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O Tempo 8/4

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Paraguai Ronaldinho vai para prisão domiciliar R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8516 - Quarta-feira, 8/4/2020

MAURO PIMENTEL/AFP

Assembleia. Deputados estaduais aprovam redução da verba indenizatória. Página 17

SUPER.FC. Página 23

PEDRO MATTOS

CORONAVÍRUS > PANDEMIA

Governo começa a pagar R$ 600 aos informais amanhã No entanto, ‘coronavoucher’ não poderá ser sacado imediatamente; em Minas Gerais, governo vai oferecer vale-merenda de R$ 50 ¬ O governo federal começa a pagar

informais ou microempreendedores, o pagamento ainda depende do cadastro no site ou no aplicativo da Caixa Econômica, que começou a ser feito ontem. Em apenas seis horas, a insti-

tuição finalizou a inscrição de 10 milhões de benefícios. Em Minas, o governador Romeu Zema anunciou pagamento de R$ 50 para famílias de alunos carentes. Páginas 4,5 e 8 CRISTIANE MATTOS

nesta quinta-feira a primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600 para pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Já para os trabalhadores

Resultado

Isolamento controla novos casos em Minas ¬ Sociedade Mineira de Infecto-

logia diz que distanciamento social evitou explosão de casos e sobrecarga do sistema e defende manutenção de política. Página 8

Quarentena

BH veta ônibus de 150 cidades sem restrições ¬ Proibição vale a partir de hoje

para todos os veículos de transporte público de municípios que flexibilizaram regras e reabriram comércio. Página 2

Fôlego no sistema. Força-tarefa começa a restaurar respiradores com defeito em BH. Página 2

Cloroquina

Contingência

Escolas

ESTUDO DA FIOCRUZ PÕE EFICÁCIA DE REMÉDIO CONTRA COVID EM XEQUE.

Juiz bloqueia R$ 3 bi dos fundos Eleitoral e Partidário para o combate à Covid-19

MENSALIDADES DEVEM TER DESCONTO DE PELO MENOS 29% EM MINAS.

Página 12

Betim Praça Sete completamente vazia expõe a paisagem urbana em tempos de pandemia

HOSPITAL DE CAMPANHA DO MUNICÍPIO SE TORNA MODELO NACIONAL Página 6

¬ Magistrado da Justiça federal de Brasília afirma,

em sua decisão, que a pandemia do coronavírus é “grave” e exige “sacrifícios” de todo o país, inclusive dos partidos políticos. Página 11

Página 9

Aulas ZEMA DIZ QUE ESCOLAS VOLTAM A FUNCIONAR APENAS EM JUNHO Página 8


2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020

Coronavírus

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Cobertura especial

Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.

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PANDEMIA

Ônibus de cidades sem regras de isolamento não entram em BH FOTOS CRISTIANE MATTOS

Regra foi publicada ontem no “Diário Oficial de Município” (“DOM”)da capital

Colaboração

Força-tarefa levará respiradores para hospitais mineiros

¬ LARA ALVES

ISABELLY MORAIS

¬ O prefeito de Belo Hori-

zonte, Alexandre Kalil, fechou as “portas” da capital para ônibus de cidades que afrouxarem as regras de isolamento social. Em decreto publicado ontem no “Diário Oficial do Município” (“DOM”), ele definiu que veículos de transporte coletivo provenientes desses municípios não poderão entrar em BH a partir de hoje. A proibição de circulação de ônibus será aplicada a todos os veículos de transporte público que partirem de municípios que tiverem tomado medidas de flexibilização do isolamento, como a autorização de reabertura do comércio. A regra vale por tempo indeterminado ou até que as prefeituras das cidades afetadas mudem de postura. O descumprimento da determinação vai acarretar responsabilização administrativa, civil e até penal. A entrada na cidade acontecerá normalmente para quem estiver em transporte individual, caminhões com cargas, táxis, carros de passeio e ambulâncias, entre outros. Na quinta-feira passada, Kalil chegou a determinar a proibição de entrada na capital dos ônibus de Lagoa Santa, cidade da região metropolitana – a prefeitura de lá havia permitido a

Começaram a chegar a Belo Horizonte, ontem, os respiradores mecânicos danificados que foram recolhidos pela Polícia Militar (PM) em todo o Estado e que serão consertados na capital. Esses aparelhos, em desuso em clínicas e hospitais públicos e particulares, são essenciais para o tratamento de pacientes graves de Covid-19. Também ontem, 18 respiradores de unidades hospitalares de Macapá (AP) e Brasília chegaram à capital mineira, trazidos em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), para serem reparados no Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e, posteriormente, utilizados no enfrentamento da pandemia. O conserto dos respiradores começou há duas semanas no CIT. Os aparelhos são de hospitais do interior

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Entre bairros. Algumas linhas de coletivos têm circulado superlotadas, até com passageiros de pé

reabertura do comércio. Diante do posicionamento de Kalil, o funcionamento do comércio de Lagoa Santa foi suspenso novamente. Apesar de não incluir mais Lagoa Santa, a decisão de barrar os ônibus de cidades que não estão evitando as aglomerações nas ruas afeta, pelo menos, 150 cidades mineiras. O número de municípios que flexibilizaram as medidas de distanciamento social foi divulgado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em debate virtual sobre o enfrentamento da pandemia.

LOTAÇÃO. Se, de um lado, a

prefeitura da capital fecha o cerco para ônibus intermunicipais, de outro ela tenta lidar com coletivos lotados dentro da cidade. Contrariando a determinação do município de evitar aglomerações nos veículos, que deveriam circular apenas com passageiros sentados, alguns ônibus ainda rodam lotados. Na manhã de ontem, a reportagem observou alguns veículos pela cidade com pessoas também de pé. Na estação Pampulha, alguns ônibus das linhas alimentadoras, os de integração, fizeram

desembarques de passageiros acima do volume recomendado pela PBH – casos das linhas 615 (Estação Pampulha/Céu Azul B) e 619 (Estação Pampulha/Santa Mônica via Santa Branca). “Desde a semana passada, já tem tido um aumento significativo, mas ontem (segunda-feira) e hoje (terçafeira) cresceu bem mais, principalmente nos horários de pico”, conta Isabela Carvalho, 25. A passageira da linha 51 (Estação Pampulha/Centro/Hospitais), inclusive, teve que seguir em pé por falta de assento.

Empresas são multadas

Rigidez nos bancos

Cestas básicas prontas

Fiscalização. Em nota, a BHTrans informou que está fiscalizando as linhas de coletivos em relação ao intervalo de viagens e à lotação dos ônibus. O órgão já emitiu 318 autuações para as empresas por não cumprirem as determinações. A demanda pelo transporte coletivo já caiu 75% na capital.

Controle. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, publicou ontem um decreto que obriga o controle de acesso às agências bancárias e às casas lotéricas. A prefeitura propõe que as filas sejam organizadas na área externa, respeitando a distância mínima de um metro entre cada pessoa.

Apoio. A Prefeitura da capital abriu ontem um sistema para que as famílias em situação de vulnerabilidade saibam onde e quando poderão retirar as cestas básicas e os kits de higiene que serão doados pelo município. Parte das 240 mil cestas já começarão a ser distribuídas amanhã.

do Estado e da capital. Cerca de dez engenheiros e técnicos do Senai atuam no centro, além de profissionais da ArcelorMittal, empresa parceira no projeto. O trabalho é voluntário. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), Minas Gerais tem, atualmente, 6.272 respiradores e ventiladores, sendo que 5.935 estão em uso. Do total, 4.743 estão no Serviço Único de Saúde (SUS). A Tacom, empresa mineira especializada em soluções para o transporte coletivo, também está desenvolvendo um projeto de respiradores inteligentes. A ideia é produzir, ainda neste mês, de 500 a mil aparelhos, sendo até 10 mil durante a pandemia, e disponibilizá-los a unidades de saúde. Antes do uso, os aparelhos precisam ser homologados pela Anvisa. (Rafaela Mansur)

Trabalho de conserto dos aparelhos é feito de forma voluntária


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 3

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Lojistas descumprem normas da prefeitura

Contrariando decreto, lojas são mantidas abertas para clientes

Alguns se adequaram

ALEX DE JESUS

¬ DANIEL OTTONI

O que dizem as lideranças

ISABELLY MORAIS

¬ No primeiro dia de endu-

recimento das normas de atuação do comércio de Belo Horizonte, que desde ontem só podia ter clientes da porta para fora, os comerciantes deram o velho “jeitinho brasileiro” para burlar a regra. Alguns lojistas insistem em manter o acesso liberado para os clientes, contrariando as determinações do prefeito da capital, Alexandre Kalil, que promete rigor na fiscalização e penalidade contra quem não colaborar com a prefeitura na luta para impedir a propagação do coronavírus. Na avenida Silviano Brandão, importante polo comercial da região Leste de Belo Horizonte, a reportagem observou clientes sendo atendidos dentro de uma loja de doces, que também funciona como confeitaria. Questionado sobre o descumprimento da regra imposta pela prefeitura em decreto, o proprietário afirmou que vai se adequar. Ele contou que chegou a ficar um tempo sem abrir a loja, mas voltou ao trabalho no último dia 30. Ele vinha atendendo dois clientes por vez – segundo recomendação escrita na porta. “Eu vi o decreto ontem à noite, e veio tudo de última hora. Estamos tomando todas as medidas de higiene, trabalhando com lavabo, água, sabão e álcool em gel. Estamos trabalhando com delivery e horário para retirada de pedidos, além de mudança no horário de funcionamento. Buscamos essas saídas porque, se não for assim, a loja não sobrevive. É possível esse atendimento na porta”, justifica o proprietário Claudio Ribeiro, 42.

O que diz Decreto. As novas regras não se aplicam a supermercados, padarias, farmácias, sacolões, mercearias, armazéns, açougues e postos de combustíveis.

Bons exemplos. Uma loja de material elétrico e hidráulico na região Leste da capital manteve seu funcionamento de maneira responsável. No início, a loja restringiu a quantidade de pessoas no espaço. Depois, decidiu atender apenas na porta, isso bem antes do novo decreto da prefeitura de BH. “Chegamos a colocar um cartaz pedindo que entrasse um cliente por vez, mas eles não respeitavam. A gente tinha que pedir o tempo todo pra tomarem cuidado”, conta Tamyres Medeiros, 30, proprietária da loja.

Entidades. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) disse, em nota, que as orientações de Kalil estão em acordo com o que a entidade recomendava. “A exemplo da CDL, ele reforçou as medidas de segurança a serem tomadas para evitar aglomeração de pessoas”, informou. Já o presidente do Sindicato de Lojistas de BH (Sindilojas), Nadim Donato, disse em vídeo que “este não é o momento de abertura, ainda”. Ele pede “compreensão durante este momento delicado”.

Varejo perde R$ 53,3 bi Queda. O comércio recuou 16,2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, segundo a Serasa Experian. É a maior queda da série histórica do Indicador de Atividade do Comércio da empresa, que acompanha o setor desde 2000. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou perda de R$ 53,3 bilhões no faturamento do comércio, desde que a pandemia se consolidou no país, na comparação com o ano passado. Vigilância. Entre os dias 20 de março e 6 de abril, a Guarda Municipal de BH realizou 4.191 visitas a estabelecimentos

Esse não é um caso isolado. Nos últimos dias, a reportagem de O TEMPO verificou estabelecimentos funcionando normalmente. Uma situação que forçou uma tomada de atitude por parte das autoridades. Entre 20 de março e 6 de abril, a Guarda Municipal realizou 4.191 visitas de orientação a estabelecimentos comerciais da capital. Todo o efetivo da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH), composto por 2.064 agentes, está atuando nas ruas, em regime de revezamento, desde o dia 20 de março, para garantir o cumprimento do decreto, que serve como medida de contenção da pandemia do coronavírus. Durante as fiscalizações, em apenas um estabelecimento da capital o responsável não acatou as orientações dos agentes, sendo necessário o acionamento da Subsecretaria de Fiscalização (Sufis) para as medidas cabíveis. O bar, localizado no bairro Jardim Montanhês, estava atendendo clientes em mesas na calçada e foi interditado.

Fiscalização

Praças mais vigiadas por guardas A Guarda Municipal da capital disse ter intensificado, desde ontem, as rondas em praças e locais públicos da cidade tradicionalmente usados para atividades de lazer e prática de atividade física. Em caso de aglomeração, os agentes poderão abordar a população para orientar os moradores a retornarem para suas casas. A determinação, prevista em um decreto publicado no “Diário Oficial do Município” (“DOM”), é mais uma adotada pelo município para manter o isolamento social e frear a propagação do coronavírus. No final da manhã de ontem, a reportagem verificou que as praças da Assembleia e Floriano Peixoto, ambas na região CentroSul, ainda não contavam com a presença da Guarda Municipal. Enquanto na primeira havia um número ra-

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zoável de pessoas, ainda que abaixo do que era percebido em dias normais, no segundo local tinha pouquíssimas. Já na praça da Liberdade, cercada há alguns dias, membros da Guarda Municipal faziam a vigilância. Apesar da preocupante si-

tuação da capital mineira em relação à pandemia do coronavírus, muitos mineiros desrespeitaram as medidas de isolamento social e se aglomeraram em praças e pontos turísticos no fim de semana, como na orla da lagoa da Pampulha. (Lara Alves) ALEXANDRE MOTA

Mesmo com orientação de isolamento, praças ainda são visitadas

Hotéis serão usados para isolamento ¬ O secretário municipal de Saúde de BH, Jackson Machado Pinto, em entrevista à rádio Super 91,7 FM ontem, informou que hotéis que devem impostos à prefeitura podem ser usados para receber pacientes com sintomas do corona e que precisam se isolar. A ação é voltada para pessoas em situação de rua e aquelas que vivem em aglomerados ou casas com muitas pessoas. “Já temos um acordo com o Sesc Venda Nova, que disponibilizou 270 vagas para esse fim”, disse. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas (ABIH-MG), Guilherme Sanson, a medida pode ser benéfica para o setor, já que uniria a atuação social à pública e resolveria questões financeiras dos estabelecimentos. (Daniele Franco)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Facilidade

Pedro Guimarães detalhou ontem como será feito o pagamento

Contas digitais também serãousadas 7

Auxílio do governo de R$ 600 será pago amanhã Microempreendedor, autônomos,informais e desempregados vão receber a ajuda ¬ QUEILA ARIADNE ¬ Desde que a quarentena

começou, há cerca de um mês, a manicure Érica Aquino, 33, está parada. Mas as contas não param de chegar, e ela está ansiosa pelo auxílio emergencial prometido para ajudar trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados. Ontem, o governo federal anunciou que vai começar o pagamento amanhã para quem já faz parte do Cadastro Único (CadÚni-

co). Os demais, que precisam se inscrever pelo site ou no aplicativo da Caixa Econômica, devem começar a receber a partir de 14 de abril. “Eu consegui preencher o cadastro, e apareceu a mensagem de que está em análise e ainda vai demorar cinco dias. Estou muito ansiosa para saber se eu vou receber, porque os salões estão todos fechados, e estou sem ganhar nada. Eu cuido dos meus dois filhos sozinha, as contas não param, e vai chegar uma hora que nem comida vou ter”, conta Érica. Serão três parcelas no valor de R$ 600. Mas, para mães que são chefes de família, como Érica, pode chegar a R$ 1.200. A segunda parcela será paga entre 27 e 30 de

abril, e a terceira, entre 26 e 29 de maio. Quem é beneficiário do Bolsa Família ficará sujeito ao calendário do programa e vai receber. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, explicou ontem que o pagamento será feito por meio de depósitos em uma conta poupança digital ou na conta informada pelo beneficiário no momento do cadastro pelo aplicativo ou site. O aplicativo Caixa Auxílio Emergencial pode ser baixado gratuitamente. Para facilitar, as operadoras de telefonia liberaram o tráfego de dados, e é possível navegar pelo canal mesmo sem acesso à internet. Dúvidas também podem ser retiradas pela linha telefônica 111, que, só até o meio da tarde de on-

tem, já tinha recebido 330 mil ligações. Guimarães pediu paciência no processo, que ontem apresentou alguma lentidão devido ao alto volume de cadastros: foram 10 milhões só nas primeiras seis horas. “A gente conseguiu dar vazão ao investimento muito grande de todos. Peço desculpas se estiver lento. Por-

R$ 98 bi Injeção. A medida vai injetar R$ 98 bilhões na economia. A maior parte (R$ 43 bilhões) será paga a quem já recebe Bolsa Família. Informais e MEIs dividirão R$ 25 bilhões.

que hoje será, sem dúvidas, o dia de maior intensidade”, declarou o presidente da Caixa. Segundo ele, a expectativa é encerrar a semana com o cadastramento de 60% a 80% dos trabalhadores que tiverem direito à renda básica emergencial. O benefício vem sendo prometido há semanas, e são muitas as críticas sobre a demora do pagamento. O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), admitiu a demora, mas minimizou o atraso. “É claro que nós demoramos um pouco, e esse pouco é relativo. O auxílio foi sancionado na quinta-feira, publicado na sexta e, hoje, (terça-feira) a gente já conseguiu estruturar esse pagamento”, declarou Lorenzoni.

Quem tem direito ao auxílio emergencial, apelidado de “coronavoucher”, vai receber por meio de depósito na conta poupança digital, que será aberta gratuitamente pela Caixa, ou na conta que o beneficiário indicar no momento do cadastro. Para evitar uma corrida desenfreada aos bancos, nesta primeira etapa só será permitido fazer transferências eletrônicas ou pagar boletos e contas domésticas por meio do aplicativo Caixa Tem. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirma que, em um segundo momento, o saque será permitido, mas apenas com agendamento. Segundo ele, o objetivo é exatamente evitar aglomerações em agências e lotéricas. Por isso, o banco vai divulgar um calendário para autorizar o saque de uma forma segura. “Imaginem no dia em que realizarmos o pagamento, com 20 milhões de pessoas nas agências e nas lotéricas. Não vamos permitir isso”, destacou. (QA)

Combate a golpes Oportunistas. Um golpe que circula na internet com falso link para o cadastramento na plataforma já fez 6,7 milhões de vítimas desde março, de acordo com o laboratório especializado em segurança digital da PSafe. A Caixa e o Ministério da Cidadania anunciaram que estão redobrando a atenção.

UARLEN VALERIO/17.3.2020

Dinheiro na conta

Mais profissões incluídas

Livre de tarifas bancárias O governo fez uma parceria com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para garantir a integralidade do objetivo do auxílio, que é levar renda à população em condição de vulnerabilidade neste momento de pandemia. “Mesmo se a pessoa tiver com alguma pendência, devendo o cheque especial, por exemplo, o dinheiro vai cair sem abatimento”,

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declarou o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. Outra vantagem oferecida será a isenção de tarifas para até três transferências. Ansiedade toma conta dos trabalhadores informais e dos microempreendedores, que aguarda resposta para saber se terão ou não direito ao coronavoucher. “Fiz o cadastro hoje (ontem), e me enviaram uma mensagem dizendo que

está em análise. Tenho um estacionamento na região de Venda Nova, e estou vivendo algo que nunca vivi na minha vida. O valor é pequeno, mas é melhor do que nada”, conta Ismael Alkimim, 34, que viu a renda cair 90%. Carlos William Gonçalves, 21, também está ansioso. Ele trabalha como autônomo e faz serviços de gesso, mas está sem demanda de serviço. (QA)

Categoria. O Plenário do Senado aprovou na semana passada projeto, que vai agora para votação na Câmara, que amplia o pagamento do auxílio de R$ 600 para outras categorias. Estão na lista caminhoneiros, taxistas, motoristas de aplicativos, diaristas, artistas, garçons, agentes de turismo, entre outros. Autônomos, como manicures, irão receber ajuda do governo


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 5

CORONAVÍRUS

PANDEMIA EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE

O AUXÍLIO EMERGENCIAL O que é?

Vai ser por meio de saque ou depósito?

É benefício financeiro e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento da crise causada pela pandemia do coronavírus.

Por enquanto, apenas por meio de depósito na conta poupança digital que a Caixa vai criar gratuitamente para todos que tiverem direito (não é preciso apresentar nenhum documento) ou na conta de qualquer outro banco que será indicada no momento do cadastro.

Quem pode receber

Os saques só serão permitidos por meio de agendamento. A Caixa ainda está elaborando um cronograma para evitar aglomerações nas agências e nas lotéricas.

Trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados que: tenham renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135)

Saiba os requisitos básicos: Ser maior de 18 anos.

Qual o valor e por quanto tempo será pago?

Não ter emprego formal ativo. Não ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou de programa de transferência de renda do governo federal (exceto Bolsa Família).

O benefício será de R$ 600, por três meses. Poderá ser pago para no máximo duas pessoas da mesma família. Para as famílias em que a mulher é a única responsável pelas despesas da casa, o valor a ser pago mensalmente será de

R$1.200.

Como o beneficiário vai receber? Quem já fazia parte do Cadastro Único até o dia 20 de março e que atende as regras do programa, vai receber automaticamente, sem precisar se cadastrar no site ou no aplicativo da Caixa. Para os que não estão cadastrados, é preciso acessar o site da Caixa. Lá, a pessoa pode acompanhar se vai receber o auxílio emergencial, consultando o próprio site ou aplicativo Caixa Auxílio Emergencial, que pode ser baixado gratuitamente.

APP CAIXA | AUXÍLIO EMERGENCIAL Você pode baixar pelo Google Play

Não ter recebido em 2018 rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70.

Quem tem Bolsa Q Família pode receber? Sim, desde que o auxílio seja mais vantajoso. Neste período, o Bolsa Família ficará suspenso.

Exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI), ser contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social ou trabalhador informal, de qualquer natureza, inscrito no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico).

TIRA-DÚVIDA Quem recebe seguro desemprego poderá receber o auxílio emergencial? Não.

Basta fazer o cadastro e seguir as orientações do próprio aplicativo

Quem já recebe Bolsa Família pode acumular os dois benefícios? Não. O próprio sistema vai liberar o que for mais vantajoso.

Se a pessoa está trabalhando, mas tem um MEI ativo, ela pode receber? Pode, se a renda familiar mensal per capita for de até meio salário mínimo ou se a renda familiar mensal total for de até três salários mínimos

CALENDÁRIO DE PAGAMENTO (*) PARCELA

QUEM JÁ ESTÁ NO CADÚNICO

QUEM NÃO ESTÁ NO CADÚNICO

1

partir de 9 de março

a partir de 14 de março

2

entre 27 e 30 de abril

entre 26 e 29 de maio

3

entre 27 e 30 de abril

entre 26 e 29 de maio

(*)DEPENDE DA ANÁLISE NO SISTEMA DE DADOS DO GOVERNO FONTE: CAIXA ECONÔMICA/ MINISTÉRIO DA CIDADANIA


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Hospital vira exemplo para União FOTOS PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO

Centromontado para tratarCovid-19 em Betimé elogiado pela Defesa Civilnacional ¬ LISLEY ALVARENGA ¬ A abertura em tempo re-

corde, pela Prefeitura de Betim, na região metropolitana, de um hospital de campanha totalmente equipado e com 120 leitos aptos a receber casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus foi motivo de elogio em reuniões do Centro de Operações Conjuntas, órgão criado pelo governo federal para coordenar a participação das Forças Armadas no combate à Covid-19. “Betim foi mencionada como exemplo em reunião de gestão operacional no centro que envolve todos os ministérios por ter construído a estrutura de um hospital de campanha em apenas sete dias. Erguer uma unidade como essa não é fácil. É uma ação que demanda recursos, um local apropriado e pessoas para operar esse hospital. Conseguir fazer tudo isso em sete dias é algo que precisa ser elogiado e socializado

Situação atual

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casos confirmados do novo coronavírus tem Betim, segundo balanço de ontem

1.476

notificações de pessoas infectadas pela Covid-19 possui a cidade

como boa prática, como foi feito em Brasília”, frisou Alexandre Lucas Alves, secretário nacional da Defesa Civil. “Amigos que tenho em Brasília realmente comentaram que o hospital de campanha foi citado como exemplo durante reunião em que estavam o presidente (Jair Bolsonaro) e ministros. Fiquei muito grato por ter colocado a unidade de pé em poucos dias e a um custo quase zero para os cofres municipais, já que o hospital foi quase totalmente equipado por empresas parceiras”, disse o prefeito de Betim, Vittorio Medioli. Montado em uma área de cerca de 1.500 m² no Fiat Clube, o Hospital de Campanha de Betim receberá pacientes da Covid-19 encaminhados por UBSs ou UPAs da cidade. “A previsão é que os pacientes do local sejam encaminhados para isolamento em casa. Os casos mais graves serão direcionados para os leitos de UTI instalados no Hospital Regional e, depois, para a unidade intensiva que está sendo montada no Centro Materno-Infantil”, informou o órgão em nota. Outros 80 leitos poderão ser abertos no Fiat Clube para a recuperação de pacientes. No total, Betim poderá ter 370 vagas. DEFESA CIVIL NACIONAL. Além

de analisar os decretos de calamidade pública emitidos por Estados e municípios, a Defesa Civil nacional tem atuado de forma ativa no combate à Covid-19. Por meio de um sistema de alerta via SMS, a Defesa Civil dispara diariamente informações sobre medidas de prevenção. Até agora, 146 milhões de pessoas receberam as mensagens.

Recorde. Hospital de campanha aberto em Betim no último fim de semana foi estruturado em apenas sete dias; unidade tem 120 leitos

Antecipação de recurso

CâmaradevolveR$1miàprefeitura Diante do avanço da pandemia de Covid-19, a Câmara de Betim, na região metropolitana, realizou ontem, durante reunião ordinária, o adiantamento da devolução de R$ 1 milhão à prefeitura. O objetivo, segundo o Legislativo, é contribuir para que o Executivo intensifique o plano de enfrentamento do novo coronavírus. Ao receber o recurso, o prefeito Vittorio Medioli afirmou que o gesto de colaborar em um momento complicado, que exige a mobiliza-

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ção de todos, mostra maturidade dos vereadores. “Betim hoje está à frente de muitos outros municípios, talvez seja o único do Estado com um plano efetivo de enfrentamento do novo coronavírus. Estamos prontos para o que pode chegar e torcendo para que não chegue”, completou. Segundo o presidente da Câmara, o vereador Klebinho Rezende (PSD), a antecipação do valor foi uma decisão conjunta dos 23 vereadores. “Fizemos o planejamento econômico e entendemos que é impor-

tante antecipar o repasse para que a prefeitura possa usá-lo no combate à pandemia”. COMBATE. Entre as principais

ações do plano de enfrentamento da Prefeitura de Betim estão a abertura de 370 leitos na cidade para tratar pacientes, a distribuição de 120 mil litros de álcool líquido 70% para os moradores, a desinfecção de espaços públicos e o investimento em equipamentos de proteção para os funcionários da saúde. Também foi assinado um

Filas em agências

O isolamento recomendado pelos órgãos de saúde para conter o avanço da Covid-19 aos poucos vem sendo descumprido. Alguns comércios voltaram a abrir, e, em casos de serviços essenciais, como bancos, as filas são cada vez maiores. Na tentativa de coibir a aglomeração nesses pontos, a Guarda Municipal de Betim iniciou fiscalização nas filas nas entradas das agências. Segundo o subcomandante Wesley de Souza, os

funcionários dos bancos têm relatado que muitos clientes ignoram a recomendação da distância mínima de 2 m. “Por isso, teremos um efetivo nesses pontos”, informou. A partir de hoje, a guarda atuará na região central, próximo ao poliesportivo e no bairro São Caetano. E a população pode ajudar denunciando pelos números 3512-3453 ou 35123315 ou pelo e-mail faleouvidoria@betim.mg.gov.br. (Dayse Aguiar)

MEDIDAS. A Câmara de Be-

tim adotou várias medidas de prevenção, como a suspensão da presença da população nas reuniões ordinárias e extraordinárias, a transmissão das sessões pelo Facebook e a intensificação da limpeza nas dependências do Legislativo, com a disponibilização de álcool em gel. (Dayse Aguiar)

Indenização I

Guarda faz operação contra aglomeração 7

decreto determinando o fechamento de estabelecimentos não essenciais e a suspensão das aulas.

Recurso. A Prefeitura de Betim recebeu da Justiça do Trabalho R$ 3 milhões fruto de uma indenização por dano moral coletivo movida pelo Ministério Público do Trabalho e paga pela Vale por causa da tragédia em Brumadinho, em 2019. O valor será aplicado em ações de combate à Covid-19 na cidade.

Indenização II ‘Em boa hora’. Segundo o secretário de Saúde de Betim, Guilherme Carvalho, o dinheiro vai ajudar o município a custear as ações adotadas contra o coronavírus: “O valor acabou chegando em um momento importante, já que, até agora, União e Estado não realizaram aporte nesse sentido ao município”. Prefeito Vittorio Medioli recebe devolução de R$ 1 milhão adiantada pela Câmara


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 7


8 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Governo de MG vai dar R$ 50 em vale-merenda RICARDO LIMA / DIVULGACAO - 17.5.2017

Bolsa irá para alunos carentes; aula deve voltar só depois de junho, prevê Zema ¬ DANIELE FRANCO ¬ O governo de

Minas anunciou ontem que vai conceder, pelos próximos quatro meses, um auxílio mensal de R$ 50 para alunos de famílias com renda per capita inferior a R$ 89. A medida, chamada de “Bolsa Merenda”, foi anunciada ontem pelo governador Romeu Zema (Novo). A ajuda vai compensar a falta de alimentação nas escolas, fechadas pela pandemia do novo coronavírus. Cerca de 380 mil crianças serão beneficiadas. O financiamento terá a contribuição do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que disponibilizou quase R$ 31 milhões para a ação. Segundo o procurador geral de Justiça de Minas, Antônio Sérgio Tonet, o recurso foi adquirido a partir de um remanejamento das contas da instituição, com aval da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). “É uma solidariedade institucional importante neste momento”, afirmou Tonet. A secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Elizabeth Jucá, disse que o governo vai custear R$ 30 por aluno, enquanto os R$ 20 restantes serão repassados pelo MPMG. “Estamos conversando com empresários para que essa ajuda também se estenda para famílias com renda per capita um pouco maior”, explicou Elizabeth. Já o governador Romeu Zema citou o compromisso de apoiar os mais vulneráveis na crise da Covid-19. “Essas são famílias nas quais o pai e a mãe trabalham no mercado informal e sentem com muito mais intensidade este momento”, disse ele. “É

Pagamento Indefinido. O benefício será distribuído por meio de vale-alimentação, mas ainda não há detalhes sobre cadastramento ou distribuição dos cartões.

Mandado de segurança Divinópolis. O presidente do Conselho de Saúde de Divinópolis, Warlon Carlos, afirmou que a entidade vai entrar com mandado de segurança contra o governo de Minas exigindo abertura do Hospital Regional Divino Espírito Santo. Segundo ele, a unidade está 80% concluída e seu funcionamento representaria mais 100 leitos de enfermaria e mais 30 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O objetivo é evitar um colapso do sistema de saúde do município. Atualmente, o município do Triângulo, com 33 casos confirmados e 2 mortes pela Covid-19, possui cerca de 200 leitos que poderiam ser usados pelo SUS.

Ajude os hospitais de BH Doações. A campanha de financiamento coletivo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu, até ontem, R$ 379,6 mil em doações para o Hospital das Clínicas, Risoleta Neves e a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Centro-Sul As doações irão para compra de remédios, insumos, equipamentos e contratação de serviços hospitalares destinados o atendimento a pacientes infectados pela Covid-19 e outras síndromes respiratórias agudas. Interessados em contribuir podem doar qualquer quantia. Dados das contas e mais informações em: https://ufmg.br/colaborehospitais UARLEN VALERIO - 11.1.2017

Garantia mínima. Auxílio tem a duração de 4 meses e é destinado para famílias com renda per capita abaixo de R$ 89

obrigação do Estado tentar amenizar o sofrimento dessas famílias”, acrescentou. VOLTA ÀS AULAS. Anteontem,

Zema disse, em entrevista à rádio Itatiaia, que a volta de atividades com aglomerações, como shows, jogos de futebol, cinema e até aulas, deverá ocorrer somente a partir de junho. “Isso talvez vai ficar de junho para depois, porque o vírus vai continuar se disseminando nas próximas semanas ainda”, indicou o governador. “Esse isolamento que está em vigor precisa continuar. Aqueles que não dependem de sair de casa devem ficar”, complementou. Já a reabertura do comércio pode ocorrer em breve. “O número de casos aumenta dia a dia, mas com tendência a estabilidade e decrescimento. Isso nos torna animados em relação a uma medida de flexibilização nos próximos dias”, avalia o governador. (Com Natália Oliveira)

Deve ser mantido

Isolamento vem dando resultado PEDRO MATTOS/DIVULGAÇÃO - 5.3.2020

As duas semanas de isolamento social em Minas surtiram efeitos positivos no combate à pandemia do novo coronavírus. Na avaliação do presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e integrante do Comitê de Enfrentamento da Covid-19, Estevão Urbano Silva, a curva de casos confirmados no Estado se mantém controlada, e o sistema de saúde não vem sendo sobrecarregado. Porém, Urbano ressalta que isso não é motivo para afrouxar a quarentena – pelo contrário, manter o isolamento ainda é uma necessidade. “A princípio, o isolamento conteve o número de casos. Temos uma curva que está razoavelmente contro-

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Diminuição na circulação tem mantido curva de casos controlada

lada, bem menos que outros locais, como São Paulo e Rio de Janeiro, e pode ter sido influência do isolamento”, analisa o médico. O infectologista ressalta que essa estabilidade pode gerar uma falsa sensação de segurança e fazer com que as pessoas afrouxem a quarentena. “Ainda está muito precoce para sair do isolamento. Se fizermos isso, o número de casos pode subir muito. Tem países que estão fazendo o isolamento há três meses, por aqui não está indicado sair do isolamento pelo menos até meados de abril, mas esse quadro pode ser estendido. Tem que ser analisado dia a dia”, explica Urbano. (NO)


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 9

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Quase 50 mil suspeitas em Minas

BRUCE BENNETT/GETTY IMAGES/AFP - 21.3.2020

Estado confirmou ontem mais duas mortes, alcançando o total de 11 vítimas ¬ LUCAS NEGRISOLI NATÁLIA OLIVEIRA

¬ Minas Gerais se aproxi-

ma dos 50 mil casos suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus. Ontem, em atualização dos números da Covid-19 no Estado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) citou 49.652 casos investigados. Entre as confirmações, há agora 559 casos de infecção pelo novo coronavírus no Estado e 11 mortes. Em um dia, Minas registrou 37 novos casos confirmados, dois óbitos e 1.937 suspeitas de contaminação. Anteontem, eram 47.715 o número de suspeitas. Das 11 pessoas que morreram por causa da Covid19, duas não tinham outras doenças associadas. Uma delas é um idoso de 72 anos, que morreu no último dia 1º de abril. Ele era morador de Montes Claros, no Norte de Minas. O outro paciente que também não tinha doenças associadas também era um idoso de 72 anos, de Ouro Fino, no Sul de Minas, que morreu no último dia 31 de março. Idosos acima de 60 anos fazem parte de grupo de risco para a doença – acima de 80 anos o risco é muito alto. Algumas comorbidades, como diabetes, problemas respiratórios ou cardíacos, são consideradas fatores de risco para quem é contaminado pelo vírus. No entanto, em Minas Gerais, 75% do total dos pacientes com Covid-19 têm entre 20 e 59 anos. Entre as 11 vítimas, uma ainda não teve confirmação sobre possíveis doenças associadas. O caso é de um homem de 44 anos, residente de Mariana, na região Central, que morreu no dia 30 de março. O histórico de saúde dele ainda está sob investigação.

Na fila. Só nessa terça-feira foram contabilizados em Minas Gerais mais 1.937 casos suspeitos de contaminação pela Covid-19; pacientes investigados já somam 49.652 DISTRIBUIÇÃO. A capital mi

neira continua sendo o município com maior concentração dos casos do novo coronavírus no Estado. São 270 pessoas com diagnóstico positivo para a doença (dez a mais que no dia anterior), o que representa 48,3% das notificações totais, e cinco óbitos. Ontem, foi confirmada mais uma morte, a de uma mulher de 60 anos que fazia tratamento de câncer na capital. Em segundo lugar no número total de casos da Covid-19 no Estado está Juiz

Família infectada 0 Cambuí. O município no Sul de Minas, confirmou no domingo o aparecimento dos primeiros cinco casos da Covid-19. Todos os registros são de pessoas da mesma família e, segundo a prefeitura, todas elas viajaram recentemente para o Estado de São Paulo, região do Brasil onde há a maior concentração no número de casos e óbitos confirmados para a doença.

de Fora, com 42 confirmações. O município da Zona da Mata não tem nenhuma morte confirmada pelo novo coronavírus. Em terceiro lugar no número de contaminações está Nova Lima, com 37 pessoas, mas nenhuma morte. Uberlândia, no Triângulo, vem na sequência, com 33 casos confirmados da Covid-19 e duas mortes pela doença. Ontem também foi confirmada a morte da primeira vítima de Pouso Alegre, no Sul de Minas. A vítima, um homem de 78 anos, tinha histórico de doenças pulmonares. Além de BH, Uberlândia e Pouso Alegre, há mortes confirmadas em Mariana, na região Central; Montes Claros, no Norte de Minas; e Ouro Fino, no Sul de Minas. A primeira pessoa a morrer no Estado em decorrência do coronavírus foi uma idosa de 82 anos, que morava em Belo Horizonte, mas estava internada em um hospital de Nova Lima, região metropolitana da capital. O segundo foi um homem de 66 anos, também da capital.

Alívio para muitas famílias

Solidariedade na capital

Cestas básicas. Para aliviar os reflexos da pandemia do coronavírus, um projeto em Belo Horizonte tem recolhido dinheiro e revertido na compra de cestas básicas. É o Espalhe Cestas, que em pouco mais de duas semanas já beneficiou mais de 2.500 famílias na capital e na região metropolitana de BH. Doações podem ser feitas pelo site evoe.cc/espalhe-cestas.

Varal Solidário. A empatia pode tomar várias formas em tempos de combate a uma pandemia. Na região central de Belo Horizonte, uma dessas maneiras foi com o Varal Solidário, que distribui lanches para pessoas em situação de rua. As ações têm acontecido três vezes por semana ao lado do Palácio das Artes, na avenida Afonso Pena, região central da capital mineira.

Escola particular

Procon determina desconto de 29% em mensalidade de março O Procon do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) determinou ontem que escolas privadas da educação básica devem conceder desconto mínimo de 29,03% nas mensalidades de março, quando começaram as medidas de isolamento social. O valor se refere aos dias em que não foram prestados os serviços de ensino, entre 23 e 30 de março, e só deve ser aplicado se as instituições não tiverem antecipado as férias dos alunos. Caso a mensalidade já tenha sido paga, o desconto deve ser em abril. O Procon diz também que as instituições de ensino precisam enviar aos pais e responsáveis uma proposta de revisão contratual, que deve vigorar ao longo de todo o período de suspensão das aulas presenciais. O documento deve prever as atividades escolares

RAMON BITENCOURT 2.2.2020

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Escolas devem oferecer proposta de revisão contratual, diz Procon

que serão realizadas de forma remota, com os respectivos valores mensais. Para a educação infantil, a recomendação do órgão é suspender os contratos até o fim do isolamento. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG) diz que não re-

DIVULGAÇÃO/VARAL SOLIDÁRIO

conhece a medida. Segundo a entidade, outra resolução publicada em março autorizava o pagamento das mensalidades sem descontos para que as escolas consigam manter as atividades a distância e a oferta do ensino. (Lucas Morais)

Coronavírus assusta mais População de BH. Uma pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) revela que 65% dos belo-horizontinos estão preocupados em pegarem o coronavírus, enquanto 35% se dizem mais receosos com os impactos da crise na economia. A maioria da população da capital aprova o isolamento social (84%) e o fechamento do comércio (77%).


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Com mais 114 mortes, país vê letalidade subir Índice passa de 4,6% para 4,9% em 24 horas, e casos totais chegam a 13.717 ¬ BRASÍLIA. O número de pes-

soas diagnosticadas com o novo coronavírus no Brasil subiu para 13.717, e o total de mortes chega a 667. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde na tarde de ontem. No balanço anterior do governo, na segunda-feira, o total de infectados chegava a 12.056, com 553 mortes confirmadas. Em 24 horas, o Brasil registrou 1.661 casos novos da doença e 114 mortes. Em relação a segunda-feira, o número de casos confirmados aumentou 13%. Em relação ao número de mortes, o aumento foi de 20%. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a letalidade da doença no Brasil também aumentou em relação ao balanço divulgado na segunda-feira: saiu de 4,6% para 4,9%. O Sudeste continua sendo a região com mais casos da Covid-19, com 8.138 pes-

soas diagnosticadas, o que representa 59,3% do total. Em seguida vem o Nordeste, com 2.417 infectados. O Sul tem 1.428, o Norte tem 951, e o Centro-Oeste está com 783. Em relação aos Estados, São Paulo continua na dianteira no número de casos confirmados: são 5.682. Depois vem Rio de Janeiro, com 1.688, Ceará, com 1.051, Amazonas, com 636, e Minas Gerais, com 559. No que diz respeito às mortes, São Paulo também segue na ponta, com 371 óbitos até o momento. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 89. Apesar de não estar entre os cinco Estados com mais casos identificados, Pernambuco aparece em terceiro lugar, com 34

Subnotificação Déficit. País enfrenta problemas de oferta de testes que comprovam a contaminação pelo vírus mesmo para os casos suspeitos, e governo reconhece a subnotificação.

mortes até o momento – e 352 casos confirmados. Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que sete capitais merecem atenção por terem mais de 16 casos para cada 100 mil habitantes. São elas: Fortaleza (34,7 por 100 mil habitantes), São Paulo (30,6), Manaus (21,7), Florianópolis (18,8), Porto Alegre (17,3), Vitória (17,1) e Rio de Janeiro (16,5). “Como são capitais, acaba concentrando maior número de casos de pessoas que não são residentes em sua área. Portanto, esses números são relativos e serão atualizados”, afirmou Oliveira. O secretário apontou que 10% das internações por síndrome respiratória neste ano no país foram por Covid19. São 29.301 casos no total, sendo 2.931 causados pelo novo coronavírus. Outras 577 hospitalizações foram provocadas por influenza A e B, e 736, por outros vírus respiratórios. O restante – mais de 26 mil casos – ainda está em investigação. ALEX DE JESUS

Para ministro Luiz Henrique Mandetta, isolamento social deve ser mantido para conter a Covid-19

Aceleração descontrolada

Iniciativa em estudo

Projeção. O Ministério da Saúde estima que o Brasil entre daqui a um mês na fase de aceleração descontrolada de casos do novo coronavírus. Segundo projeção, o início desta etapa está previsto para a 19ª semana do ano, ou seja, entre 4 e 10 de maio. A quantidade de casos da doença Covid-19 deve começar a desacelerar a partir de meados de junho, na 25ª semana.

Conta de luz. O ministro Paulo Guedes (Economia) avalia bancar as contas de luz de cerca de 9,4 milhões de famílias carentes pelos próximos três meses. A princípio, a iniciativa só será válida para famílias com consumo médio de 220 kWh. Caso seja confirmada, a medida vai dar um fôlego às distribuidoras que estão preocupadas com o aumento da inadimplência.

Posição

Déficit em 2020

Em artigo, Mandetta defende isolamento 7 Milhares de brasileiros não estão fazendo o isolamento social recomendado pelas autoridades de saúde

Parcela expressiva não adota o distanciamento ¬ SÃO PAULO. O isolamento social estabelecido como principal estratégia para o combate ao novo coronavírus não faz parte da rotina de uma parcela expressiva da população brasileira. Não seguem total ou parcialmente a orientação de fi-

car em casa 28% das pessoas entrevistadas pelo Datafolha, em pesquisa realizada entre os dias 1º e 3 de abril. O resultado mostra que 24% dos entrevistados dizem que estão tomando cuidado, mas seguem saindo de casa para trabalhar ou realizar outras

atividades. Outros 4% afirmam que não houve nenhuma mudança na rotina e que seguem vivendo como antes da crise. Os demais 72% dos entrevistados afirmaram estar seguindo as orientações de ficar em casa. (Fábio Zanini/Folhapress)

SÃO PAULO. “Ciência, ciên-

cia. Não vamos perder o foco. Ciência, disciplina, planejamento, foco”, disse, enfaticamente, Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, em entrevista coletiva na noite da última segunda-feira. Mandetta colocou no papel suas palavras e assinou, com sete cientistas, um relatório técnico no qual consolida sua posição em defesa do isolamento social contra a Covid-19, medida que o presidente Jair Bolsonaro contesta sem apresentar fundamentos científicos. “O isolamento social é a medida que precisa ser sugerida logo de início para que seja possível achatar a curva epidemiológica com o menor im-

pacto econômico possível”, diz o artigo, publicado ontem na “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical”. Caso o plano funcione e o isolamento seja efetivo, com as pessoas com acesso somente a serviços essenciais, o impacto econômico pode ser mitigado, dizem os autores. Mesmo defendendo o distanciamento social, o ministério já elabora um plano de transição para uma fase mais branda de isolamento destinado a Estados e municípios cuja quantidade de casos confirmados do coronavírus não tenha causado impacto severo no sistema de saúde. A mudança está programada para começar no dia 13 de abril.

Previsão. A previsão de déficit do setor público consolidado (que reúne as contas de governo federal, Estados, municípios e estatais) cresceu e agora se aproxima de R$ 500 bilhões em 2020. O rombo é causado principalmente pelas medidas para mitigar a crise causada pelo coronavírus. Aumento. Há pouco mais de uma semana, a previsão mencionada era de um déficit em torno de R$ 400 bilhões para o setor público. Medidas. Ao todo, o Ministério da Economia estima que as iniciativas anticrise já anunciadas causem um impacto de R$ 224,6 bilhões para as contas públicas, entre renúncia de receitas e criação de despesas.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 11

CORONAVÍRUS

PANDEMIA ROSINEI COUTINHO/STF - 12.3.2020

Juiz determina bloqueio de Fundos Eleitoral e Partidário Magistradoavaliou quecombateaoCovid exigesacrifícios de partidospolíticos ¬ BRASÍLIA. O juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal Cível de Brasília, determinou o bloqueio dos Fundos Eleitoral e Partidário, cujos valores não poderão ser depositados pelo Tesouro Nacional, à disposição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na mesma decisão, ele afirmou que o montante fica à disposição do governo Jair Bolsonaro para ser usado “em favor de campanhas para o combate à pandemia de coronavírus ou a amenizar suas consequências econômicas”. Segundo o magistrado, a “pandemia que assola toda a humanidade é grave, sendo descabidas, aqui, maiores considerações sobre aquilo que é público e notório” e “que tem afetado de forma avassaladora a vida do país”. A decisão do magistrado

foi em resposta a uma ação popular movida na Justiça Federal. No despacho, ele afirma que a pandemia do coronavírus “é grave” e exige “sacrifícios” de todo o país, incluindo nesse grupo os partidos políticos. “Além da pandemia, e por causa dela, a crise econômica não é mais uma perspectiva. É concreta, palpável. Milhões de trabalhadores informais, autônomos e vários outros, em todo o país, já passam por dificuldades de ordem alimentar, inclusive. O fechamento da maioria dos segmentos do comércio, nas maiores cidades brasileiras, tem gerado quebra e desemprego em massa. A economia preocupa tanto ou até mais

R$ 3 bilhões Valor. Para o Fundo Eleitoral, exclusivo em ano de eleição, foram reservados R$ 2 bilhões. Já para o Fundo Partidário, repasse anual feito às legendas, o valor estimado é de R$ 1 bi.

do que a própria epidemia”, escreveu Catta Preta. De acordo com o juiz, os “sacrifícios que se exigem de toda a Nação não podem ser poupados apenas alguns, justamente os mais poderosos, que controlam, inclusive, o orçamento da União”. “Nesse contexto a manutenção de Fundos Partidários e Eleitorais incólumes, à disposição de partidos políticos, ainda que no interesse da cidadania, se afigura contrária à moralidade pública, aos princípios da dignidade da pessoa humana, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e, ainda, ao propósito de construção de uma sociedade solidária”, escreveu o juiz. O fundo eleitoral, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi criado para cobrir gastos de R$ 2 bilhões com as eleições municipais. Além dele, o fundo partidário é uma verba repassada anualmente pela União para o funcionamento dos partidos políticos, estimado em R$ 1 bilhão neste ano. Cabe recurso contra a decisão.

Redução da jornada. Decisão do ministro Ricardo Lewandowski submeteu negociações aos sindicatos

União tenta derrubar decisão de Lewandowski ¬ BRASÍLIA. O governo federal

avalia alternativas para tentar reverter a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que submeteu aos sindicatos as negociações individuais de trabalhadores e empresas para reduzir jornada ou suspender contrato durante a crise do novo coronavírus.

Uma opção é enviar à Corte um pedido de suspensão de liminar, o que anteciparia uma decisão que hoje está prevista apenas para fim de abril no julgamento do plenário virtual. Esse tipo de processo vai automaticamente para apreciação do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Na prática, Toffoli teria o poder de, numa canetada, anular a decisão

de Lewandowski e auxiliar o governo. Por outro lado, a solução está sendo pensada com cautela porque uma medida desse tipo pode gerar intenso desgaste entre os ministros. O governo desenhou a iniciativa prevendo que as empresas podem negociar diretamente com trabalhadores redução de jornada e salário.

MARCOS CORREA - 1.4.2020

Após o “fico” de Mandetta

Certeza de Rodrigo Maia

Sem resposta. Um dia após o “fico” do ministro Mandetta, o presidente Bolsonaro evitou responder sobre a chance de assinar decreto liberando a abertura do comércio. A flexibilização no isolamento é ponto de atrito entre presidente e ministro. “Você sabe o que está acontecendo na política brasileira? Você sabe o que representa uma resposta para você aqui agora?”, respondeu a um apoiador.

Ministro popular. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse ontem que tinha certeza que o presidente Bolsonaro não iria demitir o ministro da Saúde. “Bolsonaro não vai demitir um ministro popular como ele. A decisão de manter Mandetta não foi política, Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso”, disse Maia.

Apoio da OAB

Segunda alta na Bolsa

Tribunal. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reagiu à ameaça de perda do cargo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e reforçou a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede que a Corte obrigue o presidente Jair Bolsonaro a seguir orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Recuperação. A Bolsa de Valores de SP acompanhou o bom humor do mercado internacional. Ontem, a B3 encerrou o pregão com alta de 3,08% aos 76.358,09 pontos. Já o dólar deu sinais de alívio e fechou em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,22. Com o resultado, o Ibovespa registrou sua segunda alta consecutiva. Presidente Bolsonaro foi pressionado por militares e parlamentares a manter ministro da Saúde no cargo


12 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Fiocruz põe cloroquina em xeque CARL DE SOUZA - 11.3.2020

Estudos não confirmam eficácia do medicamento no combate ao Covid-19 ¬ SÃO PAULO Os resultados

preliminares de um estudo feito com a cloroquina pela Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical mostraram que a letalidade no grupo de pacientes com o novo coronavírus testado, em estado grave, foi de 13%. De 81 doentes internados que tomaram o medicamento, 11 morreram. A taxa de mortalidade verificada em pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%, segundo estudos internacionais, inclusive da China. A proximidade dos dois índices não permite afirmar, por enquanto, que a cloroquina possa fazer diferença fundamental no tratamento dos doentes infectados pelo coronavírus. “Os otimistas podem achar que (a taxa com o uso da cloroquina) é menor. Os pessimistas podem achar que é igual. Estatisticamente, é igual, na margem de confiança”, diz o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz, que participa do estudo. A pesquisa deve seguir, portanto, até que os dados sejam conclusivos. “Tudo pode. Mas não podemos achar nada”, diz ele, reafirmando que é preciso esperar pelas conclusões científicas e seguras do estudo. Ele prevê que 440 pacientes, de diferentes hospitais do país, sejam testados – o levantamento pode durar de dois a três meses. O grupo de pesquisa é integrado também pela cardiologista Ludhmila Hajjar, do Incor de SP. A ideia inicial era que a metade dos doentes tomasse uma dose de 10 g de cloroquina, e o outro grupo, 5 g do medicamento. A dose maior, no entanto, se mostrou tóxica, provocando reações indesejadas, como arritmia e “outras complica-

ções graves”, diz Marcus Lacerda. As conclusões preliminares já foram enviadas para publicação numa revista científica justamente porque os testes mostraram que a dose maior de cloroquina pode causar danos. E conclusões sobre a segurança dos doentes precisam ser rapidamente conhecidas. “Quando comparamos os grupos de diferentes doses, vimos mais toxicidade na alta dose. Por isso suspendemos esse braço do estudo”, afirma. “Agora todos usarão apenas a baixa dose”, explica o pesquisador da Fiocruz. “Nosso estudo, até agora, apenas pode afirmar que a dose alta é muito tóxica”, conclui Marcus Lacerda. O uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus tem sido defendido ferrenhamente pelo presidente Jair Bolsonaro, que quer liberar o uso mesmo antes da conclusão segura de estudos feitos no Brasil e no mundo. Políticos aliados, ministros e os filhos do presidente aumentaram nos últimos dias as postagens em redes sociais defendendo o uso do medicamento no combate à Covid. O ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, tem se recusado a endossar o uso generalizado antes da palavra final dos cientistas.

Pesquisas. Especialistas da Fiocruz compararam testes feitos com pacientes que usaram medicamento e apontam resultado incerto

“Quando comparamos os grupos de diferentes doses, vimos mais toxicidade na alta dose. Nosso estudo, até agora, apenas pode afirmar que a dose alta é muito tóxica” Marcus Lacerda

INFECTOLOGISTA DA FIOCRUZ RECHERCHE-SOURIS - 10.2.2002

Testes feitos em camundongos mostram redução da carga viral e melhora nos pulmões dos animais

Pesquisa

Teste contra vírus em roedores avança SÃO PAULO. Um antiviral se mostrou promissor contra o Sars-CoV-2 em estudo in vitro e em camundongos. A droga produziu melhora da função pulmonar e diminuição das cargas virais nos animais observados, segundo estudo publicado nesta semana na revista Science Translational Medicine. Os pesquisadores, inicialmente, usaram a droga em células epiteliais pulmonares infectadas com Mers (um tipo de coronavírus). Notaram um potente efeito antiviral. Na mesma linha e com resultados também positivos, a droga foi testada em células dos rins de um macaco-verde africano infectadas pelo novo coronavírus. Depois foi a vez dos testes em células epiteliais pulmonares humanas contaminadas. Mais uma vez, a droga se mos-

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trou eficaz contra Sars-CoV-2 e outros coronavírus, como Mers, e não tóxica. Finalmente, o estudo chegou aos modelos animais, com duas abordagens diferentes. A primeira analisaria o potencial protetor, ou preventivo, do medicamento. A outra, de combate ao vírus após a infecção. Os cientistas administraram oralmente a droga em camundongos duas horas antes de os infectarem com uma variante do Sars-CoV. Depois continuaram a dar a droga aos animais a cada 12 horas. Os resultados apontaram, sob uma dosagem de 500 mg/kg, uma diminuição da carga viral e menor hemorragia nos pulmões, o que consequentemente indica uma robusta ação antiviral e de prevenção do vírus.

Tratamento experimental

Remédio contra piolho

Uso de remédio contra Aids

Mortes no Rio de Janeiro

Anticoagulante. A descoberta de que o agravamento de infecção pelo novo coronavírus pode estar relacionada à formação de micrococoágulos nos vasos sanguíneos fez médicos do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, iniciarem de forma experimental o uso de anticoagulante para o tratamento de pacientes internados com a doença. Em alguns casos, já foi observada melhora.

Contra Covid-19. Usado contra parasitas, a ivermectina poderá ser usado no combate à Covid-19. Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, mostrou que o medicamento é capaz de matar o vírus em 48 horas. “Descobrimos que uma dose consegue remover todo RNA. Em 24 horas há redução significativa”, conta Kylie Wagstaff, autora do estudo.

Eficiência. Um grupo de cientistas da Fiocruz publicou estudo sobre os efeitos do Atazanavir, já usado no tratamento de pacientes com HIV, e seus efeitos sobre o coronavírus. Segundo pesquisadores, Os resultados apresentados foram promissores: o remédio, em laboratório, teve performance melhor do que a cloroquina no combate ao Covid-19.

Balanço. Um mês após registrar seu primeiro caso do Covid-19, o Rio de Janeiro apresenta porcentual de mortos pela doença de não idosos o dobro de São Paulo, onde há o maior número de infectados e vítimas fatais em todo o país. No Rio, 31% dos mortos tinham menos de 60 anos, enquanto a proporção é de 14% entre paulistas. Foram registrados 1.461 casos confirmados da doença, com 71 mortes até segunda-feira.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 13

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Poucas cidades e muitas mortes KENA BETANCUR/GETTY IMAGES/AFP - 6.4.2020

Regiões de grande densidade populacional concentram óbitos

Debates

Ligas espanhola e alemã em retomada

¬ SÃO PAULO. Novo epicen-

tro do coronavírus no mundo, Nova York concentra 29% de todas as mortes pela doença nos EUA, apesar de possuir apenas 3% da população norte-americana. A grande concentração de vítimas em algumas poucas cidades ou regiões é uma característica presente em outros países, como Brasil, Itália e Espanha. São mais de 3.000 mortos entre os nova-iorquinos, que têm 70 mil contaminados – 859 para cada 100 mil habitantes. Estudos apontam que a densidade populacional é uma das explicações para a rápida propagação da doença nas cidades. Altamente contagioso, o vírus se dissemina facilmente no transporte coletivo, parques, shopping centers e espaços comuns, e o alto fluxo de turistas e viajantes pode ter contribuído para a sua difusão. Em todo o mundo, já são mais de 1,3 milhão de infectados, 27% deles nos Estados Unidos. Os europeus, porém, detêm o maior número de óbitos. A maior concentração está na Lombardia, região no Norte da Itália, que tem mais da metade dos mortos no país e qua-

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Gigante. Nova York é uma das cidades mais afetadas do mundo com a pandemia do coronavírus

PORTO ALEGRE E SÃO PAULO.

Javier Tebas, presidente da LaLiga (Campeonato Espanhol de futebol), considera o retorno da competição para o fim de maio ou início de junho. O mandatário descartou totalmente o cancelamento do torneio. “Estamos considerando voltar a jogar na Espanha, como em outros países. Em 29 de maio ou, alternativamente, em 6 ou 28 de junho. Se começarmos em maio a LaLiga, em julho retomamos a Liga dos Campeões. Se começarmos em junho, todas as competições serão disputadas juntas até

31 de julho”, disse ao jornal italiano “Gazzetta dello Sport”. Alemanha. O futebol alemão, suspenso desde o dia 11 de março, pode retomar suas atividades, no início de maio, com portões fechados para torcedores e com número reduzido de organizadores. Isso é o que aponta o jornal “Bild”, da Alemanha. De acordo com a publicação, a entrada nos estádios teria um limite de 239 profissionais: jogadores, árbitros, treinadores, médicos, emissoras de TV, jornalistas e quatro gandulas, entre outros. OSCAR DEL POZO / AFP - 1.3.2020

se o mesmo número de todos os EUA. Segunda em quantidade de mortos, a Espanha tem o foco da epidemia na região de Madri. Com 14% da população espanhola, contabiliza 39% das mortes. No Brasil, o epicentro é a capital paulista. A cidade tem 296 óbitos, cerca de 40% dos 667 brasileiros que perderam a vida para a Covid-19, mas que reúne 6% da população. Ao menos 113 municípios no Brasil já tiveram mortos pela doença, segun-

Uso de máscaras Recomendação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um aviso com recomendações sobre o uso de máscaras na prevenção contra o contágio pelo novo coronavírus. A recomendação é que as máscaras sejam usadas exclusivamente por profissionais da saúde, pessoas infectadas ou com sintomas que possam indicar infecção e pessoas que tenham contato com pacientes infectados ou em suspeita.

Um dia sem mortes Na China. A China esperava por isto há três meses. Ontem, pela primeira vez, o país não registrou nenhuma morte pela Covid-19, horas antes do fim do bloqueio da cidade de Wuhan, epicentro da doença. Para conter a disseminação, a China decretou, no final de janeiro, o confinamento drástico de mais de 50 milhões de pessoas em Wuhan, o berço da epidemia, e no restante da província de Hubei. A medida valeu a pena.

do balanço da plataforma colaborativa Brasil.IO com base em boletins das secretarias de Saúde. A Coreia do Sul, tida como modelo no controle da

Balanço Pelo mundo. Segundo levantamento da AFP, a pandemia do novo coronavírus já causou mais de 80 mil mortes no planeta, com mais de 1,3 milhão de infectados.

epidemia, tem 69% das mortes em Daegu, ao sul da capital Seul. Todo o país, porém, tem menos mortes que São Paulo. Embora o primeiro caso tenha sido confirmado na Coreia há 76 dias, foram contabilizados, até o momento, 186 mortos. Na capital paulista, o vírus chegou há 41 dias. A maior concentração acontece na China. A província de Hubei, onde o coronavírus surgiu, tem 96% dos óbitos do país e abriga 4% dos chineses.

Clássico espanhol entre Barcelona e Real Madrid aconteceu em março

Cenário

Premiê segue em UTI

OMS alerta que faltam 5,9 mi de enfermeiros em todo mundo SÃO PAULO. Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado ontem mostra que faltam 5,9 milhões de enfermeiros no mundo. As regiões mais afetadas são a África e o Sudeste Asiático. Diante desse cenário, a instituição destacou a necessidade urgente de se elevar o número de profissionais da saúde em todos os continentes, melhorar suas condições de trabalho e valorizálos. Os dados constam do relatório “Situação da Enfermagem no Mundo 2020”, produzido pela OMS. Segundo a entidade, mais de 3.000 enfermeiros

7

já foram infectados com o novo coronavírus. “Como os trabalhadores da saúde estão na linha de frente da luta contra a Covid-19, eles também estão entre os que mais correm risco de ser infectados”, diz a OMS. De acordo com a OMS, os enfermeiros representam mais da metade dos profissionais de saúde em atuação. Há 28 milhões desses profissionais, que ficam na linha de frente na luta contra pandemias e epidemias que ameaçam a saúde global. A OMS reforça que é preciso aprimorar a formação desses profissionais e também capacitá-los para

cargos de liderança. “Estamos pedindo aos países com escassez de enfermeiros que aumentem em 8% o número de enfermeiros formados a cada ano e que implementem medidas para melhorar o emprego e a retenção de enfermeiros no sistema de saúde”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. O relatório revela ainda que oito em cada dez enfermeiros estão em nações que representam metade da população mundial. Portanto, os outros 50% da humanidade têm apenas 20% de profissionais de enfermagem.

Sem alteração. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que passou a noite na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após o agravamento de seu estado de saúde, não tem pneumonia e respira sem ajuda de aparelhos, anunciou o governo ontem. “Ele está recebendo o tratamento padrão de oxigênio e respirando sem nenhuma outra ajuda. Não precisou de respirador mecânico”, afirmou um porta-voz do governo.

Emergência no Japão Pacote econômico. O gabinete do Japão aprovou ontem um pacote econômico de 108 trilhões de ienes (US$ 988 bilhões) para lidar com os efeitos adversos da pandemia de coronavírus. Como se esperava, o governo japonês também declarou estado de emergência por um mês em função da Covid-19. O pacote inclui gastos fiscais de 39,5 trilhões de ienes e repasses de 300 mil ienes a famílias que tenham sofrido forte perda de renda.


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Alerta. Doentes crônicos ou com condição preexistente não devem deixar de ir ao médico

Cuidados com saúde em meio à Covid-19 MATERDEI/DIVULGAÇÃO

Rede Mater Dei orienta quem deve manter rotina de exames e consultas ¬ Existem sintomas que não podem esperar uma avaliação médica. Preocupada com a gravidade dos casos não coronavírus (Covid-19) que estão chegando nos prontos-socorros devido à demora em se procurar atendimento médico, a Rede Mater Dei de Saúde faz um alerta de quando é necessário ir ao hospital. Se a pessoa for portadora de doenças crônicas ou outra condição preexistente, é importante que as consultas, exames e cirurgias agendadas sejam mantidas, pois, caso contrário, podem acontecer agravamentos e evolução para uma doença mais grave. Portanto, a Rede alerta que é importante ficar atento aos sinais do seu corpo. FLUXO SEPARADO. O presiden-

te da Rede, Henrique Salvador, destaca que há condições clínicas que não de-

Alguns casos de alerta Dor torácica de início súbito; Sensação de falta de ar iniciada subitamente; Manter o tratamento oncológico regular; Consulta oncológica de revisão e exames; Febre, cansaço, falta de ar e fraqueza extrema; Sangramento vaginal na gravidez;ultrassom; pré-natal;

Fluxo. A assistência aos pacientes com suspeita de Covid-19 nos hospitais da Rede Mater Dei é realizada em áreas separadas

vem ser ignoradas e a ida ao hospital se faz necessária. Para esses casos, as instituições têm que se adequar para garantir a segurança de todos: profissionais de saúde e pacientes, seja os que procuram o hospital com sintomas da Covid-19, quanto aqueles que buscam

atendimento em outras especialidades. “Foi o que fizemos nos Hospitais da Rede Mater Dei. A assistência aos pacientes com suspeita de Covid-19 é realizada em áreas separadas com fluxos específicos. São andares de internação exclusivos, alas

isoladas nos CTIs adulto e UTIs neonatal e Pediátricas com acesso restrito. Como os nossos prontos-socorros possuem uma ampla área física, criamos acessos separados, desde a entrada do paciente”, finaliza Henrique Salvador. Os clientes de outras es-

pecialidades também contam com entradas separadas seguindo o padrão de atendimento da Rede Mater Dei, com isso não é necessário ter medo de ir ao hospital. Por isso, converse com o seu médico e não adie o que pode ser um motivo sério de preocupação.

Dor lombar e ou cervical que irradia para os membros inferiores e superiores; Hemodiálises e retenção urinária; Sintomas típicos de AVC; Confusão mental de forma súbita; Ocorrência frequente de hipoglicemia


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 15


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A.PARTE

aparte@otempo.com.br

Eleições

Tesouro

Partido Novo vai para a disputa à Câmara de BH sem chapa completa A seis meses da eleição municipal, o Partido Novo, que trabalhava com a expectativa de ir para a disputa à Câmara Municipal de Belo Horizonte com a chapa de candidatos completa, composta por 62 postulantes, não deve atingir o número máximo. A expectativa da sigla é que sejam entre 45 e 55 os nomes que vão concorrer aos assentos no Legislativo municipal. A principal dificuldade diz respeito ao processo seletivo dos candidatos, que ainda está ocorrendo e deve ser finalizado em junho. “A restrição está em as pessoas serem aprovadas (ou não). É do próprio processo seletivo”, explicou Bernardo Santos, presiden-

te do diretório municipal da sigla na capital mineira. O dirigente descartou a hipótese de a dificuldade estar relacionada à falta de candidaturas femininas – que precisam ser 30% do total. “A gente tem praticamente a quantidade mínima de mulheres para a chapa completa. Com os números que temos, poderíamos ter mais 12 homens na chapa (para completar a proporcionalidade)”, disse. No fim do ano passado, a sigla fez um evento em Belo Horizonte e, na ocasião, a ausência de candidatas mulheres para completar o número mínimo exigido por lei foi pontuada. Embora o diretório da sigla na capital mineira não tenha problemas com isso, o presidente

do Novo em Minas Gerais, Ronnye Antunes, destacou que essa é uma questão que atinge as maiores cidades onde a sigla vai para a disputa, como Contagem e Juiz de Fora. “Precisamos esperar acabar o processo de seleção para vermos se o número de mulheres aprovadas no processo consegue suprir o número máximo de candidatos que podemos ter nas chapas”, pontuou. O dirigente do Novo em Belo Horizonte ponderou que o fato de essa ser a primeira eleição sem as coligações proporcionais também deve influenciar a quantidade de candidatos por chapa das demais legendas. “A média dos partidos era de 45 candidatos por chapa. Não sei se vai baixar ainda

ROSINEI COUTINHO/SCO/STF - 11.3.2020

mais”, disse Santos. Ele preferiu não comentar a quantidade de pré-candidatos que já foram aprovados no processo seletivo. Mesmo sem ir para a disputa com a chapa completa, a sigla não deve ser prejudicada nas eleições, avaliou o presidente municipal, que espera eleger até cinco vereadores na capital mineira. “É uma eleição bem diversa das outras. Não sabemos como será a distribuição de chapas. Considero que estamos muito estruturados, com muita gente preparada para fazermos o planejamento estratégico”, disse Santos, explicando que o foco será atingir o eleitorado que compartilha das bandeiras defendidas pelo Novo. (Sávio Gabriel)

Mansueto defende aumentar gastos com saúde e assistência O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou ontem que a pandemia do coronavírus impõe a necessidade de elevação de gastos com saúde e assistência aos trabalhadores e que, nesses esforços, o governo não deve “se preocupar com a economia fiscal”. Mas Mansueto advertiu que “não se pode cometer o erro de transformar esse aumento de gasto em despesa permanente”. O secretário também afirmou que outro desafio da cri-

se é proporcionar renda aos trabalhadores que, por causa da pandemia, precisam ficar isolados em casa sem trabalhar. Mansueto disse que a quarentena é necessária e que, diante disso, esses profissionais precisam contar com o Estado. “É preciso proteger e dar renda a pessoas vulneráveis. Pessoas que não estão podendo trabalhar, e não por culpa delas. Infelizmente, todos nós tivemos de ficar em casa”, afirmou. MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL - 5.3.2020

Balanço

Déficit previdenciário da Mansueto afirmou ainda que outro desafio é manter os empregos Prefeitura de BH aumentou 39% em 2019 Pacote A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) viu Congresso Nacional vai priorizar o déficit previdenciário do município dispa- projeto emergencial a Estados

¬ A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, instituiu um grupo de trabalho para avaliar as condições de realização das eleições municipais em outubro, diante da pandemia da Covid-19. O ato da ministra está alinhado a declarações de seu sucessor na presidência da Corte, Luís Roberto Barroso, que disse considerar prematuro o debate sobre cancelar a eleição, mas admitiu a possibilidade de um adiamento de outubro para, no máximo, dezembro. O ministro disse ser contrário a deixar a escolha de novos prefeitos e vereadores para 2022, mas ressaltou que a palavra final deve ser dada pelo Congresso, a quem caberia a aprovação de uma emenda à Constituição.

A portaria de criação do grupo leva em consideração “a diversidade de ações e de restrições aplicadas no âmbito das unidades da Federação, na esteira das orientações das autoridades sanitárias” e “a necessidade permanente de reavaliação das condições materiais da Justiça Eleitoral para realizar eleições no ano em curso”. O grupo será composto por um representante do gabinete da presidência do TSE, que exercerá a coordenação dos trabalhos; um representante da vice-presidência; um da Corregedoria Geral Eleitoral; um da Diretoria Geral; um da Secretaria de Tecnologia da Informação; e um da Assessoria de Gestão Eleitoral. Rosa receberá relatórios semanais sobre os trabalhos.

O governo e o Congresso articulam um projeto com medidas para aliviar o caixa dos Estados e dos municípios durante a pandemia do novo coronavírus. Com a proposta emergencial, o Plano Mansueto, conjunto de ações de médio a longo prazo para esses entes, só será votado na Câmara apenas após o controle da Covid-19. O novo projeto deverá prever, por exemplo, suspensão de dívidas, linhas de fi-

nanciamento para os Estados, novos limites de endividamento neste ano e adiamento do prazo para pagamento de precatórios. Para tentar destravar a proposta, governo e líderes partidários chegaram a articular a inclusão dessas medidas emergenciais no texto. Mas a ideia não foi suficiente para reduzir as críticas ao plano. Com isso, a ideia é votar a proposta emergencial primeiro.

João Amôedo Empresário e ex-candidato à Presidência pelo Novo BAND/DIVULGAÇÃO

TSE cria grupo para avaliar se há condições de realização das eleições

rar 39% em 2019 em relação ao ano anterior. Na prática, a gestão do prefeito Alexandre Kalil (PSD) precisou aportar R$ 639,6 milhões no Fundo Financeiro (Fufin) para garantir o pagamento dos benefícios de 19,2 mil servidores inativos e pensionistas. O aporte foi de quase R$ 180 milhões a mais que em 2018, quando a PBH precisou aplicar R$ 461,1 milhões para que as contas fechassem. Com isso, a atual gestão fechou 2019 com uma despesa de pessoal 7% maior em relação a 2018. “O déficit cresceu muito e vem aumentando a cada ano em virtude de ter havido, nos últimos anos, uma corrida para a aposentadoria”, explicou o subsecretário de Planejamento e Orçamento da PBH Bruno Passeli.

x

“A evolução, ainda lenta, do coronavírus no Brasil deve ser um estímulo para mantermos o isolamento, e não para sairmos dele. Nosso número de casos é subestimado, já que fazemos poucos testes. Foi feita, até o momento, a mesma quantidade de testes que a Alemanha faz por dia.”


O TEMPO BELO HORIZONTE | QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 17 TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838

7 Fake news I

Em meio à pandemia e as preocupações com fake news, um levantamento do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas aponta que uma em cada três propostas no Congresso para alterar o MarcoCivilda Internettem comofoco aresponsabilização de redes sociais por publicação de conteúdo falso.

7 Fake news II

A maioria dos projetos, segundo o estudo assinado pelos pesquisadores do Centro de Tecnologia e Sociedade , busca obrigar plataformas como Twitter, Facebook e Instagram a removerem postagens falsas ou enganosas antes mesmo de receberem notificação judicial, sob pena de multa.

Política |

ALMG. Proposta é reduzir benefício de R$ 27 mil em 30% e gerar economia de até R$ 642,6 mil por mês

Deputados aprovam redução temporária de verba indenizatória DANIEL PROTZNER / ALMG

Não há previsão de duração da medida, que deve valer só durante a pandemia ¬ SÁVIO GABRIEL ¬ Os deputados estaduais

de Minas devem economizar pelo menos R$ 615,6 mil por mês com a redução da verba indenizatória. Conforme antecipou O TEMPO na semana passada, os parlamentares estavam estudando uma forma de reduzir temporariamente o recurso a que têm direito. Um projeto de lei de autoria da Mesa Diretora, que abre margem para a redução temporária no valor, foi aprovado ontem, em sessão remota realizada na Assembleia Legislativa (ALMG). Os recursos serão destinados ao combate da pandemia do coronavírus no Estado. “A excepcionalidade do momento atual justifica a adoção de medidas de redução de despesas no intuito de atenuar as consequências socioeconômicas e financeiras da crise”, informou a Mesa da ALMG, na justificativa do projeto. Embora o texto apenas

autorize a discussão da possibilidade de redução temporária da verba indenizatória, sem estabelecer um percentual, a ideia é que o benefício seja cortado em 30% para todos os deputados. Com isso, o valor, que é de R$ 27 mil mensais atualmente, passará para R$ 18,9 mil – o que significa uma redução de R$ 8.100 por parlamentar. Atualmente, 76 dos 77 deputados fazem uso do benefício, que é previsto no regimento interno. Com isso, a economia mínima chegaria a R$ 615,6 mil. No entanto, o valor economizado por mês pode chegar a até R$ 642,6 mil, já que o presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV), que tem direito à verba, tem optado por não fazer uso do recurso desde o início da legislatura atual. Com isso, os R$ 27 mil a que ele teria direito, todos os meses, se somariam aos R$ 615,6 mil dos demais parlamentares. O projeto não estabelece por quantos meses a redução seria válida. Pelo regimento interno, cada um dos 77 deputados estaduais tem direito a verba indenizatória para locação de veículos, divulgação da

atividade parlamentar, consultorias, passagens e hospedagens, entre outros. Caso o valor não seja utilizado integralmente, ele é cumulativo, e os parlamentares podem fazer uso dos recursos nos meses subsequentes. No entanto, por deliberação da Mesa Diretora, as viagens dos parlamentares estão proibidas, e a maior parte dos gabinetes na ALMG está fechada, funcionando em esquema de home office. Boa parte dos recursos é utilizada pelos deputados justamente com o deslocamento até as bases eleitorais – por meio do aluguel de carros e do abastecimento dos veículos. Somente no primeiro semestre de 2019, conforme mostrou O TEMPO na época, os deputados gastaram, juntos, R$ 8,4 milhões com a verba indenizatória.

Pauta Pandemia. Deputados estaduais reconheceram o estado de calamidade nas cidades de Contagem, na região metropolitana, e Coronel Fabriciano, no Vale do Aço Fechado. Desde o início da pandemia, as sessões na Assembleia têm acontecido de forma remota

Minas Gerais. Plano diminui exigências para que Estados possam suspender pagamentos de débitos com a União

Projeto facilita entrada em regime de recuperação ¬ PEDRO AUGUSTO FIGUEIREDO ¬ A eventual aprovação do

Projeto de Lei Complementar (PLP) 149/2019, conhecido como Plano Mansueto, vai facilitar a adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O principal benefício do ingresso do Estado no plano é a suspensão por até seis anos do pagamento das dívidas com a União. Desde outubro de 2019 tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais o projeto do governador Romeu Zema (Novo) que pede autorização para solicitar ao governo federal a adesão ao Re-

gime de Recuperação Fiscal. Atualmente, Minas Gerais não cumpre um dos três requisitos necessários para ingressar no plano. A legislação exige que o Estado tenha gasto, no mínimo, 70% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) em despesa com pessoal, amortização da dívida e juros no exercício anterior ao ano de ingresso no programa. Porém, em relação a 2019, de acordo com dados do Portal da Transparência, Minas Gerais gastou 67,3% de sua RCL com essas três despesas, ficando abaixo do exigido para ingresso no regime.

Isso aconteceu porque, em outubro de 2019, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) retirou do cálculo da despesa com pessoal os valores gas-

Sem data Discordância. O Plano Mansueto estava ontem na pauta de votação da Câmara, mas, por causa da falta de consenso em alguns pontos, o projeto não foi votado. Ele segue sem data para ser apreciado.

tos com inativos e pensionistas. Na ocasião, o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Gustavo Barbosa, disse que seria possível conciliar a adesão ao RRF e atender o novo entendimento do TCE. Agora, o Plano Mansueto quer modificar e flexibilizar os critérios para adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. Se o projeto for aprovado da maneira que foi proposto, bastaria ao Estado ter uma dívida consolidada maior do que a sua receita corrente líquida, que é o caso de Minas Gerais, e atender um dos seguintes critérios: que a des-

pesa corrente seja superior a 95% da receita corrente líquida no exercício anterior; ou que a despesa com pessoal seja, no mínimo, 60% da receita corrente líquida. Minas Gerais cumpre o primeiro critério: a despesa corrente em 2019 foi de R$ 81 bilhões, enquanto a receita corrente líquida foi de R$ 64 bilhões, o que já seria suficiente para o Estado ingressar no RRF. O projeto também propõe alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal de modo a obrigar que os Estados computem os servidores ina-

tivos e também os terceirizados no cálculo da despesa com pessoal. Assim, o gasto de pessoal de Minas Gerais, que em 2019 foi de 54,1% da RCL, sem levar em conta os inativos, passaria para 67,5% da receita corrente líquida, conforme o cálculo da Secretaria do Tesouro Nacional. Em nota, o governo de Minas disse que é “favorável” ao PLP 149/2019. “As mudanças propostas vão permitir que Minas Gerais esteja habilitado para solicitar a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal”, disse no texto.


18 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020

Editorial

OPINIÃO

O.PINIAO

RENDA MÍNIMA O pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 a partir de quinta-feira é uma ousada e necessária ação do governo federal para combater os impactos da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus. Necessário, pois atende profissionais informais sem registro, microempreendedores individuais e outras pessoas fora da rede de apoio aos trabalhadores formais e aos extremamente vulneráveis financeiramente. Ousado por atender entre 15 milhões e 25 milhões de pessoas em ensaio pioneiro de renda mínima no Brasil. Antes mesmo do surgimento da Covid-19, o mundo já discutia a questão da renda mínima – um valor pago pelo governo a todos os cidadãos, independentemente da classe social, em caráter permanente, individual e em dinheiro. Seu objetivo seria garantir meios de subsistência básicos à população, melhorar sua condição de vida e combater a desigualdade. O Congresso brasileiro aprovou um projeto nesse sentido em 2004, mas ele não foi operacionalizado pelo Executivo, que investiu em outros tipos de projetos de assistência social. Recentemente, a Finlândia fez um teste com o pagamento de mais de US$ 600 a 2.000 desempregados. Com o advento da inteligência artificial e a ameaça aos empregos tradicionais, economistas como Joseph Stiglitz e Thomas Piketty e empresários como Bill Gates e Mark Zuckerberg encamparam a ideia, como uma forma de estabelecer uma base de estabilidade numa sociedade em transformação pela tecnologia. Neste momento da pandemia, a medida do Planalto injetará recursos e segurança, fundamentais para que trabalhadores possam enfrentar a fase crítica da crise. Contudo, sua continuidade após o recuo da pandemia dependerá de como essa realidade impactará a economia nacional em recuperação: se como despesa ou como investimento.

FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO

Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães

GERENTE COMERCIAL

EDITORES EXECUTIVOS

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Renata Nunes Cândido Henrique Silva Juvercy Júnior

GERENTE DE ASSINATURA

Fernanda Rodrigues GERENTE INDUSTRIAL

Guilherme Reis GERENTE DE CIRCULAÇÃO

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Duke

www.dukechargista.com.br

MARIZE SCHONS socióloga, professora dos cursos de relações internacionais e direito do Ibmec BH.

Os desafios de Joe Biden Idade, pautas identitárias e fragmentação do eleitorado

O

efeito coronavírus adiou um dos primeiros e mais importantes rituais da campanha dos Estados Unidos: a convenção nacional partidária que decide quem será o candidato oficial do partido à Presidência. Quanto aos republicanos, tudo indica que Trump vai concorrer à reeleição em novembro. Entretanto, quanto ao partido Democrata, as expectativas em relação às prévias são maiores. As campanhas dos dois principais pré-candidatos pelo partido democrata, Joe Biden e Bernie Sanders, se transformaram completamente por causa dos efeitos da Covid-19. A estratégia de Sanders tem sido defender assiduamente a sua proposta de saúde universal – tendo em vista que nos EUA o sistema de saúde é privado, e um dos efeitos do coronavírus, além de congelar as convenções, tem sido colocar a questão da saúde em evidência. Apesar disso, a principal bandeira de Sanders não conseguiu ofuscar o favoritismo de Joe Biden. O ex-vice-presidente de Obama tem mais de 300 delegados de vantagem em relação a Sanders, e as pesquisas indicam que, nos Estados que ainda não votaram, a vitória de Biden se repetirá. Trump, por sua vez, atingiu o nível mais alto de popularidade desde que chegou à Casa Branca, de acordo com a mais recente pesquisa do Gallup (tradicional empresa de pesquisa de opinião dos EUA) no mês de março. Entretanto, Biden tem feito seu papel como oposição e como provável adversário, e insiste em criticar duramente as ações de

Trump em relação ao coronavírus. Os pontos fortes de Biden consistem em seu perfil moderado e na possibilidade de ganhar apoio do setor econômico, que na última eleição votou em Trump. Por ser uma figura do establishment do partido, possui o apoio da elite partidária, bem como carrega também uma vantagem histórica: seis dos nove vice-presidentes que concorreram às prévias desde a Segunda Guerra venceram as primárias

Uma das principais críticas à candidatura de Biden é a necessidade de se buscar um candidato mais jovem, a fim de repetir o efeito Obama dos seus respectivos partidos. Porém, para Trump, talvez a vitória de Biden não seja o cenário mais vantajoso. Enquanto com Sanders Trump pode apostar em um discurso polarizado – já que neste cenário o adversário se trata da ala mais de extrema esquerda do partido Democrata –, com Biden isso não será possível por conta do seu perfil moderado e experiente. Isso não quer dizer que a candidatura do ex-vice-presidente também não apresente dificuldades. Uma das principais críticas à sua candidatura é a necessidade de se buscar um candidato mais jovem, a fim de repetir o efeito Obama, que ocorreu nas primeiras décadas dos anos 2000, e garantir uma vantagem so-

bre Trump, que tem 73 anos. A média de idade para a eleição de um presidente americano é 55 anos, e Biden tem 76 (um ano a menos que Sanders, com 77). Um dos desafios da campanha de Biden será lidar com o rígido código moral das pautas identitárias, um foco evidente para muitos eleitores democratas nas últimas décadas. Já vieram a público especulações sobre supostos assédios e declarações machistas de Biden no passado, dos quais ele já pediu desculpas. Quanto à pauta racial – apesar de essa ser uma das suas principais militâncias, por apresentar um longo histórico de defesa dos direitos civis e do combate ao racismo nos EUA como senador –, isso pode não ser o bastante para o eleitor militante, tendo em vista que Biden não é negro. Seu desafio será construir um discurso de campanha que consiga agradar a grupos com identidades tão fragmentadas sem que esses discursos identitários segmentem uma visão mais geral de país ou, ainda, descaracterizem a própria imagem do candidato, que indiscutivelmente se trata de um homem, branco e apoiado pelo establishment do partido. Esse não é apenas o desafio de Biden em 2020, mas tem sido o desafio dos próprios democratas desde a eleição de Donald Trump em 2016. Portanto, será possível que Biden formule um discurso abrangente que conquiste uma população mais ampla, ao mesmo tempo em que tenta corresponder às expectativas dos seus eleitores que aspiram por discursos tão específicos? Para descobrirmos, só aguardando os próximos capítulos.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 19

OPINIÃO

x entre

aspas

“É necessária uma intervenção para que os bancos liberem crédito.”

“Precisamos de uma resposta global contundente.”

Pablo Di Si

Robert Muggah

PRESIDENTE DA VW AMÉRICA LATINA

PRESIDENTE DO INSTITUO IGARAPÉ

Sobre falta de crédito para as montadoras

Ao defender parcerias no combate à Covid-19

Bernardo Silviano Brandão

A mola propulsora para a reativação da economia mineira

Secretário de Estado Adjunto de Cultura e Turismo de Minas Gerais

Cultura, turismo e a crise

M

uita cautela é necessária neste momento de crise. Entender os cenários e analisar as situações se torna exercício diário e indispensável. Com o avançar da COVID-19, a economia começa a arrefecer e o prognóstico, diante da necessidade do isolamento, é dos piores possíveis. Minas Gerais, Estado que vive hoje uma crise fiscal profunda, as saídas para a situação atual são cada vez mais complexas. Mas, em um momento tão crítico, no qual necessidades básicas são as que mais importam, onde ficam a cultura e o turismo? Parece até irresponsável, quando analisado

de forma rasa, enquanto muitas pessoas necessitam do sistema de saúde, falar a respeito de temas como estes. Contudo, ambos os setores têm um impacto imenso nas nossas vidas, e deixá-los de lado neste momento é que seria realmente irresponsável. Para se ter a noção da magnitude do problema, até quarta-feira (1º), 38 hotéis na região metropolitana de Belo Horizonte tiveram suas atividades suspensas, e mais de 3.000 funcionários haviam sido demitidos. Em todo o Estado, já é possível contabilizar mais de 4.000 demissões, e a previsão, infelizmente, é que esses números venham a crescer. Qual o im-

Valor de pesquisa, saúde e educação

pacto de mais de 4.000 famílias sem emprego e sem sua remuneração, mesmo que parcialmente? Além dos hotéis, há enorme repercussão em bares, restaurantes, centros de convenções, museus e demais empreendimentos que compõem a cadeia turística mineira. O mercado do turismo em Minas Gerais é de alta relevância no espectro econômico. Segundo o Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2018 foram mais de 27,4 milhões e turistas e uma receita de R$ 18,2 bilhões. No campo cultural, o impacto e as perdas são incalculáveis. Além de museus, casas de espetáculo, teatros e de-

Arnaldo Godoy Vereador em Belo Horizonte (PT)

mais empreendimentos cujos prejuízos é possível mensurar, existe a perda individual dos artistas autônomos e informais – estas, sim, incomensuráveis. A arte está constantemente presente através da música, do cinema e várias outras manifestações as quais temos acesso diariamente. Estes conteúdos não são apenas produzidos por grandes empresas, mas também por diversos artistas autônomos. É o caso de circenses, cantores e cantoras, atrizes e atores, além de tantos outros dependem da cultura para sobreviver e manter suas famílias. Entender a produção cultural como desenvolvimento econômico é imperati-

Informação para os médicos

vo, já que é um mercado que gera empregos, produz renda e faz a economia girar por possuir uma magnitude e presença no consumo diário da sociedade. Cultura e turismo podem ser entendidos como setores secundários e até mesmo como mercados invisíveis para muitos. Contudo, ambos são motores sólidos e pujantes da economia mineira. Cultura e turismo, quando combinados, principalmente em Minas Gerais, podem ser a mola propulsora para a saída de qualquer crise, inclusive a atual. Cultura e turismo são a essência deste Estado.

Maria Inês M. Lima Presidente da Associação Médica de Minas Gerais

Hora de refletir e agir

Momento de unir esforços

pandemia do coronavírus criou um pandemônio mundial. Até que se passe esta crise sem precedentes, somos obrigados a rever e adaptar hábitos cotidianos em benefício da nossa sobrevivência e da de todos. Para alguns, a tecnologia facilitou o trabalho em isolamento social, mas muitos têm que continuar na linha de frente, principalmente os que trabalham com transportes, alimentação, saúde, segurança etc. Esses são nossos heróis. Da mesma forma, a política e a Justiça não podem parar. São mecanismos essenciais para garantir a sobrevivência de grande parte da sociedade, pois apontam caminhos e possuem poder de decisão. Neste aspecto, o prefeito de BH primou por decisões antecipadas, baseado nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sei que o momento é difícil, mas é preciso ousar mais. É preciso cuidar também da sobrevivência dos terceirizados do ser-

stamos vivendo uma crise sem precedentes na saúde pública mundial, chegando a mais de 400 mil casos e 19 mil mortes no mundo. Espera-se que muitos casos e óbitos vão acontecer nos próximos meses. A pandemia da Covid-19 chegou ao Brasil em 26.2 e, em 7.4, chegamos a mais de 12 mil casos confirmados e 589 mortes. Estudo publicado pelo Imperial College da Inglaterra em 16.3 mostra duas estratégias fundamentais para impedir o aumento progressivo dos casos: a mitigação ou o isolamento vertical (isolar casos suspeitos, familiares e pessoas de risco em nível domiciliar) e a supressão ou o isolamento horizontal (mais rigoroso, com fechamento de escolas, comércio e universidades). Achar soluções para contemplar a epidemiologia e a sociologia não é fácil. A discussão do benefício social e econômico adotando-se o

A

viço público. Gente imprescindível como os educadores da Escola Integrada, por exemplo, que precisam continuar a receber vales-alimentação, essenciais para a sua sobrevivência. É preciso colocar a vida das pessoas acima da legislação, pois vivemos tempos extraordinários. No que se refere ao Legislativo, podem contar com meu apoio. Já enviei uma proposta para que a Mesa Diretora da Câmara Municipal, em vez que acumular recursos economizados e devolvê-los ao fim do exercício anual (foram R$ 56,7 milhões estornados no início de 2020), o faça mensalmente e direcionado para o setor da saúde (aquisição de respiradores mecânicos e outros insumos para o combate da epidemia) e da assistência social. É fundamental que o Estado exerça seu papel de indutor de políticas públicas. Por isso, considerei como casuísta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) protocolada nesta semana no Congresso para transferir as eleições munici-

pais para 2022 e estender a duração de mandatos. Se as medidas de quarentena e restrição durarem até setembro, o adiamento é inevitável. Mas não é matéria para ser discutida antes que as coisas voltem ao seu lugar. Este é o momento de atender as determinações da OMS, de enfrentarmos os egoístas e os ignorantes e de refletirmos sobre a solidariedade e sobre o que cada um deve fazer pelos outros. Se existe um legado a ser deixado pela pandemia é que andávamos alheios sobre a importância de investimentos na pesquisa, na saúde e na educação, em nossa população idosa e na importância da vida se sobrepondo ao lucro e à economia. Tenho certeza de que esta crise passará, como tantas outras que ocorreram em nossa história. Mas precisamos retomar o projeto de uma sociedade mais humana, fraterna e que inclua de fato todos e todas. “De cada um, segundo suas capacidades; a cada qual, conforme suas necessidades”.

E

isolamento vertical parece interessante, porém sua efetividade no Brasil é difícil de ser alcançada, visto que o isolamento total do grupo de risco é difícil de ser implementado pelas condições socioeconômicas brasileiras. Seguir orientação do Ministério da Saúde e das evidências científicas – ou seja, “ficar em casa” – parece ser a decisão mais acertada. A Associação Médica de Minas Gerais enaltece a atuação dos médicos, que, neste momento difícil, empenham todos os esforços para ajudar a população e os órgãos públicos a dar a melhor assistência aos que padecem da Covid-19 e suas complicações. As entidades médicas mineiras trabalham para que governadores e autoridades sanitárias garantam aos médicos e profissionais de saúde a segurança necessária para que possam desempenhar com segurança o seu trabalho, com a oferta de Equi-

pamentos de Proteção Individual (EPIs), leitos hospitalares, unidades de terapia intensiva e respiradores em número suficiente para atender a demanda. Os números impressionam e nos preocupam. Precisamos estar unidos, produzindo informações oficiais e evitando as fake news. É fundamental capacitar nossos profissionais de saúde, equipar nossos hospitais e instituir medidas de segurança. Estamos atentos, monitorando, cobrando junto aos órgãos públicos medidas que possam conter essa pandemia. Por meio do site da AMMG, www.ammg.org.br, acompanhe diariamente as novidades. Criamos um canal de atendimento aos médicos, e as sociedades de especialidades responderão às dúvidas e aos questionamentos. Entendemos que, agora, nossa melhor arma é a informação.

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Atlético. Diretor executivo do alvinegro, Alexandre Mattos explicou a situação em entrevista à rádio SUPER 91,7 FM

SUPER.FC

Sampaoli quer avaliar Cazares no dia a dia BRUNO CANTINI/AGÊNCIA GALO - 17.3.2020

NI, PEDRO ABÍLIO E ROBERTO ABRAS

¬ O mundo do futebol está parado por causa da pandemia do novo coronavírus. No meio de tantas indefinições quanto ao calendário e as situações econômicas, os clubes também se preocupam com as negociações. O mercado, porém, obviamente também sofre as consequências da pandemia da covid-19 e no Atlético não é diferente. O Galo trabalha nos bastidores para resolver algumas situações, mas tudo está “travado”, segundo o diretor executivo alvinegro, Alexandre Mattos. Em entrevista ontem ao programa Super.FC 2ª edição, da rádio SUPER 91,7 FM, Mattos comentou algumas situações do Atlético, como o caso do meia Juan Cazares. O equatoriano tem contrato até o fim do ano, mas ainda está indefinido se vai ocorrer uma renovação ou venda do jogador. Outra situação é a do meia Nathan, que tem vínculo apenas até o meio desta temporada, quando seu empréstimo junto ao Chelsea-ING se encerra. “É claro que a gente vem conversando com os representantes dele (Cazares),

Duke

mas com a parada agora a situação está estagnada. O Sampaoli conhece o Cazares, sabe da qualidade técnica e da questão dele, mas queria o dia a dia com o Cazares para ver como ele é realmente e desmistificar algumas coisas”, disse o dirigente. “O Nathan é um jogador que nos interessa muito e vamos fazer o possível para manter. O problema é que não é uma negociação simples. O Chelsea tem interesse em uma venda definitiva e existem outros clubes inte-

Nas alturas Feito. O Atlético ficou em quarto lugar entre os clubes da América Latina no número de interações no Twitter no mês de março, período que coincide com avanço da pandemia de coronavírus em todo o mundo e também com o aniversário do clube. Segundo levantamento da Deportes & Finanzas, o perfil atleticano recebeu a interação de 1 milhão e 80 mil seguidores. Em fevereiro, o Galo foi o nono, com 751 mil interações. O ranking é liderado pelo Flamengo (6,3 milhões), seguido por River Plate (1,73 milhão) e Boca Juniors (1,34 milhão).

ressados. O Nathan está em alta no mercado. O nosso interesse no momento é uma prorrogação, mas é difícil. Vamos esperar clarear essa situação porque está tudo parado por causa do vírus”, explicou o dirigente. CHEGADAS E SAÍDAS. Além das

tentativas de renovações, Mattos também falou sobre contratações e vendas de jogadores nesse período, e manteve o discurso da dificuldade de definições durante a pandemia. Segundo o dirigente, “as coisas caminham, mas não se definem”. Vale destacar também a questão financeira, que impacta neste momento. O Atlético fez uma redução de 25% dos salários dos jogadores durante a crise e ainda enfrenta, como todos os outros clubes, o impacto da pandemia perdendo receitas importantes. “Saída de jogador, principalmente nesse momento delicado, é complicado. Temos que ter respeito com os atletas. Algumas mudanças irão acontecer. Não vou especificar nomes, mas alguns jogadores irão sair sim, é natural, como foi com o Patric. Contratações nesse momento estão muito difíceis.

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Jogador tem contrato até o fim do ano, mas renovação ainda está indefinida pela diretoria alvinegra

Multiuso

Estádio do Galo vai facilitar e baratear custos para realização de grandes shows ARENA MRV/DIVULGAÇÃO

¬ THIAGO NOGUEIRA ¬ A Arena MRV foi concebi-

da para ser a casa de jogos do Galo. Essa é a prioridade. Mas, mais do que isso, ela se propõe a ser a principal opção de Belo Horizonte para a realização de grandes shows e diferentes tipos de eventos. Seu projeto arquitetônico dá alternativas para baratear os custos e garante mais agilidade na montagem e desmontagem de equipamentos. Na prática, o produtor conseguirá entrar com sua carreta dentro do gramado, otimizando o processo. O projeto prevê quatro túneis laterais de 10 m de altura e outros dois auxiliares de 5 m que facilitam a circulação de grandes veículos.

Intenção é se firmar como principal opção de shows de BH

Além disso, há uma via interna, que circunda o gramado, de 6 m de largura, o que possibilita o trânsito em volta do campo. O projeto também deixará estrutura de camarins, bares e banheiros já prontos, no

nível da pista, sem a necessidade de contratação de equipamentos temporários, como tendas e banheiros químicos. Os geradores também ficarão próximos do campo, o que diminui gastos de cabeamento.

Falsificação de documentos Ronaldinho paga fiança milionária e vai para prisão domiciliar no Paraguai Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis vão seguir presos no Paraguai, mas agora em prisão domiciliar. Após pouco mais de um mês da detenção do astro em Assunção, o juiz Gustavo Amarilla decidiu mudar o regime de reclusão do craque, que agora ficará em um hotel. Ronaldinho pagou fiança de US$ 1,6 milhão (aproximadamente R$ 8,35 milhões).

RAMON BITENCOURT - 22.5.2019

¬ GABRIEL PAZI-


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020 | 23

ESPORTES

Cruzeiro. Em entrevista à rádio SUPER 91,7 FM, dirigente disse que trabalha sem pensar no pleito de 21 de maio

Drubscky evita falar em permanência GUSTAVO ALEIXO/CRUZEIRO - 18.3.2020

¬ LOHANNA LIMA ¬ Com a saída

do conselho gestor oficializada para o dia 31 de maio e eleições para escolher o novo presidente marcadas para o dia 21 de maio, o Cruzeiro viverá um novo momento político, que pode acarretar em muitas mudanças na condução de diversas áreas do clube. Promovido a diretor de futebol do clube há menos de um mês, Ricardo Drubscky, em entrevista ao programa Super.FC 1ª Edição, da rádio SUPER 91,7 FM, ressaltou o trabalho que vem se desenvolvendo sob sua gestão e evitou falar do futuro político do clube e se as eleições podem afetar ou não a sua permanência no cargo. “Sinceramente, eu estou muito envolvido no traba-

lho. Estou, junto de toda a equipe técnica do Cruzeiro, tratando todas as necessidades que o momento do Cruzeiro requer. Essa questão política é algo que foge da nossa alçada. Torço muito para que o Cruzeiro continue crescendo, continue se reestruturando, resgatando o seu poder a sua força, que sempre foram imensas, independentemente das mudanças políticas”, disse o dirigente. “As palavras que eu tenho recebido no dia a dia são de que as coisas vão continuar sendo bem elaboradas, os trâmites que estão sendo tratados tendem a continuar. Agora, eu estou no futebol há 40 anos então eu estou bem afeito a todas essas intempéries do futebol. Então, a minha ideia é fazer o melhor possível e me dedicar o máximo, como tenho

feito desde o primeiro dia, e cuidar de todas as minhas obrigações. O que virá para o futuro, eu deixo que Deus tome conta disso”, completou Drubscky. Nesta semana, o conselho gestor do Cruzeiro retirou a candidatura de Emílio Brandi à presidência do clube. As eleições do dia 21 de maio vão nomear o presidente que assumirá o cargo até dia 31 de dezembro, sendo que em outubro haverá um novo pleito, que definirá o mandatário para o triênio 2021-2023. A saída de Emílio Brandi da disputa se deve ao fato de o conselho gestor não concordar com duas eleições no mesmo ano, considerando que é uma situação prejudicial ao clube. Sérgio Santos Rodrigues é candidato único à presidência. DODÔ. Após acionar o Cruzeiro na Justiça do Trabalho, o lateral-esquerdo Dodô pode estar próximo de resolver sua situação com o clube celeste. A diretoria do Cruzeiro vem mantendo tratativas com o empresário do jogador que, no mês passado, buscou na justiça uma resolução para o contrato firmado com a gestão anterior. “A volta do Dodô é de interesse do Cruzeiro, da diretoria e da comissão técnica. Estamos em tratativas, conversando. Ele é jogador do Cruzeiro, mas algumas coisas no início do ano perturbaram a permanência dele”, explicou Drubscky.

Diretor de futebol do Cruzeiro, Ricardo Drubscky disse que a questão política foge de sua alçada

Autocrítica

Everton Felipe reconhece falhas e espera nova chance no time celeste BRUNO HADDAD/CRUZEIRO - 9.2.2020

¬ JOSIAS PEREIRA ¬ Um dos dez reforços con-

tratados pelo Cruzeiro no início do trabalho do ex-técnico Adilson Batista na temporada 2020, o meia Everton Felipe alternou boas e más atuações, recebendo muitas críticas. Apesar de algumas partidas promissoras, o jogador reconheceu, em entrevista ao SUPER.FC, que está devendo e foi bastante rigoroso, dando também razão à cobrança dos torcedores. “Eu sou um cara muito crítico, às vezes exagero comigo mesmo. Fiz dois, três jogos no Cruzeiro muito bons, mas o resto acabei ficando abaixo. Em um ou dois jogos eu fui horrivelmente mal. Sou até grosso na palavra comigo, mas sou bem direto”, disse.

Jogador chegou com Adilson Batista e foi bastante irregular

O jogador nunca trabalhou com Enderson Moreira e espera uma chance para tentar se redimir. “O Enderson ainda não me procurou ou falou com o grupo porque já tínhamos sido liberados. Não tivemos a oportunidade

de ter uma conversa com ele, mas assim que voltarmos, ele irá conversar, e todo o grupo irá abraçar o projeto dele. Estou à disposição para tudo que ele precisar e chegar ao fim do ano muito feliz com o acesso à Série A”, garantiu.

Pelo país Léo Passos preparado para brigar por vaga no América

Ministério Público cobra R$ 39 milhões do Timão

O atacante Léo Passos, 21, autor do gol da vitória do América sobre o Patrocinense, está ansioso para o recomeço das competições para tentar cavar sua vaga no time. O jogador se vê preparado para brigar por um espaço entre os 11 titulares do técnico Lisca Doido.

O Corinthians pode ter de pagar R$ 39,7 mi de multa pela falta de contrapartidas para a cidade de São Paulo na cessão do terreno em que está localizada a Arena Corinthians, em Itaquera. O valor inicial era de R$ 8 milhões, mas teve o salto por causa de juros e correções.


Cruzeiro. Ricardo Drubscky evita falar em permanência no cargo após eleição no clube. Página 23

SUPER.FC

Página 22 CRISTIANE MATTOS - 12.5.2019

VVVV otempo.com.br

O TEMPO BELO HORIZONTE QUARTA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2020

Editor: Frederico Jota - frederico.jota@otempo.com.br e-mail: superfc@otempo.com.br twitter: @supernoticiafm Atendimento ao assinante: (31) 2101-3838

Gigante

PEDRO MATTOS / AGENCIA I7

TEL: (31) 2101-3921

Cazares será observado de perto por Sampaoli.

adormecido

¬ THIAGO NOGUEIRA ¬ O Mineirão assumiu a condição de

do novo coronavírus trará enorme prejuízos ao Gigante, com reflexos em toda a cadeia do seguimento. “O Mineirão deve retroceder cerca de quatro anos, em termos de faturamento comercial. O estádio cresceu 25% ano a ano, vamos voltar à

principal casa de entretenimento de Belo Horizonte, além de palco de grandes jogos. Só em 2019 foram 261 atrações e mais de 40 partidas. Assim como toda a economia, a pandemia

2 6/4

LOTERIA

2 7/4

2 31/3

Lotomania

Dupla Sena

concurso 2.069

1º sorteio

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2º sorteio

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ÍNDICE

u Caderno A

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concurso 2.063

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Coronavírus Aparte

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Lotofácil

2 a 13 16

concurso 1.950

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metade do que a gente é hoje”, ressalta o diretor comercial da Minas Arena, Samuel Lloyd. A administradora do estádio calcula que a pandemia cause um impacto direto em 50 eventos no Mineirão nos próximos meses, fora as partidas

20

Política Opinião

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25

17 18 e 19

2 4/4

Federal

concurso 5.477

1º prêmio 2º prêmio 3º prêmio 4º prêmio 5º prêmio

50.411 64.624 92.652 44.129 78.488

Super FC

de futebol. Esses eventos somariam um público aproximado de 1 milhão de pessoas. Só de festivais, o Gigante tinha 20 anotados na agenda. Antes da pandemia, a Minas Arena tinha engatilhado contratos de fidelidade com Atlético e Cruzeiro.

u Caderno

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Mega Sena 04

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concurso 2.249 31

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asdasd

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2 7/4 Quina 05

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O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio.

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Atendimento ao assinante Capital e Grande BH 2101-3838 Interior 0800-703-4001

* Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.


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