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O ano de 2026 se inicia mantendo a instabilidade política e comercial do ano passado, dadas as ações do governo americano. Isso tem provocado uma desvalorização do dólar perante uma cesta de moedas ao redor do mundo e, inclusive, uma busca por segurança no ouro, que chegou a superar os 5 mil dólares no mercado internacional, sendo que, há dois anos, a cotação estava pouco acima dos 2 mil dólares.
No Brasil, o real tem se valorizado, tanto por essa questão internacional, aproveitando a desvalorização do dólar, quanto pelo fator doméstico, sobretudo pela taxa de juros, que se mantém em 15% ao ano, tornando o país atrativo para o capital especulativo.
A moeda brasileira chegou a ser cotada na casa dos R$ 5,10 por dólar, sendo que, um ano antes, a cotação estava em pouco mais de R$ 5,80.
O Banco Central do Brasil, por meio do seu Conselho de Política Monetária, já sinalizou um novo ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, a partir da reunião de março. A expectativa inicial é que se chegue ao final do ano próximo de 12%. Isso porque o cenário da inflação no país está bastante favorável, inclusive com a ajuda de um dólar mais barato, contribuindo para preços mais baixos na compra de insumos e produtos do exterior. Em janeiro, a inflação subiu 0,33% e acumula 4,44% em 12 meses. Por uma questão estatística, já no próximo mês deve voltar a reduzir o ritmo, seguindo a tendência de ficar abaixo de 4%. Para os próximos dois anos, a tendência, segundo projeções do mercado, é de uma inflação pouco acima de 3,5%.
Ainda assim, mesmo com preços mais moderados, os juros para consumidores e empresas estão em patamar elevado. A média para o primeiro grupo estava em 60,1% ao ano em dezembro do ano passado, acima dos 53,1% de dezembro de 2024. No mesmo período, as empresas viram a média dos juros subir de 21,7% para 25% ao ano. O custo

mais alto do dinheiro reduz a eficiência dos gastos, destinando uma parcela cada vez maior de recursos para o pagamento de juros, em vez de direcioná-los à economia, ao comércio e aos serviços.
Com a necessidade de arcar com juros mais elevados, tanto famílias quanto empresas reduzem a tração da economia, que deve crescer 1,80% em 2026, pouco abaixo dos 2,20% do ano passado. Não deve ser muito diferente em 2027, cuja projeção atual também é de 1,80%. Para este ano, o desempenho esperado ficará abaixo da média mundial (3,1%), da América Latina (2,3%) e de países como China (4,2%) e Índia (6,2%).
Há outros dificultadores estruturais no Brasil, não se restringindo apenas à taxa de juros. A falta de equilíbrio fiscal é um deles. Embora o país tenha apresentado recorde de arrecadação, o resultado tem sido negativo, como no caso projetado para este ano, de déficit primário de R$ 72 bilhões. Com isso, mantém-se a trajetória de aumento da dívida pública em relação ao PIB, que deve superar 80% neste ano e pode chegar a quase 90% até o final da década. Outro ponto relevante é que a dívida mais elevada está sendo negociada atualmente a taxas de juros altas, exigindo maior esforço do governo para sua quitação e, consequentemente, reduzindo a capacidade de investimento.
O que, de certa forma, mantém a economia ainda estável em patamar positivo é o mercado de trabalho aquecido, com a menor taxa de desemprego já registrada, de 5,1%. O ganho real de renda tem proporcionado maior volume de recursos nas mãos dos trabalhadores, o que não deve se reverter no futuro próximo, uma vez que não há, no horizonte, sinais de recessão ou de inflação mais elevada. No caso do turismo, o ganho de renda tem sido fundamental para manter o crescimento do faturamento do setor. Segundo a FecomercioSP, 2025 registrou crescimento de 5,8% e faturamento recorde de quase R$ 230 bilhões. Para 2026, a previsão é de
alta de 5%, com volume financeiro de pouco mais de R$ 240 bilhões. O transporte aéreo e a hotelaria ajudam a confirmar esse cenário, com recorde de passageiros transportados e tarifa média ainda elevada, indicando pressão de demanda. Nos demais setores da economia, o comércio registrou crescimento de 1,6% no ano passado, a indústria avançou 0,6% e os serviços tiveram alta de 2,8%, segundo dados do IBGE. Em termos conjunturais, a economia brasileira segue crescendo em ritmo lento, com previsão de aceleração mais para a segunda metade do ano,
DADOS IMPORTANTES:
Safra: De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a safra estimada para 2026 apresenta uma perda muito pequena em relação ao volume realizado no ano passado, de 1%, totalizando 343 milhões de toneladas. Ainda assim, o nível permanece muito próximo do recorde histórico, de 346 milhões de toneladas. Especificamente em relação à soja, a projeção é de que seja registrado o maior volume colhido da série histórica.
RESUMO FEVEREIRO/2026
em razão da redução dos juros e do processo eleitoral, que historicamente implica aumento de gastos públicos. Se o mundo estivesse em uma situação menos instável e mais positiva, talvez o Brasil pudesse enfrentar maiores dificuldades. No entanto, o país tem sido observado como uma alternativa atrativa para o capital estrangeiro, favorecendo a moeda nacional, a inflação e, por consequência, os gastos das famílias. Ainda assim, poderia crescer em ritmo mais forte se as contas públicas estivessem em melhor equilíbrio e se a curva da dívida pública apontasse para uma possível redução nos próximos anos.
2
Economia: O IBC-Br, índice utilizado como prévia do PIB, registrou crescimento de 2,5% em 2025. No entanto, os sinais de desaceleração permanecem, com o dado de dezembro apontando retração de 0,2% em relação a novembro.
3
Emprego: De acordo com informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, houve saldo positivo de 1,3 milhão de empregos no ano passado, com perda de fôlego em relação ao ano anterior, quando foram gerados 1,7 milhão. O setor de serviços liderou a criação de vagas, com a geração de 760 mil novos vínculos formais em 2025.
*LTM - Últimos doze meses
Legenda: Verde, Vermelho e PretoOs dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.
Confiança do Consumidor (ICC): O índice segue numa linha de forte expansão, chegando a 127,4 pontos em janeiro, alta de 2,4% em relação ao mês anterior e sendo o maior patamar desde julho de 2024. A inflação mais baixa é a principal justificativa para essa sequência favorável, o que tem permitido um aumento do poder de compra das famílias e quitação de dívidas antigas.
Confiança do Empresário do Comércio (ICEC): A confiança do empresário sobe pelo 4º mês seguido e atinge, em janeiro, 104 pontos, o maior patamar em um ano. Com a renda do consumidor mais forte, as vendas de final de ano positivas contribuíram para aumentar a confiança, mas os desafios do país, sobretudo em relação aos juros altos, limitam um avanço mais forte.
Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e Empresário Comercial (ICEC)
Confident Index (ICC) and Comerce Businessman (ICEC)
abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20 dez/20 fev/21 abr/21 jun/21 ago/21 out/21 dez/21 fev/22 abr/22 jun/22 ago/22 out/22 dez/22 fev/23 abr/23 jun/23 ago/23 out/23 dez/23 fev/24 abr/24 jun/24 ago/24 out/24 dez/24 fev/25 abr/25 jun/25 ago/25 out/25 dez/25
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ICEC
Note: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.
Começamos 2026 com desafios à frente no Brasil e no mundo, mas otimistas. Otimismo que logo foi solapado pela guerra no Irã e o cancelamento de milhares de voos para o Oriente Médio.
Dubai, Doha e a região em geral se tornaram, nos últimos anos, importantes destinos para os brasileiros que gostam de explorar o mundo. Além de serem dois hubs importantes para viagens à Ásia e até Europa. Para se ter uma ideia da importância da região, a Qatar Airways opera três voos diários entre São Paulo e Doha, e a Emirates voa do Rio de Janeiro e de São Paulo, sendo que nessa última utiliza o gigante A380. O mercado de Luxo e de Mice são os mais impactados, mas o Lazer para Dubai já está consolidado como importante opção para os brasileiros.
Não sabemos até quando vai essa nova guerra, mas alguns impactos são claros: aumento no preço dos combustíveis, aumento das passagens aéreas e aumento de medo de viajar. Que destinos os brasileiros escolherão como alternativa não está claro. Mas as companhias nacionais fazem suas apostas.
A Gol Linhas Aéreas anuncia nos próximos dias voos pela primeira vez para a Europa e possivelmente para destinos de longo curso nos Estados Unidos (hoje ela chega apenas a Miami e Orlando). Isso porque assinou contrato de leasing de 5 A330-900, que devem chegar entre 2026 e 2027. O Grupo
Abra, dono da Gol, e com sede na Colômbia, inicia, com essa ação, um período de forte crescimento regional. E a Gol, que sempre teve uma frota unificada de Boeing 737, agora parte para novas aeronaves.
A Latam não fica atrás e inicia nos próximos dias voos para Bruxelas, Amsterdã e Cape Town. E também se prepara para ter na sua frota pela primeira vez aeronaves Embraer (E195-E2), que chegam no final do ano para a malha doméstica.
A Azul, que acaba de sair da recuperação do Chapter 11, promete focar na malha internacional já existente (Flórida, Lisboa, Paris), sem maiores novidades este ano.
Pesquisa realizada no final de 2025 pelo Travel Leaders Hub mostra otimismo do empresariado em relação a crescimento dos negócios, mas preocupação com a reforma tributária (na época da pesquisa, a guerra do Irã ainda não era um fato concreto).
Embora a maioria das empresas espere alta ou estabilidade nos negócios, a falta de clareza sobre os impactos do novo sistema de impostos aparece como um dos principais fatores de preocupação para empresários e executivos do setor.
A pesquisa contou com 597 respostas, sendo 42,88% representando agências ou consultorias de viagens e 14,91% operadoras. Outros 12,73% se enquadram em categorias diversas, enquanto


7,87% pertencem ao setor de meios de hospedagem e 6,20% a consolidadoras. De acordo com o levantamento, apenas 32,48% das empresas afirmam se sentir preparadas para lidar com os efeitos da reforma tributária, enquanto 48,72% ainda não sabem dizer se estão prontas e 18,79% declaram claramente não estar preparadas. A indefinição se reflete diretamente nas projeções de preços para as viagens em 2026. Quando questionados sobre como a reforma tributária deve afetar os valores cobrados aos consumidores, 36,43% dos respondentes acreditam que os preços permanecerão estáveis, enquanto 33,64% projetam aumento de até 20%. Já outros 16,71% avaliam que os reajustes podem ultrapassar esse patamar.
Segundo a pesquisa, a reforma tributária aparece ao lado de fatores como instabilidade política, inflação, juros elevados e oscilações da economia internacional como os principais riscos ao desempenho dos negócios em 2026. O cenário do Turismo fica ainda mais agitado por se tratar de ano eleitoral no Brasil (vamos eleger novo presidente e novos senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais). Tanto é que na avaliação de 87% dos
entrevistados, as eleições devem impactar os negócios de alguma forma. Apesar do ambiente desafiador, o setor demonstra resiliência. Mais de 60% dos respondentes se dizem muito otimistas em relação a 2026, e cerca de metade das empresas prevê crescimento da receita em comparação com 2025.
O otimismo é sustentado principalmente pelo Turismo de lazer, pelo calendário de feriados e por eventos de grande porte, como a Copa do Mundo, que 45,71% dos entrevistados acreditam que terá impacto positivo nos negócios.
Na Revista PANROTAS Especial para o Fórum PANROTAS 2026, que ocorreu no começo de março, publicamos o ranking das 50 maiores distribuidoras de viagens no Brasil. O ranking é liderado por Decolar, CVC Corp, BeFly, Azul Viagens e Paytrack.
Completam o Top 10: Grupo Confiança, Tabhi (dono da Orinter), Sakura, BRT e BCD Travel.
Confira o Top 50, com informações de cada empresa no Portal PANROTAS
E para saber o Calendário de Eventos do ano no Brasil consulte
Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@ panrotas.com.br



