Edição 20
AGOSTO/21
ECONOMIA BRASILEIRA .......................................................................2 DADOS IMPORTANTES ............................................................................3 DADOS MACRO AMÉRICA LATINA ............................................................3 ÍNDICES DE CONFIANÇA ..........................................................................4
INDÚSTRIA DO TURISMO ....................................................................5 VIAGENS DE LUXO COM A ILTM ........................................................6
PRINCIPAIS FATOS Do relatório passado para o atual, o cenário da economia brasileira teve uma relativa piora, sobretudo no tema da inflação. O índice oficial do país, o IPCA, passou dos 8,35% para 8,99% nos últimos 12 meses. Só no mês de julho, por exemplo, o avanço foi de quase 1% (0,96%), maior variação em 19 anos. O aumento dos preços tem sido puxado basicamente por três grupos de consumo: alimentos, transportes e habitação. O primeiro sofre com uma questão estrutural, a alta nos preços internacionais das commodities agrícolas, como soja, milho, café, boi, entre outros, além de problemas climáticos que trouxeram um longo período de estiagem e, mais recentemente, uma forte geada atingindo o centro-oeste do país, região mais importante produtora de grãos do Brasil. A redução da oferta de vários produtos aliado ao aumento de custos pressiona os preços na ponta ao consumidor. Na questão do transporte, o que tem pesado são os combustíveis. Nos últimos 12 meses, o preço médio da gasolina sobe 40%, o etanol, 57% e o óleo diesel, 36%. Importante ressaltar que os combustíveis têm grande impacto na cadeia produtiva, sobretudo na de alimentação, da logística dos caminhões. O aumento dos preços está relacionado ao preço internacional do petróleo e a maior demanda de outros combustíveis como forma de substituição. E na habitação, o preço médio da energia elétrica residencial cresceu 20%, e quase 30% para o gás de botijão. O gás também é uma questão de preço internacional, mas a energia é pelo fator climático, dos baixos níveis de água nos reservatórios das usinas hidroelétricas devido a estiagem e, por consequência, há a necessidade de produção de energia mais cara – e mais poluente – com as termelétricas. Esse maior detalhamento no relatório sobre a inflação é necessário porque indica que o problema não é pontual, mas estrutural. Ou seja, a pressão sobre os preços deve continuar por um prazo mais longo, até 2022. Clima, safras, rebanhos, não são possíveis de resolver no curto prazo. Diante desta reflexão, de que a inflação está mais forte que o esperado, o Banco Central acelerou o aumento da SELIC, taxa básica da economia. Antes, vinha tomando decisões de 0,75 pontos em cada reunião. Na última, ocorrida no início de agosto, foi decidido o aumento de um ponto, passando de 4,25% para 5,25% ao ano. A tendência é que encerre o ano próximo a 9%. E o aumento de juros tende a diminuir o ritmo da demanda agregada, (consumo e investimentos) no longo prazo e coloca o governo numa situação fiscal ainda mais delicada, pois fica mais caro o financiamento da dívida. Cenário desafiador quando se tem uma taxa de desempregados de 14,6%, para um total de 14,8 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Embora os números de geração de empregos formais tenham sido bem positivos ao longo deste ano, ainda há um enorme contingente de pessoas em busca de uma oportunidade profissional. Embora haja as dificuldades de inflação e desemprego, com a reabertura da economia e redução nas restrições de funcionamento dos estabelecimentos e de circulação, os setores voltam a respirar mais aliviados. O comércio, por exemplo, cresceu 9% em junho quando comparado com o mesmo período pré pandemia, em 2019. A indústria, por sua vez, avança 2,2% na comparação com dois anos antes. E os serviços crescem
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6,3% contra junho de 2019, porém de forma assimétrica, com destaque para serviços de tecnologia da informação com alta de 39% e, por outro lado, a queda de 27,3% nos serviços de alojamento e alimentação. E o turismo também vem se recuperando, mas longe de voltar aos patamares pré pandemia. De acordo com levantamento da FecomercioSP, o faturamento do turismo nacional cresce 47,3% em junho comparando com igual período de 2020, mas cai 26,3%, quando se faz a relação com 2019. Os grupos de alimentação, meios de hospedagem e transporte aéreo são os que mais sofrem para se recuperar da pandemia do coronavírus. A tendência, sem dúvida, é positiva. No entanto, alguns pontos podem limitar o crescimento ao longo do segundo semestre. A inflação e o desemprego já foram mencionados, mas na área política há ruídos entre o governo e o mercado em relação à reforma tributária e a PEC (Proposta de Emenda a Constituição) dos Precatórios, esse último gerando dúvidas sobre a cumprimento do teto de gastos. As incertezas elevam o risco país e a consequência na desvalorização do real que volta a oscilar próximo a R$ 5,20, o que também implica em pressão sobre os preços. Portanto, o Brasil enfrentará grandes desafios pela frente e a vacinação avançando, cada mês com um ritmo mais forte, também traz esperança de volta a normalidade num futuro próximo. DADOS IMPORTANTES: n PPrévia do PIB de junho, o IBC-Br, subiu 1,14% ante maio, acima das expectativas que eram
em torno de 0,5%. n O
O comércio eletrônico bateu recorde de faturamento no primeiro semestre do ano. Segundo a E|Nielsen, o valor no período foi de R$ 53 bilhões, alta de 31% em relação ao mesmo período do ano passado.
n Endividamento
das famílias brasileiras atinge recorde em julho, com 71,4%, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio.
Dados Macro América Latina
Argentina
Brasil
Chile
Colômbia
México
Peru
Taxa de desemprego
10,20%
14,60%
9,50%
14,40%
4,10%
10,30%
Taxa básica de juros
38,00%
5,25%
0,75%
1,75%
4,25%
0,25%
Inflação (LTM - out *)
51,80%
8,99%
4,50%
3,97%
5,81%
3,95%
*LTM - Últimos Doze Meses Até Fev Legenda: Verde, Vermelho e Preto Os dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.
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ÍNDICES DE CONFIANÇA: O Índice de Confiança do Consumir avançou novamente, a terceira alta consecutiva. Em julho, o índice atingiu 111 pontos, variação de 3,4% em relação a junho e 9,1% no contraponto anual. Contudo, é importante ressaltar que a melhora da confiança está se dando nas expectativas, de que vai haver uma melhora para o país no futuro próximo e não para o dia a dia. Enquanto o sub-índice de expectativa sobe 5,1%, o sub-índice de condições econômicas atuais recua 2,2%. Sinal que a inflação e o desemprego ainda assustam as famílias no cotidiano. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) acelerou a subida, ao passar de 90,6 pontos em junho para os atuais 98,9 pontos de julho, alta de 9,1%. Na comparação anual, a variação é expressiva, de 49,3%. Embora os números sejam positivos, o ICEC ainda está na zona pessimista, abaixo dos 100 pontos. Essa recuperação relativa se deve a redução das restrições de funcionamento que foram impostas aos empresários da capital paulista. Essa maior flexibilização é um alívio para o comércio, pois aumenta o seu potencial de vendas. Índice de Confiança do Confident ConsumidorIndex (ICC) e(ICC) Empresário Comercial (ICEC) Consumer and Comerce Businessman
(ICEC)
150 140 130 120 110 100 90 80
ICC
mai/21
fev/21
nov/20
ago/20
mai/20
fev/20
nov/19
ago/19
mai/19
fev/19
nov/18
ago/18
mai/18
fev/18
nov/17
ago/17
mai/17
fev/17
nov/16
ago/16
mai/16
60
fev/16
70
ICEC
Note: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.
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VIAGENS E TURISMO Maior mercado emissor de turistas do Brasil, São Paulo já vacinou, com ao menos uma dose, mais de 70% da população e em 15 de agosto iniciou a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos. O restante do Brasil ainda está em 50%. Com isso, como atestou a CVC Corp em seu balanço do segundo trimestre, as vendas e planos de viagens voltaram a subir, com perspectivas de um terceiro e quarto trimestre excelentes, especialmente para as viagens dentro do Brasil. Em julho, segundo a plataforma de reservas Omnibees, que tem 5 mil hotéis em sua base nacional, as vendas de resorts e hotéis no Brasil foi 9% superior ao melhor mês de 2019 (outubro), no pré-pandemia. Contando apenas os hotéis do Nordeste do País, o crescimento foi de 45%. A estimativa é de um aumento de tarifas hoteleiras e de passagens aéreas, que pode ser segurado com a abertura de fronteiras na Europa, Estados Unidos e América do Sul. O Uruguai já sinalizou uma reabertura para novembro e a Gol irá retomar seus voos para lá e outros países da América do Sul também em novembro. Na Europa, França, Espanha, Alemanha e Suíça são os principais destinos abertos para brasileiros 100% vacinados. BRASILEIRO PRONTO PARA VIAJAR As respostas da segunda edição da pesquisa Insights para o Turismo do TRVL LAB e ELO não deixam dúvidas: o brasileiro quer e vai viajar no final de 2021 e verão de 2022. Veja alguns índices: - Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros estão planejando viagens de lazer nos seis meses posteriores à vacinação completa. - 54% estão se programando para viagens ainda este ano, no segundo semestre. - 75% não fugirão da preferência nacional: Sol e Praia. - 38% escolherão o Nordeste como destino, primeiro lugar disparado na escolha dos viajantes. - 81% apontam relaxar e descansar como principal motivo da viagem e 64% querem se divertir. As viagens de lazer dominam, com as internacionais sendo planejadas para 2022. Mas se as fronteiras abrirem, também estamos prontos para ir aos Estados Unidos, Portugal e Argentina. A TRABALHO Nas viagens de negócios, ainda segundo a pesquisa TRVL LAB e ELO, 84% dos viajantes corporativos gostam de fazer viajar para fazer negócios, mas acreditam que em uma redução do ritmo em favor do relacionamento com a família, pois proporcionou mais tempo com os cônjuges e filhos. Outra revelação interessante da pesquisa é que as viagens de negócios serão mais planejadas e envolverão múltiplas atividades, justamente para otimizar os traslados. 80% apostam nessa mudança para uma decisão mais criteriosa das empresas de quais viagens serão realizadas, enquanto 82% enxergam que a adaptação ao modelo de trabalho online continuará no pós-pandemia, com reuniões breves realizadas virtualmente.
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Praticamente metade dos entrevistados (49%) também enxergam os benefícios da redução de viagens para aumento da qualidade de vida, com mais tempo para família e lazer. 92% afirmam que a vacinação em massa é fundamental para a retomada das viagens de negócios, mesmo que com orçamento menor em comparação a antes. Neste segundo semestre, mais da metade dos entrevistados (55%) afirmam que farão viagens comerciais dentro dos próximos seis meses, o que aponta para um cenário em que as pessoas ficam mais confiantes em voltar a circular com o avanço da vacinação pelo País. Acesse a pesquisa completa, em português, em www.trvl.com.br.
VIAGENS DE LUXO COM A
O MINDSET DOS VIAJANTES AMERICANOS É CLARO: ALTO LUXO, ALTOS GASTOS. OS BRASILEIROS SEGUIRÃO OS MESMOS PADRÕES? Os viajantes de luxo dos Estados Unidos nem sempre viajam durante uma pandemia. Mas quando o fazem, eles querem ir fundo na experiência. Esse é um dos insights que a ILTM obteve em uma pesquisa realizada em julho com consultores de viagens norte-americanos. Cerca de 173 respondentes disseram que viagens de luxo corresponderam a mais de 50% de suas vendas de viagem em 2019. Cinquenta e cinco por centos dos entrevistados disseram que estavam no caminho para vender a mesma quantia de viagens de luxo que em 2019. Três quartos disseram que viram um aumento de consultas e reservas de novos clientes nos últimos seis meses, destacando que esses clientes querem viagens customizadas. Luxo com tudo incluído. Reservas múltiplas. Viagens mais longas. Tours privativos. Apesar de muitos dos pesquisados terem dito que seus clientes continuam adiando viagens, 62% afirmaram que os clientes de luxo estavam gastando um pouco ou muito mais agora que antes da pandemia. “Os viajantes estão interessados em experiências grandiosas”, disse um dos entrevistados em uma pergunta aberta sobre padrões de viagens na era pandêmica. “Suítes grandes, com piscinas privativas, chef exclusive, jatinhos etc.”
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Outro escreveu que esse negócio de “viagem de vingança” é realidade, apesar de ele não gostar do termo. “As pessoas estão fazendo upgrade em tudo, de voos (primeira classe) a resorts e hotéis (suítes, serviço de mordomo) a atividades (privativas, que estavam em suas listas de desejos).” As conclusões da pesquisa foram comprovadas pelo fato de a ILTM North America, na Riviera Maya, no México, ter vendido todos seus espaços dois meses antes de seu início, em setembro, com dois terços dos agentes de viagens indo pela primeira vez ao evento. O diretor da ILTM North America, Simon Mayle, disse não ter dúvidas de que o quarto trimestre de 2021 será o mais movimentado em reservas e viagens até o momento, com muitos agentes de viagens de luxo já registrando vendas iguais ou maiores que em 2019. Com a ILTM Latin America se aproximando (26 a 28 de outubro), será que os agentes de viagens brasileiros irão apresentar as mesmas tendências? www.iltm.com/latin-america
Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br.
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