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Brazilian Overview Monthly Report - PT - ABRIL 2026

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Edição 54 Abril/2026

PRINCIPAIS FATOS

O mundo enfrenta, há cerca de dois meses, um cenário de incertezas decorrente do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, ainda sem um desfecho claro. Embora as negociações estejam em curso, as partes não têm avançado rumo a um acordo. Paralelamente, as restrições à navegação de navios petroleiros no estreito de Ormuz mantêm os preços do petróleo em patamares elevados. Quanto mais prolongado esse nível, maior tende a ser o impacto sobre os custos globais de transporte — sejam eles terrestres, aéreos ou marítimos.

No Brasil, os efeitos já começam a se refletir na inflação oficial. Em março, o índice registrou alta de 0,88%, com destaque para o óleo diesel, que subiu 13,90% no mês, e para a gasolina, com aumento de 4,59%. O encarecimento dos custos logísticos pressionou o grupo de alimentos e bebidas, o de maior peso no IPCA do IBGE, que avançou 1,56% no período. No caso do querosene de aviação, o reajuste aplicado em abril — superior a 50% — deve impactar a inflação nos meses subsequentes. Diante desse cenário, o Banco Central tem adotado uma postura mais cautelosa em relação à política monetária. No último Boletim, já havia sido mencionada a redução da taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. No entanto, a ata divulgada posteriormente indica uma tendência de manutenção dos juros na próxima reunião, condicionada à maior estabilidade do cenário internacional e a uma avaliação mais clara dos efeitos da guerra sobre os preços internos. Assim, a economia brasileira deverá conviver, nos próximos meses, não apenas com juros elevados, mas também com uma inflação que pressiona o orçamento das famílias, sobretudo nos principais grupos de consumo. Um fator atenuante é o comportamento do câmbio: ao contrário de crises anteriores, o dólar tem apresentado desvalorização,

enquanto o real se fortalece acima da média global, impulsionado, em parte, pela atratividade dos juros domésticos próximos a 15% ao ano.

No varejo, mesmo antes desse contexto, já havia sinais de alerta. Observa-se a priorização de gastos em setores essenciais, como supermercados e farmácias, em detrimento de segmentos mais dependentes de crédito, que apresentam desaceleração ou retração. Em fevereiro, segundo o IBGE, as vendas caíram 2,2% ao se incluir veículos e materiais de construção. No chamado comércio restrito, a variação foi praticamente estável, com leve alta de 0,2%.

A indústria também apresentou retração, com queda de 0,7% em fevereiro e recuo acumulado de 0,2% no bimestre. O setor de serviços, por sua vez, demonstrou maior resiliência, com crescimento de 1,9% no segundo mês do ano.

O principal fator de sustentação da atividade econômica tem sido o mercado de trabalho. A taxa de desemprego atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, o menor nível da série histórica para esse período. Além disso, a massa de rendimentos alcançou seu maior valor já registrado, ampliando os recursos disponíveis para consumo. A combinação entre renda do trabalho e acesso ao crédito tem permitido a manutenção do consumo nos segmentos essenciais do varejo e impulsionado o turismo, que vem se destacando em relação à média da economia. De acordo com levantamento mensal da FecomercioSP, o turismo nacional faturou R$ 22,3 bilhões em fevereiro, mês do Carnaval, o maior valor já registrado para o período e um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. O resultado foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 14% nos meios de hospedagem e de 6,9% no transporte aéreo de passageiros. Esse desempenho também sugere uma demanda superior à oferta, pressionando preços, especialmente nas diárias hoteleiras. Parte

desse consumo, como observado no turismo, é financiada por crédito. Nesse contexto, surge um ponto de atenção em relação ao endividamento das famílias. Em março, segundo a CNC, 80,4% dos lares brasileiros possuíam algum tipo de dívida, acima dos 77,1% registrados no mesmo período do ano anterior, configurando o maior nível da série histórica. A inadimplência, por sua vez, permanece relativamente estável, pouco abaixo de 30%. Ainda assim, o crescimento do endividamento — muitas vezes voltado a despesas correntes —, aliado ao aumento da inflação, pode ampliar gradualmente o contingente de inadimplentes, caso haja deterioração da capacidade de pagamento das famílias. Trata-se

DADOS IMPORTANTES:

1

Turismo Regional: De acordo com levantamento da FecomercioSP, 18 dos 27 estados apresentaram alta no faturamento no mês de fevereiro. Os destaques ficaram por conta dos estados do Nordeste, com aumento de 22% na Bahia, seguido de 19,6% no Rio Grande do Norte e de 18,2% em Alagoas. O período foi marcado pelo Carnaval, com forte busca por destinos de praia e sol. O Rio de Janeiro, importante porta de entrada de turistas estrangeiros, também apresentou crescimento, de 15,3%.

RESUMO ABRIL/2026

de um movimento que, embora não seja alarmante no momento, merece acompanhamento. Sob uma perspectiva mais ampla, o Brasil continua enfrentando o desafio do baixo crescimento econômico, com desequilíbrios fiscais decorrentes de gastos superiores à arrecadação, o que pressiona a dívida pública e mantém os juros em níveis elevados. Soma-se a isso o ambiente de incertezas gerado pela implementação da reforma tributária e por propostas legislativas em discussão, como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Embora o cenário não seja necessariamente negativo, é difícil vislumbrar, no curto prazo, um impulso mais consistente para o crescimento econômico do país.

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Safra: A safra nacional de cereais estimada para este ano está em 348,4 milhões de toneladas, um aumento de 0,7% em relação ao ano passado. As principais culturas — soja, milho e arroz — têm projeções favoráveis. O problema é que os preços dessas commodities estão similares aos observados no ano passado ou até em queda, e o dólar mais baixo reduz o potencial de ganhos do produtor brasileiro.

3

Inadimplência: Segundo o Banco Central, o percentual do saldo de crédito das famílias brasileiras com atraso superior a 90 dias foi de 6,9%. Embora não seja muito diferente do observado nos últimos meses, é o maior nível desde 2012, sinalizando maior dificuldade no equilíbrio do orçamento doméstico.

básica de juros In ação (LTM-Out*)

Legenda: Verde, Vermelho e PretoOs dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.

ÍNDICES DE CONFIANÇA:

Confiança do Consumidor (ICC): A confiança do consumidor paulistano apresentou ligeira queda em março, de -1,2%, retornando aos 125,9 pontos, ante 127,4 pontos em fevereiro. Ainda assim, o patamar atual é 9,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A inflação mais elevada de combustíveis e alimentos tende a pressionar o orçamento das famílias e impactar negativamente a confiança nos próximos meses.

Confiança do Empresário do Comércio (ICEC): O empresário do comércio paulistano mostrou-se menos otimista em março, com 102,9 pontos, ligeira queda de -0,4% em relação ao mês anterior, mas alta de 4,9% na comparação anual. A taxa de juros elevada e a inflação acima do esperado tendem a reduzir o poder de compra dos consumidores, com potencial impacto nas vendas do comércio.

Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)

Confident Index (ICC) and Comerce Businessman (ICEC)

Note: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.

Consumer

VIAGENS E TURISMO

VENDAS SEGUEM CRESCENDO, APESAR DOS PREÇOS MAIS ALTOS

O primeiro trimestre de 2026 foi de crescimento para as empresas de Turismo do Brasil, segundo levantamento feito pela PANROTAS com as 33 maiores companhias de 3 segmentos (Operadoras de Viagens, Consolidadoras Aéreas e TMCs – travel management companies).

O IDET PANROTAS (Índice de Desempenho Econômico do Turismo) será divulgado mensalmente, com o objetivo de oferecer uma maior previsibilidade e inteligência de dados ao setor.

ACESSE O IDET (ÍNDICE DE DESEMPENHO ECONÔMICO DO TURISMO)

Dados de março 2026: O IDET de março mostra que as 33 empresas apontam crescimento de vendas em relação ao mesmo mês de 2025. 87,88% disseram que estão vendendo mais, enquanto 12,12% venderam menos em março. É um bom avanço diante de fevereiro de 2026, quando 24,24% das empresas venderam menos e 6,06% ficaram no mesmo patamar de vendas de um ano antes. E 69,70% venderam mais. Vale destacar que fevereiro é tradicionalmente o mês do Carnaval, quando o País para por cerca de uma semana e as viagens já foram agendadas e compradas alguns meses antes. O IDET trará mensalmente o comparativo mês a mês nas três verticais individualmente (Operadoras, Consolidadoras e TMCs) e também no consolidado dos três segmentos juntos. Outras perguntas feitas incluem o sentimento e confiança dos empresários para os próximos meses, o nível de contratação de funcionários e a média de crescimento ou queda dos negócios. Em março, entre os que disseram que cresceram as vendas, a média foi de 33,74% de aumento. Entre os que tiveram quedas de vendas, a média de diminuição foi de 10,57%.

CONSULTE O IDET AQUI

PASSAGENS AÉREAS MAIS CARAS

O preço da passagem aérea no Brasil voltou a subir consideravelmente em março, impacto direto do cenário internacional causado pelo conflito no Oriente Médio. O conflito elevou o valor do barril, impactando diretamente o querosene de aviação (QAV).

Dados divulgados pela Agência Nacional de

Aviação Civil (Anac) mostram que o valor médio pago pelo bilhete aéreo doméstico chegou a R$ 707,16 em março, uma alta de 17,8% em relação ao mesmo mês de 2025. No yield, o avanço é ainda mais expressivo: 19,4% na comparação anual, chegando a R$ 0,5549/km. Embora o preço médio do QAV em março tenha sido de R$ 3,60 por litro, queda de 13,7% em relação ao ano anterior, o cenário mudou rapidamente. Em abril, a Petrobras anunciou um reajuste de cerca de 55%, acompanhando a escalada internacional. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais do setor, ante pouco mais de 30% anteriormente. A entidade alerta que o aumento pode comprometer a abertura de novas rotas e reduzir a oferta de voos em todo o País.

GASTOS NO EXTERIOR

Os gastos de brasileiros no Exterior atingiram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. O valor é o maior já registrado para os três primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 1995. Somente em março, as despesas internacionais somaram US$ 1,99 bilhão, o maior resultado já observado para o mês. A alta ocorre em um cenário de

valorização do real frente ao dólar ao longo do ano, o que reduz o custo de viagens internacionais para os brasileiros. A moeda americana ficou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos, o que dá mais confiança para o planejamento de viagens internacionais, mesmo em ano de eleições presidenciais no Brasil.

VIAGENS PARA OS ESTADOS UNIDOS

Somente o Brasil enviou cerca de 153,7 mil passageiros para os EUA em março, alta de 2,4% em relação ao enviado no mesmo mês de 2025 (150,1 mil passageiros).  Em fevereiro o número havia sido de 153 mil e em janeiro quase 200 mil. O Brasil segue crescendo em relação ao ano anterior no envio de turistas para os Estados Unidos.

VIAGENS CORPORATIVAS

As TMCs associadas associadas à Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) fecharam o primeiro trimestre de 2026 com uma trajetória consistente de crescimento e resiliência diante dos desafios impostos pelo cenário internacional. De janeiro a março deste ano, o faturamento das TMCs atingiu R$ 3,57 bilhões, um avanço de 12,4% em relação aos R$ 3,18 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025, segundo o estudo da Abracorp que sempre analisa o desempenho de 11 segmentos do mercado.

Entre os principais segmentos, o

transporte aéreo lidera com ampla participação, somando R$ 2,16 bilhões, alta de 16,36% na comparação com o primeiro trimestre de 2025;

• Já o setor hoteleiro cresceu 7,58%, totalizando R$ 1,04 bilhão;

• O segmento de demais serviços, por sua vez, avançou 9,37%;

• O segmento de transfer registrou crescimento expressivo de 37,73%;

• Já o setor seguro viagem mais do que dobrou de volume, com alta de 124,17%;

• Recuaram pacotes de viagens e lazer (-24,12%), cruzeiros (-36,62%) e ferroviário (-74,77%).

“Considerando a relevância do setor aéreo para as viagens corporativas, notamos dois fatores que interferem nesse resultado. O primeiro é o aumento das passagens aéreas em razão do conflito. O segundo é que o passageiro, em geral, continuou viajando para os seus destinos. O que alterou foi a rota escolhida.

Desse movimento saíram beneficiadas as companhias europeias e americanas”.

Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br

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