No 1361 - 18 de maio de 2017
Debater e
PLANEJAR
Intercel e Intersul realizam planejamento para data-base e para as lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores ASSÉDIO MORAL
ENTREVISTA
ELEIÇÃO
Palestra na UFSC marca dia de luta contra o Assédio Moral
Palestrante do 10º Congresso, José Álvaro Cardoso, fala sobre a política e economia
Trabalhadores elegem nova diretoria no Sindinorte
PG
INTERCEL E INTERSUL
SAÚDE
COMBATER O ASSÉ
Debater e
PLANEJAR Intercel e Intersul realizam planejamento para data-base e para as lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores
Debater e planejar a luta dos trabalhadores. É isso que, em momentos distintos, os dirigentes sindicais da Intercel e da Intersul estão construindo esta semana. Agrupados em trabalho coletivo, os dirigentes sindicais debateram os rumos da luta dos trabalhadores. Com a campanha de data-base no horizonte, os companheiros da Intercel debateram a realidade política e econômica brasileira e os impactos dos ataques aos direitos dos trabalhadores, orquestrado pelo Governo Temer, na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2017/18. Além disso, os sinidicalistas se aprofundaram na re-
alidade da Celesc frente à regulação da Aneel e as dificuldades que o processo de manutenção da concessão trará para avanços no ACT.
"O momento político exige que os trabalhadores se unam com os sindicatos e movimentos sociais para lutar por seus direitos" Uma vez que este ano não há negociação coletiva na Eletrosul (o último ACT foi fechado para 2 anos) os companheiros da In-
tersul aprofundaram o debate sobre as lutas nacionais contra as reformas do Governo Temer. Além de debater frentes de ação contra as reformas trabalhista e da previdência, os dirigentes sindicais também debateram o atual momento do Brasil e o retorno da ameaça de privatização da Eletrosul e das demais empresas do Grupo Eletrobras. O momento político do Brasil exige que os trabalhadores se unam com sindicatos e movimentos sociais para lutar por seus direitos, seja nas negociações estritamente corporativa, seja nas lutas amplas contra a destruição de direitos sociais e trabalhistas. É preciso debater, planejar e agir!
ELETROSUL
PARA CUIDAR DA SAÚDE E SEGURANÇA Eleição da Cipa acontece até o dia 29 deste mês, na sede e no Sertão O Sinergia/SC informa a todos os interessados que as inscrições para participar da CIPA/SEDE Eletrosul iniciaram em 09/05 e serão encerradas em 29/05. A eleição será realizada de 31/05 a 02/06 No Sertão as inscrições iniciaram no dia 12 e encerram-se no dia 26/05 e a eleição se dará no dia 30/05. Procure um integrante da CIPA para se inscrever e participe desse importante espaço de representação.
Palestras na UFSC marcam dia Na
A UFSC realizou um ciclo de palestras em referência ao Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral, celebrado em 2 de maio. Durante as palestras foram destacadas a relação entre assédio moral, saúde do trabalhador e gestão do ambiente de trabalho. Os palestrantes afirmam que o assédio moral é estritamente vinculado às relações de poder, onde o individualismo, a competição desenfreada, a falta de empatia e a banalidade do mal criam uma cultura propícia a ele, causando desgaste psíquico e degradação do ambiente de trabalho como um todo. O assédio normalmente causa o isolamento da vítima e a recusa de comunicação por parte do assediador. Se pode Durante o assédio são comuns as condutas contra a configurado dignidade humana, como assédio m a violência verbal, física ou o que ocor sexual, a desestabilização emocional, a remoção e a Eletrobras, n transferência forçada, entre afirmar. Som outros. A pessoa assediada poder fica estigmatizada, o que gera problemas psíquicos, ocasionando à diminuição da produtividade e fazendo com que o trabalhador passe a ‘dar razão’ a quem o “assedia”. Foi citado o caso da France Télécom, processada pelo Governo Francês por assédio moral coletivo devido a um plano de reestruturação da companhia, que envolveu a demissão e a mudança de cargos, ilustrada na fala pública de um de seus diretores: “Essas pessoas sairão da empresa de qualquer jeito, pela porta ou pela janela". As consequências foram dramáticas: o suicídio de 60 funcionários em quatro anos, muitos deles jogando-se pelas janelas do edifício-sede da companhia. A gestão da empresa foi denunciada pelos sindicatos franceses e considerada uma brutalidade extraordinária. A conclusão do inquérito é de que "incidentes frequentes" com o objetivo de "desestabilizar os funcionários" criaram um "clima profissional de ansiedade" para acelerar os pedidos de demissão. O resultado é que sete ex-diretores da France Télécom serão processados.
SINDINORTE
RESISTÊNCIA E LU
Chapa apoiada por Intercel e Int no Sindinorte
Os trabalhadores eletricitários do norte de Santa Catarina foram às urnas nos dias 11 e 12 de maio para definir sua representação para o triênio 2017-2020. Cerca de 70% dos sindicalizados participaram do pleito, referendando a chapa Resistência e Luta, única inscrita. Ao todo, 305 trabalhadores (98,70% dos votantes) depositaram a confiança dos dirigentes sindicais para a continuidade do trabalho coletivo de defesa dos direitos
CELESC
ÉDIO MORAL
acional de combate ao Assédio Moral
Analogamente pode-se perceber que o ocorrido na empresa francesa não está distante da realidade de empregados de várias empresas do setor elétrico, como o Grupo Eletrobras, por exemplo, que também está implementando seu plano de reestruturação. Tudo converge e facilmente pode ser verificado pelas evidências que são: implantação atrapalhada de um Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE); ameaça pública do Presidente do Grupo de demissão aos aposentáveis que não aderirem ao PAE; divulgação constante de vídeos e textos sobre o obscuro funcionamento do Centro de Serviços Compartilhados (CSC) e a inerente e pose ou não ser sível transferência de emo um caso de pregados. Se pode ou não moral coletivo ser configurado um caso assédio moral coletivo rre no Grupo de o que ocorre no Grupo ninguém pode Eletrobras, ninguém pode mente o tempo afirmar. Somente o tempo poderá dizer. A Eletrosul, rá dizer. entretanto, já possui o seu passado passivo, distribuído em órgãos públicos nas pessoas de seus 342 anistiados. Pessoas que foram demitidas na época da cisão em 1998 e tiveram seu direito de retorno garantido, via justiça. Além disso, a Eletrosul também já foi processada por assédio moral individual e condenada a indenizar sua vítima, porém continua não possuindo nenhuma norma ou regimento que impeça a ocorrência do assédio. É fundamental que as empresas adotem uma postura de respeito e responsabilidade em relação ao assunto de forma a evitar o assédio moral, cabendo somente a elas a sua diminuição e/ou extinção, principalmente porque a atual reforma da previdência e trabalhista só vai favorecer ao aumento das desigualdades e dos passivos trabalhistas. Foi citada na palestra, como referência, a frase de Platão/Aristóteles: “tratar desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam” e, no final do evento, indicados o livro Germinal, de Èmile Zola, e o filme homônimo.
UTA
tersul é eleita para novo mandato
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dos trabalhadores e das empresas públicas. Para os sindicatos que compõem a Intercel e a Intersul é de grande importância o massivo referendo dos trabalhadores à chapa, demonstrando a representatividade do sindicato junto à categoria. A Intercel e a Intersul parabenizam os companheiros, reafirmando o compromisso coletivo de lutar em defesa dos eletricitários e de todos os trabalhadores brasileiros.
A REALIDADE DOS TRABALHADORES NO BRASIL ATUAL Entrevista com José Álvaro Cardoso, economista, coordenador regional do Dieese e palestrante do 10º Congresso dos Empregados O 10º Congresso dos Empregados da Celesc acontece na próxima semana, em Chapecó. Sendo a Celesc uma empresa pública estatal, é é preciso também debater a realidade política e econômica de Santa Catarina. Um dois paineis do Congresso trará o debate da visão conuntural do Estado, tratando em duas frentes: a visão dos trabalhadores e a visão do Governo do Estado. Quem irá falar aos celesquianos sobre os desafios dos trabalhadores no atual momento é o economista do Dieese, José Álvaro Cardoso, que conversou com a equipe do Linha Viva. LV- Qual é a realidade dos trabalhadores neste novo contexto político e econômico de Santa Catarina? Os trabalhadores sofrem o maior ataque aos seu direitos, já verificado na história do Brasil. Além de estarmos enfrentando a maior recessão da história do país, a "solução" da burguesia para resolver a crise é jogar todos os seus efeitos sobre os trabalhadores. Retirar (a Presidenta) do governo, sem crime de responsabilidade, era somente a primeira etapa do golpe de Estado. O mais importante, para os golpistas, é retroceder os direitos sociais e trabalhistas ao século XIX e entregar ao Império do Norte as riquezas naturais do país. LV - O discurso da crise se converteu em desculpa para o ataque a conquistas históricas dos trabalhadores? Exatamente. Todas as crises econômicas são funcionais para a retirada de direitos. Conquistas seculares, ás vezes, são destruídas em meses com base na crise e, no caso atual, um golpe cínico e covarde contra o povo e contra o Brasil. Estou falando de século mesmo, como é o caso da Seguridade Social, que os canalhas querem destruir, usando uma verdadeira escória parlamentar. Nem os militares ousram tanto contra os trabalhadores e contra a soberania nacional. LV - Quais são as maiores ameaças e qual o caminho para a resistência dos trabalhadores? As ameaças são: ● reduzir o custo da força de trabalho ● implodir a Carta Magna de 1988 e seus avanços civilizatórios ● transformar direitos sociais em serviços pagos ● revogar a Consolidação das Leis do Trabalho ● vender na bacia das almas, o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás) ● destruir o Sistema de Seguridade Social ● entregar de bandeja o pré-sal, maior descoberta de petróleo do milênio (o que já estão fazendo com muita pressa). O programa ultraliberal que estão implantando foi encomendado pelo setor financeiro e rentistas em geral. O conjunto das maldades em curso interessa somente àqueles que parasitam o Estado via serviços da dívida pública e por outros meios, em prejuízo de toda a população, especialmente dos mais pobres. O empresariado está apoiando o conjunto das atrocidades que estão sendo praticadas contra o País, porque também vive de juros e não defende um projeto nacional de desenvolvimento, por mínimo que seja. Esse apoio representa um imenso tiro no pé, que pode destruir o país, como ficará cada vez mais evidente. O programa coloca em risco a própria soberania. Se a indústria é arrebentada, se os recursos naturais são vendidos a preço de banana, se as leis trabalhistas são destruídas, e o mercado consumidor interno e a seguridade social são liquidados, perde-se as bases da soberania nacional. Um país com políticas voltadas exclusivamente para o interesse do 1% mais ricos é sem futuro e inviável sob todos os pontos de vista. Só há um caminho: lutar com todas as forças. Não há outra alternativa para os trabalhadores.
Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) | Conselho Editorial: João Roberto Maciel Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | (047) 3028-2161 | E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
GREVE
CULTURA
na pia
por Rodrigo Galvão
Encontrei a pia toda suja, isso foi no primeiro dia de greve, olhei a cozinha de soslaio e deixei assim mesmo. No segundo dia, cheguei em casa e o movimento tinha crescido, os talheres sujos da janta de ontem também suspenderam seus serviços. Aquilo me deixou indignado, afinal, tantas vezes lavei a louça e agora isso! Não tinha jeito, a pia em greve se recusava a abrir mão do direito de ser limpa. Dava para ouvir o garfo reivindicando a limpeza de maneira contundente, a faca com seu olhar cortante e, ao seu lado, a colher de fisionomia fechada. No dia seguinte, decidi terceirizar; fui jantar fora. Quando voltei, o movimento continuava coeso, até o copo d´agua, símbolo da humildade, aderiu à greve. Puxei uma cadeira e sentei perto da pia, iniciei meu discurso afirmando que a alimentação é mais importante que os utensílios domésticos, e eram esses os serviços que estavam sendo interrompidos; bradei: “as pessoas tem o direito de se alimentar!!” ... não adiantou, a louça ficou ali aguardando, em greve, ser limpa. Na quarto dia de paralisação, voltei para casa com talheres e pratos de plásticos, da marca PJ. Fiz questão de usá-los na frente da pia suja, para intimidar. A frigideira, a mais radical do sindicato das panelas, me fritava com seus argumentos: “agora que estamos sujas, você nos olha com desprezo, parece que já se esqueceu do serviço que prestamos, o sabor dos alimentos, a satisfação de uma refeição quente e farta, pois nós estamos exigindo o mínimo de nossos direitos!”. Até a panela de pressão assoviou quando a caçarola puxou o grito “Fora com a sujeira, queremos a limpeza!”. No quinto dia, a garrafa d´agua aderiu ao movimento: “agora vai tomar água no bico, só porque não tem copo limpo?!” Senti que a reivindicação poderia se espalhar por toda a geladeira, algo tinha de ser feito antes que a cozinha toda entrasse em greve geral. Deixei ali na pia uma esponja, detergente líquido e um par de luvas – mas não aceitaram essa “proposta”. Os talheres, que já tinham formado um piquete com os pratos, se mantinham firmes: “você está pensando que está lidando com aquelas coisas de plástico flexíveis? Com a gente o movimento é firmeza!”. No sexto dia de paralisação, passei correndo pela cozinha, tempo suficiente para ver a garrafa de vinho conversando com o pano de louça, aquilo me deixou realmente preocupado, porque se o fogão aderisse ao movimento, esse coquetel poderia pegar fogo. No fim de semana, atendi às reivindicações, não teve jeito. O movimento estava coeso e irredutível! Além de firmes em suas posições na pia suja, tinham o apoio da geladeira e a simpatia do fogão. Contra as minhas convicções, fui obrigado a usar a esponja com sabão, limpei toda aquela sujeira, revoltado com a pessoa responsável por deixar a situação ficar tão dramática. Na segunda feira, voltei para casa e a cozinha estava em ordem, as louças limpas, secas e acondicionadas em seus lugares, prontas para o serviço culinário. A pia brilhando em sua faxina completa, parecia nova, o cheiro de limpeza, o visual de asseio ... mas, em um cantinho da pia, encontrei uma pequena colher de café que estava suja, ela olhou para mim e disse:“ a luta continua!” Rodrigo Galvão é trabalhador da Eletrosul