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O Tempo 23-3-2020

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JOÃO MIGUEL JÚNIOR/GLOBO

SUPER.FC Roberto Gaúcho relembra título do Cruzeiro em 1993. Página 22

Série “Todas as Mulheres do Mundo” tem Sophie Charlotte como bailarina. Magazine Página 18

R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8531 - Quinta-feira, 23/4/2020

CORONAVÍRUS > PANDEMIA

Atividades nas cidades podem retornar em até três semanas Protocolo anunciado pelo governador estabelece critérios para os municípios que aderirem ao plano secretarias de Saúde e de Desenvolvimento Econômico dividiu os setores da economia em qua-

tro grupos, de acordo com risco de contágio e impacto econômico. Atividades de maior risco serão liberadas por último. O governador

Romeu Zema prevê que os municípios que aderirem deverão ter a reabertura total do comércio num período entre duas e três sema-

nas, mas ressalta que cada prefeito é livre para decidir. “Estamos adotando medidas de segurança para que aquelas cidades que já op-

taram pela reabertura possam fazer isso com critério”, disse. Calendário das escolas, entretanto, ainda é incerto. Página 3 CRISTIANE MATTOS

¬ Documento elaborado pelas

Portas abertas FISCALIZAÇÃO DAS NORMAS SANITÁRIAS É REFORÇADA EM BETIM. Página 6

Aprendizado MÁSCARAS GANHAM AS RUAS DE BH NO PRIMEIRO DIA DE USO OBRIGATÓRIO. Página 2

Brasil LETALIDADE É METADE DA DOS EUA, MAS DEZ VEZES A DA CHINA. ALEX DE JESUS

Página 5

Governo federal

Plano de retomada da economia prevê até 1 milhão de empregos em obras paralisadas ou atrasadas ¬ Reativar obras públicas com recursos do

Tesouro Nacional para evitar a escalada do desemprego é a estratégia do governo Bolsonaro. Rodovias, ferrovias e terminais portuários estão entre os cerca de 70 empreen-

dimentos parados ou sendo feitos abaixo da capacidade. O Ministério da Infraestrutura estima que essas construções possam absorver até 1 milhão de trabalhadores nos próximos três anos. Página 7

R$ 600

Veículos

Dúvida sobre auxílio Montadoras podem gera angústia e leva ter prejuízos de milhares às filas até R$ 42 bilhões A perder de vista. Ano letivo nas escolas particulares pode ir até 2021 se as salas continuarem vazias por muito tempo; férias de julho serão antecipadas. Página 4

¬ Atraso na análise do pedido ou na liberação do pagamento do recurso emergencial deixa trabalhador ansioso e provoca corrida às agências bancárias. Página 8

¬

Estimativa é feita por consultoria e abrange apenas 2020. Pandemia fez a venda de automóveis no país atingir o menor nível dos últimos 14 anos. Página 9


2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020

Coronavírus

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Cobertura especial

Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.

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PANDEMIA

Em 1º dia de uso obrigatório, maioria adere às máscaras FOTOS: CRISTIANE MATTOS

Medida tornou obrigatório o uso do equipamento em Belo Horizonte ¬ ISABELLY MORAIS ¬ No primeiro dia de uso

obrigatório de máscaras em Belo Horizonte, a adesão ao Equipamento de Proteção Individual (EPI) foi considerável na capital mineira. A medida, que já vinha sendo comentada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) desde o início da semana passada, foi oficializada em decreto na última sexta-feira. A reportagem observou a reação das pessoas à determinação, que vai ao encontro de normas para se evitar a propagação da Covid-19. Pelo Decreto Municipal 17.332/2020, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), passa a ser obrigatório o uso de máscaras ou cobertura sobre o nariz e a boca em todos os espaços públicos, equipamentos de transporte coletivo e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços no município. A técnica em saúde bucal Luiza Terra, de 52 anos, tinha o costume de usar máscara nas demandas do trabalho, mas agora estendeu a prática para o dia a dia nas ruas. A caminho do trabalho, na estação Pampulha, ela comentou o que tem observado e a importância do uso de máscaras. “Eu já usava porque minha profissão exige, mas, a partir da obrigação, achei excelente. Se a contaminação é por gotícula, pela saliva, a gente evita de passar e pegar. As pessoas precisam entender que é importante. Ainda há resistência”, aponta Luiza. Com a máscara no braço e esperando o ônibus, Adriana Andrade, de 42 anos, ainda é um pouco resistente ao uso do EPI. A auxiliar de serviços gerais comentou que usa apenas dentro do coletivo, sem ver necessidade em outros espaços. É importante pontuar que especialistas orien-

Proteção. Moradores de BH estão usando o equipamento de proteção individual; o motorista Luciano de Oliveira (esquerda) está vendendo máscaras feitas pela esposa

Remédios

Farmácia de Minas teve fila de quase um quilômetro ontem Uma fila de quase um quilômetro se formou na Farmácia de Minas, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ontem. Mesmo com a determinação de isolamento social há quase um mês por causa da disseminação do novo coronavírus, quem foi até a farmácia dificilmente conseguia manter o distanciamento de um metro determinado pelas entidades sanitárias. A farmácia é o principal

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Usuários do Move Pampulha estão seguindo a medida do prefeito

tam que a máscara não pode ter contato com nenhuma outra superfície além da cobertura da boca e do nariz para evitar contaminação. “Eu não estava usando, mas passei (a usar) depois da obrigação. Tenho usado só dentro do coletivo. Na plataforma não tem necessidade. Só de tocar nas coisas a gente já pega o vírus. Se a gente tiver de pegar, vai pegar de qualquer jeito”, diz Adriana. “MÁSCARA, MÁSCARA!”. O motorista Luciano de Oliveira está desempregado. Com a pandemia, encontrou uma saída na

venda de máscaras, confeccionadas em algodão e TNT, o que ele tem feito desde a última quinta. A mulher dele, que é costureira, confecciona as peças. Oliveira contabiliza mais de cem unidades vendidas, com um rendimento diário entre R$ 180 e R$ 250. “Estou desempregado e tenho que dar um jeito de ganhar dinheiro e sobreviver. Minha mulher está grávida. Ela é costureira, faz a máscara, e eu vendo. Está dando certo e é uma renda para dentro de casa”, conta Oliveira, que vende uma peça por R$ 4 e três por R$ 10.

ponto de distribuição de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. Nessa segunda (20) e terça-feira (21), o local ficou fechado por causa do feriado. Dentro da farmácia, as regras sanitárias são respeitadas com controle de entrada de pacientes para o atendimento. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a volta do feriado aumenta a demanda. “A SES-MG informa que a unidade atende a

população tanto agendada quanto não agendada, contabilizando, em média, mais de 2.000 pessoas diariamente. Em vésperas ou retorno de feriado, há aumento significativo do público não agendado para buscar medicamentos de forma antecipada ou posterior ao agendamento, como foi o caso dos recessos dos dias 20 e 21, em que não houve agendamento”, explicou, por nota. (Natália Oliveira) ALEX DE JESUS

No bairro Santo Agostinho, uma fila enorme se formou na porta da Farmácia de Minas. Depois de quatro dias fechada, o movimento foi intenso


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Cidades de MG poderão Minas tem 47 mortes e ter reabertura total em até 1.283 casos 7 três semanas, diz Zema Balanço

GIL LEONARDI/IMPRENSA

Protocolo com as regras para a flexibilização sairá na semana que vem ¬ DA REDAÇÃO ¬ O governador Romeu Ze-

ma (Novo) anunciou, ontem, como se dará a reabertura do comércio em Minas Gerais, paralisado pela pandemia do novo coronavírus. Os protocolos com as regras que deverão ser seguidas pelos prefeitos estarão disponíveis já na semana que vem. Segundo ele, os municípios que aderirem ao plano deverão ter a reabertura total entre duas e três semanas. O documento foi batizado de Minas Consciente e deixa claro que a decisão de retomar as atividades será de cada prefeito. “O Minas Consciente, que é a reativação segura e criteriosa das atividades econômicas do Estado, foi feito basicamente com a secretaria de Estado de Saúde e com a secretaria de Desenvolvimento Econômico. Ambas têm grupo técnico para desenvolver os protocolos”, afirmou Zema em entrevista ao site G1 e ao “Jornal Nacional”, da Rede Globo. Pelo projeto, os setores da economia foram divididos em quatro grupos, identificados com as cores branca, verde, amarela e vermelha, de acordo com o risco

Anúncio. Governador divulgou a informação da flexibilização, mas ainda não detalhou exatamente como o plano será posto em prática

de contágio e o impacto econômico de cada um. As atividades classificadas como vermelhas serão as últimas a serem reabertas. “Tenho dito que não estamos relaxando. Estamos adotando medidas de segurança para que aquelas cidades que já optaram pela reabertura possam fazer isso com critério. Estamos tornando mais segura a situação atual, haja vista que mais da metade dos prefeitos liberou atividades em suas cidades”, reforçou o governador Romeu Zema nessa quarta-feira.

Casas de show e eventos culturais de todo o Estado ainda enfrentarão mais dias de restrições. De acordo com o governador, os estabelecimentos só devem ser autorizados a reabrir em 120 dias. Segundo ele, a situação de Minas Gerais com relação à pandemia permite tal medida. “A situação de Minas Gerais é bastante segura. Temos hoje, utilizados por suspeitos e infectados por Covid, 3% dos leitos de UTIs, é um número muito baixo. Nós temos 50% de UTIs livres no Estado. Então pode-

mos dizer que podemos avançar muito”, disse o governador. Minas possui a quinta menor taxa de óbitos por coronavírus no Brasil e é o sexto Estado com o menor número de casos de Covid-19, com 1.283 casos confirmados e 47 mortos, segundo balanço divulgado ontem pela secretaria de Estado de Saúde. ESCOLAS. Fechadas desde

meados de março pela pandemia do novo coronavírus, as escolas de Minas Gerais não devem retomar as atividades

em menos de 90 dias, apesar da flexibilização. Embora tenha anunciado um plano para a reativação do comércio em até três semanas, o governo de Minas excluiu as instituições de ensino por serem ambientes de grande aglomeração de pessoas.

Minas Gerais já soma 47 mortes e 1.283 casos confirmados do novo coronavírus, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais ontem. Há ainda 77.744 casos suspeitos e 78 mortes sendo investigadas. Belo Horizonte é a cidade que tem mais casos confirmados, com 478 infectados. Logo em seguida, vêm Juiz de Fora, na Zona da Mata, com cem confirmações da doença, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que tem 67 pessoas com a Covid-19. Já há a confirmação da doença em 133 cidades mineiras, sendo que em 29 municípios mortes já foram confirmadas. A capital mineira também é a que tem mais mortes, com nove registros; depois, vêm Uberlândia, com cinco óbitos, e Uberaba, com três, ambas cidades do Triângulo Mineiro. Dos 47 mortos no Estado, sete não tinham fatores de risco. Trinta e nove mortos, ou seja 83% do total, tinham acima de 60 anos; outros cinco, de 40 a 59 anos; e três, de 20 a 39 anos. Vinte e oito mortos são homens, e 19, mulheres. (Natália Oliveira)

Números

478

Pessoas estão infectadas em Belo Horizonte, a cidade com mais casos no Estado

100

Casos registrou Juiz de Fora, na Zona da Mata, a segunda cidade na lista

DOUGLAS MAGNO - 6.12.2018

Leitos clínicos

Pico deve ser em 3 de junho ¬ Medidas sanitárias adotadas em Minas Gerais se mostram eficientes, e o pico de internações em razão de contágios pelo novo coronavírus pode ser, mais uma vez, adiado. A nova estimativa aponta para 3 de junho a ocorrência do maior volume de hospitalizações pela doença, quando cerca de 4.500 pessoas deverão ter sido acometidas pela Covid-19. Essa é a terceira atualização da projeção do pico da curva. (Alex Bessas)

Ocupação no Estado é de 53% Pouco mais da metade dos leitos clínicos e das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis na rede pública em Minas Gerais está ocupada, conforme levantamentos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O número de pacientes hospitalizados em razão da Covid-19 é relativamente pequeno, segundo informou, na tarde de ontem, o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. Atualmen-

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Coronavírus. A ocupação de leitos pela doença no Estado é de 3%

te, a SES dispõe de 2.013 leitos de UTI em Minass, além de mais 50 da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A taxa de ocupação dos leitos no Estado é de 53%. Em relação a pacientes internados em decorrência da Covid-19 ou da suspeita da doença, 66 estavam internados em UTI, até ontem. A ocupação relativa de UTI e leitos clínicos por suspeita de Covid-19 é de 3%.

Portanto, neste momento, “não há falta de leitos de internação no Estado”, assegura a SES. “Se chegarmos à data prevista do pico (3 de junho), precisaremos de mais 2.000 leitos. Desses, 540 já estão aptos para serem inaugurados. Além desses, há os 768 leitos do hospital de campanha, que está em construção pelo Estado”, explicou a SES-MG por meio de nota. (Alex Bessas)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Aulas nas escolas particulares podem se prolongar até 2021

“Nós pedimos que as escolas de nível infantil antecipassem as férias de julho a partir de hoje (ontem) até 6 de maio. Já para as escolas de nível fundamental e médio, a orientação é para que antecipem para do dia 7 de maio ao dia 21 do mesmo mês.” Zuleica Reis Ávila PRESIDENTE DO SINDICATO DE ESCOLAS PARTICULARES DE MG ALEX DE JESUS

Para tentar evitar a situação, uma saída seria antecipar as férias de julho ¬ NATÁLIA OLIVEIRA ¬ A reposição das aulas pa-

ra alunos das escolas particulares de Minas Gerais pode durar até 2021, dependendo de quanto tempo durar o isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid19). O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) sugeriu às instituições de ensino particulares que antecipem os recessos de feriados e as férias de julho para tentar cumprir com as 800 horas do ano letivo e evitar a situação. “Ir até 2021 é só em caso extremo, porque ainda não sabemos até quando vai durar o isolamento. Nós pedimos que as esco-

las de nível infantil antecipassem as férias de julho para de hoje até 6 de maio. Já para as escolas de nível fundamental e médio, a orientação é para que antecipem para do dia 7 de maio ao dia 21 do mesmo mês”, explica Zuleica Reis Ávila, presidente do sindicato. Ela disse ainda que cada escola tem autonomia para determinar o que fazer, mas as datas sugeridas foram definidas em assembleia com a direção das instituições de ensino. Se anteciparem as férias de 15 dias de julho, no mês os alunos vão ter aulas normalmente. A ideia é que as reposições sejam feitas também em dezembro, com extensão das aulas, diminuição do recesso e classes aos sábados. Se, mesmo assim, não for possível fechar o calendário de 800 horas no ano, os estudantes podem ter aulas em janeiro do ano que vem. “A gente não sabe até

quando vai o isolamento, então fica difícil precisar como será essa reposição e quantos dias vamos precisar”, enfatiza Zuleica. SUGESTÃO. Segundo a presi-

dente do Sindicato das Escolas Particulares, foi orientado às escolas fazerem antecipação de recessos também no período de 4 a 15 de maio para escolas que têm educação infantil e do dia 18 de maio a 1º de junho para todas as instituições com ensinos fundamental e médio. Nas escolas públicas do Estado, o recesso de julho foi antecipado para a primeira quinzena de abril. Já na rede pública de ensino municipal de Belo Horizonte, ainda não há definições. O governador do Estado Romeu Zema (Novo) disse que as aulas não devem ser retomadas antes de julho por causa do risco de contaminação pelo coronavírus entre os alunos. BERNARDO DIAS/CMBH

Salas vazias. Algumas escolas têm transmitido aulas online para os estudantes no isolamento

Comércio e igrejas

Vereadores da capital querem a reabertura com ressalvas Vereadores de Belo Horizonte se reuniram ontem e voltaram a defender a reabertura de comércios e templos religiosos na capital, com algumas restrições. O encontro, mais uma vez, não contou com secretários do Executivo que haviam sido convidados para participar de forma remota, repetindo o que aconteceu na última reunião em 13 de abril. As atividades desses empreendimentos estão suspensas, por tempo indeterminado, desde o dia 20 de março depois de um decreto publicado pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD). Jair Di Gregório disse que os parlamentares pedem pela flexibilização com

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Presencial. Vereadores de Belo Horizonte se reuniram ontem na Câmara Municipal, todos com máscaras de proteção

Horários limitados

Isolamento mantido

Alimentação. O vereador Catatau propôs, por exemplo, que os restaurantes de Belo Horizonte possam abrir suas portas diariamente de 11h às 15h para servir almoço. Já os bares da capital mineira funcionariam de 17h às 23h.

Resposta. Sobre a possibilidade de reabrir o comércio, a assessoria da prefeitura disse que a declaração dada pelo prefeito Alexandre Kalil na última segunda-feira prevalece. O prefeito explicou que ainda não há data para a flexibilização.

responsabilidade e afirmou que a cidade não pode ficar parada para a população não morrer de fome. Em seguida, Elvis Côrtes disse que sua opinião era “muito simples e objetiva” e que entendia ter chegado o momento da flexibilização acontecer. O vereador, que é pastor na cidade, pediu também a reabertura, com cautela, das igrejas no município com a capacidade de público reduzida. Juliano Lopes e Carlos Henrique, que é secretário geral da Câmara, defenderam a flexibilização do comércio e pediram auxílio aos motoristas de ônibus suplementares, que tiveram de renovar a frota no último ano e estão com dificuldade de pagar as prestações.

OPÇÃO. Juliano Lopes suge-

riu ainda que a Câmara reveja o orçamento do Executivo aprovado neste ano a fim de remanejar recursos de obras para isenção a comerciantes. “Não é empurrar pra frente a dívida. Ajudar o comerciante é dar isenção de IPTU para todos da cidade. Da onde tirar esse dinheiro? Do que está direcionado para obras. Lógico que com aval do prefeito, mas podemos fazer isso. Não adianta empurrar pra frente uma dívida sendo que agora eles não estão trabalhando. Quando abrir, (que seja) com responsabilidade e (que possamos) dar fôlego para todos os comerciantes", afirmou. (Lucas Henrique Gomes)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Brasil tem taxa de letalidade menor que EUA, Itália e Espanha pessoas

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No entanto, número de mortes no país por 100 mil habitantes é maior que o da China e o da Coreia do Sul ¬ LUCAS MORAIS E PEDRO ROCHA FRANCO

pessoas

25

pessoas

jornal O TEMPO por meio dos balanços divulgados pelo Ministério da Saúde. Para realizar a comparação, foram analisados os dados da doença no 36º dia de pandemia de cada país. ISOLAMENTO SOCIAL. Para o professor da

Universidade Federal de São João delRei (UFSJ) Alexandre Celestino Almeida, doutor em análise computacional de epidemias, o país conseguiu achatar a curva da evolução do coronavírus devido ao isolamento social, adotado antes em relação a Itália, Espanha e EUA. Porém, o especialista ressalta que não é o momento de relaxar. “Na realidade, estamos com um índice de isolamento na casa dos 50% da população, e, por isso, é importante manter as escolas, shoppings e outros locais de aglomeração fechados. O número ainda é baixo, comparando a evolução de mortes com a da Argen-

tina, por exemplo. Lá, a evolução está parada, e aqui o número aumenta todos os dias”, enfatiza. De acordo com Celestino, a manutenção das medidas de restrição vai evitar um colapso no sistema de saúde. “Cada morte significa que alguém passou por um leito. É preciso continuar com a curva achatada, já que há um temor de ultrapassar a capacidade da rede. Na Itália, quando isso aconteceu, a mortalidade saiu de 5% para 10% dos infectados”, ressalta. O professor lembra ainda que o Brasil não chegou ao pico da doença, apesar de alguns Estados que enfrentam problemas graves, como São Paulo, Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas. “Em epidemias é muito comum isso acontecer, as pessoas acharem que o pior já passou e começarem a relaxar. Isso faz com que a próxima onda da doença venha mais forte”, explica.

Mortalidade

PIERO CRUCIATTI/AFP

Minas tem índice quase 85% menor quemédianacional pessoas

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pessoas

10

5 pessoas

TAXA DE MORTES POR 100 MIL HABITANTES

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¬ Enquanto todo o país acompanhava as primeiras cenas da tragédia provocada pelo coronavírus na Itália e na Espanha, com corpos enfileirados nos hospitais e famílias privadas de qualquer contato, o Brasil enterrava, em março, a sua primeira vítima da doença: Edson Aparecido, 62, que era diabético e não tinha histórico de viagem ao exterior. E, 36 dias depois, o vírus avança e começa a repetir nas Américas imagens antes restritas às cidades europeias, inclusive em território brasileiro, como em Manaus (AM).

Apesar da evolução diária no número de óbitos, que já se aproxima dos 3.000, conforme o Ministério da Saúde, a taxa de mortes provocadas pelo coronavírus a cada 100 mil habitantes ainda é menor no Brasil – 1,30 óbito para cada grupo de 100 mil pessoas – quando comparada às de países como Estados Unidos, que apresentavam taxa duas vezes maior (2,59) 36 dias depois da primeira morte. Na Espanha e na Itália, países com mais mortes por 100 mil habitantes, as taxas eram 31 e 16,6, respectivamente, em igual período. Em relação à França, a taxa é de 0,67, metade da brasileira. Já na comparação com locais que tiveram mais sucesso no controle da pandemia, como Coreia do Sul e China, a taxa brasileira de mortes chega a ser até dez vezes maior. Os países asiáticos possuíam 0,10 e 0,26 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente. O levantamento foi realizado pelo

Com mais de 22 milhões de habitantes, Minas Gerais é o segundo Estado mais populoso do Brasil e, mesmo assim, apresenta uma taxa de mortes pequena, de apenas 0,2 óbito por 100 mil habitantes – o índice é quase 85% menor que a média nacional. Em Belo Horizonte, o número é de 0,36. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Ricardo Araújo da Silva diz que o dado chama a atenção. “Estados densamente povoados tendem a ter uma circulação maior do vírus, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas Minas tem sido poupada em relação a isso. O número de casos e de óbitos é bem menor", enfatiza. Segundo o especialista, o isolamento social tem funcionado bem no Estado e serve, principalmente, para dar tempo aos governos de conseguir criar leitos extras de UTI e comprar materiais. “As unidades sempre estavam cheias em qualquer época do ano. É difícil conseguir vaga. O que tem que ser feito é abrir novos hospitais para dar um suporte maior e, quando se consegue um número bom de vagas, é possível flexibilizar”, defende.. (LM e PRF)

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O Gráfico representa a atual taxa de mortalidade a partir da primeira morte registrada em cada país

Na Itália. O país europeu tem taxa de letalidade por cem mil habitantes bastante elevada, de 16 óbitos; população envelhecida contribuiu para o alto índice, segundo autoridades locais; país chegou a adotar medidas extremas, como não atender pessoas com mais de 80 anos nos hospitais

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Brasil

Espanha

Itália

China

Coreia do Sul

França

Estados Unidos


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Betim intensifica fiscalização com retorno gradual de atividades A partir de amanhã, quem descumprir decreto poderá ser penalizado ¬ DAYSE AGUIAR

FLÁVIA JARDIM

¬ No primeiro dia do retor-

no gradual do funcionamento dos estabelecimentos comerciais que não geram aglomeração de pessoas em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, a prefeitura intensificou a fiscalização no centro da cidade para garantir que as medidas sanitárias determinadas no Decreto Municipal 42.082, visando à contenção da proliferação do novo coronavírus (Covid19), fossem cumpridas. Na manhã de ontem, mais de 110 fiscais, divididos em 30 equipes – formadas por agentes da Vigilância em Saúde, da Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Econômico, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Procuradoria Geral do Município, por meio do Procon –, percorreram as principais ruas das regiões Central, Norte, Alterosas, PTB e Petrovale. Hoje, será a vez de Citroândia, Imbiruçu, Teresópolis, Icaivera e Vianópolis. O objetivo da prefeitura é promover o retorno das atividades econômicas, mas tomando as medidas necessárias para evitar a propagação da doença. Além de fiscalizarem se o comércio estava cumprindo as determinações do de-

Para doar, saiba: 0 Agendamento. É preciso agendar as doações por meio do site de endereço www.hemominas.mg.gov.br ou pelo aplicativo MGapp. O objetivo é evitar aglomerações neste período de pandemia e fazer com que as doações ocorram da maneira mais segura para as pessoas. 0 Endereço. Em Betim, a Hemominas Betim fica situada na rua Salvador Gonçalves Diniz, 191, no bairro Jardim Brasília, atrás do Hospital Regional. Mais informações no número (31) 3512-1050.

FRED MAGNO

creto municipal, como fornecer álcool para os clientes, limitar o número de consumidores nas lojas e higienizar produtos e máquinas de cartão, os fiscais orientaram a população sobre a obrigatoriedade do uso de máscaras nas ruas e nos estabelecimentos públicos e privados de Betim, norma que começou a valer na última segunda-feira na cidade. SANÇÃO. Segundo o procura-

dor geral do município, Bruno Cypriano, a fiscalização terá caráter educativo até amanhã, quando o Executivo passará a aplicar penalidades. “O movimento no centro foi grande, mas verificamos que mais de 80% das pessoas estavam usando máscaras. Pela manhã, praticamente todos os comércios fiscalizados também estavam cumprindo as medidas determinadas pela prefeitura. Nessa quarta (ontem) e nesta quinta (hoje), vamos orientar a população e os lojistas, mas, a partir de sexta-feira (amanhã), aplicaremos as sanções com relação ao uso da máscara e no comércio que descumprir a medida municipal”. Gerente em uma loja de artigos de cama, mesa e banho, Débora Gabriela aprovou o retorno: “Voltamos com o quadro de funcionários reduzido e tomando todas as medidas solicitadas pela prefeitura. Estou surpresa com a quantidade de clientes. Não esperava esse movimento no primeiro dia. Realmente, precisávamos reabrir. São muitos com medo de perder o emprego”.

Caráter educativo. Ao todo, 110 fiscais da prefeitura foram às ruas ontem para verificar cumprimento de medidas e orientar população PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO

Decreto 42.082

Transporte coletivo

0 Autorizados. Podem funcionar estabelecimentos que não geram aglomeração de pessoas desde que adotem todas as medidas de segurança, como o uso obrigatório de máscaras por funcionários e clientes, a aferição de temperatura por meio de termômetro digital e a afixação da lotação máxima na entrada do local.

Ampliação. O transporte coletivo de Betim passou a operar com novos horários ontem. Segundo a prefeitura, houve o reforço de 38 veículos no sistema de baixa capacidade (vans) e de 15 no convencional (ônibus). O número de viagens também aumentou para se evitar superlotação. Usuários podem consultar os horários pelo app ClicaBus Betim ou no site da prefeitura.

Suspensão temporária

0 Não autorizados. Espaços que geram aglomeração de pessoas, a exemplo de cinemas, parques, clubes ou camelódromos. 0 Penalidade. Os locais que não estiverem cumprindo as medidas do decreto poderão ter alvará de funcionamento suspenso ou cassado.

Idosos. Por causa da pandemia da Covid, um decreto da Prefeitura de Betim suspendeu a gratuidade no transporte público para pessoas acima de 65 anos nos horários de maior movimento: das 5h às 8h59 e das 16h às 19h59. A medida vale a partir de hoje, segundo o Decreto 42.090, e vigorará enquanto durar o estado de calamidade pública devido à pandemia. Ônibus e vans têm novos horários desde ontem

Hemominas

Terminal rodoviário

Banco de sangue em estado de alerta A pandemia do novo coronavírus está prejudicando uma demanda essencial para a assistência hospitalar: a doação de sangue. Segundo a Fundação Hemominas, os tipos sanguíneos negativos (A-, B-, AB- e O-) estão em estado de alerta, o que significa que, se ninguém doar sangue hoje, em Minas, o estoque existente durará por apenas cinco dias. No Hospital Regional de Betim, apesar de a quantidade de sangue ainda ser suficiente para suprir a demanda, há baixa do tipo O-, doador universal. “O hospital, além de dar suporte para a po-

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pulação neste momento, continua operando os casos graves que chegam à unidade. Pacientes oncológicos, neuropatas e outros precisam do sangue e dos seus componentes para dar manutenção à vida”, salientou Patrícia Evangelista, diretora geral do Regional. Segundo Viviane Guerra, gerente de captação e cadastro da Hemominas, apesar de entender que o avanço da Covid-19 aumenta o temor em relação à contaminação, é preciso que as pessoas continuem doando: “As unidades da Hemominas são ambientes seguros”. Diante da pandemia, os crité-

rios para doação mudaram: quem veio de país com casos de infecções pela Covid só pode doar sangue 14 dias após o regresso, desde que não apresente sintomas; infectado pela doença pode doar depois de 30 dias da completa recuperação; quem permaneceu em isolamento devido ao contato com pessoas com sintomas pode doar após ficar 14 dias isolado; já quem apresentar sintomas de resfriado comum, sem história de viagem para áreas endêmicas ou contato com pessoas que vieram dessas áreas, estará apto a doar 30 dias após o término dos sintomas. (DA/Lisley Alvarenga)

De volta. O terminal de Betim voltou a operar ontem, adotando diversas medidas de segurança, como o uso de máscaras por passageiros e colaboradores. Além disso, a higienização do embarque foi intensificada. Quem precisar usar o serviço deve entrar em contato com a empresa responsável pelo destino, já que muitas optaram por cancelar ou reduzir o número de viagens. RONALDO SILVEIRA - 20.12.2017


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 7

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Governo quer criar 1 milhão de empregos com ‘Plano Marshall’ Projeto de retomada de obras públicas vai ser conduzido por ministro Braga Netto ¬ BRASÍLIA.

O governo de Jair Bolsonaro anunciou ontem o programa Pró-Brasil, um conjunto de medidas que têm como pivô a retomada do investimento público para a geração de emprego. O plano foi rejeitado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que imprimiu ao governo até o momento

uma agenda liberal, centrada em ações de mercado e com mais investimento privado na economia. O anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, que comandará o programa a pedido de Bolsonaro. Nenhum integrante da equipe econômica participou do evento que, dentre os ministérios envolvidos, só contou com o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). Também devem apresentar propostas os ministérios

de Minas e Energia e o de Desenvolvimento Regional. De acordo com Tarcísio, a ideia inicial é investir cerca de R$ 30 bilhões do próprio Orçamento do ministério en cerca de 70 obras paralisadas ou em estágio inicial ao longo de três anos. O ministro disse que o programa de concessões e privatizações seguirá adiante mas, neste caso, o resultado em relação à geração de emprego demora mais. Com as obras públicas, o efeito seria praticamente imediato e poderia

garantir, no período considerado, algo entre 500 mil e 1 milhão de contratações. DIVERGÊNCIA. A ala militar do

governo chama o programa de “Plano Marshall”, em referência ao programa dos EUA na reconstrução logo após a Segunda Guerra. Em reunião interministerial ontem, no Planalto, Braga Netto apresentou uma série de planilhas sobre as perspectivas e previsões para a pandemia do coronavírus. O Planalto avalia que os efei-

tos se estenderão, pelo menos, até o segundo semestre do ano que vem. No encontro, Bolsonaro disse que o quadro de dificuldades pode ser uma oportunidade para que o governo avance nas reformas e estimule a chegada de novo de investidores em concessões. Em tom professoral, Guedes disse a seus colegas que, diferentemente da ajuda dos norte-americanos para a reconstrução da Europa, o plano idealizado pela Casa Civil significaria “abrir mão de di-

nheiro para ajudar o próprio país”. Em conversas paralelas após a reunião, ministros militares elogiaram o plano lançado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama após a crise econômica de 2008. A medida, cujo objetivo era reaquecer a economia e reempregar a classe média, previa a reconstrução de estradas e pontes, além da contratação de desempregados na área da construção civil.

EDU ANDRADE/FATOPRESS/FOLHAPRESS

Privatizações suspensas Sem ambiente. O governo desistiu de privatizar estatais e vender participações em empresas neste ano. Segundo o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, não há ambiente no mercado para negociações. Em coletiva por vídeo, ele disse que o governo não baterá a meta de se desfazer de 300 ativos que somam R$ 150 bilhões.

Dinheiro está em falta Crítica. O secretário ainda afirmou que o governo não tem dinheiro para um “Plano Marshall”, em contraposição ao projeto do Planalto para reerguer a economia através de investimentos públicos. “Não temos dinheiro sobrando. É um plano muito embrionário. O Ministério da Economia está criando um plano de busca de investimento através do privado”, disse. Em evidência. Ministro da Casa Civil, Braga Netto (no centro), está à frente do Pró-Brasil, de retomada econômica; Paulo Guedes não esteve em apresentação

Demanda por voos cai 32% Anac. A demanda por voos no mercado doméstico apresentou queda de 32,9% em março na comparação com o mesmo mês de 2019, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A taxa de ocupação dos assentos oferecidos nas aeronaves das principais empresas brasileiras ficou em 72,1% em março deste ano, contra 80,9% no mesmo mês de 2019. FLAVIO TAVARES - 20.4.2020

Crise

ROMILDO DE JESUS/FOLHAPRESS

Falta de estatísticas deixa país sem dados sobre o desemprego ¬ SÃO PAULO. Em meio à mais

grave crise dos últimos anos, o Brasil corre o risco de não saber exatamente o tamanho do buraco a que foi lançado durante a pandemia do coronavírus. Não há quem duvide que a estagnação da atividade econômica e o confinamento social estejam gerando demissões em diversos setores, mas não há estatísticas oficiais para o que trabalhadores do país estão enfrentando no dia a dia. Tampouco se sabe como foram os meses que antecederam a chegada do coronavírus ao Brasil. O Cadastro Geral de Empregados e De-

sempregados (Caged), que mede o sobe e desce do emprego formal, ainda não foi divulgado neste ano. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), pesquisa conduzida pelo IBGE por amostragem, e que mede a informalidade e o emprego por conta própria, além da taxa de desemprego oficial, vai ter que mudar. A pesquisa passará a ser feita pelo telefone, modelo sujeito a distorções. O seguro-desemprego, benefício que pode ser solicitado via internet, já está sendo pago aos dispensados pelo coronavírus. Quantos são, po-

rém, ainda não se sabe, e o Ministério da Economia não tem previsão de quando serão apresentados dados do primeiro mês sob a pandemia. Para o economista da FGV e ex-secretário de Política Econômica Manoel Carlos Pires, as especificidades do momento interferem nas pesquisas. “Uma parte importante da população está presa dentro de casa e as empresas estão fechadas, não existe forma de procurar emprego. Então a estatística vai acabar distorcendo o número”, diz ele, que defende que o governo divulgue dados de seguro-desemprego e do INSS.

Pacote de ajuda ampliado BNDES. Turismo e saúde devem ser incluídos no pacote de socorro que está sendo costurado pelo BNDES e bancos privados aos setores afetados pela crise do coronavírus, afirma o Estadão/Broadcast. O pacote já contemplava os setores de energia, aéreas, automotivo e varejo não alimentício e, até então, era calculado em R$ 50 bilhões – valor que deve aumentar.


8 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020

CORONAVÍRUS

PANDEMIA CRISTIANE MATTOS

Espera por benefício causa angústia para milhares de pessoas Trabalhadores que aguardam auxílio vivem incertezas e tensão durante crise ¬ RÔMULO ALMEIDA ¬ A mensagem “em análise” que aparece na tela a cada consulta do andamento do Auxílio Emergencial aumenta a angústia de cerca de 10 milhões de brasileiros durante a pandemia do coronavírus. São pessoas que têm direito aos R$ 600 mas ainda não viram o dinheiro cair na conta e sequer têm uma previsão de quando vão poder contar com a ajuda. A Caixa informou que o cidadão deve aguardar em casa o resultado da avaliação efetuada pela Dataprev, que verifica se o trabalhador cumpre todas as exigências,

e o banco efetuará a liberação do recurso. Mas o prazo de 5 dias úteis dados pelo governo federal para liberar o pagamento não é cumprido em todos os casos. O Dataprev faz a análise de milhões de beneficiários e encaminha os dados para o ministério da Cidadania, que consolida as informações e encaminha para a Caixa realizar o pagamento. Esse processo tem atrasado a liberação do resultado das solicitações. Quem teve o pedido negado pode recorrer pelo próprio aplicativo ou fazer uma nova solicitação, corrigindo os dados. Enquanto, isso a ansiedade toma conta de quem aguarda o beneficio. Claudiney Magalhães vende consórcios de automóveis e viu sua renda despencar com o fechamento do comércio. Ele soli-

citou o auxílio há duas semanas, mas ainda não sabese recebera o dinheiro nem quando vai receber o dinheiro. “As contas não param. Mandam a gente ficar em casa e, consequente, você consome mais luz e água. Quando você acha que vai entrar um dinheiro e não acontece, você fica angustiado”, relata. Ontem, ele consultou duas vezes o site para saber a situação do benefício.

Calendário Datas. A segunda parcela será paga hoje para quem nasceu em janeiro e fevereiro; amanhã, março e abril; no sábado, maio e junho. Na próxima semana os pagamentos continuam.

Mãe solteira de um menininho de um ano e dez meses, Franciele Quintino já deveria ter recebido no lote liberado para famílias de baixa renda. “Estou enfrentando muita dificuldade, porque sou chefe de família. Não dá para manter minha casa. Minhas contas de água e luz já estão vencidas e as coisas vão começando a faltar. A gente tem apenas a ajuda dos familiares”, lamenta. Ela foi demitida um mês e quinze dias depois de ser contratada em um shopping da região metropolitana de Belo Horizonte. A Caixa informou que não é possível saber o número exato de pessoas que estão com o auxílio dependendo de análise em Minas Gerais por causa do grande número de dados que impede saber a situação de cada Estado.

Cena comum. Grandes filas se formaram na porta de bancos e loterias

EDU ANDRADE/FATOPRESS/FOLHAPRESS

Nelson Teich, ministro da Saúde

“Sabemospoucosobre a doença” Em sua primeira entrevista coletiva como ministro da Saúde, Nelson Teich afirmou que é preciso, primeiramente, melhorar informações sobre o coronavírus, que ainda são precárias. “Nós sabemos muito pouco sobre a doença. Você vai fazendo escolhas, mas é algo muito frágil, pois não sabemos do que está se tratando. A informação é crítica”, disse. Segundo o novo ministro, que ocupa o cargo há uma se-

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Estreia. Ministro da Saúde falou sobre ‘plano de saída’ do isolamento junto com Estados e municípios

mana, seu objetivo é obter mais informações sobre a Covid-19 e seus efeitos, além de criar um banco de dados juntamente com outros ministérios. “Estou aqui há apenas cinco dias, mas está para ser criado um banco de dados com outros ministérios. Vamos buscar integração maior com outros grupos do governo. Vamos ter dados ligados a hospitais e Estados também”, afirmou. Teich avaliou que não se pode “deixar de lado” pes-

soas com outras doenças. “Não podemos esquecer das outras pessoas. Os hospitais estão perdendo muitos pacientes com doenças que não são a Covid, é algo preocupante”, alertou. O Brasil registrou 165 mortes e 2.678 novos casos da doença em 24 horas, segundo a pasta da Saúde. Ontem, total de mortes chegou a 2.906, com 45.757 casos confirmados no país. (Gabriel Moraes) SENADO FEDERAL

Sem dados nos presídios Penitenciárias. Com a escassez de testes para a Covid-19 disponíveis para a população em geral, a maioria dos governos estaduais não está testando detentos. Em levantamento com os 27 Estados, apenas 10 informaram já ter aplicado testes em presos, com menos de 1 mil feitos até ontem. No Brasil, há 442 mil vagas nas prisões, de acordo com dados do Ministério da Justiça, sendo que até dezembro, o país tinha 755 mil encarcerados. Segundo monitoramento do Departamento Penitenciário Nacional, até terça-feira, foram confirmados 60 casos de coronavírus em presídios. Houve duas mortes: um preso de 73 anos, no Rio de Janeiro, e um detento de 67 anos, em São Paulo.

Por ajuda a Estados, Senado pode congelar salário de servidor ¬ BRASÍLIA. Líderes do Senado

são favoráveis ao congelamento por dois anos de salário de servidores públicos em troca da aprovação de ajuda financeira da União a Estados e municípios. Governo e Senado articulam forma de socorrer os entes durante a pandemia. De acordo com a proposta, os concursos públicos ficariam suspensos durante a crise. As negociações encabeça-

das pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM), buscam um meio-termo na disputa com a Câmara. A ideia do governo é engavetar o texto aprovado pelos deputados, articulado por Rodrigo Maia (DEM) com governadores, que não tem contrapartidas de Estados e municípios. Para tentar barrar o plano da Câmara, Guedes espera aprovar um novo texto no Senado.

Senadores vão discutir proposta de socorro elaborada pelo ministério da Economia


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 9

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Crise cria rombo de R$ 42 bi na indústria automobilística COMUNICAÇÃO VOLKSWAGEN- 3.8.2016

Cadeia produtiva do setor corre risco de entrar em colapso, alertam especialistas ¬ IGOR VEIGA ¬ As medidas de isolamento

social para evitar a propagação do coronavírus fizeram as vendas de automóveis no país atingir seu menor nível dos últimos 14 anos. De acordo com análise feita pela consultoria Bright, voltada para o setor automotivo, o prejuízo causado pela Covid-19 na cadeia da indústria automotiva no Brasil deve chegar a R$ 42 bilhões só em 2020. Os emplacamentos caíram 21,8% na comparação entre os meses de março de 2019 e de 2020. Embora algumas empresas desenvolvam canais online de vendas para manter as atividades, espera-se queda superior a 80% nas vendas em abril, seguindo o que ocorreu em países há mais tempo em quarentena. Todas as montadoras colocaram seus funcionários em férias coletivas, sendo que algumas delas foram estendidas até início de junho. Algumas fábricas, como a Volkswagen, começaram as negociações de layoff com esquemas de redução parcial de jornada e remuneração. Outras estudam esquemas de trabalho alternado entre equipes de produção. Ao todo, cerca de 370 mil trabalhadores das linhas estão em casa. Em suma, para executivos e consultores automotivos, trata-se de uma crise sem precedentes. O discurso é global. Em comunicado oficial, o presidente da Organização Internacional de Construtores de Automóveis (Oica), Fu Binfeng, declarou que “esta poderá ser a pior crise que já impactou a indústria automobilística na história”. “Nunca vi uma queda como essa no setor automotivo, não só aqui como no mundo todo. Estamos vivendo uma questão aguda, o faturamento desapareceu”, afirmou Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford na América do Sul. Para o executivo, será preciso um esforço conjunto do governo, bancos e todo o setor para reverter a situação.

EFEITO DOMINÓ Mark Essle, só-

cio da consultoria internacional Kearney, alerta sobre a falta de liquidez (dinheiro em caixa) das empresas do setor, o que pode levar várias delas, sobretudo as médias e pequenas, à bancarrota. “A queda imediata da receita na venda de veículos gera um efeito dominó em todo o sistema, impactando, de forma imediata, a capacidade de pagamentos de obrigações e funcionários”, destaca Essle. “Juntamente com as medidas de curto prazo endereçadas à falta de liquidez e sobrevivência das empresas, é fundamental que a indústria e o governo aproveitem o momento para acordar sobre a desoneração de impostos sobre produtos hoje importados, objetivando a localização da produção, que podem não gerar arrecadação num primeiro momento, mas certamente fortalecerão o mercado de trabalho e a escala necessária à melhoria da competitividade”, analisa Paulo Cardamone, CEO da Bright Consulting.

Cenário adverso. Em meio às incertezas sobre o fim da pandemia, montadoras se mexem e correm atrás para manter saúde financeira LEO LARA / FIAT DIVULGAÇÃO - 15.4.2020

Força-tarefa

Fiat conserta 18 respiradores e devolve para hospitais de MG A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) entregou, ontem, 18 respiradores que foram consertados pela montadora em uma parceria com o Senai. Seis aparelhos foram devolvidos ao Hospital da Baleia, na região Leste de BH, dois à Santa Casa, na região Centro-Sul, e dez foram entregues à Polícia Militar, que vai distribuir o equipamento para hospitais do interior de Minas Gerais. Os aparelhos serão usados no tratamento contra o coronavírus. A empresa recebeu, nos últimos dias, 139 respiradores para serem consertados, sendo que 75 foram em dias anteriores – 57 estão em manutenção e 18 já foram devolvidos –, de 22 cidades mineiras e 27 hospitais. Outros 64 aparelhos chegaram ontem à fábrica. Dez foram entregues pelo Exército, sendo quatro do Amapá e seis de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Outros 54 foram entregues pela PM em parceria com a Secretaria de Planeja-

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“Retomada será lenta” Estimativa. Segundo Paulo Cardamone, CEO da Bright Consulting, o mercado brasileiro deve levar ao menos três anos para retomar os níveis de vendas do ano de 2019, quando foram comercializados 2.665.583 veículos. A previsão é de que, em 2020, as vendas não passem de 2,3 milhões de unidades, subindo para 2,547 milhões em 2021 e 2,738 milhões, em 2022.

Esforço. Equipes treinadas pelo Senai atuam em dois turnos no conserto dos aparelhos que são devolvidos aos hospitais.

mento do Estado e são aparelhos vindos de diversas cidades mineiras. Trabalham no conserto dos aparelhos 16 funcionários treinados pelo Senai e que atuam em dois turnos. “Nós identificamos os defeitos, nos organizamos para consertar, e, depois de pronto, uma empresa contratada emite um laudo quanto à manutenção, e os aparelhos são devolvidos aos hospitais”, explicou Leonardo Amaral, gerente de Assuntos Regulatórios e Compliance da Fiat e responsável pela força-tarefa de manutenção dos respiradores. A equipe para consertar

Peça essencial Salvação. Procurados por todos os países, os respiradores são fundamentais no tratamento da Covid. Eles funcionam durante momentos críticos do sistema respiratório do paciente.

os aparelhos foi criada pelo Senai e pelo Ministério da Economia, em parceria com dez grandes indústrias instaladas no Brasil. Estima-se que cada respirador recuperado possa atender até dez pacientes. Além da entrega dos seis respiradores reparados, a Fiat também doou 60 protetores faciais plásticos ao Hospital da Baleia, que se prepara para disponibilizar e equipar cem leitos aos pacientes do novo coronavírus. Para isso, o hospital pede ajuda financeira por meio das suas redes sociais. Sobre os protetores faciais, a Fiat informou que “as impressoras 3D, normalmente utilizadas para o desenvolvimento de projetos de inovação em várias áreas da montadora, foram alocadas para a produção desses equipamentos essenciais à proteção dos profissionais de saúde da linha de frente”. (Natália Oliveira)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Petróleo derruba arrecadação

RAFAEL ANDRADE/FOLHAPRESS - 2.9.2008

Queda histórica da commodity fez preço de referência para os royalties cair 45% ¬ RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO. A

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fez mais uma redução nos parâmetros para o cálculo dos royalties do petróleo este ano pela União, Estados e municípios, após o tombo no valor da commodity nos últimos dias. Ainda considerada uma projeção conservadora, pela incerteza sobre a duração da pandemia, que fez despencar a demanda por petróleo e seus derivados, a agência agora trabalha com média de US$ 33,03 por barril em 2020 contra a média de US$ 60 o barril antes do agravamento da crise, queda de 45%. O dólar no cálculo da agência passou de R$ 4,04 para média de R$ 4,71 em menos de dois meses, aumento de 16,5%. Com isso, a arrecadação da União passaria dos R$ 27 bilhões inicialmente previstos para R$ 18,4 bilhões. O Estado do Rio de Janeiro, o maior produtor do país, deverá ter queda de arrecadação do imposto para R$ 3,8 bilhões. Se levado em conta o valor atual da commodity, em torno dos US$ 20 o barril, a União arrecadaria R$ 11,1 bilhões e o Rio, R$ 2,3 bilhões. O excesso de oferta saturou a capacidade de esto-

que em vários mercados e fez o preço do petróleo despencar nos últimos dias. RECUPERAÇÃO. O petróleo fe-

chou ontem com ganhos, em um movimento de recuperação após quedas históricas nos últimos dois dias. Um possível aprofundamento do corte na oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e uma ameaça do presidente norte-americano ao Irã foram fatores decisivos para a alta da commodity. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho subiu 19,10%, a US$ 13,78. Na Internacional Exchange (ICE), o Brent para o mesmo mês encerrou a sessão com ganho de 5,38%, a US$ 20,37 o barril. A commodity energética encontrou espaço para recuperação ontem após o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, dizer que o corte na produção da Opep+ deve ser de 15 milhões a 20 milhões de barris por dia a partir de maio. Na semana passada, o cartel chegou a um acordo para redução de 9,7 milhões de barris. Além disso, uma fala de Trump, que ameaçou destruir embarcações iranianas que se aproximem “perigosamente” de navios dos EUA, impulsionou os contratos de petróleo, já que uma instabilidade no Oriente Médio pode reduzir a oferta. Washington estuda também um pacote de estímulos às petroleiras. Os ganhos, porém, foram reduzidos após a

Produção. ANP prevê média de US$ 33,03 por barril do produto contra a média de US$ 60 o barril antes do agravamento da crise mundial

divulgação dos estoques de petróleo nos EUA, que subiram 15,022 milhões de barris na semana encerrada no dia 17, segundo o Departamento de Energia. “O petróleo permanece no centro do palco com volatilidade ainda extrema”, avaliam analistas do banco Brown Brothers Harriman (BBH). Para o Commerzbank, a volatilidade no mercado de energia tende a continuar. Segundo o banco alemão, a ICE avalia a possibilidade de preços negativos para os contratos do Brent, após o WTI para maio ter sido negociado abaixo de US$ 0 pela primeira vez na história.

Novo recorde

Dólar fecha acima dos R$ 5,40 O dólar subiu 1,90% e fechou a quarta-feira em nova máxima histórica, cotado em R$ 5,4087. O real destoou de outras moedas emergentes, que ganharam força ante a moeda norteamericana, e teve o pior desempenho em uma cesta de 34 divisas internacionais. O principal fator para a disparada da divisa, de acordo com analistas de câmbio, é a consolidação da visão que o Banco Central (BC) vai cor-

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tar os juros de forma mais agressiva nos próximos meses, além de um ajuste nos preços por conta do feriado. Para a economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, o movimento foi em maior parte interno, com a curva futura de juros passando a precificar cortes mais intensos da Selic. Este movimento ganhou força após México e Turquia reduzirem taxas ontem em reuniões ex-

traordinárias. Isso ajudou a aumentar a aposta aqui de um corte maior na reunião de maio ou mesmo antes, de forma extraordinária. BOLSA. O Ibovespa foi benefi-

ciado pelo dia positivo no exterior. O principal índice da B3 subiu ontem 2,17%, aos 80.687 pontos, tendo oscilado entre mínima de 78.972 e máxima de 81.183 pontos na sessão, com giro financeiro a R$ 24,4 bilhões.

ADRIANA TOFFETTI/A7 PRESS/FOLHAPRESS - 13.4.2020

Doria planeja retomada

Pior receita em dez anos

Atividade. O governo de São Paulo lançou ontem o plano para reativar, em 11 de maio, a atividade econômica. O fim do isolamento será diferente para cada região e vai depender do total de leitos disponíveis. Segundo o governador João Doria (PSDB), SP zerou a fila para testes. Ele também disse que vai repreender manifestantes que bloquearem acesso a hospitais.

União. Já sob efeitos da pandemia de coronavírus, a arrecadação federal de impostos ficou em R$ 109,7 bilhões em março, queda de 3,22% frente ao mesmo mês do ano passado, já considerando a inflação. O volume de receitas da União e o menor para o mês desde 2010, quando a arrecadação ficou em R$ 105,7 bilhões, em valores atualizados. Os dados foram divulgados ontem pela Receita Federal.

PAULO MARQUES/FOLHAPRESS

Boletim econômico no RJ ICMS. A Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro começou a publicar ontem um boletim sobre os reflexos da Covid-19 na economia do Estado. Segundo o relatório, no mês passado, o ICMS registrou queda de 8,76% na comparação entre março de 2019 (R$ 510 milhões) e março de 2020 (R$ 470 milhões). O isolamento no Rio começou na segunda semana do mês passado. Para o alto. Previsão de corte de juros pelo Banco Central balizou a subida da moeda norte-americana


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 11

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Para especialistas, fake news são crime contra a saúde pública Boatos sobre origem da Covid e insumos vindos da China se disseminam ¬ ALEX BESSAS ¬ Circulam em redes so-

ciais áudios e vídeos que acusam a China de exportar equipamentos de proteção individual (EPIs) previamente contaminados pelo novo coronavírus. As mensagens, sem qualquer evidência, recomendam que a população se recuse a usar, por exemplo, máscaras de origem chinesa distribuídas pelo poder público. Ministério e secretarias de Saúde rejeitam a informação. O infectologista Carlos Starling, que integra o comitê de enfrentamento à pandemia em Belo Horizonte, classificou a disseminação de conteúdos afins como “absurdo e um crime contra a saúde pública”. Contrariando pesquisas científicas, entre elas uma publicada no dia 17, pela revista Nature, e assinada por cientistas de universidades dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, as publicações garantem que a pandemia da Covid-19 seria causada por um vírus criado em laboratório e seria parte de um suposto plano de dominação mundial chinês.

“Não há nenhuma evidência que produtos enviados da China para o Brasil tragam o novo coronavírus. Os vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego destes produtos costuma ser de muitos dias”, aponta o Ministério da Saúde em sua página na internet. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “tem monitorado diariamente os portos, aeroportos e fronteiras e emitido alertas sonoros de conscientização para os passageiros”, completa o informe. Instrutor da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva (Somiti), membro da Sociedade Mineira e Brasileira de Infectologia e integrante do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19 de BH, Carlos Starling classificou o áudio, a que teve acesso, como “um crime contra a saúde pública”. “A origem dessas coisas é exatamente o medo, o preconceito. Os equipamentos importados da China são muito bem-vindos neste momento. Não tem nada de contaminação. Isso é uma fantasia e fruto de mentes paranoicas. Isso não vale ser levado em consideração em hipótese alguma. É um desserviço à população”, comentou o infectologista.

Autor das mensagens

Disseminador não explica os boatos A reportagem encontrou o autor do primeiro áudio disseminando a informação falsa de máscaras vindas da China contaminadas e que foi vastamente distribuída no WhatsApp. Cantor e compositor gospel, Rodrigues Filho vive em Cuiabá, capital do Mato Grosso, na região Centro-Oeste do país. O autor da mensagem se diz estudante do terceiro ano do curso de medicina. No entanto, ele se recusa a informar a universidade em que estuda e também a qual igreja estaria ligado. “Estão exportando milhões de máscaras e, em muitas delas, o vírus está

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vindo. A pessoa dentro de casa vai receber a máscara e ficar contaminado. Eu não uso máscara que vem da China, e você não pode deixar sua família usar”, dizia ele em uma primeira mensagem, divulgada no dia 8 de abril. Em conversa por telefone, ele confirmou ser o autor da mensagem. Perguntado sobre evidências que levaram a tal conclusão, limitou-se a afirmar: “Pra quê mais comprovação? O vírus existe? Existe. Por quê? Por que ele foi feito”. Confrontado sobre as recomendações de uso de máscaras por autoridades sanitárias, o cantor defende que “cada um faça a sua”. (AB)

EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

É FALSO O Ministério da Saúde lista principais boatos sobre coronavírus espalhados pelas redes sociais.

4 Na Tailândia, médicos conseguem curar a doença em 1 dia?

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No início de fevereiro, meios de comunicação divulgaram que uma chinesa de 71 anos teria sido curada após receber um coquetel de antivirais. Não é verdade. Por enquanto, médicos não conhecem medicamentos, substâncias ou vitaminas que possam prevenir a infecção. Por isso, pede-se que a população se concentre em cuidados básicos de higiene.

Chá de abacate com hortelã previne coronavírus? Mensagens que citam remédios caseiros contra o vírus - chás, óleos, comidas - são das fake news mais disseminadas. Até o momento, não há nenhum medicamento específico, infusão, óleo essencial ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus. Para combater a doença, mantenha bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência.

5 Produtos importados da China trazem o vírus?

2 Inseticidas podem transmitir coronavírus? Circulam pela internet imagens de embalagens de inseticida com o ingrediente "Human Coronavirus" no rótulo. As fotos são falsas. O Ministério da Saúde diz que "as investigações sobre as formas de transmissão do vírus ainda estão em andamento" e ressalta que a contaminação se dá "pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas".

3 A estrutura do coronavírus é semelhante à do HIV?

Segundo o Ministério da Saúde, não há evidências de que os produtos enviados do país asiático tragam o patógeno. O vírus, segundo a pasta, não sobrevive mais de 24 horas fora do organismo humano ou de algum animal, e o trânsito dos produtos costuma levar muitos dias. Portanto, não há risco de infecção para consumidores.

6 Autodiagnóstico pela respiração pode detectar a doença? Outra mentira que circula online diz que o coronavírus deixa o pulmão "com pelo menos 50% de fibrose" e que, por isso, seria possível fazer um autodiagnóstico prendendo a respiração por dez segundos - quem o fizesse sem tossir ou sentir desconforto não estaria contaminado. É falso. O diagnóstico de coronavírus depende de exames hospitalares.

Não há nenhum registro científico indicando inserções semelhantes ao vírus HIV no novo coronavírus e muito menos que o vírus foi criado em laboratório. O vírus da Covid-19, na verdade, parece com outros patógenos de sua família, como o Sars (síndrome respiratória aguda grave), que provocou cerca de 770 mortes entre 2002 e 2003. Seu epicentro também foi a China.

MANUAL PARA NÃO PROPAGAR FAKE NEWS Busque a fonte original Faça uma busca na internet: muitos casos já foram desmentidos Cheque a data: a "novidade" pode ser antiga Leia a notícia inteira Cheque o histórico de quem publicou Se a notícia não tem fonte, não repasse FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Crise pode gerar fome em proporções bíblicas OLYMPIA DE MAISMONT/AFP

Opinião é de diretor da ONU que fala sobre panorama de 30 países afetados ¬ GENEBRA, SUÍÇA - David Beas-

ley, diretor do WFP (Programa Mundial de Alimentos da ONU), alertou ontem que a crise econômica gerada pelo novo coronavírus pode levar mais dezenas de milhões de pessoas a passar fome. “Se não nos prepararmos e agirmos agora, para garantir acesso a alimentos, evitar a falta de recursos e a ruptura no comércio, nós poderemos encarar múltiplas crises de fome de proporções bíblicas em poucos meses”, alertou, em discurso ao Conselho de Segurança da ONU. Beasley disse que, atualmente, 821 milhões de pessoas ao redor do mundo vão dormir com fome diariamente, pois vivem com a falta de alimentos de forma crônica, e outras 135 milhões estão à beira de ficar completamente sem comida, tendo alimentos em alguns dias e em outros não.

Cloroquina, não! Veto. O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), dos EUA, divulgou um documento no qual contraindica o uso de hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento da Covid-19. A entidade também não indica o uso de lopinavir/ritonavir, drogas que também estão em estudo para tratar a doença. A recomendação foi elaborada por um painel de especialistas com representantes de pelo menos 13 entidades, como agências governamentais e associações médicas americanas. Segundo o documento, o uso das drogas citadas só deve ser feito em ensaios clínicos.

Reabertura dos parques Dia da Terra. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que espera que os parques nacionais americanos comecem a ser reabertos rapidamente, seguindo o plano de retomada de atividades dos Estados para o novo coronavírus. Os comentários foram feitos durante cerimônia de plantio de árvore em reconhecimento ao Dia da Terra e ao Dia da Árvore. Os Estados Unidos são o país com maior número de casos da Covid-19 registrados (837.719), e também maior número de mortes (46.771). A atualização dos números foi feita às 19h30 de ontem. JOHANNES EISELE

FOME GLOBALIZADA. Segundo

um estudo feito pelo WFP, mais 130 milhões de pessoas correm risco de passar fome devido à crise econômica gerada pelo novo coronavírus. A paralisação do comércio e do turismo, a recessão econômica e a crise no preço do petróleo retirarão dinheiro dos mais pobres. Com isso, eles não poderão comprar comida, disse Beasley. Ele estima que, no pior cenário, mais de 30 países poderão ser duramente afetados, como Haiti, Nepal e Somália.

Relatório Insegurança. Um relatório apresentado conjuntamente por União Europeia, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e Programa Mundial de Alimentos (PMA), no início deste mês, apontou que 113 milhões de pessoas tiveram insegurança alimentar aguda em 2018.

Calamidade. A fome, que já é um problema recorrente no mundo, pode se tornar ainda mais grave nos próximos anos

Vírus pode ficar no corpo por até 30 dias

Reino Unido

Isolamento por mais um ano ISABEL INFANTES / AFP

¬ Pacientes que tiveram a forma mais grave da Covid-19 permanecem com o vírus no corpo por um período mais longo do que aqueles que tiveram versões leves da infecção. Em amostras extraídas do trato respiratório (catarro e saliva) de doentes em situação mais grave na China, o vírus foi encontrado por 21 dias, em média. Em alguns casos, esse período se estendeu a 30 dias. A presença média do vírus nos pacientes sem complicações foi de 14 dias. Os resultados vêm de um estudo publicado por cientistas chineses na terça-feira (21), na revista científica britânica The BMJ (antigamente conhecida como The British Medical Journal), uma das publicações de maior prestígio na área da saúde.

Movimento nas ruas da capital inglesa tem sido bem pequeno por conta da Covid-19

O Reino Unido pode manter medidas de distanciamento devido ao coronavírus por mais um ano se uma vacina ou tratamento eficaz não forem encontrados antes disso,

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LONDRES, INGLATERRA.

alertou o principal consultor médico do governo ontem. “A saída disso será uma das duas coisas, uma vacina altamente eficaz ou medicamentos altamente eficazes para impedir que as pessoas

morram com esta doença”, disse Chris Whitty. “Até que tenhamos isso, e a probabilidade de obtê-los a qualquer momento do ano que vem é muitíssimo pequena e acho que devemos ser

realistas sobre isso, teremos que confiar em outras medidas sociais, que obviamente são muito perturbadoras”, afirmou. Ele não especificou, contudo, quais medidas podem ser mantidas, referindo-se simplesmente à “combinação ideal delas”. O Ministério da Saúde britânico registrou 759 novas mortes em hospitais de pacientes doentes com Covid-19 ontem, elevando o número de mortes para 18.100 desde o início da crise no país, um dos mais afetados na Europa. Teme-se que o número seja muito maior, uma vez que os dados oficiais não incluem mortes que ocorreram em residências ou asilos.


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aparte@otempo.com.br

A.PARTE

Aposentadoria

PEC acaba com acúmulo de benefício da Assembleia com salário do TCE Deputados estaduais que venham a ser nomeados para ocupar um cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TCE-MG) e que já recebam aposentadoria pela Assembleia Legislativa de Minas (ALMG) podem ser impedidos de acumular o benefício com o salário recebido pela Corte. É o que prevê uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que começou a tramitar na ALMG. Caso seja aprovada, a medida terá validade para novos casos, não influenciando nos benefícios recebidos atualmente pelos conselheiros. A iniciativa é do deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT). “Não podemos ter duas fontes de renda para o mesmo conselheiro. Os deputados que forem para o TCE vão ter que optar pela aposentadoria

da Assembleia e pelo salário do tribunal”, informou, explicando que os parlamentares têm direito à aposentadoria pela ALMG após cumprirem oito mandatos consecutivos. Atualmente, conforme o Portal da Transparência do TCEMG, um conselheiro recebe R$ 35,4 mil mensais. Dos sete conselheiros, cinco são ex-deputados estaduais: Mauri Torres (presidente do TCE), José Alves Viana (vice-presidente), Wanderley Ávila, Sebastião Helvécio e Durval Ângelo. A composição da Corte segue uma regra, e, pelas normas atuais, quatro assentos são indicados pela ALMG e três são de indicação do Palácio Tiradentes. No entanto, conforme explicou a assessoria do TCE-MG, apenas uma indicação do governo é de livre nomeação. Uma

precisa ser de algum servidor de carreira do Ministério Público de Contas e outra de algum servidor de carreira de conselheiro substituto. O pedetista diz que quer estender a regra para as demais indicações. “Se a pessoa for do governo, num cargo efetivo, ela também tem direito (ao acúmulo). Queremos que, com o projeto, não se possa ter duas fontes de renda, seja nomeado pela Assembleia ou pelo governo. Nenhum conselheiro do TCE não vai poder acumular a aposentadoria (com o salário)”, reforçou. O deputado esclarece ainda que a PEC, se aprovada e sancionada, vai valer apenas para as novas indicações: “Direito adquirido é para ser respeitado no Brasil, e não posso fazer nada”. Alencar da Silveira também admitiu que tem interesse em se

MARYANNA OLIVEIRA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

candidatar a uma vaga para conselheiro do TCE. “Tenho interesse e vou disputar. Não tenho dificuldades em relação a isso e mostro que, se eu quero ir para o tribunal, não é por conta de salário, mas por achar que posso ajudar muito aquela Casa”, disse. Por ser uma PEC, a matéria precisa de quórum qualificado para ser aprovada na ALMG, contando com a aprovação de 48 parlamentares. “Não acredito que terá resistência. A Assembleia vem fazendo sua parte, e a ideia da proposta não é ruim. Temos que mudar. Estamos passando por uma fase agora e vamos mudar daqui para frente”, disse o deputado, ressaltando que a medida será aprimorada pelos seus pares antes de ser votada. (Sávio Gabriel)

TSE

Eleições podem ser realizadas em novembro Até o fim de maio, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão decidir se as eleições municipais serão mantidas para o dia 4 de outubro ou se serão adiadas. De acordo com um dos ministros, que falou sob a condição de anonimato ao jornal “O Globo”, se o isolamento social se estender por mais tempo, a tendência é transferir o pleito para o fim de novembro – provavelmente o último domingo do mês, dia 29 –, com o segundo turno marcado para 15 de dezembro. Neste caso, os candidatos serão diplomados antes de terem as contas de campanha julgadas pela Justiça Eleitoral.

Em prévia do Orçamento, Tesouro projeta que dívida pública pode chegar a 90,9 % do PIB ¬ Projeções feitas pela Se-

cretaria do Tesouro Nacional (STN) mostram que o enfrentamento ao novo coronavírus impactará as contas públicas com a queda na arrecadação devido à diminuição da atividade econômica gerada pelo distanciamento social e com a disparada da dívida pública por causa do aumento de gastos do governo federal. Os cálculos constam do anexo de riscos fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2021, espécie de guia para o Congresso elaborar o Orçamento do ano que vem. De acordo com o documento, em um cenário que

considera extremo, o Tesouro projeta que a dívida pública pode crescer 6,4 pontos percentuais e chegar a 90,9% do PIB. Isto pode acontecer se o PIB cair 3% neste ano e o déficit primário (despesa maior do que a receita) for de R$ 634 bilhões. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta retração de 5,3% do PIB no Brasil em 2020, patamar semelhante aos 5% projetados pelo Banco Mundial. No início de abril, o governo federal revisou a previsão do déficit primário para R$ 419,2 bilhões. No entanto, o valor pode ser maior de acor-

do com o tamanho do impacto fiscal de projetos que tramitam no Congresso, como a recomposição da perda de arrecadação dos Estados. Outra previsão feita pela Secretaria de Tesouro Nacional é a queda de R$ 45 bilhões neste ano e de R$ 48 bilhões em 2021 na arrecadação dos impostos administrados pela Receita Federal, como o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados. A projeção leva em consideração uma queda de 4,5 pontos percentuais no PIB real, ou seja, a variação do PIB sem levar em conta os efeitos da inflação. (Pedro Augusto Figueiredo)

Dias Toffoli Presidente do Supremo

x

“Não há solução para as crises fora da legalidade constitucional e da democracia, ambas salvaguardadas pelo Supremo Tribunal Federal. Devemos, portanto, reafirmar nosso compromisso com os valores republicanos e democráticos, com os valores da liberdade, da igualdade e da justiça social, historicamente consolidados.”

PAULO HADDAD Economista e professor aeri@aeri.com.br

Incertezas

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o início dos anos 30, sem perceber a profundidade da crise econômica que se iniciara em outubro do ano anterior, o presidente dos Estados Unidos Herbert Hoover começava a enfrentar os problemas econômicos e sociais da Grande Depressão. Consultou o seu ministro de Fazenda (Secretary of Treasury nos EUA) sobre quais as medidas que deveria tomar para reduzir o desemprego (que atingiria 25 % em 1933), atenuar crises na Bolsa de Valores e mitigar a insatisfação de empresários, industriais e fazendeiros. Andrew Mellon, que foi o ministro de Fazenda de três presidentes norte-americanos entre 1921 e 1932 e um dos homens ricos daquele país, se opunha firmemente a qualquer intervenção maior do governo para corrigir os rumos da economia, até mesmo à expansão monetária (o que foi considerado um grande erro por Milton Friedman). Respondeu prontamente à indagação do presidente: “Liquidem-se empregos, liquidem-se as ações, liquidem-se fazendeiros, liquidem-se imobiliárias... E o resultado aparecerá, pois a podridão será expurgada do sistema... o povo viverá uma vida mais digna... e as pessoas empreendedoras resgatarão os destroços das pessoas menos competentes”. Tratava-se de uma proposta de austeridade dentro da filosofia de um liberalismo radical, que procurava restringir a intervenção do Estado na dinâmica do ciclo econômico depressivo e ampliar o escopo do mercado na “depuração” do sistema. Mellon propunha que as forças dos mercados fizessem com que sobrevivessem apenas os mais eficientes, numa espécie de darwinismo econômico. De 1933 a 1937, o presidente Roosevelt adotou uma política do estilo Keynesiano de defesa dos níveis do emprego e da renda, com grandes investimentos em obras públicas e com políticas sociais compensatórias. A economia norte-americana cresceu 45% no período. Esse descompasso entre as escolhas de políticas econômicas serve para ilustrar os dilemas atuais sobre o que fazer com a nossa economia no período pós-pandemia diante de três grandes incertezas. Uma incerteza é quanto ao ciclo da cadência e da extensão da pandemia no nosso país para definir uma perspectiva para a retomada do crescimento econômico. Há grande probabilidade de que as adequadas políticas compensatórias de renda para as famílias e de apoio de capital de giro para as empresas venham a ter uma nova rodada do Tesouro Nacional no próximo trimestre. Outra incerteza é sobre qual deveria ser a nova política econômica pós-pandemia, com propostas que vão desde uma grande emissão controlada de moeda através da compra de títulos até o uso das reservas internacionais para combater a crise atual, passando pela proposta de pequenos ajustes na política econômica pré-pandemia. E uma terceira incerteza é quanto à possibilidade de a recessão se transformar numa depressão econômica ainda no segundo trimestre. Estamos, pois, num processo de decisão com conhecimento imperfeito, que tem informações incompletas, o qual pode ter quatro formas básicas: risco, ambiguidade, incerteza e ignorância. A melhor alternativa para o país é, tal como no caso do controle da atual pandemia, deixar que as propostas de solução para a crise do organismo econômico venham do conhecimento científico, e não de quem nem mesmo sabe o que não sabe.


O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 15 TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838

7 Rito das MPs I

7 Rito das MPs II

A maioria do Supremo Tribunal Federal considerou legítima a forma simplificada de votação de medidas provisórias adotada pelo Congresso Nacional durante a pandemia do novo coronavírus. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do presidente, ministro Dias Toffoli, e não tem previsão de ser retomado.

Política

Desde março, a Câmara dos Deputados e o Senado têm analisado as MPs diretamente em plenário, sem passar por uma comissão mista. A providência foi tomada para acelerar a tramitação das medidas diante da calamidade pública e da impossibilidade do encontro presencial.

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LAI. Solicitações usam desde o post sobre ‘golden shower’ até a participação em protestos de militantes

Câmara já recebeu 21 pedidos de impeachment de Bolsonaro MARCOS CORRÊA/PR

Do total de ações, duas foram feitas por deputados federais da oposição ¬ FRANSCINY ALVES ¬ BRASÍLIA. A Câmara dos De-

putados recebeu de membros da sociedade civil, instituições e parlamentares 21 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os motivos para solicitar o afastamento do presidente vão desde a publicação em seu perfil do Twitter, no Carnaval do ano passado, questionando o que era “golden shower” até o fato de ele participar de protestos antidemocráticos, em que manifestantes levantaram placas pelo fechamento do Congresso Nacional e pela volta da ditadura militar. Uma das solicitações foi arquivada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A reportagem solicitou ao Legislativo, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), todos os documentos protocolados desde o início da legislatura que pedem a saída do presidente do cargo. A data final de referência é 6 de abril. O mais antigo, que tem somente Bolsonaro como alvo, data de 8 de março do ano passado. Na ocasião, uma advogada de São Paulo afirmou que o presidente cometeu crime de responsabilidade ao compartilhar, em sua conta oficial do Twitter, um vídeo de uma cena do Carnaval questionando: “O que é golden shower?”. Esse é o nome em inglês para o fetiche de urinar na

Trâmite Rito. Para o impeachment ter andamento, o presidente da Câmara precisa aceitar a denúncia. A partir disso, o pedido é analisado em comissão especial e depois votado em plenário na Casa e depois pelo Senado.

frente de um parceiro ou sobre ele. Ela diz que ao publicar a cena obscena com terceiros nas redes sociais, Bolsonaro desrespeitou o artigo 218 do Código Penal, que criminaliza a divulgação de conteúdo íntimo sem a autorização de quem está sendo exposto. A maioria dos pedidos de impeachment surgiu após “vazar”, em um grupo de WhatsApp, mensagem em que o chefe do Executivo convocava para as manifestações do dia 15 de março. O protesto era contra o Supremo Tribunal Federal e o Parlamento. Foram 14 requerimentos solicitando ao presidente da Câmara o afastamento de Bolsonaro do cargo. Somente um cita também que o vice, Hamilton Mourão (PRTB), deve sair do cargo por permanecer omisso em meio às atitudes do presidente. Os motivos legais para defender a retirada de Bolsonaro do cargo são idênticos: ele teria cometido crime de responsabilidade por atentar contra a Constituição, o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes Constitucionais, a segurança interna do país e a probidade na administração. Outro artigo recorrentemente citado nos pedidos é o 9º, da Lei do Impeachment (1.079/1950), que diz que é crime de responsabilidade contra a probidade na administração se o presidente “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”. Já entre os fatos que contam nos pedidos para pedir o impeachment do presidente estão os ataques à liberdade de imprensa; a denúncia de que teria ocorrido fraude nas eleições em que saiu vitorioso, sem apresentar provas; a convocação para as manifestações no dia 15 de março, que pediam o fechamento do Congresso e a volta do regime militar; a desobediência à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de se evitarem aglomerações; as supostas falas racistas, homofóbicas, xeno-

fóbicas e misóginas; e a tentativa de indicar o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada dos Estados Unidos. Das denúncias de impeachment protocoladas na Câmara dos Deputados, duas delas são de autoria de deputados federais: Alexandre Frota (PSDB-SP), antigo aliado de Bolsonaro, e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que assina junto de outros parlamentares do PSOL e representantes da sociedade civil, como o ator Gregório Duvivier e a cantora Zélia Ducan. Também foi apresentado um pedido pelo deputado distrital Leandro Gass (Rede-DF).

Protocolo. O PDT entregou ontem mais um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

RANKING DO IMPEDIMENTO Subtenente Gonzaga Confira o número de pedidos de impedimento dos presidentes 2018

Michel Temer (MDB)

31

(tomou posse 2017 após a saída de Dilma) 2016 2015

Dilma Rousseff (PT)

2014

68

2013

(Afastada em 31 de agosto de 2016)

2012 2011 2010 2009 2008

37

Lula (PT)

2007 2006 2005 2004 2003 2002 2001

Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

2000 1999

24

1998 1997 1996 1995

Itamar Franco

(sem partido, na época)

(tomou posse 1993 após a saída 1992 de Collor)

4

Fernando Collor (na época, no PRN)

FONTE: CÂMARA DOS DEPUTADOS E PEDIDO FEITO PELA LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI)

29

(afastado em 1991 29 de dez. 1990 de 1992)

PDT apresenta novo pedido e deputado se recusa a assinar O deputado mineiro Subtenente Gonzaga se esquivou de apoiar o pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro que foi protocolado ontem pelo PDT, na Câmara dos Deputados. Ele disse que manifestou ao seu partido que é “radicalmente” contrário ao encaminhamento. O documento é assinado pelo presidente da legenda, Carlos Lupi, e o ex-candidato à Presidência e ex-governador do Ceará Ciro Gomes. A solicitação pelo afastamento de Bolsonaro foi entregue ao presidente do Legislativo, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Entre os motivos elencados estão a participação em manifestação antidemocrática pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), a minimização dos efeitos da Covid-19 no país e os ataques constantes à imprensa. O documento ainda não entrou no sistema da Casa, e a reportagem considerou para a análise o período em que foram respondidos

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os pedidos de Lei de Acesso à Informação. “Sou radicalmente contra qualquer encaminhamento por impeachment, porque entendo que estamos num momento em que a crise da pandemia, da economia, é que deve nortear nossas ações. Qualquer pedido de impeachment, na minha visão, tem caráter político, de demarcação de espaço, sem efetividade. Nós e o Brasil precisamos é de tranquilidade para trabalhar, respeitar as instituições e cobrar das autoridades”, disse Gonzaga. Em nota encaminhada à classe da segurança pública de Minas Gerais, o deputado afirmou que ainda que não na totalidade, essa é também a posição da maioria dos policiais e bombeiros militares com quem ele tem contato. Vale lembrar que, em 2016, Subtenente Gonzaga votou pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), que deixou o posto naquele ano. (FA)


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O.PINIAO

Editorial

VALAS COMUNS Escavadeiras cobrindo caixões de vítimas da Covid-19 em valas comuns no Amazonas são um retrato chocante da crueldade dessa doença. Além dos sintomas dolorosos e da excruciante falta de ar no paciente em vida, quando de sua morte, o temor público do contágio nega até a individualidade. Para as famílias, a aflição vivida na internação é substituída por um novo sofrimento. O caixão fechado impede a última visão na despedida do parente falecido, para o qual mal há velório. Resta apenas um número em um papel para que, em um futuro ainda incerto, se possa tentar encontrar o local de sepultamento. É em respeito às vítimas da pandemia e à dor inimaginável de suas famílias que se deve tratar o enfrentamento do coronavírus com sobriedade e responsabilidade. Não se trata de uma equação fácil: o Brasil, imenso demográfica e territorialmente, pode ter não apenas uma fase crítica de contágio, mas várias, de acordo com as capacidades e os esforços preventivos de cada região. Tanto a população quanto o setor produtivo sentem os efeitos de mais de um mês do necessário isolamento social. Tem sido um longo período de tensão emocional pelo risco de infecção por uma doença ainda sem vacina, mas igualmente pela incerteza de até quando será possível garantir o sustento familiar. O sacrifício de muitos, até o momento, tem conseguido cumprir o seu objetivo. Em Minas Gerais, por exemplo, cerca da metade dos leitos de UTI estão ocupados, o que deixa uma margem no sistema de saúde para atender os casos graves no momento em que for mais necessário. Por isso, manter o foco na prevenção e a responsabilidade na retomada é o maior recurso de que dispomos agora para que cenas como a do Amazonas não se repitam pelo país no futuro.

FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO

Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães

GERENTE COMERCIAL

EDITORES EXECUTIVOS

Alessandra Soares

Renata Nunes Cândido Henrique Silva Juvercy Júnior

GERENTE DE ASSINATURA

Fernanda Rodrigues GERENTE INDUSTRIAL

Guilherme Reis GERENTE DE CIRCULAÇÃO

Isabel Santos GERENTE ADMINISTRATIVO

Rômulo Lima

COORDENAÇÃO DE JORNALISMO

Flaviane Paixão EDITORES

Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira

OPINIÃO

Duke

www.dukechargista.com.br

ANDREIA DE JESUS Deputada estadual (PSOL) andreiadejesus@gabinetona.org

O Abril Indígena em tempos de pandemia Invasões de territórios e perpetuação de genocídio

N

o último dia 19 de abril, o calendário nacional celebrou o que nós, povos não indígenas, ainda chamamos corriqueiramente de “Dia do Índio”. A data, ressignificada pela luta indígena, recebe outro nome: Dia da Resistência Indígena. E é de resistência que falo hoje nesta coluna, uma vez que os povos originários estão novamente tendo seus territórios invadidos e sendo infectados por uma doença trazida por pessoas externas às suas comunidades: o coronavírus. Na teoria, seria fácil manter o vírus longe das aldeias indígenas que ficam em áreas de difícil acesso. Entretanto, não é o que acontece na prática: desde que se declarou estado de emergência por decorrência da pandemia, as invasões aos territórios indígenas aumentaram, sobretudo na região amazônica. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento aumentou 29,9% em março de 2020, consequência direta da diminuição do efetivo de fiscalização de atividades extrativistas nas áreas de reserva indígena em razão da pandemia. Esse aumento nas invasões representa não só uma ameaça territorial e ambiental, mas também uma ameaça física: a transmissão do vírus para as comunidades indígenas, que têm pouca ou

nenhuma assistência médica disponível. É a repetição, em pleno século XXI, da violação cometida contra os povos indígenas na invasão e na colonização do Brasil, e a perpetuação do genocídio indígena no Brasil. O genocídio não se manifesta apenas nos corpos abatidos pelos confrontos e pelas doenças, ele é também simbólico. O genocídio é simbólico quando o atual presidente da Funai é um homem bran-

A transmissão do vírus para as comunidades indígenas, que têm pouca ou nenhuma assistência médica disponível, é uma ameaça física co, delegado da Polícia Federal, que não executou nenhum centavo dos R$ 10 milhões em recursos disponibilizados para combater a pandemia nos territórios indígenas. O genocídio é simbólico quando nos deparamos com a triste realidade de que não existe, em nenhuma esfera de poder, um plano de ação estatal para resguardar as comunidades durante o período de distanciamento social. É simbólico quando o poder público não inclui as ne-

cessidades, os óbitos e a proteção aos povos indígenas nas políticas públicas pensadas para combater a pandemia. Tudo isso diz da invisibilidade, do apagamento e da necessidade de resistência desses povos no atual cenário. Em abril de 2019, lançamos, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, Quilombolas e Demais Comunidades Tradicionais, com a presença de representantes de várias etnias indígenas que vivem no nosso estado. De lá pra cá, temos tratado, tanto na Frente quanto na Comissão de Direitos Humanos, diversas denúncias de violações de direitos, que oscilam num espectro que vai da completa ignorância da existência desses povos por parte do Estado à visibilização repentina com a execução de operações policiais mal-explicadas em seus territórios. Nós, da Gabinetona, seguimos atentas a esse cenário de violações, exigindo respostas dos órgãos públicos e também direcionando os recursos das emendas parlamentares para a saúde e a educação indígena. Isolamento social não pode significar ausência do Estado e ausência de direitos, e lutar junto com esses povos é resgatar as forças ancestrais para quebrar o ciclo de mortes e adoecimento de todos nós, habitantes da Mãe Terra.


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OPINIÃO

x entre

aspas

“As pessoas acham que temos coronavírus. Tem muito preconceito.” Ingrid Vitória

“O uso universal da máscara é um símbolo de comprometimento.” José Medina Pestana

MORADORA EM SITUAÇÃO DE RUA

DIRETOR DO HOSPITAL DO RIM (SP)

Sobre coronavírus e população carente

Ao defender o uso da proteção

Kênio Pereira

Direitos do inquilino diante da atual crise

Advogado e presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG

Lojista de shopping pode romper contrato sem multa

O

s inquilinos dos shopping centers estão impossibilitados de pagar os aluguéis, as quotas de condomínio e o fundo de promoção. Além disso, têm a sobrecarga de arcar com acertos trabalhistas, impostos e custos fixos, prejuízos esses agravados com a falta de faturamento. Para evitar o crescimento dos prejuízos, muitos lojistas têm optado por encerrar o contrato de locação, especialmente diante da ausência de previsão de quanto tempo demorará a situação de distanciamento social. Diante do empobrecimento de milhares de pessoas que perderam o emprego, faliram ou tiveram diminuição

de seus rendimentos, espera-se uma redução das vendas após a reabertura do comércio – em torno de 50% – por vários meses. Todos sabem que os empreendedores dos shoppings são implacáveis ao impor aluguéis e quotas de condomínios (que se negam a prestar contas) altíssimas, além de multas rescisórias correspondentes a 12 meses de aluguel, sendo comuns os abusos e as cláusulas leoninas. Tendo em vista os riscos de esses inquilinos falirem, podendo assim perder seu patrimônio pessoal, além de comprometerem seus fiadores diante de uma dívida que poderá ser impagável, muitos têm visto como úni-

ca saída entregar de imediato a loja, evitando, assim, a negativação dos seus nomes em decorrência de uma ação de cobrança. Por não ter o dever de manter uma locação que não pode usufruir, o inquilino tem o direito de encerrá-la sem pagar a multa rescisória ao locador. Consiste em um absurdo o shopping criar obstáculo para encerrar de imediato a locação e se negar a dar acesso ao lojista para que ele retire seu mobiliário e o estoque da loja que não tem mais serventia. Pode o inquilino buscar o Poder Judiciário para obter a quitação das suas obrigações e lhe garantir o acesso ao que lhe pertence.

Quem dá causa à resilição é o locador, por deixar de cumprir sua obrigação de garantir ao inquilino o grande volume de vendas, sendo a base do aluguel percentual, inclusive com o 13º aluguel. O shopping cobra um aluguel muito mais alto por oferecer um fundo empresarial com lojas-âncoras, grifes e grandes marcas, cinemas, praças de alimentação, conforto, segurança, climatização, estacionamento e cobra res sperata por prometer um fluxo constante de milhares de consumidores. O contrato de locação é sinalagmático, no qual cada parte condiciona a sua prestação à contraprestação da outra, que no presente

caso estabelece o dever de o inquilino pagar, desde que o shopping funcione, e lhe entregue o complexo comercial apto a obter rendimentos, conforme a Lei 8.245/1991. O risco de fechamento do shopping é do empreendedor, e não do inquilino, pois este já assume vários prejuízos ao ter que encerrar sua atividade. Devem os inquilinos ser assessorados juridicamente para entenderem os artigos 421, 422 e 476, entre outros, do Código Civil, pois os shoppings têm obtido vantagem pelo fato de os lojistas desconhecerem as leis, o que leva os últimos a agirem de forma amadora.

Acílio Lara Resende

Isolamento e democracia

Jornalista aciliolresende@uol.com.br

FACEBOOK/PORTALOTEMPO

Aline Araújo

Sobre a matéria “Brasil tem 43.079 casos confirmados de coronavírus e 2.741 mortes” (portal O Tempo, 21.4), em Manaus, capital do Amazonas, estão abrindo covas para enterrar de dez em dez as vítimas da doença. Não estão conseguindo dimensionar a quantidade de óbitos por Covid-19 no país. Imagino que o número seja muito maior.

Isolamento Maria Cristina Duarte Giffoni

Acerca da matéria “Coronavírus: Witzel vai avaliar isolamento social no Rio de Janeiro na quinta” (portal O Tempo, 21.4), o brasileiro clama pelo direito de trabalhar e não pode esperar mais dentro de casa. Que se mantenha o isolamento para os grupos de risco e se salve a população da fome e da violência geradas pelo desemprego! Gesilda Claudia Lage

Infelizmente, depois da quarentena muitos estabelecimentos não conseguirão abrir, vão declarar falência. Aí, sim, a situação vai se agravar. Herika Ribeiro

É tão óbvio que a briga é política... Os que não querem isolamento reivindicam não porque precisam e querem trabalhar, mas sim porque o seu político defende isso. As cartas enviadas para esta coluna devem ter, no máximo, 400 caracteres.

D

esde ontem, por decreto do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, tornouse “obrigatório o uso de máscaras ou cobertura sobre o nariz e a boca em todos os espaços públicos, equipamentos de transporte coletivo, estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços”. Outras regras complementam o decreto. O que o prefeito deseja é tornar BH a campeã da flexibilização do isolamento social. Alvíssaras, pois, é o que tenho a dizer aos que não têm nem juízo, nem consciência. Como ando, de fato, apavorado (ou bem mais do que isso?) com o que se passa no país e no mundo, mas também por ser disciplinado e obediente às regras de convivência social, acolhi sem discussão a decisão municipal. Continuo fazendo o que já vinha fazendo há mais de um mês – o uso permanente (e desconfortável) da máscara, que ajuda no combate ao vírus. Além dessa preocupação,

que às vezes me consome horas de reflexão, ando mais preocupado ainda com o que tem feito o presidente em inúmeras ocasiões: em vez de procurar apaziguar os brasileiros, “põe fogo” contra as regras postas em prática pelo seu dedicado ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta – e que, certamente, não serão, substancialmente, alteradas pelo seu substituto. No discurso que fez quando demitiu o ministro, que já vinha sendo fritado e conquistado a aprovação de 76% da população, Bolsonaro demonstrou que não tem conseguido controlar a tensão natural decorrente do exercício do cargo para o qual foi eleito. Sai à rua sem máscara e cumprimenta sua dileta grei sempre disposta a aplaudir o que diz e faz, na suposição de que o “mito” veio para salvar o Brasil… Na semana passada, todavia, o presidente ultrapassou todos os limites admissíveis numa República democrática. Isso se deu ao desafiar, em discur-

E-MAIL opiniao@otempo.com.br

Educação

aCom sua habitual profiElias Nogueira Saade

Estado de direito

Estatísticas

a

so, de uma caminhonete, em frente ao quartel general do Exército, como se estivesse em período eleitoral, o Estado de direito conquistado há mais de 30 anos. Lá estavam manifestantes que pediam intervenção militar e fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e, de lambuja, ainda gritavam a favor da reedição do AI-5. O presidente, ao comparecer à manifestação que pregava o fim do atual regime e, na realidade, o início de uma ditadura, e mesmo que tenha depois tentado explicar que é defensor intransigente da democracia, obteve unanimidade entre os que prezam a liberdade: vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares e governadores de Estados repudiaram a presença do presidente ao ato ocorrido em Brasília, que foi transmitido em suas próprias redes sociais. Minha geração sente engulhos ao ouvir falar em AI-5. Somente a democracia será capaz de construir o futuro do Brasil.

ciência, Luiz Tito nos lembra o retrocesso da educação no Brasil, comparado com outros países, e especialmente Minas Gerais, comparando nosso Estado com outras Unidades Federativas no artigo “Para não secarmos a fonte” (Aparte, 21.4). Não se trata só da adoção do controverso “método Paulo Freire”, e sim da politização da educação, via sindicatos, como aconteceu no DF, em que o TJ aplicou multa por adotarem “cartilha apócrifa” e, aqui, todos os anos, com greves quando começa o ano letivo. Por isso a ideia de acabar com a estabilidade no serviço público agrada a muitos.

Lula

aNão sei a razão de tanto Kléber Pereira Gonçalves

escarcéu com as diatribes de Bolsonaro. As do condenado Lula, de que havia 300 picaretas na Câmara, que o Supremo e o Congresso estavam acovardados, não tiveram as mesmas reações.

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18 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020

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TV GLOBO / JOÃO MIGUEL JÚNIOR

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Televisão Baseada na obra de Domingos Oliveira, série “Todas as Mulheres do Mundo” chega ao Globoplay falando de amor e afeto; episódio de estreia será exibido hoje na Globo

Respiro de

felicidade Sophie Charlotte vive a bailarina Maria Alice

¬ ANA CLARA BRANT

eus inventou o sexo e a paixão. O amor é um delírio para compensar a morte, e quem o inventou foram os homens.” A frase é do arquiteto Paulo, personagem de Emílio Dantas, em “Todas as Mulheres do Mundo”, a mais nova produção do Globoplay. A partir de hoje, todos os 12 episódios estarão disponíveis na plataforma de streaming, e o primeiro deles será exibido também nesta quinta logo depois do “Big Brother Brasil”. A série é baseada no universo do dramaturgo, diretor, ator e poeta Domingos Oliveira (1936-2019) e também não deixa de

“D

ser uma homenagem a ele. O projeto teve início há 15 anos como lembra o roteirista Jorge Furtado. “Eu sempre quis fazer alguma coisa com o Domingos; sempre admirei o trabalho dele. E nunca acontecia. Até que um dia a Maria Ribeiro (atriz) me ligou falando dessa ideia. A Globo comprou alguns textos dele, a coisa começou a andar, mas ele morreu no decorrer do processo. Mesmo assim a gente não abandonou, e o resultado é essa produção que está bem à altura do que o Domingos Oliveira merecia”, revela Furtado, que assina o roteiro ao lado de Janaína Fischer. A direção artística é de Patricia Pedrosa. O seriado se inspirou em pelo menos oito obras do dramaturgo, além do filme homônimo de 1966, protagonizado por Paulo José e Leila Diniz, que foi casada com Domingos. A cada episódio, Paulo se apaixona à primeira vista por uma mulher. E todas são livres, inteligentes e autênticas. “Ali não tem nenhuma ‘mulherzinha’; ninguém é bela, recatada e do lar. São todas diferentes, interessantes e apaixonantes”, pontua Jorge Furtado. “UM CARA DO AFETO”. Para Emilio Dantas,

intérprete do protagonista, seu personagem é um cara que distribui afeto. “Ele é muito afetuoso com seus melhores amigos, Cabral (Matheus Nachtergaele) e Laura (Martha Nowill), e com todas as mulheres com quem ele se relaciona. Acho que, a princípio, o que bate nele é a paixão da in-

flamação por conhecer alguém muito interessante”, analisa. Segundo Dantas, “Todas as Mulheres do Mundo” é realmente uma série que exalta todas as mulheres do planeta. “É uma série que também vem falar sobre o amor em geral, em como ele está sendo exercido hoje pelo ser humano. É uma série que trata de amor”, resume. Boa parte das 12 atrizes que fazem as paixões de Paulo têm alguma ligação forte com Domingos Oliveira. A começar por Sophie Charlotte, considerada uma das “musas” do dramaturgo e poeta e que vive a bailarina Maria Alice, com quem o arquiteto se envolve no episódio de estreia. No longa da década de 60, o papel foi de Leila Diniz. “A Maria Alice é uma mulher livre, para além de qualquer amarra, de qualquer convenção. E, ao mesmo tempo, muito doce. É um pouco raro encontrar personagens femininos falando de amor e dos encontros de uma forma bonita, livre e poética. Isso diz muito sobre o Domingos, sobre a Leila e sobre mim também. A Maria Alice e o Paulo retratam um pouco da história de amor da Leila com o Domingos”, opina Sophie. A própria Maria Ribeiro, além de Fernanda Torres, assim como Samya Pascotto, Marina Provenzzano, Veronica Debom e Maeve Jinkings, está no elenco, que ainda traz as participações afetivas das atrizes Maria Mariana e Priscilla Rozenbaum, filha e viúva do homenageado, respectivamente. Lilia Cabral interpreta a mãe de Paulo. O personagem de Nachtergaele tem

Emilio Dantas protagoniza a produção do Globoplay

a companhia do cãozinho Oliveira, numa singela homenagem a Domingos. “O cachorro se comportou melhor do que o elenco (risos). Era só uma tomada. Não precisava gravar mais nada. Impressionante”, brincou a diretora artística Patrícia Pedrosa, uma das inúmeras representantes femininas da equipe. Ela destacou que o seu grande desafio foi ser fiel ao universo de Domingos Oliveira, mas trazendo uma roupagem nova. “Resolver essa equação é que foi mais complicado, mas acho que tudo deu certo, porque o trabalho ficou maravilhoso. Costumo dizer que tivemos 90 e tantas diárias. E não era um trabalho. Foram 90 e tantas festas”, celebra.

Música

Trilha sonora muda a cada episódio Um dos destaques da produção é sua trilha sonora. Patrícia Pedrosa explica que, como cada episódio tem uma mulher protagonista, ela pensou que seria interessante ter também uma cantora diferente fazendo a trilha de cada uma delas. Marisa Monte, por exemplo, embala o romance de Paulo e Maria Alice. “A minha ideia inicial era que a Marisa estivesse presente em toda a série porque canta e fala

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sobre o amor, é uma artista popular. Mas aí a gente acabou decidindo mudar a cantora assim como a protagonista muda. E foi a própria Marisa que sugeriu “Carinhoso” na abertura. Todas as cantoras convidadas gravaram ou já tinham gravado essa composição”, revela a diretora. Entre as convidadas estão Alcione, Rita Lee, Elis Regina, Cassia Eller, Céu, Ana Canãs, Nara Leão, Elza Soares e Ma-

ria Bethânia. Jorge Furtado salienta que “Todas as Mulheres do Mundo” é uma série extremamente feminista, assim como Domingos Oliveira sempre foi. “Ele era um homem muito à frente do seu tempo. A obra é muito moderna, tanto que tivemos que adaptar poucas coisas para o presente. As mulheres criadas pelo Domingos já eram empoderadas bem antes de esse termo surgir”, ressalta.

Para o roteirista, a produção chega num momento mais do que apropriado e se guia pelo afeto. “A gente conseguiu manter o espírito, a essência do Domingos ali e o seu amor pelo ser humano. Nesse momento que o Brasil e o mundo estão enclausurados e as pessoas não podem se beijar, se abraçar, se lamber, a série é um respiro de felicidade e traz um pouco de beleza, de esperança e de amor nesse período tão difícil”, frisa. (ACB)


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 19

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Tira Gosto

Astrologia

Zoé e Zezé

Previsões por OSCAR QUIROGA quiroga@astrologiareal.com.br

COMO DESEJAS? Rua Paraíso Data estelar: Lua Nova em Touro.

O

que tu desejas não é tão importante do que o reconhecimento de como o desejas. Desejar é um ato inerte, tu não tens de fazer nenhum esforço, é como se os desejos se desejassem sozinhos através de ti, e tu desempenhasses apenas um papel secundário nesse cenário. Se queres te transformar no protagonista de teu caminho, então começa a observar a maneira com que tratas teus desejos e como te acertas para os satisfazer, rejeitar, reprimir ou sublimar. Aí sim encontrarás teu protagonismo, o poder de assumir a liderança das potências cosmogônicas, dentre as quais o desejo é uma, que encontram em ti um ponto de apoio para se manifestar. Tu podes te abandonar à inércia dessas potências e tua vida será normal, cheia de sofrimento e dor. Tu podes reivindicar a liderança das mesmas potências cosmogônicas, e tua vida será colossal.

Áries (21/3 a 20/4)

Seus desejos trouxeram você até aqui e agora, e neste momento você se encontra no centro do labirinto que seus passos tramaram. Chegou a hora de decidir se vai se acomodar aí, ou se fará os ajustes pertinentes.

Touro (21/4 a 20/5)

Libra (23/9 a 22/10)

A mente engana, porque você pode confundir fantasias com certezas. Por isso, quando alguma suspeita se avolumar em sua mente, se dedique à investigação impiedosa, para não cair no conto das fantasias.

Escorpião (23/10 a 21/11)

Tomar iniciativas sem ter certeza, ainda, de aonde tudo irá parar, esse será o dilema que você terá de resolver. Tomar iniciativas, mesmo que os resultados não sejam satisfatórios do seu ponto de vista.

Muita coisa depende de você fazer alguns ajustes nos relacionamentos significativos de sua vida. É evidente que tomar atitudes nesse sentido toca em assuntos delicados, porém, a hora propícia para isso é agora.

Gêmeos (21/5 a 20/6)

Sagitário (22/11 a 21/12)

Esse mundaréu de sensações estranhas e contraditórias veio para ficar, pelo menos durante um tempo, porque tudo passa, tudo é temporário. Por isso, ainda que profundas e densas, essas sensações também passarão. Câncer (21/6 a 21/7)

Amplie e renove sua rede de contatos, tenha em mente que a sociabilidade será um instrumento essencial para renovar seus planos e colocar em marcha seus projetos. A rede de contatos há de ser o ponto principal.

Leão(22/7 a 22/8)

Para chegar aonde você deseja não há atalhos disponíveis, apenas o caminho habitual do esforço, do empenho e da autoconfiança posta em prática através das iniciativas que você tomar, não um dia, mas em todos eles.

Virgem (23/8 a 22/9)

Pontos de vista particulares hão de ser substituídos por pontos de vista abrangentes e inclusivos, só assim você compreenderá o andamento do mundo e, assim, conseguirá tomar as decisões pertinentes a cada caso. É assim.

Grandes coisas começam pequenas, porque se começassem grandes não se sustentariam ao longo do tempo. Começar pelo pequeno é, na prática, ir fazendo, dia a dia, todos os ajustes pertinentes à consolidação. Capricórnio (22/12 a 20/1)

Ainda que as circunstâncias não ajudem, é propício você investir tempo e recursos no seu bem-estar pessoal, porque se você agregar leveza e alegria à vida, com certeza tudo o mais será fácil e divertido.

Aquário (21/1 a 19/2)

Um lugar ordenado e agradável ajudará muito para você pensar direito nos movimentos que precisará fazer de imediato, tanto os que servirão para encerrar assuntos pendentes, como também iniciar outros melhores.

Peixes (20/2 a 20/3)

Água parada é péssima para a saúde, por isso, agregue dinamismo a tudo em que estiver envolvido, mas não pare por aí, mexa também em todos os assuntos que você foi empurrando para o fundo da gaveta. Será melhor assim.

Cruzadas diretas


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O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 21

COMUNICADO A exigência de pagamento antecipado de qualquer quantia para recebimento de empréstimos financeiros, carta de crédito de consórcio e venda de veículos automotores, pode ser indício de golpe contra o consumidor. Antes de fechar negócio, consulte o Procon de sua cidade, o Procon Estadual de Minas Gerais (31) 3335-8552 ou a Delegacia Especializada de Ordem Econômica (31) 3330-1757 e 3330-1798. Delegacia Especializada de Crimes Contra o Consumidor 3275-1887.


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Copa do Brasil de 93. Roberto Gaúcho lembra que foi para o sacrifício e teve a honra de ajudar o Cruzeiro a bater o Grêmio no jogo decisivo

Com febre e com raça em busca do 1º troféu REPRODUÇÃO FACEBOOK

¬ LOHANNA LIMA ¬ Grandes jo-

gos sempre deixarão boas lembranças e casos para serem lembrados, principalmente para jogadores que entram em campo e são decisivos. Esse é o caso do ex-atacante Roberto Gaúcho, um dos grandes ídolos do Cruzeiro. Com a camisa celeste, ele conquistou nove títulos, entre eles as edições da Copa do Brasil de 1993 e de 96, além da Libertadores de 97. E com um detalhe importante: sendo protagonista das campanhas, marcando gols e distribuindo assistências em momentos decisivos. Voltar no tempo e relembrar a conquista da Copa do Brasil de 93, que está sendo destacada nesta semana na série “Superconquistas”, não foi um exercício difícil para Roberto Gaúcho, que, no ano anterior, já havia con-

quistado a Supercopa como um dos protagonistas. Em 93, na final contra o Grêmio, o Cruzeiro segurou um empate em Porto Alegre, na partida de ida, para decidir o título no Mineirão na volta. Diante de mais de 70 mil pessoas no Gigante da Pampulha, Roberto Gaúcho abriu o placar aos 12 minutos do primeiro tempo, iniciando a busca pelo troféu inédito. Pingo empatou para o Grêmio, e Cleison marcou o segundo gol, o do título. É impossível lembrar de 93 sem falar de Roberto Gaúcho. Mas o que dizer quando ele conta que quase não esteve presente nesta final? “O primeiro jogo, em Porto Alegre, foi muito difícil. Estava chovendo, e naquela partida eu fui o melhor em campo, quase fiz um gol que poderia ter nos dado a vitória lá. Na volta, me lembro de como estava lotado o Mineirão e eu

quase não joguei essa partida, pois estava com 40 graus de febre. O doutor Ronaldo Nazaré, o presidente César Masci e o nosso massagista foram ao meu quarto ver como eu estava. Eu não ia jogar, mas pedi para ir para o jogo. Sempre fui raçudo, determinado e Deus me coroou com um gol”, relembra. MOTIVAÇÃO A MAIS. Durante a

entrevista ao SUPER.FC, Roberto Gaúcho revelou que teve uma motivação a mais para jogar a final contra o Grêmio. “Tive uma passagem muito rápida pelo Grêmio. Sempre que jogava contra eles, eu entrava ‘mordido’ para mostrar o valor que eu tinha. Ficou um pouquinho de mágoa com o Grêmio, e minha família toda era gremista. Esse título de 93 teve um gosto especial para mim, ainda mais fazendo gol”, disse o ex-jogador.

Duke

Mercado da bola

Diretoria promete anunciar mais reforços no “momento certo” CRUZEIRO/YOUTUBE/REPRODUÇÃO

¬ A paralisação do futebol

fez o Cruzeiro interromper investidas mais incisivas no mercado da bola. O único anúncio foi a contratação do meia Régis, que estava no Bahia. Para a rádio Super 91,7 FM, Carlos Ferreira, gestor do futebol celeste, destacou que o clube vem fazendo contatos, mas que o cenário de incertezas não possibilita os acertos no momento. “Devido a esse cenário de incertezas, nós não paramos de fazer os contatos. Porém, a gente firmar contrato agora não é a forma mais inteligente de se proceder. A gente está trabalhando, mas no momento certo nós poderemos fechar e anunciar algo em relação a contratações”, disse Carlos Ferreira.

Mesmo com gripe, Roberto Gaúcho entrou em campo e fez gol na decisão do título contra o Grêmio

Carlos Ferreira disse que negociações por reforços continuam

O dirigente também destacou que a situação de Dodô segue a mesma, com o clube aguardando uma resposta por parte do estafe do atleta. “O lateral Dodô, a gente ainda aguarda uma contra-

proposta ou a aceitação da proposta do Cruzeiro. Esperamos que seu empresário responda o mais rápido possível para que tenhamos definido essa posição.” (Josias Pereira e Artur Moraes)

www.dukechargista.com.br


O TEMPO Belo Horizonte | QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020 | 23

SUPER.FC

Atlético.

Sampaoli define moedas de troca

Treinador traça perfil do elenco e espera reforços; Ricardo Oliveira e Di Santos são nomes que podem sair

BRUNO CANTINI/AGÊNCIA GALO-17.3.2020

¬ FERNANDO

Possibilidade

MARTINS Y MIGUEL

¬ O técnico Jor-

Imprensa da Turquia fala de Mariano no Atlético

ge Sampaoli não para, assim como o diretor de futebol do Atlético, Alexandre Mattos. Entre reuniões por telefone e análises de elenco, ficou definido que o treinador argentino deverá trabalhar com um grupo de 27 jogadores para o retorno da temporada. Com 29 atletas no atual elenco, o clube precisa ter criatividade para se desfazer de algumas peças que não serão aproveitadas por Sampaoli e que podem servir como boas moedas de troca para as chegadas de reforços, dos quais o comandante não abre mão. Enquanto a situação do atacante Di Santo não esteja definida com relação a uma possível saída, já que o pensamento do clube é ceder o argentino em uma eventual negociação para trazer outro jogador, a permanência de Ricardo Oliveira também segue em aberto. Sampaoli gosta do futebol do atacante veterano e acredita que ele seria um reserva de luxo e imediato com a chegada de um reforço para a posição. Além disso, Oliveira é um dos líderes do elenco e peça importante nos vestiários. Por outro lado, possui um salário alto para ficar como suplente.

¬O

DYLAN BORRERO. Outra incóg-

nita é o aproveitamento de Dylan Borrero. O jovem de 18 anos chegou ao Galo como promessa, mas no atual momento a comissão técnica acredita que ele precisa ser emprestado para ser melhor aproveitado. Na visão de Sampaoli, o grupo alvinegro precisa de mais experiência. A ideia do clube é emprestá-lo para um clube onde ele tenha oportunidades e visibilidade. Caso contrário, permanecerá no elenco. POSSÍVEIS SAÍDAS. O Atlético

já conversa com outros clubes para “limpar” o elenco, a pedido do técnico Jorge Sampaoli. O treinador argentino já havia comunicado com quais atletas não gostaria de contar neste primeiro momento, e os gringos Lucas Hernández e Ramón Martínez encabeçam a lista. Zé Welison, Edinho e Clayton, além de Di Santo, e, possivelmente, Dylan Borrero, também podem deixar o clube.

Atacante Franco Di Santo é um dos atletas que o diretor de futebol Alexandre Mattos tem em mãos para oferecer em possíveis transações

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jogadores devem compor o elenco do Atlético para a temporada

18 anos

é a idade de Dylan Borrero, um dos jogadores com situação indefinida

interesse da diretoria do Atlético na contratação do lateral-direito Mariano, de 33 anos, que atua pelo Galatasaray, está repercutindo também na Turquia. Inclusive, a negociação para trazer o jogador brasileiro para a Cidade do Galo foi um pedido feito pelo técnico Jorge Sampaoli ao presidente Sérgio Sette Câmara e também ao diretor de futebol do clube, Alexandre Mattos. Mariano já atuou com Sampoli no Sevilha, da Espanha, e tem a confiança do técnico. Esse é um dos fatores que podem ajudar a convencê-lo a retornar ao Brasil. De acordo com o site turco webaslan, o lateral está em fase final de negociação com o Galo e já informou que não permanecerá na Europa. O contrato dele com o clube turco se encerra na metade deste ano. A publicação cita a imprensa brasileira como fonte e diz que o Galo pagará US$ 900 mil (cerca de R$ 4,8 milhões) por ano a Mariano, com vínculo de dois anos. (FMM)


Atlético. Técnico Jorge Sampaoli traça perfil do elenco e tem “lista” de quem pode sair. Página 23

SUPER.FC

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CRUZEIRO/YOUTUBE/REPRODUÇÃO

VVVV otempo.com.br

O TEMPO BELO HORIZONTE QUINTA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2020

Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838 CHRISTOF STACHE/AFP-22.3.2020

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Carlos Ferreira promete reforços na “hora certa”.

Hora de voltar? Clubes discutem proposta para recomeçar Campeonato Alemão em 9 de maio Os dirigentes alemães planejam o retorno da disputa dos campeonatos da primeira e segunda divisão com 300 pessoas em cada evento, sem a presença de público, a partir de 9 de maio. A proposta será apresentada hoje em uma assembleia virtual da Liga Alemã de Futebol, com a participação de representantes das 36 equipes. Elaborado por uma comissão médica da Federação Alemã de Futebol, o documento contém regras de higiene, prevê a realização de testes e propõe supervisão permanente dos atletas. Também é apresentado um planejamento para os treinamentos, em pequenos grupos e respeitando regras de distanciamento entre os jogadores. Todas as atividades deverão ser feitas com os portões fechados, e cada jogador seria examinado antes de cada prática. Nos últimos dias, vários clubes alemães retomaram a rotina de treinos, ainda que em atividades bem diferentes das que eram realizadas antes da pandemia do coronavírus. A prioridade das equipes é fazer trabalhos que não exponham os jogadores a contatos muito próximos. Os trabalhos costumam ser realizados em quartetos e com o vestiário fechado, além de haver conversas contínuas com médicos. Mas a retomada dos jogos ainda parece distante. O Campeonato Alemão está suspenso desde 13 de março, ainda que o país tenha uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo pela Covid-19.

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LOTERIA

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Lotomania

Dupla Sena

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ÍNDICE

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Política Opinião

Coronavírus Aparte

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Federal

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Magazine Super FC

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O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio.

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Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001

* Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.


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