Boletim do
Conselheiro
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Novembro/22
Representante dos Empregados no Conselho de Administração da Celesc | Paulo Guilherme Horn | pghorn@gmail.com / (47) 9 9992-0036
Orçamento e dividendos No início de outubro, uma reunião extraordinária tratou da proposta de revisão do orçamento de investimentos de 2022. A reunião, tensa, trazia também uma proposta de aumento na distribuição de dividendos aos acionistas. O relato, feito no Boletim do Conselheiro nº 20, demonstrou os riscos à manutenção da Celesc Pública, nossa visão sobre a questão do lucro e a crítica ao momento inoportuno para se fazer um debate estrutural, uma vez que estamos em plena transição governamental, que terá impactos diretos na Celesc, afinal de contas, o Governo do Estado de Santa Catarina é o acionista majoritário da empresa. Alterações no pagamento de dividendos que mudem a lógica de distribuição do mínimo estatutário (30%) e historicamente praticado, na iminência de assumir um Governo que já se manifestou contra este aumento, não nos parece correto. Aliás, considerando o caráter público da Celesc, o foco não deve ser a distribuição de dividendos atrelada à média de mercado, mas sim uma empresa sustentável que cumpra seu papel social de levar energia de qualidade para a população catarinense. O caráter público da Celesc irrita muita gente. Entretanto, gostando ou não, a Celesc é uma estatal e deve primar por atender bem a so-
ciedade, estruturando o sistema de energia elétrica com investimentos que possibilitem o crescimento econômico e social do estado. Reafirmar estas posições é necessário, uma vez que nesta reunião do CA foi realizada apresentação sobre Orçamento e Plano Diretor, que apontam problemas. A apresentação abordou temas importantes como investimentos, captações, distribuição de dividendos, com a cobrança, por parte dos minoritários, de cenários que possibilitem menos investimentos, mais dividendos e a venda de participações da Celesc, como a Casan e a SC Gás. A próxima reunião acontece no dia 23, na sede da empresa, e os celesquianos devem estar preparados e conscientes que este é um debate sobre o futuro da Celesc. A empresa sempre esteve na mira da privatização, sendo uma das poucas que, pela mobilização dos trabalhadores, organizados pelos sindicatos, permanece sob controle estatal. Entretanto, nossa luta não pode ser somente contra a venda da empresa. É preciso seguir vigilantes para que a Celesc continue investindo no sistema elétrico e criando a estrutura para o desenvolvimento catarinense e isso passa por manter o foco em seu papel social, ao invés de avançar em satisfazer os acionistas.
" Considerando o caráter público da Celesc, o foco não deve ser a distribuição de dividendos atrelada à média de mercado, mas sim uma empresa sustentável que cumpra seu papel social de levar energia de qualidade para a população catarinense "
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