No 1335 - 27 de outubro de 2016
Ponte para o fu(tu)ro
ELETROBRAS
Presidente da Eletrobras quer convencer trabalhadores a serem protagonistas de projeto privatista
1
ELETROBRAS
Ponte para o fu(tu)ro
ELETROBRA
Presidente da Eletrobras quer convencer trabalhadores a serem protagonistas de projeto p Em recente entrevista retransmitida a todos os trabalhadores da Eletrobras, o presidente Wilson Ferreira Junior anunciou o projeto de reestruturação interna da estatal. Preocupado com a valoração da empresa junto ao mercado de capitais, defendeu a privatização das distribuidoras de energia elétrica, o Plano de Incentivo à Aposentadoria e uma gestão marcada pela meritocracia. Dirigindo-se aos trabalhadores concursados como “colaboradores”, marca ou nome de tratamento usado durante as antigas gestões e governos privatistas, o presidente que comandou a CPFL Energia depois da privatização afirmou que os trabalhadores mais jovens, após a aposentadoria dos mais antigos, serão os protagonistas de uma “ponte para o futuro” na Eletrobras. Entendendo que os jovens da Eletrobras precisam se enxergar meritocraticamente em posições gerenciais ou estratégicas na futura estrutura das empresas Eletrobras, o presidente parece decolar tão alto em sua fantasia de “super-herói do mercado” que esquece a realidade próxima. Primeiro, seria importante algum assessor indicado por partido ou Casa Maçônica informar ao presidente que a
2
"Dirigindo-se aos trabalhadores concursados como “colaboradores”, marca ou nome de tratamento usado durante as antigas gestões e governos privatistas, o presidente que comandou a CPFL Energia depois da privatização afirmou que os trabalhadores mais jovens, após a aposentadoria dos mais antigos, serão os protagonistas de uma “ponte para o futuro” na Eletrobras" grande maioria dos cargos (senão todos) na estrutura interna da Eletrobras é resultado de indicações políticas. Depois disso, seria interessante ao novo presidente conhecer a realidade das empresas subsidiárias. Na Eletrosul, por exemplo, os jovens que ingressaram na empresa a partir de 2010 têm uma condição desigual e desvantajosa em relação aos que ingressaram anteriormente, por conta da migração para o Plano CD, o que acarreta em contribuições menores à sua aposentadoria ou na ne-
cessidade futura de trabalhar por ao mesmo valor de aposentadori na empresa antes de 2010. Fato nhum mérito a esses jovens traba O presidente da Eletrobras par (atenção, assessores!) que a Elet mitir aos novos concursados facul seu plano de saúde, obrigando-o saúde de mercado que não se a de condições e qualidade quand de Saúde da Eletrosul. Se a ideia é rejuvenescer as em bém serão necessários novos c hipótese de um plano de incentivo dução do número de trabalhador em relação aos terceirizados (PJ tornar um risco à defesa das emp públicas. Afinal de contas, todos e sidente não queira recorrer a vel sua ponte para o futuro numa pon passado sempre próximo.
AS
privatista
mais anos para chegar ia dos que ingressaram que não representa nealhadores. rece também não saber trosul pretende não perltar quanto à escolha de o a aderir a um plano de apresenta em igualdade do comparado ao Plano
mpresas Eletrobras, tamconcursos públicos. Na o à aposentadoria, a reres ativos concursados Js e outros) poderia se presas Eletrobras como esperam que o novo prelhas práticas e tornar a nte para o passado. Um
GOLPE
STF APROFUNDA GOLPE CONTRA TRABALHADORES E SUSPENDE PROCESSOS COM A SÚMULA 277 Segundo Ministro do STF, súmula protege trabalhadores e prejudica patrões Decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu efeitos de decisões da Justiça do Trabalho relacionadas à chamada ultratividade de acordos coletivos – um entendimento de que as cláusulas de um acordo coletivo sigam valendo até que outro acordo seja firmado. Mendes atendeu a pedido feito pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que questionava a Súmula 277 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A decisão do ministro Gilmar Mendes enfraquece a posição das entidades sindicais dos trabalhadores e coloca em risco os direitos de milhões de trabalhadores brasileiros. Basta que uma empresa se recuse a renovar as cláusulas das normas coletivas com os sindicatos e os direitos ali contidos deixarão de existir. Mais um golpe contra os trabalhadores.
ENGIE
ELETROSUL
ENGIE PODE
O BANQUETE
Receita líquida cresceu 117% acima da inflação Verba do progama Casa Aberta é cortada Com a negociação do ACT 2017/18 em curso, fica evidente que a ENGIE tem as condições econômicas e gerenciais para atender as reivindicações de seus trabalhadores. A evolução da Receita líquida anual da Tractebel (Engie) nos últimos anos foi expressiva. Numa breve análise é fácil constatar que a receita passou de pouco mais de R$ 1,3 bilhões em 2002 para mais de R$ 6,5 bilhões em 2014, uma elevação de 127% acima do IPCA acumulado no período. Além disso, a maioria dos contratos de venda de energia da empresa tem correção anual pelo IPCA. Além disso, a receita líquida por empregado cresceu mais de 250% no mesmo período. Em 2002 o valor médio era de R$ 1,587 milhões, evoluindo para R$ 5,575 milhões em 2015. Isto representa um crescimento de 3.5 vezes. Além dos resultados econômicos, dados técnicos demonstram o crescimento da empresa nos últimos anos, o que sustenta a convicção de que a ENGIE pode atender as reivindicações dos trabalhadores. No período de 1998 a 2015, a expansão da capacidade instalada da empresa aumentou enquanto o número de empregados, que em dezembro/15 era de 1.168, é 4,8% inferior ao de dezembro/98 que era de 1.227. Desse modo, o indicador de capacidade instalada por empregado era em 1998, de 3,03 MW e de 6,03 MW em 2015, um aumento de mais de 99%. A negociação do ACT segue e os sindicatos da Intersul continuam na luta pela valorização dos trabalhadores.
CUTUCADAS Junte três técnicos e um engenheiro com a missão de cuidar, fiscalizar não se sabe direito o quê e surge mais uma para o folclore da Celesc. A equipe descrita como “altamente capacitada” já tem até apelido: “Os Marines do ....”. Num momento em que as bocas alugadas apontam o P como o problema do PMSO mais parece que o problema é o G: gestão e incompetência por conta das contratações exclusivamente de cargos políticos. Até quando?
Quando Platão escreveu ao mundo sobre a forma que Sócrates se comportava num banquete, ficamos mais sábios. O banquete, para Sócrates, era o das ideias, o da reflexão, o da dialética. Ao invés de caviar, serviu-se à mesa o método socrático que sempre interroga o interlocutor e o leva a pensar. Alimentar a alma, diriam os gregos. Pensar, diria Descartes. Reis unificaram impérios, conquistaram espólios, subjugaram escravos e mudaram a imagem do banquete. Os majestosos estômagos agora e seus umbigos obtusamente dilatados encobriram, como opas em filigranas, a alma. As salas de caça de castelos e palácios reais apresentavam em suas paredes cabeças de animais abatidos. Obesos reis e rainhas, desfrutando das notas de cítaras, desfiavam coxas entre dentes e vapores flatulentos. O banquete da carne servido em bandejas de luxo, como a de Salomé, logo ofertaria a sua luxúria em prata. O vinho foi derramado aos cálices como o sangue ofertado a sabe-se lá Deus quem. Para fora das paredes do castelo, margeando os muros da cidade, comerciantes observavam as sobras e ossadas serem descartadas sobre a multidão de bocas aterradas. A disputa dos cães esquálidos, angulosos, ossos comendo ossos. No desalme das almas já não se conseguia distinguir vivalma que valesse. Crianças mordiscavam rabos, caninos rasgavam restos de sedas. Na barafunda do último banquete, quem olhasse da alta janela do salão de festas real, não poderia distinguir lá embaixo os pequenos habitantes da cidade, meninos e meninas dobrados em quatro, sem comida, descarnados, desossados, sem sinal de Casa Aberta. Dentro da janela, sob os cristais do lustre, a grande mesa do banquete. Ao redor, urubus voejavam, em mesmo curso, banqueteando-se. Linha Viva é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) Conselho Editorial: Wanderlei Lenartowicz Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 | (047) 3028-2161 E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
3
CULTURA
A bibelô da penteadeira velha da
DONA MARIA por Sheila Sabag
Olhando minhas mensagens diárias, centenas, provenientes de vários gens delgadas de mulheres, com chapéu e envoltas em roupas bordadas grupos, não por minha opção, mas porque as pessoas vão me incluindo, e e de renda ficavam a frente das demais, esses eu chamei de As Bibelôs. eu permaneço, às vezes por curiosidade. Dentre as fotos recebidas, uma Minha mãe me contou que Dona Maria, colecionava bibelôs, que me chamou atenção, pelas mensagens subliminares e porque me lembrou pedia às pessoas conhecidas que trouxessem de suas viagens “soude uma imagem de minha infância, a penteadeira velha da Dona Maria. venir” para que pudesse guardar junto aos demais. Disse ainda que Dona Maria, morava em uma casa grande e bonita, ficava na esquina da muitos deles não têm valor algum, podem ser comprados em qualquer rua onde eu morava e na qual havia um ponto de ônibus. Entrávamos na lugar, outros são pequenas fortunas, que jamais teríamos condições casa de Dona Maria, eu e minha mãe, pela porta dos fundos. Atravessá- de pagar caso eu os quebrasse. vamos a cozinha, e um corredor com uma passadeira corroída pelo tempo Mostrou-me As Bibelôs, disse-me que elas representavam as meninas com muitos quadros nas paredes, até chegarmos à sala, um amplo espaço através das bonecas e as mulheres em suas profissões de bailarinas e cheio de janelas e móveis velhos. Mas não permanecíamos na sala, era donas de casa. Mas que aquela que eu queria pegar, era uma personagem no quarto que ficávamos. Minha mãe me sentava em uma cadeira estofa- de história, uma princesa chamada Branca de Neve. Falou-me também da, que ficava em um canto próximo à janela. Ela e Dona Maria, entravam que essa princesa era amiga dos animais e das crianças, mas vivia com por uma porta, de onde eu ouvia algumas sete anões, que a defendiam de uma bru"Aos olhos da população, que viu falas cochichadas e risadas. Embora não xa malvada. soubesse o que acontecia lá dentro, me Com minha mãe, aprendi que bibelôs através de um espelho preto, no canto sentia aliviada com os burburinhos, pois de suas salas, a caricatura da mulher são enfeites frágeis e delicados, que só sabia que ela não havia sumido e nem podem ser olhados, portanto inúteis, e fibibelô, em nova versão voluntária estava machucada como as mães das cam fora do alcance das crianças. outras meninas da rua. Esperava ansiosa A fotografia à qual me referi, foi a “verde “Branca de Neve” palaciana, num pelo seu sorriso, quando colocava a cabenissage” da primeira dama brasileira: a simulacro de protetora das crianças ça para fora da porta e com toda atenção exposição de seu trabalho apresentado à pobres, que por sua inocência e e calma me dizia: “já estou indo”. nação, através de um texto de escrita próParada ali ao lado da janela, meu olhar bondade, merece ser protegida pelos pria, intitulado Criança Feliz. se fixava no outro canto do quarto, onde Aquela jovem mulher, infantilizada atrasenhores guardiões da moralidade havia uma grande penteadeira que me vés de um vestido de rendas azul, com e dos bons costumes, os “homens atraia, tinha vontade de levantar e ir lá cabelos divididos ao meio, presos nas lapertinho sentir com meus dedinhos curioterais, como os penteados feitos nas mede bem”, que podem ser chamados, sos de criança, o que meus olhos enninas por suas mães, para que os cabelos digamos, de Anões do Orçamento" xergavam. Eram vidros coloridos, caixas não caiam sobre os olhos. Linda, loira, cheias de fitas e laços, um espelho maior alta, magra, delicada, aparente inocência do que eu e pequenos objetos que brilhavam. Aquela penteadeira velha, quase virginal, de fala obediente, em pé, cercada por homens velhos, era o eu conhecia como a palma da minha mão, todos os riscos, os cantos retrato da bibelô da penteadeira velha da Dona Maria. lascados, o espelho manchado, os pés tortos, as toalhinhas de crochê, os Aos olhos da população, que viu através de um espelho preto, no canto puxadores de porcelana, seus desenhos de rococós. O que eu não con- de suas salas, a caricatura da mulher bibelô, em nova versão voluntária de seguia ver nitidamente eram aqueles objetos brilhosos, via parte deles, “Branca de Neve” palaciana, num simulacro de protetora das crianças posomente os que estavam na frente. Passaram-se semanas olhando aque- bres, que por sua inocência e bondade, merece ser protegida pelos senhola penteadeira, até que certo dia me enchi de coragem. Olhando para a res guardiões da moralidade e dos bons costumes, os “homens de bem”, porta em que minha mãe e Dona Maria entraram, lentamente levantei da que podem ser chamados, digamos, de Anões do Orçamento**. cadeira. Rapidamente segui em direção à penteadeira, com os olhos fixos Arquétipo de imagem fantasiosa do século XVIII da menina, moça muem um objeto, o que estava na frente de todos, era ele que eu via do outro lher, aliás, nome de projeto que está sendo desenvolvido pela Secretaria lado da sala. Quando estava bem perto, estiquei o braço para alcançá-lo, ESPECIAL de Políticas para as Mulheres, do Ministério da Justiça, é persofoi quando uma mão segurou a minha delicadamente. Assustada, olhei, nagem criada para dar características mais aceitáveis, a um governo ilegíera Dona Maria, que me disse: timo, rançoso, e bolorento. – Estes objetos não podem ser tocados, minha pequena, porque são tão Certamente em algumas penteadeiras velhas nas casas das Donas Madelicados que quebram. Eles servem apenas para se olhar. rias, ainda encontremos As Bibelôs, mas estas, não mais representam as Ainda muito gentil, continuou: meninas e mulheres, estão ali postas, por outros motivos. Podem ser ape– Querida, eles não são brinquedos, se chamam bibelôs, você pode olhar nas enfeites, portanto, inúteis, ou de interesse puramente comercial. quanto quiser, mas não pode tocar, nem pegar. Enquanto criança, eu não entendia porque Dona Maria ganhava tantos Observei que os bibelôs da penteadeira velha da Dona Maria, eram dife- ratos, mas depois de anos concluí que deve ser porque estão em todos os rentes uns dos outros, e estavam posicionados em grupos. Havia, no cen- lugares e são fáceis de comprar. tro, panelinhas, xicrinhas com pires, bulezinhos, vasinhos e outros objetos Os bibelôs de cristal, na sua diversidade e em número maior, permanede cozinha. Animais peçonhentos, patos, répteis, sapos, morcegos, e mui- cem invisíveis. tos ratos, ficavam do lado direito. Os transparentes, em maior quantidade, * Escândalo dos Anões do Orçamento – Em 1993, a CPI dos Anões do Orçamento investigou 37 eram diferentes uns dos outros, uma mescla de todos os tamanhos e forparlamentares por suposto envolvimento em esquemas de fraudes na Comissão de Orçamento do mas, e se encontravam no lado esquerdo. As bonecas, bailarinas e ima- Congresso Nacional. Sheila Sabag é ativista feminista, Secretária Executiva Adjunta da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, integrante da Casa da Mulher Catarina.