Skip to main content

Brazilian Overview Monthly Report - PT - JUNHO 2026

Page 1


Edição 56 Junho/2026

PRINCIPAIS FATOS

Estados Unidos e Irã assinaram um acordo de paz, encerrando formalmente o conflito que vinha pressionando a economia global nos últimos meses. Já havia uma expectativa desse desfecho e o encaminhamento para a paz já tinha gerado efeitos concretos: o petróleo recuou para a faixa de US$ 80, e a tendência é de que, à medida que o acordo se consolide, os preços possam buscar o patamar de antes do conflito, entre US$ 60 e US$ 70 — o que representaria um grande alívio para a inflação no mundo todo. Mesmo assim, o cenário pede cautela: acordos de paz no Oriente Médio historicamente enfrentam turbulências, e não se descarta a possibilidade de novos focos de tensão ou ataques isolados no futuro próximo. No Brasil, o IPCA de maio fechou em 0,58% e segue acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5% ao ano — o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%. A tendência é que os preços continuem pressionados nos próximos meses: quando a inflação se instala por muito tempo, ela demora a ceder, mesmo que o petróleo fique mais barato. Além disso, o que complica o cenário de preços domésticos não vem apenas da guerra, mas também do clima. Já não se discute se haverá ou não o Super El Niño, mas sim a sua intensidade, o que pode prejudicar a produção agrícola brasileira e empurrar os preços de alimentos para cima até o ano que vem.

Mesmo com a inflação ainda acima da meta, o Banco Central (COPOM) decidiu, na reunião de junho, baixar os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano. O corte é pequeno e sinaliza cautela: os juros seguem em um nível muito alto, o que torna o crédito caro e freia o consumo e os investimentos das famílias e empresas. Na atividade econômica, a indústria cresceu 2,7% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas esse resultado foi puxado principalmente pela extração de petróleo, gás

e minérios, que subiu 10,6%. Sem esse setor, o desempenho da indústria em geral foi bem mais modesto. No acumulado do ano, o crescimento é de 1,7%.

No comércio, as vendas subiram 1,4% em abril frente ao mesmo período do ano anterior, segundo o IBGE, e acumulam alta de 1,8% em 2026. O consumidor ainda está comprando, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido, mas sente cada vez mais o peso da inflação e dos juros altos.

Já o setor de serviços cresceu 1,9% em abril e acumula expansão de 2,2% em 2026 — é o segmento que mais resiste às dificuldades da economia brasileira.

No turismo, os dados da FecomercioSP mostram que o setor vai bem melhor do que a média: faturamento recorde em abril, de R$ 23,2 bilhões, com alta de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 3,6% no acumulado dos primeiros quatro meses do ano. Há mais turistas circulando, com maior movimento em hotéis e no transporte aéreo. Mas vale o alerta: boa parte desse crescimento vem da alta nos preços das passagens e das diárias — o volume de viagens cresce, mas os bolsos também sentem mais.

Os juros altos continuam atraindo dinheiro estrangeiro para o Brasil, o que fortalece o real. O dólar chegou a se aproximar dos R$ 5,20, mas voltou para perto dos R$ 5,00, o que ajuda a segurar um pouco a inflação. Mas vale a atenção que com a redução da SELIC e uma inflação mais alta, além de gerar um juro real menor, há também a redução no que se chama de diferencial de juros em relação ao que está sendo praticado nos Estados Unidos, o que pode frear a valorização do real. Além disso, não há muito espaço para os juros caírem mais rápido nem para o real se valorizar muito mais. O motivo é a situação fiscal do Brasil, que gera desconfiança: o governo segue gastando mais do que arrecada, aumentando a dívida pública. Para piorar, o Congresso tem colocado em votação medidas que podem estourar ainda mais as contas públicas — as

chamadas “pautas-bomba” fiscais. Se o país não arrumar as contas e o Congresso não ajudar nessa direção, o Brasil vai continuar crescendo pouco. E quem perde são os brasileiros: a renda não cresce como poderia, as famílias ficam cada vez mais dependentes de crédito caro — especialmente num cenário em que as apostas esportivas online (bets) têm consumido uma fatia

DADOS IMPORTANTES:

importante do orçamento doméstico. O mundo cresce menos e o FMI está revisando suas projeções para baixo. O Brasil tem potencial para se destacar positivamente nesse cenário, com uma economia grande e um mercado consumidor expressivo. Mas o país vai deixando essa janela de oportunidade passar — e em ano eleitoral, tomar as decisões certas fica ainda mais difícil.

1 2 3

IPCA: A inflação oficial do Brasil foi de 0,58% em maio, acumulando 4,72% em 12 meses — acima do teto de 4,5% fixado pelo governo. Os vilões do mês continuam sendo os alimentos e os combustíveis, que subiram puxados pelo conflito no Oriente Médio. Mesmo com o petróleo cedendo, a inflação demora a reagir: quando os preços se acomodam em patamares altos por meses seguidos, eles resistem à queda mesmo depois que a causa original some.

Bets e Impacto no Consumo: Pesquisa da FecomercioSP mostra que 1 em cada 3 paulistanos (35%) já aposta online para tentar complementar a renda — 10 pontos percentuais a mais do que em 2024. Entre as famílias mais pobres, com até dois salários mínimos, essa proporção chega a 40%. O problema é que 12% dos apostadores já pegaram empréstimo para continuar jogando. Não à toa, 74,2% das famílias paulistanas estavam endividadas em maio, o maior nível em três anos.

RESUMO MAIO/2026

básica de juros

ação (LTM-Out*)

*LTM - Últimos doze meses

Legenda: Verde, Vermelho e PretoOs dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.

Safra Agrícola: O IBGE estimou em maio uma safra recorde de 350,4 milhões de toneladas de grãos em 2026, alta de 1,2% ante 2025. O grande destaque é a soja, que atingiu 174,6 milhões de toneladas — novo recorde histórico e alta de 5,1% frente ao ano passado, representando quase metade de toda a produção nacional de grãos. Apesar da boa notícia atual, o olho está no Super El Niño: se o fenômeno climático se intensificar, pode comprometer a próxima safra e pressionar os preços de alimentos ao longo de 2027.

ÍNDICES DE CONFIANÇA:

Confiança do Consumidor (ICC): O ICC atingiu 120,6 pontos em maio, queda de 0,4% em relação a abril, mas ainda 7,9% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. É a terceira queda seguida do índice, refletindo a inflação mais alta em alimentos e combustíveis que bate diretamente no bolso do consumidor, cada vez mais pressionado pelos juros elevados e pelo endividamento.

Confiança do Empresário do Comércio (ICEC): O ICEC permanece na zona de pessimismo com 94,9 pontos em maio, queda de 4,8% frente a abril e recuo de 4,6% em relação a maio de 2025. Assim como o consumidor, o empresário do comércio sofre com os juros altos, o endividamento das famílias, as incertezas da guerra e a proximidade das eleições.

Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)

Confident Index (ICC) and Comerce Businessman (ICEC)

fev/16 jul/16 dez/16 mai/17 out/17 mar/18 ago/18 jan/19 jun/19 nov/19 abr/20 set/20 fev/21 jul/21 dez/21 mai/22 out/22 mar/23 ago/23 jan/24 jun/24 nov/24 abr/25 set/25 fev/26

Nota: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.

Consumer

VIAGENS E TURISMO

O Turismo brasileiro fechou o mês de maio de 2026 com vendas em expansão, mas com um sinal amarelo que chamou a atenção, no IDET PANROTAS, o índice de desenvolvimento econômico do Turismo.

Enquanto 78,79% das 33 maiores empresas de Operadoras, Consolidadoras e TMCs (que fazem parte da base de dados do IDET PANROTAS) seguiram vendendo mais do que no mesmo mês de 2025, e no mesmo patamar de abril de 2026, a confiança dos empresários caiu. A avaliação “Ruim” (para o sentimento em relação aos próximos meses) saltou de 12,12% em abril passado para 30,30% em maio.

Este é o maior salto de pessimismo já registrado pelo IDET PANROTAS desde o início da série, no mês de abril, quando a PANROTAS, com apoio do Travel Leaders Hub, lançou oficialmente o Índice de Desempenho Econômico do Turismo (IDET), que passou a ser divulgado mensalmente.

Segundo o IDET PANROTAS, o contraste é o ponto central do mês de maio: as vendas seguem fortes, com alta média de 26,51% entre as empresas que apontaram crescimento, patamar muito próximo do verificado em abril (28,57%), mas a percepção dos empresários sobre o momento atual se deteriorou. Em abril, 66,66% avaliavam o mês como “Bom” ou “Muito bom”; em maio, esse índice caiu

para 54,54%.

O indicador de margem também perdeu força: a proporção de empresas do Turismo com margem maior do que no ano anterior recuou de 69,70% em abril para 63,64% em maio, enquanto a quantidade dos que reportaram queda de margem cresceu 3 pontos percentuais, indo de 6,06% para 9,09%.

No tema contratações, 48,48% das empresas tinham, em maio de 2026, mais funcionários do que em maio de 2025, queda em relação aos 54,55% de abril, e a parcela com menos funcionários praticamente triplicou, de 6,06% para 18,18%.

Para os próximos seis meses, o otimismo recua: apenas 39,39% dos empresários esperam cenário “Melhor” ou “Muito melhor”, contra 42,42% em abril, enquanto a fatia que projeta piora sobe de 18,18% para 27,27%.

O que estaria por trás dessa virada na confiança, mesmo com as vendas ainda em alta? A resposta passa por margem, custos e pelo comportamento dos três grandes fatores externos que vêm moldando o setor neste ano: Câmbio petróleo e inflação.

O IDET PANROTAS é apurado mensalmente com 33 das maiores empresas do setor, 11 em cada uma das verticais de Consolidadoras, Operadoras e TMCs.

COMO ESTÃO AS VENDAS EM RELAÇÃO AO MESMO MÊS DO ANO PASSADO (YOY)

CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS EM RELAÇÃO AO MERCADO PARA OS PRÓXIMOS MESES

O MERCADO NO PRIMEIRO SEMESTRE

As vendas no primeiro semestre têm acompanhado o IDET PANROTAS, estando muito forte nas viagens corporativas e nas viagens de lazer domésticas e para a Europa. Para os Estados Unidos o Brasil seguiu o padrão dos grandes emissores mundiais e teve queda pequena, que deve ser compensada pela invasão brasileira em junho e julho por conta da Copa do Mundo de Futebol.

Dados da principal associação de travel management companies do País, a Abracorp, mostram que o faturamento total das agências associadas alcançou R$ 6,06 bilhões, crescimento de 9,77% em relação aos R$ 5,52 bilhões registrados no mesmo período de 2025. De janeiro a abril, segundo dados da Alagev, outra associação do setor de viagens corporativas, esse segmento movimentou R$ 66,3 bilhões, crescimento de 6,1% em comparação ao primeiro quadrimestre de 2025. Os dados da Alagev incluem todas as vendas corporativas e não apenas o faturamento de TMCs, como é o

caso da Abracorp.

Já os dados são do Anuário Braztoa 2026 (que reúne as principais operadoras de Turismo do Brasil) mostram vendas domésticas em 2025 de R$ 18,66 bilhões em vendas e 7,1 milhões de embarques, enquanto o internacional somou R$ 5,3 bilhões e 2,61 milhões de passageiros. Entre os destinos nacionais mais vendidos via operadoras de Turismo no Brasil, o a região Nordeste manteve a liderança absoluta. A Bahia apareceu como o Estado mais comercializado pelas operadoras, enquanto Maceió liderou entre as cidades brasileiras mais vendidas.

Já o parque temático Beto Carrero World foi o atrativo turístico nacional mais vendido do período.

No cenário internacional, os Estados Unidos seguiram como o país mais vendido pelas operadoras brasileiras. Lisboa foi a cidade internacional mais comercializada, enquanto o Walt Disney World Resort liderou entre os atrativos turísticos. A Europa apareceu como o continente mais vendido em 2025.

NOVAS EMPRESAS AÉREAS

• O governo brasileiro autorizou duas novas empresas aéreas a voarem para o Brasil: a espanhola Wamos Air

S.A., do Grupo Abra, também dono da Gol Linhas Aéreas, e a nigeriana Air Peace Ltd.

As companhias que operam no País também estão com novidades:

• A Latam Brasil anunciou a ampliação de sua operação internacional no Nordeste brasileiro, com o aumento das frequências na rota Fortaleza-Lisboa e o lançamento dos novos voos sazonais entre Natal e Buenos Aires e entre Maceió e a capital argentina.

• Ainda nas operações da Latam, entre 15 de dezembro de 2026 e 28 de fevereiro de 2027, a rota internacional Recife–Buenos Aires/ Ezeiza passará de uma para quatro frequências semanais, com voos às terças, quintas, sextas e domingos. Essa movimentação levou a Latam a mexer na malha para outros destinos: os voos nas rotas Fortaleza-Santiago e Fortaleza-Miami deixarão de ser comercializados para viagens a partir de outubro de 2026.

• Já a Gol Linhas Aéreas retomou os voos sazonais e diretos de Fortaleza e Manaus para Miami. São duas frequências semanais de ida e volta que serão operadas até dia 9 de agosto em ambas as cidades.

• A Royal Air Maroc (RAM) irá antecipar para 28 de outubro o início de seu quinto voo semanal entre São Paulo e Casablanca, acompanhando

o início da temporada de inverno no hemisfério norte e a época de viagens de lazer dos brasileiros.

PERFIL DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS BRASILEIRAS

Segundo estudo divulgado pela Abav Nacional, principal associação de agências de viagens brasileiras, o segmento de agenciamento no Brasil é maduro, resiliente e majoritariamente composto por micro e pequenas empresas. Juntas, elas somam mais de 92% dos negócios participantes, divididas entre Microempresas (ME - 45,3%),

Empresas de Pequeno Porte (EPP - 24,7%) e Microempreendedores Individuais (MEI - 22,4%).

A estabilidade do setor é comprovada pela longevidade: 78,4% das agências estão em operação há mais de cinco anos, evidenciando experiência acumulada ao longo de diferentes fases econômicas do Turismo.

O Censo da Abav Nacional também apontou que as agências de viagens têm investido em especialização e novos nichos de Turismo. Embora os segmentos tradicionais de “Sol e Praia” e “Cultural e Histórico” continuem como pilares da oferta nacional, o Censo da Abav aponta uma transição do mercado de intermediação para o de curadoria. Entre as tendências emergentes de maior valor agregado, destacam-se o Turismo de Natureza e Ecoturismo, Experiências de Luxo e Gastronomia e Turismo de Celebração.

O Turismo de Natureza e Ecoturismo se destaca com o crescimento de roteiros de aventura, alinhados a megatendências de sustentabilidade. As Experiências de Luxo e Gastronomia focam na

personalização, onde o relacionamento de longo prazo com o cliente tem peso maior que o volume de vendas. Já o Turismo de Celebração é crescente em nichos como Casamentos e Lua de Mel.

Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@ panrotas.com.br

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Brazilian Overview Monthly Report - PT - JUNHO 2026 by PANROTAS Editora - Issuu