No 1317 - 23 de junho de 2016
Ataque às
ESTATAIS Lei das estatais é aprovada no senado federal
rede vida viva Monitores elaboram relatório de atividades na Celesc
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greve aprovada Trabalhadores rejeitam proposta da Eletrobras e propõem greve
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negociação com a eletrosul Empresa recebe dirigentes sindicais
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cutucadas
PRIVATARIA
Celesc
estatais
INQUÉRITO PRA INGLÊS VER? Os inquéritos administrativos na Celesc sempre tem a desconfiança dos trabalhadores. Não era para menos. A empresa insiste em cometer erros básicos e que põe em dúvida a idoneidade dos inquéritos. Por exempo, um caso de possível favorecimento a um político trazendo prejuízo à Celesc, denunciado por vários trabalhadores de uma regional tem sido conduzido com total falta de ética. A denúncia é dos próprios trabalhadores, que afirmam terem sido pressionados e coagidos nos depoimetos. Além disso, a manipulação dos caminhos do inquérito para culpar o sindicato da base também foi denunciada e a "amizade" dos responsáveis indicados pela empresa com o funcionário investigado foi duramente criticada. E o pior de tudo? Desrespeitando o ACT, a empresa não convocou o sindicato para acompanhar o inquérito. Inquéritos assim, para livrar a cara dos "amigos" são o princípio da falta de ética na empresa. Assim, de que adianta Código de Ética?
ELETROSUL
monumento do desastre Os parques eólicos da Empresa Eólicas do Sul que ficam na zona oeste do Rio Grande do Sul, cuja participação é de 49% da Eletrosul e que custaram R$ 300 milhões, estão parados ou destruídos se transformando num triste exemplo de má administração e deficiência técnica. As turbinas projetadas para funcionar com o vento não aguentaram um vendaval e oito delas vieram abaixo há mais de ano e meio. O complexo tem no total 27 cata-ventos com mais de 100 metros de altura e 600 toneladas de peso. Segundo relatório da Aneel os aerogeradores que vieram ao solo foram projetados com uma resistência inferior à dos aparelhos de outros parques eólicos localizados na mesma região e isto teria motivado o desastre. Além destes, os outros aerogeradores estão parados por que a Wind Power Energia, nome que tem por trás a argentina Impsa, está quebrada, ou seja, em recuperação judicial sob alegação de falta de pagamento por parte da Eletrobras de um outro empreendimento. Segundo a Eletrosul “todos os testes e ensaios comprovaram que as estruturas foram construídas adequadamente e de acordo com as normas. A destruição dos aerogeradores foi causada por um evento de força maior”. Já a análise da Aneel aponta que os cata-ventos que resistiram ao mau tempo foram desenhados para suportar rajadas de 60 metros por segundo, mas os aparelhos das unidades paralisadas previram rajada máxima de 52,5 metros por segundo. A Empresa Eólicas dos Sul chegou a contratar consultorias para tentar retomar a operação das usinas, mas os relatórios são de que sem a participação da fabricante (a Impsa) para operar o sistema informatizado, fornecer peças e realizar a manutenção de seus próprios equipamentos seria inviável retomar as atividades. As oito torres destruídas continuam no chão como um monumento de descaso do dinheiro público.
LINHA VIVA é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489) Conselho Editorial: Mario Jorge Maia Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC CEP 89216-000 (047) 3028-2161 E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
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Corrupção. Este é o mantra utilizado para atacar as empresas públicas brasileiras. Longe de ser nova, a criminalização dos trabalhadores e das empresas públicas é o caminho que uma parte da classe política tem utilizado para justificar a implantação de um projeto rejeitado pela população nos últimos anos. A proposta de mudar a gestão das empresas, restringindo a participação de trabalhadores e abrindo as estatais para "homens de mercado" traz em si o embrião da privataria. Foi assim que surgiu o projeto conhecido como "Lei das Estatais". Oriundo de 3 projetos diferentes com o mesmo objetivo, encaminhado por Senadores com histórica atuação contra trabalhadores (Aécio Neves e Tasso Jereissati - PSDB; e Renan Calheiros em conjunto com Eduardo Cunha - PMDB), o projeto foi aprovado no Senado com uma
série de ataques às empresas públicas e às representações dos trabalhadores. A manifestação e mobilização de entidades sociais e sindicais, conseguiu pequenos avanços. Um deles, o mais importante, livrou a Celesc da privatização sumária. O projeto previa a conversão de ações preferenciais (que dão preferencia em recebimento de dividendos) em ações ordinárias (que dão direito a voto). Desta forma, o Governo do Estado, que detém 51% das ações ordinárias passaria a ter apenas 20% do total de ações da Celesc, fazendo que, do dia para a noite, a Celesc deixasse de ser pública. Este golpe não é novo para os celesquianos. Ele foi tentado pela Previ em 2009, no famoso golpe do "Novo Mercado". Após a pressão dos sindicatos e centrais sindicais, este golpe foi excluído do projeto. Além disso, outro ponto de grande impacto para os
celesq a proi candi lhado das e uma t defes da Ce Interc tendo sindic sões conse conse mand Celes Interc no ato selhe Op passo
FUNDOS DE PENSÃO
CELESC
governo muda projeto sobre fundações
rede V RELAT
Mesmo cedendo a pressão, projeto prejudica trabalhadores O ataque à participação dos trabalhadores nos Fundos de Pensão de empresas estatais continua. Pegando carona na criminalização da atividade e dos trabalhadores públicos, políticos tem tentado impedir a ampla participação dos trabalhadores nas fundações que gerem sua previdência privada. A versão aprovada pelo Senado e defendida pelo Governo Interino altera a formação dos dois principais conselhos, que passariam a ter integrantes independentes, contratados no mercado, e quebrariam a paridade entre trabalhadores e empresa na gestão do fundo. Após a pressão de movimentos sociais e sindicais, Deputados que participaram da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão e de representantes dos funcionários buscaram impedir a retirada de
representação dos trabalhadores dos conselhos das fundações. No estágio atual, um acordo vem sendo negociado por deputados com o Governo Interino, onde o Conselho Deliberativo continuaria com seis integrantes, sendo três eleitos pelos trabalhadores e três escolhidos pela empresa pública. O Conselho Fiscal também não seria alterado: quatro integrantes - dois de cada lado. Assim, fica mantido o equilíbrio de forças nas decisões mais importantes. Mesmo assim a proposta é amplamente prejudicial aos trabalhadores, retirando a possibilidade de gestão do futuro de suas vidas e de suas famílias. O movimento sindical e social permanecerá lutando pelo direito de ampla participação dos trabalhadores na gestão dos Fundos de Pensão.
Trabalhadores coordenação na nho para finaliz ACT 2015/2016 (Regionais de C tivamente um c trabalhadores e pelos monitores contribuir para m consequenteme produtividade e si só já demons de trabalho. O n Florência Roz, " de que este pro que deverão se nha Viva o cron
ELETROBRAS
Ataque às
estatais
"Lei das Estatais" é aprovada na no Senado Federal
squianos estava contido no projeto: ibição de que dirigentes sindicais se idatem para representar os trabaores no Conselho de Administração estatais. Esta regra acabaria com trajetória de 22 anos de atuação em sa dos trabalhadores no Conselho elesc. Desde 1994 os sindicatos da cel apoiam candidatos ao conselho, o neste período eleito 6 dirigentes cais para o cargo. Após vária discusos senadores determinaram que o elheiro não poderá ocupar a vaga no elho ao mesmo tempo que exerce dado sindical. Ou seja, no caso da sc, o dirigente sindical apoiado pela cel terá que se licenciar do sindicato o de posse do mandato como coneiro. projeto foi aprovado pelo Senado e ou para debate na Câmara de De-
putados. Na última semana a câmara aprovou também o projeto, com algumas (poucas) mudanças. Entretanto, à toque de caixa o Senado retomou a discussão, vetando grande parte das alterações feitas pelos Deputados Federais. Das mudanças importantes para a Celesc, destacamos a mudança na composição do Conselho de Administração, que passará a ter, no máximo 11 integrantes. A questão sobre a ocupação da vaga de conselheiro por dirigente sindical foi mantida conforme a proposta original do Senado. Apesar de alguns avanços, a "Lei das Estatais" é extremamente prejudicial para as empresas públicas e para os trabalhadores. Levada à cabo por políticos que buscam destruir o estado e entregar o patrimônio público, a leia agora segue para a sanção do presidente interino, que certamente, validará mais este golpe.
VIDA VIVA ELABORA TÓRIO na celesc
s monitores do Rede Vida Viva na Celesc, em conjunto com a Intercel e a acional do Rede Vida Viva estiveram reunidos entre os dias 15 e 17 de juzar o relatório de implantação do Rede Vida Viva na Celesc (cláusula 46 do 6). O relatório foi elaborado em conjunto com os trabalhadores da região Sul Criciúma, Florianópolis e Tubarão). No evento, também foi construído colecronograma de encaminhamentos que prevê apresentação do relatório aos e à direção da Celesc. Para Mara Lira, o resultado do trabalho desenvolvido s da Celesc foi surpreendente e os pontos levantados pelos trabalhadores irão melhoria das condições de trabalho, das relações interpessoais na empresa e ente para o clima organizacional, fatores imprescindíveis para garantir maior redução dos índices de absenteísmo. "O trabalho desenvolvido até agora por stra o comprometimento dos trabalhadores com o tema da saúde nos locais nível de participação dos envolvidos foi excelente", afirma. Já para Marlene "olhar para a experiência do trabalho realizado nestes 3 dias, é ter a certeza ojeto está no caminho certo". O relatório agora está na fase de ajustes finais er feitos a partir dos demais dados levantados. Em breve divulgaremos no Linograma e as atividades desenvolvidas nas três Agências Regionais.
greve aprovada Trabalhadores rejeitam proposta da Eletrobras e propõem greve Os sindicatos que compõem a Nas demais empresas do grupo Intersul informaram na sexta fei- Eletrobras a proposta de acordo ra (17) ao Coletivo Nacional dos também foi rejeitada por maioria. Eletricitários (CNE) que os traba- As informações sobre a reunião que estava previslhadores da Eleta para quarta-feira trosul rejeitaram a "Além de (22/06) ainda não proposta de acordo rejeitarem a estavam disponíformalizada pela proposta, os veis no fechamenEletrobras na reuto desta edição do nião de negociação trabalhadores Linha Viva. Além do ACT 2016/2017 aprovaram o de uma nova proocorrida em Brasíindicativo de posta para o ACT lia - DF no dia 08 de junho. Além de greve por tempo os dirigentes sindicais esperavam rejeitarem a proindeterminado" por uma nova poposta em todas as sição da Eletrobras assembleias, os trabalhadores aprovaram por am- em relação à PLR, cuja comissão pla maioria o indicativo de greve paritária entre empresa e sindicapor tempo indeterminado a partir tos também se reuniu mais uma do dia 27/06, a ser proposto no vez no dia 21/06. Acompanhe os âmbito do CNE, caso a próxima desdobramentos da negociação reunião de negociação do ACT, no nacional nos próximos boletins do dia 22/06 não apresente avanços. CNE e da Intersul.
ELETROSUL
eletrosul recebe dirigentes da intersul Empresa se mostra indisposta com pleitos dos trabalhadores Enquanto não se define a negociação nacional, dirigentes dos sindicatos que compõem a Intersul estiveram na Sede da Eletrosul no dia 16/06/2016 onde foram recebidos pelo Diretor Administrativo e o Assessor de Relações Sindicais. A agenda com a Diretoria havia sido solicitada pela Intersul para tratar de diversos temas que os trabalhadores têm trazido aos sindicatos e que, de acordo com a avaliação da Intersul, não dependem do andamento da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho em discussão com a Eletrobras. Em que pese a boa vontade do Diretor em prontamente receber as entidades sindicais, não se pode dizer o mesmo sobre a disposição da Eletrosul em dar solução aos temas levantadas pelos trabalhadores. Uma série de questões de interesse dos trabalhadores, que poderiam ser facilmente resolvidas com medidas administrativas não encontram eco nos gestores da Eletrosul. Uma lista destas questões foi elencada em correspondência entregue em mãos à Diretoria que informou que irá oficializar resposta também por correspondência. No entanto, o debate na reunião com a empresa antecipou algumas posições da Direção da Eletrosul, que revelam a indisposição da gestão para com alguns pleitos apresentados em nome dos trabalhadores. Como exemplo, podemos citar as alterações no horário núcleo, a utilização dos anistiados para prestação de serviços e recomposição dos quadros nas áreas da Eletrosul, ou qualquer alteração na forma de distribuição da PLR que implique em aumento da parcela linear a ser distribuída. Isto para citar apenas 3 dos 17 pontos que foram elencados na correspondência da Intersul e que foram todos devidamente explicitados e argumentados pelos dirigentes sindicais. Como de praxe, a íntegra das correspondências serão divulgadas em boletim assim que a Eletrosul encaminhar sua resposta oficial. De antemão, a avaliação da Intersul é de que qualquer tipo de avanço, seja em âmbito nacional com a Eletrobras, seja no âmbito da Eletrosul, só será possível com a pressão dos trabalhadores unidos e com disposição para o enfrentamento, uma vez que as empresas e o governo dão claros sinais de que pretendem adotar somente medidas restritivas e não permitir avanços em relação a direitos, salários e benefícios.
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CULTURA
Allons enfants du
Brésil Por Rafael Reginatto
A França, sempre ela. Só mesmo os franceses, sabedores de que o mundo do trabalho não é o mundo total, capazes de desfrutar o meio-dia à luz do sol em seus belos jardins lendo um livro, ouvindo música, gastando palavras ou o tempo a sentir na pele a brisa que ninguém mais sente, poderiam resistir à onda de barbárie contra os direitos trabalhistas que a horda conservadora vem alastrando por quase todos os países da Europa. Só mesmo a França, referência cultural no mundo há séculos, berço artístico das grandes vanguardas cubistas, surrealistas e impressionistas poderia dar sem titubear o passo a frente, mesmo que esse passo historicamente seja um passo contrário, contracorrente, como num ballet consciente do mundo onde pisa, a caminhar sobre nuvens de gás lacrimogêneo, a enfrentar a violência do achaque aos seus direitos trabalhistas. Os franceses, há tanto revolucionários, levantam mais uma vez sua bandeira sempre flamejante, corajosa e já desgastada da luta contra aqueles que, a despeito do savoir-faire conservador de sempre, não compreendem nem nunca compreenderão a razão que possa ter levado um povo a guilhotinar tantas cabeças, contre nous de la tyrannie. Os franceses que sabem desfrutar seus feriados sem deixar de trabalhar, mas que compreendendo que o mundo do trabalho não é o da exploração e da doença, mais uma vez tomam as ruas
do país, levantam a voz e seus cartazes, naquele hábito civil e cidadão cultuado desde 68 ou desde a sua histórica comuna de Paris, e que os torna diferentes dentre tantos iguais desiguais. Os franceses, sempre jovens, bon vivant num mundo de flores do mal como aquele que Baudelaire poetizou, agora combatem de peito aberto o ataque aos direitos trabalhistas, como já haviam rechaçado em alto e bom tom as reformas na previdência. Torcem o nariz à política econômica disseminada na Europa por Angela Merkel, como já torcem há anos o nariz para o imperialismo americano, sem nunca terem deixado de aplaudir os filmes de Woody Allen. Se fosse possível um único filme sobre os franceses, numa epopeia ao melhor estilo Victor Hugo, teríamos, é verdade, que nos submeter às imagens tenebrosas do massacre de argelinos, sírios e tantos outros povos que Napoleão e seus discípulos franceses executaram desumanamente ao longo dos séculos. Mas se é possível nos vermos refletidos num espelho necessário nesse nosso mundo contemporâneo, creio que deveríamos ainda assim escolher o bisote, em legítimo sotaque francês. Deveríamos sim nos espelharmos naqueles que, prevendo perdas e ameaças trabalhistas, tomam rapidamente as ruas para defender seus direitos, empregos, saúde e prazer de viver. Deveríamos incorporar o espírito dos que, sob um hino cantado por todos, numa só voz,
inundam com sua sensível consciência política e cultural a cinematográfica Champs-Élysées a distanciá-la dos românticos Campos Elísios, mais próxima agora dos Campos de Marte. Ainda que nós, brasileiros, estejamos longe da França, mais avizinhados talvez à Argentina (nosso parente mais francês), precisaremos estar atentos às notícias que chegam das terras gaulesas. O último ferrolho ou maior reduto do equilíbrio entre as relações de trabalho e o ”saber viver”, modo de existência tão francês (não à toa o existencialismo de Sartre lá germinou) parece correr grave perigo. O mundo novamente volta seus olhos para o orgulho francês, bravio combatente das ruas a defender suas vidas laborais. O mundo novamente inspira uma saída para a onda conservadora que fareja o retrocesso dos direitos trabalhistas, que prega uma nova revolução industrial e tecnológica que corte cabeças, bem diferente daquela francesa. O Brasil, como bem sabemos, não está fora dessa ameaça iminente. Os inimigos dos trabalhadores se aproximam. Apáticos e anestesiados, seremos apenas tapete de rosas negras pisoteadas. Ao contrário disso, um pouco mais franceses, conscientes de nossa força unida, executaremos a nossa contramarcha. Marchons, marchons! Rafael Reginatto é diretor do Sinergia e trabalhador da Eletrosul