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Uma reflexão mensal do think tank dos líderes do Turismo Setembro 2026
ASSUNTO DO MÊS
AS MARCAS DA LIDERANÇA
Resultados contam uma parte da história. As pessoas que trabalham com um líder contam a outra.
Nesta semana, milhões de brasileiros irão às urnas escolher pessoas às quais entregaremos uma parcela importante de poder sobre decisões que afetam nossas vidas, nosso trabalho, nossas empresas e o futuro do país. Em uma semana tão emblemática para pensarmos sobre quem queremos que nos lidere, talvez também seja uma boa oportunidade para olhar para as organizações e refletir sobre o poder que entregamos, todos os dias, às pessoas que colocamos em posições de liderança. Nas empresas, uma promoção para um cargo de liderança costuma ser consequência de uma trajetória de bons resultados, conhecimento técnico, experiência, capacidade de execução ou reconhecimento profissional, e junto com o novo cargo vem algo muito maior do que uma nova lista de responsabilidades: vem o poder de interferir diretamente na experiência de trabalho de outras pessoas.
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Um líder influencia prioridades, distribui recursos, reconhece, dá espaço, restringe, escuta, desenvolve, promove, contrata, demite, organiza o trabalho e ajuda a definir aquilo que será tolerado ou valorizado naquele ambiente. Sua atuação interfere na confiança das pessoas para tomar decisões, na coragem para discordar, na percepção de pertencimento, nas oportunidades de crescimento e, em alguma medida, na forma como elas chegam em casa depois de um dia de trabalho.
Liderança é uma experiência que alguém provoca na vida de outras pessoas.
Líderes podem se considerar acessíveis enquanto suas equipes têm receio de procurá-los, podem acreditar que oferecem autonomia enquanto participam de cada decisão, podem enxergar sua cobrança como uma busca saudável por excelência enquanto as pessoas ao redor experimentam exaustão e insegurança. Quanto maior o poder, maior também pode ser a dificuldade de enxergar esse impacto, porque posições de liderança alteram a qualidade das informações que chegam até quem as ocupa. Pessoas escolhem melhor as palavras, evitam determinados assuntos, calculam consequências antes de discordar e, aos poucos, o silêncio pode ser interpretado como concordância, a obediência como engajamento e a ausência de conflito como sinal de que tudo vai bem.
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E existe uma questão especialmente delicada nessa experiência: aquilo que um líder acredita provocar pode ser bastante diferente daquilo que as pessoas efetivamente vivem.
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01 Business For Bright Future
AUTOPERCEPÇÃO COMO COMPETÊNCIA Por isso, autopercepção deveria ser tratada como uma competência essencial de liderança, acompanhada da capacidade de buscar feedback, escutar aquilo que incomoda, identificar padrões e transformar consciência em desenvolvimento. Receber feedback e continuar operando exatamente da mesma maneira transforma o processo em ritual vazio, enquanto assumir responsabilidade pelo próprio desenvolvimento exige curiosidade sobre o impacto que provocamos e disposição genuína para mudar comportamentos quando a realidade devolvida pelos outros é diferente da imagem que construímos sobre nós mesmos. Essa responsabilidade ganha ainda mais relevância quando olhamos para o impacto da liderança sobre a experiência das pessoas nas organizações. Um estudo realizado pela Natura em parceria com a Universidade de Oxford, acompanhando mais de 9,5 mil colaboradores, encontrou associações entre bem-estar, permanência e performance, e identificou entre as dimensões relevantes para o bem-estar fatores como pertencimento, crescimento e confiança, desenho do trabalho e relação com a liderança direta. Há algo particularmente importante nessa descoberta porque ela nos convida a tirar o bem-estar do território dos benefícios periféricos e colocálo dentro da própria gestão. A possibilidade de concluir as responsabilidades dentro da jornada regular, por exemplo, apareceu no estudo associada à ausência de estresse dentro da dimensão de desenho do trabalho, um dado que provoca uma pergunta incômoda: quantas vezes estamos tentando ensinar pessoas a lidar melhor com ambientes que poderiam ser mais bem liderados?
MUKIDI
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OUTRA FORMA DE AVALIAR LÍDERES Prioridades mais claras, cargas de trabalho possíveis, autonomia compatível com as responsabilidades, reconhecimento, conversas honestas, segurança para errar e aprender, oportunidades de desenvolvimento e relações baseadas em confiança são construídas todos os dias, e a liderança tem enorme influência sobre cada uma delas.
As pessoas que trabalham com esse líder crescem? Tornam-se mais autônomas? Sentem segurança para discordar? Aprendem e ampliam seu repertório? Conseguem reconhecer sentido no que fazem? Confiam umas nas outras? Conseguem realizar um bom trabalho sem sacrificar sistematicamente sua saúde, suas relações e sua vida fora dele? Essas perguntas dizem muito sobre a qualidade da liderança e deveriam fazer parte daquilo que observamos quando decidimos promover, reconhecer, desenvolver ou manter alguém responsável por outras pessoas.
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Talvez por isso seja hora de ampliar também a maneira como avaliamos líderes. Resultados financeiros importam, eficiência importa, crescimento importa, satisfação dos clientes importa, inovação importa, e a marca que um líder deixa nas pessoas também é resultado do seu trabalho.
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01 Business For Bright Future
A MARCA QUE UM LÍDER DEIXA Há pouco mais de um ano, escrevi sobre a crise de atenção e defendi que cabe aos líderes criar, de forma intencional, contextos que favoreçam presença, escuta e conexão, porque a qualidade das relações no trabalho também é uma escolha de gestão. Continuo acreditando nisso e acrescentaria hoje uma convicção: quem cria o contexto precisa assumir responsabilidade pelos efeitos que esse contexto produz. Nesta semana, enquanto pensamos sobre as pessoas às quais entregaremos o poder de tomar decisões que afetam nossa sociedade, vale também olhar para dentro das organizações e lembrar o tamanho da responsabilidade que existe quando entregamos a alguém o poder de liderar pessoas. Porque liderar significa entregar resultados para a organização e, entre esses resultados, está aquilo que acontece com as pessoas ao longo do caminho. A marca que um líder deixa nas pessoas também é parte do seu legado.
Trícia Neves Cofundadora e sócia-diretora da Mapie
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O Travel Leaders Hub é o think tank definitivo para executivos do Turismo. Um espaço onde inteligência e inovação se encontram para antecipar tendências, transformar dados em insights estratégicos e acelerar a evolução do setor. Uma iniciativa da PANROTAS, Mapie, Trvl Lab e Travel Tech Hub, o Travel Leaders Hub conecta mentes brilhantes, fomenta a cocriação de soluções inovadoras e promove o compartilhamento de conhecimento especializado. Seja na troca de ideias, na construção de estratégias ou na tomada de decisões que definirão os rumos do Turismo, aqui está o epicentro da transformação.
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As opiniões, análises e comentários expressos neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e refletem sua visão pessoal sobre os temas abordados. Tais posicionamentos não representam, necessariamente, o entendimento, a opinião ou o posicionamento institucional das empresas às quais o(a) autor(a) esteja vinculado, nem do Travel Leaders Hub ou do Panrotas. Essas organizações não endossam, validam ou se responsabilizam pelas opiniões aqui apresentadas, que devem ser interpretadas como contribuições individuais ao debate e à reflexão sobre o setor.