuidora catarinense seria grande. Temos que levantar o debate nestas eleições que se aproximam sobre que país queremos. Queremos entregar o patrimônio público? “ Mario Dal Zot, presidente do Sindipetro Pr/SC, constatou que o que está acontecendo com a Eletrobras já vem ocorrendo na Petrobras há mais tempo. “É um entreguismo sem precedentes. Disseram que iam baixar o preço dos combustíveis. E vejam o que aconteceu. O primeiro ato de Temer foi a entrega do pré-sal. Estávamos perto de conseguir o regime de partilha e veja o que aconteceu". O deputado Dirceu Dresch (PT/SC), de saída, atribuiu o péssimo momento que o Brasil vive ao “boneco que o grande capital colocou no poder em 2016. É um personagem dos sonhos que a cada dia fecha novos acordos para se salvar. É um pecado: estávamos nos encaminhando para ser a segunda ou terceira economia do planeta e agora viramos quintal dos grandes exploradores. Em 2001 deu-se o debate entre Estado Mínimo ou Estado Forte e venceu o Estado Forte." Rodrigo Seferim, da Coordenação do MAB, defendeu os números da Eletrobras que segundo ele produziu 170 milhões de megawatts/hora ano passado e tem uma receita de cerca de 45 bilhões/ano. “Estes números já demonstram que estão querendo assaltar o povo brasileiro. Isto faz parte do golpe: a destruição da soberania nacional. Somos também contra a privatização da Eletrobras, pois ela produz a tarifa mais barata do pais e se privatizada haverá um aumento estratosférico das tarifas". Eduardo Clasen Back, secretário-geral do Sinergia e representante da Intersul rebateu toda argumentação dos interessados na venda da Eletrobras/Eletrosul. Enfatizou que entre os eletricitários há disposição de luta e, em conjunto com outras representações, estão fazendo o enfrentamento ao golpe. “Os eletricitários sabem que energia é um serviço público essencial e querem discutir a fundo um modelo para o setor”, concluiu.

Existe um golpe em curso, que ataca os direitos e conquistas e é preciso resistir para defender o patrimônio público e a soberania nacional

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CULTURA

POEMA INDIGNADO Poema de Josiane Gaia Portilho, militante do MAB, foi lido na audiência pública na ALESC

INDIGNAÇÃO DE UMA MULHER Preste muita atenção para esta explicação Não é causo, não é piada, é a indignação Uma mulher atingida por tanta opressão. Vou contar-lhe esta história Que não é mentira não É a pura realidade Do fundo do coração Você já teve que dividir seu almoço Para garantir de seu filho o jantar? - Eu já! E com certeza milhares de famílias também. Você já teve que deixar de almoçar Para dar a seu filho o que jantar? - Eu já! E com certeza milhares de famílias também. Você paga um alto preço pela utilização de energia elétrica? Na minha casa não tem energia não, E a barragem foi construída A poucos quilômetros do chão. Fico muito indignada, vendo passar o linhão Chega de tanta opressão, Não vou viver na escuridão Sem almoço, sem jantar, Eu não vou desanimar. O que me faz resistir e lutar É a vontade de mudar Esse modelo cego e capitalista Para um modelo energético popular.


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