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Brazilian Overview Monthly Report - PT - JUN 2022

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Edição 28

JUNHO/22

ECONOMIA BRASILEIRA .......................................................................2 DADOS IMPORTANTES ............................................................................3 DADOS MACRO AMÉRICA LATINA ............................................................3 ÍNDICES DE CONFIANÇA ..........................................................................4

INDÚSTRIA DO TURISMO ....................................................................5


PRINCIPAIS FATOS A economia mundial vem se recuperando do traumático período da pandemia do Coronavírus. No entanto, há muitas incertezas sobre o futuro próximo. Tem-se falado de maneira cada vez mais recorrente sobre um possível processo de recessão global. O motivo dessa preocupação é por conta os governos estarem subindo a taxa de juros para conter a inflação, que assola o mundo. O Federal Reserve, nos Estados Unidos, neste mês de junho, subiu a taxa básica de 0,75% para o novo intervalo de 1,50% e 1,75% ao ano, sendo a maior elevação desde 1994. No Brasil, o Banco Central, através do seu Comitê de Política Monetária, decidiu por mais uma alta na SELIC, de 12,75% para 13,25% ao ano, e com sinais de que a taxa deverá chegar ao final do ano entre 14% e 15%. Evidentemente, essa escalada dos juros pelo mundo terá um efeito danoso para a economia, um freio significativo na demanda ao encarecer o custo do capital. Esse é um alerta para o ano de 2023 em diante. Mas observando o cenário presente, o Brasil mostra uma recuperação cada vez mais sólida e acima das expectativas. O Produto Interno Bruto do primeiro trimestre cresceu 1% na comparação com o período imediatamente anterior, superando em 1,9% o nível pré-pandemia. E quem puxou esse bom resultado foi o setor de serviços que também avançou 1% nesses três primeiros meses do ano. O consumo das famílias foi outro destaque do PIB com alta de 0,7%. Os consumidores estão voltando gradativamente às compras. Prova disso são os números do setor varejista, que cresceu 1,5% em abril na comparação anual e acumula alta de 1,4% no primeiro quadrimestre. A maior variação nesse último resultado divulgado pelo IBGE, foi do setor de vestuário e calçados (33,9%). As vendas nos supermercados subiram 4% e nas farmácias 3,5%. Por outro lado, móveis e eletrodomésticos tal como materiais de construção tiveram quedas respectivas de 8,7% e 10,1%. E o setor de turismo é outro que tem seguido uma trajetória forte de recuperação. De acordo com dados da FecomercioSP, o faturamento nacional em abril foi de R$ 15,3 bilhões, alta de 47,7% na comparação anual e acumula alta de 32,2% no ano. O transporte aéreo é o grande responsável por esse desempenho com a alta em abril de 159,7%, com o faturamento se igualando ao do pré-pandemia, de abril de 2019, com R$ 4,6 bilhões. Parte desse resultado é devido a demanda aquecida, mas parte até relacionada ao aumento expressivo dos preços das passagens, o que tem ocorrido no mundo dado o encarecimento do querosene de aviação. Outra área que tem tido bons resultados é o do agronegócio. Segundo o IBGE, a estimativa para a safra de cereais deste ano é de 263 milhões de toneladas, recorde histórico. Se por um lado a expectativa é de queda na produção de soja de 12,1% em relação ao ano passado, no caso do milho, deve haver um crescimento de 27,6% no contraponto anual. Ambos os produtos estão com preços em alta no mercado internacional, o que contribuiu para o ganho do produtor e para as economias regionais, estimulando investimentos em emprego e renda. A indústria, por sua vez, registrou queda em abril de 0,5% na comparação anual. O atual patamar ainda está 3% abaixo do pré-pandemia. O setor sofre com o encarecimento do crédito e, em muitos casos, a falta de insumos para a produção, como foi a situação da indústria automobilística, impactada pelas restrições nos principais portos chineses. A inflação no Brasil arrefeceu em maio, 0,47% ante os 1,06% de abril. O acumulado em 12 meses está 11,73%. Embora essa taxa esteja bastante elevada, a análise é que ele já atingiu o topo e a tendência e ir arrefecendo para chegar no final do ano n patamar próximo a 8%.

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O processo inflacionário no país tem corroído a renda do trabalhador e dificultado uma retomada do consumo de forma mais expressiva. Apesar da taxa de desemprego no Brasil ter atingido o menor patamar desde 2016, de 10,5%, com 11,3 milhões de pessoas procurando emprego, o rendimento médio real está em R$ 2.540, permanecendo nos menores patamares desde 2012, com os valores atualizados pela inflação do período. Ou seja, o mercado de trabalho melhorou, mas as pessoas estão entrando com salários mais baixos e a inflação persistente diminui o ganho do trabalhador. E a instabilidade do câmbio dificulta fazer uma análise mais certeira da inflação. Em apenas um mês, o dólar saiu dos 5,15, buscou 4,70 e voltou para pouco mais de 5,10. Essa variável tem impacto sobre o custo das importações, da negociação de commodities e etc. Com o temor de recessão global, fala-se novamente da busca de moedas seguras, ou seja, da valorização do dólar e, por consequência, desvalorização do real. Isso levará o Banco Central do Brasil a ter um trabalho extra na subida de juros. De maneira geral, portanto, os números recentes do Brasil tem sido favoráveis e mostra uma economia mais sólida. Os dados do segundo trimestre devem vir positivos por conta da abertura completa da economia pós ômicron e de injeções de recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas, estimulando setores de comércio e serviços. Por ora, economia indo bem. Mas os radares em alerta para o futuro próximo, com desafios importantes pela frente. DADOS IMPORTANTES: A inflação de abril foi de 0,47% e acumula 11,73% em 12 meses. O grupo de transportes foi o que mais pressionou o índice no mês, com a alta de 1,34%, puxado pelo aumento das passagens aéreas em 18,33%. Por outro lado, contribuindo para o arrefecimento da inflação está o grupo habitação que retraiu 1,70%, dada a redução de 7,95% no preço médio da energia elétrica.

n

O sistema instantâneo de pagamento, o PIX, tem crescido a passos largos. Em novembro de 2020, foram R$ 30 bilhões de transações realizadas. Em quase um ano e meio, o montante já está próximo dos R$ 800 bilhões.

n

Na áreas de meios de pagamento, o que tem sido destaque no Brasil é o NFC (Near Field Communication), o pagamento por aproximação. De janeiro de 2020 a março deste ano, a participação de transações por aproximação nas compras presenciais passou de 1,3% para 30,1%, segundo dados da ABECS.

n

Latin America Macro Data

Argentina

Brazil

Chile

Colombia

Mexico

Peru

Unemployment rate

7,00%

10,50%

7,70%

11,20%

3,10%

8,30%

Basic interest rate

49,00%

12,75%

9,00%

6,00%

7,00%

5,50%

Inflation (LTM - feb*)

60,70%

11,73%

11,50%

9,07%

7,65%

8,78%

*LTM - Last Twelve Months Until Dec Legend: Green, Red and Black The data get better, worse and equal than the previous month.

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ÍNDICES DE CONFIANÇA: O Índice de Confiança do Consumir registrou aumento de 1,5% em maio e volta aos 105,9 pontos, exatamente o mesmo patamar de maio de 2021. Os consumidores estão cada vez mais seguros em seus empregos e estão vendo mais oportunidade no mercado de trabalho. Além disso, a possibilidade de saque de parte dos recursos do FGTS e antecipação do 13º salário para aposentados também deram um ânimo aos consumidores neste período. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) apontou 117,5 pontos em maio, alta mensal de 2,3% e avanço de 40,2% no contraponto anual. Lembrando que no ano passado, a economia estava saindo gradativamente da segunda onda da pandemia, por isso a variação mais expressiva diante de uma base de comparação mais frágil. De qualquer forma, com os consumidores mais confiantes e vendas aumentando, traz alívio aos varejistas e boas perspectivas para o futuro próximo.

Consumer Confident Index (ICC) and Comerce Businessman (ICEC)

Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)

150 140 130 120 110 100 90 80

ICC

mai/22

fev/22

nov/21

ago/21

mai/21

fev/21

nov/20

ago/20

mai/20

fev/20

nov/19

ago/19

mai/19

fev/19

nov/18

ago/18

mai/18

fev/18

nov/17

ago/17

mai/17

fev/17

nov/16

ago/16

mai/16

60

fev/16

70

ICEC

Nota: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.

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TENDÊNCIAS (IMEDIATAS) DO TURISMO O Fórum PANROTAS 2022 reuniu, em 21 e 22 de junho, na FecomercioSP, mais de 1,3 mil profissionais de Viagens e Turismo, e, além de sentirmos o pulso do setor nesse momento, conseguimos desenhar os próximos passos e tendências dessa indústria, ainda machucada e sentindo os efeitos dos meses de paralisação e das restrições geradas pela pandemia de covid-19. Vamos a algumas delas: 1 – As passagens aéreas estão 70% mais altas que no mesmo período de 2019 (dados da Latam Airlines) e toda pesquisa disponível sobre o tema aponta para o mesmo resultado, com índices diferentes, dependendo do período e rotas analisadas. O presidente da Latam, Jerome Cadier, foi direto em sua apresentação: as passagens aéreas continuarão aumentando, já que não há perspectiva de diminuição de custos (do combustível à necessidade de contratação de mais pessoal, do câmbio do dólar frente ao real à inflação). 2 – O alto custo das passagens aéreas já impacta na demanda. A curva ascendente de passageiros no Brasil já apresenta sinais de queda em alguns momentos, devido ao preço dos bilhetes na estratosfera. O passageiro pisa no freio e vê alternativas de data e destinos. 3 – A recuperação da malha aérea internacional segue a passos mais lentos, mas as perspectivas são boas. A Gol deve retomar sua malha para o Exterior até o final de 2022. A Latam apenas em 2023, com mais oferta sendo adicionada ainda este ano. Entre os anúncios feitos no Fórum PANROTAS tivemos mais voos da Latam (como Fortaleza-Miami e Porto Alegre-Lima, além da volta de São Paulo-Roma); Gol (malha recomposta até fim de 2022, para Argentina; Bolívia; Chile; Estados Unidos; México; Paraguai; Peru; República Dominicana; Suriname e Uruguai); volta do Rio-Nova York, da Delta Air Lines; e ponte aérea São Paulo-Buenos Aires, parceria da Gol com a Aerolíneas Argentinas. Empresas como Copa Airlines e Aerlíneas Argentinas estão com malha superior a 2019, com perspectivas de mais ligações. A companhia aérea colombiana de baixo custo Viva, que fará parte do Grupo Abra, de Gol e Avianca, chegou ao Brasil com voos para seu hub em Medellin e de lá para Caribe e Estados Unidos. 4 – As companhias aéreas declararam guerra às OTAs que vendem milhas de seus programas de fidelidade. O presidente da Latam, Jerome Cadier, chamou essas OTAs de câncer do Turismo, e prometeu acabar com essa prática não permitida pelos programas das empresas aéreas. Marcas como MaxMilhas e 123 Milhas estão na mira das aéreas. 5 – A aparente volta à normalidade esconde uma realidade que não pode ser negada: os hábitos dos consumidores de Turismo mudaram. Nômades digitais, colaboradores com rotinas mais flexíveis, bleisure e anywhere office vieram para ficar. As aéreas nacionais, por exemplo, já sentem a quinta-feira como um novo dia de pico de viagens (e não mais, ou não somente a sexta-feira). Países e destinos, como o Rio de Janeiro, têm programa para nômades digitais, com facilidade de visto. Hotéis estão mais flexíveis e prontos para estadas longas. 6 – O lazer é a bola da vez. No Fórum PANROTAS 2022, tivemos o lançamento do Grupo Leceres, novo nome da GJP Hotels, que terá 40 hotéis até o final do ano, além de parques aquáticos, restaurantes e atrações. O foco no lazer também foi tema dos painéis de cruzeiros marítimos e parques temáticos e as perspectivas são de grandes investimentos nesses setores no Brasil.

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7 – As viagens corporativas voltam aos poucos, com contratos mais rígidos, TMCs mais atentas a quanto cobram por seus serviços e a aprovação de viagem mais demorada e com mais regras. Mas empresas como a Flytour Business Travel, Kontik e a Copastur já se preparam para vendas de mais de R$ 1 bilhão este ano. No caso da Copastur, o faturamento de R$ 1,5 bilhão será 50% maior que o de 2019. 8 – As grandes companhias de distribuição da América Latina, Despegar, CVC Corp e BeFly à frente, devem investir ainda mais em consolidação e expansão pela região. Conseguem fazer frente a gigantes como Expedia e Booking, mas pelo que vimos no Fórum PANROTAS, tudo pode acontecer entre esses players. Dias de muita movimentação à frente, de olho no viajante latino-americano. 9 – Diversidade, inclusão e sustentabilidade não são mais teoria ou cota de marketing social. Não apenas as empresas investem em negócios baseados nessas questões sociais como o público (diverso e inclusivo) quer fazer negócios com empresas atentas a esses itens. Quem basear seus negócios em suas próprias opiniões e fechar os olhos para o mercado da diversidade pode não estar aqui para contar a história em poucos anos. 10 – Pesquisa da TRVL Lab divulgada no Fórum PANROTAS mostrou que a percepção dos viajantes em relação aos agentes de viagens é extremamente positiva. Os consumidores continuarão usando a multicanalidade, e comprarão do fornecedor, das OTAs, de onde lhes for mais conveniente. Mas o agente de viagens é percebido como um canal diferenciado, que agrega serviço, expertise e facilita todo o processo. Confira alguns números apresentados: 33,8% dos passageiros se motivam a viajar nacionalmente ao receber um e-mail promocional ou recomendação de uma agência de viagens, e o número sobre para 42,25% quando o assunto são viagens internacionais. De acordo com a pesquisa, para as viagens nacionais, o canal preferencial são as agências de viagens on-line, mas ocupando a segunda posição, com 55,07%, estão as agências de viagens tradicionais. Dados apontam que 19,81% preferem ir a uma loja física. Considerando que parte deste número são agências de viagens, esta soma ampliaria a vantagem das agências tradicionais sobre as OTAs. Utilizar os serviços de uma agência de viagens é imprescindível para 49,76%. O agente de viagens é visto como um facilitador, alguém importante, que oferece informações técnicas. Brasileiros utilizam agências de viagens pela facilidade e comodidade, segurança e atendimento personalizado. 64,79% das pessoas ouvidas solicitarão sua próxima reserva internacional para uma agência/ agentes de viagens. Acesse a pesquisa completa em trvl.com.br. Assista às palestras do Fórum PANROTAS 2022 em nossa página no Facebook.

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Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br.

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Brazilian Overview Monthly Report - PT - JUN 2022 by PANROTAS Editora - Issuu