Edição 25
MARÇO/22
ECONOMIA BRASILEIRA .......................................................................2 DADOS IMPORTANTES ............................................................................3 DADOS MACRO AMÉRICA LATINA ............................................................3 ÍNDICES DE CONFIANÇA ..........................................................................4
INDÚSTRIA DO TURISMO ....................................................................5
PRINCIPAIS FATOS Não bastasse todos os problemas da pandemia do Coronavírus nos últimos dois anos e, recentemente, a variante ômicron, surge agora a guerra na Ucrânia com mais efeitos danosos para a economia mundial e brasileira, sobretudo no aumento de preços. Isso porque o conflito pressionou para cima os preços das commodities, com o petróleo, por exemplo, chegando a atingir 130 dólares o barril do tipo Brent, balizador para a gasolina interna brasileira. As consequências foram imediatas para o Brasil. Em meados de março, a Petrobrás anunciou um novo reajuste nos preços da gasolina e do óleo diesel, de 18,8% e 24,9%, respectivamente. A gasolina, por exemplo, tem um peso de 6,5% no IPCA, índice de preços oficial, sendo o item individual de maior despesa entre as famílias brasileiras. Embora o peso do óleo diesel seja mais discreto, de 0,25%, o seu efeito na cadeia logística é imenso, dado o uso intenso da malha rodoviária através dos caminhões para transporte de cargas. Esse aumento contribuiu para elevação das expectativas para a inflação geral deste ano, de 6% para próximo de 7%. Só no primeiro bimestre deste ano, o IPCA acumulou 1,56%. Lembrando que a inflação de 2021 superou os 10%, com 10,06%. Ou seja, mais um ano de preços elevados. Diante deste cenário, o Banco Central segue a tendência de aumento de juros e decidiu por em elevar a SELIC de 10,75% para os atuais 11,75% ao ano, na reunião do COPOM (Conselho de Política Monetária), do dia 16 de março. Contudo, é sabido que a inflação brasileira não é consequência da demanda aquecida, mas derivada do choque de oferta ocasionado pela pandemia. Como os juros não têm influência sobre o preço do petróleo internacional, sobre o regime de chuvas e etc., o trabalho de controle da inflação será mais árduo para o Banco Central. E o caminho deve ser pela valorização do real, com os investidores estrangeiros trazendo seus recursos para o Brasil garantindo taxas reais de retorno atrativas. Tanto que o real está no caminho de sua valorização. Atingiu recentemente a marca dos cinco reais por cada dólar, sendo que há pouco tempo oscilava em torno dos R$ 5,50. Porém, a valorização só serviu, por enquanto, para amenizar o forte avanço nos preços das commodities. E a inflação tem sido um dos principias entraves para a economia brasileira, que segue a passos lentos, embora tenha crescido 4,6% no ano passado, mas por conta de uma base de comparação frágil. O comércio varejista, por exemplo, registrou a quinta queda anual consecutiva em janeiro, com -1,5%. Além do crédito mais caro, a renda das famílias está apertada por conta do aumento de preços. De acordo com dados do IBGE, o rendimento médio real do brasileiro está em torno de R$ 2.500 (aprox. US$ 500), nos menores níveis desde 2012. Soma a esse ponto o percentual de famílias endividadas no Brasil, 76,6% em fevereiro, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). E o percentual de famílias com contas em atraso atingiu o maior nível desde 2012, com 27%. Desta forma, reduz – ainda mais – a capacidade de consumo, pois as famílias precisam reservar mais recursos para cobrir os compromissos feitos no passado. Apesar do desemprego ter melhorado, de 13,5 milhões para 12 milhões, entre o 3º e 4º trimestre do ano
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passado, não foi suficiente para recuperação da renda e a ampliação do consumo. A indústria, por sua vez, também segue na tendência negativa. Em janeiro, a produção industrial retraiu 7,2% na comparação anual, puxado tanto pela indústria extrativa (-6,7%) quanto pela indústria de transformação (-7,3%). Já o agronegócio sofreu com a forte estiagem no sul do país neste início do ano. De acordo com dados do IBGE, a projeção da safra da soja para 2022 é queda de 8,8%, puxado pelo recuo de 36,1% da produção da região Sul. A tendência é negativa também para o trigo, com expectativa negativa de 7,4% para a safra 2022. Por outro lado, o milho deve ter alta de 33,8%. Ainda sobre o agronegócio, a guerra na Ucrânia deve pressionar os custos no campo, uma vez que os preços dos fertilizantes dispararam no mercado internacional e não há certezas de que o abastecimento pela Rússia será regularizado no médio prazo. Em geral, a economia brasileira está mais fraca do se esperava no final do ano passado. É a tempestade perfeita, problemas climáticos (seca por um lado, excesso de chuva por outro), variante ômicron e guerra na Ucrânia. Esse cenário gera instabilidade e acaba sendo repassado para os preços e custo do crédito, uma vez que os países estão na tendência de subir juros para contar a inflação. O Brasil terá dificuldades de conseguir tração para ter um crescimento em 2022. A tendência é de estagflação, de crescimento próximo a 0% com inflação alta, além dos juros elevados. Somente com a inflação controlada será possível reduzir os juros e, com isso, incentivar os investimentos para a recuperação mais rápida da economia. Expectativa de melhora vai ficando para 2023. DADOS IMPORTANTES: A inflação de fevereiro foi de 1,01%, puxada pelo grupo de alimentos e bebidas (1,28%) e por educação (5,61%). Esse segundo grupo tradicionalmente cresce nesta época do ano por conta do reajuste da matrícula escolar. Ou seja, é uma questão pontual, ao contrário do grupo alimentos e bebidas que deve continuar pressionando o IPCA geral.
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As vendas do comércio tem tido uma assimetria setorial. Em janeiro, por exemplo, os setores de farmácias, veículos e vestuários registram alta de 10,1%, 2,8% e 2,6%, respectivamente. Pelo lado negativo, o destaque vem do setor de eletrodomésticos, de -13,2% seguido de materiais de construção, -7,8%. n
Latin America Macro Data
Argentina
Brazil
Chile
Colombia
Mexico
Peru
Unemployment rate
8,20%
11,10%
7,30%
14,60%
3,60%
8,60%
Basic interest rate
42,50%
10,75%
5,50%
4,00%
6,00%
4,00%
Inflation (LTM - feb*)
50,70%
10,54%
7,80%
8,01%
7,28%
6,67%
*LTM - Last Twelve Months Until Dec Legend: Green, Red and Black The data get better, worse and equal than the previous month.
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ÍNDICES DE CONFIANÇA: O Índice de Confiança do Consumir retrai pelo segundo mês consecutivo e atinge o menor patamar desde agosto de 2020, com 104 pontos, 4% a menos do que o registrado em janeiro. Na comparação anual houve retração de 10,5%. Além da variante ômicron que trouxe uma explosão de casos entre janeiro e fevereiro, a inflação tem tirado o sossego das famílias paulistanas, que não conseguem encontrar oportunidades no mercado de trabalho para recompor a renda familiar. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) registrou 116,8 pontos em fevereiro, queda de 2,4% em relação a janeiro. No entanto, na comparação anual, houve avanço de 20,3%. No início do ano passado o comércio sentiu com restrições por conta da segunda onda da Covid-19. Neste ano, embora tenha tido a ômicron, não houve medidas restritivas relevantes. Para o curto prazo, deve haver um recuo da confiança do empresário por conta da restrição de consumo das famílias, gerando um quadro de vendas fracas. Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)
Nota: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.
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VIAGENS E TURISMO ENTRE A EUFORIA E A CAUTELA 11 de 27 Estados brasileiros já haviam, em meados de março, flexibilizado o uso de máscaras por causa da pandemia de covid-19. A tendência era a de que mais unidades da federação aderissem à flexibilização, uma vez que os índices de vacinação no País estão altos e os casos e especialmente as mortes decorrentes da doença diminuem. Fronteiras abertas e países que não exigem mais o teste negativo para a entrada, focando na necessidade da vacina, também são mais boas notícias para o setor de Viagens e Turismo, que, no entanto, ainda está cauteloso, principalmente em relação às viagens internacionais. 1 – TARIFAS AÉREAS EM ALTA A guerra da Rússia contra a Ucrânia tem pressionado o preço do combustível em todo o mundo e no Brasil não é diferente. As empresas aéreas já disseram que o preço das passagens vai subir. O dólar, que chegou a baixar de R$ 5 por instantes, já voltou a subir. Viajar vai estar mais caro no Brasil e para o Exterior. As famílias vão priorizar as férias com todos os membros e as ofertas e oportunidades. 2 – CRÉDITO A SER USADO As novas vendas estão ocorrendo, sim, mas ainda há muito crédito a ser usado pelos passageiros que tiveram de adiar suas viagens na pandemia. Só na CVC Corp, são mais de R$ 760 milhões a serem usados. Muita gente para viajar ainda, e o novo prazo do governo é dezembro de 2023, para uso dos créditos ou reembolso. 3 – INTERNACIONAL AINDA INCERTO Sim, as fronteiras reabriram, os voos estão voltando, aos poucos (ainda distantes da oferta pré-pandemia), mas ainda há incertezas: da necessidade de um teste negativo para voltar ao Brasil à guerra da Rússia contra a Ucrânia; do dólar alto às dificuldades financeiras e à volta da inflação. Portanto, destinos internacionais, invistam em nichos (luxo, família, esportes, bem estar, grupos de interesse) e tenham paciência: vamos retornar. Mas vai demorar um pouco. 4 – ANO DE COPA E ELEIÇÃO Talvez não seja o melhor ano para viagens internacionais: Copa do Mundo no final do ano (novembro) e as ofertas para trocar de TV já estão valendo; eleições um pouco antes, o que gera instabilidade e conservadorismo em gastos; e ainda dois carnavais – um em fevereiro, que foi muito bom para o Turismo interno e outro em abril, que promete ser ainda melhor. Dinheiro gasto no Brasil, parcelado.
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5 – AINDA ESTAMOS EM PANDEMIA Muitos viajantes ainda esperam o fim da pandemia para voltarem a desbravar o mundo. Viajar com restrições e risco de positivar ainda assusta muita gente. Passar segurança e mostrar a infraestrutura de saúde para a covid-19, incluindo onde fazer testes, é fundamental. 6 – ÁSIA FECHADA Há um tipo de brasileiro que ama as viagens longas para destinos exóticos, mas a Ásia ainda está fechada para turistas na sua grande maioria. E o brasileiro gosta de parar no meio do caminho (EUA, Europa, Oriente Médio) para ter uma segunda experiência na mesma viagem. Portanto, não ir à Ásia pode estar influenciando na ida para os demais destinos. 7 – VARIANTE DA VARIANTE Notícias sobre novas variantes e aumento de casos na Alemanha e na China não ajudam. Pelo contrário, desanimam e fazem adiar os planos de viagem. É preciso estimular a confiança somente em notícias baseadas na ciência e em fontes confiáveis. O tom, em meio a tudo isso, é de otimismo com cautela, pois percalços continuarão a ocorrer e há um novo cenário, apesar dos que querem a volta da normalidade pré-pandemia. Traga produtos novos e antigos produtos repaginados; olhe no olho; ganhe a confiança de agentes de viagens, viajantes e demais players da indústria; mostre que viajar é seguro e possível, de preferência com boas ofertas e oportunidades. Até mês que vem, com mais um BOM Report. Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br.
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