O GESTOR
EVENTOS E VIAGENS CORPORATIVAS Edição 3 – 30 de março a 5 de abril de 2016
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Parte integrante do Jornal PANROTAS
MANTENEDORES ALAGEV
Dever cumprido O PRESIDENTE DA ALAGEV, EDUARDO MURAD, SE DESPEDE DA ENTIDADE EM MAIO, DANDO ESPAÇO A PATRÍCIA THOMAS. EM ENTREVISTA, MURAD FEZ UM BALANÇO DA GESTÃO E DESTACOU A APROXIMAÇÃO COM O MINISTÉRIO DO TURISMO E O SUCESSO DE DOIS LACTE
JORNAL PANROTAS — Que palavra você escolheria para definir seus dois anos à frente da Alagev? EDUARDO MURAD — Equilíbrio. Para conciliar a Alagev com o trabalho diário (grande parte na Alatur JTB e, no final do mandato, na HRS) e a vida pessoal; entre forças: bem sobre o mal, negativas e positivas, ativas e reativas; emocional e mental; entre um ano bom e um ano ruim (2014 versus 2015); para lidar com diferentes perspectivas e entendimentos. Equilíbrio. JP — Qual é a missão da Alagev e quais ações dos últimos dois anos reforçaram ou contribuíram para que ela fosse alcançada com êxito? MURAD — A missão da Alagev é “conectar o mercado de eventos e viagens corporativas na América Latina, com foco no cliente, compartilhando as melhores práticas e promovendo a capacitação e o desenvolvimento da indústria.” Para seguirmos essa visão, intensificamos as ações dos comitês de trabalho da Alagev, que representam a maioria dos segmentos da indústria de viagens e eventos (clientes e fornecedores), por meio de reuniões conjuntas, pautadas no desenvolvimento e na discussão de temas relevantes para todo o mercado. Realizamos workshops entre clientes e fornecedores da cadeia para desmistificar alguns temas e alinharmos o entendimento e conhecimento dos assuntos mais pertinentes. Fora isso, realizamos dois encontros anuais de comitês onde todos podem interagir e ter uma visão do que que cada comitê está trabalhando.
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Eduardo Murad comandou a Alagev por dois anos
Falando em América Latina, definitivamente nos estabelecemos na Argentina e expandimos o alcance para a Colômbia. O mais interessante da Alagev nessa estratégia de expansão é a maneira como nos estabelecemos nos países. Ao invés de chegarmos com um modelo pronto, engessado de associativismo, fazemos reuniões com conteúdo educacional e, ao mesmo tempo, entendemos as características e necessidades dos clientes e fornecedores, para então entrarmos com um modelo que se encaixe no perfil dos mercados. Apoiamos eventos como a WTM e Festuris, entre outros, mostrando a presença e representatividade da indústria de viagens e eventos corporativos.
Tudo isso sem mencionar os dois últimos Lacte, que trazem sempre os temas mais atuais e discutidos na indústria e se consolidou como “o” evento de viagens corporativas. JP — Em um mundo e segmento em que a tecnologia cria facilidades e desafios na mesma proporção, qual o papel do profissional na compra e no gerenciamento de serviços e produtos turísticos? MURAD — Esse profissional tem de conhecer a dinâmica de cada indústria (companhia aérea, hotéis, locadoras, TMC, etc) e como cada player utiliza a tecnologia (gestão, venda, revenue management, distribuição, back office, etc), e qual (tecnologia) se adapta às características de negócio, política e processos de sua empresa.
JP — Que resultados práticos (desde melhorias de processos até sugestões e mudanças nas relações com fornecedores e demais players) saíram dos comitês de trabalho da Alagev nesses dois anos? MURAD — Tivemos uma série de materiais criados pelos comitês e disponíveis na biblioteca no site da Alagev, que trazem melhores práticas, sugestões de processos e procedimentos. Entre eles, destaco: Prepare-se para uma reunião com companhias aéreas, material preparado pelo Comitê de Companhias Aéreas como um guia de orientação para negociações de clientes; Serviços Fragmentados: explicação e pronta referência com informações sobre serviços fragmentados
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das companhias aéreas; Workshop de Aviação: pronta referência e explicação dos temas tratados no Workshop do Comitê de Companhias Aéreas com os dois comitês de clientes (CE30 — Clientes Corporativos e CEV — Clientes de Eventos); Licenças e Autorizações: pronta referência e explicação das principais licenças e autorizações que implicam na realização de eventos corporativos, desenvolvido pelo CEV e CLE (Comitê de Logística de Eventos); Manual de Boas Práticas em Eventos e Melhores Práticas de Fechamento de Eventos, desenvolvido pelo CEV e CLE; Pronta referência Política de Eventos, também do CEV e CLE; Terceirização de Staff, do CEV; Metodologias de Cálculo de Savings, em que o CE30 mostra as melhores práticas na obtenção de economia para as empresas clientes; Pesquisa de Medidas para Viagens Corporativas no período da Copa do Mundo, realizada pelo CE30 para se medir as ações que as empresas tomariam durante o evento e serviu de benchmarking para os gestores apresentarem internamente nas corporações; Estatísticos: 2014 (base 2013), 2015 (base 2014) e 2016 (base 2015), em apuração. Esses estudos, além de mostrarem indicadores importantes, como adoção de OBTs, utilização de cases de serviços, tipo de precificação de TMCs, mostram o volume de negócios que as empresas produzem anualmente com viagens corporativas. Muitos desses dados são publicados em O Gestor; Desenvolvimento do Modelo de Matriz de Negociação, desenvolvido pelo CH (Comitê de Hotelaria) para os clientes utilizarem em processos de RFPs, com o objetivo de otimizar garantir processos mais assertivos; Modelo de Briefing para Incentivos, desenvolvido pelo CIN (Comitê de Incentivos); Pronta referência sobre NDC, criado pelo CTI (Comitê de Tecnologia). JP — Quais as principais conquistas da entidade nos dois últimos anos? MURAD — As grandes conquistas da Alagev, muitas já citadas acima, foram: Aproximação com o Ministério do Turismo, por meio do então ministro Vinicius Lages. Evoluímos em termos de reconhecimento da associação e representatividade do setor e, principalmente, os números, através do IEVC, o qual gerou muito interesse do ministro. Infelizmente, com a chegada de Henrique Alves, não tivemos continuidade nas conversas; Consolidação da Alagev na Argentina; Crescente plano de expansão para a América Latina, com chegada à Colômbia; Manutenção dos associados em um
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ano de crise. Geralmente empresas cortam gastos com associativismo quando enfrentam crises, porém o impacto para a Alagev foi mínimo; Dois Lacte de sucesso, com recordes de público e avaliações positivas; Ampliação e formalização da parceria com a Association of Corpoarte Travel Executives (Acte), através da assinatura de um memorando de entendimento. JP — Os maiores desafios? MURAD — Primeiro desafio foi liderar uma associação com o porte e reconhecimento da Alagev, e assumir com uma nova diretoria. Novamente, equilibrar o trabalho voluntário na Alagev com o trabalho remunerado e vida pessoal. A Alagev é uma máquina e, se deixar, toma todo seu tempo e dedicação. No início também houve certa resistência por eu estar trabalhando para uma TMC, fato que não foi aceito, e tivemos algumas desassociações por esse motivo. Compreendi na época as razões, mas foi um período muito duro, e logo de cara. Porém foi tudo superado e hoje temos esse tema totalmente esclarecido e esquecido. Manter o associado motivado, engajado com a missão e valores da Alagev é hoje o maior desafio. Temos que nos reinventar a cada dia para ser uma as-
sociação atrativa e atualizada. JP — E o que precisa ser feito com urgência e que ficou para a próxima gestão? MURAD — A maior urgência hoje é em termos de gestão interna. A Alagev se tornou tão grande que precisa de uma estrutura mais robusta, para levar informações cada vez mais rápidas aos associados, gerar metrias a partir do trabalho com os comitês de forma mais dinâmica e inovadora. Esse tema já fora discutido em gestões anteriores e vai ser voga para as decisões do novo conselho. JP — Qual lacuna existe hoje entre práticas internacionais e as que existem no mercado de viagens corporativas no Brasil, e o que é especificidade de nosso mercado? MURAD — Os gaps já foram muito maiores entre práticas no Brasil e no Exterior, porém hoje acredito que estamos um pouco mais próximos. Temas como disrupção de conteúdo, OTAs versus viagens corporativas e open booking já são temas mais conhecidos internacionalmente e mais recentes para nós. Onde estamos bem atrasados é na questão de meios de pagamentos, em que ainda temos uma grande concentração de processos fatura-
dos pelas TMCs e baixa adoção de cartões de crédito. Também falta um pouco mais em relação à pré-aprovação de viagens, políticas típicas do mercado latino americano que vão na contramão da tecnologia e automação de processos. JP — Do ponto de vista pessoal, como foi dirigir a entidade, ainda mais trabalhando em uma TMC? E como está sendo essa transição atual para a área de distribuição hoteleira? MURAD — Sempre separei muito bem meus chapéus, como eu costumo brincar para me referir aos meus empregos, e nunca coloquei nenhum interesse da Alagev para benefício da Alatur, nem vice-versa. O difícil mesmo foi conciliar os trabalhos, pois o work load em uma grande TMC, em expansão como está a Alatur JTB na época, era enorme e tinha que me dedicar à Alagev nas horas vagas e finais de semana. E ainda estar com a família. Voltar a trabalhar em uma TMC foi muito positivo, pois assumi várias funções em diferentes áreas (vendas corporativas e eventos, gestão de fornecedores), e pude aprender muito e me desenvolver pessoalmente e profissionalmente. Apesar de ter trabalhado em empresas de tecnologia, quando exerci a função de gestor de viagens (Siemens e IBM), > Continua na pág. 22
Patrícia Thomas, da Academia de Viagens Corporativas, é a sucessora de Murad na Alagev
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não trabalhava direto nesse ramo. Hotelaria sempre me chamou atenção e nunca tinha trabalhado nessa área antes. E o tema distribuição está em ebulição. Com esses backgrounds de cliente e TMC posso aplicar meus conhecimentos e experiência nos diversos pontos de vista para poder criar uma sinergia e ganhos tanto para os clientes como para TMCs, pois conheço bem os pain points de cada lado. JP — Em um ano que deve ser de continuidade de crise, como vê o desenvolvimento das viagens e eventos
corporativos? Como viajar para fazer negócios e ainda estar dentro das políticas de cortes de custos e reajustes de orçamentos das empresas? MURAD — Eu tenho uma visão sobre a crise e a relação com viagens corporativas. Em um ano de crise, as empresas devem investir cada vez mais em vendas e gerarem novos negócios. Viagens e eventos ainda são ferramentas de propulsão de negócios, claro, para os que sabem como fazê-lo. Redução de budget não quer dizer necessariamente redução no número de viagens ou eventos,
mas sim um direcionamento para se fazer melhor com menos recursos. Assim, fazer a melhor compra ou gerenciar melhor as viagens é a maneira de se continuar investindo no relacionamento “cara a cara” e em fazer negócios. O gestor deve sempre observar novas tecnologias, novos players, novas maneiras de se economizar mantendo o foco em vendas. O gestor deve conversar com as áreas de negócios. Fazer junto, criar junto, trazer inovação para o processo, quebrar paradigmas, romper barreiras.
Comitês Alagev Aconteceu
No último dia 14, o Comitê de hotelaria da Alagev recebeu a visita do presidente do grupo TX, Walter Teixeira. o dirigente fez uma apresentação sobre o fluxo de faturamento e pagamento da hotelaria. A ideia é aumentar o conhecimento sobre todo o processo para ajudar os clientes e compradores nas ações do comitê.
Vem por aí
No próximo dia 14 o Comitê de Aviação da Alagev fará um reunião especial com a presença dos gerentes e diretores comerciais das companhias aéreas participantes. O objetivo é alinhar os projetos do grupo e gerar novas ideias e ações para este ano. Informações sobre os comitês Alagev: contato@alagev.org
Eventos
Em abril, a Alagev participará das edições do Abroad, roadshow realizado pela Academia de Viagens Corporativas. Durante o evento educacional, a associação apresentará os benefícios, projetos e atividades que desenvolve. Confira as datas. 05/04 - Abroad Corporate Salvador 07/04 - Abroad Corporate Belo Horizonte 28/04 - Abroad Mice Curitiba Informações sobre os Abroad: contato@ academiadeviagens.com.br
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Walter Teixeira, do Grupo TX, um dos mantenedores da Alagev
Alagev na WTM A associação terá um estande localizado na área I, nº 131. Neste espaço, a Alagev terá também uma sala em que os associados poderão usar para agendar pequenas reuniões. O agendamento poderá ser feito através de contato@alagev.org. Em 31 de março, das 13h45 às 14h45, haverá uma palestra organizada pela associação que será
ministrada por Aline Bueno (Grupo HRS) e Ana Prado (Syngenta). Local: Teatro das conferências – Expo Center Norte Tema: O que pensa o cliente/comprador de viagens e eventos corporativas Descrição: nesta sessão, os participantes poderão conhecer um pouco a respeito do que pensam
os clientes/compradores de viagens e eventos corporativos a respeito dos seguintes temas ligados a gestão: open booking ou managed booking, precificação, negociação e savings. As palestrantes apresentarão uma pesquisa inédita feita com clientes durante o Lacte 11, realizado pela Alagev em fevereiro deste ano.
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