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O mundo vive um momento de forte tensão em razão da guerra no Irã, iniciada nos últimos dias de fevereiro. Com o agravamento do conflito e o “fechamento” do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo disparou no mercado internacional, saindo da faixa de US$ 60 e chegando a atingir US$ 120. Mesmo com alguma acomodação recente, a cotação ainda permanece em patamar elevado, acima dos US$ 100. Esse cenário gera grande apreensão para as economias globais, ao pressionar os preços tanto pelo impacto direto nos combustíveis quanto pelo encarecimento dos custos logísticos, que acabam sendo repassados aos produtos nas gôndolas. O problema é que, até o momento — em meados de março —, ainda há elevada incerteza quanto aos desdobramentos do conflito, sua duração, intensidade e efeitos sobre a produção de petróleo, o transporte aéreo e outras atividades econômicas. No Brasil, os efeitos começam a ser sentidos gradualmente. A Petrobras já anunciou reajustes nos preços dos combustíveis nas refinarias. No entanto, por se tratar de um ano eleitoral e diante do potencial impacto inflacionário — com reflexos diretos sobre a avaliação do governo —, foi adotada a medida de zerar o imposto federal sobre a importação de óleo diesel, reduzindo a intensidade do repasse ao consumidor. Em algumas regiões, como na Bahia — onde há uma refinaria privada —, os reajustes já haviam ocorrido no início de março, e os consumidores locais passaram a pagar mais caro pela gasolina e pelo diesel. Outro fator que contribuiu para amenizar os efeitos no país foi o comportamento do câmbio. Diferentemente de crises anteriores, quando o real se desvalorizava de forma mais acentuada, desta vez houve relativa estabilidade, influenciada também por uma tendência de enfraquecimento do dólar. Antes do conflito, a taxa de câmbio estava em torno de R$ 5,15 por dólar, chegou a aproximadamente R$ 5,30 e atualmente oscila perto de R$ 5,25.

Mesmo sem uma definição clara sobre novos reajustes internos nos combustíveis, a inflação segue, até o momento, sem pressões estruturais relevantes. Em fevereiro, o índice registrou alta de 0,70%, puxada principalmente por fatores sazonais, como reajustes de mensalidades escolares e tarifas de transporte urbano. No grupo alimentação e bebidas, por exemplo, a variação foi de apenas 0,26%.
No acumulado em 12 meses, a inflação está em 3,81%. Até fevereiro, o cenário indicava que o Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciaria um novo ciclo de redução da taxa Selic. Esse movimento era sustentado pela inflação próxima de 3% e pela expectativa de estabilidade nesse patamar nos próximos anos.
No entanto, diante do novo contexto global de incertezas, o Copom optou, na reunião de março, por reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano — um ritmo mais moderado do que o esperado. Além disso, o Banco Central não sinalizou claramente os próximos passos da política monetária. Esse cenário é desfavorável para a economia brasileira, já que juros elevados limitam um crescimento mais robusto da atividade. Segundo o IBGE, o comércio varejista ampliado — que inclui veículos e atacado de supermercados — registrou alta de 1,1% em janeiro, após um desempenho praticamente estável ao longo de 2025.
Na indústria, setor também fortemente dependente do crédito, houve crescimento modesto de 0,2% no mesmo período. Já o setor de serviços apresenta desempenho mais consistente, com expansão de 3,3% em janeiro, impulsionado principalmente pelos segmentos de tecnologia da informação e turismo.
No turismo, levantamento mensal da FecomercioSP aponta faturamento de R$ 26 bilhões em janeiro, com crescimento de 2,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior — um novo recorde para o período. Ainda assim, a elevação do preço do petróleo e os reajustes internos
de combustíveis impactam diretamente a cadeia do setor, especialmente nos segmentos de transporte aéreo, rodoviário e locação de veículos. Com custos mais altos, a disposição do consumidor para gastar nesses serviços tende a diminuir. O mercado de trabalho segue aquecido, com a menor taxa de desemprego da série histórica, em 5,1%. No entanto, uma parcela crescente da renda das famílias está comprometida com o pagamento de dívidas. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento atingiu nível recorde, com 80,2% das famílias com algum tipo de obrigação financeira.
Inflação: Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, a inflação oficial do Brasil registrou alta de 0,70% em fevereiro, impulsionada por reajustes sazonais, como os de cursos escolares, que levaram a uma elevação de 5,21% no grupo educação. Os transportes públicos também contribuíram, com alta de 0,74% no grupo transportes no mês. A crise no Irã e o aumento do preço do petróleo ainda não foram captados pelo índice.
Esse contexto resulta em perda de dinamismo do consumo, redução da produtividade e menor geração de ganhos para as empresas. Soma-se a isso a erosão do poder de compra provocada pelo aumento dos combustíveis.
Dessa forma, além dos impactos da guerra no Irã, o Brasil enfrenta desafios estruturais e conjunturais relevantes: juros elevados, aumento da dívida pública, déficit fiscal, mudanças na tributação — como a taxação de dividendos — e a implementação da reforma tributária.
Esses fatores mantêm o país preso a um padrão de baixo crescimento. Um novo choque inflacionário apenas agravaria esse quadro já bastante complexo. RESUMO MARÇO/2026
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PIB: O Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo IBGE, encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, conforme esperado. Já o IBC-Br, indicador do Banco Central que funciona como uma prévia do PIB, aponta alta de 1% em janeiro deste ano na comparação anual, sinalizando continuidade do crescimento ao longo do ano.
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Crédito: A taxa média de juros praticada ao consumidor atingiu 61% ao ano em janeiro, acima dos 54% registrados no mesmo período do ano passado. Com o aumento do número de endividados, o risco financeiro se intensifica, uma vez que os custos com juros são mais elevados e eventuais atrasos no pagamento das dívidas passam a ter impacto cada vez mais significativo no orçamento familiar.
Confiança do Consumidor (ICC): O índice ficou estável em fevereiro na comparação com janeiro, permanecendo em 127,4 pontos, mas está 5,7% acima do patamar registrado no mesmo período do ano passado. O quadro no mês era favorável, com inflação baixa e emprego forte. No entanto, com a chegada do conflito no Irã e os possíveis impactos sobre a inflação ao consumidor, a confiança pode ser afetada nos próximos resultados.
Confiança do Empresário do Comércio (ICEC): Em fevereiro, a confiança do empresário do comércio ficou levemente abaixo do observado em janeiro, passando de 104 pontos para 103,3 pontos, o que representa uma redução de 0,6%. Na comparação anual, houve estabilidade. Assim como ocorre com os consumidores, a crise internacional, aliada ao aumento de preços no país e aos juros elevados, deve pressionar negativamente a confiança nos meses seguintes.
Note: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.
Depois de um começo de ano promissor, com boas vendas em janeiro e fevereiro e anúncio de novos voos da Gol (Rio de Janeiro direto para Paris, Lisboa, Nova York e Orlando) e da Latam (Bruxelas, Amsterdã e Cidade do Cabo), além do anúncio de reforços da American Airlines no Rio (na alta temporada de verão no Brasil, para Miami e Nova York), o mercado de lazer passou março com vendas menores e preocupação com a guerra no Irã. Hubs importantes para viagens à Ásia, África e Oriente Médio, Doha e Dubai (este também importante destino final) saíram do mapa dos viajantes por causa do conflito entre Estados Unidos/Israel e o Irã. Com isso, muitas viagens foram canceladas ou adiadas, e algumas remarcadas via Europa e Estados Unidos. No último caso, a necessidade de visto para uma conexão para a Ásia é um impeditivo importante.
O cenário de guerra encarece as viagens, por causa da disparada de combustível e por ter importantes players “fora do jogo” (como Emirates e Qatar Airways), muda o fluxo de viagens dos brasileiros, que podem preferir destinos mais seguros no momento (Brasil, Estados Unidos, Europa e América do Sul) e deixa muita incógnita e insegurança no mercado.
Os Estados Unidos atraem naturalmente os brasileiros, especialmente a Flórida, que tem uma ligação genuína e consistente com nosso mercado, e para aproveitarem as mudanças de mercado precisam focar em:
Conectividade (o que melhorou do lado brasileiro, mas estagnou por parte das americanas). O Brasil tinha no começo de ano 191 voos semanais para os Estados Unidos, com 2,6 milhões de assentos. Houve uma queda de 5% em voos, principalmente por causa dos cancelamentos da Azul Linhas Aéreas, que estava em recuperação financeira (saiu em fevereiro). Com os novos voos anunciados pela Gol e American a oferta deve subir este ano. São Paulo é o aeroporto com mais voos diretos para os Estados Unidos, mas há também opções com conexão, voando Avianca, Copa ou Latam.
Valor agregado (os brasileiros com dinheiro querem viajar, mas precisam ver valor e benefícios no investimento)
Segurança (ameaças de terrorismo assustam o viajante brasileiro, assim como a persistência da guerra)
Diversidade de destinos e atividades (para compensar viagens que seriam feitas para outras partes do mundo. É a hora de mostrar os Estados Unidos além da Flórida, para o que não são habituais no país)
Apostar em nichos onde ainda não são
Top of Mind para os brasileiros (como luxo, bem-estar ou imersões na natureza) e reforçar suas fortalezas (esportes, Copa


do Mundo, entretenimento, tecnologia, viagens técnicas, cruzeiros).
Já a Europa se beneficia de uma grande e diversificada malha aérea e de ser Top of Mind em luxo, cultura e gastronomia, por exemplo. A proximidade com os conflitos atuais (especialmente o Leste Europeu), o custo alto das viagens (especialmente Itália e França), as limitações de combustível já anunciadas por algumas empresas aéreas e o overturism (muito por conta do mercado americano), jogam contra neste momento.
As viagens para o Brasil devem sobressair nesse momento de incertezas, assim como para o Chile e o Caribe sem visto. O México está voltando à prateleira do brasileiro devido ao visto eletrônico e a Argentina, nosso segundo maior destino internacional, está muito cara para a viagem média do brasileiro.
Estar nos principais eventos para os agentes de viagens é uma boa oportunidade para reforçar laços e apresentar novidades aos brasileiros.
A ILTM Latin America ocorre no começo de maio, a Abav Expo no final de setembro, ambas em São Paulo, e o Festuris Gramado em novembro. Além dessas grandes, há eventos menores pelo País, que podem atingir mercados específicos importantes, como o Nordeste ou o Sul do Brasil. A próxima grande feira é a WTM Latin America, já em 14 de abril.
Levar os agentes de viagens e operadores para conhecer os destinos in loco é outra ação importante, pois desde a pandemia muitos destinos ainda não retornaram a fazer promoção no Brasil. E as novidades, por mais que sejam divulgadas em redes sociais e sites, são inúmeras, dificultando a atualização pelos profissionais.

Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@ panrotas.com.br


