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RAIO X 28-11

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CIÊNCIA NO CEARÁ

ECONOMIA DO CONHECIMENTO COMO PESQUISADORES E INSTITUIÇÕES SE ORGANIZAM PARA PRODUZIR CAPITAL INTELECTUAL E IMPULSIONAR A TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA DO CEARÁ

CEARÁ TEC NOLO GICO

OCeará participa ativamente da economia do conhecimento, convertendo com sucesso a excelência acadêmica em capital intelectual e econômico com soluções de alto impacto. Transformação resultante de uma organização estratégica em rede, onde instituições, governos e setor privado trabalham articuladamente para inovar e gerar desenvolvimento. O Comitê Estadual da Rede Integrada dos Ecossistemas de Inovação do Ceará, por exemplo, define diretrizes e prioridades, enquanto as instituições de ensino superior (IES) formam a base do ecossistema. A Universidade Federal do Ceará (UFC) tem sido um motor central, lançando ambientes promotores de inovação, como o UFC TechHub (o primeiro hub de inovação de uma IES federal) e uma nova Política de Inovação que prioriza o surgimento de Spin-offs Acadêmicas.

Paralelamente, a Fiocruz Ceará materializou uma articulação estratégica com as quatro universidades cearenses, posicionando-se como o primeiro parque do Brasil a integrar projetos de inovação tecnológica na produção de insumos e diagnósticos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Essa rede é alimentada por talentos de reconhecimento global, evidenciado pela inclusão de 25 pesquisadores da UFC no ranking Elsevier/Stanford de cientistas mais influentes do mundo.

Disso tudo, colhe-se impacto econômico. Como você poderá conferir nas páginas a seguir, o conhecimento gerado nos laboratórios está se materializando em produtos essenciais, e um exemplo é o curativo bioativo e biodegradável desenvolvido na UFC pelo pesquisador Rodrigo Vieira, com foco na reconstrução óssea. O produto, que se tornou a base da spin-off Bioheling, estimula o crescimento ósseo e é absorvido pelo organismo, eliminando a necessidade de uma segunda cirurgia e reduzindo a dependência de produtos importados. O sucesso demonstra a importância da interdisciplinaridade, unindo engenharia química e odontologia para aprimorar as tecnologias desenvolvidas.

Já o Instituto Federal do Ceará (IFCE) também contribui com a conexão pesquisa-mercado através do seu Polo de Inovação, que já desenvolveu projetos que geraram mais de R$ 230 milhões e mais de 400 registros de propriedade intelectual.

A conversão dessas pesquisas em negócios de densidade tecnológica, como a 3V3 Tecnologia (agricultura) e a G4 Flex (CRM/IA), define o crescimento. O processo, que depende de financiamento contínuo de agências como CNPq, FUNCAP e FINEP, transforma a produção científica em ativos econômicos.

Não por acaso, o PIB do Ceará em 2024 cresceu mais que o dobro do PIB nacional, de acordo com Ipece e IBGE. A formação de recursos humanos qualificados e a criação de novos empreendimentos garantem que ciência, tecnologia e empreendedorismo se tornem pautas prioritárias, consolidando o conhecimento como a principal alavanca do desenvolvimento cearense. A inovação no Ceará é, portanto, um projeto de impacto. Boa leitura!

Acesse o site:

especial.opovo.com.br/raiox/

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RAIO X 2025

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Repórter: Caio Castelo

INOVAR PARAEMPREENDER

PESQUISADORES, GESTORES E EDUCADORES, EM

DIÁLOGO COM O ESTADO E COM O SETOR PRODUTIVO, VÊM TRANSFORMANDO

CONHECIMENTO EM SOLUÇÕES QUE GERAM

IMPACTO ECONÔMICO

OCeará vem consolidando um modelo de desenvolvimento baseado em ciência, tecnologia e inovação. A construção desse ecossistema passa pela articulação entre diversas iniciativas, muitas vezes desenvolvidas em conjunto com múltiplos atores. Wally Menezes, reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e presidente do Comitê Estadual da Rede Integrada dos Eossistemas de Inovação do Ceará, e Abraão Freires Saraiva Júnior, coordenador do Centro de Empreendedorismo (Cemp) e diretor-presidente do Parque Tecnológico (Partec) da Universidade Federal do Ceará (UFC), oferecem um panorama da efervescência acadêmica e científica cearense.

DESENVOLVIMENTO EM REDE

À frente do Comitê Estadual da Rede Integrada dos Eossistemas de Inovação do Ceará, Wally Menezes descreve o colegiado como um espaço de integração entre universidade, institutos federais, governo, setor privado e sociedade civil. Tendo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Ceará (Sebrae Ceará) na liderança dessa integração, a missão do comitê é orientar e definir diretrizes, estratégias e prioridades para a ciência, tecnologia e inovação no Estado. Dessa forma, projetos inovadores e com foco em desenvolvimento sustentável são gerados e impulsionados através da extensão, da pesquisa e da parceria entre diferentes entidades. Na UFC, o Centro de Empreendedorismo atua para sensibilizar a comunidade acadêmica, formar competências empreendedoras e apoiar o nascimento de novos negócios. O coordenador Abraão Saraiva discute a importância de ambientes promotores de inovação nas instituições de educação superior.

“Parques tecnológicos, incubadoras de negócios e iniciativas como programas de bolsas e estímulo ao desenvolvimento de startups e spin-offs acadêmicas facilitam esse processo de transferência do conhecimento, entre o que é gerado na universidade e as demandas da sociedade”.

É o caso do UFC TechHub, lançado em maio deste ano em parceria com a Neo Ventures, empresa que estrutura hubs de inovação no Brasil e no exterior. Primeiro hub de inovação de uma instituição federal de ensino superior no País, a iniciativa soma-se a programas como o Parque Tecnológico e a incubadora de startups e spin-offs da UFC, formando um conjunto de ações voltadas ao empreendedorismo inovador.

“Em 2024, o PIB do Ceará cresceu mais que o dobro do PIB nacional. Isso é comprovado por indicadores econômicos aos quais pesquisa, desenvolvimento e inovação estão intimamente ligados”

Geração de valor

Embora mensurar com precisão o impacto direto da inovação no PIB seja complexo, Wally lembra que o Ceará figura entre os líderes nacionais em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, atraindo grandes empresas nacionais e internacionais de áreas como tecnologia, energia, saúde e economia criativa.

“Em 2024, o PIB do Ceará cresceu mais que o dobro do PIB nacional. Isso é comprovado por indicadores econômicos aos quais pesquisa, desenvolvimento e inovação estão intimamente ligados”, observa.

Abraão, por sua vez, ressalta que as contribuições da inovação para o desenvolvimento econômico também podem ser compreendidas de forma ampla: novos empreendimentos, geração de empregos, formação de recursos humanos altamente qualificados, a própria produção científica e ativos de propriedade intelectual são algumas delas.

Ele defende que “é impossível concebermos uma sociedade desenvolvida sem que ciência, tecnologia, inovação e estímulo ao empreendedorismo sejam pautas prioritárias. Isso já foi demonstrado no mundo inteiro”.

Pesquisa e mercado

Exemplos de empresas nascidas dentro de laboratórios do IFCE e que hoje movimentam setores estratégicos do Estado são a 3V3 Tecnologia, voltada à agricultura; a G4 Flex, que desenvolve soluções de CRM, omnichannel e IA generativa; e o Sítio São Francisco, na Ibiapaba, referência em agricultura orgânica. “Mesmo começando pequenos, como negócio nascido no Interior do Estado ou em algum laboratório de pesquisa, cada uma dessas empresas superarou grandes desafios”, conta Wally. No IFCE, essa conexão é fortalecida pelo Polo de Inovação, unidade credenciada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), que hoje desenvolve projetos em parceria com mais de 200 empresas e que já geraram mais de R$ 230 milhões e mais de 400 registros de propriedade intelectual.

Além das startups, as Spin-offs Acadêmicas também oferecem soluções inovadoras, promovendo um modelo que reduz dependência tecnológica externa e aumenta a complexidade da economia local. São empresas formadas a partir de pesquisas realizadas na própria Universidade e das quais pesquisadores, professores ou servidores são sócios, e que podem se tornar negócios capazes de gerar receita, emprego e impostos e movimentar a economia com densidade tecnológica. “Recentemente, lançamos na UFC nossa Agência de Inovação, que reúne áreas que tocam empreendedores de inovação na Universidade. Lançamos também nossa nova Política de Inovação, pontuando o estímulo ao empreendedorismo e inovação na Universidade com destaque à formação de Spin-offs Acadêmicas”, conta Abraão.

NÚMEROS

2024

Ano em que o PIB do Ceará cresceu mais que o dobro do PIB nacional*.

Mais de 200 empresas parceiras

Quantidade de empresas com as quais o Polo de Inovação do IFCE mantém projetos em cooperação.

Mais de R$ 230 milhões

Valor já gerado pelos projetos desenvolvidos pelo Polo de Inovação do IFCE em parceria com o setor produtivo.

Mais de 400

Registros de propriedade intelectual gerados no IFCE. Número de ativos gerados a partir dessas iniciativas de pesquisa e inovação.

Fonte: Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Educação técnica para transformar

No ecossistema de inovação, o IFCE possui um papel singular, que oferece formação do Ensino Médio Tecnológico ao Doutorado. “Essa verticalização permite-nos trabalhar com uma formação técnica que atenda as necessidades das empresas e da sociedade”, afirma o reitor Wally Menezes, que também atribui à interiorização da instituição, presente hoje em 33 campi e em expansão, sua capacidade de fixar talentos no interior e mudar a matriz econômica do Estado.

“Por este motivo, grandes projetos do setor de tecnologia como datacenters, redes 5G, Inteligência Artificial; e também na energia e na saúde têm encontrado segurança jurídica e de formação técnica e tecnológica para se desenvolver”, explica. Hoje, IFCE, Centec, escolas profissionalizantes e

universidades públicas e privadas oferecem cursos voltados às áreas de energia renovável, tecnologia e logística. Da formação inicial à pós-graduação, Wally demonstra como esta articulação é reflexo das necessidades e potenciais econômicos do futuro próximo. “A logística tem conexão com a ZPE (Zona de Processamento de Exportação), o Complexo Portuário do Pecém e a Transnordestina. A energia renovável se deve à capacidade de geração do Ceará, que tem potencial para gerar 644 GW de energia só com a fonte solar, 3 vezes mais que o consumo médio do Brasil. Isso sem considerar a energia eólica onshore e offshore, o que inclusive já garante energia para a implantação dos datacenters, no setor da tecnologia”.

Impacto que reflete na sociedade

A conversão de pesquisas em produtos e serviços requer segurança jurídica, investimentos e parcerias. Abraão vê esse potencial impulsionado também por programas de fomento de instituições como Funcap, Finep, BNB, Sebrae e FIEC, além de hubs e outras iniciativas privadas que fortalecem a cultura empreendedora.

“Os incentivos fiscais e editais de fomento são cruciais. A inovação não é um processo espontâneo, é algo que deve ser estruturado e articulado entre vários atores”.

Para Wally, o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação é mais um elemento que

trouxe clareza para que os processos de cooperação entre atores da Academia, empresas e governo impactem positivamente com soluções inovadoras. “O melhor do Ceará é o cearense. É este capital intelectual intangível que transita como uma grande rede de conhecimento que envolve arte, cultura, tecnologia, economia criativa, formação, expansão e interiorização da educação. Esse compromisso deve ser um projeto de Estado e que certamente tem no Ceará, a Terra da Luz, esse aprender fazendo e inovando sempre”, avalia.

O Ceará é celeiro de grandes empreendedores e talentos. Por isso, possui um ambiente fértil, com apoio governamental, institucional e acadêmico visando o desenvolvimento de negócios a partir da pesquisa e da inovação”

Wally Menezes, reitor do IFCE e presidente do Comitê Estadual da Rede Integrada dos Eossistemas de Inovação do Ceará

PESQUISAS GERANDO NEGÓCIOS

3v3 Tecnologia

Desenvolve sensores que utilizam inteligência artificial para medir o estresse hídrico das plantas. Seus sistemas para automação e monitoramento da irrigação agrícola geram economia de água, energia e mão de obra.

G4 Flex

Ferramenta de gestão de clientes. Oferece soluções CRM Omnichannel para conectar pessoas e aumentar sua eficiência no relacionamento. Conta com plataforma de gestão de relacionamento unificada, integrando todos os pontos de contato dos clientes ao seu histórico de relacionamento comercial e técnico.

Acqualog

Solução de monitoramento acessível para água potável em áreas rurais. Usa sensores para medir remotamente variáveis hidrométricas e qualitativas e assim reduzir custos de análise, prevenir escassez hídrica e otimizar o monitoramento do consumo de água.

Instituto Bojogá

Utiliza tecnologias de jogos para a inovação de pessoas e empresas nos eixos da gamecultura. Realiza atividades formativas para estudantes e professores usando os games, além de criar propriedades intelectuais, como jogos analógicos e digitais, VR, AR e gamificação.

Pluvialis Biotech

Visa alavancar a bioeconomia brasileira produzindo em território nacional a biomassa seca da microalga H. pluvialis, que hoje tem sua toda demanda integralmente atendida por importação de países como China, Israel e Índia. O protótipo gerado deverá ter competitividade em qualidade e preço, além de reduzir a dependência externa.

Virtutis Energy

Fintech de energia que desenvolve e gerencia usinas fotovoltaicas de microgeração distribuída. A partir de sua locação, proporciona redução dos custos com eletricidade a seus clientes e retorno financeiro mensal a seus investidores.

JÚLIO CAESAR
Wally Menezes, reitor do IFCE
DIVULGAÇÃO

FIOCRUZ: INOVAÇÃO NO CUIDADO

COM PROJETOS QUE TRANSFORMAM A PESQUISA CIENTÍFICA EM IMPACTO SOCIAL NA SAÚDE, O PAPEL DA FIOCRUZ NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS E DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES TEM PROMOVIDO MAIOR QUALIDADE DE VIDA EM DIFERENTES TERRITÓRIOS

Uma pessoa idosa requer atenção e cuidados que, dependendo de suas necessidades, envolvem desde a família a toda uma equipe de profissionais dedicados ao seu bem-estar. Em situações assim, recursos e ferramentas que ajudem a manter os fluxos sem comprometer o idoso nem sobrecarregar seus cuidadores ou até mesmo o sistema de saúde podem trazer benefícios pessoais, sociais e econômicos. Com financiamento do Programa Inova Fiocruz, a plataforma digital Zelo Saúde visa facilitar e otimizar esta rotina. “Esse sistema organiza a rotina de cuidados, facilita a comunicação entre profissionais de saúde e familiares e contribui para reduzir internações hospitalares e custos assistenciais, além de reunir informações clínicas em um prontuário eletrônico estruturado”, descreve Carla Celedonio, coordenadora da unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará.

Quando foi implantada, a Fiocruz Ceará materializou uma articulação estratégica entre Fundação Oswaldo Cruz, Governos Estadual e Municipal e as quatro universidades cearenses. Com o propósito de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do Nordeste e reduzir desigualdades regionais por meio de Ciência, Tecnologia e Inovação, a instituição é hoje o primeiro parque do Brasil a integrar projetos de inovação tecnológica na produção de medicamentos, insumos e diagnósticos para atender da saúde básica à medicina de alta complexidade. Outra solução digital e que reflete este propósito é o software Jordana, ferramenta para fortalecer a linha de cuidado do câncer do colo uterino. Desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, Organização Panamericana de Saúde e Instituto de Biologia Molecular do Paraná, o sistema centraliza informações, gera convites automáticos para exames, orienta a periodicidade conforme o histórico de cada paciente e alerta equipes de saúde sobre atrasos ou riscos.

Potencial ilimitado

Além desses produtos já disponíveis, Carla conta que há ainda uma variedade de insumos biotecnológicos em diferentes estágios de desenvolvimento, alguns deles aguardando parcerias ou financiamentos para serem disponibilizados à sociedade, além de uma vasta base de conhecimento científico.

“A Fiocruz Ceará tem disponibilizado resultados relevantes por meio de teses, dissertações, artigos científicos, notas técnicas, protocolos, sistemas gerenciais, livros e patentes desenvolvidos por nossos pesquisadores e alunos. Isso contribui para o fortalecimento das políticas públicas de saúde e para a disseminação do conhecimento junto à sociedade”, explica.

A coordenadora reforça que as ações da Fiocruz Ceará refletem o compromisso institucional com a Ciência, a democracia e a melhoria da qualidade de vida da população. Para tal, destaca três focos estratégicos de atuação: Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde Por meio da Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (RENASF) e do Mestrado Profis-

sional em Saúde da Família (ProfSaúde), a Fiocruz amplia a qualificação de profissionais da saúde e fortalece o cuidado integral, visando a formação em saúde na perspectiva da Saúde da Família e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Pesquisas participativas e vigilância em saúde Frente voltada a compreender e transformar realidades de populações urbanas e rurais que vivenciam vulnerabilidades sociais, violação de direitos e dificuldades de acesso ao cuidado. O foco é compreender estes contextos e transformá-los por meio de pesquisas participativas para subsidiar tomadas de decisão, potencializando também as ações do SUS.

Soluções biotecnológicas e digitais

A Fiocruz Ceará avança em iniciativas que vão de soluções digitais em saúde, como a vigilância genômica e o monitoramento de patógenos, ao desenvolvimento de insumos biotecnológicos, com ênfase em diagnósticos e terapias para câncer, doenças neurodegenerativas, infecciosas e condições tropicais negligenciadas.

A Fiocruz Ceará tem disponibilizado resultados relevantes por meio de teses, dissertações, artigos científicos, notas técnicas, protocolos, sistemas gerenciais, livros e patentes desenvolvidos por nossos pesquisadores e alunos”

Carla Celedonio, coordenadora da Fiocruz Ceará

A Fiocruz Ceará conta com uma combinação de fontes para financiar suas pesquisas. Entre as principais, estão o financiamento interno da própria Fiocruz, recursos do Ministério da Saúde e editais de agências de fomento estaduais e nacionais, como FUNCAP, CNPq e FINEP.

Financiamento e parcerias

A Fiocruz Ceará conta com uma combinação de fontes para financiar suas pesquisas. Entre as principais, estão o financiamento interno da própria Fiocruz, recursos do Ministério da Saúde e editais de agências de fomento estaduais e nacionais, como FUNCAP, CNPq e FINEP. Carla enumera alguns dos objetivos para os quais estes recursos são destinados: “Esses financiamentos permitem o desenvolvimento das etapas científicas, a formação de estudantes, a aquisição de equipamentos e a sustentação das atividades dos laboratórios e grupos de pesquisa”. Por meio de acordos de cooperação técnica com laboratórios farmacêuticos, empresas de base tecnológica e instituições públicas, a Fiocruz também firma parcerias com o setor produtivo e participa de editais de inovação aberta, levando ao mercado soluções inovadoras que impactam da saúde à economia. “Essas colaborações possibilitam o compartilhamento de competências técnicas, a aceleração do desenvolvimento de produtos, o incremento da infraestrutura e o fortalecimento da transferência de tecnologia, contribuindo para que soluções inovadoras cheguem mais rapidamente à população”, detalha.

Pensar o Brasil a partir do Ceará

Com foco em reduzir desigualdades e qualificar o cuidado, a Fiocruz Ceará propõe um modelo de inovação em saúde que dialoga com os desafios do País. Integrando formação, biotecnologia e tecnologia digital, a instituição se posiciona como um dos pólos mais avançados do Brasil, contribuindo para a ampliação do impacto social de suas ações e para o fortalecimento do SUS.

PESQUISAS EM ANDAMENTO HOJE

1

Efeitos da COVID-19 e da violência sobre o processo de trabalho e saúde mental entre agentes comunitários de saúde no Brasil.

4

Monitoramento e vigilância epidemiológica de vulnerabilidades sociais, insegurança alimentar e agravos de saúde.

7

Desenvolvimento de um método diagnóstico laboratorial para esquizofrenia usando metabolômica.

10

Nanocorpos de camelídeos como ferramentas biotecnológicas para o desenvolvimento de novos fármacos e métodos diagnósticos.

2A promoção da saúde mental de jovens e adolescentes: visibilidade e empoderamento.

5Desenvolvimento de soluções digitais aplicadas à gestão, prevenção e cuidado para o Sistema Único de Saúde.

8Estudo pré-clínico de produtos naturais em modelos de inflamação, infecção e dor.

11Monitoramento e vigilância entomológica: cenário atual e perspectivas da doença de Chagas em uma regional de saúde do Ceará.

3

Famílias com crianças autistas na atenção primária: relações entre consumo familiar de alimentos ultraprocessados e o risco para disbiose, diabetes tipo 2 e resistência à insulina infantil.

6Estudos computacionais de otimização de moléculas (proteínas e anticorpos) como ferramentas para o desenvolvimento de novos fármacos e terapias personalizadas.

9

Sistemas terapêuticos e profiláticos baseados em nanopartículas para aplicação em doenças infecciosas e câncer.

12

Estudo da resposta imunológica em pacientes com hepatite C no Ceará.

Carla Celedonio, coordenadora da Fiocruz Ceará
DIVULGAÇÃO

CIÊNCIA CEARENSE

Erika Luz e seu orientador, Rodrigo Vieira, pesquisam sobre curativos ósseos

Aprimoramento interdisciplinar

Foi a partir das pesquisas de mestrado e doutorado de Erika Luz que o projeto surgiu, desenvolvendo formulações e realizando testes in-vitro. A pesquisa tem orientação dos professores Rodrigo Vieira e Fábia Karine Andrade, ambos do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFC, e da pesquisadora Morsyleide de Freitas Rosa. Em parceria com o Prof. Igor Iuco Castro da Silva, do Curso de Odontologia do Campus de Sobral, e com a Prof.ª Vilma de Lima, da Pós-Graduação em Farmacologia e Odontologia do Campus do Porangabuçu, a equipe realizou testes em modelos animais e agora estão realizando os ensaios clínicos para avaliar a capacidade do material de induzir o crescimento ósseo. Rodrigo destaca como a interdisciplinaridade contribui para o aprimoramento das tecnologias desenvolvidas. “As áreas precisam se correlacionar para um mesmo propósito, cada uma agindo dentro da sua competência. Minha contribuição como engenheiro químico em uma pesquisa em odontologia é um exemplo notável de como a interdisciplinaridade é necessária. Nós, engenheiros químicos, entendemos as classes de materiais, suas propriedades (biocompabilidade, resistência, bioatividade) e como essas propriedades podem ser modificadas quimicamente e fisicamente para aumentar suas propriedades biológicas. Já a odontologia evidencia a necessidade e os desafios que os materiais de uso odontológico existentes enfrentam”, detalha.

UFC desenvole pesquisa sobre curativos ósseos

Importância econômica

Até o momento, as pesquisas têm sido financiadas por órgãos como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O produto está sendo testado desde 2024 em humanos, pelas clínicas odontológicas da UFC Campus Sobral, e conta com financiamento da Finep para a construção de uma planta-piloto com o intuito de aumentar a produção em escala. “Essa planta-piloto tem grande importância econômica, pois será mais fácil produzir o material em maior quantidade e baixar o custo, tornando-o mais acessível à comercialização”, explica Rodrigo. Os próximos passos incluem a compilação de todos os resultados desde o início das pesquisas até a validação em humanos. Essas informações irão compor um dossiê técnico para um futuro registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A autorização de comercialização pela Anvisa é uma etapa bastante onerosa e ainda depende de fontes de financiamento, das quais estamos em busca”, projeta o pesquisador.

Iniciada na UFC, essa pesquisa hoje vem sendo desenvolvida e executada pela Startup Bioheling, uma spin-off da UFC da qual Rodrigo Vieira é Diretor Científico (CSO). A empresa foca no desenvolvimento de produtos avançados para resolver problemas relacionados à cicatrização crônica.

“Além desse curativo, temos curativos dérmicos para diferentes tipos de lesões cutâneas já testados em humanos, com resultados promissores. Com isso, pretendemos dar continuidade no processo de registro para que possam chegar à sociedade”, conta Rodrigo, referindo-se ao curativo dérmico Grafderm, à base de biocelulose e nanopartículas de grafeno e prata. O produto funciona simultaneamente como medicamento e curativo, com propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias.

Pesquisas como estas geram impacto tanto na saúde quanto na economia. Ao otimizar processos, reduzir etapas e eliminar a dependência de materiais importados, Rodrigo e sua equipe se aproximam cada vez mais de sua meta de “entregar uma tecnologia eficiente e útil à sociedade”.

Da pesquisa ao mercado

Para que um novo produto chegue às prateleiras, diversas etapas são cumpridas, ao longo de alguns anos. Elas compreendem desde as pesquisas que levam a seu desenvolvimento até exigências técnicas, éticas e regulatórias. Para isso, parcerias e financiamentos envolvendo universidades, cen-

tros de pesquisa, o Estado e o setor produtivo são fundamentais. Se, por um lado, a pesquisa requer investimentos altos, por outro, traz retornos significativos para a sociedade e para as instituições, que tendem a se modernizar e melhorar seus padrões de qualidade.

Pesquisa e desenvolvimento

Pesquisa clínica

Escalonamento e produção 01 02 03 04

CONHEÇA AS ETAPAS:

1. Pesquisa e desenvolvimento: inclui ensaios preliminares e prova de conceito para validar a viabilidade de uma ideia; 2. Ensaios não clínicos: não envolve testes em seres humanos. O objetivo é determinar a segurança de um medicamento;

Ensaios não clínicos

3. Pesquisa clínica: dividida em quatro fases, é realizada após os resultados da pesquisa préclínica justificarem a realização da pesquisa em humanos. Avalia a eficácia do produto e visa obter aprovação junto às agências regulatórias; 4. Escalonamento e produção: o produto é preparado em larga escala e disponibilizado ao público.

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