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Angela - Ano 1

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Angela


Angela

LEMBRANÇA DO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO


Recordar Do latim: re-cordis, tornar a passar pelo coração

Eduardo Galeano

Todos os desenhos e textos desta lembrança foram feitos e publicados no instagram e facebook do pai da Angela (Paulo). Todos foram criteriosamente avaliados e previamente aprovados pela mãe da Angela (Karina).


Esses últimos dias têm sido os mais loucos da minha vida. Na quarta-feira, dia 25, estávamos naquela expectativa pela chegada da Angela. A cesárea estava marcada para as 17h e querem saber, nunca marquem uma cirurgia para tarde. A Karina tinha que ter jejum de 8 horas de alimentos e de 6 horas de água, o que nos fez acordar cedo pra ultima refeição antes do parto. E aí eu conheci o que é ansiedade. A Karina comeu e foi dormir de novo, por que acordada não aguentaria de fome. Eu fiquei acordado, esperando. Tínhamos que estar no hospital as 15h. E o tempo não passava. Deixei tudo arrumado, as malas da Karina, da Angela e minha. Acordei a Ka as 13h para ela tomar um banho e se arrumar. Chegamos no hospital bem antes das 15h. A espera até lá não se compara à espera de quando entramos no centro cirúrgico, para prepararem a Ka para a cesárea. Ela foi direto para uma maca, tomar soro. Acho que levou quase uma hora até começar tudo. Do nada uma enfermeira vem, leva a Karina e diz que volta pra me buscar quando tivesse começando a cesárea. E o tempo passava e nada. Nada da enfermeira vir me buscar e eu já angustiado, afinal de contas, todo mundo dizia que a cesárea é extremamente rápida. E eu lá sentado esperando já pensei que tinham esquecido de me chamar, que eu não ia ver minha filha nascer! Ou então que tinha dado algum problema com a Ka! Foi o inferno até que a enfermeira apareceu e me levou correndo. Na sala tinha três médicos e acho que três enfermeiras. Eu não queria ver a cirurgia, mas queria estar lá, do lado da Karina. Cheguei perto da cabeça dela, um pano cobria a parte de baixo. Em menos de 10 minutos falaram: já nasceu e eu olhei. Olhei o médico pegar aquela coisinha pequena e limpar. Olhei ela inteirinha, perfeitinha. Olhei eles colocarem ela do lado da Karina, na minha frente e ficamos os três juntos pela primeira vez, uma família. Demorou um bocado para irmos para o quarto. Nesse tempo a Angela mamou pela primeira vez, tomou o primeiro banho e, pelo vidro da sala de espera, foi vista pelos avós e tios pela primeira vez. A primeira noite no quarto é assustadora. A Angela, que tinha mamado tão bem logo após nascer, agora não mamava. Tentava e tentava e não conseguia. As enfermeiras nos orientaram e as 2 horas da manhã fui à farmácia comprar uns apetrechos que auxiliam nessa hora. E a Angela mamou e logo dormiu. Só nós que não. Porque na primeira noite, tu fica vigilante, apesar de inútil. A


cada minuto tu olha pro berço. Será que tá respirando? A cada gemido tu pula. Será que tá machucada? A cada suspiro tu suspira também. Será que tá tudo bem? E tu não dorme. Fiquei impressionado com todas as enfermeiras e médicos da ala obstetrícia da Unimed. Porque a noite que a Angela nasceu foi agitada. Tiveram vários nascimentos e os quartos estavam lotados de pais que passavam pelos mesmos medos e receios que eu. As enfermeiras eram chamadas a todo momento para tirar as mais simples dúvidas. Como é que se troca uma fralda? Como é que eu seguro a neném? Em todos os momentos elas chegavam com uma calma tranquilizadora, explicavam e ajudavam. Além dos cuidados com a Angela, a Karina também precisava de atenção redobrada. A recuperação da cesárea também é dolorida e complicada. No dia seguinte ao nascimento da Angela, uma dor aguda abateu a Karina, que ficou sem conseguir levantar e à base de remédios na veia. E eu ali do lado, inútil de novo. Recebemos algumas poucas visitas no quarto do hospital. Meus pais e minha vó materna. Minha irmã. Dois dos casais de amigos mais próximos que temos. Mesmo com todo o cansaço, fico feliz que tenham ido. Acho de verdade que as visitas nos dão uma força extra. Porque, nesse momento (e em todo momento do nascimento em diante), tudo que tu quer é ouvir o quão linda é tua filha. Tanto a Angela quanto a Karina estavam bem no terceiro dia. Tanto que receberam alta já cedo. Para assustar um pouco, recebemos a recomendação de levar a Angela de volta ao hospital na segunda-feira por que a pediatra achou ela meio amarela. Para assustar um pouco mais, a Angela perdeu peso do nascimento até a alta e, apesar de todo mundo dizer que é normal, tu não acha nada normal. Mas fomos pra casa. A primeira noite em casa é ainda mais assustadora. Por que tu continua com todos os medos, mas sem as enfermeiras para te ajudar. E não dorme nada. Eu e a Karina nos revezamos acordados do lado do berço o dia inteiro. No fim de semana foi caindo a ficha. A vida toda mudou, a rotina mudou. Tudo é em função da Angela. E aquelas dúvidas estavam ali caminhando junto. Será que ela tá mamando direito? Será que ela tá amarela? Tu vai ficando paranóico com isso.


Na segunda de manhã acordamos cedo. O plano era amamentar a Angela para ela estar dormindo a hora que tivéssemos que sair para a consulta com o pediatra. Até aí foi tranquilo. A Angela mamou, a Karina tomou banho e eu arrumei tudo. Tava tudo certo, até que a Angela acordou querendo mamar de novo, já no carro. E, para deixar clara a vontade, se pôs a berrar. A Karina, chorando de cansaço e preocupação, teve que ir amamentando ela no carro, enquanto eu ia 20 por hora, pensando que não daria tempo de chegar na consulta. Mas deu. A Angela tava amarela mesmo. O médico pediu um exame de sangue para ver se tava com Icterícia, e aproveitou para fazer o teste do pezinho. Antes disso a enfermeira fez um controle de peso e viu como ela estava mamando. Apesar dela mamar bem, tinha perdido peso novamente. E isso me pôs lá pra baixo. O resultado do exame demorou 1 hora e meia, mas foi um alívio. A Angela tava normal e não precisaria ficar internada pra tratar do amarelão. Apesar da boa notícia, eu voltei ainda mais preocupado, com a perda de peso da minha filha. Espaireci um pouco com a felicidade de ver minha filha conhecer minha vó paterna, minha madrinha e uma das minhas primas. Na terça-feira voltamos ao hospital. Existe um grupo de apoio à amamentação nesse dia da semana e eu precisava saber se a Angela estava conseguindo mamar. A hora que a enfermeira pôs ela na balança e disse que sim, que ela tinha ganho peso me deu uma vontade de chorar de alívio tão grande. A minha pequenina tava bem, tava crescendo. De lá pra cá, todo dia é um medo e uma descoberta diferente. Eu sei que nesse texto longo eu listei todos os meus temores com este início de paternidade. Acho que tenho esquecido até de respirar, de vez em quando. Mas tem uma coisa que cês precisam saber. É tudo isso, mas é a melhor coisa do mundo. Eu não sei o que tô fazendo em 90% do tempo. Mas eu vou fazendo por que ela precisa. Tudo muda, tudo fica melhor quando ela tá no meu colo. Tudo para quando eu olho pra ela. É tão paradoxal, que não dá pra explicar. Não sei se um dia alguém já conseguiu. Tem muita gente por aí melhor com as palavras que eu. Eu ainda não consigo. Talvez nunca consiga. E, sinceramente, não vou perder tempo tentando. Vou é ficar com minha pequena no colo.


A preocupação dos primeiros dias era saber se estava respirando. Agora, passados 16 dias de Angela nas nossas vidas, a preocupação é se ela tá mamando bem. E não tá. Depois de termos levado ela no grupo de apoio à amamentação e termos visto que ela havia ganho peso, nos enchemos de confiança. Cada vez que ia ao peito ela parecia estar mamando muito, com muita vontade. Umas 3 noites seguidas ela se pôs a chorar de madrugada e achamos que era cólica. Achei até que ela tava mamando demais e por isso tava com dor na barriga. Mas não era nada disso. Era fome. Voltamos ao grupo de apoio nesta terça-feira e levamos um baita golpe: ela tinha perdido todo o peso que recuperou e mais um pouco. Tanto as enfermeiras do grupo quanto o pediatra, no dia seguinte, nos orientaram a retirar o leite da Karina e dar para a Angela no copinho, após a mamada, para complementar. Mas a danada não toma de jeito nenhum. Cospe tudo, tanto no copo quanto na colher. Só toma na mamadeira, única coisa que todo mundo diz pra não fazer. E, mamando na mamadeira, ganhou um pouquinho de peso, 20g de um dia para o outro. O pediatra também nos orientou a procurar o banco de leite da Maternidade Darcy Vargas, que tem uma equipe especializada em amamentação. A médica lá percebeu que a Angela não mama direito, não sustenta a mamada. Ela ainda não aprendeu como fazer e agora vai precisar de treino ao mesmo tempo que mama. E aí vem o engodo. Nós vamos ter que enganar a pequena para ela se alimentar e ganhar peso.


As enfermeiras ensinaram dois jeitos para os próximos dias. O primeiro consiste em tirar o leite e dar através de uma sonda aplicada no bico de silicone, com ajuda de uma seringa. O outro também é com a sonda e seringa, mas com o dedo colocado na boca dela, para treinar a mamada. Desse jeito ela mamou bem ontem de manhã, lá na maternidade. A corrida então era conseguir fazer certinho em casa, sem a ajuda das enfermeiras. No começo foi. Mas depois de algumas vezes ela sempre chorava desesperadamente. E era fome. A quantidade que conseguimos tirar é menos do que ela quer é precisa. Por isso corremos atrás do pediatra de novo e agora a Angela tá tendo que complementar a mamada de leite materno com leite de fórmula. Tem sido dias tensos. No meio de tanta preocupação, susto e medo, alguns gestos nos trouxeram um alento, um carinho no coração. Primeiro veio uma leva de presentinhos e mimos sensacionais da minha família. Os Horn mandaram roupinhas, brinquedinhos e até cartinha para a Angela. Coisa mais linda do mundo. Depois veio um container de presentes do pessoal do trabalho da Ka. Mantinhas, brinquedinhos, acessórios. Tudo maravilhoso. Por fim, mais uma leva de presentes da família da Ka, direto de Irati. Só coisa linda. Na verdade, pra não ser injusto com ninguém, a Angela ganhou uma enormidade de presentes desde que anunciamos a gravidez da Karina. É bom receber o carinho dos amigos e familiares em qualquer momento. Nestes difíceis, mais ainda. Muito obrigado por tudo, pessoal. Beijo procês.


tiva. Depois dessa correria toda iriamos pesar a Angela. E, para nosso alívio, ela ganhou bastante peso. Ontem fomos ao grupo de apoio à amamentação de novo e na nova pesagem soubemos que a Angela não só recuperou o peso do nascimento como já passou ele. Também soubemos que ela tá aprendendo a mamar direto no peito e o desafio agora é cortar de vez o bico de silicone.

Muita coisa aconteceu desde a última vez que consegui parar para escrever e desenhar. Muita coisa boa. Nesse meio tempo corremos atrás de fazer a Angela ganhar peso. Fizemos de tudo. Ela mamou direto no peito, no bico de silicone, fez relactação e foi até pra mamadeira. Também alugamos uma ordenhadeira para tirar leite da Ka e garantir que a pequena estava tomando. Fomos diversas vezes ao grupo de amamentação e também ao banco de leite. Na última semana estávamos lá na Darcy Vargas, na expecta-

Com tudo isso ficamos mais calmos e, consequentemente ela ficou mais calma também. Mama tanto que até dorme no peito. E dai a Karina dorme também. Volta e meia encontro as duas assim: dormindo agarradas uma na outra. O que me faz ficar duas vezes mais acordado, cuidando pra que nenhuma vá parar no chão. Mas o sono é pesado. Menos entre meia noite e uma e meia da manhã. Essa é a horinha especial de acordar o mundo inteiro no berreiro. E daí segue o círculo vicioso. Vai pro peito. Dorme no peito. A mãe dorme também. E o pai fica duas vezes mais acordado...


Ontem aconteceu um batismo aqui em casa. A Angela, que esperava no colo da mãe pra tomar banho, decidiu que era a hora perfeita pra soltar o número 2. E o número 1 também. Ela tava planejando há tempo. Várias vezes eu ia trocar a fralda e no meio do trabalho ela atacava. Já sujou o trocador, as próprias roupas e até a cama da bisa. Mas ontem foi um sinal. Ninguém tá a salvo. Ainda não aconteceu comigo, mas já sei que é questão de tempo. Uma hora ou outra, vai dar merda.


Quando a Karina ficou grávida eu me planejei para a hora que nossa filha nascesse, eu pudesse ficar o maior tempo possível com ela. Sim, apesar de vocês me acharem meio fora da casa, eu sou nada mais do que um chato que planeja tudo. Quer sair pra tomar uma cerva? Combina uns dois dias antes. Viajar? Um mês, pelo menos. Se não for assim eu piro. Então eu planejei a licença paternidade e me afastei do trabalho para dar atenção única e exclusiva pra Angela. Melhor coisa que fiz na vida. Passei esses dias todos cuidando dela, trocando fralda, dando banho, fazendo ela dormir no meu colo (e dormindo junto algumas vezes). Só que hoje a realidade bateu à porta e eu voltei ao trabalho. E não tem planejamento pra esse impacto de saudade. Tinha um monte de coisa pra acertar, vários textos pra escrever, muito trabalho pra retomar. Mas eu passei o dia pensando no momento em que eu chegaria em casa, olharia a minha vermelhinha e pegaria ela no colo. Me perguntaram duas coisas hoje no trabalho. Qual a sensação de voltar ao batente? Vontade de estar em casa com minha filha. Como é ser pai? Não dá pra dizer. Não sei. Só sei que, se pudesse, não saia do lado dela nunca. A Angela só dorme no colo. Não adianta por no carrinho, balançar nem nada. Só no colo. Me disseram que é culpa minha. Que eu estraguei ela. Mentira. Ela me estragou. Por que agora, eu viciei em ter ela dormindo nos meus braços.


mesmo, mas no fundo fiquei decepcionado, me sentindo inútil. Era minha função proteger minha filha. Semana passada voltei pra casa depois do trabalho para uma Angela agitada e chorosa. Nada acalmava e a Karina parecia exausta. Peguei ela no colo e, de repente, ela foi acalmando, se aninhando e dormiu. Depois de um tempo coloquei ela no carrinho, a Ka ficou tomando conta e fui tomar banho. Ela acordou irritada logo depois, voltou a chorar até enquanto mamava.

Desde que voltei ao trabalho, vi com mais intensidade a ligação entre a Karina e a Angela. Não por todas aquelas coisas que sempre ouvimos da ligação da mãe com a cria. Eu percebi foi na pele. Nos dias que estive em casa, os primeiros dias da Angela, sempre fui eu que a fiz dormir. Eu tinha grande orgulho de ver que, a hora que ela estava agitada, chorando, era no meu colo que ela acalmava. Nos últimos dias as coisas mudaram. A Angela tem tido bastante cólica e meu colo já não acalma mais. É o colo da Karina que faz ela ficar aconchegada, protegida e tranquila. Tentei me convencer que é assim

A Karina subiu com ela no apartamento da Dona Sonia e eu fui logo que sai do banho. Dava pra escutar a choradeira no andar de cima. Então eu peguei ela no colo de novo. Fui conversando com ela e ela foi acalmando, se aninhando e dormiu de novo. A rotina aconteceu mais uma vez ainda. Assim, enquanto a Ka descansava a Angela dormia no meu colo, no sofá, enquanto eu jogava Dead Island no vídeo-game (porque ela tem que aprender desde cedo como se mata zumbi). 4kg de pessoinha de cabelo vermelho dormindo por quase 3 horas em cima de mim. Tava pesado, mas tava ainda mais gostoso. Mais do que isso: voltei a sentir que consigo proteger minha filha e não, não há nada no mundo melhor que isso.


Apesar de saber que a Angela tava acompanhada da melhor equipe possível, não deu pra relaxar. Passei a tarde pensando nela e saí o mais rápido possível do trabalho para ver ela. Todo mundo avisa que estas vacinas podem dar reação. Ouvi isso de todo mundo, mas nada me preparou para ver a Angela amoadinha daquele jeito. Até as cólicas que tem acompanhado estes primeiros meses desapareceram.

Uma das coisas que mais odeio na vida é agulha. Eu fujo de tudo que é vacina ou exame de sangue. Mas ver a Angela tomar agulhada é uma sensação mil vezes pior. E agora que ela completou 2 meses, chegou a hora de tomar vacinas. O pior é que, numa paulada só, eles dão 4 vacinas! Eu tava no trabalho, então quem levou a Angela foi a Karina e a Dona Sonia, o que, convenhamos, é muito melhor. É só fazer um comparativo de quem é melhor nessa hora: um pai bundão com medo de agulha ou a vó da criança, que além de tudo é enfermeira?

Foram dois dias de apreensão. Dois dias medindo a temperatura e dando remédio contra febre. No fim das contas, a reação passou mais rápido do que o esperado. Tão rápido do que me fez perceber que tem horas onde eu não vou fazer diferença nenhuma. As coisas vem e vão e seguem seu próprio rumo, enquanto eu fico parado me preocupando e torcendo pra dar tudo certo. Agora, voltamos à rotina das cólicas. Todo dia, início da noite. E vamos lidando com isso, até que cheguem os 4 meses com novas vacinas.


Sim, eu fiz outra tattoo. Eu sei o que cês tão pensando: “como é que esse idiota tem medo de agulha e vai fazer uma tatuagem?” Então.... não é das coisas mais agradáveis que eu já fiz. Dói. Muito. O nervosismo e ansiedade tomaram conta nos momentos antes de fazer. E dói. Mas doeu menos que a primeira. Talvez por que era especial.

Desde muito pequeno eu desenho. É com certeza uma das minhas diversões favoritas. E durante um bom tempo eu esqueci disso. Fiquei muito tempo longe da caneta e foi só com a noticia da iminente chegada da Angela que voltei a rabiscar. Registrar a descoberta da paternidade aqui e acolá tem me feito muito bem. Tá, mas e como isso foi virar


uma tatuagem? Quando eu fiz a minha primeira, me perguntaram se era um desenho meu. Não era, mas aquilo ficou na cabeça. Quando voltei a trabalhar eu descobri o que é realmente saudade. A Karina me manda todo dia pelo menos uma foto da Angela enquanto tô no trabalho. E eu espero ansioso por ela. Pra ver minha neném. É uma coisa boba que não aplaca a saudade, mas traz um conforto. A ideia da tatuagem é mais ou menos essa. É uma celebração pelo fato de eu ter voltado ao desenho. É um retrato dessa ligação linda que a vida me trouxe com a Angela. É a tentativa de carregar ela sempre comigo, duplamente. Por que, de primeira, já tá no coração. Na espera pela Angela, fiz um desenho dela no meu colo. Desenhei, pintei, enquadrei e pus na parede do quarto da Angela. É esse desenho que agora tá no meu braço, com poucas modificações (o desenho do quadro é anterior ao nascimento, então refiz pondo algumas das características dela, como a gigantesca bochecha e o cabelo vermelho). E é esse sentimento que quero ter sempre que olhar pra ele: o amor maior de ter minha pequena nos meus braços. Ps - querem fazer uma tattoo massa? Vão na Corpo Fechado.


Ontem a Angela completou 3 meses de muito amor. Pensei: vou chegar em casa, fazer um desenho e publicar. Dai cheguei em casa, peguei ela no colo e esqueci do resto do mundo.


Desde que a Angela nasceu eu não dormi uma noite fora de casa. O que é uma vitória, uma vez que boa parte do meu trabalho faz com que eu viaje o estado o tempo todo. Mas uma hora ia acontecer. E aconteceu. Essa semana tive que ir a Florianópolis e dormir por lá. Na verdade, não dormir. Eu já não durmo direito em hotel, mas ficar longe da pequenina só piorou. A Ka ainda me ajudou, mandou várias fotos e vídeos dela e ainda fez uma chamada de vídeo logo de

manhã quando ela acordou (minha hora favorita com ela). O trânsito de volta pra Joinville ontem foi infernal. Duas horas dentro de Florianópolis para pegar uma BR toda travada. Cheguei em casa moído, quase 23h. E foi a melhor coisa do mundo. A Angela tava acordada, no colo da Ka. Cheguei perto e falei com ela pra receber o sorriso mais lindo do mundo. Depois disso, dormi bem.


Existem momentos que a gente gostaria de eternizar. Eu descobri isso agora. O momento que eu gostaria de eternizar, meu melhor momento único acontece de manhã, lá pelas 7 e pouco. Eu acordo, tomo banho e troco de roupa. Nesse meio tempo a Angela começa a se debater. Ela geralmente dorme direto da meia noite até as 5 da manhã, quando acorda pra mamar. As 7 e pouco ela começa a se virar, abrir os olhos e se esticar. É a hora que eu pego ela pra trocar a fralda. Ela ainda não tá acordada quando

eu ponho ela no trocador. Aos poucos vai se espreguiçando e abrindo os olhos, se situando. Eu tô lá, olhando direto pra ela. A primeira imagem que ela vê é minha cara de bobo. E assim que ela abre os olhos eu digo: bom dia filha! E então acontece. O mais lindo sorriso do mundo. Um sorriso que para tudo. Isso acontece todo dia. Minha filha é o serzinho mais sorridente que existe. E é esse sorriso matinal, logo antes de trocar a fralda, que me prepara pro dia. O melhor momento único da minha vida.


Um pouco antes da Angela nascer eu fui em uma loja e comprei uma caixa de chocolates gigante. Comprei porque junto vinha um gatinho de pelúcia. Neste último mês a Angela começou a interagir mais com o mundo. Além da cantoria e sorrisos, ela agora tenta pegar os brinquedinhos e mordedores. E o gatinho virou um dos preferidos. É só mostrar o gatinho que ela já abre o sorrisão e tenta pegar. Hoje recebi da Ka uma foto dela, no berço, abraçada com o gatinho e lembrei daquele dia que entrei na loja e comprei uma tonelada de chocolate (que eu não como) só pra que esse dia chegasse. E nada me fez tão feliz como isso.


Marcamos uma pizza aqui em casa pra enfim resolver a questão. Mas não foi tão fácil. Nem eu nem a Ka queríamos ver a orelha sendo furada. Ficamos num impasse, um empurra-empurra pra ver quem ia segurar a Angela. Nada. A Ka foi buscar a vó dela pra ver se ela faria. Tomei (pouca) coragem e, enquanto ela estava no andar de cima decidi que eu mesmo ia acompanhar. A ideia era fazer antes da Ka voltar, pra ela não ver, nem ouvir.

A Angela completou hoje 5 meses, mas a história é de alguns dias atrás. Há algum tempo a mãe deu um brinco pra gente por na pequeninha. Meses se passaram e nem eu, nem a Ka fizemos muito esforço pra por o tal brinco. A verdade é que ninguém queria ver a pequeninha chorando. O tempo ia passando e a gente sempre marcava uma data que não cumpria. Até que um colega de trabalho me disse que a esposa dele, que é enfermeira, colocava brinco em criança.

Foi muito rápido. Eu segurei as mãozinhas dela, mas olhei pra cima. Ela chorou um pouquinho, só na hora mesmo. Terminou, peguei ela no colo e as lágrimas estavam ali junto com um sorriso. Saímos do quarto e dai sim eu vi o que era choro. A Karina tinha voltado antes de terminar e estava aos prantos. Chorou uma meia hora enquanto a Angela, já de brinco, ria no colo dela.


tranquila. Dá 1h30 começa o desespero. Acorda berrando como se tivesse passando por tortura. E que goela. Na volta ela fez um berreiro que não teve jeito: tivemos que parar no acostamento pra Ka amamentar. Achamos um posto logo na sequência, paramos, tomamos café, ela mamou de novo e bola pra frente. Saímos do posto com ela dormindo, rumo a Joinville. A noite caiu, assim como a chuva. O trânsito estava bom, mas as condições exigiam cuidado, andar devagarinho.

Decidimos aproveitar o feriado e ir até Irati, terra da Karina. Dá umas 4 horas de viagem e a expectativa era como a Angela iria se comportar, já que nunca tinha ficado tanto tempo no carro.

E deu mais 1h30. Mais ou menos em Garuva começou o griteiro. Noite. Chuva. Esquece parar no acostamento. Veio berrando até a entrada de Joinville, quando a Ka pegou ela no colo. Milagre. Parou de chorar na hora. Até ria. Ainda fomos ao mercado antes de ir pra casa e nem sinal daquela criatura que berrava descontroladamente. Miraculoso colo.

Arrumamos tudo (nunca vi tanta bolsa), pra ficar dois dias. O coitado do carro foi abarrotado, mas foi guerreiro.

Chegou em casa, deitou, fez folia na cama, riu pros gatos, pro espelho, pro teto. Mamou e dormiu até de manhã.

Nessa viagem descobrimos o ITA - índice de tolerância da Angela. É 1 hora e meia, no máximo. No começo ela vai de boa, brincando com os mordedores e bichinhos. Dai dorme

Agora, imagina se tivéssemos deixado pra voltar em pleno domingo de Páscoa, com engarrafamento?

Já tínhamos feito um treino, uma viagenzinha de Joinville a Floripa, mas o jogo foi agora mesmo.


Fim de semana a Angela foi batizada junto com o Lucas, filho da Eve. Depois fizemos um café, bem pequeno e com poucas pessoas (desculpem, família. Compensamos no aniversário de 1 ano. Agendem-se!).

ge e o tio Osvaldo tinham dado pra Angela. Abri na frente dela, que tava se remexendo na nossa cama. Era um ursinho. Quando vi, corri no quarto dela e peguei na última prateleira, um cachorrinho. Era meu.

Além da mãe, pai, parentes da Ka e do Edu, estavam lá nossas avós e meus padrinhos.

Quando a Angela nasceu, a mãe lavou, costurou um olho novo nesse cachorrinho e me deu pra levar pra casa. Ganhei ele da Tia Solange e do tio Osvaldo, no meu batizado (ou aniversário de 1 ano?).

Foi um dia cansativo e corrido, nem deu pra dar muita atenção pra todo mundo. Então ontem, chegando em casa, fui tirar as coisas do porta malas e tava lá o presente que a Tia Solan-

Acho que ele sobreviveu ao tempo só pra chegar nesse momento. Hoje, a Angela dorme escorada e escoltada pelos dois.


Há pouco mais de duas semanas a Angela começou a comer alimentos sólidos. É um filhotinho de gremilim: até faz careta, mas não recusa nada. Banana, mamão, batata, batata doce, abóbora, e por aí vai. O problema é que, com isso, veio também a prisão de ventre. E veio forte. Nos últimos dias a Angela tava muito irritada. Foram quase 3 dias sem fazer coco. Estufadinha, com cólica e dificuldade para dormir. Estávamos a ponto de levar ela no médico, pois vários amigos disseram que também passaram por isso com seus filhos. Mas apostamos no mamão. Foi

mamão de manhã, de tarde e de noite. Deu certo. A hora que veio foi uma avalanche de coco. Encheu a fralda. Passou da fralda. Desestufou! Nunca pensei que comemoraria coco, mas comemoramos muito. Voltamos a rotina, mas agora mamão é dado todo dia. Não vamos arriscar mais. E a coisinha tá gulosa. Come bem demais. Morde tudo. Hoje mordeu meu dedo. E doeu. Olhei e tinha uma marca. Vem dente por aí...


Eu tenho rinite alérgica. Monstruosa. Daquelas que quando ataca eu quase morro. E ataca com qualquer cheiro mais forte. Bom ar, incenso, perfume. Mas nada é tão mortal quanto tangerina. Tangerina é um fruto do mal que me faz espirrar até sair sangue do nariz (o que é considerável, já que o nazo não é dos menores). Por coincidência, tangerina é a fruta preferida da Karina. Então, pra evitar minha morte precoce, nós tínhamos um trato: ela tá liberada pra comer tangerina nos dias em que eu estiver viajando. Tava dando certinho até essa semana. Tô em casa, tomando café e a

Karina entra com a Angela e passa direto pro sofá. A marofa de tangerina seguiu ela. Virei pronto pra xingar e o que eu vejo? A Angela mandando ver em um gomo de tangerina. Era a coisa mais linda, segurando o gominho com as mãozinhas gordinhas e mordendo. Quase me fez esquecer que tangerina é um fruto do demônio (mas a alergia me lembrou rápido). O problema é que rapidamente tangerina se tornou a fruta favorita da Angela também. E eu não tenho coragem de dizer não pra ela. Então pessoal, foi bom conhecer vocês...


A temporada de frio chegou por aqui. Isso quer dizer que a Karina tá entupindo a Angela de roupa, meia e touca. Noite dessas ela foi dar uma volta com a vó, no apartamento de cima. Voltou com um lencinho na cabeça, pra esquentar as orelhas. Parecia uma autêntica polaquinha. Na verdade, parecia uma daquelas bonequinhas russa, de madeira. Aquelas que vem uma dentro da outra. Minha pequenina Matrioska.


Dirigir sozinho com a Angela no carro foi complicado nos primeiros meses. A choradeira dela, meu medo e o fato de não conseguir ver ela pioravam tudo. Até que a gente comprou um espelho pro carro. A choradeira melhorou, porque ela se vê no espelho e sabe como é: “Narciso acha feio o que não é espelho”. Não é à toa que a diversão favorita da Angela é ver o neném do espelho. Meu medo diminuiu muito, porque agora eu vejo ela pelo retrovisor e consigo ter controle da situação. E o melhor de tudo é que posso acompanhar as caretas dela enquanto dirijo por aí. E são varias as caretas de quem quer, a todo momento, descobrir o mundo, levantar, ir pro colo e morder tudo o que for possível com dois dentes (e o projetinho de mais dois). Por isso, de vez em quando, me perco olhando pro espelho e fico parado no sinal verde. O mundo devia parar enquanto olhamos nossos filhos. Mas não para. E demora bem pouco pras buzinas cantarem. Até o próximo semáforo.


Quando vão nascendo os dentes, vem a irritação. Nessa fase, a Angela morde tudo, loucamente. Foi assim com os dois primeiros, os de baixo. Mas quando começou a aparecer o primeiro de cima as coisas ficaram diferentes. Além da irritação, ela ficava roçando um dente no outro. Parecia que estava mordendo amendoim. Na última semana a Angela passou dias tentando morder meu braço e o da Karina. Aí percebemos que mais um dente tava nascendo. O barulho de amendoim aumentava e, diferente dos de baixo que nasceram um do lado do outro, os de cima eram separados. Marcamos a primeira consulta de dentista dela. E cês sabem que eu não sou fã de dentista. E, aparentemente, a Angela também não. Até começou bem. Mas com o tempo abriu um berreiro só silenciado pelo bom e velho colo. No fim das contas, tá tudo normal. Higiene só com paninho, por enquanto. Barulho de amendoim tende a aumentar até nascerem os dentes de trás. A dentista mandou comprar um tipo de chupeta com redinha, onde tu por fruta pra ela ficar mastigando. Além de comer a rede roçando na gengiva ajuda a acalmar e romper a gengiva pro dente sair. Testamos hoje e até que foi. Fora isso, vamos ficando com o braço babado das tentativas de mordida.


Alguns dias atrás fui viajar a trabalho. Parei para almoçar em Campo Alegre e fui pego em uma armadilha: dentro do restaurante tinha uma lojinha com coisas para criança. Dei uma volta e vi um poncho com capuz em forma de ovelha. Todo rosa. Felpudo. Veio direto na minha cabeça a imagem de como a Angela ia ficar linda com ele. Não pensei em mais nada. Não perguntei o preço. Levei no caixa, paguei e sai feliz. Essa é a maior armadilha da paternidade. Parece que toda roupa de criança é linda e tu automaticamente imagina teu neném nela. E dai tu compra. E sai feliz.


Nove meses foi o tempo que esperamos ansiosos pela chegada da Angela. Desde a notícia da gravidez, passando pelo ultrassom revelando que era uma menina, a batalha da escolha do nome até o nascimento, foram nove meses. Ela nasceu bem e nos pôs para aprender. Dizem que as crianças aprendem tudo que é importante até os 3 anos de idade. Um pai aprende no susto, logo após o nascimento. E não para. Aprendemos na passagem. Passamos pelo susto da amamentação, pela briga da engorda, pela mudança de olho azul pra verde. Passamos de ruivinha pra castanha. Passamos de banguela para dentes nervosos. Passamos do silêncio e do chorinho para os gritinhos e sorrisos. De ficar só deitada para não querer mais ficar deitada. De uma imagem tatuada no meu braço para um sentimento tatuado no meu coração. Tudo vai passando. Principalmente o tempo. Já faz nove meses. Fez essa semana. Nove meses. Vivemos com ela o mesmo tempo que esperamos por ela. O passado não passa. Ele se conserva em cada palavra, em cada desenho. Em cada recordação. Um dos meus escritores favoritos, Eduardo Galeano, escreveu: “Recordar, do latim re-cordis. Voltar a passar pelo coração”. Pois cada minuto que passa eu espero pelo próximo, enquanto o que passou, passa pelo coração.


Eu sempre tive muito medo de pegar criança pequena no colo. Até a Karina ficar grávida, a criança mais nova que eu tive no colo foi a Veronica, e isso por que ela mesma que subiu, quando tinha uns 2 anos. O Lucas nasceu 2 meses antes da Angela. Não tive coragem de pegar ele no colo ainda na maternidade. Peguei lá na casa da mãe, com todo medo e cuidado do mundo, me achando o mais desajeitado dos futuros pais. Foi o primeiro recém nascido que peguei no colo.

Logo depois a Angela nasceu e dai não tem jeito. Tu atropela o medo pela necessidade. Hoje o Lucas faz 1 ano. Grandão, pesado e um foguete. Meu medo agora não é mais pegar ele no colo, mas sim se minhas costas vão aguentar. O aniversário dele também fez perceber como o tempo passa rápido. Inclusive na própria festa, já que passou é só depois que fui perceber que não tirei uma foto boa com ele. Logo, logo é minha pequena que completa esse ciclo. E daí tem todo ano.


Futebol ocupa um espaço especial na minha vida. Mais do que um esporte, mais do que a paixão pelo meu time, futebol é uma ligação de pai e filho. Desde muito cedo meu pai me leva no campo. Lembro de ir no velho Ernestão e fazer a festa: pular nas arquibancadas de madeira, rir nervoso com cada palavrão, comer pipoca, espetinho e tomar refrigerante. Lembro de vitórias emocionantes e derrotas decepcionantes. Não é fácil torcer para o Jec.

Em um período de 10 anos o time conseguiu a proeza de sair do cenário de “sem série” para campeão da série C, campeão da Série B, jogar a primeira divisão, cair para a segunda, cair para a terceira e cair para a quarta. Dez anos. Mas torcedor é torcedor e não abandona o time por pior que ele seja. Há alguns dias fui na casa do pai e ele já me disse: “sábado tem jogo do Jec. Copa Santa Catarina”. É medonha? É. Mas torcedor não abandona o time.


No sábado fui almoçar com a Karina e com a Angela e, na volta já fui pra casa do pai, que é pertinho da Arena. Meu pai me recebeu dizendo que a mãe tinha acabado de falar que eu não ia. Minha mãe me disse que não acreditava que eu ia. Então eu soltei: “não só vou como a Angela vai comigo”! Porque futebol é pai e filho. E, agora, pra mim também é pai e filha! A mãe tentou me convencer até o último minuto a não levar. A vó disse que eu era louco. A Karina apoiou, mas decidiu ficar lá na mãe para estar perto em caso de qualquer necessidade. Troquei a fralda, coloquei um casaco de capuz um nela, preparei uma sacola com uma banana, um paninho de boca, uma manta e dois brinquedo, peguei minha filha no colo e fomos pela primeira vez juntos no campo de futebol. Avô, pai e filha. É óbvio que ela não entendia nada do que tava acontecendo, que lugar era aquele, barulhento e cheio de gente. Mas foi tudo uma festa. Levou um susto no primeiro grito de gol, mas não chorou em momento algum. Pelo contrário: era só sorrisos. O Jec colaborou, ganhou o jogo e para cada gol tiramos uma foto. Terminada a partida, fomos caminhando para casa do pai e ela dormiu no meu colo. O soninho da vitória. Queria dizer que foi a primeira de muitas, mas não é fácil torcer para o Jec. Aos poucos ela vai aprender isso.


Já passou um ano. Foi tudo muito rápido, desde a notícia da gravidez, até a chegada da Angela. E agora ela já tem um ano. Muita coisa aconteceu. Esse livro é um resumo de tudo: nossos medos e nossas alegrias. É uma forma de fazer tudo passar, de novo, pelo coração. Se você está lendo esse livrinho, é porque você faz parte da nossa história e faz parte da história da Angela. Há também um espaço para você nesse coração.


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Angela - Ano 1 by Paulo Guilherme Horn - Issuu