PANROTAS 1.618 - Edição Especial PANROTAS LGBTravel 2026
6 EditorialRetroceder não é opção
8 - Accor, uma agenda LGBTI+ que vai além do mês do orgulho
10 - A força do arco íris: dados que sustentam a força do Turismo LGBT
16 - Especialistas contam o que torna o Turismo realmente acolhedor
28 - Calendário mundial de Paradas do Orgulho
34 Entrevista - Clovis Casemiro, da IGLTA
39 - In MemoriamHomenagem a John Tanzella, presidente e CEO da IGLTA
29 DE JUNHO A 5 DE JULHO DE 2026 WWW.PANROTAS.COM.BR |
44 - Vem aí a 10ª Conferência Internacional da Diversidade
48 - Conheça o Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil
52 - Arte drag ganha força no Brasil
56 - Todo Mundo no Rio comprova o poder do público LGBT
CNPJ 46.375.531/0001-60
P RESIDE NTE
J osé Guillermo Condomí Alcorta
GES TÃO
J osé Guilherme Condomí Alcorta
TECNO LO GI A
Ricardo Jun Iti Tsugawa
E DI TORIAL
Artur Luiz Andrade
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62 - Histórias e ideias dos influenciadores LGBTQ+ de viagens
84 - Tudo sobre o 6º ViajaFlux Summit, realizado em Olímpia (SP)
92 - Braztoa lança guia sobre Reforma Tributária para agências de viagens
Parceria Estratégica
A comunidade global líder em viagens LGBTQ+
Junte-se e faça parte da
mudança
Escan eie aqui
Nossos aliados globais Platina
EDITORIAL
RETROCEDER NÃO É OPÇÃO
Aos moralistas de plantão, a má notícia é que, apesar das aparências momentâneas e pontuais, a sociedade caminha para abraçar cada vez mais a diversidade, a inclusão de minorias e o respeito às pessoas, independentemente de gênero, cor da pele, idade... Isso não vai retroceder. Pelo contrário: a cada recuo promovido pelos que estão com algum poder nas mãos, uma nova onda dá passos adiante, reafirmando o direito de todos serem o que quiserem. Sem terem que pedir permissão ou seguir um padrão ditado por ninguém.
A boa notícia é que seus filhos, netos e bisnetos viverão em um mundo em que terão mais chances de serem aceitos e felizes, ao menos no que diz respeito à diversidade e inclusão na sociedade.
Vemos empresas retirando patrocínios de ações em prol do movimento LGBT+, vemos algumas políticas de inclusão dando passos para trás... mas, percebam que enquanto entre os mais velhos menos de 10% se assumem como LGBT, na nova geração, especialmente a Z, o índice já passa dos 20%. O movimento de inclusão anda por si só, e é amparado por leis, políticas públicas e união da sociedade. Mesmo quando um desses itens falha, ele não para. Pois ele é real e orgânico. Ele significa melhoria. Vocês podem resistir, brigar pela família de comercial de margarina, mas em breve vocês, esses guardiões do nada, estarão mortos e esquecidos, e a nova geração, incluindo essa que já se assume LGBT, liderará novos tempos. E ninguém se lembrará da sua luta pelo retrocesso. Imaginem se há mais de 100 anos as mulheres não tivessem começado a lutar por seus direitos. Hoje, elas já podem estar onde quiserem – em casa, no trabalho, sozinhas, buscando felicidade de sua forma. Mas ainda assim, são poucas em cargos de liderança, ganham menos que os homens (incluindo homens gays), são mortas porque seus parceiros (maridos, machos alfa) acham que elas são propriedade sua. Sim, a mulher ainda é vista por muitos como um objeto, um ser manipulável que deve servir aos homens. Que bom que para a maioria isso já mudou.
Imaginem se as lutas da causa LGBT, ou as leis contra o racismo, ou ainda a mensagem positiva contra o etarismo (em um mundo onde vivemos mais)... fossem eliminadas e desacreditadas de uma vez. Militar é preciso. Pelo agora, mas também pelo futuro.
Os seres humanos são únicos e compõem uma diversidade enorme, às vezes escancarada, outras vezes sutil. Os viajantes também. Os consumidores também. Os filhos, sobrinhos e netos idem. Respeitar essa diversidade é o básico em uma sociedade e no Turismo os viajantes LGBT querem ir para lugares onde possam ser quem são de verdade. Não para escandalizar, ultrajar culturas – somos civilizados e sabemos nos adaptar, ao contrário dos viajantes violentos que maltratam funcionários do setor, desrespeitam mulheres locais ou depredam espaços históricos e culturais. O viajante LGBT quer se sentir seguro. E respeitado.
E que bom que empresas como a Accor, que está na capa desta edição, não retrocederam. Quer lugar que mais precisa receber todos da mesma forma do que o hotel? Já tivemos espaços só para brancos, só para arianos, só para homens, só para ricos... Não queremos guetos. Não queremos tratamento especial. Não queremos piadinhas e curiosidade sobre nossa vida sexual (mas se você tiver coragem de compartilhar as suas, mesmo não querendo saber, somos todos ouvidos). Não queremos lugar de destaque e sim um lugar lado a lado no mundo com mulheres independentes e fazendo o que desejam, negros em posições de liderança, idosos que não queremos trancar em casa, pessoas com Down ou autismo que não escondemos, corpos que não censuramos (com ou sem canetinhas) ou dos quais não temos vergonha, pessoas felizes. Se você não está nessa busca por felicidade, em um mundo tão cruel e desigual, ao menos não atrapalhe. Fique na sua bolha de ácidos e vitaminas, e deixe as próximas gerações serem mais felizes, apesar de você. Ninguém lembrará de vocês ou mesmo de nós, mas os filhos, netos e bisnetos das próximas gerações saberão (ou intuirão) que são livres e felizes poque um dia alguém lutou por diversidade, inclusão, democracia, liberdade. Pelo direito de seremos diversos, sem ter de pedir permissão ao outro. Se você não sabe o que é isso, aprenda. Ainda há tempo. Prometemos não julgar sua aparência, seus desejos, seu posicionamento. Apenas seus crimes, preconceitos e injustiças. Deixe aqui seu gesto de amor, e vá em paz. Por ora, a ordem é: retroceder nunca, render-se... jamais.
Artur Luiz Andrade Editor-chefe e Chief Communication Officer da PANROTAS artur@panrotas.com.br
ACCOR: NOVE ANOS NA PARADA E UMA AGENDA
LGBTI+ QUE VAI ALÉM DO MÊS DO ORGULHO
Em 2017, a Accor foi a primeira rede hoteleira do mundo a aderir aos 10 Compromissos do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ no Brasil — um marco que, quase uma década depois, se revela apenas o ponto de partida de uma trajetória consistente e mensurável de inclusão no setor de hospitalidade. Diversidade, equidade e inclusão não são, para a companhia, uma tendência passageira: estão integradas à estratégia corporativa em mais de 110 países, com mais de 380 mil colaboradores no mundo. Desde então, a empresa ampliou progressivamente seu comprometimento.
NÚMEROS QUE SUSTENTAM O DISCURSO
Os dados do Censo de Diversidade 2025 da Accor revelam uma cultura corporativa alinhada ao posicionamento público da empresa: 19% dos colaboradores da rede no Brasil se autodeclaram LGBTI+, 1% se identificam como pessoas trans e 14% das lideranças brasileiras se autodeclararam LGBTI+. Na Argentina, a representação LGBTI+ em posições de liderança saltou de 14% para 24% entre 2023 e 2025, percentual mais alto da região. Esse ambiente é sustentado por estruturas concretas: a Accor mantém um Comitê LGBTI+ nas Américas com mais de 50 integrantes, formado por representantes de diversas
UMA TRAJETÓRIA DE COMPROMISSO
2017
Primeira rede hoteleira do mundo a aderir aos 10 Compromissos do Fórum de Empresa e Direitos LGBTI+ no Brasil.
2018
Passou a apoiar os Padrões de Conduta da ONU para Empresas LGBTI+
2021
Tornou-se Platinum Partner da IGLTA (International LGBTQ+ Travel Association), ocupando uma cadeira no Board da entidade.
2026
Chega à 30a Parada do Orgulho LGBTI+ de São Paulo como rede hoteleira oficial pelo nono ano consecutivo, com ativações em seus hotéis na região da Avenida Paulista e uma caravana organizada com seus Heartists.
áreas, e uma rede de embaixadores LGBTI+ por país, responsáveis por impulsionar ações regionais ao longo do ano.
DA EMPREGABILIDADE AO RECONHECIMENTO EXTERNO
Na frente de empregabilidade, a companhia desenvolve iniciativas em parceria com governos e ONGs. Em 2024, realizou o Feirão de Empregabilidade LGBTI+ em São Paulo, que resultou na contratação de 14 pessoas, oito delas trans. Em 2025, promoveu o evento "Juntos pela Erradicação da LGBTfobia", em parceria com o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, reunindo autoridades, lideranças empresariais e representantes da sociedade civil. A Accor também contribuiu para a construção da Enciclopédia LGBTI+, coletânea com 26 manuais temáticos desenvolvida pela Aliança Nacional LGBTI+ em parceria com a Rede GayLatino. O reconhecimento externo acompanha esse histórico: em 2025, a Accor alcançou o 2º lugar no GPTW Melhores Empresas para Pessoas LGBTI+ Trabalharem no Brasil — pelo quarto ano consecutivo — e recebeu certificações da Human Rights Campaign na Argentina, Brasil, Chile e México. Em 2026, foi reconhecida como "Mejores Lugares para Trabajar para el Talento LGBTI+ 2026" no Chile, pelo índice Equidad CL, concedido pela Pride Connection, Fundación Iguales e HRC. "A diversidade fortalece equipes, impulsiona a inovação e contribui para am -
bientes mais acolhedores para colaboradores, hóspedes e parceiros. Esse compromisso vai muito além de datas comemorativas e se traduz em ações concretas ao longo de todo o ano", afirma Antonietta Varlese, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade, Comunicação e Relações Institucionais da Accor Américas e líder do Comitê LGBTI+ da região.
Conheça as iniciativas da Accor em diversidade e inclusão em accor.com
HEARTISTS: colaboradores da Accor presentes na 30 a Parada LGBT+ em São Paulo
PESQUISAS E ESTATÍSTICAS
A FORÇA DO ARCO-ÍRIS
TAMANHO DO MERCADO
O mercado global de Turismo LGBTQ+ foi estimado em US$ 311 BILHÕES em 2024, com projeção de US$ 521 BILHÕES até 2031 — crescimento anual de 7,5%
Apenas na América do Norte, o mercado foi avaliado em US$ 108 BILHÕES em 2024, com expectativa de atingir US$ 170 BILHÕES até 2030
PERFIL DO VIAJANTE LGBTQ+
Mais de 90% dos viajantes LGBTQ+ entrevistados em pesquisa global VIAJARAM AO
MENOS UMA VEZ
NO ANO ANTERIOR
35% priorizam destinos onde se sentem ACEITOS COMO
MEMBROS DA COMUNIDADE
Mais de 60% planejavam viajar DUAS VEZES
OU MAIS
EM 2024
Cerca de 6% declararam gastar mais de US$ 2 MIL por ano apenas em viagens
30% CONSIDERAM A SEGURANÇA COMO CRITÉRIO PRINCIPAL na escolha do destino
Airbnb/IGLTA Foundation, 2023
O BRASIL NO CENÁRIO GLOBAL
O Brasil é o segundo país do mundo com o MAIOR NÚMERO DE CONSUMIDORES
(IGLTA)
QUE SE ASSUMEM LGBT atrás apenas dos Estados Unidos O RIO DE JANEIRO está entre as cidades mais citadas como destino preferido do público LGBTQ+ na região
(Airbnb/IGLTA Foundation, 2023)
O Brasil figura entre os seis países MAIS DESEJADOS POR VIAJANTES LGBTQ+ NA AMÉRICA LATINA, ao lado de México, Costa Rica, Porto Rico, Argentina e Colômbia
(Airbnb/IGLTA Foundation, 2023)
A 30ª Parada do Orgulho LGBTI+ de São Paulo (2026) movimentou cerca de R$ 466,2 MILHÕES
na economia da capital paulista; em 2025, o impacto havia sido de R$ 548,5 milhões
(Terra; Meio & Mensagem)
FAMÍLIAS LGBTQ+ EM VIAGEM
67% dos pais
LGBTQ+ brasileiros avaliam o nível de ACOLHIMENTO
DO DESTINO
tanto para crianças quanto para pessoas LGBTQ+ antes de reservar
(Booking.com, 2024)
86% SE SENTEM CONFORTÁVEIS
ao viajar para países com leis que protegem direitos LGBTQ+
(Booking.com, 2024)
34% AFIRMAM
que sua orientação sexual ou identidade de gênero influencia na escolha dos destinos de férias com a família
(Booking.com, 2024)
83% DIZEM
QUE O AUMENTO DA INCLUSÃO
na indústria de viagens os faz sentir mais à vontade para viajar
(Booking.com, 2024)
(Booking.com, 2024)
66% RELATAM que alguns destinos populares não são uma opção devido à sua identidade ou à de algum membro da família MAIS DE
50 MIL CRIANÇAS
FORAM
ADOTADAS
por casais homoafetivos no Brasil entre 2021 e 2023
(IBGE)
O QUE O TRADE PODE FAZER
Capacitar equipes com treinamentos de hospitalidade inclusiva — REDES
COMO
A
ACCOR
JÁ CONTAM COM 19% de colaboradores autodeclarados LGBTI+ no Brasil
(Censo de Diversidade Accor, 2025)
Buscar certificações e selos de boas práticas, como os da IGLTA E DA
HUMAN RIGHTS
CAMPAIGN
DESENVOLVER PARCERIAS
COM ORGANIZAÇÕES LOCAIS
da comunidade para garantir autenticidade e evitar o "pinkwashing"
Monitorar o calendário de eventos LGBTQ+
(PARADAS, FESTIVAIS E CONVENÇÕES)
para criar pacotes e experiências temáticas
Investir em comunicação inclusiva: 35% DOS
VIAJANTES LGBTQ+
escolhem destinos onde se sentem aceitos — a percepção começa no primeiro contato com a marca
(Airbnb/IGLTA Foundation, 2023)
PALM BEACHES: 75 KM DE PRAIAS, CULTURA E ACOLHIMENTO À COMUNIDADE LGBTQ+
Situadas ao longo de 75 quilômetros de praias pristinas, desde Boca Raton no sul até Jupiter e Tequesta no norte, The Palm Beaches consolidam-se como "Primeiro Destino de Resort da América®"— uma tradição de hospitalidade para todos. As 39 cidades que compõem a região perpetuam seu legado como destino acolhedor e seguro para a comunidade LGBTQ+, com bairros encantadores, praias espetaculares, bares descolados e acomodações elegantes. Há algo aqui para satisfazer cada estilo e gosto de vida.
EVENTOS QUE DEFINEM O DESTINO
Em março, o Palm Beach Pride toma conta do Bryant Park em Lake Worth Beach, reunindo milhares de visitantes e expositores em torno de um desfile com celebridades convidadas e uma série de talentos locais — consolidado como um dos maiores eventos LGBTQ+ da Flórida. O evento é apresentado pelo Compass Community Center e transforma Downtown Lake Worth Beach em um dos pontos mais festivos e acolhedores do calendário da região.
Em abril, a Gay Polo League leva glamour e espírito esportivo a Wellington com o International Gay Polo Tournament, eleito LGBTQ+ Sporting Event of the Year em 2017. Além da competição, o evento é conhecido pelas festas de cauda (tailgating) mais coloridas e festivas do mundo — uma experiência que vai muito além do campo.
GASTRONOMIA
COM PERSONALIDADE
À mesa, o destino revela sua alma. O Camelot, em West Palm Beach, homenageia os Kennedys e seu amor pela navegação: o sofisticado bar semiprivado serve coquetéis autorais, tem pista de dança vibrante, brunch com drag performances e shows de drag às sextas. O E.R. Bradley's, aberto há mais de 30 anos à beira-rio, oferece música ao vivo todas as noites em um ambiente animado e acolhedor.
O Rhythm Cafe funciona em um charmoso edifício de farmácia dos anos 1950 e tem no cardápio pratos que valem a visita: filet mignon, jambalaya fettuccine e mahi-mahi com crosta de castanha. O Dada, instalado em uma casa histórica de 1924, é instituição de Delray Beach desde 2000 — inspirado no movimento artístico de mesmo nome, prepara refeições lúdicas e deliciosas servidas em um belo pátio com luzes de corda. Planeje sua visita a The Palm Beaches e descubra um destino onde inclusão, cultura e gastronomia se encontram a cada esquina. Acesse thepalmbeaches.com para mais informações.
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O QUE TORNA O TURISMO REALMENTE ACOLHEDOR?
Cliente bem atendido volta, e cliente fidelizado é sinônimo de rentabilidade. Essa fórmula, à qual também se soma embaixadores da marca, costuma ser infalível no Turismo. Mas e se acontece exatamente o oposto e a experiência é marcada por desconforto, exclusão ou preconceito? Quando o viajante não se sente acolhido, a lembrança da viagem deixa de ser um convite para o seu retorno e passa a ser um motivo para não voltar.
Um estudo recente conduzido pela Booking.com constatou que cerca de 58% dos turistas LGBTQ+ brasileiros já sofreram algum tipo de discriminação durante uma viagem. Além disso, para 75% deles a possibilidade de serem autênticos é o segundo fator mais importante na hora de escolher um destino, ficando atrás apenas do valor da acomodação. Entre os critérios levados em conta pelos viajantes estão:
LUIZ FELIPE SIMÕES
MERCADO
Consideram a legislação local de um destino em relação aos direitos humanos, à igualdade de gênero e ao casamento de pessoas do mesmo sexo;
Avaliam se o destino aceita mais ou menos pessoas LGBTQ+ do que o seu país de origem;
Mencionaram filtros que facilitariam a identificação de propriedades que oferecem uma experiência acolhedora.
Fonte: Relatório Travel Proud da Booking.com
Em contrapartida, nem tudo é negativo no Brasil: o País já conta com 5.749 acomodações com o selo Travel Proud, que destaca acomodações parceiras comprometidas em oferecer uma hospitalidade acolhedora para todos, representando um crescimento de 125% em relação ao ano passado.
O número posiciona o Brasil como o sexto país com mais acomodações Travel Proud em todo o mundo, atrás apenas de Itália, Dinamarca, Espanha, França e Estados Unidos.
AVANÇOS
E RETROCESSOS
Apesar dos avanços observados nas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) na última década, o mundo observa os EUA, um dos principais expoentes dessa vanguarda, retroceder publicamente em diversas conquistas. Em 2025, o presidente Donald Trump assinou uma série de decretos que regulam os programas de DEI no governo federal, em uma reação contra medidas destinadas a ajudar grupos sub-representados.
Desde então, muitas grandes empresas americanas seguiram o exemplo e anunciaram que estão abandonando ou reformulando suas políticas. Entre elas:
O Goldman Sachs encerrou a política que condicionava a participação em ofertas públicas iniciais (IPOs) à presença de pelo menos um membro de grupo diverso no conselho de administração das empresas.
A Accenture anunciou o fim de metas globais de diversidade e inclusão estabelecidas em 2017, além de programas de desenvolvimento de carreira voltados a grupos demográficos específicos.
O Google informou que está revisando iniciativas de diversidade, abandonou a meta de ampliar a contratação de profissionais de grupos historicamente subrepresentados e retirou de seus calendários referências a datas como o Mês da História Negra, o Orgulho LGBTQ+ e o Mês da História das Mulheres.
Entretanto, nem todas as empresas seguiram esse movimento. A rede hoteleira Accor é uma das que escolheu ir na contramão. Em entrevista à PANROTAS, a gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão da Accor, Laís Souza, destacou que a agenda de DEI faz parte da estratégia e do DNA da companhia. A executiva destaca que a empresa nasceu com uma vocação global e com o objetivo de atuar em diferentes culturas, o que reforça a importância de valorizar a diversidade nos mercados onde está presente. "Nós temos o nosso propósito que reforça a hospitalidade responsável. Queremos garantir que nossos hotéis e empreendimentos tenham uma interlocução genuína com as comunidades onde estamos estabelecidos", afirmou.
Para Laís, não basta que uma empresa se declare aberta à diversidade. É necessário criar condições para que as pessoas se sintam pertencentes e seguras dentro do ambiente de trabalho. Segundo ela, esse compromisso precisa estar respaldado pela estratégia corporativa e refletido nas ações da companhia.
A executiva também destacou o papel social da hotelaria. De acordo com ela, a Accor trabalha com o conceito de "elevador social", buscando oferecer oportunidades de desenvolvimento profissional que permitam o crescimento dos colaboradores junto com a empresa. "Sabemos que o hotel é um mundo, com inúmeras funções e possibilidades de carreira. O desafio é garantir que, ao conectar essas oportunidades a grupos historicamente vulnerabilizados, essas pessoas possam vivenciar experiências transformadoras", explicou.
ACCOR: DIVERSIDADE NA PRÁTICA
Com essa visão e por entender a importância da diversidade para os negócios e para a experiência do hóspede, a Accor tem estruturado, ao longo dos últimos anos, uma estratégia voltada à diversidade, equidade e inclusão que busca garantir experiências mais acolhedoras para hóspedes LGBT+, além de fortalecer a representatividade entre colaboradores.
Segundo Laís, um dos erros mais comuns no atendimento a hóspedes LGBT+ está relacionado a vieses inconscientes reproduzidos durante a jornada de hospedagem. Entre os exemplos citados estão situações em que casais do mesmo sexo têm suas reservas questionadas ou alteradas automaticamente por funcionários, além da falta de reconhecimento de diferentes configurações familiares.
A executiva explicou que a Accor começou a estruturar de forma mais robusta suas ações voltadas ao público LGBT+ em 2017, quando passou a desenvolver padrões de atendimento específicos, treinamentos e materiais de orientação para as equipes. O objetivo era garantir que todos os hóspedes fossem recebidos sem constrangimentos ou questionamentos relacionados à sua identidade ou orientação sexual.
"Uma das situações que mais ouvimos de hóspedes LGBT+ é a surpresa positiva ao perceberem que não tiveram sua reserva questionada. Parece algo simples, mas ainda acontece em muitos lugares", afirmou.
Catarina Carbonari, Antonietta Varlese e Lais Fernanda Souza, da Accor
NÚMEROS DO CENSO INTERNO
Censo de Diversidade 2025 de Accor
dos colaboradores se autodeclaram LGBT+ se identificam como pessoas trans
CAPACITAÇÃO COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO
Para evitar situações de discriminação ou constrangimento, a Accor investe em programas de formação contínua para colaboradores. Os treinamentos incluem desde conceitos básicos de diversidade até orientações práticas sobre linguagem inclusiva, uso correto de pronomes e formas de abordagem que não partam de pressupostos sobre gênero ou relações familiares.
Laís destacou que a empresa oferece conteúdo obrigatório sobre diversidade já na integração de novos funcionários. Além disso, existe uma trilha específica para lideranças, eventos temáticos ao longo do ano e grupos de afinidade formados por colaboradores.
"A liderança tem papel fundamental na construção de um ambiente seguro, mas a responsabilidade é de toda a equipe. O objetivo é que a cultura inclusiva seja percebida no dia a dia e não apenas em treinamentos ou campanhas", disse.
das lideranças brasileiras se autodeclararam LGBT+
PROTOCOLOS PARA LIDAR COM SITUAÇÕES DE DISCRIMINAÇÃO
A executiva explicou que a Accor possui protocolos formais para lidar com casos de preconceito, tanto envolvendo hóspedes quanto colaboradores. Entre as medidas estão canais de denúncia, procedimentos de acolhimento e orientações para atuação das equipes diante de situações de LGBTfobia ou outras formas de discriminação. Segundo ela, a primeira diretriz é garantir acolhimento à vítima e oferecer um ambiente seguro para que a situação seja tratada da maneira desejada pela pessoa afetada.
"A vítima precisa ser acolhida. Depois disso, buscamos entender como ela deseja conduzir a situação, seja registrando uma denúncia, acionando autoridades ou conversando com a liderança local", explicou.
DIVERSIDADE COMO ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO
A gerente de DEI da Accor ressaltou ainda que a agenda de diversidade da rede hoteleira não está vinculada a ações pontuais ou datas comemorativas. De acordo com ela, os compromissos da empresa com diversidade, equidade e inclusão fazem parte da estratégia corporativa há quase duas décadas. A companhia formalizou seus compromissos públicos relacionados ao tema em 2007 e, desde então, vem ampliando iniciativas voltadas à representatividade e inclusão.
"Quando uma empresa trabalha diversidade apenas em momentos específicos, ela corre o risco de transmitir a ideia de que o tema não faz parte da estratégia. Nosso trabalho é contínuo e está integrado à cultura da organização", afirmou.
INCLUSÃO
TAMBÉM IMPACTA
OS NEGÓCIOS
Laís Souza defende que a diversidade deve ser entendida não apenas como uma pauta social, mas também como um fator estratégico para os negócios. Segundo ela, existe uma demanda crescente de viajantes LGBT+ que buscam destinos, empresas e serviços preparados para recebê-los de forma respeitosa. A executiva citou ainda a importância de o setor turístico brasileiro ampliar sua articulação em torno do tema, envolvendo hotéis, agências de viagens, destinos e órgãos públicos.
"Acredito que ainda existe espaço para uma atuação mais estruturada
do setor como um todo. O Turismo LGBT+ não deve ser tratado como um nicho, mas como uma oportunidade estratégica para toda a cadeia", afirmou.
REPRESENTATIVIDADE DENTRO DA EMPRESA
Entre os indicadores acompanhados pela Accor está um censo interno de diversidade realizado de forma voluntária e confidencial. Segundo Laís, a edição mais recente da pesquisa, realizada em 2025, apontou que 19% dos colaboradores se autodeclaram LGBT+. A executiva destacou ainda a presença de profissionais LGBT+ em posições de liderança e o impacto positivo das oportunidades de desenvolvimento profissional oferecidas pela companhia. "Quando falamos em diversidade, estamos falando também sobre transformação social. Muitas pessoas tiveram na Accor seu primeiro emprego formal e conseguiram construir uma trajetória profissional sólida. Isso gera impacto não apenas dentro da empresa, mas também na sociedade", concluiu.
SEGURANÇA
ANTES DE TUDO
Membro do Conselho LGBTQ+ da Belmond, o francês Pierre-Alexandre Francin, private travel designer da First 'n Serve e especializado em viagens de luxo, defende que a inclusão de viajantes LGBTQIA+ no Turismo começa pelo entendimento do mercado e pela capacidade de orientar clientes para destinos e fornecedores preparados para recebê-los.
Segundo ele, ainda existem cerca de 50 países onde a homossexualidade é proibida e, em alguns casos, sujeita a punições severas, o que torna essencial que profissionais do setor
conheçam as particularidades de cada destino antes de fazer recomendações. Para Francin, não se trata apenas de preferência ou estilo de viagem, mas de uma questão de segurança e acolhimento.
O agente de viagens francês Pierre-Alexandre Francin
"O PAPEL DO AGENTE E DOS FORNECEDORES É DIRECIONAR OS CLIENTES PARA DESTINOS, HOTÉIS E PARCEIROS
QUE COMPARTILHEM VALORES DE RESPEITO E INCLUSÃO".
PIERRE-ALEXANDRE FRANCIN, AGENTE DE VIAGES
FRANCÊS ESPECIALIZADO EM LUXO E LGBTQ+
O especialista destaca que os desafios não se limitam à escolha do destino. Para ele, a experiência do hóspede precisa ser inclusiva em toda a jornada, desde a reserva até o check-out. Francin relata que situações de falta de atenção ainda são frequentes, especialmente quando hotéis assumem automaticamente que um casal é formado por um homem e uma mulher. Ele cita exemplos recorrentes, como reservas de casais do mesmo sexo que são alteradas para configurações inadequadas ou cartões de boas-vindas que utilizam tratamentos incorretos. Também menciona casos em que funcionários questionam casais sobre a escolha
de um quarto com cama de casal ou demonstram surpresa ao descobrir que dois homens ou duas mulheres estão em lua de mel.
Segundo Francin, embora haja avanços, ainda existe uma curva de aprendizado importante para a hotelaria global. Pequenos detalhes, como roupões, chinelos ou amenidades preparados com base em estereótipos de gênero, continuam sendo exemplos de situações que podem gerar desconforto. Para o especialista, a principal expectativa dos viajantes LGBTQIA+ é simples: serem aceitos, reconhecidos e tratados da mesma forma que qualquer outro hóspede.
REFERÊNCIAS DO SETOR
No segmento de luxo, Francin acredita que algumas empresas já se destacam. Um dos eixos de destaque desta evolução é a comunicação. Ele observa que campanhas publicitárias e materiais promocionais passaram a retratar uma maior diversidade de perfis familiares e de casais, abandonando representações mais estereotipadas. Apesar disso, considera que ainda há espaço para avanços, principalmente entre marcas de luxo que demonstram maior cautela ao abordar o tema. Ao falar sobre destinos de destaque, Francin ressalta a importância de cidades europeias como Amsterdã, Londres e Paris, que continuam investindo em políticas e ações voltadas à inclusão. Ele também alerta para destinos que, em sua percepção, vêm demonstrando sinais de retrocesso ou menor abertura à comunidade LGBTQIA+. Como exemplo, cita as Maldivas, destacando preocupações relacionadas ao posicionamento governamental, embora reconheça que a experiência dentro de hotéis de luxo possa ser diferente. Para ele, a personalização continua sendo um dos principais diferenciais da hospitalidade, mas o objetivo final deve ser a normalização da experiência dos viajantes LGBTQIA+. "Mais do que reconhecimento, as pessoas querem ser aceitas e integradas como qualquer outra", resume.
O VIAJANTE LGBT QUE
ESCOLHE ONDE GASTAR
Para Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, o principal desafio de agentes de viagens, operadoras e DMCs ainda é compreender o turista LGBT para além de produtos segmentados, como festivais, festas ou cruzeiros temáticos. "É preciso entender que nem toda viagem de uma pessoa LGBT está ligada a um evento específico da comunidade. Esse viajante também busca destinos de lazer, cultura, gastronomia, aventura e diversas outras experiências. O atendimento passa por compreender suas necessidades e garantir que ele seja
tratado com a mesma naturalidade e respeito dispensados ao público heterossexual", afirma.
Segundo Gomes, essa preparação envolve detalhes que fazem diferença na experiência do viajante. "Quando um casal formado por dois homens ou duas mulheres chega a um hotel, por exemplo, é preciso que amenities, enxoval e atendimento estejam adequados àquela realidade. O papel das agências e operadoras também é buscar destinos, hotéis, pousadas, atrativos e fornecedores que estejam efetivamente preparados para receber esse público."
Amsterdã é um dos destinos mais receptivos do mundo para o público LGBTQIA+
Ele destaca ainda que o setor precisa avançar em capacitação e letramento. "Ainda encontramos profissionais que não sabem a diferença entre homossexualidade e homossexualismo, que não compreendem o uso correto de pronomes ou a melhor forma de se comunicar com pessoas LGBT. O primeiro passo continua sendo treinamento, capacitação e letramento."
Sobre como tornar a jornada do viajante LGBT mais segura e confortável, Gomes ressalta a importância do conhecimento e da atualização constante. "É fundamental estudar o Turismo LGBT e compreender suas demandas. Por isso lançamos o Manifesto do Turismo LGBT, que reúne orientações para empresas e destinos que desejam atuar nesse segmento. Além disso, é importante se aproximar de entidades especializadas e trocar experiências com empresas que já desenvolvem um trabalho consistente."
Para Gomes, o Turismo LGBT deve ser entendido
simultaneamente como um nicho e como uma oportunidade estratégica para toda a indústria.
Na avaliação do executivo, uma das maiores mudanças observadas nos últimos dez anos é o comportamento mais consciente e criterioso do viajante LGBT. "No passado, muitos turistas buscavam destinos torcendo para serem bem recebidos. Hoje isso mudou completamente. Se uma empresa ou destino não demonstra apoio à diversidade ou não oferece um ambiente acolhedor, esse turista simplesmente escolhe não consumir seus produtos e serviços."
Gomes acrescenta que o tratamento dado à população LGBT local também influencia diretamente a decisão dos visitantes. "Se um destino não é bom para a população LGBT que vive ali, dificilmente será bom para quem visita. Da mesma forma, uma empresa que não cuida de seus colaboradores LGBT dificilmente estará preparada para atender adequadamente esse turista."
"O TURISMO LGBT É UM NICHO, MAS ESTÁ PRESENTE EM PRATICAMENTE TODAS AS MODALIDADES TURÍSTICAS, SEJA
AVENTURA, GASTRONÔMICO, CULTURAL, RELIGIOSO OU DE LAZER. AO MESMO TEMPO, DIVERSOS PAÍSES E CIDADES JÁ ENTENDERAM O POTENCIAL ESTRATÉGICO DESSE MERCADO. O BRASIL AINDA ESTÁ ATRASADO NESSE ASPECTO QUANDO COMPARADO A DESTINOS COMO ARGENTINA E ESPANHA." RICARDO GOMES, PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO E TURISMO LGBT DO BRASIL
Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil
ALÉM DOS BARES: UMA MIAMI LGBTQ+ QUE ACONTECE À LUZ DO DIA
A história LGBTQ+ de Miami vai muito além da sua lendária vida noturna. Enquanto bares, casas noturnas e espetáculos de drag continuam sendo ícones do destino, algumas das experiências mais ricas acontecem à luz do dia — ao ar livre e na companhia de moradores apaixonados por mostrar Miami sob uma perspectiva genuinamente queer.
História e cultura ganham vida com o trabalho de George Neary, fundador da Tours 'R' Us. Seu Pride Stroll por Miami Beach percorre a história LGBTQ+ de South Beach e apresenta as pessoas que ajudaram a moldar o bairro no destino acolhedor que é hoje. Para quem se interessa por arquitetura, cultura e histórias locais, é uma forma fascinante de descobrir Miami além das praias.
NATUREZA, MAR E COMUNIDADE
Os amantes da natureza encontram um lado completamente diferente da Flórida com o Love the Everglades Movement, fundado em parte pelo artista e conservacionista miccosukee queer Houston Cypress. Por meio de caminhadas pelos pântanos, programas educativos e iniciativas de conservação, os participantes desenvolvem uma conexão mais profunda com os Everglades e as comunidades indígenas que os habitam há gerações.
As águas de Miami também reservam surpresas. Patrick e Dave, voluntários do Urban Paradise Guild, apresentam aos visitantes o vibrante ecossistema marinho ao largo de Miami Beach por meio de mer-
gulhos com snorkel e scuba guiados — revelando recifes de coral, peixes tropicais e a importância de preservar o Miami Beach Marine Park. Para quem busca conexão por meio do movimento, organizações como HotMess Sports, Miami Gay Run Club e Skate Nymphs criam espaços acolhedores onde os laços se formam pelo esporte e pelos interesses compartilhados.
O resultado é um retrato mais rico do Miami LGBTQ+: definido não apenas pela noite, mas pela arte, pela natureza, pela história e pela comunidade. Porque algumas das melhores experiências do destino acontecem muito antes do pôr do sol.
Conheça mais sobre o Miami LGBTQ+ e planeje sua próxima visita em miamiandbeaches.com
Um Destino Colorido
CALENDÁRIO GLOBAL DO ORGULHO
AS PRINCIPAIS PARADAS LGBTQ+ DE 2026
Guia atualizado com as datas e destaques dos maiores eventos de visibilidade LGBTQ+ no Brasil e no mundo para o planejamento do trade turístico
O turismo voltado para grandes eventos LGBTQ+ continua sendo um dos segmentos mais resilientes e rentáveis da indústria de viagens. As Paradas do Orgulho, que tradicionalmente ocorrem entre maio e agosto, mobilizam milhões de viajantes anualmente, gerando impacto significativo na hotelaria, aviação e serviços locais. Para 2026, o calendário global apresenta marcos importantes, incluindo edições comemorativas e o retorno do WorldPride à Europa. Para auxiliar agentes de viagens e operadores na estruturação de pacotes e roteiros temáticos, a Revista PANROTAS compilou as datas e informações das principais Paradas do Orgulho LGBTQ+ programadas para 2026.
DESTAQUES NO BRASIL
O mercado doméstico brasileiro abriga algumas das maiores manifestações de orgulho do mundo, atraindo tanto o público nacional quanto turistas estrangeiros.
SÃO PAULO: 30 ANOS DE HISTÓRIA
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo atinge um marco histórico em 2026, celebrando sua 30ª edição. O evento principal está programado para o domingo, 7 de junho de 2026, na Avenida Paulista [1]. Com o tema "A rua convoca, a urna confirma", a edição deste ano reforça o debate sobre participação política e cidadania [2].
A programação oficial se estende por vários dias, incluindo o Encontro Brasileiro de Organizações de Paradas LGBT+ (4 a 6 de junho) e a tradicional Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo [1]. O desfile contará com 14 trios elétricos e apresentações de artistas como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias e Melody [3]. Segundo estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o evento deve movimentar cerca de R$ 466,2 milhões na economia da capital paulista [3].
RIO DE JANEIRO: TODA FORMA DE AMOR
A 31ª Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio de Janeiro ocorrerá no dia 22 de novembro de 2026, na orla de Copacabana [4]. Sob o tema "Reconhecemos justa toda forma de amor e de existência", a organização planeja movimentar a cidade com mais de 30 eventos preparatórios voltados para cultura e direitos humanos ao longo do ano [4].
DESTAQUES INTERNACIONAIS
No cenário internacional, 2026 traz eventos de grande porte na Europa e na América do Norte, oferecendo oportunidades para a comercialização de roteiros de longa distância.
WORLDPRIDE AMSTERDAM 2026
O principal evento global do ano será o WorldPride, sediado em Amsterdã, Países Baixos, entre 25 de julho e 8 de agosto de 2026 [5]. A programação de duas semanas inclui uma ampla variedade de atividades:
• Pride Walk e Pride Park: 25 de julho, marcando a abertura oficial no Vondelpark [5].
• Street Parties: 31 de julho e 1º de agosto [5].
• Canal Parade: O mundialmente famoso desfile de barcos pelos canais de Amsterdã ocorrerá no sábado, 1º de agosto de 2026 [5].
• Concertos: O UNITY Concert e o Wedding Party XXL no Museumplein, além do concerto de encerramento no dia 8 de agosto [5].
ESTADOS
UNIDOS
Os Estados Unidos concentram diversos eventos de grande porte, principalmente durante o mês de junho:
• Nova York (NYC Pride): A tradicional marcha e o festival estão programados para o domingo, 28 de junho de 2026 [6].
• San Francisco: O evento principal ocorrerá no fim de semana de 27 e 28 de junho de 2026, complementado pelo festival de cinema Frameline50 (17 a 27 de junho) [6].
• Chicago: O Chicago Pride Fest acontece nos dias 20 e 21 de junho, seguido pela Chicago Pride Parade no dia 28 de junho de 2026 [6].
• West Hollywood (WeHo Pride): O fim de semana principal será de 5 a 7 de junho de 2026, incluindo o OUTLOUD Music Festival [6].
CANADÁ EUROPA
O Canadá mantém sua posição como um dos destinos mais procurados para o turismo LGBTQ+ na América do Norte:
• Pride Toronto: O festival culmina no fim de semana de 25 a 28 de junho de 2026, com a expectativa de atrair mais de três milhões de participantes [6].
• Fierté Montréal: A celebração de duas semanas ocorrerá de 31 de julho a 9 de agosto de 2026, com o desfile principal marcado para o domingo, 9 de agosto [7].
Além do WorldPride, outros eventos europeus tradicionais mantêm sua relevância no calendário:
• Berlim (Christopher Street Day): O CSD Berlin ocorrerá no dia 25 de julho de 2026, com a tradicional marcha terminando no Portão de Brandemburgo [8].
• Manchester: O Manchester Village Pride está programado para o fim de semana prolongado de 28 a 31 de agosto de 2026 [6].
Referências: [1] Parada SP. "Parada LGBT SP 2026: data, artistas, trios e eventos oficiais". Disponível em: https://paradasp.org. br/ [2] Agência Brasil. "Parada LGBT+ de SP enfrenta desafios e está ameaçada de deixar ruas". Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/parada-lgbt-de-sao-paulo-pode-deixar-ruas [3] Viva. "Parada do Orgulho LGBT+ de SP: confira atrações e programação completa". Disponível em: https://viva.com.br/cultura-e-lazer/parada-do-orgulho-lgbt-de-sp-confira-atracoes-e-programacao-completa.html [4] Agência Brasil. "Parada LGBTI+ do RJ traz 'toda forma de amor' como tema em 2026". Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/parada-lgbti-do-rj-traz-toda-forma-de-amor-como-tema-em-2026 [5] Pride Amsterdam. "WorldPride Events agenda". Disponível em: https:// pride.amsterdam/en/events/ [6] TravelPulse. "Great LGBTQ+ Pride Events for 2026". Disponível em: https://www.travelpulse. com/news/lgbtq/great-lgbtq-pride-events-for-2026 [7] Fierté Montréal. "Fierté Montréal amplifies the voices of 2SLGBTQIA+ communities". Disponível em: https://fiertemontreal.com/en [8] visitBerlin.de. "Christopher Street Day 2026". Disponível em: https://www.visitberlin.de/en/event/christopher-street-day-2026
LOS CABOS REFORÇA SEU POSICIONAMENTO COMO DESTINO DE LUXO INCLUSIVO PARA VIAJANTES LGBTQ+
Localizado na ponta sul da península da Baixa Califórnia, Los Cabos vem consolidando sua posição como um dos destinos de luxo mais atrativos do México. A combinação entre paisagens desérticas, o encontro do Oceano Pacífico com o Mar de Cortés, gastronomia sofisticada e hotéis de alto padrão tem atraído viajantes em busca de experiências autênticas e personalizadas. O conceito de luxo, no entanto, evoluiu. Além de conforto e exclusividade, cresce o número de viajantes que valorizam destinos e marcas que promovem ambientes acolhedores, diversos e representativos. É nesse cenário que o Hard Rock Hotel Los Cabos se destaca: localizado à beira do Oceano Pacífico, o resort all inclusive combina entretenimento, gastronomia e bem-estar em uma proposta voltada a diferentes perfis de hóspedes, com atenção especial à criação de experiências nas quais todos se sintam bem-vindos.
MÚSICA, DIVERSIDADE E LIVRE EXPRESSÃO
Esse compromisso se materializa por meio do LOVE OUT LOUD, iniciativa global da marca que celebra a diversidade e incentiva a livre expressão da identidade de cada viajante. Tendo a música como elemento central, o programa promove conexões entre pessoas, culturas e histórias em experiências inclusivas e significativas.
Durante o Mês do Orgulho, as propriedades Hard Rock Hotels An All-Inclusive Experience promovem ativações especiais, entre elas o Pride Month Memorabilia Tour — que reúne itens ligados a artistas que marcaram a história da música e a luta por visibilidade e representatividade da comunidade LGBTQ+, como Elton John, Madonna e Miley Cyrus. O Sound of Your Stay, por sua vez, permite aos hóspedes desfrutar de toca-discos nos quartos, coleções de vinis e playlists selecionadas, reforçando a ligação entre música, expressão individual e diversidade.
Mais do que ações sazonais, a inclusão faz parte da cultura da empresa — presente em programas voltados tanto para hóspedes quanto para colaboradores.
Conheça o Hard Rock Hotel Los Cabos e planeje uma experiência que combina luxo contemporâneo e hospitalidade inclusiva em um dos destinos mais desejados do México.
ENTREVISTA
"IGNORAR TURISMO LGBTQ+ É DEIXAR DINHEIRO NA MESA"
RODRIGO VIEIRA
Com mais de 45 anos de atuação no Turismo e uma década na IGLTA (International LGBTQ+ Travel Association), Clovis Casemiro é uma das principais autoridades em Turismo LGBTQ+ do Brasil e da América Latina. Foi ele quem trouxe a IGLTA para o Brasil, abrindo caminho para o desenvolvimento estruturado do segmento no País. Hoje, como gerente de Desenvolvimento de Membros da IGLTA para Brasil, Portugal e América Latina e executivo da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, Casemiro é frequente nos mais importantes eventos da indústria no Brasil e no mundo.
Recentemente, ele liderou a realização dos primeiros fóruns da IGLTA no Peru e no Equador, eventos inéditos que reuniram grandes redes hoteleiras como Belmond, Accor e Marriott, operadoras de receptivo e câmaras de diversidade locais para debater o potencial de um mercado que movimenta US$ 218
Clovis Casemiro, coordenador da IGLTA na América Latina
bilhões globalmente e deve alcançar US$ 568 bilhões até 2030.
Em entrevista à Revista PANROTAS, Casemiro detalha como foi a experiência, o que o trade brasileiro pode aprender com ela e por que o agente de viagens que ignora esse segmento está, nas palavras dele, "deixando dinheiro na mesa".
REVISTA PANROTAS — Vamos começar com o básico: para os profissionais que querem começar a atuar nesse segmento, qual o primeiro passo concreto que você recomenda?
CLOVIS CASEMIRO — Eu diria: “você está deixando dinheiro na mesa e perdendo a oportunidade de fidelizar o cliente mais resiliente da indústria”. O viajante LGBTQ+ viaja mais vezes ao ano, gasta mais no destino, consome produtos premium em sua grande maioria e prioriza experiências autênticas. Então, não tenha medo de começar. Trabalhar com esse segmento não exige criar um produto do zero, exige sensibilidade, treinamento e a escolha dos parceiros certos (como
os hotéis e operadores selados pela IGLTA). É um caminho sem volta e extremamente gratificante. Gostaria de reforçar que o Turismo tem o poder único de derrubar barreiras sociais. Chamo atenção para quem trabalha com MICE, que também incluímos o MICE LGBT+, como foi o caso dos dois fóruns e os vários eventos que realizamos no Brasil e no mundo, como nossas Convenções da IGLTA. Realizar esses fóruns inéditos no Peru e no Equador nos provou que a América Latina está viva, pulsante e desejosa por diversidade. Convidamos todos os profissionais brasileiros a se aproximarem da IGLTA, utilizarem nossos relatórios da Fundação IGLTA, participarem dos nossos eventos e, juntos, fazermos do Turismo uma força para o desenvolvimento econômico e para a igualdade em todo o nosso continente.
PANROTAS — Sobre a estreia no Peru e no Equador, o que motivou a IGLTA a levar os fóruns a esses países?
Apresentação de Clovis Casemiro ao trade de Lima
Evento da IGLTA em Lima
CASEMIRO — A principal motivação foi identificar que, embora tanto o Peru quanto o Equador possuam membros ativos e engajados na IGLTA, nenhum dos dois países tinha eventos dedicados exclusivamente ao Turismo LGBTQ+. Sabíamos do enorme potencial cultural, gastronômico e natural de ambos, mas faltava um espaço de debate e capacitação técnica. Decidimos levar os fóruns a Lima e Quito para suprir essa lacuna, conectar o trade local e dar visibilidade a um mercado que move bilhões globalmente, mostrando que esses destinos estão prontos para entrar de vez no mapa do Turismo inclusivo.
PANROTAS — Como foi a receptividade do trade turístico local nesses dois países?
CASEMIRO — Foi excelente e superou as expectativas. Em Lima, tivemos o apoio fundamental da organização +Voces Cámara de la Diversidad del Perú e das operadoras membros que atuam há anos, reunindo grandes marcas de hospitalidade, como Belmond, Accor e Marriott. Em Quito, realizamos o evento em parceria com a Câmara Plus de Comércio e também com nossos membros atuantes no mercado, atraindo agências, hotéis e grandes operadoras de receptivo e de outras cidades. O trade local demonstrou um desejo imenso de aprender, capacitar suas equipes e entender as reais demandas do viajante LGBTQ+, enxergando o segmento não apenas como uma causa, mas como uma estratégia de negócios indispensável.
PANROTAS — Comparando com o Brasil, em que estágio estão Peru e Equador no Turismo LGBTQ+? Há oportunidades de parceria para operadores brasileiros?
CASEMIRO — O Brasil está em um estágio bem mais avançado, com políticas públicas consolidadas, grandes Paradas do Orgulho e um trade que já trabalha o segmento há décadas. O Equador e o Peru ainda estão
pavimentando esse caminho. A própria liderança da Câmara Plus do Equador destacou que o país capta apenas 0,01% do potencial econômico desse mercado. No entanto, essa disparidade abre uma enorme janela de oportunidade para os operadores brasileiros. Nós podemos atuar como mentores, compartilhando know-how de produtos, e criar parcerias bilaterais focadas em roteiros integrados de alto padrão (unindo o potencial premium de Galápagos, a gastronomia de Lima e a cultura de Machu Picchu ao mercado emissor brasileiro). Ambos os países são excelentes destinos para turistas LGBT+ que buscam natureza, história e cultura.
PANROTAS — Você apresentou dados globais da IGLTA nesses eventos. Qual número o trade brasileiro deveria prestar mais atenção?
CASEMIRO — O número mais impressionante é a projeção de crescimento: o gasto global em viagens do segmento LGBTQ+ atingiu US$ 218 bilhões e a estimativa é que alcance US$ 568 bilhões até 2030. Outro dado vital é o comportamento geracional: hoje, 25% da Geração Z nos Estados Unidos se identifica como LGBTQ+. O trade brasileiro precisa entender que esse não é um nicho estagnado, mas sim o futuro do consumo de viagens. Quem não se preparar para receber esse público com conhecimento, respeito e inclusão real estará abrindo mão da fatia de mercado que mais cresce no mundo.
PANROTAS — O agente de viagens brasileiro já pode vender Peru e Equador como destinos LGBTQ+? O que ele precisa saber?
CASEMIRO — Sim, com certeza já pode e deve promover entre seus clientes! O que o agente precisa saber é formatar o produto de maneira inteligente. Ambos os destinos se destacam nos nichos de
cultura, gastronomia, natureza e Turismo premium. O Equador, por exemplo, é visto como um destino muito seguro para a comunidade e tem joias como Galápagos, Quito e Guayaquil. O Peru oferece uma hotelaria de luxo altamente capacitada e inclusiva, além de destinos que são ícones mundiais. O segredo para o agente brasileiro é trabalhar com fornecedores locais homologados ou que sejam membros da IGLTA (como os parceiros locais que participaram dos fóruns), garantindo
que o cliente final seja recebido com acolhimento genuíno em toda a cadeia, do traslado ao hotel.
PANROTAS — Qual o papel do Brasil no desenvolvimento do Turismo LGBTQ+ na América Latina?
CASEMIRO — O Brasil é o grande farol e o motor do Turismo LGBTQ+ na América Latina. Pelo tamanho do nosso mercado e pelo amadurecimento das nossas empresas, temos a responsabilidade de liderar pelo exemplo. Nosso papel é impulsionar o
Evento da IGLTA em Quito, Equador
fluxo de turistas na região e exportar boas práticas de hospitalidade e diversidade. Quando o Brasil se posiciona fortemente, ele eleva a régua de exigência e incentiva os países vizinhos a também investirem em capacitação, promoção internacional e segurança para a comunidade.
PANROTAS — A Convenção Global da IGLTA acontece em Sevilha em novembro de 2026. O que os profissionais brasileiros podem ganhar participando?
CASEMIRO — A Convenção Global em Sevilha (que acontece de 17 a 21 de novembro de 2026) será histórica, com a expectativa de reunir cerca de 1.000 profissionais de todo o mundo. Para os brasileiros, já temos garantida a presença da Embratur, e acredito que o maior ganho é o networking qualificado de altíssimo nível e o acesso direto a compradores e fornecedores globais em rodadas de negócios. Além disso, a Convenção contará com o forte apoio de Turespaña e destinos espanhóis, oferecendo seminários de ten-
dências de mercado. É o lugar definitivo para fechar contratos globais e entender para onde o Turismo LGBTQ+ está caminhando nos próximos anos.
PANROTAS — Qual destino da América Latina você apostaria como próxima grande revelação para o Turismo LGBTQ+?
CASEMIRO — Eu apostaria fortemente no Equador, com foco especial em Galápagos e Quito. O país tem a grande vantagem de ser dolarizado (o que facilita o comércio internacional), possui uma natureza intocada única no planeta e, como foi debatido no fórum de Quito, é considerado um destino seguro e acolhedor pelos operadores que já atuam lá. À medida que a promoção internacional e as ferramentas digitais inclusivas de lá (como a plataforma PrideTravely.com) ganharem tração, o Equador vai surpreender o mercado. As conexões aéreas ainda dependem de incluir, por exemplo, Lima ou Bogotá, o que dá ainda mais força para viagens combinadas.
Apresentação de Clovis Casemiro em evento em Quito
HOMENAGEM
JOHN TANZELLA, O HOMEM QUE GLOBALIZOU O TURISMO LGBTQ+
John Tanzella, presidente e CEO da IGLTA (International LGBTQ+ Travel Association), faleceu no dia 7 de junho de 2026 após longa batalha contra uma doença. O executivo liderou a entidade por 20 anos e foi um dos principais responsáveis pela expansão global da associação, transformando-a em referência presente em quase 85 países.
A IGLTA destacou que Tanzella conduziu a organização com "compaixão, visão e enorme coração". Em sua homenagem, a IGLTA Foundation criará o John Tanzella Fellowship Fund, fundo que apoiará empreendedores LGBTQ+ de destinos emergentes. A pedido da Revista PANROTAS, Clovis Casemiro, gerente de Desenvolvimento de Membros da IGLTA para Brasil, Portugal e América Latina, com mais de 45 anos de atuação no Turismo e parceiro de John desde o fim dos anos 1990, escreveu o texto a seguir em memória do amigo e líder:
O Turismo LGBT+ internacional perdeu um de
O LEGADO DE UM GIGANTE: UMA HOMENAGEM A JOHN TANZELLA E À NOSSA JORNADA NO TURISMO LGBT+
CLOVIS CASEMIRO, GERENTE DE DESENVOLVIMENTO DE MEMBROS DA IGLTA PARA BRASIL, PORTUGAL E AMÉRICA LATINA
seus maiores líderes, e eu perdi um amigo querido. No último dia 7 de junho de 2026, na véspera do meu aniversário, recebi a triste notícia do falecimento de John Tanzella, CEO da International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA). É impossível olhar para a história recente do setor sem enxergar as pegadas profundas que John deixou em nosso mercado — e na minha trajetória.
Minha história com a IGLTA começou em 1997. Eleito para o Board em 1998 e reeleito em 2000, somei quatro anos na diretoria. Naquela época, trabalhando no Caesar Park de Fortaleza e muito focado no mercado europeu, tive o privilégio de, com amigos alemães, levar a IGLTA pela primeira vez à ITB Berlim em 1999, abrindo as portas da Europa para a associação. Também em 1998, realizamos com grande sucesso o Simpósio da IGLTA no Rio de Janeiro. Embora menor, aquele evento pavimentou o caminho para o que viria depois.
Quando John Tanzella assumiu o comando da IGLTA, em 2005, a associação ganhou a energia necessária para se globalizar de fato. Eu atuava como Embaixador no Brasil e o incentivo de John foi imediato. Nossa parceria foi testada no fogo já em 2006, na Convenção Global em Washington, DC, quando o comitê
local do Rio de Janeiro (que sediaria o evento seguinte) se desfez. Sem apoio de última hora e diante de uma crise iminente, John mostrou sua liderança estratégica e humana: lado a lado, trouxemos Montreal para assumir o coquetel de lançamento e transferimos a convenção de 2007 para o Canadá.
Esse revés, contudo, não fez com que John ou a IGLTA nos desamparassem. Seguimos fortes e consolidamos o Brasil como o segundo mercado mais robusto da associação no mundo. Em 2009, o reconhecimento veio publicamente: em Toronto, John me entregou o prêmio de Embaixador do Ano, registrando um dos primeiros grandes marcos de sua gestão com o Brasil — uma lembrança eternizada nas páginas da PANROTAS.
Ainda em 2009, voltamos a pleitear uma Convenção Global. Com o apoio fundamental da SANTUR (Santa Catarina), que articulou a captação de recursos com uma consultoria canadense, conquistamos uma vitória histórica: Florianópolis foi escolhida como a primeira sede de uma Convenção Global da IGLTA na América do Sul, a ser realizada em 2012. Em 2011, na Convenção Global da IGLTA, com o apoio da Embratur, TAM e parceiros, realizamos um coquetel estrondoso de lançamento em Fort
Lauderdale, dando início aos famtours e inspeções que a PANROTAS cobriu de perto.
A Convenção de Florianópolis, em 2012, foi um marco mundial. Tivemos uma noite de gala inesquecível com a participação da grandiosa cantora Fafá de Belém. Além do sucesso técnico e cultural, o evento chancelou o pioneiro acordo de cooperação entre a IGLTA e a UN Turismo (então UNWTO), contando com a presença de seu diretor Javier Blanco para o lançamento do primeiro estudo global sobre Turismo LGBT+ da história.
Após esse ápice, John esteve no Brasil em duas ocasiões muito especiais que transformaram o trade local. Em 2017, organizamos em parceria com marcas como Air Canada e TGK Travel um painel oficial na recém-inaugurada Japan House São Paulo — replicado depois no Sofitel Ipanema. Ali, John e Shintaro Koizumi apresentaram o Japão como destino ao público brasileiro, um trabalho de base que culminaria na Convenção Global de Osa-
ka em 2024. Já em 2019, John foi palestrante de honra no Fórum de Turismo LGBT no Tivoli Mofarrej, em São Paulo. Sua entrevista à revista Exame, sob o título "Brasil é exemplo de país que soube aproveitar Turismo LGBT, diz Tanzella", elevou o nosso mercado a outro patamar corporativo.
Durante a crise da Covid-19, o trabalho de John com sua equipe e membros foi memorável. Com muita dignidade, ele manteve todos unidos em infindáveis reuniões virtuais, transformando a IGLTA na potência que é hoje, presente em quase 85 países de todos os continentes. John Tanzella sempre se mostrou ativo, um verdadeiro gentleman e o diplomata que qualquer país gostaria de ter. Ele será eternamente lembrado pelo sorriso fácil, pelos abraços sinceros e pelo carinho com que tratava a todos ao seu redor. Para mim, e para toda a comunidade do Turismo brasileiro, sua memória será eterna. Obrigado por tudo, John.
John Tanzella e Clovis Casemiro
5 DESTINOS GAY-FRIENDLY NO CARIBE PARA RECOMENDAR COM CONFIANÇA
Viajar é um direito de todos. E, embora o mundo esteja cada vez mais aberto à diversidade, alguns destinos se destacam por oferecer experiências mais acolhedoras para viajantes LGBTQIA+. No Caribe, praias paradisíacas, vida noturna vibrante e legislações mais inclusivas criam o cenário ideal para quem busca viajar com tranquilidade. Para os agentes de viagens, conhecer esses destinos é uma oportunidade de ampliar o portfólio e atender diferentes perfis de passageiros. Pensando nisso, a Orinter Pride selecionou cinco destaques da região.
ARUBA
Com clima agradável o ano todo, Aruba é conhecida pela hospitalidade, diversidade cultural e infraestrutura preparada para receber viajantes LGBTQIA+. O reconhecimento de uniões homoafetivas reforça seu perfil inclusivo.
CARIBE MEXICANO
Muito além de Cancún, o Caribe Mexicano reúne destinos como Riviera Maya, Playa del Carmen, Tulum e Cozumel, conhecidos por suas praias paradisíacas, hotéis de alto padrão e vibrante cena LGBTQIA+. A região oferece beach clubs, festas, eventos e experiências para diferentes perfis de viajantes. Além disso, o casamento igualitário é legalizado em todo o México, reforçando o compromisso do país com a diversidade e a inclusão.
CURAÇAO
Cosmopolita e cheia de personalidade, Curaçao vem ganhando destaque entre os destinos mais receptivos do Caribe. A ilha promove ações voltadas à diversidade e oferece experiências para diferentes perfis de viajantes.
PUERTO RICO
Com legislação alinhada aos direitos LGBTQIA+, Puerto Rico combina praias, cultura e vida noturna vibrante. San Juan é um dos grandes destaques para quem busca entretenimento e acolhimento.
SAINT MARTIN / SINT MAARTEN
Dividida entre os lados francês e holandês, a ilha une belas paisagens, atmosfera descontraída e
uma cultura naturalmente diversa, refletindo a tradição inclusiva de seus territórios.
ORINTER PRIDE: CONHECIMENTO E SEGURANÇA PARA VENDER DIVERSIDADE
Para apoiar os agentes de viagens nesse segmento, a Orinter desenvolveu a Orinter Pride, iniciativa que reúne capacitação, curadoria especializada e produtos pensados para a comunidade LGBTQIA+. O objetivo é oferecer mais confiança na recomendação dos destinos e proporcionar experiências pautadas por respeito, acolhimento e segurança.
Mais do que vender viagens, trata-se de conectar pessoas a destinos onde possam viver sua jornada com liberdade e autenticidade.
VEM AÍ A 10ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA DIVERSIDADE
A Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil (Câmara LGBT), divulgou detalhes da 10ª Conferência Internacional da Diversidade que ganha edição especial para festejar suas 10 edições. O evento acontece no Centro de Eventos São Luís entre os dias 22 e 26 de setembro, na capital paulista. Entre as várias novidades está o Baile de Gala, no qual a Câmara LGBT promete “tirar pra dançar”, parceiros e patrocinadores que ajudaram a construir a história do evento, além da divulgação da primeira edição da Pesquisa Hábitos e Consumo da População e do Turista LGBT no Brasil –encomendada pela entidade e executada pelo IEMI – Inteligência de Mercado. No baile, empresas, destinos e pessoas serão homenageadas por ajudarem na
Ricardo Gomes, presidente da Câmara LGBT do Brasil
RODRIGO VIEIRA
EVENTOS
construção da Conferência e da Câmara LGBT. A edição terá a programação mais extensa da sua história. O evento começa na terça-feira (22/09) com o coquetel de abertura e termina no sábado (26/09) com o Baile de Gala. Ambos os eventos são destinados apenas para convidados. Já a programação de conteúdo e networking que acontece entre os dias 23 a 25/09 está disponível para inscrições gratuitas. A conferência se consolidou como ponto de encontro para profissionais de áreas estratégicas que buscam promover a diversidade, com foco nas demandas da comunidade LGBTI+ e no desenvolvimento de uma economia inclusiva nas áreas de Esporte, Cultura, Negócios Inclusivos e Turismo LGBT.
Para Ricardo Gomes, presidente da Câmara LGBT, chegar à 10ª edição da Conferência, além de ser um marco, é um ato de resistência em um período onde governos, destinos e empresas desembarcam da pauta de diversidade, equidade e inclusão.
“DEPOIS DE PASSAR PELA EDIÇÃO DE 2025 SEM RECURSOS,
COM
CHEGARMOS EM 2026 PARA FAZER ESTA
Conferência Internacional da Diversidade é um dos principais eventos do calendário de Turismo do Brasil
NETWORKING E CONEXÕES DIÁRIAS
Com uma programação que mescla conteúdo e networking, a 10ª Conferência Internacional da Diversidade oferece mesas de trabalho e espaços dedicados, disponíveis em todos os dias do evento. Essa dinâmica permite que profissionais dos segmentos de Turismo, Negócios Inclusivos e Esporte & Cultura ampliem suas redes de contato e fortaleçam parcerias. As mesas de trabalho, integradas ao espaço de convivência, foram planejadas para facilitar interações durante os intervalos de coffee break e almoço, proporcionando um ambiente de troca e de negócios.
A programação é dividida em três dias temáticos, cada um dedicado a um dos pilares da Conferência:
No dia 23, dedicado ao Turismo LGBTI, profissionais do trade turístico, incluindo parceiros do setor, estarão disponíveis em mesas de trabalho promovendo encontros diretos com os conferencistas.
No dia 24, focado em Negócios Inclusivos, o evento contará com espaço para Buyers & Suppliers, que compartilharão experiências e práticas inovadoras com os participantes. Esta programação é dedicada as grandes corporações que trabalham com diversidade na cadeia de valor ou que estão querendo trabalhar e/ou conhecer como funciona este mecanismo fundamental para
inclusão nos negócios de empresas majoritariamente comandadas por pessoas da comunidade LGBTI+.
Já o dia 25/09 é dedicado ao Esporte e à Cultura, proporcionando às empresas, representantes do setor público e o trade das duas áreas uma plataforma para explorar sinergias e colaborar em iniciativas que impulsionam a representatividade LGBTI+ no esporte e na cultura. A organização do evento promove uma estrutura balanceada: cada dia conta com 50% do tempo dedicado a apresentações e 50% reservado para networking.
HÁBITOS E CONSUMO DA
POPULAÇÃO E
DO TURISTA
LGBT NO BRASIL
A pesquisa é uma iniciativa da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, empresa com larga experiência no desenvolvimento de pesquisas de mercado. Como outras pesquisas de segmento as edições serão anuais e sempre lançadas na Conferência.
O projeto vai apresentar dois estudos distintos: um focado nos hábitos de consumo da população LGBT no Brasil, que é de grande interesse de empresas/ marcas de consumo e outro que vai pesquisar os hábitos,
consumo e preferências do turista LGBT Brasileiro. Entre os tópicos estudados estão o perfil socioeconômico, poder de compra, estilo de vida, hábitos de consumo, marcas/destinos com os quais se identificam preferências e necessidade não atendidas, entre outros. O relatório será desenvolvido anualmente e divulgado por ocasião da Conferência Internacional da Diversidade. Empresas e destinos ainda podem fazer parte da Conferência e da Pesquisa.
SERVIÇO: 10ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA DIVERSIDADE
• 22 a 26 de setembro de 2026
• 22/09 (terça-feira): Abertura Oficial (para convidados)
• 23/09 (quarta-feira): Conferência Turismo LGBT
• 24/09 (quinta-feira): Conferência Negócios Diversos
• 25/09 (sexta-feira): Conferência Esporte e Cultura
• 26/09 (sábado): Baile de Gala (para convidados)
Local: Centro de Eventos São Luís – São Paulo, SP
Público-alvo: Profissionais de Turismo, Negócios
Diversos e Esporte & Cultura
Mais informações: https://www.conferencialgbt.com.br/
MANIFESTO DE TURISMO LGBT+ DO BRASIL
A IGLTA, a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil e a LGBT+ Turismo Expo lançaram oficialmente o Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil, um documento que consolida diretrizes, dados e propostas para posicionar o País como destino competitivo, seguro e inclusivo no cenário internacional. O processo teve início em fevereiro, com um evento que reuniu cerca de 40 profissionais de diferentes segmentos da cadeia do Turismo, hotelaria, operadoras, agências de viagens, seguro-viagem e destinos, entre outros, além do apoio institucional do Museu da Diversidade Sexual de São Paulo e da 375 Fun Fest Agência de Viagem. Na ocasião, foi apresentada a versão inicial do manifesto, seguida por uma discussão aberta que resultou em diversas contribuições e propostas. O documento ficou disponível para sugestões até 23 de março, quando as contribuições foram compiladas e incorporadas à versão final, publicada em abril.
O manifesto apresenta uma análise do Turismo LGBT+ no Brasil, resgatando sua evolução histórica, desde os primeiros movimentos de organização do setor nos anos 1990 até sua consolidação recente como um dos principais ecossistemas de negócios do Turismo nacional.
O texto reforça a relevância econômica do segmento, que, segundo dados da UN Tourism, representa entre 5% e 10% do mercado turístico global, movimentando mais de US$
Evento de lançamento do Manifesto
Ricardo Gomes (Câmara LGBT), Clovis Casemiro (IGLTA) e Alex Bernardes (LGBT+ Turismo Expo)
RODRIGO VIEIRA
MERCADO
211 bilhões por ano, e destaca características estratégicas desse público, como alta frequência de viagens, resiliência em períodos de crise e capacidade de reduzir a sazonalidade nos destinos.
O documento também chama atenção para a necessidade de combater práticas superficiais, como o chamado rainbow washing, e reforça a importância de ações estruturadas, incluindo capacitação do trade, criação de políticas públicas direcionadas e desenvolvimento de experiências alinhadas às demandas desse público.
Para Clovis Casemiro, líder da IGLTA no Brasil, o manifesto representa um alinhamento do país às tendências internacionais. "O Brasil tem enorme potencial para se destacar globalmente no Turismo LGBT+. A construção desse manifesto permite organizar demandas, alinhar o setor privado e criar um diálogo estruturado com o poder público", afirma. Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, reforça o papel do setor privado na construção de um mercado mais estruturado. "O Turismo LGBT+ no Brasil já é uma realidade consolidada, mas ainda há um grande espaço para evolução. Este manifesto é um chamado para que empresas e destinos deixem de atuar de forma pontual e passem a investir de maneira estratégica, com visão de longo prazo", destaca. Alex Bernardes, diretor da LGBT+ Turismo Expo, resume o alcance do documento:
OS PRINCIPAIS
PONTOS DO MANIFESTO
I. Origem e legitimidade
O Turismo LGBT+ no Brasil não nasceu de uma tendência passageira. Desde os anos 1990, profissionais do setor compreenderam que visibilidade, segurança e respeito são ativos econômicos indispensáveis. Marcos como o primeiro simpósio da IGLTA na América do Sul (Rio de Janeiro, 1998), a criação da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil e a primeira
Convenção Global da IGLTA realizada na América do Sul (Florianópolis, 2012) consolidaram o Brasil no mapa global do segmento.
II. Fortalecimento do segmento
O manifesto aponta três eixos estratégicos: segurança e pertencimento (ambientes acolhedores como pré-requisito para a circulação de viajantes), vantagem competitiva (destinos inclusivos atraem público com alto potencial de fidelização) e geração de valor (hospitalidade inclusiva como ativo econômico e cultural).
III. Inovação e comportamento O viajante LGBT+ é historicamente um antecipador de tendências. Utiliza tecnologia como ferramenta central de navegação e segurança, o que exige do setor investimento em soluções digitais inclusivas como estratégia de inteligência de mercado.
IV. Força de um mercado multifacetado
O turista LGBT+ viaja mais vezes ao ano, permanece mais tempo nos destinos e tem ticket médio elevado. O manifesto destaca segmentos em expansão como Turismo de natureza (Bonito, Fernando de Noronha, Pantanal), Turismo esportivo, casamentos e luas de mel LGBT+ e Turismo de famílias homoafetivas — este último ainda carente de dados estruturados no Brasil.
V. Especificidade contra a invisibilidade
O manifesto alerta: quando segmentos estratégicos são diluídos em discursos genéricos, mercados consolidados enfraquecem. O Turismo LGBT+ exige dados próprios, políticas públicas direcionadas e investimentos que respeitem suas particularidades.
VI. Compromisso e legado
Compromisso real exige ação concreta: capacitação profunda do trade, protocolos claros de segurança e investimento contínuo que ultrapasse as datas sazonais. O manifesto cita como referências Madrid, que consolidou seu posicionamento por meio de políticas públicas contínuas, e a Argentina, que com a campanha "Amor." da Inprotur aumentou significativamente o fluxo de turistas LGBT+.
VII. Força econômica
Com base no Second Global Report on LGBT Tourism da UN Tourism, o manifesto destaca que viajantes LGBT realizam, em média, de 3 a 4 viagens internacionais por ano em mercados maduros, e que o segmento demonstrou resiliência mesmo em períodos de recessão, mantendo planos de viagem quando outros públicos recuam.
O Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil está disponível na íntegra em camaralgbt.com.br/manifesto
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METENDO O PÉ NA PORTA, CLARO QUE DE SALTO
O ato de se vestir de mulher para interpretar uma personagem no palco remonta à Grécia antiga, quando apenas homens podiam interpretar. Mas foi na Europa, nos séculos XVIII e XIX que a maquiagem exagerada entrou em cena.
O histórico associado ao teatro foi ganhando corpo e outros espaços, especialmente quando homossexuais começam a fazer as interpretações. A arte drag como conhecemos hoje em dia chega ao esplendor nos anos 1960 e 1970, especialmente nos Estados Unidos, embora por aqui também existam registros das primeiras apresentações no mesmo período.
Mas, ao contrário da América do Norte e Europa, no Brasil a marginalização se manteve por mais tempo, com poucos espaços para apresentação e retorno financeiro quase inexistente.
“Com meu trabalho de DJ eu sempre viajei muito pro Exterior, especialmente para os
OTÁVIO FURTADO, ESPECIAL PARA A REVISTA PANROTAS
CULTURA
Estados Unidos, e sempre me questionava porque não havia no Rio um bar onde a arte drag fosse destaque”, explica Thiago Araújo, que abriu a Pink Flamingo na cidade. O espaço é reconhecido como um dos principais palcos da arte drag na atualidade, sucesso que motivou a abertura de uma filial em São Paulo. Mais do que valorizar esses artistas, a Pink também é apontada como um importante agente de renovação do público. Segundo Araújo, impulsionado pela popularidade do reality RuPaul's Drag Race, esse universo tem conquistado uma nova geração de espectadores e aproximado muitos jovens da arte drag.
É inegável que o sucesso mundial do programa renovou o interesse pela arte drag. Especialmente no Brasil, apontado pelos
produtores como país com maior comunidade de fãs de Drag Race, o boom ainda veio acompanhado de outro fenômeno: o das drags cantoras.
Com nomes como Pabllo Vittar e Gloria Groove atingindo o mainstream, a expressão artística furou a bolha e chegou a um público até de fora da comunidade. “A gente não está apenas nas boates, mas em palcos com Rock in Rio, The Town e Lollapalooza”, destaca Grag Queen, vencedora da competição musical Queen of The Universe e apresentadora de Drag Race Brasil.
Hoje o Brasil se tornou um mercado mais consolidado. Não faltam exemplos, como o Realness Festival e a primeira edição da RuPaul’s Dragcom no país.
“Os realities mexeram na forma como o
Pink Flamingo, um dos principais palcos para a arte drag no Brasil
público passou a enxergar nosso trabalho, com mais admiração pelo que produzimos aqui no Brasil. Parece que de alguma forma a gente precisava dessa validação”, analisa Organzza, vencedora da primeira edição da franquia brasileira de Drag Race.
Contudo, embora o mercado venha se tornando cada vez maior, ainda há uma discrepância especialmente no retorno financeiro em diferentes regiões brasileiras. Embora espaços de acolhimento da arte drag sejam cada vez mais comuns em todo país, para viver exclusivamente deste trabalho muitos artistas ainda procuram os grandes centros como Rio e São Paulo.
“O movimento tem se consolidado. Mas, como todo trabalho artístico, acaba tendo mesmo espaço e oportunidade fora do Sudeste”, enfatiza Grag.
O caminho parece pavimentado, mas ainda há o que melhorar para que as drag queens possam conquistar o espaço que merecem. Brilho, já provaram que têm de sobra.
ONDE
ASSISTIR A SHOWS DRAG NO BRASIL
Gongada Drag (itinerante) - @gongadadrag
Comédia Drag (Brasília) - @distritodrag
Brunch & Drag (Porto Alegre) - @brunch_drag_poa
Drag Brunch (São Paulo) - @dragbrunchbrasil
Blue Space (São Paulo) - @bluespacesp
Pink Flamingo (Rio de Janeiro) - @pinkflamingorio
Boteco do Paulista (Salvador) - @botecodopaulista_ssa
Drag Dinner Ceará (Fortaleza) - @dragdinnerceara
Bar Opium (Florianópolis) - @bar.opium
Move Clube (Belém) - @moveclubbelem
Festival Realness (São Paulo) - @realnessbr
Festival Drag Com Brasil (São Paulo) - @dragcon_brasil
Grag Queen
ENTRETENIMENTO
TODO MUNDO (LGBTQIA+) NO RIO
OTÁVIO FURTADO, ESPECIAL PARA A REVISTA PANROTAS
Luiz Oscar Niemeyer, CEO da Bonus Track, foi categórico na coletiva de lançamento do show de Shakira no Rio: Não necessariamente a próxima atração de Todo Mundo no Rio será uma diva pop. Mas, coincidência ou não, as três primeiras edições do evento reuniram prima-donas que arrastam uma legião de fãs, em especial da comunidade queer.
A apreciação da hotelaria e de todas as esferas da economia da cidade não tem dúvida do impacto deixado pelo viajante que frequentou o megaevento. "Desde a primeira edição do Todo Mundo no Rio percebemos um aquecimento na demanda durante o período do evento, especialmente por parte de viajantes que se identificam com o universo cultural e artístico representado pelos shows. O evento reúne artistas com forte identificação junto à comunidade LGBTQIA+, criando uma motivação específica de viagem para esse público”, destaca Daniel Gorin, Diretor Geral do Grupo City&Sea que administra os hotéis Ipanema Inn e Arpoador.
Marcos Hermes (Bônus Track)
Shakira recebeu e devolveu todo carinho do mega público do Todo Mundo no Rio em 2026
Madonna, a primeira da fila, é inegavelmente uma das principais artistas ligadas a este público. Não à toa sua apresentação na Praia de Copacabana (2024) teve um discurso dedicado a comunidade LGBTQIA+. “A comunidade queer sempre esteve lá por mim”, disse com todas as letras. A rainha do pop ainda fez questão de des- tacar celebridades como Érika Hilton, Renato Russo, Daniela Mercury, entre outros em imagens no telão. Se começava assim a relação dos mega shows de maio com a comunidade, a explosão veio no segundo ano (2025) com a presença de Lady Gaga. Entre as mais de 2 milhões de
pessoas que assistiram a uma ópera rock, os leques (em sua maioria com as cores do arco-íris) fizeram tanto barulho quanto o vocal da artista.
A latinidade veio com o show de Shakira este ano. E não faltaram pessoas queer usando roupas inspiradas em seu figurino. A expressão corporal nas danças também deu o tom e reafirmou a liberdade de cada fã ser do jeito que deseja.
Ainda não se sabe quem será o próximo superstar a se apresentar, mas na lista de possibilidades sempre ganham destaques outros nomes fortemente ligados ao público LGBTQIA+, como Beyoncé, Katy Perry e Pink.
Marcos Hermes (Bônus Track)
Madonna parou o Rio de Janeiro quando puxou a fila para um espetáculo que acabou se tornando o Todo Mundo no Rio
“CRIARAM UM EVENTO QUE MOVIMENTA A CIDADE EM UM PERÍODO DE BAIXA. ESSAS ATRAÇÕES TROUXERAM MUITA
GENTE E NOTEI QUE OS TURISTAS FICARAM MAIS TEMPO
NA CIDADE, UMA OU DUAS SEMANAS DEPOIS AS FESTAS
AINDA ESTAVAM CHEIAS”, ANALISA GUILHERME ACRÍZIO,
PRODUTOR DA TRETA FESTA, FOCADA EM CULTURA POP.
O resultado das primeiras experiências comprova que pode ser uma fórmula de sucesso. O evento fez explodir o Turismo LGBTQIA+ no feriado do Dia do Trabalho e transformou a data em um terceiro ápice deste segmento, disputando espaço com Carnaval e Réveillon. Mas Acrízio mostra preocu- pação com planejamento. “É preciso criar uma forma de manter isso como agenda do Rio. O carnaval, por exemplo, é cultural. Sabemos que terá todo ano e a expectativa é sempre alta na quantidade de turistas”, analisa. Uma pesquisa da IGLTA (Associação Internacional de Turismo LGBT+) demonstrou que eventos são um dos principais quesitos na escolha do destino para esses turistas. Fortalecer a ligação de mais uma data com a comunidade pode expandir ainda mais a ligação do Rio com o segmento.
Lady Gaga foi um estouro em sua edição do Todo Mundo no Rio, em 2025
“EVENTOS DESSA DIMENSÃO POSSUEM UMA IMPORTÂNCIA
MUITO GRANDE PORQUE AJUDAM A PROJETAR
INTERNACIONALMENTE A IMAGEM DA CIDADE E REFORÇAM
VALORES QUE FAZEM PARTE DA ESSÊNCIA DO RIO DE JANEIRO, COMO DIVERSIDADE E INCLUSÃO”, ANALISA
NETTO MOREIRA, DIRETOR GERAL DE CLUSTER DE LUXO DA ACCOR NO RIO DE JANEIRO.
Ele destaca o trabalho conjunto entre o poder público, a iniciativa privada, os organizadores dos eventos e toda a cadeia do turismo para fortalecer a cidade como um destino inclusivo: “Os hotéis têm um papel importante nesse processo, investindo em hospitalidade, em experiências e em equipes preparadas para atender um público cada vez mais diverso e global”. A seu favor o Rio já tem alguns títulos que comprovam essa forte ligação. Dados divulgados pelo aplicativo Grindr mostram que é o segundo destino do mundo mais visitado por seus usuários. O Rio aparece em listas como o Destinos dos Sonhos LGBTQIA+ segundo o site GayCities e Destino Gay Mais Sexy do Mundopelo site Trip Out Gay Travel. Saber aproveitar essa conexão natural e ampliar a oferta é primordial para se manter na liderança. Afinal, LGBTQIA+ ou não, o que o turismo quer é Todo Mundo no Rio.
Kevin Mazur Getty Images for Live Nation
Netto Moreira, diretor geral do Cluster de Luxo da Accor no Rio de Janeiro
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QUANDO VIAJAR TAMBÉM É UM ATO POLÍTICO
O Turismo LGBTQ+ é uma potência global. A comunidade viaja mais vezes ao ano, consome intensamente cultura, entretenimento e gastronomia, e contribui de forma significativa com toda a cadeia produtiva do Turismo. No Brasil, esse público é cada vez mais visível, diverso e relevante. O avanço econômico e social da comunidade, entretanto, não elimina barreiras ainda presentes no setor. De acordo com pesquisa da Booking.com divulgada em junho deste ano, apenas 38% dos viajantes LGBTQ+ brasileiros afirmam assumir sua orientação sexual durante suas viagens, enquanto quase um terço (31%) declarou que esconderia sua identidade para conhecer um destino dos sonhos. O levantamento também aponta que 54% avaliam constantemente o ambiente ao redor antes de expressar carinho ao parceiro ou parceira em espaços públicos.Os dados reforçam que, para muitas pessoas LGBTQ+, a liberdade de viajar ainda não é acompanhada pela liberdade de expressar plenamente a própria identidade. Entre avanços, novas demandas e desafios persistentes, a PANROTAS mais uma vez reuniu a visão de influenciadores digitais LGBTQ+ do universo de viagens para entender os movimentos que estão transformando o segmento.
LUCAS POR AÍ@LUCASRANFER
Tudo começou com uma viagem para Machu Picchu, no Peru. O arquiteto Lucas Ranfer, também conhecido como Lucas Por Aí, viu nas viagens uma oportunidade de se libertar de uma vida profissional que já não fazia mais sentido.
Baseado no Rio de Janeiro, o influenciador já visitou diversos países e mais de 30 destinos brasileiros. Ao longo dessa trajetória, encontrou locais que o surpreenderam positivamente pela receptividade, mas também enfrentou experiências menos agradáveis. “Sou apaixonado por cidades que tenham algum passado de civilização antiga. Por isso, Atenas, na Grécia, foi um dos meus lugares favoritos. Tenho muita vontade de visitar o Egito, mas sei que é um destino um pouco mais desafiador.
Mas tudo é muito relativo. Eu sofri perseguição de um skinhead em Londres, com xingamentos homofóbicos, algo que não esperava vivenciar em uma cidade tão cosmopolita”, conta Lucas.
Ao longo de sua trajetória, o influenciador acumulou experiências que o levaram a compreender que, mais
BEATRIZ CONTELLI
MERCADO
Lucas Ranfer em Londres
do que outros públicos, o viajante LGBTQ+ precisa adotar cuidados adicionais, como pesquisar o destino com antecedência e optar por hotéis e empresas com políticas claras de inclusão e combate à discriminação.
“A PREOCUPAÇÃO DO VIAJANTE
LGBTQ+ ESTÁ EM PODER SER QUEM A GENTE É OU ATÉ DEMONSTRAR
AFETO EM PÚBLICO. O VIAJANTE
PRECISA ESTAR CIENTE DE QUE, EM
CERTOS LOCAIS, COMPORTAMENTOS
TRIVIAIS PODEM REPRESENTAR
RISCOS REAIS À SUA SEGURANÇA
FÍSICA. NA PRÁTICA, UMA VIAGEM
NÃO DEPENDE APENAS DAS
ATRAÇÕES TURÍSTICAS, HOTÉIS
OU PAISAGENS. ELA TAMBÉM É
INFLUENCIADA POR LEIS, DIREITOS, COSTUMES SOCIAIS E PELO NÍVEL
DE ACEITAÇÃO DA DIVERSIDADE
NO DESTINO. E EU NÃO ACHO QUE
TODA VIAGEM LGBTQ+ TENHA QUE
SER NECESSARIAMENTE UM ATO POLÍTICO. TAMBÉM VIAJAMOS PARA
DESCANSAR, CONHECER CULTURAS, FAZER TURISMO GASTRONÔMICO OU SE DIVERTIR. PORÉM, A SEGURANÇA
E A LIBERDADE DE VIVER A PRÓPRIA
IDENTIDADE DURANTE A VIAGEM
ACABAM SENDO FATORES QUE
INFLUENCIAM DIRETAMENTE A ESCOLHA DO DESTINO”, DESTACA.
Na visão de Lucas, o segmento avança, mas ainda há impasses. Destinos hotéis, companhias aéreas e operadoras têm compreendido cada vez mais que a inclusão é um componente essencial da hospitalidade e que receber bem também significa oferecer um ambiente acolhedor para diferentes perfis de viajantes.
“Sou otimista em ver os criadores de conteúdos mostrando as experiências reais sobre destinos, hotéis e atrações. Isso ajuda outros viajantes a tomar decisões mais assertivas e incentiva as empresas a melhorar suas práticas. Vejo que as gerações mais novas tendem a ter maior contato com a diversidade e maior familiaridade com diferentes identidades e orientações. Isso pode contribuir para ambientes turísticos mais acolhedores ao longo do tempo”, acredita.
Lucas na Grécia
No entanto, Lucas observa que a representatividade no Turismo ainda não contempla toda a diversidade da comunidade LGBTQ+.
“Vejo pouca representatividade de lésbicas como rostos de campanhas, sendo que é um grupo que também necessita de segurança e possui padrões de consumo muito específicos. Pessoas transgênero e não-binárias sentem um impacto muito grande em relação à logística real, como documentação, acesso a banheiros, segurança em aeroportos e tratamentos com o pronome adequado. A própria diversidade racial e étnica da comunidade é pouco falada. Viajantes negros, latinos ou indígenas LGBTQ+ enfrentam uma camada dupla de discriminação: homofobia e racismo”, ressalta.
Lucas também chama atenção para outros gru-
pos que ainda recebem pouca visibilidade no Turismo LGBTQ+, especialmente casais homoafetivos com crianças, além de pessoas LGBTQ+ mais velhas, que costumam aparecer pouco nos conteúdos do setor.
“Já parou para pensar que todo o circuito gay é pensado para os jovens? Existe uma romantização da juventude e os idosos que fazem parte da comunidade e possuem um histórico de luta e resistência são quase invisíveis. A representatividade no Turismo LGBTQ+ ainda é um desafio, pois o mercado historicamente focou em um perfil muito restrito: o casal cisgênero, branco, de classe média/alta”, complementa.
O influenciador busca ampliar o debate para além da representatividade em campanhas e destaca a necessidade de mudanças estruturais no Turismo. Para ele, é fundamental que todo o trade esteja envolvido na construção de experiências mais inclusivas, desde a capacitação de profissionais até a adoção de práticas de atendimento mais respeitosas.“Também temos que observar o comportamento das marcas ao longo do ano. Elas possuem políticas internas de inclusão e combate à discriminação? Há presença de pessoas da comunidade em cargos de liderança? Existe um apoio contínuo a projetos, eventos ou organizações da comunidade ao longo do ano? Ou será que fazem apenas um rainbow washing durante o Mês do Orgulho?”, reflete Lucas.
Lucas em Paris
GIULIA E THAÍS@SAPATOKERS
Há seis anos, Thaís Sória atua como influenciadora digital ao lado de sua esposa, Giulia Barros. Ao longo desse período, mesmo acompanhando os avanços do Turismo LGBTQ+, ela percebeu uma lacuna no mercado: a falta de grupos de viagem voltados exclusivamente para mulheres sáficas (lésbicas, bissexuais e outras mulheres que se relacionam romanticamente com mulheres). Foi dessa percepção que nasceu o SapaTrip. O primeiro roteiro do projeto aconteceu em abril, na Chapada dos Veadeiros (GO), e reuniu 14 mulheres em uma experiência que combinou cachoeiras, trilhas, fazendas e paisagens do Cerrado, além de atividades pensadas para fortalecer os laços entre as participantes.
“O SAPATRIP FOI CRIADO PARA PROPORCIONAR EXPERIÊNCIAS
SEGURAS, ACOLHEDORAS
E DIVERTIDAS ENTRE MULHERES DA COMUNIDADE.
Grupos de viagem LGBTQ+ normalmente incluem homens, e percebi que existe uma demanda de mulheres que desejam viajar apenas com outras mulheres, e isso tem relação com uma questão muito presente: a solidão da mulher lésbica. No nosso primeiro roteiro, havia muitas mulheres viajando sozinhas, sem parceira ou amiga, e conforme vamos envelhecendo, é ainda mais difícil fazer novas amizades. Por isso, buscamos criar momentos de conexão ao longo da viagem, com rodas de conversa e atividades em grupo para as participantes construírem vínculos”, explica Thaís.
Giulia e Thaís em lua de mel na África do Sul
As próximas viagens do SapaTrip já têm data marcada. Em julho, o grupo seguirá para Mogi das Cruzes (SP), em uma experiência voltada ao contato com a natureza e à desaceleração. Já em novembro, o destino será Morro de São Paulo (BA), onde as participantes poderão aproveitar praias de águas cristalinas enquanto vivenciam momentos de troca e convivência.
VIAJANDO COMO UM
CASAL HOMOAFETIVO
Thaís conta que sempre foi do tipo que economiza ao máximo para poder viajar. Restaurantes caros e roupas de marca nunca estiveram entre suas prioridades, seu maior objetivo sempre foi conhecer o mundo. Mas, sendo casada com outra mulher, a influenciadora percebeu que planejar uma viagem envolve cuidados adicionais: além de avaliar atrações e custos, era preciso considerar o quanto cada destino era seguro para pessoas LGBTQ+.
“Pessoas LGBTQ+ sempre precisam pesquisar sobre o destino antes de viajar. Precisamos saber se estaremos seguras, se poderemos andar de mãos dadas em público, quais cuidados devemos tomar, afinal ainda existem países onde podemos ser presas simplesmente por existirmos. Por outro lado, também tivemos experiências muito positivas. Fomos muito bem recebidas em Paris e, principalmente, na Grécia. Além disso, escolhemos a África do Sul para celebrar nossa lua de mel”, conta. Assim como outros influenciadores ouvidos nesta reportagem, Thaís afirma ter percebido uma redução no apoio das marcas à causa LGBTQ+.
Ainda assim, a a sapatoker diz que seguirá compartilhando suas histórias e experiências de viagem como forma de promover representatividade e criar espaços de identificação para outras pessoas da comunidade.
Primeiro grupo do SapaTrip, na Chapada dos Veadeiros
Giulia e Thaís, na Grécia
“HÁ MUITAS PESSOAS LGBTQ+ EM PAÍSES
CONSERVADORES QUE ESTÃO LUTANDO PARA TER O MÍNIMO. NOSSO PAPEL,
COMO INFLUENCIADORES, É CONTRIBUIR
PARA AMPLIAR AS PERSPECTIVAS, CRIAR
CONEXÕES E CONSTRUIR RELACIONAMENTOS
COM MARCAS QUE REALMENTE ACREDITAM
NA DIVERSIDADE. ESSA REDUÇÃO NO APOIO
DAS MARCAS DÁ A SENSAÇÃO DE QUE DEMOS
UM PASSO PARA TRÁS EM RELAÇÃO AOS AVANÇOS QUE ESTÁVAMOS CONSTRUINDO.
COMO INFLUENCIADORA, SEI QUE MINHAS
PALAVRAS E ATITUDES PODEM IMPACTAR
MUITAS PESSOAS. AO MESMO TEMPO, ENTENDO QUE O CONTEÚDO QUE PRODUZO
NÃO REPRESENTA TODA A COMUNIDADE
LGBTQ+, PORQUE SOMOS UM GRUPO MUITO DIVERSO. E ISSO É ALGO MUITO BONITO. FICO
FELIZ POR PODER REPRESENTAR UMA PARTE DESSA COMUNIDADE”, DESTACA.
Apesar dos desafios, Thaís afirma que vê o futuro com otimismo, especialmente quando observa as novas gerações e o acesso cada vez maior à informação.
“Tenho muita esperança nos jovens. Hoje eles têm acesso a informações que eu mesma não tive quando era mais nova. Até para eu me entender como uma mulher LGBTQ+ levou tempo, porque cresci em um ambiente muito heteronormativo. Com mais representatividade, acredito que esse processo será mais fácil para as novas gerações. Claro que o preconceito continua existindo e muitos jovens ainda reproduzem ideias que aprendem dentro de casa. Mas eu tenho esperança de que eles conseguirão viver suas vidas com mais autenticidade e liberdade”, completa.
ALBERTO E MARCELO TOZZI@CANALVOUVIAJAR
Faz apenas dois anos que Alberto e Marcelo Tozzi colocaram em prática sua paixão por explorar o mundo. Por meio do Canal Vou Viajar, os influenciadores compartilham suas experiências para mostrar que a comunidade LGBTQ+ existe, ocupa espaços e tem o direito de estar onde quiser.
Onde colocamos nosso dinheiro é uma decisão política. Se o nosso dinheiro vai fomentar a economia de um lugar, preferimos que seja em destinos que nos respeitem”, reforçam.
Essa presença também se reflete na forma como a comunidade tem viajado. Segundo os criadores de conteúdo, o Turismo LGBTQ+ vem deixando para trás o estereótipo de ser um segmento que se resume a festas e baladas. Há um aumento da procura por experiências ligadas à natureza e aventura, bem-estar e roteiros de luxo. Casais homoafetivos também têm viajado cada vez mais para celebrar luas de mel, casamentos e momentos em família, acompanhados dos filhos.
“Destinos como Tailândia e Vietnã são referências positivas para a comunidade. Já países como Marrocos e Emirados Árabes Unidos, embora não sejam totalmente seguros para viajantes LGBTQ+, acreditamos que a nossa presença representa o início de uma mudança”, refletem.
Alberto e Marcelo em Nusa Penida, na Indonésia
RESPONSABILIDADE E REPRESENTATIVIDADE
Alberto e Marcelo acreditam que o trabalho como influenciadores digitais pode impactar diretamente a forma como seus seguidores vivenciam uma viagem. Por isso, buscam produzir conteúdos responsáveis e alinhados à realidade de cada destino.
“Nossa palavra pode influenciar diretamente a segurança física de alguém. Se recomendamos um hotel ou destino, precisamos ter certeza de que é um ambiente seguro. Há uma responsabilidade muito grande de informar, acolher e, muitas vezes, ser a ponte entre o sonho da viagem e a coragem de realizá-la. Buscamos mostrar como é viajar com segurança, educar nossa audiência sobre seus direitos e incentivá-la a continuar ocupando espaços. Quanto mais visíveis somos, mais difícil é nos apagarem”, afirmam .Os influenciadores também destacam que os desafios enfrentados pela comunidade no Turismo vão muito além da escolha de destinos seguros. Conforme apontam, pessoas trans ainda enfrentam obstáculos em aeroportos e raramente aparecem como protagonistas das campanhas de Turismo, assim como pessoas LGBTQ+ negras e com mais de 50 anos.
“É PRECISO IR ALÉM DO MARKETING DE NICHO. NÃO BASTA COLOCAR UMA
BANDEIRA DE ARCO-ÍRIS NO FOLHETO.
É PRECISO INVESTIR NO TREINAMENTO
CONSTANTE DA REDE HOTELEIRA E DE SERVIÇOS, CRIAR POLÍTICAS PÚBLICAS
QUE GARANTAM A SEGURANÇA
FÍSICA DOS TURISTAS E MORADORES
LGBTQ+, E FOMENTAR ATIVAMENTE
EMPREENDEDORES LOCAIS QUE FAZEM
PARTE DA COMUNIDADE. VEMOS
UMA MUDANÇA ONDE MAIS MARCAS
QUEREM FALAR SOBRE DIVERSIDADE, MAS A REDUÇÃO DE PATROCÍNIOS EM
EVENTOS ESSENCIAIS, COMO A PARADA DE SÃO PAULO, ACENDE UM ALERTA VERMELHO.
ISSO DEMONSTRA QUE O APOIO DE ALGUMAS
EMPRESAS É CONDICIONADO À CONVENIÊNCIA ECONÔMICA OU AO CLIMA POLÍTICO, E NÃO A
UM COMPROMISSO REAL COM A COMUNIDADE.
É PREOCUPANTE, POIS A DIVERSIDADE NÃO DEVERIA SER TRATADA COMO UMA 'TENDÊNCIA' PASSAGEIRA DE MERCADO”, REFORÇAM.
Alberto e Marcelo se preparam para seu primeiro mochilão
Apesar dos desafios, Alberto e Marcelo enxergam motivos para acreditar em um Turismo mais inclusivo nos próximos anos.
“O que nos dá esperança é olhar para a nova geração. Ver jovens LGBTQ+ crescendo com menos amarras, sonhando em desbravar o mundo e cobrando posturas das marcas e destinos de forma muito mais incisiva. Receber mensagens de seguidores do @canalvouviajar dizendo que criaram coragem para fazer a primeira viagem com seus parceiros por nossa causa. É isso que prova que estamos no caminho certo e que o futuro do Turismo será, inevitavelmente, mais livre”, completam.
Alberto e Marcelo se preparam para seu primeiro mochilão
LUÍSA ASSAF@LU_ASSAF
Se para muitas mulheres heterossexuais viajar sozinha pode trazer desafios, para mulheres lésbicas essa realidade pode ser ainda mais complexa. Dentro do segmento LGBTQ+, elas estão entre os grupos mais sub-representados em campanhas e conteúdos de viagem. Apesar dos desafios que poderia encontrar pelo caminho, Luísa Assaf decidiu que faria um mochilão pela Europa sozinha. Durante a viagem, ela notou que diferentes destinos oferecem níveis distintos de acolhimento ao público queer feminino.
“Me preparando para minha aventura na Europa pesquisei várias dicas de viagem para a comunidade LGBTQ+.
Aproveitei a oportunidade para gravar toda a viagem e incentivar minhas seguidoras a viajarem sozinhas. Berlim, Paris e Amsterdam me surpreenderam positivamente, com uma cena LGBTQ+ vibrante, restaurantes acolhedores, instalações artísticas sobre a comunidade, bares temáticos e símbolos do Orgulho espalhados pelo destino”, conta Luísa.
Para a influenciadora, viajar sozinha também está diretamente ligado a um processo de liberdade pessoal.
“O Turismo de natureza e aventura vai além de uma mera tendência. Para as lésbicas, é um nicho que está conectado às nossas personalidades e estilo de vida.
Luísa Assaf em Veneza
QUANDO VOCÊ ROMPE A NECESSIDADE DE APROVAÇÃO MASCULINA, SENTE
QUE PODE ROMPER QUALQUER
OUTRA BARREIRA. MUITAS DE NÓS CRESCEMOS SOZINHAS, ENTÃO
ESTAR SEM COMPANHIA NÃO É UM
PROBLEMA. DURANTE A VIAGEM,
POSSO ESCOLHER PARA ONDE VOU, O
QUE QUERO COMER, SE QUERO VISITAR
CINCO MUSEUS OU APENAS CURTIR O DIA”, COMPARTILHA.
Com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, Luísa encara sua profissão como criadora de conteúdo com seriedade. Para ela, tudo é político, inclusive o Turismo A influenciadora conta que recebe diariamente relatos e desabafos de pessoas da comunidade LGBTQ+ e afirma buscar ser uma representatividade que valoriza relações saudáveis e incentiva especialmente jovens e adolescentes a se aceitarem como são.
“Acredito que o papel dos criadores de conteúdo é trazer a sensação de que você não está sozinha, independente de ondas conservadoras que tentam nos empurrar de volta para o armário. Mas infelizmente há marcas que recuaram muito nessa pauta. Entendo o medo de se posicionar diante de questões políticas, mas quem não se posiciona, não se diferencia. E o mais importante: consistência. Os consumidores sabem quais são as marcas que apoiam a causa só para crescer. Eu espero que as marcas voltem a apoiar a pauta porque os conteúdos sobre diversidade entregam cone-
xão genuína e confiança. É isso que nós, criadores de conteúdo LGBTQ+, podemos oferecer o ano todo, e não só em junho”, explica.
Para Luísa, ainda há lacunas na forma como a comunidade é representada em campanhas e conteúdos de viagem. Segundo a influenciadora, a maioria das narrativas ainda se concentra em casais de homens ou em famílias com filhos, enquanto outros perfis permanecem praticamente invisíveis.
“Vejo pouquíssimas pessoas trans representadas, e acredito que há muito interesse coletivo em ver mais grupos de amigas LBT+ presentes. Eu nunca vi uma lésbica desfeminilizada em uma campanha de Turismo, e isso é muito triste”, reflete. A influenciadora defende que a inclusão no Turismo precisa envolver ações concretas de responsabilidade social. Para ela, isso passa pelo combate efetivo à LGBTfobia, pela geração de oportunidades de trabalho para pessoas trans em situação de vulnerabilidade e pela capacitação de profissionais do setor.
“TUDO É POLÍTICO, INCLUSIVE O TURISMO.
A ESCOLHA DO DESTINO, DA AGÊNCIA DE VIAGENS, DAS ATRAÇÕES TURÍSTICAS, TUDO ISSO
DIZ SOBRE QUEM VOCÊ É, E A SUA POSIÇÃO SOBRE O MUNDO. E POLÍTICAS PÚBLICAS IMPACTAM
DIRETAMENTE NA SEGURANÇA E BEM-ESTAR DOS VIAJANTES LGBTQ+”, COMPLETA LUÍSA.
Luísa em Jungfraujoch, na Suíça
RAPHA PUCCI E TON@PPTRIPS_
Há duas décadas juntos, Rapha e Ton transformaram uma paixão compartilhada por conhecer novos lugares em uma forma de inspirar outras pessoas a ocuparem o mundo sem medo. Tudo começou em 2018, quando o casal já não se sentia mais satisfeito com suas carreiras profissionais. O que seria apenas um período sabático de quatro meses pelo Sudeste Asiático acabou dando origem a um perfil de viagens que hoje reúne mais de 100 mil seguidores. Desde então, as experiências acumuladas pelo mundo também transformaram a forma como os influenciadores planejam seus roteiros.
“EM DESTINOS COMO ESPANHA, PORTUGAL OU ESTADOS UNIDOS NÃO SENTIMOS DIFERENÇA NO TRATAMENTO. ALGUNS PAÍSES
COMO A TAILÂNDIA E O VIETNÃ,
EXEMPLO, TÊM UMA RELAÇÃO
GÊNERO E IDENTIDADE QUE
CULTURALMENTE DIFERENTE DO
MAS QUE ACABA SENDO MUITO MAIS FLUÍDA E MENOS
PRECONCEITUOSA DO QUE MUITA DEMOCRACIA OCIDENTAL.
Porém, lugares como Eslovênia, Croácia e regiões do interior de países da América do Sul, percebemos olhares curiosos, que não chegam a incomodar, mas tornam nossa experiência diferente dos outros públicos”, explicam.
Se em alguns destinos as diferenças aparecem apenas em olhares curiosos ou situações pontuais, em outros a preocupação vai além do desconforto e envolve questões de segurança. Recentemente, os influenciadores visitaram o Marrocos com o suporte de uma agência de viagens e pretendem adotar a mesma estratégia em futuras viagens para países como o Egito e outros destinos que demandam atenção especial de viajantes LGBTQ+.
Rapha e Ton em Curaçao
“Em lugares como o Marrocos, onde as leis não são favoráveis à comunidade e ainda há poucos avanços culturais nesse sentido, a experiência acaba não sendo tão confortável. Evitamos demonstrações de afeto, nos sentimos observados ao pedir uma cama de casal ou simplesmente por estarmos sentados em um restaurante sendo dois homens”, compartilham.
REPRESENTATIVIDADE
ALÉM DOS ESTEREÓTIPOS
Para Rapha e Ton, embora a presença da comunidade LGBTQ+ nas campanhas de Turismo tenha aumentado nos últimos anos, ainda há grupos que seguem pouco representados. “Pessoas trans são praticamente invisíveis no Turismo. Casais lésbicos aparecem muito menos do que casais gays masculinos. Pessoas LGBTQ+ mais velhas, que viajam muito e têm muito a dizer, raramente aparecem como protagonistas de campanhas. As grandes marcas já têm incluído a comunidade em suas campanhas, mas o padrão geralmente são casais de homens em sua maioria”, destacam. Os influenciadores também acreditam que destinos e empresas precisam ir além de ações simbólicas para se tornarem verdadeiramente inclusivos. "É preciso parar de confundir visibilidade com inclusão. Colocar uma bandeira do arco-íris no site ou na frente de um hotel não muda nada se algumas leis locais ou a própria comunidade criminaliza quem você é. A inclusão real passa por política pública, treinamento de equipes
e disposição de enfrentar preconceitos. Precisamos que as pessoas envolvidas, seja a agência, o guia, os hotéis, os funcionários, enfim, todos estejam preparados para atender qualquer pessoa que seja, com respeito e igualdade”, reforçam. Para Rapha e Ton, é impos-
sível dissociar Turismo e política quando a experiência de viajar é impactada pela orientação sexual ou identidade de gênero.
“Quando você precisa pesquisar se pode ser preso por segurar a mão da pessoa que ama em determinado país, isso já é uma questão política.
Os influenciadores em Cusco, no Peru
QUANDO DECIDE DEIXAR DE VISITAR UM DESTINO POR QUESTÕES DE SEGURANÇA, TAMBÉM. QUANDO VOCÊ APARECE COMO UM CASAL
GAY QUE VIAJA, QUE ENFRENTA DESAFIOS
JUNTOS, QUE ENVELHECE JUNTO, ISSO TEM PESO PARA PESSOAS
QUE NUNCA VIRAM
ISSO REPRESENTADO”, SALIENTAM.
Apesar dos desafios, os influenciadores mantêm uma visão otimista sobre o futuro da comunidade LGBTQ+.
“Continuar existindo em público parece simples, mas não é. Mostrar que a vida é possível, que o amor e a alegria são possíveis, mesmo quando o contexto tenta convencer o contrário. Os jovens atuais têm uma clareza sobre identidade que a minha geração demorou décadas para construir, e de outro lado, a geração atual, em especial nós LGBTQ+, temos enfrentado o mundo de cabeça erguida, então acreditamos que essa junção e o apoio de uma sociedade sem preconceito, nos dá muita esperança a despeito do futuro”, completam.
Rapha e Ton em Las Vegas
MIRELLE E ELEN@MOCHILEIRASEMROTA
Em pouco mais de um ano, Mirelle e Elen viveram experiências que muitas pessoas levariam anos para realizar: um mochilão de três meses pela América do Sul, passando por Peru, Bolívia e Chile, seguido de uma expedição de quatro meses pela Ásia, com passagem por Japão, Vietnã, Camboja, Laos e Tailândia. O casal desenvolveu os roteiros e aprendeu técnicas de captação de imagens e edição para compartilhar suas vivências nas viagens com seus seguidores no Instagram.
“O CORAÇÃO DO NOSSO PROJETO É
DEMOCRATIZAR O TURISMO:
MOSTRAR QUE, COM PLANEJAMENTO
DETALHADO, INTELIGÊNCIA
LOGÍSTICA E ESTRATÉGIA, É POSSÍVEL VIVENCIAR EXPERIÊNCIAS INCRÍVEIS
E IMERSIVAS GASTANDO POUCO, SEMPRE MOSTRANDO A REALIDADE NUA E CRUA DE CADA DESTINO.
Mirelle e Elen na Tailândia
Dentre os países que exploramos juntas, o Peru e a Tailândia superaram muito as nossas expectativas. No Peru, sentimos um respeito muito grande e uma receptividade calorosa. Já a Tailândia é um exemplo claro de um destino que respira diversidade e faz com que o viajante LGBTQ+ se sinta perfeitamente integrado, seguro e bem-vindo em qualquer ambiente”, destacam.
A escolha de viagem das influenciadoras também ilustra duas tendências crescentes no Turismo LGBTQ+: o fortalecimento das viagens de natureza e aventura e o aumento das experiências culturalmente imersivas.
“A comunidade tem buscado cada vez mais se desconectar da correria urbana e se conectar com vivências autênticas. O perfil do viajante LGBTQ+ atual é muito dinâmico, ele quer explorar o mundo além dos circuitos tradicionais ou de grandes eventos específicos do Orgulho, buscando a combinação da descoberta, liberdade e segurança”, explicam.
Com a experiência que adquiriram explorando o mundo, Mirelle e Elen contam que sempre levam em consideração o nível de segurança e acolhimento de casais homoafetivos no destino, e a viabilidade financeira, buscando países que ofereçam experiências ricas e fora do óbvio sem ultrapassar o orçamento.
“Para o público geral, o planejamento gira em torno de atrativos e orçamento; para um turista LGBTQ+, ele começa pela segurança básica. Existe um receio latente de sofrer preconceito ou passar por situações desconfortáveis e perigosas, o que muitas vezes nos priva de demonstrar afeto publicamente. Por isso, nossa pesquisa pré-viagem envolve mapear o nível de aceitação social, o aparato legal do país para com a comunidade e a distinção clara entre o que é legalmente proibido e o que é socialmente tolerado pela cultura local”, compartilham.
“O MERCADO DE TURISMO FOCADO NO PÚBLICO LGBTQ+ AINDA É MUITO
CENTRALIZADO NA FIGURA DO HOMEM CISGÊNERO, GAY E DE ALTO PODER AQUISITIVO. MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS E PESSOAS TRANS
AINDA ENCONTRAM POUQUÍSSIMA
REPRESENTATIVIDADE NAS CAMPANHAS
DE GRANDES MARCAS E DESTINOS. O TURISMO AINDA CAMINHA A PASSOS LENTOS NO BRASIL PARA CRIAR PACOTES E
CAMPANHAS
GENUINAMENTE
PENSADAS
PARA MULHERES QUE VIAJAM JUNTAS, POR
EXEMPLO. AINDA HÁ MUITO ESPAÇO PARA EVOLUIR DO DISCURSO PARA A PRÁTICA
COMERCIAL”, AFIRMAM.
Nesse contexto, Mirelle e Elen acreditam que ocupar o espaço digital como um casal de mulheres viajando o mundo carrega uma dimensão política e uma responsabilidade compartilhada com a segurança de seus seguidores.
“Para nós, cruzar uma fronteira, passar por uma imigração ou simplesmente fazer o check-in em um hotel com uma cama de casal são atos atravessados pela política e pelos direitos humanos locais. A escolha de para onde vai o nosso dinheiro como viajante é uma decisão política. Não há como desvincular a experiência de viagem das leis que regem e protegem (ou criminalizam) a nossa existência naquele território. Somos muito criteriosas em relatar a realidade que vivemos em cada país de forma honesta. Recebemos muitas mensagens de seguidoras que criam coragem para viajar, e isso nos dá uma responsabilidade enorme sobre o tom, o respeito e a precisão do que compartilhamos”, completam.
Mirelle e Elen no Peru
LIDIANE COSTA@PARTIUVIAJARBLOG
Há dez anos, a advogada Lidiane Costa decidiu transformar sua paixão por escrever em um blog de viagens. Com dicas sobre como viajar sem gastar muito, o Partiu Viajar cresceu e ganhou espaço também no Instagram e no YouTube. Hoje, além de produzir conteúdo, Lidiane oferece consultorias para viajantes em Toronto, no Canadá, onde vive atualmente.
“ANTES
DE VIAJAR, SEMPRE PESQUISO O QUÃO INCLUSIVO E SEGURO O DESTINO É. TORONTO, POR EXEMPLO, É UM DOS MELHORES LUGARES PARA VIAJANTES LGBTQ+, PORQUE POSSUI UMA COMUNIDADE MUITO
eventos durante o ano todo, além de locais LGBTQ+ friendly. Também tive experiências positivas em Paris e Londres. Por outro lado, me lembro de quando viajei para o Marrocos com minha esposa e ficamos receosas sobre como as pessoas reagiriam caso percebessem que éramos um casal. Só decidimos fazer a viagem porque estávamos acompanhadas de um grupo de amigos”, conta Lidiane.
Lidiane e sua esposa visitam o Magic Kingdom
A influenciadora também acredita que a experiência de viagem de pessoas LGBTQ+ está diretamente ligada não apenas às leis de cada destino, mas também ao contexto social e político local. Ela ressalta que, em países onde a homossexualidade ainda é criminalizada ou reprimida, como a Rússia, viajantes da comunidade precisam estar atentos até mesmo a demonstrações de afeto em público.
“Creio que tudo gira em torno das leis e da educação da população, além do bom exemplo de líderes e governantes. O discurso e as políticas adotadas por lideranças políticas têm impacto direto na percepção de segurança e acolhimento da comunidade LGBTQ+. Quando há um ambiente político mais hostil, muitas pessoas acabam se sentindo menos protegidas ou representadas. Eu, por exemplo, evito viajar para os Estados Unidos atualmente”, compartilha.
RECEIO EM SE
POSICIONAR
Como influenciadora digital desde 2016, Lidiane não tem dúvidas sobre o papel que exerce dentro da comunidade. Em sua visão, quando um criador de conteúdo LGBTQ+ se expõe e compartilha suas experiências, ele contribui para mostrar que pessoas LGBTQ+ fazem parte da sociedade em todas as suas dimensões.
“Ao falar sobre temas como viagens, gastronomia, negócios, maternidade, esportes, finanças ou Turismo, o influenciador LGBTQ+ mostra que não há nada de errado em ser 'diferente' e ajuda a reforçar que não somos uma comunidade isolada ou distante da vida cotidiana. Nem todo criador LGBTQ+ precisa falar sobre
diversidade o tempo todo. Muitas vezes, o simples fato de compartilhar minha vida de forma autêntica já gera identificação e amplia a representatividade”, afirma.
Apesar do número crescente de influenciadores digitais, Lidiane observa que algumas marcas, ao mesmo tempo em que se tornam mais exigentes, ainda recorrem à comunidade apenas em momentos de campanhas publicitárias.
“Tem muita marca que não faz nada para entregar uma experiência melhor para os consumidores da comunidade no dia a dia. Vejo que ainda existe receio por parte das marcas em assumir posicionamentos consistentes durante o ano todo.
Muitas empresas ainda tratam a pauta LGBTQ+ de forma pontual, em vez de incorporá-la de maneira permanente à cultura da marca. A empresa não precisa ser ativista ou nichada, mas precisa, de fato, ser uma aliada ativa durante o ano inteiro”, destaca.
“QUEREMOS EXATAMENTE O MESMO QUE
QUALQUER VIAJANTE”
Criada em uma cidade do interior de Minas Gerais, Lidiane celebra os avanços que a comunidade LGBTQIA+ conquistou ao longo dos anos e destaca a importância de ter acesso fácil a referências, informações e acolhimento, mesmo à distância.
“Isso, por si só, já representa uma mudança enorme em relação às gerações anteriores, que se sentiam mais isoladas, e falo isso por experiência própria. Sei que muitas questões, como religião e política, ainda são entraves para a comunidade, mas minha esperança é que todos os países tratem as pessoas LGBTQ+ com respeito. Hoje, os criadores de conteúdo têm um papel fundamental
A influenciadora e sua esposa nas Cataratas do Niágara
nessa transformação”, enfatiza.
No entanto, no universo das viagens, a influenciadora reforça que viajantes LGBTQ+ não buscam tratamento especial ou exclusivo, mas sim respeito e dignidade, como qualquer outro turista. “O que nós queremos é exatamente a mesma coisa que qualquer viajante: descansar, conhecer lugares novos, comer bem, nos divertir e voltar para casa com boas memórias. Mas viajar se torna político a partir do momento em que preciso pesquisar ‘é seguro demonstrar afeto em público nesse destino?’, ‘é crime ser homossexual no país X?’. Enquanto um casal heterossexual raramente precisa fazer esse tipo de avaliação antes de comprar uma passagem, muitos casais LGBTQ+ ainda consideram esses fatores no planejamento. Nesse sentido, aspectos legais, culturais e sociais acabam se tornando parte essencial do planejamento da viagem”, completa.
Lidiane e esposa em Machu Picchu
RAFAEL LEICK@VIAJABI / @RAFALEICK
Tudo começou em 2009, durante um intercâmbio em Londres, quando Rafael Leick começou a registrar suas experiências de viagem em um blog criado, a princípio, para manter familiares e amigos atualizados. O blog passou a atrair leitores desconhecidos e cresceu junto com o mercado de conteúdo de viagens, que ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Cinco anos depois, o influenciador daria mais um passo importante: fundaria o Viaja Bi!, considerado o primeiro blog de viagens assumidamente voltado ao público LGBTQ+ do País.
Desde então, viajar passou a significar muito mais do que escolher um destino. Antes de fazer as malas, o influenciador considera fatores como segurança, igualdade de tratamento e a existência de uma cena LGBTQ+ ativa, capaz de proporcionar uma experiência mais autêntica.
“O TURISMO LGBTQ+ NÃO É UM BICHO DE SETE CABEÇAS. É APENAS UM SEGMENTO,
ASSIM COMO O TURISMO RELIGIOSO OU O ECOTURISMO.
O que o Turismo LGBTQ+ precisa é de personalização para atender um público específico. Eu gosto de destinos que combinam natureza, cidade e uma vida LGBTQ+ ativa. Tenho curiosidade de conhecer como é a comunidade local”, afirma.
Para Rafael, o Turismo LGBTQ+ tam -
bém acompanha mudanças no comportamento dos viajantes. Além das tradicionais festas e eventos do Orgulho, cresce o interesse por experiências que reúnem pessoas em torno de interesses comuns.
“Hoje vemos muitos festivais, grandes shows e encontros que movimentam esse público, mas também surgem iniciativas voltadas para natureza e aventura. Um exemplo é o projeto Altitude Queer, do interior de São Paulo, que reúne pessoas LGBTQ+ para acampar e fazer trilhas”, explica.
Na avaliação do influenciador, alguns destinos se destacam justamente por oferecerem um ambiente mais acolhedor à comunidade, o que torna a experiência de viagem mais espontânea.
“A Tailândia me surpreendeu principalmente porque as pessoas trans estão integradas à sociedade o tempo todo. Não existem olhares julgadores e, logo na imigração, já é possível ver a bandeira do arco-íris”, conta
NÃO TER MEDO DE SE POSICIONAR
Apesar dos avanços no setor, Rafael acredita que a representatividade nas campanhas publicitárias ainda está longe de refletir toda a diversidade da comunidade e que a construção de destinos verdadeiramente inclusivos começa muito antes da chegada dos turistas.
“Todos os grupos além dos homens gays brancos continuam pouco representados, mas principalmente as pessoas trans, que quase não aparecem ou ainda são retratadas de forma estereotipada.
Um dos poucos exemplos que me marcaram foi uma campanha de Fort
Lauderdale que colocou pessoas trans como protagonistas. Os governos precisam investir em políticas públicas afirmativas e garantir segurança para os moradores locais. Se um destino é acolhedor para quem vive ali, naturalmente também será para quem o visita”, destaca.
Na visão do influenciador, esse compromisso também deve partir de quem produz conteúdo sobre viagens. Mais do que indicar destinos ou compartilhar roteiros, ele entende que seu trabalho influencia decisões, ajuda viajantes a se sentirem representados e contribui para ampliar o debate sobre diversidade dentro do Turismo.
“Eu sou ativista por existência. Minha existência é política. O criador de conteúdo LGBTQ+ tem muita responsabilidade porque possui visibilidade. Muitas pessoas vêm contar suas histórias para você e isso exige mais responsabilidade na hora de compartilhar conteúdo e também mais letramento sobre diversidade e raça. Ainda acho que há muitos criadores que não têm dimensão da responsabilidade que é ter visibilidade dentro na comunidade”, ressalta.
Em um cenário marcado pelo avanço de governos mais conservadores e pelo questionamento de direitos já conquistados, Rafael acredita que os criadores de conteúdo assumem um papel cada vez mais importante ao informar os viajantes sobre mudanças nas legislações e no contexto de cada destino. Para ele, ocupar esses espaços e continuar produzindo conteúdo também é uma forma de resistência.
“Estamos vivendo um momento em que direitos conquistados voltaram a ser questionados. Cabe aos criadores orientar os viajantes sobre as mudanças nas regras, explicar como está o cenário de cada destino e continuar ocupando esses espaços sem medo de se posicionar. Não se posicionar também é uma escolha e, muitas vezes, vai contra a nossa própria existência”, completa.
Rafael na Tailândia
Rafael e sua mãe em Copenhague
EVENTOS
CONEXÃO PARA EDUCAR, GESTÃO PARA CRESCER COM VIAJAFLUX
LAURA ENCHIOGLO
O ViajaFlux realizou neste ano a 6ª edição de seu Summit em Olímpia (SP), conectando agências de viagens aos fornecedores e principalmente ao seu sistema de gestão, dedicado exclusivamente a esses empreendedores. Unindo agências que utilizam o sistema e possíveis clientes, o evento foi uma forma de destacar a importância da gestão e novidades do portal, que segue ampliando suas funcionalidades. Networking, palestras, contato com parceiros, capacitação e educação. Tudo isso em um só lugar, foi a proposta do ViajaFlux Summit.
O CEO do ViajaFlux, Luiz Gregatti, explica que a inspiração para fazer o evento veio de fora, com uma empresa que realizava uma convenção anual para conectar as pessoas que utilizavam a plataforma. Para ele, o encontro como esta sexta edição em Olímpia serve para colocar "um rosto" na plataforma tecnológica.
Luiz Gregatti, João Zanini, Viviane Gregatti e Pablo Alexandrino, os sócios do ViajaFlux
"NO FIM DO DIA, O USUÁRIO DE UM
QUEREMOS CRIAR
CONEXÃO COM QUEM USA O SISTEMA, OUVIR ESSAS PESSOAS, ENTENDER SUAS DORES E FAZER COM QUE ELAS SE SINTAM PARTE DA COMUNIDADE"
Além disso, ele acredita que o evento ajuda os agentes de viagens a fazerem mais negócios, ganharem mais dinheiro, enxergarem novas oportunidades usando a plataforma, e educarem os clientes.
"Eu acredito que toda empresa deveria ser uma braço de educação. No ViajaFlux, tudo é pensado com esse olhar: como podemos educar melhor os nossos clientes? Nós temos um braço de contabilidade focado nos nossos clientes, mas não basta apenas prestar o serviço, também ensinamos o agente a entender o básico sobre tributação, gestão e reforma tributária. A mesma coisa com inteligência artificial: não é só entregar a ferramenta, mas ensinar o cliente a operar melhor", explicou Gregatti.
Não à toa os temas abordados no ViajaFlux Summit passaram justamente por esses assuntos, capacitando os agentes de viagens e expandindo conhecimento.
"O ponto principal é que o agente de viagens precisa se enxergar também como empresário. Quanto mais educado ele estiver, mais ele vende, melhor ele performa e mais dinheiro ele ganha", destacou Gregatti.
SISTEMA DE GESTÃO PARA AGÊNCIAS CRESCEREM
O objetivo do ViajaFlux é ser um sistema "all in one", concentrando diversas soluções dentro de um único portal. O ViajaFlux já está integrado ao Open Finance, trazendo informações financeiras das contas PJ. Também tem integração com consolidadoras e operadoras, permitindo que toda a gestão financeira aconteça dentro da plataforma.
"Se a agência vende um pacote de R$ 10 mil, por exemplo, o sistema já separa automaticamente comissão, receita, contas a pagar e contas a receber. Toda a estrutura financeira fica organizada", aponta Gregatti.
O portal também conta com emissão de nota fiscal, estrutura tributária simplificada e até site próprio das agências para que o cliente final possa fazer cotações.
"O PRINCIPAL OBJETIVO
Parte do Grupo Fly, que conta inclusive com uma agência de viagens (a VoeFly), o ViajaFlux possui quatro sócios: Luiz Gregatti, CEO, João Zanini, diretor de Operações, Viviane Gregatti, diretora administrativa, e Pablo Alexandrino, CTO.
PARA QUEM É O VIAJAFLUX
O ViajaFlux, segundo Gregatti, é trabalhado para atender todos os tipos de agências de viagens. Hoje, conta com empresas que estão começando no mercado e outras já mais robustas. "Cerca de 90% das agências que utilizam o sistema são focadas em lazer. Ainda assim, já temos funcionalidades voltadas ao corporativo e faturamento, até porque nossa própria agência, a VoeFly, atua bastante nesse segmento", explicou Luiz.
Portanto, o principal perfil do ViajaFlux são pequenas e médias agências de lazer, mas com estrutura preparada para crescer.
Luiz Gregatti, CEO do ViajaFlux
DESTAQUES DO SUMMIT
COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
POTENCIALIZA
AS VENDAS DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS
Alexandre Cordeiro, CEO do Travel Tech Hub, destacou como a IA é uma aliada para os agentes de viagens potencializarem o profissional e suas vendas. "Os clientes mudaram. Eles usam IA para criar roteiros, comparar preços, confrontar informações. E está tudo certo, não adianta tentar remar contra isso. A pergunta agora é: qual é o novo papel do agente de viagens potencializado por IA? A tecnologia precisa assumir as tarefas repetitivas para liberar vocês para o que realmente importa", apontou. A IA potencializa a agência onde mais importa: Conversão de vendas; Novas reservas; Entendimento de quem é seu público; Análise de orçamentos; Padrões de não conversão.
DE QUE FORMA A DISNEY PODE INSPIRAR AGÊNCIAS DE VIAGENS A AUMENTAR VENDAS
A Disney pode ser um case inspiracional para as agências de viagens, auxiliando a fidelizar clientes e aumentar as vendas. Joice Ferreira, fundadora da Magic Blue Turismo, apresentou como a Disney se utiliza de um valor contínuo para seguir atraindo visitantes que já conhecem os parques. Ao contrário do que muitos pensam sobre o conceito de clientes infinitos, em que seria bom uma "enxurrada de passageiros", a ideia é na verdade que o lifetime value sustente a carteira de uma agência a partir do relacionamento contínuo.
A estratégia de trabalhar os clientes já existentes é também uma maneira inteligente de gestão financeira, isso porque, segundo Joice, conquistar um novo cliente pode custar até 25 vezes mais do que trabalhar bem quem já tem na carteira.
MODELO DE CONCIERGE PARA AGÊNCIAS
FIDELIZAREM O CLIENTE
O ViajaFlux destaca que a fidelização de clientes é um passo importante para o crescimento das agências, e para isso apresentou o modelo de "concierge de viagens": com uma mensalidade, o cliente recebe o acompanhamento contínuo da agência, que auxilia na emissão de passagens, na gestão de milhas e pontos, com curadoria, planejamento e suporte personalizado. Neste sentido, o sistema ViajaFlux funciona como um facilitador dessa gestão, com um sistema em que a agência pode utilizar para gerir as milhas, buscar passagens e por aí vai, além de receber os treinamentos necessários.
Alexandre Cordeiro, CEO do Travel Tech Hub Joice Ferreira, fundadora da Magic Blue Turismo
Luiz Gregatti, CEO do ViajaFlux
FLASHES DO VIAJAFLUX SUMMIT 2026
Heidy Manchin, da Bora Lá Viajar, com William Viani e Maria Silva, da HotelDO
Alexandre Oliveira, da O Mundo Viagens, Pedro Paulo, da RB Turismo, Fernando Fatias, da Kindo Viagens, e Daniel Toledo, da Pátria
Rodrigo Vaz, do Hot Beach, e Cassio Oliveira, da Sakura
Edimilson e Rodrigo, da Barolo Viagens, agência vendedora de R$ 45 milhões
Marcos Fornazari, da Happier Viagens, Renan Moreira, da Connect Travel Tour, e Giovanna Fornazari, da Happier Viagens
Alysson Silva, da Numatrip, entre André Soares e Eduardo Freneda, da BRT
Marcia Lima, da Rafaela Trips, Hélio Filho, da CVC Agentes, Ary Xavier, da Visual Turismo, e Rafaela Lima, da Rafaela Trips
Márcio Nogueira, da HotelDO
Alexandre Zubaran, do Enjoy Hotéis
Katiucia Rodrigues, da Patria, e Cintia Gregatti, da Sonhos Bagagem
Daniel Turbox entre Ian Coutinho, Guilherme Wroclawski e Jacqueline Ledo, da Hero Seguros
Allan Barreto, da Barreto Tour, e Isabella Barbieri, da Air Flying Viagens
Com Luiz Gregatti, do ViajaFlux, Eliane Vieira, da EVS Turismo, venceu o prêmio como agência que mais engajou no evento
Cida Carvalho, da Pátria, com Silvio Thessing e Wiliana Thessing, da Fifo Viagens
Gabriela Gaspar e Felipe Gomes, da Skyprime Viagens
Marcelo Adams, da Cativa Operadora
Italo Monteiro e Itala Lima, da Monteiro Viagens
ViajaFlux celebra R$ 412 milhões em vendas nas agências parceiras
VIAJAFLUX APRESENTA NOVIDADES DO SISTEMA PARA GESTÃO DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS
Realizado em Olímpia (SP), o ViajaFlux Summit reuniu agentes de viagens para o lançamento das principais novidades do sistema BackOffice da plataforma, voltado à gestão completa de agências. As atualizações têm como fio condutor a centralização: a proposta é que toda a operação da agência — de CRM a faturamento, de e-mail a buscas de produtos — aconteça em um único ambiente.
"O objetivo é trazer mais praticidade e leveza para o dia a dia da agência. A ideia é que vocês não precisem mais acessar vários sistemas, abas de e-mail ou contas diferentes para resolver tarefas simples", afirma Luiz Gregatti, CEO do ViajaFlux.
OPEN FINANCE, INTEGRAÇÕES E IA
Entre os destaques está a integração com contas bancárias PJ via Open Finance. As agências poderão conectar diferentes bancos — como Bradesco, Santander e Itaú — e acompanhar tudo dentro do sistema. O ViajaFlux também ampliou a integração com operadoras e consolidadoras, sincronizando automaticamente as vendas realizadas em portais externos.
"Antes, a venda era feita em um lugar e precisava ser cadastrada novamente, gerando retrabalho. Agora, a sincronização é automática", explica Pablo Alexandrino, CTO da plataforma. O sistema ganhou ainda uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar na criação de postagens para redes sociais.
WEBSITE
O processo de personalização do site da agência ficou muito mais simples. Agora, grande parte das informações já está pré-configurada, e o agente só precisa editar os conteúdos diretamente pelo painel. Além disso, o ViajaFlux também conta com novo ambiente de integração dos buscadores. O processo funciona a partir de um cadastro e então o sistema passa a funcionar de forma praticamente automática. O buscador fica ativo dentro do site da agência, permitindo que o cliente pesquise produtos e serviços diretamente na plataforma, sem necessidade de processos manuais.
MOTOR DE BUSCAS COM ONER TRAVEL
Em parceria com a Oner Travel — plataforma de vendas de viagens da BeFly —, os agentes passam a contar com um motor de buscas que dá acesso a aéreo da Flytour, hotéis da Reservia, seguros com a Melhor Seguro e pacotes da Qby, integrável diretamente ao site da agência. "É um motor de busca sem custos, com preços competitivos e possibilidade de integrar o site da agência para vendas online", destaca Ricardo Lindau, gerente comercial e de Operações da Oner Travel.
Conheça o ViajaFlux e acompanhe as novidades em viajaflux.com.br
Pablo Alexandrino, CTO do ViajaFlux
João Zanini, diretor de Operação do ViajaFlux
Luiz Gregatti, CEO do ViajaFlux
Ricardo Lindau, gerente comercial e de Operações da Oner Travel
ECONOMIA E POLÍTICA
GUIA DA BRAZTOA PARA A REFORMA TRIBUTÁRIA
RODRIGO VIEIRA
Fabiano Camargo, presidente do Conselho da Braztoa, e Marina Figueiredo, diretora executiva da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo
A Reforma Tributária do Consumo entrou em uma fase decisiva para o mercado de viagens, e a Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) decidiu transformar o acúmulo de dúvidas do setor em um documento prático. A entidade acaba de lançar o Guia de Esclarecimentos sobre a Reforma Tributária e seu Novo Modelo Fiscal para Agências de Viagens, um material construído sob medida para as agências de viagens, com atenção especial às que operam no regime do Simples Nacional, realidade que se distingue daquela vivida pelas operadoras de Turismo. Mais do que um informativo, o guia representa um capítulo à parte dentro de uma frente de trabalho que a associação vem conduzindo há meses. A Braztoa tem atuado para pautar a inclusão das agências e operadoras de Turismo entre os setores contemplados por um regime específico de tributação e, mais recentemente, para levar proposições que viabilizem a regulamentação da CBS
(Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) no mercado de viagens. Trata-se, segundo a entidade, de um esforço de longo prazo: muitos pontos ainda dependem de ajustes para serem operacionalizados de forma integral no dia a dia das empresas.
UM SETOR DIANTE DA MUDANÇA DE REGIME
Para o profissional de viagens, a Reforma Tributária não é apenas uma alteração de alíquotas: ela reorganiza a lógica de como o imposto é calculado, cobrado e declarado ao longo de toda a cadeia. É justamente nesse ponto que reside a maior preocupação das agências, especialmente as menores, acostumadas à simplicidade do recolhimento unificado do Simples Nacional. A transição exige que cada empresa avalie, com critério, qual o regime mais vantajoso à sua realidade, considerando margens, volume de comissionamento e perfil de operação. O guia da Braztoa parte exatamente dessa inquietação. O
primeiro bloco do material trata do cenário tributário e da escolha do regime, detalhando o que está sendo modificado pela Reforma e quais os reflexos diretos para quem hoje está no Simples Nacional. A proposta é oferecer um ponto de partida para que o empresário compreenda o terreno antes de tomar decisões.
COMISSIONAMENTO, NOTAS FISCAIS E A RELAÇÃO COM O FISCO
Um dos temas que mais gera dúvidas no balcão das agências é o da emissão de notas fiscais de comissionamento. O guia esclarece quando e para quem a nota fiscal deve ser emitida, abordando a necessidade de formalizar as NFs das comissões, um ponto sensível em um mercado historicamente marcado por relações de repasse entre operadoras, agências e fornecedores. Outro capítulo de peso é o do compartilhamento de dados. Com o novo modelo, cresce a obrigatoriedade de fornecer informações dos passageiros, que precisam chegar ao Fisco. O material orienta como explicar essa nova regra aos clientes e, sobretudo, quais os cuidados necessários para conciliar essa exigência com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), equilíbrio que se tornou indispensável para qualquer empresa que lida com dados pessoais.
A CHEGADA DO BP-E
E O CHECKLIST PARA
SE ESTRUTURAR
A modernização documental também é abordada pelo material da Braztoa. O guia dedica espaço à chegada do BP-e (Bilhete de Passagem eletrônico), explicando o que muda com a nova nota fiscal da passagem aérea e como esse documento se encaixa no novo arranjo fiscal do setor. Para fechar, o material traz um checklist para a agência de viagens, indicando por onde a empresa deve começar a se estruturar diante das mudanças. É um roteiro inicial, pensado para transformar a complexidade do tema em passos concretos.
A associação reconhece que se trata de um conteúdo denso, mas afirma ter buscado responder ao maior número possível de perguntas que chegaram à entidade por meio das operadoras associadas e das próprias agências — sempre dentro do que é possível esclarecer neste momento, enquanto regras seguem sendo ajustadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor.
DISTRIBUIÇÃO EXCLUSIVA COMO
DIFERENCIAL
COMPETITIVO
A estratégia de distribuição reforça o papel das operadoras associadas como elo de apoio aos agentes de viagens. O guia está sendo enviado em primeira mão à rede de associados, que poderá encaminhá-lo aos seus agentes parceiros como um diferencial na prestação de serviços.
ALERTA SOBRE ASSESSORIA
PROFISSIONAL
A entidade é enfática ao delimitar o alcance da iniciativa. Nem a Braztoa nem as operadoras são organizações reguladoras ou com força de lei, e o guia tem caráter exclusivamente informativo. Por isso, a associação considera imprescindível que cada agência conduza seus ajustes em torno da Reforma Tributária com o acompanhamento de uma assessoria contábil, fiscal e/ou jurídica, o único caminho seguro para adequar as orientações gerais à realidade específica de cada negócio.
A Braztoa também esclarece que seus canais de atendimento são exclusivos para associados e que, portanto, não prestará atendimento ou esclarecimento de dúvidas aos agentes de viagens sobre o tema, recomendando que as operadoras tenham o mesmo cuidado em sua comunicação. Como as regras ainda estão em construção, a entidade alerta que o documento poderá ser atualizado sem aviso prévio sempre que houver mudanças determinadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor, com a nova versão devidamente identificada e disponibilizada no mesmo link de acesso.