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Jornal O Tempo Betim 22.01.2022

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Vacinação. Crianças terão repescagem de doses. Página 12

Educação. Estudantes receberão kit escolar a partir do dia 31. Página 11

FOTOS RONALDO SILVEIRA

Exemplo.

Betim

21 a 27 de janeiro de 2022 Ano XLVII - Número 2006 - - www.otempobetim.com.br

A gari Maria ficou sem teto, mas segue com sua missão de limpar ruas. Página 7

Moradores afetados pelos temporais não pagarão IPTU Imóveis que ficaram alagados ou que tiveram danos estruturais com as chuvas terão 100% de isenção do imposto. Município e União liberaram R$ 2,5 milhões para assistir às famílias. Página 3 MINÉRIO DE FERRO

DEPOIS DAS ENCHENTES, LAMA TÓXICA? RISCO À SAÚDE

‘Minha pele coçou e feriu’ Pessoas como a dona Neusa Silveira, expostas à lama que veio com as enchentes e destruiu dezenas de casas na região do Citrolândia, relatam reações como coceira e diarreia. Prefeitura disponibilizou Vacimóvel para aplicar doses contra doenças. Página 5

Prefeituras apuram se água foi contaminada; Vale é notificada a limpar ruas e casas atingidas Página 4

ESTRAGOS. Moradores que perderam tudo com as enchentes, como Alexandre Ferreira, afirmam que lama que veio do rio Paraopeba está mais densa e contém rejeitos de mineração. Suspeita é que sejam do rompimento da barragem em Brumadinho. Páginas 4 a 7.


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OPINIÃO

Betim - 21 a 27 de janeiro de 2022

Vittorio Medioli

Confira o vídeo deste artigo por meio do QRCode

vittorio.medioli@otempo.com.br Fax: (31) 2101-3903

A árvore de Calisto correnteza do tempo passa e arranca o que encontra. A fortuna se alterna em seus favores e desprazeres, o equilíbrio cósmico se encarrega de processar o inevitável com implacável determinação. Foi-se aos 83 anos e, para a maioria dos leitores desta coluna, pouco significa Calisto Tanzi, um ex-empresário italiano que sacudiu os noticiários também do Brasil, no final do século passado e no começo do novo. Para enquadrálo na moldura, basta lembrar as vitórias de Nelson Piquet na Fórmula 1, com um carro branco-leite e azul como o mar. “Parmalat” era o nome que se destacava, e atrás desse nome de patrocinador emergente do esporte estava exatamente Calisto Tanzi. Naquela época, era raro alguém apostar numa camisa de atleta, num carro de corrida, num time de vôlei, na compra de um jogador de futebol. Ele abraçou tudo ao mesmo tempo e mostrou que o investimento de marketing no esporte dava resultado. Um exemplo foi quando contratou o melhor atleta de futebol do Japão apenas para deixá-lo no banco de reserva do Parma Futebol e lançar em Tóquio a camisa dele com a marca Parmalat. Resultado: captou U$ 1,5 bilhão em debêntures para a “fracassada” empresa dele. Calisto era arrojado, no limite do temerário, mas seus negócios aumentavam, se multiplicavam – inicialmente, na Itália e, depois, no mundo inteiro. A Parmalat adquiriu dimensões planetárias, ocupou grande fatia de mercado e

A

se ergueu como rival da própria Danone e da Nestlé na comercialização de derivados do leite. Avançou em outras frentes da alimentação, como biscoitos, macarrão, queijos, conservas e molhos de tomates, e também do turismo e da comunicação com canais de TV. No esporte, chegou a controlar vários clubes de futebol – não só o Parma, mas o Palmeiras, aqui, no Brasil – e estampou a marca Parmalat até na camisa do Real Madrid. Calisto surfava uma onda de ouro, era o próprio Midas, quebrador de tabu, recordes, firmando-se como um vencedor do impossível. As relações políticas dele eram frenéticas, e ele passava mais tempo em Roma que na própria Milão, capital das finanças italianas, ou Parma, sede de seus negócios. No Brasil, começou em Itamonte, em 1976, tendo comprado em seguida mais de 20 laticínios em todo o território do Brasil e outros tantos em vários países sul-americanos. O Palmeiras ganhava títulos atrás de títulos, e no portfólio da empresa constava mais da metade da seleção brasileira. Os bancos oficiais italianos liberaram bilhões e bilhões como se fosse o dinheiro mais bem investido do mundo. Mas a correnteza leva as águas acima do barranco e arrasta árvores seculares, e dessa forma se foi definitivamente a Parmalat de Calisto. Caiu pondo fim a uma ciranda que faz lembrar, aqui do outro lado do oceano, Eike Batista, os irmãos Joesley e Wesley Batista e Marcelo Odebrecht.

Destaquedasemana ELVIS DE PAULA/PREFEITURA DE BETIM

Na verificação das contas secretas de Calisto, descobriram-se os nomes de centenas de políticos de todos os partidos. Raro um político de médio prestígio e sucesso não ter confessado o recebimento “dentro da cota legal” eleitoral. A parte não legal ninguém reconheceu. Morreu agora, com 83 anos, depois que sua coleção de arte, seu iate principesco, seus aviões transcontinentais, suas casas e qualquer objeto foram a leilão para amenizar o rombo de R$ 120 bilhões, ocorrido em 2003, quando a não renovação de um empréstimo desencadeou o tsunami que varreu seu frágil castelo de papel e fraudes contábeis. Os bancos aceitaram em garantia um saldo de U$ 4 bilhões na conta das ilhas Cayman – que, na realidade, nunca existiu. A filha, uma espécie de princesa, passou a trabalhar de recepcionista no balcão de um hotel, e o filho, que morava aqui no Brasil no auge da ciranda, submergiu no anonimato. Como todas as árvores que deram frutos e sombra no império de Calisto, sumiram como bolhas de sabão. O ex-empresário permaneceu longos anos na cadeia, sem mordomias, até que, por idade e condições físicas, foi arrestado em prisão domiciliar. Enquanto se pensa serem necessárias algumas gerações para tantos feitos, Calisto conseguiu queimar as etapas tanto na escalada quanto na queda. Dele, em breve, restará uma lembrança, que depois se apagará, como da árvore que nasceu portentosamente frondosa e se foi na enchente.

Tempo Bom Tempo bom para a cidade, que registrou, no ano passado, o menor índice de crimes violentos dos últimos dez anos, dentro de uma série histórica iniciada em 2004. Em 2021, foram 1.495 ocorrências violentas, 81,06% a menos que o contabilizado em 2016, ápice da criminalidade no município.

Tempo bom para o acordo feito entre o município e 45 moradores do Beco Fagundes, no Teresópolis. Essas famílias serão indenizadas ou receberão auxílio para terem suas casas demolidas, já que estão em área de alto risco geológico. É o mais sensato diante da situação de emergência que Betim viveu nos últimos dias com as chuvas.

Tempo bom para usuários do Centro de Nefrologia. É que 100% da hemodiálise está sendo oferecida na unidade (antigo Betim Shopping).

Tempo Ruim Tempo ruim para as perdas registradas com as enchentes. Além de uma pessoa que morreu soterrada no Citrolândia, mais de 9.000 pessoas ficaram desalojadas. Ao todo, 36 mil moradores foram afetados pelos temporais.

Tempo ruim para o solo e para a população que teve contato com a lama que, com o transbordamento do Paraopeba, adentrou dezenas de casas na região do Citrolândia. Betim e outras cidades do Médio Paraopeba coletaram amostras para enviar à perícia técnica, pois a suspeita é que o material esteja contaminado com minério de ferro que estava no fundo rio e veio do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, há 3 anos.

Tempo ruim pra alta dos Palmas pra eles. Colaboradores diretos ou indiretos da prefeitura, forças de segurança, além de centenas de anônimos uniram forças pra ajudar s famílias vítimas das enchentes que atingiram a cidade.

preços de legumes e verduras. Alguns itens subiram quase 300% na Grande BH.


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Cidade

Benefícios A Copasa vai isentar a conta de água de imóveis atingidos pelas chuvas e está pegando dados junto à Defesa Civil. A Cemig vai renegociar débitos – nesse caso, deve-se entrar em contato pelo WhatsApp (31) 3506-1160.

REPRODUÇÃO INTERNET

Imóveis atingidos pela chuva terão isenção de IPTU Decreto foi publicado no ‘Órgão Oficial’ dessa quinta; prefeitura afirma que todas as informações estarão disponíveis na semana que vem PMB / DIVULGAÇÃO

José Augusto Alves jose.augusto@otempobetim.com.br

Saque do FGTS De acordo com Cypriano, também será liberado para os atingidos pelas chuvas o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo o procurador de Betim, o morador deverá procurar uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) nos próximos dias para fazer o pedido.

Segundo levantamento da prefeitura, 43,88% do perímetro urbano do município teve algum impacto das 1.900 ocorrências registradas em decorrência das chuvas, como as áreas afetadas por alagamentos, deslizamentos e vias bloqueadas. Atualmente, ainda há 1.500 pessoas desalojadas, sendo que 180 estão em abrigos disponibilizados pelo município. Ao todo, 36 mil foram impactadas de alguma maneira. Isso aconteceu porque Betim foi, do dia 1º até o dia 13 de janeiro, a terceira cidade do Brasil que mais recebeu chuva. Foram registrados 611 milímetros, conforme levantamento do site ClimaTempo – o triplo da média esperada para todo o mês. (JA) Afetados. Mais de 42% do perímetro urbano de Betim foi impacto pelas chuvas; moradores atingidos estarão isentos de IPTU neste ano

1.500 Total. Número de desalojados na quinta (20) por causa das chuvas. No pior momento, chegouse a 9.251 pessoas.

180 Abrigos. Número de moradores que estão em abrigos. Já foram mais de 310 na semana passada.

1.900

Assistência aos atingidos

Município e União garantem R$ 2,5 mi PREFEITURA DE BETIM/ DIVULGAÇÃO

A Prefeitura de Betim vai isentar do pagamento do Imposto Territorial Predial Urbano (IPTU) todos os imóveis que foram atingidos pelas chuvas e tiveram algum dano. A medida tem como objetivo ajudar os contribuintes que foram afetados pelos temporais, já que muitas residências ficaram destruídas com as enchentes. O decreto que garante a isenção de 100% do valor da cobrança foi publicado nessa quinta (20). Conforme o município informou, os contribuintes que tiveram suas casas alagadas, inundadas ou com danos estruturais em razão das chuvas não vão pagar o IPTU neste ano. “Estimamos que haja cerca de 5.000 imóveis que foram afetados pelas chuvas. Será aberto um processo administrativo, que depois será encaminhado para a Defesa Civil emitir um laudo comprovando o dano e que a casa foi afetada pelos temporais”, explicou o procurador geral de Betim, Bruno Cypriano. Ao longo da semana, a prefeitura definirá a data em que os moradores contemplados deverão se apresentar. Ainda segundo Cypriano, dos imóveis atingidos, apenas cerca de 6% se encaixam nos critérios do município para pagar o imposto. “Inclusive, o decreto já foi aprovado tanto pelo governo federal quanto pelo estadual”, completou.

Mais de 43% do território afetado

Ocorrências. Quantidade de chamados por causa das chuvas, como deslizamentos, alagamentos e quedas de barreiras. Distribuição. Moradores afetados pelas chuvas estão recebendo kits

A prefeitura e o governo federal garantiram um recurso de R$ 2,5 milhões – sendo R$ 1,6 milhão da União – para a compra de cestas básicas, kits de higienização para a limpeza dos imóveis atingidos, além de kits de higiene pessoais, kits- enxoval e colchões. Esses materiais foram comprados e já estão sendo entregues às famílias atingidas. “É muito importante, porque ajuda a gente. Minha casa teve lama até o teto e precisa de muita limpeza. Perdemos quase tudo. Esses materiais e kits estão servindo para nos ajudar a recomeçar”, disse o motorista de aplicativo José Faria.

De acordo com o secretário de Governo de Betim, Guilherme Carvalho, esse repasse só foi possível porque as autoridades locais agiram rapidamente e demonstraram ao governo federal, em reunião com Alexandre Lucas, secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, a necessidade do aporte financeiro. Logo no fim de semana das chuvas, os gestores municipais se reuniram com Alexandre Lucas para discutir as ações. “A gestão do desastre é fundamental para sofrer menos e isso foi aplicado com sucesso aqui em Betim. O primeiro objetivo é salvar e resgatar as pessoas”, disse Alexandre Lucas.


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CIDADE

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Rejeitos em lama afetam solo, e material é periciado PREFEITURA DE BRUMADINHO/DIVULGAÇÃO

Lisley Alvarenga e Daniele Marzano lisley.alvarenga@otempo.com.br

São incalculáveis os prejuízos que uma provável contaminação da lama que o rio Paraopeba levou para comunidades ribeirinhas pode provocar, afirmam especialistas consultados pela reportagem. A situação ocorre após a força das águas e os transbordamentos dos últimos dias terem trazido à tona rejeitos que estavam sedimentados em seu leito desde o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, há três anos. O secretário de Meio Ambiente de Betim e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, Ednard Tolomeu, explica que o rejeito de minério presente na lama prejudica a absorção de água pelo solo, não sendo possível mais alimentar o lençol freático. “A consequência disso é que esse solo, pelo período de, no mínimo, um ano, não poderá ser usado mais para a plantação. Será preciso retirar essa terra contaminada e tratar o que ficar com materiais orgânicos para a recomposição do local. Ou seja, será um estrago devastador para a região”, afirmou o secretário. Colaboradores das equipes da Defesa Civil que estão atuando no local relataram que peixes não são vistos mais no rio Paraopeba desde os temporais desta semana. “A sensação é a de que não há vida mais no rio”, disseram. Além da devastação da biodiversidade, o secretário de Meio Ambiente chamou a atenção para o enorme prejuízo financeiro que a lama vai gerar, tanto para as famílias produtoras quanto para o município. “Os produtores agrícolas não terão mais um solo fértil, e o município precisará reconstruir toda a rede de drenagem pluvial da região do Citrolândia. Todas as cisternas que havia no local ficaram entupidas, e todas as fossas es-

Análise de rejeitos As prefeituras da região, como as de Betim, Brumadinho, Mário Campos e São Joaquim de Bicas, bem como o projeto

Manuelzão e a Universidade Federal de Ouro Preto, estão fazendo a análise da água e do sedimento que invadiu os imóveis às margens do rio Paraopeba para saber se há algum tipo de material tóxico. “Essa quantidade de rejeito assoreia o rio e faz exatamente o que estamos vendo: com as chuvas, o nível da água sobe muito mais depressa e numa altura muito maior. Mas estamos devidamente qualificando essas amostras para poder ter dados mais precisos pra afirmar sobre isso”, disse o coordenador do projeto Manuelzão, Marcus Polignano.

Notificação

5 dias É o prazo que o governo do Estado estipulou para a Vale começar a agir. Perícia. Municípios estão coletando água e sedimentos no Paraopeba para analisar se há toxicidade

Estado quer que mineradora limpe ruas e elabore ações A pressão feita por municípios como Betim e Brumadinho, devastados com a lama trazida pelas enchentes do rio Paraopeba, surtiu efeito. Na terça (18), o governo de Minas, por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), determinou que a Vale adote, de forma imediata, medidas em áreas impactadas pelas últimas chuvas, além de exigir que a empresa apresente um plano de ações em cinco dias, contados desde então. A notificação foi feita após um aumento significativo no nível e na vazão do rio, provocados pelas chuvas ocorridas nos meses de dezembro de 2021 e janeiro deste ano. “Entre outras medidas, a Vale terá que providenciar a limpeza imediata de propriedades particulares e vias públicas, em apoio às prefeituras dos municípios atingidos pelas chuvas”, diz o

documento. Um relatório contendo as ações realizadas também deve ser confeccionado pela mineradora, que ainda ficará encarregada de executar ações de disciplinamento de drenagens ao longo das margens dos rios, evitando processos erosivos e carreamento dos rejeitos. Segundo o Sisema, em dezembro, os monitoramentos nas águas do rio Paraopeba, feitos por meio da Rede de Monitoramento Emergencial, indicaram resultados superiores ao do limite legal para os parâmetros de alumínio dissolvido,

chumbo total, turbidez, manganês total e ferro dissolvido. “A Vale que tem vir aqui para limpar essa lama contaminada e reconstruir todo o bairro. Esse minério assoreou o rio. Se tiver novos temporais, o problema sempre vai voltar”, alertou o prefeito Vittorio Medioli. “Estamos preocupados com a qualidade da água. Por isso, pedi à minha equipe que fizesse a coleta de água e de sedimentos no rio Paraopeba”, disse o prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo Barcelos.(LA e DA) PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO

Ação. Vittorio Medioli percorreu bairros e cobrou medidas da Vale

Cor e cheiro diferenciados em lama FOTOS RONALDO SILVEIRA

Terra pode ficar infértil e água, contaminada

tão assoreadas. A Vale que tem que assumir essa responsabilidade. No acordo com o Estado, ela pagou indenizações, mas não reparou os danos ambientais na região”, disse Tolomeu. Geógrafo e especialista em meio ambiente, Gilberto Carvalho alerta para a possibilidade de a lama ter contaminado o abastecimento de água das casas. “Pode haver rejeitos de metais ou de mineração de ferro na água. Pela lei, a degradação ambiental causada pela mineração é de responsabilidade da mineradora. Por isso, caso se comprove que há rejeitos de mineração no leito do rio, a Vale tem que ser notificada, fazer a retirada do material e arcar com o passivo ambiental”, disse.

“Moro há 40 anos e já enfrentamos outras enchentes. Nas outras vezes, era água; agora é pura lama.”

“Essa lama é puro minério, rejeito da mineração. Veio a enchente, e a lama invadiu as casas.”

Marcelo Fernandes

Ivanete Soares

Vale diz que ‘avalia efeitos causados’ por enchentes A Vale informou que recebeu notificação do governo de Minas e que está acompanhando a situação das áreas alagadas. A mineradora afirmou que está prestando apoio para as comunidades localizadas às margens do Paraopeba e avaliando os eventuais efeitos causados pelos alagamentos que possuem relação com os impactados do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em 2019. “Após o término das avaliações, e caso sejam identificados eventuais impactos relativos ao rompimento, esses serão devidamente tratados conforme se faça necessário”, diz nota da mineradora. A Vale ressaltou também que o rejeito de minério de ferro é formado, em sua maioria, por minerais ferrosos e quartzo, sendo classificado como não perigoso”.


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Moradores expostos a lama relatam feridas e diarreia FOTOS RONALDO SILVEIRA

Vacimóvel aplica doses pra doenças Lisley Alvarenga lisley.alvarenga@otempo.com.br

O mar de lama que invadiu as casas da Colônia Santa Isabel depois de as enchentes trazerem à tona rejeitos que estavam sedimentados no leito do rio Paraopeba desde o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, há três anos, parece já começar a oferecer riscos à saúde dos moradores. Nesta semana, após iniciarem a retirada do barro dos imóveis, muitos relataram ter apresentado sintomas como diarreia, dor de cabeça e no corpo, coceira e feridas na pele. O jardineiro Marcone Antônio Azevedo Rocha, de 51 anos, a mulher, a sobrinha e a cunhada tiveram contato com a lama desde o último sábado, quando a família iniciou a limpeza da casa dele, atingida pela enchente. Depois disso, todos começaram a ter diarreia e dores no corpo e na cabeça. “Moro na Colônia desde 2002, já passamos por outras enchentes, mas o que ficava depois de as águas baixarem era um barro fino, fácil de tirar. Agora é diferente. Dá pra ver que é rejeito de minério da barragem”, disse.

Moradora da Colônia há 30 anos, dona Neusa Silveira, de 51 anos, que também teve a casa tomada pela lama, conta estar sentindo muita coceira e ter apresentado feridas avermelhadas nos braços e nas pernas: “Logo depois que entrei nesta água com lama para tentar limpar a minha casa, comecei a sentir os sintomas. Ainda não consegui ir nem ao médico. Estou todos os dias mexendo no barro”. Um dia após ter tido contato direto com a lama que tomou sua academia, também na Colônia Santa Isabel, o educador físico Cássio Braz, de 31 anos, teve coceira nas pernas e feridas nos dedos das mãos e dos pés. “Com certeza, é por causa dessa lama contaminada. Foi só eu ter contato com esse barro que fiquei doente. Não basta a gente ter perdido tudo com a enchente. Agora, estamos perdendo a saúde”, lamentou. Diretora de Vigilância à Saúde de Betim, Fábia Ariane e Fonseca orienta que, ao fazerem a limpeza dos imóveis, os moradores não devem deixar de se proteger com luvas, botas e sacos plásticos amarrados às mãos e aos pés. “E, caso tenham tido contato com a lama ou ingerido água ou algum alimento que possa estar contaminado, eles devem ir até uma unidade de saúde para se vacinarem contra doenças como tétano e hepatite”, alertou a especialista.

‘Evitem contato’ O professor de geografia da UFMG, Klemens Augustinus Laschefski orienta que, até que o resultado de análises da água do Paraopeba saia, moradores devem evitar contato direto com o barro advindo do rio. “A contaminação existe, mas a questão agora é saber o nível dela. Por isso, as pessoas devem tomar cuidado, usar botas para não ter contato direto com essa lama e, depois do resultado, saber quais medidas devem ser tomadas nas casas atingidas para garantir a segurança da população”, alerta. (LA) Risco. Após ter contato com a lama, Cássio Braz teve coceira nas pernas e feridas nas mãos e nos pés

Vacinação Segundo a Secretaria de Saúde de Betim, um veículo do Vacimóvel está na Colônia Santa Isabel, em frente ao Museu Luiz Verganin, imunizando moradores e trabalhadores contra doenças mais comuns após enchentes, como hepatite e tétano. “Os profissionais avaliam o cartão de vacinação dos abrigados e/ou o registro deles no sistema integrado da Rede SUS para aplicar as vacinas que forem necessárias”, informou a prefeitura.

“Depois que entrei nesta água com lama para tentar limpar a minha casa, comecei a sentir os sintomas. Ainda não consegui ir nem ao médico. Estou todos os dias mexendo no barro.” Neusa Silveira Moradora Alerta. Neusa Silveira está sentindo coceira, e feridas surgiram na pele

Após chuvas, preços no sacolão sobem Suellen Emerick suellen.silva@otempo.com.br

quilo, em média, agora já é visto por até R$12 a mesma quantidade. A gerente comercial Ingrid Ribeiro, de 25 anos, do bairro Cidade Verde, foi até o sacolão para comprar tomates, mas acabou desistindo:

“Há poucos dias, eu paguei R$ 2,99 o quilo e agora está custando quase R$ 8”, disse. Outros legumes que tiveram alta expressiva foram a abobrinha italiana, que encareceu 234%, e o jiló que subiu 157%. Já as folhagens são

O caos causado pelas fortes chuvas que atingiram a cidade castigaram também os produtores rurais. Com várias estradas bloqueadas em Minas RONALDO SILVEIRA Gerais e lavouras inundadas, safras inteiras foram perdidas. Quem foi ao sacolão nesta semana sentiu o reflexo das perdas nos preços das verduras e dos legumes. Um boletim divulgado pela Central de Abastecimento de Minas Gerais apontou um aumento de até 275% no preço do tomate. Em Betim, o fruto, que, no início do ano, era encontrado por R$3,99 o Reação. Ingrid Ribeiro se assustou com valor do tomate no sacolão

FOTO ENVIADA POR MORADORES

difíceis de encontrar até mesmo para a venda. “Em geral, o preço de tudo no hortifrúti aumentou, e a qualidade não está 100%. As verduras de folhas, por exemplo, praticamente não têm”, relata Wellington Bessa Sapão, dono de uma rede de hortifrúti.

Ação de estatais Tragédias. A Copasa vai isentar da cobrança de água e esgoto imóveis residenciais e comerciais atingidos por enchentes. Já a Cemig vai parcelar contas atrasadas de atingidos pelas chuvas.

Ato. Na quarta-feira (19), moradores do Citrolândia fizeram uma manifestação na região para reivindicar que a Vale volte a repassar o auxílio emergencial às pessoas que residem até 1 km da calha do rio Paraopeba. Eles exigem ainda a inclusão de outros bairros no pagamento do benefício. Novo ato será organizado. (LA)


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Especial Chuvas

Prejuízo incalculável: um destruída por uma lama c Moradores viram casas, plantações e comércios ser invadidos por uma água barrenta, que destruiu tudo José Augusto Alves jose.augusto@otempobetim.com.br

A lama do rio Paraopeba que invadiu casas, ruas e plantações destruiu tudo pela frente, uma vida inteira de conquistas que se perde em horas. O produtor rural André Luiz Damasceno tem duas propriedades à beira do rio, uma na região do Citrolândia e outra no Vianópolis. As duas estão debaixo de lama. “Não dá nem para calcular o prejuízo ainda. Só sei que eu tinha 22 hectares de plantação de milho, que daria umas 4.400 sacas, cada uma a R$ 85 em média. Tinha 20 mil li-

tros de cachaça do alambique, inaugurado em 1978, com o litro custando R$ 15. Entregava cem caixas de abóbora na Ceasa a cada dois dias, custando R$ 50 cada. Além disso, tinha criação de 3.500 peixes. Havia também as vacas que davam leite, e eu produzia queijo. Não sobrou nada. Já tivemos outras enchentes, mas vinham água e areia, pouco barro. Desta vez, não. Veio barro pesado, grudento, de minério. Meu avó começou as atividades nas nossas terras, meu pai continuou, eu estou agora, e nunca ocorreu de perder tudo de uma vez”, conta.

‘Até os 20 reais por dia a Vale tirou de mim’ Miriam Matias tem um pequeno comércio às margens do rio Paraopeba. Após o rompimento da barragem da Vale de Brumadinho, em 2019, ela viu o movimento quase sumir. “Meus clientes eram pescadores. Depois que a barragem se rompeu, sumiram todos. Fiquei aqui vendendo

R$ 20 por dia”, conta. Mas o comércio dela foi invadido pela lama até o teto com as enchentes dos últimos dias. “Até os R$ 20 que eu ganhava por dia a Vale tirou de mim agora, com essa lama cheia de minério. Minha vida financeira foi destruída”, revolta-se.

Prejuízo. Toda a produção de André, como de cachaça, milho e queijo, foi destruída; ele teme que rejeitos possam ter contaminado terreno

Enxoval de bebê foi todo perdido na enchent Com nove meses de gravidez, a jovem Ludmilla Silva viu a vida virar de cabeça para baixo. Às portas de dar à luz, ela teve a casa onde morava interditada após o imóvel ser invadido pela lama. “Cheguei a levar os móveis para o segundo andar da casa da minha cunhada, pensando que a lama não ia

chegar àquela altura, mas chegou e acabou com tudo: roupas, brinquedos das crianças, enxoval da bebê. Tivemos que jogar fora porque não sabemos o que tem na lama”, lamenta. Para piorar, o marido, Douglas Silva, ficou desempregado. O casal tem mais duas crianças pequenas.

“Depois da enchente, fiquei desempregado. Me mandaram embora porque tive que faltar para tirar as coisas da casa e limpar aqui. Não temos nada pra levar para o hospital quando minha mulher for dar à luz.” Douglas Silva Morador da Colônia Santa Isabel Perda. Comércio de Miriam foi destruído pela lama após chuvas


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Especial Chuvas

ma vida de conquistas como nunca se viu Foi para abrigo e segue com sua missão Maria Margarida Alves também teve que sair de casa. Atualmente, ela está no abrigo da escola Frei Edgar Groot. Mas a sua força de vontade só cresce. Mesmo sem residência, ela não parou de trabalhar para contribuir com a cidade. Maria é gari e não deixou de fazer seu trabalho nem mesmo sem casa para morar. “A água foi até no andar de cima, dava para ver só os tijolos. Deu tempo de tirar os móveis e os eletrodomésticos, mas eles molharam na chuva durante a mudança. Sobrou muito pouco, e nem sei por onde recomeçar. Mas eu continuei trabalhando”, diz.

“A água foi até no andar de cima, dava para ver só os tijolos. Graças a Deus, estou viva, meu esposo também. É uma forma de fazer o meu papel, de dar minha contribuição.” Maria Margarida gari

Cheiro insuportável e móveis descartados

Força. Mesmo com a casa suja pela lama, Maria Margarida não deixou de trabalhar como gari na cidade

5.000 salgados perdidos

A casa do motorista de aplicativo Alexandre Ferreira fica no bairro Cruzeiro. A lama tomou conta do quintal, entrou na casa e chegou ao teto. As árvores frutíferas do terreiro acabaram. Tudo que estava no imóvel foi jogado na rua para que seja recolhido e descartado. “É uma vida de 47 anos que agora está na lama. Graças a Deus, a gente está vivo. Mas é triste você ver tudo o que conquistou acabar tão rápido. Não é isso que a gente pensava quando chegou aqui, há cinco anos. Em novembro, eu fiz uma reforma na casa, comprei um colchão novo, ainda estou pagando, mas, agora, tá aí, no meio da lama. As galinhas que tinham aqui morreram porque o barro as encobriu. Não tenho coragem de comer as frutas do terreiro”, conta ele, desolado.

Homem morreu soterrado com temporal

te

A chuvarada do início do mês, infelizmente, causou a morte de Cristiano Carvalho Anjos, de 38 anos. Ele foi soterrado com o desabamento de sua casa, no dia 8. O imóvel ficava na rua Nestor Palhares, no bairro Citrolân-

dia, em frente ao córrego Goiabinha. Cristiano Carvalho foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério Retiro da Saudade, na região. Ele trabalhava como pedreiro e eletricista e deixou um filho de 13 anos. REPRODUÇÃO

Tudo embora. Neide perdeu material, produtos, salgados e equipamentos na enchente de lama

Desilusão. Douglas e Ludmilla vão ter o terceiro filho, mas perderam tudo na inundação do Paraopeba

Quando deixou a casa no dia 8, a salgadeira Neide Nunes de Oliveira não imaginava que, quando voltasse, tudo estaria perdido. A lama entrou na sua casa e destruiu todo o material armazenado que ela tinha. “Eram cerca de 5.000 salgados. Trabalho com festas, tinha

encomenda e perdi tudo. Entrou lama nos dois freezers, na geladeira, acabou meu estoque, material que uso para fazer os salgados. Tudo foi embora”, lamenta. Ela conta que, quando saiu, colocou o material em caixas e deixou no alto, assim como ou-

tros objetos. Mas a sujeira chegou ao teto. “Estou tentando ver se salva alguma panelas. Minha casa é nova, comecei a construí-la em 2019. Eu não estou tendo nem lágrimas mais pra chorar nem palavras para descrever o que aconteceu aqui”, desabafa.

Fatal. Deslizamento sobre casa matou morador do Citrolândia


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10 mil toneladas de lama e entulho já foram recolhidas FOTOS: RONALDO SILVEIRA

Força-tarefa faz ‘ação de guerra’ na limpeza José Augusto Alves

jose.augusto@otempobetim.com.br

Ação. Tratores foram usados para recolher móveis perdidos

A chuva volumosa que causou os alagamentos na cidade trouxe um mar de lama do Paraopeba para a região do Citrolândia. Por isso, foi montada uma força-tarefa para fazer a limpeza de vias e casas, já que, em muitos locais, a água suja ultrapassou os 3 m de al-

tura. Segundo o diretor de Serviços Ambientais da Ecos, Ronnie Von Fonseca, foram recolhidas cerca de 10 mil toneladas de lama, entulhos e móveis que foram destruídos pelo alagamento na região. “Colocamos todos os equipamentos da limpeza urbana na Colônia Santa Isabel, com oito tratores, mais de 40 caminhões no total, 150 homens, que estão retirando a lama e os móveis perdidos na chuva. Arrumamos até uma minipácarregadeira para entrar nas casas, pois está difícil tirar a lama. É uma verdadeira ação de guerra. O barro que veio do rio Paraopeba não é o mesmo de outras enchentes, está mais pesado, grudento, sem

contar o minério que tem nele”, disse. Outros locais Ao todo, mais de 300 homens e cem equipamentos foram alocados na cidade para realizar a limpeza e a restauração da mobilidade. “Nós estamos fazendo a recuperação de vias, assim como das encostas, lonamento de locais de risco e várias outras ações de recuperação. Já fizemos várias remoções de árvores, podamos outras, desobstruímos vias, limpamos bueiros, isso desde o primeiro dia, para que a população seja atendida da melhor forma possível”, acrescentou a presidente da Ecos, Marinésia Makatsuru.

Outras áreas afetadas pelas chuvas também foram alvo da força-tarefa, como o Jardim Alterosas e o Nossa Senhora de Fátima. Isso porque a represa de Várzea das Flores – como é conhecida – verteu. O volume excedente que desceu para a calha do rio Betim e outros córregos da região atingiu 56 centímetros acima do vertedouro, uma espécie de ladrão por onde a água jorra assim que o reservatório atinge a capacidade máxima. A prefeitura já notificou a Copasa na Justiça para que a empresa tomasse medidas para evitar os alagamentos e o vertimento descontrolado da represa. Nessa quinta (20), o nível do reservatório estava em 4 cm.

Impacto

Cidade tem 22 vias bloqueadas

Colônia. No domingo (9), batalhão se formou para limpar ruas e casas

O impacto das chuvas ainda causa a interdição de ao menos 22 vias em Betim. Até essa quintafeira (20), seguiam com interdição total as ruas Pedro João José e Nestor Palhares, no Citrolândia; a rua Irajá, no Salomé; a rua Maria Augusta Martins, no Residencial Lagoa; a rua Santo Agostinho, no Bandeirinhas; a Astropeia, no Jardim Alterosas; a avenida Imbiruçu, no Vila Cristina; a Juiz Marco Túlio Isaac (próximo à loja Petz, sentido bairro); e a Edmeia Mattos Lazzarotti, sentido centro, entre a ponte em frente ao Parque Ecológico Felisberto Neves e a avenida José Inácio Filho. Já as vias com bloqueios parciais estão nos bairros Ingá Baixo (rua do Rosário); no Vila Verde (rua dos Ipês); no Angola (avenida Norte, próximo ao Capelão); no Bueno Franco (rua Paulo Marcson de Resende, em frente à UBS); no Kennedy (rua Cordineiras); no Citrolândia (avenida Goiabinha e rua Duque de Caxias); além do Cruzeiro do Sul (avenida Belo Horizonte); do Bandeirinhas (rua Terezinha de Melo); do Parque Ipiranga (rua dos Colibris); do Nossa Senhora das Graças (avenida Cordiline e rua Ceará); e do Jardim Alterosas (avenida Campos de Ourique). (JA)


O TEMPO BETIM | 9

CIDADE

Betim - 21 a 27 de janeiro de 2022

RONALDO SILVEIRA

Anônimos se unem em corrente pelo bem Atingidos recebem doações de voluntários Da Redação

danielle.marzano@otempobetim.com.br

Diante da triste situação em que se encontram muitas famílias betinenses que perderam tudo com as chuvas que atingiram a cidade, além das equi-

pes técnicas que atuam diretamente nas ocorrências, na recuperação e na limpeza da cidade, pessoas anônimas se uniram para se voluntariar, formando uma verdadeira corrente do bem em prol dos mais afetados. Entre os benfeitores estão os voluntários da Cruz Vermelha, que estiveram em Betim já por três vezes para distribuir água, pás, enxadas e outros itens. Uma das gerentes da entidade, Patrícia Barroso, que participou da ação na cidade, descreveu o cenário como “de guerra”: “É muito triste o

Sepa resgata 70 animais

Solidariedade. Dona Maria Izidora, de 71 anos, cozinha para vizinhos que perderam tudo no Citrolândia

que está acontecendo. Então, para nós, é um privilégio ajudar”, disse. Na Colônia Santa Isabel, a pastora Maria Izidoro da Silva, de 71 anos, que nasceu e cresceu na região, ofereceu ajuda aos vizinhos que perderam tudo nas enchentes: “Desde o início das chuvas, ela está usando seu fogão para levar alimento às famílias necessitadas. “Agora é o momento de ter fé, coragem e ânimo, porque temos um Deus que cuida de nós”. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), com as doações recebi-

das já foram arrecadados cerca de 10.800 litros de água, mais de 700 cestas básicas, 1.070 kits de higiene e mais de 3.500 sacolas com vestuários, somando aproximadamente 34 mil itens. Os materiais obti-

Pontos de entrega para doações 8Prefeitura de Betim

8Monte Carmo Shopping

8Gerências regionais

8 Câmara dos Lojistas (CDL)

8 Defesa Civil

8 OAB - Betim

8Partage Shopping

8 Câmara Municipal

SEU ANIMALZINHO

TEMPO DE PET

dos pela Defesa Civil ainda não foram contabilizados. Os postos de coleta continuam recebendo doações. Os itens mais necessários são água mineral, materiais de limpeza e itens descartáveis.

SUMIU?

QUER

ADOTAR?

Durante os dias de fortes chuvas que atingiram a cidade neste mês, a Superintendência de Bem-Estar e Proteção Animal (Sepa), órgão do município, com o apoio de protetores e da população, realizou o resgate de mais de 70 bichos em situação de risco. Foram salvos cachorros, gatos, aves de quintal, cavalos e vacas. Segundo a superintendente da Sepa, Roberta Cabral, os animais estão recebendo cuidados e se encontram em lares temporários: “Assim como os seres humanos, os animais também precisam de ajuda”, afirmou. Quem quiser contribuir com a causa, abrigando os animais ou doando alimentos, pode entrar em contato com a Sepa pelo telefone: (31) 99830-2954. (Lisley Alvarenga)

PRECISA DAR O SEU PARA

ADOÇÃO?

Entre em contato com a gente através do e-mail flavia.jardim@otempobetim.com.br ou pelo WhatsApp 9 8340.9150. É preciso enviar foto e texto.

ARQUIVO PESSOAL

Que tal aumentar a família? ISABELLE FLORES/SEPA/DIVULGAÇÃO

Fofuras

Unidas

Fique com ela

Estas duas gatinhas fofas foram abandonadas e precisam de um lar. Que tal levá-las para a sua casa? Informações sobre as felinas: (31) 9923-3810.

Estas meigas cadelas querem uma família. Já foram vacinadas e castradas. Sassá, de 1 ano, é a filha, e Mel, 2, a mãe. Fale com Fabrício: (31) 99157-6246.

Esta linda cadelinha precisa de um novo lar. Ela é muito doce e esperta. Que tal abrir a porta da casa para ela? Informações: (31) 99122-7887.

Filhotinho

De coleira e tudo

Quer o Chico?

Este lindo e saudável filhotinho está em um lar provisório e precisa de uma família. Para ficar com esse gatinho fofo, ligue para Regina: (31) 99792-7534.

Esta cadelinha estava perambulando perto do bairro Santa Cruz e com coleira. Se alguém aí conhecer o tutor dela, ligue para Fábio: (31) 98478-0200.

Chico, de 1 ano, é desses cães companheiros e inteligentes. Vacinado, ele está em busca de um tutor. Interessados falem com Dani: (31) 99617-9840.

O sonho de você ter um animalzinho pode se concretizar em breve. Para isso, bastair até a Superintendência de Proteção e Bem-Estar Animal (Sepa), que fica no parque de exposições. Os cães e gatos disponíveis para adoção são vermifugados e castrados. Mais informações pelo telefone: (31) 3531-3660.


10 | O TEMPO BETIM

CIDADE

Acordo firmado com 45 proprietários

Betim - 21 a 27 de janeiro de 2022

RONALDO SILVEIRA

Moradias do Beco Fagundes cujos donos finalizaram negociação serão demolidas, já que correm risco de ruir José Augusto Alves jose.augusto@otempobetim.com.br

A Prefeitura de Betim afirmou que já finalizou acordo amigável e extrajudicial com 45 proprietários de moradias impactadas no Beco Fagundes, no bairro Jardim Teresópolis. Desses, 15 moradores optaram, pacificamente, por ficar em auxílio habitacional até a entrega de casas do Plano Municipal de Habitação. Essas moradias serão construídas no prazo de 24 meses. Outros 30 receberão indenizações, que totalizam o valor de R$ 2.300.950,89.

“Todos os moradores que assinaram acordo com a prefeitura já deixaram suas moradias ou estão na iminência de deixar. Vale ressaltar que a maioria exerceu o direito de retirar, além dos pertences, parte das estruturas fixas das suas casas, como portas e janelas, com os respectivos marcos, bancadas, torneiras e telhas”, informou o município. Os 16 moradores que não assinaram acordo não terão suas moradias demolidas, e as negociações para indenização continuarão nos próximos dias. A prefeitura ressalta que, para essas moradias, não

Número

R$ 2,3 mi Negociação. Valor das indenizações dos imóveis que fizeram o acordo. existe qualquer risco de demolição imediata. “As moradias cujos proprietários foram indenizados com acordos pacíficos serão demolidas nos próximos dias, pois apresentam graves riscos de ruir por terem perdido sua estabilidade no processo de

retirada de estruturas físicas de outras residências que integravam a área”, completou a prefeitura por meio de nota. Risco geológico Ainda segundo o município, a área possui extensão de cerca de 14.200 metros quadrados e foi caracterizada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, como de alto risco geológico. O laudo foi constatado pela Defesa Civil do município, que detectou movimentação de terra no local neste período chuvoso.

Beco Fagundes. Segundo a prefeitura, área é de alto risco geológico


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CIDADE

Betim - 21 a 27 de janeiro de 2022

EDSON DUTRA/PREFEITURA DE BETIM

Segurança. Queda foi de 81% na comparação entre 2016 e 2021

Menor índice de violência em 10 anos PREFEITURA DE BETIM/DIVULGAÇÃO

Ações preventivas da prefeitura contribuíram Lisley Alvarenga lisley.alvarenga@otempo.com.br

Betim registrou em 2021 o menor índice de crimes violentos dos últimos dez anos dentro da série histórica iniciada em 2004, conforme o “Observatório de Segurança Pública de Betim”, que se baseia em números do Armazém de Dados do Estado de Minas Gerais. Em 2016, quando o município enfrentou o ápice da violência, a cidade havia registra-

do 7.896 ocorrências de crimes violentos, categoria em que estão estupro tentado e consumado, roubo, extorsão mediante sequestro, homicídio tentado e consumado e sequestro e cárcere privado. Em 2021, esses índices caíram para 1.495, o que representa uma redução de 81,06% de um ano para outro. Na comparação com 2012, em que foram contabilizadas 3.458 ocorrências de crimes violentos, a queda foi de 56,20%. O secretário adjunto de Segurança Pública de Betim, coronel Júlio Cezar Rachel de Paula, destaca que os números positivos são reflexo do trabalho integrado das forças de segurança no município, o que engloba Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal

Benefício. Kits possuem cinco versões, conforme cada ciclo escolar

Educação. 59 mil são beneficiados

Alunos receberão kit escolar no dia 31

Alinhados. Integração das forças de segurança foi determinante

e Polícia Penal. “O trabalho preventivo da prefeitura também tem sido determinante. Os programas de incentivo à prática esportiva, as oficinas

profissionalizantes, os trabalhos sociais, enfim, tudo isso tem um impacto expressivo na redução dos índices de criminalidade”, afirma.

O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, anunciou, nessa quinta (20), que vai distribuir, a partir do dia 31 de janeiro, os kits escolares aos cerca de 59 mil alunos matriculados na rede municipal de ensino. O benefício abrange estudantes da educação infantil, incluindo creches parceiras, do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Todos os estudantes vão receber estes kits. Com eles, as famílias podem economizar algum dinheiro”, disse o prefeito. O kit possui cinco versões, conforme o ciclo de cada alu-

no: de 0 a 3 anos; de 4 a 5 anos; anos iniciais; anos finais; e estudantes da EJA. Fazem parte do material itens como mochila, estojo, cadernos e acessórios básicos, entre tesoura, régua, apontador, lápis de cor, canetas, tinta e pincel, além de agenda, giz de cera e massa para modelar para a educação infantil. “Ao oferecermos esse benefício, queremos garantir que todos os alunos da rede municipal tenham acesso igualitário ao material escolar necessário para a aprendizagem”, disse a secretária municipal da Educação, Marilene Pimenta. (LA)


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Betim - 21 a 27 de janeiro de 2022

Coronavírus

Reforço na saúde Dez Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ficarão abertas, das 8h às 17h, nos dois próximos sábados (22 e 29 de janeiro) para atender casos gripais.

REPRODUÇÃO INTERNET

Sem insumos. Laboratórios confirmam dificuldade de atender alta demanda

Procura por testes de Covid sobe 150% com a ômicron

RONALDO SILVEIRA

Prazo para entrega de resultados aumentou Lisley Alvarenga lisley.alvarenga@otempo.com.br

O aumento de casos de pacientes com sintomas gripais e com suspeita da variante ômicron tem gerado uma corrida pela testagem de Covid. Segundo a Secretaria de Saúde de Betim, antes das festas do fim de 2021, entre os dias 1º e 25 de dezembro, a média de testes de coronavírus feita por dia nas redes SUS e privada era de 83. Entre os dias 26 de dezembro e 18 de janeiro, essa demanda diária saltou para 208 exames – 150%. Já o prazo para a liberar os testes RT-PCR, considerado o mais preciso na hora do diagnóstico da Covid, subiu, em média,

de 3 e 4 dias para 4 a 7 dias, na rede pública municipal. Diante do risco de faltarem insumos para realizar o PCR no país, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) recomendou, recentemente, aos laboratórios privados que parem a testagem de pacientes com poucos sintomas ou assintomáticos. Apesar de os laboratórios não confirmarem ter adotado tal orientação, a população diz que a realidade é outra. Mesmo tossindo muito, com febre e sentindo muita dor no corpo e na cabeça, a promotora de eventos Eny Nunes de Freitas, de 61 anos, fez uma via-sacra nos laboratórios privados de Betim para saber se está contaminada. “Passei em vários, e eles me informaram que a prioridade eram as pessoas internadas. No laboratório que consegui fazer o teste, esperei mais de três horas”, conta. Outra moradora de Betim, que pediu anonimato, também reclama da escassez de

exames e da demora pelo atendimento nos laboratórios particulares. “Fui em um, estava lotado. No outro, disseram que o kit havia acabado. E, depois de fazer o exame, disseram que, devido à demanda estar muito alta, o resultado sairia depois sete dias”, diz. Responsável pelo Laboratório João Paulo, o biomédico João Ricardo Magalhães Gonçalves confirma que houve aumento repentino da demanda por testagem nas unidades da rede na cidade: “Há um mês, fazíamos cerca de 300 testes de Covid por mês. Agora, são mais de mil exames por mês, mas estamos conseguindo realizar, em média, 600 testes por mês. Como o volume aumentou de repente, a cadeira produtiva que envolve a testagem não estava preparada para tanta demanda. Ainda nos deparamos com o agravante de essa variante ser mais contagiosa, o que está gerando um desfalque de testes. Por isso, sem ter kits suficientes no mercado, estamos dando prioEDITORIA DE ARTE / O TEMPO

TIRA-DÚVIDAS O Tempo Betim preparou dicas especiais que vão ajudar você a combater a propagação da doença!

1

TENHO SINTOMAS GRIPAIS. QUANTO TEMPO PRECISO FICAR ISOLADO?

Depende. O isolamento deve iniciar a partir da suspeita de infecção pela Covid-19. Se o resultado for positivo, o médico dará uma licença pelo tempo suficiente. TENHO UMA PESSOA COM COVID-19 EM CASA. PRECISO ME ISOLAR?

3

Ainda que sem teste, quem vive com a pessoa que testou positivo deve limitar ao máximo as saídas e sempre utilizar máscara bem-ajustada. FONTES: DIRETOR DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI), ANTONIO BANDEIRA, E PESQUISADOR DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ), JULIO CRODA

2

TESTEI POSITIVO PARA COVID-19. QUANDO O ISOLAMENTO TERMINA?

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com sintomas devem ficar em isolamento por pelo menos sete dias. Um novo teste é feito no quinto dia. Caso o resultado seja negativo, o isolamento acaba. Se positivo, porém, o isolamento vai até o décimo dia desde o primeiro sintoma.

4

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), um contato próximo e mais arriscado é o realizado por 15 minutos ou mais, a menos de um metro e meio de distância e sem máscara. Nesse caso, o isolamento já é aconselhável.

ENCONTREI ALGUÉM QUE TESTOU POSITIVO. DEVO ME ISOLAR?

SUS. Município está testando nas UBSs pacientes sintomáticos

ridade aos caos graves”. Já o município declarou que está realizando a testagem só de pacientes sintomáticos, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e que, até o momento, não recebeu orientação do Ministério da Saúde para a suspensão dos procedimentos. “Os testes são feitos conforme a disponibilidade e o envio de novos kits pelo governo de Minas”.

Balanço da imunização Betim completou, na quarta (19), um ano do início da vacinação contra a Covid, com 86,8% da população acima de 12 anos 100% imunizada – com as duas doses ou com o imu dose única. Até quinta, já foram aplicadas 740.228 vacinas, sendo que 335.375 (92,3% das pessoas) tomaram a primeira dose e 326.695 as duas ou dose única.

Saiba como agir na ‘terceira onda’ Especialistas veem uma “terceira onda” da pandemia, o que é reforçado pelas autoridades da saúde. Mas, após quase dois anos de crise sanitária, o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Antonio Bandeira, pontua que a adesão ao isolamento no caso de sintomas enfraqueceu. “A variante ômicron é muito mais transmissível. As pessoas estão perdendo um pouco a noção do que é fundamental que se isolem ou vão amplificar a pandemia ainda mais”, destaca o médico. Até o fim do isolamento, saídas do doente ao comércio ou visitas em casa, por exemplo, são ações impensáveis”, destaca o médico. O diretor da SBI recomenda que o serviço médico seja procurado assim que os sintomas surgirem para realização de um teste o quanto antes. Atenção aos sintomas Com a vacinação, a tendência é que os sintomas da doença sejam mais leves. Por isso, qualquer sintoma gripal, como garganta arranhando e coriza, merecem atenção, recomenda o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Julio Croda. (Gabriel Rodrigues)

Cidade tem repescagem de vacina para crianças nesta sexta-feira RONALDO SILVEIRA

Nesta sexta-feira (21), a Prefeitura de Betim fará a repescagem de vacinação contra a Covid para crianças de 11 a 5 anos, com comorbidade e/ou portadoras de deficiência permanente, completados até a data da vacinação. A vacinação ocorrerá, das 8h às 16h, no antigo Betim Shopping (avenida Edmeia Matos Lazzarotti, 1.655, no bairro Angola). A estudante Talita Norberto Rodrigues, de 11 anos, que tem hidronefrose – um tipo de insuficiência renal –, foi a primeira criança vacinada contra o coronavírus na cidade, na última terça (18). “Estava esperando muito por essa vacina. Estou muito feliz de ser vacinada. A sensação é muito boa. Vou me sentir muito mais segura”, disse. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nos três primeiros dias de vacinação, foram aplicadas 366 doses do imunizante nas crianças. (Lisley Alvarenga e José Augusto)

Dose. Talita, de 11 anos, foi a primeira vacinada


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Shopping

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Excelência. Espaço tem equipe altamente qualificada e equipamentos de última geração

Oral Unic: 3 anos tornando sonhos em realidade FOTOS: DIVULGAÇÃO

Referência em implantes dentários, clínica conta com estrutura diferenciada no coração da cidade Publieditorial luciana.rodrigues@otempobetim.com.br

A Oral Unic está em festa. A clínica, referência em Betim e em toda a região em implantes dentários, completou três anos de atuação na cidade no último dia 15. Reconhecido pelo atendimento de excelência e pela estrutura diferenciada, o espaço tem conquistado cada vez mais as pessoas que sonham ter uma melhor qualidade de vida. Durante esse tempo, a clínica tornou muitos sonhos em realidade: pessoas que tinham receio de receber implantes dentários e passaram pelo procedimento na clínica constataram que aquele sonho de sorrir sem medo e mastigar alimentos com tranquilidade foi concretizado. E a excelência de atendimento nesses três anos só foi possível porque os pacientes confiaram no trabalho da equipe, que é altamente qualificada e preparada para diagnosticar e oferecer o melhor tratamento a cada pessoa. “Queremos agradecer imensamente à população de

Betim, que nos recebeu tão bem na cidade; a todos os pacientes, o nosso muito obrigado pela confiança. Aos nossos colaboradores, também fica o agradecimento, pela dedicação e pela competência. A clínica tem crescido cada vez mais. Já realizamos muitos sonhos por meio dos nossos serviços, principalmente os implantes dentários. De fato, estamos transformando a vida das pessoas, e essa é a nossa maior missão”, declarou o diretor clínico da Oral Unic, Bruno Pardini. Além da equipe qualificada, a clínica possui os aparelhos mais modernos, dentro do conceito “All In One”, que ainda se alia a ambientes totalmente aconchegantes, ca-

Diferenciada. Localizada na avenida JK, no centro de Betim, a Oral Unic possui estrutura completa e todo o conforto para os pacientes

pazes de proporcionar o bemestar do primeiro contato até o fim do tratamento. Por isso, venha conhecer os serviços da clínica Oral Unic e transforme o seu sonho de ter qualidade de vida em realidade.

Venha conhecer Endereço. A clínica Oral Unic está localizada no coração da cidade: avenida Presidente Kubitschek (JK), 665, no centro de Betim. Telefone. (31) 3787-1308.

Sucesso. Clínica comemorou três anos no dia 15 de janeiro

WhatsApp. (31) 9703-2132. Email: contato@oralunicbetim.com.br RT. Bruno Pardini Gontijo – CRO/MG 33.569. Humanizado. Atendimento aos clientes é de excelência, com diagnóstico preciso e resultado satisfatório

Equipe. Profissionais Bruno Pardini, Igor Zuguieta e Francisco Loures

Conceito. Ambientes aconchegantes e aparelhos de ponta


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Sociedade

Adeilson Andrade adeilson.andrade@otempobetim.com.br Contato: (31) 9 9521-9045 FOTOS: ADEILSON ANDRADE

J Réveillon 2. Lílian Carla com o esposo, o advogado e proprietário do Espaço Sanctuarium, doutor Joab Costa ARQUIVO PESSOAL

Entretenimento

O Beb’s Bar inaugura nova unidade em Betim

J Réveillon. A bela estudante de química Celine Amaral Melo em pose para esta coluna, durante a festa da virada, no Espaço Sanctuarium

Com a proposta de agitar as noites betinenses, o Beb’s Bar inaugurou sua nova unidade, no Partage Shopping Betim, no dia 12. O local tem capacidade para receber até 800 pessoas e conta com totens de autoatendimento. No bar, o público pode saborear deliciosos drinques e cervejas, além de curtir as atrações musicais. Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp (31) 99637-5898. JOSILENE VIEIRA

3 Réveillon 3. O casal Vinicius Costa e Christiane Passos (Laborclínica) curtiu a festa da virada no Espaço Sanctuarium, ao lado dos filhos, Gabriel, Laura e Bárbara.

J Inauguração. Os empreendedores Denilson Souza e Jenilson Antônio durante a inauguração, no último dia 8, do mais novo negócio deles, a casa de show Fazenda do Cowboy, na região da Várzea das Flores

ARQUIVO PESSOAL

3 Aniversário. A simpática arquiteta e urbanista Luíza Azevedo celebrou mais um ano de vida no último dia 13. ARQUIVO PESSOAL

Z Niver. O garotão da foto é o Arthur Miguel, filho de Ronievon Fonseca (Ecos) e de Flávia Fonseca (Deva Veículos). Arthur comemorou 5 aninhos no último dia 13.

J Comemoração. A Oral Unic celebrou três anos de atuação em Betim no dia 15. A clínica é especializada em implantodontia e em procedimentos de estética orofacial, como lentes de contato dental, bichectomia, ortodontia, botox, entre outros. Na fotografia, a dedicada equipe de profissionais da franquia.


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Nunca é demais HÉLVIO

Laura Medioli Mail: laura@otempo.com.br Fax: (31) 2101-3826

“Histórias feito essa se repetiam com frequência. Com a caderneta de telefones na mão, corríamos atrás. E, assim, tentávamos amenizar um pouco a carência e a miserabilidade de alguns dos muitos moradores do local.”

Acompanhando pela TV as recentes enchentes e desmoronamentos em Betim, Belo Horizonte e região metropolitana, minha mãe se recordou de um fato ocorrido conosco em meados de 1995. – Filha, você se lembra de quando fomos ajudar umas pessoas cujas casas foram soterradas? Onde era mesmo? E me lembro, então, de como tudo começou. Do telefonema aflito que recebi numa tarde de chuvas e trovoadas. – Laurinha, vem pra cá. É urgente! O barranco está cedendo, e algumas casas indo junto... A ligação estava péssima; minha amiga, presidente de uma associação comunitária, desesperava-se ao narrar o ocorrido, e eu, das margens da lagoa da Pampulha, onde trabalhava na retirada dos aguapés, corri para pegar a bolsa enquanto dirigia-me ao carro. Deveria encontrar-me com ela num dos maiores aglomerados de Ribeirão das Neves. No caminho, liguei para minha mãe. Uma mão a mais, nessas circunstâncias, é sempre bem-vinda. – Mãe, coloca um tênis e uma calça jeans! É urgente! Estou passando aí para te pegar. – Como, filha? Com essa chuva toda? Aonde nós vamos? E foi assim que a envolvi no episódio que hoje, durante o almoço, lembramos. O aglomerado era enorme, com becos e vielas a se perderem de vista. Fomos entrando, perguntando sobre minha amiga, velha conhecida da comunidade. Descobri que ela havia saído em busca de socorro. Perguntei sobre os deslizamentos, e as pessoas, nervosas, nos indicavam o caminho. Enquanto puxava minha mãe pela mão, aden-

trávamos o local pelas pequenas ruelas. Chegamos a um descampado no alto de um morro, onde pessoas andavam aflitas de um canto ao outro. No caminho, uma cerca de arame. Depois de saltar, pedi à minha mãe que também saltasse. – Não, filha! Isso eu não consigo... Nesse momento, um homem forte, com uma cicatriz no rosto, apareceu para nos ajudar. Atravessou com minha mãe e depois nos acompanhou até o local dos deslizamentos. Uma casa estava soterrada, e as pessoas se perguntavam se havia moradores dentro. Mulheres choravam, e crianças, assustadas, agarravam-se a elas. Imediatamente, iniciou-se um mutirão, com a retirada de objetos e móveis das casas atingidas e em situação de risco. Apreensivos, temíamos novos desmoronamentos. O ho-

mem esteve ao nosso lado o tempo todo, coordenando o trabalho com segurança e autoridade. Ele não sabia quem eu era, mas eu, desde o início, sabia de quem se tratava. Morador e líder comunitário, há alguns anos pleiteava ser vereador. Assim feito minha amiga, também liderança na região. Por serem adversários políticos de longa data, penso que minha presença na comunidade, sempre ao lado dela, começou a incomodar. Afinal, durante anos, ajudamos os moradores com bazares, alimentos, cobertores, remédios, roupas e doações que recebia e pedia por aí. – Laurinha, você tem um colchão para me arrumar? Tem uma senhora que está dormindo com os filhos no chão... Histórias feito essa se repetiam com frequência. Com a caderneta de telefones na mão, corríamos atrás. E, as-

sim, tentávamos amenizar um pouco a carência e a miserabilidade de alguns dos muitos moradores do local. Talvez por sentir-se ameaçado em seu “curral”, mesmo sem nunca ter me visto, o homem se encarregou de espalhar inverdades a meu respeito, chegando ao ponto de dizer que eu e meu marido havíamos mandado interditar a pedreira – maior fonte de renda da região –, onde muitos da comunidade trabalhavam. Minha amiga me ligou aflita. – Laurinha, venha aqui para desmentir essa história. Explicar ao povo que vocês não têm nada a ver com o fechamento da pedreira. E lá fui eu, de casa em casa, desfazendo os boatos espalhados com tanta veemência. Imagina! Meu marido nem sequer sabia da existência da tal pedreira. Para bem dizer a verdade, ele nem sabia onde ficava o aglomerado

que, vez ou outra, eu frequentava. E os culpados pelo desemprego geral, segundo o outro, seríamos nós. Mas o mundo dá voltas, e foi numa dessas que o conheci pessoalmente. Sabia seu nome e da cicatriz que carregava. Passamos a tarde juntos até quase anoitecer. Felizmente, nenhuma vítima fatal. Na hora de eu e minha mãe irmos embora, cansadas e sujas de barro, ele nos acompanhou pelos becos. Até que, finalmente, deve ter se perguntado: “Quem são essas duas que apareceram do nada, num dia tão complicado?”. – Estivemos juntos a tarde inteira, e nem nos apresentamos. Eu sou o fulano... –disse, estendendo-me as mãos. E eu, com o melhor sorriso, lhe disse: – E eu sou a Laura. O susto foi visível. – Medioli??? No dia seguinte, minha amiga me ligou achando graça. – Laurinha! Acho que ele está arrependido. Veio aqui só para me falar de você... só que, desta vez, bem. Há muito não tenho notícias dele e de minha amiga, espero que continuem firmes em seus trabalhos comunitários. A comunidade é carente; quanto mais gente disposta a ajudar, melhor. Sem rivalidades, sem brigas por espaço político, afinal, a demanda é grande, e toda ajuda, por menor que seja, é sempre bem-vinda. As famílias atingidas pelas fortes chuvas necessitam de nosso apoio. Confira os pontos de recolhimento em sua cidade e doe produtos de higiene pessoal, água mineral, copos descartáveis, fraldas, roupas de cama, colchonetes, cobertores e brinquedos.


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Jornal O Tempo Betim 22.01.2022 by Tecnologia Sempre Editora - Issuu