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Avenida Tancredo Neves - Readequação dos Centros Urbanos à Vida Humana (TCC)

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SALVADOR BA

readequação dos centros urbanos à vida humana

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Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 7/4/2015. 2 . av tancredo neves


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SALVADOR BA

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Orlando Barros

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SALVADOR BA

readequação dos centros urbanos à vida humana

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Salvador como requisito para a obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Orientador: Professor Marcos Rodrigues

Salvador 2015 readequação dos centros urbanos à vida humana . 5


Agradeço a todos que me apoiaram e me acompanharam nesse exaustivo caminho, que se disporam a trocar palavras, risadas, conhecimentos, ideias e conselhos. Foram desses cuidados que surgiu esse trabalho e Ê para essas pessoas a vontade de se criar um mundo melhor. 6 . av tancredo neves


Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 18/3/2015. readequação dos centros urbanos à vida humana . 7


RESUMO

O tema proposto “Readequação dos centros urbanos à vida humana” terá como modelo de intervenção a área da Avenida Tancredo Neves, que é uma das principais avenidas da cidade de Salvador e se configura como o principal centro financeiro da cidade. O tema se desenvolverá sob a ideia da requalificação urbana de centros consolidados, visando intervenções de caráter contemporâneo onde se valorizam a vivência da cidade através da escala humana. O projeto urbanístico proverá a requalificação urbana e ambiental adequada ao contexto contemporâneo, criando uma nova perspectiva de desenvolvimento para a área, seguindo as diretrizes propostas no PDDU de Salvador, embasadas nas críticas ao planejamento modernista e ainda integrando as diversas camadas sociais a nova realidade, visando a interrupção do ciclo de segregação a que certas áreas parecem destinadas.

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ABSTRACT

The proposed theme “Readjustment of urban centers to human life“ will have as intervention model area of Tancredo Neves Avenue, which is one of the main avenues in the city of Salvador and manifests itself as the main financial center of the city. The theme will be developed under the idea of ​​urban renewal consolidated centers, aiming contemporary character of interventions where they value the experience of the city through the human scale. The urban project will provide the urban and environmental improvement appropriate to the contemporary context, creating a new perspective of development for the area, following the guidelines proposed in PDDU Salvador, supported the criticism of modernist planning, and also integrating the various social strata the new reality, order to interrupt the cycle of segregation that certain areas seem destined

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1. Introdução

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. Lugar 2.1. Contexto histórico e urbano 2.2. Área de intervenção 2.3. Diagnóstico

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. Problema 3.1. Densidade e espaços 3.2. Usos, dinâmicas de fachadas e atrativos 3.3. Fluxos, nós, conflitos 3.4. Níveis de ruídos e microclimas 3.5. Escoamento de água e áreas verdes 3.6. Possibilidades

18 24 26

28 30 32 34 36 38 40

4. Solução

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5. Considerações finais

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6. Referências bibliográficas

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4.1. Memorial 4.2. Masterplan 4.3. Situação 4.4. Plantas baixas 4.5. Seções 4.6. Detalhes 4.7. Diagramas isométricos 4.8. Perspectivas

APÊNDICE A Masterplan APÊNDICE B Situação APÊNDICE C Plantas baixas - Zona 1 APÊNDICE D Plantas baixas - Zona 2 APÊNDICE E Seções - Zona 1 APÊNDICE F Seções - Zona 2 APÊNDICE G Detalhamentos APÊNDICE H Diagramas isométricos APÊNDICE I Perspectivas

44 54 62 62 62 63 63 63

X X X X X X X X X

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Vista aĂŠrea da Av. Tancredo Neves. Fonte: Skyscrapercity, 24/9/2015. 12 . av tancredo neves


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Introdução readequação dos centros urbanos à vida humana . 13


A Avenida Tancredo Neves é uma das principais avenidas da cidade de Salvador e se configura como o principal centro financeiro da cidade (cargo antes pertencente ao bairro do Comércio), contendo grandes instituições e empresas com potencial econômico que vão desde a escala municipal até a escala nacional. Apesar das crescentes qualificações econômicas, a avenida se transparece como uma complexa e delicada área urbana, onde as poucas tipologias de uso destinadas aos edifícios, as interligações entre os grandes bairros que a avenida permite, a alta densidade de trabalhadores e transeuntes em determinados períodos do dia, a pouca infraestrutura relacionada a mobilidade, as especulações imobiliárias, o não acompanhamento do desenvolvimento e da qualidade urbana em relação a realidade local e diversos outros fatores, fazem surgir problemas urbanísticos e sociais que também são rebatidos em prejuízos econômicos. “Nas cidades, a animação e a variedade atraem mais animação; a apatia e a monotonia repelem a vida. E esse é o princípio crucial não apenas para o desempenho social das cidades, mas também para seu desempenho econômico.” (JACOBS, 1961, p. 108) Esse quadro de problemas surgiu a partir da implantação do “loteamento Centro Empresarial Metropolitano” e a consequente ocupação do loteamento e de seu entorno, onde se tinha um ambiente favorável a instalação de grandes empreendimentos imobiliários destinados apenas às atividades empresariais, sem o planejamento completo das suas necessidades urbanas e estritamente em função do transporte particular. A atuação do poder público sobre a área, para a resolução de tantas problemáticas urbanas e socioeconômicas, atualmente se resume a algumas intervenções relacionadas a mobilidade urbana que agem através da implantação de algumas passarelas para pedestres, do reordenamento do tráfego de automóveis nas regiões adjacentes e da implantação de uma estação de metrô, como expansão da linha 2 (ainda em obras), que 14 . av tancredo neves

consolidariam a Avenida com principal polo financeiro de Salvador. Também atuante com o planejamento e execução de ações e projetos para a avenida, defendendo os interesses dos empreendimentos, uma associação empresarial tem regido discussões acerca da reordenação da avenida, sendo motivadas pela desvalorização dos imóveis, consolidação das ocupações ilegais, perda das áreas públicas, ordem pública e degradação da infraestrutura. Apesar das variadas atividades que se destinam os escritórios, lojas e empresas da área e das poucas unidades residenciais e hoteleiras existentes, o tempo de uso e permanência se limita aos dias úteis e horários comerciais, fazendo com que existam picos de fluxos e consequentes vazios urbanos numa área com possíveis atrativos e potenciais. Fruto do desenvolvimento inicial (o ITCC), esse trabalho então se encaminha para a readequação desse centro urbano à vida humana por meio de um projeto de requalificação urbanística, tendo como enfoque os quarteirões onde se localizam os edifícios empresariais e seu entorno imediato, incluindo o rio Camarajipe. O projeto urbanístico busca restabelecer o uso da cidade para seus mais variados usuários com as mais complexas necessidades, partindo de estudos e análises de potenciais, fraquezas e das dinâmicas de usos existentes na área. Sob a perspectiva da escala humana se busca entender a forma como interagem e se apropriam dos equipamentos urbanos, espaços públicos e a forma como esses influenciam o comportamento humano, avaliando também as novas possibilidades e aplicando de forma metodológica o resultado dessas análises às decisões projetuais. Entende-se também que uma requalificação que visa tais diretrizes, não deve ser feita de forma isolada, em detrimento de uma única função, política de mobilidade ou qualquer outro aspecto. Para o embasamento teórico e projetual desse trabalho serão considerados autores, arquitetos, urbanistas e críticos das cidades como Jaime Lerner, Jan Gehl, Sun Alex, Jane


Jacobs (e muitos outros) e suas discussões, experiências e projetos bem e mal sucedidos quanto as mais diversas temáticas relacionadas ao contexto desse trabalho, sem deixar de considerar as experiências urbanas e únicas de vivência da área e de locais com características e potencialidades semelhantes, como a Avenida Paulista (São Paulo, SP), e os minunciosos levantamentos e estudos físicos e de dinâmicas urbanas que tornam peculiar e específica essa área da cidade.

Vista da Av. Tancredo Neves de uma de suas passarelas. Fonte: Acervo do autor, 18/3/2015.

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Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 18/3/2015. 16 . av tancredo neves


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Lugar readequação dos centros urbanos à vida humana . 17


2.1. CONTEXTO HISTÓRICO E URBANO Salvador em seus diversos episódios históricos, e que até o início do século XX passou por períodos cíclicos de crise e prosperidade econômica, cresceu e se desenvolveu de forma desorganizada, fazendo com que consequentemente surgissem problemas sanitários, sociais e urbanos relacionados a sua articulação regional, aos aspectos sanitários e os sistemas de infraestrutura, ao sistema de áreas verdes, ao centro urbano e os centros cívicos, ao zoneamento, à distribuição dos equipamentos de saúde, educação e habitação social, e além de recém passada pelo período comumente chamado de “Urbanismo Demolidor”, com o EPUCS viu surgir em 1942 (e encerrado em 47), idealizado por Mario Leal Ferreira, a primeira experiência de planejamento urbano da cidade. A abertura do EPUCS (Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador) foi marco para o início da discussão e análise do planejamento da cidade, enfatizando os aspectos físicos, econômicos e sociais da população, e a partir dos estudos e da influência do movimento da cidade-jardim, definiu que o traçado radial-concêntrico para o planejamento de Salvador, conformando então o planejamento das avenidas de vale. Esse sistema de avenidas de vale somente veio a ser implantado após a reforma urbana de 1968, onde possibilitava a ampla circulação, o uso e o acesso rápido a lugares distantes do centro tradicional, repercutindo em ampliação do espaço urbano contínuo, na valorização de terras antes destinadas ao uso rural e na polinucleação da cidade.

Ocupação urbana de Salvador em 1940.

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Implantação das avenidas Luís Viana Filho (6), Juracy Magalhães e Anita Garibaldi (7) em 1970/1971. Evolução urbana de Salvador. Fonte: Elaboração do autor, 15/9/2015. 18 . av tancredo neves


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Inicio da implantação das avenidas de vale em 1968. Avenida Antônio Carlos (1) Magalhães e Avenida Tancredo Neves (2).

Ocupação urbana em 1980.

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Implantação das avenidas Marrio Leal Ferreira (3), Reitor Miguel Calmon (4) e Magalhães Neto (5) em 1970.

Ocupação urbana em 2005.

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Foi então nesse contexto de verticalização e expansão da cidade, e com a conclusão das obras do novo e planejado bairro da Pituba em 1970, que começaram a surgir grandes empreendimentos imobiliários nessas novas áreas, como por exemplo o Shopping Iguatemi (1975, que foi o primeiro centro comercial a ser construído no Nordesde do Brasil), o Shopping Itaigara (1977) e, originário de uma fazenda da família Odebrecht, em acordo com o município e em função da expansão em direção à avenida Paralela, o loteamento destinado para fim exclusivamente residencial que daria origem ao bairro do Caminho das Árvores. Criado por decreto em 1974, o bairro considerado nobre, tem enfrentado desde a década de 1990 uma constante invasão comercial que tem sido combatida pelos habitantes mais antigos. Em contraposição, a Alameda das Espatódias, uma das principais ruas e única área onde é permitido o uso para outros fins, é ocupada por lojas e empreendimentos voltados para a classe alta, o que tem valorizado demasiadamente o metro quadrado da área, sendo um dos fatores de geração de uma especulação imobiliária existente. Nas últimas décadas (principalmente a partir de 1980), a Avenida Tancredo Neves se consolidou como o novo centro econômico da cidade, cargo que antes era pertencente ao bairro do Comércio, com a implantação de importantes empreendimentos, empresas e instituições, como o Jornal A TARDE, o Salvador Shopping, a Casa do Comércio (1882-1988), A Petrobrás e muitos outros, que tornaram o bairro e principalmente a avenida, um marco econômico de Salvador.

Surgimento dos bairros. Elaboração do autor, 15/9/2015.

Fonte:

Início às obras da Casa do Comércio na década de 1980. Fonte: Skyscrapercity, 27/4/2015. 20 . av tancredo neves

Surgimento da Pituba (1970) juntamente com o período de implantação das avenidas de vale.


Surgimento do Caminho das Árvores (1974) e de novos empreendimentos em consequência da expansão da cidade no sentido do o litoral norte.

Caminho das Árvores como ponto convergente das avenidas de vale e eixo de comunicação e acesso entre bairros da cidade e acesso norte.

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Localizado no sudeste da cidade de Salvador, o bairro do Caminho das Árvores ocupa 3,63% do território da cidade e faz fronteiras com os bairros do Itaigara ao sul; com o Pernambués no norte; com Brotas ao oeste e com o STIEP e a Pituba ao leste. A Avenida Tancredo Neves por sua vez inicia-se a partir da avenida Antônio Carlos Magalhães e segue em direção sudeste até o acesso para a avenida Professor Magalhães Neto, onde desvia seu percurso para a direção nordeste até o acesso para a avenida Professor Manoel Ribeiro, onde, mais uma vez, desvia seu sentido para a direção noroeste, no trecho que dá acesso a avenida Luiz Viana Filho (Paralela, no sentido aeroporto) e segue para o leste até que se finaliza na avenida Antônio Carlos Magalhães, no sentido oposto ao de início. Esse traçado da avenida Tancredo Neves, conforma uma rotatória que interliga importantes e grandes bairros de Salvador, e ainda, de forma morfológica, acaba por definir uma grande “ilha” de empreendimentos corporativos e serviços, que concentram uma boa parte do capital do bairro e da cidade. Nesse quadro de desenvolvimento atual, existem dois núcleos de bairro que não se comunicam entre si (a não ser pelo pequeno percurso da Alameda das Espatódeas) e criam um paradoxo urbano: A porção residencial, derivada do loteamento da família Odrebrecht, e a de serviços, que se refere a Avenida Tancredo Neves e seu entorno. Ambos os núcleos, com usos determinados e pouco mutáveis, geram em si áreas sem dinâmica alguma, com fluxos restritos a determinados dias e horários, fazendo que sejam subutilizados os recursos investidos naquela área. As intervenções viárias do EPUCS em Salvador, são apenas um dos fatores geradores dessa crise urbana na cidade, e caracterizavam o pensamento modernista e industrial da época que também se repetiu (e ainda se repete) nas grandes cidades do mundo, onde se associava a ascenção da indústria e dos automóveis a um futuro rico e próspero. Esse planejamento em função do automóvel, não tinha até então, capacidades nem experiências de prever os vazios gerados e a hostilidades dessas áreas.

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Localização do Caminho das Árvores em Salvador.

Localização do bairro, avenida e conexões. Fonte: Elaboração do autor, 22/9/2015. Porções de comércio e serviços e residencial do Caminho das Árvores. Estes sendo delimitados a partir da Avenida Tancredo Neves. Localização do avenida e setorização do bairro. Fonte: Elaboração do autor, 22/9/2015.


Localização da Avenida Tancredo Neves no Caminho das Árvores.

Conexões entre a Avenida Tancredo Neves e os bairros de Salvador.

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2.2. ÁREA DE INTERVENÇÃO Para ser objeto do projeto urbanístico desse trabalho, determinada a partir das diversas complicações urbanas, da alta densidade de edificações, pessoas, veículos e da necessidade de uma requalificação em virtude do desenfreado desenvolvimento alcançado pelo polo econômico, a poligonal para intervenção desse projeto foi traçada a partir da porção sul da avenida Tancredo Neves, no trecho em que toma a direção sudeste até o acesso da avenida Professor Magalhães Neto, considerando também as quadras adjacentes a avenida. Classificada no PDDU de Salvador como um “Macroárea de Manutenção da Qualidade Urbana”, é uma área de ocupação consolidada onde coexistem atividades comerciais e de serviços diversificados, com significativa oferta de postos de trabalho, numa centralidade que atende a todo o município. Atendendo as necessidades apresentadas no PDDU, juntamente com as críticas ao planejamento moderno e as novas demandas da vida das cidades contemporâneas quanto aos seus aspectos de dinâmicas de usos e espaços públicos, a requalificação urbana proposta nesse projeto, tem como justificativa a readequação do centro urbano à vida humana presente nele, assim como assegurar a manutenção da vitalidade e da qualidade desse espaço em função das pessoas, por meio de ações que possibilitarão a renovação urbanística, evitando assim a desvalorização imobiliária, a degradação física, ambiental, social e sanitária e a subutilização dos investimentos aplicados na área, trazendo também uma nova perspectiva de desenvolvimento urbano, humano e econômico, e uma nova visão acerta dos espaços públicos da cidade.

Área de intervenção urbanística. Fonte: Elaboração do autor através do Google Earth, 30/4/2015. 24 . av tancredo neves


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2.3. DIAGNÓSTICO A análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças, em português) é uma ferramenta simples utilizada para análises de cenários ou de ambientes, posicionamento e verificação de estratégias do objeto em questão, sendo usada como base para gestão e planejamento estratégico. Tem como o objetivos efetuar uma síntese das análises internas e externas, identificar elementos chave para a gestão e estabelecer prioridades de atuação, além de preparar opções estratégicas com riscos e problemas a resolver. É a análise SWOT que faz o diagnóstico do ambiente, trata de fortalecer os pontos positivos, indica quais os pontos devem melhorar, mostra as chances de crescimento, aumentando as oportunidades e deixa em alerta diante de riscos. O SWOT se divide em duas categorias, o ambiente interno (Forças e Fraquezas), que analisa a situação atual e exsitente do ambiente, e o ambiente externo (Oportunidades e Ameaças), que indica antecipações do futuro, relacionando possíveis estratégias para lidar com problemas ou potencialidades. Strengths (Forças) Vantagens existentes do ambiente em análise em relação a outros. Weaknesses (Fraquezas) Desvantagens existentes do ambiente em relação a outros. Opportunities (Oportunidades) Aspectos que envolvem oportunidades para o desenvolvimento de potencialidades no ambiente. Threats (Ameaças) Aspectos negativos que envolvem ameaças ao ambiente em análise.

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STRENGHTS • Maior e mais intenso centro urbano de Salvador, com grande importância econômica para a cidade e para o estado. Na área se concentram escritórios de empresas e instituições de grande relevância para a economia; • Grande fluxo de pessoas que caminham pelas ruas, sendo para acessar aos serviços, comércios ou para os trabalhos. Ainda que o deslocamento por carro seja constante, muitas pessoas tem que se deslocar no caminho entre estacionamento e objetivo, ou mesmo chegam através do transporte público; • Boa localização geográfica na cidade, tendo vias expressas e arteriais que se interligam a outras áreas estratégicas e importantes; • Boa ambiência urbana e bom estado de conservação dos edifícios. A Avenida Tancredo Neves é uma área com grandes e imponenetes edificações particulares que são muito próximas às calçadas onde as pessoas passam. Essa característica torna a paisagem marcante e expressa o caráter urbano a qual essa área se submete. WEAKNESSES • Pouca diversidades de usos para as edificações existentes, se resumindo basicamente a edifícios de escritórios. Isso por consequência torna a poligonal uma área com poucas dinâmicas e grandes vazios urbanos, no sentido da subutilização dos espaços em determinados horários dos dias úteis; • A falta de espaços e qualificações para as demandas do pedestre, tanto para deslocamentos e travessias, quanto para o estar. A poligonal não contém nenhuma área que se configure como praça ou parque, que possibilite o descanso, a apreciação, o estar ou a manutenção da sanidade mental das pessoas; •A hostilidade dos veículos automotores em relação aos pedestres. Muitos edifícios contam com seus acessos às garagens a partir das calçadas, sem nenhum anteparo aos pedestres. Além disso, as vias transversais que acessam os edifícios da poligonal, contam com


poucas áreas de travessias de pedestres, e mesmo assim, quando apresentam condições, essas não são respeitadas pelos condutores. OPPORTUNITIES • A demanda por serviços de alimentação é uma constante, uma vez que a maior parte da população dessa poligonal não reside no local e busca suprir essa necessidade frenquentando restaurantes locais ou dos shoppings próximos; • A poligonal consta com alguns terrenos e espaços possíveis para novas ocupações. Essas áreas podem representar uma ampliação para as dinâmicas existentes com a implantação de usos diferenciados e complementares aos existentes; • A área em análise se encontra num vale de rio, significando que sua topografia é parcialmente plana. Essa condicionante topográfica possibilita a inserção de sistemas de transportes modais e alternativos sem complicações construtivas, como por exemplo ciclovias e VLT; • O Rio Camarajipe, que corta a região, representa uma grande oportunidade paisagística e ambiental para a área. A revitalização de suas margens e leito pode agregar tanto à paisagem quanto às condições microclimáticas, também trazendo benefícios na retenção de gases poluentes e na renovação do oxigênio.

para lidar com esse aspecto ambiental parcialmente imprevisível, torna a área em determinados períodos inacessível e inoperante. A pavimentação com asfalto e com pisos de concreto, encontrados na maioria dos espaços, é impermeável, e juntamente com o degradado sistema de escoamento, provoca alagamentos nas vias, causando lentidão de tráfego ou mesmo bloqueio no percurso dos pedestres.

THREATS • O grande número de pessoas que acessam a área com automóveis representa um fator de risco a região. A demanda por espaços para estacionamento de carros cresce cada vez mais, o que causa a ocupação dos espaços públicos que deveriam ser utilizados pelos pedestes, além da especulação para a ocupação das áreas vazias por estacionamentos. Essa questão também representa um desequilíbrio para dinamização da área, uma vez que essas apropriações para estacionamento impossibilitam na ocupação para outros fins; • Os períodos de alta pluviosidade por qual a cidade passa, e a falta de intraestrutura readequação dos centros urbanos à vida humana . 27


Pedestres a espera do 么nibus na cal莽ada - Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 7/4/2015. 28 . av tancredo neves


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Problema readequação dos centros urbanos à vida humana . 29


3.1. DENSIDADE E ESPAÇOS

Alta densidade; Média densidade; Baixa densidade. 30 . av tancredo neves

Densidade dos edifícios em horários comerciais e não comerciais. Fonte: Elaboração do autor, 19/10/2015.


DENSIDADE Os cartogramas representam a relações de ocupação dos edifícios da Avenida Tancredo Neves em dois momentos do dia: O primeiro momento em horários comerciais, quando os edifícios, que em sua maioria são de salas de escritórios, estão totalmente ocupados por pessoas que desenvolvem suas atividades de trabalho. Os demais edifícios, residenciais ou de menor porte, estão menos ocupados ou com uma dinâmica diferenciada de usos, mais rotativos ou controlados. O segundo momento em horários não comerciais, quando as lógicas são invertidas. Os edifícios de salas de escritórios, antes totalmente ocupados, agora estão totalmente vazios, assim como os edifícios de serviços ou comerciais. Os edifícios residenciais passam a estar totalmente ocupados. É essa caracterização de usos que conforma os vazios urbanos prejudiciais a malha urbana, onde em 8 horas do dia, é totalmente ocupado e são usufruidos os investimentos ali aplicados. Nas demais horas do dia, a estrutura existente passa a ser subutilizada nesse setor do bairro, que passa a ser uma área sem nenhuma função para a cidade. A dinamização da área por usos que se extendam além dos horários comerciais se torna uma questão importante para esse local, onde já existem estruturas urbanas viárias e de transporte público e que também vem recebendo investimentos nos modais ferroviários e reestruturação no sistema rodoviário.

onde gestores e administradores são incapazes de atender outros sistemas de transportes e prever as consequencias dessa priorização.

ESPAÇOS Em contraste com os altas densidades em horários comerciais, existe uma deficiência crescente nos espaços públicos e calçadas destinados aos pedestres. A cada período de obras na Avenida Tancredo Neves são diminuidas as condições para deslocamento de pedestres e reparados ou ampliadas as condições para acesso de veículos ou estacionamentos. Ratifica-se então a cultura automobilística que existe na cidade e em seu planejamento,

Imagens da Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 18/3/2015 e 7/4/2015. readequação dos centros urbanos à vida humana . 31


3.2. USOS , DINÂMICA DE FACHADAS E ATRATIVOS

Institucional; Empresarial; Residencial; Serviços; Vazios urbanos; Fachadas “passivas”; Fachadas “ativas”. 32 . av tancredo neves

Usos dos edifícios, vazios e dinâmicas de fachadas Fonte: Elaboração do autor, 19/10/2015.


USOS Classificados os usos da área da Avenida Tancredo Neves e suas quadras adjacentes, observa-se a existência de quatro tipos de usos, sendo eles o institucional e o empresarial como predominantes, e os exclusivamente de serviços e residencial em menor quantidade. Também nessa classificação se constataram as áreas que são utilizadas exclusivamente como estacionamentos, no cartograma denominadas de “vazios urbanos”. A partir desses cadastramentos temos as causas dos vazios urbanos existentes na área.

comerciais, constatadas apenas no SESC e no clube de tênis vizinho do mesmo.

Inquestionavelmente todos os edifícios se relacionam de alguma forma com a malha urbana, seja positivamente ou negativamente. Predominantemente, em consequência dos usos particulares existentes e dos recursos utilizados para “segurança” dos edifícios, essa relação se dá de forma negativa, onde os edifícios são “fechados” para si mesmos. DINÂMICAS DE FACHADAS As fachadas dos edifícios foram classificadas em duas categorias (“Passivas” e “Ativas”) segundo sua relação com o pedestre. As fachadas “Passivas” caracterizam os estacionamentos, muros, barreias e demais tipos de bloqueio que o edifício causa ao pedestre. Nessa classificação de fachada, o pedestre não se relaciona de nenhuma forma com o edifício nem o edifício com o pedestre. Muitas vezes se expressam hostis e causam desconforto urbano, no que se refere ao caminhar, e até mesmo ambiental, uma vez que não oferecem sombras, coberturas e acabam as vezes refletindo o sol em quem passa. As fachadas “Ativas” em oposição as “Passivas” caracterizam as zonas onde os edifícios e o urbano convensam entre si. Em sua maioria representam áreas comerciais nos térreos dos edifícios e restaurantes. Ainda que funcionem apenas em horários comerciais, acabam por criar trechos interessantes ao visual de quem caminha por conter vitrines, atrativos, cheiros e outros detalhes que podem ser observados. São poucas as situações em que essas fachadas funcionam além dos horários readequação dos centros urbanos à vida humana . 33


3.3. FLUXOS, NÓS, CONFLITOS

Conflito de fluxos; Ponto de ônibus; Percursos predominantes; Permanência de pessoas. 34 . av tancredo neves

Percursos predominantes e conflitos. Fonte: Elaboração do autor, 25/9/2015.


PONTO DE ÔNIBUS Demarcadas no estudo, esses pontos de ônibus representam os principais acessos para as pessoas usuárias dos transportes públicos. Se encontram relativamente bem dispostos na área, sendo que a distância entre pontos não ultrapassa a faixa dos 250 metros. A partir dos pontos de ônibus, estão inseridos grandes circulos com raio de 250m para que se torne mais clara a relação alcance que esses exercem sobre a área.

seguras, hierarquia de fluxos, semáforos ou mesmo educação, e se encontram principalmente nos eixos de percursos predominantes citados anteriormente. Esses também tornam marcante o tipo de planejamento que foi dado a essa área, priorizando o fluxo de carros e fazendo com que os pedestres se tornassem secundários. Também expressa um pouco da cultura da cidade, onde nenhum projeto busca interferir em prol do benefício da vida urbana (pedestres).

PERMANÊNCIA DE PESSOAS São identificadas basicamente duas situações onde podem se notar a permanência de pessoas: 1) Pontos de ônibus: De forma que a permanência se dá no momento em que se espera o veículo para a condução; 2) Barracas de lanches e comercio informal: Nessas situações o pedestre se encontra em locais sem estrutura para permanência, mas com o atrativo que possibilita sua estadia. Esse tipo de uso traz consigo mobiliários de fácil acesso, como bancos plásticos, onde se criam pequenos ambientes. As demais situações de permanência se encontram em portarias de edifícios com grande rotatividade de pessoas. PERCURSOS PREDOMINANTES Apesar de não ser tão extensa, a Avenida Tancredo Neves não é atrativa ao deslocamento a pé. Dessa forma a partir dos pontos de ônibus e passarelas existentes, pode-se identificar dois grandes eixos de circulação de pessoas. Estes eixos perpendiculares a avenida dão acesso às quadras de edifícios e aos shoppings e a partir deles se dá toda a distribuição de fluxos na área. CONFLITO DE FLUXOS Foram identificados conflitos de fluxos entre pedestres e veículos em locais onde são insuficientes os recursos urbanos para uma travessia segura. Esses conflitos se dão pela falta de faixas readequação dos centros urbanos à vida humana . 35


3.4. NÍVEIS DE RUÍDOS E MICROCLIMAS

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Pouco ruído; Médio ruído; Muito ruído; Pouco calor; Médio calor; Muito calor. 36 . av tancredo neves

Níveis de ruídos e microclimas. Fonte: Elaboração do autor, 19/10/2015.


NÍVEIS DE RUÍDOS Pode-se classificar os níveis de ruídos na área em três categorias: “Pouco ruído”, “Médio ruído” e “Muito ruído”. Essa classificação se apresentou em conformidade ao fluxo de veículos, onde os maiores fluxos geram maiores ruídos e os menores fluxos geram menos ruídos. A Avenida Tancredo Neves e a Alameda das Espatódeas constam como as vias mais afetadas pela poluíção sonora consequente dos veículos, são elas que comportam também o fluxo de veículos de grande porte, como ônibus e caminhões. Em seguida os acessos imediatos a essas avenidas, que tem menor fluxo de veículos e não comportam tráfego de ônibus e caminhões, são menos afetadas pelos ruídos. Por último a via que margeia o Rio Camarajipe, que tem um fluxo de veículos muito reduzido e contém edificações apenas em um dos lados da via, fazendo com que a propagação de quaisquer ruídos se dissipe rapidamente. MICROCLIMAS Os microclimas na área foram classificados a partir da percepção do pedestre a partir da intensidade solar e da retenção de calor em três categorias: “Pouco calor”, “Médio calor” e “Muito calor”, onde a vegetação remanescente, a largura das caixas de vias e a orientação da via em relação ao norte influenciaram diretamente a percepção desses microclimas. A Avenida Tancredo Neves, a Alameda das Espatódeas e os acessos às quadras provenientes da área do Shopping Salvador, são áreas amplas e com pouca ou nenhuma vegetação para o sombreamento, logo apresentaram os maiores desconfortos. A avenida, apesar de conter grandes edifícios que poderiam sombrear as calçadas, por sua grande dimensão e por sua orientação ao poente acaba por perder essa capacidade que pode se observar nas vias adjacentes. As vias que se relacionam com a Avenida Tancredo Neves, menos largas, com alguma arborização e com orientação mais benéfica em relação ao percurso do sol, apresentaram melhores relações de calor com os pedestres.

Já a via que margeia o rio Camarajipe, apesar de sua orientação poente como a avenida, tem menor dimensão na caixa de via e edifícios altos, fazendo com que em certos períodos do dia o sombreamento beneficie os pedestres. Como complemento a essas análises, no dia 26/10/2015 foram constatados através de visita os seguintes dados nos diferentes pontos da área: 1) 15:55h, volumes entre 54,2dB e 61,3dB, 30ºC; 2) 15:57h, volumes entre 52dB e 70,5dB, 29ºC; 3) 16:00h, volumes entre 53,8dB e 64,9dB, 29ºC; 4) 16:02h, volumes entre 45,1dB e 66,3dB, 29ºC; 5) 16:06h, volumes entre 58,1dB e 70,6dB, 29ºC; 6) 16:09h,, volumes entre 59,5dB e 67,6dB, 30ºC; 7) 16:12h, voumes entre 59,2dB e 70,6dB, 30ºC/ 8) 16:15h, volumes entre 57,4dB e 67,5dB, 31ºC. Considerando nesses dados o menor valor para o volume em dB, que representam com maior estabilidade os ruídos ambientes. Os maiores valores foram medidos em eventos singulares, podendo ser usados como parâmetros para o nível de exposição a que essas áreas são submetidas, tendo como referência que níveis a partir de 50dB já são capazes de causar danos ao indivíduo.

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3.5. ESCOAMENTO DE ÁGUA E ÁREAS VERDES

Vegetação remanescente; Registro de alagamento. 38 . av tancredo neves

Sentido de escoamento de chuvas e vegetação remanescente. Fonte: Elaboração do autor, 19/10/2015.


ESCOAMENTO DE ÁGUA Localizado em uma área de vale, o Rio Camarajipe delineia o limite superior da poligonal de intervenção. Naturalmente, a partir do rio a cota do terreno vai aumentando a medida que nos afastamos dele. Essa formação geográfica impõe um escoamento de águas para o rio, no mesmo sentido que as vias transversais da Avenida Tancredo Neves, como as setas indicam no cartograma. Quase totalmente impermeável por conta da urbanização, a área da Avenida Tancredo Neves nos períodos de chuva escoa a água para o rio, que logo enche por ser o único sistema de drenagem existente (o sistema de escoamento da cidade a muito tempo é falho e não suporta mais a demanda proveniente desses períodos). Já alterada sua capacidade de vazão por diversos fatores, o rio tende a transbordar em um trecho onde sua canalização está deficiente, alagando o trecho da Avenida Tancredo Neves que dá acesso a Aveida Paralela. No período de chuvas intensas de abril a junho de 2015, podese registrar esse trecho e os contrangimentos

que esse tratamendo causa a cidade, inviabilizando os trajetos que passam por esse local. ÁREAS VERDES Ainda que totalmente ocupada, ainda são remanescentes vegetações e árvores de variados portes, a maioria em logradouro público. Essas que resistem ao tempo e a urbanização, em vários trechos do estudo proporcionam valiosas sombras e áreas aconchegantes para a permanência. A revitalização dessas massas verdes é de extrema importância para a melhoria das condições microclimáticas e para a consolidação de áreas onde possam se exercer a permanência e a vida urbana.

Avenida Tancredo Neves em uma dia de chuva. Fonte: Acervo do autor, 24/4/2015.

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3.6. POSSIBILIDADES

Sobreposição de estudos. Elaboração do autor, 19/10/2015. 40 . av tancredo neves

Fonte:


POSSIBILIDADES Através da sobreposição dos estudos de “Fluxos, nós, conflitos”, “Níveis de ruídos e microclimas” e Escoamento de água e áreas verdes” podemos entender melhor o funcionamento da área em alguns aspectos. Para que a permanência no espaço urbano seja efetiva e constante, deve-se coexistir diversos fatores qualitativamente: A proteção dos pedestres contra o tráfego de veículos, a segurança nos espaços públicos, onde se possa ter a livre circulação de pessoas, boa iluminação e espaços vivos dia e noite, espaços livres para caminhar, acessíveis, com fachadas interessantes e livres de obstáculos, os espaços de permanência, com cones para contemplação e agradáveis para se sentar, as possibilidades de uma boa paisagem, as oportunidades para interagir, com baixos níveis de ruídos para conversar e mobiliários dispostos para que essas interação seja facilitada, os locais para atividades físicas, com equipamentos públicos e não menos importante, ter todos esses fatores dimensionados segundo a escala humana, proporcionando uma boa experiência sensorial, com qualidade de materiais e acabamentos na perspectiva dos olhos das pessoas. Todas esses fatores tendem a criar um espaço público de sucesso, que atrai pessoas a sua estadia, seja para atividades cotidianas ou para a simples permanência para contemplação ou descanso.

vegetação remanescente, que amenizam o clima consideravelmente, são eixos de circulação entre as quadras e a Avenida Tancredo Neves, possuem menor fluxo de veículos e consequentemente menos ruídos poluentes e ainda contém os maiores focos de permanência de pessoas por consequência de pequenas barracas de lanches (que por sua vez ocupam esses locais por conta dessas qualidades). Essas vias são, segundo essas análises, as que estruturam toda a recepção e circulação de pedestres em toda essa área do bairro. Naturalmente foram se consolidando pelas qualidades intrísecas e merecem atenção quanto a sua manutenção e melhoria. A relação desses trechos entre si e a propagação de suas qualidades nos demais trechos da poligonal de estudos, tende a criar espaços minimamente agradáveis ao caminhar. A ampliação da vida urbana para essa intervenção visa a proposição de novos usos para os terrenos utilizados como estacionamento, não deixando de lado seus usos originais, mas propondo um novo modelo de estacionamento para essa área, onde se possa coexistir com outros usos no mesmo lote. As demais possibilidades para intervenção devem então surgir segundo a prerrogativa dessas duas vias como articuladoras da circulação de pedestres, sem alterar essa dinâmica já existente e consolidada na região.

Apesar dos trechos estudados na da Avenida Tancredo Neves terem um distanciamento dessas qualidades, observamos que as vias transversais a avenida, seguintes as passarelas de travessia, possuem diversas dessas qualidades ou menos se aproximam desses fatores. No mapa de sobreposições ao lado, destacados segundo linhas pontilhadas as duas vias que relacionadas poderiam se destacar como as mais importantes para os pedestres nessa poligonal. Ambas possuem características semelhantes, onde tem prédios altos que sombream a rua e com fachadas que em momentos se comunicam com a rua, possuem readequação dos centros urbanos à vida humana . 41


Vista de um edifĂ­cio para a Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 13/10/2015. 42 . av tancredo neves


4

Solução

readequação dos centros urbanos à vida humana . 43


4.1. MEMORIAL A intervenção urbanística da Avenida Tancredo Neves se desenvolve sob a ideia de readequação desse centro comercial à vida humana, provendo a requalificação urbana e ambiental adequada ao contexto atual do espaço, criando uma nova perspectiva de desenvolvimento para a área, seguindo as diretrizes propostas no PDDU de Salvador e ainda integrando as diversas camadas sociais a nova realidade, visando a interrupção do ciclo de segregação a que certas áreas parecem destinadas. O plano urbanístico também foi elaborado a partir de uma análise urbana que buscou abranger as suas características sociais, históricas, aspectos físicos, urbanos, seus aspectos ambientais, suas dinâmicas existentes e sua análise de SWOTs. Fundamentalmente nesse projeto, se priorizaram as percepções humanas sobre os espaços, considerando sua locomoção a 5 km/h que é relativamente lenta se comparada aos modos de locomoção motorizados que são culturalmente predominantes, e seus sentidos voltados horizontalmente para frente. Também são considerados aspectos psicológicos em relação aos espaços, onde se notam a motivação das pessoas por locais atraentes, bem cuidados e com bons acessos, além da atração das pessoas por outras pessoas. Nesse contexto se percebe que a maneira de projetar os espaços públicos influencia no comportamento humano, e que a maioria dos projetos nessa área, com caráter incrivelmente privado, tem efeitos negativos na vivência urbana, na paisagem e no clima. Buscou-se então, através dessas intervenções, a garantia de padrões ambientais e paisagísticos adequados, com a regeneração do ambiente e da paisagem, das matas ciliares e dos recursos hídricos, a conservação do ambiente natural, construído, dos recursos naturais e a contenção de processos de ameaças a biodiversidade. Assim como o víés do caminhar, adotado nas decisões projetuais, também visam a redução da subutilização dos recursos, uma vez que induzem o uso do espaço público, e a redução de emissões gasosas na atmosfera. Tal programa ambiental 44 . av tancredo neves

visa também o reaproveitamento da água pluvial com pavimentação permeável e a criação de um sistema de áreas verdes como referência urbanística e paisagística. O resultado projetual desse programa também alcança reduções na geração de ruídos, integração da paisagem e das edificações, redução da emissão de dióxido de carbono e retificação do rio Camaragibe. Sobre as funções urbanas se propõe aumento das conexões urbanas via complementações de interligação e integração das redes de circulação viária e dos transportes, através de implantação de sistemas de mobilidade alternativo e do fortalecimento do uso e implantação de transportes públicos. Se prevê também a integração do tecido urbano com as pré-existências, através de medidas como alterações no uso e ocupação do solo, alteração de usos nas vias, incentivo ao uso misto, fortalecimento da oferta de comércio e serviços e promoção da articulação de sistemas produtivos, educacionais e artísticos compatíveis funcionalmente e socialmente diversificados, assim dinamizando as atividades comerciais existentes na Avenida Tancredo Neves, caracterizando a demanda por equipamentos urbanos e comunitários. Será através da definição de novos parâmetros urbanísticos, da reorganização do espaço público, da criação de espaços ao ar livre e a partir da re-ocupação dos terrenos subutilizados ou baldios que o equilíbrio na oferta de áreas para usos complementares será alcançado, visando assim a criação de um polo de atratividade e de centralidade. Para a indicação dos novos usos, são propostas a implementação de um novo modelo projetual arquitetônico, valorizando a relação espaço privado-público, combinando as edificações de alta densidade já existentes com as de menor escala, numa relação de usos que visa a autonomia do bairro enquanto centro urbano. Para isso, também é integrada a essa medida o redesenho e a reconfiguração de ruas e a criação de novas áreas verdes e praças no interior da malha urbana consolidada, assim como a valorização dessas intervenções com dispositivos eficientes de iluminação pública e melhoria da acessibilidade, qualificando a


caminhada a pé. Espera-se que a partir do programa para o projeto urbanístico, e de seu rebatimento projetual através do masterplan, seja reduzida ou eliminada a segregação urbanística existente tanto na relação entre espaço público e espaço privado, quanto nos aspectos sociais dos usuários dos espaços públicos dessa área. Também se prevê a valorização imobiliária da região, o aumento da interação social e consequentemente da segurança, fortalecendo laços comunitários e criando um conjunto de referência com interesse comum na dinamização do centro urbano que deverá ser modelo para intervenções de readequações em diversos outros centros já consolidados. PARQUE LINEAR DO RIO CAMARAJIPE A Bacia do Rio Camarajipe é a terceira maior bacia em extensão do município e o rio tem sua nascente em Pirajá, percorrendo 14 km até sua foz. Foi um dos principais mananciais de abastecimento da cidade do final do século XIX até meados do século XX, com as represas de Boa Vista, Lobato/Campinas de Pirajá, do Prata e da Mata Escura. Ao longo do tempo, com o lançamento de esgotos sanitários e resíduos tóxicos (urbanos e de serviços de saúde), a qualidade de suas águas ficou comprometida, diminuindo sua transparência e qualidade, provocando a mortandade da fauna e flora. Na década de 1980, foram desativadas para fins de abastecimento público de água as represas do Prata e da Mata Escura, em virtude da alteração da qualidade de suas águas devido ao recebimento de esgotos sanitários e efluentes industriais. Ao longo de seu trajeto fica evidente o grande comprometimento da qualidade das suas águas provocado por décadas de lançamento de esgotos sanitários, além da presença de diversos outros processos antrópicos, da ausência de controle e gestão dos recursos hídricos em grande parte da bacia, tanto em seu leito, quanto em suas margens. A intervenção no Rio Camarajipe, visa antes de tudo toda a revitalização desse rio,

tanto de seu leito quanto de suas margens, com a recuperação das matas ciliares, apenas propondo para esse trecho do rio, uma possibilidade de uso através da implantação de um parque linear. Terá a reorganização de seu espaço público perimetral para priorização do pedestre e dos transportes alternativos, assim aumentando o espaço das calçadas, adequando as faixas de rolamento para veículos particulares e implantando uma ciclovia e uma linha de VLT, que partirá da Estação de Transbordo do Iguatemi e poderá seguir aos bairros ou regiões adjacentes, integrando o terminal municipal rodoviário e ampliando as possibilidades de acesso à área. O parque atenderá as demandas por áreas de convivência abertas com a instalação de barracas, quiosques e zonas de descanso e apreciação, considerando a qualificação da paisagem com a utilização de um sistema de iluminação pública energeticamente eficiente e a relocação de toda a rede elétrica e de dados para o nível do subsolo, através de uma caixa impermeabilizada que seguirá o mesmo percurso da atual rede de postes. Visando o reaproveitamento das águas pluviais, o piso drenante de concreto permeável será utilizado na extensão do parque, para que a água seja infiltrada no solo e parcialmente canalizada através de um sistema subterrâneo, assim abastecendo o lençol freático ou sendo filtrada e despejada no rio. SHARED SPACES O shared space ou espaço compartilhado é um conceito de planejamento urbano que visa a utilização integrada de espaços públicos. Os espaços compartilhados removem a tradicional segregação entre os veículos automóveis, pedestres e outros usuários das vias. Sistemas convencionais de gestão de ruas como cortes, faixas, linhas, sinais e símbolos são substituídos por uma abordagem integrada, orientada para a compreensão do espaço público pelas pessoas. Com isto, caminhadas, ciclismo, compras e atividades como andar de carro se tornam ações integradas. Segurança, congestionamento, vitalidade econômica e rutura da comunidade podem readequação dos centros urbanos à vida humana . 45


ser abordados eficazmente nas ruas e em outros espaços públicos, se estes forem projetados e gerenciados para permitir ao tráfego ser totalmente integrado com outras atividades humanas, e não separado delas. A principal característica de uma rua projetada com essa filosofia é a ausência de marcas rodoviárias tradicionais, placas, sinais de trânsito e a distinção entre a “via” e a “calçada”. O comportamento do usuário tornase influenciado e controlado por interações humanas naturais ao invés de regulação artificial. O espaço compartilhado distingue a rede viária lenta e a rede de rápida. A rede lenta, que é o assunto do tratamento desse espaço, é caracterizada como a rede de ruas que fazem o espaço público vital e acessível. Na rede lenta, automóveis são bem vindos como convidados, mas devem adaptar-se a certas normas de comportamento. O desenho da via deve deixar isto claro. A intervenção urbanística proposta, trata da reconfiguração de algumas vias transversais à Avenida Tancredo Neves que tem a maioria de seus espaços destinados ao estacionamento de carros. Essas vias também não tem intensidade ou grande fluxo de veículos, apenas servindo ao acesso de edifícios. Nessas vias, é observado a predominância de algumas situações: • Seus espaços tem sido ocupado por veículos estacionados; • Pessoas caminhando nas faixas destinadas ao automóvel por consequência do pouco espaço destinado aos pedestres; • Grande existência de vendedores de alimentos em carrinhos/pequenas barracas e banca de revistas; • Grande quantidade de pessoas que trafegam por essas vias buscando o acesso aos edifícios ou apenas as usando como parte de seu percurso; • Circulação de pessoas entre edifícios e serviços próximos, sem necessidade do deslocamento com automóvel; • Uso dessas vias como espaços de descanço em intervalos de turnos de trabalho ou como espaços de encontro; • Edifícios com usos voltados para a rua, 46 . av tancredo neves

como gráficas, restaurantes e cafés. A partir dessas necessidades através dos shared spaces, o projeto urbanístico busca a readequação dessas vias para os pedestres, que demandam de espaços de qualidade, dimensionados e projetados em virtude de aspectos ambientais e em função de seus usos. REORDENAÇÃO DAS VIAS DEPÚBLICAS As faixas de rolamento para automóveis de todas as vias da poligonal de intervenção serão redimensionadas afim de se restaurar os excessivos espaços perdidos e utiliza-los prioritariamente para os pedestres, com o aumento das calçadas, implantação de ciclovias e demais áreas. Todas as faixas de rolamento em asfalto e vias para veículos em shared spaces passarão a ter 3,50m de largura, seguindo as diretrizes propostas no PDDU 2008 de Salvador. Também terão seus limites de velocidade alterados para 50km/h (Avenida Tancredo Neves) e 30km/h (demais vias) afim de se obter diminuição em acidentes de trânsito, de se reduzir os congestionamentos e de se criar um ambiente menos hostil na relação do automóvel com o pedestre. Essas medidas simples também terão como foco a solução para áreas perdidas, como faixas intermediárias entre estacionamentos e faixas de rolamento, encontradas em alguns pontos da área de intervenção, e tratarão de remanejar esses espaços para os calçamentos para pedestres. A Avenida Tancredo Neves, principal via na área de intervenção, implantada na década de 1968, possui faixas de rolamento relativamente largas para os usos existentes. São cinco faixas de rolamento, sendo quatro para veículos pequenos e uma destinada aos ônibus. No projeto urbanístico essa proporção será mantida, contudo, com a reconfiguração de suas larguras e a eliminação do canteiro e da calçada central, ociosas depois da construção das passarelas, será possível relocar e aumentar o espaço das calçadas, e em alguns pontos duplicar sua largura. No meio de seu percurso, em função dos estudos realizados, a Avenida Tancredo


Neves será interferida com um mergulho para veículos. Esse mergulho, somente nas quatro faixas de automóveis, tem como objetivo tornar mais fluido o fluxo de veículos, uma vez que não existirão mais saídas ou entradas laterais que causem conflitos ao fluxo. Também tem por objetivo criar uma grande área para pedestres ao nível do térreo, possibilitando a eliminação das passarelas e a inserção de uma praça pública onde serão estruturados usos para a permanência no lugar. Os ônibus que não descerão ao mergulho, seguirão seu percurso normal ao nível do térreo através de faixa especial e compartilhada, protegida aos pedestres por balizadores de tráfego. Já os carros que antes acessavam aos edifícios onde se inseriu o mergulho, terão agora acesso por uma via local que se inicia a partir da Alameda das Espatódeas. As demais vias dentro da poligonal de intervenção também terão suas reconfigurações conforme as ideias e diretrizes propostas, e trarão resultados positivos aos espaços urbanos destinados aos pedestres em todo o projeto. NOVOS USOS Com o objetivo de incentivo ao uso misto, do fortalecimento na oferta de comércio e serviços e na promoção de sistemas produtivos, educacionais e artísticos socialmente diversificados, são propostos para os terrenos subutilizados, baldios e passíveis de ocupação, oito novos usos que também visam a integração com o tecido urbano préexistente e a criação de espaços com usos complementares, possibilitando a criação de um polo de atratividade e centralidade para a área de intervenção. Dentro desse quadro são propostas para algumas áreas: • Uma escola técnica que juntamente com um coworking possibilitará o acesso e a participação de novos empreendedores ao mercado de trabalho e ao centro negócios que representa a Avenida Tancredo Neves; • Uma praça com quadras poliesportivas e/ ou espaços para realização de outras atividades físicas, buscando alternativas aos usos e aos

horários em que a área é utulizada, uma vez que tais atividades, são mais demandadas em horários contrários aos de pico comercial; • Espaço para bares e restaurantes de caráter noturno, que tendem a atender aos happy hours característicos de finais de expedientes. A partir da dinamização dos usos propostos no projeto urbanístico, para esse espaço também será possível atender aos diferentes públicos que demandarão esses serviços complementares; • Museu/espaço cultural, que incentivará a socialização e promoção das artes. Criará um espaço alternativo ao contexto da Avenida Tancredo Neves e será um atrativo e um qualificador dessa nova proposta urbanística; • Um pequeno parque de exposições e galeria de food trucks, que ampliará e dará flexibilidade aos atrativos para a área, uma vez que o parque poderá comportar exposições de qualquer natureza, atraindo o mais diversificado público. A galeria de food trucks representará a formalização de uma demanda já existente na área, de comidas e lanches de rápido preparo e barato acesso, numa proposta contemporânea organizada. Para os novos empreendimentos, serão exigidos que em projeto sejam previstos usos conjugados ao contexto urbano, integrando edifícios e espaços públicos. Esse requesito tem por objetivo a dinamização do espaço urbano e dos edifícios, evitando que sejam sensíveis a espaços hostis e monótonos, também ampliando as possibilidades de usos e criando uma dinâmica de concorrências, que tende a beneficiar a economia local. Também em relação aos espaços comerciais, sugere-se que tenham seus horários comérciais ampliados até as 21h, criando uma alternativa comercial e um novo polo noturno (talvez o único) para a cidade. Essa extensão do horário comercial em conjunto com a proposta urbanística também tende a minimizar a subutilização da área nos vazios urbanos gerados após horários comerciais tradicionais e visa atender às pessoas que buscam atrativos noturnos e espaços públicos seguros e de qualidade na cidade. Para

os

terrenos

utilizados

como

readequação dos centros urbanos à vida humana . 47


estacionamento particulares existentes na área, são previstas verticalizações para 8 pavimentos e inserção de outros usos para os pavimentos térreos. Essa medida, além de aumentar a disponibilidade de vagas para carros, criará novos espaços atrativos e eliminará a propensão a fachadas passivas, onde não existem dinâmicas de usos e propícias a degradação do espaço urbano. Como complemento ao mergulho da Avenida Tacredo Neves, será criado uma grande praça linear ao nível do térreo, onde o atual posto de gasolina e estacionamento existente serão removidos da atual localização para a priorização dos usos propostos para pedestres. Esses usos existentes a serem removidos não apresentam nenhum benefício ao tráfego de veículos, de pedestres nem a paisagem urbana. Foram implantados em um período onde as demandas eram inferiores às atuais e assim, hoje, não estão adequadas ao uso, criando áreas de conflitos e inadequadas aos usos demandados atualmente. MOBILIDADE Para a intervenção urbanística, buscando a integração entre as áreas e a alternatia de modais para deslocamento, são propostas a implantação de dois novos sistemas de transportes: O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é um metrô leve de superfície, um tipo de trem urbano de passageiros cujo equipamento e infraestrutura é tipicamente mais “leve” que a usada normalmente em sistemas metropolitanos ou ferroviários de longo curso. O projeto visa a instalação da linha a partir da Estação Transbordo Iguatemi, interligando-se com o Parque Linear dessa proposta e seguindo seu curso para as demais áreas adjacentes. Essa linha seguirá por canteiros e faixas específicas na maioria de seu percurso, mas partilhará das vias em alguns pontos, que serão anteparados por paradas de veículos e semáforos. Suas paradas serão pequenos pontos simples, com o objetivo de se flexibilizar e possibilitar possíveis alterações em virtude das 48 . av tancredo neves

demandas. O sistema de VLT apresenta como vantagem seu barato custo em relação aos outros sistemas de mobilidade urbana, sua flexibilidade para curvas, a pouca emissão de poluentes e de barulho. O sistema de ciclovias, em alguns pontos integrado aos shared spaces e em sua maior parte em faixa exclusiva bidirecional com 2,50m de largura, funcionará como um complemento das calçadas e criará uma rede de circulação de bicicletas pela área de intervenção. As ciclovias, além de criar um espaço seguro para os ciclistas, visto que estão separados dos fluxos de veículos automotores, são uma alternativa aos deslocamentos a pé e aos transportes públicos onde são cobradas tarifas. As bicicletas, que já foram o principal método de locomoção no mundo, também trazem inúmeros benefícios à saúde e ao meio ambiente. Ainda sobre as propostas de mobilidade no projeto urbanístico, visando a maior fluidez do trânsito de veículos, são propostos dois fechamentos de conexão entre a Avenida Tancredo Neves e as quadras de edifícios de escritórios. Essas conexões, que apenas possibilitam a passagem de um veículo por vez, causam alto grau de complicações no trânsito da avenida com a lentidão do tráfego e o congestionamento de ambas as vias que se conectam. Esses problemas se agavam nos horários de pico, onde uma grande quantidade de veículos necessitam transpor nessas conexões. Essa medida demanda aos condutores a solução por vias alternativas ou pelo contorno dessas quadras, fazendo com que acessem a Avenida Tancredo Neves por conexões adequadas, que tem capacidade para comportam a demanda do tráfego. PISO DRENANTE O bloco pré-moldado, adotado em todas as áreas de calçamento para pedestres e shared spaces do projeto urbanístico, é feito de concreto poroso (apenas cimento e pedrisco) e


tem até 25% de espaço vazio dentro da peça. A passagem da água se dá através da própria peça e chega a 100% de permeabilidade (do índice pluviométrico), com coeficiente de permeabilidade de 4.821 mm/h. O piso drenante, é composto por placas antiderrapantes de 20x20cm e 6cm de espessura, tem sua cor em concreto natural e índice de refletância solar (SRI) >29, que é adequado para a diminuição do efeito das ilhas de calor nos centros urbanos. Sua resistência a compressão vai de 25 a 30 MPa e suporta o tráfego de caminhões até dois eixos, ideal para a adequação nas propostas das calçadas e shared spaces. Também melhora o conforto térmico, reduzindo a temperatura ambiente em até 7 graus em relação ao asfalto, melhora a geração de ruídos para os veículos em baixas velocidades, requer menor potência da iluminação pública, devido as suas cores mais claras e combate a enchentes e inundaões, reduzindo até 100% dos escoamentos superficiais. Além de suas qualificações quanto ao projeto, o piso de baixo impacto ambiental não sofre processo de queima em sua fabricação, envolvendo menores custos de energia e possuindo melhor relação custo-benefício a médio e longo prazo. Além disso não utiliza equipamentos pesados na sua produção nem na sua instalaçao, utiliza a mão de obra local, gerando emprego e renda, não produz desperdícios e as peças podem ser removidas e reaproveitadas em eventuais reparos. O pavimento permeável é um sistema de drenagem no qual a estrutura que suporta este pavimento tem fundamental importância. O pavimento tem espaços livres em sua estrutura, por onde escorre a água, que atravessa a camada superficial e também por suas camadas inferiores de sustentação (brita, pedrisco, areia, tubos drenantes, manta bidim, etc), resultando em um coeficiente de percolação de grau adequado ao propósito desse tipo de pavimento.

Seção tipo de pavimento permeável e aspecto da placa drenante e sua permeabilidade. Fonte: Rhino Pisos, 8/6/2015.

ILUMINAÇÃO ELÉTRICA

PÚBLICA

E

REDE

Para a infraestrutura da área de intervenção, são propostas duas medidas que visam a requalificação paisagística e a readequação às tecnologias mais atuais, também com o intuito de se obter redução de custos. Segundo dados da Eletrobrás, dos 15 milhões de pontos de iluminação pública instalados no Brasil, mais de 60% (9,5 milhões) precisam ser renovados. As vias e espaços públicos, que utilizam amplamente a iluminação para melhoria da visibilidade, quesito básico para segurança, locomoção e conforto dos usuários, estão entre os grandes beneficiados pela evolução dos sistemas de iluminação. A redução no consumo de energia elétrica e a extensa vida útil dos sistemas avançados geram readequação dos centros urbanos à vida humana . 49


uma relação custo-benefício favorável aos recursos públicos. O projeto urbanístico prevê a atualização de toda o sistema de iluminação pública para novas tecnologias, que reduzem em até 50% o consumo de energia se comparadas as lâmpadas de vapor de sódio. A substituição dessas lâmpadas de vapor de sódio de 400W pela iluminação de luz branca por projetores com lâmpadas a vapor metálico de 315W e reatores eletrônicos, conferem uma máxima qualidade de luz, além do aumento da vida útil da lâmpada e uma maior eficiência. Com a diminuição da potência das lâmpadas há uma redução mensal de aproximadamente 60% no consumo de energia, uma economia que pode alcançar cerca de R$ 100 mil por ano. Outro benefício está no nível de iluminância. A média para a iluminação com lâmpadas de vapor de sódio é 12 lux, enquanto qeu para o novo sistema o nível é de 48 lux, representando um aumento de 300% nos níveis de luminosidade. Para esse novo sistema podem ser adotas a luminária Gullwing da Philips e lâmpada Master Colour Elite, também da Philips, que foram usadas para a substituição do antigo sistema de iluminação da Avenida Paulista (São Paulo), o qual é referência para essa intervenção.

Essa rede seguirá o mesmo percurso da rede atual através de uma tubulação de concreto impermeabilizada, com acessos em pontos estratégicos e conveniêntes.

Lâmpada Master Colour Elite e Luminária Gullwing. Fonte: Philips, 8/6/2015.

Para as vias são sugeriadas: • Pata-de-vaca, que cresce até 8m, tem diâmetro com certa de 6m e se adapta aos climas tropicais e subtropicais. Cresce rapidamente e tem raiz pivotante, possui floração rosa, arroxeadas ou brancas no período entre julho e outubro, e vagens secas médias no período entre outubro e dezembro. Suas flores em forma de orquídeas tem interesse ornamental e são utilizadas frequentemente

Também é proposta a relocação da rede elétrica e de dados para o nível do subsolo, afim de se eliminar as interferências e a poluiçao visual existente na paisagem urbana, tornando assim mais agradável a experiência dos usuários. 50 . av tancredo neves

ARBORIZAÇÃO URBANA Para a arboriazação das vias, seguindo critérios biológicos para melhor adequação às funções propostas, foram pré-selecionadas árvores de médio e grande porte para os shared spaces e para as vias: Nos shared spaces são sugeriadas: • Fedeguso, ou Cassia Speciosa, que cresce de 6 a 8m e tem copa com cerca de 6m de diâmetro. É uma árvore adaptada ao clima subtropical com crescimento rápido e raiz pivotante. Tem o período de flora entre dezembro e abril, com flores amarelas expressivas, e frutífero de julho a agosto, com vagens grandes. Seu uso também é possível em calçadas mesmo sob rede elétrica, em terrenos desgastados, cortados ou com erosão, pois auxilia na recuperação do solo; • Ipê-roxo, que chega a 12m e diâmetro com cerca de 8m. Adaptada ao clima tropical e subtropical, com crescimento rápido e raiz pivotante. Tem o período de flora entre julho e agosto, com flores roxo claras, e frutífero entre setembro e outubro; • Jatobá, que chega a 15m, tem diâmetro com cerca de 10m e é adaptada ao clima tropical e subtropical. Tem crescimento rápido e raiz pivotante, pequenas flores esbranquiçadas no período entre janeiro e março e grandes vagens no período de julho a agosto. O jatobá tem uma folhagem bastante ornametal, que se destaca no sol devido a coloração, fornecendo uma boa sombra para locais de convivência.


jatobá

pata-de-vaca

ipê-roxo

sibipiruna

fedegoso

quaresmeira

resedá

Pré-seleção de ávores para o projeto urbanísticos. Fonte: Vegetação e Paisagismo FDE, 8/6/2015. readequação dos centros urbanos à vida humana . 51


na arborização de ruas, praças e áreas de convivência. • Quaresmeira, cresce até 10m, tem diâmetro de copa com cerca de 6m e é adaptada aos climas tropicais e subtropicais. Tem crescimento rápido e raiz pivotante, com grandes flores roxas e rosas nos períodos de fevereiro a abril, e pequenos frutos em cápsulas em junho e julho. É uma árvore ornamental e rústica, utilizada em jardins, praças e ruas, tanto pela exuberante florada quanto pelo bom sombreamento. • Resedá ou extremosa, que cresce até 5m, tem diâmetro com cerca de 4m e se adapta aos climas tropicais e subtropicais. Tem crescimento médio/rápido, raiz pivotante, flores róseas, brancas ou púrpuras no período de outubro a março e frutas no período de junho e julho. É uma árvore ornamental utilizada para arborização de ruas, caminhos, jardins e praças. • Sibipiruna, que cresce até 12m, tem diâmetro com cerca de 7m e se adapta ao clima tropical e subtropical. Tem crescimento rápido, raiz pivotante, flores amarelas no período de setembro a novembro e grande vagens no período de julho a agosto. É uma árvore rústica e resistente, com porte elegante. Possuindo sombreamento médio próprio para arborização de ruas e praças.

Dividindo os habitantes da cidade, a remodelação da rua comercial Mariahilferstrasse teve o objetivo de transformar as poluída e ruidosa Strasse Mariahilfer em uma zona de tráfego restrito, proporcionando uma maior qualidade de vida para moradores, visitantes, empresas e lojas locais. Os 1,6 km da longa rua são divididos em duas zonas, a zona central que foi reconfigurada em uma zona exclusivamente pedonal, e as duas áreas das extremidades, que foram projetados de acordo com princípios do espaço compartilhado. A Georgia Street do escritório RATIO, em Indianapolis (USA), tem a perspectiva que as cidades habitáveis ​​do nosso futuro são uma reconsideração de ruas como sistemas integrados que não só oferecem opções mais humanas de mobilidade, mas também fornecem uma sistema ecológico mais benéfico e que expressa abertamente a vitalidade da cidade. A Georgia Street tece um espaço prioritário para pedestres, cuidadosamente consideradando a arborização urbana e a infraestrutura necessária para moldar um novo destino ao ar e aos locais de eventos que acontecem nas ruas.

Todas as árvores selecionadas para o projeto tem raízes pivotantes, visando a integridade da pavimentação e dos sistemas que passarão no nível do subsolo. Também foram selecionadas a partir de críterios de altura, para que sejam agradáveis aos pedestres e não causem conflitos com os veículos que passarão pelas vias. Outras árvores com características parecidas também poderão ser utilizadas, sem deixar de atender às necessidades apresentadas pelo projeto urbanístico. REFERÊNCIAS PROJETUAIS Como referência para o plano urbanístico, foram analisados alguns projetos como o Mariahilferstrasse em Viena, na Austria, dos escritórios Bureau B+B e Orso Pitro e o Georgia Street do escritório RATIO.

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Antes e depois da Mariahilfestrasse e diagrama explicativo a intervenção. Fonte: Site do Bureau B+B, 6/6/2015. Fotos da Gergia Street e diagrama explicativo da infraestrutura. Fonte: Landzine, 6/6/2015.


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4.2. MASTERPLAN

AS CAMADAS DO MASTERPLAN Introduzindo essa etapa do projeto, aborda-se aqui de forma mais dinâmica, as “camadas” que compõe o Masterplan proposto através de diagramas onde situamse espacialmente e individualmente as intervenções. Esse recurso traz de forma prévia o entendimento das propostas do projeto, antecedendo o Masterplan final, apresentado logo em seguida. Todas as imagens apresentadas são de elaboração do autor no dia 7/10/2015.

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Áreas para aprofundamento do projeto

Parque linear

Shared spaces readequação dos centros urbanos à vida humana . 55


Reordenação de vias

Alteração de tráfego

Limites de velocidades; 50Km/h e30m/h 56 . av tancredo neves


Sentido de tráfego de veículos

Remoção de usos existentes

Novos usos readequação dos centros urbanos à vida humana . 57


Requalificação de iluminação e rede elétrica

Arborização urbana

Implantação de sistema VLT 58 . av tancredo neves


Implantação ciclovias

Piso drenante

Todas as “camadas” do Masterplan sobrepostas readequação dos centros urbanos à vida humana . 59


5 7 3

5 5

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8

3

4 4

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9 15 4

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2 6 2

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Intervenção em espaços 1. Mergulho de veículos; 2. Via local superficial para ônibus e carros para acesso a edifícios; 3. Parque linear do rio Camarajipe; 4. Shared space; 5. Reordenação de via e controle de velocidade; 6. Remoção de posto de gasolina e implantação de praça pública. Novos usos (edifícações) 7. Praça com quadras poliesportivas e/ou espaços para realização de outras atividades físicas; 8. Espaço para bares noturnos com estacionamento vertical; 9. Estacionamento vertical; 10. Museu/espaço cultural; 11. Estacionamento vertical; 12. Coworking com escola técnica; 13. Parque de exposições e galeria de food trucks; 14. Estacionamento vertical. Mobilidade VLT; Ciclovias; 15. Interrupção de conexão entre vias.

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Requalificação paisagística • Adoção de piso drenante de concreto permeável em toda área de intervenção; • Arborização urbana; • Requalificação da iluminação pública; • Relocação da rede elétrica e de dados para tubulações subterrâneas; • Propostas de usos conjugados à rua para os novos empreendimentos.

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4.3. SITUAÇÃO Anexa ao projeto, o APÊNDICE B - PLANTA DE SITUAÇÃO, na escala 1:2000, demostra em aspectos gerais a implatação e a situação das intervenções urbanísticas.

4.4. PLANTAS BAIXAS Anexas ao projeto, o APÊNDICE C PLANTA BAIXA - ZONA 1, em 3 partes, e o APÊNDICE D - PLANTA BAIXA - ZONA 2, em 2 partes, nas escala 1:200, representam os trechos determinados para desenvolvimento desse projeto. As duas áreas onde se implantaram os shared spaces são, de acordo com os estudos apresentados, as principais áreas para a manutenção da vida urbana para as pessoas.

4.5. SEÇÕES Anexas ao projeto, o APÊNDICE E SEÇÕES - ZONA 1, e o APÊNDICE F - SEÇÕES - ZONA 2, nas escala 1:50, representam as diversas tipologias de vias que surgiram das vias escolhidas para desenvolvimento do projeto.

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4.6. DETALHES Anexa ao projeto, o APÊNDICE G DETALHAMENTOS, em escalas ampliadas, demostram elementos constituintes desse projetoem. São especificados Calçamentos e canteiros, postes, blocos de ciclovia, abrigo de ônibus, escada do shared space da Avenida Tancredo Neves e mobiliários urbanos.

4.7. DIAGRAMAS ISOMÉTRICOS Anexa ao projeto, o APÊNDICE H DIAGRAMAS ISOMÉTRICOS, demostram espacialmente as principais tipologias de ruas que surgiram das vias escolhidas para o desenvolvimento do projeto. São represendas espacialemente a rua do Jornal A Tarde, o trecho do mergulho de veículos, o trecho do rio Camarajipe/Parque Linear e o shared space.

4.8. PERSPECTIVAS

Anexa ao projeto, o APÊNDICE I PERSPECTIVAS, de forma lúdica, demostram espacialmente as principais tipologias de ruas que surgiram das vias escolhidas para o desenvolvimento do projeto. São manipuladas imagens para a rua do Jornal A Tarde, o trecho do mergulho de veículos, o trecho do rio Camarajipe/Parque Linear e o shared space.

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Vista para a Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 13/10/2015. 64 . av tancredo neves


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Considerações finais

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É importante destacar o peso para as decisões projetuais que tiveram os estudos relacionados a Avenida Tancredo Neves. A metodologia adotada fez com que uma área inicialmente delicada, complexa e “amarrada” fosse se tornando compreensível e passível de novas perspectivas. Buscou-se a partir da “Readequação dos centros urbanos à vida humana”, explorar possibilidades aos centros já consolidados para a configuração de um novo caminho para o desenvolvimendo das cidades e dos espaços urbanos, considerando todas as condicionantes humanas, ambientais e legais existentes. Desse trabalho, que explora a Avenida Tancredo Neves, mais que o aprendizado técnico e conceitual, fica a lição de que por mais complicada, hostil e problemática que qualquer ambiente possa se apresentar, sempre existirão soluções.

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Vista para a Av. Tancredo Neves. Fonte: Acervo do autor, 13/10/2015. 68 . av tancredo neves


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Referências bibliográficas readequação dos centros urbanos à vida humana . 69


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