No 1217 - 24 de abril de 2014
ELETROBRAS / ELETROSUL
eletricitários paralisam EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS e do reconhecimento dos trabalhadores
pg. 2 A gestão da celesc e a organização dos trabalhadores pg. 2-3
É preciso fortalecer as Comissões de Gestão e Resultados pg. 3 1
ELETROBRAS
CELESC
ELETRICITÁRIOS PARALISAM ATIVIDADES NOS DIAS 24 E 25 DE ABRIL EM PROTESTO PELA CRISE FINANCEIRA DAS EMPRESAS DO GRUPO ELETROBRAS
é PRECISO FORTALECER AS COMISSÕES DE GESTÃO E RESULTADOS
Movimento sindical também promove manifestações em Brasília e nos principais centros urbanos no dia 30 de Abril, para chamar atenção do Governo e da Assembleia Geral A paralisação de 48 horas nos dias 24 e 25 de abril foi aprovada pelas assembleias de trabalhadores de todas as empresas do Grupo Eletrobras. A principal reivindicação da categoria é por medidas de saneamento das empresas a serem adotadas pelo Governo Federal e pela garantia do pagamento da PLR. Os trabalhadores, que defenderam a Renovação das Concessões do setor elétrico no ano passado, agora estão sendo ameaçados por medidas de contenção de gastos nas empresas devido à exagerada redução das receitas, imposta pela medida provisória MP-579. Na avaliação dos sindicalistas foi mal formulada pelo governo, que desconsiderou todas as propostas de melhorias elaboradas pela FNU e a Plataforma Operária e Camponesa para Energia. O mal dimensionamento da medida provocou uma forte crise financeira no Grupo Eletrobras e os trabalhadores estão sendo afetados nas suas condições de trabalho. Até mesmo as questões de segurança estão sendo negligenciadas pelas empresas em nome da redução das despesas. O programa de incentivo ao desligamento (PID) implantado reduziu, significativamente, o quadro de pessoal, mas o trabalho para manter o fornecimento de energia elétrica para a população brasileira continua sendo realizado pelos trabalhadores com dificuldades redobradas. A participação nos lucros e/ou resultados (PLR), tradicionalmente paga aos empregados todos os anos, também está sendo ameaçada. Apesar do trabalho bem executado pelos trabalhadores que possibilita o fornecimento de energia em patamares superiores a cada ano, a direção das empresas alega que o prejuízo financeiro no balanço consolidado das empresas poderá restringir o pagamento da PLR. As entidades sindicais que compõem o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) e a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) defendem a adoção de medidas econômicas que assegurem a capacidade das empresas de fazer frente às necessidades de novos investimentos no setor elétrico e garantir o cumprimento das obrigações financeiras, principalmente no que diz respeito ao custeio das empresas, sem que os trabalhadores sejam prejudicados em seus direitos, benefícios e nas boas condições de trabalho para dar continuidade à prestação de um serviço essencial ao país, na quantidade e na qualidade necessárias.
"Os trabalhadores de todas as empresas do Grupo Eletrobras já deram demonstração de sua disposição de luta, aprovando em assembleias realizadas em todo país a paralisação de 48 horas proposta pelo CNE, que será realizada dias 24 e 25 de abril, antes da AGO do dia 30"
TRABALHADORES EM LUTA PELO FORTALECIMENTO DAS EMPRESAS ESTATAIS E O PAGAMENTO DA PLR!
Os novos modos de análise e medição da Partici- da Celesc destacavam a importância de se criar pação nos Lucros e Resultados (PLR) dos traba- um Contrato de Gestão: "Este instrumento deve lhadores da Celesc retomou um velho tema: a im- gerar um efeito multiplicador de comprometimenportância das Comissões de Gestão e Resultados. to que atinja todos os integrantes da empresa. Durante os Seminários Regionais preparatórios Com base nos resultados obtidos, individualmenpara o 9º Congresso dos Empregados da Celesc, te e em grupo, deverão ser avaliados os desemrealizados pelos sindicatos que compõem a Inter- penhos, implicando na política de remuneração cel, em 213, em parceria com o Representante dos empregados".As CGR´s foram o desdobrados Empregados no Conselho de Administração mento natural desta visão política. A participação da Celesc, Jair Maurino Fonseca, os trabalhado- ativa dos trabalhadores na gestão da Celesc visa res já demonstravam preocupação com o aban- levar a um mundo de negócios o lado humano, o dono das Comissões. O percenlado social. Acima de tudo, ao lu"As CGR´s são um tual de acréscimo dos Contratos tar por um espaço de gestão, os de Resultado pago junto à PLR celesquianos estão lutando por instrumento de reacendeu a discussão. uma empresa pública que resgestão, de caráter Por que as Comissões de Gestão peite não só a sociedade, mas consultivo. Por meio os prórpios trabalhadores. É lógie Resultados são tão importantes? Em 2003 a Celesc apresen- delas fica assegurada co que a nova forma de cálculo tava um novo modelo de gestão. da PLR, com os percentuais de a oportunidade dos Junto à criação de Comitês de empregados discutirem acréscimo retirados através dos Relações com Clientes, Recurcontratos de resultados dá uma suas ideias com os sos Humanos e Comitê Gestor, nova dinâmica à CGR. Agora, iniciava-se a implementação das dirigentes da empresa" além de lutar pela ideologia de Comissões de Gestão e Resultarespeito e de remuneração digdos. As CGR´s são "um instrumento de gestão, na, que reflita o esforço dos celesquianos, os trade caráter consultivo. Por meio delas fica asse- balhadores lutam para sentir efetivamente o seu gurada a oportunidade dos empregados discuti- esforço ser transformado em bonificação. rem suas ideias com os dirigentes da empresa". Mas esse não é o ponto mais importante das A ideia das CGR´s caminhava de braços dados CGR´s. É preciso fortalecê-las para que não apecom a perspectiva de uma gestão compartilhada nas o bolso do trabalhador fique mais cheio. É entre empresa e trabalhadores. Um novo modelo preciso que a visão dos trabalhadores seja levada de empresa pública, defendido com afinco pelos em consideração e para isso nada melhor do que sindicatos da Intercel. Já em 1997 os trabalhado- uma experiência de gestão compartilhada bem res, reunidos no 1º Congresso dos empregados sucedida.
melhores empresas para trabalhar A pesquisa "Melhores Empresas para Trabalhar" realizada pela revista Exame continua aberta até o dia 29 de abril. Os sindicatos que compõem a Intercel relembram aos trabalhadores da Celesc que receberam o email para responder a pesquisa que é de suma importância o fazerem. A participação da empresa na pesquisa faz parte da Participação nos Lucros e Resultados 2014. Porém, o resultado do contrato será medido pelo número de participações e não pela nota dada à Celesc. Por isso, é importante que os celesquianos participem, respondendo da maneira mais franca possível, condizente com a realidade da Celesc
preencha a avaliação de desempenho 2014! Os trabalhadores da Celesc têm até o dia 16 de maio para preencherem a Avaliação de Desempenho 2014. A avaliação conta para a movimentação por mérito do Plano de Cargos e Salários dos trabalhadores.
LINHA VIVA é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo Guilherme Horn (SRTE/SC 3489) | Conselho Editorial: Dirceu Simas Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89206-000 | (047) 3028-2161 |E-mail: sindsc@terra.com.br As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
CELESC
A gestão da celesc e a organização dos trabalhadores PALESTRAS
O que é o Congresso: Os congressos dos empregados da Celesc são fóruns de discussão sobre temas que estão na ordem do dia na Empresa e diante dos quais se requer um posicionamento dos empregados. Os debates nos congressos servem para balizar a atuação do Representante dos Empregados no Conselho de Administração.
Diagnóstico dos seminários regionais | Palestrante: Intercel
Porque surgiram os Congressos:
O sindicalismo brasileiro no atual contexto político. Para onde vamos? | Palestrante: DIEESE
A partir de 1994, quando os sindicatos decidiram apoiar um candidato ao Conselho de Administração, ficou evidente que seria necessário debater com os trabalhadores sobre o tipo de empresa que queríamos. Desta maneira o representante eleito ficaria respaldado pelas deliberações do Congresso. A Intercel entende que numa empresa pública o papel dos sindicatos, além das demandas corporativas, é o de fiscalizar e participar de mudanças estratégicas organizacionais visando uma gestão de qualidade com transparência, ética e profissionalismo.
Pretende discutir o atual estágio do sindicalismo brasileiro. Quais os novos desafios para a ação sindical considerando o contexto político e econômico do país. Como o perfil e as demandas dos atuais trabalhadores interferem na agenda sindical e o que significa a representação dos trabalhadores em um contexto de rápidas transformações econômicas e sociais.
Quem participa dos Congressos:
O olhar da sociedade sobre os serviços da Celesc. | Palestrantes: FIESC, FAESC e CONCCEL
O Congresso tem a participação de trabalhadores de todas as áreas da Celesc. Cerca de 4% dos empregados de cada área (Agências Regionais e Departamentos da Administração Central) representarão os demais colegas no Congresso, contabilizando aproximadamente 120 delegados. A Celesc libera a frequência ao trabalho nos dias do Congresso para os empregados que forem designados como delegados. É importante frisar que o Congresso é uma promoção do Representante dos Empregados no Conselho de Administração, mas o apoio é de diversas entidades: Celesc, Celos, Sindicatos, APC, Apcelesc e Credelesc. As entidades sindicais estão percorrendo as áreas de trabalho para acompanhar a escolha dos delegados ao 9º Congresso.
O objetivo desse painel é conhecer como diferentes setores da sociedade avaliam a prestação dos serviços da Celesc. A intenção é saber como a sociedade nos enxerga e propiciar um debate para que esses atores também saibam em que condições nossos serviços são prestados atualmente.
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Em 2013 foram realizados 12 encontros regionais com trabalhadores da Celesc que avaliaram a ação sindical e os espaços de representação dos trabalhadores na empresa. Nesse painel o objetivo é apresentar as principais conclusões desses encontros.
O marco regulatório e as relações de trabalho no setor elétrico | Palestrante: FNU e DIEESE Nesse painel pretende-se inicialmente apresentar um panorama das empresas, em grande parte motivadas pela regulação setorial e pelas mudanças no perfil dos trabalhadores. Na sequência pretende-se conhecer e discutir como está se dando a negociação trabalhista nas empresas do setor elétrico, quais os maiores conflitos, como tem atuado os sindicatos e quais as perspectivas para os trabalhadores.
Para onde nos levará o plano 2030? | Palestrantes: Celesc
Objetivos do 9º Congressos: 1) Avaliar a atual gestão na Celesc na visão dos atores (gestor, consumidor, trabalhador e acionista). 2) Conhecer e examinar a conjuntura política sindical do país e o atual estágio da relação de trabalho nas empresas do setor elétrico;
Pretende-se debater com os gestores da empresa a forma de implementação do plano 2030. Como o plano pretende preparar a empresa no longo prazo e as consequências no cotidiano dos trabalhadores. As principais questões nesse tópico são: como o plano 2030 se relaciona com a renovação da concessão? Mantém as geradoras? Garante os investimentos necessários? Estabelece condições adequadas de trabalho, saúde e segurança?
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CULTURA
elogio dos trabalhadores
Por Emir Sader*
O homem se diferencia dos outros animais por vários aspectos, mas poder acoplá-la a meios de produção, nas mãos dos capitalistas. o essencial é a capacidade de trabalho. Os outros animais recolhem o Essa imensa massa de trabalhadores que passou a produzir toda a que encontram na natureza, enquanto o homem tem a capacidade de riqueza das sociedades contemporâneas foi objeto de um processo de transformar a natureza. Para produzir as condições da sua sobrevivência, intensa exploração do seu trabalho, com condições brutais de trabalho, o homem transforma o meio em que vive, pela sua capacidade de jornadas longas ¿ de 14 ou até 16 horas. Na resistência a essas condições trabalho, gerando a dialética mediante a qual ele de exploração foi se organizando o movimento modifica o mundo e ao mesmo tempo se modifica, operário, tanto em sindicatos, como em partidos "Neste Primeiro de Maio, políticos, gerando um protagonista essencial na intermediado pela natureza. Dia dos Trabalhadores (e democratização das nossas sociedades. Ao longo do tempo, a constante das sociedades humanas é a presença dos trabalhadores, sob A direita não perdoa os sindicatos. Na ultima não do Trabalho, como distintas formas ¿ escravos, servos, operários -, campanha eleitoral brasileira e na velha mídia, insiste a velha mídia), responsáveis pela produção dos bens da sociedade. os dirigentes sindicais não são tratados como A forma de exploração da força de trabalho é que representantes democráticos e legítimos dos é preciso recordar que variou, definindo o caráter diferenciado de cada trabalhadores, mas quase como gangsters, que se a data vem de uma sociedade. infiltram no governo para defender seus interesses grande manifestação Porém, a exploração do trabalho por outras classes contra os interesses da maioria. Faz parte do ódio sociais fez com que o trabalhador não controlasse sua realizada em Chicago em que as velhas elites têm do povo brasileiro, que é força de trabalho, produzindo para a acumulação de trabalhador, que produz as riquezas do Brasil, que 1886, pela diminuição riquezas dos outros. O trabalho foi sempre um trabalho trabalha jornadas longuíssimas, é explorado pelas alienado, em que os trabalhadores produzem, mas grandes empresas, mas não teve, até recentemente, da jornada de trabalho não são donos do produto do seu trabalho, nem possibilidade de fazer ouvir sua voz no país e no decidem o que produzir, como produzir, para quem para 8 horas, duramente Estado. reprimida pela polícia, produzir, a que preço vender o que produzem. Neste Primeiro de Maio, Dia dos Trabalhadores (e E tampouco são remunerados pela riqueza que não do Trabalho, como insiste a velha mídia), é com a morte de vários produzem, recebendo apenas o indispensável para preciso recordar que a data vem de uma grande trabalhadores" a reprodução da sua força de trabalho. Quem se manifestação realizada em Chicago em 1886, pela apropria do fundamental da riqueza produzida é diminuição da jornada de trabalho para 8 horas, o capital, que assim acumula, se expande, se reproduz, enquanto os duramente reprimida pela polícia, com a morte de vários trabalhadores. trabalhadores apenas sobrevivem. Que a jornada é praticamente a mesma, embora as condições tecnológicas Um dos fenômenos centrais para a instauração do capitalismo foi o para explorá-la tenha avançado gigantescamente e, com ela, os lucros término da servidão feudal, com os trabalhadores ficando disponíveis das grandes empresas que exploram os trabalhadores. Um momento para vender sua força de trabalho para quem possui capital. Estes vivem propício para avançar no projeto de redução da jornada de trabalho, do capital e da exploração da força de trabalho dos trabalhadores, para fazer um mínimo de justiça ao esforço heróico e anônimo dos enquanto estes, dispondo apenas dessa força tem que vendê-la, para milhões de trabalhadores que constroem o progresso do Brasil. *Emir Sader é sociólogo e cientista político brasileiro de orientação marxista
Adiós, gabo
É impossível não falar sobre a morte de Gabriel Garcia Márquez. O escritor que sempre esteve também engajado na luta dos trabalhadores, deixará saudade não só em seus textos. Além de escritor, "Gabo" foi durante muito tempo jornalista e escreveu o belo "A melhor profissão do Mundo", de onde retiramos a citação abaixo. A lição de Gabo é vivida em todas as edições do Linha Viva que chegam aos eletricitários através do trabalho coletivo.
"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."