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O Tempo 30-3-2020

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Coronavírus. Estado investiga mortes nos hospitais Biocor e Eduardo de Menezes. Página 3 TV GLOBO/DIVULGAÇÃO

“Big Brother” Contra as expectativas, Babu é campeão de popularidade. R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8507 - Segunda-feira, 30/3/2020

Página 11

CORONAVÍRUS > PANDEMIA

Disparada do vírus no Brasil é mais rápida do que na Itália Nos 33 dias iniciais, país teve 4.256 casos, contra 2.500 na península, mas ritmo de contágio desacelera ¬ A pandemia do coronaví-

rus no Brasil começou mais acelerada do que em epicentros da doença. Nos primeiros

33 dias, o país registrou quase 2.000 casos a mais que a Itália no mesmo período. Porém, o ritmo de contágio deixou de do-

brar a cada dois dias e meio para duplicar a cada quatro dias. Como não há testes em massa, faltam dados aos especialistas

para avaliar se a situação da Covid-19 no Brasil está se estabilizando. Em apenas um dia, foram notificadas 22 mortes no

país. Em Minas Gerais, há 231 casos confirmados da doença e 28.783 em investigação. Páginas 2 e 3

FLÁVIO TAVARES

Hospitais

Mensalidades

Sem proteção, podem faltar médicos e enfermeiros

Escolas não precisam dar descontos ¬ Advogado explica que, ha-

vendo reposição das aulas, não há motivo para reembolso ou redução de valores. Contrato com colégio é anual. Página 6

¬ Instituições de saúde têm dificuldade para comprar equipamentos como máscaras e luvas. Sem eles, profissionais não poderão trabalhar. Muitos já estão afastados. Página 6

Cestas básicas BH COMEÇARÁ AMANHÃ A DISTRIBUIÇÃO PARA ALUNOSDA REDEPÚBLICA.

Planalto PRESIDENTE AFIRMA QUE TODOS SÃO ESSENCIAIS E APOIA FIM DE ISOLAMENTO.

Página 4

Dia D

Página 4

PREFEITURA DE BETIM DISTRIBUI ÁLCOOL 70% NAS DEZ REGIONAIS.

Vírus deixa domingo sem o Mercado Central

Página 8

Em 90 anos de história, o espaço tradicional da capital mineira fechou as portas para o público em um domingo apenas em duas ocasiões. Página 4

Morte de bebê CASO NOS EUA PÕE EM DÚVIDA CRITÉRIO PARA GRUPO DE RISCO. Página 5

Sequestro

Longevidade

Eleições 2020

Motorista de app fica 4 dias em cativeiro

Mulher vive mais em BH que na região metropolitana

Candidatos têm até o dia 4 para se filiarem

¬ Homem de 30 anos foi acha-

¬ Desigualdade social explica o

¬ Data é prazo-limite para ingressar em partido e definir domicílio eleitoral. Realização do pleito é questionada, mas não há definição sobre adiamento. Página 10

do no sábado, em Contagem. Ele havia sido sequestrado no centro de BH e levado para o aglomerado Frigo Diniz. Página 21

fenômeno. Na capital, mulheres têm mais acesso a cuidados médicos e educação, e a renda média é mais alta. O resultado é uma ex-

pectativa de vida de 83 anos para elas em BH, contra 77 em cidades da região metropolitana. Os dados fazem parte de uma pesquisa da UFMG. Páginas 12 e 13

COLUNISTAS VITTORIO MEDIOLI Uma lição Página 9

PAULO BRANT Quando as crises se encontram Página 15

WhatsApp OTEMPO

(31) 99827.4455


2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020

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Coronavírus

Cobertura especial

Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.

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PANDEMIA

Brasil tem curva de contágio mais acelerada do que a da Itália São 4.256 brasileiros contra 2.500 italianos, nos 33 primeiros dias ¬ GABRIEL RODRIGUES ¬ Desde o começo da pan-

demia na China, nos últimos dias de 2019, os olhos do mundo estão voltados para a curva de progressão da Covid-19, que indica o número de doentes ao longo do tempo. A curva brasileira, após 33 dias desde o primeiro caso confirmado no país, continua subindo. A maior dúvida é se, nas próximas semanas, o Brasil

vai se aproximar mais da Itália (com quase 11 mil mortes), ou da Coreia do Sul (que conseguiu “achatar” a curva em pouco mais de um mês). Para pesquisadores, a resposta depende, em primeiro lugar, de dados mais precisos, o que ainda não existe no país. Hoje, os 4.256 casos confirmados no Brasil são, obviamente, muito menos do que os mais de 92,5 mil da Itália. Mas a epidemia no país europeu começou no fim de janeiro, dois meses antes do início no Brasil. No 33º dia de epidemia na Itália, eram cerca de 2.500 casos, pouco

mais da metade dos casos brasileiros até agora. De acordo com o professor do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e membro do Observatório Covid-19 BR, Roberto Kraenkel, o segredo para entender a curva do coronavírus é olhar, em vez da quantidade de casos, o ritmo de progressão da doença. “Nosso ritmo inicial era de dobrar os casos a cada 2,5 dias, aproximadamente. Hoje, esse número está em cerca de quatro dias. Aparentemente, houve uma freagem, mas você tem que levar em

conta que o dado é feito a partir de casos divulgados pelo Ministério da Saúde. Com menos testes sendo feitos, parecem menos casos”, diz. Um estudo britânico estima que nove em cada dez casos de Covid-19 no Brasil não sejam

Em Minas Participação. A cada cem casos confirmados até agora no Brasil, ao menos cinco são em Minas (5,4%). Mas, dos novos registros de ontem, o Estado tem 7,4%.

detectados. De acordo com a análise do observatório, no Brasil, essa taxa demorou menos de uma semana para aumentar — o que significa diminuição do ritmo de contágio. Já a Itália demorou mais de 20 dias para chegar nesse ponto. Isso, contando com uma quarentena nacional. É uma disparidade que acende o alerta para Kraenkel: “Faz com que a gente não saiba se essa freada, esse ritmo mais lento, reflete a dinâmica da epidemia ou do nosso sistema de informação”, avalia. O mesmo se aplica à transmissão da doença, de acordo

com o doutor em bioinformática Bráulio Couto, autor de estudos sobre a Covid19 em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Nosso número diz que a situação melhorou bem. Saímos de um cenário em que cada caso infectava dez novos e chegamos a um cenário em que infecta quatro. Quando a doença está controlada cada caso gera menos de um novo”. Ele se mantém otimista, mas também ressalta que, sem conhecer o real número de casos no país, não é possível dizer se o ritmo da epidemia diminuiu de fato.

CRISTIANE MATTOS

Projeções

Informações

País pode ultrapassar 6.000 casos hoje

Especialistas reclamam de defasagem

Estimativas feitas por especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) e da Fiocruz apontam que, até hoje, o país deve registrar 6.375 casos. A expectativa é de que, na próxima semana, o total de casos comece a aumentar exponencialmente até que os efeitos das medidas de distanciamento social comecem a ser sentidos. “Temo que as pessoas digam que, se está melhorando, posso afrouxar. Mas é o contrário. Se está melhorando, é porque está funcionando”, ressalta o doutor em bioinformática Bráulio Couto. “Não há ainda meios de avaliar se as medidas que estão sendo implementadas surtirão os efeitos necessários. Mas projeções feitas para outros países indicam a necessidade de lockdown (isolamento total das cidades, com manutenção apenas de serviços essenciais) por, ao menos, dois meses”, alerta Roberto Kraenkel, da Unesp. (GR com agências)

Dados diários de coronavírus no Brasil refletem o passado e pesquisadores reclamam de falta de informações. “Quem foi hospitalizado ontem e é caso suspeito, fez coleta de material para o laboratório avaliar se e positivo para Covid-19 e vai saber daqui alguns dias. E o tempo de espera aumenta devido à carga dos laboratórios”, opina o pesquisador Marcelo Gomes, do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os especialistas ressaltam ainda que, sem dados precisos, é muito difícil comparar a realidade brasileira à de outros países, e mesmo o cenário de Estado para Estado. (GR)

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7

Isolamento. Praça Sete vazia retrata distanciamento social que, segundo especialistas, é a melhor alternativa para frear transmissão

Bahia tem primeira morte

Fim da pandemia está longe

84% tinham alguma doença

Salvador. A Secretaria da Saúde da Bahia divulgou, ontem, o primeiro óbito pelo novo coronavírus no Estado. O paciente é um homem de 74 anos que estava internado em um hospital privado da capital baiana, entubado e em diálise contínua. As secretarias estaduais notificaram mais cinco mortes. Além desta da Bahia, foram duas em São Paulo, uma em Brasília e uma no Rio Grande do Norte.

Isolamento. Pelo menos 70% dos brasileiros precisam estar imunizados para que comece a se falar em fim da pandemia no país. Chegar a esse percentual só será possível depois que a maioria da população tiver sido infectada e curada. A alternativa é a vacina, que dificilmente chegará ao mercado este ano. Por isso, especialistas indicam o isolamento social prolongado para retardar o avanço da Covid-19.

Balanço. O Ministério da Saúde divulgou que 84% das mortes no Brasil por coronavírus são de pessoas com ao menos um fator de risco, como doenças preexistentes. Doenças cardíacas e diabetes foram as doenças associadas mais frequentes – estavam presentes em 71 e 50 pessoas que morreram, respectivamente. Em seguida, aparecem as pneumopatias (22) e doença neurológica (12).


O TEMPO BELO HORIZONTE| SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 3

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

No Brasil, a cada cem pacientes com coronavírus, três morrem

136

114

34

25

1.12 8 1.54 6 1.89 1 18

4

1

11

234 291 428 0

6

121 200 0

0

0

77 98

25 0

0

25 0

34 52

19 0

0

13 0

7

3 0

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2 0

2

0 0

0

2 0

2 2

1 0

1

136

621 904

3,19%

Mortes

0

352 novos registros da Covid-19 – alta de 9% em relação a sábado – e 22 mortes, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. Até às 16h de ontem, o país totalizava 4.256 casos e 136 óbitos, com uma taxa de letalidade de 3,2%. Com 231 ocorrências, 12,7% a mais em relação a sábado, Minas Gerais ainda não confirmou nenhuma morte, mas investiga 20, entre elas, a de um paciente de 57 anos que morreu no último sábado, no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte. Outra morte também investigada é a de uma mulher idosa que estava internada no hospital Biocor, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. A morte dela por Covid-19 foi confirmada pelo médico infectologista da unidade Estevão Urbano, que informou à reportagem que a paciente tinha exame positivo para a doença. Mas, por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que ainda não há óbitos confirmados no Estado. A média global da letalidade estimada inicialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 3,4%, e há diferenças significativas entre os países: a Itália já teve momentos de 10%, enquanto a Alemanha assiste a uma taxa de menos de 1%. O pesquisador Roberto Kraenkel ressalta a importância desse índice para atender pessoas e salvar vidas. “Eu entendo que existam problemas e que as estatísticas não são a primeira prioridade. Mas a gente não sabe se realmente há diminuição no ritmo de casos, o que é uma notícia péssima”. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgada na semana passada mostrou que, mesmo em cenários mais brandos, faltariam leitos de UTI no Brasil para atender os casos mais graves de coronavírus.

Letalidade

92

4.256

LUCAS HENRIQUE GOMES

¬ Em 24 horas, o Brasil teve

57 77

Total de casos

¬ GABRIEL RODRIGUES

46

MORTES

CASOS

2.20 1 2.43 3 2.91 5 3.41 7 3.90 4

AVANÇO DA COVID

4.25 6

EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

0

Médico revela morte no Biocor, e Estado investiga óbito no Eduardo de Menezes

26/2 27/2 28/2 29/2 1/3 2/3 3/3 4/3 5/3 6/3 7/3 8/3 9/3 10/3 11/3 12/3 13/3 14/3 15/3 16/3 17/3 18/3 19/3 20/3 21/3 22/3 23/3 24/3 25/3 26/3 27/3 28/3 29/3

NÚMERO DE CASOS POR ESTADO

NÚMEROS DA COVID-19 Nos 33 dias desde o primeiro caso registrado

AP

RR AM AC

CASOS CE

MA PI

PA TO

RO

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MT

MORTES 4.256

RN PB PE AL SE

2.500

DF GO

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MG MS SP PR

ES DIA 1

RJ

DIA 33

136 52 2 0

DIA 1

DIA 33

SC RS

0

SP RJ CE DF MG RS SC BA PR AM PE RN ES GO MS AC AL PA MA MT RR SE PB PI TO RO AP

200

400

600

800

1.000 1.200 1.400

1.451 600 348 289 231 226 194 154 148 140 73 68 60 58 36 34 17 18 16 16 16 16 14 14 9 6 4

Casos por região

Sudeste Nordeste Sul Centro-Oeste Norte

55% 17% 14% 9% 5%

DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33

BRA 1 1 1 2 2 2 2 3 7 13 19 25 25 34 52 77 98 121 200 234 291 428 621 904 1.128 1.546 1.891 2.201 2.433 2.915 3.417 3.904 4.256

EUA 1 1 2 2 5 5 5 5 5 7 8 8 11 11 11 11 11 11 11 12 12 13 13 13 13 13 13 13 13 15 15 15 51

ESP 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 6 13 15 32 84 120 165 222 259

ITA 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 20 62 155 229 322 453 655 888 1.100 1.700 2.000 2.500

BRA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 4 6 11 18 25 34 46 57 77 92 114 136

EUA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

ESP 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 2

ITA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 2 3 7 11 12 17 21 29 41 52


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Bolsonaro chama povo às ruas FABIO PULPO/FOLHAPRESS

Presidente diz que pode baixar decreto para autorizar retorno ao trabalho ¬ BRASÍLIA. Na contramão

das orientações do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro conclamou as pessoas a voltarem às ruas para trabalhar e disse ontem estar com “vontade” de fazer um decreto para liberar todas as atividades. “Eu estou com vontade, não sei se eu vou fazer, de baixar um decreto amanhã: toda e qualquer profissão legalmente existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para levar o sustento para os seus filhos, para levar leite para seus filhos, para levar arroz e feijão para casa, vai poder trabalhar”, afirmou. Questionado se o texto já estava em estudo, Bolsonaro afirmou que havia acabado de pensar nessa ideia, enquanto falava com jornalistas na porta do Palácio da Alvorada. Na entrevista, o chefe do Executivo disse que vai recorrer da decisão que vetou a classificação das casas lotéricas como serviços essenciais. O Planalto havia editado norma permitindo a abertura dos estabelecimentos e, a Justiça derrubou a medida, proibindo o funcionamento.

Belo Horizonte

Entrega de cestas começa amanhã Começa amanhã a distribuição de cestas básicas pela Prefeitura de Belo Horizonte para famílias de estudantes matriculados na rede municipal. A distribuição será feita enquanto as aulas permanecerem suspensas. Será entregue uma cesta por família. A partir de hoje, o responsável legal pelo estudante deve consultar o site da prefeitura para ter informações sobre a retirada dos mantimentos. A consulta ao sistema será feita com o nome e o CPF do responsável pelo aluno. A prefeitura firmou parceria com supermercados, que vão realizar a entrega das cestas. A administração municipal ressalta que é preciso consultar os dados no site e que os supermercados não têm acesso à lista de distribuição. Para retirar a cesta, o responsável deve apresentar documento de identificação, com foto e CPF. A expectativa da prefeitura é gastar cerca de R$ 9 milhões por mês para distribuir as cestas para 142 mil famílias. (Da redação)

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Passeio. Presidente Jair Bolsonaro visitou comércio local nas cidades-satélites para incentivar saída das pessoas do isolamento social

“A primeira instância derrubou (o funcionamento das casas lotéricas). Tem cidade que a casa lotérica é a agência bancária da cidade. Ele (cidadão) vai ter que mudar de cidade pra pagar até o boleto ou pra receber o seu dinheirinho do Bolsa Família. Derrubaram. Vamos recorrer para a segunda instância. Vamos começar agora uma guerra de liminares”, declarou. O presidente justificou sua ida a pontos de comércio, como em Taguatinga e Ceilândia, cidades-satélites da capi-

Equilíbrio difícil Dicotomia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o período de isolamento como medida de combate à pandemia pode ser mantido por dois ou três meses, mas que depois desse período é preciso liberar as pessoas para o trabalho, pois, caso contrário, há o risco de se desmontar o país. “Esse equilíbrio é difícil. Como economia, gostaria que nós pudéssemos manter a produção e voltar mais rápido. Como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da saúde, ao contrário, quero ficar em casa e manter o isolamento”, afirmou Guedes.

Varejistas podem demitir Risco. Grandes empresas do varejo, um dos setores mais afetados pela onda do coronavírus, têm avisado ao presidente Jair Bolsonaro que vão demitir, em média, até um terço de seus funcionários caso a pressão para reabrir as lojas não surta efeito até meados de abril. O comércio emprega 23,5% dos trabalhadores com carteira assinada. São 9,1 milhões de pessoas. As principais redes respondem por cerca de 20% desses postos – 1,8 milhão de trabalhadores.

tal federal, como uma forma de “ouvir o povo” sobre os problemas do Brasil. “Se eu não ouvir o cara falar que está na banana, como é que eu vou po-

Conselho Opinião. Bolsonaro recomendou que todos os políticos saiam às ruas e cumprimentem as pessoas para, na avaliação dele, entender a realidade nesses tempos de coronavírus.

der agir?”, disse. Para sustentar seu argumento de que o isolamento é prejudicial, Bolsonaro citou, sem apontar números, um aumento da violência doméstica. “Tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Como que acaba com isso? O cara quer trabalhar, meu Deus do céu, é crime agora isso?”, questionou. O presidente falou ainda em “casos absurdos”, como a detenção de pessoas que estavam passeando pela praia. Se-

gundo o presidente, trata-se de um local “seguro” por ser aberto. A orientação das autoridades médicas em todo o mundo é desestimular que as pessoas frequentem locais públicos, como praias, parques e praças, para evitar aglomerações que favoreçam a disseminação do novo coronavírus. O presidente defende o isolamento vertical, ou seja, apenas de grupos de risco, enquanto a orientação do Ministério da Saúde é para o isolamento social da população.

Em 90 anos

Controle mais flexível

Mercado Central ficou fechado Num dia histórico em seus 90 anos de existência, o Mercado Central de Belo Horizonte não abriu as portas ontem. Nem quando passou por uma reforma, entre os anos de 1969 e 1973, o prédio parou de funcionar ou adotou medidas como as de agora. O único outro domingo em que um dos ícones da identidade belo-horizontina não abriu as portas foi há 40 anos, em julho de 1980, quando BH recebeu a visita do papa João Paulo II. Na ocasião, porém, o clima da cidade era de festa e completamente diferente. A medida faz parte das ações para conter a proliferação do novo coronavírus na capital mineira. De segunda a sábado, o mercado tem funcionado das 8h às 17h. No entanto, só lojas que comer-

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cializam produtos essenciais (drogarias, padarias, açougues, sacolões e pet shops, sem venda de animais) estão operando. Apenas 110, das 400 lojas que lá existem, continuam abrindo. Em outra medida inédita

adotada pela administração do espaço, dos oito acessos ao mercado, apenas dois têm sido abertos: as portarias das avenidas Amazonas e Augusto de Lima, esquina com a rua Curitiba. (Da redação) FLÁVIO TAVARES

Regras. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, liberou o uso de regras fiscais mais flexíveis para o combate ao coronavírus. O magistrado autorizou o governo a criar despesas para enfrentar a pandemia sem apontar a origem das receitas. Moraes atendeu a um pedido da Advocacia Geral da União, que afirmava que as exigências estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela Lei de Diretrizes Orçamentárias poderiam prejudicar, neste momento, a garantia do direito à saúde.

Financiamento do BNDES Ajuda. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse ontem que o apoio a empresas da área de saúde levará à entrega de 3.000 novos leitos emergenciais de UTI, 15 mil respiradores pulmonares, 5.000 monitores e 80 milhões de máscaras cirúrgicas. Na última sexta-feira, o BNDES já havia anunciado que vai criar uma linha emergencial de crédito de R$ 2 bilhões para empresas da área da saúde. Apenas os seguranças circularam nos corredores do Mercado ontem


O TEMPO BELO HORIZONTE| SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 5

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Mundo tem mais de 33 mil mortes Itália registra uma ‘desaceleração tímida’; já Espanha chega ao 2º lugar ¬ PARIS, FRANÇA. O novo coro-

navírus causou pelo menos 33.244 mortes em todo o mundo desde que surgiu em dezembro, de acordo com um balanço divulgado pela agência de notícias France Press ontem, às 16h. Até o fechamento desta edição, desde o início da epidemia, mais de 697.750 casos de contágio foram registrados em 183 países ou territórios. O número de casos positivos diagnosticados, no entanto, reflete ape-

nas uma parte do total de infecções devido às distintas políticas dos diferentes países para diagnosticar os casos. Alguns contabilizam apenas as pessoas que precisam de hospitalização. No sábado, houve 3.241 novas mortes e 56.973 infecções em todo o mundo. Ontem, os países que registraram mais mortes foram Espanha (838), Itália (756) e Estados Unidos (460). O número de mortos na Itália, que registrou sua primeira morte ligada ao vírus no final de fevereiro, passou, assim, para 10.779. A boa notícia é que os números de ontem ratificaram que a progressão do coronavírus na Itália segue

desacelerando timidamente pelo terceiro dia consecutivo. “Infelizmente hoje (ontem) registramos 756 mortes. O número de curados é de 13.030”, anunciou o chefe da proteção civil Angelo Borrelli, na entrevista coletiva diária em que divulga o balanço da situação no país. Ao todo, lá, o número de novos casos positivos (5.217) caiu 5,6% em 24 horas. Essa queda foi de 6,9% no sábado e 7,4% na sexta. Outro sinal positivo: o número de pessoas hospitalizadas com sintomas aumentou pouco (710, de um total de 27.386), bem como o de pessoas em terapia intensiva (50, para um total de 3.906).

Tendo, pois, Itália e Espanha à frente, a Europa totalizava ontem 23.864 mortes (382.943 infecções). Era seguida pela Ásia, com 3.792 (105.573); Oriente Médio, com 2.727 (47.310); Estados Unidos e Canadá; 2.414 (138.880); América Latina e Caribe, 287 (13.939); África

Advertência Prazo. O Reino Unido pode demorar seis meses ou mais para retornar a uma vida normal, advertiu ontem a vice-chefe do Serviço de Saúde da GrãBretanha, Jenny Harries.

142 (4.569) e Oceania 18 (4.537). Ontem, Tóquio confirmou 68 novos casos, um aumento diário recorde. Por lá, as infecções subiram para mais de 1.700, com 55 mortes registradas no início do dia de ontem, excluindo as de um navio cruzeiro colocado em quarentena no mês passado. O governador de Tóquio, Yuriko Koike, pediu que a população evite passeios não essenciais e não urgentes até o dia 12 de abril. Já em Singapura, o governo estipulou que quem quebrar as regras de isolamento vai pagar multa de US$ 7.000 (R$ 35 mil) e ser condenado a até seis meses de prisão. As

sanções valem ainda para quem não respeitar a distância de um metro de outras pessoas e para quem se reunir em grupos com mais de dez componentes fora do trabalho ou da escola. O mesmo vale para quem não respeitar a determinação de se isolar em casa. PLANETA CONFINADO. Neste

momento, calcula-se que mais de 3,38 bilhões de pessoas em quase 80 países ou territórios estejam confinadas em suas casas, por decreto ou voluntariamente. O número representa quase 43% da população mundial, que a ONU calcula em 7,79 bilhões em 2020.

BALDESCA SAMPER/AFP

Tensão ao extremo Luto. Thomas Schaefer, 54, ministro das Finanças de Hesse, “profundamente preocupado” com as consequências da Covid-19 na economia, tirou sua própria vida, disse ontem o primeiro-ministro do estado alemão, Volker Bouffier. Com dois filhos, ele vinha trabalhando para ajudar empresas e funcionários a adaptar-se às repercussões econômicas da pandemia.

Atletas de volta ao Brasil Volta. Ontem, a delegação brasileira paralímpica recebeu a notícia que há 15 dias esperava. A embaixada brasileira no Equador informou que os nove atletas e o treinador voltarão amanhã ao Brasil. “Ainda estou sem acreditar”, festejou Cecília Araújo, campeã mundial de natação. Um voo l será fretado para trazer o time e outros brasileiros em situação similar. Madri. A situação na capital espanhola é considerada dramática: as famílias não podem acompanhar os enterros e governo abriu mais dois necrotérios

Trump manda ficar em casa O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás na ideia de afrouxar o isolamento social até a Páscoa e pediu para a população ficar em casa até o dia 30 de abril. Segundo ele, o pico de morte por Covid-19 no país será daqui a duas semanas. Trump anunciou, para os próximos dias, um teste rápido para detectar a Covid-19, inclusive os sintomas leves. ALEX EDELMAN / AFP

LUIS ROBAYO/AFP)

Mais novos

Morte de bebê em Chicago acende alerta nos Estados Unidos Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas e conselheiro do presidente Donald Trump para a pandemia, afirmou ontem, ao canal CNN, que entre 100 mil e 200 mil pessoas podem morrer nos Estados Unidos pelo coronavírus. Mais cauteloso, o diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas recordou que os modelos sempre são baseados em diferentes hipóteses. “Sempre trazem o pior e o melhor cenário. Geralmente, a realidade acaba ficando em um ponto intermediário”, explicou. Pelo fato de os estudos

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WASHINGTON, EUA.

apontarem que o vírus afeta fundamentalmente pacientes mais velhos e pessoas com doenças crônicas, a morte de um bebê de poucos meses em Chicago, Illinois, chocou a população do país. O Departamento de Saúde Pública do estado afirmou que o menino testou positivo para o coronavírus. “Nunca houve uma morte de um bebê associada à Covid-19”, reconheceu o diretor do departamento, Ngozi Ezike. Semana passada, o diretor geral de Saúde Pública da França, Jerome Salomon, já havia anunciado a morte de uma adolescente de 16

anos na região de Paris. “As formas graves (de coronavírus) entre os jovens são muito raras”, destacou Salomon. Já a ministra da Saúde de Portugal informou que, por lá, um garoto de 14 anos, que estava com o coronavírus, faleceu. Como ele tinha problemas de saúde prévios, será preciso pesquisar mais a causa exata da morte. Na semana passada, o Departamento de Saúde Pública de Los Angeles informou que um adolescente diagnosticado com a Covid-19 faleceu. Mas destacou que o caso era complexo e que a causa do óbito poderia ser outra.

Detecção térmica em alta Certificação. Países como China, Chile e Colômbia adotaram a prática de medir a temperatura de quem chega por lá. Caso da própria Wuhan, epicentro da pandemia. É que muita gente está voltando à cidade agora, após ter sido obrigada a ficar afastada por ao menos 10 semanas. Na foto, bebê é testado no aeroporto Alfonso Bonilla Aragon, em Palmira, na Colômbia.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Desfalque na linha de frente MARIELA GUIMARÃES - 5.5.2017

Preço alto e falta de insumos podem afastar um quinto das equipes médicas ¬ QUEILA ARIADNE ¬ Os preços de alguns in-

sumos essenciais no combate da pandemia já subiram até 2.000%. Os efeitos dessa hiperinflação, provocada pela explosão da demanda global, podem agravar ainda mais uma situação que já é realidade nos grandes hospitais do país: a baixa nas equipes médicas por afastamentos. Segundo a presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), Kátia Rocha, de 10% a 12% do quadro de colaboradores pertence ao grupo de risco e, portanto, já foi licenciado. “Além disso, estudos internacionais, com base no que está acontecendo em outros países, mostram que de 10% a 12% dos profissionais da saúde se afastaram porque foram infectados ou precisaram de atestados”, explica. Isso significa que um quinto dos profissionais pode desfalcar a linha de frente dessa batalha. Segundo Kátia, por isso é tão importante que o governo ajude a manter os estoques de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) não apenas da rede pública, pois todos estão com dificuldade de comprar materiais como luvas e máscaras, por exemplo. “O Estado fez uma requisição de insumos de R$ 27 milhões. Ainda não sabemos os critérios, mas esperamos que também seja direcionado para os hospitais filantrópicos, que representam hoje 70% dos leitos hospitalares”, destaca Kátia. Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) não havia confirmado o valor a ser investido nem explicado os critérios da distribuição dos recursos estaduais ou dos cerca de R$ 100 milhões já repassados pelo Ministério da Saúde. Os insumos encomendados pelo governo estadual serão prioritariamente destinados a unidades básicas de saúde, UPAs e hospitais com UTI. Dos cerca de 2.800 lei-

Lei da oferta

Custo dos insumos de proteção dispara Há três semanas, a gerente de compras do grupo Vitallis, Daniela Caldeira, pagava R$ 5,60 em uma caixa com 50 máscaras cirúrgicas descartáveis. Agora, ela está pagando R$ 245 – mais de 4.000% de aumento. “É praticamente uma bolsa de valores, com oscilações extraordinárias nos preços. E, além de estar mais caro, estamos com uma demanda dez vezes maior e mais dificuldade para pagar. Antes, os fornecedores faturavam em 30 ou 60 dias. Agora, cobram à vista. Essa situação de preços abusivos é muito complicada e pode acabar refletindo na prestação de serviços”, avalia Daniela. Segundo o superintendente da Federassantas, Adelziso Vidal, a máscara N-95, que antes custava R$ 1,60 a unidade, agora está na faixa de R$ 30, alta de 1.775%. A touca passou de R$ 0,05 para R$ 0,50. “É a lei da oferta e da procura. Há excesso da demanda no mundo inteiro, mais alta do dólar e algumas fábricas paradas. Além de restrição das importações”, explica o professor de economia do Ibmec, Felipe Leroy. (QA)

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Risco. Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas (Federassantas) alerta para afastamento de profissionais de saúde REPRODUÇÃO TWITTER

tos de terapia intensiva existentes em Minas, cerca de 2.200 são dos 316 hospitais associados à Federassantas. O superintendente da federação, Adelziso Vidal, afirma que pelo menos 55 hospitais já relataram dificuldade em comprar os EPIs, por preços e disponibilidade. No Vale do Mucuri, em Teófilo Otoni, cerca de 6% da equipe do Hospital Santa Rosália está afastada. “Além dos colaboradores que estão em casa porque são do grupo de risco, tenho 44 atestados”, afirma Leonardo Seixas, diretor executivo do hospital. Entre os motivos estão gripe, isolamento por contato com caso suspeito do novo coronavírus, depressão moderada e ansiedade, entre outras doenças. Na cidade, ainda não tem caso confirmado. “Além dos EPIs, que garantem a proteção da equipe, é muito importante investir nos testes rápidos. Tivemos um óbito na semana passada com suspeita de Covid-19, e o resultado, que deu negativo, demorou seis dias na rede privada. Pela Funed, ainda nem recebemos”,diz Seixas. “Nesse tempo, tivemos que fazer o isolamento dos profissionais que tiveram contato com o paciente”, explica ele, lembrando que a unidade é referência para 63 cidades da região, que abrange mais de 1 milhão de habitantes.

“Temos 20 profissionais por dia para cada dez leitos. Se faltar EPI, podemos ter um impacto muito grande nessa linha de frente.” Adelziso Vidal

Superintendente das Federassantas

Equipes de saúde precisam de equipamentos de proteção EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

PREÇOS DISPARAM Rede Federassantas MATERIAL (UNIDADE)

JANEIRO DE 2020

MARÇO DE 2020

Luvas R$ 0,13 R$ 0,24 Máscara descartável R$ 0,14 R$ 2 Máscara N-95 R$ 1,60 R$ 30 Touca R$ 0,05 R$ 0,50

VARIAÇÃO

84,6% 1.328% 1.775% 900%

Rede Vitallis MATERIAL

VARIAÇÃO EM RELAÇÃO HÁ 3 SEMANAS

Luvas (caixa com 50) Álcool em gel

4.275% 60%

Sofia Feldman MATERIAL

DEZEMBRO DE 2020

MARÇO DE 2020

Luva látex (100 unid.) R$ 15,30 R$ 26 Máscara cirúrgica R$ 5,25 R$ 32,9 (50 unidades) Álcool 70% unid. R$ 2,88 R$ 4,08

VARIAÇÃO

69,9% 528% 134%

Mercado

Remuneração de leitos fica aquém Ao mesmo tempo em que os hospitais têm mais gastos com insumos médicos, a receita está em queda, e a remuneração dos leitos que o governo do Estado pretende ampliar está aquém da realidade do mercado. “A diária de um leito de UTI custa, em média, R$ 2.000. O Estado quer pagar R$ 800. Em 2017, durante o surto de febre amarela, o próprio governo pagou R$ 1.450 por leito”, compara o superintendente da Federassantas, Adelziso Vidal. Segundo a presidente da

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federação, Kátia Rocha, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) paga mais. “Eles vão pagar R$ 1.700 para garantir a disponibilidade, ou seja, com o leito ocupado ou não”, explica Kátia. A reportagem entrou em contato com a SES-MG e questionou a pasta sobre o custeio dos leitos de UTI, mas, até a última sexta-feira, não havia recebido resposta. Atualmente, os 316 hospitais associados à Federassantas têm 25 mil leitos, sendo cerca de 2.300 de UTIs. (QA)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Escolas devem dar descontos? O TEMPO foi atrás dessa e de outras respostas sobre o ano letivo de 2020 ¬ ALEX BESSAS ¬ A política de isolamen-

to social, principal linha de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, levou à suspensão de aulas das redes pública e privada em todo o país. A medida despertou uma série de dúvidas sobre como será o ano letivo de 2020 e a respeito de possíveis prorrogações e descontos de mensalidades no caso das instituições particulares de ensino. A reportagem de O TEMPO selecionou algumas das principais questões relacionadas à educação no atual cenário e buscou respostas junto a especialistas. “Em um primeiro momento, não é direito dos pais pedir qualquer reembolso, porque essas aulas serão devidamente repostas pelas instituições de ensino. Muitas delas já estão readequando seu calendário letivo”, explica Alan Matos, professor de direito do consumidor da Universidade Estácio de Sá. Segundo ele, o direito de reembolso surgirá se as escolas não cumprirem a reposição de carga horária em momento posterior à fase de isolamento decorrente da pandemia. Em consonância com

MCTIC/DIVULGAÇÃO

a afirmação, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgou, na última quinta-feira, nota recomendando que os consumidores evitem cancelar ou pedir descontos ou reembolso total ou parcial em mensalidades “a fim de não causar um desarranjo nas escolas que já fizeram sua programação anual, o que poderia até impactar o pagamento de salário de professores, aluguel, entre outros” itens. No documento, a Senacon lembra que os contratos de prestação de serviço com entidades educacionais são semestrais ou anuais. Dessa maneira, ainda que as aulas estejam suspensas neste momento, as escolas poderão repô-las posteriormente ou ainda oferecê-las remotamente. No mesmo sentido, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor de Minas Gerais (ProconMG) não menciona as possibilidades de desconto ou

Sem previsão Retomada. Ainda não há data definida para o retorno das aulas no Brasil. Em MG, a suspensão escolar decretada pelo governo também segue por tempo indeterminado.

Enem segue sem mudança Após especulações de que o Enem 2020 poderia ser adiado por conta da Covid-19, o ministro da Educação, Abraham Weitraub, manifestou-se no Twitter: “É muito cedo para qualquer posição, e seguiremos a orientação do ministro Mandeta [Ministro da Saúde]”. O exame está previsto para ser aplicado digitalmente nos dias 11 e 18 de outubro e, no modelo tradicional, em 1° e 8 de novembro. FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Alternativa. Procon-MG sugere ensino a distância como forma de manter contratos entre as famílias e as escolas durante a quarentena UNIBH/DIVULGAÇÃO

de reembolso de matrículas ou de mensalidades em sua recomendação endereçada ao Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), na segunda-feira passada. Dirigindo-se à presidente da entidade, Zuleica Reis Ávila, o Procon sugere a adoção de medidas para “manter a execução dos contratos escolares firmados utilizando os meios disponíveis de ensino a distância enquanto perdurar a suspensão das aulas presenciais”.

Saiba mais 0Rotina. O Sinep-MG lembra que “sempre foi parte da rotina escolar a negociação de descontos e prazos em relação às mensalidade”.

No ensino superior do Brasil, aulas online já valem como dia letivo

Em Minas

Conselho estadual regulamenta aula remota para ensino básico A demanda de colégios e de alunos desde a suspensão das aulas por tempo indeterminado, em consequência da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o ensino à distância para educação básica foi regulamentada na sexta-feira (27) pelo Conselho Estadual de Educação (CEE-MG). Por meio de uma nota de esclarecimento e de orientações, a entidade reforçou ser importante que as instituições de ensino reorganizassem os seus calendários letivos, de forma a garantir que os estudantes cumpram a carga horária mínima de 800 horas.

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Ainda que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) preveja, para situações emergenciais, que o ensino fundamental seja ofertado à distância e que exista um decreto federal de 2017 que aponta para a mesma possibilidade, na ausência de leis específicas, era preciso que o Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais (CEE-MG) regulamente o tema – o que não havia sido feito até quintafeira passada (26). Por nota, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) lembrou que a decisão estabelece meios para reorganiza-

ção do calendário escolar, como: “A utilização de todos os recursos disponíveis, desde orientações com textos, estudo dirigido e avaliações, bem como outros meios remotos diversos. Estabelece também o uso de recursos oferecidos pelas tecnologias digitais de informação e comunicação, considerando quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidade de ensino centrados na autoaprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de informação e comunicação remota”. (AB)

0 Diálogo. Embora reforce que as escolas estão empenhadas em cumprir com a grade curricular, a entidade ressalta que o diálogo com os colégios é sempre uma alternativa.

Aula online mais barata? Os alunos que se sentirem lesados com a substituição de aulas presenciais pelas online poderão pedir as planilhas de gastos da instituição. “Ao verificar custos, se concluir que está pagando um valor excessivo para um serviço que se tornou mais barato, o contratante pode requerer o abatimento proporcional do valor”, explica o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Igor Marchetti.

Nas universidades No caso do ensino superior, o Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria, no último dia 18, permitindo a substituição das aulas presenciais por aulas em plataformas digitais. A decisão tem validade de 30 dias e pode ser prorrogada. Cursos de medicina e outros que envolvam práticas profissionais de estágios ou de laboratórios não podem fazer a substituição do presencial para o método totalmente online.


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CORONAVĂ?RUS

PANDEMIA

Betim tem Dia D de combate à Covid-19 Prefeitura distribuiu ålcool 70% para população das dez regionais da cidade  FLà VIA JARDIM  Betim, na região metro-

politana de Belo Horizonte, fez ontem um Dia D de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19). A ação aconteceu pela manhã e foi promovida pela prefeitura, em parceria com a Câmara Municipal de Vereadores, lideranças regionais, religiosos, voluntårios, Organizaçþes não Governamentais, associaçþes comunitårias e desportistas do município. Todos se uniram para realizar a distribuição simultânea de ålcool líquido 70% nas sedes das dez regionais administrativas e em diversos bairros da cidade. Segundo a prefeitura, os pontos fixos de distribuição do ålcool foram as sedes das administraçþes regionais. Simultaneamente, equipes percorreram as

PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAĂ‡ĂƒO

ruas dos bairros definidos. Desde a Ăşltima terça-feira, a Prefeitura de Betim estĂĄ distribuindo 120 mil litros do produto doados pela Sada Bioenergia – empresa do prefeito Vittorio Medioli, sediada em JaĂ­ba, no Norte do Estado. O ĂĄlcool 70% estĂĄ sendo fracionado em porçþes de, no mĂĄximo, 300 ml, envasadas em frascos pela Fazenda Vale Verde, que produz aguardente na regiĂŁo de VianĂłpolis. As garrafas plĂĄsticas utilizadas foram adquiridas a preço de custo por meio da empresa Ă gua Mineral IgarapĂŠ. Junto com o produto, os moradores estĂŁo recebendo um folheto com orientaçþes de uso, para evitar acidentes durante o manuseio e tambĂŠm para reforçar as açþes de higienização. “A Prefeitura de Betim ressalta a importância de redobrar os cuidados para a distribuição do ĂĄlcool lĂ­quido 70%, organizando a fila e mantendo a distância nos pontos fixosâ€?, informou a gestĂŁo municipal.

Casos

Prevenção. Equipes da prefeitura e voluntårios distribuíram o produto para moradores do município

Balanço. AtÊ anteontem, Betim notificou 637 casos suspeitos de Covid-19. Desses, 538 ainda estão em investigação, 64 foram descartados, e cinco casos confirmados por exames laboratoriais. As duas primeiras confirmaçþes da doença, consideradas importadas, são de um casal que retornou da Europa no dia 16 de março. Outros dois betinenses que contraíram a doença viajaram recentemente para o Rio de Janeiro. A prefeitura não divulgou mais detalhes do último caso.

A professora Adriana Rodrigues foi um dos moradores que receberam o produto en casa, no bairro Riviera. Para ela, a medida ĂŠ importante. “Pelo momento que estamos enfrentando, em que nĂŁo estamos encontrando o produto acessĂ­vel nas lojas, acho que ĂŠ de grande valia es-

Serão criados, alÊm dos leitos no Centro Materno-Infantil, outros 120 no centro de diagnóstico, que serå instalado pela prefeitura no Clube da Fiat. TambÊm serå montado um centro de recuperação para pacientes da Covid-19 no mesmo local, com mais 80 leitos.

sa ação. Para as comunidades carentes, então, que não têm dinheiro para comprar, ajuda ainda mais. Gostaria de parabenizar o prefeito pela iniciativa�, afirmou. PLANO DE ENFRENTAMENTO. Betim criou na semana passada um plano de enfrentamento

# GORTGUC # 2 $4#)# '0)'0*#4+# ' %1/œ4%+1 .6&# KPUETKVC PQ %02, UKVWCFC ´ 4WC 64Â?5 %14#š¨'5 P $CKTTQ %#.#(#6' UQNKEKVC Q EQORCTGEKOGPVQ FQ UGW HWPEKQPÂśTKQ 41$510 41&4+)7'5 &# 5+.8# %625 5œ4+' /) PQ RTC\Q FG JQTCU PQ UGW NQECN FG VTCDCNJQ RCTC TGCUUWOKT CU UWCU HWPĂ Ă?GU EQPUKFGTCPFQ UWC CWUĂ„PEKC CQ VTCDCNJQ FGUFG 1 PÂşQ EQORCTGEKOGPVQ ECTCEVGTK\CTÂś #DCPFQPQ FG 'ORTGIQ EQPHQTOG CTVKIQ NGVTC Ĺ‘ + Ĺ‘ FC %.6 %1/70+%#&1 # GZKIĂ„PEKC FG RCICOGPVQ CPVGEKRCFQ FG SWCNSWGT SWCPVKC RCTC TGEGDKOGPVQ FG GORTĂƒUVKOQU HKPCPEGKTQU ECTVC FG ETĂƒFKVQ FG EQPUĂŽTEKQ G XGPFC FG XGĂˆEWNQU CWVQOQVQTGU RQFG UGT KPFĂˆEKQ FG IQNRG EQPVTC Q EQPUWOKFQT #PVGU FG HGEJCT PGIĂŽEKQ EQPUWNVG Q 2TQEQP FG UWC EKFCFG Q 2TQEQP 'UVCFWCN FG /KPCU )GTCKU QW C &GNGICEKC 'URGEKCNK\CFC FG 1TFGO 'EQPĂ?OKEC G &GNGICEKC 'URGEKCNK\CFC FG %TKOGU %QPVTC Q %QPUWOKFQT

da pandemia do coronavírus, que inclui, alÊm da distribuição de ålcool 70% para a população, a criação de três centros de tratamento de pacientes com coronavírus e a abertura de 370 leitos, sendo 170 de terapia intensiva, no Centro Materno-Infantil, cujas obras estão sendo finalizadas.


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APARTE

aparte@otempo.com.br

A.PARTE

Equipe com uniforme de Contagem tapa buracos em Santa Luzia ta o serviço para o município de Contagem. “A empresa, visto a necessidade de atender o serviço, precisou solicitar que alguns trabalhadores que estavam em Contagem se deslocassem para o município, não havendo tempo para a troca de uniforme. Essa não é uma situação recorrente”, informou, por meio de nota, a Prefeitura de Santa Luzia. O Aparte perguntou à prefeitura se havia alguma preocupação em se realizarem obras durante a pandemia de coronavírus. Santa Luzia tinha 243 casos suspeitos até a última quinta-feira, 26, e o prefeito Christiano Xavier (PSD) decretou o fechamento do comércio no dia 20 de março. “Os trabalhadores têm tomado todas as medidas de higiene para se prevenirem contra a doença e estão sendo orienta-

dos a manterem o distanciamento necessário para evitar o contágio”, respondeu a administração municipal luziense. Aparentemente, entre as medidas tomadas, não estava a troca do uniforme. Já a Prefeitura de Contagem deu uma versão ligeiramente diferente para o ocorrido e disse que o quadro de funcionários da empresa terceirizada diminuiu e a empresa confundiu o uniforme das equipes. “Informamos, ainda, que o uso do uniforme da cidade de Contagem não foi autorizado e que não há nenhum vínculo entre os contratos dos municípios. A empresa será notificada e está sujeita a penalidades previstas no contrato”, informou a assessoria de imprensa do Executivo, também por meio de nota. (Pedro Augusto Figueiredo) LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS - 19.11.2019

Aécio apresentará PEC para unificar eleições e restringir reeleição O deputado federal Aécio Neves (PSDB) vai apresentar um projeto que prevê unificação das eleições de 2020 com as de 2022 por conta da pandemia do novo coronavírus. As alterações, contudo, podem perdurar no sistema eleitoral brasileiro se o texto for aprovado. O tucano tem recolhido assinaturas dos colegas de Parlamento para protocolar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Ele precisa conseguir o apoio de pelo menos um terço do total de deputados – 171 dos 513 parlamentares. O texto prevê que os mandatos atuais de prefeitos e vereadores sejam prorrogados até 2022, ano em que ocorreriam as eleições gerais. A proposta também prevê que a eleição para o Senado, em 2022, passe a prever um mandato de quatro anos – atualmente, é de oito anos. Além disso, a partir das eleições gerais de 2026, os mandatos passariam a ser de cinco anos, sendo vedada a reeleição para os cargos do Executivo – presidente, governadores e prefeitos.

JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL - 27.3.2020

vittorio.medioli@otempo.com.br

Uma lição

Inusitado

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra trabalhadores realizando operação tapaburaco no bairro Maria Adélia, em Santa Luzia, município da região metropolitana de Belo Horizonte. A obra é rotineira, mas um detalhe chama atenção: os funcionários estão usando uniformes da Prefeitura de Contagem. O Aparte questionou a Prefeitura de Santa Luzia sobre o ocorrido e se os funcionários pertenciam à administração do município ou à Prefeitura de Contagem. A resposta foi, no mínimo, curiosa: de acordo com a Prefeitura de Santa Luzia, os funcionários são de uma empresa terceirizada contratada pelo Executivo para realizar as operações tapa-buraco. Porém, a empresa contratada é a mesma que pres-

VITTORIO MEDIOLI

Hélder Barbalho (MDB) Governador do Pará

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“A vida, se for perdida, não dá segunda chance. A economia você pode recomeçar, reerguer-se. Se alguém colocar em pauta se é mais importante vida ou economia, este alguém seguramente deverá ser avaliado.”

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epois do pavor pela ameaça de morte, aparece o pavor do desemprego e da fome. Como combater a epidemia de coronavírus e, ao mesmo tempo, manter a economia em funcionamento e preservar empregos, oportunidades e renda? Como manter em atividade o complexo ciclo da produção em sua capilaridade? Como evitar outra brutal recessão depois de seis anos de quedas profundas e de estagnação? Como enfrentar desafios terríveis num país marcado por 50 milhões de pessoas, 25% da população, com renda insuficiente para garantir uma vida digna? Como se preparar para administrar milhões de demitidos em massa e outros com suas atividades autônomas inviabilizadas? A sociedade moderna parada se desestrutura. Apresenta-se o desafio de escolher a perda de parentes e amigos pela doença do coronavírus (Covid-19) ou pela miserabilidade. Como manter a produção de alimentos, e tudo que é necessário para essa atividade, para abastecer a população do Brasil e de cinco continentes que daqui dependem? A equipe de cientistas do Imperial College London, da Inglaterra, liderada pelo professor Neil Ferguson, apresentou três cenários diferentes para o Brasil: um, com isolamento severo e “apenas” 44 mil mortos, ou 0,02% da população; outro, com isolamento brando e 529 mil mortos, ou 0,24%; e, na terceira hipótese, de não haver cuidados, 1,15 milhão de mortes, sendo 0,5% decorrente da pandemia. Para o planeta, o cenário sem cuidados dá 40 milhões de perdas humanas entre os 7 bilhões de habitantes de hoje – quer dizer, a metade do total de mortos durante os cinco anos da Segunda Guerra Mundial. Ferguson alerta: “Estratégias de mitigação focadas na blindagem de idosos (redução de 60% nos contatos sociais) e desaceleração, mas não interrupção da transmissão (redução de 40% nos contatos sociais), poderiam reduzir as perdas pela metade, salvando 20 milhões de vidas. Porém, prevemos que, mesmo nesse cenário, os sistemas de saúde em todos os países serão rapidamente sobrecarregados”. A advertência, portanto, exclui, dessa forma, a possibilidade de salvar muitos contaminados pela Covid-19. O professor subscreve um alerta: “É provável que esse efeito seja mais grave em contextos de baixa renda, onde a capacidade (de alcançar o atendimento) é menor. Como resultado, prevemos que o verdadeiro impacto em ambientes mais pobres, que buscam estratégias de mitigação, pode ser substancialmente mais alto do que o calculado nas estimativas iniciais”. Para evitar a sobrecarga do sistema de saúde, os cientistas ingleses consideram que a rápida adoção de medidas de saúde pública para suprimir a transmissão pode garantir que a estrutura fique em níveis manejáveis, como na

China e na Coreia do Sul. Fundamental seria adotar os testes em massa, o isolamento de pessoas contagiadas e o distanciamento social. Disso conclui a equipe inglesa: “Se for implementada uma estratégia de supressão precoce e sustentada do vírus, teremos 0,2 morte por 100 mil habitantes por semana, então 38,7 milhões de vidas podem ser poupadas no mundo. Se for iniciada quando o número de óbitos for maior – 1,6 óbito por 100 mil habitantes por semana –, então só 30,7 milhões de vidas poderiam ser salvas”. Resta claro que atrasos na adoção de estratégias para suprimir a transmissão levará a maiores perdas de vidas. O estudo admite que não consegue calcular “os impactos sociais e econômicos mais amplos da supressão (das atividades econômicas) e reconhece que eles serão altos e podem ser desproporcionais em ambientes de baixa renda”. Reforça, também, que “as estratégias de supressão teriam de ser mantidas, com breves interrupções, até que vacinas ou tratamentos eficazes se tornassem disponíveis”. A análise destaca que “decisões desafiadoras serão enfrentadas por todos os governos nas próximas semanas, mas (esse confronto) demonstra como uma ação rápida, decisiva e coletiva pode salvar milhões de vidas”. Bolsonaro, por sua vez, tomou a frente para defender um modelo de isolamento chamado “vertical”, que permite a reabertura de escolas, universidades e negócios ao prever que apenas idosos e pessoas com doenças crônicas se isolem. Enquanto isso, entidades empresariais já lançaram manifestos pedindo a volta à normalidade. Nesse cenário crítico com atividades econômicas agonizando, os empresários clamam para que governadores e prefeitos levantem a quarentena. No meio saturado de incerteza, o debate, infelizmente, se politizou e perdeu a clareza que ajudaria a encontrar soluções para a saúde pública sem quebrar o equilíbrio social. As atividades essenciais, obviamente, precisam ser mantidas. Porém, verdadeiros abutres em momento de calamidade abusam com aumentos extorsivos de preços, sem qualquer cuidado para atenuar os estragos que geram. Alguns insurgem-se contra medidas de prevenção como máscaras, álcool, luvas, medição de temperatura e testes que possam isolar os portadores do vírus. Estarrecedor ainda como pessoas abastadas, mas pobres de sensibilidade, ficam na contramão da solidariedade humana e se aproveitam do momento para explorar a população. Serão, provavelmente, os primeiros a terem suas lojas arrombadas. Não serão eles os heróis e nem os vencedores num mundo que começa a experimentar ar mais puro, águas mais limpas e menos rumores e a se purgar. As forças da natureza deixaram os animais de fora da pandemia, que ataca apenas a raça humana, impondo o sofrimento como lição. A “praga bíblica” chegou para convencer os homens a mudar.


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Política

7 Moraes veta prorrogação I

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido do governo para estender o prazo de validade de medidas provisórias editadas por Jair Bolsonaro durante a crise do coronavírus. Moraes determinou apenas alterações nos regimes de deliberação e votação dessas normas.

7 Moraes veta prorrogação II

O governo havia solicitado “a suspensão da contagem dos prazos” para votação das medidas provisórias “durante a situação de excepcionalidade dos trabalhos do Congresso Nacional, até a retomada das condições de normalidade para obtenção do quórum para deliberação”.

TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838

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Data final. Candidatos às prefeituras e às Câmaras Municipais devem escolher uma legenda até 4 de abril

Prazo para filiação partidária termina no próximo sábado TRE diz que não vai haver prorrogação e orienta realização do registro por e-mail ¬ MARCELO DA FONSECA ¬ Em meio às incertezas so-

bre a viabilidade de se organizar uma eleição após a pandemia do coronavírus, os candidatos que pretendem disputar as eleições de 2020 têm até sábado para se filiarem a algum partido político e alterar seus domicílios eleitorais para o lugar onde pretendem participar do pleito, caso ocorra.

Um obstáculo para os concorrentes regularizarem a situação a tempo da eleição é que os serviços presenciais foram suspensos até o fim de abril em todos os cartórios eleitorais e nos postos de atendimento aos eleitores. De acordo com o calendário eleitoral, divulgado no final do ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para concorrerem a um cargo eletivo neste ano, os candidatos devem possuir domicílio eleitoral na respectiva cidade pelo prazo de seis meses antes da eleição, ou seja, 4 de abril para as elei-

ções de 2020. O prazo é o mesmo para que os candidatos estejam com a filiação partidária regularizada no partido pelo qual desejam disputar as vagas. Para auxiliar os candidatos que ainda precisam regularizar suas situações partidárias ou que precisam mudar o domicílio eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) regulamentou a prestação de serviços por meio de emails. “Os candidatos devem enviar pelo e-mail do cartório eleitoral do município os documentos necessários pa-

ra filiação ou mudança de cidade”, explicou Annelise Barbosa Duarte, diretora da Secretaria de Gestão e Informação de Atos Partidários, do TRE-MG. Um receio comum entre lideranças partidárias e de membros do próprio tribunal é que os candidatos evitem a dupla filiação, que acontece quando eles já estão filiados a algum partido político (muitas vezes, as pessoas se esquecem de filiações antigas) e tentam se filiar a outras legendas. “A desfiliação também pode ser encaminhada por meio ele-

trônico. Temos preocupação com os prazos diante do cenário atual, mas estamos fazendo ampla divulgação sobre as portarias que estão sendo publicadas para que todos os candidatos saibam das datas e requisitos”, disse a diretora do tribunal. Nas últimas semanas, aumentaram os pedidos de deputados, senadores e prefeitos pelo adiamento das eleições municipais, como forma de direcionar recursos para ações de combate ao coronavírus e para evitar que a campanha seja prejudicada. No Congresso voltaram a ser

discutidas propostas de adiamento e de unificação das eleições municipais, estaduais e federais. “A questão dos prazos da eleição é uma questão de lei. O tribunal apenas cumpre o que está previsto na lei. Qualquer mudança precisa ser decidida pelo Congresso. No momento, a orientação que temos é que os prazos estão mantidos”, explicou Annelise Duarte. Há dez dias, o TSE rejeitou um pedido feito por deputados para que o tribunal prorrogasse o prazo para filiação partidária. REPRODUÇÃO VÍDEO

Minientrevista

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Rogério Medeiros

PRESIDENTE DO TRE-MG, EM ENTREVISTA AO PROGRAMA ALERTA SUPER, DA RÁDIO SUPER 91,7 FM

“Com o impacto da atual crise, estou com a maioria que defende unificar eleições” Diante desta pandemia, muito está se falando em adiar e unificar as eleições. No dia 4, já tem um prazo para as filiações e mudanças de domicílio. Pode haver alguma alteração nos prazos? Não. A posição oficial do TSE, e nós estamos atentos a ela, é que, enquanto o Congresso não fizer essa alteração, nós estamos trabalhando com a possibilidade de realizar as eleições que estão previstas para o primeiro domingo de outubro. Agora, o Congresso tem essa prerrogativa de alterar as regras. Mas são muitas questões envolvidas. No caso de prefeitos já reeleitos, por exemplo, seria um terceiro mandato. Então, eu aconselharia que os prazos sejam mantidos. Quem tiver que se descompatibilizar de algum cargo, deve fazer dentro do prazo. No caso da mudança de domicí-

lio, a mesma situação, o prazo fatal é 4 de abril. Criamos no TRE-MG um acesso pela internet, em que a pessoa pode fazer os requerimentos e transferências online. A internet gera um recibo, um protocolo, e fica arquivado em nossos computadores. No momento em que vamos verificar as questões de elegibilidade, em agosto, se a pandemia acabar, vamos identificar esse pedido. O jornal O TEMPO fez uma enquete com seus leitores para saber se são favoráveis ao adiamento, à unificação das eleições, ao fim da reeleição e ao uso do Fundo Eleitoral para o combate à pandemia da Covid-19. Como cidadão, qual sua opinião? Essa enquete é muito interessante. Nos faz lembrar o ditado: a voz do povo é a voz de Deus. O povo é sábio, principalmente nesses momentos difíceis. A sen-

sibilidade do povo é importante. Confesso que, como cidadão, o meu pensamento há muito tempo vai ao encontro dessas expectativas. Sempre fui contrário à reeleição. Essa mistura do cargo público com a do ocupante, torna a reeleição muito nociva. É difícil que alguém que tenha a caneta na mão perca a eleição para um novo mandato. Em termos orçamentários, sou favorável ao corte de despesas. No aspecto de eleições gerais, no entanto, tenho a preocupação de que a eleição presidencial vá ofuscar a eleição do prefeito e do vereador nos municípios. Temas importantes das cidades podem acabar sendo pouco discutidos em uma eleição para vários cargos. Mas, neste momento, de crise orçamentária com impacto atual de crise, estou tranquilo de figurar entre a maioria que defende a unificação.

Rogério Medeiros orientou que candidatos usem o site do órgão para não perder prazos da eleição

Próximas datas do calendário eleitoral de 2020 4 de abril 0 Data até a qual os possíveis candidatos a cargo eletivo devem ter domicílio eleitoral no município no qual desejam concorrer e estar com a filiação deferida pelo partido. 0 Todos os partidos devem ter, até este dia, registro de seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 7 de abril 0 Último dia para a legenda publicar, no “Diário Oficial da

União”, as normas para a escolha e a substituição de candidatos e para a formação de coligações. 0 Data a partir da qual, até a posse dos eleitos, é vedado aos agentes públicos conceder reajuste para os servidores que exceda a recomposição inflacionária. 15 de maio 0 Início do período no qual os pré-candidatos podem começar a arrecadação, por

meio de financiamento coletivo. 1 de junho 0 O TSE divulga o número de eleitores por município, para o cálculo do limite de gastos e do número de contratações para a campanha. 0 Data-limite para que os partidos comuniquem ao TSE a renúncia ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha.


O TEMPO BELO HORIZONTE | SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 11

Magazine

TEL: (31) 2101-3956 Editora: Marília Mendonça marilia.mendonca@otempo.com.br e-mail: magazine@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOmagazine Atendimento ao assinante: 2101-3838

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“BBB 20” De coadjuvante a motor do reality, Babu Santana se torna campeão de popularidade e pode turbinar a carreira no cinema

Um protagonista acidental

TV GLOBO/DIVULGAÇÃO

¬ CARLOS ANDREI SIQUARA ¬ Salvo qualquer adiamen-

to provocado pela pandemia do novo coronavírus, a vigésima edição do “Big Brother Brasil” só se encerrará no dia 23 de abril. Apesar de ser impossível cravar quem sairá vencedor, não é absurdo dizer que o reality já tem um campeão de popularidade: o ator Babu Santana. Na última semana, ele atingiu a marca de 2 milhões de seguidores no Instagram, enquanto revelava, em um monólogo diante das câmeras do programa, que imaginava que seria o primeiro eliminado do confinamento. “Pensei que não ia passar nem da primeira semana”, desabafou, aos prantos. O sentimento de rejeição que alimenta dentro da casa não é por acaso, visto que ele tem entrado em atrito constantemente com os outros participantes – já encarou quatro paredões do jo-

go –, muito por conta de sua personalidade forte. O que pode ser uma desvantagem no jogo, porém, tem se mostrado o principal atributo de Babu. O carisma do ator o levou de mero coadjuvante a um protagonista inesperado e fez com que ele conquistasse torcedores de peso do lado de fora. Famosos como Anitta, Preta Gil, Bruno Gagliasso, Tatá Werneck e até o jogador do Flamengo Gabigol já declararam torcida para Babu. Além desses artistas, o youtuber Felipe Neto pediu a seus seguidores que o protegessem e ofereceu trabalho para o ator, que revelou estar desempregado e com dívidas. “Se a Globo não contratá-lo (espero e imagino que vão), eu vou”, escreveu Neto no Twitter. Outra oferta, mais recente, foi feita por Daniel Ortiz, autor da novela “Salve-se Quem Puder”, da Globo. “Babu! Quero você na minha novela! Mas aguenta firme aí pelo prêmio”, declarou o escritor nas redes sociais. CINEMA. O convite de Ortiz

deixa claro que o protagonis-

mo inesperado de Babu deverá ter reflexos na sua carreira como ator, que já conta dezenas de participações em produções audiovisuais e teve como auge o papel de Tim Maia no filme de 2014 sobre o cantor (leia mais abaixo), Na avaliação do cineasta Helvécio Ratton, o reconhecimento do talento de Babu vem em boa hora. O mineiro dirigiu o ator no longa-metragem “Uma Onda no Ar” (2002), que marcou a estreia de Babu nas telonas e narra a história da Rádio Favela – uma iniciativa no aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. Ratton lembra que, durante o casting do elenco, os atores Lázaro Ramos, Alexandre Moreno e Babu fizeram testes. O último, recorda ele, talvez fosse quem mais precisasse ter o trabalho ainda lapidado, mas o diretor diz não ter levado em conta apenas o lado “bruto” do ator. “Eu percebi já no primeiro teste que, por trás daquela aparência dura, daquele maxilar muito forte, daquele rosto muito marcante, havia uma grande doçura. Babu se revelou também um cara muito inteligente, e essas eram qualidades

REPRODUÇÃO / ZENCRANE FILMES

muito boas para o personagem. Tudo se encaixou como uma luva”, relata. Ele acrescenta que Babu ficou muito feliz com o convite e se apaixonou pela capital mineira. “Ele não queria ir embora mais. Nos pediu para continuar em BH e ficou mais alguns dias aqui com a gente. Eu tenho enorme carinho e admiração pela trajetória dele. O cara veio do Vidigal, correu atrás das coisas, é um belo ator”, exalta o cineasta. Outra pessoa que destaca as possibilidades de Babu é a pesquisadora Janaína Oliveira, criadora do Fórum Itinerante de Cinema Negro. Ela critica o fato de o ator interpretar constantemente personagens estereotipados. “Babu é um ator fenomenal, com muitos recursos. Tem uma carreira muito grande, com vários curtas, fez cinema e televisão. Mas, infelizmente, os lugares destinados às pessoas negras no audiovisual brasileiro são sempre negativos, ligados à violência e à pobreza. Ele também não tem uma beleza consagrada, um físico musculoso. Espero que o auge dele ainda chegue”, completa. REPRODUÇÃO / QUIMERA FILMES

REPRODUÇÃO / RT FEATURES

“Estômago”. No premiado longa de 2007, Babu vive o companheiro de cela do protagonista interpretado por João Miguel

“Uma Onda no Ar”. A história da rádio Favela, de Belo Horizonte, foi o primeiro filme da carreira de Babu Santana

Vitrine. No “Big Brother Brasil”, Babu Santana tem a chance de fazer seu nome ser reconhecido em todo o país

“Tim Maia”. O papel do cantor – que ele dividiu com Robson Nunes – é o principal da carreira de Babu até o momento


12 | O TEMPO Belo Horizonte | SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020

INTERESSA Pesquisa. Em cidades com indicadores socioeconômicos ruins, elas chegam a viver até seis anos menos

Desigualdade reduz expectativa de vida de mulheres na Grande BH têm expectativa de chegar, em média, aos 83 anos, moradoras de Ibirité, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e São Joaquim de Bicas tendem a comemorar seis aniversários a menos, vivendo em média 77 anos. Segundo a professora de epidemiologia e saúde pública da UFMG Waleska Caiaffa, fatores como educação, saúde e distribuição de renda são preponderantes para a longevidade dos habitantes de uma cidade. “O que observamos é que as áreas com maior expectativa de vida são aquelas com níveis socioeconômicos melhores”, comentou. “Esses seis anos e meio representam uma diferença muito grande, é um hiato que precisa de políticas públicas integradas para ser resolvido”, defendeu.

CRISTIANE MATTOS

Pesquisa da UFMG aponta necessidade de apostar em políticas públicas que foquem a longevidade ¬ DANIELE FRANCO ¬ Vera Lúcia Rosário da Silva, apo-

sentada, 72, mora em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mara Rodrigues Vianna, aposentada, 82, reside na capital. Embora apenas 16 km separem as idosas no mapa, seis anos e meio as distanciam quando o assunto é expectativa de vida. De acordo com uma pesquisa da UFMG, publicada no fim de 2019, que analisa a discrepância entre o tempo médio que a população vive em 21 dos 34 municípios da região metropolitana, enquanto mulheres de BH, Esmeraldas, Pedro Leopoldo e Mateus Leme

DESIGUALDADE. Indicadores socioeconô-

micos são outros fatores apontados como determinantes na média de expectativa de vida. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda per capita em Belo Horizonte chega a ser quase três vezes maior do que em cidades que apresentaram tempo médio de vida mais baixo. Enquanto em BH a renda por pessoa é, em média, de R$ 1.497,29, em Ibirité, por exemplo, o valor é de apenas R$ 525,64. Ribeirão das Neves tem o menor número, com média de R$ 479,77 por habitante. O percentual de pessoas vulneráveis à pobreza também é maior nas cidades com menor expectativa de vida. Em São Joaquim de Bicas, a população que se encontra nessa situação representa 32,98% do total de moradores, contra apenas 13,89% em BH. A média na região metropolitana é de 19,33%. Nos níveis educacionais, o cenário

“

Aqui, medem minha pressão todo dia. Comigo, está tudo certo”. Mara Vianna, 82

Moradora de Belo Horizonte

81 a 83 anos é a média de idade em BH, Esmeraldas, Pedro Leopoldo e Mateus Leme

71 a 77 anos é a média de idade em Ibirité, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e São Joaquim de Bicas FONTE: ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

POLÍTICAS PÚBLICAS. As prefeituras das

cidades citadas na reportagem foram procuradas e, com exceção de Ibirité, que não havia respondido até o fechamento desta edição, informaram manter políticas públicas nas áreas de saúde, educação, combate às desigualdades sociais e promoção da longevidade. Os municípios afirmaram ter programas de assistência à população de baixa renda e oferta de serviços a mulheres, especialmente às que se encontram em situação de vulnerabilidade.

E os homens? Discrepância. Segundo a pesquisa da UFMG, a diferença da expectativa de vida entre homens de diferentes municípios da região metropolitana de BH chega a quatro anos. No entanto, enquanto mulheres vivem, em média, 81 anos, homens tendem a chegar aos 71.

IMPACTO NA LONGEVIDADE DAS MULHERES

81,2 anos é a média de vida na região metropolitana de BH

em BH também é bem mais positivo. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal específico para a Educação (IDHM Educação) da capital é de 0,737, enquanto em São Joaquim de Bicas, o nível chega a 0,518, sendo que o nível é medido de 0 a 1. No estudo da UFMG, a educação foi identificada como um ponto que poderia aumentar, em média, 5,3 anos na expectativa de vida de um indivíduo. “Deve-se trabalhar sob a ótica dos determinantes sociais, em que o acesso à educação seja igual para todas as pessoas. A partir daí elas terão informações para mitigar e prevenir doenças, por exemplo”, explicou Waleska.

Entenda os fatores que contribuem para o tempo médio de vida RENDA PER CAPITA (R$)

1.175,15

RMBH IBIRITÉ

525,64 1.497,29

BH

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL - EDUCAÇÃO RMBH

0,694

BH

0,737

IBIRITÉ

SÃO JOAQUIM DE BICAS

498,26

SÃO JOAQUIM DE BICAS

SANTA LUZIA

557,62

SANTA LUZIA

RIBEIRÃO DAS NEVES *MÉDIA SIMPLES ENTRE AS RENDAS PER CAPITA DE NEGROS E BRANCOS NA RMBH

479,77

RIBEIRÃO DAS NEVES

0,616 0,518 0,625 0,591


O TEMPO Belo Horizonte | SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 13

INTERESSA Experiências. Idosas de BH e Ibirité contam como estudo e renda ajudaram a definir a história de cada uma delas

Para moradora da região metropolitana, poder público não dá a atenção devida à população ¬ DANIELE FRANCO ¬ A aposentada Mara Rodrigues

Vianna, 82, nasceu em 1937, no Vale do Jequitinhonha, e veio morar na capital aos 10. Filha de um médico que se elegeu deputado, ela teve uma vida de boas oportunidades. Estudou idiomas e trabalhou como secretária do governador José Francisco Bias Fortes, que foi chefe do Executivo Estadual entre 1956 e 1961. “Meu pai me deu um apartamento perto do Colégio Arnaldo (no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de BH). Cheguei a ir para São Paulo por um tempo, mas voltei e morei no apartamento sozinha. Estudei muito e trabalhei muito”, contou Mara, do jardim da casa de repouso onde vive há seis anos, no bairro Cidade Jardim, também na região Centro-Sul. A idosa nunca se casou ou teve filhos, mas tem muitos sobrinhos e irmãos que a visitam com frequência. “É bom ter família, não é?”, comentou. Atualmente, Mara se trata de uma depressão, mas não tem nenhum outro problema de saúde. “Eles têm tudo aqui, fisioterapia, dança, música, e passam medindo a pressão da gente todo dia. Comigo está tudo bem, não tenho nada, graças a Deus. A vida é boa demais”, afirmou.

Para a aposentada Vera Lúcia Rosário da Silva, 72, mais tempo dedicado aos estudos poderia ter dado a ela uma realidade diferente da qual vive hoje. Mãe de dois filhos, a idosa nasceu em BH, mas se mudou para Ibirité há 33 anos. “Trabalhei como autônoma, peguei muito peso na vida. Se eu tivesse estudado mais, tenho certeza de que teria uma profissão melhor, mais leve, e minha saúde estaria melhor do que está hoje”, avaliou. Vera faz tratamento contra hipertensão, diabetes, asma, hérnias de disco e problemas na visão. Sem condições para continuar a pagar um plano de saúde, ela vai depender do serviço público para se cuidar. “Eu espero que consiga encontrar tudo o que preciso, mas o serviço aqui é muito precário, falta muita coisa, principalmente remédio”, reclamou. O primeiro neto de Vera nasce em alguns meses, e a aposentada é só expectativa. “É uma alegria para todo mundo, né?”. Questionada sobre os anos a mais que o endereço pode dar a mulheres que moram em cidades como a capital, ela é categórica: “A mulher em BH tem mais facilidades. Os políticos poderiam fazer mais, eles conhecem a situação da cidade, eles sabem de tudo”, argumentou. Procurada pela reportagem para comentar as críticas de Vera, a Prefeitura de Ibirité não havia se manifestado até o fechamento desta edição.

CRISTIANE MATTOS

Falta de oportunidades gera impacto na qualidade de vida Metrópoles

Estudo analisou grandes cidades da América Latina A pesquisa “Desigualdades nas expectativas de vida em seis grandes cidades latino-americanas do estudo Salurbal: Uma análise ecológica” foi feita por pesquisadores de diversas universidades do mundo, incluindo a UFMG, e analisou a realidade em seis regiões metropolitanas do continente. Em comparação às outras metrópoles analisadas – Buenos Aires, na Argentina; Santiago, no Chile; San José, na Costa Rica; Cidade do México, no México; e Cidade do Panamá, no Panama –, a região metropolitana de BH tem um dos menores hiatos, que é a diferença entre a expectativa de vida em diferentes municípios. O índice de 6,5 anos, no entanto, ainda é alto, uma vez que o ideal é zero. (DF)

7

“

“Caí, bati a cabeça e esperei mais de uma hora pelo Samu.” Vera Lúcia Silva, 72 Moradora de Ibirité

EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

PERCENTUAL DE VULNERÁVEIS À POBREZA (%)

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL

32,98

0,715 0,684

13,89

RIBEIRÃO DAS NEVES

SANTA LUZIA

MORADORES ENTRE 18 E 20 ANOS COM ENSINO MÉDIO COMPLETO (%) RMBH

SANTA LUZIA

0,662

30,03 26,31

SÃO JOAQUIM E BICAS

0,704

SÃO JOAQUIM DE BICAS

RIBEIRÃO DAS NEVES

19,33

IBIRITÉ

IBIRITÉ

0,810

BH

BH

0,774

RMBH

RMBH

28,22

45,53 SANTA LUZIA

29,88

RIBEIRÃO DAS NEVES

35,67

BH

58,84 IBIRITÉ

35,42

SÃO JOAQUIM DE BICAS

29,88


14 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020

Editorial

~

O.PINIAO

TRAGÉDIA DOS COMUNS Um dos argumentos contra a eficácia do isolamento social é o de que é impraticável executálo em comunidades carentes, onde famílias com dez ou mais pessoas vivem sob o mesmo teto, em ruas sem esgotamento e que para elas, de tão pobres, ficar sem trabalhar significa a fome. As afirmações são verdadeiras, mas nenhuma justifica colocar a responsabilidade pelo contágio do coronavírus sobre os ombros já carregados dessa população. Essas pessoas acabam sendo empurradas involuntariamente para o interior da disputa entre proteger a economia e defender medidas de prevenção – dois argumentos razoáveis. Trata-se de uma verdadeira “tragédia dos comuns”, conceito popularizado em 1968 pelo ecologista Garret Hardin. Em resumo, ele diz que pessoas atuando de forma independente e racional, pensando nos seus próprios interesses, acabam agindo contra o que é melhor para todos. Não é porque a pandemia começou que, de uma hora para outra, 12 milhões de pessoas que vivem em favelas e aglomerados passarão a ter saneamento (53% da população do país não possui coleta de esgoto), ou moradia digna (6,9 milhões de famílias não têm imóvel para habitar), ou rendimento (6,5% dos brasileiros vive com menos de US$ 5 por dia – critério do Banco Mundial para definir miséria extrema). Justamente porque o coronavírus mudou radicalmente a realidade global é que se deve pensar de forma diferente. É preciso promover uma conciliação verdadeira entre a produção e o bem-estar social; entre a geração de riqueza e a sua distribuição justa; entre a economia e a vida. Talvez, agora seja o momento de promover políticas sociais e usar os investimentos na área para aquecer a economia e, enfim, resgatar essas pessoas comuns da tragédia em que vivem.

FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO

Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães

GERENTE COMERCIAL

EDITORES EXECUTIVOS

Alessandra Soares

Renata Nunes Cândido Henrique Silva Juvercy Júnior

GERENTE DE ASSINATURA

Fernanda Rodrigues GERENTE INDUSTRIAL

Guilherme Reis GERENTE DE CIRCULAÇÃO

Isabel Santos GERENTE ADMINISTRATIVO

Rômulo Lima

COORDENAÇÃO DE JORNALISMO

Flaviane Paixão EDITORES

Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira

OPINIÃO

Duke

www.dukechargista.com.br

LAURA SERRANO Deputada estadual (Novo) contato@lauraserrano.com.br

Investimento inteligente em saúde contra a Covid-19 Critérios técnicos para a aplicação de recursos das emendas

A

indicação de emendas parlamentares previstas na Constituição é realizada anualmente por deputados estaduais e federais. Por ser uma definição discricionária, a alocação do recurso geralmente favorece os interesses do parlamentar em priorizar suas bases eleitorais. Nesse contexto, como garantir que o recurso público seja efetivo para assegurar a qualidade de vida dos cidadãos pagadores de impostos? É preciso levar muito a sério a destinação desses recursos, principalmente diante de situações emergenciais como a pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Uma maneira é respaldar a decisão na análise de dados e variáveis técnicas. A adoção de critérios técnicos para fundamentar a indicação das emendas na área da saúde não é tarefa simples. Diversos são os dados, as metas e os indicadores monitorados pelos profissionais da área. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Atenção Básica, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço permite, por exemplo, desafogar os atendimentos em Unidades de Pronto-Atendimento (UPA 24 horas) e emergências hospitalares, onde muitos pacientes vão em busca de atendimentos de baixa complexidade, como curativos e pequenas cirurgias.

Nesse sentido, para destinar emendas aos Fundos Municipais de Saúde, me baseei no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal da Saúde (IFDM Saúde). Este tem foco na Atenção Básica e contempla os seguintes indicadores: proporção de atendimento adequado de pré-natal, óbitos por causas maldefinidas, óbitos infantis por causas evitáveis e internações sensíveis à atenção básica. Todos esses indicadores estão presentes no banco de dados do DataSus, departamento de informática do Ministério da Saúde. Como Minas Gerais possui municípios com características demográficas muito diferentes, também incorporei à análise técnica a despesa com saúde per capita municipal. Dessa forma, foi possível calcular o Índice de Qualidade do Gasto na Saúde Municipal, que possibilitou elencar os Fundos Municipais de Saúde com melhor eficiência e eficácia do gasto. Oferecer bonificação aos municípios que conseguem gerir melhor o recurso significa atingir um maior número de pessoas com atendimentos de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, assegurar a efetividade na aplicação dos recursos em saúde. Os critérios técnicos adotados são coerentes com três de meus compromissos de mandato: fiscalizar as contas públicas, priorizar o direito das crianças e aumentar a eficiência da gestão pública.

A fiscalização das contas públicas ocorre por meio da análise criteriosa de dados físicos e financeiros da saúde pública municipal. No que tange ao direito das crianças, o IFDM Saúde incorpora dados do pré-natal, excelente instrumento de prevenção da saúde da mulher e da criança, e da mortalidade infantil, reconhecida pela ONU como um dos indicadores mais sensíveis da condição de vida e de saúde de uma população. Já a eficiência da gestão pública é fomentada pelo direcionamento de recurso para locais que têm conseguido gerir melhor o dinheiro e oferecer mais qualidade de vida aos mineiros. As boas práticas adotadas para a destinação de emendas parlamentares auxiliam, por exemplo, as Unidades Básicas de Saúde que estão aplicando a vacinação contra a gripe. Essa estratégia de prevenção permite imunizar a população contra os vírus mais comuns da gripe e, consequentemente, reduzir a procura por serviços de saúde. Em um cenário de pandemia do novo coronavírus, o investimento criterioso, primordialmente, na Atenção Básica Municipal pode ser fundamental para que apenas pacientes diagnosticados com casos urgentes sejam direcionados aos hospitais, desafogando e melhorando a eficiência de todo o sistema de saúde – permitindo, assim, que mais vidas sejam salvas.


O TEMPO BELO HORIZONTE| SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 15

OPINIÃO

x entre

aspas

“Trump ignorou o risco, minimizou-o e fez repetidas afirmações falsas.” Jeffrey Sachs

“Deterioração no trabalho pode levar a retrocessos na luta contra a pobreza.” Vinícius Pinheiro

ECONOMISTA DA UNIVERSIDADE DE COLUMBIA

DIR. DA ORG. INTERNACIONAL DO TRABALHO

Sobre o avanço da Covid-19 nos EUA

Acerca dos impactos da pandemia

Paulo Brant

Temos à frente uma grande chance de quebrar paradigmas

Economista, engenheiro e vice-governador de Minas Gerais

Quando as crises se encontram

V

ivemos um momento único. A saúde pública, a economia e a política periclitam. Conjunção perversa de crises. Não tenho dúvidas de que a maneira como superarmos essa quadra histórica moldará, em grande medida, o futuro próximo da nação brasileira. É evidente que não é tempo para alarmismos e histerias. É tempo de serenidade. Mas serenidade na sua mais profunda acepção, de clareza, limpidez de raciocínio, e, sobretudo, firmeza. Serenidade não é fraqueza. É força. Precisamos de liderança. Não há líderes? Temos de ser otimistas. Os líderes se forjam nos momentos duros e di-

fíceis. O que menos precisamos nesta hora dramática são de ações fragmentadas e desconexas, que só dificultam a busca das melhores soluções. Um primeiro ponto entendo que é crucial. As crises têm de ser tratadas simultaneamente. Há uma interconexão profunda entre elas. Nada de cartesianismos. No que concerne à crise da saúde pública, um debate perigosamente politizado instalou-se no país: isolamento horizontal x isolamento vertical. O chamado isolamento vertical faz sentido do ponto de vista lógico, mas é preciso situá-lo no contexto do Brasil. Temos cerca de 30 milhões de idosos, a grande maioria vivendo em situação precaríssi-

ma. Não há como isolá-los efetivamente num contexto de aceleração da difusão do vírus. Quais as consequências? Não sabemos. Temos de ser responsavelmente humildes. A pandemia não está sob controle. A boa gestão de riscos nos ensina que um evento de consequências catastróficas, mesmo que tenha pequena probabilidade de ocorrer, não pode ser admitido. Falamos de vidas. Um bom caminho aqui pode ser a criação de um grupo de especialistas médicos e sanitaristas para acompanhar pari passu a evolução dos fatos e deliberar tecnicamente. Longe de ideologias. Quanto à economia, é evidente que, quanto maior o prazo do isolamento,

maiores os danos. Aqui é preciso articular-se um conjunto muito ousado de políticas anticíclicas que injetem poder de pagamento nos trabalhadores informais, nas micro, pequenas e médias empresas e, importante enfatizar, nos Estados e municípios. Estados e municípios têm cerca de 12 milhões de funcionários, sem contar os aposentados, que precisam receber os seus salários. É a União que num Estado federativo dispõe da capacidade de criar meios de pagamento. É hora de heterodoxia e muita criatividade, palavras que ficaram malditas pelos economistas pelo mau uso das políticas não ortodoxas. É preciso resgatá-las. Aqui também seria

de bom alvitre escutar um grupo de grandes economistas para balizar a definição das políticas. E a política? É ela quem inevitavelmente deve comandar todo o processo. A grande e virtuosa política. Nossos representantes devem unir-se e articular-se pelo bem comum, em favor da superação dessa quadra tão dramática. Muito juízo nesta hora, diria minha mãe. Falar-se em eleições é uma afronta à nação. Prender-se a dogmas e ideologias é uma grande irresponsabilidade. Temos à frente uma grande chance de quebrar alguns paradigmas e relançar o país, preservando a vida, a liberdade e a democracia. Depende de nós.

Ângela Mathylde

Impactos do isolamento em casa

Psicopedagoga e psicanalista

FACEBOOK/PORTALOTEMPO

Toninho G. Garcia

Sobre a matéria “Casos duplicam a cada 4 dias” (Coronavírus, 26.3), o Brasil está surpreendendo. Com todos os problemas existentes, imaginávamos um cenário muito pior devido à economia do país e à indiferença dos políticos que só pensam em grana e serem reeleitos. Ruth Nunes

Quanto à reportagem “Coronavírus: PBH vai lavar pontos de ônibus e outros locais com água e cloro” (portal O Tempo, 25.3), essa é uma boa ideia. Tem que reforçar a limpeza no interior dos coletivos também. São ações simples e eficazes.

Eleições Sidney Dias

Acerca da matéria “Zema e prefeitos defendem adiamento das eleições de 2020” (Coronavírus, 26.3), não concordo com a mudança das eleições para 2022. Será a oportunidade de mudar essa política econômica que prejudicar os mais pobres. Mirna Alcântara

Melhor seria ampliar os mandatos para cinco anos, com eleições nos anos de final 0 e 5, e acabar de vez com a reeleição. Seria uma grande economia eliminar esses gastos com o processo eleitoral a cada dois anos. As cartas enviadas para esta coluna devem ter, no máximo, 400 caracteres.

A

pandemia do novo coronavírus está gerando uma grande preocupação mundial. A chegada da doença ao Brasil obrigou uma rápida tomada de providências para evitar a transmissão em diversos Estados, como o fechamento de museus, cinemas, bibliotecas, shoppings e suspensão de aulas. O isolamento é recomendado como medida de prevenção, já que o vírus possui alta transmissibilidade. Com os filhos em casa, muitos pais não sabem como distraí-los ou explicar a situação. É preciso paciência para conter a preocupação, transformando o lar em um ambiente acolhedor e tranquilo, na medida do possível. Primeiro, é importante crianças e adolescentes estarem cientes do que está acontecendo. O momento requer atenção a sintomas e cuidados com a higiene. Devem ser orientados sobre as condutas necessárias e mantidos protegidos. Também é preciso expli-

car os cuidados com as pessoas dos grupos de risco, principalmente se moram na mesma casa que os avós. A falta de entendimento sobre o que está acontecendo pode gerar grande frustração, pois a criança se sente perdida e insegura, com medo do futuro diante de tantas mudanças no cotidiano. Os pais devem esclarecer o motivo do isolamento, atentando-se à idade da criança e adaptando a linguagem para que seja de fácil compreensão. Outro desafio é manter o clima de serenidade. As crianças costumam ser muito ativas em decorrência da rotina escolar, com atividades físicas e contato com os amigos e professores. A mudança de hábitos pode causar um sentimento de inquietude e agitação. A recomendação é incentivar atividades de entretenimento em casa. Os mais novos podem desenhar, ler um livro e brincar de jogos em família. Os adolescentes e préadolescentes podem participar

E-MAIL opiniao@otempo.com.br

Imprensa Paulo Panossian

aNa contramão do presi-

Serenidade familiar

Coronavírus

a

de jogos familiares, ter contato com amigos pela internet e assistir a filmes, por exemplo. É extremamente importante conter o pânico familiar. Muitos têm ido a supermercados e farmácias para estocar comida e remédios, situação que pode assustar os jovens. Os filhos precisam de apoio e responsabilidade, sendo função dos pais transmitirem calma e segurança. Ao observar uma desestabilização dos pais, os pequenos podem ficar ainda mais nervosos, gerando grande estresse. Situações como essa podem comprometer a saúde mental. Não há um manual de instruções sobre como lidar com as frustrações. O que se deve fazer é encarar os acontecimentos com positividade e cautela. Várias clínicas como a Aprendizagem e Cia. estão aderindo ao modelo de atendimento online para ajudar a pais, crianças e adolescentes com dificuldades em lidar com o isolamento.

dente, que despreza a gravidade da pandemia, os principais jornais do país estamparam em suas capas os dizeres “juntos vamos derrotar o vírus” e “unidos pela informação e pela responsabilidade”. Pareabéns!

Espiritualidade Luiz Flávio Pimenta Vieira

aSobre o artigo de José

Reis Chaves “Líderes religiosos contrários à reencarnação” (Opinião, 23.3), uma coisa que há anos me intriga é, se Deus não teve necessidade de criar novos espíritos, como se explica o fato de que nos primórdios a população era mínima e hoje somos 7 bilhões? De onde surgiram? Como puderam reencarnar, se teoricamente esses espíritos eram, em número, infinitamente menor?

Excepcionalmente hoje, a coluna de Ricardo Lebourg Chaves será publicada somente em www.otempo.com.br

REPRESENTANTES COMERCIAIS

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29º 20º Máxima

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UMIDADE

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Cidades |

Crime. Vítima, que é de BH, foi obrigada a dirigir para os sequestradores e ficou em cativeiro em Contagem

Motorista de app fica 4 dias sequestrado Homem só foi libertado porque um dos criminosos decidiu deixá-lo fugir ¬ RAFAELA MANSUR ¬ Um motorista de aplicati-

vo viveu momentos de tensão após ter sido sequestrado e mantido como refém durante quatro dias. O profissional, de 30 anos, foi localizado anteontem em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo agentes da Guarda Municipal da capital, o motorista contou que, na última terça-feira, pegou três passageiros no centro de Belo Horizonte e realizou uma corrida para eles até o aglomerado Frigo Diniz, no bairro Cidade Industrial, em Contagem. No local, três homens armados já aguardavam o carro e acaba-

GUARDA MUNICIPAL/DIVULGAÇÃO

ram rendendo a vítima. Nesse mesmo dia, os criminosos mandaram o motorista dirigir e levá-los para alguns lugares. Depois disso, o trancaram dentro de um quarto e, a todo momento, faziam ameaças. “Eles ordenaram que ele tirasse a roupa e vestisse só um short e pediram que não gritasse”, contou o guarda municipal Darlison Alberto, de Belo Horizonte. Segundo o agente, o motorista só foi libertado porque um dos sequestradores decidiu ajudá-lo a fugir. “No sábado (anteontem), um desses marginais, não sei se por medo ou dó, ajudou a vítima a fugir”, afirmou. O motorista foi encontrado pela Guarda Municipal de Contagem próximo ao aglomerado. Bastante atordoado, ele contou aos agentes o que tinha acontecido e informou o endereço da casa dele, no

Decisão REPRODUÇÃO / REDES SOCIAIS

centro da capital. A Guarda Municipal de Belo Horizonte, então, foi acionada e se dirigiu ao local indicado. Segundo o guarda Darlison Alberto, a mãe da vítima nem imaginava que ele tinha sido sequestrado. “Ela disse que o filho estava fora de casa desde terça-feira, mas que não suspeitou de nada e não deu queixa do desaparecimento dele porque ele tinha o costume de sair para trabalhar e ficar dois, três dias fora. Quando ela olhava no aplicativo o rastreador do veículo, via o carro em movimento e achava que o filho estava trabalhando”, explicou. A Guarda Municipal de Contagem localizou o veículo roubado, um Celta, no aglomerado, mas não foi informado se o motorista teve mais algum pertence roubado. Até o fechamento da edição, ninguém havia sido preso.

Breves Betim Presos por roubarem boi Dois homens foram presos suspeitos de furtar um boi em Betim, na região metropolitana, ontem. Na casa de um deles, no bairro Guanabara, também havia um veículo e várias peças de carros roubados.

Goleiro Bruno foi tietado por flamenguistas no Rio de janeiro

Justiça autoriza goleiro Bruno a ir para o Rio ¬ LUCAS HENRIQUE GOMES ¬ O goleiro Bruno Fernan-

des foi autorizado pela Justiça de Varginha, no Sul de Minas, a cumprir pena em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, local em que ele apresentou novo endereço fixo. A autorização foi concedida no último dia 18 e o goleiro chegou ontem à cidade fluminense. A mulher dele, Ingrid Calheiros, tem uma casa na cidade. De acordo com a advogada do atleta, Mariana Migliorini, o goleiro tem um

contrato de treinamento com um agente de esporte e, no primeiro momento, vai treinar na cidade, mas ele está analisando outras opções de trabalho, inclusive de abrir o próprio negócio. Essa decisão, entretanto, deve ser tomada após o fim da pandemia da Covid-19. Em janeiro, durante entrevista exclusiva a O TEMPO, Bruno afirmou que seu principal desejo é retornar aos gramados. Porém, pela resistência encontrada, já pensava em outros projetos.

Belo Horizonte Morto após briga por marmitex Um homem morreu após ser esfaqueado por outro durante uma briga no centro da capital, na noite de anteontem. Testemunhas disseram que eles estavam discutindo por causa de uma marmitex.

Roubo Furtam bar e pagam corrida com uísque Dois homens levaram mercadorias de um bar que fica na avenida Getúlio Vargas, região Centro-Sul da capital, ontem, e deram uísque e cigarro ao motorista de aplicativo que os buscou.

Sequestro. Motorista de aplicativo foi achado pela Guarda Municipal de Contagem perto de aglomerado


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Nota oficial. Medida foi anunciada na noite de ontem para minimizar os prejuízos nas contas do clube alvinegro

ESPORTES

Atlético reduz salários em 25% CRISTIANE MATTOS- 13.3.2020

¬ DA REDAÇÃO ¬ A diretoria do

Atlético anunciou na noite de ontem que vai reduzir salários de todo o seu elenco, treinador e comissão técnica em 25%. Os funcionários do clube que têm vencimentos acima de R$ 5 mil também terão os valores diminuídos. A medida não vai deixar de fora nem mesmo o badalado treinador argentino Jorge Sampaoli e a diretoria do clube. A ação é uma das primeiras tomadas pelo clube alvinegro para tentar adequar as contas por causa dos prejuízos com a interrupção das competições. Em live realizada na TV Galo na última semana, o presidente do clube, Sérgio Sette Câmara, informou sem dar detalhes que ajustes precisarão ser feitos porque o

clube está sem receita, principalmente renda de jogos e venda de material esportivo. Ainda segundo o dirigente, se algo não for feito os clubes não vão aguentar e podem sofrer consequências graves por causa da paralisação das competições em função da pandemia do coronavírus. Confira a nota divulgada pelo clube na noite de ontem. “Considerando o atual estado de calamidade decretado pela presidência da República, decorrente da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), declarada pela Organização Mundial de Saúde; considerando que a referida circunstância de força maior ensejou a paralisação de competições desportivas no Brasil e no mundo, acarretando ao Clube Atlético Mineiro drástica redução de suas receitas.

Considerando a excepcionalidade da atual conjuntura, que impõe ao Atlético a adoção de ajustes transitórios que lhe permitam continuar honrando os seus compromissos; Resolve a Presidência Executiva, sob o crivo da Presidência do Conselho Deliberativo, aplicar uma redução de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o salário de seus funcionários, incluindo diretoria, Atletas e comissão técnica, pelo período em que perdurarem os efeitos da pandemia. Em respeito ao mínimo existencial daqueles que mais necessitam, o Atlético não realizará desconto de nenhuma espécie para os colaboradores que recebam até R$ 5.000”, informa a nota oficial divulgada ontem pela diretoria atleticana.

Com a chegada de Sampaoli, folha de pagamento do Galo atualmente é de R$ 5,1 milhões por mês


O TEMPO BELO HORIZONTE| SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 | 23

ESPORTES

Eleições. Conselho gestor ameaça até abandonar o clube caso o pleito do dia 21 de maio aconteça

Cruzeiro segue com bastidores quentes LÉO FONTES- 6.1.2020

¬ DA REDAÇÃO ¬ Mesmo com

o mundo parado por causa da pandemia do novo coronavírus, os bastidores do Cruzeiro seguem agitados no Barro Preto. O conselho gestor do clube ameaça até deixar o comando da Raposa caso as eleições que estão marcadas para o dia 21 de maio aconteçam. O plei-

Duke

to seria para a escolha de um presidente tampão até a eleição de outubro, que definirá o mandatário do clube celeste pelos próximos três anos. Por causa da pandemia do coronavírus, integrantes do Núcleo Dirigente Transitório sugeriram na semana passada a realização apenas da eleição do fim do ano, condição que

foi totalmente rechaçada pelo candidato e conselheiro Sérgio Rodrigues. Inconformado com a ideia, o advogado sugeriu até a realização de uma eleição virtual no Cruzeiro, situação que, segundo o presidente em exercício do clube, José Dalai Rocha, não é possível de acontecer. “Eu tentei sim, por meio do jurídico, ver a possibilidade de uma

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eleição virtual ou com algum sistema especial do Tribunal Regional Eleitoral, mas estatutariamente as eleições do Cruzeiro precisam ser presenciais. Esse outro tipo de pleito não se enquadra nas características do nosso clube”, explicou Dalai. “A situação que agora nos preocupa é a mesma que assusta o mundo: o coronavírus. Não temos nenhuma condição de nos reunir agora para uma eleição, seria até uma irresponsabilidade. Isso prejudicou até a possibilidade de uma antecipação da eleição, algo que vinha sendo discutido e proposto pelo vários conselheiros”, completa o dirigente. Mesmo assim, Sérgio Rodrigues segue defendendo seu ponto de vista. “A eleição foi marcada legitimamente, eu fui lançado pelo grupo Transparência, o grupo que mais batalhou para que tudo acontecesse, inclusive eu disse isso lá para o conselho gestor, que eles só estão lá pelo trabalho muito forte desse grupo, que foi muito assíduo, do qual eu faço parte e ajudei a contribuir”, ponderou o candidato Sérgio Rodrigues. O empresário Felício Brandi é o candidato do conselho gestor, que já chegou, inclusive, a pedir que Sérgio Rodrigues retirasse sua candidatura.

Dalai Rocha defende cancelamento do pleito do dia 21 de maio


Cruzeiro. Conselho gestor ameaça abandonar o clube se eleição de maio acontecer. Página 23

SUPER.FC

Página 22

RAMON BITENCOURT - 9.3.2020

VVVV otempo.com.br

O TEMPO BELO HORIZONTE SEGUNDA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2020 TEL: (31) 2101-3921

Galo anuncia corte de 25% nos salários de todo o elenco.

Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838

Campanha. Jogadores do mundo todo vão doar camisas para arrecadar fundos para as vítimas

Gol de placa contra o coronavírus JAVIER SORIANO/AFP-18.2.2020

O goleiro Alisson, do Liverpool e da seleção brasileira, é um dos garotos-propaganda da campanha

¬ SÃO PAULO. Uma campanha lançada ontem

vai reunir camisas doadas por jogadores do mundo todo para venda. O valor arrecadado será destinado à compra de materiais médicos para hospitais de várias regiões do Brasil. A iniciativa, idealizada por Danny Morais, zagueiro do Santa Cruz-PE, tem como garotos-propaganda o goleiro Alisson, do Liverpool, e o ex-jogador Denílson. O projeto, chamado de Desafio Corona, já conta com o apoio de quase cem jogadores, que terão suas camisas vendidas no site desafiocorona.com.br. “O mundo está passando por uma situação complicada, e o Brasil precisa da gente no combate ao coronavírus. Uma campanha com a participa-

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LOTERIA

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Lotomania

Dupla Sena

concurso 2.068

1º sorteio

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2º sorteio

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ÍNDICE

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Coronavírus Aparte

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Política Magazine

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Lotofácil

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Interessa Opinião

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Federal

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1º prêmio 2º prêmio 3º prêmio 4º prêmio 5º prêmio

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12 e 13 14 e 15

ção de tantos atletas e personalidades públicas pode ajudar as pessoas a entenderem que todos precisam contribuir de alguma forma”, disse o goleiro brasileiro. O dinheiro arrecadado também será usado para dar assistência a famílias afetadas pela crise do coronavírus. A campanha aceitará ainda doações livres, com depósitos liberados em diversos valores. A ideia é destinar a verba para a compra de equipamentos fundamentais para o combate ao coronavírus, como respiradores, luvas e máscaras. O Instituto da Criança será responsável pela gestão dos recursos arrecadados. As camisas doadas não serão leiloadas e terão um preço de compra fixado.

Cidades SUPER.FC

u Magazine 21 u Super FC 22 a 24

Mega Sena 01

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O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio.

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Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001

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