SUPER.FC Cruzeiro avalia vender revelações para saldar dívidas com clubes. Página 22 Documentário
R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8532 - Sexta-feira, 24/4/2020
JOHANNES EISELE/AFP – 11.2.2014
Filme de Karim Aïnouz sobre imigrantes chega ao streaming. Magazine. Página 18
RAMON BITENCOURT
CORONAVÍRUS > PANDEMIA
“SOS Turismo” SEM RECEITA, SETOR FAZ CARREATA COM CERCA DE 200 ÔNIBUS PARA PEDIR APOIO FINANCEIRO. Página 3
Brasil registra 407 mortes por Covid em um dia Segundo a Fiocruz, o número de óbitos no Brasil dobra a cada cinco dias, em ritmo superior aos de EUA e Europa mou ontem que o Brasil já confirmou 3.313 mortes pelo novo coronavírus, sendo 407 atestadas nas 24 horas anteriores – o número mais alto já registrado desde o iní-
cio da pandemia. Há 49.492 casos positivos. “A gente não sabe se isso aí representa um esforço de fechar os diagnósticos ou uma linha de tendência de aumento”, disse o ministro Nelson Teich. A pasta
admite que há subnotificação, sinalizada pela disparada de internações por síndrome respiratória aguda grave. Nota técnica alerta para ritmo crescente do número de mortes. Página 7 FRED MAGNO
¬ O Ministério da Saúde infor-
Tratamento
Ministério ainda não recomenda a cloroquina ¬ Ministro da Saúde, Nelson
Entrevista exclusiva
Arrecadação cai e ameaça os salários de maio, diz Zema ¬
Teich diz aguardar confirmação científica de que o remédio é eficaz contra a Covid-19. Conselho Federal de Medicina autoriza médicos a receitá-lo em algumas situações. Página 9
Zema esteve no Café com Política
Governador afirmou, à rádio Super 91,7 FM, que pagamento está condicionado a ajuda federal. Estado pode perder, por causa da paralisação da economia, 35% do que costuma recolher em impostos. Página 4
Betim
Experiências
Flexibilização
CONVÊNIO PERMITIRÁ 5.000 TESTES COM RESULTADO RÁPIDO.
VALOR DA FAMÍLIA É UMA DAS LIÇÕES QUE A PANDEMIA ENSINA.
VEJA O QUE PODERÁ SER REABERTO PRIMEIRO NO PLANO DO GOVERNO.
Página 6
Página 2
Página 5
PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS
Rumores. Demissão chegou a ser noticiada, mas ministro não confirmou
Possível saída de chefe da PF gera impasse entre Moro e Bolsonaro ¬ Presidente comunicou ao mi-
nistro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, sua intenção de substituir o diretor geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo. O titular da posição, tradicionalmente, é escolhido
pelo ministro. A decisão de Bolsonaro teria levado Moro a pedir para sair. Nota enviada à reportagem afirma, porém, que “o ministro não confirma o pedido de demissão”. Especula-se que saída do número 1 da PF seria exigência de
parlamentares do centrão para apoiar o presidente. Também não há confirmação de que Bolsonaro tenha apresentado condições para que Moro continue no cargo. A decisão de permanecer seria integralmente do ministro. Páginas 12 e 13
Ministro Sergio Moro fala ao telefone em seu gabinete no Ministério da Justiça
2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
7
Coronavírus
Cobertura especial
Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.
|
PANDEMIA
Aspectos sociais, financeiros e afetivos: as lições da pandemia CRISTIANE MATTOS
Isolamento social tem gerado uma série de mudanças na vida das pessoas ¬ ISABELLY MORAIS ¬ O primeiro caso confir-
conter o avanço do coronavírus. Caso citado pela faxineira Janaína de Freitas, 40, que também comentou sobre como o consumismo pode ser revisto nas discussões pós-pandemia. “Estamos passando mais tempo com a família e vemos a importância que eles têm para nós. Tenho tido mais tempo com meu filho, mas também estou distante de alguns familiares também por precaução. Acho que também vamos gastar menos, porque temos visto o que está acontecendo. Percebemos que podemos viver com menos. Estamos sobrevivendo, e isso é uma lição”, conta Janaína. Para Luzia Paulina, 67, o momento tem mostrado como o amor e a união podem amenizar os reflexos da pandemia. Há 13 anos, ela trabalha na casa de um casal de idosos, atualmente com 83 e 76 anos, que agora tem tido apenas a sua companhia. “A pandemia tem me ensinado a união, a cooperação, a acreditar. O amor cresceu mais, pelo menos na minha vida. Temos que aprender a amar e gostar de nós mesmos e também de quem está do nosso lado”, afirma Luzia. Para crianças e adolescentes, a pandemia impactou atividades do dia a dia, desde a vida escolar a práticas esportivas, por exemplo. A situação, sem precedentes para muitos, pode ser ainda mais confusa para essas fai-
xas etárias. Leonardo Louvalho, 12, tem aprendido a redesenhar a rotina com o pai, Gustavo Louvalho. “Quando isso passar, acho que temos que valorizar mais o tempo com a nossa família. Apesar de tudo, temos que estar mais com eles. Eu jogava tênis e sinto falta. Também dos meus amigos e dos almoços em família”, comenta Leonardo, que tem tido aulas virtuais. “O comportamento das pessoas mudou desde então, e acho que os hábitos também vão mudar, como evitar aglomerações. As relações também mudaram. É um novo mundo”, aponta Gustavo, 43, fotógrafo e profissional de marketing.
mado de coronavírus no Brasil foi em 26 de fevereiro. Na ocasião, ninguém imaginava o que viria pela frente, tampouco os reflexos da pandemia que começava a se instalar no país. A dicotomia entre saúde e economia tomou as principais discussões desde então, mas é possível extrapolar esse diálogo. Afinal, quais têm sido as lições da pandemia? Aspectos financeiros, emocionais, afetivos e sociais são bastante mencionados quando essa questão é levantada. O isolamento e o Olhar da psicologia distanciamento têm gerado uma série de consequências sobre o dia a dia das pes‘Novo normal’. As reações ao soas, com novas rotinas e viisolamento social têm sido vências. Maria José e Reinaldiversas. Há quem tenha do Sieiro, de 67 e 65 anos, conseguido encontrar pontos respectivamente, trabade conforto, enquanto outros lham na área da saúde e leainda buscam maneiras de se vantaram as lições que têm situar em meio a tudo o que tirado da pandemia. vem acontecendo. Para a “A pandemia me ensinou psicóloga Letícia Fernandes, que as relações são fundatodos terão que encontrar um mentais e estavam distancia‘novo normal’ na busca do das. As pessoas lidam com a que faz sentido para cada um. tecnologia, é muito celular. “O isolamento tem sido Começamos a notar o real vaangustiante para uns, mas lor das pessoas e que a saúde produzido efeitos e reflexões é o que mais importa na nosvaliosas para outras. Uma sa vida”, conta a endocrinolonova rotina está imposta para gista Maria. “É uma situação todos e lidar com o novo não que nós nunca imaginamos é fácil”, aponta a psicóloga passar e estamos aprendenCRISTIANE MATTOS do a lidar com o distanciamento. É estressante. É um problema de saúde pública e também econômico. Tento ser otimista, desejando que essa situação passe o mais rápido possível”, declara o oftalmologista Reinaldo. Da mesma forma que algumas relações interpessoais e laços familiares foram aproximados na pandemia, outros foram distanciados. O núcleo de dentro de casa se manteve mais próximo, ao passo que demais relações têm sofrido com o distanciamento social, medida recomendada para Pai e filho. Isolamento mudou a relação entre Gustavo e Léo Louvalho
Homenagem e protesto. Colegas de Maria Aparecida de Andrade levaram cartazes cobrando cuidados
Maria Aparecida
Colegas de técnica que morreu com Covid relatam desamparo Na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus, os profissionais da área da saúde lidam diariamente com grande exposição, o que vem causando fatalidades a esses trabalhadores em todo o mundo. Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, a primeira morte por Covid-19 foi da técnica de enfermagem Maria Aparecida de Andrade, que tinha 53 anos, na última segunda (20). Com restrições aos velórios, as homenagens a ela se estenderam ontem. Amigos e colegas de tra-
7
balho de Maria se reuniram na porta do Hospital Alberto Cavalcanti, localizado no bairro Padre Eustáquio, região noroeste de Belo Horizonte. Além de trabalhar na UPA Ressaca, de Contagem, a profissional também era funcionária do hospital. Na ação, colegas levaram balões brancos, mensagens de carinho e dividiram, além de dor e luto por Maria, revolta. “A Cida era uma funcionária exemplar, carinhosa, meiga, muito companheira. Exercia a profissão com muito carinho. Nossa indignação é com a Fhemig pela fal-
ta de cuidados conosco. A Cida tinha uma comorbidade (cardiopata, segundo relatos), ela poderia ter sido afastada. Hoje, temos colegas dessa forma trabalhando lá dentro. Nossos pacientes são oncológicos, sensíveis, e temos que ficar fortes a todo momento para que não fiquem mais fragilizados do que estão. A Fhemig só deu nota dizendo que não reconhecem o óbito da nossa amiga”, aponta a técnica de enfermagem Jussara Duarte, de 56 anos, que trabalhava com a Maria Aparecida. (IM)
Transporte escolar
Agentes funerários
Revisão. O Procon-MG publicou nessa quarta-feira (22) uma nota técnica para orientar as famílias e as pessoas que trabalham com transporte escolar neste período sem aulas presenciais. O documento do órgão de apoio ao consumidor estipula um prazo de dez dias para que os responsáveis pelo serviço de escolar entrem em contato com as famílias propondo uma revisão do contrato original.
Funcionários temporários. A Prefeitura de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, começou a chamar agentes funerários contratados temporariamente, devido à pandemia de coronavírus. Muitos dos funcionários efetivos do município pertencem a grupos de risco da Covid-19 e foram liberados neste período, e a equipe, que já estava defasada, foi ainda mais reduzida.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 3
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Minas Gerais já tem 51 mortes RAMON BITTENCOURT - 21.4.2020
Trinta homens e 21 mulheres perderam a vida no Estado por causa da pandemia
Igrejas
Câmara discute reabertura dos templos
¬ NATÁLIA OLIVEIRA ¬ Minas Gerais tem
51 mortos e 1.308 casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19), segundo o boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES) divulgado ontem. Há ainda 77.775 casos suspeitos e 85 óbitos sendo investigados para a doença. O Estado já tem 130 municípios com casos confirmados e 33 com mortes registradas. Belo Horizonte é a cidade com mais casos confirmados em Minas, sendo 482 pessoas infectadas. Na sequência vêm Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 100 casos confirmados, e depois Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 71 casos. A capital mineira também tem também o maior número de mortos pela doença, com nove registros. Depois vêm Uberlândia, com cinco óbitos, e por fim Uberaba, com três, ambas cidades do Triângulo Mineiro.
AS VÍTIMAS. Dos 51 mortos
confirmados pela doença até ontem em Minas, 30 são homens e 21, mulheres. Sete não tinham fatores de risco, e 40 pessoas (78%) tinham acima de 60 anos. Outros oito mortos tinham entre 40 e 59 anos, e outros três, de 20 a 39 anos. Além das mortes e dos casos já confirmados da doença, as internações por
A Frente Parlamentar Cristã da Câmara Municipal de Belo Horizonte se reuniu ontem e pediu, entre outras coisas, que a Prefeitura de Belo Horizonte flexibilize o funcionamento das igrejas e dos templos religiosos. O encontro resultou em um documento que deve ser entregue ao prefeito Alexandre Kalil (PSD). A secretária municipal de Política Urbana, Maria Caldas, que participou de forma remota, disse que vai receber a demanda dos parlamentares para fazer uma avaliação e prometeu abrir o diálogo. Essa foi a primeira reunião em que a flexibilização dos templos foi discutida de forma exclusiva. Os parlamentares defenderam a flexibilização alegando a importância dos tempos para pessoas que buscam um refúgio ou orientação espiritual. Entre as sugestões apresentadas estão o espaçamento entre os fiéis, disponibilização de produtos de assepsia, horários específicos e a capacidade reduzida durante os cultos, como as celebrações feitas com apenas 30% de lotação. (Lucas Henrique Gomes)
7
Cuidados. As vítimas da Covid-19 estão sendo sepultadas sob rigoroso esquema de proteção para evitar a contaminação de outras pessoas ALEX DE JESUS - 2.4.2020
síndrome respiratória aguda grave cresceram 411% nas 16 primeiras semanas do ano se comparadas ao mesmo período do ano passado.
Números
9 Mortes aconteceram em Belo Horizonte, onde também há 482 pessoas infectadas
7 Vítimas não tinham qualquer fator de risco e 40 tinham acima de 60 anos
Vazias. Sem poder receber os fiéis, igrejas da região metropolitana de Belo Horizonte estão fechadas RAMON BITENCOURT
Pesquisa
Carreata
Volume de lixo cai 50% no centro de BH
Pedido de socorro
O volume de resíduos produzidos nas residências das capitais do país apresentou queda de 10% a 22% entre março e abril deste ano, de acordo com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). No topo da lista aparece a região central de Belo Horizonte, onde o volume domiciliar foi reduzido em 50% nos últimos 30 dias. Em toda a cidade, a redução correspondeu a 22%. A pesquisa foi realizada
7
em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Recife, Porto Alegre e Natal. Em todas as cidades foi registrada uma quantidade menor de resíduos, acarretada pelo isolamento social e fatores a ele ligados, como o fechamento de lojas. A coordenadora da Câmara de Resíduos Sólidos da entidade, Heliana Campos, ressaltou que os governos devem criar mecanismos para resguardar os catadores de recicláveis do país.
Uma carreata organizada pelas empresas transportadoras de turismo, agências de viagem e guias de turismo circulou ontem pela região metropolitana de Belo Horizonte, pedindo socorro para o setor. O movimento denominado ‘SOS Turismo’ contou com 200 ônibus e 50 carros. Eles saíram da rodovia Fernão Dias, na altura do bairro Bandeirantes, em Contagem, às 15h, e encerraram o protesto no fim do dia na Praça Raul Soares, no centro da capital. Entre as reivindicações, estão o adiamento por seis meses das prestações dos veí-
7
Protesto. Cada veículo trazia uma frase com um pedido da categoria
culos financiados, isenção do IPVA, congelamento do preço do combustível, linha de crédito com taxas reduzidas, além de auxílio do governo para os guias que realizam excursões. Segundo Wagner Alexandre da Silva, empresário do setor, não há previsão de receita para os próximos meses. “O setor tem feito de tudo para tentar não demitir, mas está ficando inviável por não ter nenhum serviço em relação ao turismo. A previsão é que, nos meses de maio e junho, nosso faturamento caia a zero”, alertou. (Léo Campos)
4 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Arrecadação cai 35% e buraco aumenta a cada dia, diz Zema FRED MAGNO
G
Romeu Zema,
governador de Minas
O secretário de Estado da Saúde justificou o aumento do salário dos médicos da Fhemig dizendo que os enfermeiros já ganham muito bem. Foi justo? Fizemos o chamamento para médicos, mas não tivemos sucesso, já que estávamos oferecendo o que já era pago para os médicos da Fhemig. Isso criou a falsa ideia de que estávamos aumentando os salários, mas é mentira. Não houve reajuste, houve pagamento extra para conseguirmos médicos. Mas após a pandemia, o valor vai voltar ao normal.
Entrevista Como vai funcionar o protocolo de flexibilização que o senhor anunciou? Primeiro temos que dar segurança para todas aquelas atividades consideradas essenciais e que estão funcionando. Em Minas, essas atividades, preponderantemente, estão em cidades pequenas. Muitas vezes, essas prefeituras não têm um corpo técnico. Muitos prefeitos já liberaram totalmente as atividades econômicas, mas sem protocolo de segurança. O estabelecimento que for reativado deverá trabalhar com algumas regras. Isso vai fazer com que o que está funcionando esteja em segurança. A partir da semana que vem faremos as ondas no impacto econômico e saúde. As atividades que têm impacto direto na economia e na saúde terão prioridade. Qual a situação financeira do Estado? O pagamento dos servidores está em risco? O buraco só tem aumentado. Em abril, só conseguimos fechar as contas porque tivemos uma entrada de R$ 782 milhões de uma antiga dívida do Bemge. Se não tivéssemos, não fecharíamos o mês. Amanhã (hoje) divulgaremos a data da segunda parcela do funcionalismo. Ou nós teremos uma ajuda federal, ou em maio não teremos condições de pagar nada. A arrecadação caiu muito, podendo chegar a 35%. Qual é a situação em Minas em relação ao coronavírus? O que possibilitou a criação desse protocolo? A imprensa, muitas vezes, gosta só de catástrofe. Apesar de toda crise, o Brasil é um dos países menos afetados. Minas Gerais está muito bem, nós somos o quarto estado com menor incidência de casos e óbitos. E Minas está indo bem porque nós tomamos as medidas muito antes e com isso nós temos utilizado, dos leitos de UTI, apenas 3% para os pacientes com coronavírus. A situação de Betim é melhor ainda, de forma proporcional. E esse tipo de segurança nos permite fazer alguma coisa em termos de reativação segura e responsável da economia. Não estamos relaxando. Quem puder ficar em casa, fique. O vírus continuará no meio da sociedade daqui seis meses, um ano.
Brasil, a principal é ter acabado com a corrupção. Ele fez uma reforma da Previdência, que ficou 20 anos para ser aprovada. Temos que olhar as coisas boas também.
Vamos ter um novo modo de vida até que surja uma vacina. Há alguma região do Estado que esteja em situação mais complicada? Muitas vezes ocorre de uma cidade ter menos de dez leitos. Valadares e Teófilo Otoni, por exemplo, são situações mais críticas, a ocupação de leitos por lá preocupa. Tem algum local saturado? As três regiões que não têm colchão de segurança grande são a Nordeste, principalmente em Teófilo Otoni; a região Noroeste, em Paracatu e Unaí, que está muito próximo do DF; e a região Norte, como um todo, que é uma região que não existe grande quantidade (de leitos). A subnotificação em Minas tem sido alta? Essa é uma grande preocu-
“Atividades que têm impacto na economia e na saúde terão prioridade para voltar.”
pação de quem defende que o isolamento deva continuar. O senhor acredita nessa hipótese? Somos o quarto menor (Estado) com menor incidência de óbito (pela Covid-19). Estamos bem porque tomamos as medidas de forma antecipada. Estava conversando com o prefeito Vittorio Medioli e em Betim é melhor ainda. Esse tipo de colchão de segurança nos permite fazer alguma coisa de reativação responsável e segura. Estamos colocando a segurança em primeiro lugar. Tenho certeza que ela (subnotificação) existe, e no mundo inteiro, mas não me causa preocupação, porque ocorre em todos os locais. O que interessa é a tendência, não o número absoluto. Em Minas os números estão estáveis. Posso dizer que estamos sob controle e que essa subnotificação acaba sendo anulada. Há perspectivas de que mais testes sejam feitos? É lógico que, se tivéssemos mais testes, as pessoas iriam fazer mais uso. Temos condições de fazer 1.800 testes. Temos priorizado as pessoas que têm sintomas mais próximos aos da Covid e apenas 15% têm sido positivos. Esse número está nos atendendo razoavelmente bem, mas, lógico, precisaríamos de mais, principalmente para o interior. O senhor não quer tomar parte na disputa travada entre os presidentes da República e da Câmara. Mas, por outro lado, disse ver o que cha-
“Se não tivermos uma ajuda federal, em maio não teremos condições de pagar nada.” mou de “totalitarismo” contra o presidente. O que o senhor quer dizer exatamente com isso? O senhor acha que querem derrubá-lo? O presidente tem contrariado muitos grupos políticos tradicionais, que tinham se habituado a fazer o uso do Estado e ele quebrou esse tipo de hábito. Isso causa reações. As pessoas que sempre tiveram o poder na mão e que fizeram o uso inadequado dele se sentem hoje incomodadas com um presidente que não compartilha com hábitos nada republicanos. Pelo o que eu acompanho, o presidente é patriota, íntegro, mas não é perfeito, como qualquer um. E, muitas vezes, esses grupos, pela influência que têm, envolvem a mídia que em qualquer deslize do presidente, exagera e potencializa aquilo. Mas ele tem feito muita coisa boa pelo
Em relação às escolas, o ano está comprometido? Haverá suspensão ou redução de salários, caso não tenha o retorno? A maioria das escolas particulares está conseguindo fazer o ensino a distância, não presencial, mas, infelizmente, na rede pública, o sindicato conseguiu uma liminar para impedir o teletrabalho. Eu gostaria de entender o motivo, do meu ponto de vista é incompreensível. As professoras já não estão dando aula e agora eles querem que elas não façam nem o trabalho de casa, o teletrabalho. Estamos tendo um prejuízo no ano letivo, mas tenho certeza que vamos recuperar. Não há nada previsto em relação à redução salarial dos professores. Historicamente, Minas Gerais é muito mal tratada pelo Governo Federal. A sua relação com o presidente e os ministros é boa. Minas tem sido mais bem tratada hoje do que foi no passado? É sempre possível melhorar o tratamento, mas vamos lembrar que o governador anterior a mim era do PT e em boa parte do governo dele a presidente era do PT também. E não trouxeram nada. Eu tenho corrido atrás. Tentei junto à Assembleia de Minas solucionar a questão da Lei Kandir, mas não fomos bem sucedidos. Minas pretendia receber coisa de R$ 130 bi, e no total, todos os estados, incluindo Minas, vão receber R$ 4 bi. Vão vir pra minas R$ 600 milhões, menos de 1% do valor pretendido. Foi uma decisão judicial. Mas vejo que existe em Minas também, e vale aqui um alerta, que governantes passados se negaram a fazer qualquer ajuste dentro do Estado. Minas é um dos últimos a fazer uma Reforma Previdenciária. O Governo Federal pode nos atender melhor, mas Minas precisa fazer melhor o dever de casa.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 5
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
PLANO DE
REABERTURA DAS CIDADES Conheça detalhes do projeto Minas Consciente: Retomando a Economia do Jeito Certo, do governo de Minas O QUE O PLANO PREVÊ?
COMO VAI FUNCIONAR?
Reabertura gradual do comércio nas cidades de forma segura, seguindo regras para evitar contágio
Cada cidade poderá optar por seguir o protocolo estadual ou adequá-lo de acordo com a situação da pandemia no local
Qual o prazo para reabertura total?
Entre duas e três semanas
O QUE VAI REABRIR PRIMEIRO
1º
ONDA ZERO/ONDA VERDE* Empresas do grupo de atividades essenciais, muitas já em funcionamento
2º
ONDA 1/ONDA BRANCA*
3º
Grupo de empresas de baixo risco
Hipermercado
Loja de artigos esportivos e afins
Lojas de materiais de construção
Serviços de publicidade e afins
Autopeças
Loja de artigos para casa, tecidos e aviamentos
Farmácias e drogarias Venda e manutenção de equipamentos elétricos e eletrônicos Revenda de gás
Pet-shop e afins
Açougue Serviços de RH e terceirização Postos de gasolina
Loja de vestuário, acessórios, calçados e afins Loja de móveis e colchões
Padaria e confeitaria
Supermercados e afins
Joalheria e relojoaria
Loja de variedades Agência de turismo e afins Concessionárias, revendas e oficinas de veículos motorizados
ONDA 2/ONDA AMARELA*
Grupo de empresas de médio risco
4º ONDA 3/ONDA VERMELHA* Grupo de empresas de alto risco
Varejista de suvenires, bijuterias e artesanatos
Floriculturas Papelaria Lojas de eletrodomésticos de áudio e vídeo Comércio de animais vivos Tabacaria
Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza Livrarias Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes Bancas de jornais e revistas
Hotéis e similares Lojas de brinquedos Lojas de departamento ou magazines Comércio varejista de equipamentos para escritório
Varejo de equipamentos de telefonia e comunicação Lojas de artigos fotográficos e para filmagem Lojas duty free de aeroportos internacionais Academias
(*) listagem em atualização pelo governo O QUE VAI DEFINIR O BAIXO OU ALTO RISCO DAS EMPRESAS?
Total de empregados no setor Arrecadação per capita Impacto fiscal
Impacto na cadeia produtiva Vulnerabilidade perante a crise
Número de trabalhadores em circulação Números de cidadãos/clientes em circulação
Nível de aglomeração de pessoas Adaptabilidade do setor
PONTUAÇÃO: Empresas receberão notas com base nos critérios acima
ALGUMAS REGRAS DE SEGURANÇA QUE SERÃO EXIGIDAS: EMPRESAS Manter trabalhadores do grupo de risco em casa para regime de home office, assim como funcionários que moram com pessoas do grupo de risco, preferencialmente Afastar das atividades presenciais colaboradores com sintomas de resfriado e gripe pelo período mínimo de 14 dias Disponibilizar água e sabão ou álcool em gel 70% para higiene das mãos Fornecer máscaras e outros equipamentos de proteção Evitar aglomeração, demarcando distância mínima de 2 m entre as pessoas Só permitir a entrada de clientes com máscaras
FUNCIONÁRIOS Além de seguir as normas da empresa:
CLIENTES Ficar em casa sempre que possível
Não abraçar colegas nem apertar as mãos
Se possível, comprar pela internet
Escolas:
Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com lenços descartáveis
Caso tiver sintomas de gripe ou resfriado, não sair de casa
Aulas só devem ser retomadas de julho pra lá
Manter cabelos presos e não usar bijuterias ou joias
Utilizar máscara, de preferência caseira, sempre que sair às ruas
Casas de show e eventos:
Em caso de febre ou outros sintomas, comunicar a empresa
Evitar conversar ou usar o celular enquanto estiver no comércio
O QUE NÃO PODERÁ VOLTAR A FUNCIONAR?
Só devem retomar em quatro meses Shoppings: Sem previsão de retomada
51 mortes por Covid-19 foram
6 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Betim contrata 5.000 exames do coronavírus Laboratório credenciado pela Funed vai agilizar testesna cidade ¬ FLÁVIA JARDIM ¬ Para agilizar o resultado
dos exames em moradores de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, com suspeita do novo coronavírus, a prefeitura vai firmar um contrato com o Centro Universitário de Sete Lagoas (Unifemm) que permitirá a realização de 5.000 testes da Covid-19. Segundo o secretário de Saúde, Guilherme Carvalho, o contrato com o laboratório da Unifemm, que é credenciado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), permitirá que a cidade tenha, no prazo máximo de dois dias, o resultado de exames do novo coronavírus, o que hoje, geralmente, tem demorado ao menos 14 dias. A previsão é que os testes comecem a ser realizados na semana que vem.
Recuperados
Nove dos dez casos de Covid estão curados Dos dez casos da Covid-19 confirmados em Betim até agora, nove são de pessoas que já foram curadas, segundo a Prefeitura de Betim. O último balanço foi divulgado ontem pela administração municipal, com base em dados da Secretaria de Estado de Saúde. Segundo o secretário adjunto de Gestão em Saúde, Augusto Viana, nenhum desses pacientes precisou ficar internado: “Todos foram casos com sintomas leves que fizeram quarentena e foram monitorados”. Ainda conforme o gestor, até ontem havia dois pacientes internados no Hospital de Campanha e outros seis no Centro de Cuidados Intensivos. Todos têm sintomas da doença, mas ainda não comprovaram a doença. (FJ)
7
“Esse convênio trará uma agilidade muito grande para o município na realização dos exames de coronavírus. Hoje, como a Funed (órgão do governo estadual responsável pelos testes) tem que atender a todos os municípios mineiros, o resultado acaba demorando muito – na maioria dos casos, até 14 dias. Agora, com a contratação da Unifemm, nossos servidores farão a coleta do material, e os técnicos do laboratório vão buscar as amostras e nos darão o resultado em até 48 horas. Isso vai ajudar a realizar o diagnóstico e o tratamento adequado dos pacientes”, ressaltou Carvalho. O secretário adjunto de Saúde de Betim, o médico Hilton Soares, ressaltou que
Agilidade
48
horas é o tempo máximo previsto para o resultado dos testes contratados ficar pronto
o convênio vai facilitar muito tanto o diagnóstico quanto o tratamento dos pacientes na cidade. “Hoje, se um paciente apresenta problemas graves no sistema respiratório, acaba sendo considerado suspeito de coronavírus. Ele tem que ficar em isolamento e ser tratado para essa doença conforme a orientação da equipe de controle de infecção hospitalar, sendo que ele nem possui o coronavírus. Com a realização mais rápida do exame, se o resultado der negativo, esse paciente poderá ser liberado do isolamento e receber um tratamento mais adequado. São testes que não demandam retestes”, explicou Soares. Segundo a reitora da Unifemm, Viviane Mayrink, o laboratório foi ajustado para os exames da Covid-19: “O objetivo é realizar cerca de 300 exames por dia, podendo chegar até mil. Betim saiu na frente ao contratar o nosso serviço, mas já estamos recebendo a demanda de várias cidades”. EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
REGRAS ESPECÍFICAS Saiba que normas as academias em Betim deverão seguir, segundo decreto Afixar na entrada placa com lotação máxima; Observar distância mínima de 1,5 m entre as pessoas, clientes e funcionários; Não ultrapassar 60 minutos dentro da academia; Realizar higienização e desinfecção de objetos e superfícies tocados entre um usuário e outro; Higienizar objetos e superfícies utilizando EPIs e material específico descrito no decreto; Suspender aulas coletivas e quaisquer atividades que promovam contato pessoal; Seguir mesma regra de distanciamento para atividades de natação; Não compartilhar objetos de uso pessoal, como garrafas de água e toalhas; Impedir realização de atividades físicas por pessoas consideradas do grupo de risco.
1,5 m
ALEXANDRE MOTA - 1.4.2020
Previsão é que testes já comecem a ser realizados na próxima semana, de acordo com a prefeitura
Controle sanitário
Fiscais monitoram medidas de segurança em academias PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO
A Prefeitura de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, já iniciou a fiscalização de academias da cidade. Esses espaços também estão autorizados a funcionar desde a última quarta-feira, mas com uma série de restrições, conforme o Decreto 42.082, publicado no sábado. Ontem, agentes da Vigilância em Saúde do município e de outras secretarias foram a algumas academias para verificar o cumprimento das normas (veja quais são ao lado) e também orientar os proprietários a seguirem as regras de segurança com o objetivo de evitar aglomerações e, assim, tentar conter a proliferação do novo coronavírus na cidade. Segundo o diretor da Vigilância em Saúde do município, Nilvan Baeta, seis estabelecimentos foram visitados nessa quinta-feira, sendo que apenas um estava totalmente adequado. “Fizemos as orientações relacionadas ao uso das máscaras, à disponibilização de álcool em gel, ao espaçamento entre os apa-
7
1,5 m
m 1,5
relhos, além do tempo de permanência das pessoas nesses locais, que é, no máximo, de uma hora”, detalhou. A fiscalização continuará a ser feita. “Nesta semana, estamos orientando, e, nos próximos dias, os locais que não se adequarem poderão ser interditados”, explicou Nilvan Baeta. (José Augusto Alves)
Shoppings Retomada parcial. O Monte Carmo já abriu suas portas e está adotando várias medidas de segurança contra a Covid-19. Já o Partage informou que retomará sua atividade hoje.
Fiscalização em Betim em números
1.536
m 1,5
Equipe da Vigilância Sanitária visitou academias de Betim ontem
é o total de ações de fiscalização feitas por equipes da prefeitura entre 22 de março e 21 de abril.
33
é a quantidade de locais interditados pelo município durante a proibição do funcionamento do comércio.
300
é o número médio de denúncias referentes a espaços que não seguiram regras nesse período.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 7
CORONAVÍRUS
PANDEMIA MICHAEL DANTAS/AFP
País registra 407 óbitos em 24 horas, e total salta para 3.313 Ministério da Saúde reconhece que dados não representam a atual realidade ¬ SÃO PAULO. O número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil passou de 3.000 ontem, segundo boletim divulgado pelo ministério da Saúde. Ao todo, desde o dia 17 de março, quando foi confirmado o primeiro óbito por Covid-19 no país, foram registrados 3.313 mortes. Em apenas 24 horas (entre o início da tarde de quarta-feira e o mesmo horário de ontem) foram registrados 407 novos óbitos. A alta foi de 14%. O país tem, ainda, 49.492 casos confirmados – 3.735 novos casos em apenas um dia. No dia anterior, o Minis-
tério da Saúde havia divulgado 165 novas mortes (e um total de 2.906 óbitos) e mais de 2.600 casos novos confirmados (num total de 45.757 casos no país). O próprio ministério da Saúde reconhece, porém, que os boletins divulgados após feriados e fins de semana tendem a apresentar números inferiores aos demais dias porque as equipes de saúde nos Estados trabalham com efetivo reduzido e, portanto, menos testes são realizados. Além disso, a Pasta reconhece a subnotificação no país e tem informado que o número real de casos tende a ser maior, já que só pacientes internados em hospitais fazem testes e há casos represados à espera de confirmação. Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o minis-
Síndromes respiratórias Em alta. Número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2020 é o maior desde 2010, aponta Friocruz. Para especialistas, dados revelam subnotificação do coronavírus. Até 4 de abril deste ano, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG, acima da média desde 2010, de 3.900 casos. Em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano. MIGUEL SCHINCARIOL/AFP
Abertura em São Paulo Ameaçada. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou ontem que, se índices de isolamento social não ficarem acima de 50%, isso poderá afetar a reabertura econômica prevista para maio. O tucano fez a declaração em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, onde divulgou índice de isolamento de 48% ontem, abaixo do mínimo esperado de 50%.
tro da Saúde, Nelson Teich, comentou o recorde de mortes em um dia. “A gente não sabe se isso aí representa um esforço de fechar os diagnósticos ou uma linha de tendência de aumento”, disser. Questionado sobre quando será possível interpretar o incremento dos casos, Teich informou que será necessário acompanhar os próximos dias. “Se for uma linha de tendência de aumento, os números dos próximos dias
Plataformas Balanço. Subiu para 186 na quarta-feira o número de trabalhadores contaminados pelo covid-19 nas plataformas de petróleo no Brasil, alta de 150% em relação a 16 de abril.
vão aumentar cada vez mais. E saberemos que não é um esforço pontual, mas sim uma tendência”, disse. Os Estados com mais mortes foram São Paulo (1.345), Rio de Janeiro (530) e Pernambuco (312). Os Estados com mais casos confirmados são: São Paulo (16.740), Rio de Janeiro (6.172), Ceará (4.598), Pernambuco (3.519) e Amazonas (2.888). O Estado de São Paulo representou mais da metade das novas mortes: 211. Quantos aos novos casos, são 826 de São Paulo, 688 do Ceará e 620 do Rio de Janeiro. De acordo com o ministério, dos 49.492 pacientes com Covid-19, 26.573 (54%) se recuperaram. Outros 19.606 (40%) estão em acompanhamento. O restante se refere às 3.313 mortes.
Várias covas foram abertas ontem em cemitérios de Manaus
No Brasil
Interior
Número de mortes dobra a cada cinco dias; ritmo supera EUA e Europa
Vírus avança para cidades pequenas
MAURO PIMENTEL/AFP
O número de mortes provocadas pela covid-19 no Brasil tem dobrado a cada cinco dias. Nos Estados Unidos, essa duplicação ocorre a cada seis dias, e na Itália e na Espanha, a cada oito. O dado consta da última nota técnica do MonitoraCovid-19, um sistema da Fiocruz que agrupa dados sobre a pandemia do novo coronavírus, e revela a velocidade com que a epidemia se dissemina no Brasil. “A nossa situação hoje é pior do que a de Itália, Espanha e Estados Unidos. Por isso, o número de mortes está dobrando em um espaço de tempo menor”, afirmou o epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, e um dos responsáveis pelo trabalho. Além de epidemiologistas, geógrafos e estatísticos do Icict/Fiocruz têm trabalhado com a ferramenta para produzir análises sobre o avanço da doença. “Os dados de óbitos
7
SÃO PAULO.
são mais confiáveis do que os dados de casos para medir o avanço da epidemia”, justificou Xavier. “Isso porque, no caso do óbito, mesmo o diagnóstico que não foi feito durante a evolução clínica do paciente pode ser investigado. Além disso, a situação clínica do paciente que vem a óbito é mais evidente, quando comparada aos casos que podem ser assintomáticos e leves”. Apesar do aumento dos casos, o Brasil é o segundo país
de uma lista de 15 em que a população menos acredita na eficácia do isolamento social. Segundo o instituto Ipsos, a população que menos acredita na eficácia dessas medidas é a Índia, onde 56% responderam que não as consideram eficazes. Brasil e Alemanha aparecem empatados em segundo lugar, com 54%. Os espanhóis são os que mais confiam no confinamento, com apenas 34% respondendo que não o consideram eficaz.
Casos de coronavírus no país estão crescendo em periferias e em cidades menores do interior
da Fiocruz alerta para a interiorização da epidemia de coronavírus, que está chegando de forma acelerada aos municípios de menor porte do país. Dentre as cidades com mais de 500 mil habitantes, todos já apresentam casos da doença. Naqueles com população entre 50 mil e 100 mil habitantes, 59,6% têm casos. Já 25,8% dos municípios com população entre 20 mil e 50 mil, 11,1% daqueles com população entre 10 mil e 20 mil habitantes e 4,1% dos municípios com população até 10 mil habitantes apresentam doentes de covid-19. Para o epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, a decisão de suspender o isolamento social em municípios que não têm nenhum caso da doença registrado é extremamente temerária.
7
SÃO PAULO. Pesquisa
8 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Acordos para redução de Bolsonaro culpa Onyx anúncio salário já passam de 3,5 mi por desmentido Antecipação
ALEX DE JESUS
MP foi editada em 1º de abril; 569 mil empresas optaram por cortar jornadas ¬ BRASÍLIA. Até a noite de an-
teontem, mais de 3,5 milhões de trabalhadores tiveram salários e jornadas reduzidos ou contratos suspensos em decorrência da Medida Provisória (MP) que autoriza acordos entre patrões e trabalhadores durante a pandemia. Os dados são da Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e incluem acordos individuais e também acordos coletivos feitos com intermediação de sindicatos. No total, 569 mil empresas já informaram ao governo que fizeram acordos ao longo deste mês. No dia 1º de abril, o presidente Jair Bolsonaro editou a medida, autorizando corte de salários e jornadas durante a crise. As reduções poderão ser feitas em qualquer percentual, podendo chegar a 100%.
7
Quarentena. Redução drástica da atividade econômica levou o governo a editar MP para flexibilizar gastos de empresas com folha salarial
Trabalhadores afetados receberão uma compensação do governo que pode chegar a 100% do que receberiam de seguro-desemprego em caso de demissão. Nas contas do governo, 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, mais de 70% de todos os empregados formais do país, de-
Primeira parcela do 13º de aposentados começa a ser paga Aposentados e pensionistas do INSS começam a receber hoje a primeira parcela do 13º salário. A primeira metade do benefício geralmente é paga no segundo semestre e foi antecipada neste ano pelo governo federal para suavizar os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus. Quem recebe um salário mínimo terá o pagamento efetuado de hoje até 8 de maio. Já quem recebe mais de R$ 1.045 começa a receber no dia 4 de maio. O cronograma de pagamento será baseado no último número do benefício, sem contar o dígito verificador. Por exemplo, se o número é 123.456.789-0, algarismo a ser considerado é o 9, então esta pessoa vai receber no dia 7 de maio, a penúltima data.
Salário-hora é referência para redução 0 TST. A presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maria Cristina Peduzzi, afirmou que a redução proporcional de jornada e salários, preservando o salário-hora, como prevê a MP 936, é válida.
0 Definição. Segundo ela, o acordo coletivo é sempre o melhor instrumento em negociações entre empresas e trabalhadores, mas, no caso da pandemia, a validade dos acordos individuais “está bem definida”.
ca ao ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania), o presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que a antecipação da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600 foi anunciada sem autorização. “Um ministro anunciou, sem estar autorizado, que iria antecipar a segunda parcela. Primeiro se deve pagar a todos a primeira parcela”, afirmou Bolsonaro nas redes sociais. Na segunda-feira, Onyx e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, divulgaram em coletiva que os beneficiários da ajuda destinada a informais receberiam o pagamento a partir de ontem. Originalmente, o cronograma previa os pagamentos da segunda parcela a partir de 27 de abril. Anteontem, o governo voltou atrás e disse que seguiria o cronograma original. O Ministério da Cidadania afirma que a impossibilidade do adiamento ocorre por causa da espera de um crédito suplementar para poder atender a todos.
EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
Cronograma
7
vem ser atingidos pela suspensão do contrato ou pela redução de salário e jornada. Por acordo individual, o empregador pode fazer cortes de jornadas e salários em 25%, 50% ou 70% por até três meses, a depender da faixa de renda. Nos acordos coletivos, é permitida a redução em qualquer percentual.
BRASÍLIA. Em uma críti-
Tem direito ao 13º quem recebeu, ao longo do ano, benefício previdenciário de aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente ou auxílio-reclusão. Em caso de corte do benefício, será pago o valor proporcional do abono anual. Aqueles que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistencia Social e Renda Mensal Vitalícia não têm direito ao 13º salário. Segundo o INSS, 35,6 milhões de pessoas receberão o benefício em abril, uma injeção de R$ 23,7 bilhões na economia. O economista e professor do Ibmec Felipe Leroy explica o que isso significa no momento de crise. “Esse recurso vai estimular o consumo ao aumentar o poder de compra do pensionista”, diz. (Rômulo Almeida)
ALÍVIO NO BOLSO! Veja mais sobre pagamento da primeira parcela do 13º para aposentados DE ACORDO COM NÚMERO FINAL DO BENEFÍCIO Para quem recebe um salário mínimo: Depósito começa hoje (dia 24) e vai até 8/5
Para quem recebe acima do salário mínimo: Depósito entre os dias 4 e 8/5
35,6 milhões receberão seus benefícios de abril
Sob controle. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o abastecimento de gás de cozinha está “praticamente regularizado” no país. Ele disse que a pasta continua acompanhando a situação para evitar risco de falta do GLP, cujo consumo aumentou devido ao isolamento social. “(A situação) está praticamente regularizada em todos os Estados da Federação”, disse o ministro. JOÃO GODINHO - 30.05.2018
R$ 71,7 bilhões
Tem
direito Quem recebe Aposentadoria Pensão por morte Auxílio-doença Auxílio-acidente Auxílio-reclusão FONTE: INSS
No país
2ª parcela Pagamento entre 25/5 e 5/6
30,7 milhões de aposentados vão receber a 1ª parcela do 13º
Abastecimento de gás
serão injetados na economia pelo INSS
Não
tem direito Quem recebe benefícios assistenciais Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS) Renda Mensal Vitalícia (RMV)
Atestado segue necessário Covid-19. Bolsonaro vetou ontem projeto de lei que dispensava o trabalhador diagnosticado com coronavírus de apresentar atestado médico justificando falta durante sete dias. O presidente disse que o Ministério da Saúde recomendou o veto. Segundo o órgão, o projeto “gera insegurança jurídica” por confundir os conceitos de quarentena e isolamento.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 9
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
Teich hesita sobre cloroquina Ministro da Saúde diz que ciência ainda não concluiu sobre eficácia do remédio ¬ GABRIEL MORAES ¬ O ministro da
Saúde, Nelson Teich, afirmou ontem que a pasta ainda não vai recomendar o uso da cloroquina para pacientes com coronavírus. Ele se reuniu com o Conselho Federal de Medicina (CFM) para tratar do assunto. “O CFM veio trazer um posicionamento da instituição. O que ficou é que fica a critério do médico. Seja no hospital ou em nível ambulatorial, o que é um pouco diferente do que pensa o Ministério da Saúde. É importante (dizer) que você permitir o uso, a critério do médico, não representa uma recomendação da pasta”, declarou. Segundo Teich, essa recomendação só ocorrerá quando houver confirmação científica de que o re-
JOSÉ DIAS/PR
médio é eficaz contra a Covid-19. “A recomendação vai acontecer, seja com a hidroxicloroquina, seja com qualquer outro medicamento, no dia que a gente tiver uma evidência científica clara de que o medicamento funciona”, disse o ministro da Saúde.
Mulher de Witzel infectada Após marido. A esposa do governador do Rio de Janeiro, Helena Witzel, recebeu ontem a confirmação de que está com a Covid-19. Wilson Witzel havia confirmado que estava com a doença no dia 14 deste mês. Presidente de honra da RioSolidário, organização sem fins lucrativos, Helena tem papel ativo no governo e costuma aparecer ao lado do marido em compromissos da agenda dele. Além deles, o secretário de Saúde, Edmar Santos, também foi infectado pelo vírus.
CFM. Ontem, o presidente do
CFM, Mauro Luiz Britto Ribeiro, entregou ao presidente Jair Bolsonaro um parecer em que afirma não haver evidências da eficácia do uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Ribeiro, no entanto, afirmou que os médicos estão autorizados a prescrever a substância para os pacientes em determinadas situações. Teich participou do encontro. “O posicionamento é que não existe nenhuma evidência científica forte que sustente o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid”, disse Ribeiro após a reunião. “No entanto, existem estudos observacionais,
Dia das Mães em agosto que têm pouco valor científico, mas são importantes”, acrescentou ele. O CFM concluiu que as drogas poderão ser usadas em três estágios da doença: em pacientes com sintomas leves desde que outras viroses tenham sido descartadas e que haja confirmação do
coronavírus; em pacientes com sintomas mais significativos ainda que não tenham sido internados e que não precisem de cuidados intensivos; e, por último, em pessoas cujo quadro seja grave. O uso preventivo da hidroxicloroquina não está autorizado. (Com agência)
Cautela. Nelson Teich disse que não há recomendação do ministério para o medicamento, que fica a critério dos médicos.
Proposta. Em reunião virtual com empresários, o governador de São Paulo, João Doria, propôs adiar o Dia das Mães de maio para agosto. Segundo ele, o adiamento seria apropriado para impulsionar o comércio. Comerciantes de SP pediram a reabertura econômica a partir do dia 1º de Maio, para aproveitar a data comemorativa, que é a segunda de maior faturamento do setor no ano. (Camila Mattoso/Folhapress)
10 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
CORONAVÍRUS
PANDEMIA
OMS diz que batalha será longa FABRICE COFFRINI/AFP - 11.3.2020
Para entidade, há um longo caminho a percorrer na luta contra a Covid-19 ¬ GENEBRA, SUÍÇA - A crise do
coronavírus será longa, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS), alertando sobre os riscos de uma suspensão prematura do confinamento para relançar as economias em crise, que foram objeto de uma cúpula europeia ontem. “Não se enganem: temos um longo caminho a percorrer. Este vírus estará conosco por muito tempo", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na quarta-feira (22), alertando sobre o "perigo" de ser imprudente diante da pandemia, que deixou mais de 190 mil mortos e 2,7 milhões de casos de contágio em todo o mundo desde seu surgimento na China, em dezembro. Apesar dos avisos, o estado da Geórgia, nos Estados Unidos, decidiu reabrir a partir de hoje seus estúdios de tatuagem e academias de ginástica. Cinemas e restaurantes também farão isso na segunda-feira (27), com medidas sanitárias rigorosas. A medida levantou dúvidas, até mesmo do presidente Donald Trump, ansioso para reiniciar a economia, mas que expressou seu "profundo desacordo" com o governador deste estado do sul. “É muito cedo, podem esperar um pouco”, disse Trump. Os Estados
Unidos têm 46.583 mortes por coronavírus, o número mais alto do mundo. REUNIÃO DA UE. A chanceler
alemã, Angela Merkel, disse que seu país está disposto, “em espírito de solidariedade”, a fazer “contribuições muito mais importantes” ao orçamento da UE. “Um plano de estímulo econômico europeu pode apoiar a recuperação nos próximos dois anos e estamos trabalhando nisso”, declarou Merkel aos deputados alemães. Vários países europeus tentam relançar a atividade econômica diante da queda do Produto Interno Bruto (PIB) e do aumento do desemprego, e por isso estão levantando parte das restrições de confinamento. Na Alemanha, a maioria dos estabelecimentos comerciais com menos de 800 metros (incluindo supermercados, livrarias e concessionárias de automóveis) abriram na segunda-feira, apesar de Merkel dizer que “ir muito rápido seria um erro”. Bares, restaurantes, centros culturais e esportivos ainda estão fechados e os estabelecimentos educacionais serão abertos gradualmente. Em Berlim e em outros dez dos 16 estados federais alemães, as pessoas serão obrigadas a usar máscara no transporte público. Áustria, Noruega e Dinamarca se comprometeram a suspender parte do confinamento, mas mantendo as medidas de distanciamento social. Itália, França, Suíça, Finlândia e Romênia também es-
Longo caminho. Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, pede prudência diante da pandemia que já matou mais de 190 mil pessoas
tão preparando um desconfinamento cauteloso. A Europa, apesar da desaceleração da epidemia, já contabiliza mais de 112.000 mortes por coronavírus. Itália e Espanha são os países mais afetados na Europa, seguidos pela França e Reino Unido. No Reino Unido, o chefe do serviço de saúde britânico, Chris Whitty, disse que, por enquanto, as medidas de contenção serão mantidas. “A longo prazo, conseguiremos na melhor das hipóteses, com uma vacina muito eficaz ou medicamentos muito eficazes que permitirão que as pessoas não morram da doença”, afirmou Whitty.
América Latina
Pior momento da pandemia A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou na quarta-feira (22) que a América Latina está prestes a experimentar o pior momento da pandemia de coronavírus e que os países da região devem expandir suas capacidades de detecção de vírus. “O epicentro da epidemia está se mudando da Europa para as Américas, o que nos deu tempo para nos preparar para o que está por
7
vir”, disse Cristian Morales, representante no México da OMS e da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), em uma entrevista coletiva virtual. “O que não é tão positivo e que não podemos esquecer é que estamos prestes a experimentar o pior momento da epidemia na região e no México”, acrescentou. Morales recomendou que os países expandam suas capacidades de detecção de ví-
rus nos níveis nacional e local, além de manter o distanciamento social. Até as 19h30 de ontem, a América Latina tinha 128.542 casos confirmados da Covid-19 e 6.643 mortes. O país com mais mortes na região é o Brasil, com 3.313 óbitos, seguido por México (970), Peru (572), Equador (560), República Dominicana (265), Colômbia (206), Chile (168), Argentina (159) e Panamá (144).
HERIKA MARTINEZ / AFP
Jogos Olímpicos de Tóquio
China vai doar US$ 30 mi
2021. As Olimpíadas de 2020, adiadas para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus, não podem voltar a ser adiadas, assim como as Paralimpíadas. Quem fez esse alerta ontem foi o presidente do Comitê Organizador, Yoshiro Mori, que explicou que a Olimpíada e a Paralimpíada, agora marcadas para o verão (no hemisfério norte) de 2021, não têm ‘nenhuma’ hipótese de voltarem a mudar de data.
OMS. A China anunciou ontem que contribuirá com 30 milhões de dólares adicionais à Organização Mundial da Saúde (OMS), alguns dias depois que os Estados Unidos decidiram suspender sua contribuição para a instituição. “Servirá para a prevenção e controle da epidemia de COVID-19 e para apoiar o desenvolvimento dos sistemas de saúde” em países menos ricos, declarou Geng Shuang, porta-voz da diplomacia chinesa.
KAZUHIRO NOGI/AFP - 19.3.2020
190 mil mortes no mundo Números. Mais de 190 mil pessoas já morreram em todo o mundo em decorrência da pandemia da Covid-19. O número de casos ultrapassou 2,7 milhões ontem. Os Estados Unidos continuam sendo o país mais afetado, com 876.156 casos e 49.648 mortes. Depois vem Itália (25.549 mortes), Espanha (22.157 mortes). Os dados foram coletados às 19h30 de ontem. México. País tem sofrido muito também com os registros da doença, que avança aceleradamente
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 11
aparte@otempo.com.br
A.PARTE
21 de abril
Deputado “príncipe” quer extinguir o Dia de Tiradentes e criar outro feriado O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSLSP), descendente da família imperial brasileira, quer excluir o Dia de Tiradentes, comemorado em 21 de abril, da lista de feriados nacionais. No lugar, o “príncipe” propôs criar um feriado no dia 22 de abril, data que marca a chegada dos portugueses ao Brasil. Atualmente, o projeto aguarda a designação do relator na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. O texto tramita sob apreciação conclusiva pelas comissões, o que significa que pode transformar-se em lei após a aprovação na Comissão de Cultura, sem a exigência de ser aprovado em plenário.
O deputado considera que o “descobrimento” do Brasil possui legitimidade histórica e relevância na constituição da identidade nacional brasileira. Como justificativa, o parlamentar afirma que o Dia de Tiradentes foi uma criação do regime republicano instalado após um golpe militar em 15 de novembro de 1889. “Para que não permaneçam dois feriados nacionais em datas contíguas, estamos revogando o feriado de 21 de abril, relativo à morte de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como ‘Tiradentes’. Essa data é uma criação do regime republicano, instalado no Brasil através de um golpe militar que baniu a família imperial brasileira. A República recém-instalada ne-
cessitava de símbolos e personagens históricos para sua legitimação perante o conjunto da população brasileira”, escreve Orleans e Bragança na justificativa do projeto. A proposta gerou reações. A professora do Departamento de História da UFMG Heloísa Starling ironizou: “Quer dizer então que o descendente de Dona Maria I, a ‘Louca’, responsável por dar a ordem do enforcamento, continua perseguindo Tiradentes 228 anos depois?”, questionou. “Este projeto traduz um desconhecimento da história do Brasil e uma tremenda insensibilidade com a cultura de Minas Gerais. Não deixamos de identificar ares de frustração por sermos uma República”, disse o
DHAVID NORMANDO/DIVULGAÇÃO
presidente do Instituto dos Advogados de Minas Gerais, Felipe Martins Pinto. Segundo ele, a instituição não medirá esforços para sepultar qualquer iniciativa que vise reduzir a cultura e a história de Minas. O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSLSP) foi um dos autores do manifesto de fundação do Aliança pelo Brasil, legenda anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas que ainda não reuniu assinaturas suficientes para sua criação. Nas eleições de 2018, Orleans e Bragança chegou a ser cogitado pelo então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, para ser o vice da chapa. (Pedro Augusto Figueiredo)
Repercussão geral
STF decide que dano ambiental é imprescritível O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a reparação civil de dano ambiental é imprescritível, ou seja, não há prazo para se pedir à Justiça responsabilização por esse tipo de crime. A tese foi definida em julgamento de um caso de danos causados por madeireiros na exploração de terras indígenas no Acre nos anos 80. Condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), eles defendiam no Supremo a prescrição do caso. O caso tem repercussão geral – ou seja, juízes de todo o país devem decidir da mesma forma na análise de ações semelhantes.
Recomposição do ICMS é a alternativa para Minas Gerais, afirma secretário de Fazenda ¬ A salvação para Minas Ge-
rais se recuperar dos impactos econômicos do enfrentamento do coronavírus e voltar a ter “certa normalidade” no pagamento de salários atrasados é o projeto que trata da recomposição das perdas com o ICMS que tramita no Congresso, avalia o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Gustavo Barbosa, em entrevista exclusiva a O TEMPO. O pagamento de salários do funcionalismo pode atrasar a partir de maio devido à queda na arrecadação de impostos pela diminuição da atividade econômica gerada pelo novo coronavírus. O Estado ainda não pagou inte-
gralmente os salários de abril, exceto para as forças de segurança e os funcionários da saúde. A projeção é que a queda na arrecadação de maio seja de R$ 2,2 bilhões, quase o dobro da redução de R$ 1,15 bi prevista para abril. A arrecadação do ICMS em determinado mês é definida pela atividade econômica do mês anterior. Assim, o impacto em abril será menor porque, até o dia 20 de março, o comércio e os serviços em Minas estavam funcionando com relativa normalidade. De acordo com Gustavo Barbosa, a recomposição do ICMS é essencial porque o
imposto é a principal fonte de arrecadação do Estado. Outras medidas já anunciadas, como a compensação do Fundo de Participação dos Estados (FPE), têm pouco impacto na arrecadação. “A grande influência na arrecadação de Minas é o ICMS. Então, para nós, é fundamental que seja aprovada a recomposição para que a gente volte a ter uma certa normalidade nos pagamentos que estão atrasados”, disse o secretário. O projeto de lei propõe recompor as perdas com o ICMS com base nos valores nominais arrecadados em 2019. (PAF)
Mansueto Almeida Sec. do Tesouro Nacional
x
“O governo não tem força para puxar investimento via recurso público, falta espaço fiscal. Mas, quando sairmos da crise, cabe a nós mostrar aos investidores privados que teremos estabilidade de regras para recebermos esses investimentos. (...) O passado nos ensina que o Estado como grande investidor não funcionou.”
PAULO PAIVA ptapaiva@gmail.com
Reinvenção do BDMG
A
criação dos bancos estaduais de desenvolvimento (BDs), em meados do século passado, foi uma importante inovação para oferecer financiamento de longo prazo, não disponível pela banca privada. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) nasceu em 1962. Mais tarde, no período de combate à hiperinflação e de controle fiscal, esses bancos perderam sua razão de ser. No âmbito do Programa de Incentivo à Redução dos Bancos Estaduais (Proes), foram transformados em Agências de Desenvolvimento. O BDMG foi um dos poucos remanescentes. Agora, na crise da saúde, voltou a necessidade imperiosa da ação do Estado na economia, não apenas durante a epidemia, mas também depois, para estimular a retomada do crescimento. Surge outra oportunidade para nova onda de inovação dos BDs. É a chance para a reinvenção do BDMG. Antes de a Covid-19 chegar ao Brasil, a atual administração do banco havia traçado seu plano estratégico para o período 2020-24 e, com muito sucesso, diversificando seus fundos com recursos internacionais, principalmente voltados para a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Com a parada brusca da economia, como ocorreu, o país não entrou em uma recessão por excesso de demanda. Foi um choque exógeno na oferta que travou o crescimento. Nesse caso, os instrumentos usuais de estímulo ao consumo não terão eficácia. O desafio será recuperar a oferta para promover o crescimento. Os novos tempos exigem, pois, revisão da estratégia do BDMG. No imediato pós-crise, será necessário estimular o aumento da produtividade, merecendo grande atenção os projetos de inovação digital e de infraestrutura, áreas em que o banco tem expertise. Na pauta institucional da inovação do BDMG deveriam estar incluídas a revisão da Resolução 394/1976 do Banco Central, que o regulamenta, e a flexibilização dos critérios de Patrimônio de Referência (PR) adotados no âmbito dos Acordos de Basileia. No entanto, seu desafio maior será ampliar seu capital, que deve ser público. Ante a enorme restrição fiscal do Estado, não se podem esperar recursos orçamentários. Há de se explorar a possibilidade da inclusão de sócios institucionais públicos, como BNDES, bancos multinacionais e outros. Para as operações com micro, pequenas e médias empresas, onde os riscos são maiores, seria aconselhável constituir um fundo garantidor com fluxos dos dividendos da Cemig, da Copasa e da Codemig, a serem recebidos pelo governo no futuro. Para o financiamento de projetos de inovação, cujos riscos não serão jamais assumidos por bancos privados, seria possível a criação de fundos de investimentos, com participação da Fapemig e de investidores nacionais e internacionais. Ademais, poderia apoiar as empresas mineiras para acessarem o mercado de capitais. A reinvenção do BDMG restabelece sua importância para o crescimento da economia mineira.
12 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
Política
7 STF quer informações I
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, decidiu ontem pedir informações ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sobre o pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro apresentado em março pelos advogados José Rossini Campos e Thiago Santos de Pádua.
7 STF quer informações II
Os advogados acionaram o Supremo para que os parlamentares analisem imediatamente a abertura de um processo contra Bolsonaro. Mello fixou um prazo de 10 dias para que Maia envie esclarecimentos à Corte – o presidente da Câmara é acusado de ser omisso sobre a análise do tema.
TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838
|
Impasse. Presidente e ministro da Justiça tiveram reunião para discutir possibilidade de substituir diretor
Bolsonaro pode trocar chefe da PF, e Moro se posiciona contra DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 23.8.2019
Expectativa. Jair Bolsonaro e Sergio Moro tiveram reunião para discutir a troca do comando da Polícia Federal. O ministro não concorda com a mudança do diretor e avalia se permanece à frente da pasta
Ministério não confirma saída de ex-juiz, após dia de especulações ¬ BRASÍLIA. O aviso do presi-
dente Jair Bolsonaro (sem partido) ao ministro da Justiça, Sergio Moro, de que pretende substituir o diretor geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, causou grande movimentação em Brasília ontem. Moro teria dito ao presidente que não concordava com a troca e que iria reavaliar a sua permanência no governo. Ao fim da reunião, o ministro da Justiça deixou o Palácio do Planalto sem uma definição do seu futuro. Os militares do primeiro escalão tentam encontrar uma solução para o impasse. Bolsonaro quer indicar o nome do chefe da PF, mas Moro se opõe a ficar sem Valeixo, com quem trabalha desde os tempos da operação Lava Jato, e, principalmente, a não ter poder de
decisão sobre um dos principais cargos do seu ministério. O jornal “Folha de S.Paulo” chegou a afirmar que Moro havia pedido demissão por causa da intenção de Bolsonaro de demitir Valeixo. O jornal “O Globo” e a emissora CNN informaram que Moro teria condicionado a permanência no governo à manutenção de Valeixo na PF. No entanto, em nota enviada à reportagem, o Ministério da Justiça afirmou que “o ministro não confirma o pedido de demissão”. Questionada se Moro nega que teria pedido para ser exonerado do cargo, a pasta não respondeu. Outra informação muito veiculada foi de que Bolsonaro teria colocado uma série de condições para Moro permanecer no cargo, e a decisão de seguir seria integralmente do ministro. Caso ele não concordasse, o presidente aceitaria sua saída. O governo não revelou quais seriam essas condições. Nos bastidores, a ameaça
de demissão é encarada como uma pressão de Moro, o ministro mais popular do governo. Por outro lado, Bolsonaro, durante a crise com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que não há ministro “indemissível”. Em outra ocasião, disse que usaria sua caneta contra pessoas do governo que “viraram estrelas”. Para interlocutores do presidente, o recado mirava não apenas Mandetta, mas também Moro, que vinha sendo alvo de reclamação de Bolsonaro por não se empenhar na defesa das posições do governo (leia mais na página ao lado). Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem faz essa escolha. Interlocutores de Valeixo dizem que a tentativa de o substitui ocorre desde o início do ano, mas que não teria relação com o que aconteceu no ano passado, quando Bolsonaro tentou, pela primeira
vez, trocá-lo por outro nome. Na ocasião, o presidente teve que recuar diante da repercussão negativa que a interferência no órgão de investigação poderia gerar. Para Moro, a manutenção de Valeixo é fundamental para garantir a autonomia da PF. PRESSÃO. Outra especulação
feita nos corredores do Congresso é que a saída de Valeixo seria um pedido dos parlamentares do centrão para que eles possam fazer parte da base do governo de Bolsonaro no Congresso. O pedido pela demissão de Valeixo seria uma estratégia calculada por esses parlamentares, que já esperariam a saída de Moro após a substituição de Valeixo. Muitos parlamentares do centrão foram ou ainda são investigados na Lava Jato – alguns já respondem a processos. A saída, tanto de Moro quanto de Valeixo, seria uma forma de enfraquecer as investigações. O governo não se posicionou.
Maurício Valeixo
Diretor é especialista em inteligência O delegado da Polícia Federal (PF) Maurício Valeixo é especialista em combate ao narcotráfico internacional e em ações de inteligência policial. Com mais de 20 anos de corporação, o escolhido pelo ministro Sergio Moro atuou nos dois maiores casos da carreira do ex-magistrado: as operações Banestado e Lava Jato. Então superintendente da Polícia Federal no Paraná, Valeixo compartilha com Moro as raízes paranaenses. Ex-chefe da Inteligência da PF, ex-diretor de combate à corrupção e duas vezes superintendente da PF no Paraná, Valeixo é considerado um quadro técnico, mas com fortes ligações com o ex-diretor geral Leandro Daiello –
7
BRASÍLIA.
que comandou a corporação por seis anos nos governos da ex-presidente Dilma Rousseff. Sob o comando de Daiello, Valeixo foi o número 3 na hierarquia da corporação, como diretor da Diretoria de Combate do Crime Organizado (Dicor), área considerada chave para a gestão de Moro no governo Bolsonaro. Permaneceu no cargo entre 2015 até o fim de 2017. O diretor geral assumiu o posto com a missão de fortalecer a PF, com foco no combate à corrupção e ao crime organizado, livrando-a de ingerências políticas e estabelecendo autonomia para investigar quem quer que seja.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 13
POLÍTICA
Tensão. Divergências ocorrem desde o início do governo
Desgastes estão se acumulando Cobrado a defender governo em críticas ao isolamento, Moro não se posicionou ¬ BRASÍLIA. O ministro da
Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, tem se negado a fazer uma defesa enfática do presidente Jair Bolsonaro durante a crise do coronavírus. O desgaste pode ter pesado ainda mais ontem após o presidente indicar mudanças na Polícia Federal. Durante a pandemia, Moro teria se irritado por ser pressionado por interlocutores do Palácio do Planalto a defender o fim do isolamento social. Ele afirmou que se manteria em silêncio caso questionado, mas que não iria contrariar suas convicções e defender algo em que não acreditava. Aliados de Moro avaliam que ele foi um dos alvos da recente declaração de Bolsonaro de que usaria
a caneta contra “estrelas” do governo federal. “Algumas pessoas do meu governo... algo subiu à cabeça deles. Estão se achando demais. Eram pessoas normais, mas, de repente, viraram estrelas, falam pelos cotovelos, tem provocações. A hora D não chegou ainda, não. Vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona”, afirmou Bolsonaro, no início do mês, a um grupo de religiosos na porta do Alvorada. Assessores próximos avaliaram que o desgaste entre eles acabou aumentando após Moro defender indiretamente medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde. Desde setembro, Moro e Bolsonaro divergem sobre a condução do ministério. O presidente tentou por três vezes nos últimos sete meses trocar o comando da Polícia Federal, que, hoje, está nas mãos de Valeixo, homem de confiança do ministro da Justiça. A tensão ronda a pasta
desde o final de semana quando o Planalto tentou convencer Moro a reabrir fronteiras do Uruguai sem o aval técnico da equipe da Saúde. O ministro não cedeu. O presidente tentou ainda que o ministro defendesse seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (RepublicanosRJ), no caso da “rachadinha” envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz. O ministro também se negou. Nas últimas semanas, o ministro tem dado sinais à equipe que o seu tempo no governo poderia estar próximo do fim. Moro passou o último fim de semana em Curitiba com a família e atendeu a poucos telefonemas. No domingo, pessoas próximas perguntaram ao ministro o que ele tinha achado da ida do presidente à manifestação e Moro não quis comentar. O ministro é alvo constante de críticas da ala ideológica do governo que, não vê nele o engajamento necessário para defender Bolsonaro. ALEX DE JESUS - 27.6.2019
EDITORIA DE ARTE / O TEMPO
RELAÇÃO CONFLITUOSA Veja dez embates entre Bolsonaro e Moro 1 Conselho ignorado Logo no primeiro mês do governo, Moro e Bolsonaro bateram cabeça sobre o projeto de flexibilização da posse de armas. O ministro, que não defendeu a medida, sugeriu limitar o registro a duas armas por pessoa, o decreto fixou o número em quatro
2 Indicação rejeitada No segundo mês do governo, o ministro teve de rever a nomeação de Ilona Szabó, especialista em segurança pública, para o Conselho Nacional de Política Criminal. Contrária à liberação de armas, Ilona foi atacada nas redes sociais por aliados do presidente e Moro desistiu da indicação
3 “Laranjas” no PSL A suspeita de candidaturas “laranjas” no PSL, à época partido de Bolsonaro, gerou situação de desconforto para o ministro. Moro adotou uma postura evasiva quando questionado sobre as denúncias, dizendo que a PF deveria investigar se “houvesse necessidade”
4 Mudança do Coaf Em maio do ano passado, o Congresso aprovou (com apoio do Planalto) mudança do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, do Ministério da Justiça para a Economia. Logo depois, o órgão foi transferido para o Banco Central. O chefe do Coaf escolhido por Moro, Roberto Leal, foi substituído
5 Troca na Polícia Federal A primeira intervenção de Bolsonaro na PF aconteceu em agosto do ano passado, quando o presidente anunciou que Ricardo Saadi seria substituído por Alexandre Silva Saraiva na Superintendência do Rio de Janeiro. A interferência gerou cobranças ao ministro e Bolsonaro afirmou que cabe a ele fazer nomeações na PF
Interferência. Para procurador Carlos Fernando, governo tenta influenciar investigações da PF
Ex-procurador da Lava Jato ataca Bolsonaro ¬ SÃO PAULO. O ex-procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, saiu em defesa do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e atacou o presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais ontem, logo após notí-
cia sobre a possível interferência na troca no comando da PF. “Moro deve sair. Bolsonaro não é correto, não tem palavra, deixou o ministro sem qualquer apoio no Congresso tanto nas medidas contra a corrupção quanto durante o episódio criminoso da Intercept, e nun-
ca foi um real apoiador do combate à corrupção”, escreveu o ex-procurador. Desde o ano passado, Lima acusa Bolsonaro de tentar “subordinar” a PF e o Ministério Público para salvar “os seus”. Aposentado desde 2019, ele virou consultor e palestrante.
FONTE: FOLHAPRESS
6 “Vaza Jato” Mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato foram divulgadas pelo site The Intercept. O ministro foi acusado de ter aconselhado os procuradores do Ministério Público, enquanto era juiz federal. Moro não confirmou a veracidade dos diálogos e minimizou o conteúdo das denúncias
7 Destruição de provas Quando a PF prendeu quatro suspeitos de hackear as autoridades e captar as mensagens divulgadas pelo The Intercept, Moro afirmou que o material hackeado seria destruído. No dia seguinte, Bolsonaro e representantes da PF afirmaram que a decisão não caberia ao ministro
8 Pacote anticrime Elaborado por Moro, o texto foi muito modificado no Congresso, onde o governo não teve articulação política. Várias propostas do ministro foram retiradas do projeto. Moro apresentou a Bolsonaro uma lista de 38 sugestões de veto ao texto final, apenas quatro foram atendidas
9 Juiz das garantias Aprovada junto com o pacote anticrime, a proposta de se criar um juiz de garantias que atue como um revisor de processos penais, foi duramente criticada pelo ministro da Justiça. O presidente, no entanto, sancionou o projeto sem vetar a criação do juiz de garantia
10 Ministério da Segurança Pública Em janeiro deste ano, Bolsonaro disse que poderia recriar a pasta da Segurança Pública, desmembrando o ministério de Moro. A mudança tiraria do ministro sua principal vitrine: a queda nos índices de violência. Após Moro ameaçar deixar o cargo, Bolsonaro desistiu da medida
14 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 15
POLÍTICA
Planalto. Secretário de Segurança do Distrito Federal e diretores do Depen e da Abin são cotados para o cargo
Se houver substituição na PF, Moro quer escolher o sucessor LÚCIO BERNARDO JR -AGÊNCIA BRASÍLIA -15.9.2019
AGENCIA BRASIL - 5.6.2019
CLAUDIO REIS/FOLHAPRESS - 14.2.2020
Anderson Torres, secretário no DF, é preferido do Planalto
Alexandre Ramagem trabalhou como segurança de Bolsonaro
Fabiano Bordignon é chefe do Departamento Penitenciário
Dos três nomes especulados, dois são próximos do ministro da Justiça ¬ BRASÍLIA. Ao supostamen-
te ter ameaçado pedir demissão do cargo de ministro da Justiça caso o comando da PF fosse trocado pelo presidente Jair Bolsonaro, Sergio Moro atuou para manter o controle na sucessão da corporação e emplacar um nome de sua confiança. O atual diretor geral, Maurício Valeixo, já negociava uma saída pacífica do cargo em meados de junho, mas aguardava Moro deflagrar o processo de sucessão. Um dos nomes do agrado do presidente Jair Bolsonaro, o delegado Anderson Torres, atual secretário de Segurança Pública do governo do Distrito Federal (DF), enfrenta total oposição de Moro. Desde o fim do ano passado, Torres tem se articulado politicamente para suceder Valeixo, o que gerou descontentamento do atual ministro. Fontes da cúpula da PF avaliam que a indicação de Torres seria um aceno de Bolsonaro para políticos do centrão, que são alvos de investigações na Lava Jato. Um dos padrinhos do delegado é o governador do DF Ibaneis Rocha, do MDB, que esteve no Planalto ontem para uma reunião sobre coronavírus. Seu nome sofre resistência dentro da PF, após o malsucedido movimento para derrubar Valeixo no fim do ano. Um dos nomes que têm a confiança de Moro para o cargo é o do atual diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) Fabiano Bordignon, que também é visto com bons olhos dentro da PF. Também paranaense, Bordignon era chefe da delegacia da PF em Foz do Iguaçu (PR) antes de ter sido levado por Moro para dirigir o Depen, no início de sua gestão como ministro da Justiça. Outro nome cotado para comandar a PF é o do atual diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que tem a confiança do presidente e também tem bom trânsito com seus
filhos. Ramagem foi chefe da equipe de segurança do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro em 2018. Com a convivência, caiu no gosto do recém-eleito presidente e foi chamado para dirigir a Abin. Fontes da PF apontam que Moro também mantém uma boa relação com Ramagem. Ramagem também tem apoio de parte da ala militar do governo. Ontem, os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) deflagraram uma operação para evitar a saída de Moro do ministério mesmo se houver avanço na troca da PF. Questionado em entrevista coletiva no fim da tarde se Moro vai permanecer no governo, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, respondeu simplesmente que a assessoria do ministro Moro já havia desmentido a saída dele do governo. “Já está publicada essa informação”, declarou Braga Netto, que fez referência a “notícias que estão correndo”.
Mercado Financeiro
Futuro
Incertezas políticas derrubam bolsa e fazem dólar disparar
Relação com Congresso pode piorar
SÃO PAULO. A turbulência política envolvendo a possível saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, fez com que o dólar subisse 2% ontem, tendo sido este cotado a R$ 5,5278. A moeda americana para turismo terminou o dia sendo vendida por R$ 5,77. A notícia fez o mercado financeiro brasileiro descolar das principais Bolsas globais, levando o Ibovespa a uma queda de 1,26%, a 79.673 pontos. “Tanto faz como o episódio terminará, com ministro Sergio Moro dentro ou fora do governo. É um sinal a mais de fraqueza do governo”, diz relatório do banco Fator. A instabilidade política levou o dólar ao segundo recorde nominal seguido. Em termos reais (corrigidos pela inflação), porém, a moeda ainda está longe de sua máxima
7
de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50. “Há uma incerteza sobre o que vai acontecer. O mercado tem estado mais otimista nos últimos dias, com a percepção
Em alta Valorização. Nesta semana, a moeda americana acumula valorização de 5,4%, ficando R$ 0,28 mais cara. Desde o início de 2020, a alta do dólar é de 37,6%.
de que a desvalorização foi exacerbada em março. Caso se confirme a demissão, o cenário pode ficar mais negativo”, afirma Thomaz Fortes, gestor de fundos da Warren. Ele aponta que, assim como a saída do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), a saída de Moro não interfere tanto no mercado financeiro, que preza mais pela equipe econômica de Paulo Guedes (Economia). “Apesar de Moro ser popular, o mercado está mais atento ao Guedes e ao Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central”, diz Fortes. “Com a saída de Moro, o governo perde força e ganha instabilidade. Ele, junto a Guedes e Bolsonaro, é um dos três pilares do governo. Com sua saída, o perfil do governo muda”,afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.
7
BRASÍLIA. O aviso do mi-
nistro Moro de que poderia deixar o governo gerou reação no Congresso. “Vai ficar uma situação difícil se Bolsonaro insistir nessa troca. O suporte do governo está ancorado em Paulo Guedes e Moro. Deixar com uma perna só vai bambear”, afirmou o líder do PSL no Senado, Major Olimpio. Moro conta com apoio de ala do Congresso para pautas como a prisão após condenação em segunda instância e medidas do pacote anticrime. Governistas tentam afastar a tese de conflito na esperança de que a demissão não se concretize. “Se isso acontecer (troca na PF), não é uma crise entre Bolsonaro e Moro”, disse o senador Marcio Bittar (MDB), vice-líder do governo.
16 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
Editorial
~
O.PINIAO
RECURSOS DA SAÚDE A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os próximos dias serão de provação para os países da América Latina com relação à pandemia. Segundo um estudo da Global Health Inteligence, o Brasil é o país mais bem-preparado do continente para enfrentar esse desafio. Entre 13 países pesquisados, o Brasil foi o único a ter, por exemplo, crescimento no número de respiradores mecânicos nos últimos três anos – uma alta de 30% que representa a disponibilidade de 52 mil unidades. Segundo a consultoria, dos leitos de UTI brasileiros, 16% estão equipados com respiradores – índice maior até do que o do Chile, considerado referência no continente e que tem somente 5% de suas unidades com esse recurso. Uma das explicações, segundo os responsáveis pela pesquisa, é a política de investimentos públicos na saúde, que, desde 2015, prevê a destinação de 15% da Receita Corrente Líquida para o setor. No ano passado, isso representou o equivalente a R$ 117 bilhões. Contudo, o Brasil ainda enfrenta a barreira da concentração desses recursos. Quatro unidades da Federação (São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Minas Gerais) respondem por mais de 80% dos leitos de UTI do Brasil. Há também uma desesperada carência de profissionais da área. Em levantamento do jornal “O Globo”, de 8.200 novas vagas temporárias criadas após o início da pandemia, 3.600 ficaram sem ser preenchidas. Em Minas, de edital lançado recentemente, 60 postos ficaram vagos. Esse recurso humano valioso também é extremamente concentrado. Só oito Estados estão acima da meta de 2,5 médicos por mil habitantes, segundo dados da Sociedade Brasileira de Medicina de Família, o que é um obstáculo ao combate eficaz à pandemia em todo o território nacional.
FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO
Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães
GERENTE COMERCIAL
EDITORES EXECUTIVOS
Alessandra Soares
Renata Nunes Cândido Henrique Silva Juvercy Júnior
GERENTE DE ASSINATURA
Fernanda Rodrigues GERENTE INDUSTRIAL
Guilherme Reis GERENTE DE CIRCULAÇÃO
Isabel Santos GERENTE ADMINISTRATIVO
Rômulo Lima
COORDENAÇÃO DE JORNALISMO
Flaviane Paixão EDITORES
Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira
OPINIÃO
Duke
www.dukechargista.com.br
GABRIEL AZEVEDO Vereador em Belo Horizonte (Patriota) ver.gabriel@cmbh.gov.br
Belo Horizonte no caminho certo Resultados das ações e equilíbrio entre vida e economia
A
s imagens divulgadas nos últimos dias por diversos veículos de imprensa do Brasil e do exterior, mostrando a abertura de valas comuns em cemitérios de Manaus para o sepultamento de vítimas da Covid-19, atestam a gravidade da pandemia de coronavírus que o Brasil enfrenta. A capital do Amazonas não seguiu as normas de isolamento social, conta com apenas 19 respiradores e não tem mais vagas em sua rede hospitalar. Em resumo, o sistema de saúde entrou em colapso, e muitas pessoas estão morrendo em casa, sem atendimento médico. A situação em outras capitais brasileiras também é extremamente grave, embora ainda não tenha chegado ao caos vivido em Manaus. Belém, Fortaleza e Recife, todas com percentual de ocupação das Unidades de Terapia Intensivo (UTIs) acima de 90%, esperam para as próximas horas a repetição do drama do Amazonas. E, o que é pior, o colapso virá antes do pico da pandemia, de acordo com especialistas que assessoram os governos estaduais no enfrentamento do novo coronavírus. Lamentavelmente, vamos ver uma tempestade perfeita: explosão da contaminação e falta de respiradores e de leitos nas UTIs. Por enquanto, não há nada que possa indicar a repetição dessa tragédia
em Belo Horizonte no curto prazo. Entretanto, diante de um vírus novo e com altíssima capacidade de transmissão e letalidade, não há como fazer previsões para um cenário de médio prazo. Entretanto, o último boletim com dados sobre a situação em Minas Gerais, divulgado na
Não podemos desprezar o esforço coletivo que fizemos nas últimas semanas e, de forma irresponsável, aderir a um relaxamento desordenado quinta-feira, apontando 482 casos e nove mortes na capital, indica que estamos conseguindo bons resultados no esforço de provocar o “achatamento da curva” da Covid-19. Isso significa, de acordo com análise dos dados atualmente disponíveis, que a transmissão do novo coronavírus em nossa cidade está mais lenta e atinge um menor número de pessoas. Mesmo sem a aplicação de testes em massa, para ter maior clareza científica sobre o comportamento do vírus, a situação da pandemia neste momento não fugiu ao controle das autoridades municipais de saúde, e é possível continuar a impedir o colap-
so de saúde já vivido por outras capitais, como citei no começo desse artigo. O primordial agora é que os 2,5 milhões de belo-horizontinos continuem a manter o isolamento social, seguindo as orientações dos médicos e da prefeitura. Não podemos desprezar o esforço coletivo que fizemos nas últimas semanas e, de forma irresponsável, aderir a um relaxamento desordenado, baseado apenas nos interesses de grupos privados e em total desacordo com as recomendações científicas. Não é hora de mudar nossa maneira de enfrentar a pandemia. Os exemplos de que essa aventura resulta em mais mortes são muitos e vêm de vários países. Defensores do fim do isolamento alegam que não se podem ignorar os efeitos da quarentena sobre a economia. Sim, esses efeitos são reais. Entretanto, é possível mitiga-los, como está sendo feito em outros países, que retomaram a produção econômica sem abrir mão do isolamento antes da hora. Encontrar o equilíbrio entre a preservação da vida e a retomada da economia é crucial. Esse será o tema da reunião especial remota que farei no próximo dia 28. Quem quiser participar pode entrar em contato. Não é para sugerir o fim do isolamento sem embasamento técnico. É justamente para planejar como diminuir os danos econômicos causados pela quarentena, sempre reconhecendo que ela salva vidas.
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 17
OPINIÃO
x
entre aspas
“Não se enganem: Esse vírus nos acompanhará por um longo tempo.” Tedros Adhanom Ghebreyesus
“Nossa diretriz é sair com um crescimento forte e busca de equilíbrio.” Waldery Rodrigues
DIRETOR GERAL DA OMS
Secretário especial de Fazenda
Acerca da pandemia de Covid-19
Sobre a recuperação da economia
Cristovam Buarque
Critérios de atendimento no sistema de saúde
Professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) www.cristovam.org.br
A lógica Teich
A
ntes mesmo de assumir o cargo, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, fez a afirmação absurda: na falta de leito no hospital, escolhe-se para sobreviver o doente jovem. Teich explicitou a realidade imoral praticada todos os dias, com ou sem epidemia, e não só nos hospitais e na saúde, mas em todos os serviços sociais, com escolha não pela idade, mas pela renda. Independentemente do coronavírus, quem recorre aos melhores hospitais é quem pode pagar por eles. Sendo um dos velhos que seria preterido, posso dizer que o critério indecente do ministro com base na idade
não é mais desumano do que o critério baseado na renda. É por esse critério que há décadas deixamos morrer pessoas sem dinheiro para pagar médico e hospital, para ter água tratada e rede de esgoto em casa, comida suficiente na mesa. Não é por escolha dos médicos: o sistema social escolhe pela renda. Essa seleção da sobrevivência ocorre desde o nascimento. O sistema social escolhe as crianças que morrerão na primeira infância, por falta de comida, água limpa e saneamento; seleciona quais entrarão em boas escolas e permanecerão nelas e quem vai adquirir conhecimento para enfrentar a
competição do mundo moderno. A escola é o balão de oxigênio do cérebro e seleciona os que se beneficiarão dela. Apesar do esforço do SUS, a sobrevivência vem ocorrendo pela renda do doente, sob os olhares de todos cuja triste realidade social brasileira não queremos ver nem entender. Ao falar da escolha por idade, o novo ministro explicita a imoralidade da escolha por renda. Com a desumanidade da lógica que apresentou, desnudou o desumanismo do sistema social. Indignados com a ideia desumana da seleção beneficiando jovens, toleramos a seleção que beneficia ricos, tanto na saúde quanto na moradia, no
transporte, nas escolas. Não toleramos a preferência de leitos para jovens, mas aceitamos com naturalidade a preferência para quem pode pagar por eles. Seria bom se a frase do doutor Teich servisse para mostrar o desumanismo do sistema social que nega escolas de qualidade para os que têm pouco dinheiro e, em consequência, levarão a vida sem emprego de qualidade, sem renda e sem hospital. Embora indignados com a indecência etária, aceitamos a indecência monetária da medicina privada. O Mapa da Desigualdade mostrou que, no ano passado, moradores de
um bairro pobre em São Paulo viviam até 23 anos menos que os de um bairro de classe média. Ao reclamar da indecente hipótese do novo ministro, precisamos lembrar que os jovens negros das periferias de nossas cidades vivem menos que os habitantes dos bairros privilegiados. Todos os dias o sistema está escolhendo quem vai sobreviver e quem não vai: quem será analfabeto, desempregado, sem teto, sem água, sem saneamento, sem esperança, preteridos nos hospitais quando precisam. A lógica Teich, na verdade, é a velha lógica do sistema.
Thiago Camargo
Tecnologia, gestão e desenvolvimento da economia do Estado
Advogado; sócio do escritório Marcelo Guimarães Advogados e da Sinapse Consultoria e Projetos
Minas 4.0: por uma agenda disruptiva pós-pandemia
A
experiência dolorosa vivenciada com a pandemia e as restrições ao convívio social acabaram por impor a adoção de soluções tecnológicas e inovadoras em diversas áreas. Agora mesmo transformações estão acontecendo em empresas, escolas, bancos e governos em resposta à pandemia. A telemedicina está sendo implementada em larga escala. Milhões de pessoas estão sendo contempladas pelo auxílio emergencial via banco digital. O teletrabalho está sendo massificado, e uma série de empresas, clubes, escolas e governos lutam para adotar modelos de gestão e processos mais inovadores e digitais. Por sua vez, o mundo está repleto de ações que podem servir de inspiração para a adoção de um novo para-
L.EITOR a
E-MAIL opiniao@otempo.com.br
digma. A Estônia é o exemplo mais famoso. Naquele pequeno país báltico, que foi apelidado de “república digital”, acontece uma revolução. Hoje, o cidadão e a economia da Estônia são amplamente beneficiados por um amplo programa de tecnologia digital em larga escala: o E-Estônia. Lá, o governo e a sociedade se preparam para o futuro, tendo universalizado o acesso à internet ainda no século passado e as interações entre cidadãos e governo por meio digital. Com isso, atualmente, apenas casamentos, registros imobiliários e uma ou outra atividade burocrática precisam ser feitos face a face. Imagine o impacto para cidadãos e empresas que a adoção maciça de uma revolução digital nos governos brasileiros causaria?
Minas Gerais possui todas as condições para liderar um profundo processo de transformação nesta direção, com vistas a transformar nosso Estado num Estado moderno, digitalizado e infinitamente menos burocrático. Uma “Minas 4.0”, termo utilizado comumente pela indústria para simbolizar a quarta revolução industrial em curso, baseada nas transformações ocasionadas pelas novas tecnologias e que poderia ser beneficiada pela presença em Minas Gerais de uma mão de obra qualificada, universidades e empresas de ponta e instituições de representação empresarial muito atuantes. Minas tem pressa. Mesmo com o pacote de ajuda em aprovação no Congresso Nacional, nosso Estado será du-
ramente afetado, com uma queda vertiginosa da arrecadação. A pandemia se somará à crise estrutural mineira, aprofundada em 2019 pelo desastre de Brumadinho e pela ausência de uma profunda reforma da Previdência estadual. O quadro é absolutamente dramático. As soluções terão que ser estruturais e demandarão, de forma complementar e radical, melhorias na governabilidade, na governança e na gestão do Estado. Passada a pandemia, será necessário mais do que boa gestão e boa política para sairmos da grave crise fiscal, social e política a que estaremos submetidos. Precisaremos repensar o Estado e a sociedade, tendo como eixo a adoção maciça de novas tecnologias, muitas já existentes e cada vez mais
acessíveis, com vistas a revolucionar a gestão do Estado e o desenvolvimento da economia mineira. É necessário imediatamente priorizar a construção de uma ampla agenda de transformação digital e tecnológica que englobe empresas, poder público e sociedade, que ajude a aumentar a produtividade dos setores públicos e privados de maneira exponencial, em especial nos setores que o Estado possua vantagens competitivas. Trata-se de um passo imprescindível para que, juntos com o que temos de melhor – os mineiros e as mineiras, nossa cultura e nossa gente – possamos sair da mais profunda e grave crise de nossa geração e construir um projeto de desenvolvimento e de futuro para Minas Gerais.
Governo
nico sem aquele compadrio dos governos anteriores – e que pode não ter aquela “liturgia do cargo” que tivemos no passado – quando roubavam o país descaradamente por trás –, mas que é honesto, ou você prefere que o velho sistema volte com tudo? Só o fato de 50% da população não
ter saneamento básico até hoje já mostra para onde vem escorrendo há décadas o dinheiro público.
Bolsonaro manifestar-se a favor da intervenção militar nas nossas instituições democráticas! Manifestou também pela aplicação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5)! O golpe militar de 1964 e a promulgação do AI-5 envergonham a nossa história pela violação aos direitos humanos e à democracia!
aCaro eleitor, o que você prefere? Beatriz Campos
Um presidente eleito democraticamente, que até agora vem cumprindo tudo que prometeu em campanha – compôs um ministério totalmente téc-
Protestos
aUma vergonha o presidente Jair Marcos Tito
REPRESENTANTES COMERCIAIS
ENDEREÇO Sede Comercial, Redação e Industrial Av. Babita Camargos, 1.645, Cidade Industrial, Contagem-MG, CEP: 32.210-180 Fone (31) 2101-3050 www.otempo.com.br comercial@otempo.com.br PREÇO DE EXEMPLAR ANTIGO Segunda a sábado: R$ 5 Domingo: R$ 8
AGÊNCIAS NOTICIOSAS France Press Agência Globo Folhapress e Agência Estado
ATENDIMENTO AO ASSINANTE: 0800-7034001 (interior) (31) 2101-3838 (Capital e Grande BH) Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira: 7h às 19h Sábado, domingo e feriados: 7h às 13h atendimento@otempo.com.br
FILIADO À ANJ Associação Nacional de Jornais www.anj.org.br
PREÇO DA ASSINATURA: NORMAL MG (consulte nossas promoções) Trimestral
Anual
Semestral
R$ 782,00 à vista ou: 2 x R$ 391,00 3 x R$ 260,66 4 x R$195,50 6 x R$130,33
R$ 195,50 R$ 391,00 à vista à vista ou: 2 x R$ 195,50 3 x R$ 130,33 4 x R$ 97,75
SÃO PAULO Representante: BUENO COMUNICAÇÃO Travessa Humberto I, 140 - Vila Mariana São Paulo/SP - CEP: 04018-070 Telefone: (11) 96619-2480 E-mail: contato.sp@buenocomu- nicacaosp.com.br
RIO DE JANEIRO Representante: BUENO COMUNICAÇÃO Rua do Ouvidor, 63 - sala 713 - Centro - Rio de Janeiro/RJ – CEP: 20040-031 Telefones: (21) 98079-2992; (21) 2524-5644 E-mail: contato.rj@buenocomunicacaorj.com.br
BRASÍLIA Representante: BUENO COMUNICAÇÃO SHCN Quadra 2015 - Bloco D - Entrada 47 - Sala 103 Asa Norte - Brasília/DF CEP: 70874-540 Telefone: (61) 3223-6999; (61) 8179-7215 E-mail: contato.df@buenocomunicacaodf.com.br
18 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
Magazine
TEL: (31) 2101-3956 Editora: Marília Mendonça marilia.mendonca@otempo.com.br e-mail: magazine@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOmagazine Atendimento ao assinante: 2101-3838
| JUAN SARMIENTO/DIVULGAÇÃO
Documentário Imagens. Fotografia é um dos pontos fortes da produção
A arte indignada de Karim Aïnouz ¬ PATRICIA CASSESE ¬ Karim Aïnouz entende que
a questão da indignação sempre esteve, de alguma forma, amalgamada à sua cinematografia. “Acho que quando o ser humano perde a capacidade de se indignar é porque virou geleia”, diz o cineasta. Aos 54 anos, o diretor de filmes como “Madame Satã” (2002), “O Céu de Suely” (2006) e “Praia do Futuro” (2014), para não citar o recente “A Vida Invisível”, volta às páginas dedicadas a lançamentos da sétima arte com “Aeroporto Central”. Por conta da pandemia, o documentário, que, como de praxe, aterrissaria nos cinema, migrou para o online. A partir de hoje, pode ser visto nas plataformas Now, Vivo Play, Oi Play, iTunes, Google+, Filme Filme e Looke. E onde a indignação entra nessa história? Bem, o filme promove um recorte em um período no qual o aeroporto de Tempelhof (THF), em Berlim, serviu de endereço temporário para imigrantes vindos de países diversos – em particular, a Síria. O cotidiano desses, suas incertezas e receios, bem como as recordações da terra natal e a falta de privacidade no local, são contados a partir de dois personagens reais, Ibrahim, estudante sírio de apenas 18 anos, e Qutaiba, fisioterapeuta iraquiano. Curiosamente, o embrião da iniciativa apontava para outro horizonte. “Conheço o aeroporto há anos, inclusive já havia embarcado lá. Em 2010, ele foi desativado, e os hangares passaram a servir de espaço para abrigar grandes eventos. Também construíram, ali, um parque, o que, na verdade, foi
uma conquista da população. Uma espécie de utopia urbana. Imagine, por exemplo, o aeroporto da Pampulha, aí, em BH, transformado em um espaço de convivência, um oásis para crianças”, conta. Exatamente por morar nas cercanias (Aïnouz está radicado há anos na Alemanha), o cineasta resolveu registrar aquela ressignificação de espaço urbano. “Mas, em 2015, de uma semana para outra, o espaço foi readaptado (para alocar imigrantes ainda não autorizados a permanecer no país). Foram instaladas tendas lá dentro, e como o fluxo migratório era grande, aquilo me comoveu muito, me impactou e me fez mudar a direção do projeto, porque, obviamente, o que estava acontecendo ali, naquele momento, era muito mais relevante”, relembra, citando que, à época, boa parte da mídia hegemônica descrevia o fenômeno (da chegada de pessoas de vários países do mundo) por meio de termos como “invasão”. “E, na verdade, não, não é uma invasão, é uma questão humanitária!”, brada Aïnouz. A conexão que estabeleceu com aquele contingente visto como massa em detrimento do conceito de indivíduo, na verdade, teve muito a ver com a própria história de vida do cineasta. O pai de Aïnouz deixou a Argélia, sua terra natal, nos anos 60, em um período conturbado do país, rumo aos EUA, onde conheceu a mãe do cineasta, uma bióloga molecular nascida no Ceará. “Ele foi um imigrante de primeira fase”, narra o diretor, que também já revelou ter sido alvo de desconfianças por conta de
seu nome, em um período no qual morou na França. “E é curioso que o documentário esteja estreando neste momento (de vigência da pandemia do novo coronavírus), pois os imigrantes muitas vezes são vistos como massas virais atacando um organismo”, compara. BATALHA. Obviamente, definido o
novo rumo do filme, Aïnouz não adentrou de pronto com a sua equipe no THF. Fez-se necessário todo um processo de preparo. “Mesmo porque, no início, ninguém queria ser filmado. Imagine, pessoas que desembarcavam em um país estranho, sem falar a língua, refugiados. As toaletes, por exemplo, à época, ficavam em uma área externa, por vezes era necessário pegar um ônibus para cruzar distâncias ali dentro, e, claro, havia perigo. Eu, por exemplo, poderia ser um cara de extrema direita ou querer fazer algo sensacionalista. Demandou tempo para conquistar a confiança (de gestores do centro e dos refugiados) e, também, para entender quem de fato queria contar a sua história. É preciso lembrar que são pessoas que saíram de seus países de origem e foram parar em um hangar. Nem todo mundo vai querer que isso apareça em um filme, a linha entre o público e o privado é muito
tênue”, pontua. Passados seis meses, as filmagens foram, enfim, iniciadas. “Segui (com a câmera) a história de umas oito pessoas, como assistentes sociais, um que frequentava o parque… Mas me fixei nesses dois personagens porque, à época, notadamente havia um esforço de demonização do jovem homem árabe. Na verdade, ainda existe, e isso infelizmente tem a ver com a minoria fundamentalista. Mas, como pontuei, uma minoria. Então, achei importante me centrar nesses dois rapazes que estavam ali tentando reconstruir sua vida, na Alemanha”, conta. De fato, Aïnouz chegou a cogitar colocar o foco em mulheres, como uma adolescente de 17 anos, dona de desenhos de traços incríveis. Pesou a consciência de seu lugar de fala, enquanto homem, e as circunstâncias gerais. “Nesse caso específico, era uma garota fascinante, mas os pais dela não queriam. No geral, existia claramente um desconforto das mulheres de se colocarem à frente das câme- ras”, situa.
Visibilidade
Tirando o ser humano da condição de massa 7
Com um segundo documentário já finalizado – “Argelino Por Acaso”, fruto de uma incursão às raízes paternas, na qual foi acompanhado pelo genitor e sua meia-irmã (ambos moram na França) –, Karim Aïnouz sublinha o que entende como uma função da sétima arte em tempos turbulentos. “Eu acho que o cinema pode ser visto como uma prática que destrói muros. Quando você está ali, em frente a uma tela, olhando com proximidade um ser humano que, em circunstâncias normais, jamais adentraria seu cotidiano, a quarta parede caí”, conta. Ele lembra que, diariamente, são centenas de pessoas lutando desesperadamente para atravessar fronteiras. “Mas em que lugares está colocado o Karim: rosto dessas projeto pessoas? No inicial momento deu guiem que vonada cê subliradical nha, em que dá uma arena para que essa pessoa mostre a sua face e se expresse, você pode suscitar a empatia do outro – e a disposição em dividir o mesmo campo, minimizando a exclusão”, conclui. (PC)
BOB WOLFENSON/DIVULGAÇÃO
Diretor lança hoje o documentário “Aeroporto Central”, que narra o cotidiano de imigrantes num abrigo
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 19
MAGAZINE
Tira Gosto
Astrologia
Zoé e Zezé
Previsões por OSCAR QUIROGA quiroga@astrologiareal.com.br
AS QUEIXAS SÃO UM LUXO Rua Paraíso Data estelar: Lua ainda Nova em Touro.
T
uas queixas são inúteis e ecoam sem sentido no infinito Universo. Nasceste humano para te atreveres a assumir a liderança das potências cosmogônicas que encontram em ti um ponto de apoio mediante o qual se expressam. Tu anseias algo maior, imaginas tua existência colossal, fora do comum. O que é comum? Abandonar-se à inércia e aguardar por um golpe de sorte, uma magia especial que te tire desse estado miserável. Sinto informar que isso nunca vai acontecer, tendo nascido humanos a única maneira de colocar os pés no caminho magnífico com que nossas almas sonham é através das resoluções íntimas que fizermos e, depois, as colocarmos em prática, verificando se nossos sonhos eram reais ou fantasias que precisam ser descartadas. As queixas são o luxo que nos damos em nossa miserável inércia.
Áries (21/3 a 20/4)
Aquilo que você teve de sacrificar para chegar até aqui é o que se apresenta como uma sombra com a qual você terá de lidar nos próximos tempos, às vezes se convencendo de tudo estar certo, outras, que fez tudo errado.
Touro (21/4 a 20/5)
Quaisquer atitudes e iniciativas que você tomar hoje, tente que sejam fundamentadas em visões a longo prazo, o mais longo possível. Saia da rotina de atender assuntos imediatos, dedique o tempo a pensar grande e longe. Gêmeos (21/5 a 20/6)
Muitas coisas você gostaria de fazer, poucas você pode realizar, pelo menos de imediato, na situação anímica em que você se encontra. Não importa, há mais vida para experimentar além da flutuação dos estados de ânimo. Câncer (21/6 a 21/7)
Os acordos estão na ordem do dia, e isso é muito auspicioso, porque nada há de melhor do que as pessoas se entendendo, mesmo que temporariamente. Aproveite o dia para fazer as devidas e pertinentes aproximações.
Leão(22/7 a 22/8)
Dentre todas as complicações experimentadas, há soluções disponíveis, muito simples e eficientes, porém, tão óbvias que, provavelmente, passam despercebidas, porque sua mente continua achando tudo complicado.
Virgem (23/8 a 22/9)
Siga a onda proposta pelas pessoas com que você mantém relacionamentos significativos nesta parte de sua vida. Essa onda beneficiará você, ainda que fique em sua mente o desejo de receber mais do que isso.
Libra (23/9 a 22/10)
Nada está no devido lugar, mas ao mesmo tempo sua alma se acomoda e conforta com o que é disponível, e isso não é pouca coisa. Criando uma zona de conforto, mesmo que temporária, os ânimos se elevarão. Isso ajudará.
Escorpião (23/10 a 21/11)
O que você fizer hoje será bem-sucedido na mesma medida em que a intenção original tiver sido o benefício das pessoas com que você se relaciona. Afinal, o sucesso alheio há de ser seu próprio benefício também. Sagitário (22/11 a 21/12)
Nada de grandioso há de acontecer na mesma rotina de sempre, porém, se o seu olhar sobre essa rotina for puro e receptivo, talvez você enxergue tonalidades e matizes que normalmente passariam despercebidos. Capricórnio (22/12 a 20/1)
O dia é propício para tomar iniciativas, mas os resultados, evidentemente, serão atrelados à natureza das iniciativas que você deseja tomar, ou das que você se atrever a colocar em prática. Tudo começa dentro.
Aquário (21/1 a 19/2)
Seja sutil em suas intervenções, porém, se por uma dessas coisas da vida você precisar resolver alguma coisa com urgência, jogue essa sutileza ao céu e faça o necessário, sem se importar com os efeitos colaterais.
Peixes (20/2 a 20/3)
Hoje é um daqueles dias em que, independentemente da condição do mundo e das pessoas próximas com que você se relaciona, sua alma consegue levitar sobre tudo e todos e garantir momentos de alegria e leveza.
Cruzadas diretas
20 | O TEMPO BELO HORIZONTE | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
O TEMPO BELO HORIZONTE| SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 21
SUPER.FC www.superfc.com.br - Belo Horizonte - Sexta-feira, 24/4/2020 TEL: (31) 2101-3921
(31) 98810.0917
superfc@otempo.com.br
Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838
Crise financeira. Presidente José Dalai Rocha diz que está ouvindo propostas e pode se desfazer de jovens talentos do atual elenco
Vender as promessas celestes é a solução LEO FONTES-6.1.2020
¬ DA REDAÇÃO ¬ Maurício, Ca-
cá, Jadsom, Thiago... Algum ou alguns desses jovens talentos que atualmente estão no elenco do Cruzeiro podem nem mais vestir a camisa do clube celeste quando retornarem as atividades do futebol brasileiro. A difícil situação financeira do clube, aliada às dívidas pendentes na Fifa, pode fazer com que a diretoria da Raposa se desfaça de suas promessas antes mesmo de elas estourarem no futebol nacional. Quem garante essa possibilidade de negociar os pratas da casa que estão se destacando no clube é o presidente José Dalai Rocha. O dirigente demonstra estar bastante preocupado com o pagamento das dívidas na entidade máxima do futebol. Segundo ele, todas as receitas do clube estão paralisadas e
Duke
o único recurso que o Cruzeiro possui neste momento para resolver o problema é realmente vender jogadores promissores. “O Cruzeiro tem joias raras. E elas estão no mercado. Não há ninguém inegociável, e estamos, sim, escutando propostas por alguns deles. Lamentavelmente temos que fazer isso. É o recurso que temos mais à mão para cumprir com as dívidas da Fifa. Essas dívidas da Fifa já têm cinco a seis anos. E temos que pagar. Não tem alternativa. E temos que fazer caixa. Mas as receitas estão paralisadas. Somente temos a venda de jogador”, declarou o presidente José Dalai Rocha em entrevista ao canal ESPN. O clube celeste terá que pagar na Fifa, entre outros valores, R$ 4,3 milhões pelo empréstimo do volante Denílson junto ao Al Wahda, dos Emirados Árabes.
Pai de santo Dívida do Cruzeiro. O Cruzeiro contratou os serviços de um pai de santo para fugir do rebaixamento em 2019. Porém, como não conseguiu o objetivo, não cumpriu com o combinado. Dos R$ 10 mil acordados, pagou R$ 6.000. De acordo com o portal Uol, Reginaldo Muller Pádua prestou o serviço ao ex-presidente Zezé Perrella, que negou contato com o pai de santo. Já o superintendente do clube celeste, Benecy Queiroz confirmou a contratação do trabalho de natureza espiritual. Outro lado. A reportagem do SUPER.FC fez contato com Zezé Perrella, Reginaldo Muller Pádua e Kris Brettas, atual superintendente jurídico do Cruzeiro, mas não obteve resposta. Presidente em exercício da Raposa, José Dalai Rocha demonstra muita preocupação com dívidas na Fifa
www.dukechargista.com.br
Primeiro título da Copa do Brasil
Campeões cruzeirenses destacam receita de união e boa administração ¬ LOHANNA LIMA ¬ A conquista de um título
envolve muitos elementos além apenas da qualidade técnica de uma equipe. Campeões da Copa do Brasil de 1993, os ex-atacantes Roberto Gaúcho e Cleison destacaram, em comum, dois pontos que consideram fundamentais para terem chegado ao título: a união e a boa administração De 1991 a 1994, o clube foi presidido por César Masci. À frente da instituição, Masci viu a equipe conquistar duas edições do Campeonato Mineiro (92 e 94), o bicampeonato da Supercopa (91 e 92) e a inédita Copa do Brasil em 93. Além de vitoriosa, a década de 90 do Cruzeiro é lembrada até hoje pela
boa gestão, que resultou em muitos títulos, sem gerar prejuízos na sequência, como destaca Roberto Gaúcho. “Havia muita competência. Pessoas de caráter. O Cruzeiro sempre honrou com os compromissos, manteve jogadores por cinco, seis, sete anos. Eu fiquei por sete anos, só saí porque parei de jogar com 30 anos, depois de uma contusão grave que sofri ainda na Libertadores de 1997”, relembrou. UNIÃO. Outro ponto citado pe-
los jogadores sobre o que fez com que aquele time fosse diferente e terminasse campeão da Copa do Brasil na temporada foi a união dos atletas. Segundos os jogadores, o relacionamento entre
eles não dependia do fator campo. “O Cruzeiro tinha um grupo espetacular. Confiança e muita união. Não tinha aquela vaidade. Os jogadores deixaram de lado a vaidade em prol do conjunto, da conquista. A gente sabia o que queria. A união dos jogadores e a experiência do Pinheiro resultaram nesse título”, pontuou Cleison. A visão de Cleisson é a mesma de Roberto Gaúcho, que entende que as coisas mudaram atualmente e que este espírito de união entre um elenco tem sido algo cada vez mais distante. “Havia uma amizade muito grande dos atletas dentro e fora de campo, entre as nossas esposas e nossos filhos, e isso conta muito no futebol.”
SUPER.FC
O TEMPO Belo Horizonte | SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020 | 23
Na Justiça.
Maicon Bolt cobra R$ 20 milhões do Galo
Atacante, que não teve sucesso no Atlético, entra com ação contra o clube e pede pagamento de direitos e multas
BRUNO CANTINI-7.6.2019
¬ DA REDAÇÃO ¬ A contratação
do atacante Maicon Bolt ainda vem dando dor de cabeça ao Atlético. Além do desempenho ruim em campo, o jogador, que já deixou o clube alvinegro, pleiteia R$ 20 milhões na Justiça do Trabalho. A principal alegação é sobre o tempo de contrato. Segundo os representantes do ex-atleta do Galo, o vínculo entre ele e o Atlético iria até dezembro de 2021. Os valores são referentes a salário de janeiro, direitos de imagem entre novembro de 2019 e janeiro de 2020, além de FGTS, 13º salário proporcional, luvas, premiações, rescisão do contrato, multas e indenização. A informação do ingresso na Justiça do Trabalho foi divulgada inicialmente pelo site Globoesporte.com. Maicon Bolt fez apenas 28 jogos com a camisa do Galo e marcou dois gols. Pouco aproveitado pelos últimos treinadores, ele conviveu com muitas lesões. Em janeiro, o clube rescindiu o contrato.
Atacante Maicon Bolt teve uma passagem sem qualquer brilho pelo elenco do Atlético; jogador sofreu com contusões e também não teve tantas oportunidades para jogar DOUGLAS MAGNO-23.3.2016
Campeão olímpico Uilson também processa o clube
JOIA ALVINEGRA. A imprensa
portuguesa citou o interesse do Porto no zagueiro Matheus Stockl, do Atlético. Porém, pessoas ligadas à diretoria do Galo negam que o clube tenha recebido proposta. O veículo português cita a participação do jogador alvinegro no Mundial sub-17, em 2017, competição na qual a seleção brasileira foi terceira colocada. O contrato de Matheus Stockl com o Atlético se encerra no final deste ano, e o clube possui interesse na renovação com o atleta. Goleiro Uilson foi campeão olímpico com a seleção brasileira em 2016, quando pertencia ao Atlético
Elenco do Coelho
CBF
América vai avaliar contratos que encerram no fim do mês
Novas diretrizes. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por meio de sua assessoria, em contato com o SUPER.FC, informou que novas diretrizes estão sendo discutidas na Fifa e espera por essas determinações para auxiliar os clubes nas negociações de contratos. Além dos acordos que chegam ao fim agora, muitos foram firmados até dezembro, e as competições podem se estender até o início de 2021.
¬ LÉO CAMPOS ¬ Entre os inúmeros impac-
tos causados pela paralisação do futebol, por conta do coronavírus, o tempo de contrato dos jogadores com os clubes é outro quesito que deve sofrer ajustes. Essa é a realidade de muitas equipes em todo o país. E, no América,
Mais indenizações
três jogadores cedidos por empréstimo têm vínculo apenas até o fim deste mês, quando, inicialmente, haveria a conclusão do Campeonato Mineiro. O goleiro Vitor Hugo e o volante Rickson, que vieram do Botafogo, e o zagueiro Joseph, cedido pelo Capivaria-
no-SP, estão com o contrato perto do fim. Segundo o Coelho, ainda não existe uma definição sobre esses empréstimos, já que o Estadual não tem data para recomeçar. O clube alviverde espera ao menos uma previsão do retorno das atividades para analisar cada situação.
¬ O departamento jurídico do Atlético terá muito trabalho pela frente. Depois de o atacante Maicon Bolt entrar na Justiça do Trabalho contra o clube cobrando indenizações e multas, quem aciona o Galo é o goleiro Uilson, que hoje defende o Coimbra. O ex-goleiro atleticano, que foi campeão olímpico pela seleção brasileira em 2016, move um processo cujo valor da causa é no total de R$ 1.671.801. Uilson pleiteia diferenças salariais (R$ 790 mil), paga-
mento de férias não gozadas, verbas rescisórias, duas multas de artigos da CLT, indenização substitutiva no valor de R$ 455 mil por não contratação de seguro obrigatório, que o ajudaria quando esteve lesionado. O jogador alega que foi prejudicado por conta das lesões que sofreu no joelho e, como afirma não ter tido seguro obrigatório feito pelo Galo, se sentiu lesado e decidiu entrar na Justiça contra o clube para exigir os seus direitos. (Da redação)
América. Líder do Mineiro terá que reavaliar contratos que encerram no fim do mês. Página 23
SUPER.FC
Página 23
RAMON BITENCOURT-13.1.2020
VVVV otempo.com.br
O TEMPO BELO HORIZONTE SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2020
Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838
JOIAS RARAS
Única
solução Presidente José Dalai Rocha diz que ouve propostas para se desfazer de talentos do elenco e que vender jogadores é a saída que resta ao Cruzeiro neste momento para quitar dívidas na Fifa. PÁGINA 22
2 22/4
LOTERIA
2 20/4
2 31/3
Lotomania
Dupla Sena
concurso 2.069
1º sorteio
12 13 15 23 30 44
2º sorteio
05 06 10 15 37 50
ÍNDICE
u Caderno A
concurso 2.067
03
14
21
41
51
Lotofácil
concurso 1.957
01
02
03
04
05
07
11
14
15
16
19
20
23
25
55
56
63
64
77
79
81
82
84
85
89
90
91
92
96
17
2 a 10 11
Política Opinião
Coronavírus Aparte
2 18/3
12 a 15 16 e 17
2 22/4
Federal
concurso 5.477
1º prêmio 2º prêmio 3º prêmio 4º prêmio 5º prêmio
50.411 64.624 92.652 44.129 78.488
Magazine Super FC
u Caderno
Mega Sena 04
09
concurso 2.254 24
44
2 23/4 Timemania 04
asdasd 18 e 19 22 a 24
09
29
47
56
concurso 1.475 32
40
50
66
Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001
2 23/4 Quina 04
concurso 5.252 21
30
49
68
O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio. * Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.
LEO FONTES-6.1.2020
TEL: (31) 2101-3921
Maicon Bolt cobra uma bolada do Atlético na Justiça.