Os dias não têm sido fáceis em lugar nenhum do mundo. No Cariri, não haveria de ser diferente. Ainda enfrentamos a pandemia, os lutos e os desafios econômicos consequentes. Mas 2021 é um ano de esperança. Nas páginas a seguir, retomamos nossa fé na capacidade que temos de fazer do limão uma limonada. Reunimos aqui, em diferentes matérias, histórias e conversas tão inspiradoras que emocionam.
É na fala suave de Max Petterson que soltamos o riso e recarregamos o coração de esperança. De vontade de acreditar nos nossos sonhos. O youtuber caririense faz piada, mas mostra seu lado mais pé no chão e pede: "Se você tem um objetivo, vá atrás dele, se nada der certo você volta, mas pelo menos tentou. Não fiquem na zona de conforto."
No Guia de Gastronomia desta edição, empresários contam como é estar fora da zona de conforto na atual retomada das atividades após o lockdown necessário da pandemia. E é cada lugar lindo de ver, com drinks e cardápios de encher os olhos, que se você puder, termine a leitura da revista e vá conhecer um dos points! Vai valer a pena.
Também é um convite para você conhecer os empreendedores do Guia Negócios e Oportunidades! Ah, e, se ainda não conhece, faça uma visitinha ao prédio da Academia-Escola Unileão que ganhou um dos mais importantes prêmios de arquitetura do País.
Em entrevistas exclusivas, os prefeitos do Crajubar falam sobre planos de governo, estratégia e enfrentamento à pandemia. Temos vacina!
Vamos alimentar nossa esperança!
PAULA LIMA
Ed itora-executiva do Lab eta paulalima@opovo.com.br
Fundado em 7 de janeiro de 1928 por Demócrito Rocha
GRUPO DE COMUNICAÇÃO O POVO
Presidente e Editora Luciana Dummar
Vice-Presidente João Dummar Neto
Diretor Corporativo: Cliff Villar
Diretor de Operações: André Azevêdo
Diretora de RH: Cecília Eurides
Diretor-Geral de Negócios, Marketing e Projetos Especiais: Alexandre Medina
Diretor-Geral de Jornalismo: Arlen Medina Néri
Gestora Comercial: Ranilce Barbosa
Gestora de Projetos: Lela Pinheiro
Estratégia e Relacionamento: Gerlaine Sombra
Analista de Projetos: Beth Lopes
Representante no Cariri: Carlos Henrique (88 98884.3797)
LABETA
Gerente-Geral Gil Dicelli
Editores-Executivos
Paula Lima e Raphael Góes
Edição
Amanda Araújo e Paula Lima
Textos
Amanda Araújo, Ana Beatriz Caldas, Guilherme Carvalho, Márcio Silvestre, Sabrina Sterwrs, Sarah Cordeiro
Edição de Arte e Projeto Gráfico Gil Dicelli
Design João Maropo
Tratamento de Imagem
João Maropo e Robson Pires
A REVISTA O POVO CARIRI É UMA PUBLICAÇÃO DO GRUPO DE COMUNICAÇÃO O POVO
É com a garra, criatividade e a força de vontade de cada cearense que não paramos de trabalhar pra movimentar a economia e o desenvolvimento social do nosso Estado. Já avançamos muito e vamos seguir avançando, juntos. Porque é assim que o Governo do Ceará trabalha, lado a lado com cada cearense.
o trabalho não para
35 guiagastronomia
ALLAN BASTOS
NO TAS
natureza
BANHO ENERGIZANTE
Quem estiver no Cariri neste início de ano pode aproveitar a natureza e curtir os banhos na chapada. Devido ao período de chuvas, a vazão da água está maior na região. Indicamos a Cascata do Crato para um banho revigorante. A cachoeira, no pé da serra, aumenta a queda d’água durante as chuvas, o que atrai os amantes da natureza para um banho revigorante.
Local: Av. José Ribeiro de Andrade - Lameiro, Crato
Passeio pelo Geopark
Quando falamos em natureza, a região do Cariri se destaca como ponto turístico de muitas belezas naturais. O Geopark Araripe, que foi o primeiro Geoparque das Américas instituído pela Unesco, oferece diversas opções de aprendizado e lazer. São nove Geossítios, com um vasto patrimônio biológico, geológico e paleontológico, abertos para visitação. Dentre eles, estão:
> Colina do Horto (foto);
> Cachoeira de Missão Velha;
> Floresta Petrificada do Cariri;
> Batateira;
> Pedra Cariri;
> Parque dos Pterossauros;
> Riacho do Meio;
> Ponte de Pedra;
> Pontal de Santa Cruz.
DIVULGAÇÃO
Tradição e informação em uma só rádio
A CBN Cariri se faz presente na vida do ouvinte do oásis do sertão, levando as últimas notícias do Brasil e do mundo em tempo real, com muita pluralidade. Por isso, a gente pode dizer: o Cariri é terra de belezas, devoção e de muita informação.
NO TAS
MAIS NUTRIÇÃO NO CARIRI
O Cariri recebe a fábrica "Mais Nutrição" ainda em abril deste ano. O programa, com sede em Barbalha, é uma iniciativa do Governo do Estado do Ceará e tem o objetivo de auxiliar a alimentação de crianças, além de combater o desperdício de alimentos. Atualmente, cerca de 16 mil crianças são acompanhadas pelo projeto.
As filmagens do longa caririense que vai narrar a história do Barão de Dom Pedro II, nascido em Jucás, iniciam no primeiro semestre de 2021. A ficção inspirada na vida de Gonçalo Batista Vieira (1819-1896) contará sobre as raízes escravagistas do Cariri. O filme, de produção independente da Fulô Filmes, será gravado em dois municípios da região, Potengi e Assaré. O longa é dirigido por Cheyenne Alencar e Jaildo Oliveira, com roteiro assinado por Cheyenne e Heitor Feitosa, advogado e pesquisador da história do Cariri.
Com o Cartão Sesc, você e sua família têm acesso aos serviços do Sesc e aos cursos do Senac, com condições especiais. Espia só:
• Clube de Lazer
• Sesc Iparana Hotel Ecológico
• Atividades Esportivas
• Tratamentos Odontológicos
Acesse o QR Code, faça seu cartão e adicione seus dependentes gratuitamente.
• Restaurantes
• Bibliotecas
• Pacotes de viagens e excursões
• Descontos* no Senac
• Tratamentos Estéticos
• Escolas Educar Sesc
• Teatros, shows, oficinas e cursos
* Até 20% de desconto não cumulativo e não se aplicando aos cursos técnicos, EAD, pós-graduação, especializações técnicas, cursos especiais e promocionais.
NO TAS
Eu-Tu
O espetáculo de Teatro/Dança traz um olhar para si mesmo na contemporaneidade. A obra do artista caririense, Marx Yure, desperta indagações sobre existencialismo, pertencimento e objetivos de vida. Entre memórias reais e fictícias, somos apresentados à vida do ator/bailarino que está em cena, mas que poderia ser a vida da avó Bastiana, do açougueiro da esquina, do espectador na primeira cadeira... “Estamos todos em processo de aprendizado, respeitem os sonhos e os desejos de cada um, não matem o artista, ele poderia ser eu ou tu.”
Dia: 26/2, às 16h
Local: Youtube CCBNBs
Classificação: 12 anos
Duração: 50min
arte
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICAAO REDOR
Ao apresentar a exposição Ao Redor, a fotógrafa Nívia Uchoa escreve: "Ao Redor expõe olhares de dois fotógrafos evidenciados por inúmeras contribuições imagéticas contemporâneas sob o foco do realismo da imagem fotográfica. Ao mesmo tempo, percebe a transitoriedade a partir de conexões, temporalidades, suas contemplações e interpretações. A exposição versa numa tradução simultânea do que é verdadeiro e do imperceptível, do que é irreal ou evidente. São traços marcados pelos olhares de Lino Fly e Nívia Uchôa ao longo de suas trajetórias, resultado do exercício cotidiano da observação e suas vivências com a linguagem fotográfica."
Dia: 27/2, às 18h
Local: Youtube CCBNBs
Classificação: livre
Duração: 50min
FOTOS: DIVULGAÇÃO
PRIMEIRA LOJA DE VINHOS DE JUAZEIRO REÚNE 200 RÓTULOS
Vinum Wine Shop foi inaugurada em agosto e traz carta de vinhos exclusiva para o Cariri
A rede pernambucana Vinum Wine Shop chegou a Juazeiro do Norte em agosto, com foco na experiência do cliente e no serviço online de entregas. Comandada pelos empresários Eduardo Ribeiro e Rayssa Peixoto, a primeira loja de vinhos da região já conta com mais de 200 rótulos nacionais e importados em sua adega, além de wine bar para degustação. “Hoje, além do Cariri, já estamos em Teresina, Caruaru, Recife e João Pessoa, com o intuito de proporcionar a melhor experiência, com serviços como confraria e degustação às cegas”, conta Eduardo.
Em Juazeiro, o espaço está na Lagoa Seca e possui área interna climatizada e área externa com mesas
reservadas para quem busca mais aconchego e tranquilidade. No menu, além de vinhos, há entradas e pratos para harmonização e opções de cervejas artesanais. Além da loja física, a Vinum possui aplicativo de delivery próprio e gratuito, com entrega express em até uma hora. No app, é possível conferir a ficha técnica de todos os vinhos, além de dicas de harmonização. Para fazer o download: Vinum App nas lojas de app.
VINUM WINE SHOP JUAZEIRO
Endereço: Av. Governador Plácido Aderaldo Castelo, 478, loja 1 - Lagoa Seca, Juazeiro do Norte Horário de funcionamento: De segunda a sábado, das 11h às 22 horas (loja) e das 16h às 22 horas (Wine Bar), e aos domingos, das 13h às 20 horas Instagram: @vinumcariri
Vinum Wine Shop, na Lagoa Seca, tem ambiente agradável e serviço de delivery
é um O sentimento
YOUTUBER CEARENSE QUE VIVE NA EUROPA, MAX
PETTERSON É UM MIX DE CULTURAS. FOI A PARIS ESTUDAR
TEATRO, FEZ BICO DE LIMPEZA ATÉ ENCONTRAR NA
INTERNET SEU PÚBLICO. HOJE, A WEB É O SEU PALCO, MAS NÃO O ÚNICO QUE ELE PRETENDE ALCANÇAR
CAPA
TEXTO: AMANDA ARAÚJO
FOTOS: ALLAN BASTOS
ão ache que você conhece Max Petterson por inteiro. O caririense que viralizou em 2017 ao falar do "calor da molesta" de Paris no verão europeu é aquilo que você vê nos vídeos desde então. Mas não só isso. Nascido no Crato, para onde voltou depois de entrar no curso de Teatro da Universidade Regional do Cariri, Max foi criado pela mãe e pela avó em Farias Brito. Quando foi estudar na Université Vincennes Saint Denis Paris 8, em meados de 2014, jamais imaginou que fosse virar youtuber. "Eu estava passando por um momento de crise artística, acho que todo artista sabe o que é isso. É quando você começa a se perguntar quem você é, o que você está fazendo ali, aquilo vai dar certo, eu estou caminhando para onde?"
Depois do primeiro vídeo bombar (há quem não se canse nunca de rir da pérola "caatinga refrigeralizada"), Max, 27, começou a criar conteúdos voltados para o público da internet. Dicas de francês, receitas (de onde saiu o hit do crème brûlée), história, viagens e mais recentemente os guias virtuais. Na pandemia, a empresa dele de visitas guiadas em Paris - Descobrindo.Paris -, lançada pós-You-
tube, precisou ficar em segundo plano. E o tempo isolado em casa serviu para aumentar o alcance nas redes sociais: "Eu me reinventei, como muitos comerciantes, artistas se reinventaram".
Também na pandemia, ele teve a oportunidade de fazer um vídeo publicitário da série Emily in Paris para a Netflix e seu primeiro longa. Na nova comédia de Halder Gomes, Bem-vinda a Quixeramobim, Max contracena com o humorista Edmilson Filho e a atriz Monique Alfradique. "Parecia o Big Brother, a gente ficou isolado dois meses, eu passei um mês isolado em Fortaleza, em um hotel, e um mês isolado em Juatama, que é distrito de Quixadá [...] Foi um processo muito rico, um elenco maravilhoso, o Halder é uma pessoa maravilhosa de se trabalhar, super aberta, um elenco feito 90% de nordestinos, era um negócio muito familiar, muito bacana."
Um dia antes de retornar à kitnet que ele divide em Paris, Max deu entrevista de vídeo para a Revista O POVO Cariri. Falou das suas origens ("a gente nunca saiu mentindo lá em casa a quantidade de dinheiro que a gente tinha, mas eu pertencia àquele grau de família que nem era rica, nem era pobre, mas era mais pobre do que rica, tá entendendo?"); da responsabilidade de estar na internet interagindo com tanta gente ("é meio que um 'pisar em ovos', há coisas que não devem ser ditas"), das saudades do Cariri ("não é uma coisa física, um lugar, é um sentimento, é um estar") e dos planos profissionais ("eu não tenho barreiras, não").
O objetivo de Max em Paris podia até não ser a internet, mas a internet mudou sua vida. "O YouTube para mim foi um pai, ele me tirou de uma crise existencial enorme que eu estava, disse: Teu público agora vai ser virtual, e teu palco sou eu", afirma. E o Cariri foi indiscutível para ele chegar aonde chegou: "Essa roupa eu comprei em Paris, esse cabelo eu cortei em Paris, mas o sotaque foi a única coisa que me restou do Cariri, é quem eu sou. Talvez, eu não volte mais nunca a morar no Cariri, mas isso não quer dizer que eu não esteja no Cariri, porque é onde eu refaço minhas energias".
O POVO CARIRI - Em linhas gerais, como
571 mil
SEGUIDORES NO INSTAGRAM
SÓ SE FORMA NO TEMPO CERTO QUEM É SUSTENTADO PELOS PAIS OU TEM BOLSA
você descreveria sua origem?
Max Petterson - Ai, mulher, descrever minha origem. Eu acho que sou uma mistura do todo do Cariri, desse mix de culturas que a gente vive naquele local. Eu sou um pouco da Chapada, daquela nascente, parece um negócio meio poético, mas é verdade. Porque quem é caririense e vive fora do Cariri, quando retorna às origens, eu acho que se identifica muito com isso que eu estou falando. A gente é a cajuína, nós somos o pequi, nós somos aquelas ruas de Juazeiro. Então, tipo assim, o Cariri é um estado de espírito, sabe? É algo que vai além, é difícil de explicar. Eu acho que todo caririense fala muito bem do Cariri, porque o Cariri é uma região muito rica culturalmente, essa é a minha origem. Eu acho que tudo que eu sou é o Cariri, e tudo que o Cariri é eu sou.
O POVO CARIRI - Por que escolheu fazer teatro na França? Você veio de uma família de classe média?
Max Petterson - Mulher, eu não sei se é classe média, a gente nunca saiu mentindo lá em casa a quantidade de dinheiro que a gente tinha, mas eu pertencia àquele grau de família que nem era rica, nem era pobre, mas era mais pobre do que rica, tá entendendo? Eu fui fazer Teatro porque eu já fazia Teatro na Universidade Regional do Cariri, comecei em 2011. Em 2013, eu tinha decidido me dedicar a uma
língua francesa e tentar fazer os estudos na França, meio que abandonei o curso no Brasil para me dedicar a uma possibilidade de ir estudar na França, e eu me candidatei como estudante normal. Nessa candidatura, estudei mais ou menos um ano e meio, e no final de 2014 eu estava na França para estudar Teatro. Era um curso de três anos que eu levei seis anos para fazer, porque é como eu falo, só se forma no tempo certo quem é sustentado pelos pais ou tem bolsa, e como eu não tinha nenhum dos dois, eu falava muito que a minha bolsa era de couro, eu não tinha como fazer tudo isso. Foi um período de muito aprendizado que agora está chegando ao fim. Para a área artística do teatro, seria muito rico para mim fazer essa faculdade na França. Assim como todo bom artista, eu tinha pensado em sair do Nordeste e ir para o Sudeste para tentar a vida, como muita gente faz. Só que muita coisa passou pela minha cabeça, pode ser meio estranho o que eu falo, mas passou o medo de sofrer preconceito na área artística por ser nordestino, as dificuldades da cidade grande, a violência da cidade grande. Eu disse, cara, de toda forma, vou estar correndo risco, prefiro o risco de sofrer preconceito por ser brasileiroo que não aconteceu, eu nunca sofri - do que sofrer preconceito no sudeste por ser nordestino, que as pessoas falam que não existe, mas existe, claro, a gente não está generalizando, mas ainda existe isso, infelizmente, na cabeça das pessoas. Foi
DADOS DE FEVEREIRO DE 2021
396 mil
INSCRITOS NO YOUTUBE
quando eu decidi ir a Paris, mas foi muito rápido na minha cabeça, quando eu vi eu já estava lá.
O POVO CARIRI - Quais trabalhos você já fez na França desde que chegou?
Max - Meu primeiro trabalho na França foi de ménage. Max, o que é isso? Eu digo, mulher, ménage na França é faxineiro, é limpeza. Era um bico, eu já trabalhei de faxineiro nos escritórios, limpava os escritórios à noite, trabalhei de entregador, fazia entregas de delivery na mão, porque eu não tinha moto nem carro, eu ia de ônibus, aí fazia as entregas. Trabalhei como bico de produção, o pessoal ia gravar os documentários, eu segurava os canos de microfone, de luz, o que tivesse eu tava fazendo. Depois, começou a melhorar quando eu fui aceito para trabalhar na primeira loja de prêt-a porter, que são marcas fashions de Paris, e como vendedor, comecei a ganhar experiência, passei uns dois anos no ramo da moda. Comecei a trabalhar em grifes maiores, depois eu já estava bem em Paris, bem assim, muito melhor do que eu estava antes. Eu só larguei o prêt-a porter quando comecei a me dedicar à minha empresa de guia de turismo, a Descobrindo. Paris, que abri pós-Youtube. Hoje eu vivo só de internet.
O POVO CARIRI - Desde seu primeiro
vídeo que viralizou falando do calor da França, o que tem mudado na sua vida?
Max - O Youtube, eu tinha muito preconceito, sabe? Em 2017, ainda era algo muito recente essa ideia de ter Youtube, em 2014, quando eu fui para a França, existia quem, o Whindersson Nunes, era um youtuber famoso e só. Aí era algo muito vago, ainda hoje é algo muito vago esse termo, de trabalhar com internet e ser youtuber. Como muita gente já sabe, foi um vídeo que viralizou por acaso, eu não fiz aquele vídeo com intenção de viralizar, até porque eu, como artista, eu não me via trabalhando mais nos palcos. Eu estava passando por um momento de crise artística, que acho que todo artista sabe o que é isso, que é quando você começa a se perguntar quem você é, o que você estava fazendo ali, aquilo vai dar certo, eu estou caminhando para onde? Quando o vídeo viralizou, eu vi ali um público que não existia antes, então eu vi a possibilidade de mostrar meu real trabalho para aquelas pessoas, e foi aí que eu comecei a criar conteúdos reais, vamos dizer assim, não que aquele outro não tenha sido, mas para alimentar a sede dessas pessoas e começar a trabalhar com isso. Já faz mais de três anos que eu estou nesse ramo, eu falo muito que o YouTube para mim foi um pai, ele me tirou de uma crise existencial enorme que eu estava, disse: Teu público agora vai ser virtual, e teu palco sou eu. Eu comecei a fazer meus trabalhos ali.
O POVO CARIRI- O vídeo do “resgato” foi um sucesso. A quarentena aumentou seu alcance nas redes sociais?
Max - Aumentou porque eu tive tempo para me dedicar. Eu acho que não tinha aumentado antes porque eu fazia o conteúdo na internet só que, por exemplo, tinha dias que eu trabalhava o dia inteiro, eu trabalhava oito, nove horas por dia fazendo guia. Eu chegava em casa muito cansado, terminava e dizia, olha, gente, hoje eu não vou botar nada. Quando eu comecei a ficar em casa, eu comecei a criar mais conteúdos e desenvolver novos projetos na internet, eu também fiz os guias virtuais, que eram guias que eu fazia para o pessoal que estava em casa. Eu acho que tudo isso, junto com a pandemia, resultou na maior visibilidade do canal.
O POVO CARIRI - Aparecem comentários de seguidores falando como você foi importante para eles na pandemia. Como é ter essa responsabilidade de impactar tantas pessoas sendo assim tão jovem?
Max - Mulheeeeer, mulher, é bom e é ruim, é ruim, mas é bom, sabe? No começo, e até hoje eu escuto, é muito surreal você imaginar a responsabilidade que você tem fazendo algo que para você não é muita coisa, porque para você, você só está sendo você mesmo fazendo aquilo. Do jeito que eu sou na internet, eu sou com meus amigos, é algo muito surreal. Mas, para mim, do jeito que eu “salvei” a quarentena das pessoas, eu acho que elas também salvaram a minha. Porque quando eu estava isolado naquela kitnet de Paris, eu acordava sabendo que eu não podia estar triste porque eu ia transparecer aquilo para as pessoas, eu acordava sabendo que eu tinha que fazer coisas porque tinha gente me esperando todo dia a partir das 6h da manhã. Então, me motivava a acordar, foi uma moeda de troca generosa.
POVO CARIRI
CAPA
DADOS DE FEVEREIRO DE 2021
Instagram: @maxpetterson | YouTube: Max Petterson Monteiro
MINHA FAMÍLIA É UMA FAMÍLIA DE ARTISTAS
O POVO CARIRI - Na sua vida pessoal, como você é diferente do Max Petterson digital influencer?
Max - Tem [diferença] porque eu choro, eu fico triste, eu fico alegre, eu fico ‘peidado’. É um negócio assim, as pessoas acham que o fato de elas me acompanharem na internet, elas me conhecem de cor e salteado. Eu digo: "Meu amor, nem eu sei quem eu sou, imagine você que me vê meia horinha ali". O Andy Warhol falava uma coisa que eu levo para a minha vida: tipo assim, nós usamos máscaras diante da sociedade. Eu estou falando com você, eu estou usando uma máscara que eu sei que vai lhe agradar, quando eu falo com a minha mãe, eu uso uma outra máscara
que eu sei que vai se adaptar a ela, se eu estou paquerando com uma pessoa, eu já estou com outra máscara. Nós somos compostos de várias máscaras, e todas essas máscaras são uma pessoa só. O que é normal, a gente nasceu com elas e a gente se adapta com elas. Então, aquilo que as pessoas vêem no Instagram não é um personagem, mas uma parte de mim, não sou eu inteiro, existem várias outras coisas. Porque quando a gente está na internet é meio que um 'pisar em ovos', há coisas que não devem ser ditas. Não que eu seja uma outra pessoa, mas tudo tem que ser feito com muita cautela. A internet é um caminho mais delicado a se andar, na vida real eu sou mais ousado do que na internet.
O POVO CARIRI - Você faz roteiro dos vídeos, das falas? Esse do “resgato”, por exemplo.
Max - O do “Resgato” também foi coisa do aleatório, mulher. Eu estava na quarentena deitado no sofá, e o gato só “miau, miau”. Mulher, depois de meia hora eu disse, deixa eu ver o que diabo que esse gato quer. Quando eu me levantei e fui olhar vi que o gato estava preso, liguei a câmera porque eu não tinha nada para botar nos stories e quando eu vi, viralizou.
O POVO CARIRI - A que você atribui o sucesso dos seus vídeos? É o sotaque, a desmistificação do glamour de Paris?
Max - Total, muita gente olha para mim e diz: "Ah, obrigado por você ser quem você é, obrigado por você não esquecer suas origens". Eu digo, gente, era o mínimo que eu poderia fazer, porque essa roupa eu comprei em Paris, esse cabelo eu cortei em Paris, mas o sotaque foi a única coisa que me restou do Cariri, é quem eu sou, se eu saio sem trilhar um caminho, no dia que eu me perder, eu não consigo voltar para de onde eu vim. Talvez, eu não volte nunca mais a morar no Cariri, mas isso não quer dizer que eu não esteja no Cariri, porque lá é onde eu refaço minhas energias. Eu acho um absurdo pessoas que precisam excluir um local para dar lugar a outro, o fato de eu gostar de Paris não me faz gostar menos de Juazeiro do Norte, do Crato.
O POVO CARIRI - Tem alguém na sua família que tem essa veia artística?
Max - Minha família é uma família de artistas, mas ninguém exerce a profissão, eu cresci vendo minha avó fazendo dublagens, apresentações de eventos na cidade. Minha mãe me teve com 17 anos, então ela era muito jovem, eu cresci com minha mãe fazendo apresentações, dublagens, danças, quadrilhas, 7 de Setembro, e aquilo era muito artístico para mim. Eu acho que isso veio como referência também, a diferença é que eu botei isso para frente no sentido, eu quero isso daqui para a minha vida. Isso para mim não é uma diversão, isso é minha vida.
CAPA
O POVO CARIRI - Do que mais você sente falta quando vai embora do Cariri?
Max - Ai, mulher, eu sinto falta de tanta coisa, tu tá falando isso, e eu vou embora amanhã, viu? (era dia 14 de janeiro) Eu sinto falta, principalmente, da energia, isso para mim é muito presente, o sol, as pessoas, as conversas, o banho das 18h da tarde. É algo que, para mim, está no ar, não é uma coisa física, um lugar, é um sentimento, é um estar. Isso me falta, aquela coisa que a gente sente quando a gente está na terra da gente, sabe? Por isso eu acho que é tão importante para mim vir várias vezes ao Cariri durante o ano, ou tentar vir. É quando eu digo assim, meu Deus do céu, é ótimo, foi por isso que eu fui embora, mas foi por isso que eu voltei.
O POVO CARIRI- Em que você acha que o Cariri precisa melhorar?
Max - Tem muita coisa que acontece não só no Cariri como em várias cidades do Brasil, e eu não sei se por já ter viajado muito e ter um olhar de fora, eu acho absurdo. Poluição sonora, carro de som, aqueles comércios com vários sons, panfletos, eu tenho abuso a panfleto, joga o panfleto na rua e já polui. É uma besteira, mas conta muito para uma qualidade de vida, a ideia dos lixos na rua, o esgoto a céu aberto. Como a gente vive dentro da realidade, às vezes, a gente nem se toca que há coisas diferentes. Depois que eu fui a Paris pela primeira vez, eu me toquei que antes eu via e achava normal. Aí eu me pego me perguntando se esses políticos, esses governantes não já viajaram para outras realidades, porque a população não é obrigada a ter essa visão, mas eles poderiam ter, porque eles têm grana e viajam, eles vêem e não fazem na casa deles.
O POVO CARIRI - Você pode adiantar algo sobre sua participação no filme do Halder Gomes?
Max - O filme se chama Bem-vinda a Quixeramobim, é a história de uma moça que vem de São Paulo para resolver questões de família, acaba nos conhecendo no interior do Ceará e vivendo uma aventura fora do comum dela. É uma comédia prevista
para o final de 2021, e o meu personagem é chamado Eri, que é super animado, pinta as unhas de rosa, dirige um buggy, é amigo das raparigas. Ele é super descolado, moderno, e conhece todo mundo. Para mim, Max, foi muito bacana porque é um personagem muito grande dentro do filme, e é o meu primeiro longa. Foi uma experiência pandemômica, porque foi no meio de uma pandemia, parecia o Big Brother, a gente ficou isolado dois meses, eu passei um mês isolado em Fortaleza, em um hotel, e um mês isolado em Juatama, que é distrito de Quixadá. Tipo assim, isolado do isolado; dentro desse período, eram ensaios, reuniões, gravações. Ao todo, gravei 20 dias, mas passei muito mais tempo do que isso e, durante as diárias, gravava entre 6h da
manhã e 18h, e as noturnas, 6h da noite as 6h da manhã. Era um trabalho pesado, mas que valia a pena, e foi um processo muito bacana. Por exemplo, o meu personagem, o do Edmilson Filho e o da Monique eram personagens que estavam muito próximos no filme, e a gente ficou muito próximo. Nenhum dos três se conheciam pessoalmente antes do filme, e a gente passou, antes da primeira gravação, um mês juntos, se vendo de manhã, de tarde e de noite. A gente comia juntos, bebia juntos, dançava juntos, quando chegou nesse processo do filme, a gente já estava bem mais próximo, e isso transparece na cena, passa para os personagens. Foi um processo muito rico, um elenco maravilhoso, o Halder é uma pessoa maravilhosa de se trabalhar, super aberta,
CAPA
um elenco feito 90% de nordestinos, era um negócio muito familiar, muito bacana.
O POVO CARIRI - Onde você quer chegar profissionalmente nos próximos anos?
Max - Eu espero chegar aonde eu conseguir chegar, eu não tenho barreiras. A gente não pode se limitar na vida. Até 2016, eu jamais pensei que eu fosse ser youtuber, hoje, minha vida gira em torno disso. Às vezes, a gente programa uma coisa, e a vida mostra outra, que não é diretamente aquilo que a gente queria, muitas vezes até melhor. Quando você fica “engessado” para uma coisa, muitas vezes você não dá abertura a outra, e fica batendo contra a parede enquanto a porta está ali do lado. Eu sou uma pessoa muito aberta, eu acho que é extremamente interessante a gente se policiar, estudar, ter objetivos e ir atrás das coisas. Não estacione, se você acha que a vida está boa, não vá atrás de uma coisa difícil, mas tenha sempre um desafio na sua vida, porque aí você vai progredir. Eu não sei o que eu quero, não, mas eu sei o que eu tenho que fazer.
O POVO CARIRI - Você sempre agradece muito os fãs.
Max - Eu falo, tipo assim, o maior presente que eu pude receber disso tudo que aconteceu na minha vida foi o público. De dizerem "eu acredito no seu trabalho". Me trazer, vamos dizer, fama, e essa fama me proporcionar vir ao Cariri mais de uma vez, quando eu vejo minha família, vejo meus amigos. O meu maior medo de ir embora do Cariri era de ser esquecido, porque eu sou artista, e eu levei um tempo para ganhar um espaço no Cariri, estava começando a ganhar quando tive que ir embora, eu tinha muito medo de ser esquecido e sumir. O fato de dizer, eu moro fora do Brasil, e o Brasil não me esqueceu, para
mim é muito, é como um abraço muito forte. A maior gratidão que eu tenho é isso, um círculo de pessoas que acreditam no meu trabalho e investem nas coisas que eu faço.
O POVO CARIRI - Qual seu maior sonho?
Max - Mulher, assim, eu não sei até que ponto. Eu tenho muita vontade de investir na França em si, é algo que eu não fiz ainda por não ter tempo e estar me dedicando ao Brasil, e eu não vou me dedicar a duas coisas ao mesmo tempo senão ficam as duas ruins. Tenho esse projeto de ainda investir em trabalhos na França.
O POVO CARIRI - Que mensagem você gostaria de deixar para os fãs do Cariri?
Max - A mensagem que eu tenho para dizer é assim: sempre que eu morava no Cariri, eu imaginava muito, eu pegava aqueles ônibus do Crato para Juazeiro, eu via aqueles outdoors, eu via as revistas locais, eu me imaginava muito naquele espaços. Era algo, não sei se era fútil, mas eu sempre visualizei tanto aquilo, nada foi fácil, mas não quer dizer que não seja impossível. As coisas têm que ser difíceis, porque sendo difíceis, você evolui, você amadurece, se imagine nos lugares, nas coisas. Não estou dizendo que para mim ter chegado lá, até porque ainda estou chegando, seja estar num outdoor, numa revista, num sei onde. Não, o chegar lá é você se imaginar em alguma coisa e depois se ver naquela coisa que você imaginou. Não desistam das coisas, não achem que por que fulano está trabalhando nisso e fulano está bem, você não vai estar bem. Você pode estar. Se você tem um objetivo, vá atrás dele, se nada der certo você volta, mas pelo menos tentou. Não fiquem na zona de conforto.
PELAS LENTES
ALLAN BASTOS, fotógrafo
Em busca de uma locação e uma boa luz, Max sugere ser fotografado com a paisagem do Crato como cenário, e prontamente começamos com o sol da tarde iluminando ele bem de frente. “Espera, deixa eu me concentrar e receber um pouco de luz”, dizia Max com os olhos fechados. Em segundos, ele abria os olhos e estava pronto, um misto de profissionalismo e dedicação ao ensaio. “Allan, tira a máscara, a gente está em uma distância segura e ao ar livre”, exclamou enquanto eu o fotografava. Max, com todos os cuidados sanitárias, sugeriu que eu tirasse a máscara até para ouvir melhor as orientações do ensaio, mas ele não se descuidou por nem um segundo, até porque já estava de viagem marcada para Paris. Todo tempo, a gente ouvia os gritos dos seus fãs que passavam. Outros paravam, e ele atentamente atendia aos pedidos de fotos e breves conversas, sempre com bom humor, mantendo distância. Quando elas vinham sem máscara, ele gritava: "Bota a máscara!". Vi ali um censo de cuidado e respeito. A máscara, grande ícone desta temporada, dá esta lição de não só se proteger, mas de respeito ao outro. “O que vai ser bom de estar em Paris agora é o fato do lockdown funcionar, lá para tudo, as pessoas realmente entendem a necessidade de estarem protegidas em casa”, disse. Vi o Max tenso e muito sério quando um seguidor quis fotografar com ele e sem máscara, aí não teve negociação, só fez a foto quando o fã botou a máscara. Temos que nos cuidar e cuidar dos outros, mais do que nunca, nos cuidemos!
CAPA
HARMONIZAÇÃO FACIAL NO CARIRI
Clínica Top realiza técnica
Recém-inaugurada em Juazeiro do Norte, a filial caririense da Clínica
Top oferta, a partir deste mês, um dos serviços estéticos mais requisitados: a harmonização facial, conjunto de procedimentos que busca enaltecer traços fortes e atenuar imperfeições no rosto.
“Vivemos em uma era em que a impressão social é muito importante, e isso tem feito com que mais pessoas busquem realizar esse tipo de procedimento. Realizá-lo com um dentista, que está habilitado para prever qualquer tipo de problema na área da cabeça, é uma vantagem para o cliente”, explica o cirurgiãodentista Romeu Lacerda. Para atingir o melhor resultado, é necessário que cada paciente faça uma avaliação individual, que apontará quais procedimentos são recomendados.
que enaltece traços e atenua imperfeições no rosto
Dentre os mais comuns do pacote, estão a bichectomia, o botox e alguns tipos de preenchimento facial.
“Percebemos que há uma demanda crescente, mas não existem clínicas qualificadas para esse tipo de serviço na região. Por isso, resolvemos começar o ano com essa novidade, com as medidas de biossegurança reforçadas para que os pacientes possam seguir com seus procedimentos com confiança”, ressalta o cirurgião-dentista Lívio Freitas, responsável pelos procedimentos estéticos na clínica.
CLÍNICA TOP
Endereço: Rua São Pedro, 309 – Centro, Juazeiro do Norte (em frente à Praça Padre Cícero)
Contato: (88) 99777.2759 / (88) 3512.2873
Horários de funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 8h às 18 horas, e aos sábados, das 8h às 15 horas
Além da harmonização facial, a Clínica Top, sob comando de Romeu Lacerda e Lívio Freitas, cirurgiõesdentistas, realiza clareamento dental, tratamentos ortodônticos e atendimento a patologias periodontais
Confiamos que dias melhores estão mais perto do que imaginamos. A nossa esperança é um motivo para acreditar que tudo vai mudar. Por isso, nosso sorriso cresce e traz ainda mais confiança para os novos dias.
Com modernas unidades espalhadas pelo Brasil e os melhores profissionais, a Clínica TOP entrega resultados personalizados com um preço especial para você. Conheça nossos serviços!
Rua São Pedro, 306 Em frente a Praça Padre Cícero JUAZEIRO DO NORTE - CEARÁ
ARQUITETURA
ACADEMIA ESCOLA UNILEÃO
COM ALMA DE POESIA E SERTÃO
FOTOS JOANA FRANÇA/DIVULGAÇÃO
ARQUITETURA
AGRACIADO COM O PRÊMIO TOMIE
OHTAKE DE ARQUITETURA EM 2020
PELO PROJETO DA ACADEMIA-ESCOLA DA UNILEÃO, ESCRITÓRIO
CEARENSE
LINS ARQUITETOS ASSOCIADOS
INVESTE EM MATÉRIA-PRIMA
LOCAL E PROJETOS FOCADOS
NO REGIONALISMO
POR ANA BEATRIZ CALDAS beatriz.caldas@opovo.com.br
Foi com o intuito de fomentar o debate sobre a arquitetura contemporânea brasileira que o Instituto Tomie Ohtake realizou de forma virtual, em 2020, a 7ª edição do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel, que laureou três projetos nacionais entre os 240 inscritos. Entre os vencedores - que visitarão o Japão para um intercâmbio cultural -, estão os arquitetos cearenses George e Cintia Lins, responsáveis pelo projeto da Academia-Escola da Unileão.
A obra, localizada na Cidade Universitária de Juazeiro do Norte, tem a alma do Cariri impressa em sua estrutura física, baseada em tijolos cerâmicos vazados, telhas termoacústicas e vegetação do Sertão. A premiação coroa uma trajetória de sucesso do projeto, que já recebeu o Prêmio IAB SP e chegou à final do Prêmio Oscar Niemeyer. "Geralmente, as premiações focam em projetos do eixo Rio/São Paulo, então ver que o júri premiou uma obra que representa a cultura nordestina, cearense e sertaneja, é muito importante para nós - e até para outros escritórios, que nos dizem que também se sentem representados ali", comemora Cintia.
A academia, concluída em 2018, foi apenas um dos projetos desenvolvidos para o Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão). O grupo Lins Arquitetos já desenvolveu, junto à instituição, obras como o Núcleo de Práticas Jurídicas e o
Juizado Especial, e atualmente finaliza o Hospital Veterinário do Centro Universitário. Todos os projetos têm um eixo comum: buscam enaltecer a cultura local e permitir espaços de convivência e conexão entre os transeuntes.
"Em relação à academia, acho que a forma dela já chama atenção, por ser circular e possuir células que se intercalam. Isso já quebra alguns paradigmas, assim como a materialidade da obra, que foge do que as pessoas estão acostumadas a ver - o porcelanato, a cerâmica - e investe em tijolos cerâmicos aparentes, um material local produzido em pequenas olarias. Poder trazer essa sensibilidade e poesia para um espaço é muito gratificante”, completa a arquiteta.
Missão familiar
Para os irmãos responsáveis pela academia, não há dúvidas: o Prêmio Tomie Ohtake é uma das maiores honrarias concedidas a um projeto da família. A trajetória do grupo, no entanto, é extensa, e começou ainda na década de 70, quando o patriarca Jorge Mauro Lins chegou ao Cariri, se tornando o primeiro arquiteto da região, segundo ele. Alguns anos mais tarde, seus filhos George e Cintia seguiriam o caminho do pai, ainda que atuando em projetos e escritórios distintos. Em 2011, já com mais um membro na equipeDeborah, também arquiteta e esposa de George-, o grupo Lins Arquitetos Associados nasceria oficialmente, com
DESIGN
a família inteira pensando um modo de fazer arquitetura contemporânea tendo como base o regionalismo.
A inquietação necessária para reunir os familiares em um só núcleo surgiu quando George, Cintia e Deborah ainda estavam na universidade, na Capital cearense, há quase duas décadas. “Muito nos incomodava ver na faculdade apenas a arquitetura importada, com prédios corporativos envidraçados, uso de ar-condicionado todo o tempo e outros elementos que trazem modernidade, mas são feitos para outros tipos de clima. Por isso, resolvemos encontrar um meio de tentar fortalecer a nossa identidade a partir da arquitetura bioclimática, ou seja, construções pensadas para o clima onde elas estão inseridas”, conta George.
Trabalhando no Sertão do Ceará, alguns pontos logo se sobressaem nas reuniões de projeto do escritório. Entre eles, a necessidade de investir em ambientes com sombras generosas, possibilidade de ventilação cruzada e utilização de vegetação adaptada à região no paisagismo dos imóveis. “Estamos sempre buscando estratégias para economizar água e fomentar a produção local, o que fortalece a economia da região e barateia custos. Não vamos, por exemplo, trazer um mármore da Itália com metro quadrado a R$ 3 mil, vamos usar o granito produzido no interior do Ceará. Vamos pensar no layout do quarto para que haja como armar uma rede, vamos pensar na cozinha e na varanda como áreas sociais. Tentamos inserir, de todos os modos, a cultura local”, pontua o arquiteto.
George Lins
Cintia Lins
Deborah Lins
Jorge Mauro Lins
ARQUITETURA
RESGATE COM OLHAR PARA O FUTURO
Apesar do debate sobre haver uma arquitetura genuinamente cearense ou nordestina ainda encontrar entraves e controvérsias na academia, o arquiteto George Lins lembra que a utilização de materiais locais e de símbolos regionais, ainda que precise ser mais estimulada, já ocorre há algumas décadas. No Nordeste, um ponto-chave nesse aspecto é a escola de arquitetura recifense, que une modernismo e adaptações estruturais ao clima quente.
“O fato é que a arquitetura hoje, principalmente no mercado imobiliário, não se preocupa em trazer regionalidade, e sim algo mais vendável. Ainda há uma arquitetura vernacular bem consolidada no Sertão, onde há casas com soluções fantásticas, mas depois dos anos 80 e 90 parece que isso foi deixado um pouco de lado pelo mercado”, lamenta. Para além da estética, a escolha pelo lucro também influi na sustentabilidade dos imóveis, que, entre outros aspectos, costumam ser feitos ignorando as possibilidades da luz solar. “Isso ainda não é algo pensado por todos os arquitetos, mas é o que a gente
tem buscado defender nos nossos projetos. Quem propõe a arquitetura bioclimática, ou seja, pautada a partir de onde se vive, tem que ser um pouco militante - essa coisa de se autoafirmar, de se reconhecer como arquitetos sul-americanos, nordestinos e do Sertão”, completa Lins.
Com a pandemia e o reaquecimento do mercado imobiliário, as projeções nesse sentido são positivas. Após tanto tempo de confinamento em casa, é possível que a população repense o modo de habitar nos trópicos, criando um novo perfil de consumidor que pautará o mercado, explica George, animado. “A pandemia só fortaleceu o que a gente defende: uma arquitetura que pense em ventilação cruzada em detrimento de ambientes fechados com ar-condicionado, que são propícios para a propagação de vírus. Isso deve chegar, inclusive, aos espaços públicos, para que contaminações sejam evitadas. Talvez agora as pessoas deem mais valor a soluções locais, ao invés de pensar em soluções de fora. Não sei se é uma tendência, mas certamente é o que a gente espera que aconteça”.
A OBRA PREMIADA
> A Academia-Escola da Unileão é formada por cinco círculos de raio 7,8m, incluindo área útil e jardins, possui 964,09m2 de área total construída e foi concluída em 2018;
> Cada um dos círculos está diretamente conectado a outro, formando um conjunto alongado de aproximadamente 64m de comprimento. Três varandas ajudam na conexão dessas células;
> Cada fachada possui três camadas, para minimizar a incidência de luz solar direta. A primeira, composta por uma paginação de tijolos cerâmicos maciços espaçados, é responsável por filtrar a luz; a segunda é formada por um jardim interno que gera um microclima agradável; por fim, a terceira é composta por um pano de esquadrias pivotantes de vidro incolor que permitem refrigeração;
> A cobertura foi construída com telhas termoacústicas que protegem o interior do edifício do calor excessivo. Outros materiais que se destacam são o concreto aparente e o tijolo cerâmico maciço de cor natural, além do piso industrial, que auxilia na composição do estilo fabril no ambiente.
FOTOS JOANA FRANÇA/DIVULGAÇÃO
CHURRASCO COM SABOR DE ACONCHEGO
Tradição da churrascaria Mão de Vaca segue firme, forte e saborosa desde 1990
Em Juazeiro do Norte, a churrascaria Mão de Vaca mantém desde 1990 a tradição de almoço e jantar que são sucesso na região. As receitas de churrasco, baião de dois com torresmo e mão de vaca não mudaram e continuam a agradar as novas gerações de clientes. "Temos clientes que no começo vinham como casal de namorados e hoje trazem os netos", conta a sócia-proprietária, Sandra Selma Bezerra.
Com o irmão Marcio Cesar Feitosa Bezerra, Sandra continua o legado dos pais, que iniciaram a churrascaria
Mão de Vaca na garagem de casa. "Papai foi até contra, mas minha mãe dizia: Se a gente não vender, a gente come", lembra a filha, que junto com Marcio é responsável hoje pela administração, mas adora cozinhar. A ideia deu tão certo
que hoje o restaurante tem mais de 30 funcionários.
"O diferencial é o 'aconchego de casa', além do gostinho de comida caseira, os clientes ficam à vontade. O papai sempre sentava nas mesas, nunca deixava um cliente sem companhia", conta Sandra.
Hoje a churrascaria tem área climatizada, parquinho infantil e serve todos os pratos de segunda a segunda, além da entrega delivery. Dentre as sobremesas, destaca-se a cocada premium servida com sorvete.
CHURRASCARIA MÃO DE VACA
Contato: (88) 3512.1704 / 98865.7741/3512.2543
Cardápio e WhatsApp: https://www. churrascariamaodevaca.com.br/
Endereço: Rua Rui Barbosa, 25 - Santa Tereza, Juazeiro do Norte
Os irmãos Sandra e Márcio (foto superior) hoje administram o negócio dos pais deles, Manoel e dona Terezinha (foto inferior)
gastronomia
REFÚGIO CAFÉ E BAR
Veggie e criativo
CAFETERIA QUE TEM NO CARDÁPIO
CERVEJAS ARTESANAIS EXCLUI CARNES DAS
RECEITAS E É ACOLHEDOR ESPAÇO PARA
HAPPY HOURS NO CENTRO DE JUAZEIRO
FOTOS: ALLAN BASTOS
POR MÁRCIO SILVESTRE opovocariri@opovo.com.br
Juazeiro do Norte é conhecida por seu crescente comércio e ritmo metropolitano. Quem transita pela rua da Conceição, na altura do cruzamento com a rua da Glória, surpreende-se com a casa azul turquesa, com platibandas na fachada e um enorme jardim, que se destaca entre os imóveis comerciais do Centro da cidade. Ali, no número 759, funciona o Refúgio Café e Bar, como o próprio nome sugere: um lugar seguro e acolhedor.
Em sua arquitetura, há um misto de vintage com um toque de modernidade. Elementos que fazem referências ao Juazeiro antigo - mosaicos, madeiras entalhadas, cadeiras doadas do antigo cinema (Cine Eldorado) - convivem harmoniosamente com luminárias pendentes do teto em estilo industrial, tubulações aparentes, o cantinho do cinema com luminária holofotes, parede de colagens, além de banheiros acessíveis e unissex.
O espaço é fruto da criatividade e sensibilidade da empresária Cecília Sobreira. Desde a placa na entrada até o pomar nos fundos, tudo tem uma ideologia defendida por Cecília. “O Refúgio foi planejado para ser uma cafeteria, onde vendesse cervejas artesanais e possibilitasse happy hours no centro da cidade. Desde o início, eu queria uma coisa diferenciada e que não tivesse carne no cardápio, sendo um espaço vegetariano”, conta a empresária.
Opening Night
Inaugurado na noite de 27 de janeiro de 2020, no encerramento da maratona cinematográfica Mostra 21 de Cinema, o Refúgio já surgiu grande. Na noite de estreia, a cafeteria estava lotada. O Refúgio se destaca por ser um lugar que reúne culinária inédita com petiscos vegetarianos, pet friendly, ideais de sustentabilidade e de respeito às diversidades, boa música e um visual incrível. A receita perfeita para o sucesso nesse nicho de mercado.
Mas ninguém contava com a pandemia... Após dois meses em funcionamento, o Refúgio Bar e Café teve que interromper suas atividades, conforme o Decreto Estadual nº 33.519, publicado em 19 de março de 2020, que estabelecia o fechamento do comércio.
Sem serviço de delivery, foi necessário paralisar as atividades durante o início da pandemia. “Isso impactou muito. Foi difícil quando fechou, porque a gente vinha com toda aquela empolgação de um negócio novo e tivemos que parar. Daí você fica sem saber o que fazer com os funcionários, além de todos os prejuízos”, relembra Cecília.
Após alguns meses fechado, o Refúgio retornou com o atendimento presencial, com horário e capacidade de público reduzidos e todas as medidas preventivas nesta fase de retomada das atividades.
DESTAQUES DO CARDÁPIO
Uma notícia muito boa para quem é adepto ao vegetarianismo e deseja ir a um lugar onde há diversidade para além da salada. “A gente quer mostrar que não precisamos de carne para ter um petisco”, diz. Mesmo quem não é adepto ao vegetarianismo e veganismo pode se surpreender com as opções. A coxinha de jaca, bolos e croquetes veganos, mocaccino e a soda italiana de gengibre ou capim santo estão entre os mais pedidos.
Empresária
Cecília
Sobreira
Dentre as cervejas artesanais, há opções fabricadas no Cariri. “Temos as cervejas do Porto e a Kurato, que são de Barbalha e do Crato. Eles produzem a cerveja aqui. Essa é outra ideologia do Refúgio, procuro trabalhar com produtos locais, para promover a região e fazer parcerias.” A cafeteria promove sustentabilidade ao banir o uso de descartáveis, o chopp é servido da torneira, o refrigerante em garrafas retornáveis, os canudos são de metal e a água, distribuída gratuitamente, é do bebedouro.
SERVIÇO
Refúgio Bar e Café
Quinta a sábado, das 16h às 22 horas
Endereço: Rua Conceição, 759 - Centro, Juazeiro do Norte Instagram: @refugio.cafebar
POR SABRINA STERWRS opovocariri@opovo.com.br
Thiago Mota empreende em Juazeiro do Norte há quatro anos. Proprietário do Dom Botteco, do Bull 404 e, recentemente, do Feed Gastrobar, Thiago tem apostado suas fichas no trecho da Praça José Ilanio Couto Goudin, no bairro Lagoa Seca. Os empreendimentos, noturnos e modernos, vêm conquistando os apreciadores da região.
Feed
Gastrobar
O Feed Gastrobar, inaugurado em setembro de 2019, tem cardápio com drinks e gastronomia elaborada. “Minha ideia inicial era essa: gastrobar. Gastro por ter uma comida, não sendo de boteco, uma comida um pouco melhor, tomar uns drinks bons, uma cerveja gelada. Minha sacada foi essa para atrair um público que eu ainda não tinha.”
Dentre seus pratos principais, o menu conta com Carbonara do Feed, Fettuccine do Sertão, Camarão Internacional, Bovino Curado e Mini Acarajés. Rafael Ferreira, chef de cozinha do Feed, utiliza o Instagram para apresentar pratos e convidar o público a experimentá-los.
Na decoração, ferro, plantas paisagísticas, madeira e pedra, quatro elementos básicos, mas que associados compõem um cenário inspirado nos mais diversos bares de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza.
O nome Feed tem origem no mundo digital. A ligação entre atualizações e conteúdo para os clientes, presencialmente e via Instagram, levaram Thiago a definir o nome do gastrobar.
Drinks renomados em Juazeiro
Os drinks do Gastrobar querem impressionar tanto o paladar quanto o visual. Segundo Thiago Mota, há mais de 15 opções de drinks autorais, além dos clássicos. “Eu sou uma pessoa muito de referências. Um cara de São Paulo chamado Cuma, super renomado, premiado também, inaugurou toda a minha carta de drinks. Agora, irei a São Paulo novamente, para trazer mais novidades, mais drinks temáticos”, conta Thiago.
Dentre as especialidades da casa, estão os drinks: Tiki do Norte, Chili Gin, Cangaceiro, Bamble do Ceará, Mango Cocktail, Coco Colada, Aperol Spritz, Chá do Sertão, Gin Passion, Moscow Mule, Green Ville, Gin Fresh e o mais famoso, o Duck Feed (servido em taça com formato de banheira, com espuma e um patinho).
Empresário Thiago Mota vai a São Paulo para trazer drinks temáticos
Relação Feed e público
Thiago garante, no Feed você encontra descontração. "Muitas vezes, você sai de casa triste, brigado, aqui é um lugar para você desafogar. Se você quer comemorar, aqui é um lugar que vai transbordar tua comemoração, acho que é o nosso lema.”
PROJETOS
FUTUROS
“A cada mês, ou a cada mês e meio, pretendo trazer um grupo musical. Agora em fevereiro, eu vou trazer uma turma que sempre tocou aqui no Cariri, o Sambakana, depois vou trazer um sertanejo, depois outro estilo de música, sempre ressaltando o pessoal do Cariri”, conta Thiago.
SERVIÇO
Feed Gastrobar
Quarta a segunda, das 17h às 22 horas
Endereço: Rua Arnóbio Barcelar Caneca, 400 - Lagoa Seca, Juazeiro do Norte Contato: (88) 9 8806.2058
GASTRONOMIA
TERRAÇO SÃO BENTO
Badalação e sabor regional
TERRAÇO SÃO BENTO FAZ NÃO SÓ DO LIMÃO
UMA CAIPIRINHA
COMO INOVA COM DRINKS COM CAMBUÍ, MARACUJÁ DO SERRADO, PITOMBA, CAJARANA, GRAVIOLA, JACA E CUPUAÇU
FOTOS: ALLAN BASTOS
Ter um ambiente agradável para o seu negócio é tão importante quanto a apresentação e qualidade de seu produto. Essa é a lição defendida por Marcilene Xavier, proprietária do Terraço São Bento, o bar de coquetelaria mais badalado do Crato e o pioneiro em variedades de drinks no Cariri.
Antes de se tornar referência na região, o São Bento passou por momentos difíceis. Criado por Marcilene e Romero Xavier, o bar iniciou suas atividades em 2016. “O Romero, meu esposo, trabalhou na área de gastronomia e bar por mais de 20 anos, em São Paulo, e ele sempre teve o sonho de um dia ter o seu próprio negócio”, comenta.
Quando se mudou para o Cariri, o casal começou a empreender na área de construção civil. “Estava tendo um boom no mercado imobiliário. Nós construíamos casas pela Caixa Econômica, mas a situação foi ficando difícil, e não conseguimos manter o negócio”, conta Marcilene sobre o motivo que os levou a mudar de segmento. “Minha mãe tinha um cantinho, na garagem da casa dela, lá no [bairro] Seminário. Era um cômodo pequeno, de 2,5m por 4m, e a gente transformou ele em um bar”. Nascia o Cangaia. (Por Márcio Silvestre)
Mudança
O projeto de Marcilene e Romero era inovador: “Tinha muito restaurante com pizzaria junto, mas o bar com foco na variedade de bebidas não existia. A gente sentia falta da boemia de São Paulo e do Rio de Janeiro”.
Havia um terreno, no bairro São Miguel, que estava há anos sem uso. Um lugar grande e próximo ao Centro. “Como o recurso era pouco, meu cunhado virou servente, meu marido virou pedreiro. Mesmo com dificuldade, fomos investindo.”
DO LIMÃO À LIMONADA
“O nosso endividamento era enorme. Precisávamos vender os produtos para honrar com os nossos compromissos”, explica Marcilene (foto), que na época não compreendia o motivo do negócio não “pegar”. Até que uma doença mudou totalmente sua rotina, afastando-a do operacional. “Em fevereiro de 2017, eu fui diagnosticada com câncer de mama. O hospital estava em greve, em Barbalha, e por isso eu tive que ir a São Paulo me tratar.”
Apesar dos desafios, Marcilene aproveitou que estava em São Paulo e se inscreveu na escola Wilma Kövesi de Cozinha. “Quando eu retornei, já vim com outra visão. Como eu tinha feito a cirurgia há pouco tempo, não pude ir para a cozinha e fiquei dando suporte no salão. Eu percebi que as pessoas ficavam olhando para as paredes. Aí eu fiz um empréstimo, contratamos arquiteto e fizemos uma reforma.”
CARA NOVA
Na coquetelaria, o São Bento é conhecido pela variedade de tipos de caipirinhas e por utilizar produtos locais e regionais como cambuí, maracujá do serrado, pitomba, cajá, cajarana, graviola, jaca e cupuaçu.
Os petiscos mais pedidos são croquete de costela, criado ainda na época do Cangaia, pastéis mistos no coletor, e croquetes de palmito com camarão e o de espinafre. O prato mais vendido é a parmegiana com risoto de calabresa.
Durante a paralisação das atividades presenciais, o São Bento mais uma vez se adaptou. Adotou o delivery para pratos e bebidas. Com a reabertura, segue as medidas de prevenção da pandemia.
SERVIÇO
Terraço São Bento
Quarta a sexta, das 17h às 22 horas
Sábado, das 11h às 22 horas
Domingo, das 11h às 21 horas
Endereço: Av. Teodorico Teles, 305São Miguel, Crato Instagram: @terracosaobento
GASTRONOMIA
BURGUER PIZZA
Segredos de uma pizzaria
ANDERSON
E BRENA MORAVAM EM FORTALEZA E DECIDIRAM JUNTOS ABRIR UMA PIZZARIA COM
GASTRONOMIA EXCLUSIVA, NO CRATO
FOTOS: SABRINA STERWRS
Fevereiro de 2020: Anderson Sousa, 34, e Brena Feitosa, 30, inauguraram a pizzaria Burguer Pizza. Natural do Cariri, Anderson passava as férias de julho no Crato. Sócio de uma pizzaria no Eusébio (22 km da Capital), tinha o sonho de ter o seu próprio negócio no lugar onde cresceu. Deu certo, o casal inovou. Trouxeram para a cidade a Burguer Pizza, um lugar que une conforto e culinária única.
Especialistas em pizza, o casal conta que o segredo do sucesso é a massa inusitada e de qualidade. “Nós pagamos um profissional, um pizzaiolo italiano, ele nos deu uma receita, nos ensinou, e nós a trouxemos de lá para cá. Já usávamos em Fortaleza, e só quem faz essa massa sou eu, a gente não passa essa receita para ninguém”, conta Anderson. (Por Sabrina Sterwrs)
Exclusividade
A Burguer Pizza possui um cardápio com mais de 70 opções de recheios. A massa crocante e exclusiva é acompanhada de gergelim e borda recheada, algo inédito na região do Cariri. Segundo Anderson, “todas as pizzas vêm com a borda recheada. O cliente escolhe o recheio, ele não come a borda seca, só a massa, ou a que o pessoal já pedia, como catupiry, requeijão e cheddar. A nossa é o próprio recheio”. Hoje, existem duas opções de tamanhos, a pizza de seis pedaços e a de dez pedaços, outra novidade na área.
PORTAS
ABERTAS
Com pouco mais de um mês de funcionamento, o estabelecimento precisou fechar suas portas devido à pandemia. Brena conta que se reergueu. “Foi uma surpresa muito grande. Hoje, com a piz-zaria aberta, com o público que ela tem, com o delivery, é extraordinário.”
O público segura as pontas
Com a pizzaria operando apenas de modo online, os proprietários precisaram readaptar a sua forma de trabalhar. “As pessoas tiveram um mês para vir conhecer o lugar, aquelas pessoas que conheceram o ambiente e a pizza foram indicando. Além das redes sociais e as blogueiras, que a gente investiu na época.” O “boca a boca” também ajudou. “Nós mesmos panfletamos e onde tínhamos oportunidade de falar, falávamos que tinha um lugar diferente, uma pizzaria, e chamávamos para conhecer”, complementa Anderson.
SERVIÇO
Burguer Pizza
Segunda a domingo, das 18h às 23 horas
Contato: (88) 99861.9026 ou 2156.5358
O QUE ESPERAR
A Burguer Pizza não vai parar aí. Anderson garante que expandir os negócios está em seus planos. “Este ano ainda colocarei em Juazeiro uma nova loja, um novo conceito. Iremos trazer um novo cardápio, queremos abranger a parte também de frutos do mar”.
Endereço: Av. Teodorico Teles, 400 - Centro, Crato Instagram: @_burguerpizzacariri
prefeito! Fala,
OS TRÊS PREFEITOS DO CRAJUBAR, ELEITOS PARA INICIAR O MANDATO AGORA EM 2021, APONTAM PRIORIDADES
NA GESTÃO E COMENTAM SOBRE OS ESFORÇOS PARA O ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA DE CORONAVÍRUS
Zé Ailton, prefeito do Crato
Glêdson Bezerra, prefeito de Juazeiro do Norte
Dr. Guilherme, prefeito de Barbalha
CRATO
Zé Ailton
ELEITO
com 30.898 votos (47,81% dos válidos)
O POVO CARIRI - As prioridades da sua administração serão educação infantil e saúde da mulher. Como o senhor pretende executar o que propõe?
Zé Ailton - Estamos atuando de forma a priorizar os setores básicos, o que já está sendo desenvolvido desde a nossa primeira gestão à frente da Prefeitura do Crato, com melhoria significativa de todos os índices sociais, educacionais e na saúde, além da infraestrutura. Neste momento, e diante do quadro de pandemia que estamos atravessando, buscamos
o fortalecimento da economia, além de priorizar a qualificação e ampliação da saúde. Os atendimentos à mulher também serão ampliados, com área de atendimento específica e com a reforma e ampliação do Centro de Especialidades, que já se encontra em pleno funcionamento. A nossa meta é construir um centro de saúde voltado à mulher, com especialistas de várias áreas. Todas essas questões estão entrelaçadas, e isso inclui a melhoria da educação básica.
O POVO CARIRI - Como o senhor pretende enfrentar a pandemia? Que tipo de suporte à população planeja implementar?
Zé Ailton - Estamos com diversas frentes de atuação, e chegando atualmente à marca de um dos municípios que mais tem realizado testagens para a Covid-19. Isso tem a ver com um trabalho de prevenção, um acompanhamento maior junto à população. Além da implantação da Unidade de Referência Covid-19, onde estão sendo realizados serviços de atendimento. O Crato saiu na frente com o Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, com
DIVULGAÇÃO
NOSSA META É
CONSTRUIR UM
CENTRO DE SAÚDE
VOLTADO À MULHER, COM ESPECIALISTAS DE VÁRIAS ÁREAS
as primeiras vacinas aplicadas no último dia 19 de janeiro, um dia histórico. Crato chegou a ter o maior índice de imunização no primeiro dia de recebimento das vacinas.
O POVO CARIRI - O senhor cogita buscar recursos federais em Brasília? Seriam aplicados em que áreas?
Zé Ailton - A busca de parcerias para projetos que possam promover o desenvolvimento do Crato tem sido uma constante, até porque o apoio de verbas federais é essencial para a realização de grandes obras, possibilitar melhores atendimentos para a população. Sempre estamos em constante diálogo com parlamentares e nos ministérios, para obtermos recursos e com isso auxiliar na execução desses projetos. O apoio dos parlamentares é essencial para tornar realidade muitos desses novos planejamentos, na melhoria da infraestrutura, saúde, educação, na área social, entre outros importantes setores.
O POVO CARIRI - O que o senhor pretende realizar de diferente nesta administração em relação à gestão anterior?
Zé Ailton - Estamos no caminho certo de grandes parcerias com o governo do Estado e sempre tentando novos recursos para o Crato, através do governo federal. Mas temos diferenciais marcantes em relação à nossa educação, com 24 escolas nota 10 no Crato, e pretendemos ampliar para praticamente todas as escolas esse índice tão importante, passando pela saúde com a ampliação dos atendimentos e, sobretudo, com a melhoria
da geração de emprego e renda no município, incentivando a abertura de novos postos de trabalho e promovendo o crescimento da cidade e da qualidade de vida das pessoas.
O POVO CARIRI - Que recado o senhor quer deixar para a população do Crato?
Zé Ailton - O nosso objetivo é poder continuar fazendo um trabalho que promova o crescimento do Crato, em todos os setores, proporcionando mais desenvolvimento para a cidade e os seus munícipes. Para isso, estamos trabalhando de forma incansável para que os nossos objetivos sejam alcançados. O Crato é uma cidade que conta com uma história bastante emblemática, com nomes importantes que passaram por sua trajetória, a exemplo da heroína Bárbara de Alencar. Vamos continuar elevando o seu nome e fortalecendo a sua história.
www.anuariodoceara.com.br
SOBRE CRATO
DADOS DO ANUÁRIO DO CEARÁ 2020
Distância de Fortaleza: 502,3 km
População estimada (2019): 132.123
PIB (2017): R$ 1.537.561.920
IDM (2017): 32,62 (34º no Ceará)
IDH (2010): 0,713 (3º no Ceará e 1.514º no Brasil)
NOTA DO IDEB (2017)
Anos iniciais (até o 5º ano): 5,3
Anos finais (do 6º ao 9º ano): 4,4
Ensino médio: 3,9
Padroeira: Nossa Senhora da Penha
CRATOCrato
EXCLUSIVO
JUAZEIRO DO NORTE
Glêdson Bezerra
ELEITO
com 50.715 votos (38,18% dos votos válidos)
O POVO CARIRI - Quais as prioridades da sua administração? Como o senhor pretende executar o que propõe?
Glêdson Bezerra - Eu elenquei, como prioridades da minha gestão, a transparência, o zelo com o dinheiro público e a eficiência dos serviços. Eu acredito que esses três eixos resumem aquilo que a gente pretende oferecer para a população. Um completa o sentido do outro, se nós agirmos com transparência, consequentemente nós seremos bem mais fiscalizados. Uma vez trabalhando com transparência, e contando com a constante fiscalização da população e o fortalecimento da fiscalização, certamente o dinheiro público vai render. Uma vez ele rendendo, nós iremos atingir a tão sonhada eficiência com o dinheiro público, no serviço público. É uma coisa que completa a outra, a transparência acontecendo, a fiscalização ocorre naturalmente, faz com que o dinheiro público seja respeitado. Portanto, o zelo com o dinheiro, e a partir disso, mais possibilidades de tornar o serviço público eficiente e com capacidade de investimento.
O POVO CARIRI - Como o senhor pretende enfrentar a pandemia? Que tipo de suporte à população planeja implementar?
Glêdson Bezerra - Infelizmente, a pandemia nos deixa limitados. Nós temos que, enquanto não vacinamos completamente a população, continuar com as medidas de segurança, de conscientização, de fiscalização, para que a população entenda a necessidade do devido distanciamento, do uso do álcool em gel, da máscara. Enfim, nós temos que continuar com nossas ações. Do ponto de vista de resposta por parte do setor de saúde, nós estamos fortalecendo a UPA Covid, uma unidade que recebemos com 30 leitos, e vamos entregar com a capacidade de 40. Já cotamos preço para a contratação do hospital de campanha, e lançaremos mão desse equipamento caso a gente perceba a necessidade, a partir de dados concretos de exames realizados. Vale salientar que, hoje [21 de janeiro], na UPA Covid, nós temos apenas dois pacientes, e no momento de pico da pandemia, a UPA Covid só atingiu 50% da sua capacidade. Portanto, avaliar com muita cautela, uma vez que nós
NÓS TODOS SÓ CONSTRUIREMOS A CIDADE QUE QUEREMOS JUNTOS, COM UNIÃO DE ESFORÇOS
DIVULGAÇÃO
não temos dinheiro em cofre, mas as cotações já realizadas, o procedimento inicial já bastante adiantado, para que, uma vez necessário, a gente também possa contratar o hospital de campanha de uma maneira muito célere. Também, a gente já procura fortalecer a atenção básica como um todo. Neste primeiro momento, é procurar o recebimento da vacina e, uma vez com as doses todas que vem atender à maior parte da nossa população, a gente acredita que teremos algo de efetivo. Por enquanto, é seguir orientação em parceria com o governo do Estado, para que as ações sejam feitas da melhor maneira possível.
O POVO CARIRI - O senhor recebe uma Juazeiro do Norte com contas atrasadas. Qual o plano para recuperar a cidade?
Glêdson Bezerra - Quando a gente se encontra em um momento de crise como esse, com dívidas em todas as áreas do município, na saúde, na educação, na infraestrutura, junta os fornecedores, junta a folha de pagamento, energia elétrica, aluguel de prédios, enfim. Quando estamos no fundo do poço como nós chegamos, não existe outra alternativa a não ser cortar gastos, dialogar bastante no sentido de conscientizar a população acerca da necessidade de cuidarmos da nossa cidade juntos. Isso passa pela necessidade de arrecadar, não é sobrecarregar aqueles que já pagam, é buscar os sonegadores, isentar os pequenos, fazer com que a economia flua, que a gente consiga gerar cada vez mais emprego e renda a fim de melhorar nossa arrecadação. Mas, nós sabemos que o desafio é enorme, então, acredito eu que, uma vez fazendo o dever de casa, cortando gastos e buscando a eficiência na aplicação do recurso, e isso só vem através naturalmente de transparência e fiscalização, de constante participação popular, aí sim a gente poderá sair desse marasmo que Juazeiro se encontra e dessa grande dificuldade financeira.
O POVO CARIRI - Que recado o senhor quer deixar para a população de Juazeiro?
Glêdson Bezerra - O recado que eu quero dar para a população juazeirense é que nós estamos passando por um gravíssimo momento, talvez o pior momento da história de Juazeiro do Norte em termos de finanças públicas, mas tenho a certeza de que nós iremos superar essa crise. É
questão de tempo, com muita organização, humildade, busca de parcerias, zelo com o dinheiro público, nós haveremos de vencer. Portanto, conclamar os juazeirenses a cada um cumprir com seu papel, cuidar do meio ambiente, cuidar da nossa cidade, cuidar dos equipamentos públicos, cumprir com suas obrigações, aqueles que têm que cumprir, a fim de nós termos condições necessárias para desenvolver nossa cidade. O gestor que hoje fala, o Glêdson, é apenas o gestor, o timoneiro desta embarcação, mas nós todos só construiremos a cidade que queremos juntos, com união de esforços. Eu conclamo a população juazeirense a dar as mãos, a gente se irmanar com todo esse compromisso que eu acabo de elencar para que a gente possa superar a crise, e eu tenho absoluta certeza de que, num tempo muito breve, se Deus quiser nós vamos superar as crises e investir naquilo que o povo de Juazeiro mais necessita.
www.anuariodoceara.com.br
SOBRE JUAZEIRO DO NORTE
DADOS DO ANUÁRIO DO CEARÁ 2020
Distância de Fortaleza: 489,2 km
População estimada (2019): 274.207
PIB (2017): R$ 4.427.525.370
IDM (2017): 34,27 (30º no Ceará)
IDH (2010): 0,694 (5º no
Ceará e 2.078º no Brasil)
NOTA DO IDEB (2017)
Anos iniciais (até o 5º ano): 5
Anos finais (do 6º ao 9º ano): 4,5
Ensino médio: 4
Padroeira: Nossa Senhora das Dores
Juazeiro do Norte JUAZEIRO
Dr. Guilherme
ELEITO
com 19.900 votos (53,87% dos válidos)
O POVO CARIRI - As prioridades da sua administração serão na atenção básica de saúde. Como o senhor pretende executar o que propõe?
Dr. Guilherme - No tocante à saúde, Barbalha tem um diferencial em relação aos demais municípios, nós temos grandes hospitais, que atendem às demandas de média e alta complexidade. O nosso principal gargalo, que nós identificamos desde a campanha, em nosso formato de plano de governo com equipe técnica, é que a saúde
básica precisa funcionar melhor. Então, é ter remédio nos postos de saúde, exames com mais facilidade. Tudo isso a gente precisa otimizar para que a atenção básica funcione melhor. Por isso, nosso foco vai ser organizar a atenção básica, valorizando os funcionários e fazendo uma melhor gestão de recursos.
O POVO CARIRI - Como o senhor pretende enfrentar a pandemia? Que tipo de suporte à população planeja implementar?
Dr. Guilherme - Em relação à pandemia, nós estamos iniciando junto com o governo do Estado a vacinação, inclusive, na segunda (18/1), a primeira dose de vacina foi aplicada em Barbalha. Essa primeira dose foi voltada a profissionais da saúde que estão em contato diretamente com pacientes com coronavírus.
DIVULGAÇÃO
O POVO CARIRI - O senhor cogita buscar recursos federais em Brasília? Seriam aplicados em que áreas?
Dr. Guilherme - Nós vamos buscar recursos, onde nós pudermos conseguir recursos, em Brasília, do governo do Estado, das diversas áreas de investimentos, nós vamos buscar recursos. Mas, principalmente, na parte de saúde, é muito importante a gente priorizar, e na parte de infraestrutura. São as duas áreas onde nós vamos buscar neste primeiro bloco de governo. Nos últimos dois anos, a gente quer focar muito em construção de escolas.
O POVO CARIRI - O senhor foi à posse de carroça, em homenagem aos agricultores. O que pretende desenvolver para ajudar e fortalecer os agricultores da região?
Dr. Guilherme - A nossa posse foi exatamente uma homenagem que nós fizemos aos agricultores locais, o carroceiro foi um candidato a vereador, e o instrumento de trabalho dele é a carroça. Foi uma forma da gente de homenagear todos os agricultores para que a gente também se comprometa, mais uma vez, como fizemos durante a campanha, em fortalecer o homem do campo. Nós vamos fortalecer, justamente, dando condições de trabalho, ajudando com suporte técnico na produção de lavouras de agricultura familiar, no escoamento do produto. Tudo são medidas que nós vamos fazer para fixar o homem no campo com melhor qualidade de vida.
O POVO CARIRI - O que o senhor pretende realizar de diferente nesta administração em relação à gestão anterior?
Dr. Guilherme - O que nós queremos fazer de diferente é tratar a gestão de uma forma mais séria, mais profissional. Então, a gente precisa olhar a prefeitura com o olhar de “empresa”, a gente precisa escolher os funcionários só se houver necessidade na prefeitura, a gente precisa valorizar os funcionários em cima do mérito, da meritocracia. São experiências que a gente traz da iniciativa privada que a gente quer aplicar no poder público. Com isso, a gente vai conseguir que os órgãos públicos funcionem melhor.
nós estamos fazendo todos os esforços para que o município entre nos eixos o mais rápido possível, a gente está buscando um equilíbrio fiscal. Nós estamos buscando melhorar a limpeza urbana, o atendimento, e isso, infelizmente, não é algo rápido, mas estamos trabalhando fortemente para que isso venha a ficar dentro das expectativas da população o mais rápido possível. Para isso, a gente pede uma compreensão ainda das pessoas neste começo de gestão, para que a gente consiga organizar a casa, para a gente conseguir equilibrar as contas, e o município começar a andar melhor.
NOSSO FOCO VAI SER
ORGANIZAR A ATENÇÃO BÁSICA, VALORIZANDO
OS FUNCIONÁRIOS E
FAZENDO UMA MELHOR GESTÃO DE RECURSOS
O POVO CARIRI - Que recado o senhor quer deixar para a população de Barbalha?
Dr. Guilherme - Neste começo de gestão, a gente quer deixar um recado à população de Barbalha:
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SOBRE BARBALHA
DADOS DO ANUÁRIO DO CEARÁ 2020
Distância de Fortaleza: 501,8 km
População estimada (2019): 60.781
PIB (2017): R$ 926.357.390
IDM (2017): 48,43 (7º no Ceará)
IDH (2010): 0,683 (7º no Ceará e 2.359º no Brasil)
NOTA DO IDEB (2017)
Anos iniciais (até o 5º ano): 6,2
Anos finais (do 6º ao 9º ano): 5,3
Ensino médio: 3,9
Padroeiro: Santo Antônio
LIBERDADE SOBRE
PANDEMIA
DO CICLISMO E DO ECOTURISMO NO CRAJUBAR; CONTATO COM A NATUREZA E POSSIBILIDADE DE SE EXERCITAR AO AR LIVRE TROUXERAM BENEFÍCIOS AOS CICLISTAS
Em 2020, a relação que as pessoas tinham com as cidades mudou completamente em decorrência da pandemia de Covid-19. Com a quarentena, as restrições impostas e o medo de realizar atividades que antes eram rotineiras, como usar o transporte público ou ir à academia, novos hábitos ganharam força. As mesmas mudanças que trouxeram prejuízo para muitos setores da economia aqueceram outros segmentos.
O pequeno negócio de aluguel de bicicletas do casal Damarcio Nazário, 34, e Janisielly Saraiva, 31, criado há cerca de dois anos, foi um dos que viu crescer a demanda por bikes na região do Crajubar. Os empreendedores, que mantinham a loja Aluguel de Bike Cariri com apenas três bicicletas, precisaram comprar outras quatro para atender à demanda de quem procurava uma forma de se exercitar ou aliviar o estresse durante o isolamento.
“Houve um boom no ciclismo, pois havia muitas restrições em relação ao lazer. Antes, a gente alugava bikes muito mais nos fins de semana. Hoje, quase sempre ficamos sem bikes para alugar, porque tem gente que aluga para passar a semana ou o mês”, conta Damarcio, que viu o número mensal de aluguéis da loja crescer de quatro para 30.
Para conseguir chegar a todos os perfis de clientes, os pacotes da loja variam do mais simples, por hora de aluguel (R$ 10), ao mensal (R$ 280), para quem busca mais tempo de aventura ou um novo meio de transporte. Para 2021, a ideia é expandir o negócio, porque a tendência parece ter vindo para ficar. “Estamos nos organizando para fazer um novo investimento, dessa vez maior, para adquirir mais bikes e acessórios”, completa Damarcio.
Novas formas de conexão com o mundo
Além de trazer novas possibilidades para os negócios, o ciclismo serviu, para muitas pessoas, como “válvula de escape” durante o período de isolamento social. Por ser um exercício físico individual, que não exige contato físico e pode ser realizado em diversos ambientes, o esporte permitiu que a população continuasse investindo na saúde física e mental, além de se tornar um meio de conexão com a cidade e a natureza.
Idealizado pelo designer gráfico e fotógrafo David Morais, 19, o coletivo Bike Cariri é exemplo de como a prática se popularizou em Juazeiro e região durante a pandemia. Estimulado pela aventura e pela liberdade que os passeios de bicicleta proporcionam, David criou o grupo com amigos em 2019, com o intuito de conhecer novos lugares na região e realizar passeios turísticos e trilhas até então inexploradas.
“Quando você começa a pedalar, a bike lhe mostra um novo sentido para a vida, que a moto ou o carro não nos deixam perceber. Quando a gente pedala, a gente percebe tudo à nossa volta - a gente repara nas cachoeiras, se permite vivenciar tudo”, comenta o entusiasta. Com as restrições da quarentena, dezenas de pessoas se juntaram ao grupo que, de cinco ciclistas, passou a contar com quase 200 participantes.
Segundo Morais, muitos deles chegaram ao coletivo a partir do Instagram (@bikecariri). Ávidos por experiências possíveis em meio ao caos da pandemia, os ciclistas permanecem se encontrando em trilhas feitas por pequenos e médios grupos - algumas delas em prol de campanhas importantes, como o pedal em alusão ao Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio.
Em 2021, o projeto deve estender sua área de atuação. Do Cariri, um grupo de ciclistas pretende viajar para as demais regiões do Ceará, em uma trilha inédita que explorará lugares onde motos e carros não chegam. “Já estamos elaborando alguns trajetos”, diz David. Até lá, é possível acompanhar o grupo nas redes sociais e participar dos passeios no Crajubar - com capacete e máscara, claro. (Por Ana Beatriz Caldas)
ÉPOCA DE DESCOBERTAS
O grupo de lazer turístico Bike Cariri aproveitou a adesão de mais ciclistas em 2020 para explorar novos destinos. Das pedaladas mais simples, até a Colina do Horto, Crato, Barbalha e Missão Velha, o coletivo passou a realizar pedais mais longos, como o passeio até Nova Olinda, que percorreu 114 km e durou 4h30min. Para 2021, o objetivo é fazer um passeio ciclístico que atravesse todo o Ceará.
PARA ALUGAR
Aluguel de Bike Cariri
@alugueldebikecariri (88) 99265.5746
PARA COMPRAR
Casa das Bicicletas
@casa_das_bicicletas (88) 98816.0822
PARA PASSEAR
Bike Cariri
@bikecariri (88) 99900.4259
A GENTE PEDALA, A GENTE
TUDO À NOSSA VOLTAA
Integrante do grupo Bike Cariri, o técnico em radiologia Natanael Oliveira , 27, começou a usar a bicicleta como meio de transporte há oito anos, quando precisava pedalar cerca de 20 km por dia. Na mesma época, fez amigos que o apresentaram a dois grupos de pedais da região, organizados pelas lojas Casa das Bicicletas e K&A. Em 2020, juntou-se ao grupo de David Morais e começou a liderar as trilhas com o designer. “Durante a pandemia, mais uma vez o ciclismo tem sido importante na minha vida, já que trabalho diretamente na linha de frente. Com a bike, consegui manter minha saúde física e mental frente ao estresse causado pela Covid-19”, afirma.
A história da contadora Amanda Linhares com o ciclismo começou por influência do marido, o biólogo Francisco Herverton Rocha, conhecido no Cariri como Chico Bike. Ciclista há mais de dez anos, Chico apresentou os pedais para a esposa há quatro, e, desde então, eles dividem trilhas, competições e títulos. “Quando comecei a pedalar, sofri muito, porque estava com sobrepeso e não tinha muita técnica. Com o tempo, comecei a me envolver mais com os pedais, conhecer pessoas e participar de competições. Na pandemia, nosso grupo fez toda a diferença, acho que poderíamos até ter entrado em depressão se não tivéssemos esses pedais”, ressalta.
Empresária autônoma no segmento de vestuário, Nathielly Gomes, 26, começou a pedalar em 2015 com o esposo, Fabiano, que é ciclista há 15 anos. Aos poucos, foi conhecendo novas trilhas e fazendo amigos nas pedaladas, o que estimulou o gosto pelo esporte. “Para mim, pedalar é sinônimo de liberdade e bem-estar, porque esqueço dos problemas e me ajuda muito a lidar com a ansiedade. Além disso, em 2020, parada em casa, ganhei 11kg, mas quando voltei a pedalar consegui retornar ao meu peso normal sem problemas. Para mim, a bike tem sido a melhor coisa nesta pandemia”, conta.
ITALLO RODRIGUES
Os bons momentos agora tem lugar certo
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ESPECIAL
CONVENIÊNCIAS DE BELEZA
A ESTRATÉGIA DE EMPREENDER E EMBELEZAR O MUNDO
AO TRANSFERIR LOJA ONLINE PARA O CARIRI, CASAL ALCANÇOU NOVOS PÚBLICOS
E VIU AS VENDAS AUMENTAREM
Montar o próprio negócio e investir no que acredita foi o caminho escolhido por Simone Brasil, em 2016, quando ainda morava em Fortaleza. Apaixonada por maquiagem, ela viu no ramo da beleza e bem-estar uma oportunidade de empreender, fazendo o que gosta e consequentemente conseguindo mais tempo para passar com a família. Foi assim que surgiu a loja Conveniências de Beleza, em Juazeiro do Norte, onde aposta em inovação, atendimento diferenciado e maior comodidade para os clientes.
Foram três os motivos que levaram Si-
mone e a família a se mudarem da Capital para o Cariri. Durante um assalto à sua residência, no bairro Cidade dos Funcionários, a mãe e a sobrinha dela foram feitas de reféns. Isso intensificou a sensação de insegurança e a vontade de mudança. No fim de 2016, o marido dela, Yalan Warner, recebeu uma proposta de emprego em Juazeiro do Norte, a 500 km de distância de Fortaleza. Em seguida, a mãe dela conseguiu transferência na Infraero para o aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, no município caririense. (Por Márcio Silvestre)
FOTOS: MÁRCIO SILVESTRE
comodidade
e bom atendimento
A transferência da loja Conveniências de Beleza para Juazeiro do Norte fez com que o negócio crescesse e se consolidasse. No Cariri, a loja conseguiu, com mais facilidade, alcançar o seu público-alvo, os maquiadores, e consequentemente aumentou suas vendas. “Aqui somos só nós dois, por enquanto. Mas o foco da gente é o atendimento. Fazer o cliente se sentir bem, querer comprar na loja não apenas porque ela tem os produtos que ele deseja, mas por ter um bom atendimento. Nós atendemos com satisfação”, destaca Simone.
O negócio do casal tem como proposta ser conveniente, oferecer de tudo um pouco, desde a maquiagem para o dia a dia até produtos de alta linha. “Nós temos dois públicos, a mulher que gosta de se maquiar e o maquiador, que trabalha com produtos específicos. São três linhas de maquiagem: a diária e mais acessível, uma maquiagem mais sofisticada para usar em eventos e uma linha profissional”, explica Yalan. Em 2021, o casal pretende inaugurar a loja física.
Além dos recursos e estratégias para transformar a atividade em um negócio economicamente vantajoso, o empreendedor precisa assegurar a formalização. No Portal do Empreendedor (portaldoempreendedor.gov.br), é possível fazer o cadastro da atividade e se tornar uma Pessoa Jurídica. Além de simples, a profissionalização garante o direito aos benefícios previdenciários, acesso a crédito, possibilidade de participar de licitações, além de transmitir maior credibilidade no mercado, tanto para os fornecedores, como para os clientes.
Estatísticas de crescimento
É possível observar um crescente número de microempreendedores formalizados nos últimos dois anos em Barbalha, no Crato e em Juazeiro do Norte. De acor do com dados do Serviço Brasi leiro de Apoio às Micro e Peque nas Empresas (Sebrae), em 2018 havia 13.220 MEIs no Crajubar. Esse número cresceu 22,1% em 2019, chegando a 16.149 mi croempresas formalizadas. Em 2020, ano da crise provoca da pela pandemia de Covid-19, foi observado crescimento de 14,9%, resultando em um regis tro total de 18.560 MEIs.
ÓTICAS DINIZ
EXPANSÃO PELO CARIRI
COM NOVA LOJA NO CRATO, ÓTICAS
DINIZ DIVIDE OS
INVESTIMENTOS
EM AÇÕES SOCIAIS, AMPLIAÇÃO DO QUADRO DE FUNCIONÁRIOS E
EM NOVAS FORMAS DE ATENDER
Reinventar-se, adaptar-se ao novo mercado e inovar o negócio são estratégias adotadas pelos empreendedores de diversos segmentos, em meio à crise sanitária e econômica da pandemia de Covid-19. No Cariri, a Óticas Diniz é um exemplo de crescimento em meio às dificuldades. Em janeiro de 2021, a rede abriu uma nova loja, no Crato, inaugurando o conceito prime Óticas Diniz na região.
Os empresários Marcello Nevares e Fernanda Melo é que são os responsáveis pela rede de lojas Ótica Diniz no Crato e em Juazeiro do Norte. Diante da crise, os empresários ressaltam a importância de manter o quadro de funcionários, adaptando-se ao novo cenário e garantindo a prestação de um serviço de excelência, com segurança e qualidade. “A Óticas
Diniz tem obtido uma série histórica de excelentes resultados e pode atender a sociedade de maneira plena. E não so mente manter todos os empregos, mas também ampliar seus postos de traba lho”, afirma Marcello, ressaltando que a rede se fortaleceu nesse período.
Formado em administração de empre sas pela UFRJ e FGV-RJ, Marcello Neva res ressalta que o empreendedor precisa sempre se readequar ao mercado e saber inovar o seu negócio. “A 'gestão da ação' precisa ser aplicada em todos os níveis da empresa, e, muitas vezes, queremos nos manter em nível estratégico. Isso é um erro”, explica. (Por Márcio Silvestre)
FOTOS: ALLAN BASTOS
estrategias -
"Na pandemia, nos deparamos com enormes desafios. No primeiro momento, sentimos que deveríamos estar juntos da sociedade. A Ótica Diniz desenvolveu ações de cunho social durante a pandemia. Fomos reconhecidos pelo Hemoce Cariri por fazer uma campanha de doação de sangue em um momento em que muitas pessoas precisaram ficar em suas casas. Os bancos de sangue tinham caído em 70%”, comenta o empresário Marcello Nevares.
A readaptação do trabalho, durante o lockdown, foi uma estratégia para manter o negócio em funcionamento. “Estabelecemos plataformas on-line para facilitar a comunicação e venda dos nossos produtos. Além disso, houve, de imediato, a criação de protocolos internos de segurança para que pudéssemos atender nosso cliente com toda a segurança em sua residência. Na contra-mão do mercado, avançamos em novas frentes de negócios onde o atendimento delivery chegou a representar 100% do faturamento no período de pleno lockdown.”
Como o setor de óticas se enquadra em serviço essencial, após o primeiro decreto, as lojas físicas puderam voltar ao atendimento presencial. A implantação do selo “Ótica + Segura” e a adaptação do serviço presencial respeitando as normas de segurança possibilitaram o funcionamento das lojas físicas.
Inaguração
A Ótica Diniz inaugurou, no dia 11 de janeiro, o conceito prime no município do Crato, sendo a terceira loja com este modelo no Ceará. A nova sede da Óticas Diniz no município teve um investimento na ordem de R$ 700 mil e vai contar com design inovador, um vasto mix de produtos e grifes, bem como um atendimento prime, marca registrada da franquia.
TONSURE
UM NOVO FORMATO DE BARBEARIA PARA O CARIRI
SÓCIOS PROPÕEM
OUSADO CONCEITO
EM ESTÉTICA PARA
FOTOS: ALLAN BASTOS
Período de pandemia
Em 2020, com a pandemia do novo coronavírus, a Tonsure introduziu o atendimento em domicílio. Diante disso, muitos dos funcionários buscavam ofertar seus serviços de maneira independente. “Eles trabalharam muito independentemente, começaram a entender que era melhor trabalhar por conta própria, e este formato irá conceder a independência deles. Não queremos perder os profissionais, nós queremos reter os talentos dentro da nossa empresa.”
Estética para homens em Juazeiro do Norte
É fato que cuidar da estética é um assunto muito novo para muitos homens. Os serviços de beleza masculina prestados na região do Cariri são escassos e de difícil acesso. O modelo proposto por Fabrício Vitorino é criar um ambiente com profissionais capacitados e selecionados, que queiram trabalhar como parceiros da Tonsure. Dentre os serviços que serão ofertados, além de barba e cabelo, estão: limpeza de pele, progressiva, cuidados com as unhas e serviços de podologia. O local estará em novo endereço em breve. Para Fabrício, a Tonsure “não quer trazer só um corte de cabelo ou só uma barba, quer trazer toda uma experiência ao cliente”.
A nova configuração de barbearia, segundo Fabrício, proporcionará melhorias aos clientes e barbeiros parceiros. “Eu quero trazer um formato novo para a região, vai ser algo muito interessante, você vai vir para um ambiente onde vai ter diversos profissionais. A ideia é que eles trabalhem à vontade, felizes, com motivação, acredito que vai dar certo”, conta Fabrício.
MAIONESE VEGANA
POR SARA CORDEIRO opovocariri@opovo.com.br
Além de polo cultural, religioso e industrial, a região do Cariri também se destaca pela produção de pesquisas em seus centros acadêmicos e tecnológicos. Recentemente, os alunos do curso de Tecnologia em Alimentos da Faculdade de Tecnologia Centec (Fatec) Cariri, Davidson Ferrer, Luan Figueiredo e Kelvia Leal, criaram uma maionese 100% vegana à base de coco. Sob a direção da professora Natasha Monteiro, o projeto foi desenvolvido no Laboratório de Processamento de Alimentos de Origem Vegetal.
Davidson, natural de Juazeiro do Norte, conta que eles perceberam que na região existem indústrias que trabalham com água de coco. “É gerado desperdício, porque a polpa e o bagaço do coco vão para o lixo.” Tendo em vista que o Ceará é hoje o segundo maior produtor de coco do País, foi pensada uma maneira de utilizá-lo em sua totalidade.
Em 2020, foi iniciada a caracterização físico-química do produto, além de análises de laboratório, nutricionais e microbiológicas para garantir a qualidade. “Em março, apresentamos a maionese na feira do conhecimento regional do Cariri, no ginásio da Uni -
versidade Regional do Cariri (Urca), no Crato”, conta Luan Figueiredo, aluno também natural de Juazeiro do Norte.
De acordo com Kelvia Leal, o nome da região foi elevado quando os meios de comunicação divulgaram a pesquisa. Ela pontua que isso faz com que as outras regiões e estados olhem o Cariri além da sua peculiaridade cultural e religiosa. “Hoje, a gente se apresenta como uma região que pesquisa, desenvolve ciência e que se abre para buscar soluções sustentáveis. O produtor de coco, que produz apenas água, pode ter uma visão macro e ter uma nova alternativa. Isso incentiva novas pesquisas e novos universitários a buscarem soluções nos laboratórios, contribuindo para a sociedade”, diz ela, que é do Crato.
A professora especialista do Curso Superior Tecnologia em Alimentos da Fatec Cariri, Natasha Monteiro, foi a responsável pelo projeto em sala de aula. Ela conta que a atividade desenvolvida ajuda a aprimorar a pesquisa na área de alimentos e proporciona interesse nos estudantes para elaboração de novos produtos, permitindo também o acesso à alimentação alternativa sem ingredientes de origem animal. “As demais
análises serão realizadas no decorrer do semestre, para quantificar valor nutricional, características microbiológicas e sensoriais”, ressalta.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
O potencial da região para o desenvolvimento de pesquisa
As pesquisas devem ser voltadas às vocações tecnológicas viáveis, sendo trabalhadas e desenvolvidas buscando uma melhor eficiência para a população, explica Samuel Torres Brasil, coordenador de Extensão Tecnológica da Fatec Cariri. “O Cariri tem um grande potencial. O setor industrial (área calçadista, joias e folheados, aproveitamento de alumínio), ou as grandes riquezas naturais (frutas e turismo ecológico) são pontos que podem
apresentar pesquisas inovadoras, buscando, assim, o bem de todos que fazem parte destas cadeias produtivas.”
Para aumentar o número de pesquisas acadêmicas realizadas no Cariri, Samuel destaca que é preciso que os governos constituídos no âmbito municipal, estadual e federal tenham consciência da importância da aplicação da educação tecnológica nas ações da administração pública.
O Cariri apresenta riquezas incalculáveis. Seja na biodiversidade, paleontologia ou na questão cultural. É assim que define Laura Hévila Inocêncio Leite, pró-reitora de pesquisa, pós-graduação e inovação da Universidade Federal do Cariri (UFCA). “Estamos em um berço de possibilidades para alavancar a região em pesquisas que mostrem um pouco da história ou que impactam a sociedade com tecnologias sociais diversas.”
A maioria das pesquisas realizadas, segundo Laura, têm perfil de tecnologia social. Nesse ponto, ela explica que os centros acadêmicos da região têm papel fundamental, sendo protagonistas e contribuindo para a ciência não apenas local, mas de impacto
nacional e internacional. “Temos potencial para isso. Precisamos, agora, mostrar para a sociedade o que temos feito nos últimos anos nos campos da ciência, tecnologia e inovação.”
Essas pesquisas podem agregar valor ao que já se tem nas cidades do sul do Ceará. Segundo a pró-reitora, hoje há pesquisas em quase todas as áreas do conhecimento, além de alunos premiados em eventos nacionais e projetos com parcerias internacionais. “Nosso crescimento mostra não só a qualidade de nossos pesquisadores, mas o potencial da região. Temos grandes centros acadêmicos e um ‘caldeirão’ de possibilidades de pesquisa. Acreditamos que as parcerias com empresas possam alavancar o que fazemos em escala pequena, podendo chegar a uma escala maior e com mais impacto.”
Espaços acadêmicos e técnicos
Laura destaca que é preciso defender o papel das universidades para a melhoria das condições sociais de toda uma região. “Acredito muito que esse é o diferencial dos centros acadêmicos. As pesquisas que desenvolvemos aqui sempre estão atreladas à resolução de problemas que vão dar melhor qualidade de vida à população.”
Atualmente, a UFCA concentra esforços para avançar com as pesquisas de cunho básico, para que essas passem ao patamar de pesquisa aplicada. Parcerias com outras instituições de ensino e pesquisa estão sendo buscadas, bem como financiamentos de empresas nacionais. “Todos os Programas de Pós-Graduação da UFCA possuem linhas de pesquisas direcionadas a assuntos de interesse da sociedade como um todo, que vão desde estudos de planejamento urbano à obtenção de moléculas naturais para fins farmacológicos.”
Como exemplo, Laura cita estudo de pesquisadores da Faculdade de Medicina (Famed). Eles estudam o efeito de substâncias naturais isoladas de plantas da Chapada do
Araripe no combate à leishmaniose, doença que ainda atinge parte da população do Cariri cearense. Esse estudo, pontua a pró-reitora, encontra-se na fase pré-clínica, sendo necessária a realização das fases clínicas para que a substância possa ser considerada um medicamento comercial.
Alunos da Fatec felizes com a conquista
INOVAÇÃO
Iogurte em pó de ex-aluno do Cariri
Outra pesquisa com raízes no Cariri é a de um iogurte em pó, do professor e pesquisador do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - campus Pau dos Ferros, Emanuel Oliveira. É que Emanuel, de Mauriti, iniciou sua vida acadêmica na Fatec Cariri, em Juazeiro do Norte, quando cursou Tecnologia em Alimentos. "Eu venho de uma família do Interior, produtora de frutas, leite e tudo mais, e essa origem camponesa me inspirou a seguir na área de alimentos. Meus pais sempre produziram muitos alimentos, e eu via as frutas se estragarem, o leite estragar, fui pesquisar cursos que eu pudesse processar o que minha família produzia", conta.
A ideia do iogurte em pó surgiu quando ele passou no doutorado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Em pó, o produto se diferencia do que existe hoje no mercado pela durabilidade (mais de um ano), praticidade (fácil de levar e preparar) e economia de recursos (não precisa de refrigeração). "A gente ainda atestou que manteve as características nutricionais e funcionais", explica.
A pesquisa científica no Cariri, segundo Emanuel, vem crescendo nos últimos anos com ampliação de cursos e novas faculdades, mas ainda carece de incentivos públicos que ajudem a população a melhorar sua renda familiar. "Ás vezes, temos pessoas que produzem leite, mas não sabem fazer iogurte, queijo. Produzem frutas, mas não sabem fazer doce, processar aquele alimento para que ele dure todo o ano e tenha valor agregado. Temos o pequi na Serra do Araripe, que é um produto que poderia ser melhor explorado, entre outras matérias-primas", sugere.
CONDIÇÕES SOCIAIS
Emanuel de Oliveira hoje é professor do IFRN
GUILHERME CARVALHO TEXTO
RAFAEL VILAROUCA
FOTOS
10 ANOS APÓS A MORTE DE LUÍS KARIMAI, A
FILHA DO ARTISTA PLÁSTICO QUE COLORIU O CARIRI DE ARTE E
ESPIRITUALIDADE
REUNIU SUA OBRA
NA EXPOSIÇÃO
VIRTUAL (IN) POSSIBILIDADES
O artista plástico Luís Massaki Karimai, natural de São Paulo, porém radicado caririense, fez de sua passagem pela terra um atelier repleto de arte e espiritualidade. Suas obras carregam uma pluralidade ímpar, tal hora manifestando cenas surrealistas com ambientes, cores e personagens fascinantes, e tal hora demonstrando a sensibilidade do mais simples cotidiano do sertão caririense.
Ao longo dos seus 63 anos de vida, o artista dedicou-se à arte, ao espiritismo e ao trabalho social. No Cariri, ensinou e aprendeu o ofício exímio que lhe rendeu o apelido de “Mestre Karimai”.
Em memória aos dez anos de morte de Luís Karimai, o Instituto Karimai lançou, em julho de 2020, a exposição virtual (IN) POSSIBILIDADES (exposicao.institutokarimai.com.br). A mostra, em cartaz, expõe parte do catálogo do mestre e traz reflexões sobre narrativas e diálogos intrínsecos à obra dele. O visitante comtempla, também, uma trilha sonora instrumental assinada pelo músico DiFreitas.
Do Japão ao Cariri
Luís Karimai nasceu na cidade de Lavínia, interior de São Paulo. Sua família era formada por imigrantes do Japão que vieram para o Brasil em busca de trabalho. Logo na infância, identificou-se com os rabiscos que fazia no colégio. Sua mãe, Yosh Takahashi Karimai, foi uma das primeiras admiradoras de sua arte, incentivando-o ainda nos primeiros anos de escola.
Na juventude, Karimai mudou-se para São Paulo, onde ingressou em três faculdades: Cinema, Engenharia e Sociologia (USP). Foi na última, entretanto, que o artista encontrou sua vocação. Karimai teve vontade de conhecer as diferentes realidades do povo brasileiro. Assim, alçou voo em direção ao Nordeste através de projetos de extensão da universidade.
Seu companheiro de viagem foi o fotógrafo Gilberto Morimitsu. Juntos, percorreram algumas cidades do Nordeste, passando pela Bahia e chegando a Juazeiro do Norte na década de 70. No Cariri, Karimai encontrou um alento nas terras ao redor da Chapada do Araripe.
Karimai retorna à Juazeiro do Norte dois anos depois, de forma definitiva. “Uma vontade de, além de conhecer outras culturas, interiorizar-se. Tanto espiritualmente quanto fisicamente. Ele sempre se sentiu meio inquieto na cidade grande. Essa vinda dele impacta muito no começo da vida artística”, reflete Clara Karimai, filha de Luís Karimai.
Karimai firmou-se como professor de arte e passou a trabalhar com a venda de suas obras. Foi nesta época, também, que conheceu Penha Karimai, com quem compartilhou sua vida. A união do casal gerou seis filhos.
O reconhecimento de seu trabalho não tardou. Com exposições pelo Brasil adentro, conquistou o exterior. No Cariri, assumiu a gestão da Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, após um abaixo-assinado de artistas da região.
Após décadas dedicadas à produção artística, ele faleceu vítima de câncer, em julho de 2010.
PROCURA-SE KARIMAI
Ninguém sabe com exatidão o número de obras de Luís Karimai. Ao longo da sua trajetória artística, o mestre assinou mais de 500 produções entre telas, desenhos, cartas e aquarelas.
Ao fim de sua vida, Karimai quis catalogar e registrar o seu acervo. A iniciativa foi encabeçada pela professora da Universidade Regional do Cariri (URCA) e amiga de Karimai, Eneide Feitosa. A tarefa de reunir a coletânea de Karimai foi o pontapé inicial para um projeto maior: o Instituto Karimai. Liderada por Clara Karimai, Penha Karimai e por Eneide Feitosa, a iniciativa busca manter viva a memória e trajetória de Luís Karimai pelas terras do Cariri.
Clara continua o rastreio de obras perdidas de seu pai. Através do Instagram @institutoluiskarimai, e pelo Facebook @acervodekarimai.
O LEGADO DEIXADO PELO MESTRE RESPIRA
E VOA SOLTO PELAS MONTANHAS DO CARIRI
ENSINAR E INSPIRAR
Karimai dedicou cerca de 30 anos de sua vida à arte. Durante esse tempo, suas obras passearam por uma infinidade de temas e exploraram técnicas diversas, como colagem, aquarela, nanquim, giz de cera e lápis de cor. Personagens da fé caririense, como o Padre Cícero e a Nossa Senhora das Dores, são comuns em cenários que bebem de fontes surrealistas. Suas narrativas densas carregam uma complexidade que faz a quem as consome duvidar sobre o que era sonho e o que era realidade no Cariri pintado por Karimai.
Quem visitava seu atelier relatava um tom místico que pairava pelo ar. O artista parecia ter uma aura ao redor do seu corpo, e os seus dias eram rodeados de afetos, conselhos e poesia. O ambiente amistoso atraía artistas e entusiastas da cultura popular interessados em ver de perto a execução das obras de Karimai. Os visitantes não limitavam-se apenas ao papel de espectador. Foi observando as obras de Luís Karimai que crianças e jovens caririenses deram seus primeiros passos no mundo da arte.
Clara Karimai conta que o dia a dia de seu pai carregava um espírito de coletividade que ajudou a moldar o cenário artístico do Cariri. “Ele era um artista que acreditava muito nele mesmo, em outros artistas e no poder transformador da arte. Ele não era uma pessoa de ficar falando sobre seus feitos e, talvez por isso, tenha ganhado tanto destaque, por ter sempre essa simplicidade e humildade. Eu acho que muitos artistas hoje trabalham na arte por influência dele.”
ARQUIVO
Filosofia oriental
A Formação de Karimai, tanto como homem quanto como artista, foi marcada por uma forte espiritualidade. No contexto familiar, o artista herdou de seus pais ensinamentos da filosofia oriental. Seu pai, Kenji Karimai, era adepto da crença xintoísta e prezava pelo conhecimento e respeito à natureza. Já sua mãe, Yosh Takahashi Karimai, ensinou aos filhos sobre a consciência física e espiritual através do Budismo.
“É muito importante que o artista seja disciplinado. Essa disciplina oriental, o contato com a natureza, o contato com a bondade humana e a justiça social: era assim que ele era. O discurso e a ação dele não eram distantes um do outro. Nós crescemos entendendo a importância da fraternidade, do amor ao próximo, e tendo contato com a natureza. Era uma pessoa muito calma, muito tranquila e muito amorosa”, conta Clara Karimai.
Além da influência no campo das artes, Karimai teve um papel fundamental na inserção da doutrina espírita na região do Cariri. Na década de 90, fundou o Grupo Espírita da Fraternidade Irmã Sheilla, em Juazeiro do Norte. Através disso, Karimai consolidou-se como uma das principais vozes ativas de divulgação dos ensinamentos e ideias de Allan Kardec.
Em abril de 2019, o Grupo de Grafiteiros do Projeto Arte Humanitária pintou um mural em homenagem à Karimai, na rua Antônio Nunes de Alencar, em Juazeiro do Norte, próximo à residência do artista. Assinado por Fabiano Dias, Adriano Barros, Paulo Duplex e Pakato Dias, o mural traz uma foto de Luís Karimai e referências às suas obras
CUIDE DO QUE TEM
SONHO A SER REALIZADO
Tenho um livro nascido na alma. Devagarinho estou colocando no papel.
MINHA LISTA
Monalissa Figueiredo
5
PARA COMEÇAR BEM PERSONALIDADES INSPIRADORAS
CLARICE LISPECTOR
FRIDA KAHLO
FREDDIE MERCURY
SIMONE DE BEAUVOIR
CORA CORALINA
3
SÉRIES IMPERDÍVEIS
THIS IS US
GENIUS
CHEF'STABLE
O filme da sua vida
A trilogia Antes do amanhecer, Antes do pôr-do-sol e Antes da meia-noite
3
SOBREMESAS FAVORITAS
BOLO DE CHOCOLATE COM PISTACHE
SORVETE DE BAUNILHA
CHURROS COM DOCE DE LEITE
Uma bebida especial... café
3
LIVROS NA BIBLIOTECA
A HORA DA ESTRELA (CLARICE LISPECTOR)
CRÔNICAS DE RUBEM BRAGA
QUANDO KATIE COZINHA (KATIE DAVIES)
4
VIAGENS/LUGARES INESQUECÍVEIS
PARQUE DA CIDADE, EM NITERÓI (RJ)
FONTANA DI TREVI, EM ROMA (ITÁLIA)
CHICHÉN ITZÁ (MÉXICO)
MACHU PICCHU (PERU)
PERFIL
Formada em Direito e aprendiz de confeiteira à frente da doceria As Netas de Olga
PEÇAS DE ROUPA NO
All Star, jeans, camisa branca.
Família é... Sentido, sagrado, ponto de partida e de chegada.
3 comidas-conforto Bolo, bolo e bolo!
Em 2021, eu vou... Seguir o que aprendi em 2020 com respeito e simplicidade.
ÓCULOS PERSONALIZADOS
Com atendimento exclusivo, ótica do grupo JK no Cariri oferta mix diversificado de óculos de grau e de sol
A escolha dos óculos, seja de grau ou de sol, está ligada, principalmente, à personalidade do cliente. Por isso, a Ótica Santa Clara, no Crato, aposta em atendimento exclusivo para cada cliente. A especialidade são os óculos de grau, mas também há opções de modelos de sol para quem busca proteção e tecnologia.
Isso porque a loja, inaugurada em fevereiro de 2019, investe em mercadoria de qualidade, com as melhores opções de lentes do mundo. O serviço é personalizado desde a escolha até a manutenção dos óculos. "O grupo JK possui outros segmentos, e vimos a oportunidade de empreender no Cariri, com um conceito diferenciado de atendimento, trazendo as melhores marcas existentes no mercado", reforça a diretora-comercial, Kácia Brasil.
Além da loja no Crato, a Ótica Santa Clara abre, no primeiro trimestre de 2021, uma nova unidade em Juazeiro do Norte. A ideia é expandir o atendimento em uma nova loja conceito, de dois andares. “Inovação, amor pelo que fazemos e pelo que estamos construindo” são o diferencial para proporcionar um excelente atendimento, acrescenta Kácia.
ÓTICA
SANTA CLARA - CRATO
Endereço: Rua Bárbara de Alencar, 926 - Centro
Telefone: (88) 4155.4641
Instagram: @oticasantaclaracrato
Marcas que você encontra na Ótica Santa Clara:
> Ray-Ban
> Guess
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> Victoria’s Secret
> Victor Hugo
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ÓTICA SANTA CLARA GARANTE AS MELHORES OPÇÕES DE LENTES DO MUNDO
Além da loja no Crato, a Ótica Santa Clara abrirá nova unidade em Juazeiro do Norte