No 1175 - 13 de junho de 2013
CELESC ASSINA TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA COM MINISTÉRIO PÚBLICO Foto: Intercel
Procurador do Trabalho, Sandro Sardá, e sindicatos da Intercel cobraram a contratação de pelo menos 260 trabalhadores através de concurso público
No dia 06 de junho uma grande vitória dos Celesquianos foi confirmada. da Celesc cobrando pela deliberação do Conselho pela realização do A Celesc, após inúmeras reuniões com o procurador do Ministério Pú- Concurso Público, que vinha sendo protelada pela pressão dos acionisblico do Trabalho (MPT), Sandro Sardá, assinou um Termo de Ajuste de tas minoritários. A manifestação foi vitoriosa e, mesmo fora da pauta, o Conduta (TAC) comprometendo-se a manter em seu quadro próprio nú- assunto foi debatido e a realização do concurso aprovada para fevereimero de trabalhadores suficiente para cumprir com a legislação que de- ro de 2013. As tentativas de não contratar trabalhadores em favor da termina um intervalo de no mínimo 11 horas entre jornadas de trabalho. terceirização ficaram claras no fatídico episódio do concurso realizado O debate começou com a manifestação do MPT sobre a Celesc não em fevereiro. Sob o pretexto de que a empresa responsável pela realicumprir o intervalo entre as jornadas dos eletrização das provas havia "errado a mão", o concurcistas de emergência, além de não cumprir o in- "Os sindicatos da Intercel acom- so que previa a aprovação de 130 trabalhadores tervalo de almoço estipulado pela lei. Já à epoca aprovou apenas 17. Novamente os trabalhadores panharam o debate deixando cla- paralisaram as atividades, clamando por moralios sindicatos que compõem a Intercel acompanharam o desenvolver do debate, auxiliando na ro que a única forma de resolver o zação e pela realização de novo concurso. Além argumentação do procurador e deixando claro problema que causa a sobrecarga disso os trabalhadores cobravam a contratação que a única forma de resolver o problema que e expõe os trabalhadores a riscos imediata de mais trabalhadores, pois o número causa a sobrecarga e expõe os trabalhadores de saúde e segurança é a contra- apresentado pela diretoria era claramente insufia riscos de saúde e segurança era a contratatação de eletricistas através de ciente para suprir a necessidade de mão de obra, ção de eletricistas através de concurso público. agravada pela saída de companheiros no PDV. Além disso, os sindicatos deixaram claro a posi- concurso público" Em paralelo a todas as manifestações, a Intercel ção histórica contrária à terceirização das ativitrabalhava em defesa da aplicação do trabalho dades-fim, uma vez que os trabalhadores terceirizados são explorados aprovado pelo GT da Força de Trabalho Operacional, que determinava e expostos a riscos de saúde e segurança comprovados pelos trágicos a necessidade de contratação de 260 eletricistas para que a Celesc acidentes ocorridos no final de 2012, onde um trabalhador perdeu a vida cumprisse as legislações trabalhistas. A pressão dos trabalhadores e a na rede da Celesc. O MPT, também contrário à terceirização, move uma ação do MPT foram determinantes para a vitória da categoria. Ação Civil Pública contra a Celesc onde a Procuradora Quézia Araújo Com a assinatura do TAC, a Celesc não apenas se compromete a comDuarte de Aguiar, deixou clara a postura do Ministério: não há sentido pletar o quadro de pessoal, acabando com a sobrecarga e os riscos em haver empresa pública se os trabalhadores forem terceirizados. laborais aos quais os trabalhadores estão expostos, mas também se Neste meio tempo a organização dos trabalhadores, junto com os sin- compromete a não utilizar mão de obra terceirizada para realizar atividicatos da Intercel, realizou duas manifestações que contribuíram para dades-fim. Apesar da vitória, é importante que permaneçamos unidos e o debate. No fim de 2012, durante reunião do Conselho de Administra- fiscalizando o cumprimento do TAC, que só contribui na luta pela Celesc ção, trabalhadores de todo o Estado paralisaram atividades nos portões Pública.
Um balanço das negociações nos últimos 5 anos PÁGINA 2
intercel debate com celesc otimização dos cod´s e futuro dos pa´s PÁGINAS 2-3
intersul e intersindical se reúnem hoje PÁGINA 3 1
Um balanço das negociações nos últimos cinco anos Os empregados da Tractebel têm percebido que as negociações têm ficado mais difíceis nos últimos anos, exigindo mais reuniões para a obtenção de uma proposta de Acordo. O economista do DIEESE, Daniel Passos, que tem assessorado a Intersul nas negociações, fez um balanço dos resultados de algumas cláusulas econômicas negociadas nos últimos cinco anos, mostrando a importância que cada conquista tem na remuneração do empregado ao longo da sua vida profissional na empresa. Nessa edição estamos reproduzindo alguns pontos desse balanço, destacando o Aumento Real, entendido como a correção dos salários acima da inflação medida pelo INPC/IBGE. A correção dos salários acima da inflação tem sido uma prática comum na maioria das negociações coletivas no Brasil nos últimos anos. De acordo com o banco de dados do DIEESE, entre 2008 e 2012 foi crescente o número de acordos e convenções coletivas com ganho acima da inflação, passando de 76,6% para 94,6% do total de negociações. Esse cenário reforçou os argumentos dos dirigentes na negociação com a Tractebel, exigindo propostas que contemplassem ganho real de salários. Por outro lado, o argumento da empresa tem sido buscar a aplicação de ganhos salariais individuais, utilizando para isso seus mecanismos discricionários como a avaliação de desempenho ou pesquisas de mercado. Apesar dessa diferença de visões, o aumento real acumulado nos últimos cinco anos na negociação com a Tractebel foi de 4,34% expressando uma média anual de 0,85%. Em uma economia em que é baixo o patamar inflacionário, qualquer aumento real de salário tem um efeito importante na renda do trabalhador. A Tabela demonstra o ganho na remuneração em 12 meses em razão do aumento real verificado a cada ano desde 2008. Nesse caso foi considerado o efeito sobre toda a remuneração no decorrer do ano, considerando os doze salários mensais, mais décimo terceiro, gratificação de férias e um valor médio de três salários de PLR, totalizando 16,666 remunerações.
Negociação Tractebel Energia Ganhos de remuneração no ano* em razão do aumento real 2008-2012 ANO
GANHO REMUNERAÇÃO
2008
3,73%
2009
16,85%
2010
34,40%
2011
55,34%
2012
71,22%
ACUMULADO
181,23%
Fonte: IBGE; Acordos Coletivos. Elab: DIEESE SC (*) Foi considerada 16,666 remunerações mensais ao longo de 12 meses
Destaca-se a relevância do aumento real, pois o seu efeito é replicado nos anos seguintes. Assim, o ganho verificado em 2008 é replicado no ano seguinte, adicionando-se ao ganho de 2009, e assim sucessivamente. Desse modo, observa-se que um ganho pequeno de 3,73% de uma remuneração ao longo de 12 meses no ano base 2008 se eleva para 16,85% em 2009 e alcança 71,22% de uma remuneração no ano base 2012. O efeito cumulativo nos cinco anos é de quase duas remunerações (181,53%), com a garantia de que continuará se replicando nos anos seguintes. Importante destacar ainda esses efeitos nas outras verbas trabalhistas e indenizatórias como o FGTS, Plano Previdenciário e outras que serão refletidas ao longo de toda a trajetória profissional do trabalhador na empresa.
Pelas próximas edições do Linha Viva continuaremos a apresentar um diagnóstico das últimas 5 negociações na Tractebel. Acompanhem e comentem! LINHA VIVA é uma publicação da Intersindical dos Eletricitários de SC Jornalista responsável: Paulo Guilherme Horn (SRTE/SC 3489) | Conselho Editorial: Leandro Nunes da Silva Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89206-000 | Fone (047) 3028-2161 | E-mail: sindsc@terra.com.br | Site: www.sindinorte.org As matérias assinadas não correspondem, necessariamente, à opinião do jornal.
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Seminários Regionais Os Seminários Regionais preparatórios para o 9º Congresso dos empregados da Celesc entram em sua última semana. Depois do debate sobre as representações dos trabalhadores passar por quase todas as Agências Regionais, o evento termina nesta sexta-feira, dia 14, em Florianópolis. Na avaliação dos sindicatos da Intercel o debate sobre o papel das representações dos trabalhadores nas mais variadas instâncias contribui para a construção de uma Celesc Pública onde cada vez mais os trabalhadores
sejam ponto fundamental na gestão da empresa. As instâncias representativas são parte de um modelo de gestão compartilhada que é defendido pelos sindicatos que compõem a Intercel desde os primeiros Congressos dos trabalhadores, tendo inclusive o representante dos empregados no Conselho de Administração da Celesc à época, Luiz Cézare Vieira, publicado um livro sobre a experiência dos trabalhadores na gestão da empresa. Fotos: Intercel
CELESC
SINERGIA
Intercel se reúne com Diretoria da Celesc para debater otimização dos COD´s e futuro dos PA´s
VII SIPAT do Sinergia
Os sindicatos que compõem a Intercel estarão reunidos com a Diretoria da Celesc nesta quinta-feira, dia 13, a tarde, para debater duas questões de grande importância para os trabalhadores: o processo de otimização dos Centros de Operação da Distribuição (COD´s) e o futuro dos Postos de Atendimento (PA´s). A reunião inicia com a pauta dos despachantes que, após o encontro promovido pela Intercel em Lages, retiraram em conjunto com os dirigentes sindicais correspondência de consenso elencando as prioridades e necessidades absolutas que condicionam a continuidade do processo de otimização dos COD´s. Além disso, trabalhadores de todas as regiões do estado participarão da reunião com a Diretoria da empresa, apresentando as argumentações construidas com os problemas vivenciados no cotidiano. Logo após a reunião com os despachantes a situação dos operadores volta à pauta. Depois do acerto de respeitar as regras pré-definidas no grupo de trabalho que debateu o futuro dos PA´s, resguardando a continuidade do posto quando a empresa demonstrava a intenção de extinguir a atividade, e de reuniões entre os trabalhadores, os sindicatos da Intercel e a Associação dos Operadores de Subestações (APOUS), uma contra-proposta à apresentada pela empresa foi construída com base no debate. Os sindicatos da Intercel continuarão no debate, certificando-se que sejam dadas condições de trabalho tanto aos despachantes quanto aos operadores. É imprescindível que a categoria permaneça unida em defesa de melhores condições de trabalho e de uma gestão que respeite os trabalhadores.
ELETROBRAS
Fotos: Intercel
Acontece entre os dias 17 a 21 de junho a VII Sipat do Sinergia. Em função disto o expediente no sindicato vai sofrer alterações. Nos dias 18 e 19 haverá expediente interno das 13h30min às 17h30min. No dia 21 o expediente interno será das 8 horas às 17h 30min.
ELETROSUL
Intersul e Intersindical se reúnem hoje Com o objetivo de estabelecer ações conjuntas na campanha de data-base deste ano, a exemplo da exitosa greve de julho do ano passado, os sindicatos que compõem a Intersul e a Intersindical estão reunidos hoje, (13/06), em Florianópolis. A aproximação das entidades sindicais é fruto do desejo dos empregados da Eletrosul e faz parte de uma estratégia que visa melhores resultados à categoria. Independentemente do cargo e da função que cada um exerce na empresa, a verdade é que todos são eletricitários e usufruem das conquistas obtidas pelo esforço do coletivo. Neste sentido, tanto os dirigentes sindicais que integram a Intersul, como a Intersindical, contam com o envolvimento efetivo dos trabalhadores nesta campanha de data-base cuja união dos sindicatos em nível regional e nacional fez a grande diferença em 2012.
CNE avalia rumos da campanha O Coletivo Nacional dos Eletricitários se reuniu ontem (12 de junho), em Brasília, para avaliar os rumos da negociação do ACT 2013/2014 e formular novos encaminhamentos. A direção do grupo Eletrobras adia propositalmente a discussão da pauta nacional de reivindicações. A 2ª reunião de negociação, prevista para dia 05 de junho, foi mudada unilateralmente pela Holding para o dia 21/06 e sem nenhuma explicação, o que demonstra, por si só, uma atitude de desrespeito com as entidades representativas. Do ponto de vista dos dirigentes sindicais, em qualquer circunstância a unidade dos trabalhadores é necessária, mas – neste momento, mais do que necessária, ela é imprescindível! “Como temos alertado, sem unidade dificilmente teremos condições de fortalecer a luta frente às investidas da gestão da Eletrobras que se utiliza comodamente do discurso da redução de receitas (uma das consequências da MP 579) para justificar demissões (disfarçadas de PID) e propor retirada de direitos”. A “preocupação” dos gestores do grupo Eletrobrás com a sobrevivência das empresas está focada basicamente na redução dos gastos com pessoal, podendo provocar uma baixa na qualidade dos serviços
prestados, em função da perda do conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos e do desestímulo dos empregados remanescentes que não enxergam perspectiva de valorização através do Plano de Carreira e Remuneração (PCR). O contexto de dificuldade das negociações dos acordos coletivos nos últimos anos está na contramão da retomada dos investimentos no setor elétrico federal. É como se pudesse imaginar o crescimento das empresas, sem considerar e reconhecer a importância dos empregados neste contexto. O que se presencia atualmente é um ataque deliberado as conquistas e direitos dos trabalhadores. Assim como aconteceu no ano passado, o conjunto dos eletricitários do grupo Eletrobras está sendo de novo desafiado. Uma coisa é certa, não há alternativa ou saída individual numa campanha de data base. A resposta àqueles que somente enxergam na redução dos direitos e benefícios dos trabalhadores a saída para as dificuldades conjunturais será a união e a luta coletiva. Continuem todos atentos ao chamado dos sindicatos para fazer valer um acordo coletivo digno, que não virá por obra do acaso. Ao final desta edição, o LV não dispunha de maiores informações sobre os encaminhamentos da respectiva reunião do CNE, que serão divulgados oportunamente através de boletim específico.
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CULTURA
CANÇÕES DE TRABALHO O gênero musical Blues foi uma das principais fontes de todos os outros gêneros musicais, entre eles o Rock. O Blues nasceu com a voz dos escravos nos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Eles cantavam nas plantações para aliviar a dureza do trabalho. Enquanto os negros soltavam suas emoções, os brancos viam o lado prático da coisa. As work-songs (canções de trabalho) ajudavam a imprimir um ritmo ao trabalho no campo e deixavam os escravos mais alegres. Por volta da década de 50, a capital Kingston era a terra dos sonhos dos habitantes das zonas rurais da Jamaica. Apesar da cidade não oferecer muito trabalho, multidões dirigiam-se para lá, para fatalmente engrossarem a população das favelas. A maior e mais miserável dessas favelas era Trench Town (Cidade do Esgoto), foi para lá que Dona Cedella se mudou junto com seu filho, Bob Marley, no final dos anos 50. O menino cresceu nesse ambiente junto com outros meninos de rua, com quem começou a tocar latas e guitarras improvisadas em casa. O som que faziam era influenciado pelo Blues, tocado nas emissoras do sul dos Estados Unidos que conseguiam captar nos seus rádios. Bob conseguiu um emprego numa funilaria, mas já tinha a música como grande objetivo de sua vida. A busca desse sonho ganhou dedicação exclusiva quando uma fagulha da solda com que trabalhava queimou-lhe o olho. O acidente de trabalho não teve gravidade, mas contribuiu muito para Bob Marley decidir largar o emprego e investir unicamente no aperfeiçoamento da sua música. Em 1965, no distrito industrial de Birmingham, na Inglaterra, ocorreu outro acidente de trabalho, um acidente que iria mudar o som do Rock para sempre. Tony trabalhava em uma indústria metalúrgica, quando foi chamado para substituir um empregado que havia faltado naquele dia. Sem qualquer experiência com a máquina, sofreu um acidente de trabalho que decepou a ponta de seus dedos. Foi uma perda pessoal muito grande porque sua pretensão era largar o emprego e se tornar um guitarrista profissional. Porém, um dia, já desanimado, foi apresentado a um guitarrista que tocava Blues apenas com os dedos indicador e médio. Ao ouvir aquilo ficou encorajado e resolveu tocar de novo. Derreteu a ponta de duas garrafas plásticas, as modelou para encaixarem nos dedos, e folgou as cordas da guitarra para ficar mais fácil de tocar, por consequência, o som ficou mais pesado. E assim nasceu o Rock Metal do Black Sabbath. Hoje as “work songs” estão nos fones de ouvidos dos executivos, na musica ambiente dos escritórios, no fundo musical de filmes motivacionais que vemos no emprego, nos fazendo companhia nas viagens a serviço. As batidas do “techno” ainda lembram o ritmo das máquinas, muitas letras dizem respeito as nossas condições de trabalho. Nos próximos fins de semanas, inevitavelmente, ouviremos Bob Marley e ficaremos satisfeitos de nós todos - ele também - termos sobrevividos a mais uma jornada de trabalho.
por Rodrigo Luis Galvão Trabalhador da Eletrosul
imagens de Robert Crumb retiradas do www.google.com