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Brazilian Overview Monthly Report - PT - JULHO 2026

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Edição 58 Agosto/2026


ÍNDICE 03

Principais Fatos

05

Índice de Confiança

06

Viagens e Turismo


PRINCIPAIS FATOS O Brasil vive um paradoxo econômico. Os números mais recentes até parecem animadores — a inflação de julho ficou em apenas 0,07%, o menor resultado do ano, e o acumulado de 12 meses recuou para 4,44%, voltando para dentro do teto da meta de 4,5%. Os alimentos, principal peso no bolso das famílias, tiveram deflação de 0,67%, com queda forte em itens como tomate (-29%) e redução nos preços das carnes e do café. Os combustíveis também ajudaram, com recuo na gasolina, no etanol e no diesel. Mas a aparente melhora esconde uma estrutura frágil: a economia está sustentada por estímulos fiscais e expansão de crédito, pilares que não se mantêm por muito tempo. A relação dívida/PIB já atinge 82%, em trajetória crescente e sem qualquer sinal de controle, o que contamina os juros de longo prazo e compromete a capacidade de investimento do país no futuro. A pergunta que se impõe é: até quando essa conta fecha? Do lado internacional, mesmo com a retomada dos conflitos no Irã após a assinatura do acordo de paz, o assunto perdeu a proporção das semanas anteriores. O petróleo oscila entre US$ 80 e US$ 90 — ainda pesa, mas já sem a gangorra de incerteza que marcou os últimos meses, o que traz mais previsibilidade para os preços. Ainda assim, o patamar elevado mantém um ambiente inflacionário mundial que deve sustentar taxas de juros altas nas principais economias. No mercado interno, porém, o arrefecimento da inflação nos últimos dois meses tem aberto pequenos espaços para a redução da Selic. Nesse contexto, o Banco Central reduziu a Selic em mais 0,25 ponto, levando a taxa para 14% ao ano — o quarto corte consecutivo, todos no mesmo ritmo cauteloso. A queda vem sendo bem devagar e não há muito espaço para acelerar: novas reduções dependerão do cenário fiscal e da trajetória da inflação. A expectativa que se tinha no início do ano

de que a Selic pudesse chegar a 12% ficou para trás — hoje, o mercado já não trabalha com esse patamar, mas ficar próximo aos 14%. E é justamente no fiscal que mora o problema. O governo segue expandindo gastos em ano eleitoral: a dívida pública atingiu 82% do PIB, contra 75% no mesmo período do ano passado — um salto de 7 pontos percentuais em 12 meses. Programas de incentivo ao consumo, como o Move Brasil, e rodadas de renegociação de dívidas alimentam a atividade no curto prazo, mas aumentam a desconfiança dos investidores. O câmbio reflete essa tensão: por um lado, os juros ainda elevados atraem capital especulativo e seguram o real; por outro, o cenário eleitoral e a deterioração fiscal começam a pressionar a moeda, que volta a oscilar próximo a R$ 5,20 por cada dólar. Na atividade econômica, os dados mais recentes de junho mostraram um varejo em alta de 4,9%, resultado fortemente influenciado pelo programa Move Brasil: veículos e motos saltaram 11,6%, eletrodomésticos subiram 9,4% e supermercados avançaram 2,2%. Na Pesquisa Mensal de Serviços, a alta foi de 2%, e a indústria avançou 1,7%. Um dado que reforça o quadro de fragilidade é o recorde de R$ 247,6 bilhões em crédito das famílias com atraso superior a 90 dias, levantado pela FecomercioSP. Segundo a CNC, 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida — nível recorde histórico. As apostas esportivas online provavelmente contribuem para esse desequilíbrio financeiro, consumindo parte do orçamento que iria para consumo ou pagamento de dívidas. É um ciclo perigoso: o governo estimula o crédito para aquecer a economia, mas as famílias já estão no limite do endividamento. O turismo segue num ritmo mais forte. O setor registrou mais um faturamento recorde em junho, de R$ 22,5 bilhões, alta de 2,1% — puxado pelo transporte aéreo, que cresceu 5,5%. O alojamento teve leve recuo Brazilian Overview Monthly Report - Julho/2026

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de 0,2%, o que pode estar ligado ao efeito da Copa do Mundo no calendário. Parte desse desempenho geral, porém, se explica pela alta nos preços das passagens aéreas, reflexo direto do encarecimento do querosene de aviação. O segundo semestre segue carregado de incertezas. O calendário eleitoral tende a travar decisões importantes e a estimular ainda mais o gasto público, num governo que segue em forte expansão fiscal sem dar sinais de ajuste. Do lado externo, as tensões globais não dão trégua: a volta da guerra no Irã e as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros adicionam camadas de risco que fogem ao controle do país. Internamente, as empresas ainda precisam se adaptar à regulamentação da Reforma Tributária e

convivem com a insegurança gerada pelas discussões sobre mudanças na escala e jornada de trabalho. É essa combinação — juros altos, guerra, tarifas, reforma tributária, mudanças trabalhistas, incerteza eleitoral e fiscal — que faz com que o empresário freie os investimentos. Quando quem produz e emprega não tem previsibilidade, a economia desacelera. E o que se vê é justamente isso: indicadores de atividade cada vez mais modestos, consumo travado por endividamento e crédito caro, e um setor produtivo que opera no modo de cautela. O Brasil tem tamanho e potencial para crescer bem acima da média mundial, mas segue desperdiçando essa oportunidade — e a conta, no fim, recai sobre o trabalhador brasileiro, que vê sua renda encolher em termos reais enquanto as condições para empreender e investir se deterioram.

DADOS IMPORTANTES:

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Inflação: A alta de apenas 0,07% levou o acumulado em 12 meses de 4,64% para 4,44%, voltando para dentro do limite de 4,5%. Alimentos caíram 0,67% (tomate -29%, carnes e café em queda), e combustíveis recuaram (gasolina -1,37%, etanol -2,26%). Na contramão, energia elétrica subiu 3,09% com reajustes tarifários e passagens aéreas avançaram 11,67%.

Varejo: O programa de financiamento do governo para motoristas de aplicativo e taxistas, com linha de R$ 30 bilhões via BNDES e juros reduzidos, ajudou a puxar o varejo de junho em 4,9%. Veículos e motos saltaram 11,6% e eletrodomésticos subiram 9,4%. O efeito é expressivo, mas artificial — quando o estímulo acabar, resta saber se o consumo se sustenta.

Safra agrícola: O IBGE revisou a estimativa de julho para cima: 353 milhões de toneladas de grãos, alta de 2% ante 2025 e 1,6% acima da estimativa de junho. A soja segue em recorde histórico com 174,9 milhões de toneladas. O risco está na próxima safra: o Super El Niño pode alterar o regime de chuvas e comprometer a produção de 2027, pressionando alimentos.

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RESUMO JULHO/2026 Dados Macro América Latina

Argentina

Brasil

Chile

Colombia

México

Peru

Taxa de desemprego

7,80%

5,40%

9,40%

8,00%

2,80%

4,90%

Taxa básica de juros

25,80%

14,00%

4,50%

12,00%

6,50%

4,25%

Inflação (LTM-Out*)

33,80%

4,44%

4,50%

6,03%

3,12%

4,10%

*LTM - Últimos doze meses

Legenda: Verde, Vermelho e Preto Os dados ficam melhores, piores e iguais do que no mês anterior.

ÍNDICES DE CONFIANÇA: Confiança do Consumidor (ICC): O ICC recuou 2% em julho, passando de 124,1 para 121,6 pontos, mas ainda sobe 11,6% na comparação anual. As famílias seguem com dificuldades para equilibrar o orçamento após os preços mais altos do início do ano e os juros elevados. A inflação mais amena dos últimos meses, porém, pode abrir caminho para uma melhora nos próximos períodos. Confiança do Empresário do Comércio (ICEC): O ICEC ficou praticamente estável em julho, nos 93,9 pontos, e permanece na zona de pessimismo. Em um ano, a queda é de 8,7%. Os empresários estão mais inadimplentes e os juros elevados seguem como grande impeditivo de consumo. Com a proximidade das eleições, a incerteza política passa a pesar cada vez mais no humor do setor.

Consumer Confident Index (ICC) ande Comerce Businessman Índice de Confiança do Consumidor (ICC) Empresário Comercial (ICEC) (ICEC)

150 140 130 120 110 100 90 80

ICC

jul/26

fev/26

set/25

abr/25

nov/24

jun/24

jan/24

ago/23

out/22

mar/23

mai/22

dez/21

jul/21

fev/21

set/20

abr/20

nov/19

jun/19

jan/19

ago/18

mar/18

out/17

mai/17

dez/16

50

jul/16

60

fev/16

70

ICEC

Nota: O ICC e ICEC variam de 0 a 200. De 100 a 200 pontos é considerado um patamar otimista, e abaixo dos 100 pontos pessimista. Apesar dos indicadores serem da cidade de São Paulo, eles seguem na tendência do que está acontecendo no resto do País já que a cidade, maior do Brasil, representa 11% do PIB nacional.

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VIAGENS E TURISMO

O IDET PANROTAS (Índice de Desempenho Econômico do Turismo) referente a julho, foi o melhor da série iniciada em março deste ano, mostrando aquecimento nas vendas nas três verticais – Consolidadoras Aéreas, Operadoras de Viagens e TMCs: 87,88% das 33 empresas participantes venderam mais do que em julho de 2025. O crescimento médio entre as que avançaram foi de 28,31%, e a queda da minoria que recuou foi de -12%, sinal de que mesmo quem perdeu vendas perdeu menos do que nos meses anteriores.

A confiança no presente deu um salto importante. A avaliação “Bom” ou “Muito bom” chegou a 57,57%, recuperação expressiva após o piso de junho. O quadro de pessoal também melhorou: 57,58% das empresas encerraram julho com mais funcionários do que há um ano, o melhor resultado desde abril. Para o futuro, 48,48% dos empresários esperam cenário “Melhor” ou “Muito melhor” nos próximos seis meses, e apenas 12,12% projetam piora.

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DETAQUE PARA AS OPERADORAS Pelo segundo mês consecutivo, as operadoras chegam ao topo do IDET PANROTAS em vendas: 90,91% das empresas venderam mais do que em julho de 2025, empatando com o resultado de junho. O crescimento médio entre as que avançaram foi de 23,64%. A única empresa que recuou teve queda de -25% — o número mais negativo entre todas as verticais no mês, o que sugere uma concentração de pressão em casos isolados. Já as consolidadoras retomaram o ritmo em julho: 81,82% das empresas venderam mais do que em julho de 2025, com crescimento médio de 30,84%, o melhor resultado da vertical desde março. E, pela quarta vez no ano, nenhuma consolidadora reportou queda de margem no mês. 72,73% encerraram o mês com margens maiores que há um ano. Essa vertical mostra o comportamento do consumo de bilhete aéreos no Brasil. Consulte o IDET PANROTAS todos os meses em https://www.panrotas.com.br/idet/ O IDET PANROTAS é uma iniciativa da PANROTAS para difundir informação de qualidade sobre o desempenho setorial, ajudando empresas, destinos, estudantes e órgãos interessados no setor a acompanhar essa indústria de grande potencial no Brasil. O índice é apurado mensalmente com 33 das maiores empresas do setor, 11 em cada uma das verticais de Consolidadoras, Operadoras e TMCs. O MERCADO NO MEIO DO ANO O Turismo brasileiro chega ao período de maior venda (os últimos meses do ano), preocupado, mas confiante. O Brasil está

a um mês das eleições presidenciais, e isso sempre é motivo para que todos deem uma segurada nos planos, para esperar o resultado do pleito. Além disso, os custos com passagens aéreas e incertezas com o fechamento de empresas (como a Machu Picchu Brasil) e o setor de seguro viagem (houve a suspensão pelo órgão regulador da seguradora Generali) ajudam a aumentar a inquietude do mercado. A Braztoa, associação de operadoras de viagens, levantou dois alertas importantes: a volta da venda de pacotes flexíveis (em que o viajante não escolhe data ou fornecedores), algo que está proibido no País, e a venda, por uma operadora nacional, de passagem aérea para 2027 e 2028, prática proibida, pois as empresas aéreas publicam suas malhas apenas com um ano de antecedência. As práticas, além da falta de ética no mercado, mostram a ausência de fiscalização ou comprometimento do governo, que deveria regular e fiscalizar o mercado. EM ALTA NO BRASIL • Produtos premium em empresas aéreas • Viagens de luxo para a Europa • Aviões da Embraer, que entram na frota da Latam no fim do ano – e que já são operados pela Azul. Grupo Abra deve incluir os Embraer em sua frota também •A transferência de mais de 100 funcionários da Flytour Consolidadora para a Sakura, liderados por Luti Guimarães • Troca de comando na Gol: sai Celso Ferrer e entram André Fehlauer (exLivelo), como CEO, e Albert Perez, como presidente


EM BAIXA NO BRASIL • Processos complicados de visto ou entrada em países • Destinos com conflitos ou guerras bem próximas • Falta de transparência nos contratos de Turismo e na relação com fornecedores • Falta de fiscalização do governo • Alta de preços das passagens aéreas, sem previsão de baixa até 2027 EXPECTATIVA NO BRASIL • Os novos destinos internacionais da Gol (que devem passar a diários em 2027) • As inaugurações prometidas pela

Disney nos Estados Unidos e no mundo • O início dos voos da Latam com Embraer • O novo mapa dos destinos de luxo para 2027 – de preferência com sugestões que fujam de aglomerações, extremos climáticos e produtos fake • O fim da guerra no Oriente Médio e a volta dos importantes hubs de Doha e Dubai, que precisam restaurar a confiança dos brasileiros nos destinos e nos aeroportos de conexão • Legisladores e políticos que defendam o Turismo nos cargos certos do novo governo, independentemente de quem ganhe a eleição 2026.

Relatório produzido pela PANROTAS e pela FecomercioSP com o objetivo de servir como norteador de decisões para destinos e empresas nacionais estrangeiras. Para mais informações ou esclarecimentos, entre em contato com ri@fecomercio.com.br ou redacao@panrotas.com.br.


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