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O Tempo

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Semiaberto

R$ 2,00 (outros Estados R$ 3,00) - www.otempo.com.br - Belo Horizonte - Ano 24 - Número 8510 - Quinta-feira, 2/4/2020

Bruno vai jogar em time da Segunda Divisão do Rio. SUPER.FC. Página 23

UARLEN VALÉRIO

CORONAVÍRUS > PANDEMIA Déficit

Estado terá que reduzir 49% das despesas do Executivo ¬ Decreto do governador Ro-

meu Zema proíbe consultorias, investimentos e contratos de imóveis, entre outros, além de limitar gastos com viagens e com a frota do Estado. Página 2

R$ 20 bi é a nova previsão de déficit para 2020: R$ 13,3 bi, que já eram certos, mais as perdas na arrecadação de ICMS decorrentes da pandemia

Sem viagens. Fluxo de passageiros em Confins cai de 30 mil por dia para cerca de 4.000; parte do terminal 2 foi fechada. Página 4

Pacote de R$ 200 bi permite corte de salários em até 70% Além de remuneração e jornada menores, medida admite suspensão de contratos por até dois meses os gastos que terá para tentar manter empregos e financiar ações de saúde durante a pandemia. O pacote, de cerca de R$ 200 bilhões, inclui R$ 51 bilhões

para complementação salarial de parte dos trabalhadores que tiverem redução de salários e jornada – alternativa permitida por uma das três medidas provisórias que estabelecem esse socorro governa-

mental. Outros R$ 98 bilhões são o custo do auxílio emergencial de R$ 600 para autônomos ou informais – sancionado ontem pelo presidente, mas ainda sem data para chegar à população. As medidas

também contemplam R$ 40 bilhões do Tesouro Nacional e de bancos privados para financiamento da folha de pagamento e R$ 16 bilhões para Estados e municípios no reforço à saúde. Páginas 7 e 8

Alunos em casa

ALEX DE JESUS

¬ O governo federal detalhou

Pesquisa alemã

Escolas estão liberadas para ter menos de 200 dias letivos ¬ Medida provisória flexibili-

PESSOA COM SINTOMAS LEVES LIBERA GRANDE QUANTIDADE DE VÍRUS. Página 10

za exigência para ensinos básico e superior, considerando atividades não presenciais para compor 800 horas. Página 9

Entrevista

Categorias

PRESIDENTE DA FCA ESPERA RECUPERAÇÃO DA DEMANDA EM 2021.

MOTORISTAS DE TÁXI E APLICATIVOS TERÃO DIREITO AOS R$ 600.

Página 11

Página 8

Betim

Mais 60 dias

PREFEITURA FABRICA MÁSCARAS PARA A REDE DO SUS NA CIDADE.

NOVO PRAZO PARA DECLARAR IMPOSTO DE RENDA É 30 DE JUNHO.

Página 5

Abastecimento de alimentos na CeasaMinas, em Contagem, está normal, sem risco de falta de mercadorias nos próximos dias

Página 7

CRISTIANE MATTOS – 30.1.2020

Pode cair. Reajuste da segurança ainda depende do impacto da pandemia. Página 15


2 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020

Coronavírus

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Cobertura especial

Por causa do avanço da doença causada pelo novo coronavírus, O TEMPO criou uma editoria especial para tratar do assunto. Acompanhe também a cobertura no portal O Tempo e na rádio Super 91,7 FM.

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PANDEMIA

Com déficit de R$ 20 bi, Estado pretende cortar 49% dos gastos REPRODUÇÃO/REDE MINAS

Prejuízo inclui queda de arrecadação e déficit já previsto no Orçamento

4,3 bilhões até dezembro deste ano, mas o valor ainda é inferior à queda prevista na arrecadação”, explicou o secretário.

¬ DANI FRANCO ¬ O governador de Minas

ICMS. O secretário de Fazen-

Gerais, Romeu Zema (Novo), determinou ontem um contingenciamento na ordem de 49% nas despesas do poder Executivo. Gastos relacionados à Secretaria de Estado de Saúde estão fora da regra. Conforme explicou o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Otto Levy, em entrevista coletiva ontem, o decreto prevê a vedação de contratações de consultorias que não sejam contra a pandemia do novo coronavírus, investimentos, novos contratos e contratos de imóveis, reduções nos contratos já existentes, redução de despesas de utilidade pública, limitação das despesas de viagem e de frota, dentre outras. “A expectativa é que esse contingenciamento resulte em uma redução de R$

da, Gustavo Barbosa, reforçou, na mesma entrevista, que o Estado pode deixar de arrecadar cerca de R$ 7,5 bilhões em impostos com a retração da atividade econômica. “Esse valor é somado ao déficit que era previsto na Lei Orçamentária Anual para 2020, de R$ 13,3 bilhões, o que significa que o déficit agora poderia chegar a R$ 20 bilhões”, detalhou.

Coronavírus

314

é o total de casos confirmados em Minas Gerais

34.018

é o número de casos suspeitos da doença em investigação

Terceira morte é confirmada ¬

O Estado confirmou ontem a terceira morte pelo novo coronavírus. O paciente, de 44 anos, não pertencia a nenhum grupo de risco e faleceu no hospital, em Belo Horizonte. Ele, porém, era morador de Mariana, na região Central, que apura se esse foi o primeiro caso de transmissão comunitária na cidade, que tinha outros dois casos confirmados da doença, am-

bos importados. O prefeito, Duarte Júnior, reforçou a preocupação durante uma entrevista à rádio Super 91,7. “Não conseguimos identificar como o paciente foi contaminado. Os outros dois casos confirmados aqui em Mariana, nós já sabíamos que eram importados. É necessário agora que todas as pessoas que tinham contato com ele permaneçam isoladas”, pontuou. (Lara Alves)

Gastos. O secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Otto Levy, explicou onde serão feitos os cortes até chegar ao percentual de 49%

Estado pode remanejar R$ 260 mi ¬ Os deputados estaduais aprovaram ontem projeto de lei enviado pelo governo estadual que autoriza o remanejamento de R$ 260 milhões para entidades que atuam no combate ao vírus. Os recursos serão remanejados dentro do Orçamento de cada um dos órgãos, não se tratando, portanto, de novos investimentos. Serão beneficiadas entidades como a Polícia Militar e a Fundação Ezequiel Dias. No mesmo texto, os deputados redirecionaram R$ 300 milhões de emendas impositivas à pandemia. “Esperamos atender de 500 a 600 cidades”, disse o presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV). (SG)

Pico deve ser entre o fim do mês e início de maio ¬ Antes previsto para 7 de

abril, o pico da pandemia em Minas deve acontecer entre o fim deste mês e o início de maio. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, a primeira previsão é anterior às medidas de isolamento social do governo.

“Fizemos uma análise com a UFMG para verificar qual seria a expectativa caso a curva de contaminação se comportasse como na China e na Itália. Quando identificamos a elevação da curva, iniciamos as medidas de isolamento e isso gerou um retardamento no avanço da doença”, explicou.

Amaral comemorou a notícia, ressaltando que o atraso do pico garante tempo para prepararem o sistema de saúde. “Hoje temos 300 leitos de enfermaria e 50 de UTI funcionantes, e agora estamos lançando um edital para contratar mais 2000 leitos”, afirmou. (DL)

Auxílio

Assembleia aprova pacote de medidas contra coronavírus A Assembleia Legislativa de Minas aprovou ontem um pacote de medidas que podem ser adotadas pelo Estado em virtude da pandemia do coronavírus. O Parlamento mineiro autorizou o Palácio Tiradentes, por exemplo, a avaliar o adiamento do pagamento de multas e tributos e a limitar, caso seja necessário, a quantidade de produtos de higiene e alimentícios que os consumidores podem adquirir. O pacote de medidas foi assinado pelos 77 deputados e foi uma forma que a Casa encontrou de condensar todos os projetos que ha-

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viam sido apresentados nos últimos dias. O Legislativo também autorizou o governador a suspender o prazo de validade dos concursos públicos enquanto o estado de calamidade pública em função da pandemia perdurar no Estado. Os deputados autorizaram ainda o governo a assegurar aos consumidores o ressarcimento de valores em caso de cancelamento de pacotes turísticos, passagens aéreas, terrestres e hotéis. O Palácio Tiradentes também pode contratar, sem licitação, bens, serviços e insumos de saúde destina-

dos ao enfrentamento com a pandemia. O Estado será obrigado a disponibilizar as informações sobre as contratações na internet. RENDA MÍNIMA. Os deputa-

dos também autorizaram o governo estadual a conceder uma renda mínima emergencial para pessoas em situação de vulnerabilidade social. A medida segue a mesma linha do projeto já aprovado em âmbito nacional pelo Congresso, que prevê uma renda de R$ 600 para trabalhadores informais. (Sávio Gabriel)

Mineiro morre em Londres

Morte suspeita de bebê

Brasileiro. O mineiro Gessui Araújo, 69, morreu em Londres na terça-feira, vítima do coronavírus. Ele vivia na cidade desde 2003 e trabalhava com carpintaria. Nas horas vagas, Araújo era chef da cozinha de uma igreja evangélica. Ele chegou a preparar uma refeição para cerca de 50 pessoas após um culto, em 7 de março. “Foi uma belíssima massa”, lembra o pastor Marcos Queiroz.

Montes Claros. Uma criança de 1 ano e 11 meses morreu com suspeita de Covid-19, após permanecer uma semana internada, em Montes Claros, no Norte de Minas. Com histórico de distrofia muscular, a criança recebeu o primeiro atendimento médico em Bocaiuva, cidade onde morava, após apresentar síndrome respiratória grave e sintomas de amigdalite.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020 | 3

CORONAVÍRUS

PANDEMIA LEONARDO LARA - 7.8.2009

Em Minas, 65% dos casos não foram testados Funed alega falta de equipamentos e de profissionais diante do boom de casos ¬ LUCAS MORAIS ¬ Limitação de

profissionais, falta de equipamentos e crescimento rápido do número de pacientes com suspeita de coronavírus. A intensificação da pandemia em Minas fez disparar o número de amostras que chegam à Fundação Ezequiel Dias (Funed) para confirmar ou não a doença. Por causa disso, 65% de todo o material recebido desde o dia 12 de março, quando começou a realização dos testes, ainda não foi testado ou não recebeu o diagnóstico. Conforme dados da fundação, já foram recebidas quase 6.000 amostras. Desse total, 2.100 já foram analisadas e outras 3.856 seguem em processamento. A capacidade do laboratório é de cerca de 400 por dia. Em nota, a entidade enfatizou que “está adquirindo um novo equipamento para extra-

ção de RNA de forma automatizada” e que já conta com outro material que faz 96 testes a cada seis horas. O subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado, Dario Brock, explicou que a ampliação da capacidade de testagem também depende da aquisição de materiais. “A rede de laboratórios públicos está sendo direcionada para trabalhar com sua capacidade máxima, de modo que possamos ter essa grande ampliação no número de exames de biologia molecular”, afirmou. Segundo o dirigente, ainda vão ser enviados testes rápidos pelo Ministério da Saúde – os materiais serão usados para testar profissionais de saúde que estejam com suspeita de coronavírus e, assim, ajudar a recompor o número de trabalhadores nos hospitais e centros de saúde.

meira fase já começou e testa a capacidade e a precisão dos resultados fornecidos pela instituição. Ao todo, três laboratórios, que contam com capacidade para processar até 180 exames por dia, são usados nos trabalhos. A expectativa é fazer os diagnósticos em outros quatro laboratórios, o que ampliaria a capacidade para 500 análises por dia. Há duas semanas, a universidade já iniciou análises de testes de pacientes e profissionais da saúde que atuam nos hospitais das Clínicas, na região Centro-Sul de BH, e Risoleta Neves, na região Norte, para detectar a presença ou não do coronavírus – um trabalho complementar, já que não há a emissão de laudos. Agora, os pesquisadores e alunos vão atuar diretamente com a Funed. VACINA. Além de ajudar a desa-

UFMG. Para desafogar o princi-

pal laboratório público do Estado e melhorar o tempo de divulgação dos testes, a UFMG em breve vai receber amostras da Funed para auxiliar nos diagnósticos – a pri-

fogar a alta demanda da Funed, o CT-Vacinas, da universidade, ainda participa de um projeto para desenvolvimento de imunização contra o coronavírus, em conjunto com diversos outros laboratórios do Brasil.

UFMG lança app com dados sobre a Covid-19 ¬ A UFMG desenvolveu um

aplicativo que traz previsões em curto prazo sobre o número de casos confirmados, subnotificações e óbitos do novo coronavírus em todo o país. Os números são projetados através dos balanços diários divulgados pelo Ministério de Saúde.

Enfermeirotira dúvidasonline ¬

Em meio à pandemia do coronavírus, dúvidas sobre a doença são comuns, o que pode levar a atitudes equivocadas e prejudiciais. Pensando nisso, duas empresas criaram o Pedro, um enfermeiro virtual que realiza um teste gratuito, uma pré-triagem, para verificar a chance do usuário estar infectado. Veja como funciona em www.otempo.com.br.

Desenvolvido pelo professor do Departamento de Estatística do Instituto de Ciências Exatas (Icex) da UFMG, Thiago Rezende dos Santos, o programa ainda traz as estimativas de casos por Estado e é atualizado a cada quatro dias – ao todo, os números são capazes de prever um cenário de até 15 dias.

Para o especialista, o objetivo da iniciativa é trazer informações seguras sobre os casos de coronavírus no Brasil. “Isso norteia as pessoas, principalmente da área de saúde, que precisam acompanhar e monitorar a dinâmica do vírus no país”, enfatiza Santos. (Lucas Morais)

Projetos que mudam relação comercial Nos últimos dias, surgiram projetos de lei indicando como algumas negociações entre as partes podem sofrer alterações em meio à crise: 0 O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT) criou o Projeto de Lei 1.744/2020, que prevê o abatimento de valores de locação. A medida seria um modo de evitar um agravamento da crise. O deputado ainda apresentou o

Projeto de Lei 1.766/2020, que propõe o desconto das mensalidades de colégios particulares em até 30%. 0 Em âmbito nacional, após polêmica, o senador Antonio Anastasia (PSD-MG) retirou do PL 1.179/2020 previsão de que locatários que sejam demitidos ou que tenham redução de carga horária ou salário possam suspender, total ou parcialmente, o pagamento dos aluguéis até 20 de outubro.

Análises. Funed informou que já recebeu quase 6.000 amostras para testes de detecção do Covid-19

Atendimentos suspensos

Sete Lagoas afrouxa regras

Santa Helena. O Hospital Santa Helena, em Contagem, anunciou ontem a suspensão dos atendimentos médicos. Os funcionários foram colocados em férias coletivas até o próximo dia 30. A unidade conta com 55 leitos e três respiradores. Em comunicado, a direção diz que, por questões estruturais, não teria capacidade para atender pacientes com a Covid-19.

Comércio. A Prefeitura de Sete Lagoas, na região Central, afrouxou as regras do decreto de situação de emergência. A cidade tem dois casos confirmados e 271 suspeitos. Foi liberado o funcionamento de estabelecimentos como restaurantes, salões de beleza, bancos, clínicas de estética, lavanderias, pet shops e escritórios. Há regras para o funcionamento.

Projetos de lei

Estado interferir em negociação privada é inconstitucional Em meio à pandemia, segue a obrigação dos cidadãos e das empresas de arcarem com suas despesas. Nesse contexto, negociar com fornecedores e prestadores de serviço torna-se natural. Porém, propostas de deputados e senadores que obrigariam escolas e donos de imóveis a dar descontos começam a surgir. Especialistas ouvidos pela reportagem alegam que todas as medidas que indicam interferência do governo nas negociações privadas são inconstitucionais. “A intervenção do Estado nos negócios particulares não deve ocorrer, sob pena de desequilibrar os contratos. Setores como o de locação de imóveis já são regidos por lei específica”, afirma Alexandre Fadel, presidente da Associação

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Mineira dos Advogados do Direito Imobiliário (Amadi). Especialista em direito das locações, Leandro Barroso indica como a atuação do Estado pode ser prejudicial. “Em um Estado democrático, as partes envolvidas em uma relação negocial têm total autonomia para decidirem as regras que vão ser ajustadas. Uma intervenção pode desequilibrar não só aquela relação negocial específica, mas toda uma cadeia”, pontua. As empresas responsáveis por intermediar negócios, como imobiliárias, já estão se adaptando e têm analisado caso a caso. “Cada contrato precisa ser revisto individualmente. Algumas opções são carências intermediárias, descontos e contingenciamento do pagamento, para que ele pos-

sa ser feito posteriormente”, diz Cássia Ximenes, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas. O advogado Gustavo Lopes lembra que, no setor de locações, a dificuldade aparece dos dois lados. “Nem todo dono de imóvel tem condição de não suportar o não pagamento”, mostra. A análise dos especialistas vem após surgirem, nos últimos dias, projetos de lei indicando alterações nas relações contratuais. O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT), por exemplo, propôs obrigar locatários a reduzirem o aluguel. Em outro texto, ele propôs obrigar as escolas a darem desconto (leia mais ao lado).


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA ALEX DE JESUS

Risco

Motoristas nãotêm comocomer emestradas A produtora rural Riselma Ribeiro Silva, 52, disse ontem que caminhoneiros estão se recusando a entregar mercadorias na CeasaMinas porque não há restaurantes abertos na beira das estradas, o que dificulta a alimentação deles durante o transporte. “Muitos motoristas não querem circular. Alguns já têm acima de 60 anos, têm esse risco também. E eles não estão achando lugar para comer. Semana passada mandei uma carga daqui para Grão Mongol. São 550 km, e o motorista foi daqui até lá sem comer”, explicou. Para ela, o desabastecimento é uma questão de tempo. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), o ritmo das vendas caiu desde o início da pandemia, o que tem trazido prejuízos para os produtores rurais. No setor de laticínios, há produtores que já reduziram ou anunciaram a interrupção da captação de leite. Frigoríficos também suspenderam o abate de animais temporariamente. “Ainda é cedo para estimarmos todas as perdas econômicas do agronegócio no Estado em decorrência da pandemia do coronavírus. Mas seguiremos fazendo levantamentos dos problemas junto às cadeias produtivas para buscarmos as melhores alternativas e soluções para os produtores rurais mineiros”, afirmou a coordenadora da assessoria técnica do Sistema Faemg, Aline Veloso. (BM)

7 Produtos rurais. Pandemia da Covid-19 ainda não afetou o abastecimento na CeasaMinas, onde não falta mercadoria, como alega vídeo com informações falsas

Almoço para caminhoneiros BR–040. Membros da Igreja Adventista do bairro Santa Luzia, de Juiz de Fora, na Zona da Mata, doaram marmitex aos caminhoneiros que passaram pela BR–040 ontem. Num vídeo nas redes sociais, um dos idealizadores da ação, Renato Beck, diz que a ideia é ajudar os caminhoneiros, que continuam a circular para evitar o desabastecimento.

Abrava descarta paralisação Caminhoneiros. O risco de paralisação dos caminhoneiros autônomos está descartado neste momento, diz o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim. “Não vamos ser irresponsáveis de usar uma pandemia como moeda de troca para nos beneficiarmos das nossas demandas”, afirmou.

CeasaMinas garante abastecimento normal para os próximos dias Carregadores não pararam nem um dia após pandemia e não falta mercadoria ¬ BRUNO MENEZES ¬ A Centrais de Abastecimen-

to de Minas Gerais (CeasaMinas), localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, está funcionando normalmente. Os produtores rurais reclamam de uma grande redução nas vendas com a pandemia, mas rechaçam que haja desabastecimento na unidade. “Os caminhões estão chegando e descarregando”, afirmou o produtor rural Alexsandro Duarte, 39, que tem uma venda de bananas na unidade. A visão do produtor também é compartilhada pela coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuá-

ria de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso. Segundo ela, no momento, não há que se temer um desabastecimento de produtos em Minas. “Não há risco de desabastecimento à população. Os produtores rurais continuam produzindo e comercializando os seus produtos nas centrais de abastecimento e para agroindústrias. Precisamos apenas que os consumidores continuem com a demanda, comprando diretamente do produtor rural”, pontuou. Ontem, após o presidente Jair Bolsonaro ter compartilhado, em suas redes sociais, o vídeo de um suposto produtor rural da CeasaMinas “denunciando” o desabastecimento no local, a reportagem de O TEMPO foi até a central de abastecimento para verificar a situação. O vídeo já era assunto entre os produtores. O diretor do Sindicato dos

Carregadores da CeasaMinas (Sindicar), Cássio Murilo, disse que, desde o início da pandemia, o abastecimento segue normal. “Os carregadores da Ceasa não pararam nem um dia. Não falta mercadoria aqui. Não existe desabastecimento na CeasaMinas. Está 24 horas por dia aberta, com mercadoria e comprador aqui dentro”, pontuou. Sobre o homem que aparece no vídeo compartilhado pelo presidente da República, o re-

Jair Bolsonaro Vídeo. O presidente pediu desculpas por ter compartilhado um vídeo em que a CeasaMinas aparecia supostamente desabastecida. “Tenho a humildade de me desculpar sobre isso”, declarou.

UARLEN VALÉRIO

presentante do Sindicar afirmou que ele não é conhecido entre os produtores e os carregadores. “Não conhecemos aquele rapaz. Acho que ele foi plantado aqui dentro para fazer aquele vídeo. Ele pegou aqui um local vazio, que seria lavado, e falou que estava tendo desabastecimento”, afirmou. O presidente da Associação Comercial da CeasaMinas, Noé Xavier da Silva, gravou outro vídeo em que desmentiu a versão compartilhada por Bolsonaro. “Ontem (anteontem), 31 de março, enquanto a Ceasa realizava a limpeza do mercado livre do produtor, circulou pela internet um vídeo indicando desabastecimento em nosso entreposto. Esse fato não é verdade, o mercado segue firme e abastecido para garantir a alimentação para mais de 400 municípios de Minas Gerais”, afirma Noé em um dos trechos.

Terminal fechado

Confins: movimento 80% menor O movimento de passageiros no Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, caiu 80% entre os dias 11 e 31 de março com a pandemia de Covid-19. Com a diminuição do fluxo, parte do terminal 2, que é novo, foi fechada. Segundo a assessoria de imprensa da BH Airport, que administra o aeroporto, antes das medidas restritivas, eram

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Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Confins foi fechado após redução de viagens com pandemia

feitos cerca de 300 voos por dia, e, depois do dia 11, passaram a ser feitos 50. O movimento no aeroporto também caiu, de 30 mil pessoas por dia para 4.000. “Essa alteração, que é temporária, trará mais eficiência operacional aos pousos e às decolagens, que estão limitados a uma malha aérea essencial, com poucas rotas definidas pelas companhias aéreas, bem co-

mo vai otimizar recursos operacionais”, disse a BH Airport. Em operação desde janeiro de 2017, o terminal 2 oferece infraestrutura para a movimentação de 22 milhões de passageiros por ano. Atualmente são realizados, a partir do terminal, voos para 45 destinos nacionais e internacionais. (Natália Oliveira e Rômulo Almeida)


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020 | 5

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Betim produz máscaras para SUS APROMIV/DIVULGAÇÃO

Meta da prefeitura, que tem o apoio de parceiros, é fazer 2.000 itens por dia ¬ LISLEY ALVARENGA ¬ Diante da escassez de

máscaras cirúrgicas para abastecer a rede pública de saúde por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Prefeitura de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, passou a confeccionar o produto com o apoio de parceiros. O trabalho está sendo coordenado pela Associação de Proteção à Maternidade, Infância e Velhice (Apromiv), entidade filantrópica do município, com a ajuda de voluntários e parcerias. A produção começou na semana passada, com cinco pessoas. Ontem, já eram 30 costureiras confeccionando os acessórios. Entre os dias 24 e 31 de março, foram feitas 2.200 unidades, mas o objetivo, segundo a diretora administrativa da Apromiv, Cristiane Souza, é chegar a pelo menos 2.000 máscaras por dia. “Recebemos essa demanda do prefeito Vittorio Medioli na semana passada e, desde então, começamos a buscar parceiros para produzirmos o material. Conseguimos o apoio de Eloísio Fernandes, da empresa Uniformizar.com, que forneceu os moldes e o know-how necessário para o trabalho”, detalhou Cristiane, que frisou que os acessórios passaram por todo um processo de hi-

gienização feito pelo Hospital Regional antes de serem usados. Segundo ela, as costureiras recebem o kit com o molde pronto e os materiais para dar seguimento à produção, em casa ou na sede da Apromiv. As primeiras unidades foram entregues ontem. O produto está sendo fornecido a unidades de saúde e órgãos públicos que precisam manter o atendimento ao público, como os Centros de Referência em Assistência Social (Crass). De acordo com a diretora da Apromiv, nesta semana, a entidade ganhou o apoio também da Superintendência de Trabalho, Emprego e Renda (Seter), que está auxiliando com artesãos do projeto Economia Solidária. Uma das voluntárias é Maria de Fátima da Silva Oliveira, 57, moradora de Betim e costureira há 30 anos. “Estamos tomando todas as precauções devidas para manusear a matéria-prima e fazer as máscaras. Além de limpar as mãos constantemente, o material que chega é sempre esterilizado antes. Estou feliz de poder contribuir contra essa pandemia”, disse a colaboradora.

Números

30

costureiras atuam como voluntárias no projeto

2.200

máscaras já foram entregues a unidades de saúde de Betim

Atividades escolares Educação. O prefeito de Betim disse em entrevista ontem que as aulas na rede pública estão suspensas até 30 de abril. A prefeitura estuda a possibilidade do ensino a distância caso a necessidade do isolamento social persista. Vittorio Medioli adiantou que o calendário anual está sendo reformulado e que, em julho e nos feriados do ano, os alunos terão atividades para cumprir a carga horária.

Reforço na alimentação Auxílio. Outra medida dentro do plano de enfrentamento da Covid-19 em Betim é que 44.172 alunos vão receber R$ 59 a partir da próxima segunda-feira. Serão beneficiados, segundo Vittorio Medioli, estudantes de famílias que se encontram na zona de risco de contaminação da Covid-19. O valor será acrescido ao Bolsa Família. O objetivo da medida é tentar garantir um reforço à alimentação de boa parte da população betinense.

Operação

Fiscais apuram preços abusivos Uma das ações do plano de enfrentamento da Covid-19 posto em prática pela Prefeitura de Betim é a fiscalização nos estabelecimentos comerciais que estão funcionando a fim de combater possíveis abusos nos preços de produtos e garantir que esses locais sigam as determinações sanitárias feitas pelo município para prevenir a proliferação do novo coronavírus. Na última semana, entre os dias 26 de março e 1º de abril, durante uma fiscalização nos comércios da cidade, foram constatados reajustes recentes nos preços de produtos de primeira necessidade, como leite, ovos, feijão e arroz. Realizada pela Procuradoria Geral do Município em parceria com o Procon Betim, a ação também constatou alterações nos preços de itens de farmácia, como luvas, máscaras e álcool em gel. Os itens têm sido muito procurados, pois ajudam no combate à proliferação do novo coronavírus. Betim tinha até ontem cinco casos confirmados da Covid-19. (Dayse Aguiar)

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Projeto. Primeiras unidades confeccionadas foram entregues ontem; objetivo é abastecer órgãos públicos PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO

O empresário Eloísio Fernandes, que está fornecendo todo o trabalho de corte das máscaras, disse estar satisfeito de poder contribuir: “Eu já trabalho com confecção há 30 anos e desenvolvia um projeto na Apromiv de formação de costureiras, que teve que ser suspenso por causa da pandemia. Foi então que a Cristiane me procurou e falou sobre essa produção de máscaras. Fiquei muito feliz de usar meu ofício para ajudar a cidade”. COMO PARTICIPAR? Quem quiser atuar como voluntário pode ligar para a Apromiv, em horário comercial: (31) 35321805 ou 3532-3114. Mais informações estão no site www.apromiv.org.br. (Com Flávia Jardim)

Fiscalização recente no comércio constatou reajustes em preços

Porta de entrada

Saiba mais

Hospital de campanha deve iniciar atendimento já no próximo domingo REPRODUÇÃO

O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, afirmou ontem que o hospital de campanha da cidade para atender casos suspeitos da Covid-19, montado pela prefeitura no Fiat Clube, deverá estar em pleno funcionamento a partir do próximo domingo. A unidade terá 120 leitos disponíveis, sendo quatro de UTI. As informações foram dadas durante entrevista do prefeito ao “MG1”, da Rede Globo, na manhã de ontem. “Nossos postos de saúde já foram informados de que casos suspeitos terão que ser levados ao centro de atendimento que está sendo montado”, disse. O prefeito elencou várias medidas do plano de enfrentamento criado para conter a proliferação da doença, como a utilização das insta-

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Vittorio Medioli em entrevista a TV

lações do Centro Materno-Infantil, que começa a funcionar nos próximos dias para atender as pessoas com sintomas mais graves da doença. Apenas lá, serão disponibilizados 170 leitos. Ao todo, na cidade haverá 370 para tratar doentes. Vittorio Medioli contou que pe-

diu o apoio do Exército para ajudar no combate à pandemia. Os oficiais ajudariam a fazer a triagem do atendimento no hospital de campanha, por exemplo. Outra ação citada por ele é a força-tarefa de empresas e servidores que vem garantindo a distribuição de 120 mil litros de álcool líquido 70% – o produto foi doado pela Sada Bioenergia. A expectativa é que as unidades faltantes sejam entregues até o fim de semana. O prefeito ressaltou ainda que há 15 dias “foi pedido que os donos (dos comércios que podem continuar funcionando) forneçam máscaras, álcool em gel e luvas aos funcionários, além de não permitirem filas e de manterem espaço mínimo entre pessoas”. (Da Redação)

0 Reajuste. Sobre a fiscalização de preços no comércio, o procurador geral do município, Bruno Cypriano, disse que, apesar das constatações de reajustes, isso não pode ser classificado como prática abusiva, uma vez que, durante a ação, o Procon Betim exigiu a apresentação de notas fiscais de compra para checar o preço da aquisição. “Confirmamos que os comerciantes estão adquirindo os produtos com os preços já majorados pelo fornecedor, sendo obrigados a repassar ao consumidor. Essa é uma realidade do mercado nacional”, disse. 0 De olho. No entanto, o procurador garantiu que o Procon Betim estará atento, durante todo o tempo, para coibir possíveis abusos.


6 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Empresas apuram os prejuízos RAMON BITENCOURT/30.3.2020

Em Minas, coronavírus afetou 80% dos negócios; maioria tem perdas acima de 50%

Governo monitora preços Força-tarefa. Promotores de Justiça e auditores fiscais da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais formaram uma força-tarefa ontem que começou a trabalhar na apuração e combate dos casos de aumento abusivo de preços de produtos como álcool em gel, luvas e máscaras e até produtos do sacolão. Ação foi motivada por denúncias de consumidores, hospitais e centros de saúde.

¬ RAFAELA MANSUR ¬ Quase oito em cada dez em-

presas mineiras estão sofrendo os impactos negativos na economia provocados pela pandemia do coronavírus, de acordo com um levantamento divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG). Para 15% das empresas, os efeitos ainda devem se manifestar. A redução no volume das vendas, dos serviços prestados e da produção é o principal problema, apontado por 82% dos empresários – a maioria já registrou ou espera uma queda acima de 50% nos negócios. “É uma queda bastante expressiva. Nós costumamos fazer pesquisas de impactos, e nunca surgiu um resultado com essa expressividade, de queda de faturamento acima de 50%. Isso reflete a influência que a pandemia está causando na economia. Temos a paralisação de diversos setores, e a queda pode ser ainda maior”, afirma o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida. De acordo com a pesquisa, 60,5% dos empresários paralisaram as atividades em Minas Gerais, a maioria deles por tempo indeterminado. “Como a cadeia produtiva ‘conversa’, da produção até o comércio, todos os setores econômicos tendem a ser impactados. Temos o fechamento de diversos estabelecimentos varejistas, que, na impossibilidade de vender, não demandam mercadorias aos atacadistas, e estes, por sua vez, não demandam os produtos da indústria, de quem produz”, explica Almeida. Ele lembra, no entanto, que em alguns segmentos, como super-

CRISTIANE MATTOS/24.3.2020

Perda. Comércio de quase todas as cidades mineiras está fechado e empresários já contabilizam prejuízos enormes

mercados e hipermercados, a atividade econômica está melhor do que antes da pandemia, em alguns casos. “Houve uma procura maior por bens de primeira necessidade”, diz. A queda no fluxo de clientes foi sentida por 58,8% dos empresários. Para 45% dos entrevistados, os preços praticados pelos fornecedores aumentaram ou ainda vão subir. “Em um período como este, os pequenos empresários têm baixo poder de barganha com os fornecedores, e há escassez de produtos”, afirma Almeida. Segundo o economista, todos esses reflexos podem provocar fechamento de negócios e elevar as taxas de desemprego. Mais de 90% das empresas dos setores de comércio e serviços são micro ou pequenas e já operam com fluxo de caixa restrito e baixo estoque. “Com a queda brusca da receita e os custos ainda presentes,

65% dos empresários paralisaram as atividades em Minas Gerais, a maioria deles por tempo indeterminado

com folha de pagamento, aluguel, contas de água e luz e diversas outras, o empresário não consegue fazer frente a esses compromissos. A alternativa que ele tem, inicialmente, é cortar custos, e isso passa por demissões”, diz. Estudos apontam que um varejista consegue sobreviver por, no máximo, 30 dias sem receita, em média. O dono das papelarias Brasilusa e vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-

BH), Marco Antônio Gaspar, concedeu férias coletivas para metade dos funcionários e diz que as demissões serão inevitáveis. Ele pensa, inclusive, em fechar uma das duas unidades da rede. “O contrato de aluguel está acabando. Se as coisas melhorarem, eu abro de novo”, afirma. “Estou funcionando internamente, com vendas de e-commerce e para empresas, mas o faturamento está praticamente zero, e as contas são as mesmas”, completa. O proprietário da Total Calçados, Rafael Rocha, diz que o principal problema é a falta de previsão de normalização das atividades. As duas lojas da empresa, em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na região metropolitana, estão fechadas há quase dez dias. “Demos férias para alguns funcionários e, agora, estamos aguardando para ver o quanto isso vai se estender”, afirma.

Emplacamento de veículos Queda. Os efeitos do coronavírus já se refletem nos emplacamentos. As vendas de veículos novos caíram 18,6% em março na comparação com fevereiro, de acordo com dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavan). Foram licenciados 163.638 carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões no último mês.

Férias na Zona Franca Cortes. As empresas da Zona Franca de Manaus concederam férias coletivas para quase 40 mil funcionários e demitiram outros 350 desde o início das medidas restritivas para conter o novo coronavírus. Os dados são do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos do Amazonas. Entre as empresas que pararam estão a Samsung, a Yamaha, a Honda e a Gree.

PAULO GUERETA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Câmbio

Dólar vai a R$ 5,26, novo recorde Com receio de investidores aos efeitos econômicos do coronavírus, a cotação do dólar comercial subiu 1,23% ontem e foi a R$ 5,2630, novo recorde nominal (sem contar a inflação). A máxima anterior era de 18 de março, quando a moeda superou os R$ 5,20. O turismo é vendido a R$ 5,410 e, em algumas casas de câmbio, ultrapassa os R$ 5,50.

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Dólar disparou de preço ontem no Brasil mais uma vez e bateu novo recorde nominal

SÃO PAULO.

“Não é de se estranhar o R$ 5,26, pessoas já falam de dólar a R$ 5,40. Ninguém sabe onde vamos parar com o coronavírus e isso causa muito medo no mercado”, diz Rodrigo Esper, chefe da mesa de câmbio da Vero Investimentos. Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IP-

CA, calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. No ano, a divisa acumula alta de 31%, ficando R$ 1,25 mais cara. A Bolsa brasileira também refletiu a aversão a risco que predominou nos mercados globais nesta quarta e caiu 2,81%, a 70.966 pontos, menor patamar desde junho de 2018, antes da corrida eleitoral.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Pacote de R$ 200 bi para emprego Governo anuncia medidas para tentar garantir contratos de trabalhadores ¬ BRASÍLIA. Ao lado do presi-

dente da República, Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou medidas para tentar garantir os empregos dos brasileiros e, ao mesmo tempo, mais investimentos no setor de saúde, dada a demanda excessiva gerada pela pandemia do coronavírus. O pacote de cerca de R$ 200 bilhões equivale a 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Guedes disse que a ajuda programada aos trabalhadores informais, que foi estendida também aos microempreendedores individuais (MEIs), englobaria um total de R$ 98 bilhões, que podem alcançar 54 milhões de brasileiros. Até então, a área econômica do governo tinha informado que o valor seria de R$ 45 bilhões. “São recursos para enfrentar essa primeira onda, mas, como ressalta o presidente, há outra onda, que é a desarticulação que nos ameaça”, disse. Para tentar conter demissões, o governo fará o complemento salarial de trabalhadores para empresas que cortarem a jornada em até 30%, mas garantirem a manutenção do emprego. Ao todo, serão destinados R$ 51 bilhões para essa medida. “Estamos pagando as empresas para preservar os empregos”, afirmou Guedes.

O governo destinará ainda R$ 34 bilhões em crédito bancário para essas mesmas empresas quitarem suas folhas de pagamento. O sistema bancário destinará outros R$ 6 bilhões, segundo o ministro. Outros R$ 16 bilhões serão destinados a Estados e municípios para reforçar seus sistemas de saúde e segurança, afetados pela maior demanda no atual período. CORTES DE JORNADAS E SALÁRIOS. O Programa Emergen-

cial de Manutenção do Emprego anunciado ontem pelo governo permitirá a redução de jornada e salário em

25%, 50% e até 70% por até três meses por meio de acordos individuais, entre empregador e empregado, ou coletivos. A medida também permite a suspensão dos contratos por até dois meses (100% do salário e da jornada). Trabalhadores afetados receberão uma compensação do governo que pode chegar a 100% do que ganhariam de seguro-desemprego em caso de demissão. Essa complementação de renda tem regras diferentes dependendo do tamanho da empresa. O empregado terá estabilidade no emprego por um período igual

ao da redução de jornada ou da suspensão de contrato. O governo calcula que 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada receberão o benefício emergencial para manutenção do emprego. Isso significa

Trump Telefonema. O presidente Jair Bolsonaro telefonou, na manhã de ontem, para Donald Trump. No Twitter, o brasileiro disse que eles conversaram sobre o impacto da Covid-19.

que eles serão afetados por medidas de redução de jornada e salários ou suspensão de contratos. Apesar disso, a equipe econômica estima que o programa salvará 8,5 milhões de postos de trabalho ao dar alívio momentâneo às empresas. Num cenário sem as medidas, o governo estima que as demissões poderiam atingir até 12 milhões de trabalhadores. Ainda assim, 3,2 milhões de trabalhadores devem perder o emprego – eles receberão todos os benefícios já existentes hoje, como seguro-desemprego e multa de 40% sobre o saldo do FGTS. MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Palácio do Planalto. Anúncio de pacote foi feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao lado do presidente Jair Bolsonaro

Máscaras de mergulho Adaptação. Máscaras de mergulho, utilizadas principalmente para snorkeling, serão adaptadas para encaixe em respiradores artificiais e usadas no tratamento de pacientes com Covid-19. Os equipamentos vão receber uma válvula produzida em impressoras 3D para ligar a máscara aos aparelhos de oxigênio. A ideia que surgiu na Itália está sendo desenvolvida no Brasil. JOEL SAGET / AFP

30 de junho

Declaração do IR é adiada em 60 dias O governo adiou por dois meses o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) por causa da pandemia do coronavírus. O prazo foi postergado de 30 de abril para 30 de junho. O secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, afirmou ontem que a medida foi tomada após ele receber relatos de contribuintes de problemas para fazer a declaração. Como exemplo, citou situações em que contribuin-

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SÃO PAULO.

tes estão confinados em casa enquanto os documentos necessários estão no escritório ou na empresa. “Há dificuldade momentânea de ter acesso a documentos necessários. Considerando isso, tomamos essa decisão”, disse. De acordo com o último balanço divulgado pela Receita Federal, em 30 de março, foram recebidas pelo órgão 8,1 milhões de declarações. A expectativa, segundo o governo federal, é que 32 milhões de contribuintes façam a declaração em 2020.

IBGE deve calcular infectados ¬ SÃO PAULO. Com a suspensão

da aplicação do Censo 2020 em função do novo coronavírus, o IBGE pode ser o instituto responsável por ir às ruas para entrevistar e coletar o sangue da população na pesquisa que pretende levantar o número de infectados pela Covid-19 no Brasil. A participação do instituto está em estudo pelo Ministério da Saúde, que encomendou o trabalho à Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Se confirmada a utilização do instituto, a viabilidade financeira do estudo estaria assegurada, já que essa etapa é considerada a mais cara do levantamento.

Outras medidas

Governo desonera IOF sobre crédito BRASÍLIA. Em mais um conjunto de medidas para fazer frente à pandemia de coronavírus, o secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, anunciou três novas ações do governo federal: a desoneração do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito, o diferimento do PIS/Cofins e da contribuição patronal; e o adiamento do prazo para entrega das declarações de imposto de renda das pessoas físicas (veja texto abaixo). Em anúncio no Palácio do Planalto, explicou que a desoneração do IOF sobre operações de crédito valerá por 90 dias e visa “reduzir ainda mais o custo das operações”. A medida terá custo de R$ 7 bilhões. Em relação ao diferimento das contribuições do PIS/Cofins e contribuição patronal da Previdência das empresas e dos entes públicos, disse que os valores que seriam devidos em abril e maio poderão ser pagos em agosto e outubro. A ideia é injetar R$ 80 bilhões no fluxo de caixa das empresas. “São R$ 80 bilhões que estarão disponíveis nos caixas das empresas”, completou o secretário.

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Remédios sem registro Liberação. A Câmara aprovou a autorização para o governo importar e distribuir medicamentos e insumos de saúde sem o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) durante a pandemia da Covid-19. O projeto precisa ainda passar pelo Senado. O texto dá 72 horas, a partir da solicitação à agência, para os produtos serem liberados.

Prestação de contas Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ao presidente Jair Bolsonaro que preste informações, em até 48 horas, sobre as medidas adotadas para combater o avanço do novo coronavírus. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência foi procurada e não havia se pronunciado até o fechamento desta edição.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Auxílio é sancionado, e Senado inclui Uber e táxi JOÃO GODINHO - 20.2.2020

Bolsonaro veta alta do BPC; músicos e manicures poderão ser beneficiados ¬ BRASÍLIA. O presidente Jair Bolsonaro sancionou ontem o projeto que garante auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais e de R$ 1.200 para mães responsáveis pelo sustento da família. A intenção da ajuda é amenizar o impacto da crise do coronavírus sobre a situação financeira da população que perdeu ou teve sua renda reduzida. A informação foi confirmada pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira. A medida foi sancionada com vetos. Ontem, Bolsonaro disse que o benefício atingirá 54 milhões de pessoas, a um custo de R$ 98 bilhões. O auxílio foi apelidado de “coronavoucher” e será pago em três prestações mensais, conforme texto votado no Senado na segunda-feira. O presidente Bolsonaro decidiu anunciar o aumento no valor do auxílio que o governo pretende dar a trabalhadores informais para R$ 600 para tentar esvaziar o discurso da oposição no Congresso e retomar protagonismo sobre a medida. Tem direito ao benefício cidadãos maiores de 18 anos que não têm emprego formal; não recebem benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, exceto o Bolsa Família; têm renda mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos (R$ 3.135). Ainda não foi definido o cronograma para pagamento do auxílio. O presidente Jair Bolsonaro vetou três itens do texto aprovado pelo Congresso

Estão fora Quem não tem direito: Pessoas que recebem aposentadoria, seguro-desemprego ou são beneficiárias de outra ajuda do governo, exceto o Bolsa Família.

INSS pode ser adiado Alívio para empresas. A Câmara dos Deputados aprovou ontem projeto que permite às empresas adiarem, por dois meses prorrogáveis por mais 30 dias, o recolhimento patronal da contribuição previdenciária de funcionários. A prorrogação do prazo ficará a cargo do Poder Executivo. A contribuição sobre a folha de pagamentos poderá ser parcelada após o período. A proposta, contudo, não retira a obrigação de o trabalhador pagar sua parcela à Previdência Social no período. O projeto foi aprovado em votação simbólica em sessão virtual da Câmara. O texto agora vai ao Senado.

Entidades comemoram Fiemg e Fecomércio. Flávio Roscoe (foto), presidente da Fiemg, disse que são medidas importantíssimas, que precisavam ser tomadas, que vão permitir a sobrevivência de algumas empresas e, antes de tudo, vão garantir o emprego e fazer circular dinheiro na economia. “As empresas estavam segurando as demissões, esperando por esse pacote”, disse. Guilherme Almeida, economista-chefe da Fecomércio MG, disse que essas medidas auxiliam o setor produtivo, que gera emprego e renda, e são importantes por minimizar os impactos negativos na economia. CRISTIANE MATTOS - 25.11.2019

Incluídos. Motoristas de aplicativos e taxistas podem ser beneficiados por auxílio emergencial do governo federal

Nacional. O principal trecho vetado é o que garantia, na nova lei, a ampliação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) definida pelo Congresso no início de março. Essa ampliação, segundo o governo federal, tem impacto de R$ 20 bilhões ao ano nas contas públicas. O governo também vetou um dispositivo que cancelava o auxílio emergencial do beneficiário que, ao longo dos três meses, deixasse de atender aos pré-requisitos. O Palácio do Planalto também decidiu vetar uma regra que restringia o tipo de conta bancária onde o auxílio poderia ser depositado. MOTORISTA DE UBER. O Senado

aprovou em sessão virtual na tarde de ontem a ampliação do auxílio financeiro para diversas categorias, como motoristas de táxi e de aplicativos de transporte, durante a pandemia do coronavírus. Ao todo, 79 senadores votaram a favor da medida. Não houve

votos contrários. A proposta ainda será analisada pela Câmara dos Deputados, antes de ir a sanção presidencial. O projeto beneficia trabalhadores atingidos pelas consequências da pandemia do coronavírus, prevendo a todos um pagamento mínimo de R$ 600. O texto foi aprovado, no entanto, antes de presidente Jair Bolsonaro sancionar a ajuda para informais. O impacto adicional da medida pode chegar a R$ 13,9 bilhões. Além desses grupos, também poderão se inscrever para receber os R$ 600 associados de cooperativas de catadores de materiais recicláveis e de agricultura familiar, além de pescadores artesanais, músicos e manicures, por exemplo. O texto permite ainda que homens chefes de família recebam o dobro do valor (R$ 1.200 mensais). Antes, apenas mulheres provedoras das famílias podiam acumular os valores.

Empregados CLT

Ajuda de R$ 3.135 para formais Senado aprovou uma medida que permite que o governo faça acordo com empresas e banque uma parte do salário dos trabalhadores com carteira assinada, enquanto durar o estado de calamidade no país. O go-

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BRASÍLIA. O

verno poderia pagar até três salários mínimos (R$ 3.135, em 2020) por mês aos trabalhadores. Em troca, os patrões não poderiam demitir esses empregados por 12 meses após o fim do pagamento do auxílio. O texto foi aprovado pelo ALEXANDRE MOTA/11.06.2019

Proposta do Senado pode beneficiar trabalhadores formais

Senado e a medida segue para a Câmara dos Deputados. Há vários detalhes que não estão definidos, como se o governo paga uma porcentagem dos salários ou tudo. E quais os requisitos para as empresas receberem essa ajuda. Se aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, a proposta precisará de uma regulamentação do Ministério da Economia para definir as regras para concessão do novo benefício. A proposta também determina que o INSS pagará os primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador que contrair o coronavírus. Pela lei atual, os patrões é que pagam os primeiros 15 dias de afastamento do empregado.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Medida flexibiliza ano letivo RIVALDO GOMES/FOLHAPRESS

MP dispensa escolas em todo o país de cumprirem o mínimo de 200 dias letivos ¬ BRASÍLIA. O governo fede-

ral publicou, ontem, a Medida Provisória 934/2020, que dispensa as escolas de educação básica e as instituições de ensino superior do cumprimento mínimo de 200 dias letivos anuais de aulas presenciais previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação no país. O texto ainda permite adiantar a formatura de estudantes de medicina, farmácia, enfermagem e fisioterapia, contanto que os alunos tenham cursado uma carga mínima de curso. A MP de Bolsonaro, assinada também pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, permite que, na educação básica, sejam consideradas atividades não presenciais para compor a carga horária mínima de horas-aula. No ensino médio, por exemplo, é de 800 horas-aula por ano. Todos os Estados anunciaram interrupção de aulas, o que chegou a ser questionado por Bolsonaro em pronunciamento na TV. No entanto, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) defendeu em nota pública nesta semana que apenas o equivalente a 25% dos dias letivos sejam em atividades a distância, “como forma de resguardar um mínimo de aulas presenciais com maior qualidade”. A norma do governo federal não menciona necessidade de reposição de aulas, medida comumente usada após períodos de greve de profissionais, por exemplo. Diz, entretanto, que normas sobre o cumprimento da carga horária devem ser decididas pelos sistemas de ensino. O texto vale para escolas públicas e privadas. A medida é excepcional, por causa da pandemia de coronavírus. De agora em diante, as secretarias de Educação de Estados e municípios ficam responsáveis por rever o calendário, tão logo as atividades escolares voltem à normalidade. Em notas, o governo de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte informaram que já estão estudando adequações. É importante se destacar que a obrigatoriedade de se cumprir 800 horas-aula no ano se mantém. A diferença é elas não

precisam mais ser distribuídas em 200 dias. “Nós vamos aguardar os estudos do Conselho Municipal de Educação, mas a Secretaria Municipal de Educação já está construindo alternativas viáveis para que as escolas possam, diante da sua autonomia, materialidade e do grupo de professores que têm, construir cada uma as alternativas pedagógicas para o cumprimento das 800 horas”, disse a PBH. Na prática, com a interrupção das aulas, restarão menos dias no ano de 2020 a preencher com os dias letivos, o que fará, possivelmente, com que as horas-aula sejam distribuídas por um período maior diariamente. É exatamente isso que está sendo estudado agora. ENEM. O Ministério da Educa-

ção (MEC) confirmou na última terça-feira a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas datas antes previstas, mesmo com as aulas interrompidas. A aplicação digital, feita em computador em projeto-piloto, está prevista para ocorrer nos dias 11 e 18 de outubro. Já as provas tradicionais, em papel, vão ocorrer nos dias 1º e 8 de novembro. O anúncio provocou reações no Congresso e entre especialistas, que apontam a suspensão atual de aulas nas redes públicas como um indício de maiores dificuldades para alunos mais pobres. (Thiago Nogueira)

Adaptações. Na prática, com a interrupção das aulas, restarão menos dias no ano de 2020 a preencher com os dias letivos

Brasil: 40 novas mortes por Covid-19

Pressionados

8 Mortes. O Brasil já registra ao menos 241 mortes pelo novo coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados ontem.

Bancos anunciam doações milionárias

8 Volume. Foram 40 novas mortes confirmadas nas últimas 24 horas, o segundo

maior volume registrado desde o início da emergência. 8 Casos. O país já soma 6.836 casos confirmados da doença – o que representa um salto de 20% em relação ao dia anterior, quando eram contabilizados 5.717 casos.

CRISTIANE MATTOS / O TEMPO

TRF-2: igrejas e lotéricas ficam abertas

Casas lotéricas e igrejas continuam no rol dos serviços essenciais

¬ O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) garantiu que as atividades lotéricas e religiosas continuem no rol dos serviços essenciais durante a pandemia de coronavírus, suspendendo liminar (decisão de caráter provisório) anteriormente deferida pela 1ª Vara Federal de Duque de Caxias (RJ), que barrou alguns efeitos do decreto do presidente Jair Bolsonaro. A decisão atendeu um pedido da Advocacia Geral da União (AGU). A decisão cita “intromissão indesejável do Poder Judiciário na atuação dos demais Poderes” e afirma tratar-se de um risco à crise econômica e também à saúde, já que a ausência de unidades lotéricas pode aumentar fluxo de pessoas em agências bancárias.

SÃO PAULO. Após parlamentares da oposição sinalizarem a intenção de elevar a tributação sobre o setor bancário, diversos bancos têm anunciado doações para o combate ao novo coronavírus. Ontem, o BV, que registrou lucro de R$ 1,37 bilhão em 2019, anunciou uma doação de R$ 30 milhões. Segundo o banco, foram adquiridos, em parceria com o governo de São Paulo, 50 respiradores. No Rio de Janeiro, a instituição doou vales-alimentação de R$ 300 para 1.400 famílias. No mesmo dia, o BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, disse que vai doar R$ 50 milhões – em 2019, o lucro líquido do banco foi de R$ 3,8 bilhões.

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Proposta Lucro. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) chegou a apresentar um projeto de lei para elevar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos de 20% para 50%.

No dia anterior, o Safra havia anunciado uma doação de R$ 20 milhões para hospitais públicos e Santas Casas – no ano passado, a instituição teve um líquido de R$ 2,2 bilhões. Em meio à pandemia, parlamentares de partidos de esquerda tentam ampliar a carga tributária sobre o setor bancário. “Enquanto Bolsonaro planeja cortar 70% dos salários dos trabalhadores formais, nós vamos apresentar essa semana projeto para tributar renda e patrimônio dos super-ricos, taxar lucros e dividendos e ampliar contribuição dos bancos”, afirmou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). No fim de semana, o deputado José Guimarães (PTCE) já havia anunciado intenção semelhante. “Chegou a hora do andar de cima entrar na briga pela saúde pública e contra o coronavírus”, publicou no Twitter. Apesar das intenções dos parlamentares, nenhuma proposta nesse sentido foi aprovada até o momento.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Sintomas brandos, muitos vírus O agente causador da Covid-19 foi achado principalmente na garganta e pulmões ¬ RIO DE JANEIRO. Um estudo

publicado ontem pela revista “Nature” ajuda a explicar por que o coronavírus se espalha com espantosa velocidade pelo mundo. Pesquisadores alemães descobriram que pessoas com sintomas muito brandos da Covid-19 podem liberar grandes quantidades de vírus na primeira semana de sintomas. Nesse período, a doença ainda não está evidente, mas o vírus já se propaga com eficiência e é encontrado em grande quantidade nas vias aéreas superiores. A pesquisa alemã investigou a velocidade da transmissão do novo vírus e concluiu que o aumento da carga viral, isto é, da quantidade de vírus numa pessoa, após a primeira semana de sintomas, pode ser um sinal do agravamento da doença. E também lança luzes tanto sobre a capacidade de transmissão do coronavírus quanto sobre formas de se identificar quais pacientes correm risco de desenvolver a forma grave da Covid-19. A pesquisa foi realizada a partir da análise detalhada dos vírus em nove adultos jovens e de meia-idade de Munique, na Alemanha. Todos tinham sintomas leves na primeira semana. Porém, o coronavírus se multiplicava com intensidade na cavidade nasal, na laringe e na faringe desses pacientes. Foram analisadas em de-

talhes as concentrações de vírus nos pulmões e na garganta, no muco (catarro), nas fezes, no sangue e na urina. O fator infeccioso foi facilmente isolado de amostras derivadas da garganta e dos pulmões, mas não de amostras de fezes, apesar da alta concentração de RNA viral. Sangue e urina não “produziram” o vírus. “O vírus estava presente em grande quantidade no catarro”, disse o líder do estudo alemão, Christian Drosten, da Universidade Charité. Na primeira semana, o vírus se multiplicou com intensidade maior e permaneceu altamente ativo nas vias aéreas superiores, tornando as pessoas nesse período muito contagiosas. Populações de vírus distintas foram consistentemente detectadas em amostras que estavam na garganta e pulmões do mesmo paciente, provando replicação independente. Para a comunidade científica, há uma necessidade urgente de informações sobre replicação, imunidade e infectividade de vírus específicos do local do corpo.

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Alemanha. A pesquisa foi realizada a partir da análise detalhada dos vírus de nove adultos jovens e de meia idade de Munique

Medicamento ‘indiferente’

MARCELO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Estudo chinês indica baixa eficácia

Hidroxicloroquina. Em uma nova pesquisa realizada na China, o medicamento foi considerado indiferente para conter o contágio do novo coronavírus em pacientes infectados. No caso específico desse estudo, a droga não chegou a curar os doentes da Covid-19 nem mostrou benefício adicional no tratamento. Assim como aconteceu na pesquisa realizada na França, que indicou a eficácia da hidroxicloroquina para pessoas com Covid-19, a amostragem do estudo feito na China foi baixa, ou seja, o número de participantes foi pequeno.

Pesquisa. Foram avaliadas 30 pessoas, separadas em dois grupos. Um deles recebeu o tratamento convencional adotado em hospitais para combater síndromes respiratórias agudas graves, enquanto o outro recebeu o mesmo tratamento e mais 400 mg de hidroxicloroquina durante cinco dias. Nos dois grupos, a evolução do quadro clínico foi similar. No período de uma semana, 14 pessoas do grupo de controle e 13 pessoas do grupo que tomou a hidroxicloroquina se recuperaram da doença. E um paciente que estava no grupo tratado com a hidroxicloroquina evoluiu para o estado grave da doença. O estudo foi publicado no periódico científico “Journal of Zhejiang University”.

PIXABAY

Idosos

Atenção e carinho redobrados Com a pandemia do coronavírus, um dos maiores alertas é para a população idosa. Conforme o Ministério da Saúde, 89% dos óbitos em decorrência da Covid19 no Brasil são de pessoas acima dos 60 anos, assim como no resto do mundo. Com isso, é necessário um olhar especial sobre as Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs), que concentram pessoas pertencentes ao grupo de risco. Em Minas Gerais, muitas têm adotado o isolamento, evitando visitas, além de uma série de medidas de higiene, como é o ca-

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Instituições de Longa Permanência de Idosos fizeram mudanças

so do Lar dos Idosos São José, iniciativa filantrópica no bairro Olhos D'Água, na região Oeste de Belo Horizonte. “Fizemos uma reunião técnica e decidimos suspender todas as visitas, atrações, eventos e tudo que estava na agenda. Demos treinamento para os funcionários e para os idosos a respeito da higienização. Vamos vencer isso”, relata Ivanilde Estrela, coordenadora do Lar, que acolhe atualmente 91 idosos. Se o idoso por si só já se enquadra no grupo de risco, residentes dessas instituições merecem ainda mais atenção, se-

gundo Marco Túlio Cintra, médico geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Minas Gerais (SBGG-MG). “Pacientes diabéticos e hipertensos, por exemplo, têm mais riscos, mas o principal determinante de saúde no idoso é ter ou não independência. Se o idoso sai de casa sozinho, cuida da vida dele, é autônomo, geralmente não precisa morar nessas instituições. Quem está lá, em sua maioria, são os mais dependentes, mais debilitados, que estão num risco maior ainda”, aponta o médico.

A principal medida para se evitar que o coronavírus contamine idosos é o isolamento social, mas o carinho e o laço afetivo são fundamentais para o bem-estar deles. Neste momento, em que a saúde precisa ser preservada, Cintra alerta para a necessidade de manter formas de contato. “Os familiares podem buscar outros tipos de contato, como ligações e chamadas de vídeo. A presença efetiva é agradável para o idoso, e isso pode ser mantido, especialmente com a tecnologia”, orienta. (Isabelly Morais)


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA Entrevista MARIELA GUIMARÃES - 21.8.2019

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Antonio Filosa

PRESIDENTE DA FIAT CHRYSLER AUTOMÓVEIS (FCA) A PARA A AMÉRICA LATINA

Em entrevista à rádio Super 91,7 FM, o executivo detalhou os esforços da Fiat Chrysler para conter a pandemia mundial do coronavírus, afirmou que a guerra da saúde é a missão mais importante no momento e comentou a grave situação da Itália, sua terra natal.

‘A demanda vai se recuperar seguramente até o fim de 2021’ A FCA foi uma das primeiras a decidir pelo fechamento das fábricas. A previsão é que, até 21 de abril, tudo seguirá fechado. Como está a situação? Fechamos todas as fábricas na América Latina na semana passada. A decisão era óbvia pelos problemas no Brasil ou na Argentina relacionados ao coronavírus. A família de nossos funcionários representa o valor mais importante. Na América Latina, temos 26 mil funcionários diretos e 11 mil indiretos de serviços, isso significa que quase 40 mil funcionários estão em casa se protegendo. Ao fechar, a FCA incluiu um plano social de ajuda para conter a disseminação da doença. No que consiste? Passamos duas semanas de planejamento, falando das instruções, incluindo o governo de Minas, de Pernambuco, onde temos a fábrica da Jeep, e o governo federal. Decidimos atuar com projetos que poderiam apresentar uma contribuição para a sociedade Como empresas, somos uma razão social. A sociedade é a primeira parte interessada que temos que servir. Com isso, começamos um plano de suporte. Junto com a Prefeitura de Betim, vamos implementar um hospital de campanha para a Covid-19 no Fiat Clube, numa área de 1.500 m², com até 200 leitos e equipamentos de atendimento básico. O mesmo estamos fazendo em Per-

nambuco, na cidade de Goiana, a 60 km de Recife, com um hospital com cem leitos. Também temos 1.500 engenheiros em Betim. Eles apresentaram um projeto para convergir todas as impressoras 3D no nosso processo para construir as máscaras de plástico, úteis para a equipe médica de frente. Vamos produzir por três meses e doar para o governo. Se necessário, podemos produzir mais. Também formamos 18 técnicos para dar manutenção nos equipamentos de ventilação. Estamos dando também máscaras de proteção, álcool em gel, comodato de uso de até 150 veículos, macacões, assim como elementos de proteção individual. Essa é a nossa contribuição. Existe a possibilidade de demissão neste momento? Essa é a nossa preocupação. Vamos trabalhar para evitar ao máximo. Essa é uma medida de último caso. O mercado caiu 90% na segunda metade de março. Temos 96% das nossas concessionárias fechadas no país – e têm que ficar fechadas mesmo. Para preservar os empregos, devemos adotar algum esquema de flexibilidade na produção. A demanda vai se recuperar no ano que vem seguramente, até o fim do ano. Mas entendemos que este ano vai ser extremamente difícil. O governo está trabalhando uma medida provisória que pode introduzir alguma ferramenta para atender à nossa realidade de produção. Vamos estu-

dar o texto. O desejo é preservar o máximo dos empregos. No mundo ideal, todos. No fim, se todos fizerem o sacrifício, teremos o bem de todos. Vocês estavam prontos para lançar a Strada no dia 7 de abril. Há alguma estratégia de lançamento virtual? A nova Strada, que está pronta, ficou maravilhosa, funcional, e a imprensa recebeu muito bem. O carro está pronto. Tínhamos a previsão de lançálo em abril. Obviamente, o lançamento foi cancelado, e, neste momento, não pretendemos lançar o carro até as coisas voltarem a um grau de normalidade, talvez dois meses para retomar nosso plano original. O senhor deve ter contato diário com parentes e familiares na Itália. Como cidadão, onde a Itália errou? O Brasil está errando ou vai num caminho melhor? Sou italiano, minha família está na Itália. Falei com minha mãe, minha irmã. Essa questão é dramática, parece que agora está começando a melhorar, mas é preciso algumas semanas de atenção dos italianos e do governo para atuar de forma melhor com restrições. Está todo mundo em casa, estão sendo rigorosos. A Itália foi o segundo epicentro, depois da China. A China promoveu medidas de restrição 28 dias após o primeiro caso. Na Itália, essas medidas passaram um pouco mais, de 10 a 15 dias, o que faz muita diferença. Não podemos falar de er-

“Na guerra pela saúde, a Fiat está tentando dar uma pequena contribuição”

“O desejo é preservar o máximo dos empregos. No mundo ideal, todos” “Fazendo pequenos sacrifícios, haverá uma retomada ainda mais forte”

ro, é algo inesperado. É difícil ter controle. Aqui, no Brasil, as montadoras também fecharam 28 dias depois do primeiro caso, uma coincidência incrível. Talvez o Brasil esteja aproveitando o timing dos grandes países impactados. Se as coisas são feitas de uma forma rápida, vira uma vantagem no médio prazo. Torço para que todos os países possam sair da crise. Estamos vivendo uma guerra. E na última guerra, a Itália saiu destroçada. E, após o fim da guerra, a Fiat surgiu como uma empresa que liderou a reconstrução. A FCA pode ajudar o Brasil nessa reconstrução, principalmente econômica? Essa é uma guerra de dois momentos. No primeiro, é uma guerra de saúde, que é a coisa mais importante da humanidade. Todas as atenções devem ser concentradas para sairmos com menos danos possíveis. Logo depois, vai começar a segunda guerra, contra a contração da economia. Na guerra pela saúde, a Fiat está tentando dar uma pequena contribuição para aliviar os problemas. Quando voltarmos a batalhar pela economia, que é importante, mas não tem a mesma prioridade da saúde, vamos ver qual contra-ataque daremos. Temos a firme intenção de manter o plano de investimentos, embora algumas adequações sejam necessárias, mas não mais que um ano. Tínhamos pensado em um plano entre 2018 e 2024, agora estamos pensan-

do de 2018 a 2025. Você mencionou um momento histórico. O período economicamente melhor na Itália foram os cinco anos depois da Segunda Guerra. Ela saiu destruída. Mas, quando terminou, os italianos começaram a conversar, a trabalhar, focaram o renascimento e ressurgiram. Tenho certeza de que essa crise não vai ter o tamanho que a guerra teve na Itália. Sabemos o quão criativos e proativos os brasileiros são. A crise vai chegar, mas, fazendo pequenos sacrifícios, haverá uma retomada econômica ainda mais forte. Tem muitas pessoas trabalhando – da imprensa, área médica, segurança pública. Algumas oficinas também estão trabalhando. Quem tem um veículo Fiat consegue comprar peças pela internet? Temos 96% das concessionárias fechadas, mas temos 40% delas dando assistência técnica. Temos condições de gerenciar de uma forma eficaz e eficiente para que clientes não fiquem sem atendimento. Estamos neste momento alinhando os processos de assistência técnica, primeiro para servir profissionais, como profissionais de saúde, que estão usando os carros deles para transporte de equipamento, para ir ao hospital, ou até pessoas com problemas de saúde. Vocês podem nos acionar, e vamos fazer de tudo, mesmo com as limitações.


12 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Argentina proíbe demissões HANDOUT / ARGENTINA'S PRESIDENCY PRESS OFFICE / AFP

Medida vale por 60 dias; governo anunciou outras ações econômicas ¬ BUENOS AIRES, ARGENTINA. O

presidente argentino, Alberto Fernández, decidiu ontem, por meio de um decreto, proibir demissões “sem justa causa ou por conta de diminuição de trabalho e força maior” pelos próximos 60 dias. A medida visa impedir que empresas demitam pelo fato de trabalhadores estarem realizando a quarentena obrigatória no país. A decisão surgiu depois que uma das principais empresas do país, a Techint, decidiu demitir, sem justa causa, 1.450 funcionários. Depois de um longo enfrentamento com a empresa, Fernández convenceu os diretores da Techint a readmiti-los. O decreto também liberou a transferência de 30 bilhões de pesos argentinos ao Fundo de Garantia local, que podem ser retirados pelas empresas “com o objetivo de facilitar empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e evitar demissões”. O governo argentino também definiu outras medidas econômicas, como a suspensão da contribuição patronal à Previdência e o

Alimentos

ONU alerta para risco de escassez

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Decreto. Governo de Alberto Fernández determinou que empresas não podem demitir seus trabalhadores pelos próximos dois meses

auxílio ao pagamento de salário dos empregados de empresas que têm até cem funcionários e também dos prestadores de serviços das companhias maiores. Os empresários começaram a reclamar com o governo desde a ampliação da quarentena obrigatória, decretada no último domingo e válida até o próximo dia 12 de abril. Buzinaços e panelaços promovidos pelos empresários contra as medidas começaram a ocorrer, à noite, em Buenos Aires.

Para evitar desligamentos

UE propõe reduzir jornada BRUXELAS, BÉLGICA. A Comissão Europeia propôs ontem um esquema de jornada de trabalho reduzida baseado no programa Kurzarbeit, da Alemanha, para ajudar que as pessoas mantenham seus empregos enquanto a pandemia de coronavírus atinge as economias do bloco de 27 países.

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Ao anunciar o esquema por mensagem de vídeo, a chefe da Comissão, Ursula von der Leyen, não deu detalhes sobre como ele será financiado, dizendo apenas que seria garantido por todos os países da União Europeia (UE) – uma pista de que poderia estar vinculado ao Orçamento da UE.

De acordo com o antigo esquema alemão, o governo paga parte do salário de um trabalhador quando as empresas cortam suas horas diante de uma desaceleração para impedir que eles percam o emprego por completo. A Comissão informou que mais detalhes de seus planos estarão disponíveis hoje.

PARIS, FRANÇA. Existe um

risco de “escassez de alimentos” no mercado mundial por perturbações derivadas da Covid-19 no comércio internacional e nas cadeias de abastecimento, advertiram os dirigentes de dois organismos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC). As incertezas “podem gerar uma onda de restrições à exportação” que podem provocar uma “escassez no mercado mundial”, afirmaram em um comunicado incomum a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a OMC. Os três organismos se preocupam com a “desaceleração da circulação de trabalhadores da indústria agrícola e alimentícia”, que bloqueia várias agriculturas ocidentais, e com os “atrasos nas fronteiras para os contêineres” de mercadorias, gerando “um desperdício de produtos perecíveis”.

CHANDAN KHANNA / AFP

Eleições devem acontecer

Papa abençoa jornalistas

Especulações. O avanço da pandemia do coronavírus nos EUA fez com que pelo menos 14 Estados norte-americanos postergassem suas primárias, levantando especulações sobre a possibilidade de adiamento da eleição geral no país, marcada para 3 de novembro. Especialistas, no entanto, afirmam que a alteração da data é improvável e que o presidente, mesmo que queira, não tem o poder de fazer qualquer modificação no calendário eleitoral por ordem executiva.

Dedicação. Em missa celebrada na manhã de ontem na Casa Santa Marta, o papa Francisco dedicou uma oração aos jornalistas que trabalham em meio à pandemia do novo coronavírus. “Gostaria que rezássemos por todos aqueles que trabalham nos meios de comunicação, que trabalham para comunicar, para que as pessoas não se sintam tão isoladas”, disse o líder da Igreja Católica, que a cada dia abençoa uma das categorias que estão empenhadas na luta contra a Covid-19 em todo o mundo.

Governo dos Estados Unidos prevê um pico de casos e mortes causadas pela Covid-19 em 15 de abril

VATICAN MEDIA / AFP

Briga por máscaras Competição. Uma autoridade regional da França disse ontem que a competição para obter máscaras fabricadas na China é tamanha que os norte-americanos as compram diretamente nas pistas dos aeroportos chineses antes de iniciarem sua viagem à França. Segundo ele, os aviões partem em seguida rumo aos Estados Unidos, e não à França. O presidente francês Emmanuel Macron prometeu que o país terá independência para fabricar máscaras em seu território.

Curva ascendente

EUA ultrapassam 200 mil casos EUA registraram ontem mais de 200 mil casos confirmados de coronavírus e seguem em curva ascendente no avanço da pandemia. Em menos de 48 horas, o país assistiu a um salto de 50 mil novos casos. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os EUA têm agora 203,6 mil

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WASHINGTON, EUA. Os

casos e 4.476 mortes. Na última terça-feira, no dia em que o número de mortes nos EUA chegou a 3.700 e ultrapassou a China, a Casa Branca apresentou um cenário sombrio para os próximos meses e previu de 100 mil a 240 mil mortos no país mesmo com a adoção de medidas de distanciamento social.

A letalidade do coronavírus, porém, ainda é numericamente maior em países da Europa: na Itália, são 110,5 mil casos e 13.155 mortes; e na Espanha, 102,1 mil casos e 9.053 mortos. A expectativa do governo norte-americano é que o pico de casos e mortes no país aconteça em 15 de abril.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020 | 13

CORONAVÍRUS

PANDEMIA

Wimbledon cancela sua edição

GLYN KIRK / AFP - 9.7.2019

Principal torneio de tênis do mundo só voltará a ser disputado em 2021 ¬ SÃO PAULO. A organização

de Wimbledon informou ontem que, por conta da pandemia do coronavírus, o torneio não acontecerá em 2020 e só voltará a ser disputado no ano que vem. Em nota, o Grand Slam britânico afirmou que as restrições impostas pelo governo inglês para conter a pandemia, como evitar aglomeração de pessoas e locomoção desnecessária, aliadas à probabilidade de que essas medidas se estendam por mais alguns meses, fizeram com que os organizadores do torneio de tênis cancelassem o evento neste ano. “Nossa prioridade é a saúde e a segurança de todos que juntos fazem Wimbledon acontecer – o público no Reino Unido e visitantes de todo o mundo, nossos atletas, convidados, estafe, voluntários, parceiros, contratantes e residentes locais –, assim como a nossa responsabilidade para os esforços da sociedade no combate que este desafio global impõe ao nosso modo de viver”, diz trecho do texto publicado ontem. A 134ª edição do torneio, um dos quatro principais do circuito do tênis, começaria no dia 29 de junho. Com o cancelamento deste ano, a competição acontecerá entre 29 de junho e 11 de julho de 2021.

Evento mais tradicional da modalidade, Wimbledon é disputado desde 1877 no masculino e 1884 no feminino. A competição só foi interrompida durante as duas grandes guerras (1914 a 1918 e 1939 a 1945). Por causa da suspensão do evento, a romena Simona Halep, 28, e o sérvio Novak Djokovic, 32, permanecerão como atuais campeões do torneio por mais um ano. “Pesou bastante em nossas mentes que a organização do campeonato tenha sido interrompida apenas anteriormente pelas Guerras Mundiais, mas, após uma análise exaustiva e abrangente de todos os cenários, acreditamos que seja uma medida necessária e correta em meio a essa crise global. A partir de agora, vamos nos concentrar em como podemos usar a amplitude dos recursos de Wimbledon para ajudar aqueles que mais precisam em nossas comunidades locais e também além delas”, disse Ian Hewitt, presidente do All England Lawn Tennis Club, sede do torneio. Na esteira do anúncio dos organizadores de Wimbledon, a Associação de Tenistas Profissionais (ATP) e a Associação de Tênis Feminino (WTA) também anunciaram o cancelamento de todo o circuito de grama até o dia 13 de julho deste ano. Entre as disputas estão os ATPs de Stuttgart, na Alemanha, e Mallorca, na Espanha, além dos WTAs de Berlim, também na Alemanha, e Birmingham, no Reino Unido.

Suspensão. Principal torneio de Grand Slam do mundo, Wimbledon anunciou que próxima edição somente será realizada no ano que vem OSCAR DEL POZO / AFP - 1.6.2019

Sem previsão

Uefa decide manter futebol paralisado

Liga dos Campeões, que tem o Liverpool como atual campeão, não tem prazo de retorno nesta temporada

Música

Ancine

Festival João Rock, no interior paulista, é adiado para setembro

Força-tarefa vai analisar projetos

SÃO PAULO. Um dos principais eventos de música do interior de São Paulo, o João Rock também foi adiado devido à pandemia do novo coronavírus. O festival, que acontece em Ribeirão Preto, estava programado para o dia 6 de junho, mas foi remarcado agora para 12 de setembro. O evento, como estava previsto, continuará a homenagear a música do Rio de Janeiro no palco Brasil. Já as atrações ainda devem ser confirmadas. Inicialmente, nomes como Erasmo Carlos, Nação Zumbi, CPM2, Gabriel, o Pensador e Cidade Negra, entre outros, já estavam certos. Segundo os organizadores, os ingressos já vendidos para o festival serão válidos para a nova data. No entanto, a quem preferir o ressarcimento, a organização garantirá a devolução de 100% do valor do ingresso. A política de devolução será anunciada em breve pelos canais oficiais do evento.

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SÃO PAULO. Após uma videoconferência entre representantes das 55 federações nacionais que fazem parte da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol, na sigla em português), ficou decidido que a Liga dos Campeões e a Liga Europa permanecerão suspensas e sem previsão de retorno. Ambas as competições estão paralisadas desde o dia 13 de março, quando a Uefa decidiu suspendê-las em meio aos temores da pandemia do novo coronavírus na Europa. Os jogos de seleções nacionais que ocorreriam em junho também foram suspensos, incluindo a repescagem para a Eurocopa masculina, que seria realizada neste ano e foi postergada para 2021, e os jogos qualificatórios para a Eurocopa feminina, que já estavam agendados para o ano que vem. Segundo a Associação Dinamarquesa de Futebol, ainda sem confirmação da Uefa, a Eurocopa feminina de 2021, prevista para junho e julho na Inglaterra, será adiada em um ano. Competições de base também tiveram seu futuro definido. A fase final dos campeonatos de seleções masculinas sub-17 e femininas sub-19, agendados respectivamente para maio e junho, foi cancelada.

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SÃO PAULO. A diretoria da

Agência Nacional do Cinema (Ancine) aprovou a criação de uma força-tarefa para dar conta das análises orçamentárias de projetos audiovisuais durante a crise do novo coronavírus. Com prazo de 180 dias prorrogáveis, o objetivo do grupo é dar seguimento à aplicação dos recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) mesmo com a capacidade de operação da agência reduzida em tempos de isolamento social. Também foi recriado um grupo de trabalho para propor soluções tecnológicas e

REPRODUÇÃO

operacionais para sanar o alto passivo de projetos pendentes de análise na agência, acumulado há anos. A ação sinaliza que os trabalhos na Ancine avançarão num momento em que boa parte da produção cultural está paralisada por causa da pandemia. Em portaria do último dia 20, a agência já havia determinado a suspensão, em caráter excepcional, dos prazos para apresentação de prestação de contas de projetos financiados por recursos públicos. Também foram suspensas todas as diligências externas pela Ancine, como notificações e fiscalizações in loco.

Quarentena com Potter Entretenimento. J.K. Rowling imagina que uma pitada de Harry Potter possa ajudar as famílias confinadas em suas casas durante a pandemia do coronavírus. A autora criou o site www.harrypotterathome.com, que traz jogos, quizzes e outros tipos de atividades que envolvem o universo do bruxo. Rowling também fez uma parceria com a plataforma de audiolivros Audible para liberar o acesso a “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.


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CORONAVÍRUS

PANDEMIA

‘Cardápio’ para a quarentena Nutricionistas dão dicas de como manter alimentação saudável no período ¬ LUCAS GOMES ¬ Alimentação, corpo, emo-

ções e mente equilibrados. Esse é o “cardápio” sugerido por especialistas para enfrentar o período de quarentena. Com o isolamento domiciliar, sentimentos como a ansiedade podem acabar sendo descontados na comida, contrariando uma alimentação saudável. A advogada Karolyne Novaes, 25, sentiu o impacto da nova rotina. Se antes ela tinha horário certo para as refeições e

saía para o trabalho com as marmitas preparadas, em casa tem sido mais difícil. “Com a quarentena, eu estou com dificuldade em seguir essa rotina, principalmente em relação ao horário das refeições. Às vezes, eu pulo uma refeição e fico mais tempo sem comer. Isso acaba prejudicando um pouco. Desde quando começou a quarentena, eu almoço o que é feito para todo mundo aqui em casa, mas evito algumas comidas. Se tem arroz e batata, por exemplo, escolho um dos dois para comer”, afirmou. A reportagem conversou com especialistas, que prepararam um “guia” para os próxi-

mos dias em casa. Para Bella Corrêa, nutricionista e healthy chef, primeiro deve haver uma diferenciação entre a fome fisiológica e a fome emocional. “A fome emocional, que pode ser gerada pela ansiedade, é uma fome específica, como o desejo de comer um doce, por exemplo. É essencial neste momento ter um planejamento diário de atividades para diminuir momentos de gatilho, de modo a evitar descontar nossas emoções no alimento”, afirmou. “Acredito que a nutrição vai além dos alimentos que consumimos. Ela também se relaciona com a maneira como lidamos com os nossos sentimentos. Nesse sentido, quando se

fala em ansiedade pelo momento atual que estamos vivenciando, é importante incluir práticas que auxiliarão em nosso lado comportamental para nos ajudar a reduzir os níveis de ansiedade e estresse. Reservar 30 minutos no início do dia para se dedicar a uma boa leitu-

Lanches Intermediários. Entre as principais refeições – café da manhã, almoço e jantar –, a recomendação é para consumir frutas, aveia, ovos, sementes e castanha.

ra, um alongamento, uma prática de ioga ou meditação, fazer um momento de oração ou tomar um chá com calma já auxilia muito a reduzir a ansiedade e inclusive nos faz ter uma outra relação com o alimento, menos compensatória e punitiva”, ponderou Bella. A nutricionista e mestre em ensino Bárbara Mercini alertou para o consumo excessivo de ultraprocessados, com alto teor de açúcar, gordura, sódio e corantes. “É importante evitar aplicativos de entrega de junk food. Existem várias opções de delivery de comida caseira e mais natural. Não existe um horário definido para fazer as refeições, depende da rotina de

cada um, o importante é fazer pelo menos duas grandes refeições e lanches intermediários”, enfatizou. Segundo Bárbara, é importante o consumo de vitamina C, presente em frutas cítricas como laranja e limão, para reforçar o sistema imunológico. “A vitamina D também é importante para o reforço do sistema, então aproveite alguma janela onde entre sol e coloque as crianças ali para brincar. Própolis ajuda a reforçar as defesas, é anti-inflamatório, e alho reforça o sistema imunológico. Então, tempere a comida com mais alho neste período”, sugeriu. EDITORIA DE ARTE / O TEMPO

GUIA ALIMENTAR CAFÉ DA MANHÃ

ALMOÇO

Boas fontes de proteína como ovos e queijo magro. Inclua, ainda, um suco verde e frutas, que são ricas em vitaminas e minerais, procurando sempre variar as frutas. Quando for consumir pão, opte pela versão integral que é mais rica em fibras e auxilia no funcionamento do intestino.

Boa variedade de legumes e hortaliças, boas fontes de carboidrato como arroz integral, batata doce, mandioca ou inhame e opte por fontes de proteínas mais magras, como peixe, frango ou patinho.

ANTES DE DORMIR Tome um chá de camomila ou melissa e se tiver fome, opte por um iogurte com castanhas ou uma fruta como kiwi, por exemplo, com sementes (pode ser de chia, abóbora ou girassol).

JANTA Priorize uma refeição mais leve com peixe ou frango e legumes. Tente jantar mais cedo para ajudar na digestão e na qualidade do sono.

HIGIENIZAÇÃO

SUCOS SUGERIDOS PARA FORTALECER O SISTEMA IMUNOLÓGICO Laranja

LANCHES INTERMEDIÁRIOS ENTRE CAFÉ DA MANHÃ, ALMOÇO E JANTA Inclua frutas, aveia, ovos, sementes e castanhas.

Cenoura e couve Limão, maracujá e couve Abacaxi com gengibre

BEBIDAS ALCOÓLICAS As especialistas não recomendam o consumo de bebidas alcoólicas. Mas, se o consumo ocorrer, que seja com moderação, já que a ingestão em grande quantidade pode diminuir a resposta do sistema imunológico.

Para os que são consumidos crus, como frutas, verduras e legumes, o ideal é colocá-los de molho em uma solução de água e água sanitária. Para cada litro de água, deve-se colocar uma colher de sopa de água sanitária, deixar por 15 minutos e, após esse período, enxaguar com água corrente. Já os alimentos que serão guardados, como industrializados e embalagens, é necessário passar um pano com álcool em gel ou água sanitária.

FONTE: BELLA CORRÊA (@BELLACORREA.NUTRICHEF), NUTRICIONISTA E HEALTHY CHEF E BÁRBARA MERCINI (@NUTRI.EDUCA), NUTRICIONISTA E MESTRE EM ENSINO


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aparte@otempo.com.br

A.PARTE

Isolamento

Câmara de Belo Horizonte não tem previsão de usar sessões remotas A Câmara Municipal de Belo Horizonte não tem nenhuma sessão plenária prevista para o mês de abril. Regimentalmente, a Casa realiza reuniões para votação de projetos de lei nos dez primeiros dias úteis do mês. No entanto, em função da pandemia de coronavírus e do teste positivo para a doença de pelo menos seis vereadores, os trabalhos presenciais no Legislativo municipal foram suspensos, e não há previsão de sessões virtuais. Uma portaria publicada na semana passada determinou a suspensão do expediente até o dia 29 de março. E, a partir do último dia 30, o documento previa que “as atividades presenciais na sede do Poder Legislativo municipal” ficariam restritas ao mínimo necessário por tem-

po indeterminado. A mesma portaria cancelou “todas as reuniões de comissão e de plenário agendadas para o período”. Porém, no último dia 26 de março, a Câmara informou que: “a eventual adoção de ferramentas tecnológicas para a realização de reuniões regimentais remotas ocorrerá paulatinamente, assegurando com prioridade as condições de saúde do ambiente de trabalho para todos os colaboradores e para o público que frequenta a instituição”. Questionada sobre as medidas adotadas para a viabilização das reuniões remotas, como já tem ocorrido na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, a presidente da Câmara, vereadora Nely Aquino (Podemos), não respondeu. Já a assessoria da Casa infor-

mou que já é possível realizar sessões plenárias virtualmente, mas elas só ocorrerão “se houver matéria urgente a ser deliberada”. Ainda segundo a assessoria, “diferentemente do Estado, no município a Lei Orgânica já assegura ao prefeito a prerrogativa de decretar estado de emergência, o que já foi feito por meio de decreto”. Os vereadores garantem, porém, que o trabalho dos gabinetes não tem sido prejudicado. O vereador Léo Burguês (PSL), líder do governo na Câmara, informou que tem se reunido por videoconferências com representantes de diversos setores produtivos da capital e levando suas demandas até a prefeitura. Ele disse ainda que acredita que, em breve, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) deve apre-

sentar projetos de isenção de impostos e que, quando isso ocorrer, a Câmara não terá dificuldade em votar. O vereador Pedro Patrus (PT), líder da oposição na Casa, também disse que o trabalho do gabinete está mantido durante as medidas de isolamento social. Ele disse ainda que a suspensão das atividades da Câmara é importante para garantir a segurança de todos. Até o fechamento da coluna, a Câmara não havia informado se algum projeto relacionado ao combate da pandemia de coronavírus havia sido protocolado na Casa para ser votado nos próximos dias. Porém, assegurou que o setor funciona normalmente, tanto para protocolo físico quando online de proposições de lei. (Thaís Mota)

VINÍCIUS LOURES/CÂMARA DOS DEPUTADOS - 6.6.2019

Deputado federal Luiz Flávio Gomes morre aos 62 anos, em São Paulo O deputado federal Luiz Flávio Gomes (PSB-SP) morreu na madrugada de ontem, aos 62 anos, em decorrência de um câncer. O jurista e professor de direito penal, eleito para o Legislativo em 2018, não resistiu à doença, conforme informou o Hospital Sírio-Libanês. Gomes estava de licença do cargo de deputado para realizar o tratamento de uma leucemia mieloide aguda, diagnosticada em setembro de 2019. Desde então, ele passava por tratamento para a doença e chegou a realizar um transplante de medula no dia 14 de janeiro. No entanto, seu quadro piorou nos últimos dias e se tornou irreversível. Gomes atuou como advogado, promotor de Justiça e juiz e também foi policial civil e delegado, nos anos 80, além de ter publicado livros, como “O Jogo Sujo da Corrupção”. Em sua eleição como deputado federal, Gomes recebeu mais de 86 mil votos.

Celeridade

Câmara e Senado mudam rito de MPs

REPRODUCAO / INSTAGRAM@LUIZAHELENATRAJANO

A Câmara dos Deputados e o Senado publicaram ontem ato conjunto em que mudam o regime de tramitação das medidas provisórias para acelerar a apreciação dos textos durante a vigência do estado de calamidade pública por causa do coronavírus. As MPs começam a ser analisadas em uma comissão mista. Se aprovada, vai ao plenário da Câmara e, depois, ao do Senado. Agora, as medidas não precisarão mais passar pela comissão mista e poderão ser instruídas diretamente nos plenários.

Luiza Trajano Fundadora do Magazine Luiza

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“Tenho pedido que as pessoas tenham calma. (Mas) o confisco da poupança (pelo governo Collor) foi 10% dessa crise. O confisco pegou uma classe que tinha dinheiro, que tinha 50 mil cruzados novos na poupança. Dessa vez, (a crise do coronavírus) pegou todo mundo.”

Delação de Cabral

Investigação mira Aécio e ex-procurador do Rio O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-procurador geral de Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, são investigados por suposta interferência para arquivar processo criminal contra o ex-diretor da Furnas Dimas Toledo (PP-MG). As investigações derivam da delação premiada do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, homologada em fevereiro pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. Aécio teria agido para arquivar as investigações contra Toledo no Ministério Público e na Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em nota, o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende Aécio, afirma desconhecer completamente o assunto e “lamenta, mais uma vez, o vazamento seletivo de informações sem que o acusado possa se defender”. Segundo Vieira, as acusações são “levianas, inverídicas e temerárias”.

PAULO HADDAD Economista e professor aeri@aeri.com.br

O planejamento de longo prazo

O

governo federal enfrentará dificuldades para apresentar à opinião pública brasileira uma estratégia realista que possa articular as políticas compensatórias de curto prazo e, ao mesmo tempo, equacionar os impactos socioeconômicos da pandemia do coronavírus com as políticas de reformas institucionais de médio e de longo prazo, visando à retomada do crescimento econômico. Isto tem uma explicação. Durante os últimos anos, o governo federal concentrou os seus recursos humanos e institucionais na formulação das políticas de curto prazo, ora no combate à aceleração inflacionária, ora no ajuste das contas públicas. Com a exceção solitária de algumas iniciativas setoriais de poucos órgãos da administração direta e indireta, as atividades de planejamento de médio e de longo prazo estavam sendo postergadas até o momento em que o Ministério do Planejamento foi absorvido pelo novo Ministério da Economia. Para economistas que tiveram sua formação profissional estritamente nos mercados financeiros, onde, em geral, o que conta são as decisões de um dia após o outro, o planejamento de longo prazo pode ser considerado uma atividade supérflua. Grande engano, pois, como afirma Peter Drucker, o planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes. Todo governo tem que dispor de estruturas de planejamento, que possam exercer as funções programáticas de mitigar, de compensar e de transformar. Mitigar determinados impactos maléficos e desastrosos, tais como aqueles provocados pelas mudanças climáticas. Compensar muitas desigualdades sociais entre pobres e ricos, tais como a concentração da renda e da riqueza. Transformar estruturas produtivas anacrônicas com a incorporação de inovações científicas e tecnológicas. O hábito que se criou nas burocracias estatais, desde o fim das últimas experiências de planejamento de longo prazo, no início dos anos 1980, de atuar através de uma sequência interminável de intervenções casuísticas não pode perdurar. Sem uma perspectiva de longo prazo em suas ações, os agentes e as instituições governamentais se entrelaçam nos mecanismos que eles próprios criaram e passam a ser conduzidos por uma espécie de processo acumulativo, aparentemente sem limites. Ao sobrepor ações de curto prazo, desencadeiam forças que não podem controlar, induzem efeitos inesperados, promovem desencontros e expectativas e chegam à perda de confiabilidade junto à opinião pública. O tempo da economia e o tempo da política se confundem, gerando decisões casuísticas ou oportunistas. É preciso articular as políticas econômicas de curto prazo, de austeridade fiscal, por exemplo, com o planejamento de longo prazo, o qual funciona como uma lanterna de popa a orientar o que fazer e como fazer no curto prazo, sem comprometer os objetivos de longo prazo. No caso presente, é necessário articular as políticas compensatórias indispensáveis durante o período de confinamento das famílias e de hibernação dos negócios, com uma política de expansão econômica pós-pandemia visando gerar renda e emprego num ambiente econômico com expectativas degradadas. Se nada for feito e continuarmos a fazer políticas econômicas de curto em curto prazo, poderemos chegar ao momento em que o Gato que Ri afirma para Alice, no País das Maravilhas: “Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”.


O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020 | 17 TEL: (31) 2101-3915 Editor: Ricardo Correa ricardo.correa@otempo.com.br e-mail: politica@otempo.com.br twitter: http://twitter.com/OTEMPOpolitica Atendimento ao assinante: 2101-3838

7 Ameaças a Doria I

A Polícia Civil de São Paulo intimou Odair José da Silva, que se apresenta como presidente municipal do PSL em Santa Isabel (SP), a prestar depoimento no âmbito do inquérito relacionado a mensagens “com conteúdo ameaçador” enviadas ao celular do governador de São Paulo João Doria (PSDB).

7 Ameaças a Doria II

O governador registrou na quinta-feira passada um boletim de ocorrência denunciando ter sido alvo de ameaças e injúrias. Segundo ele, mensagens enviadas ao seu telefone celular indicavam possíveis atos violentos a serem realizados em frente à sua casa.

Política |

Pauta. ALMG vai avaliar se mantém ou derruba o veto de Zema às recomposições da categoria em 2021 e 2022

Reajuste da segurança depende do reflexo do vírus na economia GUILHERME DARDANHAN / ALMG

Parlamentares pedem cautela para analisar cenários durante a pandemia ¬ SÁVIO GABRIEL ¬ A situação econômica e

fiscal de Minas Gerais após a pandemia do coronavírus será o fator decisivo para a manutenção ou não da recomposição inflacionária para os servidores da segurança pública em 2021 e 2022 e para o reajuste para as demais categorias do funcionalismo. As medidas, que haviam sido vetadas pelo governador Romeu Zema (Novo) no início de março, seguem paradas na Assembleia Legislativa (ALMG), enquanto a Casa prioriza os projetos de combate à pandemia, mas devem retornar à pauta tão logo as discussões no Legislativo voltem à normalidade. Por enquanto, os líderes da ALMG afirmam que ainda é cedo para se avaliar um cenário definitivo sobre o problema. “Depende muito do que o governo apresentar – dos dados, da realidade financeira e do que ele (Zema) sinalizar para as demais categorias”, pontuou André Quintão (PT), líder do bloco oposicionista, ressaltando que os impactos do coronavírus impõem uma nova realidade sobre a análise dos parlamentares. “Temos que ter uma clareza maior do tipo de auxílio que vai ser oferecido pelo governo federal e dos impactos econômicos (da pandemia)”, reforçou. Cumprindo um acordo firmado com representantes da segurança pública

Prioridade Foco. Correligionária de Zema, Laura Serrano ressaltou que a ALMG está focada nos projetos de combate ao coronavírus e avaliou que, quando for o momento oportuno, os deputados vão votar os vetos.

em novembro de 2019, Zema enviou, em fevereiro deste ano, um projeto de lei que fazia a recomposição inflacionária da categoria. O índice era de 41,7% no acumulado até 2022. Durante a tramitação da ALMG, os deputados aprovaram uma emenda que estendeu o reajuste, com índices diferentes, para todo o funcionalismo público. Após muitas críticas, inclusive do próprio Partido Novo, que chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida e pressões do governo federal, o Palácio Tiradentes voltou atrás. Com isso, apenas o percentual de 13%, que vale a partir de 1º de julho deste ano, foi sancionado. Como justificativa, o governo de Minas citou a possibilidade de ser derrubada a liminar que impede o Estado de pagar a dívida com a União, além dos impactos do coronavírus, que até então não tinha tomado as dimensões atuais, na economia mineira. Com isso, o governo vetou o reajuste para os anos de 2021 e 2022, além da recomposição para os demais servidores. O deputado Cássio Soares (PSD), líder do bloco independente Liberdade e Progresso pontuou que, antes de tomar qualquer decisão pela derrubada ou não dos vetos, a ALMG deve analisar os relatórios fiscais que o Palácio Tiradentes será obrigado a enviar para a Casa enquanto o estado de calamidade pública vigorar em território mineiro. Líder do maior bloco da ALMG, que possui 23 parlamentares, Sávio Souza Cruz (MDB) também condiciona a manutenção ou não dos vetos à situação econômica do Estado após a pandemia do coronavírus. “É extemporâneo fazermos qualquer avaliação neste momento. Precisamos ver quando for votado, os impactos nas finanças públicas. Mas isso (a crise) poderá ser um fator que induz não só à manutenção (dos vetos), como a outras providências de redução de despesas, caso seja necessário”, completou.

Virtual. Durante o estado de calamidade devido ao coronavírus, deputados estão priorizando pautas relacionadas ao combate à doença

Frases “É extemporâneo fazermos qualquer avaliação neste momento. Precisamos ver quando for votado, os impactos nas finanças públicas.” Sávio Souza Cruz (MDB) DEPUTADO ESTADUAL

“Ainda não discutimos isso. Claro que vamos ter muita responsabilidade diante das circunstâncias, que são atípicas e totalmente novas na história do Estado e do país. Vamos ter que levar isso em conta.”

Recuo

Cancelar aumento depende de encontrar caminho jurídico Somente a recomposição salarial da segurança pública em 2020 vai custar R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos. Diante dos impactos causados pela pandemia do coronavírus, alguns deputados até avaliam que um possível recuo de Zema não está totalmente descartado, mas seria necessário verificar a constitucionalidade da

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medida e como ela seria construída no Parlamento. “Pode se fazer necessário (o recuo), mas aí tem que encontrar a forma jurídica, porque (o reajuste da segurança) já foi convertido em lei”, explicou Sávio Souza Cruz (MDB). O advogado especialista em direito constitucional Henrique Carvalhais afirmou que, mesmo que queira, ZeDENILTON DIAS - 11.7.2017

Cássio Soares (PSD) DEPUTADO ESTADUAL

“Temos que ter uma clareza maior do tipo de auxílio que vai ser oferecido pelo governo federal e dos impactos econômicos (da pandemia).” André Quintão (PT) DEPUTADO ESTADUAL

Sávio Souza Cruz lembra que reajuste já foi convertido em lei

ma não pode revogar uma lei já sancionada. “Precisaria tramitar um novo projeto, e acredito que nem teria possibilidade constitucional de ele fazer isso”, disse, citando o fato de que uma possível revogação do reajuste da segurança pública para 2020 esbarra em dois aspectos constitucionais. “Tem o direito adquirido dos servidores e (o impedimento) da irredutibilidade dos vencimentos”, explica. Na prática, por lei, qualquer norma que reduza o vencimento é considerada inconstitucional. “Mas pode haver a discussão. Em momentos de crise, a gente sabe que o Judiciário tem um julgamento político e se adéqua a esses momentos”, ressaltou o advogado. Questionado por O TEMPO se poderia rever o reajuste de 13% para a segurança pública, o governo de Minas não havia respondido até o fechamento desta edição. (SG)


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18 | O TEMPO BELO HORIZONTE | QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020

O.PINIAO

Editorial

Duke

CUIDADO REDOBRADO No momento em que todas as atenções se voltam para o coronavírus – não sem razão –, é preciso expandir o olhar para outros riscos. Na terça-feira, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou a terceira morte por dengue em Minas. Neste ano, o número de casos investigados já passa de 39 mil. É menos do que o registrado no mesmo período do ano passado – quando houve epidemia –, mas quase quatro vezes mais do que as ocorrências nos três primeiros meses de 2018. A possibilidade de uma explosão de casos neste período preocupa. Ainda mais que, entre as 64 cidades com níveis alto e muito alto da arbovirose, em pelo menos duas há registros da Covid19 (Bom Despacho e Campo Belo). E o principal laboratório para diagnóstico no Estado, a Fundação Ezequiel Dias, tem que se dividir na análise de exames dessas duas ameaças. Na história recente, não há ocorrências de epidemias cruzadas. A última vez em que houve esse risco foi em 2009, com o H1N1, que, felizmente, não foi acompanhado por um surto de dengue, segundo informações da Associação Brasileira de Medicina Tropical (ABMT). Além da sobrecarga dos serviços de saúde com pacientes de dengue e Covid-19, os especialistas da ABMT ressaltam que faltam informações a respeito de quais seriam os efeitos no paciente de uma infecção por coronavírus e arbovírus ao mesmo tempo. Outro desafio já está sendo enfrentado. Com o isolamento social, as vistorias domiciliares precisaram ser adequadas e limitadas ao entorno das casas. O que aumenta a responsabilidade de todos na prevenção ao surgimento de focos do Aedes com a limpeza adequada dos reservatórios e o controle criterioso na dispensa do lixo. Um cuidado adicional que pode significar a diferença entre a vida e a morte.

FUNDADOR PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DIRETOR EXECUTIVO

Vittorio Medioli Laura Medioli Marina Medioli Heron Guimarães

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Primeira: Marina Schettini Política: Ricardo Corrêa Opinião: Frederico Duboc Economia: Karlon Aredes Brasil/Mundo/Interessa: Aline Reskalla Super.FC: Frederico Jota Magazine: Marília Mendonça Fotografia: Daniel de Cerqueira

OPINIÃO

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ANDREIA DE JESUS E CIDA FALABELLA Deputada estadual (PSOL) Vereadora em Belo Horizonte (PSOL)

Em tempos de pandemia: sobre viver trabalhando com cultura Medidas de mitigação dos impactos econômicos para o setor

E

m busca de alento para tanta apreensão e restrições de convívio social, o contato com a criatividade humana é um dos poucos espaços que nos restam para transcender e renovar esperanças. Recorremos a filmes, livros, músicas, cânticos, ritos, imagens, poemas – muitas vezes, porém, sem nos darmos conta de que o trabalho de uma legião de operários da cultura foi fundamental para que existissem. São mestres populares, artistas, produtores, técnicos, gestores, trabalhadores essenciais, como tantos outros, que dedicam sua vida a uma construção profissional comprometida com o fazer criativo, poético, estético e ético. Nesta crise de proporções desconhecidas, é da reciprocidade do Estado Brasileiro a esse compromisso social que queremos falar. O setor cultural, responsável por 2% do PIB brasileiro, é um dos segmentos mais atingidos pelas restrições de convívio em função do risco de transmissão do vírus. Em BH, mesmo antes do decreto que determinou a suspensão de eventos culturais e o fechamento de casas de espetáculos, artistas e produtores já vinham cancelando seus compromissos profissionais para somar nas medidas de proteção à saúde da população. O mesmo se viu em cidades do interior. União, Estado e municípios, porém, ainda não responderam às necessidades urgentes e

às reivindicações por medidas específicas que possam mitigar o impacto econômico que essas restrições trazem aos profissionais, às entidades da área cultural e a todos fazedores de cultura, incluindo os povos e as comunidades tradicionais. Até o momento, apenas providências administrativas foram anunciadas pelos Poderes Executivos em Minas Gerais – grande parte delas relacionadas à prorrogação ou à suspensão de prazos dos mecanismos de incentivo fiscal. Medidas burocráticas que atingem um espectro ínfimo da categoria: são empreendedores com projetos aprovados e com recursos captados na iniciativa privada. O recorrente discurso de preocupação com a continuidade, a descentralização e a democratização do fomento não se sustentam sem uma ação que represente investimento direto de recursos dos Tesouros na recuperação do setor. Em nosso trabalho legislativo na Gabinetona, temos buscado alternativas para superar essa inércia dos Poderes Executivos. Apresentamos à Secretaria Municipal de Cultura de BH propostas construídas com diversos agentes culturais e temos dialogado com a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão sobre a urgência de medidas concretas. Também temos acompanhado debates do setor junto à Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais – que segue há semanas sem comando, após os pedidos de exoneração

do secretário e da subsecretária de Cultura. Lamentável e simbólico que, em um momento como esse, o governo Zema siga rebaixando a importância da pasta na recuperação econômica de Minas. Em âmbito federal, por meio do mandato da deputada Áurea Carolina, construímos com membros da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1.075/2020. Essa iniciativa suprapartidária resultou em uma série de ações emergenciais destinadas ao setor cultural durante a pandemia. Se aprovada, a lei garantirá complementação de um salário mínimo na renda de trabalhadores informais da cultura, o adiantamento de recursos para projetos aprovados em editais federais, a proibição do corte no fornecimento de serviços essenciais para espaços culturais e a moratória de tributos para entidades do setor. Em tempos de pandemia, sobreviver significa, também, cultivar e reinventar a existência e a vida através da cultura. Reconhecer a especificidade desse setor, antevendo tempos duros para a retomada de suas atividades, soma-se à luta para que a vida de todo o conjunto da sociedade brasileira seja priorizada neste momento de crise, com medidas como a renda básica universal e linhas de crédito para micro e pequenas empresas. E essa luta é também contra o tempo. Ações efetivas que também garantam a sobrevivência dos trabalhadores não podem mais tardar.


O TEMPO BELO HORIZONTE| QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020 | 19

OPINIÃO “O mercado segue firme e abastecido para garantir a alimentação.” Noé Xavier da Silva

x

entre aspas

PRES. DA ASSOC. COMERCIAL DA CEASAMINAS

Descartando falta de produtos no local

“É uma experiência estranha, frustrante e angustiante.” Príncipe Charles HERDEIRO DA COROA BRITÂNICA

Sobre como é estar com a Covid-19

Wilson Campos

A solidariedade entre as nações precisa melhorar

Advogado e presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade da OAB-MG

Pagando um preço muito alto pelo erro

A

lição ficará para sempre, independentemente daqueles que não querem aprendê-la e preferem a ignorância. A pandemia de Covid-19 está mostrando ao mundo a insignificância dos bens materiais em face dos valores morais, sociais e ambientais. A ganância das nações poderosas restará resumida à necessária cooperação mútua, indispensável à civilização. Os países, por mais desenvolvidos que sejam, não estão preparados para eliminar o coronavírus e muito menos as pandemias futuras. Não sabem ainda como enfrentar a disseminação do vírus em seus mais diversos ambien-

tes. A globalização, a tecnologia e a internet tornaram-se estrelas do avanço contemporâneo, mas o mundo se esqueceu da estruturação das áreas da ciência da saúde e da microbiologia, em prol da defesa da humanidade. Os avanços tecnológicos não privilegiaram os países pobres, que estão à mercê de seus equipamentos ultrapassados e investimentos pífios na área da saúde. Aliás, os sistemas de saúde dos países pobres são frágeis e não correspondem ao mínimo necessário, e os dos países ricos não estão preparados para deter o vírus. Ou seja, grandes investimentos em determinadas tecnologias de ponta e pouca verba pa-

ra pesquisas de vacinas contra microrganismos e doenças invisíveis. Se a preocupação mundial é com poder bélico, mísseis, guerras nucleares e demonstração de força, chegou a hora de mudar e admitir o medo de infecção por um vírus altamente contagioso. Caso contrário, todos pagarão um preço muito alto pelo erro. A devastação na economia será certa e colocará de joelhos os pequenos países, mas os grandes também sofrerão reveses. A união de todos se fará necessária no combate ao inimigo comum e na construção de uma nova ordem mundial, pacífica. A solidariedade entre as nações

precisa melhorar, urgentemente, com maior ênfase às mais atingidas pelo coronavírus. O mundo deve entender que a omissão de antes não pode prosperar, que a doença requer cura imediata e que a prevenção contra a próxima pandemia deve começar agora. E que toda a tecnologia do mundo globalizado sirva também para salvar vidas. As epidemias e pandemias anteriores (dengue, gripe espanhola, ebola, Sars, entre outras) não mereceram a atenção necessária dos líderes mundiais, que não capacitaram hospitais e pessoas para novos enfrentamentos. Todos esses casos foram tratados com

negligência. E, mais uma vez, com o ataque do coronavírus, o mundo virou de ponta-cabeça, e os governantes se perderam em providências precárias de última hora. Tão logo passada a pandemia e acalmados os ânimos, um novo mundo se desenhará no horizonte. Se bom ou ruim, fácil ou difícil, ninguém sabe. O absurdo número de mortes chocará a humanidade e deixará famílias inteiras marcadas pela dor e pela perda. Mas, ainda assim, a grande expectativa será de dias melhores, sem medo, sem vírus, sem guerra e sem inimigos a enfrentar. Utopia ou possibilidade?

José Eloy dos Santos Cardoso

O risco de negligenciar a prevenção

Professor e jornalista

FACEBOOK/PORTALOTEMPO

Paulo Roberto Oliveira

Sobre a matéria “Governo federal anuncia pacote de R$ 200 bilhões para saúde e empregos” (portal O Tempo, 1º.4), isso é governar. Ser governo não é ficar falando contra inimigos políticos. Fábio Farias

Acerca da matéria “Coronavírus: morre morador de Mariana com Covid-19; é o terceiro óbito em MG” (portal O Tempo, 1º.4), a princípio, a vítima, nesse caso, não pertencia ao grupo de risco, mas esse vírus pode matar em todas as idades. Meus sentimentos aos familiares e que este momento acabe logo. Maria Isabel Azevedo

Quando se fala que no Brasil se morre de tantas coisas é porque não se dá o devido valor à vida. O Japão dá. A Coreia do Sul dá. Lá é diferente, se respeitam o velho, o professor etc. Nem dá para comparar com o tratamento que existe no Brasil. Renato Paulino

Com relação à reportagem “Zema solicita auxílio do Exército para desinfecção de estações de ônibus e de metrô” (portal O Tempo, 1º4), que alegria ver o glorioso Exército brasileiro dando as caras. Parabéns, meu governador, eis aí o bom mineiro, que não foge às suas tradições. Minas Gerais e Exército unidos. Baltazar Santos

Por que não convocar os servidores públicos que estão em casa?? As cartas enviadas para esta coluna devem ter, no máximo, 400 caracteres.

S

erá que os brasileiros, de um modo geral, não têm medo de pegar o coronavírus? Essa pergunta tem sentido de ser, depois que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, declarou que tinha vontade de abrir totalmente o comércio e a indústria para a população voltar a trabalhar, ir às escolas e até visitar parques e jardins nacionais. Fica claro que sua intenção contraria totalmente o que quase todos os países do mundo e a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam, ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Os exemplos espanhóis e italianos estão aí para que todos vejam os prejuízos deste mal atual. Só a Espanha vive hoje um autêntico pandemônio. No dia 28 último, sábado, foram 8.200 novos casos e 832 mortes. No total, são 70 mil contaminados que fizeram aqueles países europeus ganharem o campeonato de

pavor ao virarem os principais centros da pandemia global. Madri foi cidade famosa por seus bares e terraços ao ar livre. A capital espanhola virou uma cidade-fantasma e militarizada ao máximo após o confinamento decretado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. Caminhar nas ruas sem uma razão lógica e iminente pode render a pesada multa de até € 3.000, ou R$ 17 mil na moeda brasileira. Imagens de Roma e Madri dão o tom da crise. Na capital espanhola, a Guarda Civil ocupou uma fábrica de máscaras e levou cerca de 150 mil unidades para os hospitais. Mesmo que a Espanha e a Itália não sirvam de exemplo para muitos, é bom dizer que a saúde pública daqueles países está em seu limite máximo, e os caminhões do Exército se tornaram veículos funerários para levar corpos para os crematórios. Com um número elevadíssimo de vítimas mortas e os cemitérios lotados, a saída

E-MAIL opiniao@otempo.com.br

1964

aO dia 31 de março nos Marcos Tito

Exemplos europeus

Coronavírus

a

são os crematórios, que exigem menos trabalho e em um mesmo dia podem fazer inúmeras cremações. Os exemplos europeus devem fazer os brasileiros pensar muito antes de dar razão ao presidente. É claro que o fechamento total da indústria e do comércio arrasam qualquer economia em diferentes países. A China conseguiu controlar a epidemia por meio do fechamento daqueles setores para que novas contaminações fossem evitadas. Se o governante nada teme, a maioria da população tem muito medo de ficar doente e morrer. Afinal, os leitos brasileiros em hospitais adaptados em campos de futebol não chegam nem ao pé daqueles feitos na China. Agora, é rezar a Deus para que o Brasil fique livre do coronavírus o mais breve possível. Excepcionalmente hoje não publicaremos a coluna de Acílio Lara Resende

faz lembrar uma das páginas mais vergonhosas e deprimentes da nossa história, que disputa com a escravidão negra momentos de muita revolta e tristeza! O golpe militar de 1964 violou as nossas instituições, fechando arbitrariamente o Congresso Nacional, cassando mandatos populares. Eu fui uma das vítimas da ditadura, pois tive o meu mandato de deputado federal cassado. Foi uma represália à minha luta pela redemocratização, denunciando a censura aos órgãos de imprensa, as prisões ilegais, as torturas nos presídios e as mortes de muitos que se opunham à ditadura! Não vamos esquecer essa vergonhosa página da história!

Eleições

aSou levado a dar razão a Kleber Pereira Gonçalves

Aécio Neves ao propor adiamento das eleições. Deveria propor o uso do Fundo Eleitoral e a redução dos salários lunares nos Três Poderes.

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Mais um reforço. Meia, de 27 anos, deverá ser emprestado pelo clube baiano ao Cruzeiro até o final da temporada

SUPER.FC

Enderson elogia Régis, e Bahia admite papo FELIPE OLIVEIRA/EC BAHIA

¬ JOSIAS PEREIRA ¬ O técnico do

Cruzeiro, Enderson Moreira, em entrevista à Rádio SUPER 91,7 FM, rasgou elogios ao meia Régis, de 27 anos, atualmente no Bahia, um dos alvos do clube para esta temporada. Apesar disso, manteve o mistério em relação as tratativas do clube pelo jogador. Dentre os elogios, o comandante destacou a verticalidade de Régis, que pode trazer uma qualidade maior ao time. “Já trabalhei com o Régis. Trata-se de um meiaatacante de boas características ofensivas, um jogador que realmente traz uma qualidade muito interessante por onde passou, sempre de agressividade, de ser um jogador mais vertical, mas a gente não tem nada definido”, disse Enderson. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, confirmou ao jornalista Jorge Nicola que o clube negocia junto ao Cruzeiro a possibilidade de repassar o meia Régis, nome que vem sendo especulado no clube mineiro desde o início da temporada. As tratativas tendem a se desenrolar nos próximos dias, ainda mais após a chegada de Enderson Moreira. “O Cruzeiro é um clube

amigo, um clube parceiro do Bahia. Estive em Belo Horizonte no começo do ano quando a nova diretoria assumiu. A gente tem muita conversa com o Cruzeiro, não apenas em relação ao Régis. Mas pode ser que aconteça, pode ser que não. Tem muita coisa ainda para conversar. Temos que ver se o atleta está interessado ou não. Estamos negociando, mas sem pressa”, disse o mandatário do clube tricolor. Régis tem contrato com o Bahia até o fim da temporada. Preterido pelo técnico Roger Machado, o meia entrou em campo apenas duas vezes em 2020. Na eliminação na Copa do Brasil, para o River-PI, e na vitória por 2x0, sobre o CSA-AL, pela Copa do Nordeste. Nas duas oportunidades, ele saiu do banco de reservas.

120 partidas

disputou o meia Régis com a camisa do Bahia

23 gols

fez o jogador pelo clube baiano

Elogiado pelo técnico Enderson Moreira, meia Régis, que fez 23 gols em 120 jogos pelo Bahia, deve ser o próximo reforço do Cruzeiro

Duke

Pandemia

Cruzeiro vai reduzir salários de todos os funcionários em 25% após as férias ¬ De hoje até 20 de abril, todos os jogadores e a comissão técnica do Cruzeiro estão de férias por causa da pandemia do novo coronavírus, que paralisou campeonatos ao redor de todo mundo e está causando enorme impacto nas finanças dos clubes. A decisão já tinha sido tomada na semana passada, mas, ontem, a Raposa também definiu que, após o retorno das férias, irá reduzir o salário de todos os seus funcionários em 25%, caso a situação da Covid-19 se mantenha. O anúncio foi feito por meio de nota oficial publicada no site do clube. A redução não vai ocorrer apenas para os jogadores

e a comissão técnica, mas para todos os funcionários e também a diretoria. O Cruzeiro ainda afirmou que poderá já iniciar a redução para os que não estão de férias. Confira a nota oficial do Cruzeiro Esporte Clube: “Considerando que é fato público e notório a propagação comunitária do coronavírus (Covid-19), tendo ainda o Ministério da Saúde declarado ‘em todo o território nacional, o estado de transmissão comunitária do coronavírus (Covid-19)’, pela Portaria nº 454, de 20 de março de 2020.” “Considerando os impactos econômicos já verificados pela pandemia e os que ainda se verificarão, exigindo a

necessidade de medidas emergenciais e temporárias.” “Considerando a paralisação de todos os campeonatos envolvendo equipes do futebol brasileiro.” “O Cruzeiro Esporte Clube resolve conceder a todos os jogadores e membros da comissão técnica 20 dias de férias a partir do dia 1º de abril. Caso se mantenha a situação de pandemia, será aplicada uma redução de 25% sobre o salário dos funcionários (colaboradores, jogadores, diretoria e membros da comissão técnica), imediatamente após o retorno das férias, mesmo período em que poderá iniciar a redução para os que não estão de férias.”

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SUPER.FC

Caras novas. Presidente atleticano disse que só uma proposta irrecusável o faria mudar de ideia

Sette Câmara descarta reforços BRUNO CANTINI/ATLÉTICO - 9.3.2020

¬ DA REDAÇÃO ¬ O presidente

do Atlético, Sérgio Sette Câmara, disse na tarde de ontem, com exclusividade ao repórter Roberto Abras, da rádio SUPER 91,7 FM, que o clube não tem condições de trazer reforços neste momento. Ainda segundo o dirigente alvinegro, a situação só seria possível se aparecesse algum “negócio da China”. Em live realizada na semana passada na TV do clube, o mandatário atleticano já tinha explicado que o Galo teria que controlar seus gastos porque a receita do clube caiu consideravelmente com a interrupção das competições por causa da pandemia do coronavírus. No último domingo, Sette Câmara anunciou redução salarial, inclusive do badalado técnico argentino Jorge Sampaoli. “Eu estou reduzindo a folha salarial do clube em 25%. Foi preciso cortar dos jogadores, comissão e funcionários. Só quem ganha menos de R$ 5 mil não terá redução. Estou enxugando de tudo quanto é jeito, porque não sei o que vai acontecer”, explicou o dirigente. “Só se aparecer um negócio da China que vamos fazer. Eu não tenho como reduzir salário de jogador e investir alto em outro atleta, por exemplo, porque vou até criar um problema interno”, completou Sette Câmara.

Presidente Sérgio Sette Câmara afirma que o fato de ter reduzido os salários dos jogadores torna qualquer nova contratação inviável

Goleiro Bruno

De volta ao futebol carioca ¬ RIO DE JANEIRO. O goleiro Bru-

no deu mais um passo para tentar retomar sua carreira de jogador. Segundo a imprensa carioca, o ex-atleta de Atlético e Flamengo, que cumpre pena em regime semiaberto pela morte da modelo Eliza Samúdio, assinou contrato com o clube empresa J. Winners, com sede em Portugal. O anúncio foi feito ontem no perfil oficial de Bruno no Instagram. Bruno deve ser emprestado a um clube do futebol carioca para a disputa da segunda divisão Estadual, mas o nome do time ainda não foi divulgado. Cumprindo o restante da pena em regime semiaberto, ele foi autorizado pela Justiça de Minas Gerais a se mudar para a cidade de Arraial do Cabo, no litoral fluminense, onde sua mulher tem residência. Esta não é a primeira vez que Bruno tenta retomar a carreira após o crime ocorrido em 2010, do qual ele foi apontado como o principal culpado. O Boa Esporte, de Varginha, foi o primeiro time que Bruno vestiu a camisa após deixar a prisão. A contratação rendeu apoio de alguns torcedores, mas também muitas críticas, inclusive, com perda de patrocínios e protestos. Com a prisão revogada e após cinco partidas, Bruno voltou para a prisão. Durante os jogos, o goleiro era bastante vaiado e chamado de assassino por alguns, enquanto outros tentavam dar apoio à retomada da carreira. No fim do ano passado, Bruno foi contratado pelo Montes Claros, mas participou de apenas um jogo.

Solidariedade

Arana compra cestas básicas para ajudar comunidades em São Paulo ¬ Ao lado do cantor e amigo Thiago Brankinho, o lateralesquerdo Guilherme Arana, do Atlético, comprou 400 cestas básicas para distribuir em comunidades carentes de São Paulo, que é a cidade mais atingida pela pandemia do coronavírus no Brasil. “Nossa equipe está formada. Agora é encher nosso caminhão, se equipar com nosso material de proteção individual e muito álcool em gel. Lembrando que todo cuidado ainda é pouco”, escreveu o jogador em suas redes sociais. (Da redação)


Cruzeiro. Técnico Enderson Moreira elogia meia Régis, do Bahia, provável reforço. Página 21

SUPER.FC

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CRISTIANE MATTOS - 30.1.2020

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O TEMPO BELO HORIZONTE QUINTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2020

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“Voltarei ainda melhor” Felipão diz estar pronto para voltar ao trabalho e lamenta ter ficado com a conta dos 7 a 1 para a Alemanha, em 2014

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¬ SÃO PAULO. “Ele não estava tentando mar-

car, estava tentando cruzar”. Assim Luiz Felipe Scolari definiu o gol de falta marcado por Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 2002. Scolari ainda revelou mágoa com a repercussão da derrota para Alemanha em 2014. Na semifinal disputada no Mineirão, Felipão viu o time levar 7 a 1, sendo eliminado de forma vexatória do torneio. “Foi a maior bomba, o maior desastre que a seleção já sofreu. Em 1950, perderam, foi um desastre, mas foi por 2 a 1. O número de gols foi diferente”, falou. “Eu era a pessoa mais intimamente associada a isso. Sou até hoje. Fui eu que assumi a maior parte da culpa. Quando o Brasil venceu em 2002, eu não era o maior herói. Todos eram heróis. Eu esperava que todos nós fôssemos culpados, que a imprensa reconhecesse que o Brasil perdeu. Mas não foi assim”, disse. Sem clube desde a saída do Palmeiras, Felipão disse que acompanha os jogos e pretende voltar. "Tive tempo para examinar os jogos, as equipes e os gols marcados. Voltarei melhor do que antes", prometeu.

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Federal

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NILTON SANTOS/DIVULGAÇÃO - 14.5.2002

TEL: (31) 2101-3921

Goleiro Bruno pode voltar a jogar por um clube carioca.

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O TEMPO publica diariamente o resultado das loterias. Fique atento ao número do sorteio.

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* Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia divulgado o resultado do sorteio.


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