No 1356 - 13 de abril de 2017
INIMIGOS
dos trabalhadores
Movimentos sociais e sindicais barram debate de apoiadores do desmonte da CLT Foto: Fábio Queiroz/Agência AL
POR UMA GREVE GERAL NACIONAL
PRESSÃO E AMEAÇA
Contra ataques à classe trabalhadora, centrais sindicais definem mobilização unificada no país, no dia 28 de abril
Aposentados e aposentáveis da Eletrosul debatem pressão para adesão ao PAE
PG. 2
PG. 3
INIMIG REFORMA TRABALHISTA
dos trabalhadores
Trabalhadores barram
Uma reunião de patrões e para patrões debaterem de toda classe trabalhadora: “não tem arrego, você a retirada de direitos dos trabalhadores. Essa era a tira meu direito que eu tiro seu sossego”! O coro inideia do "fórum" proposto pelo Deputado Estadual cessante impediu que os golpistas tomassem a paCelso Maldaner (PMDB), relator lavra para defender a retirada do Projeto de lei (PL) 6.787/16, de direitos e a destruição da "O coro incessante que trata da reforma trabalhista. Consolidação das Leis do Trabaimpediu que os O que o Deputado não esperalho (CLT). Com a manifestação, golpistas tomassem a va era a força dos trabalhadores Maldaner, inimigo declarado dos catarinenses, que lotaram as gapalavra para defender a trabalhadores e apoiador da lerias do Plenário Osni Régias, terceirização, encerrou o fórum retirada de direitos e a na Assembleia Legislativa do sem mesmo ter iniciado. Estado de Santa Catarina, nesta destruição da CLT Com a Apesar do choro de Maldaner, segunda-feira, dia 10. Os trabadisseminado por colunistas como manifestação, Maldaner, lhadores, organizados por várias Moacir Pereira e Cláudio Prisco inimigo declarado dos centrais sindicais e movimentos Paraíso, afirmando que os trabasociais, protestaram contra Mal- trabalhadores e apoiador lhadores não quiseram debater daner, que convidou para o deproposta que vai modernizar da terceirização, encerrou "uma bate apenas representantes paa legislação trabalhista", o debate o fórum sem mesmo ter só é válido quando os trabalhadotrões, como Fiesc, Fecomercio, Facisc, Faesc e Fetrancesc. A res são ouvidos. E, como Maldainiciado" verdade é que o fórum do depuner fez questão de não chamar tado era um conchavo entre amigos para justificar o a representação dos trabalhadores para o debate, os avanço sobre os direitos trabalhistas do povo brasilei- próprios trabalhadores fizeram fazer valer a sua voz, ro. No entanto, a voz dos trabalhadores foi muito mais deixando claro que direito não se retira! A manifestação forte do que a dos golpistas. e união dos trabalhadores é a única forma de impedir os Os companheiros que ocuparam bradaram o grito golpes contra a classe trabalhadora.
GREVE GERAL
POR UMA GREVE GERAL EM DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS Contra ataques à classe trabalhadora, centrais sindicais definem mobilização unificada no país, no dia 28 de abril Os trabalhadores brasileiros vivem um momento difícil. a aposentadoria digna. Não podemos ficar calados diante Afundado na lama da corrupção, o Governo Temer avan- da liberação da terceirização, que no setor elétrico exploça sobre os direitos da classe trabalhadora. As reformas ra, mutila e mata. Não podemos fechar os olhos para a trabalhista e da previdência, aliadas a liberação irrestrita destruição da CLT e enfraquecimento dos sindicatos proda terceirização, são a destruição de posta na reforma trabalhista. Não "As reformas trabalhista direitos conquistados em uma vida podemos aceitar a retomada das priinteira, e somente a mobilização de e da previdência, aliadas vatizações a preço de banana. todos pode barrar mais este golpe. Os sindicatos que compõem a Inà liberação irrestrita Em ato unificado, as centrais sinditercel e a Intersul sabem que, acima da terceirização, são a cais brasileiras, acompanhadas por de tudo, os eletricitários são trabamovimentos sociais estão convocanlhadores brasileiros. E este é o modestruição de direitos do os trabalhadores de todo o país mento de lutar contra a ganância e conquistados em uma para uma greve geral, dia 28 de abril, entreguismo que ameaçam nosso contra a retirada de direitos. Para os presente e nosso futuro. É hora de vida inteira" sindicatos que compõem a Intercel e mobilizar a categoria e se unir aos a Intersul, os eletricitários não podem ficar parados diante trabalhadores de todo o Brasil na greve geral. Os dirigende tantos ataques. Não podemos ficar parados diante de tes sindicais realizarão assembleias nos locais de trabauma reforma que destrói a seguridade social e acaba com lho para convocar a categoria para a luta!
SINDICATO DOS TRABALHADO DE ENERGIA ELÉTRICA DE FLORIA - SINERGIA
EDITAL DE CONVOC ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
A Diretoria do Sindicato dos Trabalhador Elétrica de Florianópolis e Região - SINER buições estatutárias, CONVOCA os empre Energia S.A, da sua base territorial, asso para se reunirem em ASSEMBLEIA GERA -se nas dependências da Empresa, na Ru 203 – Centro Executivo Beiramar, sl. 401 no dia 12.04.2017 (quarta-feira), às 16h, com o número regulamentar de presentes gunda e última convocação, com qualque fim de discutirem e deliberarem sobre as s ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
1 – Informes; 2 – Discutir e votar proposta da Foz do C vistas ao Acordo Coletivo de Trabalho 2017 3 – Encaminhamentos. Florianópolis, 10 de abril de 2017. Nivaldo Lang Diretor do SINERGIA
GOS debate de apoiadores do desmonte da CLT
ORES NA INDÚSTRIA ANÓPOLIS E REGIÃO
CAÇÃO
res na Indústria de Energia RGIA, no uso de suas atriegados da Foz do Chapecó ociados e não-associados, AL ORDINÁRIA, a realizarua Germano Wendhausen, Centro - Florianópolis/SC, em primeira convocação, s, e às 16h30min, em seer número de presentes, a seguintes ordens do dia:
Chapecó Energia S.A, com 7/2018;
Foto: Fábio Queiroz/Agência AL
SINDICATO DOS TRABALHADORES ELETRICITÁRIOS DO VALE DE ITAJAÍ EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA A Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Eletricitários do Vale do Itajaí – SINTEVI, no uso de suas atribuições estatutárias, CONVOCA todos os associados deste Sindicato, quites com suas obrigações sociais, a participarem da ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA, a realizar-se na sede do SINTEVI, sito na Rua Bahia, nº 2552, Salto, Blumenau - SC, no dia 17/04/2017 (Segunda-feira), às 17:00h, em primeira convocação, com o número regulamentar de presentes, e às 17:30h, em segunda e última convocação, com qualquer número de presentes, para deliberarem sobre a seguinte ORDEM DO DIA: 1 – Leitura, discussão e aprovação da Proposta de Orçamento Anual do Sindicato, para o exercício de 2017. 2 – Leitura, discussão e votação do Balanço Geral relativo ao exercício de 2016, com o respectivo parecer do Conselho Fiscal. Blumenau, 13 de abril de 2017 Orlando Nestor Gretter Diretor Financeiro
ELETROBRAS
PRESSÃO E AMEAÇA Aposentados e aposentáveis debatem pressão para adesão ao plano de demissão da Eletrobras Nos dias 22 e 29 de março trabalhadores aposentados e aposentáveis da Sede da Eletrosul e do Sertão participaram de uma conversa sobre suas dúvidas, experiências e expectativas em relação ao tema Previdência, Aposentadoria e especificamente sobre o Programa de Aposentadoria Extraordinária (PAE), divulgado pelo presidente da Eletrobras Wilson Pinto Jr. como sendo um excelente plano de aposentadoria. Foi consenso de que o PAE tem assombrado a categoria, causando insônia e estresse para muitos trabalhadores que após trabalharem uma vida inteira, a espera do momento da aposentadoria, estão se preocupando com as regras impostas arbitrariamente pela diretoria da Eletrobras. Os colegas relataram planejamentos, justificativas e motivações para a sua própria aposentadoria e, imaginando que iam deixar a empresa de forma digna e respeitosa, confessaram que foram pegos desprevenidos com a divulgação do novo PAE e com as palavras do próprio presidente da Eletrobras: quem não se aposentar poderá ser demitido. As pessoas demonstraram seu desagrado com a desigualdade na forma de tratamento em relação aos seus colegas já aposentados, pois esses tiveram direitos garantidos nos últimos programas de aposentadoria, o que incluiu não somente um incentivo financeiro considerado digno, mas também tempo para preparação e repasse de conhecimento, através de cursos preparatórios oferecidos pela Empresa. Os trabalhadores tiveram oportunidade de manifestar suas preocupações e angústias acerca do processo além de seu desagrado geral com o PAE e com os rumos da Previdência Social no país. Nessa conversa muitos pontos sensíveis foram levantados pelos participantes. Para alguns, o plano não é vantajoso, mas há interesse em aderir. Para outros há interesse em aderir, porém não são contemplados devido a idade, embora já estejam aposentados pelo INSS, por exemplo. Existem casos de desvantagem financeira relacionado a migração do Plano BD para o Plano CD da Elos e o respectivo tempo de contribuição. Detalhe fundamental que não foi esclarecido à época e que não está sendo levado em consideração agora pelo PAE. Existem ainda diversos casos de trabalhadores que necessitam permanecer sob a guarda de um plano de saúde confiável devido a doenças de dependentes, necessidade de compra de medicamentos ou tratamento de filho especial. De uma forma geral, o que se pôde constatar foi a insegurança dos trabalhadores ao se depararem, num dos momentos mais difíceis de suas vidas, com o descaso da empresa e a constatação de representarem apenas um número de matrícula. Dentre as sugestões apresentadas, foi proposto uma consulta jurídica do sindicato sobre o processo, o estabelecimento de regras definitivas e perenes para todos os planos de incentivo à aposentadoria que possam ser criados, de tempos em tempos, pelas empresas Eletrobras, e um abaixo-assinado explicitando a situação dos aposentáveis a ser entregue aos parlamentares catarinenses. Ao final do encontro, os participantes foram informados que a Intersul, através do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), ainda aguarda uma proposta oficial da Eletrobras para o PAE. As entidades sindicais estão lutando para abrir negociação com a Eletrobras, que vem se mostrando desrespeitosa nesse processo, e que não se pode afastar a possibilidade de uma mobilização ou ato em favor dos aposentáveis. Os representantes sindicais orientaram ainda que nenhum trabalhador assine nenhum documento relativo ao PAE, caso não queira ou não concorde, motivado apenas por pressão psicológica ou moral.
Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) Conselho Editorial: Lucio Silva Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | (047) 3028-2161 E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
CULTURA
A imparcialidade dos tribunais diante do
ESPÍRITO CAPITALISTA
Por Manoela de Borba “Eu sempre acreditei na Justiça”, declarou Paulo Maluf um dia depois de o Tribunal de Justiça ter limpado sua ficha. De fato, o deputado não tem do que se queixar. Acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e réu em duas ações penais no STF, o ex-prefeito de São Paulo nunca foi preso e sua afirmativa virou bordão repetido por políticos e empresários em busca da absolvição. Lembrei de Maluf dia desses em uma audiência na Justiça do Trabalho. Até tentei reproduzir um “estou aqui porque acredito na justiça”, mas são poucos os que podem desfrutar dessa confiança. No banco dos réus, uma federação sindical que representa os interesses dos empresários. De um lado, meu advogado e eu; do outro, a juíza, seu escrivão e os representantes do patronato. As provas eram consistentes, mas, segundo a juíza, “a natureza da ação era sui generis”. Na minha opinião, sui generis foi a própria audiência. A primeira tentativa é o acordo. Ou da conciliação de classes, diria. - Doutores, vamos economizar o nosso tempo, começa a juíza. Como de praxe em uma audiência de negociação, apresentam-se os valores. Ao primeiro número apresentado pelo réu e diante da minha enfática negação, a juíza calcula: - Você poderia comprar três carros populares. E intervém: - Você parece certa da vitória. - Não estou certa da vitória, mas sei da legitimidade da ação e ainda confio na justiça. - A justiça também comete injustiças, diz a magistrada. - Claro, vide a situação do país. A juíza pede que os representantes do réu se retirem da sala. E ela própria, sem inibição, assume a defesa patronal. Eis que resplandece o caráter sui generis da audiência. Numa ofensiva, tentou me convencer que jamais conseguiria um acordo melhor e que deveria “ficar feliz” com 54%. Afinal, poderia comprar três carros populares (!). Repetiu que por se tratar de uma ação sui generis não poderia assegurar qual seria a decisão de uma instância superior e que se tratava de “muito dinheiro”. A juíza alegava que por eu não estar no país não poderia reclamar salário integral. - Eu não trabalhava na indústria, não estava em uma linha de produção, razão pela qual meu trabalho poderia ser feito de qualquer lugar. - Sim, entendo. Mas parece que a você está querendo ganhar dinheiro com essa ação. - Quero o que é meu direito. Quero receber pelo meu trabalho. - Bom, neste caso, qual seria o acordo possível, pergunta a juíza representante da classe patronal. Apresentei o cálculo para uma negociação, o que chegaria a mais ou menos 80% do valor da ação. - Impossível, disse a juíza soltando a caneta bic na mesa, num gesto de impaciência buscando com o olhar a cumplicidade do escrivão. - Isso não seria um acordo, repetiu a juíza e começou a enumerar os custos da empresa, que “além do valor devido, teria que arcar com outros impostos e encargos”. Ela parecia incorporar o bordão dos capitalistas, para quem é impossível produzir nesse país com essas leis. - Dane-se. Esses encargos não competem a mim e a senhora tampouco deveria se preocupar com eles, respondi. - Bom, doutora, esses são os nossos números. Do contrário, vamos ouvir as testemunhas e dar seguimento ao processo, ratificou meu advogado. A juíza ordena que os representantes de direito e de fato retornem à sala de audiência, mas resistiu e não cedeu espaço à representação da classe patronal. - 80% do valor da causa, disse, incrédula, dirigindo-se à advogada do réu. Começa o misancene. A advogada patronal diz que teria que consultar o diretor, que este valor não estaria autorizado e que faria essa consulta por telefone. A juíza tentou intervir até na consulta e voltou a defender os 54%. - A senhora pode permitir que a advogada consulte o diretor, por gentileza? Para a infelicidade da juíza, o réu aceita o acordo. O escrivão dá prosseguimento a ata, o ambiente fica aparentemente descontraído, as testemunhas são dispensadas e a juíza insiste: - Como você vivia em Buenos Aires? Viver em Buenos Aires é caro. Tem aluguel, alimentação, compra de livros... A pergunta não era mera curiosidade. A juíza teimava e, inconforme com a derrota do réu, ainda lutava pela causa perdida. A sua dúvida tinha um pressuposto claro: como poderia eu reivindicar um direito trabalhista sem amparo na realidade? A juíza supunha que eu estava empregada em outro país, fato que anularia minha defesa de trabalho efetivo sem salário por um ano. Afinal, como ela havia alertado, existe “trabalho colaborativo” ou “vínculo empregatício fundado na parceria”. Em circunstâncias semelhantes, pensei nos demais trabalhadores à procura da justiça do trabalho para reparar algum direito. No ano passado, foram três milhões de reclamações trabalhistas. Para muitos deles, é a última tábua de salvação de uma justiça ainda considerada trabalhista. Esses comparecem ao tribunal premidos por necessidades elementares que afogam o cotidiano no desespero e os levam a aceitar acordos injustos. São reféns desse novo espírito que já domina os tribunais antes mesmo dos políticos burgueses decretarem o fim da era dos direitos do trabalho.
Manoela de Borba é jornalista, mestranda em Jornalismo na Universidad Nacional de La Plata, na Argentina.