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LV 1380

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No 1380 - 19 de outubro de 2017

Sirizão

CONDENADO

DENÚNCIA DO LINHA VIVA VIRA CONDENAÇÃO NO CASO DO BALAIO DE SIRIS

PALESTRA

FINANCIAMENTO

PRIVATIZAÇÕES

Mercado palestrando na Celesc?

Luta pelo Financiamento do BID ainda não encerrou

Privataria x Soberania nacional: uma luta desigual


CELESC

SIRIZÃO CONDENADO PELO TCE Denúncia do Linha Viva vira condenação no caso do Balaio de Siri Em 2011, uma denúncia publicada pelo jor- de Informática Ltda foram condenados a resnal Linha Viva desvendava uma quadrilha que sarcir a Celesc em aproximadamente R$ 5,9 fraudava serviços emergenciais, recebendo milhões. Antônio dos Santos era assitente da por serviços nunca realizados nas Agências Diretoria Técnica enquanto Sitônio era Diretor. Regionais de Joinville, Florianópolis, Rio do Segundo o relator do caso, o auditor substituto Sul e Criciúma. O "balaio de siri" rendeu mais de conselheiro Cleber Muniz Gavi, "despeito de denúncias, envolvendo sempre os mesmos in- todas as falhas, omissões e irregularidades no divíduos e várias empresas de fachada. Com- processamento das despesas (inclusive consiplementando o trabalho, a Intercel encaminhou derando os normativos internos da Celesc), na as provas para que o MinisDiretoria Técnica da empretério Público, DEIC e Auditosa um ou outro (ou ambos "A condenação ria da Celesc investigassem em alguns casos) atestava proferida pelo Tribunal a legalidade das despesas, as denúncias. Em 2016 houve o primeide Contas do Estado o que constituía condição ro desdobramento, com a para o pagamento dos valoé fruto indiscutível prisão de alguns dos envolres constantes das notas fisdo trabalho dos vidos em uma operação da cais”. Os condenados terão Polícia Federal. Nela, foram sindicatos da Intercel, 30 dias para ressarcir a Cepresos Antônio dos Santos - com valores a serem através das denúncias lesc e Arthur da Rosa Santos, atualizados monetariamente indicados como chefes da do Linha Viva no caso e acrescidos dos juros lequadrilha que atuava na Cegais - ou apresentar recurso do Balaio de Siri" lesc. Enquanto Antônio já junto à Corte de Contas. havia saído da empresa em A condenação proferida um plano de demissão, Arthur da Rosa Santos, pelo TCE é fruto indiscutível do trabalho dos que também era vereador em Pescaria Brava, sindicatos da Intercel, através das denúncias foi demitido da Celesc. do Linha Viva. Para as entidades sindicais, deAgora, em 2017, um novo desdobramento fender a Celesc Pública é também fiscalizar os resultou na condenação de envolvidos no ba- atos dos agentes públicos e coibir a má utililaio de siri pelo Tribunal de Contas do Estado zação do bem público. As entidades sindicais (TCE). Segundo divulgado pelo próprio Tribu- reafirmam a postura combativa para que ninnal, Antônio dos Santos e Eduardo Sitônio e as guém manche a imagem dos trabalhadores e a empresas Joka Comércio de Serviços LTDA e história da Celesc Pública, motor do desenvolQI Centro de Serviços e Comércio de Produtos vimento de nosso Estado.

CELESC

MERCADO PALESTRANDO NA CELESC Claudio Gonçalez reproduz discurso de mercado para celesquianos Defender as "reformas" do governo Temer e o retorno das privatizações é um contrasenso para qualquer trabalhador de empresa pública neste país. Ouvir qualquer um defender estas questões causa revolta nos trabalhadores. Por isso, vários celesquianos questionaram a contratação do economista Claudio Gonçalez para palestrar na empresa. Contratado para a realização de 10 palestras, Gonçalez reverbera as ideias de mercado para os celesquianos, as mesmas que consideram o custo dos trabalhadores muito alto e que basearam a destruição da Consolidação das Leis do Trabalho com a Reforma Trabalhista. As mesmas, também, que enxergam a retomada das privatizações no Setor Elétrico como uma grande oportunidade de negócios.

Analisar a macroeconomia e a política de mercado, como explicita o contrato, não quer dizer, necessariamente, reproduzir um discurso amplamente contrário às empresas públicas. Sendo assim, o discurso de mercado vai na contramão, inclusive, das posições da Diretoria da empresa, que tem sistematicamente se posicionado contra a privatização. Dessa forma, a falta de critério na contratação de um palestrante, transforma uma boa iniciativa em uma péssima ação. Se a diretoria é realmente a favor da empresa pública, por que ao invés de reforçar o discurso mercadológico não se dispõe a fortalecer a iniciativa de um projeto popular de soberania energética, que enxergue a energia como um bem público, e não como mera mercadoria?

CELESC

LUTA PELO BID AINDA NÃO ENCERROU Deputados Estaduais manifestam-se contra alienação do patrimônio público Após uma longa luta, com ampla mobilização dos trabalhadores e ocupação dos corredores da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), o financimamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a Celesc foi aprovado pelos Deputados Estaduais. O projeto de lei já foi, inclusive, sancionado pelo Governado do Estado. Mas, mesmo assim, o negócio corre risco de não acontecer e, novamente, a mobilização dos trabalhadores é necessária. Uma emenda que descreve a responsabilidade do Estado em caso de não pagamento do financiamento é necessária para a conclusão do contrato com o BID e também tem que ser aprovada pelos deputados catarinenses. O trâmite é o mesmo do projeto de lei, ou seja, a emenda deve passar primeiro pelas comissões para depois ser apresentada e votada no plenário. Nesta terça-feira, dia 17, dirigentes sindicais da Intercel e trabalhadores da Celesc estiveram na Comissão de Constituição e Justiça, onde a emenda de autoria do Deputado Darcy de Matos (PSD) seria apresentada. Entretanto, a preocupação com uma possível inconstitucionalidade na autoria da emenda devolveu a matéria para a Secretaria de Estado da Casa Civil, que deverá encaminhar na próxima terça-feira, dia 24, emenda de própria autoria, em regime de urgência. Os sindicatos da Intercel continuarão vigilante, pois o financiamento do BID é importante passo à manutenção da concessão e da Celesc como empresa pública.

ELETROSUL

PRIVATARIA X DEFESA DA SOBERANIA Uma luta desigual Enquanto os golpistas empenhados em entregar o patri- tares no Congresso Nacional, visando constituir uma rede de mônio público controlam a mídia, massificando o discurso apoio político contra a privatização. privatista nos principais meios de comunicação, trabalhadoNo campo institucional e político, as entidades sindicais res e movimentos sociais se desdobram no enfrentamento. promoveram e participaram de varias ações, com paraVeja a seguir uma mostra das ações das entidades repre- lisação do setor elétrico no dia 03/10, grandes atos de sentativas da sociedade e dos trabalhadores: protesto no Rio de Janeiro e nas principais cidades onde No campo da comunicação, os sindicatos por meio da estão as empresas Eletrobras já ocorreram no decorrer FNU e do CNE lançaram em 12/09 a dos meses de setembro e outubro. No "FNU e do CNE lançaram Congresso Nacional já foram realizacampanha “Energia Não é Mercadoria” e contrataram assessoria para a criação das diversas audiências públicas em a campanha “Energia e divulgação nas redes sociais, do site Não é Mercadoria” que várias comissões para debater os imda mobilização nacional, que já regispactos negativos da privatização e os já registrou o envio aos trou o envio aos deputados e senadores, prejuízos para a sociedade. Dezenas mais de 540 mil mensagens de repúdio deputados e senadores, de outras audiências foram realizadas à privatização. Campanhas com outdonas Assembleias Legislativas de vámais de 540 mil ors estão sendo elaboradas e aguardam rios Estados e em diversas Câmaras mensagens de repúdio à ser viabilizadas. Dirigentes sindicais tem de Vereadores com participação sigparticipado de diversos programas de nificativa de políticos, entidades sinprivatização" rádio e televisão para conscientização dicais, movimentos sociais e trabalhada sociedade. Em Santa Catarina, os sindicatos confeccio- dores. Em Santa Catarina, a audiência na ALESC ocorreu naram e distribuíram centenas de camisetas e mais 40 mil no dia 04/10. A articulação política das entidades sindicais panfletos em defesa da Eletrosul e Eletrobras públicas. contribuiu para o lançamento da Rede Parlamentar em No campo jurídico, foram contratadas assessorias que já Defesa da Soberania Energética e Nacional, assim como estão trabalhando na preparação de ações judiciais visan- o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da do impedir as privatizações e a aprovação das nocivas al- Soberania Nacional. Estas frentes constituem um dos pilaterações no marco regulatório do setor elétrico. A FNU já res da luta a ser travada contra a Privatização. impetrou mandado de segurança contra o próprio Ministro Um outro pilar, tão fundamental quanto o pilar do apoio de Minas e Energia. As assessorias trabalham ainda no mu- político, é o apoio e a contribuição da classe trabalhadora. niciamento de informações para os gabinetes de parlamen- Venha para esta luta. O Brasil precisa de nós.

TRIBUNA LIVRE Entrega das estatais e o conto da carochinha Por José Álvaro Cardoso

Em agosto último o governo golpista apresentou a já esperada proposta de privatização da Eletrobrás, cuja modelagem será detalhada e divulgada até o final de 2017. A Eletrobrás é constituída por centenas de empresas que atuam em todas as fases da cadeia produtiva do setor elétrico. O maior sistema de produção e distribuição da América Latina, é constituído de 233 usinas de geração de energia, seis distribuidoras, e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão. Esse total de linhas de transmissão representa metade de tudo o que o país dispõe. Ficarão de fora da proposta de privatização as usinas nucleares de Angra, visto que que dependeria de mudança constitucional, já que a Constituição prevê que apenas o Estado seja seu controlador. Também ficou de fora a usina de Itaipu, por ser binacional (senão seria privatizada também). Não há na proposta qualquer preocupação com melhorias no sistema, aperfeiçoamento do serviço, ou elevação da qualidade para melhor atender a população. Também não está vendendo as estatais a preço de banana em função de uma “fé cega” nas “saídas” neoliberais. A pressa dos golpistas em tomar decisões dessa envergadura, está relacionada à necessidade de fazer caixa rapidamente e ajudar a cobrir o déficit fiscal, o maior da história do país. O próprio modelo escolhido para privatizar a empresa, através de novas emissões de ações da holding, é revelador de que o objetivo principal é levantar dinheiro de forma rápida. Mesmo que isso signifique inviabilizar o futuro do país como nação. Irão vender o Sistema Eletrobrás por algo entre R$ 20 e R$ 30 bilhões. Segundo cálculos feitos pelo engenheiro e consultor do setor, Carlos Mariz, os 48,6 mil megawatts (MW) de capacidade instalada de geração do Sistema Eletrobrás equivalem a um investimento de cerca de R$ 370 bilhões a preços atuais. Ou seja, então entregando às multinacionais mais um setor estratégico, que irá tornar o país dependente de decisões tomadas por capitalistas estrangeiros, por menos de 10% do que vale os ativos atualmente. Essa é a orientação dos golpistas para todo o setor estatal. Estão inviabilizando, por exemplo, a Embrapa, que é referência internacional em pesquisa e tecnologia, através de seu estrangulamento financeiro e administrativo. No caso da Embrapa, o que está por trás do processo é o acesso das grandes multinacionais do setor agropecuário e florestal ao banco genético brasileiro, sob a responsabilidade da Embrapa. Este banco conserva material estratégico para a soberania nacional na pesquisa agropecuária e florestal, na pesquisa médica e farmacêutica. O banco genético é considerado o “banco central” da agricultura brasileira, pela importância que tem para a agricultura brasileira (ver o ótimo artigo de Ana Guerra: “O golpe chegou na Embrapa). Além de representar uma queima impressionante de patrimônio público, a privatização da Eletrobrás representa uma renúncia a qualquer objetivo de soberania energética do Brasil, o que mostra a natureza antinacional e subserviente deste governo. Conforme ocorreu nas privatizações da década de 1990, o Estado irá entregar o patrimônio da Eletrobrás para as empresas privadas, na “ponta dos cascos”. O governo está divulgando que, antes da privatização da Eletrobrás, irão vender suas seis distribuidoras de energia do Norte e do Nordeste, provavelmente no primeiro trimestre de 2018 (eles têm pressa). No entanto, antes de vender as distribuidoras, a Eletrobrás irá assumir os passivos dessas empresas, repassando aos capitalistas apenas o filé-mignon do sistema, como sempre ocorreu nas privatizações. A compensação disso seria a Eletrobrás manter uma fatia minoritária nessas empresas, em troca de dívidas das concessionárias com a holding Eletrobrás. Há uma crise internacional do capitalismo e as grandes corporações multinacionais precisam remover os obstáculos para o acesso às riquezas naturais e ao filé das estatais dos países periféricos, garantindo assim seus níveis de lucros. No Brasil estão agora, novamente enganando os néscios, com a esdrúxula tese de que um golpe militar poderia interromper a desavergonhada entrega ao estrangeiro do patrimônio nacional, por um governo que bateu todos os recordes de corrupção. A tese se apoia na lenda de que os militares que vêm chantageando com o golpe, são nacionalistas. Se isso fosse verdade, já teriam se oposto desde o início em relação à entrega do pré-sal, privatização da Eletrobrás, à inviabilização do projeto de fabricação do submarino de propulsão nuclear, fundamental para proteger a Amazônia Azul, à prisão do vice-almirante Othon Silva, e à tentativa de vender terras a estrangeiros, inclusive partes da Amazônia. Ademais, sobram declarações na mídia, de militares afirmando que o governo deveria privatizar todas as estatais e, inclusive, internacionalizar a Floresta Amazônica. José Álvaro Cardoso é economista e Coordenador Técnico do Dieese

Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) Conselho Editorial: Amilca Colombo Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.


a d a i m POESIA pre CULTURA

LIVRO INÉDITO DE DINO GILIOLI É PREMIADO EM CONCURSO LITERÁRIO

A poesia catarinense novamente ganhou destaque nos versos do poeta Dino Gilioli. O livro "Inventário de Auroras" ganhou o 3º lugar na categoria Poesia no Prêmio Miau, promovido pela editora paulista Costelas Felinas. Colaborador assíduo do jornal Linha Viva e autor de 6 livros, Dino é aposentado da Eletrosul, onde foi Representante dos Empregados no Conselho de Administração. Como diretor de cultura do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis coordenou várias atividades artísticas/culturais, tais como o Concurso Conto e Poesia, promovido pelo Sinergia. O livro Inventário de Auroras será publicado em 2018. Na sequência, alguns poemas que constam na obra.

"

calar a palavra cravar o silêncio na essência do poema

"

"

"

Dai a César o que é de César Daí a Deus o que é Deus Ao povo, migalhas de novo?

"

"

"

" na cria crio

neste testamento deixo bem declarado

um maço de fitas um poema inacabado

"

na sala de espera intensa comunicação metade no celular outra na televisão

"

a demência (exata) da lógica

"


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