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RAIO X 30-11

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Ceará: dopotênciaturismo nacional

IMPULSIONADO

Oturismo cearense atinge um novo patamar em 2025, firmando-se como um dos principais motores da economia do Estado. Com resultados que ora aproximam-se, ora superam os níveis pré-pandemia, o Ceará demonstra forte recuperação no setor, evidenciando um salto na qualificação da oferta e na diversificação de seus produtos. A performance é fruto de uma estratégia combinada que envolve promoção nacional e internacional segmentada, fortalecimento do turismo de negócios e eventos (MICE, na sigla em inglês), e melhoria contínua na conectividade aérea. No primeiro semestre, o Ceará recebeu cerca de 1,7 milhão de visitantes, crescimento de 6,8% em relação a 2024, movimentando R$ 6,6 bilhões. A ocupação hoteleira média chegou a 73,8%. Entre janeiro e setembro, o setor de alojamento e alimentação abriu 1.888 vagas formais, alta de 123% frente ao ano anterior. Para Clarisse Linhares, presidente do Visite Ceará, instituição sem fins lucrativos voltada para o desenvolvimento do turismo no Estado, 2025 representa “recuperação consolidada e crescimento”, com retomada mais rápida que a média nacional.

A agenda de eventos segue decisiva. Somente três grandes realizações, Réveillon de Fortaleza (R$ 594,82 milhões), Romaria de Juazeiro do Norte (R$ 300 milhões) e São João de Maracanaú (R$ 277,58 milhões), somaram mais de R$ 1,17 bilhão em impacto econômico, garantindo ocupação próxima de 100%. O Estado também fortalece sua posição no turismo MICE, combinando infraestrutura, praias e gastronomia. Para 2026, a Associação Brasileira de Empresas de Eventos do Ceará (Abeoc-CE) projeta recorde de congressos e ampliação da internacionalização.

A capacidade receptiva também avançou: entre 2024 e 2025, os meios de hospedagem cresceram 9,81%, totalizando 126 mil leitos. De janeiro a outubro, a ocupação média atingiu 74,46%. O perfil do visitante muda, buscando experiências imersivas, sustentabilidade e tecnologia, hoje requisitos básicos. Hotéis boutique e hospedagem de charme ganham força em destinos como Jericoacoara e Fortim. É preciso ainda mencionar expansão territorial: 50 municípios integram oito rotas estruturadas. A Rota Cariri impulsiona o turismo cultural e religioso; a Ibiapaba e o Maciço de Baturité oferecem clima serrano e vivências; e a Costa dos Ventos atrai kitesurfistas e nômades digitais. Cultura e gastronomia reforçam a identidade regional.

Para 2026, o Visite Ceará projeta crescimento de 8% a 10% no fluxo de visitantes e de 7% a 10% na receita, com ocupação média entre 75% e 78%. A estratégia prioriza mercados nacionais e amplia a presença internacional, apostando na integração entre eventos, turismo, setor público e privado, e entre Capital e Interior.

Com resultados robustos e metas ousadas no horizonte, o turismo cearense entra em 2026 preparado para avançar ainda mais, impulsionando oportunidades, fortalecendo destinos e ampliando a presença do Estado no cenário nacional e internacional. Um ciclo de expansão que promete novos capítulos de crescimento. Boa leitura!

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especial.opovo.com.br/raiox/

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RAIO X 2025

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de Branded Content do Grupo de Comunicação O POVO

Bloco Unidos da Cachorra, em apresentação no pré-carnaval, na Praia de Iracema, em Fortaleza

O TURISMO COMO MOTOR ECONÔMICO DO CEARÁ

SETOR SUPERA NÍVEIS PRÉ-PANDEMIA, AMPLIA FLUXO DE VISITANTES, FORTALECE AGENDA DE EVENTOS E PROJETA CRESCIMENTO DE ATÉ 10% PARA O PRÓXIMO ANO

Com resultados já consolidados até o primeiro semestre e projeções positivas para os últimos meses do ano, o turismo se firma como um dos motores da economia cearense em 2025. A combinação de mais visitantes, maior receita, avanço na conectividade aérea e uma agenda aquecida de eventos reposicionou o Estado no cenário nacional e internacional.

De janeiro a junho, o Ceará recebeu cerca de 1,7 milhão de visitantes, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, quando o Estado havia registrado 1.608.749 turistas. O fluxo gerou R$ 6,6 bilhões em receita turística e ocupação hoteleira média de 73,8%. Os dados da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur) indicam não apenas recuperação em relação ao período pré-pandemia, mas salto em qualificação da oferta e diversificação de produtos turísticos.

Clarisse Linhares, presidente do Visite Ceará, instituição sem fins lucrativos voltada para o desenvolvimento do turismo no Estado, acredita que 2025 marca “um ano de recuperação consolidada e crescimento”, no qual o Ceará superou indicadores de 2019 e acelerou a retomada pós-pandemia “mais rápido que a média nacional”. O desempenho é resultado de uma estratégia combinada que envolve promoção nacional e internacional segmentada, investimento no turismo de negócios e eventos (MICE, na sigla em iglês), fortalecimento de experiências, como roteiros de praia, gastronomia e turismo esportivo. De acordo com Clarisse, a melhoria na oferta de malha aérea nacional e internacional e integração entre setor público e privado também têm sido determinantes para os resultados.

A agenda de eventos, inclusive, teve papel determinante nesse movimento. De grandes feiras e congressos a festividades tradicionais, o calendário diversificado ajudou a equilibrar a demanda ao longo do ano e ampliar o impacto econômico no setor de serviços.

Entre janeiro e setembro de 2025, o segmento de alojamento e alimentação criou 1.888 postos de trabalho formais, contra 846 no mesmo período de 2024. O crescimento de 123,17% demonstra o peso crescente da atividade turística na economia cearense, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Somente em setembro, o Estado registrou 10.561 novos empregos com carteira assinada, com destaque para o setor de serviços, que respondeu por 3.727 vagas (35,3% do saldo do mês). Dentro deste segmento, 469 novos postos (12,58%) foram criados em alojamento e alimentação. No cenário nordestino, o Ceará se posiciona de forma competitiva no segmento MICE. A infraestrutura consolidada, aliada à boa conectividade aérea e à articulação de experiências complementares, como praia, gastronomia e cultura, mantém o Estado na posição de destaque em eventos de médio porte e feiras regionais.

“A atuação proativa do Visite Ceará, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza (Setfor), com o Governo do Estado (Setur) e o trade, tem trazido ações como imersões e visitas técnicas para compradores e promotores, fruto da estratégia de promoção específica para MICE”, explica Clarisse. Para 2026, a perspectiva é de expansão. De acordo com o Visite Ceará, as metas preliminares projetam crescimento de 8% a 10% no fluxo anual de visitantes, aumento de 7% a 10% na receita turística e ocupação média na faixa de 75% a 78%. A estratégia mira consolidar mercados emissores nacionais, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e ampliar a presença internacional, com foco em Portugal, França, Espanha e em países com voos diretos, como Uruguai, Chile e Argentina. A diversificação também é prioridade: MICE, turismo náutico, gastronomia e rotas de alto valor agregado devem puxar o avanço do gasto médio. Outro eixo já em andamento é a ampliação de parcerias com municípios e o trade para qualificação de destinos, melhoria de infraestrutura e atração de novos investimentos.

TURISMO EM NÚMEROS

JANEIRO A JUNHO

■ Visitantes no Ceará: 1,7 milhão

■ Receita turística gerada: R$ 6,6 bilhões

■ Ocupação hoteleira média: 73,8%

■ Gasto médio por turista:R$ 3.840,44

■ Expectativa até dezembro: 3,45 milhões de turistas e R$ 13,7 bilhões em receita

Fonte: Setur

TENDÊNCIAS PARA 2026

■ Crescimento de fluxo: +8% a +10%

■ Receita turística: +7% a +10%

■ Ocupação média anual: 75% a 78%

■ Eventos/MICE: 60 novos congressos e feiras (+20%)

Fonte: Visite Ceará

TURISMO INTERNACIONAL EM ASCENSÃO

■ 2019: 112.920 turistas internacionais

■ 2020–2021: quedas acentuadas pela pandemia

■ 2022: 56.552 (+triplo de 2021)

■ 2023: 71.545 turistas

■ 2024: 96.882 turistas

■ Jan–set/2025: 79.164 (81,7% do total de 2024)

■ Crescimento jan–set/25 vs jan–set/24: +28,3%

■ Projeção: 2025 deve superar 2024 e se aproximar dos níveis históricos de 2019

Fonte: Setur

Fonte: Setur
Praia do Maceió, em Camocim
Complexo gastronômico da Sabiaguaba, em Fortaleza

EVENTOS E FESTAS: A FORÇA DAS TRADIÇÕES NA ECONOMIA

ROMARIAS, RÉVEILLON E FESTAS

POPULARES MOVIMENTAM

BILHÕES, ELEVAM A OCUPAÇÃO

HOTELEIRA E FOMENTAM

EMPREGOS EM TODO O ESTADO

No Ceará, tradição é sinônimo de celebração, mas também de economia. O Réveillon na Capital, as romarias no Cariri e grandes festas culturais como o São João de Maracanaú compõem um calendário que sustenta milhares de empregos, impulsiona a cadeia do turismo e posiciona o Estado entre os principais pólos de eventos do País. Em 2025, a soma dos impactos financeiros de três desses eventos supera a marca de R$ 1,17 bilhão, conforme dados consolidados da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur).

Os valores detalhados reforçam essa dimensão. O Réveillon de Fortaleza (foto ao centro da página) movimentou R$ 594,82 milhões; a Romaria de Juazeiro do Norte gerou impacto estimado em R$ 300 milhões; e o São João de Maracanaú alcançou R$ 277,58 milhões. Os números se refletem diretamente na hotelaria, com ocupação entre 90% e 100% no São João, mais de 95% no Réveillon da Capital e até 100% durante as romarias.

Essa intensidade de fluxo não acontece por acaso. Para além do calendário turístico oficial, há uma indústria em plena expansão. “Setor aquecido. Recorde atrás de recorde”, resume Leonardo Araripe, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos do Ceará (Abeoc-CE), sobre desempenho das empresas de eventos no Ceará em 2025.

Ele lembra que, em 2024, o Centro de Eventos do Ceará (CEC), âncora do segmento, viveu seu ano mais movimentado, com agendas completas, apoio à captação de congressos e impacto. “O setor de eventos e turismo representa cerca de 5% do PIB brasileiro e, segundo o economista Felipe Tavares, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), impacta mais na economia do que o agronegócio. Essa comparação ajuda a dimensionar o tamanho da nossa atividade. Tudo isso ilustra a pujança e o desempenho das empresas em 2025, um ano em que o Ceará se consolida como referência em eventos de negócios, turismo de lazer e hospitalidade”, ressalta.

Da Capital ao Cariri

Enquanto Fortaleza concentra grandes turnês, feiras e um dos maiores Réveillons do Nordeste, é no Cariri que o turismo religioso mostra sua força histórica. Pesquisa do Observatório de Turismo do Cariri, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Ceará (Sebrae Ceará), mostra que o gasto médio diário do visitante já chega a R$ 335, com estadia média de 2,5 dias, e um grupo significativo permanecendo mais de uma semana. A taxa de retorno também chama atenção, com 76,3% dos turistas já tendo visitado a região anteriormente.

A motivação religiosa é protagonista. Participar de romarias aparece como o segundo principal motivo de viagem ao Cariri (16,7%), atrás apenas de ‘férias e lazer’. Dados da Festa de Santo Antônio de Barbalha 2025 reforçam esse impacto. Estimativas da Prefeitura de Barbalha calculam que cerca de 350 mil pessoas passaram pelo município no dia do tradicional carregamento do Pau da Bandeira. O movimento econômico do cortejo alcançou R$ 17,1 milhões, impulsionando o comércio informal, o artesanato e a economia criativa. Para a presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins do Estado do Ceará (Sindieventos), Stella Pavan, essa combinação de tradição e movimentação econômica forma um dos pilares do crescimento regional. “O Ceará tem potencial para expandir o turismo de eventos além da Capital, levando feiras e congressos para o interior, onde há polos econômicos fortes e culturais riquíssimos como nosso Cariri”, afirma. Pavan destaca que logística e centros regionais são desafios, mas também oportunidades para descentralizar o calendário e reduzir a sazonalidade.

Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, Cariri

Profissionalização, tecnologia e novos modelos de experiência

O bom desempenho de 2025 é acompanhado por um movimento de qualificação acelerada. Programas do Sindieventos em parceria com Sebrae, Senac, Sesc e Fecomércio têm fortalecido competências de fornecedores e produtores. O mercado, cada vez mais exigente, demanda profissionais capazes de unir gestão, tecnologia, criatividade e visão estratégica. “Os eventos deixaram de ser apenas execução técnica: hoje são projetos de comunicação, marketing, cultura e negócios”, reforça Stella Pavan, presidente do Sindieventos. Ao mesmo tempo, sustentabilidade e digitalização se tornaram padrão. Experiências híbridas, credenciamento sem papel, métricas em tempo real e soluções de limpeza, energia e logística baseadas em critérios de ESG já fazem parte da rotina. “A sustentabilidade e a tecnologia deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos”, resume Araripe.

O resultado é um ambiente de negócios fortalecido, com crescimento contínuo. Para 2025, os números preliminares da Abeoc indicam expansão entre 10% e 15% em eventos no Centro de Eventos do Ceará (CEC), impulsionada pelo volume recorde de congressos, feiras e festivais no Estado. Em 2026, a projeção é ainda mais otimista, com expansão da internacionalização e maior ocupação do CEC.

Bastidores do setor

Por trás dos grandes números, há um circuito amplo que inclui técnicos de som, montadores, seguranças, cerimonialistas, ambulantes, produtores culturais e empresas de tecnologia. A cadeia gera milhares de empregos formais e informais, muitos deles diretamente dependentes da força do calendário de festas e tradições. Como reforça Leonardo Araripe, presidente da Abeoc-CE, “eventos e turismo caminham juntos”. “O visitante de evento é um turista em potencial: ele se hospeda, se alimenta, consome, visita atrativos e gera renda para toda a cadeia. Por isso, a palavra-chave é integração”, completa.

ROMARIAS: TRADIÇÃO QUE MOVIMENTA

A ECONOMIA REGIONAL

■ Romaria de Juazeiro do Norte: R$ 300 milhões em 2025

■ 16,7% dos turistas viajam ao Cariri motivados por romarias

■ Gasto médio diário: R$ 335

Fonte: Setur, 2025 / Observatório de Turismo do Cariri Cearense e Sebrae, 2024

FESTA DE SANTO ANTÔNIO 2025

■ 350 mil pessoas no dia do Pau da Bandeira; impacto de R$ 17,1 milhões

■ Artesanato, presentes e lembrancinhas representam mais de 60% dos gastos complementares

■ Gasto médio diário: R$ 271,92

Fonte: Prefeitura de Barbalha e Observatório de Turismo do Cariri Cearense em parceria com o Sebrae 2025

OCUPAÇÃO HOTELEIRA EM GRANDES EVENTOS (2025)

■ Réveillon: 95% a 100%

■ São João de Maracanaú: 90% a 100%

■ Romarias do Cariri: 85% a 100%

Fonte: Setur

Carnaval na Praça dos Leões, em Fortaleza
Festival Fenacce - 1º Mostra de Música autoral, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza
FOTO

HOTELARIA E ESTRUTURA: O CEARÁ QUE RECEBE

COM MAIS OFERTA DE HOSPEDAGEM, OCUPAÇÃO

EM ALTA E UM TURISTA MAIS EXIGENTE, 2025 MARCA

UM NOVO PATAMAR PARA A HOTELARIA CEARENSE

E PARA A FORMA COMO

O ESTADO RECEBE SEUS VISITANTES

OCeará vem consolidando, ano após ano, uma das redes hoteleiras mais dinâmicas e qualificadas do País. Em 2025, a expansão da oferta, a recuperação da ocupação e a profissionalização dos serviços revelam um estado estruturado para receber cada vez mais visitantes nacionais, internacionais, corporativos ou atraídos por experiências culturais, esportivas e gastronômicas.

A primeira leitura dos números já indica um cenário de confiança. De acordo com a Secretaria de Turismo (Setur), entre 2024 e 2025, o Ceará ampliou de 2.111 para 2.318 meios de hospedagem, um salto de 9,81%. O número de apartamentos (UHs) disponíveis na rede passou de 45.993 para 48.535, enquanto os leitos avançaram de 116.326 para 126.191, reforçando a capacidade receptiva em todo o território. Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Ivana Rangel Bezerra destaca que 2025 marca a consolidação do crescimento observado desde o ano passado. As taxas de ocupação traduzem a retomada. Todos os meses de 2025 superaram o desempenho de 2024, com destaque para maio (58,05% para 71,43%), março (58,94% para 68,71%) e agosto (67,70% para 74,92%). Em outubro, último dado consolidado, a ocupação saltou de 73,06% para 79,15%. Em meses de alta demanda, como janeiro e julho, os números ultrapassam 80%.

Para Ivana, o avanço é resultado de uma combinação de fatores: estabilidade econômica, fortalecimento da malha aérea, presença crescente em feiras nacionais e internacionais e a realização de grandes eventos em Fortaleza. Congressos, festivais e competições esportivas fazem aumentar o fluxo de visitantes, que muitas vezes prolongam a estadia para conhecer outros destinos.

O perfil do público também vem mudando. O turismo de lazer segue predominante, com estadias que costumam ultrapassar uma semana, geralmente organizadas por operadoras. O fluxo corporativo mantém participação expressiva e alto poder aquisitivo: são viajantes que permanecem de dois a quatro dias, atraídos por eventos e reuniões, e que apresentam maior gasto médio no destino. No mercado internacional, o crescimento é ainda mais significativo. Em Fortaleza, houve aumento próximo de 20% no fluxo de estrangeiros desde o ano passado; em Jericoacoara, impulsionada pelos ventos, essa alta supera 60%, reforçando o apelo do turismo esportivo de natureza.

Ao mesmo tempo, novas tendências moldam o futuro da hotelaria. Sustentabilidade deixou de ser diferencial para se tornar critério de escolha, com uso de energias renováveis, redução de resíduos e apoio à comunidade local se tornando práticas cada vez mais valorizadas.

A tecnologia permeia toda a jornada do hóspede, do check-in automatizado à personalização de serviços. O turismo de experiência, por sua vez, se fortalece com hotéis que oferecem vivências imersivas, com oficinas de gastronomia, trilhas guiadas por nativos, práticas de bem-estar e atividades comunitárias. Paralelamente, o interesse por hotéis boutique cresce, especialmente em destinos de charme como Icaraizinho, Fortim, Canoa Quebrada, Icapuí e Jericoacoara, onde design autoral, atmosfera intimista e atendimento personalizado se tornam diferenciais competitivos. Para 2026, a projeção da ABIH-CE é de continuidade da expansão. “Almejamos um fluxo crescente de visitantes, uma hotelaria altamente preparada e competitiva, e uma malha aérea cada vez mais diversificada. Com isso, buscamos atrair e consolidar grandes eventos que dinamizem a cidade, impulsionem a economia e, acima de tudo, gerem renda e prosperidade para o nosso povo”, conclui Ivana Rangel.

Fonte: ABIH-CE

OCUPAÇÃO MÉDIA (JAN–OUT)

■ 67,50% ■ 74,46%

■ A ocupação média cresceu 6,96 pontos percentuais, o que equivale a um aumento relativo de aproximadamente 10,31% sobre 2024

DESTAQUES NUMÉRICOS

■ Mês com maior ocupação em Janeiro - 85,01%.

■ Maio registrou a maior melhora relativa em pontos: +13,38 pontos (de 58,05% para 71,43%).

PERFIL DO VISITANTE E TEMPO MÉDIO DE PERMANÊNCIA

■ Lazer: permanência média de 1 semana. Chega frequentemente por operadoras/roteiros fechados.

■ Corporativo / eventos: permanência média 2 a 4 dias. Gasto médio por diária costuma ser maior.

■ Internacional: aumento estimado de 20% em Fortaleza. Em destinos de vento, como Jericoacoara, o incremento pode ultrapassar 60%. Permanência média superior a uma semana. Fonte: ABIH-CE

TENDÊNCIAS DO MERCADO

Fonte: ABIH-CE e Setur

Hotéis boutique e hospedagem de charme Turismo de experiência e ‘wellness’

AS NOVAS ROTAS QUE ATRAEM O MUNDO

AVENTURA, FÉ E CULTURA AMPLIAM O TURISMO CEARENSE, FORTALECEM ECONOMIAS REGIONAIS E LEVAM VIAJANTES ALÉM DO LITORAL

Omar ainda é o cartão-postal mais famoso do Ceará, mas já não viaja sozinho. Trilhas, serras, romarias, experiências culturais e gastronômicas passaram a redesenhar o mapa do turismo no Estado. As rotas turísticas, hoje formalizadas e promovidas de forma integrada, têm ampliado o alcance do setor para novas regiões, projetando o Ceará entre os destinos mais procurados do País.

No total, 50 municípios integram as oito rotas estruturadas, cada uma com sua Instância de Governança Regional (IGR), modelo recomendado pelo Ministério do Turismo para organizar o setor em cada território.

Articulador da Unidade de Competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Ceará (Sebrae Ceará), Silvio Moreira explica que o avanço é resultado de um esforço entre Sebrae, Secretaria do Turismo (Setur), municípios e entidades do trade para “descentralizar o turismo”, com “opções interessantes em todas as regiões do Estado”. “O segmento do turismo é um segmento em que a gente aposta e investe muito, porque é uma vocação natural do Ceará”, afirma. A estratégia se apoia em quatro eixos: potencial, produto, promoção e governança. Primeiro, identifica-se a vocação de cada região; depois, esses potenciais viram produtos, como trilhas guiadas, circuitos históricos ou passeios náuticos; em seguida, entram as ações de promoção e, por fim, a governança que organiza e impulsiona cada território. Esse arranjo multiplica impactos econômicos. Fortaleza, principal porta de entrada do Estado, irradia fluxos para todas as regiões, enquanto cada rota possui um destino-âncora, que atrai investimentos e impulsiona municípios vizinhos. Jericoacoara, por exemplo, movimenta Cruz, Camocim, Preá e Chaval.

SERRAS EM ASCENSÃO: NATUREZA, CLIMA E NOVAS EXPERIÊNCIAS

As serras vivem um momento de forte expansão turística. Na Ibiapaba, a combinação de clima ameno, mirantes naturais e o Bondinho do Parque Nacional de Ubajara consolidou a Rota dos Mirantes como um dos destinos serranos mais procurados. No Maciço de Baturité, a Rota Verde do Café fortalece o turismo de vivência, com experiências

ligadas à agricultura familiar, ao patrimônio histórico e à gastronomia serrana.

CULTURA COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO

No sul do Estado, a Rota Cariri tornou-se referência nacional em turismo cultural e religioso. Juazeiro do Norte segue como grande polo de romarias, enquanto Barbalha, Crato, Nova Olinda e Santana do Cariri articulam patrimônio histórico, museus, geossítios e festivais que ampliam a permanência média do visitante.

No Centro-Sul, a recém-estruturada Rota das Tradições aposta no diálogo entre religiosidade, história e cultura, reunindo museus, sítios históricos e casarões em municípios como Iguatu e Icó. Segundo a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, a cultura tornou-se eixo essencial nessa expansão. Parcerias entre Secult e Setur fortalecem festivais, festas tradicionais e ações promocionais que evidenciam as singularidades regionais. “O que diferencia uma região é exatamente a sua cultura”, afirma a gestora. “O grande ativo construído ao longo dos anos do turismo cearense é o seu litoral, mas isso cada vez mais tem sido ampliado, diversificado para diversas regiões e que possuem na cultura a grande força competitiva”.

A gastronomia também ganhou papel central. Festivais como o de Aracati, o Festival da Sardinha, na Caponga, ou o Festival Gastronômico de Pontal do Maceió, em Fortim, valorizaram ingredientes locais, fortalecendo a economia e identidade de cada território.

AVENTURA: VENTOS QUE MOVEM ECONOMIAS

No turismo de aventura, a Costa dos Ventos desponta como uma das rotas mais dinâmicas. Os ventos constantes do litoral oeste atraem kitesurfistas do mundo inteiro, além de nômades digitais que passam meses vivendo e trabalhando do Cumbuco ao Icaraí de Amontada.

Além de pousadas e restaurantes, esses visitantes fortalecem o turismo náutico. “Nós mapeamos mais de 100 escolas de surf, kitesurf, e outros esportes aquáticos, esportes náuticos, principalmente no mar, stand-up. Então, a gente tem apostado muito, investido muito na qualificação, na organização e no associativismo desse segmento aqui em Fortaleza”, explica Silvio Moreira, articulador do Sebrae Ceará.

Do sertão ao mar: os caminhos do turismo no Ceará

Portão de entrada das Rotas, Fortaleza é o principal polo urbano-cultural e hub aéreo do Estado, concentrando equipamentos culturais, eventos e gastronomia. Confira, a seguir, as oito rotas turísticas do Ceará.

Rota Costa dos Ventos

Âncora: Caucaia

Municípios: Acaraú, Amontada, Itapipoca, Itarema, Paraipaba, Trairi, Paracuru, São Gonçalo do Amarante

Vocação: kitesurf, esportes náuticos, nômades digitais, aventura

Rota das Falésias

Âncora: Aracati

Municípios: Beberibe, Cascavel, Fortim, Icapuí, Pindoretama, Aquiraz, Eusébio

Vocação: falésias coloridas, pousadas sofisticadas, gastronomia forte

Rota das Tradições

Âncora: Iguatu

Municípios: Icó, Jucás, Orós

Vocação: patrimônio histórico, museus, casarões

Rota Verde do Café

Âncora: Guaramiranga

Municípios: Baturité, Mulungu, Pacoti

Vocação: serras, cafés, trilhas, gastronomia

Rota das Emoções

Âncora: Jijoca de Jericoacoara

Municípios: Barroquinha, Camocim, Cruz, Chaval Vocação: dunas, lagoas, APA, praia

Rota do Cariri

Âncora: Juazeiro do Norte

Municípios: Assaré, Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda, Santana do Cariri

Vocação: fé, romarias, cultura popular, museus, geossítios

Rota Sertão Monumental

Âncora: Quixadá Municípios: Quixeramobim, Senador Pompeu, Solonópole Vocação: geossítios, aventura, monólitos, trilhas

Rota Mirantes da Ibiapaba

Âncora: Ubajara

Municípios: Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ipu, São Benedito, Tianguá, Viçosa do Ceará

Vocação: natureza, clima serrano, mirantes, bondinho

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