O primeiro olhar dado para a Ciência, seja pelos próprios cientistas, seja pela sociedade, é romântico: não a vê como uma atividade construída por mulheres e homens preocupados com os impactos sociais de suas pesquisas, mas também com o sucesso e o reconhecimento, suscetíveis à vaidade, inveja, afeto, orgulho, amor, com prazos a serem cumpridos e contas a serem pagas. A
Ciência Positivista se compreende como um empreendimento não humano, quase divino, em que apenas valores científicos interferem. Nesta obra, inspirada pela perspectiva do Construtivismo Científico, enxergamos a Ciência como processual, fruto de acasos, oportunidades, esforços, tão
dependente do que é considerado “banal” como do que é considerado nobre. Dessa forma, tanto a sala para a realização do encontro do grupo de pesquisadores quanto a emergência de novos paradigmas para a área estudada interferem no resultado. E no processo envolvente
e dinâmico da produção do conhecimento, a orientação ainda é pouco debatida, compreendida, analisada.