No 1176 - 20 de junho de 2013
TRABALHADORES DA ELETROBRAS PROTESTAM COM UM DIA DE PARALISAÇÃO
No mesmo dia em que milhares de manifestantes protestaram em diversas capitais do país denunciando a má qualidade dos serviços públicos, o mau uso do dinheiro público, exigindo mais recursos para a saúde e a educação e contra a corrupção (vide página 4), também os eletricitários das empresas do Grupo Eletrobras protestaram paralisando suas atividades por um dia. O protesto foi realizado no dia 17 de junho de 2013 e atingiu todas as empresas do grupo, contando com a adesão expressiva dos trabalhadores. Os serviços essenciais foram preservados pela organização do movimento, mas o alerta ao governo e aos gestores das empresas ficou evidente. Os trabalhadores cobram respeito ao processo de negociação na data-base em curso e exigem a manutenção dos direitos e benefícios que estão sendo ameaçados. Transcorridos quase dois meses do inicio do período de data-base, a segunda rodada de negociação só vai acontecer no próximo dia 21 de junho em Brasília – DF. Os sindicatos que compõem a Intersul estarão representados na negociação nacional coordenada pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários- CNE. As entidades representativas dos trabalhadores convocam à categoria para permanecer atenta às ações da campanha, pois estão previstas assembleias de avaliação da negociação nos dia 24 e 25 de junho em todo o Brasil. As entidades sindicais reforçam que, não havendo avanços na negociação, a tendência é de que se intensifiquem as mobilizações e a greve por tempo indeterminado não está descartada.
Trabalhadores dos setores de energia e indústria constroem propostas para desenvolvimento social e econômico com soberania nacional Em encontro pioneiro e histórico realizado nos dias 13 e 14 de junho, representantes dos trabalhadores do setor do petróleo, do ramo químico e metalúrgico da CUT (CNQ e CNM) e entidades que integram a Plataforma Operária e Camponesa para a Energia, como Federação Única dos Petroleiros (FUP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE), Sindicatos dos Eletricitários do Distrito Federal (Stiu/DF), de Minas Gerais (Sindieletro/MG) e de Santa Catarina (Sinergia/SC) e Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo (FTIUESP), se reuniram na sede do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo para debater propostas unitárias dos trabalhadores para o setor energético e a indústria brasileira. As organizações sindicais e populares reunidas representam categorias de trabalhadores responsáveis pela geração de 20% da riqueza nacional, em setores essenciais e de grande importância estratégica para o desenvolvimento do país. Entre as organizações, é opinião unânime que a energia e a indústria cumprem um papel central no atual momento histórico vivido no Brasil e que é preciso intensificar a luta pela soberania nacional para o fortalecimento da indústria com elemento estruturante para enfrentar a desigualdade social, com distribuição de renda e geração de empregos decentes. Durante o encontro, os participantes estudaram o panorama atual das políticas de planejamento do setor energético e industrial e construíram propostas que possibilitam a expansão destes setores, a partir de um novo modelo de desenvolvimento social e econômico que seja de interesse do conjunto da classe trabalhadora. Além da integração das categorias, o objetivo do encontro foi construir propostas e estratégias que, de fato, possibilitem o crescimento do país, sem precarização do trabalho no setor energético e industrial, com fortalecimento das empresas estatais, redução de impactos sociais das grandes obras, amplo diálogo prévio e respeito aos direitos dos atingidos pelas obras. Entre as bandeiras já apontadas no encontro estão a discussão de novos modelos, seja para a política energética, que integre os setores de petróleo, energia elétrica e petroquímico; para a regulação envolvendo agências tais como a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL); de consumo para a sociedade brasileira; e de exploração de petróleo e gás com a criação de mecanismo que, de fato, garanta o retorno da riqueza do petróleo para a população brasileira. Também foram apontados os temas dos impactos sociais e ambientais das obras, a necessidade de pensar formas de articular o avanço tecnológico e industrial que inclua o modelo de produção da agricultura familiar e camponesa e a necessidade de propor políticas de cunho popular no âmbito da energia. Para seguir aprofundando o estudo e conhecimento sobre os setores de energia e indústria com todas as categorias profissionais e movimentos sociais envolvidos, se constituiu um grupo representativo de militantes sindicais e sociais que se reunirá periodicamente para seguir avançando na análise e planejando as próximas ações. Decidiu-se também, de forma consensual, pela elaboração de um plano de organização e comunicação, de temas e bandeiras unitárias para mobilização e lutas que ganhem as ruas do Brasil. Os trabalhadores dos setores de energia e indústria decidiram ainda indicar o dia 5 de setembro como Dia de Mobilização Nacional em defesa do Desenvolvimento Social e Econômico com Soberania.
1
Um balanço das negociações nos últimos cinco anos II Dando prosseguimento à edição anterior, o Linha Viva reproduz alguns pontos do balanço realizado pelo economista do DIEESE, Daniel Passos, da evolução de algumas cláusulas econômicas negociadas com a Tractebel nos últimos cinco anos. Nessa edição estamos destacando a avaliação sobre a Participação nos Lucros e Resultados. Em primeiro lugar é bom destacar que a obtenção de aumento real nos salários, tema da edição anterior, tem um efeito positivo na PLR, pois as proporções de salário recebidas pelo empregado a título de PLR se referem ao valor de dezembro, portanto, já com o aumento real. Além disso, se de um lado a remuneração anual está sendo corrigida pelo percentual da negociação coletiva (além de aumentos individuais por conta do PCR) por outro as metas da PLR estão sendo corrigidas apenas pelo percentual inflacionário de cada exercício, diminuindo o tamanho do desafio. Em 2007 (para pagamento em 2008) a PLR compreendia até 55% da remuneração anual decorrente da avaliação de desempenho; até 50% em função das metas; até 70% em função do EBITDA e percentual do lucro líquido sem limitador, já que este limitador foi eliminado no ano anterior. Além disso, repassou-se aos empregados, de forma linear, os valores não distribuídos da avaliação de desempenho (conquista da negociação e 2005) que resultaram em R$ 1.200,00 em 2007 e quase R$ 1.700,00 na PLR 2012. As negociações têm sido na busca da ampliação do valor distribuído aos trabalhadores. Assim, em 2008 (pagamento em 2009) o percentual vinculado ao EBITDA foi elevado de 70% para 75%. Em 2010 houve o pagamento de uma parcela fixa de R$ 2.000,00; sendo elevada para R$ 3.000,00 em 2011 e R$ 3.200,00 ou 50% da remuneração, o que for maior, na PLR 2012. A tabela seguinte revela a evolução da PLR para uma remuneração hipotética de R$ 5.000,00 considerando a PLR 2007 e 2012. Nesse caso foi considerada uma mesma avaliação de desempenho e cumprimento da meta da unidade nos dois períodos.
Evolução PLR 2007/2012 INDICADORES
DESEMPENHO
REMUNERAÇÃO R$ 5.000
2007
2012
2007
2012
Avaliação de desempenho
35%
35%
1.750
1.750
Meta UOL
50%
50%
2.500
2.500
EBITDA
70%
70%
3.500
3.750
Lucro Líquido
74,72%
74,72%
3.736
3.350
Parcela Linear
1.200
1.692
1.200
1.692
Parcela Adicional
-
3.200
-
3.200
14.693
18.254
VALOR TOTAL Fonte: Acordos Coletivos. Elab. DIEESE SC
Os dados revelam, para uma mesma remuneração, uma evolução de R$ 3.561 entre um período e outro o que representa mais de 70% da remuneração hipotética. Ressalta-se ainda que, a partir da PLR 2011 (pagamento em 2012), os empregados conquistaram a possibilidade de contribuir com até 7% do valor da PLR ao plano CD, com a empresa aportando o mesmo valor aportado pelo empregado na sua conta previdenciária.
CUTUCADAS Celesc
Há pouco mais de dois anos a Celesc realizou um grande concurso para suprir a necessidade de Advogados na empresa. Em pouco tempo começou uma farra de transferências injustificadas e novamente os problemas começaram. O pior? Agora a Celesc vem gastando rios de dinheiro em diárias. E com alguns absurdos. O Advogado de Joaçaba, por exemplo, vem sendo convocado para trabalhar na Administração Central, deixando a regional vazia. Mas isso não é o pior! Para cobrir sua ausência, a Celesc paga mais diárias para outros advogados! E ainda falam em contenção de custos, eficiência, gestão... LINHA VIVA é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo Guilherme Horn (SRTE/SC 3489) | Conselho Editorial: Wanderlei Lenartowicz Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89206-000 | Fone (047) 3028-2161 | E-mail: sindsc@terra.com.br | Site: www.sindinorte.org As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
2
CELESC
CELESC
Intercel, despachantes e PA´s se reúnem com Celesc para encontrar soluções
Começam as Assembleias Regionais para o Acordo Coletivo da Celesc
Fotos: Intercel
Os sindicatos que compõem a Intercel reuniram-se com a Diretoria da Celesc para debater os problemas da otimização dos COD´s e o futuro dos PA´s. Com expressiva participação dos trabalhadores, o debate avançou garantindo mais comodidade aos despachantes e a continuidade dos PA´s. Após muito debate sobre a otimização dos COD´s e a apresentação por parte dos sindicatos da Intercel de premissas indispensáveis para a continuidade do processo, ficou definido que serão montadas comissões regionalizadas compostas pelos sindicatos, despachantes, SESMT e Diretoria para avaliar caso a caso as regionais que reúnem as condições mínimas para que o processo avance. O avanço na negociação garante a participação dos trabalhadores na busca de condições de trabalho que permitam a otimização dos COD´s. No caso dos PA´s, a ameaça de fechamento dos postos foi eliminada. A Diretoria da Celesc acatou a sugestão dos sindicatos da Intercel de manter um quadro mínimo de 4 trabalhadores em cada um dos PA´s existentes. De acordo com a negociação, as movimentações serão feitas após dezembro deste ano, quando a empresa terá em mãos um diagnóstico das condições técnicas e de saúde dos trabalhadores. Os sindicatos da Intercel permanecerão acompanhando a discussão, buscando garantir as melhores condições para que os trabalhadores possam efetuar suas atividades laborais com saúde, segurança e eficiência, garantindo um atendimento de qualidade à população.
CELESC
Atendimento Comercial caótico e a necessidade de mais trabalhadores A situação caótica em que se encontram diversas lojas de atendimento da Celesc continua pondo a imagem da Celesc para baixo e a saúde dos trabalhadores à prova. A falta de pessoal, agravada pela saída de vários companheiros no Plano de Demissão Voluntária (PDV) e pela decisão da Diretoria e do Conselho de Administração de não realizar concurso público para cargos administrativos, continua sobrecarregando os atendentes e precarizando o atendimento à sociedade catarinense. O clima de linha de produção tomou conta das lojas de atendimento e os trabalhadores se desdobram para atender a população que lota as lojas. Poderíamos citar várias Agências onde a situação é grave, como, por exemplo, Chapecó. Mas a verdade é que em maior ou menor intensidade, todos sentem a sobrecarga pela falta de atendentes. Na última segunda-feira, em Itajaí, o descontentamento extrapolou as reclamações de fila e a situação chamou a atenção da mídia local. Os cidadãos reclamam do atendimento, mas não dos atendentes. Fica muito claro que a deficiência do atendimento é a falta de trabalhadores para suprir a demanda de uma população que tende ao crescimento contínuo. As cidades crescem, as unidades consumidoras se multiplicam, mas o número de atendentes só diminui. Foi isso que o Sindicato dos Trabalhadores Eletricitários do Vale do Itajaí
(Sintevi), integrante da Intercel, deixou claro ao manifestar-se à mídia local: a qualidade do atendimento do trabalhador da Celesc é inegável. O que falta é ter mais trabalhadores atendendo a população. Esta constatação foi apresentada também pelo representante dos empregados no Conselho de Administração da Celesc, Jair Maurino Fonseca, na câmara de vereadores de Itajaí, na última quinta-feira, dia 13. Jair participou da sessão da câmara, dando sequência à luta em defesa da qualidade dos serviços prestados à população e pontuou: é necessário que tenhamos mais atendentes para garantir o atendimento que a sociedade merece. Além da manifestação do Conselheiro eleito, a própria mobilização dos trabalhadores na Audiência Pública já alcançou alguns avanços. Ontem, durante a reunião do Comitê de Recursos Humanos que assessora o Conselho de Administração da empresa, foi debatida a contratação de mais trabalhadores, entre eles atendentes comerciais. Apesar de ainda embrionária, a discussão ter sido levada ao Conselho já é prova de que a força da união dos trabalhadores é a chave para a defesa e manutenção da Celesc Pública que respeite a sociedade catarinense. Os sindicatos que compõem a Intercel permanecerão na luta pela recomposição do quadro de pessoal da Celesc e pela qualidade do serviço prestado à população.
Foi empossada na última sexta-feira, dia 14 a Diretoria do Sintresc. A Intercel parabeniza os sindicalistas que mantém a luta em defesa dos trabalhadores e das empresas públicas catarinenses.
CELESC
Intercel debate PLR na Celesc Os sindicatos que compõem a Intercel estiveram reunidos com a Diretoria de Gestão Corporativa da Celesc nesta terça-feira, dia 18, para debater a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2013. Nesta primeira reunião a Diretoria afirmou ainda não ter nenhuma proposta para apresentar à categoria. Os sindicatos que compõem a Intercel ressaltaram a urgência do debate, para que a negociação da PLR não se misture com a negociação do Acordo Coletivo. Uma nova reunião foi marcada para o dia 02/07, quando a Diretoria já terá uma proposta para apresentar aos sindicatos.
As Assembleias Regionais para retirada da pré-pauta de reivindicações do Acordo Coletivo de Trabalho 2013/14 da Celesc começam esta semana, dando início ao processo de data-base. A participação de todos os trabalhadores é fundamental para que as cláusulas, que serão unificadas na Assembleia Estadual, reflitam os anseios da categoria. Procure um representante do seu sindicato e participe! Vamos juntos em busca de um Acordo Coletivo justo!
PARTICIPEM DAS ASSEMBLEIAS REGIONAIS DE 21 JUNHO A 01 DE JULHO VAMOS JUNTOS EM BUSCA DE UM ACT JUSTO PROCURE O SEU SINDICATO DE BASE E FAÇA PARTE DESTA LUTA!
CELESC
Intercel encaminha carta ao Governador do Estado Os sindicatos que compõem a Intercel encaminharam na última terça-feira, dia 18, carta ao governador do Estado, Raimundo Colombo, solicitando uma reunião para debater pontos de interesse dos trabalhadores na manutenção da Celesc Pública. A solicitação de uma reunião entre os representantes dos eletricitários e o governo do estado já havia sido feita no início do mandato, mas não obteve resposta. Com a realização da audiência pública e a disposição dos trabalhadores em lutar pela qualidade dos serviços prestados à sociedade, a reunião voltou à pauta, tendo os sindicatos cobrado do presidente da Celesc a intervenção junto ao governo para que o governador Raimundo Colombo receba os sindicatos para debater ações afirmativas em defesa de uma Celesc Pública, eficiente e que respeite a sociedade catarinense.
Intercel busca Frente Parlamentar Ainda na sequência da manifestação dos trabalhadores, os sindicatos que compõem a Intercel reuniram-se com o Deputado Estadual Dirceu Dresch (PT) nesta terça-feira, dia 18, para debater a criação de uma Frente Parlamentar que auxiliará no debate da renovação da concessão da Celesc e na manutenção e fortalecimento da maior empresa pública do estado de Santa Catarina. A criação desta frente parlamentar foi resolução da Audiência Pública.
3
CULTURA
NÃO É POR CENTAVOS. É POR DIREITOS Depois da manifestação contra o aumento das passagens no transporte público de São Paulo, o país foi tomado por uma série de manifestações. Alguns dizem que a nação acordou. Vários que sonhamos perigosamente. Outros que, na verdade, a população finalmente respondeu ao chamado de movimentos sociais e de trabalhadores que nunca saíram das ruas, lutando por um mundo melhor. A verdade é que vivemos um momento singular e temos que tirar proveito disso. Não podemos deixar, no entanto, de ter perspectiva. Para onde vamos? Pouco provável que alguém consiga nos dizer. Essas manifestações são um amálgama de todas as insatisfações do povo. São uma evolução. Mas devem ser uma evolução criadora. Durante um dos protestos do movimento Occupy Wall Street, o filósofo Sloveno Slavoj Zizek nos deu uma lição: não podemos deixar que tudo isso seja em vão! Vamos às ruas! Mas não só hoje. Não só agora. Vamos juntos o tempo todo. Vamos unidos. O que vem lá na frente não sabemos. Mas sabemos que é o diferente que precisamos. A repressão, como temos visto, vai haver, mas vamos sem violência. As revoluções são feitas de coragem. Vamos fazer uma revolução pacífica. Lembrem da fala do personagem "V", que virou símbolo de uma massa sem lideranças, mas coesa em busca de um mesmo objetivo: "Por baixo dessa carne existe um ideal. E as idéias nunca morrem"! "Idéias não são só carne e osso. Idéias são à prova de balas". Vamos mudar o mundo, passo a passo. E que cada passo se multiplique e que cada passo individual se torne um gigantesco passo de uma massa, de um coletivo rumo a um país verdadeiramente do povo.
VAMOS ÀS RUAS!
Mobilizações em Santa Catarina