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O Tempo -19-3-2020

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R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8496 - Quinta-feira, 19/3/2020

Enderson Moreira encara o desafio de devolver o Cruzeiro à Série A.

CRUZEIRO/DIVULGAÇÃO

Técnico

SUPER.FC

DataTempo/CP2. Administração Kalil é boa ou muito boa para 60,3%. Página 14

Página 20

CORONAVÍRUS > PANDEMIA

CAROLINA ANTUNES/PR

PBH manda fechar bares, restaurantes e shoppings

UARLEN VALÉRIO

Bolsonaro e ministros anunciaram socorro de R$ 15 bilhões a empresas e trabalhadores informais; Moro informou que país estuda fechar fronteiras, e Guedes disse que novas medidas podem ser apresentadas

Decreto proíbe operação de qualquer estabelecimento que reúna mais de dez pessoas, o que inclui academias ¬ A Prefeitura de Belo Horizon-

mortes por Covid-19 em todo o mundo até ontem

texto prevê que, caso o estabelecimento tenha estrutura adequada, possam ser mantidos delivery ou retirada de produtos no local. Supermercados, farmácias, laboratórios, hospitais e demais serviços de saúde podem funcionar, mesmo em shoppings. Frigoríficos e montadoras já dão férias coletivas. Minas tem 19 casos confirmados, sendo dez na capital. Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, investiga uma morte. Páginas 2 a 11 RAMON BITENCOURT

te determinou a suspensão, por tempo indeterminado, a partir de amanhã, de alvarás de localização e funcionamento e de autorizações para realização de atividades com potencial de aglomeração de pessoas. O enfrentamento da situação inclui, no rol de atividades e locais afetados, boates, casas de festas, cinemas, teatros, academias e salões de beleza. No caso de alimentos, o

Alerta

Sistema de saúde em MG pode entrar em colapso ¬

Ministro da Saúde teme “quadro dramático” no Estado. Santas Casas têm dificuldade até para comprar itens básicos como máscaras. Página 2

Funcionalismo

Emergencial

Zema afirma que salários podem atrasar ainda mais

GOVERNO DARÁ R$ 200 POR MÊS A TRABALHADOR INFORMAL. Página 4

Efeito manada

¬ Estado estima perder R$ 530 Restaurantes Populares entregarão 10,4 mil marmitex por dia em BH

8.732

SEM NECESSIDADE, CONSUMIDOR ENCHE OS CARRINHOS. Página 5

milhões em arrecadação de ICMS neste ano por causa da pandemia. Salário irregular pode ser primeira consequência. Página 10

Mobilização

Espetáculos

COLUNISTA

CALAMIDADE PÚBLICA É RECONHECIDA PELA CÂMARA. Página 8

SEM RENDA, ARTISTAS LOCAIS PEDEM ATÉ CESTA BÁSICA. Página 11

CIDA FALABELLA Coronavírus testa a solidariedade. Página 16

Antecipação. Ontem, antes mesmo do decreto municipal, corredores vazios do Mercado Central indicavam receio de ir à rua. Página 6


2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020

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Coronavírus

Cobertura especial

Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.

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PANDEMIA

Ministro da Saúde teme ‘quadro dramático’ no sistema mineiro Para federação das santas casas, seria preciso ao menos 400 novas vagas ¬ LUCAS MORAIS ¬ Em uma reunião com mi-

nistros do Supremo Tribunal Federal (STF), o titular da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que teme um “quadro dramático” nos sistemas de saúde públicos de Minas Gerais e Rio de Janeiro no enfrentamento à pandemia do coronavírus. O político disse ainda que, no pior dos cenários, pode haver “invasão” dos hospitais de São

Paulo, considerados mais aparelhados. O ministro não deu mais detalhes sobre os motivos pelos quais teme esse “quatro dramático, mas especialistas ouvidos pela reportagem também não estão otimistas com a situação do Estado. Conforme a presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), Kátia Rocha, caso o número de contaminados tenha o mesmo ritmo de crescimento de países como Espanha e Itália, seria necessária a criação de pelo menos 400 novos leitos no Estado. Isso além dos cerca das 740

vagas de UTI atualmente desocupadas nos hospitais públicos de Minas, de acordo com informações do governo estadual. “Estamos com outros sérios problemas. Os hospitais não conseguem comprar equipamentos de proteção individual (EPIs) essenciais para o atendimento de casos suspeitos de coronavírus, como a máscara. Quando encontramos esses materiais no mercado, os preços estão até 2.000% maiores que o comum”, completa Kátia Rocha. Desde a última semana, a Secretaria de Estado de Saúde trabalha com o cancela-

mento de cirurgias eletivas para liberar leitos no Estado. Responsáveis por gerir 70% dos leitos de UTI em Minas, os hospitais filantrópicos reclamam da falta de diálogo com o governo de Minas. Ontem, a presidente da

Promessa Ações. O governador Romeu Zema prometeu medidas rápidas para liberar leitos. “Muitas cirurgias planejadas serão canceladas”, disse. O governador afirmou ainda que a União enviará R$ 40 milhões.

entidade participou de uma reunião com o Ministério Público, que se comprometeu a “cobrar” uma nova postura do Estado. “As unidades estão à disposição, de portas abertas, para conversar com o governo e ajudar a construir essa ponte. Temos cidades no interior em que o hospital de referência mais próximo fica a 400 km de distância. O que fazer nos casos de pacientes com quadro respiratório grave?”, questiona. A dirigente lembra ainda da dívida de R$ 1 bilhão do governo com as instituições. “Há um problema grave de financiamento e, se não houver diálogo, a situação vai fi-

car pior. Não precisamos pagar esse preço”, finaliza. Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde não se pronunciou até o fechamento desta matéria. Para o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG Mateus Westin, no momento, é importante adotar ações rápidas que impeçam a evolução da doença, como o isolamento domiciliar. “Em um contexto com o sistema de saúde já estrangulado, dificilmente teremos capacidade de ampliação. São necessárias estratégias para não sobrecarregar toda a rede”, alerta.

MARIELA GUIMARÃES/ARQUIVO

Finanças

Prefeituras temem entrar em colapso Nos municípios mineiros, a principal apreensão diz respeito ao equilíbrio das contas. A situação é mais preocupante em cidades pequenas, que já dependem de repasses constitucionais do governo federal para sobreviverem. “O receio é que (a crise) exploda nos municípios, que são os que têm a menor capacidade de reação. O dinheiro está concentrado na União, a estrutura de médicos no governo do Estado, mas a execução é das cidades”, alertou Julvan Lacerda, presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Moema. Ele pontua que as cidades estão tomando as medidas preventivas, mas que é preciso ajuda dos governos federal e estadual. “Estamos suspendendo aulas, proibindo festas e aglomerações para evitar o contágio. Mas sabemos que é inevitável (o aumento da demanda pelos serviços públicos). E não temos condições, depois, de dar o suporte”. (Gabriel Sávio)

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Saúde estrangulada. Santas casas, como a de Belo Horizonte, enfrentam crise financeira e cobram dívida de R$ 1 bilhão do governo mineiro com as instituições filantrópicas UARLEN VALÉRIO/ARQUIVO

Hospital das Clínicas suspende consultas e cirurgias ¬ O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou um pacote de mudanças nos atendimentos à população como forma de enfrentamento do coronavírus. A unidade suspenderá as consultas clínicas e cirúrgicas eletivas agenda-

das, conforme avaliação da equipe médica de cada especialidade, e todas as cirurgias ambulatoriais eletivas. As medidas valem por tempo indeterminado, até o quadro ser estabilizado. De acordo com o hospital, até o momento, não está prevista a

contratação de novos trabalhadores exclusivamente para atendimento aos casos suspeitos de infecção pelo coronavírus nem a convocação de alunos. Atualmente, o HC-UFMG possui em seu quadro 747 médicos e 1.859 profissionais assistenciais. (Letícia Fontes)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA ARQUIVO PESSOAL

Hospital Vila da Serra investiga morte de paciente Trêspessoasestavam internadascom suspeitadeCovid-19 nainstituição ¬ GABRIEL RODRIGUES ¬ O Hospital Vila da Serra,

em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, registrou um óbito por suspeita de contaminação por coronavírus. A confirmação ainda não é possível, segundo a assessoria de imprensa da instituição, porque os resultados de testes de coronavírus da Fundação Ezequiel Dias (Funed) estão sem prazo para ser enviados. Atualmente, três pacientes estão internados com suspeita da Covid-19 no hospital, todos eles com quadro estável. Até ontem, o Vila da Serra recebeu 47 casos sus-

peitos e teve o resultado dos exames somente de quatro – todos negativos. Os demais pacientes estão em casa. Só ontem, como O TEMPO adiantou, 12 casos suspeitos passaram pelo hospital. A unidade conta com dez leitos de UTI para atendimento de suspeitas de Covid-19 e informa ter capacidade de dobrar o número. A atualização mais recente da Secretaria de Estado da Saúde, publicada anteontem, conta 19 casos suspeitos em Nova Lima e uma confirmação. No mesmo dia, a prefeitura da cidade informou que são 31 casos em investigação e um com primeira amostra positiva – trata-se de um homem de 26 anos sem histórico de viagem, que teve contato com quem veio do exterior.

então, o Hospital Vila da Serra não tem planos de permitir trabalho em casa aos funcionários cujas funções podem ser realizadas remotamente. De toda forma, a instituição alterou a rotina neste mês. Foram criadas escalas de almoço e de jantar no refeitório. Os horários de visita foram alterados – vigorando das 17h às 20h, na enfermaria, e das 9h às 22h, no apartamento, com duração máxima

Em Minas Balanço. Último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostra 96 cidades com casos suspeitos de coronavírus e nove municípios com casos confirmados.

HOSPITAL ALTERA ROTINA. Até

de uma hora para cada visitante. Pessoas com sintomas virais não podem fazer visitas nem acompanhar pacientes. BELO HORIZONTE. Como O

TEMPO adiantou anteontem, o médico ortopedista mineiro Ernane Avelar Fonseca, 72, está internado em estado grave no Hospital Lifecenter, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A internação ocorreu após uma viagem recente do médico a Miami, nos EUA. Uma semana depois do retorno, ele começou a apresentar sintomas. O filho dele, Lucas Avelar, 34, também é ortopedista e esteve em Miami. Ele contraiu o vírus e permanece sob tratamento intensivo no mesmo hospital. Segundo um amigo e médico próximo da família, “o quadro não evolui bem”. DENILTON DIAS - 11.3.2014

Isolamento. José Eugênio está em casa, em BH, desde o dia 11

Depoimento

*

JOSÉ EUGÊNIO

“Nem vemos a cara de ninguém” “Hoje saiu meu resultado, e testei positivo para o novo coronavírus. Não posso dizer que foi surpresa, porque estou gripado, tossindo muito, com coriza, tive febre alta, e às vezes, alguma falta de ar. Também acabei de voltar de uma viagem a Nova York, nos EUA. Só tive noção da gravidade da situação quando embarquei de lá, dia 10, e fiz escala no Aeroporto do Panamá, e o que eu vi foi cena de filme. Todo mundo que saía do avião já era testado para febre, e quem acusasse qualquer coisa era separado. Todos de máscara, funcionários e passageiros. Voltei ao Brasil na noite de quarta, dia 11. Cheguei tossindo muito, e me sentindo febril. No Hospital Felício Rocho, logo na entrada, já foi identificada a suspeita para coronavírus. Fiquei em uma tenda do lado de fora, onde o médico foi me examinar, e fiz o exame. Me disseram que o resultado sairia em três dias e que deveria entrar em isolamento por sete. Como o Thiago, que viajou comigo, também estava com sintomas e foi consultado e testado, resolvemos fazer o isolamento juntos. Assim nos faríamos companhia, um cuidaria do outro e preservaríamos nossas famílias. Me mudei para a casa dele e estamos confinados desde então. A rotina do isolamento é bem tranquila. Dependemos da ajuda de outras pessoas para ir ao supermercado ou farmácia para qualquer coisa que precisamos. Colocam no elevador, e nós buscamos na outra ponta. Sempre usando máscaras pra pegar, e com bastante álcool gel. Nem vemos a cara de ninguém. Fizemos um estoque de comida e produtos de higiene, e vamos aproveitando tudo, sem desperdício.”

Nova Lima. Hospital na região metropolitana de BH já recebeu 47 casos suspeitos de Covid-19 e teve resultado apenas de quatro

Mais de 500 casos no país Novo balanço. As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 20h20 de ontem, 514 casos confirmados de novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil em 20 Estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, foi registrada a quarta morte pelo coronavírus no Brasil, confirmada ontem pelo governo estadual. Paraíba registrou o primeiro caso confirmado de infecção pelo vírus. O último balanço do Ministério da Saúde, divulgado na noite desta quarta-feira, contabiliza 428 infectados. Em Minas Gerais, o número de casos confirmados subiu para 19, sendo dez neles na capital, Belo Horizonte.

Alerta

O relato de notícias falsas têm levado muitas pessoas ao desespero, especialmente, no interior de Minas. Ontem, a reportagem de O TEMPO recebeu diferentes contatos de leitores sobre casos positivos de Covid-19 que, após checagem, não se confirmaram. Em Barbacena, no Campo das Vertentes, o áudio de um vereador relatando um caso local não se confirmou.

G

Mundo tem 8.732 mortos

Interior reúne relatos falsos 7

Jornalista, 28 apresentador da tv horizonte

No Centro-Oeste do Estado, os hospitais São João de Deus e Santa Lúcia, em Divinópolis, precisaram usar as redes sociais para acalmar a população, desmentido a informação que a cidade teria uma dezena de resultados positivos. Por enquanto, apenas uma mulher de 47 anos, que esteve na Itália, testou positivo. Situação semelhante aconteceu em Oliveira, também no Centro-Oeste. O

Hospital São Judas Tadeu emitiu nota para negar que uma mulher, que passou pela unidade, tivesse pego coronavírus. Em Divinópolis, a difusão de notícias falsas tem colaborado para que um grande número de pessoas procure as unidades de saúde. “As forças estão sendo usadas de maneira errada, com fake news, espalhando o caos”, alertou o médico Nelson Borges Neto. (Thiago Nogueira)

Preocupação global. O número de casos de infecções pelo novo coronavírus em todo o mundo ultrapassou os 200 mil ontem, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA), que mantém uma contagem em tempo real dos novos pacientes. Ao todo, 8.732 pessoas morreram após contrair a Covid-19. O país com o maior número de pacientes ainda é a China, com 81.102 casos e 3.122 mortes. Em seguida estão a Itália, com 31.506 casos e 2.503 mortes, e o Irã, com 16.169 infectados e 988 óbitos. O número de infectados em todo o mundo ultrapassou, na última segunda-feira, os casos registrados de Covid-19 na China.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Trabalhador informal terá R$ 200 Governo vai permitir que jornada e salário do empregado sejam cortados pela metade ¬BRASÍLIA. Como parte do

plano de combate ao novo coronavírus, o governo anunciou ontem que vai conceder vouchers para repassar dinheiro à parcela da população que não tem trabalho formal e não recebe recursos de programas como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). O ministro Paulo Guedes (Economia) anunciou a medida em entrevista no Palácio do Planalto. Segundo ele, outra ação do

governo será pagar parte dos salários dos trabalhadores de micro e pequenas empresas. De acordo com Guedes, a medida permitirá a cada beneficiado receber cerca de R$ 200 mensais por um período de três meses. “Preocupação do presidente é o mercado informal, são 38 milhões de brasileiros que estão nas praias vendendo mate, vendendo cocada na rua, são os flanelinhas”, afirmou Guedes. O novo benefício será criado por uma Medida Provisória. Segundo o IBGE, os trabalhadores informais representam 43,3% do número de pessoas ocupadas no país. O impacto nos cofres fede-

rais será de R$ 15 bilhões. Para permitir a ampliação dos gastos do governo em ações desse tipo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu ao Congresso que seja decretado estado de calamidade pública. A proposta, que libera o governo para descumprir a meta fiscal deste ano, ainda precisa ser votada pelo Legislativo. Deve ficar sob responsabilidade da Caixa e do INSS o pagamento dos vouchers aos selecionados para o programa. A intenção é que haja pagamento direto em contas, sem necessidade de visita a agências. O novo benefício tem valores próximos aos do Bolsa Família. Atualmente, o bene-

fício básico do programa é de R$ 89 por família, com adicional variável que pode chegar a R$ 205. “Isso assegura a manutenção de quem está sendo vítima do impacto econômico. Não recebem nada de ninguém, é uma turma valente sobrevivendo sem ajuda do Estado, e são

Avaliação Efeitos. Segundo o ministro Paulo Guedes, a cada 48 horas, o governo poderá anunciar novas medidas para atenuar as consequências da crise do coronavírus.

atingidos agora. Precisam ter recursos para a manutenção básica”, disse. JORNADA. O governo também

vai permitir que empresas cortem pela metade jornada e salários de trabalhadores. O Ministério da Economia afirma que a medida, que demanda negociação individual, preservará empregos. “É preciso oferecer instrumentos para empresas e empregados superarem esse período de turbulência. O interesse de ambos é preservação de emprego e renda”, afirmou o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo. As medidas também simplificam regras para trabalho

remoto, antecipação de férias individuais e feriados não religiosos, decretação de férias coletivas, uso de banco de horas, além de redução proporcional de salários e jornada de trabalho. FRONTEIRA. Na mesma coleti-

va e um dia depois de o presidente anunciar o fechamento parcial da fronteira do Brasil com a Venezuela em razão da crise do coronavírus, o ministro Sergio Moro (Justiça) disse que o governo pode adotar restrições semelhantes para postos fronteiriços com outras nações vizinhas. Ele não citou quais fronteiras poderiam ser afetadas.

MATEUS BONOMI/AGIF/FOLHAPRESS

Imposto de Renda Adiamento. A Receita Federal estuda adiar o prazo de entrega do Imposto de Renda 2020. A informação é do supervisor do IR, Joaquim Adir. “A gente está avaliando. Não temos certeza ainda do que se vai fazer. A gente precisa só aguardar para ver como vai se comportar isso, até porque ainda falta um mês e meio (para o fim do prazo)”, disse.

Ônibus em Belo Horizonte Sem surpresa. O presidente Jair Bolsonaro disse que não é para ninguém ficar surpreso se vê-lo dentro de um ônibus em Belo Horizonte ou no metrô lotado de São Paulo durante esse momento de pandemia do novo coronavírus. Isso porque, segundo ele, “está na alegria e na tristeza ao lado dos brasileiros”. A declaração foi dada ontem durante coletiva de imprensa. Em avaliação. Ministro Paulo Guedes, da Economia, disse que o governo estuda pagar parte dos salários dos trabalhadores de micro e pequenas empresas

Mobilização

Previdência

Em meio à pandemia, panelaço divide opiniões no Brasil

INSS suspende atendimento por 15 dias para conter coronavírus

Pelo segundo dia seguido, cidades brasileiras registraram panelaços, mas, desta vez, não foi possível saber quem era contra ou a favor do presidente Jair Bolsonaro. É que críticos do mandatário brasileiro marcaram o ato para as 20h30. E os bolsonaristas reagiram, marcando também um panelaço às 21h. Os protestos divididos ocorreram durante e após pronunciamento no Palácio do Planalto sobre a pandemia do novo coronavírus. São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Salvador e Curitiba foram algumas das capitais que registraram atos. No pronunciamento, Bolsonaro disse que gostaria de demonstrar “união e harmonia”. Estavam ao seu lado o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, o procurador geral da República, Augusto Aras, e outros ministros.

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SÃO PAULO. O Instituto Na-

cional do Seguro Social (INSS) suspendeu o atendimento nas agências da Previdência pelos próximos 15 dias. A medida foi tomada para conter o avanço da Covid19, provocada pelo coronavírus, e preservar a saúde dos segurados, segundo nota publicada pelo instituto em sua página na internet. Serão mantidos apenas atendimentos agendados para cumprimento de exigências de requerimentos de benefícios previdenciários e assistenciais, perícias médicas previdenciárias e avaliações e pareceres sociais dos benefícios pre-

PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS - 4.3.2020

videnciários e assistenciais. Segurados que estavam agendados para comparecer à agência para outros serviços deverão ser remarcados para data posterior à suspensão. O INSS comunicou que informará a todos os segurados a nova data, sem a necessidade de novo agendamento. Além disso, para evitar aglomerações na sala de espera das agências, foi determinado que o acesso seja limitado apenas aos segurados agendados para os próximos 20 minutos de cada agendamento, em especial da perícia médica. Dessa forma, o acesso ficará restrito, evitando assim

aglomeração de segurados no mesmo ambiente. Acompanhantes serão permitidos somente em situações indispensáveis. O INSS já havia anunciado outras restrições para evitar o contágio de segurados nas agências, como a limitação da presença de acompanhantes nos postos de atendimento. O INSS reitera que os segurados não precisam se deslocar até uma agência para ter acesso aos serviços ou pedir um benefício. O segurado só deve buscar atendimento presencial se for imprescindível, como, por exemplo, em caso de perícia médica.

Ministros infectados Comitiva. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, 72, e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, 61, foram diagnosticado com o novo coronavírus. Eles participaram da comitiva presidencial aos Estados Unidos. Com isso, sobe para 17 os infectados que estiveram na viagem com Bolsonaro.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Correria nos supermercados Especialistas dizem que não é preciso estocaralimentosnem produtos de limpeza ¬ THIAGO ALVES ¬ Na manhã de ontem, um

grande supermercado da região Leste de Belo Horizonte estava completamente lotado de clientes, com longas filas e consumidores empurrando carrinhos de compras abarrotados, principalmente, de produtos de higiene, limpeza doméstica e itens alimentícios. A situação remetia às compras na véspera do Natal, mas com uma ligeira diferença: o sentimento de ansiedade causado pela expectativa de que não falte nada nas comemorações natalinas deu lugar ao medo por uma escassez de alimentos em uma possível situação de confinamento ocasionada pela pandemia de coronavírus. Um consumidor que pediu para não ser identificado estava com dois carrinhos, um apenas com pacotes contendo dezenas de rolos de papel higiênico e outro com quantidades descomunais de arroz, feijão, óleo e alimentos enlatados. “Eu vi que nos Estados Unidos está acontecendo uma corrida aos supermercados e que já estão faltando alguns produtos por conta do coronavírus. É melhor eu já me adiantar e fazer um estoque lá em casa. Tenho criança pequena e não posso arriscar”, justifi-

cou o homem, que aparentava ter entre 30 e 40 anos. O empresário Victor Bueno, 40, reclamou da falta de produtos em um supermercado da região Centro-Sul da capital: “Ontem não tinha detergente líquido, sabão em pó, feijão e água sanitária. Hoje não tem papel higiênico. Não sei se está faltando por conta do coronavírus ou se a reposição não foi feita”. A reportagem de O TEMPO percorreu quatro supermercados em Belo Horizonte, nas regionais Centro-Sul, Leste e Nordeste. Em todos eles foi constatada a falta de álcool em gel. Alguns estavam também com prateleiras vazias nas seções de carne, itens de higiene pessoal e grãos.

Filas enormes. Alguns supermercados de Belo Horizonte estão ficando lotados desde as primeiras horas do dia até o fechamento ALINE RESKALLA

JOÃO GODINHO

Psicologia

População vive fase de medo e incertezas O professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) André Dias analisa que esse comportamento dos consumidores de correr aos supermercados em momentos de incertezas não é exclusivo do público brasileiro. “Em vários outros países que têm enfrentando a pandemia do coronavírus podemos ver esse comportamento de pânico. No Brasil, ela se deve, em parte, a uma falta de informação clara. A própria Presidência da República trata o fenômeno como uma ‘histeria’, uma bobagem. Isso causa insegurança e medo na população”, explica Dias. De acordo com Dias, falta uma política clara das autoridades para definir, por exemplo, um limite máximo de compra de alguns produtos. “Vários itens já não são encontrados nos supermercados. Não necessariamente por um desabastecimento, mas a procura das pessoas têm sido feita de tal ordem que até a velocidade de reposição dos produtos tem sido dificultada. Falta claramente uma política dos governantes para a regulação da compra de alguns produtos, como, por exemplo, o arroz”, afirma. (TA)

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Prateleiras de supermercados de BH não têm todos os produtos

Abastecimento

Amis garante que situação está normal em todo o Estado De acordo com a Associação Mineira de Supermercados (Amis), nos últimos cinco dias, foi verificado um aumento expressivo nas compras de mantimentos em todo o Estado. “O abastecimento está normal nos supermercados mineiros. A única exceção é para o item álcool em gel, que teve excesso de demanda, e há dificuldade de fornecimento por parte dos fabricantes”, informou a Amis por meio de nota. Segundo a entidade, não há motivo para pânico. “Não há necessidade de o consumidor formar estoques, o que só contribuiria para um desnecessário descontrole do abastecimento”, ressaltou. O presidente da Amis, Antônio Claret Nametala, já havia afirmado, na segunda, que o risco de desabastecimento é baixo: “O Brasil não corre o risco de ver situações de falta de itens como papel higiênico”, afirmou. (TA)

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JOÃO GODINHO

Consumidores estão enchendo os carrinhos com itens básicos

Antropologia

RAMON BITENCOURT

Pandemia revela aspectos obscuros A corrida aos supermercados para formar estoques em casa e, com isso, enfrentar sem desabastecimento os períodos de emergência é chamada em inglês de “panic buying”, ou compras motivadas pelo pânico. Para a doutora em antropologia pela Universidade de São Paulo Denise Pimenta, esse tipo de comportamento é ainda mais evidenciado em momentos de crise, como a pandemia de coronavírus que estamos vivendo. “Uma pandemia diz mais sobre nós mesmos do que sobre a própria doença”, explica Pimenta.

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De acordo com a antropóloga, o pânico é uma emoção muito forte e tem o poder de mobilização grande na sociedade. “Eu entendo o pânico de querer estocar as coisas, mas uma família só vai ter essa ação de estocar se ela não compreender que o coletivo pode ser prejudicado. Não é uma questão de ser solidário, mas de responsabilização social com o outro”, afirma. Pimenta acredita que a pandemia do coronavírus está revelando com mais facilidade alguns aspectos obscuros da sociedade, como desigualdades de classes sociais e falta de solidariedade. (TA)

Só no início Situação única. O psicólogo André Dias, da UFMG, disse que a situação atual é muito mais grave que a vivida na greve dos caminhoneiros, ocorrida em 2018, quando também aconteceu uma corrida aos supermercados. “É uma situação única que estamos vivendo. Segundo os boletins epidemiológicos e especialistas da área, é provavelmente uma situação que nós viveremos até junho. Estamos só no início”.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Prefeitura ‘fecha’ Belo Horizonte

UARLEN VALÉRIO

Estabelecimentos que reúnam mais de dez pessoas estão proibidos de abrir ¬ DANIELE FRANCO ¬ Bares, restaurantes, aca-

demias, clubes e qualquer estabelecimento de acesso público que aglomere mais de dez pessoas em Belo Horizonte estão proibidos de funcionar. Em edição extra do “Diário Oficial do Município” (“DOM”), publicada na tarde de ontem, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) determinou a suspensão dos alvarás de localização e funcionamento dos empreendimentos a fim de barrar o avanço da epidemia de Covid-19, que, até o momento, já tem dez casos confirmados na capital mineira. Conforme a publicação, os alvarás estão suspensos a partir de amanhã e devem continuar enquanto perdurar a situação de emergência na cidade. A medida foi publicada uma hora após o prefeito dizer, em seu perfil no Twitter: “Como o governo do Estado recuou nas providências que deveria tomar, anunciarei amanhã (hoje), às 12h, novas medidas”. O anúncio, no entanto, foi adiantado. A lista de alvarás suspensos inclui os de casas de show e espetáculos de qualquer natureza; boates, danceterias, salões de dança, casas de festas e eventos; feiras, exposições, congressos e seminários; shopping centers, centros de comércio e galerias de lojas; cinemas e teatros; clubes de serviço e lazer; academias; clínicas de estética e salões de beleza; parques de diversão e temáticos e bares, restaurantes e lanchonetes. A suspensão, no entanto, não se aplica a farmácias, supermercados, laboratórios, clínicas, hospitais e demais serviços de saúde dentro de shopping centers, centros de comércio e

Esvaziamento. Cena de mesas vazias em bares e restaurantes será comum com o decreto municipal que proíbe temporariamente o funcionamento desses locais em BH

galerias de lojas. Bares e restaurantes em hotéis poderão funcionar apenas para atender hóspedes. Os serviços de manutenção nos estabelecimentos também poderão ser executados no período, desde que respeitada a escala mínima de pessoas. A fiscalização ficará a cargo do órgãos de segurança pública. RESPOSTA DO GOVERNO. O go-

verno do Estado, alvo de críticas de Kalil, rebateu a decisão da PBH e afirmou, por

Aulas no Estado Prorrogação. O governador Romeu Zema disse ontem que deve prorrogar a suspensão das aulas nas escolas da rede estadual e estender a medida para todo o Estado. Segundo ele, o anúncio deve ser oficializado amanhã pela Secretaria de Estado da Educação. De acordo com Zema, a suspensão pode se estender até o fim de março ou até mesmo para abril.

meio do secretário geral do Estado, Mateus Simões, que, “numa crise de saúde como estamos vivendo, não existe espaço para populismo”. Conforme Simões, a atitude do prefeito vai de encontro ao que está sendo praticado pelo governo do Estado, que tem tentado medidas em acordo com o governo federal, os municípios e os representantes das entidades envolvidas. “É momento, sim, de se retirar da rua, de se isolar, mas não é momento de tomar decisões em desacordo com os outros municípios”, declarou. Ontem, o governador Romeu Zema (Novo) se reuniu com representantes do varejo, tanto de BH quanto do interior, para estudar alternativas para impedir o avanço da epidemia. “A reunião de hoje (ontem), para a qual a PBH foi convidada, buscou soluções para promover a adesão voluntária da população ao isolamento. Disseminar pânico ou exigir ações irresponsáveis não vai nos levar a lugar nenhum”, criticou Simões.

Mínimo de 30 dias

Governo fecha todos os parques de Minas Gerais para visitação As 21 unidades de conservação ambiental gerenciadas pelo Estado estão fechadas para receber visitantes. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) publicou uma portaria no Diário Oficial “Minas Gerais” determinando o fechamento dos parques por 30 dias como medida de contenção ao novo coronavírus. De acordo com o diretor geral do órgão, Antônio Malard, o fechamento dos parques foi decidido em conjunto com o comitê criado pelo executivo estadual para tratar de medidas para conter o avanço da Covid-19. Os 30 dias determinados nesse primeiro momento são prorrogáveis, e, conforme Malard, os próximos passos serão definidos com base nas alterações no cenário. “Os principais parques são o do Ibitipoca, que fica

JOÃO LÊUS

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Comunicado no Parque Municipal de BH com orientações

em Lima Duarte, e a Rota Peter Lund, que inclui as grutas da Lapinha, de Maquiné e Capitão do Mato”, detalhou o diretor. Juntos, esses parques recebem até 180

UARLEN VALERIO

Mercado Central vazio

Marmitex no restaurante

Cena incomum. Um dos pontos mais tradicionais da capital mineira, o Mercado Central agora vive uma nova rotina, bem distante do que o público da cidade e os turistas que visitam o espaço estão acostumados a ver. Diante do avanço do coronavírus, o local agora convive com corredores vazios, com apenas alguns comerciantes em cena.

Medida. A comida preparada nos restaurantes populares de Belo Horizonte começou a ser entregue aos moradores da cidade em marmitas. A medida integra um pacote de ações anunciadas pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) para conter o avanço do novo coronavírus na capital. Ao todo, estima-se que 10,4 mil refeições continuarão a ser entregues diariamente.

mil visitantes por ano. Apesar do fechamento para visitas, a manutenção das unidades de conservação será mantida pelo instituto. (DF) RAMON BITENCOURT


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Mundo sob a sombra da recessão

LILLIAN SUWANRUMPHA / AFP - 5.3.2020

Ritmo acelerado da disseminação do coronavírus gera projeção pessimista ¬ SÃO PAULO. A China pode

ter deixado para trás a fase mais aguda da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, que teve seu epicentro no país asiático, mas o ritmo acelerado da disseminação da doença em outras regiões continua alimentando projeções pessimistas para a economia global. Em relatório publicado nesta terça, o banco de investimentos Goldman Sachs previu que a atividade econômica nos Estados Unidos, na Europa e no Japão sofrerá contração no segundo trimestre deste ano, minando a recuperação da China após o tombo causado pela doença no primeiro trimestre. O banco estima que a economia chinesa, a segunda maior do planeta, tenha sofrido uma contração de

9,3% no primeiro trimestre, quando as medidas adotadas para conter o novo coronavírus impuseram quarentena a milhões de pessoas e provocaram a interrupção da produção nas indústrias. De acordo com estatísticas divulgadas na segunda, a produção industrial da China caiu 13,5% nos primeiros dois meses do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. As vendas do comércio diminuíram 20,5% e os investimentos em máquinas e outros ativos fixos caíram 24,5%. Com a redução do número de novos casos da doença notificados na China, que atingiu um pico no início de fevereiro e diminuiu desde então, os economistas preveem que a economia chinesa se recuperará no segundo trimestre, mas num ritmo ainda lento. Os economistas do Goldman Sachs preveem que a China crescerá 1,5% no próximo trimestre, mas afirmam que a retomada poderá

FMI diz não à Venezuela

ser prejudicada pelos efeitos da disseminação da doença nos Estados Unidos e na Europa, onde o número de casos de infectados pelo coronavírus continua crescendo. O banco, que previa antes da crise crescimento de 5,5% na China neste ano, agora aposta em 3%. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), associação que representa os maiores bancos do mundo, que atualizou suas projeções no início de março, prevê crescimento de 1% neste ano, o pior resultado desde a crise financeira internacional de 2008, que fez o mundo mergulhar em recessão. Ao anunciar a nova estimativa, os economistas do instituto chamaram atenção para fragilidades na economia da Alemanha, em especial no setor automobilístico, no Japão, no Brasil e em outros países considerados emergentes que ainda não tinham sido atingidos pela crise do coronavírus.

Ajuda de US$ 500 bilhões

Pedido.O Fundo Monetário Internacional (FMI) rechaçou o pedido de ajuda feito pelo governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que na última terça solicitara um empréstimo de US$ 5 bilhões ao organismo para ajudar no combate à pandemia. Um porta-voz do Fundo informou que o crédito não poderá ser concedido porque não há consenso entre os 189 países que integram o fundo sobre legitimidade do governo.

CINDY ORD/GETTY IMAGES/AFP - 16.3.2020

JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Proposta. O governo Donald Trump está propondo duas rodadas de pagamentos diretamente aos americanos que devem totalizar US$ 500 bilhões, na tentativa de reduzir o impacto da pandemia do coronavírus na economia dos EUA. Segundo o “Wall Street Journal”, os valores dos pagamentos serão baseados no tamanho e na renda de cada família, ou seja, nem todo cidadão do país receberá a ajuda financeira.

OIT diz que 25 milhões podem perder emprego ¬ BRASÍLIA. Até 24,7 milhões

de trabalhadores podem perder o emprego por causa da pandemia de coronavírus, afirmou ontem a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O impacto nesse cenário pessimista seria pior que o da crise global de 2008, que destruiu 22 milhões de vagas, afirmou a agência da ONU.

“Não é só mais uma crise global de saúde, é uma crise global do mercado de trabalho”, disse o diretor geral da OIT, Guy Ryder. Ele afirmou que a crise requer ação ampla e urgente dos governos. No melhor dos cenários, a OIT estima que pelo menos 5,3 milhões percam o emprego como resultado direto da pandemia. Nos cálculos da agência, a

contração do mercado de trabalho provocada pela pandemia pode tirar do bolso dos trabalhadores até US$ 3,4 trilhões (cerca de R$ 17 trilhões) até o final deste ano – valor que equivale a mais que o dobro do PIB brasileiro do ano passado. A perda de renda deve ter impacto direto no consumo, agravando ainda mais a crise, segundo Ryder.

Inevitável. Mesmo com China deixando para trás pico da Covid-19, efeitos na economia foram terríveis


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Câmara decreta calamidade DANIEL DE CERQUEIRA

Projeto passará por avaliação do Senado e não depende de Jair Bolsonaro ¬ BRASÍLIA. A Câmara dos De-

Decisão. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia aprovou a zeragem da alíquota do Imposto de Importação para 50 produtos médicos e hospitalares necessários ao combate à pandemia causada pela Covid-19, como luvas médico-hospitalares, álcool em gel, máscaras e termômetros clínicos. ALEXANDRE MOTA- 28.2. 2020

Proposta. Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) diz que medida pode proteger os brasileiros mais vulneráveis

Medida. O projeto de estado de calamidade foi elaborado após pedido da Presidência. Bolsonaro argumentou que impactos da doença podem levar à queda do PIB.

Entenda

Ação está prevista em lei Ao decretar calamidade – decisão que acontece quando o Estado tem comprometida sua capacidade de ação em virtude de uma catástrofe de ordem natural, social ou econômica –, o governo reconhece sua limitação em arcar com a totalidade dos custos do atendimento (veja mais na arte ao lado). Com o gesto, a administração fica livre de cumprir metas fiscais, sem precisar fazer contingenciamento de despesas. O decreto pode ser feito por prefeituras, Estados e União. O termo “estado de calamidade” é definido por um decreto de 2010, editado

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pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que define características e pré-requisitos para esse tipo de medida. Baseado no disposto no artigo 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governo tem autorização para fazer empréstimos compulsórios, parcelar dívidas, atrasar execução de gastos e não precisa realizar licitações. Também fica desobrigado de cumprir meta de resultado fiscal prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, em consequência, de atingir limitação de empenho prevista na LRF. A população pode sacar parte do FGTS. O estado de calamidade

pode ser decretado quando existem danos humanos, materiais ou ambientais, com a necessidade de maior gastos públicos para proteger a saúde e os empregos, com a real perspectiva de queda de arrecadação. O Ministério da Integração Nacional mensura com precisão o tamanho de uma calamidade. “Situação anormal, decretada em razão de desastre, que em razão da magnitude dos danos, requer auxílio direto e imediato do Estado ou da União para as ações de socorro e de recuperação”, define documento do Ministério de Integração Nacional (Daniel Ottoni).

EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

MEDIDA EMERGENCIAL Saiba mais sobre o estado de calamidade pública que o governo federal pode decretar Ocorre quando o Estado tem comprometida sua capacidade de ação em virtude de uma catástrofe. Evidencia incapacidade do governo em arcar com a totalidade dos custos do atendimento. Permite ao governo ficar livre de cumprir metas fiscais, sem precisar fazer contigenciamento de despesas. Pode ser decretado por prefeituras, Estados e União.

QUANDO ACONTECE

COMO FUNCIONA

Decisão

Maia havia defendido que a solução para a crise passava pelo governo aportar recursos para “proteger os brasileiros mais simples, mais vulneráveis” e manter os empregos diante da possibilidade de demissões no setor privado pelo impacto econômico da epidemia. “E mais importante, a decretação de calamidade abre espaço fiscal, abre espaço para o governo poder aplicar mais recursos na área de saúde”, disse. A medida teve o respaldo de partidos de todo campo político. O líder da oposição na Câmara, deputado André Figueiredo (PDT-CE), disse que a decisão do governo foi uma surpresa positiva. “"Nós estávamos muito preocupados com o governo federal praticamente omisso”, afirmou.

O QUE É

com o Ministério da Economia. Além disso, bimestralmente a comissão fará audiência pública com o ministro Paulo Guedes (Economia) para apresentar e publicar relatório sobre a avaliação das medidas adotadas. Os deputados rejeitaram alterações como a que reduzia de mensal para quinzenal as reuniões da comissão mista. Antes da aprovação,

O QUE LIBERA

putados aprovou ontem projeto de decreto legislativo que reconhece estado de calamidade pública no Brasil em decorrência da crise do coronavírus. O texto foi aprovado em votação simbólica. O projeto exigia maioria simples, ou seja, era necessária a presença de ao menos 257 deputados para que a votação ocorresse. Após a Câmara, o Senado deve aprovar texto que também reconhece o estado de calamidade. Por ser decreto legislativo, o projeto não precisa do aval do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Pelo texto, relatado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o Câmara aprova projeto de decreto que reconhece calamidade pública por coronavírus, que desobriga o governo de observar a meta de resultado primário e a fazer contingenciamento das despesas para cumprir as estimativas. O projeto cria também uma comissão mista, formada por seis deputados e seis senadores. O grupo terá como objetivo acompanhar a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas adotadas. Os membros do colegiado se reunirão todos os meses

Importação sem taxa

Quando existem danos humanos, materiais ou ambientais, com a necessidade de maiores gastos públicos para proteger a saúde e os empregos, com a real perspectiva de queda de arrecadação.

O governo passa a ter autorização para fazer empréstimos compulsórios, parcelar dívidas, atrasar execução de gastos e não precisa realizar licitações. Fica desobrigado de cumprir metas previstas nas leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e de Responsabilidade Fiscal (LRF). População pode sacar parte do FGTS.

NÚMEROS R$ 147,3 bilhões

é o valor empregado pelo governo para medidas emergenciais para socorrer setores da economia

R$ 83,4 bilhões

Até

Queda de 2,4% para

R$ 124,1 bilhões é o déficit nas contas

2,1% é a redução indicada

públicas esperado pelo governo em 2020

pelo Ministério da Economia para o crescimento econômico do país, em 2020, em virtude do coronavírus

é a parcela dos R$ 147,3 que devem ser destinados à população mais pobre e/ou mais idosa

R$ 5 bilhões é a abertura de crédito extraordinário (não entra no limite do teto de gastos) anunciada pelo governo


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Cenário da 2ª Guerra Mundial Para Donald Trump e Angela Merkel, novo coronavírus exige ações conjuntas ¬WASHINGTON, EUA E BERLIM, ALE-

MANHA. Em entrevista ontem, ao lado da força-tarefa da Casa Branca para combater o novo coronavírus, o presidente Donald Trump disse que a pandemia de Covid-19 é sem precedentes e comparou o cenário à Segunda Guerra Mundial, segundo “O Globo”. “Toda geração de americanos foi convocada a fazer sacrifícios para o bem da nação”, disse. “Nós vamos derrotar o inimigo invisível, será uma vitória total”, afirmou. Durante a entrevista, o presidente anunciou que invocará a Lei de Produção de Defesa para acelerar a produção de máscaras, luvas e equipamentos hospitalares no país, que tem casos da doença em seus 50 Estados. A lei extraordinária foi criada em 1950, durante a Guerra da Coreia, buscando aumentar a mobilização civil e militar. Ela autoriza o presidente a estabelecer mecanismos para alocar materiais, serviços e organizações para promover a de-

CHRISTIAN HARTMANN/POOL/AFP - 4.12.2019

fesa nacional, obrigando empresas a firmar contratos com esta finalidade. A lei também autoriza a Casa Branca a controlar a economia civil para que não faltem materiais essenciais. A lei emergencial, segundo o presidente, será utilizada para fabricar “milhares e milhares” de ventiladores mecânicos, entre outros equipamentos hospitalares. ALEMANHA. Em pedido para

que a população permaneça em casa, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse em rede nacional ontem que nenhum outro desafio após a Segunda Guerra exigiu uma ação conjunta e solidária do povo alemão como agora, com o coronavírus. “Isso é sério. Levem a sério também. Desde a reunificação alemã – não, desde a Segunda Guerra Mundial – não houve um desafio para o nosso país que dependesse tanto de nossas ações conjuntas e solidárias”, afirmou. Ela disse que é preciso ganhar tempo para conseguir desenvolver tratamentos e vacinas contra o vírus e para evitar a sobrecarga do sistema de saúde. “A Alemanha possui um excelente sistema de saúde, talvez um dos melhores do

Enfrentamento. Presidente Donald Trump e chanceler Angela Merkel destacaram a necessidade de atuação firme no combate ao coronavírus

mundo. Isso pode nos dar confiança. Mas mesmo os nossos hospitais ficarão sobrecarregados se, em um curto período de tempo, forem para lá muitos pacientes que evoluírem para algo grave devido à infecção do coronavírus”, afirmou.

Trégua

Israelenses e palestinos juntos Uma trégua improvável está sendo selada entre israelenses e palestinos, que estão colaborando para evitar o aumento da contaminação pelo novo coronavírus na Terra Santa. Nas últimas três semanas, representantes dos dois lados têm se encontrado para combinar medidas em um escritório de monitoramento conjunto – cujo endereço é mantido em segredo. “A saúde de todos os cidadãos da região está aci-

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TEL AVIV, ISRAEL.

ma de tudo e é nossa principal prioridade. Continuaremos a agir em colaboração com a Autoridade Palestina, em um esforço conjunto”, declarou o major Yotam Shefer, chefe do Departamento Internacional da Administração Civil Israelense na Cisjordânia. Israel anunciou que enviará 20 toneladas de desinfetante para a Cisjordânia, além de 400 kits para diagnóstico do novo coronavírus e 500 kits de equipamentos de proteção para as equipes

médicas e as forças de segurança palestinas. Há workshops conjuntos entre equipes médicas dos dois lados. Também está sendo montado um hospital de campanha na fronteira de Israel com a Faixa de Gaza. A mais recente medida foi o anúncio da permissão para que 70 mil trabalhadores palestinos cruzem a fronteira com Israel para manter seus empregos no país. A maioria trabalha em setores como construção civil, agricultura, indústria e serviços.

MORGAN K. NALL/AFP

Hospital flutuante Mil leitos. O governo norte-americano enviará a Nova York, o Estado no país com mais casos de coronavírus, um navio-hospital para lidar com a pandemia, anunciou ontem o governador Andrew Cuomo. O navio “é o USNS Comfort, com mil leitos e salas de operações”, disse. “É literalmente um hospital flutuante, que aumentará a capacidade dos leitos hospitalares”, afirmou.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Salários podem atrasar mais

REPRODUÇÃO GLOBO NEWS - 17.3.2020

Queda na arrecadação vai afetar pagamento dos servidores

¬ QUEILA ARIADNE ¬ A ameaça do coronaví-

rus à saúde financeira de Minas Gerais já é uma realidade. Segundo estimativas iniciais do governo, o Estado vai deixar de arrecadar pelo menos R$ 530 milhões com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) neste ano. O montante é equivalente a 1% dos R$ 53,1 bilhões previstos para a arrecadação de 2020 e vai fazer falta para o caixa estadual. O primeiro efeito colateral será sentido no bolso nos funcionários públicos mineiros, com possibilidade de mais atrasos nos salários. “Posso assegurar que o pagamento, como já tem sido feito ao funcionalismo, vai continuar, mas talvez não consigamos manter pontualmente em março, abril e maio, mas estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance”, afirmou o governador. O Estado contava com o leilão de nióbio como uma das fontes de recursos que poderiam equilibrar as contas e contribuir para honrar os salários do funcionalismo. “Toda a flutuação da Bolsa acaba dificultando a contratação de uma operação como a do nióbio, que já estava em andamento. Num momento como este, é natural que os investido-

res prefiram guardar dinheiro em um local mais seguro, de preferência em títulos do Tesouro de países com segurança. Isso vai retardar nossa operação. Mas estamos vendo outra possibilidade mais viável e menos difícil e, em breve, vamos informar”, afirmou Zema. Enquanto a solução não vem, o governador disse que o caminho a seguir é apertar os cintos. “Vamos continuar fazendo o que o governo já tem feito desde o início, que é reduzir despesas e revisar contratos”, explicou. Zema destacou que, assim como em vários outros lugares do mundo, o crescimento da economia vai deixar de ocorrer e, com toda certeza, haverá menos criação de empregos e que muitas empresas devem ser afetadas por causa da epidemia. “Mas ainda é prematuro falar em recessão. Previsões indicam que essas turbulências devam demorar de 30 a 90 dias e, depois, a atividade econômica vai ser retomada gradativamente”, afirmou. Segundo o governador, a ajuda do governo federal será fundamental para que o Estado consiga abrir novos leitos de CTI. A expectativa é que Minas Gerais receba recursos para ações na saúde. “Estamos contando muito com recursos do governo federal, que deve decretar situação de calamidade pública. Recursos adicionais serão liberados, não só para Minas Gerais, mas para outros Estados, que terão um custo adicional com a saúde”, disse Zema.

Crise. Em entrevista por rede social, governador avaliou que queda na arrecadação vai atrapalhar regularização do salário de servidores

GM interrompe atividades Máquinas paradas. A General Motors vai dar férias coletivas para todos os funcionários no Brasil a partir de 30 de março, afirmou a companhia nesta quarta-feira, em meio ao pânico gerado pela pandemia de coronavírus. Em nota, a empresa disse que a medida foi tomada “com o objetivo de ajustar a produção à demanda do mercado”. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos disse que as férias coletivas vão durar de 30 de março a 12 de abril. No local, trabalham cerca de 3.800 funcionários. Além de São José dos Campos, em São Paulo, a GM têm fábricas em São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, no interior paulista, Gravataí, no Rio Grande do Sul, e Joinville, Santa Catarina.

“A previsão é de queda de R$ 530 milhões. Vamos apertar mais ainda o cinto. Pode ser que daqui a 15 dias esse número seja pior. Não sabemos qual rumo essa tempestade vai tomar.” Romeu Zema GOVERNADOR

Bolsa repete crise de 2008 Circuit breaker. O novo tombo de mais de 10% da Bolsa brasileira levou à sexta paralisação nos negócios desde o início da crise do coronavírus, igualando o número de suspensões registradas durante a crise de 2008. O Ibovespa chegou a 66.961 pontos, menor patamar desde agosto de 2017. A diferença das quedas em março para a última crise financeira está na velocidade da interrupção do mercado. Os seis circuit breakers de 2008 ocorreram em um intervalo de quatro semanas. Dessa vez, as seis interrupções ocorreram em apenas dez dias. O mercado financeiro derrete desde que investidores perderam a capacidade de medir os potenciais danos econômicos causados pelo coronavírus.

DIVULGAÇÃO/VW

Paralisações

Fábricas planejam férias coletivas Empresas como frigoríficos e montadoras de veículos vão conceder férias coletivas em fábricas no Brasil devido aos reflexos da pandemia de coronavírus na economia e à necessidade de adoção de medidas de combate ao avanço da doença. A partir da próxima segunda-feira (23), a Minerva Foods vai conceder férias coletivas a colaboradores de quatro plantas no país, inclusive a de Janaúba, no Norte de Minas Gerais. A medida também se aplica às unidades de José Bonifácio, em São Paulo, Mirassol D´Oeste e Paranatinga, em Mato

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Afetadas pela pandemia, empresas já programam férias coletivas

Grosso. A empresa adotou regime de trabalho de home office para parte dos funcionários das áreas administrativas. Segundo a Minerva Foods, as iniciativas visam contribuir para o combate à propagação do coronavírus e estão alinhadas “à piora dos cenários doméstico e global, que inclui queda da demanda no segmento de food service e limitações logísticas em diversas partes do mundo”. A companhia afirmou, ainda, que as “férias coletivas são a melhor opção a ser seguida, tendo em vista que permitem preservar a

economia de escala das operações industriais”. A JBS, outra empresa do setor alimentício, informou que monitora os reflexos do coronavírus no mercado e avalia a implantação de férias coletivas em cinco de suas 37 unidades de processamento de bovinos no Brasil. De acordo com a empresa, não há impacto nas operações em Minas Gerais. Entre as montadoras, a Volkswagen estuda conceder férias coletivas de dez dias, a partir de 31 de março, a colaboradores de todas as quatro plantas no Brasil: São Bernardo do Campo, São

Carlos e Taubaté, em São Paulo, e São José dos Pinhais, no Paraná. Elas empregam cerca de 15 mil funcionários. A empresa protocolou as férias na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho de forma preventiva, e as decisões definitivas sobre o assunto ainda serão tomadas. A Fiat, que tem uma fábrica em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, ressalta que não há previsão de redução ou paralisação da produção ou concessão de férias coletivas no Brasil até o momento. (Rafaela Mansur)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Artistas pedem apoio e doações ALEX DE JESUS - 30.9.2016

Preocupação dos sindicatos é ainda maior com membros de circos ¬ CARLOS ANDREI SIQUARA ¬ O alerta vermelho na área

da saúde atinge, inevitavelmente, o segmento cultural no país – uma vez que medidas para conter o avanço do coronavírus exigem isolamento e restrição às aglomerações de pessoas. Assim, artistas têm tido seu trabalho afetado por cancelamentos de apresentações em várias cidades do país. Com o intuito de minimizar danos emergenciais, o Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões de Minas Gerais (Sated/MG) tem mobilizado esforços para garantir o mínimo a esses profissionais. A diretora da entidade, Magdalena Rodrigues, conta que estão sendo reunidas doações para viabilizar a compra de cestas básicas. A intenção é tentar suprir necessidades imediatas dos trabalhadores das artes. “Como a principal recomendação é que as pessoas permaneçam em casa, não existe mais a possibilidade de se colocar um espetáculo para funcionar. Então, nós, profissionais do entretenimento, estamos nos sentindo contingenciados. Perdemos completamente a possibilidade de sustento”, alerta. “Por isso, em um primeiro momento de ação emergencial, pedimos até aos amigos, às autoridades, ao públi-

co em geral, que contribuam para que consigamos ao menos negociar um bom número de cestas básicas”, explica a diretora do Sated. Ela também informa que vem estreitando diálogo com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo a fim de obter um posicionamento oficial sobre essa condição. “Sabemos muito da situação financeira do nosso Estado. Mas, como nós temos muita gente precisando de apoio, queremos ver se há alguma saída”, pontua. Dentre os artistas, Magdalena considera que os mais vulneráveis são aqueles que mantêm a tradicional arte circense. “Os grupos de circo vendem os ingressos hoje para comer amanhã. Eles não têm outra fonte de sustento. Com a proibição de instalações de lonas de circo nas cidades, famílias inteiras se veem completamente sem caminho, sem ter para onde ir”, reforça. Quem quiser colaborar com essa ação pode efetuar o depósito na Caixa Econômica Federal: conta: 500.801-5; agência: 0083; operação: 003. Rômulo Duque, presidente do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas

Petição online Na web. Artistas e produtores lançaram uma petição visando assistir artistas autônomos, para que recebam salário de afastamento de suas atribuições: secure.avaaz.org

‘Raquel’ está com Covid-19 Quarentena. Intérprete da inspetora Raquel Murillo/Lisboa, na afamada série “La Casa de Papel”, a atriz Itziar Ituño anunciou, em suas redes sociais, que seu teste para o novo coronavírus deu positivo. “Meu caso é leve, e estou bem, mas é muito contagioso e superperigoso para pessoas que são mais fracas. Isso não é bobagem, esteja ciente, leve a sério, há mortos”, escreveu. GABRIEL BOUYS / AFP

Quixote

Tradicional livraria agora tem delivery

Picadeiro. Grupos de circo não costumam ter outra fonte para sustento e devem passar dificuldades MARIELA GUIMARÃES - 17.5.2016

Gerais (Sinparc), também cita que os artistas circenses merecem especial atenção. “Os trabalhos deles já são difíceis de viabilizar antes de tudo isso, imagina agora”, comenta. Em BH, ele prevê que dificuldades para os realizadores poderão se projetar, principalmente a partir do segundo semestre, tendo em vista que 46ª edição da Campanha de Popularização do Teatro e Dança já foi realizada neste ano – portanto, antes de ser atingida pelos riscos da pandemia. Mas Duque pontua que diversos projetos podem ser inviabilizados de agora em diante. “Estávamos também discutindo o retorno de temporadas nos teatros de BH. Mas, se a situação não mudar, tudo isso vai ser impactado”, afirma.

Livraria fechou temporariamente uma unidade e agora faz entregas

Crise

Isolado por prevenção

Secretarias estadual e federal de Cultura avaliam impacto De acordo com o secretário adjunto de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bernardo Silviano Brandão Vianna, a pasta, inicialmente, ficou empenhada em buscar soluções para a situação dos servidores e dos equipamentos culturais. “Agora, vamos começar a fazer as reuniões com todos os seguimentos para vermos quais são as demandas e levarmos isso para o âmbito da secretaria, do governo e do comitê extraordinário criado”, disse. Sobre a viabilidade de algum aporte direto de recursos, tendo em vista o impacto na vida de artistas, como aqueles do circo, Vianna relata que a medida seria inviável neste

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Até o último sábado, a Livraria Quixote, uma das mais tradicionais de Belo Horizonte, funcionava normalmente. “A gente ainda não tinha se assustado tanto, a segunda-feira foi decisiva”, conta Cláudia Masini, sócia do estabelecimento, fundado em 2003. Diante da pandemia, Cláudia fez mudanças e fechou temporariamente a unidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – com o decreto municipal publicado ontem, a loja da Savassi também terá que fechar. Cláudia aposta agora na criatividade e na ligação estreita que tem com seus clientes para manter os leitores. A livraria criou um número de WhatsApp (31 98676-1007) e um e-mail (quixoteemcasa@livrariaquixote.com.br) para oferecer serviços de entrega em casa, levando em conta as precauções necessárias para esse momento. Os livros são higienizados e plastificados antes de serem entregues pelo motoboy, que também recebe medidas de higienização. (Raphael Vidigal)

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momento. “Até tendo em vista a situação fiscal do Estado e do tamanho do orçamento da nossa secretaria, não seria possível. Mas, com a evolução de toda essa situação, o que a Secult poderá fazer é uma interlocução em relação ao governo, ouvir essas demandas, entendê-las, para ver o que é possível fazer”, disse. O secretário adjunto também explicou que há esforços em avaliar o que é possível fazer em relação a projetos e prazos da lei de incentivo estadual e dos editais mineiros. “A gente sabe da dificuldade que todo mundo está tendo, é algo coletivo, e a nossa superintendência de fomento está fazendo um levantamento do que é

possível fazer para que consigamos nos flexibilizar e não haver um colapso”, explicou. DIÁLOGO. À frente da Secreta-

ria Especial de Cultura, a atriz Regina Duarte abriu uma rodada de conversas com secretários estaduais para estudar medidas que reduzam o impacto da crise na cultura. Internamente, ela pediu um levantamento do impacto esperado nos setores de audiovisual, economia criativa, fomento e incentivo. A partir de tais números e das conversas, ela deve pedir audiência no Ministério da Economia a fim de buscar recursos que atenuem esse impacto econômico. (CAS com agências)

Precaução. O escritor George R.R. Martin contou que está praticamente sozinho e dedicado aos livros de “As Crônicas de Gelo e Fogo” – especialmente o sexto volume da saga que gerou “Game of Thrones”, “The Winds of Winter”. O escritor de 71 anos reconheceu que faz parte do grupo de risco do coronavírus e, por isso, está em uma locação isolada e tem contato com apenas uma pessoa.

Caetano cancela show Música. Caetano Veloso voltaria a se apresentar nos palcos de BH no dia 18 de abril. O espetáculo, no entanto, é mais um a ser adiado por conta do coronavírus. A apresentação do tropicalista aconteceria no Grande Teatro do Palácio das Artes – equipamento cultural que permanecerá desativado pelo menos até 18 de abril. Ainda não foi marcada uma nova data para a apresentação. No entanto, os ingressos permanecerão válidos.


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M

Economia

18/03/2020

comercial paralelo

turismo

COMPRA

COMPRA

COMPRA

VENDA

VENDA

VENDA

18/03/2020

243,10 5,666 10,35%

TEL: (31) 2101-3926 Editor: Karlon Aredes karlon.aredes@otempo.com.br Atendimento ao assinante: 2101-3838

5,377

q Ouro M Euro : Bovespa

PIB estadual. Desempenho em Minas foi aquém do país, que cresceu 1,1%

Copom

Economia mineira fecha 2019 com recuo de 0,3%

Banco Central corta taxa Selic a 3,75% para conter dano

Dólar Valores em R$

5,192

5,30

5,196 5,40

4,993

Pontos

66.894

|

DOUGLAS MAGNO / AFP

Quedas na safra de café e na atividade extrativa justificam baixo resultado ¬ DA REDAÇÃO ¬ Apesar da expansão de

0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais no quarto trimestre de 2019 em relação ao trimestre imediatamente anterior, a economia mineira fechou, no acumulado do ano, com recuo de 0,3%, em termos reais, na comparação com 2018, segundo relatório divulgado ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP). Já a economia brasileira cresceu 1,1%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As estimativas são preliminares e sujeitas à revisão, quando as pesquisas econômicas estruturais são divulgadas pelo IBGE, normalmente com defasagem de dois anos. A queda se justifica em razão da redução da atividade mineradora, impactada pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, em janeiro do ano passado, e do fraco desempenho da safra de café

Prejuízo. Com rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, setor extrativista mineral caiu

no Estado. No caso da atividade extrativa mineral, o impacto econômico da tragédia em Brumadinho provocou a suspensão temporária da operação em várias minas no Estado. Dessa forma, o Valor Adicionado Bruto (VAB) da atividade recuou, em termos reais, 25,4% em 2019, comparativamente a 2018. Segundo o relatório da FJP, a queda na indústria extrativista também impactou negativamente o volume dos serviços de transportes no modal ferroviá-

rio, diretamente associado ao escoamento da produção mineral. Por isso, o VAB de transportes em Minas teve retração de 2,2% em 2019 em relação ao ano anterior, aponta a Funda-

Comércio Destaque. Apesar do resultado negativo no ano, o setor do comércio em Minas apresentou crescimento de 2,2% em relação a 2018. No Brasil, a alta foi de 1,8%.

ção João Pinheiro. Outro “vilão” para o baixo desempenho da economia mineira foi a baixa produção de café no Estado, justificado pela bianulidade do ciclo da cultura – em anos ímpares, a safra de café apresenta resultados mais baixos. Com o resultado do último trimestre do ano passado, o PIB de Minas Gerais para 2019 foi estimado de forma preliminar em R$ 632 bilhões (8,7% do PIB brasileiro, calculado pelo IBGE em R$ 7,256 trilhões).

¬ BRASÍLIA. O avanço da crise econômica gerada pelo novo coronavírus fez o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), cortar a taxa Selic a 3,75% ao ano. O corte de meio ponto percentual era o esperado pelo mercado, segundo a Bloomberg, ainda que nos últimos dias tivesse crescido a pressão por redução mais drástica. As expectativas para a queda da Selic se consolidaram no início do mês, quando o BC divulgou uma nota afirmando que, com o avanço da Covid-19 pelo mundo, estava monitorando atentamente a pandemia. A autarquia indicou que a taxa básica de juros deveria permanecer em queda. Na reunião anterior (fevereiro), quando o comitê cortou a taxa em 0,25 ponto percentual, a autoridade monetária havia anunciado que não haveria mais cortes. O juro estava em 4,25% ao ano. Ao longo da semana, a autoridade monetária sofreu forte pressão para intensificar a queda da Selic. Depois que o Fed (o banco central

dos EUA) anunciou, no último domingo, corte na taxa de juros norte-americana em reunião extraordinária, que ficou entre de 0% e 0,25%, aumentaram as expectativas para que o comitê intensificasse o corte na taxa Selic. Desde dezembro de 2017, os juros renovam as mínimas históricas. Os analistas reduziram as expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 nesta semana, que passou de 1,99% para 1,68%, de acordo com o relatório Focus do Banco Central. A projeção para o dólar no fechamento do ano aumentou de R$ 4,20 para R$ 4,35. A previsão para a inflação também caiu de 3,20% para 3,10%.

Ciclos Diminuição. Este foi o sexto corte consecutivo da taxa no atual ciclo, após período de 16 meses de estabilidade. A Selic está agora em um novo piso da série histórica. MARCOS CORRÊA/PR - 3.1.2019

EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

VARIAÇÃO

Agricultura alavanca resultado positivo do último trimestre

VOLUME DO PIB EM 2019 (EM %) Minas Gerais

0,6

Brasil

Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto, anunciou corte

¬ O resultado positivo do quar-

0,5 1,7 -0,1

4º TRIMESTRE 2019/ 3º TRIMESTRE 2019 (SÉRIE

4º TRIMESTRE 2019/ 4º TRIMESTRE 2018

COM AJUSTE SAZONAL)

Acumulada no ano: -0,3 FONTE: FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO, DIREI, IBGE

4º TRIMESTRE 2019/ 3º TRIMESTRE 2019 (SÉRIE COM AJUSTE SAZONAL)

4º TRIMESTRE 2019/ 4º TRIMESTRE 2018

Acumulada no ano: 1,1

to trimestre de 2019 – expansão de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) – em Minas Gerais se justifica pela variação favorável de quatro grupos de atividade econômica: agropecuária, energia e saneamento, administração pública e o conjunto formado pelos outros serviços. No período, a estimativa preliminar para o PIB no Estado totalizou R$ 164,3 bilhões. No caso da agropecuária,

houve expansão de 10,6% no quarto trimestre do ano passado em relação ao trimestre anterior. À exceção das culturas de café, batata-inglesa e tomate, que tiveram redução na produção, as demais lavouras apresentaram bons resultados, com destaque para a terceira safra de feijão, que fechou com resultado positivo de 25% em relação ao mesmo período de 2018.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 13

aparte@otempo.com.br

A.PARTE

PAULO HADDAD Economista e professor aeri@aeri.com.br

O déficit de capital social

Operação Trinta Moedas

Seis vereadores de Campina Verde são presos suspeitos de corrupção O Grupo de Atuação Especial de Combate ao crime organizado cumpriu ontem mandado de prisão preventiva contra seis dos 11 vereadores de Campina Verde, no Triângulo Mineiro. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) não divulgou os nomes dos vereadores. Entretanto, uma fonte confidenciou ao Aparte que cinco deles são os vereadores Marquinho do RH (PSC), Marquinho do Leite (PSB) Isaías Neto (PROS), Alexandre Macedo (PMDB) e Nélio Inácio (PSC). Também foram cumpridos 16 mandados de prisão em imóveis e na Câmara. As prisões fazem parte da operação Trinta Moedas, deflagrada pelo Gaeco de Uberaba em conjunto com a Polícia Militar, o Departamento Penitenciário (Depen) e a Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF). Entre as acusações está a de abuso de dinheiro público

para o pagamento de diárias de viagens feitas entre 2017 e 2018. A denúncia do abuso é de iniciativa popular, do servidor público Bruno Arantes, que, conforme disse à coluna, após uma busca no site da Transparência, constatou que alguns vereadores chegaram a gastar cerca de R$ 10 mil em uma única viagem. Somando os valores de todos os vereadores que usaram o benefício, a Casa gastou quase R$ 320 mil. Segundo o coordenador do Gaeco de Uberaba, promotor José Cícero Barbosa da Silva Júnior, os vereadores também são acusados de corrupção nas últimas eleições para a Mesa Diretora da Câmara, tráfico de Influência e prática de “rachadinhas”. Outro parlamentar, que é produtor rural, teria ainda sido acusado de emitir notas fiscais frias. Segundo o promotor, ao longo das investigações, o processo foi tomando forma de cível para

criminal. Os parlamentares vão responder por organização criminosa e peculato (desvio de dinheiro público). “No esquema de notas fiscais frias, um dos vereadores, um produtor rural, negociava as notas fiscais falsas para diversas finalidades: para que as pessoas pudessem conseguir empréstimos, para fins de imposto de renda ou ajuste de estoque. Ele comercializava essas notas falsas”, ressalta José Cícero, sem citar o nome do envolvido. A Receita Fazendária que também atuou nas investigações, apurou que no caso citado pelo promotor, a quantidade de cabeças de gado declarada pelo vereador era incompatível com a extensão territorial onde os animais estariam. Teria havido ainda, segundo as investigações, corrupção na eleição para presidência da Casa. Um dos vereadores presos solicitou vantagem indevida a um dos candidatos à presidência, o

Gestão Zema

vereador Tostinha (PSDB), atual presidente da Casa. “E essa vantagem se consumou. O parlamentar solicitou algo equivalente a R$ 600 mil para votar no candidato”, disse. Na acusação de tráfico de influência, um vereador tentou interferir no exame de direção do Detran. E há ainda a suspeita de “rachadinha”, que é a prática de recolher parte do salário de servidor público. Antes de ir para a prisão, que fica em Itapagipe, os vereadores pediram para realizar exame de corpo de delito no Posto de Atendimento Médico Municipal (PAM). A coluna entrou em contato com o presidente da Câmara Municipal de Campina Verde, o vereador Tostinha (PSB), porém não obteve resposta. A assessoria de comunicação da Câmara também não respondeu aos questionamentos enviados por e-mail. (Jaki Barbosa) LEO FONTES - 3.3.2020

Subsecretária de Cultura pede demissão A subsecretária de Cultura da gestão de Romeu Zema, Rute Assis, pediu exoneração do cargo. Em mensagem enviada aos membros do Conselho Estadual de Cultura, Rute agradeceu o diálogo e afirmou que saía para novos desafios profissionais. O titular da pasta, Marcelo Matte, também teria pedido demissão antes das férias. Nesta semana, data marcada para o retorno, Matte ficou em casa, em isolamento voluntário após voltar de viagem do Rio de Janeiro. Não se sabe se ele vai manter o desejo de sair do governo ou se será convencido a ficar.

Alessandro Molon Deputado federal (PSB-RJ)

x

“Sou favorável ao estado de calamidade para enfrentarmos o novo coronavírus. Contudo, no projeto enviado pelo presidente Bolsonaro, há brechas para que seja decretado estado de defesa. Inadmissível!”

PF conclui inquérito e acusa Aécio de receber R$ 65 mi em propina da Odebrecht e da AG ¬ BRASÍLIA. A Polícia Federal concluiu um

dos inquéritos contra o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e apontou ter rastreado o pagamento de R$ 65 milhões em propina da Odebrecht e da Andrade Gutierrez ao tucano em troca de ajuda nas obras das hidrelétricas do rio Madeira. O relatório final da investigação foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira. Caberá agora à Procuradoria Geral da República decidir sobre o oferecimento de denúncia. Na investigação, doleiros ouvidos pela PF confirmaram ter viabilizado recursos para operadores de Aécio, utilizando o esquema de Dario Messer, o “doleiro dos doleiros” preso pela Lava Jato do Rio. Pelos fatos investigados, a PF acusa Aécio dos crimes

de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Também são acusados desses mesmos crimes o empresário Alexandre Accioly, compadre e amigo de juventude do tucano, e o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo, apontados como operadores de Aécio para o recebimento da propina. Procurada, a defesa de Aécio Neves afirmou que “manifesta sua absoluta perplexidade com as absurdas conclusões do relatório”. “A obra investigada, relacionada à represa de Santo Antônio, era de responsabilidade do governo federal à época, ao qual o então governador fazia oposição, e foi realizada em Rondônia, portanto sem qualquer relação com o governo de Minas Gerais”, diz a defesa, em nota assinada pelo advogado Alberto Toron.

A

pós a II Grande Guerra, o governo norte-americano implementou a iniciativa de conceber e implementar o Plano Marshall, visando à reconstrução dos países aliados na Europa. A ajuda financeira total do plano foi equivalente, a preços de hoje, a pouco mais de US$ 100 bilhões, distribuídos entre 18 países europeus devastados pela guerra. As subvenções do Plano Marshall representaram menos de 3% da renda nacional consolidada dos países receptores entre 1948 e 1951. No Brasil, algumas regiões designadas como áreas economicamente deprimidas (o Agreste e o Sertão do Nordeste, o Vale do Jequitinhonha e o Vale do Mucuri, áreas desmatadas da Amazônia Paraense etc.) receberam, durante décadas, investimentos em infraestrutura econômica e social, incentivos fiscais e financeiros para projetos de investimentos diretamente produtivos e transferências fiscais compensatórias para as famílias mais pobres e para as prefeituras locais, e, ainda assim, a resposta foi frustrante para o seu processo de crescimento econômico, embora saudável para o bem-estar social das populações locais. Como explicar o fato de que um volume de recursos financeiros relativamente menor, em um período relativamente mais curto, tenha impulsionado a revitalização da economia e do desenvolvimento dos países europeus, enquanto, em muitas áreas economicamente deprimidas do Brasil, não ocorreu a ruptura dos grilhões do subdesenvolvimento socioeconômico, ainda que com o aporte de recursos financeiros em maior volume e durante mais tempo? Uma resposta didaticamente simplificada pode ser o déficit de capital social nas áreas economicamente deprimidas, as quais englobam, atualmente, cerca de 1.800 dos 5.570 municípios brasileiros. Uma sociedade, para se desenvolver, precisa de capitais físicos, como o capital técnico (máquinas, equipamentos, instalações, infraestrutura) e o capital natural (aquíferos, bacias hidrográficas, terra fértil, florestas, minérios etc.), que constituem uma de suas condições necessárias. As condições suficientes são dadas pelos capitais intangíveis (institucional, intelectual, cívico), entre os quais se destaca o capital social. É o capital social que permite aos membros de uma comunidade confiar um no outro, confiar na formação de novos grupos, realizar ações em comum, facilitar ações coordenadas, como as redes sociais, com base na confiança e em normas como solidariedade, engajamento cívico e reciprocidade. É o capital social que induz a emergência da endogenia. Um processo de desenvolvimento endógeno é concebido e implementado a partir da capacidade de que dispõe determinada comunidade para a mobilização social e política de recursos humanos, materiais e institucionais, em uma determinada localidade ou região. Não é um processo que brota do conformismo, da apatia, da inércia ou da passividade da população local. Enfim, países europeus reconstruíram com eficácia o seu desenvolvimento porque a guerra destruiu o seu capital físico, mas não destruiu o seu capital social, as suas instituições públicas e privadas, a capacidade empreendedora, inovadora e endógena de seus povos. Áreas economicamente deprimidas, onde prevalecem o conformismo e o desalento, não conseguem percorrer, com sucesso, a sinuosa e inefável trajetória da crise estrutural que torna possível a mudança transformadora.


14 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020

Política

7 Serviço de bordo I

O Conselho Nacional de Justiça abriu licitação para contratar o fornecimento de alimentação para seu presidente, ministro Dias Toffoli, em voos nacionais e internacionais nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). O pregão eletrônico será do tipo “menor preço” e está marcado para o dia 27.

7 Serviço de bordo II

O edital prevê gasto máximo de R$ 217,8 mil para o fornecimento de almoço, jantar, café da manhã e bandeja de frios. Na justificativa, o CNJ diz que Toffoli participa de eventos pelo país representando o órgão e é preciso contratar o serviço por que os aviões da FAB não são fornecidos alimentos.

TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838

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Datatempo/CP2. Pesquisa mostra também 60,3% de avaliação muito boa ou boa do atual prefeito de BH

Gestão de Kalil é aprovada por 76,6% dos eleitores da capital Números são melhores no Barreiro e na região Leste da cidade ¬ RICARDO CORRÊA ¬ Prestes a começar o pe-

ríodo de debates sobre as eleições de 2020, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) ostenta bons números de avaliação e aprovação de sua administração. É o que mostra a primeira pesquisa DataTempo/CP2 deste ano, que ouviu 1.600 eleitores de Belo Horizonte entre os dias 6 e 8 de março. De acordo com os números, são 60,3% os que consideram a administração de Kalil como muito boa ou boa. Já 27,9% apontam que o governo como regular, enquanto 8,3% consideram ruim ou muito ruim. Os que não souberam ou não responderam são 3,5%. A aprovação da administração de Kalil também ostenta números positivos. De acordo com a pesquisa, 76,6% aprovam a gestão, enquanto 16,8% desaprovam. Os que não souberam ou não responderam foram 6,6%. Os números de aprovação oscilam pouco de região para região. Os melhores resultados são obtidos por Kalil nas regiões Leste e Barreiro. Na primeira, a aprovação atinge 79,7%, e a reprovação fica em 15,4%. Na segunda, são 78,9% os que dizem aprovar o prefeito e apenas 14,5% os que desaprovam. Por outro lado, os índices são mais baixos na região Norte da cidade, onde a aprovação é de 70,5% e a desaprovação alcança 22,3%. Na região Oeste, a aprovação também está abaixo do nível geral da cidade. São 72,8% os que aprovam Kalil, e 20,5% os que reprovam. Os números de Kalil são melhores nas faixas de renda mais altas. No grupo de cidadãos que recebem dez salários mínimos ou mais, Kalil tem 80% de aprovação e 15,7% de reprovação.

DOUGLAS MAGNO - 3.4.2017

Entre os mais pobres, o índice é menor. Na faixa dos que ganham até dois salários mínimos, 70,1% aprovam o prefeito, e 22,1% reprovam sua administração. Quando a questão é a avaliação de governo, os que consideram o governo bom ou ótimo são 52% na faixa até dois salários mínimos e 66,1% na faixa de dez salários mínimos ou mais. Em relação às regiões, a avaliação segue mais ou menos o comportamento da aprovação. Kalil tem índices melhores no Barreiro (65,7% de muito bom ou bom, 26% de regular e 6,2% de ruim ou muito ruim) e na região Leste (64% de muito bom ou bom, 26,6% de regular e 6,2% de ruim e muito ruim). Os números pioram nas regiões Oeste e Venda Nova. Mas mesmo nessas, o cenário é confortável para o prefeito. Na primeira, 53,1% dos eleitores consideram sua administração muito boa ou boa, 34,4% veem como regular, e 10,7% consideram ruim ou muito ruim. Na segunda, são 54,8% os que dão o conceito muito bom ou bom, 30,7% os que apontam o conceito regular, e 10,6% os que classificam como ruim ou péssimo. CORRIDA ELEITORAL. Ontem, O

TEMPO mostrou que, na corrida eleitoral, o prefeito tem larga vantagem, com índices variando de 50% a 60% de acordo com os cenários aplicados. A pesquisa também mostrou os índices de rejeição de Kalil e dos demais candidatos. Os dados completos estão disponíveis em www.otempo.com.br.

Avaliação

Índices são maiores entre mais velhos

Satisfação. Gestão de Alexandre Kalil é melhor avaliada nas regiões Leste e Barreiro, com quase 80% EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

AVALIAÇÃO DO GOVERNO Pesquisa DataTempo/CP2 indica impressões da população sobre a administração de Alexandre Kalil APROVAÇÃO (EM%)

AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO (EM %) MUITO BOA

60,3

REGULAR RUIM/ MUITO RUIM NS/NR

16,8

DESAPROVA

8,3

6,6

3,5

NS/NR

MUITO BOA

60,8

REGULAR RUIM/ MUITO RUIM NS/NR

16,8

5,4

NS/NR

MUITO BOA

RUIM/ MUITO RUIM NS/NR

8 2,9

77,9

DESAPROVA

AVALIAÇÃO ENTRE AS MULHERES 58,3

REGULAR

28,3

APROVAÇÃO ENTRE AS HOMENS

APROVA

76,6 APROVA

27,9

AVALIAÇÃO ENTRE OS HOMENS

Dados Registro. A pesquisa foi registrada no TRE-MG (MG-07605/2020). Foram 1.600 entrevistas entre 6 e 8 de março. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2,45 pontos percentuais para mais ou para menos.

Os números da pesquisa DataTempo/CP2 indicam que homens e pessoas mais velhas aprovam mais e avaliam melhor a administração do prefeito Alexandre Kalil (PSD). Entre eles, são 77,9% os que aprovam o atual governo municipal e 16,8% os que reprovam. Já entre elas, a taxa das que aprovam é de 73,8%, e a de quem reprova é de 18,7% entre as que reprovam. Em relação à avaliação de governo, os homens que consideram a gestão boa ou muito boa são 60,8%. Entre as mulheres, esse índice é de 58,3%. No caso da classificação de ruim ou muito ruim, são 8% entre os homens e 8,6% entre as mulheres. São 28,3% os eleitores do gênero masculino que apontam a administração como regular. No gênero feminino, o índice é de 29,2%. Com relação à idade dos entrevistados, os mais velhos, na faixa com 55 anos ou mais, são mais favoráveis ao prefeito. O índice de aprovação alcança 79,8% nesse grupo, contra 13,7% de rejeição. Entre os mais jovens, na faixa de 18 a 24 anos, a aprovação é de 67,9%, e a reprovação atinge 22,3%. Na questão da avaliação, 50,3% desses mais jovens consideram a administração muito boa ou boa, 36% dizem que é regular, e 9,8% afirmam que é péssima. A melhor avaliação é na faixa entre 45 e 54 anos, em que o índice de muito bom e bom alcança 64,8%, o regular fica em 24,4%, e o ruim ou péssimo é de 8,6%. (RC)

7

29,2 8,6 3,9

APROVAÇÃO ENTRE AS MULHERES 73,8

APROVA

18,7

DESAPROVA

7,5

NS/NR

FONTE: PESQUISA DATATEMPO/CP2, REGISTRADA NO TRE SOB PROTOCOLO MG-07605/2020. AMOSTRAGEM: 1.600 ENTREVISTAS EM TODO O MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE ENTRE OS DIAS 6 E 8 DE MARÇO. NÍVEL DE CONFIANÇA: 95%. MARGEM DE ERRO: 2,45 PONTOS PERCENTUAIS PARA MAIS OU PARA MENOS.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 15


16 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020

Editorial

~

O.PINIAO

O VÍRUS E O PIB A tragédia de Brumadinho, no início do ano passado, deixou em Minas Gerais marcas tão profundas que hoje estão impressas na queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado ontem. Agora, a pandemia do coronavírus sinaliza que a necessária superação pode se transformar em um ano precocemente perdido. Os dados divulgados ontem pela Fundação João Pinheiro mostram que a paralisação das barragens levou à queda de 25,4% no setor de mineração. Isso gerou impactos também no setor de transportes, que, pela falta de produto a ser carregado nas linhas férreas, encolheu 2,2%. É verdade que os maus resultados que ocorrem bianualmente na safra do café também contribuíram para a retração do PIB, mas a vitalidade que o setor começou a mostrar no quarto semestre está ameaçada pelo novo cenário que se desenha neste início de ano. Essenciais para conter a proliferação da Covid19, as medidas de isolamento social, com fechamento de escolas, redução de horário de lojas, férias coletivas em indústrias, suspensão de produção e retração de serviços em geral, põem hoje um freio na economia exatamente nos setores que impediram um tombo maior nos resultados do Estado: comércio, serviços, construção e energia e saneamento. Mas, se não houver esse isolamento, a proliferação do coronavírus trará estragos ainda maiores que os econômicos. Diante dos fatos de que quatro em cada dez trabalhadores mineiros atuam na informalidade – logo, desprotegidos pela Previdência Social – e de que há 1 milhão desempregados (segundo dados da Pnad Contínua), é difícil esperar que o consumo das famílias venha a socorrer a economia se os programas emergenciais não se atentarem para esses dois públicos – e evite que uma nova tragédia imprima sua marca em Minas.

FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO

Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães

GERENTE COMERCIAL

EDITORES EXECUTIVOS

Alessandra Soares

Renata Nunes Cândido Henrique Silva Juvercy Júnior

GERENTE DE ASSINATURA

Fernanda Rodrigues GERENTE INDUSTRIAL

Guilherme Reis GERENTE DE CIRCULAÇÃO

Isabel Santos GERENTE ADMINISTRATIVO

Rômulo Lima

COORDENAÇÃO DE JORNALISMO

Flaviane Paixão EDITORES

Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira

OPINIÃO

Duke

www.dukechargista.com.br

CIDA FALABELLA Vereadora em Belo Horizonte (PSOL) ver.cidafalabella@cmbh.gov.br

Coronavírus testa a solidariedade Brasil será capaz de vencer o egoísmo e apostar no bem comum?

A

ameaça do coronavírus, que nos ronda há quase três meses, chegou ao Brasil. A previsão é que serão milhares de casos até o fim desta semana. O que ainda não é possível prever é se chegaremos a um estado de colapso do sistema de saúde e de grave crise humanitária, como vive a Itália. Isso dependerá da resposta rápida das autoridades, de investimentos robustos na ampliação da capacidade de atendimento do SUS e do compromisso coletivo com as medidas sanitárias. Estarmos sob a liderança de Jair Bolsonaro potencializa o pessimismo com o que virá. O presidente tem cuidado, ele mesmo, de disseminar fake news sobre a pandemia. Pior: em um ato inacreditável até para os seus padrões, rompeu o isolamento em que se encontrava por ter sido exposto ao vírus e foi cumprimentar manifestantes contrários à democracia na porta do Palácio da Alvorada. Não satisfeito, no dia seguinte seguiu amenizando a pandemia, em desacordo até mesmo com seu ídolo Donald Trump, que foi obrigado pelas circunstâncias a admitir a gravidade do momento. Associado a isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue insistindo que a resposta para a crise econômica que se intensificará a partir da pandemia são as reformas. Economistas, inclusive do campo liberal, têm rebatido essa posição, defendendo que o momento é de o Estado intensificar seus investimentos. Na contramão de vários países também afetados, o pacote apresentado tardia-

mente pelo ministro para enfrentar a crise não dá nem para o início. O governo sinalizou que apresentará uma alternativa para os milhares de brasileiros que estão na informalidade, mas ainda não sabemos o que virá. A anunciada inclusão de 1 milhão de pessoas no Bolsa Família nem chega a ser uma medida: Guedes apenas zerou a fila, o que já vinha sendo pressionado pelo Ministério Público a fazer. Quando o próprio presidente dá as costas para as recomendações sanitárias, fica difícil convencer a população a aderir a elas, mas não podemos desistir. É necessário investirmos em uma contranarrativa, disseminar informações verdadeiras, auxiliar os mais vulnerabilizados, fazer um movimento de solidariedade. São milhares de vidas que estão em jogo, e o risco aqui não é o vírus em si – cuja letalidade é baixa na população jovem e saudável – mas o possível colapso do sistema de saúde se os 14% de infectados que precisarão de internação em leitos e os 5% que terão que ir para unidades intensivas ficarem doentes em um curto período. E são principalmente essas pessoas – idosos e doentes crônicos – que precisam de um esforço de todas nós, um compromisso irrevogável com a coletividade, com a solidariedade e com a vida. Em relação aos aspectos econômicos, aliado às ações governamentais, precisamos pressionar os grandes empregadores a adotar medidas de redução da circulação de pessoas sem prejuízo dos salários – em hipótese alguma, com demissões. A classe média alta e os ricos também preci-

sam adotar movimentos individuais de responsabilidade com os mais vulnerabilizados: comprar do pequeno comerciante, dispensar temporariamente a diarista, mas seguir pagando as diárias, manter em dia o pagamento da academia do bairro mesmo se o estabelecimento estiver fechado, são exemplos de ações. É difícil falar em solidariedade em um país que vê, a cada dia, o monstro do fascismo e do ultraliberalismo arreganhar os dentes. Um país, importante dizer, forjado pelo patriarcado e pela escravidão, e cuja elite racista segue reivindicando seu lugar na Casa Grande. Mas o Brasil também conta em sua constituição civilizatória com a cultura circular e comunitária da matriz africana e dos povos indígenas, com a determinação dos imigrantes pobres que chegaram aqui, ao longo da história, fugindo de guerras e situações de miséria. Neste país contraditório, a solidariedade será capaz de vencer o egoísmo? Eu, portadora de asma crônica desde criança e que acabo de fazer 60 anos, estou entre os grupos de risco. O próprio enunciado disso já me causa desconforto. Após um colega vereador ser diagnosticado com coronavírus, sigo, como orientado pela presidência da Casa a todos os funcionários, em isolamento domiciliar. Faço isso por mim e por todos à minha volta. Eu acredito que o povo brasileiro, em sua maioria, é bom, justo e solidário. Nós somos maiores que Bolsonaro, o Brasil é maior que Bolsonaro. O momento é de responsabilidade, coletividade e solidariedade.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 17

OPINIÃO

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entre aspas

“O ambiente de doação de sangue é bem diferente dos hospitais.” Viviane Guerra

“Tentar transformar algo em álcool vai gerar um produto inadequado.” Gerson Pianetti

GERENTE DE CAPTAÇÃO DA HEMOMINAS

PROFESSOR DA UFMG E FARMACÊUTICO

Sobre o risco reduzido de se doar sangue

Acerca da ineficácia do álcool em gel caseiro

Acílio Lara Resende

Perigos para a estabilidade de qualquer país

Jornalista aciliolresende@uol.com.br

Pandemônio, pandemia e irresponsabilidade

É

da pena do poeta inglês John Milton (1608-1674), autor do “O Paraíso Perdido” – um dos poemas épicos mais importantes da literatura universal –, o neologismo “pandemônio”. Assim ele designava o “Palácio de Satã” ou a capital imaginária do Inferno. Não chegaria a tanto, em relação ao nosso país e ao mundo, nesses últimos tempos. Mas que vivemos em um ambiente conflituoso, de medo generalizado, tumulto, balbúrdia e confusão, aqui e fora daqui, não há nenhuma dúvida. Digo isso do ponto de vista políti-

co, no qual nosso país ocupa lugar de destaque. Os que compareceram às manifestações do último domingo, por motivos que a inteligência desconhece, querem fechar os Poderes Legislativo e Judiciário e deixar tudo por conta do Poder Executivo. Pregam a volta da ditadura militar, mas que, desta vez (doce ilusão!), seria comandada pelo capitão Jair Bolsonaro. Os gastos com outros Poderes, por si só, justificariam seu fechamento e, também, o desaparecimento dessa gente que só fala em democracia e liberdade. Semana passada, quando enviei meu artigo para publicação com

dois dias de antecedência, fiz questão de não me referir nem ao coronavírus, que depois a OMS o transformou em pandemia, nem à convocação, feita pelo presidente Bolsonaro, para a manifestação do dia último dia 15 de março. Sobre o coronavírus, Bolsonaro fez um pronunciamento aos brasileiros (razoável até), que, na intimidade, ou nas redes sociais, era, exatamente, o contrário do que ele e filhos pensavam. Pois chegou a dizer em Miami que tudo não passava de fantasia. Vamos ao que disse: “Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No

meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”. Ok? Como se não bastasse, não só estimulou os atos do último domingo, mas desrespeitou ordem médica e de seu ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem sido competente como poucos na gestão da saúde pública. Foi à rua, distribuiu cumprimentos, deu e enviou beijinhos e nos deixou esta frase nefasta: “Se eu me contaminei, isso é responsabilidade minha. Ninguém tem nada a ver com isso”.

Essa atitude irresponsável, leitor, acordou sua ex-aliada Janaina Paschoal, deputada estadual por São Paulo, que reagiu da seguinte forma: “O que o presidente disse é inadmissível, injustificável, indefensável. É crime contra a saúde pública. Desrespeitou seu ministro da Saúde. Esse senhor tem que sair da Presidência da República. Deixa o Mourão, que é treinado para a defesa, conduzir a nação”, completou. Agora, depois de atitudes inacreditáveis, o governo pede ao Congresso estado de calamidade pública no país. E aqui fico eu.

Wilson Campos Advogado e presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade da OAB-MG

FACEBOOK/PORTALOTEMPO

Vírus e direito do trabalho

Futebol Luiz Gonzaga

Quanto à matéria “Cinco técnicos em apenas oito meses” (SUPER.FC, 18.3), os técnicos tiveram oportunidade no Cruzeiro, mas sem sucesso. O que tem de comum entre eles é que não mudaram onde deveriam ter mudado, que é debaixo do travessão. Joel Almeida Santos

Sobre a reportagem “Alexandre Mattos se diz orgulhoso no Galo” (SUPER.FC, 18.3), no Palmeiras, esse diretor de futebol montou três times, gastou muita grana e não ganhou quase nenhum título importante.

Meio ambiente @apaticia_martins

As águas cristalinas dos canais de Veneza devido à quarentena são um efeito positivo da pandemia. Demonstra como a humanidade precisa rever atitudes.

Educação Wanderson Douglas

Assertiva a mensagem do leitor Hugo Duarte (Opinião, 16.3). Sou professor há mais de dez anos e recebi alguns convites para participar de eleições para diretor, sempre declinei. As demandas de uma escola pública são infinitas, e é a direção que coloca um teto. São alunos com vulnerabilidades afetivas, sociais e materiais, e o corpo docente no meio do furacão. As cartas enviadas para esta coluna devem ter, no máximo, 400 caracteres.

O

mundo está assustado com a pandemia de coronavírus (Covid-19). A nova doença tem deixado muitos países em pânico. Mas o melhor caminho são os cuidados pessoais de cada um: lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel (várias vezes ao dia); cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir; evitar aglomerações se estiver doente ou com princípio de contaminação; manter os ambientes bem ventilados; e não compartilhar objetos pessoais. De certa forma, lamentavelmente, muitos trabalhadores serão afetados, bem como surgirão consequências para a população em geral, para a economia e para as relações de consumo. A incerteza de como agir tem proporcionado confusões, inclusive entre patrões e empregados, que estão sem saber o correto quanto aos aspectos trabalhistas. Portanto, acerca da interpretação trabalhista, a Lei 13.979, de 6 de fevereiro de

2020, sancionada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, para enfrentamento do coronavírus, considera falta justificada o período de ausência decorrente de isolamento ou quarentena, valendo esclarecer que os 15 primeiros dias de afastamento do empregado serão remunerados pela empresa; os demais, pelo INSS. Existe também a opção de o empregador decretar recesso ou conceder férias coletivas de pelo menos dez dias a todos os empregados – isso, no caso de empresas afetadas pela falta de fornecimento de insumos ou matéria-prima ou pelo contágio de funcionários. Embora o bom senso no ambiente de trabalho seja o melhor remédio, as empresas não podem obrigar seus empregados a se submeterem a exames nem impedir a realização de viagens particulares, mas pode determinar o afastamento temporário nessas hipóteses. O regime de home office (trabalho em casa) pode ser

adotado sem as formalidades de praxe. Aliás, cumpre às empresas fazer recomendações expressas aos empregados no sentido de adotarem o isolamento domiciliar se presentes os sintomas da doença ligada ao novo vírus e só retornarem ao trabalho 24 horas após cessada a contaminação e mediante liberação médica. Detalhe importante é o empregado saber que outro tipo de gripe ou enfermidade requer atestado médico determinando o afastamento, que deverá ser comunicado à empresa, sob pena de as faltas injustificadas gerarem perda salarial. Muita atenção para as condutas discriminatórias, que não podem ser admitidas por parte de colegas ou gestores em relação a empregados contaminados. Tais condutas devem ser coibidas e são passíveis de sanções disciplinares. O momento é de solidariedade, respeito e urbanidade, em todos os níveis, contribuindo para a erradicação do coronavírus.

a

E-MAIL opiniao@otempo.com.br

Coronavírus

aSobre a matéria “ParaKléber P. Gonçalves

noia é justificável, diz psicóloga” (Coronavírus, 18.3), juntem-se à paranoia pânico e histeria e poderemos ter uma crise de desabastecimento. Nesta semana, fui a um supermercado e nem sequer consegui carrinhos de compras: todos estavam nas mãos de pessoas que compravam o que podiam. Reportome ao malsucedido Plano Cruzado, do governo Sarney (1986), que visava estancar uma inflação brutal. O desabastecimento levou o governo ao paroxismo de destacar a PFpara caçar boi no pasto.

aA pandemia é preocuUriel Villas Boas

pante pois tem reflexos na saúde, exigindo providências adequadas e, sobretudo, efetiva participação das mais diferentes comunidades. É uma situação que serve como desafio. As soluções devem ser amplamente debatidas para que haja entendimento. O momento exige ações que superem interesses corporativos.

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18 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 19


20 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020

Contratado.

ESPORTES

Enderson volta para o projeto da Série A

Treinador, que se destacou na base celeste, deixa o Ceará e terá a missão de levar o Cruzeiro de volta à elite nacional

CRUZEIRO/DIVULGAÇÃO

¬ FERNANDO

MARTINS Y MIGUEL

¬O

Cruzeiro anunciou, na tarde de ontem, Enderson Moreira como novo treinador do clube. Ele estava invicto no comando do Ceará e assume a vaga deixada por Adilson Batista, demitido no último domingo, após a derrota para o Coimbra, por 1 a 0, pelo Campeonato Mineiro. Depois de trabalhar nas categorias de bases do time estrelado, Enderson rodou por vários clubes do Brasil e

retorna à Toca da Raposa para conduzir o projeto Série A do Brasileiro. “Satisfação enorme de voltar ao clube que me deu a oportunidade de mudar de patamar. Estou voltando para um lugar em que tenho muito carinho e respeito. Sei que é um momento complicado para o clube, mas acredito que eu posso contribuir para que a equipe possa dar uma resposta positiva dentro de campo. Nosso objetivo é ter um time bem organizado e que sabe o que quer”, projetou.

VOZ DA ARQUIBANCADA ARTUR MORAES No pedacinho que a galera gosta! Alô, nação azul! O conselho gestor agiu o mais rápido que pôde e anunciou, três dias depois da demissão de Adilson Batista, o seu substituto. Trata-se de Enderson Moreira, 48 anos, que conhece a fundo o futebol mineiro, já que trabalhou nos três grandes clubes da capital. No Cruzeiro, foi vitorioso em 2007 comandando a base, sendo campeão da Copa São Paulo. De lá para cá, acumulou experiência dirigindo Santos, Grêmio, Fluminense, Goiás, Bahia e Ceará. Com o novo treinador chegam três profissionais: preparadores físico e de goleiros e o auxiliar Luís Fernando Flores, que brilhou no meio-campo como jogador do clube nas décadas de 80 e 90, ao lado de Ademir, Nonato, Adilson, Charles, Paulão e outros. São profissionais que conhecem a história estrelada. Agora é esperar o reinício dos treinos e competições para que Enderson Moreira dê início ao trabalho e desafio maior, que é a volta à primeira divisão.

CONVENCIMENTO. Em meio ao

caos financeiro, o Cruzeiro precisou recorrer mais uma vez ao empresário Pedro Lourenço. Dessa vez, para convencer Enderson Moreira a aceitar o cargo. A promessa de pagamento do salário mensal em dia foi um dos motivos que fizeram o treinador aceitar a proposta celeste. Ainda no domingo, logo após a demissão de Adilson Batista, Enderson foi contactado. Ele resolveu dar a resposta posteriormente. Para agilizar a decisão, o clube conseguiu se comprometer a pagar em dia e contará com o aporte financeiro de Pedro Lourenço, que ficará como responsável pelos salários, assim como por qui-

Ficha técnica Enderson Alves Moreira Nascimento: 28/9/1971 Naturalidade: São Paulo Clubes: Atlético, Cruzeiro, Ipatinga, Internacional, Grêmio, Santos, Athletico-PR, Fluminense, Goiás, América, Bahia, Ceará e Cruzeiro (desde 03/2020) Títulos: Série B (2012 e 2017), Goiano (2012, 2013 e 2016), Brasileiro sub-23 (2010), Copa São Paulo de Futebol Júnior (2007) e Brasileiro sub-20 (2007) Prêmios de melhor treinador: Troféu Guará e Troféu Telê Santana em 2017

tar a multa pela saída de Enderson do Ceará, de cerca de R$ 200 mil a R$ 250 mil. Além da questão salarial, o clube colocou Ricardo Drubscky, então diretor das categorias de base, como novo diretor de futebol, o que agradou ainda mais Enderson Moreira. Os dois já trabalharam juntos no Cruzeiro e no América. Já o contrato oferecido foi até o fim da temporada, sendo prorrogado automaticamente em caso de acesso à Série A. A questão familiar também ajudou na decisão do técnico de voltar a Belo Horizonte, pois o novo treinador celeste tem residência fixa em Belo Horizonte, onde moram a esposa e os dois filhos.

“

Sei que é um momento complicado para o clube, mas acredito que eu posso contribuir para que a equipe possa dar uma resposta positiva. Nosso objetivo é ter um time bem organizado e que sabe o que quer.

”

Enderson Moreira NOVO TREINADOR DO CRUZEIRO

Enderson Moreira foi anunciado oficialmente ontem pelo clube


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 21

ESPORTES

Atlético.

Sampaoli de olho no jovem meia Aránguiz

Treinador quer jogador chileno, mas saída da La U não será fácil; Róger Guedes cada vez mais longe do Galo

UNIVERSIDAD DE CHILE/DIVULGAÇÃO

¬ FERNANDO

MARTINS Y MIGUEL

¬ O Atlético pode contratar mais um jogador estrangeiro. Segundo o site “Canal del Fútbol”, do Chile, um dos nomes observados é o do meia Pablo Aránguiz, 22, que pertence ao FC Dallas, dos Estados Unidos, e está emprestado à Universidad de Chile. O jogador tem boa avaliação do técnico Jorge Sampaoli, mas o Galo nem sequer fez

alguma proposta, segundo o vice-presidente da La U, Rodrigo Goldberg. Em entrevista à rádio Coorporativa, também do Chile, o dirigente disse que não vai medir esforços para manter o jogador. Aránguiz é destaque do Campeonato Chileno e tem como qualidade a técnica apurada, sendo chamado pela imprensa local de novo Valdívia. Revelado pelo Unión Española, Aránguiz foi negocia-

VOZ DA ARQUIBANCADA ROBERTO ABRAS Explode o coração alvinegro de alegria! Os gramados da Cidade do Galo estão vazios. Mas os bastidores do clube andam cada vez mais agitados após a chegada de Alexandre Mattos. A diretoria quer aproveitar o período sem competições para tentar reforçar o time com os pedidos feitos por Sampaoli. A bola da vez é o meia chileno Pablo Aránguiz, de 22 anos, que pertence ao FC Dallas, dos Estados Unidos, e está emprestado à Universidad de Chile. Sampaoli conhece bem o atleta e gostaria de contar com ele. Mas a negociação não deve ser fácil, já que o clube chileno pretende continuar com o atleta. Confesso que conheço pouco o meia. O que me alivia é que Sampaoli entende bastante de futebol sulamericano, porque as últimas contratações estrangeiras que chegaram com Rui Costa foram um fiasco. Sou de uma época em que poucos jogadores sul-americanos jogavam por aqui, mas eram sempre referências. De uns tempos para cá, com a valorização do real frente a moedas dos países vizinhos, vários nomes chegaram ao Brasil, mas muitos sem a menor condição. Um abraço!

do com o Dallas FC, em 2015, mas, após duas temporadas apagadas, retornou para o futebol chileno para atuar novamente pelo Unión Española e logo depois pela Universidad de Chile. Ele tem passagens pelas seleções de base do Chile. RÓGER GUEDES. O Shandong

Luneng, da China, já comunicou que todos seus jogadores que não são chineses têm que retornar ao país asiático até o fim desta semana. Com isso, o atacante Róger Guedes, desejo do Atlético, fica cada vez mais longe do Galo. Na última terça-feira, o diretor de futebol do Galo, Alexandre Mattos, já havia, praticamente, descartado o retorno do jogador ao clube. A diretoria do Galo tentou o empréstimo até o final do ano, uma ideia que chegou a ser vista com bons olhos pelos chineses. Mas o controle da pandemia no país asiático nos últimos dias fez com que o Shandong Luneng desistisse da possibilidade de empréstimo. Pelo quinto dia consecutivo, os casos importados de coronavírus na China superaram os de transmissão local, confirmando a tendência de queda na situação. O Atlético sequer cogitou a possibilidade de comprar os direitos econômicos de Róger Guedes. E, agora, o clube volta as atenções a outros nomes na lista de reforços pedida por Sampaoli.

Jogador tem qualidade técnica apurada e é tratado pela imprensa chilena como “novo Valdívia”


22 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 Rei do Futebol

Vôlei masculino

Pelé diz que não tem depressão e provoca palmeirenses ¬ SÃO PAULO. Ainda com limitações para andar, Pelé voltou a negar que esteja com depressão e disse estar bem de saúde. Em entrevista concedida à rede de TV CNN Brasil, o tricampeão mundial com a seleção brasileira disse apenas que preferia ter chegado à entrevista sem o auxílio de um andador. “Inventaram que eu estou deprimido, mas não é verdade”, disse o ex-jogador de 79 anos. Seu filho Edinho chegou a dizer, em entrevis-

ESPORTES

ta recente, que o pai estava “bastante fragilizado em relação à mobilidade” e que esse problema estava causando “certa depressão”. Pelé, que já havia negado o quadro da doença anteriormente, reafirmou seu estado de saúde e falou também sobre outros assuntos, como futebol, infância e racismo. Questionado sobre o time pelo qual torcia quando garoto, o ex-atleta mostrou simpatia pelo centenário Bauru Atlético Clube, do inte-

rior paulista. E admitiu mais uma vez alguma relação com o Corinthians, equipe que ele tanto castigou quando vestia a camisa do Santos, onde ganhou fama mundial. “Meu irmão era palmeirense. Nós jogávamos botão juntos, e eu ficava com o Corinthians. E sempre perdi”, lembrou. “Mas eu dizia: meu time é o BAC (como é conhecido o Bauru), e meu time de botão é o Corinthians”, completou o Rei do Futebol. TÍTULO. Pelé foi questionado

ainda sobre o título da Copa Rio conquistado pelo Palmeiras em 1951 e tratado por seus torcedores como um Mundial. O Rei do Futebol não concorda com eles. “Não é um campeonato mundial. Não era um torneio como os torneios disputados hoje, como os que o Santos ganhou”, comparou. O craque falou ainda sobre racismo e apontou que “nada mudou” desde seus tempos de jogador. Segundo ele, a diferença é que agora a imprensa começou a “repercutir, denunciar”.

Superliga B é encerrada, e Uberlândia garante acesso ¬ DA REDAÇÃO ¬ A Confederação Brasileira

de Voleibol (CBV) anunciou ontem que a temporada da Superliga B masculina está encerrada e não haverá um campeão. A medida, a mesma que havia sido tomada em relação à Superliga feminina B, acabou beneficiando o time do Uberlândia/Start Química/Gabarito, do Triângulo Mineiro, que garantiu

Duke

acesso à Superliga A. Hoje será definido o destino da Superliga principal. A CBV se reuniu virtualmente com os representantes dos oito clubes que disputavam a Superliga B e colocou o tema em votação. Cinco times votaram pelo fim do campeonato, e três, pela sequência da competição. Com o fim da Superliga B, foi respeitada a classifica-

ção atual. O Uberlândia terminou em segundo e garantiu vaga na elite junto com o Vedacit Vôlei Guarulhos (SP), primeiro colocado. As duas equipes superaram o Anápolis, terceiro colocado, e que tem um investimento muito superior, contando com nomes importantes como Índio (levantador), Vini (central), Leandrão (oposto) e o técnico Ricardo Picinin.

www.dukechargista.com.br


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020 | 23

ESPORTES

VÔLEI

Classificação

21ª RODADA

EQUIPE

PG

J

V

D

SV

SP

1

TAUBATÉ FUNVIC

54

21

17

4

57

16

2

SADA CRUZEIRO

53

21

18

3

56

21

3

SESC-RJ

44

21

15

6

49

25

4

SESI-SP

40

21

14

7

47

30

5

VÔLEI RENATA

38

21

13

8

47

33

7/3

Fiat/Minas 2 X 3 Pacaembu/Ribeirão Preto Ponta Grossa Vôlei 1 X 3 Sesc (RJ) Denk Maringá 2 X 3 Vôlei Um Itapetininga Sesi (SP) 2 X 3 Apan Blumenau Sada Cruzeiro 0 X 3 EMS Taubaté Funvic 8/3

6

MINAS

32

21

11

10

41

41

7

APAN BLUMENAU

28

21

10

11

34

44

8

VOLÊI UM ITAPETININGA

24

21

8

13

33

44

Pacaembu Ribeirão Preto

x

Sesc-RJ

9

PACAEMBU RIBEIRÃO PRETO

21

21

8

13

34

52

América Vôlei

x

Fiat Minas

10 DENK MARINGÁ

20

21

5

16

29

52

Ponta Grossa Vôlei

x

Sada Cruzeiro

11 AMÉRICA VÔLEI

15

21

4

17

25

55

APAN Blumenau

x

Denk Maringá

Taubaté Funvic

x

Sesi-SP

12 PONTA GROSSA VÔLEI

9

21

3

18

19

58

Vôlei Itapetininga

x

Vôlei Renata

Vôlei Renata 3 X 1 América Vôlei

22ª RODADA*

PG=PONTOS GANHOS; J=JOGOS; V=VITÓRIAS; D=DERROTAS; SV= SETS VENCIDOS; SP=SETS PERDIDOS

*JOGOS ADIADOS

Classificação

QUARTAS DE FINAL

EQUIPE

PG

J

V

D

SV

SP

1

DENTIL PRAIA CLUBE

58

22

20

2

61

16

2

SESC-RJ

57

22

20

2

61

17

1ª RODADA*

Sesi Vôlei Bauru (SP)

x

Osasco Audax (SP)

Itambé Minas

x

São Paulo Barueri (SP)

Curitiba Vôlei (PR)

x

Dentil Praia Clube

Fluminense (RJ)

x

Sesc (RJ)

3

ITAMBÉ MINAS

57

22

19

3

62

18

4

SESI VÔLEI BAURU

43

22

13

9

52

33

5

OSASCO AUDAX

41

22

15

7

50

37

Osasco Audax(SP)

6

SÃO PAULO BARUERI

34

22

11

11

40

40

São Paulo Barueri (SP)

x

Itambé Minas (MG)

7

FLUMINENSE

30

22

11

11

38

42

Dentil Praia Clube

x

Curitiba Vôlei (PR)

8

CURITIBA VÔLEI

23

22

8

14

29

45

Sesc (RJ)

x

Fluminense (RJ)

9

PINHEIROS

18

22

6

16

32

57

10 FLAMENGO

16

22

4

18

26

58

11 VALINHOS

12

22

4

18

17

57

12 SÃO CAETANO

7

22

1

21

17

65

PG=PONTOS GANHOS; J=JOGOS; V=VITÓRIAS; D=DERROTAS; SV= SETS VENCIDOS; SP=SETS PERDIDOS

2ª RODADA*

Sesi Vôlei Bauru (SP)

3ª RODADA (se necessário)*

Sesi Vôlei Bauru (SP)

x

Osasco Audax (SP)

Itambé Minas

x

São Paulo Barueri (SP)

Dentil Praia Clube

x

Curitiba Vôlei (PR)

Sesc (RJ)

x

Fluminense (RJ) *JOGOS ADIADOS


Vôlei. CBV suspende Superliga B, e Uberlândia garante acesso à competição principal. Página 22

SUPER.FC

Página 21 RAMON BITENCOURT - 9.3.2020

VVVV otempo.com.br

O TEMPO BELO HORIZONTE QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2020

Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838 VINICIUS PEREIRA/FOLHAPRESS - 28.9.2014

TEL: (31) 2101-3921

Diretoria tenta reforços pedidos por Sampaoli.

CRUZEIRO Enderson Moreira é confirmado como novo técnico da Raposa e chega à Toca para recolocar o time na elite do futebol nacional. PÁGINA 20

Projeto Série A 2 18/3

LOTERIA

2 17/3

2 17/3

Lotomania

Dupla Sena

concurso 2.063

1º sorteio

11 17 25 41 42 47

2º sorteio

06 22 25 37 38 49

ÍNDICE

u Caderno A

concurso 2.057

01

06

24

50

56

60

68

71

75

76

78

80

82

83

85

89

97

98

Coronavírus Economia

2 a 11 12

43

Aparte Política

47

2 18/3

Lotofácil

concurso 1.942

01

02

03

04

07

08

10

11

12

13

15

18

20

24

25

13 14

Opinião SUPER.FC

2 18/3

Federal

concurso 5.477

1º prêmio 2º prêmio 3º prêmio 4º prêmio 5º prêmio

50.411 64.624 92.652 44.129 78.488

16 e 17 20 a 23

u Magazine u Super FC

Mega Sena 03

05

concurso 2.244 11

2 17/3 Timemania 33

47

1a8 1 a 12

50

34

37

42

concurso 1.459 58

69

72

80

Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001

2 18/3 Quina 07

concurso 5.223 16

49

61

80

O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio. * Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.


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