MONTAGEM SOBRE FOTOS GLOBO/DIVULGAÇÃO
SUPER.FC. Alta do dólar infla dívida do Galo com a Fifa, e clube pode perder pontos hoje. Página 22
R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8535 - Segunda-feira, 27/4/2020
CORONAVÍRUS > PANDEMIA
País tem uma das piores taxas de testes no mundo Índice é 105 vezes menor do que o de nações que são exemplos no combate à Covid-19; casos passam de 60 mil
¬ A testagem em larga escala, recomendada pela OMS como principal ação contra o coronavírus, fica muito longe da realidade brasileira. Até agora, menos de 190 mil exames foram realizados, o
que dá uma taxa de 655 por milhão de habitantes, e isso afeta a percepção sobre o número de infectados pela doença. Em Minas Gerais, menos de 12 mil testes foram concluídos. Página 2
Retomada
Linha de frente
FLÁVIO TAVARES
GOVERNADOR DIZ QUE 55% DAS CIDADES ESTÃO NORMALIZANDO ROTINA. Página 3
Balanço NÚMERO DE MORTOS PELA COVID-19 PASSA DE 60 EM MINAS GERAIS. Página 3
Profissionais de saúde sofrem saudade, medo e preconceito ¬ Médicos, enfermeiros e técnicos têm suas vidas transformadas pelo distanciamento forçado de suas famílias, pela apreensão com o contágio e pela desinformação do público. Páginas 6 e 7 EDGAR KANAYKÕ XAKRIABÁ/INSTAGRAM
Máscara tribal Povos como o Pataxó Hã-hã-hães e Xacriabá tentam se adaptar, deixam o isolamento em suas reservas em busca de sustento e se expõem ao contágio pelo coronavírus.
Sombra de preocupação FORA DA PRAÇA DA LIBERDADE, GRUPOS IGNORAM CUIDADOS COM O ISOLAMENTO. Página 3
ISOLAMENTO AGRAVA QUADRO DE ANSIEDADE E CONSUMO DE ÁLCOOL. Página 13
#ForaCoronaVirus DESAFIO UNE JOVENS NAS REDES SOCIAIS EM TORNO DE AÇÕES DE PREVENÇÃO. Página 19
Manu, Rafa e Thelma disputam hoje o prêmio do BBB 20, uma edição histórica pela audiência, pelas transformações e pelo sucesso comercial. Magazine. Página 16
Troca de ministro
Planalto abre caminho para Jorge Oliveira na Justiça ¬ Titular da Secretaria Geral da
Presidência ouviu de Bolsonaro que assumir Ministério da Justiça é “missão”. Mudanças geram tensão na PF. Páginas 10 e 11
Aparte
Página 4
Dose extra
O SHOW É DELAS!
Economia e o vírus
Dirigentes vão explicar a cena atual na Live do Tempo ¬ Estreia hoje, às 14h, nos canais
digitais de O TEMPO série de lives que ajudam a entender as transformações atuais. Entre convidados estão líderes da CDL, Amis, Sinapro e Unimed. Página 5
Grupos em BH fazem protesto contra Moro e isolamento ¬
Manifestantes promoveram ato de apoio ao presidente contra o ex-ministro e seguiram em carreata até a casa do prefeito da capital. Página 8
COLUNISTA VITTORIO MEDIOLI Perdido na fama Página 8
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Coronavírus
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Cobertura especial
Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.
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PANDEMIA
Testagem no Brasil é 105 vezes menor que em países-referência São 655 exames por milhão de pessoas, enquanto Noruega e Islândia fazem 69 mil ¬ LUCAS MORAIS ¬ Enquanto países como Is-
lândia, Luxemburgo e Noruega, que aplicaram até 69 mil exames de coronavírus por milhão de habitantes, alcançam sucesso com a testagem em massa da população para combater a pandemia, o Brasil caminha a passos lentos: são 655 por grupo de um milhão de pessoas, índice 105 vezes menor que das nações consideradas exemplo. A testagem em larga es-
cala é vista pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das mais eficazes para entender a disseminação do vírus e traçar políticas públicas contra a crise sanitária. Conforme dados do Ministério da Saúde obtidos pela reportagem do jornal O TEMPO, menos de 190 mil testes foram aplicados neste ano no país nos laboratórios centrais de saúde pública. Os números ainda englobam diagnósticos de outras doenças respiratórias causadas por vírus, como gripes e pneumonias. Desse total, 132.467 foram específicos para o coronavírus, o que reduz a taxa por milhão de habitantes para 628, e outros
56.613 ainda estão em análise – quase 30% do total. Atualmente, a capacidade dos laboratórios da rede pública espalhados pelo país – são 27, além das unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – é de 11 mil testes por dia. “Com o compartilhamento dos equipamentos da Rede de Carga Viral do HIV e da Rede de Teste Rápido Molecular de Tuberculose, estima-se dobrar a capacidade de processamento”, promete o Ministério da Saúde. Ainda conforme a pasta, foi firmada uma parceria público-privada com a rede de laboratórios Dasa para o processamento das amostras de pacientes com suspeita de co-
ronavírus. O contrato emergencial prevê a realização de 3 milhões de exames, com capacidade de analisar até 30 mil por dia. Também foi aberto um chamamento público para a aquisição de 12 milhões de testes rápidos do novo coronavírus.
Avanço da doença
4.205
mortes já ocorreram no Brasil desde o início da pandemia
61.888
pacientes foram confirmados com o vírus no país
COMPARAÇÃO. Até agora, o Bra-
sil só testou os casos graves – o número de mortes ultrapassou 4.000 e já foram quase 62 mil confirmações da doença. Enquanto o país tem média de 655 exames por milhão de habitantes, a Islândia tem o índice mais alto, com 69 mil diagnósticos para cada um milhão de pessoas. Já no Chile, o número é três vezes maior que a taxa brasileira e chega a 2.500 testes por milhão de habitantes. Nos Emirados Árabes, que também tem promovido a testagem em massa, o índice ultrapassa 10 mil exames a cada milhão de pessoas, número próximo aos da Noruega, Luxemburgo e Áustria. GETTY IMAGES VIA AFP
Em Minas
Desempenho é pior que o nacional Apesar de ser o segundo Estado mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes, Minas Gerais é o décimo no ranking de unidades da federação com mais casos de coronavírus, conforme balanço do Ministério da Saúde. No entanto, a testagem ainda é mínima, e estima-se que muitos pacientes não cheguem a ser notificados por falta de diagnóstico. Desde o início da pandemia, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), responsável pela análise dos exames em Minas, concluiu menos de 12 mil testes. A taxa no Estado é de 569 exames de coronavírus por milhão de pessoas, índice ainda menor que a taxa do Brasil (655). A capacidade diária da fundação é de 700 exames – ainda há parceria com os laboratórios da UFMG e do Hemominas para colocar os resultados em dia. Ao todo, a capacidade de exames processados atualmente é de cerca de 2.000 amostras por dia em Minas, segundo informações do governo. (LM)
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Estrutura. Capacidade dos laboratórios da rede pública do Brasil é de 11 mil testes por dia; parceria público-privada prevê mais 30 mil/dia
2 milhões de máscaras Um avião com 2 milhões de máscaras cirúrgicas descartáveis e 410 mil aventais chegou ontem no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A carga, comprada pela Vale na China, será doada ao governo brasileiro. Até agora, dos 15,8 milhões de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que a mineradora se comprometeu a repassar para o Ministério da Saúde, 96% já chegaram.
INSTAGRAM VALE/DIVULGAÇÃO
Panorama
País atinge 0,06% da população com exame O Ministério da Saúde processou 132.467 testes RT-PCR (moleculares) para detectar o novo coronavírus, o equivalente a 0,06% da população. O número é uma parcela das 259.218 amostras respiratórias já enviadas aos Lacen (Laboratórios Centrais de Saúde Pública) até 20 de abril. Dentre os 126 mil restantes, 56.613 estão em análise, 30.474 em triagem (em trânsito para o laboratório) e 39.664 são consideradas não realizadas por não conformidade (amostra insuficiente ou danificada). Segundo o governo, 451.432 testes RT-PCR tinham sido distribuídos aos Estados até 16 de abril. A taxa é de 630 testes moleculares feitos para cada milhão de habitantes. Como comparação, até a mesma data e usando o mesmo parâmetro ajustado para a população de cada país, o Chile realizou 6.430 testes e a Bolívia, 370. Os dados foram informados pelo Ministério da Saúde com base no Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), sistema que gerencia as requisições de exames e recebe os resultados dos laboratórios. (Folhapress)
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Bebê de sete meses morre O Estado de São Paulo confirmou no fim de semana a primeira morte na faixa etária entre 0 e 10 anos. A vítima foi um bebê de sete meses, com comorbidades (doenças preexistentes), na capital. Desde o início da pandemia, o Estado paulista já contabilizou 1.700 óbitos e 20.715 casos. Atualmente, 7.500 pacientes estão internados com suspeita ou confirmação da doença.
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CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Carros antigos e aglomerações UARLEN VALÉRIO
Desrespeito
Colecionadores se reúnem em BH sem o menor cuidado com a pandemia
Mais risco também em outras regiões
¬ ALEX BESSAS ¬ Uma exposição de car-
ros antigos nas proximidades da praça do Papa, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, gerou aglomeração de colecionadores, familiares e curiosos na manhã de ontem. Muitos dos presentes desprezavam os protocolos de distanciamento social e não usavam máscaras de proteção, desrespeitando decreto municipal válido desde quartafeira (22). O grupo de pessoas de diversas faixas etárias, incluindo idosos, se reuniu na avenida José do Patrocínio Pontes, esquina com a rua Salomão de Vasconcelos, no bairro Mangabeiras, sem o menor constrangimento e preocupação com a pandemia. Até mesmo uma mesa de café da manhã foi organizada entre os veículos para receber os aficionados por carros. RISCO. Cuidados básicos recomendados por autoridades sanitárias para minimizar a propagação do novo coronavírus eram sistematicamente ignorados. A garrafa térmica com café, por exemplo, era dividida por todos, sem que houvesse higienização do utensílio. “Aqui é o pessoal que está parando mesmo, não é nada organizado. Pessoal tem costume de vir e, carro antigo, todo mundo se conhece”, garante Fernando Bazolli, que preside um clube de colecionadores. “Nossos eventos mensais estão adiados até o fim dessa pandemia”, observa ele, que usava máscara, reforçando que a reunião foi espontânea na manhã de ontem. Ao contrário do que viu a reportagem, Bazolli diz que todos tentavam manter algum distanciamento entre si. A intenção, assegurou, “é dar uma voltinha e ir para casa”. Um dos presentes, que estava sem qualquer equipamento de proteção individual e não quis se identificar, disse que o evento, de fato, não tinha um organizador. Entretanto, contradizendo Bazolli, confirmou que a reunião não aconteceu ao acaso e teria sido planejada nas redes sociais.
O relaxamento do belo-horizontino em relação às medidas de isolamento e distanciamento social também pôde ser percebido ontem em outras regiões da cidade. Alguns pontos registraram grande movimentação de pessoas. Muitos dos centros de aglomeração foram identificados na região Sul da capital. A avenida Bandeirantes, no Mangabeiras, por exemplo recebeu um grande volume de moradores – que aproveitaram o dia para corridas e caminhadas ao ar livre. A maioria não usava máscaras, que são obrigatórias na capital desde a última quarta-feira. Além da movimentação, pessoas se avolumavam em torno de um carrinho que vendia água de coco. Em práticas individuais, mas em grande volume, houve aglomeração também nos arredores da Lagoa Seca do Belvedere. O desrespeito ao decreto municipal era evidente no local. “Eu estou no grupo de risco, tenho mais de 60 anos e estou fazendo quimioterapia”, reconhece o morador Luiz Santos, que garante tomar todos os cuidados para evitar a contaminação. (Alex Bessas)
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Mangabeiras. Dezenas de pessoas participaram do encontro de ontem, algumas não usavam sequer a máscara de proteção individual UARLEN VALÉRIO
Minas tem 61 mortes e 1.548 casos Atualização. Minas Gerais chegou ontem a 61 mortes e 1.548 casos confirmados do coronavírus. Há ainda 90 óbitos em investigação e 78.232 suspeitas de coronavírus sendo investigadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde. Belo Horizonte segue como a cidade com mais casos, sendo 533 confirmações. Na sequência, vêm Juiz de Fora, que tem 118 pessoas infectadas, e Uberlândia, com 88. Em Minas já são 147 municípios com casos da doença confirmados e 36 cidades registram mortes. Além das mortes e casos confirmados, as internações por síndrome respiratória aguda grave cresceram 476% nas primeiras 16 semanas de 2020 se comparadas ao mesmo período de 2019. Exercícios físicos. Muita gente também se aglomerou no Belvedere ALEXANDRE MOTA - 13.4.2020
Isolamento no Estado
Cidades voltam aos normal E mesmo com o crescimento dos casos de coronavírus em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) revelou que cerca de 55% das cidades no Estado já normalizaram a rotina e não cumprem mais o isolamento social. “São cidades de até 10 mil habitantes, onde não há transporte público, aglomerações e nenhuma suspeita da doença”, justificou o governador. A declaração foi dada sábado, durante o 2º Webinar Hub Inova Juntos – Caminhos para a recuperação socioeconômica dos Estados. Zema foi um dos governado-
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Interior. Zema garante que 55% das cidades retomaram à rotina
res convidados e ainda apresentou o programa “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”, lançado na semana passada para orientar a retomada segura das atividades econômicas nas cidades do Estado. “Em alguns casos, gestores públicos adotaram o afrouxamento da quarentena sem critérios. Em outros, muitos gostariam de optar pelo relaxamento e não sabiam como fazer. O protocolo dará mais segurança e apontará o melhor caminho sem colocar em risco a vida da população”, garantiu Romeu Zema. Conforme o governador,
Minas quer articular com prefeitos a reativação gradual de comércio, serviços e outros setores, com a adoção de protocolos sanitários, como uso dos equipamentos de proteção individual pelos funcionários e limitação da entrada de pessoas nos estabelecimentos, para evitar a disseminação do vírus. O programa recomenda a liberação das atividades econômicas de forma progressiva. Cada prefeitura será responsável por adotar ou não o relaxamento conforme a taxa de evolução do coronavírus na região. (Da redação)
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CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Rompimento de barragem tirou índios do isolamento natural CRISTIANE MATTOS
Comriocontaminado, povo Pataxó precisa ir para cidade em busca de comida
Covid-19
Indígenas temem uma letalidade maior
¬ RAFAELA MANSUR ¬ Além dos cocares e dos
colares, um novo acessório passou a fazer parte da vestimenta do povo Pataxó Hãhã-hães, que vive na aldeia Naô Xohã, em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte: a máscara. A pandemia de coronavírus preocupa os indígenas, que adotaram também o uso do álcool em gel e tiveram de suspender o Awê, ritual sagrado que envolve dança e canto, como forma de evitar aglomerações e prevenir a doença. Mas, devido ao rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na mesma região, que contaminou o rio Paraopeba – de onde eles tiravam água e alimento há pouco mais de um ano –, os índios precisam deixar a terra onde vivem para ir ao centro urbano comprar comida. Em pouco mais de 20 ocas, vivem cerca de 200 pessoas. Em torno de 140 estão fora atualmente, na Bahia, de onde todos vieram, ou em Belo Horizonte, aguardando o fim das medidas de isolamento social para retornarem. Na aldeia, não há energia elétrica, apenas alguns geradores usados para carregar os celulares. É por meio desses aparelhos, conectados à internet, que os índios ficaram sabendo da Covid-19 e sobre as formas de prevenção. “Quando veio esse coronavírus, nós ficamos muito esquecidos pelos órgãos indigenistas, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles não apareceram para nos orien-
A alta letalidade por coronavírus entre povos indígenas é uma preocupação nas comunidades, que reclamam de falta de apoio por parte do poder público para a prevenção da doença. “Nós sabemos que, para o Brasil, (a pandemia) pode ser novidade e gerar medo para a humanidade, mas o Brasil não vai ser exterminado na sua totalidade. Porém, chegando aos territórios indígenas, isso pode significar o extermínio dos povos. O Estado brasileiro é responsável a partir do momento em que não adota medidas de proteção”, afirma Célia Xacriabá, indígena doutoranda em antropologia que vive no território Xacriabá, em São João das Missões, no Norte de Minas. “Estamos sendo rondados por dois medos, um da pandemia e outro da fome, sobretudo nas famílias com situação maior de vulnerabilidade”, completa. Segundo Célia, desde o início da pandemia, a rotina da população do território foi totalmente alterada. “De repente, um povo de costume coletivo se vê em isolamento social. É um momento muito delicado, o território Xacriabá tem um índice alto de suicídio entre a população jovem, e estamos preocupados porque o isolamento social interrompe outras relações coletivizadas. Poucas pessoas usam máscara, e não temos acesso a álcool em gel”, diz. (RM)
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Contato. Afetado pela barragem em Brumadinho, povo Pataxó Hã-hã-hães tem que deixar a aldeia para ir à cidade em busca de mantimentos CRISTIANE MATTOS
tar ou trazer cesta básica, e, infelizmente, alguns de nós têm que sair para comprar comida, porque, desde o rompimento da barragem, não podemos mais pescar ou plantar”, contou o cacique Arakuã, que conversou com a reportagem acompanhado de duas lideranças da aldeia, para evitar expor os demais indígenas ao risco. Eles dizem que, apenas depois que apresentaram a situação na internet, a Funai os procurou com a promessa de cestas básicas para a próxima semana. Quem sai para comprar comida na cidade são os homens de cada família. Eles costumam ir de ônibus a Mário Campos ou de carro a Igarapé ou ao centro de São Joaquim de Bicas. Em toda a aldeia, há um único automóvel, de Tehé, uma das lideranças. “Tenho um carro particular, mas coloquei à disposição da comunidade, porque, na luta, a gente não consegue nada sozinho. Nós somos iguais à cabaça de abelha, que faz mel para todos. Saímos dois ou três pais de família, e cada um atende a demanda de outras famílias”, disse Tehé. Dentro da aldeia, o distan-
O cacique Arakuã reclama de abandono
ciamento social não é simples. “Às vezes tem duas, três famílias em uma oca só. A gente fica mais junto, um vai à casa do outro. Somos muito unidos, mas fazemos o possível para não fazer aglomeração”, afirmou o cacique Arakuã. Uma jovem indígena chegou a manifestar sintomas de coronavírus há algumas semanas. Ela foi atendida na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade, ficou isolada na oca com a família e melhorou. O coronavírus também tirou a renda das famílias indí-
Ministério da Saúde
Balanço antigo
Resposta. O ministério da Saúde disse que a Sesai trabalha para atender os mais de 800 mil indígenas aldeados no país e que, por meio da secretaria, realiza ações de informação, prevenção e combate ao coronavírus para orientar comunidades indígenas, gestores e colaboradores. Segundo a Pasta, a correção de possíveis problemas e a realização de novas ações “têm sido frequentes”.
Vale. Procurada pela reportagem, a Vale não se manifestou até o fechamento desta edição. Em balanço divulgado no final do ano passado, a mineradora informou que, em acordo com o Ministério Público Federal, destinou ajuda emergencial a 150 índios de 46 núcleos familiares da comunidade indígena Pataxó em São Joaquim de Bicas.
REPRODUÇÃO INSTAGRAM
Índia Xacriabá, no Norte de Minas, usa máscara
genas, que vivem do artesanato. Desde o rompimento da barragem, as vendas já tinham caído bastante, com a redução do fluxo de visitantes na aldeia, mas as peças vinham sendo expostas todos os domingos na Feira Hippie, em Belo Horizonte. Com a suspensão da feira, os índios passaram a contar apenas com o dinheiro do auxílio emergencial pago pela Vale. “Com esse coronavírus, não sabemos nem o que fazer mais. A doença está lá fora, e ficamos com muito medo de passar insegu-
rança para o nosso povo”, afirmou a liderança Sucupira. Enquanto enfrentam a dificuldade do coronavírus e os impactos do rompimento da barragem, os indígenas aguardam a regularização da terra onde vivem desde 2017. “Viemos para cá porque aqui estava sendo desmatado. Não só a gente precisava desse lugar, mas ele também precisa da gente como protetor”, disse Tehé. “Temos 520 anos de resistência e vamos continuar resistindo”, concluiu. CRISTIANE MATTOS
Sem respostas Funai. A Funai não respondeu os questionamentos da reportagem até o fechamento dessa edição. Neste mês, a Fundação informou que terá um aporte de R$ 10 milhões para ações de combate ao coronavírus nas aldeias. O montante será utilizado para vários fins, como a compra emergencial de alimentos e de veículos para o transporte de indígenas até as unidades de saúde.
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CORONAVÍRUS
Novo produto. De segunda a quinta, às 14h, os internautas poderão assistir a 30 minutos de entrevista
Live do Tempo estreia hoje Especialistas ajudam a explicar impactos do vírus na economia e na vida das pessoas ¬ O Portal O TEMPO
lança hoje um novo produto: a Live do Tempo. A iniciativa será apresentada de segunda a quinta-feira, sempre às 14h, e abordará temas como economia, saúde, cultura e tudo aquilo que vai ao encontro do leitor mineiro que gosta de estar sempre bem informado. A primeira semana do programa será dedicada à economia. Comandada por Helenice Laguardia, colunista do Minas S/A, e Karlon Aredes, editor de Atualidades de O TEMPO, a Live do Tempo terá quatro convidados para avaliar o atual cenário econômico, que enfrenta um grande desafio com o advento do novo coronavírus e as medidas de distanciamento social impostas pela pandemia.
Para a estreia, o convidado é o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva. Serão 30 minutos de entrevista, que serão transmitidas pelas contas de O TEMPO no YouTube, Facebook e Twitter, além de nossa página. Os demais convidados da semana são o presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni; o presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Minas Gerais (Sinapro-MG), André Lacerda, e o presidente da Unimed-BH, Samuel Flam.
Os canais Nosso portal www.otempo.com.br
TENDÊNCIA. As lives vêm arre-
banhando cada vez mais repercussão nas redes sociais – e, também, na vida de muita gente que, desde o início de março, está em casa, de quarentena. “O momento é de reflexão, e queremos ajudar promovendo debates pertinentes com lideranças do mercado mineiro. Vamos fa-
Novos dados
Espanha e Itália seguem com mortes em declive JOSEP LAGO/AFP
Facebook www.facebook.com/portalote mpo Twitter www.twitter.com/otempo Youtube www.youtube.com/otempoon line
Breves Papa Francisco Notícias de Manaus A arquidiocese de Manaus disse que, no sábado, o papa Francisco telefonou ao arcebispo Dom Leonardo Steiner manifestando sua solidariedade e pedindo notícias da situação por lá, em particular, no que tange a povos indígenas, ribeirinhos e os mais pobres.
Desinfetante, não Intoxicação
Desde ontem, na Espanha, crianças podem sair uma hora por dia
¬ PARIS, FRANÇA. O novo coro-
navírus provocou ao menos 204.696 mortos segundo balanço feito pela Agência France Press, com base em fontes oficiais, ontem, às 16h (Brasília). Foram contabilizados mais de 2.929.630 casos em 193 países ou territórios – esse montante, porém, reflete apenas uma parte do total, em função das políticas díspares dos países: alguns testam só aqueles que precisam de hospitalização. Pelo menos 797.800 pessoas já se curaram da doença.
EDITORIA DE ARTE
lar sobre os desafios da crise decorrente da Covid-19 e, também, das perspectivas”, destaca Cândido Henrique Silva, editor executivo da Sempre Editora. O TEMPO e a Rádio Super Notícia são pioneiros na transmissão de lives em Minas Gerais. Todos os dias, são seis, em diversos campos, como política, cidades e futebol. Agora, o produto é ampliado com debates em searas como economia, saúde e cultura.
Ontem, a Espanha registrou 288 mortos, número bem menor que os dias de pico. Agora, as crianças podem sair às ruas uma hora por dia, entre 9h e 21h. Na Itália, foram 260 mortos, número diário mais baixo desde 14 de março. Na China, Wuhan, epicentro da pandemia, não tem mais pacientes internados com a Covid-19, afiança a porta-voz da Comissão de Saúde. Nos Estados Unidos, o estado de Nova York registrou 367 mortes, menor número desde 30 de março.
Nova York teve um aumento de intoxicações por desinfetante após o presidente Donald Trump sugerir a injeção desses contra a Covid-19. Foram 30 chamadas nas 18 horas após a sugestão. No mesmo período em 2019, foram 13.
Boris Johnson De volta pra casa O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, retornou ontem à noite para sua residência em Downing Street, em Londres, após mais de duas semanas de recuperação pelo novo coronavírus, informaram seus serviços.
Convidados. Expoentes com atuação em campos dos mais diversos debaterão a situação atual
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CORONAVÍRUS
PANDEMIA UARLEN VALERIO
Profissionais de saúde têm duplo desafio Além do vírus, eles enfrentam medo, saudades da família e preconceitos ¬ QUEILA ARIADNE ¬ Nayara Silveira
fez 33 anos na última quinta-feira. O plano era comemorar com toda a família e amigos em um restaurante, mas nem um abraço ela pôde receber. Para a enfermeira, que coordena o setor de assistência de gestão de leitos do Hospital São Lucas, onde estão pacientes com Covid-19, o maior medo é levar o vírus para casa. Também é o principal receio do cardiologista Marcell Temponi, 35, da infectologista Sílvia Hees, 50, e da maioria dos profissionais de saúde. Esta é a maior preocupação, mas não é a única: saudade, cansaço, culpa e preconceito estão por trás das histórias de quem está na linha de frente no combate à pandemia. “No dia do meu aniversário, assim que eu acordei, meus pais vieram para me abraçar, e eu tive que dizer ‘não’. Isso dói muito. Eu não tenho nenhum medo de pegar a doença, porque me sinto segura no hospital, mas tenho pavor de transmitir para minha família, principalmente porque meus pais e meu sobrinho são do grupo de risco”, afirma Nayara. Chefe de clínica médica e coordenador do plantão geral do hospital São Francisco, referência em coronavírus em Belo Horizonte, Marcell Temponi não vê a mulher, os filhos e os pais há um mês. Eles estão em uma fazenda, no interior de Minas Gerais. “No começo, eu cheguei a fazer um teste para ter certeza de que eu não tinha a doença. Deu negativo, e fui visitálos. Mas não tenho mais coragem de fazer isso, porque até os testes podem dar um falso-negativo. É uma decisão muito difícil, mas é para protegê-los”, conta. Entre um paciente e outro, Temponi demora, às vezes, 40 minutos para fazer toda a paramentação. O
uso ininterrupto da máscara provoca feridas no rosto. Se a pressão desse Equipamento de Proteção Individual (EPI) é grande, a psicológica é ainda maior. “Quando você entra em um hospital que é referência para Covid, você já entra preocupado. Eu penso o tempo todo na probabilidade de contrair a doença. A cada notícia que ouvimos de um colega que adoeceu no Brasil e até no exterior, dá um aperto no peito. Não temos mais momentos de relaxamento com os colegas, confraternizando”, relata. Entre todas as dificuldades, que ainda incluem a incerteza sobre a doença, o médico afirma que o pior de tudo é a saudade. Um sentimento tão avassalador que já o fez pensar em largar tudo e ir ficar com a família. “Meus filhos são gêmeos e têm 2 anos. É uma idade que cada dia aprendem algo novo, falam uma palavra nova, fazem uma brincadeira diferente. Eu sinto que estou perdendo isso, e é algo
Isolamento “São dias duros, sofridos, mas penso que esse distanciamento é para proteger minha família.” Marcell Temponi MÉDICO
que nunca vou recuperar. Já pensei em desistir, mas meu dever é ficar aqui, no enfrentamento. São dias duros, sofridos, mas penso que esse distanciamento é para proteger minha família”, ressalta o coordenador do plantão do hospital São Francisco. Quando ele sai do hospital, o medo vai junto e ganha outros companheiros, como o preconceito. “Outro dia, fui abastecer. Estava de jaleco e máscara. Quando abri a janela, o frentista levou um susto, saiu correndo e pediu para o colega dele me atender”, desabafa Temponi. Para dar suporte à equipe, o hospital São Francisco reorganizou o departamento de psicologia para ampliar o atendimento aos colaboradores. “É um momento muito difícil porque todo mundo está angustiado. Tem gente que precisou sair de casa para não expor a família, tem gente que gostaria de fazer isso, mas não tem outro lugar para morar, tem preconceito, sentimento de rejeição. Mas, em todos os meus contatos, percebo que a maior preocupação é realmente contaminar a família”, explica a coordenadora da psicologia do hospital, Graciele Simões. Ela conta que também tem seus medos e preocupações, como o filho de 5 anos, que tem passado os dias com os avós. MARIA SUELI SANTOS/HSF DIVULGAÇÃO
Marcell Temponi não vê a mulher, os filhos e os pais há um mês
Dias difíceis. A enfermeira Nayara Silveira teme levar o vírus para casa; ela evita contato com os pais
Rotina abalada
Infectologista tem que manter distância de um metro dos filhos A simples rotina de chegar em casa virou de ponta-cabeça. Acostumada a voltar do trabalho, abrir a porta e imediatamente abraçar os filhos, a infectologista Sílvia Hees de Carvalho, 50, tem que conviver com eles a no mínimo um metro de distância, mesmo seguindo um rigoroso ritual de desinfecção. “Eu e o meu marido somos médicos e fizemos uma ‘área suja’ na área de serviço, onde nossos filhos estão proibidos de ir. Deixamos o sapato na porta, separamos todas as nossas roupas, tomamos banho e só depois entramos. Ainda assim, mesmo depois de fazer toda a desparamentação, não abraço meus filhos. Sempre gostei de ficar agarradinha com eles, e essa mudança não é fácil, mas é o que a gente precisa fazer”, relata Sílvia, que tem 27 anos de experiência. No hospital, a rotina também está diferente. O processo de higienização, que sempre existiu, está ainda mais minucioso. “O tempo que eu gasto para atender cada paciente está maior. A cada consulta, passo álcool no estetoscópio. Tenho a minha própria face shield (pro-
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tetor facial) e máscara N95, mas nunca as levo para dentro de casa, elas ficam no carro e meus filhos nem entram no veículo”, explica. Com a atenção redobrada no trabalho e com a família, Sílvia ressalta que o ambiente fica inevitavelmente mais tenso. “É muito angustiante lidar com uma doença nova, com potencial de levar a casos graves. E isso im-
pacta negativamente a rotina dos médicos, exigindo cuidados excessivos. Nesse momento, o que nos torna mais apreensivos é estarmos diante de uma pandemia, em que se conhece muito pouco do vírus, que sofreu mutação, e para o qual não existe ainda nem vacina, nem um tratamento comprovadamente confiável”, ressalta a infectologista. (QA) ARQUIVO PESSOAL
Sílvia Hees não abraça mais os filhos quando chega em casa
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEGUNDA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2020 | 7
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Trabalhadores exigem testes após morte da enfermeira Cida CRISTIANE MATTOS/23.4.2020
Fhemig afirma que os exames são feitos apenas em servidores sintomáticos ¬ QUEILA ARIADNE ¬ “Se a Cida tivesse sido testa-
da, ela poderia estar viva. O hospital sabia que outros trabalhadores tinham testado positivo, e ela teve contato com eles”, desabafa a técnica de enfermagem Jussara Duarte, 56, que trabalhava com a enfermeira Maria Aparecida Andrade, 53, no hospital Alberto Cavalcanti. Cida, que morreu com Covid-19, também trabalhava na UPA Ressaca, em Contagem. Agora, a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais (Asthemg Sindipros) luta para que todos os profissionais que tenham tido contato com algum colega com coronavírus sejam testados. “Já havíamos pedido para realizar testes preventivos em todos os profissionais que tivessem tido contato com pacientes ou colegas infectados pela Covid-19, mas a Fhemig se recusou. Então, nós entramos com uma representação junto ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, pedindo investigação da postura de colocar em risco esses profissionais. Esperamos que essa atitude seja criminalizada, em virtude da negligência de expor os trabalhadores, os familiares e os pacientes”, afirma o presidente da Ashtemg, Carlos Augusto Martins. Jussara conta que Cida começou a apresentar sintomas logo depois da notícia de que 50 profissionais do Risoleta Neves tinham testado positivo. “Alguns desses profissionais também trabalham no Alberto Cavalcanti e tiveram contato com a Cida e com muitos outros profissionais. Depois, uma
Manifesto. Na quinta-feira, profissionais da saúde fizeram protesto após confirmação da morte por coronavírus da técnica de enfermagem Maria Aparecida Andrade
contraprova deu negativo para essas pessoas, mas, antes de saber disso, o certo era o hospital ter rastreado todos que tiveram contato com eles e testado todo mundo, pois eles circularam no CTI, nos corredores, no refeitório. É o que tem que ser feito agora, como todos que tiveram contato com a Cida”, ressalta Jussara. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirma que os exames são realizados apenas nos servidores sintomáticos, no Hospital Eduardo de Menezes. “Se constatada a suspeita, o servidor é imediatamente afastado para quarentena, antes mesmo do resultado”, diz a fundação. Ainda de acordo com a fundação, assim que um caso é notificado, a Vigilância Sanitária do município e o Comitê de Enfrentamento da Covid-19 tomam as medidas necessárias para abordar familiares e pessoas próximas.
Informação para acalmar ¬ O Grupo Santa Casa (Santa Casa e Hospital São Lucas) criou uma comissão interna de enfrentamento do coronavírus, com representantes do corpo médico, dos enfermeiros, das áreas de compras, logística e gestão. Segundo a superintendente Mara Moura, que comanda esse comitê de guerra, a principal arma de combate à Covid-19 é a informação. Desde o primeiro momento,
ficou evidente que a grande dificuldade era a comunicação, já que é algo muito novo. Então, resolvemos criar a comissão para organizar e passar as informações para os funcionários”, ressalta Mara. Entre as medidas estão boletins diários de casos confirmados e suspeitos, atualização das normas e protocolos e dados sobre suprimentos, como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). (QA)
Precaução
Risco maior
Na linha de frente, profissionais também são contaminados ARQUIVO PESSOAL
¬ Uma
semana depois de ter contato com um paciente que morreu com suspeita de coronavírus, a enfermeira Sara Said, 34, começou a apresentar sintomas de gripe. Durante 14 dias, ela ficou isolada no quarto, sem contato com a família. “O hospital onde eu trabalho prestou todo o atendimento, fez o teste e me afastou. O mais difícil, sem dúvida nenhuma, foi ficar longe do meu filho de 7 anos e negar um simples abraço”, conta Sara. O resultado do paciente deu negativo. Depois, o exame dela também indicou que não era Covid-19. Mas, enquanto esperava, os dias foram tensos. “A rotina mudou totalmente no hospital e também no convívio com minha família, pois, mesmo tomando cuidados excessivos, eu tenho medo de ser um transportador do vírus. Tudo isso aumenta muito a pressão, traz sentimentos negativos para todo mundo, como solidão, tristeza e depressão”, observa. Sara trabalha no Hospital Santa Rosália, em Teófilo Otoni, região do Vale do Mucuri. Atualmente, a unidade está com cerca de 30 profis-
A enfermeira Sara Said começou a apresentar sintomas de gripe
sionais afastados, e os motivos vão desde sintomas gripais a estresse ocupacional. “Um terço desses afastamentos está relacionado a causas psiquiátricas, como ansiedade e síndrome do pânico”, explica o diretor executivo do hospital, Leonardo Seixas. Segundo Seixas, a unidade chegou a ter 50 colaboradores afastados, incluindo os profissionais que são do grupo de risco. Para amenizar a pressão de conviver todos os dias com pacientes suspeitos, o Santa Rosália re-
forçou o atendimento psicológico. “Nossos psicólogos estão na retaguarda, dando suporte para nossos profissionais”, afirma Seixas. Na avaliação de Sara, essa ajuda é fundamental. “Desde que a pandemia começou, eu sinto olhares desconfiados das pessoas ao me verem de branco. É natural que fiquem mais apreensivas e queiram manter distância, mas eu digo que hoje nós convivemos com dois tipos de vírus: a Covid-19 e o medo”, desabafa Sara. (QA)
Grupo de risco foi afastado
O afastamento de profissionais da saúde acima de 60 anos ou com alguma comorbidade também faz parte da batalha da categoria. Desde o início da pandemia, 30 trabalhadores da rede pública de saúde de Minas Gerais procuraram a Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais (Asthemg/Sindipros) para pedir esse licenciamento temporário. “Fizemos um requerimento pleiteando a relação dos trabalhadores que já solicitaram o afastamento por estarem no grupo de risco ou por terem suspeita de contaminação. Também solicitamos a quantidade e o tipo de EPI fornecido. Como não tivemos retorno, interpusemos um mandado de segurança para ter acesso a essas informações”, afirma o presidente da Asthemg/Sindipros, Carlos Augusto Martins. Por meio de nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que, até o dia 16 de abril , 16 servidores tiveram resultados positivos para coronavírus, e 11 foram registrados como casos suspeitos. Outros 95 foram afastados por apresentarem sintomas gripais. (QA)
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aparte@otempo.com.br
A.PARTE
VITTORIO MEDIOLI vittorio.medioli@otempo.com.br
Perdido na fama
Carreata em BH
Ato de apoio a Bolsonaro sai do Exército e acaba na porta de Kalil A saída do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e a posterior queda de braços iniciada entre o ex-juiz da operação Lava Jato e o presidente Jair Bolsonaro, causou reações em Belo Horizonte. Apoiadores do chefe do Executivo foram às ruas ontem em mais um ato de apoio ao governo. A manifestação, que teve início no meio da tarde, em frente à sede da 4ª Região Militar, na avenida Raja Gabaglia, acabou à noite, na porta da casa do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. A intenção do ato foi a de ratificar apoio a Bolsonaro. “O objetivo dessa manifestação é mostrar que o povo continua apoiando o presidente Bolsonaro, apesar deste contratempo com o Sergio Moro. Muita gente pensando que iríamos ficar com o Moro. Em menos de 24 horas, conseguimos organizar essa carreata”, ressalta o artista plástico Júlio Hubner. A última manifestação pró-Bolsonaro, que também ocorreu em carrea-
ta, foi no domingo anterior. O protesto de ontem foi convocado pelas redes sociais e não teve ligação com grupos políticos, segundo os manifestantes. A reportagem esteve no local e contou cerca de 40 pessoas. Não foi por acaso que o ato começou na porta do Exército. A escolha foi para passar o recado de que muitos dos manifestantes acreditam na intervenção militar como melhor alternativa para o país neste momento. Depois, os carros dos manifestantes percorreram as ruas e avenidas da região Centro-Sul da capital, terminando na praça Marília de Dirceu, nas proximidades do prédio onde mora o prefeito da capital, Alexandre Kalil. Além do próprio prefeito Kalil, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também foram alvos do protesto. Os dois parlamentares foram recentemente acusados por Bolsonaro de travarem uma “luta pelo poder” e de articularem um golpe por
meio do isolamento do presidente da República. A partir daí, passaram a ser atacados pela militância bolsonarista de forma mais veemente. Os manifestantes aproveitaram o momento de demonstração de apoio a Bolsonaro e “regionalizaram” o protesto, criticando as medidas restritivas de circulação adotadas por Kalil nas últimas semanas para evitar a propagação do coronavírus na cidade. Ao longo da carreata, eles gritaram pelas ruas de Belo Horizonte palavras de ordem, como “Fora, Kalil” e “Moro, traidor do Brasil”. Quando chegaram na praça Marília de Dirceu, os manifestantes fizeram ainda mais barulho, com a utilização de um carro de som. O Hino Nacional Brasileiro foi tocado e foi rezada a oração do Pai Nosso. Alguns manifestantes levaram cartazes, pedindo intervenção militar no país. Moradores do entorno, contrários ao ato, atiraram ovos nos manifestantes pelas janelas dos prédios. (Thiago Nogueira)
CRISTIANE MATTOS
Manifestantes pediram intervenção militar em frente a 4ª Região
Gustavo Barbosa
ASCOM ROMEU ZEMA / DIVULGAÇÃO
Secretário de Fazenda do Estado
REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS
Oração, gritos e Hino Nacional perto da residência do prefeito de BH
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“Estruturalmente, a situação de Minas é pior do que a do Rio porque a despesa é maior do que a receita há muito tempo. Principalmente a despesa com pessoal. Servidor público não pode ser demitido. O que podemos fazer é apenas evitar que essa despesa aumente de forma aguda.”
Redes sociais
Após demissão, Bolsonaro perde seguidores A demissão de Sergio Moro fez o presidente Jair Bolsonaro perder seguidores nas redes sociais pela primeira vez desde setembro de 2017. Até a última sexta-feira, o chefe do Executivo não havia registrado um dia sequer de baixa. Os dados são da consultoria Bites, que começou a acompanhar as publicações de Bolsonaro no Twitter, Instagram, Facebook e YouTube desde 1º de setembro de 2017. No intervalo de seis horas, entre o pronunciamento do ex-ministro e a coletiva de imprensa do presidente, Bolsonaro e seus filhos – Carlos, Eduardo e Flávio – foram deixados por 86. 427 contas. O presidente foi o mais atingido. As postagens com hashtags negativas sobre o presidente somaram 773 mil tuítes às 18 horas da última sexta-feira. Na contramão do presidente, Moro conquistou 160.248 novas contas no Twitter e Instagram.
O
tempo é inexorável em escancarar o resultado das escolhas. Ótimo ou desastrado que seja. Ocorrem uniões por uma atração fulgurante e fatal, como a do noivo a não imaginar que a noiva se transformará na sogra. O freguês na hora de comprar os sapatos pontudos que não o levarão longe, ou um carro rebaixado que quebrará no primeiro buraco, ou uma camisa irreal que terá sucesso apenas em ficar no armário. Ainda tem quem saia ao sol resplandecente sem considerar a queimadura, ou quem gosta do cartão-postal com neve e morre congelado no meio dela. Escolhas são influenciadas pelo momento, astros, empolgação, moda, testosterona, considerações ilógicas e mutantes como os ventos, não suficientemente ponderadas no tempo e no espaço que ocuparão. Quando Jair Bolsonaro nomeou o então juiz federal Sergio Moro como ministro da Justiça, cometeu, no mínimo, uma ingenuidade, ou, mais provavelmente, desencadeou uma sequência de erros. Desconsiderou o presente e o futuro, a experiência pregressa, a capacidade de colher resultados, o conhecimento em relação ao mundo político, entre outras carências inatas de Sergio Moro. Pensou em dar lustro a seu governo explorando a fama internacional do juiz. De imediato, desguarneceu a operação Lava Jato, com a retirada de sua peça fulcral, o juiz, raro e irrepetível, que aparece a cada 50 anos. Tolheu-o daquilo que sabia fazer como nenhum outro. Marcou uma perda colossal de força para vencer e enterrar o mecanismo de espoliação do erário, a safadeza política e negocial que no Brasil se ergue como o pior inimigo do desenvolvimento, do emprego, da saúde, da educação, dos jovens, do futuro nacional. Concedeu indiretamente uma trégua à maior corrupção já vista debaixo do sol. Tirou Moro da cátedra, inalcançável pelos mortais, e o colocou na arena de Brasília, corpo a corpo, com as feras da velha política e de um mundo que não o tolera. Moro aceitou, entrou na selva sem um animal fareja-
dor, como um principiante numa luta marcial. A perda da toga determinou a perda da blindagem de magistrado e o fez vestir o véu de ministro, cargo político exposto e sem intimidade. Se o juiz necessita de conhecimento e equilíbrio para julgar, sem correr o risco de perda de mandato, o ministro precisa de habilidade em situações inusitadas, de capacidade de convencimento, diálogo para alcançar o melhor possível para a nação; precisa se exercitar em engolir sapos e evitar mordidas de cobras. Ministro está dentro de um time e com ele tem que bater bola ou sair agradecendo a oportunidade da rara e enaltecedora experiência de servir à nação. Moro não teve em sua vida como entender de perto o Congresso Nacional, o cipoal de Brasília, o meio político e seu âmago, de sentir o bafo da onça e suas práticas boas e ruins. Moro não viu a sua importância à frente do julgamento da Lava Jato que enterraria ainda os remanescentes do Congresso. O Brasil perdeu a recuperação de mais recursos. Como ministro, não conseguiu o controle do Coaf e não emplacou as operações de relevância que sacudiam a cada semana os noticiários e empolgavam a população cansada de ser espoliada. Não se lembra de um juiz mais dedicado e obstinado na defesa do patrimônio público. Ele será lembrado por isso. Bolsonaro tirou uma peça imprescindível da Justiça para colocá-la numa arena comandada pelos investigados e condenados. Ele o deu às feras, com o próprio consentimento de Moro. Mas o pior de tudo com Moro se deu na sexta-feira ao sair do governo. Polemizou e apresentou revelações de foro íntimo, mensagens de celular de figuras que tentavam apagar o incêndio. Seu gesto destruiu parte de sua fama, justamente num momento em que a união, a tolerância e a permanência no cargo mostrariam o interesse maior pela nação combalida. O momento e o modo de sair foram infelizes. Se pensou no Brasil, ele o fez de forma triste e pessoal, jogando combustível num país em chamas pelas mortes e pela crise assoladora.
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Política
7 Associação faz apelo I
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) publicou ontem uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro em que afirma haver uma “crise de confiança” entre a instituição e o governo. A entidade pede providências para resguardar a PF de novas crises.
7 Associação faz apelo II
De acordo com a Associação, “os acontecimentos recentes criam um clima de instabilidade, uma ‘crise de confiança’ para a próxima diretoria da PF, tanto internamente quanto perante a sociedade”. Os delegados dizem acreditar que a atual crise poderia ter sido evitada.
TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838
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Planalto. Jair Bolsonaro deve oficializar o nome do secretário geral da Presidência no lugar do ex-juiz
Jorge Oliveira é o mais cotado para o Ministério da Justiça Alexandre Ramagem também deve ser nomeadopara chefiar a Polícia Federal ¬ BRASÍLIA. O presidente Jair Bolsonaro deve oficializar o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria Geral da Presidência, como o novo ministro da Justiça. Próximo da família do presidente, Oliveira não queria aceitar o cargo, mas Bolsonaro disse a ele que se tratava de uma “missão”, segundo fontes do Palácio do Planalto. Com a confirmação de Oliveira como substituto de Sergio Moro, o atual secretário de Assuntos Estratégi-
cos (SAE), almirante Flávio Rocha, é o mais cotado para assumir como ministro-chefe da Secretaria Geral. Bolsonaro também deve confirmar no comando da Polícia Federal o delegado Alexandre Ramagem, atual diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Integrantes do Planalto, no entanto, alertam que, apesar de o presidente ter tomado a decisão, até a publicação do Diário Oficial da União (“DOU”) ainda pode haver mudanças. Isso porque, na noite da última sexta-feira, as nomeações de Oliveira e Ramagem era consideradas certas, mas Bolsona-
ro foi aconselhado a repensar pela proximidade de ambos com a sua família. Alçado ao cargo de ministro em junho de 2019, Jorge Oliveira tem uma relação familiar com o clã Bolsonaro, onde é chamado de Jorginho. O presidente foi alertado que nomeá-los neste momento pode potencializar as acusações de Moro, que ao se demitir disse que Bolsonaro queria fazer interferência política na Polícia Federal e ter acesso a relatórios de inteligência. O próprio chefe da Secretaria Geral é um dos que alertaram para o risco de sua indicação ser encarada como uma comprovação
de que as acusações de Moro estavam corretas. Oliveira acumula também o comando da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), órgão que presta consultoria jurídica para atos do presidente. O posto exige uma pessoa de confiança de Bolsonaro. Ainda não há uma definição sobre o futuro da SAJ. Ao longo de todo o sábado, auxiliares do presidente tentaram convencer o presidente a aceitar o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o desembargador Carlos Thompson Flores, como novo ministro da Justiça. O magistrado atuou no julgamen-
to que condenou o ex-presidente Lula no caso do sítio em Atibaia (SP). No entanto, Bolsonaro resistiu, alegando não ter contato prévio com Thompson Flores. Segundo interlocutores, o presidente também queria evitar um desgaste como o que ocorreu com o Moro. Outra ponderação feita nos bastidores é que o desembargador é próximo do exjuiz da Lava Jato. Outro nomes que foram cotados para assumir o Ministério da Justiça foi do advogado geral da União, André Luiz Mendonça, e do ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivan Sartori.
Trajetória 0 Perfil. Jorge Oliveira, 44, é advogado. Entre 1993 e 2013, cumpriu carreira na Polícia Militar do Distrito Federal. 0 Congresso. Oliveira já foi chefe de gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e, após a eleição dele para o Planalto, foi comandar o gabinete de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). De lá, saiu para a Secretaria Geral da Presidência. Oliveira tem pós-graduação em Direito Público pelo Instituto Processus, de Brasília.
MARCOS CORRÊA/PR - 25.4.2020
Interferência
Fake news
Presidente diz que ex-juiz mentiu
Moro ironiza slogan da campanha
SÃO PAULO. O presidente Jair Bolsonaro retomou os ataques ao seu exministro da Justiça, Sergio Moro, após o forte embate público dos dois na última sexta-feira. Em rede social, Bolsonaro disse ontem, que o seu ex-ministro “mentiu” ao afirmar que o presidente estaria tentando interferir na Polícia Federal. “Lamentavelmente, o ex-ministro mentiu sobre interferência na PF. Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor geral. Para mim, os bons policiais estão em todo o Brasil e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”, escreveu o presidente. Bolsonaro compartilhou vídeo da presidente do Sindicato dos Policiais Federais em São Paulo, Susanna Val Moore, em que ela diz que há autonomia da PF. “A PF é submetida ao controle do ministério Público Federal. Já existe uma autonomia. Então, acreditamos que a PF vai continuar de forma independente e sem interferência”.
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Sintonia. Jorge Oliveira é homem de confiança de Jair Bolsonaro e deve deixar a Secretaria Geral para assumir o Ministério da Justiça
Chefe do Executivo rebate críticas a Ramagem ¬ BRASÍLIA. O presidente Jair
Bolsonaro rebateu ontem as críticas à indicação do delegado Alexandre Ramagem, próximo da sua família, para o comando da Polícia Federal. Em resposta no Facebook a uma seguidora que observou que Ramagem foi indicado pelos filhos do presidente, Bolsonaro respondeu: “E daí?”. A nomeação do novo chefe da Polícia Fe-
deral ainda não foi oficializada. O presidente justifica que conheceu Ramagem, atual chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), antes de seus filhos. “E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”, questionou. Outro seguidor postou uma foto em que Ramagem aparece
em uma festa de Réveillon ao lado do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). O presidente respondeu com uma montagem feita com fotos antigas por um apoiador, em que Sergio Moro aparece ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Entrou no Ministério da Justiça juiz e saiu político aliado da oposição”, diz o texto.
Levantamento 0 Repercussão. Uma pesquisa instantânea feita pelo instituto Ideia Big Data para o jornal “O Estado de S. Paulo”, depois do pedido de demissão de Sergio Moro, mostra que 65% dos entrevistados acreditam na acusação feita pelo ex-juiz. Para esses entrevistados, houve interferência política do presidente Jair Bolsonaro no Ministério da Justiça.
O agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro voltou a usar suas redes sociais para se manifestar. Ele ironizou a famosa frase de campanha do presidente Jair Bolsonaro e diz não se importar com a disseminação de fake news sobre ele, por já ter passado por situação semelhante. “Tenho visto uma campanha de fake News nas redes sociais e em grupos de WhatsApp para me desqualificar. Não me preocupo; já passei por isso durante e depois da Lava Jato. Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos, escreveu o ex-juiz. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” é a frase utilizada por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e que continuou sendo dita por ele após assumir a Presidência da República. O ministro tem sido ativo nas redes sociais desde que deixou o governo, e reiterado acusações e críticas ao presidente Jair Bolsonaro. (Da redação)
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POLÍTICA
Articulação. Parte do grupo que se aproxima de Bolsonaro tinha livre trânsito na gestão do PT e do MDB
Em meio à crise, lideranças do centrão dão apoio ao governo MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO
LUIS MACEDO/DIVULGAÇÃO CÂMARA DOS DEPUTADOS
Presidentejávinha conversandocom líderesdessespartidos nasúltimassemanas
negociações sobre os comandos dos cargos do governo federal. Lira tenta se fortalecer na disputa pelo comando da Casa e enfraquecer o nome apoiado por Maia, de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
¬ RIO DE JANEIRO. Assim que o
então ministro Sergio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, na última sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros receberam mensagens de dirigentes partidários do chamado centrão – bloco da Câmara que reúne legendas como PP, PL, Republicanos, PSD e PTB – parabenizando o governo pela saída do ex-juiz da Lava Jato. Foi o resultado das iniciativas de aproximação entre Bolsonaro e figuras batizadas de “velha política”, tanto pela longevidade na carreira, quanto pelas denúncias e investigações criminais existentes contra elas. Bolsonaro fez acenos a lideranças do centrão nas últimas semanas, abrindo espaço no seu governo para indicações do bloco. O presidente também se aconselhou com dirigentes ligados ao centrão, como o pre-
Ciro Nogueira, presidente do PP, esteve em reunião com Bolsonaro
Lira é um dos favoritos do presidente para o comando da Câmara
sidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI) e o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), para quem gravou até um vídeo em tom amistoso. A
ro nas ruas, segundo pesquisas de opinião. Lira, aliás, é visto como um dos candidatos favoritos de Bolsonaro para suceder
Explicação
Repercussão
Silêncio
Pensão seria por medo de assassinato
Mudança cria clima tenso na PF
Alcolumbre e Maia não se posicionam
O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que a “pensão” mencionada na entrevista de despedida do governo foi um pedido feito quando recebeu convite para o cargo, para que, caso fosse assassinado pelo crime organizado, sua família “não ficasse desamparada”. “Pedi apenas que, já que nós íamos ser firmes contra a criminalidade, especialmente a criminalidade organizada, que é muito poderosa, que se algo me acontecesse, pedi que a minha família não ficasse desamparada sem uma pensão. Foi a única condição que eu coloquei para assumir essa posição específica no Ministério da Justiça”. Ele disse ainda que a concessão dessa garantia dependeria da criação de uma lei que a permitisse.
cia Federal é de preocupação após a exoneração do agora ex-diretor-geral Maurício Valeixo e o consequente pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Há risco de reação interna com a chegada do novo indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. Policiais federais preveem um ambiente mais difícil para a condução dos trabalhos diante de um cenário que sugere a intenção do presidente de interferir na autonomia do órgão. Delegados também demonstram apreensão com as operações de combate à corrupção e dizem que a mudança do diretor-geral e do ministro afeta a credibilidade dos trabalhos da instituição. “Essa manobra do presidente para controlar a PF acaba com nosso apoio ao governo. Se Bolsonaro mantiver o que tem dito e o novo diretor for alguém que o proteja, es-
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APOIO. O alinhamento de
aproximação tem o objetivo de construir uma base no Congresso Nacional, ponto frágil do governo e à perda de popularidade de Bolsona-
Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Câmara. Segundo aliados do presidente, veio de Lira a ideia de devolver ao Palácio do Planalto as
PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS
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SÃO PAULO. O clima na Polí-
Agentes federais criticam saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro
tará sujeito à insubordinação e haverá dificuldade para controlar o órgão”, afirma, sob sigilo, um agente.
O receio não se resume a agentes da PF. Reservadamente, membros do Ministério Público Federal (MPF) de São
Paulo e Curitiba afirmam que a queda de Sergio Moro do Ministério da Justiça foi a gota d’água diante de uma série de atos do governo Bolsonaro para tirar poder dos órgãos de fiscalização e controle. Procuradores se preocupam com o futuro do combate à corrupção no país, com o risco de interferência em investigações sigilosas e citam uma série de medidas do governo que, segundo essa avaliação, prejudicam operações como a Lava Jato. “A verdade pura e simples é que o presidente quer ter acesso a investigações sigilosas e controlar órgãos de persecução penal. É algo que só ocorre em ditaduras”, diz um procurador da República. “Existe uma tentativa de aparelhamento para apadrinhamento de interesses escusos de pessoas investigadas que fazem parte do seu núcleo familiar”, afirma outro procurador.
Bolsonaro a políticos do centrão, porém, abre um flanco na narrativa adotada pelo presidente de ser um político “contra o sistema” e intolerante à corrupção. Líderes que vêm mantendo contato com Bolsonaro, como o deputado federal Marcos Pereira (RepublicanosSP), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tiveram amplo trânsito nos governos do PT e do MDB nos últimos anos. Outro político que elogiou a demissão de Moro e o discurso de Bolsonaro, foi o ex-deputado Roberto Jefferson, cassado em 2005 por conta do mensalão e atual presidente nacional do PTB. O político afirmou que o ex-ministro teria cometido uma “traição” a Bolsonaro.
presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), adotaram o silêncio como estratégia durante o embate entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro como forma de evitar atrair para si ataques da base bolsonarista. Após a confirmação da saída de Moro, Maia passou a sexta-feira analisando se valia a pena mudar o posicionamento. Alcolumbre também pesou os prós e contras de fazer uma manifestação pública sobre a demissão de Sergio Moro. Apesar de silenciarem publicamente, Maia enviou privadamente uma mensagem de apoio a Moro, enquanto Alcolumbre ligou para o ex-ministro.
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BRASÍLIA. Os
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INTERESSA
O TEMPO Belo Horizonte | SEGUNDA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2020 | 13
Emoções. Isolamento pode agravar ainda situações pré-existentes, como ansiedade, angústia e depressão
Consumo excessivo de álcool e drogas na pandemia preocupa REPRODUÇÃO YOUTUBE
Indefinições, medo e carência de lazer podem influenciar falta de controle
Exageros ao vivo. Em uma das primeiras lives dessa quarentena, o cantor Gustavo Lima bebeu muito e depois acabou sendo criticado, pois tal comportamento acaba influenciando fãs e seguidores do artista
¬ PATRÍCIA CASSESE ¬ Cientistas dos mais dife-
rentes campos se debruçam sobre o rol de acontecimentos gerados pela pandemia para tentar delinear o que está por vir. Nesse contexto, o uso desmedido das chamadas substâncias psicoativas é uma das preocupações. Essas substâncias, entre as quais o álcool se inclui, agem principalmente no sistema nervoso central, sendo capazes de alterar a função cerebral e, temporariamente, mudar percepção, humor, comportamento e até consciência. Tais substâncias são subdivididas em três grupos: depressoras, estimulantes e perturbadoras – o álcool inserese na primeira. Com as pessoas confinadas em casa, como saber o limite entre consumo tolerável e excessivo? O programador N.F. conta que tomou um choque ao perceber a quantidade de garrafas que esvaziou nas primeiras semanas da quarentena. “Minha mulher tem o hábito de separar as garrafas para a reciclagem. Com o serviço suspenso, ela passou a armazená-las em caixas de papelão. Certo dia me depa-
rei com o volume de garrafas e, confesso, levei um susto. A maioria delas é de vinho, mas, a partir daquele momento, comecei voluntariamente a me policiar”, relata. N. está trabalhando em home office e sem ir à academia, fechada por ora. Enclausurado, encontrou na bebida, em particular o vinho, uma boa companhia para os momentos de leitura e reflexão. “Mas, agora, só duas taças por dia, no máximo”, assegura. Doutora em Saúde Pública, presidente da Associação Brasileira Multidisciplinar de
Estudos sobre Drogas (Abramd) e psicóloga e psicoterapeuta com ênfase no tratamento dos transtornos relacionados ao abuso de drogas, Luciane Raupp afirma que a situação de isolamento social pode, ainda, agravar situações pré-existentes, como quadros de ansiedade, angústia, depressão, em pessoas pré-dispostas ou que já apresentem algum transtorno. “A indefinição e suspensão da vida nesse momento, a distância nas interações sociais e, principalmente, o quadro de incertezas laborais, econômi-
cas e sociais afetam a todos, de forma mais ou menos aguda”, diz ela, acrescentando que o uso de substâncias tende a aumentar, como uma espécie de busca de lazer. Ela lembra que a interação das pessoas com as substâncias psicoativas é determinada por um quadro complexo, no qual interagem fatores biopsicossociais. “Ou seja, diferenças genéticas, físicas, de gênero, econômicas, culturais, raciais, entre outras; impactam diretamente nas formas e padrões de uso, bem como nos diferentes danos que o
uso problemático de substâncias pode acarretar”. Nesse sentido, algumas lives recentes de cantores sertanejos causaram polêmica por mostrarem os artistas consumindo álcool durante os shows. Poucos dias atrás, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) apresentou uma representação ética contra ações publicitárias de bebida alcóolica especificamente nas redes sociais. No caso da live do cantor Gusttavo Lima, não só o artista foi advertido como a própria Ambev. FLÁVIO TAVARES
Reflexo
Violência doméstica tende a aumentar A psicóloga Luciane Raupp alerta que o álcool é a substância psicoativa mais relacionada à prática de diferentes violências, entre as quais se destaca a doméstica. Informações sobre o aumento do registro de casos de violência dirigida às mulheres e de expedição de medidas protetivas durante o período de isolamento mostram que essa condição social agrava a situação de mulheres vítimas de violência em seus la-
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res. E, nesse contexto, a ocorrência frequente do uso abusivo de álcool atua inegavelmente como facilitador dessas situações, afirma. “Portanto, e precisa ser encarado como uma prioridade para a rede de atenção e proteção à mulher, a qual só é realmente efetiva se bem equipada e capaz de agir com a agilidade e eficácia que essas situações requerem”, afirma Luciane, que defende a promoção de campanhas acessíveis de conscientização. (PC)
A solïdão, os medos e incertezas com a pandemia podem ser gatilhos para maior uso de substâncias
Oportunidade
Isolamento pode ajudar a mudar hábito No caminho oposto das pesquisas que detectam aumento nos pedidos de bebidas em delivery, o jornalista J. N. orgulha-se: “Estou sem beber e sem fumar porque estou preso em casa com minha mãe (risos). Mas vou tentando acreditar que isso faz bem pra mim, que estou me purificando, mudando hábitos. Estou até me sentindo mais disposto”, diz. Professor-titular de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, o médico Ronaldo Laranjeira afirma que houve muitos casos como o de J. N. “Cerca de 80% do consumo de álcool no Brasil acontece fora de casa. Assim, o impacto do fechamento dos pontos de venda foi enorme, a ponto de a própria Ambev estar com uma linha de financiamento (para ajudar aqueles mais impactados com a diminuição das vendas)”. Para ele, do ponto de vista da saúde pública, essa situação tem um lado positivo. “Mas, por outro lado, é complexo, pois o próprio confinamento deixa as pessoas mais ansiosas e mais deprimidas”.
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14 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEGUNDA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2020
Editorial
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O.PINIAO
APELO À RAZÃO A demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça na semana passada abriu uma nova face na crise que o país tem vivido. Ao deixar a pasta – que já chegou a ser chamado de “superministério” tanto pela popularidade do ocupante quanto pela responsabilidade conferida a ele pelo presidente da República –, Moro fez duras acusações. Em sua resposta, Bolsonaro cercou-se de todo o seu ministério para mostrar que o governo segue unido e atuante. Não se pode menosprezar o alcance dessa ruptura ou seus impactos. Prova disso é o procedimento que o Supremo Tribunal Federal iniciará hoje para esclarecer os fatos e suas implicações legais. É uma boa notícia que a cargo dessa tarefa esteja o membro mais experiente da Corte, Celso de Mello. Politicamente, a turbulência não poderia ser maior. Mas não se deve esquecer que as mortes pelo coronavírus, que já passam de 4.000, não vão parar de ocorrer. As emergências e as UTIs ainda terão de continuar se equilibrando entre o número crescente de casos e a gestão de recursos escassos. O colapso do sistema permanecerá como espada sobre a cabeça dos gestores da saúde. Com lojas e indústrias fechadas, também não deixarão de existir os milhões de desempregados ou os cerca de 50 milhões de autônomos e informais que dependem do auxílio emergencial para sobreviver na crise. O rombo estimado nas contas públicas de quase meio trilhão de reais continuará sendo um desafio a ser equacionado. Por isso, é preciso não incendiar ainda mais a situação, mas confiar no Judiciário e respaldar as instituições para que possamos solucionar, com racionalidade, segurança e eficácia, não apenas a crise política, mas os desafios da saúde e da economia que ameaçam a totalidade dos brasileiros.
FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO
Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães
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Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira
OPINIÃO
Duke
www.dukechargista.com.br
LAURA SERRANO Deputada estadual (Novo) contato@lauraserrano.com.br
R$ 11 milhões do seu dinheiro para combater a Covid-19 Ações técnicas e efetivas para preservar vidas em Minas Gerais
A
situação de calamidade pública em Minas Gerais foi decretada pelo governador Romeu Zema há pouco mais de um mês. Desde então, as principais ações do meu mandato se voltaram para a prevenção e o combate à Covid-19 e seus efeitos. A atuação mais recente foi o remanejamento de mais de R$ 1,1 milhão em emendas parlamentares para a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) na ação criada especificamente para o combate epidemiológico ao novo coronavírus. Tal remanejamento foi possível com a aprovação, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), do Projeto de Lei 1.750/2020, que cria o programa de enfrentamento dos efeitos da pandemia ocasionada pela Covid-19. Esse recurso será alocado na compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o que permitirá que mais profissionais da saúde trabalhem com segurança. De acordo com a Anvisa, o acesso a esses EPIs durante o atendimento hospitalar também é essencial para que haja um controle mais efetivo da disseminação do novo coronavírus. A título de exemplo, com esse valor podem ser adquiridas mais de 60 mil máscaras N95, ou quase 120 mil óculos de proteção, ou cerca
de 40 mil pares de luvas. Destaco também a aprovação na ALMG da redução temporária de 30% nas verbas indenizatórias para custear os gabinetes parlamentares de forma que os recursos sejam destinados ao combate à pandemia. Esse projeto é coerente com um de meus principais compromissos de mandato: reduzir privilégios e mordomias, por meio de gabinete mínimo, recusa a regalias e uso responsável do dinheiro público. Economizo, em média, mais de 80% das verbas indenizatórias. Somente em meu primeiro ano de mandato, já economizei no total cerca de R$ 2,6 milhões. O montante economizado no ano passado pela ALMG foi devolvido ao governo de Minas para ser investido na saúde pública. Apenas com essa economia do meu primeiro ano de mandato é possível, por exemplo, adquirir quase 30 ambulâncias ou 20 ventiladores pulmonares, ou, ainda, cerca de 675 mil máscaras de proteção facial. Cabe também salientar a destinação de mais de R$ 2,2 milhões em emendas parlamentares que realizei aos Fundos Municipais de Saúde. Este recurso foi alocado, em sua maioria, para a atenção primária à saúde nos municípios, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), e, consequentemente, linha de frente no primeiro aten-
dimento a pacientes que possam estar infectados pela Covid-19. Além disso, destinei outros R$ 2 milhões para custeio de hospitais, dois micro-ônibus e uma ambulância. Minhas indicações de emendas parlamentares são baseadas em critérios técnicos. Certamente essas unidades contribuirão para o atendimento da população de cidades do interior neste momento tão preocupante. No que tange aos efeitos da pandemia para a população de baixa renda, abri mão de indicar R$ 3 milhões em emendas parlamentares de forma que esses recursos continuem nos cofres do Estado e que o governo de Minas possa, com esse saldo a mais, ampliar o programa Bolsa Merenda e alimentar pelo menos mais 15 mil crianças de famílias abaixo da linha da pobreza. No total, direcionei aproximadamente R$ 11 milhões em dinheiro dos contribuintes mineiros para o combate à pandemia e seus efeitos, colaborando para que as ações sejam mais técnicas e efetivas e que mais vidas sejam preservadas. Não faço mais do que minha obrigação como deputada estadual e servidora pública. Um Estado liberal deve focar o que realmente importa para os cidadãos – saúde, educação e segurança –, e, neste momento, investimentos em saúde são fundamentais.
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OPINIÃO
x
entre aspas
“Vamos precisar de força e coesão para colocar o país em crescimento.” Armando Castelar Pinheiro
“É uma oportunidade autêntica para fazer as coisas bem feitas para o futuro.” Antonio Guterres
COORD. DE ECONOMIA APLICADA NA FGV
SECRETÁRIO GERAL DA ONU
Sobre a retomada da economia
Acerca das mudanças no planeta
Ricardo Lebourg Chaves
Harmonização de razão, teologia e fé
Advogado, professor de direito e cristão gnóstico ricardolebourg@yahoo.com.br
São Clemente de Alexandria e a patrística
S
egundo vários historiadores pós-modernos, Clemente de Alexandria ou Tito Flávio Clemente foi um grande filósofo, teólogo e apologeta ligado ao início do cristianismo. De fato, esse pensador de cultura helênica nasceu possivelmente no ano 150 d.C., em Atenas, na Grécia, bem como é considerado, por vários biblistas contemporâneos, um dos principais membros da patrística. Assim, a patrística é, historicamente, uma escola filosófica e teológica responsável pela estruturação das bases doutrinárias, filosóficas, espiritualistas e dogmáticas da cristandade primiti-
va e medieval. Conforme ainda alguns pesquisadores, Clemente e a patrística representaram, para a sua época, um significativo avanço no que se refere ao processo de sistematização do pensamento e da fé judaico-cristã, bem como foram responsáveis, igualmente, pela consolidação dos principais valores éticos e morais vinculados, tradicionalmente, à cristandade primitiva. No que tange ainda à sua vida, esse renomado cristão grego foi, também, um grande seguidor e consequente divulgador da filosofia neoplatônica, pois a sua filosofia consubstanciava-se, em grande parte, nos en-
sinamentos místicos e esotéricos de Plotino de Licópolis. Além disso, e não obstante a enorme influência do misticismo e do esoterismo neoplatônicos no que se refere à sua filosofia, Tito Flávio foi, lamentavelmente, um grande adversário de algumas ideias filosóficas defendidas pelos cristãos gnósticos, os quais, como sabemos, seguiam uma linha espiritualista muito diversa da consagrada pela ortodoxia política ligada ao império romano e, posteriormente, à própria Igreja Católica. Logo após a sua conversão ao cristianismo, esse pensador católico desenvolveu inúmeros trabalhos de conteúdo filosófico jun-
to à tradicional escola de Alexandria, no Egito. Assim, Clemente procurou, nesse período histórico, conciliar as revelações divinas ensinadas pelo Cristo com o pensamento racional helênico, harmonizando, por conseguinte, razão, teologia e fé. Observese, ainda, que esse ex-santo católico foi um grande exegeta das Escrituras Sagradas, bem como foi responsável pelo processo de catequização de vários cristãos de seu tempo. Ademais, Clemente deixou uma vasta literatura filosófica e teológica, a qual continua sendo, sem dúvida, referência para os estudiosos e catedráticos do cristianismo pós-moder-
no. Assim, e no que tange ainda às suas obras, podemos citar, exemplificando, “Exortação aos Gregos”, “Disposições”, “Pedagogo” e “Miscelânia”. Malgrado a sua enorme importância para a cristandade primitiva, Tito Flávio foi, infelizmente, vítima de várias perseguições religiosas e acabou falecendo foragido no ano de 215 d.C., na Palestina. Lembramos, por fim, que a patrística revelou, além de são Clemente, outros grandes pensadores vinculados ao cristianismo primitivo, como, por exemplo, Agostinho de Hipona, Orígenes de Alexandria e Jerônimo de Estridão.
Jacqueline Caixeta
Desafio de pais, escolas e professores
Educadora jacquecaf@hotmail.com
FACEBOOK/PORTALOTEMPO
José Pedro Naisser
Quando questionamos se temos nosso anjo da guarda, podemos dizer que sim, porque todo esse povo das cracolândias continuam excluídos das políticas públicas, porém seus anjos da guarda não os esquecem.
FGTS Wanderson Douglas
Em relação ao noticiado em “Saques do FGTS sob avaliação” (Coronavírus, 16.4), eu ficaria aliviado – e sei que milhares de brasileiros também – se ficasse isento do Imposto de Renda neste ano.
Rodrigo Maia A. José
Rodrigo Maia deveria ser mais patriota e não fazer média com governadores visando a 2022. Ele já foi cotado para ser vice de Luciano Huck. Agora, dar bilhões de reais que não são dele, mas do povo lesado e sofrido do Brasil, sem contrapartidas é uma vergonha.
Filosofia Kléber Pereira Gonçalves
“A vida não é uma pergunta a ser respondida, é um mistério a ser vivido” (Buda) As cartas enviadas para esta coluna devem ter, no máximo, 400 caracteres.
A
escola não sabe se realmente continuará garantido o que a Constituição diz. Com certeza, a educação não chegará para todos, não há equidade no sistema em ensino a distância (EAD), a educação pública não atingirá aqueles que não têm computador, celular e acesso à internet. Infelizmente no Brasil, a rede é uma conta cara para grande parte da população. Então, na angústia e na incerteza de que suas aulas virtuais não chegarão para todos os seus alunos, os professores continuam gravando e disponibilizando aulas, mesmo sabendo que estão excluindo muitos. Para um educador de verdade, saber que a educação que fornece exclui dói muito. A escola particular trava uma luta para fazer com que os pais entendam a importância de continuar pagando as mensalidades, porque os professores e toda a equipe pedagógica continuam trabalhando (e muito) e recebendo seus
salários. Ao mesmo tempo, entendem o quanto, para alguns pais, será difícil cumprir com o pagamento. Ela é regida por leis e sindicatos que negociam e renegociam a cada amanhecer. Nenhum dono de escola está conseguindo garantir aos pais quando a escola vai abrir, mas são enfáticos em comunicar que todas as horas exigidas em lei serão cumpridas. Haverá, sem dúvida alguma, grandes esforços em prol do cumprimento. Lidam com as dificuldades financeiras oriundas do vírus e a incerteza do funcionamento se houver perda de alunos. Os pais estão enlouquecendo em casa. Infelizmente, muitos deles não tinham o hábito de acompanhar a vida escolar dos filhos e agora, com toda essa tecnologia explodindo na cabeça deles, não tem sido fácil mesmo. Uns reclamam que têm muitas atividades, enquanto outros reclamam que têm poucas. Muitos conseguem organizar uma rotina de estudos,
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Flexibilização
aBelo Horizonte não é José David Gonzaga Mota
Coronavírus e educação
Cracolândia
a
outros não. Enfim, agora, mais do que nunca, os pais estão sendo obrigados a participar da vida escolar dos filhos, e isso, aliado ao fato de estarem em casa com tarefas do lar e trabalho online, tem sido desafiador. Os professores estão se desdobrando entre planejar e gravar aulas. Sem terem a tecnologia adequada, fazem videoaulas com o que possuem e buscam o melhor para seus alunos. Também temem a incerteza do emprego, do salário depositado no dia certo. Será que terão como cumprir seus compromissos financeiros? E seus alunos? Estão mesmo aprendendo? Será que conseguiram entender o que eles disseram na videoaula? Como saber? Como avaliar? A educação vive um momento desafiador, não temos respostas para muitas perguntas, apenas uma única certeza: mais do que nunca, a tão falada parceria escola e família terá que acontecer de maneira tranquila, segura e confiável.
uma cidade isolada, distante, mas o centro de uma grande região metropolitana. Quaisquer decisões sobre flexibilização das medidas de isolamento devem ser tomadas em conjunto com as cidades que a compõem. Caso contrário, todos nós seremos prejudicados.
Saúde
aProfissionais da saúde Rosa Soares
trabalhando e se expondo à Covid-19, pacientes morrendo asfixiados por falta de respiradores e de vagas em UTIs, enquanto políticos continuam com seus privilégios, sem devolver o que roubaram dos cofres públicos, e o nosso presidente vai se exibindo.
Magazine
aCongratulo O TEMPO Marcus Vinícius Terra
pelo retorno das seções Astrologia e Cruzadas Diretas ao Magazine.
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Televisão Manu, Rafa ou Thelma? Quem será a campeã da atual temporada que chega ao fim hoje com uma trajetória de sucesso
Reality se reinventa, ganha fôlego, e 20ª edição entra para a história FOTOS GLOBO/DIVULGAÇÃO
O que você faria com R$ 1,5 milhão ?
MANU “Sempre investi muito em projetos ligados às artes e à comunicação. Gosto muito de música, cinema e teatro. Com certeza eu investiria mais nesse campo.” ¬ RENATO LOMBARDI ¬ Após três meses de confi-
namento, o “Big Brother Brasil 20” se despede hoje da telinha da Globo. Logo mais, o público vai conhecer quem vencerá a disputa e levará para casa o prêmio de R$ 1,5 milhão: Manu, Rafa ou Thelma ? A grande final, entretanto, não vai coroar como campeã somente uma dos três últimas moradoras da casa, mas também festejar a bem-sucedida temporada do reality show. A expectativa em torno do “BBB 20” era grande desde o ano passado. Afinal, Boninho, diretor geral do programa, havia prometido fazer uma temporada histórica para comemorar as 20 edições do reality – o programa estreou em janeiro de 2002. A ideia também era deixar no passado a temporada 2019, que em nada empolgou o público e não registrou bons índices de audiência. Seria um sinal de desgaste da fórmula do “BBB”? Boninho e sua equipe se
empenharam em mostrar que não. E conseguiram. A 20ª edição chega ao fim como sucesso de audiência – ela atingiu a média geral de 25 pontos, ficando em terceiro lugar no ranking das temporadas do reality mais vistas da década. Além disso, estima-se que a Globo tenha arrecadado, só em patrocínio (aqueles anúncios que aparecem antes de o programa começar) a bagatela de R$ 255,6 milhões – um recorde. Soma-se a isso o número de votações recordes – o Paredão entre Felipe Prior, Manu e Mari registrou mais de 1,5 bilhão de votos, fato nunca ocorrido na história do programa. O reality também conseguiu um grande engajamento nas redes sociais, algo inédito no “BBB”. “Sem novelas originais para exibir, sem futebol, sem atrações matinais tradicionais e com reprises de programas de auditório, a Globo viu o ‘BBB 20’ se transformar na sua maior arma no campo do entretenimento”,
RAFA “A Eu sou embaixadora de uma ONG na África. Caso eu ganhe, vou doar para eles 100% do prêmio e construir uma comunidade com acesso à escola e hospital.” explica o crítico de TV Maurício Stycer, em referência à pandemia do coronavírus, que levou a emissora carioca a suspender a maioria de suas produções. “Fato inédito, a emissora até estendeu a duração do reality por mais quatro dias”, completou ele, citando o fato de a final do programa, antes prevista para o dia 23 de abril, ter sido adiada para hoje. POR TRÁS DO SUCESSO. Uma
série de fatores contribuiu para que o “BBB 20” atingisse esse sucesso estrondoso, aponta Stycer. O primeiro, segundo ele, é o fato de o confinamento contar com a presença de famosos. “Pela primeira vez, nove figuras já conhecidas fizeram parte do elenco junto com nove anônimos. Ainda que muito vantajosa aos famosos, a mistura funcionou e gerou ótimos momentos”, ressaltou. As polêmicas, como sempre, marcaram presença, só que, desta vez, as tretas começaram na primeira semana. A
proposta da maioria dos homens em desestabilizar algumas mulheres da casa influenciou boa parte do jogo e repercutiu muito mal do lado de fora. Acusada de machismo, a ala masculina enfrentou grande rejeição do público. A rivalidade entre famosos também é um dos fatores que, segundo Mauricio Stycer, fizeram despertar a atenção do público. Bianca Andrade e Rafa Kalimann, que não se davam bem aqui fora, discutiram feio no programa. Manu Gavassi e Mari Gonzalez também andaram se estranhando. E os conflitos não aconteceram só dentro da casa. Os famosos confinados atraíram a audiência de outros famosos, que fizeram questão de declarar para quem estavam torcendo. “Fora do programa, outras celebridades, como Felipe Neto, Gabigol e Bruna Marquezine, manifestaram seus gostos e antipatias com participantes famosos, insuflando as redes sociais”, exemplificou Stycer.
THELMA “Quando eu entrei aqui, era só minha família e meus amigos. Vocês (o público) me colocaram na final. Agora, eu quero sair do aluguel e ajudar minha família.”
Marcas
Protagonista-vilão e recorde de paredão entre os destaques Como em toda temporada do “BBB”, há quem se destaque e quem passa batido. Na 20ª edição do reality show, Maurício Stycer aponta Felipe Prior, visto por muitas pessoas como vilão, como um dos protagonistas. “Confiante, ele enfrentou abertamente os adversários no jogo, articulou jogadas mirabolantes e mostrou muita autenticidade, ainda que nem sempre de forma positiva”, acredita o crítico, destacando o fato de que Prior foi eliminado no Paredão com maior número de votos da história e que, aqui fora, foi acusado por três mulheres de cometer atos de violência sexual. Babu também é considera-
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do um protagonista do “BBB 20”. O ator foi indicado dez vezes ao Paredão, recorde de todas as edições – ele acabou sendo eliminado anteontem. “Carismático, apesar do eventual mau-humor, inteligente e afável com os amigos, Babu deu aulas contra racismo e preconceito racial no programa”, ponta Maurício Stycer. No time feminino, o destaque é Manu Gavassi. Para Stycer, a atriz e cantora não teve uma participação extraordinária, pois demorou para entrar no jogo. “Ela conta com o maior e mais barulhento fã-clube”, opinou ele. (RL)
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FOTOS INSTAGRAM REPRODUÇÃO
PANDORA
A atriz Fernanda Paes Leme mostra os cuidados com o rosto no Instagram
A cantora Anita exibe tratamento facial feito em casa
Spa caseiro ¬ LORENA K. MARTINS ¬ Com a medida de isolamento so-
cial para conter o avanço da pandemia do coronavírus, os salões de beleza foram fechados por tempo indeterminado. Com isso, muitas pessoas recorreram ao “Do It Yourself” (DIY), o famoso “faça você mesmo”, e têm se virado dentro de casa para manter o cuidado com os cabelos e a pele (e outros rituais de beleza) em dia. De acordo com a visagista e hairstylist do salão de beleza Maison Rocha Rosângela Rocha, o simples cuidado com a aparência durante a quarentena pode fazer toda a diferença. “Quando cuidamos do visual, nosso humor e autoestima também são beneficiados. Afinal, qualquer mudança no exterior tem uma ação direta no nosso interior”, acredita. No site Pinterest, uma plataforma online de pesquisas e inspirações, as buscas por “autocuidado em casa” tiveram um aumento de 332% no período de isolamento, o que prova que as pessoas estão descobrindo novas formas de cui-
dar delas mesmas e procurando produtos para ajudá-las a recriar tratamentos habituais de beleza em casa. No início da quarentena, a apresentadora Isabella Fiorentino compartilhou em suas redes sociais algumas dicas de como pintar os próprios fios brancos do cabelo. No tutorial, ela mostrou o passo a passo de como faz em sua casa. “Já que está todo mundo reclamando de cabelo branco, precisando se virar, vou dar uma dica. Mas é só em caso de emergência. Não abandonem seus cabeleireiros, por favor”, disse. Por outro lado, encarar os dias isolados pode ser também uma boa oportunidade para dar um tempo na maquiagem e, consequentemente, renovar e cuidar da pele. Anitta, Fernanda Paes Leme e Deborah Secco estão reconhecendo os benefícios de investir na rotina de skincare, compartilhando cliques com a pele natural e cuidada. Para facilitar o seu spa em casa, convocamos especialistas para ensinar que cuidados ter.
Receitas Por Alberto Cordeiro, dermatologista especialista em cosmiatria da Horaios Estética Máscara caseira para peles ressecadas Ingredientes: 1/2 abacate 1 colher de sopa de mel ou óleo de amêndoas Modo de preparo: Amasse o abacate até virar uma pasta. Em seguida, acrescente o mel ou óleo de amêndoas na mistura. Aplique em todo rosto, aguarde de 10 a 15 minutos e enxágue. Máscara para peles oleosas e com acne Ingredientes: 5 morangos 100 mL de iogurte desnatado Modo de preparo: Em um liquidificador, coloque os morangos e o iogurte e bata até formar uma pasta. Retira do liquidificador e aplique a máscara em toda a face. Deixe agir de 10 a 15 minutos, logo em seguida, enxague.
Depilação Regina Jordão, CEO e fundadora do Instituto Pello Menos, explica que, na hora de fazer a depilação com cera quente em casa, há risco tanto de queimar quanto de machucar a pele na hora da remoção do produto, que requer uma técnica profissional. “Por precaução, opte por métodos menos perigosos, ainda que o resultado estético não seja o esperado. É preciso ter em mente que essa fase é passageira”, sugere ela. O melhor é optar pelo método de cera fria ou mesmo com lâminas.
Como fazer. Use lâminas novas e de boa qualidade. É preciso descartá-las após o uso. “Jamais use lâminas que ficaram expostas no banheiro, pois o material pode enferrujar ou haver contaminação por fungos, já que estes gostam de locais úmidos”, alerta a profissional. Preparação. Uma dica legal é fazer uma esfoliação com cremes específicos para a pele antes da depilação. “Faça movimentos circulares, massageando a cútis para eliminar as células mortas e retirar a camada danificada da superfície. Esse cuidado ajuda a reduzir os pelos encravados e faz a depilação durar um pouco mais”, ensina.
Rituaisdebelezanaquarentena? Especialistasdãodicasdecomo cuidardapeleedoscabeloseaté comofazerdepilaçãoemcasa
Tintura capilar Raiz aparente ou incômodo com os fios brancos que começaram a surgir na quarentena? Vale investir em tinturas e tonalizantes para aplicar em casa. Mas o procedimento requer alguns cuidados. De acordo com a tricologista Viviane Coutinho, deve-se reforçar a hidratação dos fios antes do processo químico. “Invista em óleos vegetais, como o de abacate e o de macadâmia”, explica a especialista, que enfatiza que é necessário seguir também as recomendações do fabricante da tintura na hora de tingir a madeixa. Aplicação. Vai pintar todos os fios, da raiz à pontas? Então use a própria bisnaga do kit da tintura e espalhe com as mãos com auxílio de luvas. Outra dica é dividir o cabelo em mechas da largura de mais ou mePIXABAY nos um dedo. “Mas se for apenas um retoque na raiz, vale misturar a tinta em um recipiente e pintar com pincel. O tempo de ação varia entre 30 a 40 minutos e, depois, é só lavar”, alerta a hairstyst Gigliola Almeida, do salão de beleza Gigliola Studio. Lembrando que é aconselhável usar roupas que possam ser manchadas sem problemas. Preparo. A profissional ainda explica que, para pintar os fios, é preciso deixar de lavar a cabeça por dois dias e aplicar a tinta com ele seco. “A oleosidade natural do cabelo e principalmente do couro cabeludo protege a pele da química da tinta”, alerta. Hidratação caseira. Rosângela Rocha, do salão de beleza Maison Rocha, sugere reforçar a hidratação não só na face, mas em áreas mais secas da pele, como cotovelos e joelhos, que costumam ressecar com mais facilidade. “Em casa, pode-se optar por produtos caseiros, como açúcar e mel. Essa combinação, além de remover células mortas, hidrata a pele”, aponta.
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MAGAZINE
Tira Gosto
Astrologia
Zoé e Zezé
Previsões por OSCAR QUIROGA quiroga@astrologiareal.com.br
PAZ E EQUILÍBRIO Rua Paraíso Lua cresce em Gêmeos e Câncer.
T
rata com cautela tua necessidade de paz interior e equilíbrio, porque apesar de se apresentar com argumentos dignos e elevados, tu precisas saber que o Universo inteiro, e tu junto com ele, existe graças ao tênue desequilíbrio entre a matéria e a antimatéria, porque se equilíbrio absoluto existisse entre estas duas, se aniquilariam mutuamente e o Universo deixaria de existir. É aceitável que experimentes um cansaço tal que te leve a ansiar pela paz total, pelo equilíbrio, porém, a esta altura do campeonato tua experiência pessoal, e a observação de como tudo é para todo mundo, te oferece argumentos sólidos e práticos para constatar que a experiência de viver é complexa e desequilibrada, e que tua paz interior não depende de deixar de viver isso, mas de administrar a realidade com destreza, isso sim.
Áries (21/3 a 20/4)
As divisões de tarefas e lucros precisarão ser feitas da melhor maneira possível, contemplando todos os detalhes envolvidos. Isso, com certeza, não será nada fácil, nem muito menos atrairá simpatia sobre você.
Touro (21/4 a 20/5)
Enquanto você continuar lutando contra obstáculos, continuará também perdendo de vista a razão de ser desses obstáculos, que é o ardor que motiva você a realizar conquistas e continuar prosperando. Gêmeos (21/5 a 20/6)
As demoras que você experimenta em tudo que deseja realizar hão de servir para você amadurecer melhor suas ideias, e não para arraigar ressentimentos por nada ser como você o deseja. Passe rápido pelo que é negativo. Câncer (21/6 a 21/7)
A boa vontade nem sempre traz resultados positivos, porque em muitos casos o mau humor reinante é tão denso, que nem a presença divina faria qualquer diferença. Faça o possível, mas não exija demais de si. Isso não.
Leão(22/7 a 22/8)
Tudo é uma escolha e nem sempre a alma tem lucidez suficiente para fazer a escolha certa. Por isso os dilemas, porque a alma humana precisa de tempo para se esclarecer diante das bifurcações e encruzilhadas. Tome seu tempo.
Virgem (23/8 a 22/9)
Certas tarefas não são do seu agrado, mas caíram em seu colo e não há como fingir que você não tem nada com isso, ou que seria possível as empurrar para que outras pessoas as executem. Está tudo dentro do necessário.
Libra (23/9 a 22/10)
As dificuldades de outrem são suas também, porque se há uma coisa que a pandemia deixou clara é a não existência de vidas individuais, mas o funcionamento da humanidade como um grupo. Constatação difícil de engolir.
Escorpião (23/10 a 21/11)
Brincadeiras à parte, há assuntos que merecem posicionamentos sérios, e as pessoas que evitam essa atitude acabam agregando complicações desnecessárias ao processo de retomada de uma mínima normalidade. Sagitário (22/11 a 21/12)
Evite prometer o que não será possível cumprir, porque dar o dito pelo feito é que trouxe grande declínio ao mundo. Este é um momento em que há de haver a maior fidelidade possível entre as palavras e as práticas. Capricórnio (22/12 a 20/1)
Se os planos não forem adaptados à realidade atual, então as circunstâncias se encarregarão de os jogar por terra. Tudo anda acontecendo com extrema rapidez, por isso, mantenha a mente lúcida e atenta.
Aquário (21/1 a 19/2)
Um pouco de leveza não faria mal a ninguém, porém, na prática isso não é assim, porque quando uma pessoa escolhe se aprofundar no mau humor, nem o aparecimento do próprio divino à sua frente a tiraria dessa condição.
Peixes (20/2 a 20/3)
Tudo que não deveria ser falado acabou sendo dito e, assim, você verifica que, uma vez que as palavras são proferidas, não há como as recolher depois. Este é um momento de comunicação truncada e mal interpretada.
Cruzadas diretas
O TEMPO BELO HORIZONTE | SEGUNDA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2020 | 19 TEL: (31) 2101-3938 e-mail: cidades@otempo.com.br Atendimento ao assinante: 2101-3838
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Embaixadores da Educação. Desafio#ForaCoronaVirus propõe que estudantes criem conteúdos inovadores
Jovens põem redes sociais para trabalhar contra a Covid-19 Vídeo, foto, rap e meme servem para conscientizar sobre o valor da prevenção
cantando um rap em que ensina como se prevenir do vírus. A estudante diz que o desafio é muito importante para ajudar as pessoas que não têm tanto acesso a informação sobre os cuidados necessários. “Para mim está sendo bem tranquilo. Eu consigo me prevenir, mas outras pessoas não têm tanto recurso, e o desafio ajuda a aumentar a visibilidade da prevenção”, conta Evelyn.
¬ DANIELE FRANCO ¬ Viralizar mais rápido do
que o novo coronavírus. Essa é a proposta de uma campanha criada pela Organização da Sociedade Civil (OSC) mineira Embaixadores da Educação para levar informações e instruções sobre cuidados a alunos de escolas públicas de todo o Brasil. O Desafio#ForaCoronaVirus propõe aos adolescentes a criação de conteúdos para redes sociais sobre a prevenção contra o vírus. Alunos entre o sexto ano do ensino fundamental e o terceiro do ensino médio são convidados a criar conteúdos informativos e criativos sobre como evitar a Covid-19 e a divulgá-los no Instagram, no Tiktok e no Twitter. O material pode ser vídeo, foto, meme ou infográfico. Além de ajudar na conscientização, o desafio funciona como concurso cultural, e os melhores serão premiados. Os participantes concorrem a prêmios como bolsas de estudo e um iPhone de última geração. Segundo uma das idealizadoras do desafio e fundadora da Embaixadores da Educação, Guilhermina Abreu, a pandemia levou a ONG a pensar novas formas de continuar o trabalho. “O nosso objetivo é formar os jovens de escolas públicas para que eles sempre se coloquem no lugar de solução e se proponham a ajudar a resolver desafios sociais, e, quando veio o coronavírus, pensando nos desafios das comunidades com menos recursos nesse contexto, resolvemos criar essa iniciativa usando as redes sociais”, diz. SOLIDARIEDADE. A estudante
Evelyn Santos, 15, mora em Sabará e entrou na onda do desafio. Ela publicou um vídeo no qual aparece
DIVULGAÇÃO
REPRODUÇÃO INSTAGRAM EMBAIXADORES DA EDUCAÇÃO
“Eu consigo me prevenir, mas outras pessoas não tem tanto recurso, e o desafio ajuda a aumentar a visibilidade da prevenção.”
“Por isso pensamos nesse formato de desafio, porque ninguém melhor para falar na língua deles do que eles mesmos.”
Evelyn Santos, 15
Guilhermina Abreu
Estudante
Fundadora do Embaixadores da Educação
A estratégia da ONG é usar influenciadores digitais e a força das redes sociais com maior apelo entre a geração Z para divulgar a campanha. O Tiktok transformou o Desafio#ForaCoronaVirus em uma campanha oficial da plataforma, e vários youtubers com grande audiências e se mobilizaram para divulgar os trabalhos dos jovens. “O principal desafio para levar conscientização para a geração Z é produzir conteúdo na linguagem deles. Por isso pensamos nesse formato, porque ninguém melhor para falar a língua deles do que eles mesmos”, explica Guilhermina. Para participar, o aluno deve produzir um conteúdo educativo, sendo foto, vídeo, meme ou infográfico, com o objetivo de conscientizar sobre a importância da prevenção contra o coronavírus. Em seguida, o conteúdo deve ser postado no Instagram, TikTok ou Twitter (no feed) com a hashtag #ForaCoronaVirus, marcando o perfil @embaixadoresedu. O conteúdo deve ser enviado pelo site (www.foracoronavirus.co m.br) e estar disponível no perfil até o fim da campanha. As postagens serão analisadas por uma comissão de avaliação, e serão premiados os conteúdos mais criativos, informativos e com maior repercussão. Inscrições de trabalhos vão até o dia 30 de maio em www.foracoronavírus.com.br
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SUPER.FC www.superfc.com.br - Belo Horizonte - Segunda-feira, 27/4/2020 TEL: (31) 2101-3921
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R$ 13 milhões. Atlético tinha verba para quitar débito hoje, mas presidente diz que alta do euro deixa clube sem o valor suficiente
Dívida na Fifa ameaça Galo de perder pontos UARLEN VALERIO-16.9.2018
¬ DA REDAÇÃO ¬ O Atlético ten-
tou adiar o pagamento das dívidas de duas ações contra o clube na Fifa, mas não obteve sucesso: a data final seria hoje, sob pena de perder nove pontos no Campeonato Brasileiro. O maior valor refere-se à contratação do atacante Maicosuel junto à Udinese, da Itália, em 2014. O total atualizado é de cerca de R$ 13 milhões. Por essa dívida, o clube pode perder seis pontos, ca-
so não faça o pagamento. Já a outra dívida, pelo meia Otero, contratado em 2016 junto ao Huachipato, do Chile, é de R$ 335 mil. Caso não seja quitado o valor, o Atlético pode perder três pontos. Para quitar as dívidas, o Atlético já tentou fazer empréstimos e pode ter que atrasar salários de jogadores e funcionários do clube. Ao Blog do Perrone, no portal Uol Esporte, o presidente Sérgio Sette Câmara fez um desabafo. “Não vou ter condição de pagar o salário de nin-
guém, de atleta, de comissão técnica, de funcionário e não vou conseguir pagar a Fifa no valor total. O dinheiro que eu tinha para pagar, R$ 10 milhões, pelo câmbio, virou mais de R$ 13 milhões (o valor devido)”, disse. “Tentei todos os tipos de empréstimo, mas não consegui. Os bancos menores cortaram a conta garantida dos clubes. Os bancos maiores não estão mantendo mais aquele cheque especial com os clubes. Então, secaram todas as fontes”, completou.
Presidente Sérgio Sette Câmara disse que o clube está correndo risco de ser penalizado no Brasileirão
Duke
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SUPER.FC
Superconquistas. Célio Lúcio e Roberto Gaúcho relembram títulos faturados na década de 90 e comparam com época atual
Base campeã foi a receita celeste BRUNO HADDAD/CRUZEIRO-26.1.2020
¬ LOHANNA LIMA ¬ A manuten-
ção de jogadores é sempre citada por atletas e dirigentes como um dos fatores determinantes para que uma equipe possa conseguir grandes conquistas. Nos últimos anos, o futebol brasileiro tem sofrido com a dificuldade de se manter a base de um time por algumas temporadas. Isso ocorre seja pelo assédio de outros clubes de dentro ou de fora do país ou pela necessidade de se fazer dinheiro com as vendas. Na década de 90, o Cruzeiro conquistou vários títulos nacionais e internacionais, e um dos segredos para uma época tão vitoriosa foi exatamente a manutenção de jogadores importantes. Alguns atletas campeões da Copa do Brasil de 1993 não só estiveram nas edições anteriores da Supercopa como permaneceram no clube por outros anos, levantando outros títulos importantes, entre eles, a Copa do Brasil de 1996 e a Libertadores de 1997. “O grande segredo de um time de futebol é a manutenção da base, é manter seis ou sete jogadores de um ano para o outro. O Cruzeiro fez isso por vários anos, com Nonato, Boiadeiro, Paulo Roberto, Ademir, Cleison e eu. O Cruzeiro trazia jogadores pontuais, não é como hoje, quando os clubes buscam vários atletas por ano e quebram a instituição, como
Pandemia
Fim do futebol hermano ¬ BUENOS AIRES, ARGENTINA ¬ A temporada do futebol
argentino será encerrada devido à pandemia do novo coronavírus. A informação é do jornal “Clarín”, que publicou que amanhã a decisão se tornará oficial. O ato ocorre com o cancelamento da Super League Cup, com 24 clubes, que teve apenas uma rodada disputada, em março. A Superliga (Campeonato Argentino) já havia sido encerrada com o Boca Juniors campeão.
aconteceu com o Cruzeiro. Tive propostas de Corinthians, São Paulo, Flamengo, do Japão. O Renato Gaúcho tentou me levar para o Flamengo depois que vencemos a Supercopa de 1992, e eu não quis”, comenta o exatacante Roberto Gaúcho. LIBERTADORES. Na conquista
da Libertadores de 1997, o Cruzeiro teve quatro jogadores remanescentes do título da Copa do Brasil de 1993: Célio Lúcio, Nonato, Roberto Gaúcho e Cleison. Alguns que conquistaram a Copa do Brasil de 93 já haviam sido campeões da Supercopa anteriormente, e outros ficaram até 95, quando também faturaram a Copa Master da Libertadores e a Copa Ouro, mostrando que a manutenção trouxe, de fato, bons frutos ao clube, como reforça o ex-zagueiro Célio Lúcio. “A conquista da Copa do Brasil de 1993 foi superimportante para as outras que tivemos também, principalmente em nível nacional. O valor de uma conquista como essa foi muito importante, pois deu moral para os atletas, para a diretoria. Houve uma reformulação, mas não muito grande, do time bicampeão da Supercopa em 92. Sempre tivemos uma mescla de atletas jovens e experientes, tivemos atletas acostumados a vencer, e isso faz a diferença em qualquer equipe”, recordou o ex-zagueiro Célio Lúcio.
Para Célio Lúcio, a conquista da Copa do Brasil de 93 foi importante para o time ganhar outros títulos
4
1993
campeões da Copa do Brasil de 93 ficaram para ganhar Libertadores de 97
do primeiro título da Copa do Brasil conquistado pelo Cruzeiro
jogadores
foi o ano
América
Aposta em nova receita ¬ LÉO CAMPOS ¬ Após a paralisação
dos campeonatos, os clubes brasileiros finalmente receberam uma boa notícia: foi concluída a primeira fase da negociação dos direitos internacionais de transmissão das Séries A e B do Campeonato Brasileiro e dos direitos para o mercado de apostas, streaming for betting. Os contratos serão de quatro anos e têm a meta de ampliar a visibilidade do Brasileirão no exterior, além do retorno financeiro aos clubes. Segundo matéria do UOL Esporte, as equipes receberão cerca de R$ 209 milhões, sendo quase R$ 157 milhões (75%) para clubes da Série A, R$ 42 milhões (20%) para times da Série B e R$ 10,5 (5%) para os da Série C. Ao SUPER.FC, o presidente do América, Marcus Salum, não confirmou os valores, mas revelou que os clubes da Série B pleiteiam um percentual maior. “Nós temos uma posição formada dos clubes da Série B e não abrimos mão do percentual que propusemos. A negociação ainda não foi concluída dentro da Comissão Nacional de Clubes, então estamos aguardando para acabar de fechar esse percentual”, declarou o dirigente. “Este primeiro ano não é expressivo, mas ano a ano pode-se aumentar porque tem uma variável na proposta”, completou Marcus Salum.
América. Presidente do Coelho comenta nova receita com transmissões internacionais. Página 23
SUPER.FC
PEDRO SOUZA/ATLÉTICO-28.2.2020
VVVV otempo.com.br
O TEMPO BELO HORIZONTE SEGUNDA-FEIRA, 27 DE ABRIL DE 2020
Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838 BRUNO HADDAD/CRUZEIRO-8.5.2019
TEL: (31) 2101-3921
Sem dinheiro para quitar dívida, Galo pode perder pontos. Página 22
Wagner Pires pede desculpas a Dedé por comentário sobre lesões seguidas do zagueiro O ex-presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, voltou a falar sobre o zagueiro Dedé, que se recupera de cirurgia no joelho. O ex-dirigente celeste teve um vídeo vazado nas redes sociais, em uma conversa com um motorista, no qual falava que o zagueiro era “bichado”, em referência ao histórico de lesões do atleta. Wagner Pires agora pede desculpas a Dedé, mas volta a citar os problemas do jogador. “Nenhum time de futebol que fizer um exame apurado o aprova na parte física. Agora na parte técnica você pode (aprovar). Eu prefiro que eles deem uma arrumada no joelho dele e ele volte a jogar pelo Cruzeiro. Ele é um excepcional jogador. Agora eu não menti. Se fizer um exame, ele está ‘bichado’. Me desculpe, peço até perdão ao Dedé, não foi com essa intenção. Agora, infelizmente, se vendê-lo pelo preço que gostaríamos de ganhar com ele, teria que ser um preço excepcional. Ele não é propriedade do Cruzeiro. Ele é fatiado”, disse. Wagner Pires diz que o vídeo teve repercussão exagerada. “Eu falei que o Dedé, mesmo machucado, seria o titular do meu time. É um dos melhores que eu já vi jogar na posição dele, fora o caráter, a pessoa, a delicadeza, a família. Uma pessoa excepcional. Aí um cara me pergunta por que não vende o Dedé. Então sempre fazem uma montagem, isso mostra como são essas redes sociais. Eu disse: ‘O Dedé, infelizmente, tem um problema no joelho, uma coisa impressionante. De um passou para o outro e aí foi’.” Um dos empresários de Dedé, Bira, não quis comentar o caso. O assessor Gustavo Henrique não respondeu à reportagem. (Da redação)
Um pedido de perdão 2 24/4
LOTERIA
2 24/4
2 25/4
Lotomania
Dupla Sena
concurso 2.070
1º sorteio
04 11 32 35 36 50
2º sorteio
04 16 17 22 43 50
ÍNDICE
u Caderno A
03
14
concurso 2.068 21
36
37
44
47
49
50
52
56
58
60
61
68
70
73
88
89
00
Coronavírus Aparte
2a7 8
Política Interessa
2 18/3
Lotofácil
concurso 1.958
02
03
05
06
07
08
11
15
17
18
20
21
10 e 11 13
22
23
Opinião Magazine
25
2 25/4
Federal
concurso 5.477
1º prêmio 2º prêmio 3º prêmio 4º prêmio 5º prêmio
50.411 64.624 92.652 44.129 78.488
14 e 15 16 a 18
u Caderno Cidades Super FC
Mega Sena 15
20
concurso 2.255 39
2 25/4 Timemania 02
asdasd 19 22 a 24
05
17
41
49
57
2 25/4 Quina 14
concurso 5.254 26
47
58
70
O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio.
concurso 1.476 38
51
72
75
Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001
* Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.