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Intercambiando JP1183

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Edição 84 - 9 a 15 de setembro de 2015

Educação no Exterior > Rodrigo Vieira – Playa del Carmen (México)

Muito além do

PORTUNHOL O número de brasileiros que procuram oportunidades de estudo em outros países cresceu 600% na última década, de acordo com a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta). Só no ano passado, 240 mil estudantes viajaram ao Exterior para fins educacionais. Com ou sem crise, mais e mais brasileiros estão cientes da importância de enriquecer o currículo com um novo idioma.

“Vista que a Tam me proporcionou na chegada ao Caribe”

Aliás, muito mais do que idioma. Quando o estudante coloca o pé na estrada para se tornar um intercambista, ele está dando outro rumo a seu futuro. Em um intercâmbio, esse jovem vai ultrapassar fronteiras bem maiores do que a da língua. Conhecendo os amigos dos mais variados países, ele compreenderá a grandeza do mundo, que a vida não se resume apenas ao que viveu até então. Ao imergir em outra cultura, ele vai valorizar as coisas boas do Brasil e lamentar o que lhe desagrada. Nos “perrengues”, vai amadurecer vários anos por mês. Nos momentos de solidão, refletirá sobre sua vida em seu país, sobre o quanto sua família faz falta nos mínimos detalhes de carinho, de afeto... O exercício de reflexão sobre seu próprio umbigo é um dos fatores mais enriquecedores de um intercâmbio. “O que eu poderia fazer para ser uma pessoa melhor?” é uma das perguntas que mesmo involuntariamente o intercambista vai se fazer. E as respostas virão... E eu sou prova de tudo isso. Sou um desses brasileiros que resolveu enriquecer o currículo da vida por um mês em Playa del Carmen, no Caribe mexicano, ali do ladinho de Cancun. Neste paraíso de água cristalina, trabalhei para passar do “portunhol” para, ao menos, o “espanhol básico”.


Portal em homenagem aos maias na praça principal de Playa del Carmen

No dia 12 de julho embarquei no voo direto da Tam de São Paulo para Cancun. E já na chegada ao aeroporto mexicano, às 17h, o primeiro desses perrengues enriquecedores (na hora não foi nada aprazível). Dia claro e quente, 35°C. Minha cabeça já estava no mar de Playa del Carmen, onde estaria hospedado. Nem sequer cogitei que algo me atrasaria e… me barraram no balcão de Migración. Preguntas, preguntas y más preguntas: onde estará hospedado? Quanto traz de dinheiro? Que história é essa de escuela? Quem está pagando? Faltou chegar ao ponto do guarda perguntar “mas por que inventar moda? Por que raios não faz como todos os outros brasileiros e vai a um resort all inclusive?”. Fui

levado para à “salinha” para analisarem meu caso. Mais ou menos 45 minutos depois, fui liberado. Em momento algum fui desrespeitado, mas ficar todo esse tempo em uma sala sem respostas é horrível. Um baita exercício, principalmente sem poder usar o celular. Depois me explicaram que é o procedimento para casos similares, principalmente pelo México ser porta de entrada para emigrantes clandestinos rumo aos Estados Unidos. Cancun, apesar de longe da terra do Tio Sam, não é diferente. Já no final da minha viagem, uma amiga me perguntou o que eu mais gostei no México. Ô perguntinha ingrata. Tanta gente que conheci, tantos passeios, praias lindas, mergulhos de tirar o fôlego, paisagens estontean-

tes, comida deliciosa, baladas, mil experiências incríveis para que, no fim das contas, eu tivesse o veredito: a escola. Eu adorava as minhas quatro horas diárias na sala de aula da International House Riviera Maya. Sou fã de ficar escutando outras línguas em aeroportos, nas ruas de outro país e ter a oportunidade de conseguir me comunicar com pessoas de outros países me fascina. A escola é o principal item que diferencia a vida de um intercambista da de um turista. É um norte para que as coisas não entrem em desordem. Em média, estudantes internacionais de idioma têm entre 16 e 25 anos. Agora você imagina esses jovens em outro país durante pelo menos um mês, soltinhos feito arroz de mãe, conhe-

cendo um monte de gente e sem ter de acordar cedo no dia seguinte, sem ter de fazer lição de casa, sem ter de se preocupar em passar de nível, sem pensar na ressaca… Não, os estudos não limitam a diversão. Pelo contrário, é nas aulas onde são construídas as relações com jovens de outras nacionalidades. Na sala de aula, o coreano combina com a suíça de ir à praia à tarde. É de um exercício de conjugar o verbo “comer” que a italiana garante a todos cozinhar a melhor pasta com camarón do mundo, e daí marcarem de comprar as coisas para o jantar no residencial estudantil. O clima na escola de idiomas era incrível a ponto de não haver motivo para mau humor ao despertar cedo.

A ROTINA

Pátio da International House Riviera Maya. Ambiente descontraído e com bela natureza reflete bem as características do destino. À esquerda, estão as salas de aula

Até porque não é tão cedo assim. Ciente da necessidade do jovem de sair com os colegas para jantar, se divertir e praticar o idioma da maneira mais aprazível, as aulas na International House Riviera Maya começam às 9h30. Às 11h há um intervalo de 20 minutos e, sem seguida, seguem até as 13h30. Quatro horinhas diárias de atividades quase sempre muito dinâmicas. No meu primeiro dia, fui submetido a uma entrevista para saber como andava meu espanhol. Consegui “enganar” a professora e fui mandado para um nível alto. É mais fácil para quem fala o português. Alícia, minha primeira professora, disse que um brasileiro fica fluente em menos de seis meses, enquanto um asiático, por exemplo, pode demorar cinco anos. Os motivos são óbvios. Em princípio, esse nível alto me preocupou um pouco, pois não ensinavam o básico. Além dis-

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Eu e a professora Verónica, uma das principais personagens do meu intercâmbio

> Continuação da página 02 so, conheço bem o vocabulário. Entre meu interesse pelo futebol argentino e minhas idas e vindas pelos vizinhos de América do Sul, aprendi uns macetes e enriqueci bastante meu portunhol. O que precisava mesmo era construir as frases e mexer um pouco na gramática. Yo, tú, ello, nosotros, vosotros y ellos. Coisa básica. “Talvez em um nível um pouco mais baixo eles dão mais enfoque ao tempo verbal, aos pronomes, aos verbos irregulares, às conjugações”, pensei após a primeira aula. Próximo ao final da minha segunda semana de aula, já senti uma diferença bem grande no espanhol. Longe de entender o que os mexicanos conversavam entre eles, mas já eram tarefas mais fáceis pedir uma informação na rua ou solicitar algo a um garçom. Não adianta achar que é fácil. Brasileiro tem mania de colocar no currículo que possui um espanhol avançado ou médio só porque deu um pulinho ana Argentina e não morreu de fome. Não é assim. Se lemos um texto ou escutamos alguém falando devagar, conseguimos entender o contexto, a ideia geral, mas até aí são poucas as situações em que nos deparamos com tanta paciência alheia. Portanto, não tem como: um curso fora do Brasil é a melhor opção para os que realmente precisam estar bem com esse idioma. Creio que um mês in loco se equivale a uns quatro meses de curso no Brasil. Chutando baixo. Meu avanço me motivou a pedir para trocar de sala na segunda semana. Meu nível, como brasileiro, estava bem acima do espanhol dos europeus da classe. Sei disso porque uma suíça veio conversar comigo para dizer que uma semana antes de eu ter chegado, a professora conduzia a aula bem mais lentamente e ela podia aprender mais. Nunca fui o melhor aluno da sala em nenhum lugar que passei pelo Brasil. É que a língua é realmente mais fácil para nós. Ouvi em algum lugar que nosso vocabulário é 65% igual ao espanhol. Então, pô, coitada dessa suíça, a Ines, cuja língua materna é o alemão (ela, com 21 anos,

também fala francês e inglês, ou seja, está longe de ser má aluna). Acontece que enquanto ela lia no dicionário para saber o que é almorzo, verguenza, camisa, verdad, puente, madera e ojos, eu já terminei o exercício em dois minutos e estou perguntando alguma curiosidade à professora, só para praticar. Então, lá fui eu pedi para trocar de sala. De bate-pronto, Monica, uma das coordenadoras da IH Riviera Maya, me encaixou em outra sala. “Essa professora é mais teórica e o nível é bem acima da sua sala”, alertou. Dito e feito. Troquei de Alícia para Verónica e também amei a nova professora. Na minha nova sala éramos eu, uma norte-americana, uma suíça e uma italiana. Já de início, Verónica me ensinou muita coisa. A começar com o verbo presente do subjuntivo, para expressar desejos, reclamações ou necessidades (“necesito que vayan a la biblioteca”), ou para valorar situações e feitos (“és fantástico que la gente estean tán amable en Brasil aunque tenga muchos problemas”). Ela também ensinou como expressar valores e sentimentos (“a mi me encanta la musica brasileña”) e as preposições (a, bajo, com, contra, de, desde, hacia, hasta…) e a descrição de um objeto ou de uma pessoa (“un abrigo es una prenda de vestir com la que te proteges del frío”). Tudo isso é ensinado em um clima muito divertido, descontraído. Isso é

demais, pois a parte mais educativa da viagem se torna uma delícia. Certa manhã de segunda, passei por um dos momentos mais privilegiados do meu intercâmbio. Tive uma aula particular. Formada por quatro alunos, a turma da professora Verónica resolveu tirar o dia para mergulhar com tubarão-baleia. Como fui o único a ficar em Playa del Carmen, sobrou para mim a vantagem de ter essa excelente maestra em uma aula privada. Brasileiros que, assim como eu, estudaram pouco o espanhol e falam mais pelo instinto, ou pelo achismo, acabam cometendo muitos erros. Isso porque o portunhol é uma espécie de batalha naval: muitas vezes você arrisca, acerta em cheio e vai tentando ir por caminhos semelhantes ao que te fez acertar. Entre-

tanto, a chance de suas apostas darem em “água” são enormes, e aí é a maior vergonha que nem o professor, treinado para compreender erros, consegue entender o que você quis dizer. Quando Verónica me disse “hoje não seguiremos a matéria do livro, vamos aproveitar que está sozinho para tirar dúvidas particulares”, ela ficou surpresa com minha resposta. Eu disse que gostaria de aprender os verbos mais básicos em todos os tempos, modos e conjugações. “Mas achei que isso era tão fácil para brasileiros”, ela disse. Revisei o básico: fazer afirmações, previsões, hipóteses, falar de feitos passados, de ações anteriores a feitos passados, enfim, tudo. Fica a dica para todo brasileiro que deseja estudar espanhol. Seguir o instinto vai ajudar, mas não é o suficiente. Caso tenha a oportunidade, reserve umas três, quatro, cinco aulas para aprender esse tipo de coisa. Nem que seja com um professor de espanhol no Brasil antes de viajar para seu intercâmbio. No fim, Verónica não estava mais surpresa. Viu que eu realmente precisava desse conteúdo e disse que sentiu uma boa evolução.

NA PRÁTICA

Escola oferece passeio ao Museu da Tequila

Segunda (lunes): city tour. Terça (martes): comer e aprender a preparar pratos locais. Quarta (miércoles): dia de aprender a dançar salsa. Quinta (jueves): jogar vôlei, futebol ou o que queira na praia. Sexta (viernes): fiesta. Poderia ser a programação de um resort, um clube ou algo que remeta a férias, mas na verdade é a programação semanal da International House, ou, se preferir, uma das melhores maneiras de aprender espanhol. No Brasil, temos a expressão “treino é treino, jogo é jogo”, oriunda do meio futebolístico, para designar que na “hora do vamos ver, a coisa é diferente”. É o que acontece o tempo todo no intercâmbio. A sala de aula é onde acontecem os treinos, onde se pode errar mais, onde se adquire entrosamento, habilidade, técnica, verbos, expressões e substantivos. Já as atividades citadas mais acima são os jogos, a hora H, o momento de colocar em campo tudo o que foi aprendido nas manhãs de treinamento. É saindo às ruas que se fala


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BALANÇO

com os garçons, nativos, turistas de outras partes do México. É assim que se aprende nome de comida, nome de jogadas e dribles de futebol, a linguagem da noite, gírias, palavrões, brincadeiras… Nessas atividades você vai se aproximar das pessoas, construir histórias inesquecíveis, formar laços.

--- O Jornal PANROTAS viajou a convite da Belta e International House, voando Tam, com apoio do receptivo AT Travel e com proteção GTA

Vôlei com os colegas de escola no calor do Caribe

A primeira vez que saí do Brasil foi em 2009, com 19 anos, em um mochilão de um mês que iniciou no Uruguai, passou por Argentina e terminou no Chile. Claro que foi uma viagem ótima que contou com a vantagem do fator “a primeira vez a gente nunca esquece”, porém, poderia ter sido melhor aproveitada se eu conhecesse o espanhol. Desde então fui evoluindo aos poucos. Um filme com ator argentino Ricardo Darín aqui, uma canção do Maná ali e um pulinho na Argentina acolá... Contudo, depois desse mês em Playa del Carmen, estou seguro de que os meus próximos embarques rumo aos países vizinhos ou a qualquer destino de língua espanhola serão de um deleite bem mais completo. Estou preparado para explorar com mais categoria. Considero-me pronto para desfrutar de um bate papo com um cidadão local sobre a situação do campeonato nacional, sobre o que pensa do Brasil e sobre a recomendação de um restaurante nada turístico. Isso significa extrair o que penso ser a melhor parte do turismo: o tato com o autêntico, a impressão da vida fora das fronteiras tupiniquins. Isso não quer dizer que estou fluente em espanhol. Como disse, creio que necessitava de algo como três ou quatro meses para poder colocá-lo em meu currículo. A experiência, entretanto, é absolutamente válida. Recomendaria a todos, sem exceção de idade, pois Playa del Carmen é um destino agregador que satisfaz um público muito abrangente. É a maneira ideal de aprender esse que está

Por falar em imersão na cultura local, aí estão alguns estereotipos mexicanos. Será que consegui tirar a imagem de turista?

entre os três idiomas mais falados no mundo. Ser um turista mais completo: check! Ser um profissional mais bem preparado: check! Evoluir como pessoa: check! Ser um cara de mais amigos: check! Conhecer um dos destinos mais especiais do mundo: check! Conhecer os cenotes, uma das maiores belezas naturais do mundo: check! Voltei de Playa del Carmen com uma check list bem mais preenchida e essa riqueza ninguém nunca tirará da minha vida. 

> Continua na página 05


05 > Continuação da página 04 PARTINDO DO PRINCÍPIO DE QUE É IMPOSSÍVEL FICAR EM UM RESORT ALL INCLUSIVE E ESTUDAR AO MESMO TEMPO, HÁ BASICAmente três maneiras de se hospedar em um intercâmbio em Playa del Carmen: em um apartamento por conta própria, em casa de família ou em um residencial estudantil. Fiquei hospedado no que nós, alunos, chamávamos de habitación. Creio que seja o lugar perfeito para minha proposta de ficar apenas um mês e aprender o idioma, mas sem a cobrança tão rigorosa. Em um destino tão turístico como Playa del Carmen, é bom ter um pouco mais de liberdade para sair com os amigos, chegar tarde em casa e ter privacidade. Entre os destaques do residencial estudantil da IH Riviera Maya está a localização: certa manhã calculei exatos dois minutos e 44 segundos a pé da escola num ritmo bem preguiçoso. É muito perto. É mais perto ainda do

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Hospedagem e gastronomia Coco Bongo Playa del Carmen, talvez a balada mais famosa desse destino e da vizinha Cancun. Restaurantes, conveniências, farmácia, lojinhas, a Calle 5 (rua mais movimentada turisticamente) também são bem próximos. Tudo menos de cinco minutos a pé. É de uma estupenda qualidade de vida poder fazer tudo de Havaianas (aquelas com bandeira do Brasil são febre no destino). Tudo a ver com Playa del Carmen. A casa de família é recomendada para os que buscam uma imersão total na língua e na cultura local. Além de geralmente ser vantajosa economicamente, é uma opção para ter um progresso ainda mais rápido com o idioma.

CULINÁRIA

Diz o norte-americano que os melhores restaurantes mexicanos são os com o maior número de moscas na frente – eles juram que é em referência aos mais baratos. Neste Mé-

xico fui obrigado a concordar ao menos em parte com os yankees. Ô povo para ter excelência no bueno, bonito e barato! Uma combinação de guacamole e taco de camarão pode custar 65 pesos mexicanos, pouco mais de R$12. Pimenta sempre à parte, que, segundo o garçom, é para não assustar os turistas. As entradas são muito fartas, praticamente uma refeição. Um dos meus restaurantes prediletos não tinha nome na fachada. Perguntei para o garçom e ele disse “el nombre es guacamole” (que tal a originalidade?!). É daquelas portinhas que você encontra por aí. Um achado! Entretanto, Playa del Carmen é um destino muito diversificado para se restringir à comida mexicana. Há restaurantes de todos os tipos e nacionalidades. Nós, estudantes, provávamos de tudo o que nosso bolso permitia. Fazíamos também muitas reuniões no residencial para cada um cozinhar

algo diferente. Na minha noite, o estrogonofe fez muito sucesso. Aliás, também no residencial, as aulas de cozinha com o chef Julio fazem muito sucesso. Cada terça-feira ele ensina algo diferente de sua cultura aos intercambistas. Aprendemos a preparar um prato chamado sopes, uma espécie de taco, mas com massa diferente, sem aquele gosto típico de milho, além de moles e tacos. Era uma delícia. O ambiente que se formava na cozinha era sensacional. Todos loucos para aprender (e devorar). Nessas horas o idioma saía naturalmente, sem as obrigações da sala de aula. A gramática e o vocabulário podem escorregar um pouquinho, mas todos se esforçam para entender e se fazer entendidos. Além de mandar muito na cozinha, Julio nos ensinou que “que chido” é “que legal”. Logo depois já saquei que os mexicanos usam muito a expressão.

Residencial estudantil da IH Riviera Maya

Chef Julio e a aula de cozinha mexicana


Passeios na

Riv iera M aya Río Secreto e o mergulho por toda extensão de um cenote

FIZ UMA SÉRIE DE PASSEIOS NA RIVIERA MAYA COM O APOIO DO RECEPTIVO BRASILEIRO AT TRAVEL, BASEADO EM Cancun e atuação em área bem abrangente. A região é repleta de atrativos e a empresa da curitibana Lilian Zanon oferece a grande maioria deles. Uma experiência autêntica na encantadora natureza do destino é o El Río Secreto. Fica a cerca de 20 minutos de Playa del Carmen. Passei lá uma das melhores tardes de sábado da minha vida. Fiz o pacote plus, que custa em torno de US$ 100, US$ 20 acima do pacote básico. Vale o investimento, pois há o adicional de descer ao cenote (caverna com fendas) de rapel, andar de bicicleta e assistir a um show muito diferente de projeções. Todo o tour dura aproximadamente seis horas e o almoço é incluído. O principal atrativo é, sem dúvida, o mergulho por toda a extensão de um cenote. O guia vai explicando em espanhol ou inglês toda a formação das estalagmites, das estalactites, da relação delas com o cálcio, com a água da chuva e com o tempo. Ele também relaciona o local com a cultura maia, o que se torna ainda mais espetacular. Ah, a água é fria no começo, mas com a roupa de neoprene e com o calor típico da Riviera Maya, não há combinação melhor. O ponto alto, para mim, foi no momento em que o guia mandou todos apagarem as lanternas. Nunca presenciei tal escuridão. É algo absurdo, a ponto de não conseguir enxergar a palma da mão a um centímetro do rosto. Nesse momento ele explica a relação dessa escuridão com os outros sentidos e também com a espirituali-

> Continua na página 07


> Continuação da página 06 dade – o renascimento quando da volta à claridade. É muito bonito. Já depois do término do meu período de aulas, resolvi tirar a última segunda-feira na Riviera Maya para dar um passeio de barco no mar do Caribe. Solzão, ceviche na paradisíaca Isla Mujeres e eu tirando uma onda no paraíso. Sim, legal. Mas para ficar fascinante só se desse de cara com o maior tubarão do mundo. E não é que aconteceu? Foi um dia digno de cinema – ou um documentário no Discovery Channel, se preferir. Na verdade, nadei com mais de um tubarão-baleia. Vi uns três ou quatro deles. Fui ao mar em quatro sessões de cinco minutos que mudaram minha vida para sempre. A partir de então, vou levar um asterisco sobre a testa dizendo “já estive a um centímetro de um dos maiores animais do mundo em seu habitat natural”. Dificilmente darei de cara com algo tão bonito assim novamente. Dificilmente algo vai me arrepiar tanto como a manhã daquela segunda-feira de agosto. Não foi ao acaso que vi o tubarão-baleia, o maior peixe do mundo. É um tour que ocorre de julho até o fim de setembro no Caribe mexicano, com várias empresas saindo de Cancun. Agradeço mais uma vez ao receptivo brasileiro AT Travel que realizou esse sonho. É digno de voltar e pagar mais um ingresso, de tão lindo. O passeio custa pouco mais de US$ 160. Intercambista que vem ao México: guarde aos poucos sua graninha no Brasil, pois cada centavo é bem gasto nesse tour.

SNORKEL E ISLA MUJERES Esse foi, na verdade, meu primeiro passeio, e o sentimento inicial de que meu espanhol havia dado o primeiro grande passo. Palavras começaram a sair com mais segurança e a comunicação fluiu melhor com as pessoas que têm o idioma como língua materna. Claro que se não fosse pelos estudos em sala de aula, eu não estaria falando isso, pois lá construí essa noção. Este primeiro passeio foi um ótimo car-

Foto de divulgação do nado com tubarão baleia. Esse não sou eu, mas cheguei tão perto quanto esse felizardo

tão de visita. Estou falando de um dia inteiro curtindo o sol, os novos amigos e o mar brilhante, transparente, verde, azul, limpíssimo e incrível do Caribe mexicano. Fizemos snorkel no Museu Subaquático, o qual já havia tido o prazer de conhecer em dezembro, graças à querida Diana Pomar, do Conselho de Promoção Turística do México no Brasil. Dessa vez, porém, conheci outras peças: um fusca e um aglomerado de estátuas de trabalhadores locais. De lá almoçamos em uma ilha muy chica. Novamente reitero: tudo incluído e farto, para tentar chegar ao menos perto do que o hóspede mal acostumado encontra nos resorts all inclusive de Cancun. Um tempo para descansar na ilha e partimos para Isla Mujeres, uma famosa ilha com um outro mar cheio de adjetivos. Nos divertimos do começo ao fim: suíços, italianos, belgas, um pai e um filho de 11 anos de San Diego (EUA) e o brasileiro. Todos da escola. Uma turma fora de série.

Cenotes, uma das maiores preciosidades da Riviera Maya

Esse dia foi um dos mais felizes da minha vida. O tubarão-baleia é um bicho esplendoroso e tive a chance de estar a centímetros dele

Snorkel nas proximidades do Museu Subaquático


Turismo sustentável NÃO É À TOA QUE SÓ CANCUN E RIVIERA MAYA RECEBEM O EQUIVALENTE DO NÚMERO DE TURISTAS QUE O BRASIL INTEIRO RECEBE POR ANO. OS MEXICANOS PARECEM TER CAPTADO

a receita de como fomentar a atividade e trazê-la para o bem de sua economia. Um exemplo disso é o Grupo Experiencias XCaret, que se tornou uma espécie de Disneylândia do Caribe. Mas não são só eles. As belezas naturais da região são incrivelmente bem exploradas por vários parques, sempre deixando claro o respeito à natureza e ao desenvolvimento sustentável do turismo. Outra maneira

de fazer Cancun e Playa del Carmen destinos muitos conhecidos são suas baladas. Além do ícone Coco Bongo, os destinos apresentam uma variedade enorme para os turistas caírem na noite.

PARQUES E COZUMEL Xel-Há é o parque mais família entre todos do XCaret. Grande parte das atividades agrada desde bebês de meses a idosos. Por isso, vemos lá pessoas de todas as idades dividindo espaço com água doce, água salgada, peixes, pássaros, golfinhos, tarta-

Mergulho em Isla Mujeres

rugas, iguanas, verde, azul, branco… com o paraíso. Sim, até porque XelHá significa “nascente da água” em maia – em sua propriedade há o que eles chamam em espanhol de caleta, ou seja, uma entrada de mar, uma pequena enseada. Lá, são 70 hectares de terra e 14 hectares de água. Se você, assim como eu, não tem tanta noção do quanto é isso, posso garantir depois que fui: é muito! Tanto que abriga 78 espécies de peixes de água salgada e doce, além de vários outros animais terrestres. O parque também pode ser considerado uma referência no conceito all-inclusive na Riviera Maya. Tudo o que Divulgação

Parte do parque Xel-Há

o visitante queira comer e beber está incluso o dia inteiro. São vários restaurantes: comida mexicana, comida internacional, churrasco, sobremesas… não é enganação de conceito tudo incluído.

XPLOR

O simpático guia do Xplor, Leonel Partido, me ensinou, antes de começarmos o passeio, expressões como está super, que chido, a todo lar, que chévere, que padre, que buena onda, está padríssimo, a toda madre. Elas designam coisas bacanas, legais, fantásticas. Ele foi como um professor de coisas para lá de úteis, mas fora da sala de aula. Eu mal sabia o quão úteis seriam esses adjetivos. Quando saí do parque, logo me dei conta: o Xplor é um dos seis parques do Xcaret, o melhor quando o assunto é aventura. São 59 hectares, dos quais oito abaixo da terra, dez quilômetros de pista para jipes, 400 metros de rio subterrâneo com estalactites e estalagmites, um quilômetro de circuito de jangada e 3,8 quilômetros de tirolesa – a mais longa e alta tem 700 metros de comprimento e 45 de altura. Confesso que essa última atividade quase me matou do coração, mais porque não sou dos mais corajosos do que por qualquer outra coisa. O jipe, ou anfíbio, foi a melhor das atividades para mim. Uma dos destaques de toda a viagem. É um jipe grande e veloz, que pode percorrer dois circuitos. Nele é possível explorar as trilhas de Xplor e as cavernas. Parece que à luz do dia dá até para

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achar animais silvestres durante o percurso. Posso garantir que à noite a escuridão é total. Algumas vezes apaguei a luz do jipe e é de arrepiar. Logo acendi de volta. Isso sem contar as árvores no meio da pista e as curvas fechadas. Nas cavernas é possível notar que em alguns pontos o nível da água sobe, mas não há com o que se preocupar pois estes veículos são preparados para flutuar. Pedi pra fazer de novo.

Jipe anfíbio do Xplor foi minha parte predileta do parque

COZUMEL E PLAYA MIA Cozumel é uma ilha a 50 minutos de balsa de Playa del Carmen. O Parque Playa Mia é o tour que o receptivo brasileiro de Cancun AT Travel promove por lá. Foi um passeio de um dia, bem típico da região. Saímos de Playa del Carmen por volta das 10h, debaixo de um um calor de derreter. Após pegar a balsa com ar condicionado e wi-fi,

desembarcamos em Cozumel, onde é impossível chegar de carro. Assim que descemos já embarcamos no catamarã da Playa Mia para mergulhar. Taí uma coisa que não dá para enjoar. A sensação de dar o primeiro pulo do barco na água é a melhor. Dá a impressão de que vou ver tudo turvo e embaçado, que o fundo do oceano é

algo intocável, mas de repente, após aquele primeiro salto próximo aos corais, o sentimento é de que você sempre pertenceu àquilo, é da nossa natureza e é maravilhoso. De quebra ainda alivia o calor (sempre) de rachar. Após uma hora de mergulho, embarcamos no catamarã para chegar ao Parque Playa Mia. Estávamos morrendo de

fome e aproveitamos o bufê de comida mexicana. Tudo à vontade novamente. Delícia. Para depois do almoço há várias opções. São cerca de duas horas para desfrutar do parque. Há um parque aquático com piscinas e toboáguas, espreguiçadeiras para descansar e caiaque. Tem também opcionais, como jet ski, parashoot e banana boat.

Uma das atrações do Parque Playa Mia, em Cozumel


Cancun e baladas

Vista aérea da torre do XCaret em Cancun

NO JUNGLE TOUR, EM CANCUN, VOCÊ PEGA UMA PEQUENA LANCHA E PILOTA EM ALTA VELOCIDADE POR CERCA DE 30 MINUTOS ATÉ CHEGAR EM UM

arrecife de coral. Não precisa de habilitação náutica, nem nada do tipo, e o barquinho é super fácil de conduzir. Acho que foi a sexta vez que fiz snorkel no Caribe, mas essa leva dois grandes pontos positivos: são 40 minutos de flutuação, mas não há um caminho certo a seguir. Desde que fique perto da sua lancha, está tudo bem, faça o que quiser, mergulhe, boie, veja os peixinhos, tire fotos… Além disso, esse foi o local mais raso em que fiz snorkel. Isso faz toda diferença porque dá para chegar bem mais perto dos bichos. Além disso, vi um pequeno polvo e outros peixes bem diferentes dos encontrados nos corais mais fundos. O jungle tour custa cerca de US$ 60 e também pode ser comprado na AT Travel.

Mais do que estudar e conhecer um mundo novo, um intercambista também põe os pés na estrada para marcar capítulos inesquecíveis em suas vidas. Como geralmente estamos falando de um público jovem, a noitada é um alvo praticamente certo para essa missão de compor histórias incríveis. Isso dá mil pontos a favor de Playa del Carmen em comparação à maioria dos outros destinos. Playa apresenta uma carta diversificada de bares e boates. Há de tudo: música eletrônica, reggaeton, salsa, bachata, espetáculos, reggae, música ao vivo, karaokê. Até noite brasileira! A Calle 12, onde também fica o residencial da

Coco Bongo, a balada que é atrativo turístico Divulgação/Reprodução site

LAS NOCHES

A caminho do mergulho no Jungle Tour

IH Riviera Maya, é o principal ponto de encontro dos baladeiros. Não há sequer um dia da semana em que essa rua se encontre vazia. De domingo a domingo lá estarão mexicanos, norte-americanos, brasileiros, europeus, asiáticos e o resto do mundo concentrados, em busca de uma noite divertida. Isso porque na Calle 12 estão concentradas quase todas as baladas da cidade. São mais de dez gigantes, uma ao lado da outra. Abolengo, Mandala, La Vaquita, Blue Parrot, Tribeca, La Salsanera, La Santanera, Pallazzo, Coco Bongo e tantos outros nomes. Para mim, a notícia boa é que poucas tocam música eletrônica, já que não sou muito fã do bate-estaca, mas claro que também há. Os DJs de lá optam mais por músicas latinas.


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