Edição 15
Março/21
ECONOMIA BRASILEIRA .......................................................................2 DADOS IMPORTANTES ............................................................................3 DADOS MACRO AMÉRICA LATINA ............................................................3 ÍNDICES DE CONFIANÇA ..........................................................................4
INDÚSTRIA DO TURISMO ....................................................................5
PRINCIPAIS FATOS Em 2020, a economia brasileira registrou queda no Produto Interno Bruto de 4,1%. De fato, foi um recuo expressivo, sendo a maior retração anual desde 1994. No entanto, pode-se analisar de uma forma menos negativa, de que o resultado foi abaixo do que o Fundo Monetário Internacional, por exemplo, chegou a prever para o Brasil logo no começo da pandemia, queda próxima a 9%. Além disso, é importante ressaltar que o País havia recém-saído de uma grave crise, entre 2015 e 2016, em que o PIB retraiu 7% no período. Ou seja, mal o Brasil se recuperava de uma forte recessão, vem o coronavírus para colocar novamente a economia no vermelho. E o consumo das famílias, pelo lado da demanda, foi um dos fatores fundamentais para que o desempenho do PIB não fosse mais negativo. A recuperação a partir do segundo semestre de 2020 foi impulsionada pelo auxílio emergencial, programa de transferência de renda aos mais vulneráveis e que injetou mais de R$ 200 bilhões na economia. E pelo lado da produção, o setor agropecuário sustentou o seu crescimento ao longo do ano passado e a indústria conseguiu se recuperar na segunda parte do ano. Embora os últimos meses do ano passado tenham sidos positivos, o fôlego foi se perdendo. E os primeiros dados de 2021, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), confirmam essa tendência, o que já era esperado de certa forma, principalmente pelo término, em dezembro, do auxílio emergencial e pela chegada da segunda onda trazendo preocupações para os empresários e consumidores. A indústria cresceu 2% em janeiro na comparação anual, abaixo dos 8,2% vistos em dezembro. O comércio varejista, por sua vez, apontou retração de 2,9% em janeiro, interrompendo a sequência de seis meses de crescimento. As vendas de veículos despencaram 15,3%, o grupo de eletrodomésticos e móveis voltou a ficar no negativo com queda de 5,4%, e os supermercados, embora tenham mostrado evolução anual de 1,4%, apresentam ritmo mais baixo do visto em dezembro de 3,5%. E o setor mais preponderante na economia brasileira, os serviços, continuam na sequência negativa, passando da queda de 3,1% em dezembro para os -4,7% em janeiro. E são as atividades mais ligadas ao Turismo que estão puxando os números para baixo. Segundo levantamento da FecomercioSP, esse segmento apresentou queda de quase um terço (30,2%) do seu faturamento em janeiro de 2021 em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em números absolutos, o prejuízo foi da ordem de R$ 4,5 bilhões (Aprox. US$ 810 mi), sendo que a perda acumulada no ano passado foi de R$ 55,6 bilhões (Aprox. US$ 10 bi), puxada pelos setores de meios de hospedagem, alimentação e transporte aéreo. Não somente as empresas estão sofrendo neste momento, mas também os consumidores. A inflação oficial continua pressionando o orçamento das famílias com a alta acumulada em 12 meses, até fevereiro, de 5,20%. O dado de janeiro parecia que ia dar um alívio pela variação de 0,25% ante os 1,35% de dezembro. Porém, em fevereiro, o IPCA subiu 0,86%, com destaque para o aumento dos preços dos combustíveis (7,09%) e para os reajustes nos cursos regulares de educação (3,08%). Embora as variações do grupo de alimentos e bebidas tenham sido relativamente mais baixas nos últimos meses, no acumulado em 12 meses a alta ainda atinge um patamar elevado, de
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15%. Desta forma, os consumidores estão tendo que recorrer à poupança para manter o mesmo nível de consumo anterior. No ano passado, o saldo entre depósitos e retiradas foi positivo em R$ 166 bilhões (Aprox US$ 30 bi), e só no primeiro bimestre deste ano, o saldo já está negativo em R$ 24 bilhões (Aprox US$ 4,3 bi). Mesmo com o quadro geral mais desfavorável, há alguns setores que são promissores para 2021. O primeiro dele é o agronegócio que, por exemplo, deve registrar uma safra de grãos 3,5% superior à do ano passado. Esse resultado, do aumento da oferta, contribuirá para amenizar a pressão dos preços de alimentos. E o segundo segmento, o comércio eletrônico, deve crescer 26% neste ano, segundo a E-bit. Todavia, são casos fora da tendência. E para agravar mais o cenário, agora em março, alguns Estados impuseram restrições mais severas para a atividade econômica e circulação, diante do sobrecarga do sistema de saúde, com várias localidades atingindo os 100% de ocupação nas UTI’s e com filas de espera. Portanto, infelizmente enquanto uns países engatam com a vacinação e começam a respirar da pandemia, o Brasil enfrenta o seu pior momento com a segunda onda do coronavírus e a economia deve continuar no seu ritmo fraco no primeiro semestre, na expectativa de acelerar o processo de vacinação, uma das condições fundamentais para a retomada da normalidade.
DADOS IMPORTANTES: Segundo o IBGE, o desemprego ficou nos 13,9% no quarto trimestre do ano passado, um leve recuo após registrar 14,9% no trimestre anterior. Atualmente, são 13,4 milhões de pessoas buscando um emprego. n
Na falta de oportunidades de empregos formais, muitas pessoas buscaram o trabalho por conta própria e abriram empresas individuais, as chamadas MEI’s, os Micro Empreenderores Individuais. Tanto que no ano passado houve abertura de 2,7 milhões de MEI’s, alta de 8,4% em relação a 2019. n
O percentual de famílias inadimplentes no País, os que não conseguiram pagar a dívida até a data do vencimento, está em 24,5% em fevereiro, sexta queda consecutiva, conforme pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. O endividamento, por outro lado, chegou a 66,7%, pouco acima dos 65,1% vistos no mesmo período em 2020.
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Dados Macro América Latina
Argentina
Brasil
Chile
Colômbia
México
Peru
Taxa de desemprego
11,70%
13,90%
10,20%
17,30%
4,50%
13,00%
Taxa básica de juros
38,00%
2,00%
0,50%
1,75%
4,00%
0,25%
Inflação (LTM - out *)
38,50%
5,20%
2,85%
1,56%
3,76%
2,79%
*LTM - Últimos doze meses até dez Legenda: Verde, Vermelho e Preto Os dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.
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ÍNDICES DE CONFIANÇA: O Índice de Confiança do Consumidor registrou estabilidade em fevereiro e permanece nos 116,2 pontos. No entanto, houve uma discrepância entre os dois sub-índices, com queda de 1,5% para as avaliações das condições atuais e ligeira alta de 0,7% para as expectativas. E em relação a fevereiro de 2020, o ICC registra retração de 11,8%. O medo de perder o emprego, a falta de oportunidade de trabalho e a inflação de alimentos ainda pesando no orçamento são fatores que devem influenciar na redução da confiança do consumidor nos próximos meses. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) registrou queda de 1,1% em fevereiro na comparação com janeiro, a segunda consecutiva, e atinge os 97,1 pontos, aumentando o pessimismo dos empresários da capital paulista. Na comparação anual, a retração é de 22,3%. A tendência é negativa para os próximos meses diante das novas restrições de abertura de atividades não essenciais e de circulação de pessoas na cidade de São Paulo. Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)
Nota: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.
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VIAGENS E TURISMO: UM ANO DEPOIS, O PICO DA PANDEMIA Março de 2021, um ano após a declaração de pandemia pela OMS, se tornou o pior mês da crise de covid-19 para o Brasil. Os números de casos e mortes explodiram, cidades decretaram medidas mais severas de lockdown ou quarentena, e com isso houve um número enorme de viagens canceladas, especialmente domésticas. O fenômeno dos cancelamentos estava ocorrendo desde janeiro, quando as empresas também sentiram vendas menores em relação ao final do ano. A nova onda de covid-19 transferiu o otimismo do setor para o segundo semestre.
OTIMISMO PARA O SEGUNDO SEMESTRE Pesquisa realizada pela Travel Consul e Interamerican com profissionais e empresários de Turismo de todo o mundo, mostrou que, entre os brasileiros, a recuperação é esperada para o fim de 2021 e início de 2022. A enquete foi feita em fevereiro. O doméstico deve retomar primeiro, pois já vinha sentindo uma recuperação no final de 2020 e no verão. Já o internacional pode ter alguma retomada pontual este ano, dependendo da velocidade da vacinação no País, mas é em 2022 que está o foco da maioria. Na mesma pesquisa, os produtos mais procurados pelos brasileiros são hotéis e resorts all inclusive. O seguro viagem também passou a ser prioridade. Para 81% dos pesquisados no Brasil, a exigência de certificado de vacinação ou teste negativo de covid-19 irá estimular e dar mais segurança às vendas.
VACINAÇÃO Os dois primeiros meses de vacinação no Brasil foram muito lentos, com falta de vacina em várias cidades importantes, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas a reação da população fez o governo acelerar na compra de mais doses, esperadas para as próximas semanas. Com isso, é provável que cheguemos ao meio do ano com uma boa parte da população vacinada, e estudos mostram que as vacinas aplicadas no Brasil protegem contra as novas cepas do vírus.
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EMPRESAS AÉREAS As companhias aéreas são um bom termômetro para checarmos o nível de viagens pelo País. Todas diminuíram suas malhas de janeiro para fevereiro e de fevereiro para março. Mas abril será o mês mais baixo em número de voos desde meados de 2020. A Gol tinha 650 voos por dia no final de 2020, caiu para 350 por dia em fevereiro e terá 200 por dia em abril (mais que os 50 por dia de abril de 2020, mas uma queda brusca em uma curva que só vinha crescendo até janeiro de 2021). Azul e Latam também estão diminuindo suas malhas domésticas. No internacional, os voos voltaram a ser de repatriação ou humanitários, permitindo apenas cidadãos e residentes dos países a voarem. A Gol anunciou que a nova data tentativa de retorno dos voos internacionais é junho de 2021 (inicialmente seria em março). Há uma demanda reprimida enorme e quando os Estados Unidos abrirem as fronteiras, espera-se um movimento stampede. Os consulados americanos no Brasil não estão abertos, mas fazem agendamentos de entrevistas para vistos, todos para o segundo semestre apenas. Na Argentina, a Embaixada em Buenos Aires já voltou a processar renovação de vistos (que não precisam de entrevista individual). Novos vistos ainda não estão sendo analisados. Alguns destinos voltam a abrir em todo o mundo e incluem ou não os brasileiros, como Dubai (para conexões), Peru, Maldivas, Seychelles, entre outros. Muitos já sinalizam que irão aceitar vacinados sem burocracia e continuarão exigindo teste negativo de covid ou quarentena.
MAIS UM ANO DE CANCELAMENTOS O grande problema para as empresas em 2021 é a geração de novas vendas. O grande número de remarcações e cancelamentos gera trabalho, mas não receita nova. E os três primeiros meses de 2021 viram o crescimento exponencial desses cancelamentos e remarcações, devido ao crescimento dos casos e fechamentos de destinos no Brasil. Agências de viagens e operadoras pedem que as empresas mantenham suas políticas comerciais flexíveis e destaquem e divulguem as medidas de saúde e segurança.
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DANÇA DAS CADEIRAS Esse novo pico de covid-19 aumentará também a crise nas empresas e espera-se mais vendas, fusões e fim de empresas, além e parcerias de negócios complementares. Os demitidos do Turismo continuam o movimento de abrir novas empresas e partir para o empreendedorismo para continuarem atendendo seus clientes. Muitas empresas do setor já abriram programas ou departamentos para atender os agentes de viagens independentes. As OTAs continuam sendo o elo com mais dificuldades na retomada, assim como as viagens corporativas e os eventos. As viagens a negócio representam apenas 30% do que eram no pré-pandemia, com destaque para setores como oil & gas, agronegócio e construção civil, além dos setores farmacêutico, de entregas e financeiro. Grandes eventos estão confirmados para o segundo semestre de 2021, assim como a retomada de alguns eventos da área de entretenimento, mas todos sabem que somente em 2022 esse tipo de negócio voltará a se parecer com o que era em 2019.
Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br.
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