Skip to main content

Jornal PANROTAS 1238

Page 1

R$ 11,00 - Ano 24 - nº 1.238

www.panrotas.com.br

5 a 11 de outubro de 2016

www.pancorp.com.br

E AGORA? Diploma na mão, o que fazer? Será que os cursos de Turismo, Eventos e Gastronomia estão formando profissionais prontos para trabalhar ou ainda há muita ênfase na teoria? Colocamos essa (velha) discussão novamente em pauta > Páginas 04 a 09

JP 001 - Capa.indd 1

29/09/2016 12:19:46


02

LEIA NESTA EDIÇÃO

Check-IN RAIO-X DO VIAJANTE DE LUXO DOS EUA

Páginas 10 e 11 Argo Solutions tem nova interface do Nextgen

Página 14 Em Washington D.C, IPW quer 60 buyers brasileiros

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

A EXPERIÊNCIA É O QUE MOTIVA A VIAGEM DOS NORTE-AMERICANOS MAIS RICOS, ATRÁS APENAS DE JANTARES E PASSEIOS

O mercado de Turismo de luxo nos Estados Unidos movimenta anualmente

Os mais ricos viajam, em média, 14,3 vezes por ano, com gasto médio de

US$ 390 BILHÕES

US$ 3,1 MIL por pessoa e por viagem No quesito hospedagem, três redes se destacam:

A renda mensal dos entrevistados é entre

HILTON, HYATT E MARRIOTT

US$ 200 MIL E US$ 400 MIL

Preferências: jantares lideram, seguidos por passeios e

Página 16 As novas estratégias do Grupo Arbaitman

“APRENDER ALGO”

Fonte: Resonance

Página 17 Com parcerias, Maksoud quer hóspedes e visitantes

Páginas 18 e 19 O Gestor – Adaptações e novidades nos programas de fidelidade da hotelaria

Editorial

> Artur Luiz Andrade > artur@panrotas.com.br

Teoria e prática O curso de graduação em Turismo existe desde a década de 1970 no Brasil. De lá para cá, já vimos alguns booms e recuos de faculdades nessa área, que engloba ainda Eventos, Gastronomia e também cursos técnicos e especializações. Muitas publicações e gurus já previram o fim do agente de viagens e a tecnologia passa a falsa impressão que viajar é algo que não requer especialidade, portanto, basta ser um bom vendedor para vender uma viagem. Obviamente, nós que estamos mergulhados nesse mundo sabemos que mesmo na venda on-line há o know how de especialistas em Turismo em várias etapas e que as possibilidades de uma carreira bem sucedida na nossa indústria são bastante amplas, indo da gestão pública (e precisamos de

mais concursos e menos cargos de confiança para profissionais de nosso setor) às grandes empresas nacionais e internacionais. Desde os anos 70, porém, o mercado ouve a mesma discussão, que em muitos casos chega a ser constatação: o aluno que sai de uma faculdade de Turismo tem muita teoria e pouca prática, pouca noção do que é a realidade do Turismo. A faculdade prepara não para o mercado, mas sim para a própria sala de aula. Exagero ou ainda verdade? Isso mudou ou não se trata de uma particularidade do Turismo? Fato é que ainda existe uma distância, um muro de preconceitos e ideias erradas da academia em relação ao mercado e vice-versa. Há uma resistência de ambos os lados e um certo desconhecimento do

que um faz e o outro precisa. Um distanciamento nocivo para alunos e para empresários que necessitam de mão de obra cada vez mais antenada com as tendências do futuro e conhecedoras das melhores práticas do presente. O País da Copa do Mundo e da Olimpíada, da maior diversidade natural do planeta, de tantos patrimônios históricos, da nona maior economia turística do mundo, das maiores empresas da América Latina não pode abrir mão de ter uma relação sadia e profícua entre teoria e prática, projeto e realidade, academia e mercado. Nesta edição, trazemos algumas reflexões. Contribua e mande as suas opiniões para a gente. Debata, sugira, dê ideias... participe. E nos ajude a solidificar essa ponte tão importante.

CONECTE-SE COM A PANROTAS portalpanrotas

portalpanrotas

portalpanrotas

Versão responsiva — Acesse o Portal PANROTAS em seu dispositivo móvel

JP 002 e 003 - Check in.indd 2

portalpanrotas

panrotas

PANROTAS — Versão digital das publicações da editora

29/09/2016 12:27:15


03

PRESIDENTE José Guillermo Condomí Alcorta CHIEF EXECUTIVE OFFICER (CEO) José Guilherme Condomí Alcorta (guilherme@panrotas.com.br CHIEF INTERNATIONAL OFFICER (CINO) Marianna C. Alcorta CHIEF EVENTS OFFICER (CEVO) Heloísa Prass CHIEF TECHNOLOGY OFFICER (CTO) Ricardo Jun Iti Tsugawa REDAÇÃO

CHIEF COMMUNICATION OFFICER (CCO) E EDITOR-CHEFE Artur Luiz Andrade (artur@panrotas.com.br) EDITOR: Renê Castro (rcastro@panrotas.com.br) Editor Rio de Janeiro: Diego Verticchio (diego@ panrotas.com.br) Coordenadores: Rafael Faustino e Rodrigo Vieira Reportagens: Brunna Castro, Felippe Constancio,

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

S

E U Q A DEST

DO PORTAL

>

PANROTAS

22 a 28/9

1 Postar foto de passagem aérea é perigoso; saiba por quê – em 26/9

2 Resort constrói pista de pouso do tamanho do SDU (RJ) – em 22/9

3 Dez aeroportos serão privatizados em 2017; veja quais – em 22/9

4 Família Amaro vende parte de ações da Latam; saiba – em 23/9

5 CVC explica decisão de não participar da Abav Expo – em 27/9

6 Homem esmurra porta de cockpit e voo da AA é desviado – em 26/9

7 Conheça os 10 melhores museus da América do Sul – em 23/9

8 Britânica se torna a comandante mais nova da história – em 26/9

9 CVC, Hostway e Latam Travel têm vagas; confira – em 27/9

10 Governo de MG adota compra de passagens sem agências – em 23/9

11 Canadá oferece parte de ilha em vaga de emprego – em 23/9

12 Estrada na França fica submersa 2 vezes ao dia; conheça – em 23/9

13 Brasileiro explora “países que não existem”; conheça – em 23/9

14 Conheça 7 museus do sexo espalhados pelo mundo – em 23/9

15 Primeiro cervejoduto do mundo é inaugurado na Bélgica – em 23/9

Henrique Santiago, Karina Cedeño, Renato Machado e Roberta Queiroz Estagiários: Fernanda Cordeiro, Janize Viana e Vitor Ventura Fotógrafos: Emerson de Souza, Jhonatan Soares e Marluce Balbino (RJ) MARKETING Assistente: Erica Venturim Marketing Digital: Sandra Gonçalves PRODUÇÃO Gerente de Produção: Newton dos Santos (newton@panrotas.com.br) Diagramação e tratamento de imagens: Katia Alessandra, Pedro Moreno e Thalya Brito Projeto Gráfico: Graph-In Comunicações COMERCIAL Executivos: Flávio Sica (sica@panrotas.com.br) Paula Monasque (paula@panrotas.com.br) Priscilla Ponce (priscilla@panrotas.com.br) Rene Amorim (rene@panrotas.com.br) Ricardo Sidaras (rsidaras@panrotas.com.br) Tais Ballestero de Moura (tais@panrotas.com.br) Executivo sênior São Paulo: Antonio Jorge Filho (jorge@panrotas.com.br) FALE CONOSCO Matriz: Avenida Jabaquara, 1.761 – Saúde São Paulo - Cep: 04045-901 Tel.: (11) 2764-4800 Brasilia: Flavio Trombieri (new.cast@panrotas.com.br) Tel : (61) 3224-9565 Rio de Janeiro: Simone Lara (sblara@seasoneventos.tur.br) Tel: (21) 2529-2415/8873-2415 ASSINATURAS Chefe de Assinaturas: Valderez Wallner Para assinar, ligue no (11) 2764-4816 ou acesse o site www.panrotas.com.br Assinatura anual: R$ 468 Impresso na Lis Gráfica e Editora Ltda. (Guarulhos/SP)

PARCERIAS ESTRATÉGICAS

MEDIA PARTNER

LACTE 11 LATIN AMERICAN CORPORATE TRAVEL & Events E XPERIENCE

ASSOCIAÇÕES

JP 002 e 003 - Check in.indd 3

29/09/2016 12:15:48


04 Educação

>

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

Brunna Castro

Formação e realidade

A PROPORÇÃO DOS ESTUDANTES DE 18 A 24 ANOS DE IDADE QUE FREQUENTAVAM O ENSINO superior em 2014 foi de 58,5%. O percentual, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Síntese de Indicadores Sociais 2015 (SIS), apresentou um crescimento representativo em comparação com o registrado dez anos antes — 32,9%. Com a democratização do acesso ao ensino em universidades e faculdades do País, a qualidade do que é ensinado em tais instituições e o futuro desses jovens no mercado de trabalho têm sido foco de debate em diferentes instâncias. Um dos desafios da academia tem sido não apenas a adaptação à chegada de cada vez mais alunos em suas salas de aula, mas também como não se tornar obsoleta em relação às possibilidades que as novas tecnologias e

JP 004 a 009.indd 4

os avanços da vida pós-moderna têm implementado em nosso dia a dia profissional e pessoal. O Turismo, é claro, não escapa dos questionamentos que aparecem durante os momentos de transição. Com tantas inovações que têm surgido e desafiado o mercado — e tirado o sono dos diversos segmentos da indústria —, qual é a situação do mundo acadêmico? O ensino superior tem se adequado também às transições? Como fica a formação em Turismo em meio a tantas mudanças? Inspirados pelos posts de dois dos blogueiros do Portal PANROTAS — Artur Luiz Andrade, editor-chefe da empresa, e titular do Sem Reserva, e Mariana Aldrigui, da USP Leste, e que escreve o Ensinando Turismo — abrimos esse debate para a indústria, envolvendo profissionais e acadêmicos, consultores e ex-alunos.

“Lamentavelmente, o mercado turístico ainda desconhece o quanto a formação acadêmica em Turismo pode formar bons profissionais”, afirma a docente dos cursos técnicos profissionais do Ensino Médio Integrado nos eixos de Turismo, Hospitalidade e Lazer do governo do Estado do Ceará e docente no curso de bacharelado em Turismo na Unice-Iesf, Celia Lopes. A academia, segundo ela, além da função de formar o aluno pela teoria, precisa acompanhar as novas tecnologias. “A nova globalização permite isso. Aproxima os conhecimentos à prática, através de boa bibliografia e, claro, dos sistemas de informação e conhecimento. Mas tem que haver boas parcerias com o mercado turístico, isso não resta dúvida”, avalia a docente. “A academia precisa baixar os muros e deixar o mercado também conhecer a educação para o Turismo”.

Celia Lopes, docente no curso de bacharelado em Turismo na Unice-Iesf

Essa aproximação, para Celia, deve ser feita por meio de “uma infraestrutura adequada ao que o currículo determina”, com, por exemplo, agências-escola, transporte para viagens técnicas, entre outros.

29/09/2016 12:17:37


05 CURRÍCULO “Os cursos de Turismo formam para diversas áreas, como recreação, entretenimento e lazer, gastronomia, eventos, meio ambiente e hospedagem. Talvez por isso há uma presença menor na investigação, na pesquisa científica. É preciso mais planejamento e gestão. Formar o turismólogo exige um profundo conhecimento da geografia, da história, da psicologia, da sociologia e de outros idiomas”, explica a professora do Ceará. Ela destaca também pontos fracos que podem ser analisados, como o número pequeno de turismólogos em salas de aula. “De 2008 para 2012, conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), houve uma queda sensível na procura por cursos de Turismo”, aponta. A professora da Unice-Iesf avalia que “formar o docente para o Turismo é necessário em nosso País e no Ceará, que é um destino turístico bastante procurado”. “Como afirma a professora Keila Mota, turismóloga e pesquisadora: A educação e formação de recursos humanos em Turismo são consideradas um fator chave em um mundo onde a informação, a criatividade e o know-how se configuram como a mais importante fonte de criação de valor. Entretanto, essa qualificação submete-se à elevada competitividade, pois precisa se desenvolver de acordo com as necessidades e expectativas dos usuários, otimizando seus recursos”, explica Celia.

Mas diversas vezes pensei que se tivesse estudado Administração, teria sido mais útil para as minhas atividades profissionais, ainda que trabalhasse com hotelaria”, analisa a sócia-diretora da Mapie. Nesse sentido, o estágio profissional acaba se tornando uma ferramenta importante para o aprendizado prático do Turismo. “Eu defendo o estágio que possa oferecer ao aluno o transitar entre diversos cargos, do operacional ao gerencial. O bom aluno se submete a isso. Ele aprende nos equipamentos turísticos e nas instituições públicas e privadas a desenvolver competências inerentes à sua formação de turismólogo, quer seja formado em graduação tecnológica ou bacharelado. Trabalhar no segmento tu-

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

rístico é um constante aprendizado, pois lida com elementos intangíveis, lida com processos e fluxos, mas, acima de tudo, ele lida com pessoas”, reflete Celia. A professora do Ceará, que traçou sua trajetória profissional do mercado para a academia, transitou por diversos setores da Hospitalidade e do Turismo e teve uma formação prévia em Artes e idiomas. “Vi a necessidade de aprofundar mais ainda minha formação na Turismologia através da academia. Estudar Turismo é bem diferente de fazer Turismo, está na hora de se entender essa diferença. O Turismo tem que ser estudado com um olhar sistêmico”, afirma. Celia ainda critica a existência de poucos cursos de pós-graduação na área. “Os > Continua na pág. 06

Trícia Neves Levy, sócia-diretora da Mapie

OUTRO LADO

No entanto, para a sócia-diretora da Mapie, Trícia Neves Levy, a academia é pouco atualizada. “Apesar de alguns esforços individuais, a maioria dos cursos capacita profissionais no mesmo formato de dez ou 20 anos atrás. Os alunos saem preparados para funções operacionais e com pouca visão de mundo e de gestão”, avalia ela. Trícia, que estudou três anos de Turismo em Porto Alegre, interrompeu o curso por conta de uma transferência de cidade e retomou as aulas depois, em São Paulo, aponta que, em determinado momento, sua experiência profissional se sobrepunha ao conteúdo lecionado. “Eu já aprendia muito mais com meus líderes e pares na empresa do que nas matérias do curso. Sei que se não tivesse optado por Turismo, talvez não estivesse neste caminho pelo qual sou tão apaixonada.

JP 004 a 009.indd 5

29/09/2016 12:17:46


06

< Continuação da pág. 05

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

cursos de mestrados e doutorados em Turismo, em sua maioria, estão concentrados no eixo Sul-Sudeste. Eles precisam ser expandidos. Aqui no Ceará, só temos um mestrado profissional”, diz.

PREPARAÇÃO

Para a coordenadora dos cursos de Turismo, Hotelaria, Tecnologia em Eventos e Tecnologia em Hotelaria da Universidade Anhembi Morumbi, Silvia Barreto Valente, os alunos que saem do curso estão “muito bem preparados para atuarem no nível operacional, certamente, e como gestor de forma mediana”. Isso, segundo ela, se dá às vezes até por causa da falta de maturidade e de experiência, uma vez que “um gestor não é feito só de conhecimento, mas de habilidades e atitudes, um composto que ele precisa ter vivência”. Para Trícia, no entanto, o diploma de Turismo não é visto como um diferencial nos processos seletivos. “São bem absorvidos pelo mercado os profissionais preparados, com atitude adequada”, aponta a sócia-diretora da Mapie. A professora do Eixo Turismo e Hospitalidade do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, Esmeralda Macedo Serpa, enxerga a questão de outra forma. “O que eu penso é que as pessoas às vezes esperam muito de uma faculdade”, afirma. Ela explica que, quando encerrou sua graduação em 1978, acreditou ter saído da faculdade “formada em noções”. “Eu achei que tinha estudado quatro anos e tinha noção de tudo, mas não sabia nada. Eu fui entender que o meu negócio era educação e aí fui fazer duas, três pós-graduações e mestrado”, explica. Na visão da professora do Centro Paula Souza, “nenhuma ‘primeira’ formação te deixa amplamente formado para tudo”. “Isso não é só o Turismo. Não dá para você achar que a faculdade sozinha vai dar conta”, avalia Esmeralda. Ela ainda questiona: “Se a pessoa não tiver noção dessa atividade sistêmica que é o Turismo, como é que ele vai administrar uma agência? Será que só a faculdade de Administração vai dar isso?”. Esmeralda ainda destaca a importância da formação cultural do profissional de Turismo. “Ele precisa saber como começou o Turismo, o que os grandes autores e pesquisadores contam e trazem de pesquisa dessa formação. Ele precisa entender como as políticas públicas acontecem, que tipo de políticas públicas existem, quais são os órgãos reguladores do mundo. Isso me parece óbvio. Até mesmo o PANROTAS, veja... O PANROTAS é tema de sala de aula porque exerce uma influência muito grande. Se o aluno sai de uma faculdade, você pergunta para ele 'você já ouviu falar do PANROTAS?' e ele te responder com cara de interrogação, algu-

JP 004 a 009.indd 6

Silvia Barreto Valente, coordenadora dos cursos de Turismo, Hotelaria, Tecnologia em Eventos e Tecnologia em Hotelaria da Universidade Anhembi Morumbi

Esmeralda Macedo Serpa, professora do Eixo Turismo e Hospitalidade do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza

PROCURA E ESTRUTURA DO CURSO Em 2016, foram quatro turmas abertas para o curso de Turismo na Anhembi Morumbi no primeiro semestre e uma turma no meio do ano. “Em um ano muito difícil economicamente, que impactou o nosso negócio, com as vagas sendo afetadas de forma muito negativa, mesmo assim a procura pelo Turismo cresceu 30% pelo menos”, afirma Silvia. A coordenadora da Anhembi aponta que a universidade conta com docentes tanto de formação generalista e como também profissionais com experiência em atuação no mercado. "Nós temos a visita de reconhecimento do MEC e um dos itens avaliados é a experiência profissional do docente, tanto acadêmica como fora da academia. Se os professores tiverem poucos anos de experiência, a nossa nota cai. Esse equilíbrio é extremamente difícil de conseguir, mas ele é almejado”, explica.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Em relação às esferas onde os profissionais trabalham depois de formados, Silvia avalia que existe uma lacuna no setor público. “Eu ainda acho que profissionais para trabalharem na iniciativa pública representam uma carência muito grande porque infelizmente muitos dos cargos são de confiança, são profissionais que não têm a mínima formação e vivência nessa área. Eu diria que a área privada está muito bem coberta; a pública não, infelizmente”, avalia a coordenadora. “Eu penso que nós, professores e aca-

dêmicos, temos uma grande angústia de que o aluno formado em Turismo deveria atuar mais na gestão pública. Eu acho que isso é uma grande cobrança, uma cobrança que recebemos de todas as formas”, analisa Esmeralda. Para ela, “isso tem que ser uma batalha. Tem que ser uma conquista junto aos setores públicos, porque você vê que os concursos são poucos, específicos para a nossa área”. “Eu te diria que falta uma leitura tanto do setor público como do privado sobre a importância desse profissional, formado para isso”, explica a docente do Centro Paula Souza.

ESTUDANTES DE TURISMO

Um ponto positivo na passagem pela faculdade de Turismo, segundo o coordenador de Tours da Tumlare, Danillo Rodrigues Siqueira, foi o foco na administração de empresas do setor. “Isso nos permitia ter uma visão como administradores, mas não como operacional. E essa é uma das razões de ter sido uma experiência positiva, pois ao ingressar no mercado a visão de administrador que se tem, mesmo exercendo uma função operacional, me fez ter um diferencial entre os demais”, avalia ele. A faculdade, no entanto, não ofereceu auxílio para Siqueira no ingresso ao mercado de trabalho, uma vez que “não existia um centro de recrutamento para estágios ou convênios com empresas do setor”. De acordo com sua experiência, o coordenador da Tumlare avalia que o mercado se comporta de forma muito

diferente de um centro acadêmico. “Há muito mais exigências e pressão no dia a dia do profissional de Turismo. Tudo é muito dinâmico, onde a agilidade e tempo de resposta são cruciais para que se possa concluir uma venda. Esse preparo não se obtém na faculdade. Acredito que seja adquirido com o tempo e através de bons gestores”. Para ele, a formação em Turismo deveria incluir mais cursos de sistemas operacionais que são usados no mercado. “O estágio é essencial para a escolha da direção que a sua carreira deve tomar, pois é onde o aluno tem seu primeiro contato com o mercado de trabalho da área. No Turismo, existem diversos segmentos de atuação, como o aéreo, hotelaria, eventos, e o aluno precisa experimentar um pouco de cada um deles para poder fazer a sua escolha com maior clareza”, avalia Siqueira. O consultor corporativo da Lampatur, Renan de Oliveira Silva, compartilha a mesma impressão de que o curso de Turismo não reflete a realidade do mercado. “O curso serve apenas para você ter uma formação superior, pois se você tiver apenas o diploma e não tiver nenhuma experiência na área, dificilmente irá conseguir um emprego. Acredito que, para que o curso dê certo, a área teria que ser regulamentada, sendo assim só pessoas formadas poderiam trabalhar no segmento”, afirma. Para ele, o corpo docente dos cursos de Turismo deveria fazer uma pesquisa a respeito das “últimas ferramentas que estão sendo lançadas no mercado e tentar parcerias com elas para que possam ser usadas nas aulas”.p > Continua na pág. 08

29/09/2016 12:17:56


JP 007 - A.indd 7

29/09/2016 12:18:21


< Continuação da pág. 06

08

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

MERCADO INTERNACIONAL

Universidade de Brighton

NO REINO UNIDO, POR EXEMPLO, HÁ UMA PRESSÃO CADA VEZ MAIOR PARA QUE OS PROfessores publiquem em jornais científicos. Existe, portanto, um foco generalizado em pesquisa. “Paralelo a isso, há também uma expectativa para que as universidades gerem uma contrapartida para a sociedade. Espera-se que a pesquisa produzida seja engajada com a comunidade local ou alinhada a temas ‘maiores’, como responsabilidade corporativa e inclusão social. Isso tudo é positivo e condizente com a minha ideia do que seja o propósito da academia, pois enriquece a formação e experiência dos alunos”, avalia o professor de Marketing e Hotelaria da Universidade de Brighton, Rodrigo Lucena. Falta, no entanto, maior integração entre a faculdade e a indústria, segundo ele. “A universidade poderia,

JP 004 a 009.indd 8

por exemplo, realizar pesquisas mais focadas em projetos de consultoria. Na maioria das faculdades que conheço, esses projetos existem, mas ainda são tímidos, especialmente se comparados com os de outros países, como Estados Unidos e Austrália, onde boa parte da pesquisa é motivada pela colaboração entre a academia e o trade”, aponta. A empregabilidade dos graduados é um dos critérios mais importantes para avaliação das faculdades no Reino Unido, de acordo com Lucena. Grande parte dos rankings de classificação das universidades leva em consideração quanto tempo o aluno leva para conseguir um emprego ao sair da graduação. “O currículo acadêmico normalmente inclui noções de desenvolvimento profissional e os alunos são encorajados, desde o primeiro

ano, a pensarem como profissionais do Turismo — aprimorando seus currículos e se preparando para entrevistas, por exemplo”, explica o professor. Os desafios encontrados no Brasil, porém, se repetem no cenário britânico. “Muitos alunos de Turismo aqui saem da faculdade e, por inúmeros motivos, nunca chegam a trabalhar na área. Além disso, o mercado de Turismo tem passado por uma evolução radical, principalmente por causa da crescente mudança em canais de distribuição e comunicação”, explica Lucena. Além disso, riscos econômicos também influenciam o cenário — e, particularmente no Reino Unido, as incertezas oriundas do Brexit são um fator adicional. “A perspectiva do Brexit tem deixado o mercado inseguro e, embora o Turismo ainda seja uma indústria importante no país, não se sabe ao certo

como será afetado pelas renegociações de contratos e tratados que deverão acontecer após a saída do Reino Unido da União Europeia. Por isso, apesar de todos os esforços que as universidades aqui têm feito, a absorção dos graduados no mercado de trabalho parece incerta”, diz o professor. Nesse sentido, Lucena avalia que o desafio das faculdades de Turismo é garantir a constante atualização do currículo acadêmico, “para que seja mais integrado ao trade e reflita mais a evolução e as necessidades do mercado”. “Isso é algo que, ao meu ver, a academia ainda deixa a desejar. Muitas vezes, as disciplinas enfatizam demais a teoria do Turismo, sem uma aplicação concreta, e os alunos acabam tendo dificuldade para entender a relevância dos modelos e conceitos estudados”, reflete. A perspectiva de que a academia ainda peca em alguns pontos, com um descompasso entre o que se estuda na universidade e o que acontece no “mundo real”, também aparece no Reino Unido, na opinião do professor. “Como se costuma dizer, o risco que ocorre é que os acadêmicos fiquem enclausurados nas suas ‘torres de marfim’”, afirma. A interação entre universidade e a indústria poderia ser acentuada através de “constantes projetos de parceria com o trade e demais organizações, governamentais ou não”. Na Universidade de Brighton, na qual Lucena leciona, os alunos de Turismo — e de outras áreas de Gestão de Serviços — que optam pela matéria de Relações Públicas devem desenvolver um projeto em parceria com instituições locais para ajudar na sua promoção. Como ele explica, “muitos desses alunos acabam sendo, mais tarde, empregados pelas empresas com quem trabalharam — mas essa interação, de maneira geral, não é a regra”. Trícia, por sua vez, avalia que diversas universidades suíças ou americanas são internacionalmente reconhecidas por suas formações, “principalmente por um olhar mais amplo para a atividade, uma formação de líderes, de profissionais que pensam estrategicamente neste negócio e provocam oportunidades de inovação e transformação”. “As nossas faculdades de Turismo formam operadores e precisamos também de pensadores”, afirma.

29/09/2016 12:18:53


09

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

NOVAS RELAÇÕES DE AS NOVAS GERAÇÕES DE PROFISSIONAIS CHEGAM COM A NECESSIDADE DE RELAÇÕES DE TRABALHO

Rodrigo Lucena, professor de Marketing e Hotelaria da Universidade de Brighton

INTERDISCIPLINAR Na avaliação do professor da Universidade de Brighton, o Turismo é uma área de conhecimento que tem a vantagem e a desvantagem de ser inter e multidisciplinar, uma vez que “muito do que se estuda em Turismo, na verdade, provém de outras disciplinas, como Sociologia, Antropologia, Psicologia, Economia etc”. “Por causa disso, nem sempre quem dá aulas em Turismo tem formação na área e, quando tem, nem sempre tem contato com a indústria. Essa ‘interdisciplinaridade’ dá ao aluno de Turismo uma visão holística e talentos transferíveis, o que pode colocá-lo em uma posição de vantagem em relação a quem não tem formação acadêmica”, afirma. Por outro lado, ele acredita que isso faz com que o foco em Turismo muitas vezes

mais flexíveis, oportunidades de criar e fazer parte da transformação do negócio, além de valorizarem a autonomia, de acordo com a sócia-diretora da Mapie, Trícia Levy. “Eles também consideram mudar de carreira ao longo da vida e ter mais de um trabalho simultaneamente. Isso faz com que precisemos repensar os nossos times, os ambientes e regras das nossas empresas e as oportunidades de trabalho que estamos oferecendo ao mercado”, afirma. Trícia aponta que, segundo pesquisas, a geração Y já representa mais

se perca. “Com isso, é comum que os alunos saiam da faculdade com a percepção de que nem tudo o que aprenderam terá realmente utilidade na vida profissional. Por exemplo, alguns dos meus alunos dos cursos de Turismo e Hotelaria já se queixaram de que eles se formam sem ter conhecimento profundo de sistemas operacionais ‘essenciais’ ao trade, como Amadeus

TR A B A LHO

da metade da força de trabalho global e as novas necessidades já ocupam as empresas. “O Turismo, bem como as outras indústrias, precisará repensar os horários de trabalho, os ambientes, as formas de avaliação e recompensas, as hierarquias. Vivemos uma revolução humana e, assim como o consumidor mudou, os funcionários mudaram — e as empresas precisarão mudar”, diz a sócia-diretora. Nesse sentido, a percepção é de que a formação tem sido cada vez menos importante. “As empresas precisam de pessoas com atitude, engajadas, que tenham propósito de vida alinhado ao da empresa e possam ajudar a entregar esta filo-

ou Opera”, exemplifica. Em contraponto a essas críticas, Lucena conta que, numa conferência da qual participou recentemente, havia um consenso entre os profissionais da indústria de que os alunos de Turismo devem sair da faculdade com um conhecimento sólido sobre os princípios da indústria. “Segundo os profissionais da área, é mais fácil treinar

sofia aos clientes. E isto não se ensina na universidade”, reitera. Em meio a tantas mudanças, transições, inovações e quebras de paradigmas, é fato que tanto a academia quanto o mercado do Turismo deverão se adequar aos novos cenários da indústria, particularmente, e também ao contexto global que surge com as novas relações de trabalho exigidas nessa nova conjuntura. Prever como o Turismo ou qualquer outro setor irá se adaptar a tudo isso é impossível em um mundo que se renova a cada dia. Porém, uma coisa é certa: o que não se deve fazer durante a transição é permanecer estagnado.p

o aluno recém-saído da faculdade a lidar com o Amadeus do que ensinar princípios básicos de gestão e desenvolvimento”, aponta o professor. Isso não quer dizer, de acordo com ele, que a academia pode estar alheia ao trade. “Pelo contrário, acredito que a tendência hoje em dia seja de uma colaboração cada vez maior entre as faculdades e a indústria do Turismo”.p

MAIS PROJETOS EM

D E S E N V O LV I M E N T O

JP 004 a 009.indd 9

29/09/2016 12:19:08


10

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

corporativo

www.pancorp.com.br

Te c n o l o g i a

>> Felippe Constancio

Argo mostra o

Divulgação Argo

Divulgação Argo

futuro

Luigi Botto, diretor geral da Argo Divulgação Argo

Danilo Gonçalves, gerente de Relacionamento da Argo

A PROVEDORA DE SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA PARA GESTÃO DE VIAGENS, EVENTOS E CONTROLE de despesas corporativas Argo Solutions está comemorando dez anos. Coincidentemente (ou não), ela acaba de lançar sua nova interface neste seu ano marcante, coroando um trabalho de três anos com uma nova forma de navegação. A nova proposta de navegação da ferramenta é totalmente centrada na experiência do viajante. "O que TMCs e gestores sempre ouvem do viajante é que ele viu um preço melhor em uma OTA", explica o diretor geral da empresa, Luigi Botto. "Estamos colocando a facilidade das agências de viagens on-line para quem faz as reservas, ao mesmo tempo em que conseguimos integrar todo o processo de planejamento da viagem. Afinal, cerca de 40% das viagens feitas em nosso sistema são reservadas pelo próprio viajante." Com mais de 3,5 mil empresas usuárias de seu sistema, a Argo disponibilizou a nova interface a todos os clientes em 1o de outubro. Até novembro, a nova interface do Nextgen é opcional ao usuário.

COMOFUNCIONA?

No novo conceito de usabilidade, a ges-

JP 010 e 011.indd 10

Alexandre Arruda, diretor de Operações da Argo

tão tem um claro alívio na burocracia do processo de agendamento. "Mais amigável, a ferramenta 'desonera' a complicação do treinamento daqueles que devem usá-la", explica Botto. O usuário podem acessar o dispositivo também em tablets e celulares, podendo pedir aprovação, adiantamento e fazer a reserva. "A ferramenta mostra a melhor forma de se fazer aquela viagem desde a saída de casa até a chegada ao hotel, considerando o trajeto até o aeroporto, a melhor tarifa aérea e o hotel mais próximo ao local da reunião ou evento." Na prática, o usuário informa o local de saída e destino e a ferramenta aponta as melhores alternativas, prestação de serviço conceituada como door to door. Compartido em telas, o processo distingue o tipo de tarifa aérea, bilhetes não voados, opções favoritas, tarifa acordo, serviços auxiliares e outros. Além disso, a nova interface traz um calendário de melhores tarifas, no qual os resultados da busca fazem simulações em datas próximas à descrita, possibilitando corte de custos no caso de eventos de data flexível, em uma disposição que lembra o sistema de busca das agências de viagens on-line.

No caso das reservas de hotéis, o sistema mostra um mapa com a localização de acomodações cujas tarifas estão na política da empresa solicitante, ao mesmo tempo que evidencia o destino da finalidade da viagem. "Agora o Nextgen passa a ter uma lista menor de hotéis, já que oferece uma nova busca com geolocalização, como qualquer (site) B2C de hotéis. Nele também passam a aparecer os preços de acordo com os canais de venda (GDS, OTA ou canal direto)", comenta o diretor de Operações da Argo, Alexandre Arruda. Ao mesmo tempo que espera empoderar o agente de viagens e o gestor com conteúdo e serviço de consultoria, a Argo pretende oferecer aos usuários de seu sistema um recurso unificado por meio do qual não é necessário buscar informação fora da ferramenta. "Ele pode solicitar o Uber ou táxi diretamente na ferramenta e ter a fatura no aplicativo assim que o trajeto acabar", explica Arruda. Serviço disponível em aplicativo, criado especialmente a heavy users, equipes comerciais e operacionais, a nova interface da Argo permite que as empresas contratantes do sistema deixem o layout do app com cores próprias, uma vez que aplicativo é white label.p

29/09/2016 12:19:50


11

CRESCIMENTO ENQUANTO SE PREPARA PARA O FUTURO, A ARGO MANTÉM OLHAR ATENTO ao presente. Mesmo diante de um mercado em níveis que já foram melhores, a empresa espera expandir seu faturamento em aproximadamente 15% em 2016, ao mesmo tempo em que mantém sua expansão entre empresas internacionais. "O principal mercado da Argo é o Brasil e é óbvio a gente sofrer um pouco nesse momento difícil. Ao fazer o planejamento deste ano, fomos um pouco mais modestos do que em outros anos. Por isso, para o Brasil em 2016, temos expectativa de um crescimento em travel de aproximadamente 15%. Com expense, um produto ainda novo e em teste, esperamos um crescimento de 25%", revela o diretor geral, Luigi Botto. A Argo também garante que as principais associadas Abracorp usam suas soluções e que os últimos dados semestrais da associação mostraram baixa no movimento geral entre os players de viagens corporativas, com uma retração nas vendas de 11,5% e uma previsão anual de queda na casa dos 5%. "Mesmo em um mercado em que estamos totalmente comprometidos e retraindo 11%, nos propusemos a crescer 15%. Vínhamos crescendo lá atrás cerca de 40%, enquanto o mercado chegava a 25%. Creio que vamos conseguir. Aliás, estamos conseguindo", pontuou Alexandre Arruda. No mercado internacional, a perspectiva também é de dois dígitos de avanço, crescendo 10% em receita. "Temos conseguido alcançar o internacional não só com as empresas brasileiras que operam fora, mas com empresas que contrataram nossos serviços no Brasil e passaram a adotar em outros lugares, como a Schlumberger, por exemplo." Por meio de TMCs, a Argo presta serviços em soluções a empresas como Embraer, Honda, Bradesco, Globo, Alstom, Aché, Pwc, LG, Walmart, Tim, Gerdau, Microsoft, entre outras. Nos escritórios no

JP 010 e 011.indd 11

México e na Argentina, a Argo tem aumentado os contratos com TMCs internacionais com a ajuda de representações em outros países, como Colômbia, de onde atua em mais de dez mercados na América Latina. "Estamos começando a capitalizar agora essa expansão. E por isso a nossa projeção é manter o crescimento", salienta Arruda.p

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

CE RT IFI C A Ç Ã O PARALELAMENTE AO TRABALHO DE MELHORA DE SUA FERRAMENTA COM UMA NOVA PROPOSTA DE NAVEGAÇÃO ainda sem produto similar no mercado nacional, a Argo obteve recentemente um certificado de segurança de dados, o PCI DSS, que deve ajudar a conquistar licitações de multinacionais. "Imagine que temos 500 mil transações ao mês e que por elas transitam dados

pessoais do viajante, dados de cartões de crédito, informações da condição do viajante, como e quando ele vai e volta, endereço de hotéis, passaporte... Os dados são confiados à Argo e ficam armazenados. A gente sempre teve todo o processo, mas ainda não havia uma certificação para nossas práticas, que estão nos conformes dos padrões globais", explica Arruda.p

29/09/2016 12:19:58


Esquiando pelo

mundo

Sofisticação e exclusividade por HELOISA PRASS

Escolher o hotel mais adequado ao perfil do seu cliente, ao tipo de viagem que deseja realizar, é tarefa das mais prazerosas, mas também das mais difíceis. Isso não muda quando falamos de estações de esqui. Em Vail, no Colorado, nos Estados Unidos, uma das opções que se afiguram é o luxuoso The Sebastian, localizado na área central da vila. A proposta do empreendimento é atender a quem deseja desfrutar todos os encantos da famosa estação de esqui sem estresse nem preocupações. Do começo ao fim da estada, há a preocupação em tornar a vida do hóspede a mais tranquila possível. Na chegada, o capitão porteiro informa que o hotel possui vans que podem levá-lo a qualquer lugar, a qualquer hora. E, na hora de ir embora, são entregues garrafas de água mineral e barrinhas de cereal para a viagem. São 84 quartos e 16 suítes no hotel. Outras sete suítes e 36 residências fazem parte do The Club, o sistema de propriedade compartilhada que diversifica as frentes de atuação do The Sebastian. Entre quartos mais simples, suítes executivas e residenciais, há opções para bolsos diversos. No inverno, as diárias variam de US$ 495 a US$ 3 mil. “Esquiando pelo mundo” é uma série mensal. Sugestões e colaborações: redacao@panrotas.com.br.

JP 012 e 013 - Ski.indd 12

DIFERENCIAIS

A arquitetura do The Sebastian e seu interior são fatores que tornam a experiência de hospedagem diferenciada. No lobby e no restaurante, há uma grande variedade de obras de arte, todas originais e muitas produzidas com exclusividade para o hotel. Mais de dois mil livros, raros e encadernados em tecido estão disponíveis em sua biblioteca. Já na área da gastronomia, cardápios cuidadosos harmonizam com mais de cinco mil garrafas de vinho na adega. No restaurante Leonora, alimentos orgânicos e frescos protagonizam um bistrô que combina com o clima intimista do The Sebastian. Para o café da manhã, o Breakfast at The Sebastian traz tudo o que se pode esperar, desde o autêntico iogurte grego a ovos rancheiros. E o chef vem pessoalmente às mesas verificar se tudo saiu bem.

29/09/2016 12:20:23


Esquiando pelo mundo

ATIVIDADES

Claro que não se trata apenas de conforto na hospedagem. O The Sebastian dá também o que o viajante precisa para curtir a neve. O grande diferencial é o base camp, na base da montanha de Vail. No modelo ski-in, ski-out, o hóspede encontra seus esquis, botas e vestimenta para subir e aproveitar a neve. Na volta, a equipe do hotel se encarrega de limpar e deixar tudo pronto para o dia seguinte. Há um adventure concierge especializado nessas atividades, que pode ajudar os mais inexperientes com o equipamento. Há também aulas para adultos e crianças a partir de três anos. Algumas das modalidades possíveis são esqui, claro, e também snowboard, patinação no gelo e até passeios em balões. No verão, o base camp serve para guardar as bicicletas e equipamentos para trilha. O que torna o The Sebastian uma propriedade multifacetada e bem aproveitável durante o ano todo. Há ainda uma grade de atrações que mantêm o hotel sempre em atividade. Jantares com degustação de vinhos são constantes, além de apresentações de artistas locais, também frequentes. Ainda há piscina, spa e fitness center para quem quer se exercitar ou relaxar de formas variadas.

The Sebastian está no centro de Vail, com acesso aos ônibus circulares e a pouca distância das gôndolas e teleféricos. O hotel faz parte do sistema Preferred Hotels & Resorts

Hot tubes (com água temperada de acordo com a estação) estão disponíveis na área externa

Vista da janela do quarto para as montanhas. Vail tem suas pistas de esqui terminando bem no coração da vila

CONTATO

Mais informações dobre o The Sebastian podem ser obtidas com a diretora de Vendas e Marketing do hotel, Jean Alexander – jalexander@ thesebastianvail.com

SOBRE A UNITED

O Aeroporto Internacional de Denver é o 15o mais movimentado do mundo, e o quinto nos Estados Unidos. E a United Airlines, junto com a United Express, opera mais de 350 voos diários no terminal. Entre eles estão 15 voos para mais de uma dezena de destinos internacionais, sendo sete cidades na América Latina e Caribe. Denver é um dos maiores hubs da United, além de ser um fator econômico fundamental para o Estado do Colorado, gerando mais de US$ 26 bilhões anualmente.

JP 012 e 013 - Ski.indd 13

Apartamento luxo, com cama king size

29/09/2016 12:20:30


14 Eventos

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

>> Rodrigo Vieira

De olho na

retomada A CRISE AINDA PERSISTE, É BEM VERDADE, MAS O PIOR JÁ PASSOU. É ESSA A INTERPRETAÇÃO dos organizadores do principal evento do Turismo dos Estados Unidos, o IPW, sobre o mercado brasileiro. A expectativa da organizadora U.S. Travel Association é que 2018 seja de fato o ano da retomada, mas 2017 já terá sinais de alívio após a tempestade deste ano. O antigo Pow Wow acaba de dar início a um novo momento no Brasil, seu principal mercado na América Latina. A Interamerican Network é uma amostra disso. A empresa de Danielle Roman foi anunciada no início de setembro como a nova representante comercial, de Marketing e de Relações Públicas do IPW na América do Sul. Para consolidar o novo posicionamento, o general manager do evento, Malcolm Smith, visitou o Brasil para falar diretamente com operadores, agentes de viagens e outros players a fim de convocá-los a participar da edição 2017, em Washington D.C. A expectativa é embarcar 60 buyers brasileiros à capital dos Estados Unidos, quase o dobro dos 38 que estiveram em Nova Orleans no IPW deste ano. “Realizar um IPW em Washington D.C. é mais do que histórico, é um anseio que a U.S. Travel Association tem como estratégico há anos”, explicou Smith ao Jornal PANROTAS, acrescentando a importância do evento para o crescimento do destino anfitrião. “Todo IPW acontece em um destino com um propósito. Só vamos a cidades onde há algo a mostrar ao mundo. Em 2016 exibimos uma Nova Orleans totalmente recuperada do furacão Katrina (2007), com sua hotelaria de primeira categoria e atrativos que surpreenderam os visitantes internacionais”, completou o general manager, em sua primeira passagem pelo Brasil. O resultado veio então nos reviews pós-evento. Cerca de 65% dos operadores presentes apontaram que incluiriam Nova Orleans de maneira prioritária em suas prateleiras após ter participado do IPW. “Além disso, 70% dos respondentes indicaram o conhecimento de novos destinos norte-americanos durante a feira. Isso acontece porque muitos expositores locais sem poder financeiro para ir a eventos em outros continentes expõem no IPW e surpreendem os buyers.”

JP 014.indd 14

Malcolm Smith e Cathy Keefe, do IPW, Flavia Perin, Jussara Haddad e Vera Achcar, do novo comitê consultivo do evento, Danielle Roman, da Interamerican, e Michael Martin, do IPW

Ter missão cumprida após o evento de 2017 seria, portanto, desmistificar a imagem de que Washington D.C. é um destino para dois ou três dias, apenas complementar a outras cidades como Nova York, além de mostrar que há muito a se fazer pelas redondezas. “A região da capital, que inclui Maryland e Virginia, tem muito a mostrar. Revitalizada, a hotelaria desses destinos vai muito além do perfil corporativo. Temos hotéis butique e renomados no lazer, além de restaurantes tão bem-conceituados que fizeram Washington D.C. ser a quarta cidade dos EUA a ganhar um Guia Michelin."

BRASIL NO IPW

O Turismo dos Estados Unidos espera fechar 2016 com 2,2 milhões de visitantes brasileiros, queda de 9% em relação ao ano passado. Resultados mais robustos devem acontecer em longo prazo. "Até 2020 chegaremos a 2,4 milhões, crescimento de aproximadamente 9%”, aponta Smith. As estimativas da U.S. Travel Association é de que 2018 represente a retomada da economia brasileira, com início de crescimento em 2017. “Os operadores brasileiros não se arrependerão se comparecerem à edição de Washington D.C., pois já podem prospectar os negócios pensando no ano da retomada.”

N O V O C O MI T Ê PARA MANTER O ALTO NÍVEL DE QUALIDADE DOS BUYERS BRASILEIROS NO IPW, FOI MONTADO UM NOVO COMITÊ

Consultivo Internacional no País para dizer quem tem o perfil de participar do tradeshow com suas reuniões individuais pré-agendadas. Esse comitê será liderado por Jussara Haddad, do Consulado dos Estados Unidos no Brasil. Vera Achcar, da Interamerican, será a vice-chair para o Trade,

MICE

Faz pouco tempo, mas o IPW vem fortalecendo sua proposta para os profissionais de eventos e viagens corporativas. De acordo com Malcolm Smith, uma pesquisa feita com os participantes cerca de cinco anos atrás questionou a possibilidade de incluir atividades específicas ao Mice na programação. “Mais de 40% dos respondentes disseram ter algum tipo de negócio no setor de viagens corporativas, o que nos surpreendeu bastante, pois o IPW sempre teve um DNA predominantemente de lazer”, justificou Smith. “Desde então, a cada edição temos aumentado a oferta aos interessados. Não mudaremos nossa identidade de lazer e nem a dinâmica do evento, mas por que não aproveitar que estão todos os profissionais juntos

enquanto Flavia Perin, também da Interamerican, qualificará ou não os veículos de mídia. “O papel desse comitê é participar da seleção de operadores para o IPW. Estou à disposição dos possíveis buyers em caso de dúvidas, e também tenho a função de encorajá-los a participar, interagir e negociar com uma lista tão completa de fornecedores presentes”, explica Vera Achcar. p

e mostrar o que um hotel pode oferecer aos organizadores de eventos, ou um passeio de barco em uma viagem de incentivo?”, exemplificou o manager, em sua primeira passagem pelo Brasil para divulgar o IPW. Para a Abracorp, a oferta do IPW é riquíssima, já que os Estados Unidos representam o país número um na emissão de passageiros das TMCs associadas. Isso porque o evento norte-americano tem muitos fornecedores com foco em experiência, um coro que a entidade tem engrossado nos últimos anos. “Nosso associado tem de focar na experiência do cliente, realizar suas viagens e eventos com produtos que fogem do lugar comum, dos destinos turísticos clichês”, apontou o diretor executivo da Abracorp, Gervásio Tanabe. p

29/09/2016 12:20:47


JP 015 - A.indd 15

29/09/2016 12:21:11


16 A gê nc i as d e v i agen s

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

>> Felippe Constancio

Coração no

Corporativo, cabeça no Lazer

Demetrius Miguel, diretor de Relacionamento da Maringá

CONTROLADOR DA MARINGÁ TURISMO, DA CENTRAL DE EVENTOS E DA LEMONTECH, O GRUPO Arbaitman tem anunciadas suas novas estratégias para o Corporativo e ao Lazer. Desta vez, além de seus produtos, o grupo tem mais a oferecer com suas parcerias feitas para a geração de pacotes de serviços com maior valor agregado, com a startup SG Mobile e a Emdoc, empresa de logística de viajantes corporativos em permanência no estrangeiro. "Queremos atender de maneira mais ampla e com mais alcance", esclarece o diretor de Relacionamento da Maringá, Demetrius Miguel. Empresa de mobilidade e logística para viajantes corporativos e suas famílias, a Emdoc apresenta seu know how de 30 anos aos executivos, enquanto a recém-fundada empresa de serviços em telefonia deve divulgar

JP 016.indd 16

sua inovação em roaming no estrangeiro, com pacotes de voz, dados e ligações em território internacional. "Estaremos juntos para a complementaridade que a Maringá está buscando", comenta o fundador da startup, Jean Brancher. Entre suas perspectivas para o futuro próximo, a Maringá deve dar mais ênfase ao Private, seu produto corporativo que, de acordo com Miguel, já vem mostrando sucesso comercial. "Ele é uma célula composta por especialistas em viagens corporativas acostumados com alto nível de exigência", explica o executivo da agência. Paralelamente, a Maringá espera conquistar o corporativo com a nova versão de seu app. Desenvolvido pela Lemontech, departamento de TI do grupo que ganhou autonomia em 2008 para inovação e gestão de

viagens, o aplicativo serve como um sistema de solicitação e aprovação de viagens. O consumidor final também entra na estratégia do Grupo Arbaitman. Com seu atendimento especializado em diversos roteiros, a Maringá aposta em sua novidade no segmento de lazer, o intercâmbio. "Lazer é uma unidade de negócios que tem recebido investimentos na Maringá. Estamos estruturando toda a área para alavancá-la. O planejamento estratégico prevê que lazer represente 15% dos nossos negócios até 2018. Estamos investindo em estrutura e equipe, com capacitação de consultores e trabalho forte junto aos clientes corporativos. Temos campanhas de descontos especiais para que eles, do corporativo, sejam também clientes de lazer. Também temos acionado nosso Marketing."p

29/09/2016 12:21:28


17 Hotelaria

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

>> Renato Machado

Fugindo do

óbvio

Parte do lobby, com os restaurantes

Prédio do hotel, um dos marcos de São Paulo

A NOVA CARA DO MAKSOUD PLAZA RESPONDE PELO NOME DE HENRY MAKSOUD NETO. Com novas estratégias e conceitos, o empresário de 41 anos quer retomar os tempos áureos de um dos mais tradicionais hotéis de São Paulo, fundado pelo seu avô, Henry Maksoud, falecido em 2014. “Uma empresa em transformação”, como afirma o presidente, que busca atrair um público que não está acostumado a frequentar o suntuoso saguão do prédio de 22 andares, de arquitetura arrojada. "É um desperdício não utilizar o potencial que essa marca tem. As pessoas têm uma consideração muito grande pela marca”, comenta

Otavio Golin e Henry Maksoud Neto

JP 017.indd 17

Maksoud Neto ao explicar suas estratégias de atuação. O empresário aposta em parcerias pontuais para recolocar o hotel de 37 anos dentre os pontos de referência da cidade. Nesse movimento, a ação que tem surtido mais efeito para atrair os olhos dos visitantes de São Paulo e dos próprios cidadãos paulistanos foi a parceria com Facundo Guerra, e seu grupo Vegas, que resultou na criação do Pan Am Club há cerca de um ano e meio, localizado no último andar da torre. “O clube trouxe muito público. Catalisou diretamente nos eventos, hotel e restaurante. Não apenas pela possibilidade de o visitante se hospedar. Mas que ele comente com amigos e

Apartamentos amplos e com conforto

conhecidos que esteve aqui e quão boa foi sua experiência”, diz Henry Neto. O presidente do hotel afirma que “todo nosso desafio é trazer gente para dentro. Atrair pessoas que fazia anos que não entravam — um público de mais de 35 anos. Ou aquela faixa abaixo dos 25 anos que nunca entrou no hotel”, diz. “Queremos cada vez mais criar atrações aqui dentro.” No entanto, isso não significa apenas abrir as portas para qualquer interessado. Maksoud Neto deixa claro: “eu não estou procurando coisas óbvias”.

do clube no terraço — há uma parceria entre Vegas e MK2 para a criação de um cinema no hotel, no entanto, o projeto não depende do Maksoud Plaza, que apenas cede o local. O premiado Frank Bar, aberto em 2015, é um desses produtos. Novo ponto de interesse do Maksoud, é a atração que mais orgulha o empresário. “Um sucesso tremendo, com retorno muito legal. Se tornou um espaço concorrido na cidade.” Apesar de gerido pelo hotel, o projeto teve o olhar atento de Facundo Guerra durante toda sua criação.

PARCERIA

EVENTOS

Essa busca por novidades é amparada, além do grupo Vegas, pela consultoria da Sonne Branding. “Temos uma das melhores consultorias do mercado para ajudar na tomada de decisão. Estamos estudando, analisando tudo.” O gerente de Operações do Maksoud Plaza, Otavio Golin, dá o tom de como serão sacramentados negócios do hotel. “Estamos interessados em parceiros que irão agregar. Não criar um shopping por um shopping. Que seja uma parceria mútua de valor”, explica. Maksoud Neto explica que sua estratégia “é pautada em trazer gente para conhecer e consumir o produto”. E, por “produto”, entende-se serviços que vão muito além do hotel e

Com cinco mil metros quadrados de área e 38 salas, outra frente é a realização de eventos. “Estrategicamente é importante para a gente pela nossa localização. Não temos concorrência para eventos como temos em hotelaria aqui na região”, diz Henry Neto. O gerente de Operações projeta crescimento de 30% no número de eventos realizados em 2016, em comparação com o ano anterior. Fato que surpreendeu o executivo pelo ano crítico vivido pelo País. “A gente não esperava tudo isso. Estamos tendo esse resultado por termos conseguido angariar novos negócios, novos eventos”, avalia Otavio Golin.p

29/09/2016 12:21:50


O GESTOR

EVENTOS E VIAGENS CORPORATIVAS Edição 9 – 5 a 11 de outubro de 2016

w w w. a l a g e v. o r g

Parte integrante do Jornal PANROTAS

MANTENEDORES ALAGEV

Hotelaria

(R)evolução dos programas de fidelidade

nos hotéis O QUE É UM BOM PROGRAMA DE FIDELIDADE DE HOTEL? De imediato, a resposta mais natural pode ser “aquele que mais traz benefícios ao hóspede”, e, para o outro lado do balcão, “aquele que mais fideliza o cliente”. Ainda que de premissas simples, o funcionamento de um programa de fidelidade, de hospitalidade ou não, é e está cada vez mais complexo. Apesar de oferecidos a pouco mais de 10% dos hotéis do mundo, os programas de lealdade têm se tornado mais performáticos por conta da mudança do comportamento do consumidor, que vem revelando suas preferências ao mesmo tempo em que a crise define “quem sai e quem fica” no jogo. Um programa de fidelidade efetivo, aliás, pode mudar a história de “quem sai”. Para isso, é preciso que ele crie engajamento por meio da experiência, conforme observa o VP sênior de Experiência Digital do Cliente da Capgemini, Mark Taylor. “O caminho é criar engajamento por meio da experiência. O que seria isso? Dar ao cliente o que ele gosta de fazer quando não está comprando, como escalar, levar os filhos para passear etc.” Segundo ele, ao contrário do que se acreditava nos últimos anos, fisgar o potencial consumidor de longo prazo apenas com oferta de descontos é uma estratégia pouco eficiente nos dias de hoje. Prova disso é o mercado de lealdade na hotelaria norte-americana. Nos últimos dois anos, programas do tipo têm crescimento nos EUA, mas em descompasso com os níveis de participação — uma vez que as barreiras para aderência caíram, enquanto pouco relacionamento foi criado.

E NO BRASIL?

O gerente sênior de Marketing da Atlântica, Gustavo Minatel

JP 018 e 019 - O Gestor.indd 18

No Brasil, os programas de fidelidade da hotelaria têm se desenvolvido para além da isca do desconto. Tanto hotéis independentes quanto de rede têm experimentado a tática de conquistar o

cliente com benefícios que incluem serviços e produtos que o estabelecimento não tem. “Dependendo do programa, ele pode trocar por outros produtos, transferindo também para a coalisão”, explica o diretor para o Brasil da provedora de gestão a hotéis independentes do Collection Group, Eduardo Cordeiro. “Conforme sobe a pontuação, o hóspede ganha mais, ganhando hospedagem gratuita, produtos e até reservas em outros parceiros”. Para estimular o consumo constante, programas do tipo muitas vezes incluem a gamificação. Ao lançarem mão de conceitos de games, cada vez mais modelos de programas oferecem funções que dão a sensação de objetivo alcançado — diferentes degraus de recompensa. Com mais de 600 hotéis associados no mundo, a rede Preferred Hotels & Resorts é um exemplo. Há pouco mais de três meses, a marca relançou no Brasil seu programa Iprefer, repaginado com um sistema de pontuação. “Percebemos que acumular pontos é complicado. Agora temos dois níveis, cada um dando acesso a determinados benefícios, sendo o último ainda mais pontos”, conta a vice-presidente de Vendas Globais para América Latina da Preferred, Simone Mariote. “O hóspede pode ser insider — um nível mais iniciante do programa, que já traz prioridade no check-in/check-out e facilitação no upgrade —, e o elite, no qual ele já ganha pontos que podem ser convertidos em dólar e acumulados ou trocados por amenidades especiais, desconto na diária, descontos em restaurantes dos diversos hotéis, massagens e outros benefícios. Além disso, o elite passa a acumular 50% mais pontos quando consome.”

RELEVÂNCIA E VALOR Os modelos de programas que rendem mais pontos e resgates mais rápidos são tendência. Em vez de desapontar o consumidor com ofertas irrelevantes, falta de flexibilidade e baixo valor nos prêmios, é fundamental que este

29/09/2016 12:22:12


O GESTOR

EVENTOS E VIAGENS CORPORATIVAS

premie de forma constante, conforme lembra o especialista em serviços de premiação, Michael Amar. “O cliente não quer esperar para se sentir beneficiado. Muitas vezes ele chega perto da premiação, mas o tempo expira e ele se decepciona. Percebemos isso em nossa pesquisa. Por isso, assim que ele se cadastra em nosso programa já ganha pontos que podem ser convertidos por US$ 50”, explica Simone Mariote.

INDEPENDENTES X HOTÉIS DE REDE Gerente sênior de Marketing da Atlantica Hotels, Gustavo Minatel alerta que um programa atrativo de fidelidade é mandatório para hotéis independentes. “No caso de uma rede, você aumenta o número de chances de acúmulo com maior quantidade de opções de hospedagens; isto também acontece com o resgate. Já os independentes podem ter limites.” Assim, modelos de coalisão podem ajudar no sentido de trazer inovação e variedade de produtos e serviços a serem oferecidos. No modelo da Atlantica, por exemplo, há quatro programas oferecidos por terceiros, sendo três de coalisão, destinados de acordo com a estratégia e segmentação de cada público-alvo envolvido no processo de compra de uma reserva. “Os nossos clientes podem trocar por diárias ou serviços dos hotéis da rede, por viagens, produtos. As pontuações são realizadas a cada real gasto em diárias, aluguéis de sala para eventos ou serviços na rede. Os agentes de viagens, solicitantes das reservas e hóspedes são passíveis de pontuarem em 90 hotéis no País.” Criador da recém-lançada empresa de fidelidade All Points, o ex-diretor de Marketing da Atlantica Marcelo Bicudo é um dos nomes por trás do novo modelo. Bicudo deixou a Atlantica em 2008 para investir em sua empresa de programas customizados. “Já fizemos projetos para hospitais, redes de lojas. Programas de fidelidade servem para monitorar comportamentos. Mais que um instrumento de recompensa, ‘toma lá, dá cá’, é um instrumento para ver quem compra mais, que tipo de produto compra mais, que forma de atendimento prefere. Mas hoje, cerca de 10% dos hotéis no mundo têm programa de fidelida-

JP 018 e 019 - O Gestor.indd 19

Cerca de 10% dos hotéis oferecem programas de fidelidade

de”, revela o executivo, que atribui a causa aos altos custos de se adquirir um programa. Ao criar um modelo de negócios em que hotéis independentes e menores conseguem um programa a custo acessível de set up e gestão terceirizada, a All Points, lançada em dezembro do ano passado, já tem mais de 200 hotéis associados, que têm seus recepcionistas treinados para usarem o programa com eles. “A gente tem uma proposta de longo prazo. Queremos ir além e ser a primeira OTA que não cobra comissão de hotéis. Além de ser um programa de fidelidade, a gente vai oferecer o mesmo ponto em todos os hotéis. Todos os hotéis que se tornarem membro poderão usufruir do serviço sem comissão.” De tão promissora e inovadora, a All Points é um case de estudos que concorre a prêmio da Phocuswright, que em novembro realiza evento em Los Angeles para premiar as novas companhias nascentes mais inovadoras da indústria do Turismo em 2017.

VENDAS DIRETAS No clima de impasse entre OTAs e hoteleiros, um programa de fidelidade pode servir como estimulante às vendas nos canais diretos. Tempos depois de abandonar o extinto programa “HT”, a rede Transamérica, por exemplo, criou uma oportu-

Programas devem acompanhar mudanças no comportamento do consumidor

nidade de usar um novo a favor de seus canais. “Toda a rede, incluindo a unidade de Comandatuba, e todos os hotéis independentes que fazemos a gestão aderem a nossa parceria com o All Points. Ele contempla todos os associados quando o hóspede compra no call center, no site de um dos hotéis ou no balcão”, explica a gerente de Marketing dos Hotéis Transamérica, Angela Leandro, que frisa que benefícios como descontos, bônus em pontuação, early check-in/check-out servem em qualquer unidade associada ou da rede a partir do momento que o cliente alcança a classificação necessária.

“A partir de 15 mil pontos ele se torna silver, 30 mil se torna gold e 50 mil vira black.” Enquanto redes de hotéis aproveitam o apelo da fidelização para estimular vendas diretas, empresas de fidelidade também oferecem seus serviços por meio de parcerias com OTAs. A Smiles — que vem buscando variar seus negócios e parcerias de modo a se tornar uma empresa completa ao turista até 2020 —, por exemplo, aterrissou na hotelaria em julho, ao selar uma parceria com a plataforma Rocketmiles, da Priceline, que tem mais de 800 mil cadastrados. Em seu modelo, quanto maior o valor agregado da reserva, maior o acúmulo de pontos.

29/09/2016 12:22:20


20

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

Política

Aproximação com o estrangeiro O MINISTRO DO TURISMO DA ARGENTINA, GUSTAVO SANTOS, IRÁ CONVOCAR SEUS ALIADOS PARA AVANÇAR em políticas concretas para conquistar mercados mais distantes. Um esforço considerado essencial pelo mandatário é o de chegar a um acordo "à la Schengen" entre os países do Cone Sul. O Schengen, recorrendo à recente história, é a área que compreende 26 países europeus que aboliram os controles em fronteiras comuns. Desde o seu início, em 1995, funciona em termos migratórios como um país só e com uma política comum de vistos. Com isso, qualquer turista internacional que chegue a um dos países do bloco sul-americano tem de ter ao menos o visto emitido de uma das nações. “A Argentina, por meio do próprio presidente [Mauricio] Macri e com o respaldo do Ministério das Relações Exteriores, está propiciando a reciprocidade de vistos com o Chile e o Brasil”, assinalou o ministro Santos, completando que espera incluir as negociações com o Peru. “Assim como trabalhamos no caso da China [agora os asiáticos com visto dos Estados Unidos estão livres do trâmite na hora de entrar no país], estamos analisando com Chile e Brasil buscar o mesmo benefício, que entendemos ser prioritário para quem viaja durante 30 horas.

JP 020 - Ladevi.indd 20

Gustavo Santos, ministro de Turismo da Argentina

E se eles atravessam o mundo para nos visitar, temos de facilitar o cruzamento para que possam ingressar nessa região com um visto comum ou de um dos três países”, explicou o secretário de Turismo, Alejandro Lastra, exemplificando que o pretendido para os turistas é que visitem “as Torres del Paine e cheguem a El Calafate e quem viaja a Foz do Iguaçu, no Brasil, também possa visitar o lado argentino e vice-versa.

OUTRAS DEMANDAS Recentemente, no Fórum de Investimentos e Negócios 2016, Santos quebrou o gelo, literalmente, para informar que um grupo de investidores coreanos deixou sob sua responsabilidade uma carta de intenção para construir um empreendimento hoteleiro e comercial em Buenos Aires. O desenvolvimento corresponde

à empresa Real Estate Asia Towers e seria a torre mais alta da cidade. As cifras depositadas chegariam a US$ 1 bilhão. À parte disso, o titular da pasta ressaltou um acordo com a Awasi, empresa espanhola, que começou a investir em hotéis em Iguazu e em breve terá um parque ecoturístico. A parceria também prevê a construção de um hotel butique em Jujuy, na Quebrada de Humahuaca.p

29/09/2016 12:22:50


JP 021 - A.indd 21

29/09/2016 12:23:21


22

SurFACE

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

Privatização

Meses após a Secretaria de Aviação Civil (SAC) anunciar o leilão dos aeroportos de Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador, a lista de terminais a serem concessionados ganhou mais dez integrantes: Belém, Cuiabá, Curitiba, Foz do Iguaçu (PR), Goiânia, Maceió, Manaus, Recife, São Luís e Vitória. Agora, são 14 no total. Com a atualização do pacote de Michel Temer e seus aliados, a intenção do governo é deixar a operação de aeroportos de médio porte com a Infraero. Os terminais de grande porte serão entregues à iniciativa privada e os pequenos seriam repassados às respectivas prefeituras que, por sua vez, podem leiloar ao setor privado. Os dez novos aeroportos serão privatizados possivelmente a partir do segundo semestre de 2017. Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador receberão investimentos de R$ 6,5 bilhões. Os editais desses quatro terminais serão publicados até o fim deste ano e os leilões devem acontecer até o fim do primeiro trimestre de 2017. Aeroporto de Curitiba, na lista das próximas concessões

Aérea começa a voar entre Montreal e Xangai em fevereiro

Maior do mundo

A compra da Starwood Hotels & Resorts Worldwide pela Marriott International criou a maior empresa hoteleira do mundo. A nova empresa irá operar ou franquear mais de 5,7 mil propriedades e 1,1 milhão de quartos, representando 30 marcas líderes do nível moderado ao luxuoso em mais de 110 países. Com a conclusão desta aquisição, a distribuição da Marriott mais do que duplicou na Ásia e no Oriente Médio. O valor total da compra foi de US$ 13 bilhões.

Novos ares

A Air Canada iniciará operações entre Montreal e Xangai a partir de 17 de fevereiro do ano que vem. A rota marca o primeiro voo direto para a China oferecido pela aérea a partir de Montreal, bem como a primeira introdução do Boeing 787-8 Dreamliner em rotas partindo dessa cidade. Com duração 14,5 horas, os voos estão sendo vendidos desde o último dia 28.

Reprodução de telas do Google Trips

Fique de olho A partir de 2017

O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, afirmou que o Reino Unido deverá dar início ao processo de saída da União Europeia, mediante o artigo 50 do Tratado de Lisboa, no início de 2017. Quando notificar a UE, ambas as partes iniciarão uma negociação de até dois anos para estabelecer as condições para que o Reino Unido deixe o bloco. A separação envolverá uma série de questões, como tratados comerciais e a situação de cidadãos europeus na Grã-Bretanha.

JP 022 e 023 - Surface.indd 22

Após mais de dois anos de desenvolvimento, o Google lançou o seu tão aguardado “Google Trips”, que não é apenas um marco importante para a gigante da tecnologia no ramo de viagens, mas também o início de mudanças significativas em companhias aéreas e outras empresas do Turismo. Afinal, ao longo dos últimos anos, muitos têm investido tempo, esforço e dinheiro no desenvolvimento de aplicativos que tentam ir além das fronteiras do aeroporto. O Trips parece ser uma tentativa de tomar posse do relacionamento digital com o viajante. Mas há restrições. Os viajantes, por exemplo, não podem fazer o check-in para voos ou ter acesso aos cartões de embarque através do aplicativo, embora ele use quase todos os outros elementos da experiência de viagem de maneira mais ampla.

29/09/2016 12:24:15


23

5 a 11 de outubro de 2016 JORNAL PANROTAS

corporativo

www.pancorp.com.br

Ponto a ponto ● A Embraer abriu uma fábrica para produção de assentos em Titusville, na Flórida, nos Estados Unidos. ● Banco Central divulgou que os brasileiros gastaram US$ 1,29 bilhão no Exterior em agosto. No mesmo período, estrangeiros deixaram US$ 602 milhões por aqui. ● O buscador de tarifas de hotéis Trivago, propriedade do Expedia, está negociando abertura de capital na bolsa de valores.

Nova data Organizado pela Alagev, o Latin American Corporate Travel & Events Experience (Lacte), principal evento para o setor de viagens corporativas e Mice, acontecerá de 22 a 24 de março de 2017, em São Paulo. São várias as mudanças anunciadas pela presidente da entidade, Patrícia Thomas (foto): o evento, que geralmente acontecia em fevereiro, abrindo o calendário de atividades da indústria, passa para março e no lugar de ser de domingo a terça-feira será de quarta a sexta-feira. Começará com um almoço e terminará depois de outro almoço. O local ainda não foi divulgado, mas tradicionalmente o Lacte ocorre no Grand Hyatt São Paulo.

Sem agência O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão divulgou que o Governo de Minas Gerais começou a utilizar o Sistema de Concessão de Diárias e Passagens (SCDP). Pelo sistema, os funcionários do governo realizam a compra de passagens aéreas diretamente, sem a intermediação das agências de viagens, que antes precisavam vencer licitações para prestarem o serviço. Além da compra das passagens, o sistema providencia o pagamento das diárias e a prestação de contas das viagens em plataforma on-line.

JP 022 e 023 - Surface.indd 23

29/09/2016 12:25:05


JP 024 - A.indd 24

29/09/2016 12:25:39


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Jornal PANROTAS 1238 by PANROTAS Editora - Issuu